Menos acidentes de trânsito e mais cidadania – o valor da sinalização

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Sinalização reduz acidente de moto e traz cidadania

No planejamento urbano de qualquer cidade, itens como iluminação, pavimentação, calçamento, arborização e saneamento são sempre os mais lembrados pelos administradores públicos. Entretanto, existe um em especial que, quando presente e bem feito, faz toda a diferença na valorização do local: a sinalização.

Nos últimos governos gonçalenses, a preocupação com a beleza da cidade até foi levada em conta. Entretanto, boa parte das soluções são de extremo mau gosto e péssima funcionalidade. Sem pensar minimamente na acessibilidade urbanística, cometemos algumas atrocidades.

Exemplos estranhos disso foram as lâmpadas verdes que puseram há um tempo na rua da caminhada, entre o Patronato e o Paraíso. Outra piada são os canteiros de pedra sobre as calçadas no Boa Vista. E os ferros incompreensíveis da praça Chico Mendes, no Raul Veiga? O bom senso demorou mas chegou, e eles foram retirados recentemente, após mais uma sandice.

Praça Chico Mendes, a "praça da Bíblia" pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert
Praça Chico Mendes, a “praça da Bíblia” deturpada. Foto: Alex Wolbert

Todos esses casos parecem ter vindo da mente de alguém sem o mínimo senso estético, funcional ou referências do que acontece no mundo. Afinal, se a cidade é para as pessoas, como os equipamentos urbanos não se relacionam com elas?

Calçadas no Boa Vista – São Gonçalo
Calçada no Boa Vista. As pedras no caminho só servem para atrapalhar pedestres e cadeirantes. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo.

Dentre vários pontos, a sinalização é importantíssima na construção da identidade urbana. Mais que evitar acidentes de trânsito, organização do tráfego dos carros e motos e nomes das ruas, sinalizar é também reforçar a marca territorial. O pertencimento é fundamento básico na hora de elevar a auto-estima do cidadão que mora na localidade, fazendo-o cuidar com ainda mais carinho da cidade.

Infelizmente, é natural que os governantes atuais não tenham um olhar com apuro estético e noções de acessibilidade universal. Uma das justificativas de sempre é que essas “coisas de gente rica” são para os outros. Entretanto, se em alguns países europeus, ricos e pobres desfrutam de estruturas urbanas similares, é porque há o entendimento de que as benesses implementadas em todo território reduzem a desigualdade entre as pessoas.

Lucca na Itália – Sinalização de placas
Itália: As placas de sinalização têm um padrão sintético, característico em outras localidades no país. Esse exemplo é da cidade de Lucca. 
Berlim: A cidade que já foi dividida entre 4 países, hoje tem uma cara própria, fruto desse caldeirão que mistura os ex-lados oriental e ocidental. Esse “homenzinho do sinal” é um clássico, sendo representado em diversos souvenirs berlinenses. 
Londres: a cidade que já foi “capital do mundo” é um bom exemplo de como utilizar o mobiliário urbano para criar identificação das ruas e regiões com os cidadãos e turistas de todo lugar.

Sinalização faz parte do conjunto planejamento urbano

É preciso compreender que sinalização é um conjunto, não peças separadas. O assunto não se atém aos sinais de trânsito, nem às placas apenas. Sinalizar uma cidade precisa levar em conta o nome das ruas, a pintura das calçadas e avenidas, os sinais sonoros para os deficientes visuais, a identificação de todos os bairros, inclusive a forma como seus moradores chamam cada esquina.

Tornar a cidade “mais bonita” com invenções ou exemplos esdrúxulos, só a deixa mais feia, gerando sensação de repulsa e de não-pertencimento do lugar.

Prefeitos e vereadores desse Brasil, pensemos olhando para frente!

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