Andar pelo Centro de São Gonçalo é como passar por um lugar que está em plena decadência. O espaço da linha férrea abriga um caminho de terra por onde há tempos não passa trem. Entra governo, sai governo, essa faixa de lama quando chove perde cada vez mais sentido. E entre promessas de metrôs e BRTs, um longo estacionamento vai se formando. Seja de carros, entulho ou lixo.

Mais conhecido como Rodo, por conta do “rodo” (retorno) que o antigo bonde que ligava São Gonçalo à Niterói fazia no passado, a região viu algumas mudanças de cenário nos últimos 10 anos. Todas calcadas na construção de novos imóveis, mas quase nada feito pela infraestrutura da cidade.

Centro de São Gonçalo, no antigo espaço da linha do trem. Novembro/2017. Foto: SIM São Gonçalo

Alcântara ou Centro de São Gonçalo, quem vale mais?

É comum ver em discussões sobre a cidade uma eventual comparação do Rodo com Alcântara. O potencial comercial do primeiro é visivelmente maior que o do segundo. Entretanto, foi o Centro que viu a construção dos melhores edifícios, além de um shopping estruturalmente melhor que o Pátio Alcântara.

O Centro de São Gonçalo, especialmente nos arredores da Aloísio Neiva, já foi um local residencialmente bem valorizado. Hoje tem preços médios e um agravante: a violência crescente na região. Ainda sim, é possível ver imóveis à venda com uma boa qualidade, e até mesmo recentemente construídos.

Ainda que Alcântara tenha grande movimentação de produtos e serviços, a proximidade do Centro com o 4º distrito, de maior renda e melhor IDH, faz com que os estabelecimentos ali presentes tenham um perfil ligeiramente diferente dos que funcionam em Alcântara, com perfil mais popular.

Loja O Amigão (2017) no Centro de São Gonçalo com o Shopping Partage (2010) ao fundo. Dois pontos de comércio que não existiam na década passada. Foto: SIM São Gonçalo

Paliativos: reforma da Praça Luiz Palmier no governo Panisset

Uma das poucas alterações relevantes no Rodo foi o fechamento da rua que levava diretamente ao Mutuá, conectando-se à Avenida 18 do Forte. Na tentativa de organizar o comércio popular (camelôs), tentou-se diagramar as barracas na rua, alargando a Praça Luiz Palmier, vulgarmente conhecida pela loja da Marisa ali instalada.

O resultado hoje não é dos melhores. Ao final da rua, onde a linha do trem passava, a limpeza e organização não são das melhores. Sem falar que ao redor da praça – em frente à própria Marisa –, novos ambulantes se instalaram por ali.

No final, continuou a mesma bagunça.

Em novembro de 2017, a linha do trem já nem existe mais. Foto: Sim São Gonçalo
Em novembro de 2017, na altura do Ferreirinha, a linha do trem já nem existe mais. Foto: Sim São Gonçalo

E quais os desafios de um novo Centro?

Diante de uma evolução do comércio e consumo na cidade, nos perguntamos constantemente por que a infraestrutura do Centro não mudou.

Sabemos que o grande número de ambulantes, trânsito desordenado, ruas que enchem, fiação excessiva nos postes, entre outros pontos são fatores críticos nesta equação.

Entretanto, investir num remodelamento do Rodo significa ter um potencial maior para que empresas se sintam atraídas e se instalem com mais conforto por aqui, dinamizando a economia local.

É preciso fazer com que esse ecossistema empresarial flua com mais desenvoltura pela cidade. Num futuro onde muitos trabalhos dependerão de boas conexões de internet para funcionar, é essencial que o Centro de São Gonçalo se atualize nesse sentido.

Espaço Salvatori no Centro e seu encontro com a linha do trem. Foto: SIM São Gonçalo © 2017

É claro que um projeto urbanístico não é tão simples quanto escrever. Mas com base em experiências de outras cidades, poderíamos citar:

  • redefinição/alargamento das vias públicas e de novos espaços para pedestres;
  • reordenamento do comércio de rua em locais específicos;
  • enterro dos cabos de energia e fibra ótica para eliminar os postes;
  • melhoria das vias ao redor para melhor conexão com os bairros vizinhos, como Boaçu, Rocha, Estrela do Norte, Zé Garoto, e conexões com a saída para a BR-101;
  • reforma do sistema de saneamento.

É claro que tudo isso precisa ser estudado e planejado para ser viabilizado. Mas se nos organizássemos para pensar em um novo Centro, já seria um belo primeiro passo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente, passarão governos e governos e infelizmente São Gonçalo ficará sempre nesta situação.

    A prefeita Panisset, em sua pífia gestão, só fez reformar praças. O anterior e atual prefeito nada faz.

    Vi alguma melhora em SG na época do Edson Ezequiel, que deu uma maquiada.

    Esses canteiros cheios de barro, lama, poeira e que servem de estacionamento para carros explorados por flanelinhas deveriam limpar, fazer uma ciclovia decente para que pudéssemos circular por este local com segurança, não no meio dos carros.

    O Rodo de São Gonçalo é um verdadeiro horror e sempre foi aquilo ali e até hoje vemos a mesma situação de degradação, sujeira, camelôs, lixo, animais abandonados (tadinhos!) etc…

    É muita falta de comprometimento com a população, pois, falta de tudo neste município.

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  2. Oi, Fernando.

    De fato, talvez as maiores mudanças tenham vindo no governo Ezequiel. Muito por conta do crescimento populacional volumoso nos anos anteriores e que os problemas econômicos não conseguiram superar.

    Panisset e Mulim perderam uma chance de ouro, num momento histórico do Brasil onde tínhamos mais dinheiro em caixa. Mas a miopia e dificuldade de entender o momento, fez São Gonçalo piorar e se esvaziar ainda mais.

    Um próximo ciclo irá demorar, sabemos. Mas se não criarmos as bases de pensamento agora, da próxima vez, vamos errar nos mesmos pontos.

    Obrigado por estar com a gente no SIM São Gonçalo.
    Até mais.

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