Era sexta-feira pela manhã. A equipe do ainda candidato José Luis Nanci tinha marcado comigo em sua casa para fazermos a entrevista para o SIM São Gonçalo. Chegando lá, foi ela a primeira a me recepcionar. Comentava sobre a postura dele, dava dicas para a equipe, organizava a agenda, com uma disposição invejável para aquela hora da manhã. Como eu não a conhecia pessoalmente, aos poucos fui entendendo a situação: era a futura primeira-dama da cidade.

Assim como para boa parte dos gonçalenses, a figura da primeira-dama andou desaparecida. Explico. Depois do prefeito Ezequiel Mattos (1989–1992 / 1997–2000), cuja cônjuge é a política Graça Mattos; de João Bravo (1993–1996), casado com Linda Bravo; e de Henry Charles (2001-2004), casado com a ex-deputada federal Elaine Costa; Aparecida Panisset (2005 – 2012) chega ao poder. Entretanto, por não ser casada, não havia um “primeiro-cavalheiro” para ali representar. Já Neilton Mulim (2013-2016), pouco sabemos de sua família. Em 2017, eis que entra em cena Eliane Nanci.

Eliane Nanci e José Luiz Nanci na Igreja de Nossa Senhora das Graças, no Porto Velho.
Eliane Nanci e José Luiz Nanci.

Diferente da bela, recatada e do lar Marcela Temer, Eliane é empresária e sócia do grupo Bisturi, cuja loja fica ali no Zé Garoto. Sua fama de bem disposta e simpática já tinha me chegado aos ouvidos bem antes disso, porque o casal frequentava (ou ainda frequenta) a igreja de Nossa Senhora das Graças, no Porto Velho. Como passei boa parte da minha adolescência nos movimentos religiosos de lá, não precisei fazer muito esforço para ouvir falar da “Tia Eliane”.

Nas semanas antes da posse de José Luiz Nanci (2017-2020), vi a postagem do “a Política RJ” falando sobre a interferência de Eliane na escolha do secretariado. Uma infinidade de comentários discutiam sobre a legitimidade desses atos. Na hora, fiquei pensando o que diriam se fosse ao contrário, com ela prefeita e ele sendo o primeiro-cavalheiro.

A primeira-dama Eliane Nanci, o prefeito eleito José Luiz Nanci e o vice-prefeito Ricardo Pericar em missa na Igreja Nossa Senhora das Graças (Porto Velho) para celebrar a vitória nas eleições municipais de 2016.

A imagem da esposa do governante sempre teve um papel um tanto “maternal”. Os mais antigos ainda insistem na visão da primeira-dama “mãe do povo”, que cuida das obras de assistência social. Apesar desse papel pseudo-decorativo, é nelas que acabam se centrando os conflitos íntimos e familiares, especialmente nos momentos de grande estresse.

Tendo a acreditar que o projeto político é sempre do casal. O exercício do poder é um processo solitário, especialmente nos momentos de baixa popularidade do governante. Sem falar que existe toda uma vida pregressa, com laços sociais criados por ambos. Sendo assim, acho mais que natural ela lembrar nomes próximos e vetar outros que só estão ali pela oportunidade do poder.

O problema das indicações familiares

De todo esse imbróglio, um merece destaque. O primo de Eliane, Guilherme Solé, que participará do secretariado de José Luiz Nanci. Mesmo sem conhecer as credenciais do cidadão, ter um familiar no primeiro escalão da 16ª maior cidade do Brasil nos fez parecer uma cidade da roça, novamente.

Na parca informação que conseguimos encontrar, achamos esse link de seu Linkedin (rede social de profissionais). Com pouquíssimos dados, fica cada vez mais indefensável ter um parente no poder, sem que nós consigamos saber, pelo menos, quem é. Atitudes como essa, que beneficia os de casa, pode ser um complicador para a maioria, também conhecida como “povo gonçalense”. Comprovar competência e deixá-las públicas é um dever básico hoje em dia, especialmente quando se é pessoa pública.

O governo começou ontem e já está recheado de polêmicas. Deixar que o primo viesse foi um dos equívocos. Ainda assim, desejamos sorte e sabedoria à primeira-dama Eliane Nanci. Até 2020, muita coisa ainda vai gerar assunto, inclusive as projeções de uma possível candidatura sua. Afinal, postura ela tem.

2 COMENTÁRIOS

  1. Cara, o “governo” Mulin foi desastroso, até conquistas importantes como a nova câmara municipal e o teatro que deveriam ser comemorado passaram praticamente em branco!!! O final de mandato de Mulin não foi somente vergonhoso, foi criminoso e esse senhor tem pagar pelos sua incompetência.
    Ao Nanci desejo boa sorte, mas ao finalizar seu mandato em 2020 ão venha com a desculpa que pegou uma divida de R$ 600 milhões, apenas coloque as contas em dia e coloque o que existe para funcionar bem, é mínimo que espero.

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