São Gonçalo não cabe na pequena política municipal

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São Gonçalo não cabe na pequena política municipal
Foto: Jornal O São Gonçalo

De acordo com o IBGE, mais de um milhão de pessoas vivem em São Gonçalo. Gente de cores, credos e sonhos diferentes. Necessidades que não são compartilhadas pela classe política sustentada com o dinheiro público.

A pequenez da política municipal vem de cima, desde o lema do governo Nanci que diz “Cuidando dos gonçalenses”. Quem o inventou subestima o povo de São Gonçalo. Quem o adotou, como o prefeito o fez, desconhece a história do município, seu potencial econômico e capacidade artística e intelectual, erro cometido por boa parte daqueles que exercem um cargo ou mandato na Prefeitura e na Câmara.

Nem sempre a falta de recursos é o problema

Os gonçalenses não são doentes terminais que exigem cuidados médicos. Não são pobres ignorantes que precisam ser guiados. Para se aproximar da altura dos gonçalenses, Nanci pode mudar seu lema, de forma simples, para “Servindo aos gonçalenses”. Caso prefira algo profundo e filosófico, o lema poderia ser “Trabalhando para que em breve o gonçalense não precise mais de Governo e conduza sua cidade através da própria consciência”. Há 25 anos acumulando vitórias eleitorais através de um sincero assistencialismo, dificilmente Nanci aceitaria a segunda sugestão.

O problema de São Gonçalo não é a falta de recursos. Alguns empreendedores locais transformariam a cidade num polo de desenvolvimento com o orçamento anual de R$ 1,2 bilhão nas mãos.

Famintos, os vereadores só pensam em comer, comer e comer do bolo construído com os impostos pagos pelo contribuinte. As figuras políticas de destaque carregam graves deficiências comportamentais e de caráter. O prefeito é um objeto sinuoso com um buraco no meio por onde passam interesses políticos diversos, honestos ou não. Nanci é mandado pela família e já reconheceu isso publicamente, ao microfone, diante de dezenas de pessoas.

O vice-prefeito, Ricardo Pericar, ofende a inteligência popular pregando uma oposição simplória contra um governo do qual ele mesmo faz parte. Se quisesse fazer o trabalho que cabe a um vice-prefeito, Pericar estaria fazendo.

O problema de São Gonçalo não é a falta de recursos. Alguns empreendedores locais transformariam a cidade num polo de desenvolvimento com o orçamento anual de R$ 1,2 bilhão nas mãos.

Nosso deputado federal, Dejorge Patrício, se limita a desejar “Bom dia” nas redes sociais e dizer que Deus vai salvar a todos. Dejorge recebe mensalmente uma ajuda financeira significativa, mas o milagre da exploração da fé evangélica que o levou à Brasília não vai conquistar qualidade de vida para o cidadão comum. Se uma coluna de concreto fosse colocada no lugar de Dejorge Patrício, veríamos mais conteúdo e dignidade política.

Deus também é o único assunto posto em discussão pelo vereador municipal mais votado, Salvador Soares. Ao invés de sugerir temas de importância comum, ele publica fotos e vídeos de sua performance deprimente em cultos.

A última notícia da Secretaria de Meio Ambiente, no site da Prefeitura, é a apreensão de aves na feira de Neves. Em que cidade de um milhão de habitantes algo tão banal vira notícia de primeira página? Não há metas de arborização do centro urbano, que parece uma panela quente no verão. No mesmo bairro, a Secretaria de Infraestrutura e Urbanismo iniciou a revitalização de uma via que dá acesso à BR-101. Ótimo. O projeto de humanização do Alcântara, citado durante o governo Mulim, nunca foi levado a sério por ninguém. Os engarrafamentos no bairro não devem nada aos de São Paulo.

Milhares de pessoas circulam, compram e vendem em Alcântara. Elas andam na rua, entre os carros, empurradas pelos ônibus! Não caberiam nas calçadas nem se os camelôs fossem retirados. Um mercado popular, como o Mercado Central de Fortaleza resolveria a sujeira, o caos, a informalidade.

O gonçalense não aguenta viver preso em uma gaiola. Tem tanto a ser criado, construído, e tanta gente desempregada, querendo construir, por culpa das limitações da política municipal.

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