2012: O ano que passei a desconfiar das pesquisas eleitorais

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Pesquisas Eleitorais – porque não confiar tanto
Ilustração: Ivan Cabral (2010)

Nasci em 1985, o ano que podemos nomear como “final da ditadura”. Entretanto, as eleições para os governos estaduais já estavam acontecendo, inclusive para o “novo” Estado do Rio de Janeiro. A primeira tinha acontecido em 1982, ano marcado por um dos primeiros escândalos de corrupção nas pesquisas: o caso Proconsult. Ali, a maquiagem nos números foi feita para legitimar as futuras fraudes nas urnas, que foram conferidas de perto pelo grupo que reunia ícones da política fluminense. Os anos passaram, as urnas ficaram mais confiáveis, mas as pesquisas continuam sendo motivo de dúvida até o dia da votação final.

Desde moleque, gosto das eleições. Muito mais pelo lado da renovação de esperanças, do que pela mentirada que boa parte das vezes é contada. Desde garoto, curtia assistir ao horário eleitoral na televisão. Eu insistia em dar uma olhada no “circo” daquele ano. De 1994 para cá, ano das minhas primeiras memórias mais claras, nenhuma eleição me surpreendeu mais que a de 2012, para prefeito de São Gonçalo. E essas tiveram um detalhe especial: as pesquisas.

Um ambiente de virada política pode ser fruto de vários detalhes. Hoje em dia, inclusive, as pesquisas significam muito mais um cheiro do que uma realidade. Num ambiente onde os eleitores buscam em quem vão votar a poucos dias das eleições, tudo pode influenciar, inclusive elas. Por este motivo até, a realização de enquetes já é considerada crime eleitoral, dado o poder persuasivo que os resultados geram nas pessoas. Porém, não foi bem isso que aconteceu em 2012.

Pesquisas Eleitorais 2012 – São Gonçalo
Jornal O São Gonçalo, edição de 23 de outubro de 2012, uma semana antes do 2º turno das eleições municipais.

Os 12,5 pontos percentuais que não significaram nada

Se você não lembra, há uma semana das eleições de segundo turno em 2012, as pesquisas eleitorais davam vitória expressiva para Adolfo Konder, candidato da situação. Porém, não duvido que este motivo tenha colocado gasolina no pleito, fazendo com que o povo votasse “contra” as estimativas da pesquisa. Num cenário de rejeição a um governo, resultados que favoreçam o rejeitado podem gerar ainda mais aversão.

Naquele momento, havia muita gente que já decretava que teríamos mais 4 anos de governo Aparecida Panisset travestido por outro candidato. Eis que o dia das eleições mostraram que o jogo poderia virar. Por um placar de 56,78% a 43,22%, Neilton Mulim atropelou a campanha de Adolfo Konder, tornando-se prefeito nos 4 anos que, como vemos hoje, foram ainda “mais do mesmo” na gestão municipal.

Quando digo que em 2012 passei a desconfiar das pesquisas eleitorais, não me refiro só a um possível intuito de má fé. Aliás, isso é sempre justificável, de acordo com o método de avaliação que se usa. O que enfatizo é que nos tempos atuais, com mudanças bruscas de humores, movimentados por informações instantâneas, as pesquisas têm chances muito maiores de falhar hoje do que no passado recente. O candidato líder de agora pode ser o 4º de amanhã, basta uma movimentação errada no tabuleiro eleitoral.

Fica a dica mais preciosa deste post: desconfie. O mundo dos números é um parque de diversões para quem sabe gerá-los, porém são frágeis diante da vida real.

2 COMENTÁRIOS

  1. A desconfiança é explicada, o Jornal “O São Gonçalo” é da Fundação Universo, a mesma que tem contrato com a prefeitura para publicar os atos oficiais, se você observar no site do TSE, haverá uma pesquisa realizada pela GPP que será divulgada dia 22/09, que foi encomendada pela Universo. Natural que o candidato do governo seja colocado a frente na pesquisa, da mesma forma que em 2012.

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  2. Será que realmente até mesmo a pesquisa divulgada ontem reflete a realidade da opinião dos eleitores desse município tão gigante?
    Claro que não!
    SÓ acredita nisso o eleitor que não possui o mínimo de conhecimento matemático de Ensino Fundamental, onde se aprende o suficiente da Estatística para compreender que 500 entrevistados está muito longe do mínimo necessário para resultados adequados.
    Aqui se “pesquisa” sem levar em conta a densidade demográfica em casa Região….
    Kkkkkkkk!!!!! TÁ difícil de chegar o dia em que veremos uma projeção séria e adequada…..

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