Alexandre Martins, Autor em Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/author/alexandremartins/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 21 Jun 2019 21:02:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Alexandre Martins, Autor em Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/author/alexandremartins/ 32 32 147981209 O Papai Noel, São Nicolau e a Coca-Cola https://simsaogoncalo.com.br/o-papai-noel-sao-nicolau-e-a-coca-cola/ https://simsaogoncalo.com.br/o-papai-noel-sao-nicolau-e-a-coca-cola/#respond Thu, 20 Dec 2018 12:31:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6893 Odiado por alguns, amado por todos. Assim é o Papai Noel, o simpático velhinho que há mais de um século é o garoto propaganda do Natal, deixando a festa cristã mais agradável aos ateus e agnósticos. A figura de alguém que usa a caridade na época do nascimento do Cristo vêm das histórias contadas na […]

O post O Papai Noel, São Nicolau e a Coca-Cola apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Odiado por alguns, amado por todos. Assim é o Papai Noel, o simpático velhinho que há mais de um século é o garoto propaganda do Natal, deixando a festa cristã mais agradável aos ateus e agnósticos.

A figura de alguém que usa a caridade na época do nascimento do Cristo vêm das histórias contadas na Legenda Áurea1 em especial as referentes à caridade escondida praticada por um bispo católico, são Nicolau de Mira.

Quem foi Nicolau de Mira

São Nicolau, cujo nome significa “protetor e defensor dos povos” foi tão popular na antiguidade que lhe consagraram no mundo mais de dois mil templos. Era invocado pelos fiéis nos perigos, nos naufrágios, nos incêndios e quando a situação econômica ficava difícil, conseguindo estes favores admiráveis por parte do santo.

Por ter sido tão amigo da Infância, em sua festa dá-se presentes às crianças, e como em alemão se chama “São Nikolaus”, começaram-no a chamar Santa Claus, sendo representado como um ancião vestido de vermelho, com uma barba muito branca, que ia de casa em casa repartindo presentes e doces às crianças. De São Nicolau escreveram muito belamente São João Crisóstomo e outros grandes Santos, mas sua biografia foi escrita pelo antigo Arcebispo de Constantinopla, São Metódio

Desde criança se caracterizou porque tudo o que conseguia o repartia entre os pobres. Os pais de Nicolau morreram cedo. Então, por recomendação de um tio, que o aconselhou a ir visitar a Terra Santa, Nicolau decidiu viajar até à Palestina e depois ao Egito. Durante a viagem, houve uma tempestade, que segundo a lenda, acalmou milagrosamente, quando Nicolau começou a rezar com toda a sua Fé. Foi este episódio que o transformou no padroeiro dos marinheiros e pescadores.

Quando voltou da sua viagem, decidiu que não queria viver mais em Patara e mudou-se para Mira, onde viveu na pobreza, já que tinha doado toda a sua herança aos mais pobres e desfavorecidos.

Na época do imperador romano Licino, perseguidor dos cristãos, Nicolau foi encarcerado e açoitado. Com o governo do imperador Constantino foram liberados ele e outros prisioneiros cristãos. O santo morreu em 6 de dezembro do ano 345. Em meados do século VI, o santuário onde este foi sepultado transformou-se numa nascente de água. Em 1087, os seus restos mortais foram transferidos para a cidade de Bari, na Itália., que se tornou num centro de peregrinação em sua homenagem. Milhares de milagres foram creditados como cedo sua obra, actualmente S. Nicolau é um dos Santos mais populares entre os cristãos e milhares de igrejas por toda a Europa receberam o seu nome (só em Roma existem 60 igrejas com o seu nome, na Inglaterra são mais de 400).

Seu culto chegou a ser extremamente popular em toda a Europa. É Padroeiro da Rússia, da Grécia e da Turquia. São Nicolau virou também padroeiro das crianças e dos marinheiros.

Depois da Reforma Protestante, os protestantes germânicos decidiram dar especial atenção a “ChristKindl” – ao Menino Jesus, transformando-o no “distribuidor” de presentes e transferindo a entrega de presentes para a Sua festa a 25 de Dezembro. Quando a tradição de S. Nicolau prevaleceu, esta ficou colocada no próprio dia de Natal. Os católicos continuam a comemorar seu dia na data de sua morte, 6 de dezembro.

Os nomes do Papai Noel

O nome Santa Claus vem da evolução paulatina do nome de São Nicolau: Nicklauss, Klaus e Santa Claus. O nosso Papai Noel vem do francês Père Noel. Em Portugal, ele é chamado de “Pai Natal”. Dizem que “Noel” provem de “Emanoel” (em hebraico “Deus conosco”) e seria referencia à pessoa que anuncia a presença do Menino Jesus entre os Homens.

A figura do imaginário popular

Clemente C. Moore, um professor de literatura grega em Nova Iorque, em 1822 escreveu um poema a seus filhos, “Uma visita de São Nicolau”, era a versão de que Noel viajava num trenó puxado por renas e entrava pela chaminé das casas. More hesitou em publicá-lo porque achou que dava uma imagem frívola do Pai Natal. Contudo, uma senhora, Harriet Butler, teve acesso ao poema através do filho de More e decidiu levá-lo ao editor do jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, o qual publicou o poema no Natal do ano seguinte em 1823. A partir daí, vários jornais e revistas publicaram o poema, mas sempre sem se mencionar o seu autor. Só em 1844, é que More reclamou a autoria do poema…

A explicação da chaminé vem da Finlândia, uma das fontes de inspiração do poema. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas, como iglus, cobertas com pele de rena. A entrada era um buraco no telhado. De personagem real da Turquia, o Papai Noel imaginário passou a vir do Polo Norte.

A última e mais importante característica incluída na figura de Papai Noel é sua roupa vermelha e branca. Antigamente, ele vestia-se como bispo ou usava cores próximas do marrom, com uma coroa de azevinhos na cabeça ou nas mãos. Mas não havia padrão. Seu visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Haper’s Weeklys, em 1886, numa edição especial de Natal. em alguns lugares na Europa e no Canadá ele ainda é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo e, ao invés de gorrinho vermelho, tem uma mitra episcopal.

O Papai Noel já apareceu com essas roupas na obra de Thomas Nast e em publicidades da Colgate, RCA Victor e Michelin, muito antes das campanhas da Coca-Cola.

A Tradição de pendurar meias na lareira ou deixar sapatos na janela originou-se de uma das muitas histórias sobre São Nicolau, em quem se inspira a figura do papai Noel. No passado, para uma moça era indispensável dispor de um dote para se casar. São Nicolau sobe da triste situação de uma família, sem recursos para o dote de suas filhas secretamente, ele jogou três pequenos sacos com moedas de ouro pela chaminé da casa da família. Os sacos caíram dentro das meias das moças, penduradas na lareira para secar. A história mais confiável é a que conta que Nicolau, sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, lhes aconselhou a prostituição, atirou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens.

As renas do Papai Noel ou de o Pai Natal são as únicas renas do mundo que sabem voar, ajudando o Papai Noel entregar os presentes para as crianças do mundo todo na noite de Natal. Quando o Papai Noel ou o Pai Natal pede para serem rápidas, elas podem ser as mais rápidas renas do mundo. Mas quando ele quer, elas tornam-se lentas.

A quantidade de renas que puxam o trenó é controversa, tudo por causa da rena conhecida como Rudolph. Existe uma lenda que diz que Rudolph teria entrado para equipe de renas titulares por ter um nariz vermelho e brilhante, que ajuda a guiar as outras renas durante as tempestades. E, a partir daquele ano, a quantidade de renas passou a ser nove, diferente dos trenós tradicionais, puxados por oito renas.

Tal lenda foi criada em 1939 e retratada no filme Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho (1960 e 1998). O nome das renas, em inglês são: Rudolph, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen. E em português são: Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago.

Cartas para santos ou de cunho religioso são uma prática existente desde a antiguidade, mas apenas a partir do século XX surgiu no mundo o ato de enviar cartas ao Papai Noel como um cunho familiar, ou seja, os pais da criança leem as cartas dela, e com a condição de serem bem comportadas durante o ano, recebem o presente como sendo de autoria do Papei Noel; às vezes de forma tão ensaiada que chegam a acreditar fielmente em sua existência.

Há versões oficiais ou semioficiais de papais noeis no mundo receptoras de correspondências, e correspondem de acordo com algum critério de seleção. É comum encontrá-los em shopping centers, praças centrais das cidades, hospitais e estabelecimentos públicos, etc. Na maioria destes lugares as cartas são entregues presencialmente ou depositadas no próprio ambiente.

No Brasil, os Correios oficialmente recebem cartas endereçadas ao Papai Noel desde 2001. As mensagens são enviadas aos funcionários do Correios, mas todos os brasileiros podem se voluntariar como um Papai Noel diretamente nas agências dos Correios do país. Os correios dos países escandinavos também têm programas parecidos, mas preparados para correspondências de todo o planeta, uma vez que a Lapônia é terra dada como sendo oficialmente da origem do Papai Noel. Na Finlândia inclusive, todas as cartas dirigidas a Papai Noel ou Santa Claus e com endereço Lapônia ou Pólo Norte são direcionadas para a agência em Rovaniemi (capital da província laponesa). As cartas recebidas com remetente recebem uma resposta em oito idiomas diferentes.

O garoto propaganda do Natal da Coca Cola

Haddon Hubbard “Sunny” Sundblom (1899-1976) foi um ilustrador estadunidense mais conhecido pelas imagens de Papai Noel que criou para a The Coca-Cola Company. Sundblom nasceu no Michigan, e estudou na American Academy of Art. Destacou-se por seu trabalho publicitário, mais precisamente as propagandas estreladas por Papai Noel pintadas para a The Coca-Cola Company na década de 1930.

Foi também criador da imagem do Quaker Oats (velho da Quaker) em 1957, que continua sendo utilizada nas embalagens de aveia Quaker até os dias de hoje. Em meados dos anos 1930, Sundblom começou a pintar pin-ups para calendários, trabalho que exerceu uma grande influência para muitos artistas do gênero, como Gil Elvgren, Joyce Ballantyne e Art Frahm. Sua última obra foi uma pintura para a capa da edição de Natal de 1972 da revista Playboy.

Conclusão Não se trata de demonizar nem de materializar a figura do Papai Noel. Sua figura tornou-se parte do imaginário gráfico mundial e totalmente relacionada ao Natal.

É uma cultura cristã que influenciou a toda a Civilização do Ocidente, tornando-se tema de várias obras de arte, seja gráfica, musical ou outra. Os críticos defendem que sua figura eclipsou a do Cristo, pois o Natal é uma festa religiosa cristã, mas como vimos acima, é por justamente a figura real de um bispo cristão que existe a figura alegórica.

Os defensores alegam que o Papai Noel faz com que o Natal possa ser “digerido” por todos, sem exceção, sejam eles católicos, protestantes ou mesmo ateus. Até o famoso ateu John Lennon compôs sua música “Happy Xmas (War Is Over)” em 1971 propositalmente colocando um “xis” no nome de Cristo. O Natal de Cristo passa a ser apenas mais um feriado e, com isso, mais comercial do que todos. Não é difícil ver mulheres nuas com o gorro de Papai Noel, coisa impensável num Presépio, por exemplo. A festa do Natal é religiosa por si mesma.

Os que não partilham da Fé Cristã podem ter algo dela, como a solidariedade e a paz. Se beneficiam com isso. É melhor do que simplesmente abolir o Natal. Feliz Natal a todos! Ho, ho, ho!

1- A Legenda Áurea ou Lenda Dourada (em latim: Legenda aurea ou Legenda sanctorum) é uma coletânea de narrativas hagiográficas reunidas por volta de 1260 d.C. pelo dominicano e futuro bispo de Gênova Jacopo de Varazze e que se tornou um sucesso durante a Idade Média.

O post O Papai Noel, São Nicolau e a Coca-Cola apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/o-papai-noel-sao-nicolau-e-a-coca-cola/feed/ 0 6893
Os símbolos do Natal: entenda todos os ícones deste momento https://simsaogoncalo.com.br/os-simbolos-do-natal/ https://simsaogoncalo.com.br/os-simbolos-do-natal/#comments Mon, 25 Dec 2017 15:25:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5978 Uma tradição cristã contruída  através dos séculos, dentre os principais sinais e símbolos natalinos estão: a árvore de Natal; o presépio e seus personagens; a guirlandas nas portas das casas; a coroa do Advento com suas quatro velas; a estrela de Belém; os enfeites natalinos; a figura do Papai Noel; as meias e sapatos na […]

O post Os símbolos do Natal: entenda todos os ícones deste momento apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Uma tradição cristã contruída  através dos séculos, dentre os principais sinais e símbolos natalinos estão:

  • a árvore de Natal;
  • o presépio e seus personagens;
  • a guirlandas nas portas das casas;
  • a coroa do Advento com suas quatro velas;
  • a estrela de Belém;
  • os enfeites natalinos;
  • a figura do Papai Noel;
  • as meias e sapatos na janela ou na lareira;
  • os sinos;
  • os cânticos;
  • as velas;
  • a iluminação da árvores, das casas, e dos locais públicos;
  • a ceia familiar com seus pratos típicos;
  • a troca de presentes.

Cada um tem seus significados, curiosidades e história particular, mas a maioria dos símbolos natalinos tenta ajudar as pessoas a penetrarem um mistério: a encarnação do Verbo Divino.

Para os cristãos, o Deus Único tem um Filho e O enviou ao Mundo. Não foi uma “aparição” apenas, mas Ele se fez homem, na Judéia, atual Palestina.

Nenhum período do ano tem tantos símbolos católicos.

Quem inventou a Árvore de Natal?

O “inventor” da Árvore de Natal foi São Bonifácio, chamado “o Apóstolos dos Germanos” ou “o Evangelizador da Alemanha”. Nascido na Inglaterra em 672 e faleceu martirizado em 5 de junho de 754. Seu nome religioso, em latim Bonifacius, quer dizer “aquele que faz o bem” e possui o mesmo significado do seu nome em saxão, Wynfrit.

São Bonifácio, o Apóstolos dos Germanos

Em 718 ele esteve em Roma e o Papa Gregório II enviou-o à Alemanha, com a missão de reorganizar a Igreja no local. Por cinco anos ele evangelizou territórios que são hoje os estados alemães de Hessen e Turíngia.

Em 732, em Roma, o Papa Gregório II deu a São Bonifácio o pálio de arcebispo com autoridade sobre a Alemanha. Ele é representado com vestes episcopais, mitra, um livro atravessado por uma espada e um pé sobre o tronco do carvalho abatido, símbolo do esmagamento da religião pagã.

Árvore de Natal decorada.

Quando surgiu a Árvore de Natal?

Em 723 São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus pagão Thor, perto da atual cidade de Frizlar, na Alemanha. Para convencer o povo e os druidas (os sacerdotes pagãos) de que não era uma árvore sagrada e que não seria castigado pelo falso deus, ele a derrubou com um machado.

Esse acontecimento é considerado o início formal da cristianização da Alemanha.

O carvalho ao cair destruiu tudo ao redor menos um pequeno pinheiro e, segundo a tradição, Bonifácio interpretou esse fato casual como um milagre. Como era o período do Advento e como ele pregava sobre o Natal, declarou: “Doravante, nós chamaremos esta árvore de Árvore do Menino Jesus”.

O costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus estendeu-se pela Alemanha e de lá para todo o Mundo..

A simbologia da árvore é uma das mais espalhadas em todas as culturas. A árvore está presente na Bíblia, desde as árvores do jardim do Éden – em especial a Árvore do Bem e do Mal –  até a “árvore” da Cruz de Jesus.

Existem várias explicações para a origem do costume de cortar a árvore, levá-la para dentro de casa e enfeita-la, baseada na tradição bíblica. O simbolo da árvore de Natal é bem anterior ao do presépio e mais universal.

Árvore de Natal gringa.

Por que um pinheiro?

Por que essa planta cresce mais rápido, fica verde mais tempo. Várias comparações do pinheiro cristão com o carvalho pagão foram destacadas pela Igreja, desde o inicio dessa tradição.

O pinheiro mantém-se verde, em pleno inverno, quando todas as outras árvores, inclusive os carvalhos, amarelam e perdem as folhas. O pinheiro tornou-se símbolo da Igreja, que mantém a esperança sempre viva (o verde constante) na vinda de Jesus Cristo apesar de todas as dificuldades e perseguições que sofre e, como crescimento do pinheiro é constante, também é constante o crescimento da Cristandade no Mundo.

Sua forma triangular foi vista por São Bonifácio como um símbolo da Santíssima Trindade.

Por que enfeites na árvore de Natal?

A tradição cristã assimilou a árvore de Natal como uma Nova Árvore da Vida, substituindo a árvore do Jardim do Éden (a Árvore do Bem e do Mal citada em Gn 2,9). Ao contrário da história do Éden sobre a Serpente e o Fruto Proibido. No tempo de São Bonifácio, as árvores de Natal eram enfeitadas com maçãs, evocando a nova frutificação e o antigo pecado original. o (a “maçã”) a árvores de Natal passaram a evocar “vida e salvação plantadas nas casas”.

Como a árvore também é símbolo da Igreja, os enfeites brilhantes são também símbolos dos santos que embelezam a vida da Igreja de Cristo.

As árvores também eram decoradas com velas, que simbolizam Jesus, Luz do Mundo. O costume difundiu-se pela Europa.

Uma das primeiras referências registradas dos enfeites é do século XVI e vem da Igreja na Alsácia, Alemanha. As famílias decoravam os pinheiros com papéis coloridos, enfeites, frutas e doces. Espalhada por toda a Europa, a tradição de enfeitar a árvore de Natal chegou ao continente americano por volta de 1800.

Qual o simbolismo das bolas?

É costume enfeitá-la com bolas coloridas, como se fossem frutos, e com outros adornos natalinos. Os enfeites simbolizam virtudes, desejos e sonhos das pessoas e da casa onde está a Árvore de Natal.

Desde o século VI, a tradição da árvore de Natal se desenvolve: trocaram-se as perecíveis “maçãs da árvore do Éden” por bolas e enfeites, simbolizando os frutos da vida.

As tradições familiares variam. Alguns colocam 12 bolas ou múltiplos de doze para evocar os Doze Apóstolos. Outros, 33 bolas, os anos da vida terrena de Jesus. Outros adornam progressivamente a árvore de Natal com 24 a 28 bolas, dependendo do número de dias do Advento. Outros ainda adornam a árvore de uma só vez, as crianças elaboram suas próprias bolas. em outras famílias, as bolas são colocadas com uma oração ou um propósito em cada uma, até o nascimento de Jesus.

Para algumas comunidades religiosas, as bolas simbolizam as orações do período do Advento: as azuis são de orações de arrependimento, as prateadas de agradecimento, as douradas de louvor e as vermelhas de prece.

Por que as bengalas, os 3 sinos e os 7 anjinhos?

Os enfeites da árvore de Natal são um espaço de liberdade, arte e poesia para a criatividade familiar.

Os 3 sininhos simbolizam a Santíssima Trindade e também costumam adornar guirlanda do Natal, na entrada das casas.

Os 7 anjinhos representam os espíritos angélicos, os anjos dos pequeninos diante de Deus, contemplando e intercedendo por todos (Mt 18,10).

As bengalinhas evocam a caminhada, o trabalho de cada um e também o pastoreio de Jesus, o cajado do Bom Pastor.

Também colocam-se pequenos e bonitos pacotinhos e presentinhos pendurados na árvore ou aos seus pés. Eles representam as boas ações e os sacrifícios, os “presentes” que serão dados a Jesus no Natal.

O que faz uma estrela no topo da árvore de Natal?
Ela ilumina, orienta e aponta para os céus. Na ponta do pinheiro, no alto da árvore de Natal, costuma-se colocar uma estrela, luminosa. Na parte mais elevada, simboliza a Estrela de Belém, a estrela-guia dos magos do Oriente (Mt 2,2.9.10)

Para os católicos, no topo da árvore de Natal a estrela também representa a Fé que deve iluminar a guiar as vidas dos cristãos, coroando suas cabeças. Essa estrela-guia, com jeito de cometa, também é colocada ou representada por luzes desde a manjedoura de Jesus no presépio até o alto de edifícios nas cidades.

Quem inventou o presépio?

Foi São Francisco de Assis quem armou o primeiro presépio da história, na noite do Natal de 1223, em Greccio, Itália.

São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de forma mas realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José, juntamente com um boi e um jumento vivos. Nesse cenário foi celebrada a Missa de Natal. O costume espalhou-se pela Europa e de lá para todo mundo.

A Igreja Católica considera um bom costume cristão armar presépios no período do Natal em igrejas, casas e até em praças e locais públicos.

Quais os personagens originais do presépio?

Os personagens originais do presépio representavam, no estábulo em Belém, as cenas ocorridas após o nascimento de Jesus. Inicialmente, os presépios limitavam-se ás figuras do Menino Jesus, Maria e S. José. Com o tempo, os católicos foram enchendo seus presépios com figuras de pastores, Reis Magos, artesãos, lavradores, pescadores e outras dos relatos dos livros evangélicos e até dos livros apócrifos.

Inicialmente, a presença no presépio do jumento e do boi resultou de uma interpretação cruzada de uma passagem do livro de Isaías (1,3) com outra de Habacuc (3,2)

Há presépios célebres, com centenas de imagens de barro ou de outros materiais. O presépio é, dos símbolos do Natal, o mais inspirado nos Evangelhos.

Existe um jeito ideal de montar um presépio?

Em família é o melhor modo de se arrumar o presépio. É uma atividade que deve envolver a todos os membros.

Em vários lares católicos e em igrejas, a manjedoura fica vazia até o Natal, quando a imagem do Menino Jesus é colocada solenemente. Nesses casos, enquanto o Natal não chega, Reis Magos, pastores, José, Maria, anjos, camelos, asnos ,bois ,galos e cachorros aguardam pacientemente a vinda do Menino Jesus. Fora do tempo. Contemplando o invisível.

Que são os anjos e anjinhos?

Entre os personagens do presépio estão os anjos e anjinhos. Um anjo maior costuma ocupar a parte superior do presépio, é Arcanjo Gabriel, o que anunciou a vinda de Jesus a Virgem Maria.

Mensageiros celestes, os anjos do presépio parecem dizer: “esta Criança é uma Palavra que ainda não fala, mas que já se vê”.

O boi e o burro

Segundo a tradição cristã, Jesus veio ao mundo entre os animais. Nasceu numa gruta que servia para ser estábulo, aonde se abrigam animais.

Além dos pais, os primeiros a vê-lo e acolhê-lo são o burro e o boi. Pela mesma tradição, num ambiente castigado pelo frio do inverno, boi e burro prestam serviços a Maria e José ao soprar sobre o bebê o hálito quente. Até hoje eles ajudam a aquecer o Divino Infante, naquele rude inverno oriental.

Esses dois animais são também um dos primeiros sinais de que a Lei Mosaica será ultrapassada. Boi e burro estão juntos, atados, prontos para mover o arado desse Menino. Até então, a Lei impedia tal junta de animais (Dt 28,10).

Por que o boi é também o simbolo do Evangelista Lucas?

Desde a antiguidade, o Evangelista Lucas é representado pelo boi, enquanto Marcos por um leão e João por uma águia.

Em Lucas, o boi é o animal dos sacrifícios, como na palavra “hecatombe” (sacrifício de 100 bois) pois é o evangelista que mais insiste no sacerdócio e na missão sacrifical de Jesus Cristo.

A imagem do boi também evoca a mansidão e a obediência. São Jerônimo (342-420) descreve Lucas como aquele que privilegia o tema da mansidão e da misericórdia e o chama de “escritor da mansidão de Cristo”,

Para alguns autores não se  trata de um boi e sim de um touro evocando força e fertilidade.

Boi do “Bumba Meu Boi” ou “festa do Boi Bumbá”.

O boi do presépio é o mesmo do bumba-meu-boi

O bumba-meu-boi ou boi-de-reis é um auto teatral e uma dança dramática do Ciclo Natalino difundida em todo o Brasil cujo seu personagem central é um boi. Ele morre e ressuscita. A história alegoriza, sem menção explícita, toda a vida de Jesus: do nascimento á paixão, morte e ressurreição. ele é particularmente festejado no Nordeste e no Maranhão.

O boi do presépio foi parar no bumba-meu-boi pelas mãos dos amazonenses e nordestinos. Vários elementos imaginários e maravilhosos do Tempo do Natal estão presentes na manifestação do bumba-meu-boi. É como se o boi do presépio, tivesse decidido ocupar um espaço próprio e dinâmico nas festividades natalinas, com conteúdos de natureza pascal (morte e ressurreição, as matracas) e pastoral ( cuidados com o rebanho, fraternidade ). O bumba-meu-boi tem uma grande diversidade de nomes e variação artística, conforme a região: boi-de-orquestra, boi-de-reis,boi-de-zabumba, boi-pintadinho, bumba, cavalo-marinho e tanto outros. E assim, com essa fuga do boi do presépio para o bumba-meu-boi, seu tempo ultrapassou de longe o Natal.

As velas do Natal

As velas reúnem o reino animal ( na cera de abelha ), o reino vegetal ( no algodão ou linho do pavio ) e o reino mineral (na chama e nas cinzas).

Na tradição católica e também no Natal, as velas simbolizam Jesus Cristo, Luz do Mundo. As velas acesas ao redor e até na árvores de Natal são de origem nórdica, mas as velas nos ritos religiosos são uma tradição de origem judaica, presente até hoje, inclusive nas celebrações domésticas dos judeus.

A ceia de Natal é quase sempre acompanhada por velas acesas. No início, as famílias fabricavam suas velas com a cera pura das abelhas, em sua cor natural.

Qual o significado das luzes de Natal?

Para os cristãos, as luzes do Natal expressam a iluminação trazida ao mundo pelo Nascimento de Jesus. Essa iluminação está presente na árvore de Natal, nas fachadas das casas e lugares públicos (calçadas, árvores, prédios, lojas etc). Todas essas luzes saúdam o início de uma Nova Era, que é a Era Cristã.

As velas, com o advento da eletricidade e tecnologia, foram substitutas pelos pisca-piscas. Seu uso ampliou-se. Elas cintilam de forma variada e com duração inimaginável para as velas. As luzes natalinas trazem alegria e encantamento.

Qual o simbolismo das cores do Natal?

O verde, o vermelho e o dourado são as cores dominantes no Natal.

O verde é simbolo primaveril de renovação, esperança e regeneração. O verde das plantas capta a energia solar e pelo processo da fotossíntese a transforma em energia vital.

O vermelho está ligado ao fogo, á redenção a o amor divino.

O dourado também é utilizado e está associado ao sol, á luz, á sabedoria e ao Reino vindouro.

Para a tradição católica há uma relação entre essas três cores e os presentes  dos Reis magos: ouro (dourado), incenso (vermelho) e mirra (verde).

A flor do Natal é um presente tropical

O Brasil e os trópicos importaram diversos símbolos e costumes natalinos das regiões temperadas da Europa e do Mediterrâneo: pinheiros, Papai Noel agasalhado, lareiras. Até neve feita de algodão. Mas os trópicos exportavam uma planta como simbolo natalino para a Europa.

É a Flor do Natal ou Poinsétia, também conhecida como “bico-de-papagaio”, “rabo-de-arara”, “cardeal” ou “estrela-do-natal’. Originária do México, ela tem base na folhas verdes e acima, coroando a hastes, folhas semelhantes as pétalas de flores vermelhas. O seu nome científico é Euphorbia pulcherrima e significa “a mais bela das eufóbias”. Tomou conta do Natal dos países temperados e resistentes ao inverno, dentro das casas.

Esse símbolo vegetal não vem dos astecas e sim dos franciscanos. A partir do século XVII, no México, a flor da poinsétia começou a ter um significado natalício. Os frades franciscanos a utilizaram em comemorações natalinas e associaram a forma de suas brácteas vermelhas à Estrela de Belém. A planta é muito utilizada para afins decorativos na Europa e América do Norte, especialmente no Natal. Como é uma planta de dia curto, floresce exatamente no solstício de inverno e coincide com o Natal no Brasil, a não ser nas regiões Sul e Sudeste, onde cresce como arbusto nos jardins.

Prepépio: retratação do ambiente onde Jesus Christo Nasceu.
Prepépio: retratação do ambiente onde Jesus Christo Nasceu.

Jesus nasceu em Belém?

O Imperador César Augusto (30 a.C a 14 d.C) realizava o Censo do Império romano “e todos iam se  inscrever, cada um em sua cidade” (Lc 2,3). E a cidade de nascimento de José não era Nazaré e sim Belém, onde ele apresentou-se para o recenseamento.

Jesus nasceu em Belém (Mt 2,1-6; Lc 2,4-15; Jo 7,42) e cumpriu uma profecia messiânica: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum o menor dentre os principais lugares de Judá. Porque de tinha de sair o Chefe que há de pastorear o meu povo, Israel” (Mq 5,2). A Belém de Judá fica a 10km ao sul de Jerusalém e foi fundada pelos cananeus.

Em 1350 a.C, um governador egípcio da região mencionou a cidade, em carta ao Faraó Amenhotep III, como importante ponto de repouso para viajantes. seu nome em hebraico (beit-lehém) significa “casa do pão”.

O que tocam os sinos de Natal ?

O Natal está asscociado ao ressoar dos sinos. Eles emitem sons agradavéis e podem ser escutados a grandes distâncias. No passado, antes das existências dos relógios, o povo se orientava no dia de trabalho pelo repicar dos sinos das igrejas. O sino é como um relógio popular e tem participação no anúncio das grandes festas cristãs. Seu toque é em geral  festivo.

No Natal, dos campanários das igrejas, os sinos anunciam uma das maiores festas cristãs: o nascimento de Jesus.

Na noite de Natal, os sinos tocam e anunciam o desejo de paz na terra aos homens de boa vontade: “Paz na terra, toca o sino, alegre a cantar. Abençoe Deus Menino esse nosso lar”, diz a antiga canção natalina.

Qual o significado da guirlanda na porta?

Um dos sinais mais visíveis do Natal é a guirlanda, colocada na porta de entrada das casas.

Essa guilanda circular é feita de ramos vegetais entrelaçados e enfeitados com fitas, sinos e objetos. O entrelaçamento desses dois ramos simboliza o Mistério da Encarnação do Verbo Divino. Deus se fez carne e habitou entre nós. Ele tomou corpo humano.

Para os cristãos, Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. As duas naturezas, divina e humana, se entrelaçam, como dois ramos que se buscavam num mesmo jardim.

Qual o significado das guirlandas?

A guirlanda, a Coroa do Advento, as coroas de flores, todas significam “Vitória”.

Antes, o nome designava a Coroa de Louros, simbolo da vitória de atletas e guerreiros, ainda entregue nos dias e hoje aos vencedores esportivos, especialmente nas Olimpíadas.Com o sacrifício do primeiro mártir do cristianismo, Santo Estêvão, ela passou a significar a coroa martírio ou testemunho ( At, 7,54-60). Nomes como Estéfano, Estêvão e Stefane, por exemplo, vêm do grego stephanos (“coroa”) e evocam uma “vitória”, um “coroamento”.

A guirlanda do Natal representa um coroamento do lar, da família, da sua união e do fim do ano.

Coroa do Advento
Coroa do Advento

A Coroa do Advento

A Coroa do Advento, um outro simbolo natalino, é feita de ramos verdes entrelaçados. Eles formam um círculo, no qual são colocadas quatro grandes velas, de preferência da cor roxa. Elas representam as quatro semanas do Advento, o  período de tempo que antecede o Tempo do Natal.

A tradição da Coroa do Advento surgiu no norte da Alemanha a na Escandinávia, no século XVI, para preparar os cristãos para a Festa de Natal, quatro semanas depois. Na Suécia, a Coroa do Advento é reservada para a Festa de Santa Luzia no dia 13 de dezembro. Do norte da Europa, o costume ganhou o mundo, como uma nova maneira de atualizar o antigo tema do Natal de Jesus.

Nas igrejas, esse coroa deve ser colocada em um lugar evidente no Presbitério, bem perto do altar ou do púlpito, sobre uma mesinha, um tronco de árvore ou em qualquer outro lugar bem visível. Essa colocação é recomendada até pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo de Roma.

Nas casas, a Coroa do Advento costuma ser colocada numa mesa da sala ou num lugar bem central.

Um pequeno e  particular rito natalino caseiro acompanha a Coroa do Advento: a ordem do acendimento das suas velas. A cada Domingo, em geral à noite, uma vela é acesa. No Primeiro Domingo uma, no Segundo duas, até serem acesas as quatro velas no Quarto Domingo. Essa luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo, o  Salvador e a Luz do Mundo brilhará para toda a Humanidade.

Ao ser colocada na casa, ela recorda também a experiência de escuridão do Pecado. A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza a fé de Abraão e de outros patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

A cor roxa das velas, a mesma do período da Quaresma, convida a purificar os corações para colher o Cristo que vem. Ás vezes existem coroas com velas de cor rosa, evocando alegria: “O Senhor está próximo!”. Os detalhes dourados, como em todos os áures símbolos natalinos, prefiguram a glória do Reino que virá.

O Papai Noel

O rechonchudo Papai Noel é amado por crianças e adultos, com suas barbas e cabelos brancos, óculos redondos e um saco ás costas. O personagem do Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, o Taumaturgo, arcebispo de Mira, no século IV. Ele nasceu em 280 em Patara, na atual Turquia, e morreu aos 41 anos. Sua festa litúrgica é comemorada em 6 de dezembro.

O bispo Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse com dificuldades financeiras. Bondoso e generoso, nas várias histórias a seu respeito, São Nicolau sempre oferecia presentes aos pobres e salvava marinheiros vítimas de tempestades. Foi declarado Santo após muitos milagres lhe serem atribuído, sendo padroeiro das crianças e dos marinheiros. E ao “Papai Noel” as crianças passaram a pedir os presentes com antecedência, para ganhá-los no Natal. A fama do Papai Noel de dar presentes ás crianças chegou aos Países Baixos pelos marinheiros, gente poliglota por ofício e não de profissão. Eles transmitiram o nome de São Nicolau como puderam.

Evolução do Papai Noel
Evolução do Papai Noel

Seu nome original era Nicolau, mas surgiram vários apelidos. O nome Nicolau cresceu pela Alemanha e Europa, atravessou séculos, até chegar aos Estados Unidos, onde é chamado de Santa Claus. O nome Santa Claus vem da evolução paulatina do nome de São Nicolau: St. Nicklauss, St Klaus e Santa Claus. O nosso “Papai Noel” vem do francês Père Noel. Em Portugal, ele é chamado de “Pai Natal”.

Entretanto, a palavra “Noel” é mais poderosa do que muitos imaginam, pois provem do hebraico imanu’el, que significa “Deus conosco”.

.Quem deu força à lenda dum “Papai Noel que presenteia” foi Clement C. Moore, professor de literatura grega em Nova Iorque (EUA), com o poema “Uma visita de São Nicolau”, escrito para os seus seis filhos em 1822. Moore divulgou a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas e ajudou a popularizar outras características, como o de entrar pela chaminé. A explicação da chaminé vem da Finlândia, uma das fontes de inspiração do poema. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas, como iglus, cobertas com pele de rena. A entrada era um buraco no telhado. De personagem real da Turquia, o Papai Noel imaginário passou a vir do Pólo Norte.

A última e mais importante característica incluída na figura de Papai Noel é sua roupa vermelha e branca. Antigamente, ele vestia-se como bispo católico ou usava cores próximas do marrom, com uma coroa de azevinhos na cabeça ou nas mãos. Seu visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Haper’s Weeklys, em 1886, numa edição especial de Natal.

Em alguns lugares na Europa e no Canadá ele ainda é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo e, ao invés do famoso gorrinho vermelho, tem uma mitra episcopal.

Por que meias e sapatos na janela no dia de Natal?

A Tradição de pendurar meias na lareira ou deixar sapatos na janela originou-se de uma das muitas histórias sobre São Nicolau, em quem se inspira a figura do Papai Noel.

No passado, para uma moça era indispensável dispor de um dote para se casar. São Nicolau sobe da triste situação de uma família, sem recursos para o dote de suas filhas. secretamente, ele jogou três pequenos sacos com moedas de ouro pela chaminé da casa da família. Os sacos caíram dentro das meias das moças, penduradas na lareira para secar. Em outras versões foi pela janela, e caíram dentro de uns sapatos.

Qual a tradição da “chegada do Papai Noel”?

Antes ou depois da ceia de Natal, algumas casas representam a chegada do Papai Noel. As crianças são interrogadas sobre seu comportamento durante o ano. Os presentes correspondem aos pedidos feito por escrito, ou oralmente, para o papai Noel. Ele confere a lista e faz sua distribuição diretamente.

Para essa missão, montada em segredo nas famílias, algum adulto se engaja através de uma fantasia do Bom Velhinho. Em outras casas, Papai Noel deixa os presentes dos filhos ao lado de suas camas, junto aos pares de sapatos ou ainda no pé da árvore de Natal. Eles serão encontrados quando os filhos despertarem.

Qual a história da Ceia de Natal?

No passado, após a Missa do Galo, celebrada á meia noite do dia 24, era servida nas igrejas uma refeição frugal aos fiéis presentes. Com o tempo, essa refeição foi transferida para as casas dos fiéis e tornou-se mais sofisticada. Muitas famílias reúnem-se para uma ceia mais alegre, com pratos tradicionais, assados, doces, frutas cristalizadas, bolos e pudins.

Os lares são enfeitados e iluminados para a Ceia de Natal e são comuns as velas acesas. Essa celebração estreita os laços familiares e é uma liturgia doméstica, ao som de música natalina. Os familiares cantam, fazem leituras bíblicas, representam pequenos autos de Natal em que crianças menores e idosos representam a chegada do Papai Noel, tocando sinos e entregando presentes ao mais pequeninos.

Qual a história da tradição da Comida dos 13 Mendigos ?

Algumas famílias de origem mediterrânea mantêm a tradição dos Treze Mendigos. São 13 doces e frutos servidos no final da ceia de Natal e deixados à disposição para consumo sobre uma mesa, durante três dias, até o dia 27 de dezembro.

Os 13 mendigos são: nozes, avelãs, amêndoas, pistaches, castanhas, pinhões, tâmaras, figos secos, uvas passas, damascos, marmelos (marmelada), maçãs e peras. Eles representam Jesus (tâmara) e os 12 apóstolos.

Podem ser também treze doces diferentes, depende da tradição familiar. Esses “13 Mendigos” prolongam a alegria e os sabores da ceia de Natal até pertinho da passagem de ano.

Por que a troca de presentes no Natal?

O costume de dar e trocar presentes é o resultado de vários aspectos ligados ao nascimento de Jesus.

Pelo Mistério da Encarnação, Deus se faz presente, dar presente é uma forma de estar presente na vida do outro. Esse gesto evoca a presença dos Reis Magos junto a Jesus e á Sagrada Família, entregando presentes.

O presente é uma lembrança, é “lembrar-se do outro”. A exagerada compra de presentes, a mobilização agressiva do comércio e aos apelos ao consumo desenfreado infelizmente deram um impulso consumista e até anti-cristão ao Tempo de Natal.

Por que deixar os presentes ao pé da árvore?

Em muitas casas, os presentes natalinos são colocados aos pés da árvores de Natal, para serem trocados, depois da ceia, entre amigos e familiares.

Esse costume teria começado durante o reinado de Elizabeth I, na Inglaterra do século XVI. A rainha promovia grandes festas natalinas e recebia muitos presentes. Como era praticamente impossível receber diretamente todos os presentes, adorou-se o costume de deixá-los sob uma grande árvore natalina, montada nos jardins do palácio.

Qual a origem dos cartões de boas festas ?

No passado, os votos de Natal eram expressos através de cartas, algumas decoradas, enviadas pelo correio. Os cartões de Natal, de origem anglo-saxônica, começaram já no século XVI e desenvolveram-se muito por volta de 1850, graças á litografia e às gráficas. Algumas pessoas reproduziram cenas de quadros famosos sobre a Natividade, para enviarem a seus amigos e familiares. Alguns solicitaram novas criações sobre temas natalinos para diversos artistas.

Sir Henry Cole, diretor do Museu Britânico (Inglaterra) sem tempo para escrever a mão as felicitações natalinas, mandou fazer um desenho com um espaço onde escrevia breves palavras. O advento da Internet trouxe toda uma gama adicional de cartões e mensagens de Natal, escritas, sonoras e até com pequenos filmes.

E as lapinhas ?

Nas regiões Norte e Nordeste, o Tempo do Natal é marcado lapinhas, realizadas ao som de maracás, flautas, pandeiros, violões e cavaquinhos. As lapinhas são apresentadas na frente dos presépios ou lapinhas das igrejas na noite de Natal e em seus adros e escadarias, antes da Missa da Meia-Noite. Seus integrantes vestem-se de pastores, cantam e louvam o nascimento de Jesus.

A apresentação da lapinha constitui-se de duas alas: a do cordão encarnado, da mestra e a do cordão azul, da contramestra e de vários personagens ( Linda Rosa, lindo Cravo, Borboleta, Ciganas… )

Religiosas e até litúrgicas na sua origem portuguesa, as lapinhas foram sendo substituídas em muitos lugares pastoris, sem toda a religiosidade das primeiras.

Os 3 reis magos entregam seus presentes ao menino Jesu em seu nascimento.
Os 3 reis magos entregam seus presentes ao menino Jesu em seu nascimento.

Quem são os Reis Magos?

Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos conhecido como “A Revelação dos Magos” – provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia – nos informa sobre eles.

A narração de São Mateus (Mt 2) contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.

São Beda – importante por  ser uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes.- nos diz que  “Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.

São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades. Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias da Inglaterra, os via como Representantes dos Povos da Europa, Ásia e África, os três continentes conhecidos naquela época. Joseph Ratzinger (o futuro papa.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos (o Salmo 72,10) estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis. Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes. Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, vêem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta, usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Relicário dos Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.

De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo (347-407), os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

O nome “mago” provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para o estudo dos astros. A eles devemos o início da ciência astronômica. Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos. Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador (Mt 2,5-7).

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”. Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

Quantas são as missas do Natal ?

O Natal tem mais do que a famosa Missa do Galo.

O Natal é um dos maiores dias festivos do calendário católico. Nesse dia, seguindo uma tradição de mais de 1600 anos, a Igreja celebra (com intenção livre ) três missas: a da Aurora (desde o século VI) e a do Dia (instituída no século IV).

Com o tempo, foi acrescentada mais uma para a celebração vespertina do dia 24, a chamada “Missa do Galo”.

Papa Francisco na basílica de São Pedro, durante a Missa do Galo em 2016
Papa Francisco na basílica de São Pedro, durante a Missa do Galo, neste sábado (24) (Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino)

Por que uma “Missa do Galo”?

O nome oficial é “Missa da Véspera do Natal”.

A Missa do Galo começou a ser celebrada em meados do ano 300. Com o passar dos anos, as missas eram sempre celebradas à meia-noite. Hoje, em muitas Igrejas do Brasil este horário ainda é mantido.

A  expressão “Missa do Galo” é específica dos países latinos e deriva da lenda que à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo teria cantado fortemente, como nunca ouvido de outro animal semelhante, anunciando a vinda do Messias, filho de Deus vivo, Jesus Cristo.

Uma outra lenda, de origem espanhola, conta que antes de baterem as 12 badaladas da meia noite de 24 de Dezembro, cada lavrador da província de Toledo, em Espanha, matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes quando Pedro negou Jesus. A ave era depois levada para a Igreja a fim de ser oferecida aos pobres, que viam assim, o seu Natal melhorado. Era costume em algumas aldeias espanholas e portuguesas, levar o galo para a Igreja para este cantar durante a missa, significando isto um prenúncio de boas colheitas.

Algumas literaturas relatam que no século IV a comunidade cristã de Jerusalém seguia em peregrinação até Belém para celebrar a Missa do Natal na hora do primeiro canto do galo, mencionado por Jesus na traição de Pedro, descrito nos Evangelhos (Mt 26, 34 e Mc 14, 68-72).

Em Roma a celebração acontece desde o século V, na Basílica de Santa Maria Maior.

O galo passou a simbolizar vigilância, fidelidade e testemunho cristão. Por isto, no século IX a ave foi parar no campanário das igrejas.

Qual a diferença entre Tempo de Advento e do Natal?

Para a Igreja existem dois tempos: o do Advento e o do Natal. O calendário litúrgico da Igreja Católica, equivalente ao ano civil, começa com o Advento, em novembro.

O tempo do Advento inicia-se quatro domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro com a comemoração do nascimento de Cristo.

Ciclos de Natal e Advento

O Tempo do Natal inicia-se na véspera do Natal até o primeiro domingo depois da Festa da Epifania. No ciclo do Natal são celebradas as festas da Sagrada Família (30 de dezembro), da Circuncisão do Senhor (1º de janeiro), de Santa Maria Mãe de Deus (1º de janeiro), dos Santos Reis ou Reis Magos (6 de janeiro) e do Batismo de Jesus (primeiro domingo após a Epifania).

Todas as festividades de Natal acabam na Epifania. Na Amazônia e no Nordeste é tradição queimarem as palhinhas do presépio. “A Epifania leva embora todas as festas”, como dizem os italianos.

O post Os símbolos do Natal: entenda todos os ícones deste momento apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/os-simbolos-do-natal/feed/ 1 5978
Corpus Christi em São Gonçalo: uma recente tradição https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/ https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/#comments Sun, 22 Jun 2014 14:38:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2160 Muito se tem escrito sobre a tradição cristã do Corpus Christi, Festa do Corpo e Sangue do Senhor. Em especial, sobre a tradição do tapete, enfeite do trajeto da procissão anexa à mesma festa. Como católico gonçalense, não poderia me isentar de comentar esta bela tradição de São Gonçalo pela ótica católica, para benefício tanto […]

O post Corpus Christi em São Gonçalo: uma recente tradição apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Muito se tem escrito sobre a tradição cristã do Corpus Christi, Festa do Corpo e Sangue do Senhor. Em especial, sobre a tradição do tapete, enfeite do trajeto da procissão anexa à mesma festa. Como católico gonçalense, não poderia me isentar de comentar esta bela tradição de São Gonçalo pela ótica católica, para benefício tanto dos católicos gonçalenses, quanto dos que queiram entender a nossa cultura.

A Eucaristia

A Igreja Católica sempre entendeu nas palavras proferidas por Nosso Senhor Jesus Cristo, na chamada Última Ceia, que o pão e o vinho consagrados neste momento pelo sacerdote são, em real, o Seu corpo e o Seu sangue. A Igreja vive da Eucaristia. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: “Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo” [1] mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. O Concílio Vaticano II[2] justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã”. De fato, “na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo”. Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.[3]

Para o cristão católico, aquele pedaço de pão sem fermento é a real carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, e aquele vinho tinto o Seu precioso sangue. Inúmeros milagres durante dois mil anos dão ao fiel a comprovação dessa doutrina, como o Milagre de Lanciano, exaustivamente estudado pela Ciência.

Uma festa para sanar as dúvidas

A celebração de Corpus Christi (Corpo de Cristo) surgiu na Idade Média. Consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. Quarenta dias depois do Domingo de Páscoa é a quinta-feira da Ascensão do Senhor. Dez dias depois temos o Domingo de Pentecostes. O domingo seguinte é o da Santíssima Trindade, e na quinta-feira é a celebração do Corpus Christi. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade.

No final do século XIII surgiu em Liége, atual Bélgica, um Movimento de revalorização da Eucaristia na Abadia de Cornillon. Foi a origem de vários costumes eucarísticos, como a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon (1193-1258), à época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinianas. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade. Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, bispo de Liége, também a e Jacques Pantaleón, arquidiácono local, futuro Papa Urbano IV. O bispo Roberto ficou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte.[4]

O Papa Urbano IV, estava em Orvieto, cidade ao norte de Roma. Perto está Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal.

A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais [5] em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue. O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” (de 8/9/1264) fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que asistirem a Santa Missa e o ofício.

O ofício de Corpus Christi foi composto por São Tomás de Aquino, que usou parte de Antífonas, Lições e Responsórios já em uso em algumas igrejas.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV. Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Corpus Christi – São Gonçalo

No Brasil, com tapetes

A confecção de tapetes de rua é uma magnífica manifestação de arte popular que tem como origem a comemoração do Corpus Christi. A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares onde chegaram seus imigrantes, como Florianópolis (SC).

A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses. Numa carta de 9 de agosto de 1549, o Padre Manuel da Nóbrega, da Bahia, informava: “Outra procissão se fez dia de Corpus Christi, mui solene, em que jogou toda a artilharia, que estava na cerca, as ruas muito enramadas, houve danças e invenções à maneira de Portugal”.[6]

As procissões portuguesas eram esplendorosas: tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge, padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais de gala.

A Liturgia Romana

Para as procissões eucarísticas, a cruz vai à frente ladeada por duas velas. Não se leva incenso junto à cruz. Atrás dela os ministros dois a dois, os acólitos, os diáconos e os concelebrantes. Estes últimos portam o pluvial, mas podem portar também a casula se a procissão foi feita logo após a missa. O celebrante principal, se não levar a sagrada eucaristia vai imediatamente à frente dela. Segue, então, a sagrada Eucaristia carrega por um clérigo vestido com alva, estola, pluvial e véu umeral de cor branca. É coberta pelo pálio ou pela umbela, carregado por quatro ou seis pessoas. À sua frente, vão dois acólitos com turíbulos fumegando. Se for o bispo a levar o Santíssimo, o báculo vai à frente dos turiferários e a mitra, bem como o livro atrás do pálio.

Além dos demais acólitos assistentes, vão na parte de trás da procissão, os clérigos em vestes corais. Os de maior dignidade vão mais perto da Sagrada Eucaristia. Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra apresentada aos fiéis para adoração.

A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com o pão maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo em forma de pão.

Corpus Christi – São Gonçalo

O Corpus Christi em São Gonçalo

A festa passou a integrar o calendário religioso brasileiro em 1961, quando uma pequena procissão saiu da igreja de Santo Antônio e seguiu até a igreja de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. A festa de Corpus Christi no município de São Gonçalo começou em 1995. [7]

Em 2010, os tapetes de Corpus Christi em São Gonçalo são patrimônio cultural imaterial do município, conforme a Lei Estadual 3141/10 de autoria do Deputado Altineu Cortes.[8] Sua extensão de 2000 metros o caracteriza como o maior em extensão da América Latina.

A cada ano, o Prefeito de São Gonçalo assina um decreto nomeando os componentes da Comissão dos Festejos de Corpus Christi no município, publicado no Diário Oficial da cidade.

Uma tradição católica e cultural gonçalense

A cidade de São Gonçalo foi fundada por portugueses e grande parte de sua arquitetura é de origem ibérica. Não somente as casas, mas o modo de ser das pessoas, do comércio, são típicos de antiguidade portuguesa. A religião católica é um dado característico dessa cultura e tornou-se também uma característica brasileira, desenvolvendo-se em formas próprias em uma chamada “brasilidade católica”.

A festa católica do Corpo de Cristo é assimilada em toda a Cristandade e não poderia deixar de ser em São Gonçalo também praticada. Com orgulho temos o maior tapete artístico de sal com motivos sacros de toda a América Latina. Isso demonstra não só a catolicidade de nossa cultura antiga, mas também a preservação de uma tradição para as gerações futuras, ansiosas de tradição e cultura seculares.

Corpus Christi – São Gonçalo

Fontes:

1 – Evangelho segundo são Mateus, capítulo 28, versículo 20.
2 – Reunião de todos os bispos da Igreja Católica, realizado de 1963 a 1966, em Roma, Itália.
3 – Carta Encíclica “Ecclesia de Eucaristia” (A Igreja da Eucaristia) do papa Paulo II, §1
4 – O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.
5 – guardanapos de pano branco onde se apóiam o cálice e a patena durante a Missa.
6 – Cartas do Brasil, 86, Rio de Janeiro, 1931.
7 – Sítio oficial da Arquidiocese de Niterói, disponível em http://arqnit.org.br
8 – PROJETO DE LEI Nº 3141/2010 – DECLARA PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO OS FESTEJOS RELIGIOSOS DE Corpus Christi E O TAPETE PARA A PROCISSÃO NO MUNICÍPIO DE SÃO GONÇALO/RJ Autor(es): Deputado ALTINEU CORTES – A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESOLVE: Art. 1º – Ficam declarados como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro os festejos religiosos de Corpus Christi e o tapete preparado para a procissão católica no município de São Gonçalo. Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua criação. Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 9 de junho de 2010.

O post Corpus Christi em São Gonçalo: uma recente tradição apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/feed/ 3 2160