pmrj Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/pmrj/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 30 Jun 2017 18:10:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg pmrj Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/pmrj/ 32 32 147981209 Violência nunca esteve tão próxima – o colapso na segurança do RJ https://simsaogoncalo.com.br/seguranca-em-colapso-violencia-nunca-esteve-tao-proxima/ https://simsaogoncalo.com.br/seguranca-em-colapso-violencia-nunca-esteve-tao-proxima/#comments Fri, 30 Jun 2017 17:53:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4774 A violência está perto. Está batendo na porta da sua casa. É visível pela janela. Feche a cortina para não participar. Desligue a TV, ela só fala do pior lado de São Gonçalo. Ainda sim, você pode acordar com barulho de tiro de madrugada. Vai saber, intuitivamente, que foi uma pistola 38, disparada mais ou […]

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A violência está perto. Está batendo na porta da sua casa. É visível pela janela. Feche a cortina para não participar. Desligue a TV, ela só fala do pior lado de São Gonçalo.

Ainda sim, você pode acordar com barulho de tiro de madrugada. Vai saber, intuitivamente, que foi uma pistola 38, disparada mais ou menos em um raio de um quilômetro. Vai torcer para ter sido só uma comemoração. Que estranho! Jogo de futebol a essa hora? Os tiros continuam, caramba! Tenta dormir para esquecer. Dormiu. No sonho, você está sendo sequestrado, o filho que você ainda não tem está sendo levado. Você acorda, eu acordo, todo mundo acorda. São 4 horas da manhã e nós ainda temos 2 horas para dormir antes de acordar para trabalhar. Mas quer saber? Vamos ficar acordados, estamos cansados de pesadelo todos os dias.

Rotatória do Zé Garoto. Foto: Fernando Bittencourt
Rotatória do Zé Garoto. Foto: Fernando Bittencourt

“Laranjas podres: quase 100 PMs são denunciados na maior operação contra corrupção de PMs no RJ. Megaoperação foi deflagrada para prender 96 PMs, 70 traficantes e outros integrantes de esquema em São Gonçalo.” – Noticiário, 29 de junho de 2017

Falsa segurança: quando as armas mudam de mãos

Voltando no tempo, precisamente no segundo semestre de 2010, gravei, junto com dois amigos, um trabalho para faculdade sobre a instalação da 6ª Unidade de Polícia Pacificadora no Morro dos Cabritos, Copacabana. Naquele momento, a implantação da unidade tinha 6 meses e o clima era de dúvida. Na fala dos moradores, a gente encontrava ansiedade na espera de uma intervenção mais social, que trouxesse infraestrutura para a comunidade. Mas o fato era que, até aquele momento, as armas tinham mudado de mãos.

Novembro de 2010, dia 25, quinta-feira.

Assisti, de uma das televisões do Pilotis da PUC, a incursão do BOPE ao Complexo do Alemão. Não lembro exatamente da minha reação, mas lembro perfeitamente do medo que senti na volta para casa, dentro do ônibus 996, viação 1001, que faz o trajeto Gávea x Charitas. Os policiais estavam parando e revistando os coletivos que iam para Niterói. Naquele momento, eu entendi que os fatos tinham relação direta, invasão dos morros e evasão dos bandidos, mas não realizei que em pouco tempo a minha cidade ia mudar drasticamente.

Morro Menino de Deus, centro de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt
Morro Menino de Deus, centro de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt

Do Galo Branco para o Rodo

Em setembro de 2013, me mudo do bairro Galo Branco para o Centro de São Gonçalo, o Rodo. A realidade me impacta logo de cara. Morar no Rodo é encontrar ruas desertas a partir das 7 horas da noite. Morava em um prédio que dava as costas para o Morro Menino de Deus, na Rua Aluísio Neiva. Aos poucos, fui entendendo a dinâmica da comunidade. A venda de drogas que acontecia, a apreensão dos moradores, os conflitos com a polícia, tudo. Ouvia tiros esporádicos à noite. Logo depois, os tiros não tinham mais hora para acontecer.

Foram três anos que vivi naquele apartamento. Três anos de muita angústia. Ao mesmo tempo que ganhei em mobilidade, com mais opções de transporte e facilidades, pela proximidade do comércio, ganhei insegurança para sair e chegar em casa. Da janela do quarto, via os traficantes com armas na pedra em cima do morro. Do outro lado, na varanda, via os policiais na rua, cobertos pela parede do edifício. Eu estava no meio da guerra. Não era um noticiário da Tv, era a minha realidade.

Quando a sensação de segurança se esvai

Um dia combinamos de levar dois sobrinhos ao cinema. Laura, minha namorada, pegou eles de carro e passou no apartamento para me buscar. Eu já tinha descido, porque ela já tinha me dado um toque no celular. Em frente ao prédio, ela passa de carro e para, vou ao seu encontro e entro no carro. Um Gol branco para na nossa frente e dá ré, sai um homem do carona… eu sabia o que ia acontecer, já tinha ouvido muitos relatos, muitos amigos e parentes já passaram por essa situação. Mas eu não queria acreditar. Comigo não, hoje não, por favor… Fomos assaltados, levaram o carro, todos a salvo. Perdemos, e não foi só o bem material, foi toda e qualquer liberdade que ainda restava. Olhando para trás, tudo mudou a partir daquele dia, nossos hábitos se moldaram a procura de proteção.

Vista para o Mutuá. Foto: Fernando Bittencourt
Vista para o Mutuá à noite. Foto: Fernando Bittencourt

Parada 40 e o velado toque de recolher

Em 2016, me mudo para o bairro Parada 40. Lugar onde estou até hoje. Começamos a morar juntos em um condomínio com segurança 24 horas. Câmeras de segurança vigiam a todos. Ruas movimentadas, próximas à famosa Rua da Caminhada. No perímetro próximo, há lanchonetes, bares, colégios e uma grande concentração de igrejas evangélicas. Além do fluxo normal de pessoas do condomínio.

Definitivamente, a Parada 40 é mais movimentada. Mas às 21 horas, as pessoas já não circulam mais. Há um toque de recolher velado. Todos sentem que não é hora de ficar na rua. O som do motor das motos assusta, qualquer carro assusta, qualquer transeunte assusta. Você não quer ter medo, mas o sentimento é maior.

Rua Aluísio Neiva, Centro de São Gonçalo: carros em alta velocidade. Foto: Fernando Bittencourt
Rua Aluísio Neiva, Centro de São Gonçalo: carros em alta velocidade. Foto: Fernando Bittencourt

Ontem de madrugada, ouvi um tiro de 38. Foi disparado, mais ou menos, num raio de um quilômetro… dessa vez, decidi que vou acordar e sonhar com um lugar melhor. Com uma cidade que não me cause medo. Em busca de dias melhores.

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