Escolas sem vagas e quebradas: sucateamento da rede estadual é real

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Instituto de Educação Clélia Nanci – uma escola da rede estadual sem vagas

O sucateamento das escolas estaduais é real. E em 2018, último ano do grupo Cabral – Pezão no poder, foi dado o golpe final. Mesmo com capacidade para receber alunos, há escolas sem vagas e quebradas. O capítulo dessa semana aconteceu no Instituto de Educação Clélia Nanci, tradicional escola que fica na Brasilândia.

Segundo professores, funcionários e pais de alunos, não foi possível fazer a inscrição dos alunos pelo processo online. “É como se a Seeduc (Secretaria de Educação) estivesse boicotando as vagas da instituição”, relatam. Até mesmo o RJTV, da Rede Globo, foi até a escola para conferir e mostrar a situação de vários alunos que ainda não têm onde estudar.

Dos colégios quebrados às escolas sem vagas

Um dos exemplos que chamamos a atenção há algum tempo é o do Colégio Estadual Tarcísio Bueno, no Paraíso. Desde agosto de 2015, quando o telhado de parte da escola caiu, o governo do estado mantém o prédio interditado. O corpo técnico foi transferido para o CIEP ao lado. Outras escolas na mesma condição se encontram fechadas, abandonadas e sem nenhum tipo de manutenção.

O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos
O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos. Foto: Alex Ramos

Como a tática de fechar os prédios faz muito barulho, um novo esquema começou a se desenhar. Basicamente, o plano consiste em bloquear e desmobilizar as matrículas. Uma diretriz da secretaria diz que as escolas só podem abrir novas turmas com 45 alunos. Claramente, a preocupação não é com o bem estar e qualidade do ensino, que poderia ser facilitado com turmas menores. Mas com os custos da educação no estado.

Mesmo com professores disponíveis e salas ociosas, o plano de esvaziamento das escolas está em curso. Dessa forma, será possível justificar uma das medidas mais aguardadas pelo Estado na contenção de custos: banir o ensino fundamental de sua responsabilidade.

A ideia é que o estado mantenha apenas o Ensino Médio, deixando com que os municípios, que recebem dinheiro diretamente das instâncias federais, arquem com todo o ensino infantil e fundamental.

A seguir, um dos grandes responsáveis pela execução dessas medidas: o secretário estadual Wagner Victer. Aquele mesmo que ficou famoso pela situação no RJTV onde, após Mariana Gross perguntar “secretário, o senhor me ouve”, ele diz “ouvo sim”.

Escolas sem vagas é um projeto do Wagner Victer, Secretário Estadual de Educação (2017-2018). Zeca Gonçalves/Agência O Globo
Wagner Victer, Secretário Estadual de Educação (2017-2018). Zeca Gonçalves/Agência O Globo

Próximo passo: professores

Mas o plano não termina apenas deixando as escolas ociosas. É bom lembrar que há professores disponíveis para ministrar aulas. E uma vez que eles estejam ociosos, serão enviados para sabe-se Deus onde.

Há relatos sobre funcionários que foram mandados para outras cidades para dar aulas. E não estamos falando de Niterói, que é aqui do lado. Mas de municípios como Rio Bonito e Silva Jardim. Um desrespeito aos concursos prestados cujas vagas eram nas cidades escolhidas pelo profissional.

Outras situações absurdas também são comentadas. Uma delas é a de professores que são designados para dar aulas de outras disciplinas as quais não estão habilitados. Uma forma de “tapar o buraco” das disciplinas sem ninguém para lecionar.

Muitos afirmam ainda que este processo é uma forma de forçar exonerações.

O futuro da educação num estado falido

Dia 31 de janeiro de 2018, um grupo de professores lançou um manifesto contra o que chamam de “Otimização da Rede“. Que nada mais é do que esse projeto que está deixando as escolas sem vagas.

Pensando a longo prazo, fica cada vez mais difícil acreditar que o futuro da educação pública terá uma guinada nos próximos anos.

Além do desmonte claro das estruturas físicas e profissionais, há também um nítido afastamento dos melhores quadros da sociedade do campo da educação. Afinal, sem valorização, sempre haverá profissões muito mais atrativas do que a carreira de professor.

Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos que, inclusive, terão em outubro um capítulo nada esperançoso: a escolha de um novo governador.

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