No último domingo, 10 de setembro, o Campo do Bairro Rosane viveu um momento especial. O Estação Rio, produzido pela TV Globo, levou quase 10 mil pessoas ao bairro, dando início às comemorações do aniversário de São Gonçalo.

Dessa vez, a parceria com a prefeitura deu certo. Aliás, temos que dar parabéns aos profissionais municipais. Depois de uma forte desconfiança de parte da população, especialmente por conta da segurança, o evento transcorreu na paz. Um grande número de famílias compareceu à Arena do Bairro Rosane. Uma festa que há tempos não víamos por aqui.

Como tudo na vida, é importante fazermos uma análise. Especialmente para criarmos nosso caderninho de “lições aprendidas”. Ou seja, o que deu muito certo e o que precisamos consertar.

Palco do Estação Rio no Campo do Bairro Rosane, São Gonçalo
Palco do Estação Rio no Campo do Bairro Rosane, São Gonçalo, setembro de 2017. Foto: Romário Régis

Bairro Rosane: valorizando os bairros de São Gonçalo

Quando vi o anúncio do local onde aconteceriam os shows, percebi que, finalmente, os produtores culturais entenderam que os bairros são nossa maior potência. Em cidades grandes como a nossa, o pequeno território é o grande ponto de referência para as pessoas.

Depois de 8 meses de governo, a inércia da prefeitura com a conservação do bairro teve um fim. Os agentes municipais prepararam o local, podando as árvores, retirando o lixo do campo, deixando a arena pronta para o Estação Rio.

Público no show do Turma do Pagode, no Estação Rio em São Gonçalo, no Campo do Bairro Rosane. Setembro/2017 Foto: Matheus Graciano / SIM São Goncalo

A logística do evento no bairro

Um dos pontos altos desse local é a divisão do espaço físico criada pela rua. A disposição dos banheiros químicos e a presença da ambulância de pronto-atendimento nessa área de escape, à esquerda do palco, criaram dois ambientes fáceis de localizar visualmente.

Enquanto isso, o público curtia o palco no canteiro central. Mesmo com quase 10 mil pessoas na região, ficou confortável para todos que estavam no evento.

O problema crônico, que persistiu, foi o engarrafamento na entrada do evento. Infelizmente, todas as ruas de São Gonçalo (inclusive as centrais) são estreitas. Dessa forma, qualquer coisa que aconteça nas ruas já é o suficiente para congestionar as vias.

Turma do Pagode em ação, no show do Estação Rio em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Ainda sim, a atuação da Guarda Municipal merece elogios. Tanto pela contribuição na organização geral, quanto na segurança. Não presenciamos confusões, tumultos, nem nada. Uma tranquilidade.

Perto para alguns, distante para outros

Atualmente, há dois pontos referência quando o assunto são eventos de rua em São Gonçalo. O primeiro deles é o Zé Garoto, região central da cidade, ao lado da câmara de vereadores. O outro é o Paraíso/Patronato, que tem na praça dos ex-combatentes um palco tradicional para eventos de rua, especialmente no carnaval.

Ambos os locais são fartos em opções de transporte, diferente do Bairro Rosane por exemplo. Apesar do último ser próximo ao centro, o desconhecimento dos ônibus e da dinâmica local faz com que aqueles que não tem intimidade com a região tenham mais receio de ir até lá.

Há indícios de que novos eventos acontecerão em outros bairros, mudando a centralidade tradicional dos eventos na cidade. Um ponto positivo para quem nunca viu um show grandioso acontecendo a poucos metros de sua casa. Levando, inclusive, os benefícios da conservação do local (que deveria ser constante pela prefeitura).

Vista do fundo do Campo do Bairro Rosane
Vista da entrada da “Rosane Arena”. À esquerda, ficaram as barracas com comidas e bebidas. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Empreendedores locais eram minoria

O evento foi fonte de renda para muitos também. As barracas eram diversas. Pastéis, Churros, Batatas Turbinadas, Coquetéis, Refrigerantes, Cervejas e até mesmo Algodão Doce eram vendidos por lá. Mas a cada comerciante que perguntávamos a origem, a resposta nunca era de um bairro gonçalense.

O "Churrão da Gabi" marcando presença no Estação Rio em São Gonçalo. Foto: Sim São Gonçalo
O “Churrão da Gabi” marcando presença no Estação Rio em São Gonçalo. Foto: Sim São Gonçalo

A Gabi, por exemplo, é de Cabo Frio. A barraca dela é um sucesso! Com batatas fritas e churros, os sabores explodem o paladar. Segundo ela, depois de alguns eventos, eles finalmente conseguiram autorização para se instalar no evento do Estação Rio.

Já o Paulo veio de Caxias. Seu algodão-doce vendeu bem. Mais um exemplo de como os eventos na cidade têm potencial para gerar renda. Ainda sim, é curioso ver que os vendedores e ambulantes de outras cidades conseguiram mais acesso ao evento que os nossos locais.

Vendedor de algodão-doce no bairro Rosane
O Paulo é vendedor de algodão-doce. Veio de Caxias para o evento no Campo do Bairro Rosane. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Segundo envolvidos no evento, a questão dos ambulantes é o maior problema de ordenamento urbano na cidade. Como a postura não recolhe dados, nem possui um cadastro estruturado das barracas e vendedores ambulantes em São Gonçalo, fica difícil organizá-los e convidá-los.

Sem cadastros, não é possível saber de qual bairro são, o que fornecem, seu tempo de trabalho na função, nem sua capacidade de entrega.

O Júlio César veio de Santa Cruz para trabalhar no evento. Segundo ele, o movimento estava melhor do que nunca. Foto: SIM São Gonçalo
O Júlio César (à direita) veio de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, para trabalhar no evento. Segundo ele, o movimento estava melhor do que nunca. Foto: SIM São Gonçalo

Outros disseram que os poucos ambulantes que conseguiram entrar na parte interna, só conseguiram por intermédio de vereadores. Mais uma prova que a pouca atitude da prefeitura alimenta o clientelismo do legislativo. Até nisso, é preciso ter um “vereador amigo do bairro”, o que é lamentável para uma cidade com 1 milhão de habitantes.

Saldo final é muito positivo para São Gonçalo

Com erros e acertos, é impossível não dizer que o evento do Estação Rio no Campo do Bairro Rosane foi um sucesso. Especialmente por ter custado tão pouco aos cofres públicos, com as horas de trabalho dos funcionários.

A expectativa agora é que os agentes públicos aproveitem a experiência obtida nos últimos eventos e melhorem ainda mais.

Equipe de limpeza da Prefeitura de São Gonçalo atuando no local, um dia após o evento. Foto: Romário Régis
Equipe de limpeza da Prefeitura de São Gonçalo atuando no local, um dia após o evento. Foto: Romário Régis

Ainda há muitas pessoas que não compreendem o valor dos eventos, nem da cultura para a região. Muito se fala sobre saúde e educação. Entretanto, os comentários limitados não conseguem reconhecer que a saúde mental e a autoestima das pessoas são propulsores de uma vida mais saudável para todos nós. Sim, a cultura importa.

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