metropolitana Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/metropolitana/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 01 Dec 2023 00:20:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg metropolitana Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/metropolitana/ 32 32 147981209 Entre o caos nacional e estadual, ainda há quem lute pela CIDADE? https://simsaogoncalo.com.br/salve-cidade-salve-o-mundo/ https://simsaogoncalo.com.br/salve-cidade-salve-o-mundo/#respond Sun, 05 Nov 2017 16:31:18 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5685 Antes de começar a desfiar o rosário rústico de desgraças cotidianas, devo avisar: não me venham com esse papo de “tempos difíceis”. Não vi tempo fácil desde que cheguei — há 41 anos — e agradeço pela vida não ter me dado mole para que eu não fosse mais um tolo. Como diz o poeta, “pra quem aprendeu a […]

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Antes de começar a desfiar o rosário rústico de desgraças cotidianas, devo avisar: não me venham com esse papo de “tempos difíceis”. Não vi tempo fácil desde que cheguei — há 41 anos — e agradeço pela vida não ter me dado mole para que eu não fosse mais um tolo. Como diz o poeta, “pra quem aprendeu a nadar na lama / água é veículo e velocidade”.

Roma arde. Você pode torcer para o partido que quiser (até para o seu próprio coração partido), canonizar santos de barro e escalar seus bandidos de estimação, não importa. Só não pode negar que nossx Capital arde, e o cheiro dos fumos é de dinheiro e esperanças queimadas. Capitalistas selvagens titânicos abocanham mais do que podem morder, e as cifras que o jornal vomita são fabulosas até para os ricos. Fico intimidado ouvindo milhões pra cá, milhões pra lá, enquanto não consigo quitar nem o carnê do carrinho mil cilindradas que me leva pro trabalho (o mais triste dos romances, com apenas 60 páginas). Ninguém representa ninguém, quem cruza o maroto Rubicão artifical do Planalto Central e enverga um terno se torna ronin, samurai cujo único mestre é o próprio umbigo.

No cenário estadual a coisa não melhora muito. Um chefe de quadrilha renomado e conhecido finalmente é preso por seus constantes saques ao erário — consequentemente ao bolso dos cidadãos — porém deixa seu filhote maldito na cadeira de governador. Como uma encosta na chuva de janeiro, a autarquia estadual se esboroa a olhos vistos, e no caminho de destruição leva direitos, empregos, investimentos e vidas, muitas vidas. Mais uma vez com a anuência de outros meliantes enfatiotados em seus fatos, líderes comunitários, milicianos e religiosos eleitos por seus rebanhos e babando nas gravatas.

Ao mesmo tempo, os usual suspects campeiam ao largo: machismo, racismo, criminalização da pobreza, estupidez, ameaça esquizofrênica de intervenção militar (VOCÊS NÃO ESTUDARAM HISTÓRIA NÃO, CARALHO?!), Trump, apropriação cultural, Muralha titular. Dói, dói sim. Mas e a cidade? Haverá tempo para se lutar por nossa cidade no meio desse furdunço?

“Fora Temer”, “Fora Pezão”, “Fora Trump” são importantes sim, amiguinhos, mas e a caixa preta do governo de Neilton Mulim, quem vai abrir? A gente fica perdido debatendo em redes sociais questões de alta complexidade filosófica, mas não se incomoda com o teatro minicipal fechado (SEMPRE FUI CONTRA, mas depois de construído, pago e repago, por que a população não pode usufruir?). Vejo gente discutindo se branco pode ou não usar turbante (como se alguém fosse branco), ou ainda se é legítima a presença de negros no clipe da Malu Camelo (e quem ouve essa menina, gente?), mas que não cria espaços na cidade onde as demandas possam ser explanadas e minimizadas. A cidade, letárgica, está aprisionada em um calendário de 1990 colado na parede, e brinca de corrida de curupira. Os vereadores se digladiam por seus cargos de indicação (“leitinho do gato”, disse um), e o rebanho assiste a tudo passivamente, mirando aves de arribação no horizonte enquanto tico-ticos bicam o fubá de seus pratos.

Mas não é só a miopia política não, nem esperar que o poder público cumpra seu papel. Cadê as iniciativas populares? Onde está a infantaria? Vamos ficar vaiando Doria e seu casaquinho amarrado no pescoço até quando? A gente perde um tempo danado brigando pela subjetividade alheia, enquanto nosso imaginário local se empobrece mais e mais. A briga é AQUI, o tempo é ONTEM. É preciso que alguns levantem os cornos para fora e acima da manada. CRIAR alternativas para São Gonçalo, PENSAR e REALIZAR ações que limpem o rio de nossa aldeia (que é maior do que o Tejo, maior do que o mundo) e ver novamente os barquinhos de papel descendo a corredeira, para o deleite daqueles que ainda querem mudar a cidade — e não se mudarem dela. Entre o caos nacional, o pandemônio estadual e a crise ontológica, é preciso que alguém ainda lute pela CIDADE.

Senão — acreditem — a terra do São Miguel não nos será leve.

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Grande São Gonçalo: a região leste da Baía de Guanabara https://simsaogoncalo.com.br/grande-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/grande-sao-goncalo/#comments Tue, 29 Aug 2017 16:17:18 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4699 Há pouco tempo, fiz uma compra online. Na hora de definir a entrega, ​antes de escolher a cidade, eu precisava escolher uma região do Rio de Janeiro. E não é que São Gonçalo estava na lista da Baixada? Para bom entendedor, ficou claro duas coisas: a primeira é que, o significado de “Baixada” para quem […]

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Há pouco tempo, fiz uma compra online. Na hora de definir a entrega, ​antes de escolher a cidade, eu precisava escolher uma região do Rio de Janeiro. E não é que São Gonçalo estava na lista da Baixada?

Para bom entendedor, ficou claro duas coisas: a primeira é que, o significado de “Baixada” para quem não mora lá é algo pejorativo, sendo quase um adjetivo de “cidades pobres”; e a segunda é que, quem definiu a lista não sabe nada de Rio de Janeiro. Muito menos que a nossa classificação é regional, não social.

Depois desse momento, percebi que algumas pessoas já vêm chamando nossa região como Grande São Gonçalo. Mas você sabe como tudo isso surgiu? Fui buscar entender a raíz.

A fusão entre Guanabara e Rio de Janeiro em 1974

Em 1974, 13 anos após a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília, o presidente militar Ernesto Geisel publicou a Lei Complementar Nº 20, de 1º de julho de 1974, que instituiu a fusão da Guanabara (cidade do Rio) com o estado do Rio de Janeiro. A partir dali, Niterói deixou de ser capital do RJ, transferindo os órgãos estaduais para a ex-capital brasileira, agora fluminense.

Após isso, Niterói manteve sua centralidade e importância para a região. O termo “Grande Niterói” referia-se a São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito e Niterói, cidades que hoje também conhecemos como Leste Fluminense, os municípios à leste da Baía de Guanabara.

São Gonçalo de 1970 até hoje: população cresceu 2,5 vezes mais

Nos anos 70, São Gonçalo já estava descendo a ladeira sem freio quando o assunto era importância no cenário fluminense. Sua desindustrialização era visível e os fatores econômicos aceleraram muito o processo.

Entretanto, não foram o suficiente para reduzir o crescimento da população. Pelo contrário. Saímos dos 430 mil habitantes nos anos 1970, para ultrapassar a barreira dos 7 dígitos, chegando ao atual mais de 1 milhão de pessoas.

E assim São Gonçalo se tornou a maior cidade fluminense depois da capital.

Baía de Guanabara vista pela Ilha das Flores, no Leste Fluminense.
Baía de Guanabara vista pela Ilha das Flores, no Leste Fluminense. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Localmente, é referência nos serviços primários, fora, tem gonçalenses espalhados em todo o RJ

A atual escassez de recursos divididos pela gigante população nos prejudica. Somos uma cidade com um dos valores mais baixos do orçamento por pessoa (per/capita). Para completar, São Gonçalo drena demandas das cidades vizinhas. Entre elas estão Itaboraí, Magé, Maricá e até Cachoeiras de Macacu.

As questões mais básicas, como saúde e educação, se desenvolveram na cidade. Apesar da precariedade do serviço público de saúde, ele funciona. Sem falar nas estruturas particulares, que se instalaram graças ao grande mercado consumidor.

Na educação, o efeito é similar. A presença da UERJ atrai estudantes de graduação no ensino público. No privado, Universo e Faculdade Paraíso desempenham seus papéis como pólos de formação superior.

Fora da cidade, a migração de gonçalenses para o Rio, Niterói e Maricá forma uma população que não se mantém indiferente à cidade, uma vez que seus amigos e parentes ainda moram e participam da vida social local.

Tratamento de água: presença da CEDAE

Estrategicamente, a cidade “mantém vivo” todo o leste fluminense. Nossas nascentes estão em Cachoeiras de Macacu e as águas da Grande São Gonçalo são tratadas na ETA Imunana Laranjal, reafirmando ainda mais sua característica central.

BR-101 e Shopping São Gonçalo no bairro Boa Vista, uma das entradas da cidade via estrada. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo
BR-101 e Shopping São Gonçalo no bairro Boa Vista, uma das entradas da cidade via estrada. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Os anos 2000 consolidaram a Grande São Gonçalo

Apesar das dificuldades financeiras da esfera pública, foram os investimentos privados aliados ao crescimento econômico e tecnológico os grandes responsáveis pelas mudanças locais.

O crescimento da “nova” classe média brasileira foi visível na cidade. A inauguração do primeiro shopping, em 2004, no Boa Vista, foi um marco na vida econômica e, até mesmo, social da cidade. Fez com que os gonçalenses se mantivessem no território, tanto para comprar, quanto para atividades de lazer.

Em 10 anos, vimos o surgimento de mais 3 centros comerciais na cidade: Boulevard/Partage, Guanabara Colubandê e o polêmico Pátio Alcântara.

O crescimento de Itaboraí com a construção do Comperj também foi determinante para a região no entorno de Alcântara, atraindo ainda mais pessoas e serviços.

Vimos também um desenvolvimento expressivo de Maricá. Com mais pessoas indo morar lá, o fluxo de trabalhadores com Rio e Niterói aumentou. E como sabemos, o principal caminho que leva à Maricá passa por São Gonçalo, pelas RJ-104 e RJ-106.

Politicamente a Grande São Gonçalo ainda não é uma realidade

O ponto fraco do território é o cenário pouco expressivo politicamente. Apesar da numerosa população, alto consumo e produção de artistas e talentos, nossa infraestrutura local é deficiente. Indiretamente, isso inibe as possibilidades de parcerias com os municípios irmãos, por conta das travas que isso gera, seja mentalmente ou fisicamente.

O fortalecimento de lideranças é o caminho mais desejado nesse contexto.

Mas é preciso pensar globalmente. Não só com líderes políticos, mas empresariais e sociais. Eles e elas são o caminho-chave na obtenção de recursos e formação de um novo pensamento.

Só assim, somados às forças da capital, região Serrana, dos Lagos, Costa Verde, Norte e Vale do Paraíba, será possível reerguer, mais uma vez, o estado do Rio de Janeiro, consolidando de vez o status da Grande São Gonçalo.

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