Filho da desembargadora pego com 129kg de maconha e o Morro da Dita

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Cena do documentário "Morro dos Prazeres", de Maria Augusta Ramos.

No dia 21 de julho, o filho de uma desembargadora do Mato Grosso do Sul deixou o presídio. Pego com 129 quilos de maconha e 270 munições, o filhinho desta senhora, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do estado, escapou. Foi transferido para uma clínica psiquiátrica para reabilitação. Problemas mentais? Bem… maluquice mesmo seria alguém acreditar que ele fumaria esses 129kg de erva sozinho.

Enquanto isso, no Morro da Dita, facções se matam para ter o controle de um ponto de drogas que, possivelmente, poderia vender toda essa maconha em São Gonçalo.

Breno Fernando Solon Borges, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargadora Tânia Garcia Freitas, liberado para ser "tratado" depois de ser preso com 129 quilos de maconha e 270 munições.
Breno Fernando Solon Borges, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargadora Tânia Garcia Freitas, liberado para ser “tratado” depois de ser preso com 129 quilos de maconha e 270 munições. Fonte: Juliene Katayama, G1 MS.

O filho da desembargadora não é filho de qualquer um

Ainda persistimos em olhar algumas pessoas como melhores que outras. E antes que você tenda a repetir que “só no Brasil acontecem essas coisas”, preciso lhe dizer que esse fenômeno é mundial.

A guerra às drogas fomenta o uso contínuo de armamentos pelos traficantes, sendo responsáveis por boa parte das mortes por armas de fogo no Brasil.

Mas enquanto parentes de pessoas ligadas à justiça e à política não forem tratados como os traficantes do Morro da Dita, continuaremos enxugando gelo, deixando que todas as drogas cheguem facilmente aqui.

E na hora de mostrar serviço, prenderemos apenas os moleques pobres, ao invés dos vagabundos ricos. Afinal, se a lei é a mesma, a cadeia deve ser para todos. Sem distinção.

Não prender um marginal graúdo é burrice. Ou mau-caratismo mesmo.

Homicídio no Jockey, região do Morro da Dita. Foto: Foto: Julio Diniz / O São Gonçalo
Homicídio no Jockey, região do Morro da Dita. Foto: Foto: Julio Diniz / O São Gonçalo

O Morro da Dita seria assim se a guerra às drogas fosse cessada ou se o estado prendesse na fonte?

Suponho que não.

Em geral, as pessoas tendem a querer tomar partido por um caminho solucionador de todos os problemas. É legítimo. Mas nem sempre é o ideal.

Este post, entretanto, não é para discutirmos sobre a liberação ou não das drogas. E sim para que fique claro e registrado como as pessoas podem ser tratadas como lixo ou coitadinhos, dependendo de suas origens.

Tendo a acreditar que qualquer solução punitiva sempre será mais benevolente com aqueles que sempre tiveram privilégios no Brasil. A Operação Lava-Jato está deixando claro que, mesmo presos, os bandidos ricos ficam nas melhores cadeias e com as celas mais que especiais.

Por isso, fica o alerta: lembre sempre de casos como esse. E da próxima vez que protestar, faça pressão para que esses grandes traficantes ricos sejam presos e expurgados. Enquanto eles estiverem na ativa, lá no Morro da Dita e em qualquer outra favela do Brasil, continuaremos enxugando gelo.

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