polícia Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/policia/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 08 Dec 2023 23:20:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg polícia Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/policia/ 32 32 147981209 Guarda Municipal de São Gonçalo precisa fazer sua intervenção na cidade https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-de-sao-goncalo/#comments Wed, 28 Feb 2018 20:44:41 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6377 A Guarda Municipal de São Gonçalo vem ganhando destaque nos últimos meses. Mas esse movimento não é exclusivo daqui. Por conta do avanço da violência, roubos e latrocínios no Estado, sobra pressão para todo lado. Inclusive para as guardas, a instância mais básica na garantia da ordem pública. Na última semana de fevereiro, houve uma […]

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A Guarda Municipal de São Gonçalo vem ganhando destaque nos últimos meses. Mas esse movimento não é exclusivo daqui. Por conta do avanço da violência, roubos e latrocínios no Estado, sobra pressão para todo lado. Inclusive para as guardas, a instância mais básica na garantia da ordem pública.

Na última semana de fevereiro, houve uma pequena blitz que apreendeu 16 motos que trafegavam irregulares no Rodo, centro da cidade. Segundo o comando da Guarda Municipal de São Gonçalo, a intenção é reduzir o número de veículos e condutores irregulares nas ruas da cidade.

Como muitos assaltos são feitos sobre duas rodas, por serem veículos leves, quanto menos irregulares trafegando, melhor.

Guarda Municipal de São Gonçalo em ação no Centro da cidade.
Guarda Municipal verifica documentos do motociclista parado pouco antes da entrada do Boaçu, em 27 de fevereiro de 2018. Foto: Via Twitter

Barulho de moto, sensação de “perdi” e preconceito

Se você já sentiu a sensação de “perdi” ao ouvir um barulho de moto próximo, sabe do que estamos falando. Não é difícil encontrar alguém que já tenha sofrido com isso.

Por serem fáceis de manobrar numa perseguição e terem uma mobilidade superior a dos carros, as motos têm vantagens nas práticas de assaltos. Em fugas, ir na contramão ou adentrar locais de difícil acesso não são um problema para veículos de duas rodas.

Por conta desse cenário, infelizmente, quem também sofre bastante com o preconceito são os motociclistas habilitados. Especialmente os mototaxistas e motoboys. Com suas motocicletas regularizadas e aptos para o trabalho, tornaram-se alvos fáceis nas ruas. Seja pelas forças de segurança, que os param para averiguação, seja pelos bandidos, que roubam suas motos para praticar crimes.

Após a divulgação, houve quem falasse sobre uma possível inconstitucionalidade nas ações de apreensão. Também há relatos não divulgados sobre possíveis esquemas de corrupção, onde motos apreendidas são liberadas mediante propinas. Entretanto, se você ou algum conhecido presenciar esse tipo de crime, notifique a polícia imediatamente.

Guarda Municipal de São Gonçalo em ação no Centro da cidade.
Carros da Guarda Municipal de São Gonçalo aguardam andamento da ação no Centro da cidade. Foto: Via Twitter

Guarda Municipal de São Gonçalo não pode se limitar ao Centro

A presença da guarda na cidade é facilmente percebida no Rodo e em Alcântara nos dias úteis. Entretanto, não se vê com a mesma intensidade em outras áreas da cidade.

isso gera uma percepção forte de dúvidas sobre a efetividade dessas ações. Nos dão a impressão de que são feitas para o espetáculo, para a mídia, e menos para que se tenha impacto na cidade. Entre o Paraíso e Gradim, por exemplo, é fácil encontrar garotos sem capacete, camisa e, até mesmo, sem calçados pilotando motos. Algumas vezes, com até 3 pessoas sobre o veículo.

Multiplicar a presença e as apreensões em parceria com a Polícia Militar é fundamental. Ações em pontos estratégicos, especialmente aos finais de semana e parte da noite, ampliariam a sensação de segurança entre a população e seriam ainda mais eficazes.

Há problemas em todo o Rio de Janeiro. Mas a apreensão de armas e motocicletas, retirando-as dos bandidos, são fundamentais para aliviar os constantes assaltos e latrocínios que acontecem todos os dias.

Sabemos que a redução dos crimes tem fatores diversos. E que as atividades criminosas migram quando um tipo de crime rentável é neutralizado. Ainda sim, já que estamos em período de intervenção federal, que a intervenção municipal também se faça presente.

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Mapa das barricadas é o retrato da pobreza em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/mapa-das-barricadas-e-o-retrato-da-pobreza-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/mapa-das-barricadas-e-o-retrato-da-pobreza-em-sao-goncalo/#comments Mon, 18 Dec 2017 21:08:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5956 Lixo, entulho, terra, manilha, plantas, pneus, madeiras, concreto. Tudo o que tiver na reta e puder ser empilhado pode servir para fazer uma barricada. A tática de guerra que ganhou as ruas dos bairros do estado do Rio serve para demarcar onde começa a influência do tráfico na região. A princípio, é para se defenderem […]

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Lixo, entulho, terra, manilha, plantas, pneus, madeiras, concreto. Tudo o que tiver na reta e puder ser empilhado pode servir para fazer uma barricada. A tática de guerra que ganhou as ruas dos bairros do estado do Rio serve para demarcar onde começa a influência do tráfico na região. A princípio, é para se defenderem da polícia e das facções rivais. Mas na verdade, é um limitador territorial, que mostra para os moradores quem realmente manda ali.

Nos últimos meses, o jornal o São Gonçalo abriu um canal anônimo via WhatsApp (21) 97220-6423 para que esses moradores pudessem denunciar cada um desses bloqueios. Deu certo. Acuada, a população viu na mídia uma parceira. Em pouco tempo, diversos pontos foram denunciados e mapeados.

Em alguns casos a polícia agiu. Em outros, os traficantes remontaram as barreiras rapidamente. Problemas à parte, a iniciativa serviu para mostrar que ainda há esperanças no processo de paz do estado com a colaboração da sociedade civil.

Ruas do Jardim Catarina bloqueadas a mando do tráfico. Foto: Luiz Nicolella
Ruas do Jardim Catarina bloqueadas a mando do tráfico. Foto: Luiz Nicolella / O São Gonçalo

Mapa das Barricadas mostra que o território se dividiu ainda mais

Com o objetivo de agilizar o processo, um grupo – ou um/a desenvolvedor/a – criou o aplicativo, com objetivo de facilitar mapeamento e visualização dos pontos bloqueados. Implementaram também o recurso para confirmar ou não a localização exata da rua onde a barreira se encontra.

Se você quiser vê-lo agora, clique nesse link do Mapa das Barricadas.

Entretanto, a visualização gráfica do mapa foi além. Ela deixou explícito um processo óbvio e bem conhecido no estado do Rio de Janeiro e em São Gonçalo, que é a tomada das regiões mais pobres pelo tráfico de drogas.

Mapa das Barricadas em São Gonçalo
Mapa das Barricadas em São Gonçalo em dezembro de 2017.

Esse mapa da violência só reforça algo que tanto já debatemos, que é a priorização do calçamento, saneamento básico e iluminação nos bairros mais deficitários. Quanto menor a dignidade em uma região, maior o terreno fértil para o tráfico se manter.

Diante de tantos serviços parcos, justamente o único que chega à região com eficiência é o que mais apresenta saídas aos moradores: o sinal de internet. Seja 3G ou 4G, é quase uma porta da esperança para que população dê as mãos ao poder público, ajudando as polícias, civil e militar, nessa tarefa de “gato e rato” que se transformou a guerra contra o tráfico de drogas.

Esperamos que o Mapa das Barricadas termine suas atividades em breve. Uma cidade sem barricadas é um ambiente onde o direito de ir e vir foi garantido.

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Chacina no Salgueiro humilhou os gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/chacina-no-salgueiro-humilhou-os-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/chacina-no-salgueiro-humilhou-os-goncalenses/#respond Wed, 22 Nov 2017 13:44:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5793 Sete pessoas foram mortas na favela do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante uma operação clandestina do Exército e da Polícia Civil dia 11 de novembro. Mortes que nenhuma das instituições reconheceu até hoje, algo inédito no Rio de Janeiro, como afirmou o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (UOL). […]

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Sete pessoas foram mortas na favela do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante uma operação clandestina do Exército e da Polícia Civil dia 11 de novembro. Mortes que nenhuma das instituições reconheceu até hoje, algo inédito no Rio de Janeiro, como afirmou o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (UOL). Mortes que formam, portanto, uma chacina cruel e vergonhosa contra a segunda maior população do Estado.

Como se a vida dos gonçalenses não valesse nada, soldados do Exército e agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil se esconderam à noite na mata, encapuzados, para cometer os assassinatos no horário de um baile funk na comunidade. Bandido ou não, nenhum gonçalense ou cidadão brasileiro pode ser ferido ou morto e empilhado no Instituto Médico Legal sem explicações, por isso o Ministério Público abriu uma investigação criminal.

Um jovem de 19 anos, padeiro, é um dos quatro sobreviventes. Em entrevista exclusiva ao Jornal Extra, ele contou que depois de ser baleado nas duas mãos, os atiradores saíram do matagal tiraram uma foto sua e roubaram o seu celular. Nenhum agente socorreu o jovem nem seu amigo, que viajava na garupa da moto e foi atingido na boca, e eles sangraram no local por 3 horas. Esse é o valor que o Exército e a Core atribuem aos gonçalenses.

Ainda mais grave é a chacina contar com a aprovação de muitos moradores da cidade, gente que pode estar entre os mortos e feridos na próxima operação ilegal e defende que bandido bom é bandido morto. Sinal de pouca fé em si mesmo, quando mais do que nunca, diante da violência generalizada, precisamos ser exigentes.

Mesmo se todos os mortos e feridos fossem bandidos, uma sociedade sadia, onde os índices de criminalidade são reduzidos, não é aquela em que o crime se desenvolve e depois extermina os criminosos. Em uma sociedade digna as condições para a prática criminosa são reduzidas pelo esforço comum da Justiça, do desenvolvimento social e da eficiência policial, que compõem a segurança pública.

A vida humana merece respeito profundo e veneração absoluta, seja no Salgueiro ou na Suécia. São Gonçalo não ficou mais segura depois da chacina do dia 11, ficou mais violenta. Informações enviadas pelos leitores do jornal O São Gonçalo indicam que 33% dos bairros do município têm ruas interditadas por barricadas feitas por traficantes de drogas. Barricadas que aprisionam cerca de 400 mil gonçalenses, humilhados por criminosos dentro e fora das forças do Estado.

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Tendência é que ações policiais e militares sejam mais frequentes https://simsaogoncalo.com.br/tendencia-e-que-acoes-policiais-e-militares-sejam-mais-frequentes/ https://simsaogoncalo.com.br/tendencia-e-que-acoes-policiais-e-militares-sejam-mais-frequentes/#respond Fri, 17 Nov 2017 05:03:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5739 Na sexta-feira, 10 de novembro, o policial militar Joubert dos Santos de Lima, 26 anos, foi morto durante um confronto na comunidade do Brejal, aqui em São Gonçalo. Naquele momento, ele se tornava o 117º PM assassinado no estado do Rio de Janeiro em 2017. No mesmo minuto, o destino de outras sete pessoas havia […]

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Na sexta-feira, 10 de novembro, o policial militar Joubert dos Santos de Lima, 26 anos, foi morto durante um confronto na comunidade do Brejal, aqui em São Gonçalo. Naquele momento, ele se tornava o 117º PM assassinado no estado do Rio de Janeiro em 2017. No mesmo minuto, o destino de outras sete pessoas havia sido selado.

No dia seguinte, a polícia civil aliada aos militares do exército invadiram o, agora conhecido, Complexo do Salgueiro. Alguns dizem que vieram dos céus. Outros, que foi por dentro da mata. Seja como tenha sido, interromperam o baile da comunidade, dizimando 7 pessoas. Após o ocorrido, entretanto, nenhum dos órgãos assumiu a autoria do crime.

Protesto na BR-101 em São Gonçalo. Foto: Divulgação/O São Gonçalo

É bom lembrar que dias antes, em 7 de novembro de 2017, as forças de segurança fizeram uma megaoperação dentro do bairro. Até aquele momento, nenhum dos chefes do tráfico foi pego. A população, no geral, questionou se aquela ação era apenas um teatro. Poucas horas depois, já era possível ler relatos desacreditados na segurança pública do Rio de Janeiro. Algumas pessoas, inclusive, sugeriam que a polícia chegasse de surpresa.

Até que no sábado, a sugestão foi executada.

São Gonçalo se tornou peça-chave no jogo da (in)segurança pública

Se tem algo que falamos no SIM São Gonçalo há tempos é que nossa cidade está no tabuleiro do jogo. O Salgueiro fica num ponto estratégico da Baía de Guanabara. E já há relatos de que a droga que chega por ali é distribuída para vários pontos do estado do RJ.

Nada disso é segredo para ninguém. Inclusive, há pouco tempo atrás, os próprios traficantes ostentavam armas navegando em seus barquinhos pela baía.

Lembra dessa foto? Traficantes ostentam armas na Baía de Guanabara em frente ao Shopping da BR em São Gonçalo.

Por maior que seja seu poder bélico, é praticamente impossível resistir ao poderio técnico das nossas forças de segurança. Salvo por um motivo: território. Há Google Maps, Street View, satélites da Nasa, mas nada substitui a presença em terra.

Analisando as ocorrências da última semana, tentamos entender a atuação da polícia e exército integrados. No primeiro dia (07/11), mesmo aparentando ser um teatro, a ação foi fundamental para conhecer a região, explorando os detalhes territoriais. Depois disso, ficou fácil fazer o serviço.

Imagino que as ações em São Gonçalo sejam cada vez mais controladas e executadas. Afinal, além da Baía de Guanabara, temos a BR-101, uma importante via de escoamento de produtos. Inclusive, é nela que os roubos de cargas e arrastões se concentram.

Militares caminham no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. (Foto: Reprodução/ TV Globo)

População revoltada dá carta branca. Mas “o policial não puxa o gatilho sozinho”

A clássica fala do personagem Capitão Nascimento faz cada vez mais sentido. Com um número ímpar de assaltos e furtos a carros, pedrestres, latrocínios e assassinatos, é natural que a população se sinta acuada e vitimada pelos marginais.

Em todas as redes e conversas nas ruas, a legitimação às ações da polícia e exército ganham coro. Consequentemente, o crime organizado se espalha pelas cidades fluminenses e, com ações coordenadas, se reintegra, recrutando novos soldados para o tráfico.

A revolta das pessoas é legítima. Mas veja bem: os estrategistas que trabalham na segurança pública brasileira têm em seus estudos de caso um emblemático: CARANDIRU. O massacre de 111 presos que foram mortos naquele dia iniciou uma movimentação entre os encarcerados. O resultado foi a criação do Primeiro Comando da Capital, também conhecido como PCC.

O PCC pratica um crime muito mais organizado que o ocorrido no Rio de Janeiro. Em São Gonçalo, por exemplo, a participação dos “crias” da comunidade é fundamental. As ações não são tão coordenadas quanto se pensa. E chegamos ao ponto mais absurdo de todos: em todo o Rio, a Polícia Militar tem de intervir para que as facções não entrem em guerra.

Mas o ódio, que não para de crescer, alimenta algo que passa longe dos quartéis ou das bocas de fumo: os políticos oportunistas.

Policiais mortos ou bandidos dizimados: onde estão os direitos humanos?

Uma das coisas mais deploráveis que vemos atualmente são os políticos oportunistas.

Para aparecer, se posicionam nos extremos. Rivalizam mortes policiais, tão alardeadas e comentadas em todo o país, com mortes dos bandidos. Estimulam o medo e fazem com que as pessoas acreditem seriamente que ninguém olha os PMs, em benefício dos bandidos.

No outro extremo, políticos desonestos se posicionam contra a PMERJ – Polícia Militar do Rio de Janeiro – como se todos fossem corruptos e homicidas. Em ações como essa, que aconteceu no Salgueiro, mesmo sabendo do foco de bandidos na região e da ação necessária das forças de segurança, criticam as ações que resultaram nas mortes dos meliantes. Cinicamente, usando os valiosos direitos humanos, deixam o cenário ainda mais confuso.

Por consequência, a nossa população, seja por carência de instrução, educação deficiente ou pela legítima sensibilidade ao medo que nos assola nas ruas, acaba se sentindo na necessidade de “escolher um lado”.

Michel Temer posa com alunos do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, na Penha – Rio de Janeiro.

O único lado a se escolher é o da melhora nas condições do território e educação

E para fechar a semana com chave de ouro, tivemos esse anúncio do presidente Michel Temer. Segundo o governo, o Complexo do Salgueiro será beneficiado pelo Programa Emergencial de Ações Sociais. O projeto prevê investimentos na ordem de R$157 milhões de reais para “atividades esportivas, culturais e de tecnologia com o intuito de prevenir a violência na região metropolitana do Rio.”

Mas, peraí: e as condições de vida no território? E o dinheiro escasso para resolver a questão do lixo? E o saneamento básico deficiente na região? Por que será que os repasses para esse tipo de obras não estão disponíveis?

Parece que nosso destino é continuar perdendo tempo. Enquanto isso, novos garotos revoltados, mesmo vendo seus amigos morrerem todos os dias, continuam se tornando soldados do tráfico. Achando que é normal morrerem como moscas, matam a si próprios e aos outros que, sob os olhos de Deus, continuam sendo seus irmãos. Nós.

Em 2017, o código de Hamurabi está de volta. E num momento de falta de comando, não se surpreenda se novas ações de limpeza acontecerem nos próximos meses. E mais: a população vai agradecer.

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Guarda Municipal Armada em SG: uma discussão que vai além do porte de armas https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-armada-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-armada-em-sao-goncalo/#comments Fri, 27 Oct 2017 18:36:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5658 Até a publicação desse texto, 112 policias morreram esse ano no Rio de Janeiro. São mortes por atentatos, assaltos e outras causas ligadas diretamente ao seu trabalho. Peço que antes de ler esse texto, perca sua farda de “bandido bom é bandido morto” ou de “fascistas não passarão“. Por conta da escalada da violência, muitos […]

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Até a publicação desse texto, 112 policias morreram esse ano no Rio de Janeiro. São mortes por atentatos, assaltos e outras causas ligadas diretamente ao seu trabalho. Peço que antes de ler esse texto, perca sua farda de “bandido bom é bandido morto” ou de “fascistas não passarão“.

Por conta da escalada da violência, muitos municípios começaram a discutir sobre a militarização da guarda municipal. O procedimento e o raciocínio feito é de que existirá um grupo que será treinado durante um período pré-estabelecido para saber lidar com o porte e que isso facilitará a ação desses profissionais para atender pequenos casos que a arma seja necessária.

Ao mesmo tempo que entendo a reflexão, discordo desse uso armado da guarda por conta dos desdobramentos que isso trará. Colocar uma arma na mão de um determinado grupo de profissionais, mesmo que seja com um rigoroso processo de formação é muito arriscado pois hoje os guardas não são vistos como “perigosos” para o crime organizado e após um programa que garante esse porte, podem ficar vulneráveis no seu dia a dia como são os policiais.

Armar a Guarda Municipal é assumir que a polícia não tem estrutura para lidar com a questão da segurança pública. E mesmo eu concordando que a polícia militar não tem a estrutura correta para cuidar dessa segurança, entendo que todo o dinheiro gasto com armamento e treinamento para a guarda deveria ser encaminhada para programas de fortalecimento da PM.

Se os municípios querem assumir a responsabilidade pelo combate ao tráfico, combate aos assaltos e outras violências, o melhor caminho deveria entender as demandas locais das polícias militares e civis e criar convênios e teremos cooperação.

Armar um Guarda Municipal é torná-lo vulnerável caso ele more num bairro comandado por alguma facção criminosa. Armar um Guarda Municipal é torná-lo vulnerável num assalto, pois caso alguém o identifique como guarda, o bandido poderia atirar partido do pré-suposto que ele está armado. Armar um Guarda Municipal é colocar sua vida numa conta de uma guerra que ele não está diretamente ligado.

O problema de Segurança Pública não vai melhorar com a Guarda Municipal das cidades armada.

O problema da Segurança Pública é o péssimo investimento nos policiais que ganham mal e que são colocados no meio de uma guerra para matar e morrer. O problema da segurança são os péssimos investimentos em cultura e educação. O problema da segurança é a falta de oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Para deixar claro, sou contra que a Guarda Municipal tenha porte de armas. Sou a favor de que todos os investimentos feitos para isso nas cidades seja encaminhado para programas de fortalecimento da Polícia Militar, Polícia Civil e órgãos de investigação. O trabalho complementar que a Guarda cumpre para a Segurança Pública não pode ser um trabalho de substituição dos órgãos que já o fazem.

Depois de ler o texto, você ainda pode ficar nessa de “bandido bom é bandido morto”, de “quero o fim da PM”, etc, etc, etc. Fique sabendo que sua frase performática não contribui em nada. Vá nas audiências públicas, leia experiências de outros municípios e discuta isso na sua cidade. É importante

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No aniversário de São Gonçalo, sinto informar que a violência vai aumentar https://simsaogoncalo.com.br/no-aniversario-de-sao-goncalo-sinto-informar-que-violencia-vai-aumentar/ https://simsaogoncalo.com.br/no-aniversario-de-sao-goncalo-sinto-informar-que-violencia-vai-aumentar/#comments Fri, 22 Sep 2017 21:38:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5462 Anos atrás, o Governo do Estado lançava o programa das UPP’s. Através da polícia, tentava resolver TODOS os problemas de segurança dos territórios que seriam “pacificados” no Rio de Janeiro. Só a polícia foi e por falta de programas de educação, saúde, cultura, esporte e outros, o processo de redução da violência não deu certo. […]

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Anos atrás, o Governo do Estado lançava o programa das UPP’s. Através da polícia, tentava resolver TODOS os problemas de segurança dos territórios que seriam “pacificados” no Rio de Janeiro. Só a polícia foi e por falta de programas de educação, saúde, cultura, esporte e outros, o processo de redução da violência não deu certo.

A UPP começou em 2008 e antes disso, já havia um programa chamado GPAE que também não havia dado certo, todos por falta de políticas públicas nas outras áreas.

Chegamos em 2017 e novas operações nas favelas cariocas. Policiais, Traficantes e Civis mortos nos confrontos que não possuem hora para começar e nem acabar. Seja você de esquerda ou de direita, seja você defensor de “bandido bom é bandido morto” ou “desmilitarização da polícia”, saiba que nossa cidade vai ficar pior e nossas publicações no facebook continuam não resolvendo nada.

São Gonçalo, por conta do tamanho e da organização da cidade, vira um polo que sempre recebe os traficantes e bandidos de todo lugar. Foi assim no começo da UPP, foi assim nas ocupações de outras favelas cariocas e será assim nessa nova operação do Rio de Janeiro.

Lembro quando surgiu o termo “bandido de estimação” e trago ele de volta para esse debate tendo em vista que era muito mais fácil (ou menos difícil) lidar com os bandidos de estimação da cidade. Apesar de também serem criminosos e precisarem responder na justiça, eles não eram tão violentos como os de outros lugares são.

A capital que é o Rio de Janeiro, mesmo com todas as suas contradições e com toda a falta de infra e investimentos que algumas regiões ainda possuem, não chega nem perto da falta de investimentos que São Gonçalo possui.

Não temos uma mídia 24h por dia pressionando o imaginário público da cidade, não temos um Governo do Estado presente com policiamento, inteligência e programas sociais. No Rio, mesmo que pouco, ainda tem. Aqui não.

Aqui bandido invade Shopping e as emissoras não trazem helicóptero por que “é longe”.

Aqui, Governador não dá entrevista em tempo real quando acontece alguma chacina.

Aqui, mesmo com mais de 1,5 milhões de habitantes, os programas das outras Secretarias só chegam cotizadas para atender o mínimo.

São Gonçalo ainda é ou voltou a ser Terra de Malboro. Somos nós por nós. Ainda tem jeito, mas só terá jeito quando a gente se entender.

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Corrupção da polícia é a principal inimiga na Guerra do Rio https://simsaogoncalo.com.br/corrupcao-policia-inimiga-guerra-no-rio/ https://simsaogoncalo.com.br/corrupcao-policia-inimiga-guerra-no-rio/#respond Wed, 30 Aug 2017 14:18:43 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5268 Mesmo que recolhessem todas as drogas do Rio de Janeiro, ainda haveria mortes. Bingos, caça-níqueis, clínicas de aborto clandestinas, assaltos, desmanche de carros, venda de produtos piratas, gatonet, roubo de cargas. Tudo isso faz parte da cadeia do crime, cujo principal aditivo é a corrupção da polícia e dos políticos. Isso é óbvio. Entretanto, pouco […]

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Mesmo que recolhessem todas as drogas do Rio de Janeiro, ainda haveria mortes. Bingos, caça-níqueis, clínicas de aborto clandestinas, assaltos, desmanche de carros, venda de produtos piratas, gatonet, roubo de cargas. Tudo isso faz parte da cadeia do crime, cujo principal aditivo é a corrupção da polícia e dos políticos.

Isso é óbvio. Entretanto, pouco falado por quem deseja apenas demonizar as drogas, acobertando outros crimes tão danosos quanto o crack, a erva e o pó.

Num curto espaço de tempo, entre as semanas de agosto de 2017, pelo menos 2 crimes contra policiais aconteceram em São Gonçalo. Ambos muito similares, aparentemente classificados como assaltos. No dia 24/08/2017, na Madama, e 29/07/2017, no Mutuá.

O 100º policial morto no Rio

A imprensa do RJ estava com sede de sangue. Certamente, as capas com o 100º policial já deviam estar sendo preparadas há tempos. A contagem regressiva era mais um aditivo agressivo à mente de tantos profissionais que trabalham sob estresse a todo minuto.

Somado a isso, é horrível a sensação de saber que um companheiro de trabalho pode estar trabalhando contra você. Aquela pequena parcela corrupta que faz um estrago imenso à vida de todos. Inclusive às famílias e amigos dos policiais.

Viatura policial no Rio de Janeiro
Viatura policial da PMERJ – Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Corrupção da polícia e dos políticos é a principal assassina

Apesar de redundante e cansativo, é preciso lembrar que a Operação Calabar, que prendeu diversos PMs no 7º BPM, foi apenas uma ponta de um processo que ainda está longe do fim. Afinal, como tantas armas são capazes de chegar ao Rio de Janeiro todos os dias?

A gravidade da corrupção passou do limite do que antes era aceitável, permitido ou considerado normal. Hoje, a corrupção mata e devasta famílias.

Há poucos anos atrás, a corrupção policial foi tolerada e justificada pelos baixos salários. Em outros momentos, era permitida por conta da corrupção dos políticos que influenciavam na polícia, pressionando o policial honesto a aceitar os ilícitos que financiavam os governantes.

Mas o mais comum da história era a situação do policial honesto que, para proteger sua própria vida e de sua família, tinha de ser condescendente com a parcela corrupta.

André Mathias, personagem policial de André Ramiro, no filme Tropa de Elite 2
André Mathias, personagem policial de André Ramiro, no filme Tropa de Elite 2 .

Aliás, o exemplo ficcional do policial Mathias, no filme Tropa de Elite 2, não foi inventado ao acaso. Caso você não lembre, André Mathias é assassinado pelas costas pelos próprios companheiros de trabalho, por querer investigar mais.

Se antes os honestos morriam por denunciar, hoje não há escapatória. A corrupção permite a venda de armamentos aos marginais. E a bala volta no corpo do policial, que também é cidadão.

Assim chegamos aos calamitosos 3 dígitos em mortes policiais. Emocionalmente, devastador para famílias. Financeiramente, difícil para o estado, que gastará ainda mais com pensões, treinamentos e contratações de novos policiais. Sem falar na dificuldade para atrair bons profissionais com cenário tão complicado.

O tráfico de drogas é só mais um negócio

Se antes o tráfico era apontado como o principal financiador de todos os males, hoje isso é facilmente questionável. Afinal, qual a diferença do dinheiro gerado pelo roubo de cargas e pelas drogas?

Independente da atividade ilícita, o mais importante para o crime é só gerar dinheiro. Qualquer ilícito permitido pela corrupção da polícia e dos políticos (sim, eles inclusive), servirá para comprar armas e proteger o novo negócio criminoso que se instalar em nosso território.

Força e fé aos policiais honestos que estão na ativa!

Infelizmente, tivemos que chegar ao fundo do poço para por pra fora todo o lado podre da polícia. Mas tenhamos certeza que, a cada corrupto denunciado e preso, menos armas e munições chegarão nas mãos dos bandidos. E menos confrontos armados na vida de todos nós.

Todas as vidas valem muito.

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Violência nunca esteve tão próxima – o colapso na segurança do RJ https://simsaogoncalo.com.br/seguranca-em-colapso-violencia-nunca-esteve-tao-proxima/ https://simsaogoncalo.com.br/seguranca-em-colapso-violencia-nunca-esteve-tao-proxima/#comments Fri, 30 Jun 2017 17:53:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4774 A violência está perto. Está batendo na porta da sua casa. É visível pela janela. Feche a cortina para não participar. Desligue a TV, ela só fala do pior lado de São Gonçalo. Ainda sim, você pode acordar com barulho de tiro de madrugada. Vai saber, intuitivamente, que foi uma pistola 38, disparada mais ou […]

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A violência está perto. Está batendo na porta da sua casa. É visível pela janela. Feche a cortina para não participar. Desligue a TV, ela só fala do pior lado de São Gonçalo.

Ainda sim, você pode acordar com barulho de tiro de madrugada. Vai saber, intuitivamente, que foi uma pistola 38, disparada mais ou menos em um raio de um quilômetro. Vai torcer para ter sido só uma comemoração. Que estranho! Jogo de futebol a essa hora? Os tiros continuam, caramba! Tenta dormir para esquecer. Dormiu. No sonho, você está sendo sequestrado, o filho que você ainda não tem está sendo levado. Você acorda, eu acordo, todo mundo acorda. São 4 horas da manhã e nós ainda temos 2 horas para dormir antes de acordar para trabalhar. Mas quer saber? Vamos ficar acordados, estamos cansados de pesadelo todos os dias.

Rotatória do Zé Garoto. Foto: Fernando Bittencourt
Rotatória do Zé Garoto. Foto: Fernando Bittencourt

“Laranjas podres: quase 100 PMs são denunciados na maior operação contra corrupção de PMs no RJ. Megaoperação foi deflagrada para prender 96 PMs, 70 traficantes e outros integrantes de esquema em São Gonçalo.” – Noticiário, 29 de junho de 2017

Falsa segurança: quando as armas mudam de mãos

Voltando no tempo, precisamente no segundo semestre de 2010, gravei, junto com dois amigos, um trabalho para faculdade sobre a instalação da 6ª Unidade de Polícia Pacificadora no Morro dos Cabritos, Copacabana. Naquele momento, a implantação da unidade tinha 6 meses e o clima era de dúvida. Na fala dos moradores, a gente encontrava ansiedade na espera de uma intervenção mais social, que trouxesse infraestrutura para a comunidade. Mas o fato era que, até aquele momento, as armas tinham mudado de mãos.

Novembro de 2010, dia 25, quinta-feira.

Assisti, de uma das televisões do Pilotis da PUC, a incursão do BOPE ao Complexo do Alemão. Não lembro exatamente da minha reação, mas lembro perfeitamente do medo que senti na volta para casa, dentro do ônibus 996, viação 1001, que faz o trajeto Gávea x Charitas. Os policiais estavam parando e revistando os coletivos que iam para Niterói. Naquele momento, eu entendi que os fatos tinham relação direta, invasão dos morros e evasão dos bandidos, mas não realizei que em pouco tempo a minha cidade ia mudar drasticamente.

Morro Menino de Deus, centro de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt
Morro Menino de Deus, centro de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt

Do Galo Branco para o Rodo

Em setembro de 2013, me mudo do bairro Galo Branco para o Centro de São Gonçalo, o Rodo. A realidade me impacta logo de cara. Morar no Rodo é encontrar ruas desertas a partir das 7 horas da noite. Morava em um prédio que dava as costas para o Morro Menino de Deus, na Rua Aluísio Neiva. Aos poucos, fui entendendo a dinâmica da comunidade. A venda de drogas que acontecia, a apreensão dos moradores, os conflitos com a polícia, tudo. Ouvia tiros esporádicos à noite. Logo depois, os tiros não tinham mais hora para acontecer.

Foram três anos que vivi naquele apartamento. Três anos de muita angústia. Ao mesmo tempo que ganhei em mobilidade, com mais opções de transporte e facilidades, pela proximidade do comércio, ganhei insegurança para sair e chegar em casa. Da janela do quarto, via os traficantes com armas na pedra em cima do morro. Do outro lado, na varanda, via os policiais na rua, cobertos pela parede do edifício. Eu estava no meio da guerra. Não era um noticiário da Tv, era a minha realidade.

Quando a sensação de segurança se esvai

Um dia combinamos de levar dois sobrinhos ao cinema. Laura, minha namorada, pegou eles de carro e passou no apartamento para me buscar. Eu já tinha descido, porque ela já tinha me dado um toque no celular. Em frente ao prédio, ela passa de carro e para, vou ao seu encontro e entro no carro. Um Gol branco para na nossa frente e dá ré, sai um homem do carona… eu sabia o que ia acontecer, já tinha ouvido muitos relatos, muitos amigos e parentes já passaram por essa situação. Mas eu não queria acreditar. Comigo não, hoje não, por favor… Fomos assaltados, levaram o carro, todos a salvo. Perdemos, e não foi só o bem material, foi toda e qualquer liberdade que ainda restava. Olhando para trás, tudo mudou a partir daquele dia, nossos hábitos se moldaram a procura de proteção.

Vista para o Mutuá. Foto: Fernando Bittencourt
Vista para o Mutuá à noite. Foto: Fernando Bittencourt

Parada 40 e o velado toque de recolher

Em 2016, me mudo para o bairro Parada 40. Lugar onde estou até hoje. Começamos a morar juntos em um condomínio com segurança 24 horas. Câmeras de segurança vigiam a todos. Ruas movimentadas, próximas à famosa Rua da Caminhada. No perímetro próximo, há lanchonetes, bares, colégios e uma grande concentração de igrejas evangélicas. Além do fluxo normal de pessoas do condomínio.

Definitivamente, a Parada 40 é mais movimentada. Mas às 21 horas, as pessoas já não circulam mais. Há um toque de recolher velado. Todos sentem que não é hora de ficar na rua. O som do motor das motos assusta, qualquer carro assusta, qualquer transeunte assusta. Você não quer ter medo, mas o sentimento é maior.

Rua Aluísio Neiva, Centro de São Gonçalo: carros em alta velocidade. Foto: Fernando Bittencourt
Rua Aluísio Neiva, Centro de São Gonçalo: carros em alta velocidade. Foto: Fernando Bittencourt

Ontem de madrugada, ouvi um tiro de 38. Foi disparado, mais ou menos, num raio de um quilômetro… dessa vez, decidi que vou acordar e sonhar com um lugar melhor. Com uma cidade que não me cause medo. Em busca de dias melhores.

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Já comprou produto roubado? Recordes no roubo de carga e o consumidor https://simsaogoncalo.com.br/recordes-roubo-de-carga-e-consumidor/ https://simsaogoncalo.com.br/recordes-roubo-de-carga-e-consumidor/#comments Wed, 26 Apr 2017 18:03:09 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4538 Há um ano e meio atrás, peguei um Uber no Rio. Conversando com o motorista, pra variar, falei que sou de São Gonçalo e tal. Ele me respondeu que conhecia a cidade. Tinha sido motorista por aqui e tinha medo. Disse que cidade era bem conhecida por eles por conta dos frequentes roubos de cargas. Meses depois, ainda em […]

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Há um ano e meio atrás, peguei um Uber no Rio. Conversando com o motorista, pra variar, falei que sou de São Gonçalo e tal. Ele me respondeu que conhecia a cidade. Tinha sido motorista por aqui e tinha medo. Disse que cidade era bem conhecida por eles por conta dos frequentes roubos de cargas.

Meses depois, ainda em 2016, uma parente minha foi até uma loja comprar uma máquina de lavar. Na hora de especificar a entrega, a pergunta: “É no Rocha, Galo Branco ou pela região? Porque, se for por ali, a gente não está fazendo entrega. Nosso caminhão não vai lá por causa dos roubos.”

Pensei em publicar algo naquele momento, mas achei precipitado. Não era. Em 2016, os roubos de cargas no estado do Rio de Janeiro chegariam a 9.870 casos registrados.

São Gonçalo não está sozinha nessa. Baixada e capital estão conosco, juntas nesse drama.

Índice dos roubos de cargas no Rio de Janeiro de 2013 a 2016.
Índice dos roubos de cargas no Rio de Janeiro de 2013 a 2016. Infografia: RJTV. Fonte: ISP – Instituto de Segurança Pública.

Índices de roubo de carga no Rio de Janeiro (ISP-RJ)

  • 2013: 3.534 casos
  • 2014: 5.890 casos
  • 2015: 7.225 casos
  • 2016: 9.870 casos

Possível explicação para o crescimento do roubo de carga

Depois de 2010, com a invasão do Morro do Alemão e o crescimento das UPPs, o crime se espalhou pelo estado inteiro. São Gonçalo, como sabemos, abrigou alguns dos refugiados das favelas que receberam as Unidades de Polícia Pacificadora.

Entretanto, aqueles que saíram para as cidades do leste Fluminense e da Baixada não ficaram de bobeira. Pelo contrário. Os comerciantes de drogas buscaram treinar e equipar suas “filiais”. A piora do crime nos últimos 7 anos foi sensível.

A presença de armas de grosso calibre no Morro da Coruja, Salgueiro, Feijão, Rua da Feira, Morro da Dita, da Caixa d’água, Chumbada, entre outras diversas regiões como na baixada, zonas norte e oeste deixaram os bandidos ainda mais fortalecidos no estado.

Vila Três, Alcântara – São Gonçalo
Homicídio ocorrido no Morro da caixa d’água, bairro do Vila Três em 2015.

Mas aí, a crise econômica chegou.

E as bocas de fumo, pontos de venda de drogas, sentiram a crise. Afinal, o tráfico de drogas também é um comércio.

No primeiro momento, foram os roubos a pedestres que subiram. Mas os constantes assaltos para pegar jóias, dinheiro e celular mudaram hábitos. Fizeram as pessoas andar com pouquíssimo dinheiro na carteira e quase nenhum anel, pulseira e colar. Tem gente que nem celular mais leva pra rua.

Os bandidos perceberam isso. Perceberam também que seus parentes estavam sendo assaltados.

Viram que os celulares roubados precisavam ser vendidos. Mas, como, se a crise está deixando todos com menos dinheiro?

Foi aí que algum desses gênios do crime olhou para a tática dos milicianos.

Na milícia, se vende gás, gato net, cobra-se taxa de segurança, do transporte alternativo… ou seja, todos os produtos/serviços do dia-a-dia das pessoas.

São esses produtos/serviços que não param de vender nem por um segundo. São eles que dão dinheiro vivo na mão. Todo dia, toda hora. Especialmente da população mais pobre, que não faz transações bancárias com cartões de débito e crédito com a mesma densidade que aqueles com maior renda.

Roubo de cargas no Rio de Janeiro
São Paulo e Rio de Janeiro, um dos eixos mais perigosos para o transporte de cargas no planeta. Foto: Blog do caminhoneiro.

Com bandidos bem armados, equipados e com o território dominado, as estradas se tornaram um alvo fácil. E o meio de roubar produtos para vendê-los mais baratos dentro das comunidades e bairros mais pobres mostrou-se um ótimo negócio.

Nesse fluxo, transformaram o eixo Rio-São Paulo num dos lugares mais perigosos para cargas no mundo.

Isso. Você não leu errado: Rio e São Paulo é a região responsável por quase 88% dos roubos de cargas do Brasil e uma das regiões mais perigosas para o transporte de cargas no planeta.

Só no estado do Rio, acontecem 43,7% dos crimes deste tipo.

Veja: o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. O RJ tem pouco mais de 16 milhões. Se só aqui temos quase metade dos crimes de roubo de cargas, com uma população pouco menor que um décimo, há algo bem errado.

E você, consumidor, o que tem a ver com isso?

O Rio de Janeiro é um estado rico com uma população pobre. Segundo maior PIB do Brasil, com um dos maiores índices de trabalho informal. Gente que vive com pouco, na corda bamba, sem crédito fácil, muito menos barato.

Terreno fértil para agiotas e para aqueles que vendem produtos roubados.

Roubos de carga e o prejuízo aos Correios Foto: Guito Moreto/Jornal Extra.
Roubos de carga e o prejuízo aos Correios Foto: Guito Moreto/Jornal Extra.

Correios e as ‘áreas de risco’

Um dos problemas que muitos gonçalenses e moradores de regiões com alto índice de roubos e furtos de carga sofrem é com essa rotulação dos correios. Infelizmente, aqueles que mais transportam cargas para o consumidor final, diretamente para suas casas, são um dos alvos prediletos.

E aquele seu pedido, que você aguardava há tanto tempo, pode ter parado nas mãos de bandidos.

A própria agência dos Correios, ali no Zé Garoto, já foi roubada e furtada algumas vezes nos últimos tempos. Era comum ver o local fechado, porque os funcionários, ao chegar para trabalhar, se deparavam com a loja arrombada.

Um aviso sobre a falta de funcionamento estava no portão da unidade do Zé Garoto ontem Foto: Leonardo Ferraz
Um aviso sobre a falta de funcionamento estava no portão da unidade do Zé Garoto. Foto: Leonardo Ferraz / O São Gonçalo

Um crime que financia outro contra você

Quando compramos produtos roubados financiamos quem está roubando. Não serei hipócrita, pondo a culpa completa no consumidor. Até porque, com o baixo nível educacional e de renda que temos em nossa população, exigir que ela prefira os produtos da loja pode ser uma piada, uma vez que, talvez, as pessoas nunca tenham acesso aos bens que tanto veem nas propagandas a todo momento.

Educação e ética são pontos complicados em nossa sociedade. É claro que todos precisam tê-las. Mas nem sempre são esses argumentos que podem convencer alguém a não escolher produtos baratos que foram roubados.

Porém, esse pode servir: quem te vende esses produtos hoje, comprará aquelas armas que te assaltarão nas ruas amanhã. Ou assassinar um parente seu. Simples assim.

O crime de receptação de produtos roubados, financia aquele que rouba. Este, por sua vez, insere dinheiro na economia do crime. E o ciclo continua.

Escassez e encarecimento dos produtos

Talvez isso já aconteça em menor escala.

Sabe aquele produto que não chega mais ao mercado com frequência? Ou aquele outro que só se acha na outra cidade? Ou ainda mais: cadê aquelas “marcas A”? Será que deram lugar às “marcas B” de vez?

O que te faz pensar que um fabricante ou transportadora irá querer voltar numa região que já os roubaram tantas vezes? Será que, mesmo com um PIB tão grande, valerá a pena trabalhar com um mercado onde há tantos crimes?

Esse tipo de raciocínio passa longe de nós. Mas em momentos de crise, onde as vendas diminuem, essas substituições de marcas de qualidade por outras são comuns. Porém, neste caso, a vontade de não ser roubado do fabricante é maior que o desejo do consumidor.

E quem paga no final? Nós. Afinal, os poucos produtos que chegaram, vieram com um aparato de segurança tão grande que os encarecerão ainda mais.

Soluções possíveis

Mais que não comprar produtos roubados, da nossa parte, ou ampliar os investimentos em segurança, da parte dos comerciantes, acredito que temos outros gargalos a repensar. Especialmente na questão da reforma tributária.

Enquanto nossos impostos não forem revistos e redistribuídos, produtividade e logística continuarem sendo complicadores dentro do Brasil, nossos produtos continuarão extremamente caros para a população mais pobre. Que, naturalmente, é um dos clientes preferidos por aqueles que acham ser, mas não tem nada de Robin Hood.

Como nada disso vai acontecer tão cedo, os nossos bandidos vão se aproveitando das brechas abertas na segurança do estado pela crise econômica.

Paliativos serão feitos. Mas sabemos quem sofrerá com isso no final: Nós.

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Polícia também é bom exemplo para crianças – a história Raphael https://simsaogoncalo.com.br/policia-bom-exemplo-para-criancas-historia-raphael/ https://simsaogoncalo.com.br/policia-bom-exemplo-para-criancas-historia-raphael/#respond Thu, 13 Oct 2016 13:47:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4142 Filho do meio de uma inspetora de alunos e um pintor, o estudante Raphael Lopes Silva, 7 anos, sempre teve admiração pela Polícia Militar. Morador do bairro Vila Três, em São Gonçalo – região que tem sido palco de disputas entre quadrilhas de facções rivais -, nunca teve dúvidas sobre a figura que via como […]

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Filho do meio de uma inspetora de alunos e um pintor, o estudante Raphael Lopes Silva, 7 anos, sempre teve admiração pela Polícia Militar. Morador do bairro Vila Três, em São Gonçalo – região que tem sido palco de disputas entre quadrilhas de facções rivais -, nunca teve dúvidas sobre a figura que via como exemplo para seguir.

“É algo que não tem explicação. Desde bem pequeno, não podia ver um PM na rua que saía correndo para cumprimentar. Os policiais às vezes até ficam assustados”, conta a mãe, a inspetora de alunos Daiana Lopes, 28 anos.

Casada com o pintor Carlos da Silva, 36, com quem tem outros dois filhos – de 6 e 10 anos – ela resolveu dar um presente para o filho, que completa 8 anos na próxima sexta-feira, dia 14 de outubro (dois dias após o Dia das Crianças): levá-lo para conhecer o batalhão da Polícia Militar responsável pelo policiamento ostensivo e patrulhamento nas ruas do município onde moram.

Sustentando sozinha a casa há dois anos, quando o marido ficou desempregado, a inspetora de alunos não poderia fazer uma festa de aniversário para o menino, mas acabou surpreendida por integrantes do movimento #basta – que desde 2009 atua na divulgação do número de policiais mortos e baleados no Estado do Rio e denuncia a falta de estrutura e condições de trabalho a que os PMs são submetidos.

Quando chega ao nosso conhecimento a existência de histórias assim, de crianças que admiram quem merece, é que reacende a chama da esperança em dias melhores. Afinal, são elas que no futuro estarão contribuindo de forma positiva ou atuando de forma negativa na vida de todos nós. É preciso estimular esses bons sonhos.

Quando criamos o #basta, tínhamos como objetivo valorizar a imagem das Policías e dos policiais, divulgando as ações do dia a dia, fazendo com que os bons exemplos chegassem à população.

Festa surpresa para o pequeno Raphael

Com o apoio do comandante do 7ºBPM , coronel Samir Vaz, estamos organizando uma festa surpresa para o pequeno Raphael e arrecadando doações tanto para a comemoração como para a família, pois o pai do menino tem encontrado dificuldades de se recolocar no mercado por não ter concluído o Ensino Médio. Doações de alimentos não perecíveis podem ser entregues no próprio batalhão. Itens para a festa podem ser entregues diretamente a gente.

Serviço:
Local: 7º BPM
Endereço: Rua Doutor Alfredo Backer, Alcântara, São Gonçalo
Data: 14/10/2016, sexta-feira
Horário: 15h
Contato: Jornalista Roberta Trindade [WhatsApp (21) 96430-0887]
http://www.facebook.com/RobertaTrindadeRJ

 

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O nascimento de uma Barricada – a violência que divide a cidade https://simsaogoncalo.com.br/o-nascimento-de-uma-barricada-a-violencia-que-divide-a-cidade/ https://simsaogoncalo.com.br/o-nascimento-de-uma-barricada-a-violencia-que-divide-a-cidade/#comments Mon, 15 Aug 2016 04:13:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3934 É avassalador o nascimento de uma barricada. Como se fosse uma força da natureza incontrolável. De repente, numa noite qualquer, ela surge e nenhum bairro de São Gonçalo está livre. Sua gestação é tão sutil quanto o desenvolvimento da violência urbana. Ela cresce lentamente por baixo do solo por dias, até meses, as notícias de […]

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É avassalador o nascimento de uma barricada. Como se fosse uma força da natureza incontrolável. De repente, numa noite qualquer, ela surge e nenhum bairro de São Gonçalo está livre.

Sua gestação é tão sutil quanto o desenvolvimento da violência urbana. Ela cresce lentamente por baixo do solo por dias, até meses, as notícias de assaltos e assassinatos se acumulam, nos acostumamos a elas, o tempo passa, o tiro come, homens armados circulam cada vez mais cedo, à luz do dia. São os componentes da seiva que a nutre secretamente até que irrompe do solo uma barricada dura como a realidade sofrida ocupando toda a rua.

Na manhã seguinte, espanto geral. No caminho até a padaria, as pessoas reduzem o passo perto dela e observam. Quando voltam para casa, pão embaixo do braço, olham a barricada e se espantam de novo, não podem evitar a surpresa. Há vergonha em seus olhos. Aquilo é a materialização do fracasso do Estado e da Sociedade do Rio de Janeiro.

Barricada no Jardim Catarina
Foto: Sandro Nascimento

Os alunos do Ensino Fundamental em direção à escola e o trabalhador que sai de casa pela primeira vez após o nascimento da barricada se perguntam: “como algo tão grande foi parar aqui, sem eu ter visto nada?”. No fundo todos sentiam o aumento da criminalidade ao redor. Os jovens do Ensino Médio sorriem diante dela, inconsequentes naturais atraídos pela sensualidade da violência sem sangue.

Ruas como a Dr. Feliciano Sodré, onde fica a Prefeitura, ainda estão livres porque não reúnem o silêncio, o solo e o medo necessário para uma barricada perfeita.

Os dias passam, pessoas e veículos também e a barricada permanece onde nasceu. Não é preciso vigiá-la como a um bebê. Alguns motoristas em direção à própria garagem a deslocam não mais que o suficiente pro carro atravessar, com o pisca-alerta ligado até durante o dia, e rapidamente, mas com carinho, reacomodam o objeto sagrado.

O poder da barricada é tremendo, ela divide São Gonçalo. Do gigantesco lado depois dela, o terror. Ele mantém sofás, geladeiras, armários e manilhas de concreto na posição exata em que surgiram. No lado anterior vemos a cidade um pouco mais estruturada, parte reduzida do território que se ajusta a cada perda de terreno e sobrevive.

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Uma coisa é a polícia. Outra é o policial. https://simsaogoncalo.com.br/uma-coisa-e-policia-outra-e-o-policial/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-coisa-e-policia-outra-e-o-policial/#respond Wed, 29 Jun 2016 14:49:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3769 A maioria dos policiais vieram de famílias pobres ou sem muita estrutura financeira. Boa parte são negros, moradores de favelas e periferias da Região Metropolitana do RJ. Quando foram decidir suas carreiras profissionais, as oportunidades eram sempre de sub-empregos. Esses trabalhos os colocariam no papel de um funcionário sem poder, sem autonomia e sem muitos direitos. É […]

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A maioria dos policiais vieram de famílias pobres ou sem muita estrutura financeira. Boa parte são negros, moradores de favelas e periferias da Região Metropolitana do RJ.

Quando foram decidir suas carreiras profissionais, as oportunidades eram sempre de sub-empregos. Esses trabalhos os colocariam no papel de um funcionário sem poder, sem autonomia e sem muitos direitos. É nesse momento que aparece a figura da Polícia, te dando uma arma, poder, respeito e direitos (as vezes inventados por eles mesmos).

Só esse ano, mais de 100 policiais foram baleados. Outros 50 foram mortos. Todos eles fazem parte da parcela dos jovens negros de origem popular que morrem todos os dias pelo Brasil. Esses caras estão com salários atrasados, atrasos nos pagamentos dos programas de complementação de renda, mal alimentados e com uma arma na mão.

Os “policias”, na maioria das vezes, saem de lugares muito hostis. São obrigados a se mudar por conta da segurança, para evitar problemas para sua família, etc.

É preciso tratar a Polícia como Instituição, cobrando e punindo seus erros. Cada policial é um universo de contradições gigantes, precisando de apoio psicológico e estrutural para não enlouquecer.

É preciso lembrar que uma coisa é a instituição, outra é o policial. Precisamos criticar a instituição, mas respeitar o policial.

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Estão matando a nossa polícia – o território dominado https://simsaogoncalo.com.br/estao-matando-a-nossa-policia-o-territorio-dominado/ https://simsaogoncalo.com.br/estao-matando-a-nossa-policia-o-territorio-dominado/#respond Sat, 21 May 2016 07:05:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3653 Há cerca de 5 anos atrás, enquanto muitos comemoravam a política das UPPs, a gente já previa os tempos difíceis. Digo “a gente” porque eu não estava sozinho nessa. Não mesmo! Certamente, você e seus amigos, colegas e familiares já pensavam a mesma coisa que eu: esse câncer chamado tráfico de drogas e armas vai se espalhar para o […]

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Há cerca de 5 anos atrás, enquanto muitos comemoravam a política das UPPs, a gente já previa os tempos difíceis. Digo “a gente” porque eu não estava sozinho nessa. Não mesmo! Certamente, você e seus amigos, colegas e familiares já pensavam a mesma coisa que eu: esse câncer chamado tráfico de drogas e armas vai se espalhar para o Rio de Janeiro inteiro e chegar em São Gonçalo com força total.

No passado, muitos ainda desqualificavam quando os moradores diziam que após a ECO 92 o crime chegou com mais força por aqui. Na Conferência Mundial do Meio Ambiente do início da década de 90, o exército foi para as ruas da capital para deixar a situação mais calma durante o evento. Hoje, com os ventos da Copa e da Olimpíada, o mesmo aconteceu. A diferença é que o dinheiro acabou antes do tempo, e o que já era ruim, ficou pior pra todo mundo.

Exército na Eco 92 – Rio de Janeiro

Exército nas ruas na Eco 92, Rio de Janeiro (capital).

 

Por aqui, como uma doença sem cura, a bandidagem mais que se espalhou, se profissionalizou. Instalou suas bases no Morro da Coruja, recrutou alguns garotos no Feijão, Mutuapira, Chumbada, Dita, Caixa D’Água, Rua da Feira, formando um pequeno exército de homens recém-chegados à maioridade, cuja única missão é gastar o resto de suas vidas dando a cara a tapa, ficando presos em suas comunidades, enquanto grandes traficantes ficam cada vez mais ricos e livres.

Mas o maior golpe estava por vir. Aproveitando-se da incompetência do estado brasileiro, da trapalhada do governo federal com a Comperj, somada ao corpo mole dos governos municipal e estadual, os traficantes, sempre alguns passos à frente da polícia, viram a oportunidade única de montar uma fortaleza em São Gonçalo. A posição privilegiada, de frente para a Baía de Guanabara, não poderia ser melhor. De graça, ainda ganharam a ponte construída pela Petrobras, ligando o Salgueiro ao Jardim Catarina, por cima do rio Alcântara. Agora, com livre acesso à toda a região leste fluminense, o tráfico estava livre para expandir seus negócios por aqui.

Mapa de São Gonçalo – Palmeiras e Jardim Catarina

Mapa da região do Salgueiro, Palmeiras, Fazenda dos Mineiros e Jardim Catarina, por onde passa a ponte construída pela Petrobras para o Comperj.

 

O resultado de hoje é fruto de todo esse processo. Nós, que já não tínhamos uma polícia proporcional à nossa população, perdemos o direito de ir e vir, sem falar na vida de crianças e adultos, com as incontáveis balas perdidas que sempre encontram alguém por aí. Ganhamos armas incríveis, capazes de disparar dezenas de balas por segundo, enquanto a nossa polícia não consegue se multiplicar na mesma velocidade, por conta da incompetência do poder público. Para complicar ainda mais a situação, precisamos banir as brechas do judiciário e a discórdia entre as polícias civil e militar que, na verdade, deveriam ser uma só.

Com o território dominado, o poder paralelo do crime se afirma como oficial. Estamos sendo derrotados, vendo a PM retirar seu posto policial da comunidade do Salgueiro como se estivesse sido expulsa do local. Moralmente, estão matando a nossa polícia. Se antes, o secretário José Mariano Beltrame era a salvação, hoje ele é mais um nesse governo moribundo, que vê seus órgãos morrerem um a um sem poder para agir.

Cabine de polícia saindo do território do Salgueiro – São Gonçalo

São tempos difíceis. Se antes pensávamos que o pior estava por vir, hoje temos a certeza de que ele chegou.

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O Vila Três não é mais o mesmo https://simsaogoncalo.com.br/o-vila-tres-nao-e-mais-o-mesmo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-vila-tres-nao-e-mais-o-mesmo/#respond Wed, 02 Sep 2015 14:11:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3148 Cheguei ao Vila Três em 1989, aos 7 anos de idade. Quando o caminhão que trazia a mobília da família alcançou a esquina da rua onde moro até hoje, fiz meu primeiro amigo no bairro. Da janela do caminhão, sem ao menos pisar em solo gonçalense. Assim que o veículo parou, desci minha bicicleta da carroceria e pedalei com […]

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Cheguei ao Vila Três em 1989, aos 7 anos de idade. Quando o caminhão que trazia a mobília da família alcançou a esquina da rua onde moro até hoje, fiz meu primeiro amigo no bairro. Da janela do caminhão, sem ao menos pisar em solo gonçalense. Assim que o veículo parou, desci minha bicicleta da carroceria e pedalei com meu novo amigo. Nessa mesma rua, mês passado, eu observava meu filho andando de bicicleta quando dez bandidos armados nos mandaram correr e buscar abrigo, porque o tiroteio iria começar. Antes acolhedor, consideravelmente pacífico, o Vila Três não é mais o mesmo.

Quem mora no bairro, principalmente nas quadras próximas do Morro da Caixa D’água, já sabe: a rotina de nossas vidas foi violentamente alterada. Evitamos sair tarde do trabalho, perdemos as últimas aulas do curso e tememos qualquer diversão noturna porque é preciso estar dentro de casa cedo, de preferência antes de anoitecer.

Escutamos tiros diariamente, em qualquer horário, e há noites em que verdadeiras batalhas são travadas na região, com a população no meio. Armas automáticas são ouvidas por todos os lados, cuspindo rajadas de diversos tipos e sequências, não é barulhinho espaçado de revólver, é guerra intensa. Antes os vizinhos visitavam uns aos outros para conversar, hoje usam o telefone para saber se está tudo bem. É o mesmo que perguntar “Você foi alvejado? Alguma bala atingiu sua casa?”.

Experientes, as crianças do bairro não confundem mais tiros e fogos de artifício, sabem perfeitamente a diferença entre os dois. Há alguns meses atrás meu filho corria para meu colo quando o som angustiante começava. Hoje ele finge não ter medo, como os homens adultos. Continua assistindo desenho animado na televisão enquanto a guerra explode lá fora, apenas com uma grave tensão no rosto e ouvidos atentos. Eu aumento o som da TV, mas nada abafa o barulho de tiros a poucos metros. Geralmente mais sinceras sobre seus sentimentos, as mulheres agem diferente: durante o tiroteio, minha esposa se afasta das janelas, procura a proteção das paredes do corredor e se abaixa. De formas diferentes, o medo oprime a todos.

Ver a locadora onde aluguei filmes na adolescência fechada e escolas interrompendo suas aulas por ordem de traficantes dá a certeza de que uma época de inocência se foi. As famílias que vivem no Vila Três perderam a paz e o Estado não se pronuncia sobre a situação de guerra e medo. A Polícia faz buscas no Morro, nada encontra, vai embora e o tiroteio recomeça logo depois. Sinto saudades do Salema, ele tratava os gonçalenses com mais respeito.

Foto: Joseph Cunha

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Obrigado, Salema https://simsaogoncalo.com.br/obrigado-salema/ https://simsaogoncalo.com.br/obrigado-salema/#respond Tue, 21 Jul 2015 03:37:56 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3069 Antes do derradeiro adeus, obrigado. Por mostrar que ainda há dignidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando tantos casos de conduta indevida são destacados pela imprensa. Por fazer o lema “Servir e proteger” sair das paredes do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e encontrar as ruas de São Gonçalo e […]

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Antes do derradeiro adeus, obrigado. Por mostrar que ainda há dignidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando tantos casos de conduta indevida são destacados pela imprensa. Por fazer o lema “Servir e proteger” sair das paredes do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e encontrar as ruas de São Gonçalo e seus cidadãos aflitos. Por recuperar o respeito geral pelo 7º BPM, antes corrupto e assassino, agora um braço efetivo da sociedade.

Obrigado por escolher a melhor forma de comandar, tendo a população como ponto de apoio, em vez da presunção comum a tantas autoridades policiais. Por abrir mão de momentos importantes com a família para estar entre os gonçalenses, incessantemente, durante os últimos 11 meses. Foram ações beneficentes, passeios ciclísticos, caminhadas e corridas, mais do que o trabalho rotineiro esperado, que permitiram conhecer o rosto e a voz do responsável direto pela nossa segurança.

Agradecemos por mostrar o caminho para uma cidade mais segura, onde os habitantes interagem com a Polícia, por isso confiam na instituição e colaboram com ela. Onde o cidadão tem o policial como amigo ao seu lado. Em dias de medo, em que o estado do Rio de Janeiro enfrenta uma guerra contra o crime brutal, tivemos um batalhão honesto e eficiente, destacado por índices claros de redução da criminalidade no município.

Apesar da violência nos rondar – a guerra não é só em São Gonçalo, atinge o Estado e também o País – hoje o gonçalense pode bater no peito com orgulho e dizer que tem um batalhão de polícia que combate o crime e não é cúmplice do mesmo, como em vergonhosas gestões anteriores.

Graças a você, acredito o suficiente no 7º BPM para pegar o telefone e denunciar a violência que os moradores da minha rua sofreram. Quase dez homens armados, a pé, passaram por aqui e estabeleceram toque de recolher. Era domingo, às 18:30, e as crianças que brincavam na rua entraram em pânico.

É uma pena que São Gonçalo continue perdendo grandes riquezas para Niterói. Mas a você, Salema, que nos deu segurança e esperança, obrigado.

Foto: Jornal O São Gonçalo

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Polícia, população e as ações de proximidade com o Coronel Salema https://simsaogoncalo.com.br/policia-populacao-e-as-acoes-de-proximidade-com-o-coronel-salema/ https://simsaogoncalo.com.br/policia-populacao-e-as-acoes-de-proximidade-com-o-coronel-salema/#respond Wed, 24 Jun 2015 00:54:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2973 “Choooora, chora vagabundo!” Essa foi a primeira frase que ouvi quando me deparei com aquele vídeo. Na cena, o coronel da Polícia Militar recém-chegado ao batalhão de São Gonçalo interagia com as pessoas de uma forma completamente diferente da usual entre a PM. Ao invés das armas, o microfone. Saía o barulho da sirene e entrava o som do pagode. De […]

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“Choooora, chora vagabundo!” Essa foi a primeira frase que ouvi quando me deparei com aquele vídeo. Na cena, o coronel da Polícia Militar recém-chegado ao batalhão de São Gonçalo interagia com as pessoas de uma forma completamente diferente da usual entre a PM. Ao invés das armas, o microfone. Saía o barulho da sirene e entrava o som do pagode. De forma descontraída, passávamos a conhecer o novo comandante do 7º BPM: Coronel Fernando Salema.

No início de junho de 2015, a convite da TV Ponto de Vista (Frederico Carvalho), participei da mesa na entrevista com o comandante do “sétimo”. Na função desde 2014, sua atuação ganhou destaque com a política de aproximação da PM com a população, onde eventos esportivos e culturais fazem parte da agenda dessa nova polícia que precisamos ter.

Corenel Salema – SIM São Gonçalo
Momento da entrevista com o Coronel Fernando Salema, do 7º Batalhão de São Gonçalo – Foto: Frederico Carvalho

Com mais de 30 anos de polícia, o desafio atual do coronel  é ainda maior, por conta das péssimas lembranças recentes que o Brasil tem do 7º BPM. Se voltarmos a 2011, vamos lembrar que foi desse mesmo batalhão que saíram os PMs que assassinaram a juíza Patrícia Accioli, usando as armas de uso exclusivo da polícia. Isso torna ainda mais complexo o difícil trabalho de limpar e moralizar o nome da polícia militar do Rio de Janeiro.

O já clássico “Chora, vagabundo”, com Salema cantando:

Polícia e suas questões na cidade

A entrevista promovida pela TV Ponto de Vista tinha um objetivo claro: falar à população sobre a onda de assaltos e latrocínios (roubos seguidos de morte) ocorridos nas ruas do Rio, especialmente com o uso das facas. O coronel explicou a situação desse tipo de delito. Entretanto, revelou já de início que, apesar das ocorrências, nossos problemas em São Gonçalo se concentram em duas áreas: os conflitos nas ruas (especialmente por causa dos bares e casas de show) e o tráfico de drogas, que nitidamente tornou-se um câncer na cidade.

Apesar dos conflitos recorrentes em diversas comunidades na cidade, como o Feijão, a Chumbada e a rua da feira, minha dúvida era sobre o aumento crescente do tráfico no Salgueiro, um lugar, teoricamente, “longínquo” dos centros econômicos. Segundo o comandante Salema, o Salgueiro tornou-se um ponto estratégico na receptação e distribuição das drogas, incluindo pasta base de cocaína, o “concentrado’ que dá origem à mesma droga. Por lá, além de se chegar de barco pelas rotas da baía de Guanabara, também há a via pavimentada pelos construtores do Comperj, por onde passaria o material de construção da refinaria, caso as obras não estivessem em ritmo lento. Em suma, com rotas por mar e por terra, a área tornou-se um ponto de ouro para os traficantes regionais.

Operação no Salgueiro - São Gonçalo
Megaoperação conjunta do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), do Grupamento Aeromarítimo (GAM) e da Coordenadoria de Inteligência (CI), no Salgueiro, São Gonçalo – RJ

Por fim, perguntamos sobre a nossa conhecida “bagunça noturna”, em pontos conhecidos da cidade. Salema disse que, apesar de terem “entrado de sola” no início, aos poucos a política de reaproximação também foi feita com eles, especialmente com aqueles que mantinham carros de som nas alturas nas ruas. Mostrando que, o mais fundamental para polícia não é apenas reprimir, mas fazer entender até onde vai o seu direito e respeito com o próximo.

São Gonçalo - Passeio Ciclístico
Passeio Ciclístico em São Gonçalo – Uma ação conjunta com a PM na política de proximidade com a população gonçalense. Foto: O São Gonçalo

Impressões finais

O que parece é que estamos entrando em um novo ciclo na segurança pública, onde ao invés da população simplesmente negar ou bater na polícia, ela também entende que a instituição é necessária, apesar de toda a memória recente de suas péssimas atuações e resquícios da época da ditadura brasileira (1964-1985).

É nítido e flagrante que policiais ainda praticam atividades vexatórias e corruptas, um problema recorrente em outros setores do governo. Entretanto, é preciso reconhecer também os esforços que a polícia está fazendo para se aproximar do cidadão, especialmente porque somos nós a principal ajuda e os mais interessados na manutenção da paz na sociedade.

Confira o trecho final da entrevista na TV Ponto de Vista:

Foto de capa: Sandro Giron

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O medo da violência https://simsaogoncalo.com.br/o-medo-da-violencia/ https://simsaogoncalo.com.br/o-medo-da-violencia/#respond Thu, 06 Nov 2014 16:29:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2370 O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, coronel Fernando Salema, pediu calma e prudência à população de São Gonçalo através de vídeo divulgado pela Internet semana passada. Louvável a atitude do coronel, que demonstrou preocupação e se aproximou de um povo historicamente ignorado pelas autoridades. No entanto, é impossível ter calma morando em uma […]

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O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, coronel Fernando Salema, pediu calma e prudência à população de São Gonçalo através de vídeo divulgado pela Internet semana passada. Louvável a atitude do coronel, que demonstrou preocupação e se aproximou de um povo historicamente ignorado pelas autoridades. No entanto, é impossível ter calma morando em uma cidade onde até a creche, que existe ao lado do batalhão que ele comanda, encerra o expediente mais cedo como medida preventiva contra a violência.

Não são os boatos que tememos, são os fatos. Os altos índices de violência da cidade superam os números dos demais municípios do estado do Rio de Janeiro. Assaltos a pedestres e roubos de carros são frequentes, a qualquer hora do dia ou da noite. Casas e lojas são invadidas. Há relatos de estupro de mulheres abordadas caminhando em bairros populosos, como Alcântara. Aqui, vereadores e juízes que fazem seu trabalho com honestidade são assassinados. Como o cidadão comum não teria medo? Provavelmente você já foi vítima de algum tipo de violência ou conhece alguém que tenha sido.

Onde a presença do estado é maior, como nos bairros nobres de Niterói e do Rio de Janeiro, boatos de represálias não se propagam, o comércio não para no meio do expediente. Nenhum comerciante fecharia seu estabelecimento, causando prejuízos a si mesmo, se a ameaça que vem do tráfico não fosse real. Ninguém se trancaria em casa com medo se não tivesse certeza de que está vulnerável nas ruas.

Acredito no coronel quando diz que a polícia se esforça no combate ao crime e recentemente o efetivo policial de São Gonçalo foi aumentado para 780 integrantes. Mas, ironicamente, quando o cidadão vai à delegacia fazer boletim de ocorrência depois de ser assaltado, a polícia o orienta a não usar jóias, relógios ou roupas caras que despertem o interesse de bandidos. Significa, no mínimo, que o trabalho da polícia e seu efetivo ainda são insuficientes.

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E aí, vai votar em quem? https://simsaogoncalo.com.br/e-ai-vai-votar-em-quem-politicos/ https://simsaogoncalo.com.br/e-ai-vai-votar-em-quem-politicos/#respond Mon, 15 Sep 2014 16:16:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2260 O exercício do voto é algo recente no Brasil. Como toda prática, a gente só “pega o jeito” com tempo. Entretanto, com os últimos acontecimentos no país, em especial o junho de 2013, a descrença em quem votar nessa “ala” de cidadãos que nos governa só aumenta. Sentindo isso, resolvemos fazer uma pequena enquete, visando […]

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O exercício do voto é algo recente no Brasil. Como toda prática, a gente só “pega o jeito” com tempo. Entretanto, com os últimos acontecimentos no país, em especial o junho de 2013, a descrença em quem votar nessa “ala” de cidadãos que nos governa só aumenta.

Sentindo isso, resolvemos fazer uma pequena enquete, visando a entender o que as pessoas de fato pensam sobre cada candidato ao governo do estado. Nosso foco estadual se deu por um motivo: no geral, não se presta tanta atenção nos governadores como nos presidentes. Muitos mal sabem que parte do que acontece diretamente na sua vida é responsabilidade dos governos locais, como a PM e a CEDAE, por exemplo.

São Gonçalo se tornou uma das “jóias” dos votos. É uma das cidades brasileiras que tem mais gente que muita capital. Como somos decisivos, nada melhor que perguntar em quem as pessoas votarão e seus motivos.

Sobre os resultados

Tivemos uma enxurrada de opiniões sobre voto nulo, por conta da descrença popular, e no Tarcísio Mota, por simbolizar o “voto limpo” entre a população jovem. Entretanto, vamos publicar aqui, de forma igual, todos os resultados mais curiosos e interessantes.

Divirta-se!

Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Marcelo Crivella  - Eleições Governo do Estado 2014 Dayse Oliveira  - Eleições Governo do Estado 2014Luis Fernando Pezão - Eleições 2014 Governo do Estado Tarcísio Mota - Eleições 2014 Governo do Estado Anthony Garotinho - Eleições 2014 Governo do EstadoLindberg Farias  - Eleições Governo do Estado 2014 Ney Nunes  - Eleições Governo do Estado 2014Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014Anthony Garotinho - Eleições 2014 Governo do EstadoTarcísio Mota - Eleições 2014 Governo do EstadoLuis Fernando Pezão - Eleições 2014 Governo do Estado

 

Quer ver os outros? Curta nossa página no Facebook e veja os outros resultados na galeria.

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Violência em São Gonçalo e os dados do Instituto de Segurança Pública https://simsaogoncalo.com.br/violencia-em-sao-goncalo-e-os-dados-instituto-de-seguranca-publica/ https://simsaogoncalo.com.br/violencia-em-sao-goncalo-e-os-dados-instituto-de-seguranca-publica/#respond Wed, 30 Apr 2014 00:31:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2029 “E a violência em São Gonçalo? Você acha que tudo de ruim está mesmo vindo do outro lado da ponte, conforme as estatísticas de Segurança Pública?” A pergunta é propícia para o momento. Afinal, estamos diante de um daqueles momentos que serão estudados no futuro como um divisor de águas nas políticas públicas de segurança […]

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“E a violência em São Gonçalo? Você acha que tudo de ruim está mesmo vindo do outro lado da ponte, conforme as estatísticas de Segurança Pública?”

A pergunta é propícia para o momento. Afinal, estamos diante de um daqueles momentos que serão estudados no futuro como um divisor de águas nas políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro. É tanta coisa nos noticiários que nunca chegamos a conclusões locais. Me arrisco a dizer que as análises mais coerentes estão distantes de nós, simples cidadãos.

Eu, Matheus, vou tentar dar a minha visão sobre os fatos.

Instituto de Segurança Pública (ISP) foi criado em 1999, primeiro ano do governo Garotinho (1999-2002). Fruto da equipe do sociólogo Luiz Eduardo Soares, subsecretário de segurança pública na época, o instituto é uma autarquia, o que na prática rasa significa: “o governo nos mantém, mas não nos comanda.”

Dados estatísticos são dados. Ponto. Não são criados, são coletados. Não são pensados, são interpretados. Logo, se as estatísticas dizem que a violência está aumentando, é muito possível que ela esteja. Mas se estiver diminuindo, talvez não esteja. Confuso? Relaxa, vou explicar o porquê.

Estatísticas são diferentes de sensações. Se você ou alguma das pessoas de sua família ou círculo social NUNCA tiver sofrido algum tipo de violência, por exemplo, dificilmente terá uma “sensação de insegurança”. Mas se uma pessoa de seu convívio disser que foi assaltada, a sua sensação irá mudar na hora.

Instituto de Segurança Pública + Polícia no Rio

Penso que muito dos dados coletados pelo ISP têm como base os Boletins de Ocorrência, o famoso BO. Mas, vamos pensar juntos? Por exemplo: quantas pessoas têm seu celular roubado e vão até a delegacia registrar a ocorrência? Quantas mulheres são estupradas e vão até a DEAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) para denunciar seu agressor? E ainda pior: quantas pessoas tem coragem e confiança na polícia para ir até a delegacia pedir auxílio?

Quando há mortes ou subtração de coisa de grande valor, como carros ou casas, a polícia é acionada imediatamente. Mas, será que roubam mais celulares e dinheiro ou carros?

Por esse motivo, nem sempre é possível dizer que estatísticas e sensações andam juntas. Mas se o aumento dos números de violência conferem com o seu sentimento de insegurança, bingo! Tem problema aí!

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Até onde vai a responsabilidade policial? https://simsaogoncalo.com.br/ate-onde-vai-responsabilidade-policial/ https://simsaogoncalo.com.br/ate-onde-vai-responsabilidade-policial/#comments Thu, 03 Apr 2014 00:01:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1855 O artigo 144, § 5º, da Constituição Federal é curto e grosso: “Às policias militares cabe à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Pronto. Já sabemos qual é a função das polícias militares no Brasil. Repetindo: “cabe à polícia ostensiva e preservação da ordem pública”. Mas eis que, com o passar das décadas, […]

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O artigo 144, § 5º, da Constituição Federal é curto e grosso: “Às policias militares cabe à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Pronto. Já sabemos qual é a função das polícias militares no Brasil. Repetindo: “cabe à polícia ostensiva e preservação da ordem pública”.

Mas eis que, com o passar das décadas, a velha PM de guerra foi “acostumada” (sem força de lei mesmo) a exercer outras tarefas que não as duas missões dadas acima. Recapitulando, o policiamento ostensivo e preservação da ordem pública.

Na manhã desse de 16 de março, domingo, a senhora Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, saiu de sua casa para comprar pão numa das centenas de favelas do Rio de Janeiro. No percurso, ela foi alvejada numa troca de tiros entre a PM e traficantes.

Até aí, a Polícia Militar estava cumprindo sua missão claramente expressa pela Constituição Federal – “polícia ostensiva e a preservação da ordem pública” –, pois tentava combater os criminosos daquela comunidade.

O problema é que Cláudia foi baleada e precisava de “alguém” para socorrê-la até o hospital.

A pergunta é: A quem compete socorrer pessoas baleadas nas ruas do Brasil? Na falta de socorristas, lá estavam 3 policiais militares mudando de função abruptamente, deixando colegas de farda em pleno tiroteio, para pegar Cláudia, embarcá-la na viatura e levá-la até o hospital mais próximo.

No caminho, a tragédia: por razões que só a perícia poderá explicar, ela caiu da mala da viatura, ficou pendurada pela roupa e acabou sendo arrastada por um trecho de 250 metros. Chegou morta ao hospital.

Um motorista, que vinha logo atrás da viatura, filmou a mulher pendurada no carro da polícia. O caso logo subiu na lista das notícias mais lidas das últimas horas. Os policiais – que deixaram seu serviço para fazer o de outros segmentos – foram presos e já condenados por muitos leitores e telespectadores Brasil afora.
Até onde vai a responsabilidade policial? – SIM São Gonçalo

Onipresente

Muita gente se pergunta “por que a PM erra tanto?” Seguem algumas respostas:
Faltam agentes penitenciários para custodiar presos em hospitais? Chama a PM.
Faltam agentes do Ibama para capturar uma cobra no quintal de casa? Chama a PM.
Não tem Conselho Tutelar na cidade para “conversar” com um menor? Chama a PM.
Não tem equipes de socorristas de plantão na cidade? Chama a Polícia Militar.

E se o preso fugir do hospital? Culpa da PM.
E se a cobra picar a dona de casa? Omissão da PM.
E se o menor for repreendido pelos policiais? Processo judicial neles!
E se uma mulher baleada cair de um carro não apropriado para socorro?

Quem é que não sabe qual é o resultado de um confronto entre policiais e traficantes num país como o Brasil, especialmente nas comunidades de risco?

Seria uma grande façanha presumir que quase sempre haverá feridos nesses combates? Se as incursões policiais nesses ambientes são necessárias (se não fossem, a PM não receberia a ORDEM de ir para lá) e sempre PREVISÍVEIS, por que equipes de socorristas devidamente capacitados para este fim não são direcionadas ao local?

Onde está escrito que a Polícia Militar deve, ao mesmo tempo, realizar a “polícia ostensiva, preservação da ordem pública” e socorrer feridos?

Nada contra a PM dar uma ajuda a quem precisa, quando flagrantemente necessário. Mas antes de jugarmos os erros “dos outros”, é bom lembrar que muitas vezes eram “os outros” que deveriam estar ali ‘errando.

A identidade dos profissionais que participaram do post é anônima.

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Histórias de uma vida policial: amigos de infância https://simsaogoncalo.com.br/historias-de-uma-vida-policial-amigos-de-infancia/ https://simsaogoncalo.com.br/historias-de-uma-vida-policial-amigos-de-infancia/#respond Tue, 18 Mar 2014 00:20:35 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1848 É com imenso orgulho que hoje relato fatos do meu cotidiano policial para está pagina. Desde pequeno tive sonhos. Como por exemplo, a de um jogador de futebol. Porém, não sou egoísta de dizer que era um sonho solitário, pois os dividia com todos os amigos da minha idade. Na escola, trocávamos figurinhas dos nossos […]

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É com imenso orgulho que hoje relato fatos do meu cotidiano policial para está pagina. Desde pequeno tive sonhos. Como por exemplo, a de um jogador de futebol. Porém, não sou egoísta de dizer que era um sonho solitário, pois os dividia com todos os amigos da minha idade.

Na escola, trocávamos figurinhas dos nossos ídolos. Na hora do recreio, sempre nos reuníamos e jogávamos aquele futebol. Éramos muito unidos. O tempo foi passando e a nossa união foi se tornando mais intensa. A cada jogo dos nossos times, era uma alegria estarmos juntos. Porém, o tempo não pára e os nossos caminhos vão sendo traçados. E os amigos que antes frequentemente estavam no meu dia-a-dia, sumiram.

E foi aí que tudo começou. Entrei para Policia Militar. Num dia como outro qualquer, recebemos denúncias de indivíduos realizando a venda de entorpecentes em uma determinada área. Estavam armados. Como de costume, fomos verificar tal informação.

Lembro-me que ao dobrar a esquina, foram realizados os primeiros disparos. Solicitamos reforço e continuamos a incursão.

A cada trecho avançado, a adrenalina aumentava. Enquanto subíamos por uma determinada parte do morro, a outra equipe subia por outra e assim o cerco estava formado. Até que se deu inicio a um intenso tiroteio. Aos poucos, foi diminuindo, até não se escutar mais nada. Em seguida, ouvi um companheiro de guarnição dizendo: “Aqui, aqui”. Dirigi-me rapidamente ao local, pois pensei que o colega de farda havia sido baleado. Chegando lá, me deparei com a cena de elementos mortos, armas e drogas. Estava me sentindo radiante com a situação, por ter passado por este livramento. Porém, algo me chocou. Até hoje, levo em minha memória a imagem de um dos elementos que havia falecido: um amigo de infância. Aquele que sonhava junto comigo, agora estava ali no chão. Ele havia se desviado e estava servindo ao tráfico.

Guardo em meu coração os momentos, aquelas imagens de quando éramos pequenos. Fico imaginando o porquê daquele menino, amigo, alegre, com enorme qualidade no futebol, ter se envolvido com as drogas. Sua Família possuía dinheiro, ele não precisava daquilo. Como Policial Militar, após essa situação, eu já estava me dirigindo para uma nova ocorrência. Mas com um grande aperto no coração.

O fato ocorreu em São Gonçalo. A identidade dos profissionais que participaram do post é anônima.

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