Gonçalismo: um estranho jeito de pensar em São Gonçalo

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São Gonçalo e o Gonçalismo

No início do SIM São Gonçalo, lá em fevereiro de 2012, havia algumas coisas que incomodavam bastante no cenário regional. Elas não eram visíveis. Quando percebi, vi que não bastava mostrar os dados, opiniões ou reclamações. Era preciso mudar o “mindset”. Num português bem claro, mudar o nosso “jeito de pensar”.

“Não se mete com isso!” Você já ouviu essa frase na sua vida? Já ouvi muitas vezes. Muitos escutam isso para as coisas mais simples, como participar de um grupo religioso ou de esporte, por exemplo. Em discussões sobre política, ideias de futuro, novas formas de viver melhor, somos sempre encorajados a não falar nada. Não discutir, nem trocar. Nas discussões em família, ou com amigos, é normal ver aquelas pessoas insistindo em dizer que “isso não é para você”. Tudo feito para desqualificar qualquer ação que você tome. Mesmo que ela seja para o bem-estar de todos.

Não somos únicos com isso. Aliás, algumas vezes, penso que é um problema brasileiro, que certamente acontece em outros países. Porém, por aqui em São Gonçalo, já ouvi um termo bem específico: o Gonçalismo.

Não chega a ser uma doença, mas um sintoma claro de uma cidade que viveu um apogeu financeiro industrial, sendo vizinha da capital do estado (Niterói) e do distrito federal (Rio de Janeiro), que antes foi residência da única corte real que morou nas Américas. Sinal de uma cidade decadente, que quando alguns cidadãos tentam reerguê-la, ouvem um “isso não é para você” novamente.

Mas o que é esse gonçalismo?

Numa definição, o Gonçalismo é um sentimento de recalque com o medo da responsabilidade. Um sintoma para uma doença mortal: a falta de autoestima, a tristeza em seu próprio lar.

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Nos últimos anos, parece que estamos “virando o jogo”. Com a participação de novas pessoas, novas mentes e novos sonhos, estamos encontrando a chave para entrar num novo momento. Não se trata de candidaturas políticas, salvadores, pelo contrário. Nunca o poder das pessoas foi tão fundamental. Finalmente, quem é de São Gonçalo de verdade está disposto a mudar seu “mapa mental”, não permitindo que esse gonçalismo se faça presente, ficando cada vez mais inconformado com cada serviço mal prestado, do fornecimento de água à coleta e tratamento do lixo.

Toda semana, a cada comentário que leio, percebo como estamos revertendo esse quadro clínico. Demora, sei disso. Mas já é um primeiro passo. Aos poucos, conhecemos nossa história, nossa vocação, nosso território e o que podemos fazer por aqui. Para quem achava que a terra era infértil, parece que muita coisa ainda vai nascer por aqui.

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