transporte Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/transporte/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Thu, 30 Nov 2023 02:19:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg transporte Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/transporte/ 32 32 147981209 Ônibus Fagundes com placa pendurada mostra que fiscalização é seletiva https://simsaogoncalo.com.br/onibus-fagundes-sem-fiscalizacao/ https://simsaogoncalo.com.br/onibus-fagundes-sem-fiscalizacao/#comments Tue, 13 Mar 2018 19:05:35 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6427 Um ônibus Fagundes roda com sua placa vermelha pendurada. Não, isso não foi uma metáfora. Esta semana, esse flagrante deixou ainda mais claro que, na hora de fiscalizar o transporte público, prefeitura e estado fecham os olhos. Aquela clássica “vista grossa” com os reis dos ônibus no leste fluminense. Na foto, vemos a linha de […]

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Um ônibus Fagundes roda com sua placa vermelha pendurada. Não, isso não foi uma metáfora. Esta semana, esse flagrante deixou ainda mais claro que, na hora de fiscalizar o transporte público, prefeitura e estado fecham os olhos. Aquela clássica “vista grossa” com os reis dos ônibus no leste fluminense.

Na foto, vemos a linha de ônibus 487M. Seu itinerário é entre Guaxindiba e Niterói.

A princípio, esse dado pode não fazer diferença para você. Mas para os moradores das regiões mais desfavorecidas da cidade, é nítido que os ônibus em pior estado de conservação trafegam nestas rotas.

Porém, nem só as localidades esquecidas estão passando por problemas. A RJ-104, como evidenciada pelo Jornal O São Gonçalo (março/2018), uma das principais vias de ligação entre Niterói e São Gonçalo, também está toda esburacada.

O DER, o Departamento de Estradas e Rodagem, até fez uma ação paliativa. Na verdade, estão remendando um asfalto que precisa ser completamente renovado.

Recapeamento da RJ104 ajuda os ônibus fagundes
Funcionários do DER consertaram alguns buracos na RJ-104 Foto: Luiz Nicolela / Jornal O São Gonçalo

Precisamos de fiscalização nos ônibus Fagundes e das outras viações

Para quem tem motocicleta e carro de passeio, as blitz comuns são frequentes. Sabemos que a qualquer mínimo detalhe fora de ordem, os órgãos de fiscalização podem travar nossos veículos, levando para o depósito.

Entretanto, quando o assunto são os ônibus municipais e intermunicipais, a coisa muda de figura. Nesse caso, só perdemos dinheiro. Afinal, pagamos passagem para termos um ônibus decente, como também pagamos impostos para financiar os órgãos de fiscalização. Quando ambos não fazem seu trabalho, obviamente, os prejudicados somos nós.

Nos últimos tempos, com a Operação LAVA JATO e seus filhotes, ficaram mais do que claras as promíscuas relações entre empresas de ônibus e governo. E certamente, esse é o ponto mais problemático de todos.

Ao final, o que acontece é um grande acordão. Prefeituras e Estado fingem que pavimentam as ruas, mas está tudo esburacado. Empresas de ônibus sabem disso, põem ônibus remendados nas ruas e cobram aumento de passagens. E ao final, pagamos à dois senhores por serviços que não vemos retorno algum.

E depois disso tudo, ainda tem gente que acha que reclamamos demais, só porque vimos uma “plaquinha pedurada”.

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Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo: conservar é preciso! https://simsaogoncalo.com.br/onibus-com-ar-condicionado-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/onibus-com-ar-condicionado-sao-goncalo/#respond Tue, 27 Feb 2018 20:42:33 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6353 Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo eram um mito. Com exceção dos  intermunicipais que vão para o Rio, o restante da frota é só decepção. Mas parece que nesta última semana de fevereiro de 2018, a lei que obriga os ônibus municipais a terem uma climatização digna está sendo posta em prática. Após constantes […]

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Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo eram um mito. Com exceção dos  intermunicipais que vão para o Rio, o restante da frota é só decepção. Mas parece que nesta última semana de fevereiro de 2018, a lei que obriga os ônibus municipais a terem uma climatização digna está sendo posta em prática.

Após constantes pedidos da população, em 2017, foi aprovada na câmara municipal e sancionada posteriormente a Lei que prometia, até 2020, fazer uma mini-revolução no transporte público municipal. Aplicada aos ônibus municipais, ela dará mais conforto a quem trafega pela cidade, trabalhando, passeando, estudando ou resolvendo a fazeres de seu cotidiano.

Do contrário que foi dito inicialmente, a Lei que prometia ter 20% da frota ainda em 2017 não foi cumprida no ano anterior. Tanto que agora em 2018, ao ver este “espécime raro” trafegando pelas ruas de São Gonçalo, muita gente nem acreditou.

Logo após a exibição dos primeiros exemplares de ônibus com ar condicionado na cidade, uma pergunta já está sendo feita nas redes sociais: “será que nós, população, conseguiremos manter os ônibus limpos, sem depredação?”

Ônibus com ar condicionado um sonho em São Gonçalo
Ônibus no trânsito de Alcântara. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Manter os ônibus com ar condicionado rodando é responsabilidade de todos nós

Embora a nossa população dependa dos ônibus para seu transporte, é flagrante que ainda há muito desrespeito com os coletivos nas ruas.

É comum ver passageiros que, sentindo-se “no seu direito” de fazer o que bem quiser, sujam o coletivo por completo. Muitas vezes, as pessoas sujam e espalham alimentos e bebidas pelo chão. Sem falar naqueles que escrevem nos bancos, colam chicletes, cospem no chão, entre outros atos nada respeitáveis.

Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo: é preciso conservá-los
Ônibus com ar condicionado da linha 10 Circular. Foto: Robson Cunha / Twitter @Robson_Cunha

Boa parte dessas ações depreciativas serão amplificadas num ônibus com ar condicionado. Por serem fechados, eles têm ventilação um pouco mais lenta que com as janelas abertas. Mesmo acreditando na civilidade majoritária da população, ainda haverá uma meia dúzia insistindo nos mesmos péssimos hábitos de antes.

Ações educativas são fundamentais. Mas é preciso reconhecer os ônibus, com ou sem ar condicionado, como algo que pertence a todos nós.

Mesmo duvidando da idoneidade de boa parte das empresas de ônibus, a concessão pública a qual elas servem são para nos servir. E funcionando bem, são fundamentais para o nosso bem estar na cidade.

Que a lei se cumpra! E quem não esqueçamos do básico: pelo preço, as empresas não fazem mais do que sua obrigação.

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Não perca seu Bilhete Único! Saiba como manter o benefício na passagem https://simsaogoncalo.com.br/nao-perca-seu-bilhete-unico/ https://simsaogoncalo.com.br/nao-perca-seu-bilhete-unico/#respond Tue, 21 Nov 2017 16:14:09 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5767 Muitas pessoas serão surpreendidas com a suspensão do benefício do Bilhete Único Intermunicipal. Mesmo que você já tenha declarado a renda de até R$3.000 há alguns meses. Leia também: Transporte e o segredo do dinheiro infinito Isso porque no Decreto Estadual nº 45.895 consta que a declaração deve ser renovada a cada 180 dias. Isto […]

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Muitas pessoas serão surpreendidas com a suspensão do benefício do Bilhete Único Intermunicipal. Mesmo que você já tenha declarado a renda de até R$3.000 há alguns meses.

Leia também: Transporte e o segredo do dinheiro infinito

Isso porque no Decreto Estadual nº 45.895 consta que a declaração deve ser renovada a cada 180 dias. Isto é, 5 meses.

Ao invés de perder tempo indo às agências do RioCard, saiba o que fazer se isso acontecer com você:

  1. Declare novamente a sua renda pelo site da Setrans: https://www.riobilheteunico.com.br/declaracao e espere 24 horas para o próximo passo (porque o site demora a atualizar)
  2. Acesse o site do Bilhete Único: https://www.cartaoriocard.com.br/rcc/bilheteUnico
  3. Faça o Login no site do Bilhete Único
  4. Vá na sessão USUÁRIOS > CONSULTA E ALTERAÇÃO > selecione o usuário que teve o benefício suspenso > ALTERAR > selecione a opção “Deseja habilitar o Bilhete Único Intermunicipal?” > CONFIRMAR
  5. Validar o cartão em qualquer máquina de validação ou na própria máquina dos ônibus.

Observações sobre o Bilhete Único:

Pode demorar mais 24 à 48 horas para o benefício ser ativado (pela demora na atualização do site).

Você não receberá nenhum aviso que seu benefício do bilhete único foi suspenso, ou seja, fique atento ao dia em que declarou e se a máquina do ônibus computou a integração.

Se após esperar 24h e não aparecer a opção de habilitar o bilhete único e no lugar aparecer SUSPENSO na cor vermelha, espere mais um pouco, pois o site demora a atualizar.

A empresa RioCard não vai querer te reembolsar a diferença entre as passagens integrais e o valor do bilhete único nos dias que você ficou esperando o site deles atualizar para receber seu direito de volta.

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Barcas em Duque de Caxias tem mais chances que em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/barcas-duque-de-caxias-tem-mais-chances-que-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/barcas-duque-de-caxias-tem-mais-chances-que-sao-goncalo/#comments Mon, 15 May 2017 16:38:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4614 A região metropolitana do Rio de Janeiro é a 2ª maior do Brasil. Uma das 20 maiores do mundo. Isso mesmo! Sem exagero. Temos cerca de 12 milhões de pessoas vivendo juntas e trafegando constantemente entre as cidades. Seja para trabalhar, estudar, viver. Não à toa, os maiores fluxos de pessoas entre cidades acontecem aqui. E São Gonçalo e Niterói estão em […]

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A região metropolitana do Rio de Janeiro é a 2ª maior do Brasil. Uma das 20 maiores do mundo. Isso mesmo! Sem exagero. Temos cerca de 12 milhões de pessoas vivendo juntas e trafegando constantemente entre as cidades. Seja para trabalhar, estudar, viver.

Não à toa, os maiores fluxos de pessoas entre cidades acontecem aqui. E São Gonçalo e Niterói estão em 2º lugar na lista brasileira.

Agora, um anúncio feito pela CCR Barcas em outubro de 2015 está próximo de se tornar uma realidade. A Secretaria de Transportes do RJ anulou o contrato antigo e já está preparando uma nova licitação para a concessão do serviço. E nesse momento decisivo, a pergunta que mais fazemos é: e as barcas para São Gonçalo, quando virão?

Barca Pão de Açúcar se preparando para entrar em operação no trajeto Praça XV – Arariboia.
Barca Pão de Açúcar se preparando para entrar em operação no trajeto Praça XV – Arariboia.

A jóia da Coroa Aquaviária é gonçalense

Como já contamos aqui, a história do serviço de barcas vem desde 1835, quando o trajeto Rio-Niterói era feito por barcas a vapor. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora. Com capacidade para 250 passageiros, elas trafegavam das seis da manhã às seis da tarde.

Entretanto, 182 anos depois, cá estamos com o mesmo serviço, no mesmo local. As linhas foram ampliadas para Paquetá, Gragoatá, Ribeira (Ilha do Governador) e, mais recentemente, Charitas. Mas a jóia da Coroa Aquaviária Fluminense permanece no trajeto Praça XV – Arariboia, tendo um grande público vindo de São Gonçalo.

Trânsito no Centro de São Gonçalo. Foto: Marcelo Feitosa
Trânsito no Centro de São Gonçalo. Foto: Marcelo Feitosa

São Gonçalo que, aliás, é a cidade que tem a maior perda de tempo no trânsito do Rio de Janeiro.

Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão que, com 2 dos maiores fluxos pendulares do Brasil, ou seja, pessoas indo e voltando todos os dias, implantar a estação das barcas em São Gonçalo seria um ótimo negócio. Pelo menos na teoria.

Projeto de estação das barcas em Duque de Caxias, RJ.
Projeto de estação das barcas em Duque de Caxias, RJ.

Quando Duque de Caxias entra e põe a Baixada no jogo

O transporte aquaviário na Baixada não é nenhuma novidade. Desde o século XVIII, funcionava em Magé o Porto da Estrela, lugar onde pessoas e produtos circulavam, inclusive encurtando o caminho para a serra fluminense.

Aproveitando a nova licitação do serviço, momento onde todas as regras contratuais são dispostas, Duque de Caxias, a maior cidade da baixada fluminense, resolveu apresentar seus estudos de viabilidade para que as embarcações cheguem até lá.

Na prática, isso poderia reduzir boa parte do trânsito da linha vermelha, uma das principais vias de ligação da cidade do Rio com o município vizinho. Além de impactar as cerca de 118 mil pessoas que todos os dias vão e vem nesse trajeto.

Trânsito na Linha Vermelha em direção à Caxias e Ilha do Governador. Foto: Rafael Bozeo
Trânsito na Linha Vermelha em direção à Caxias e Ilha do Governador. Foto: Rafael Bozeo

Por que Caxias tem mais chances que São Gonçalo?

Caxias tem um PIB (Produto Interno Bruto) que é quase 2 vezes o de São Gonçalo. É o 3º maior do estado e o 22º maior do Brasil. Além disso, possui a REDUC, a refinaria responsável por 80% da produção de lubrificantes e pelo maior processamento de gás natural do Brasil.

Na teoria, Caxias é bem mais rica que São Gonçalo. Na vida real, nem tanto.

O PIB caxiense é puxado pela refinaria. Mas isso não significa que o dinheiro gerado pelos impostos são distribuídos em melhorias, deixando a população mais rica.

Praça do Pacificador em Duque de Caxias, a capital da Baixada Fluminense.
Praça do Pacificador em Duque de Caxias, a capital da Baixada Fluminense.

Porém, no final, o que vale é dinheiro no caixa do município. Sendo assim, já anunciaram o alargamento da Rua Almirante Greenfall, uma das ruas de acesso à futura possível estação, que passará a ter 500m de comprimento por 300m de largura.

Caso consigam a inserção na licitação, Caxias será a nova Niterói.

Da mesma forma que a praça Araribóia absorve toda a população de São Gonçalo e Maricá, Caxias fará isso com a população das outras cidades da baixada, fazendo com que elas deixem seu dinheiro na região.

Enquanto isso, vemos pouca movimentação em São Gonçalo. Gradim, Porto da Pedra, quais seriam os possíveis pontos para a recepção da Estação das Barcas Gonçalenses nesse modelo atual? Há estudos de viabilidade recentes? Precisamos construir esse material para levá-lo a público o quanto antes.

Barcas: uma luz no fim do túnel

Prefeitos e vereadores, a barca é mais viável que BRT e Metrô

É sabido que depois dessa crise econômica, nem o Comperj será o que foi prometido. Os investimentos minguaram e todo o El Dourado enferrujou. Nada de metrô, nem de BRTs pelos próximos anos.

Porém, essa janela das barcas pode se tornar uma viável opção. O tempo de deslocamento do gonçalense até o Rio, principalmente, diminuiria muito. Sem falar no alívio mental que é atravessar a Baía de Guanabara, ao invés de ficar preso num ônibus durante horas.

Todo mundo ganha. E só quem perde são aqueles que preferem que a situação se mantenha para continuar extorquindo o dinheiro de São Gonçalo.

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Ironias do transporte público gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/ironias-do-transporte-publico-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/ironias-do-transporte-publico-goncalense/#comments Sun, 05 Feb 2017 11:02:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4319 São Gonçalo não tem barca, trem, metrô nem ciclovia. A cidade conta com ônibus sujos, quentes e apertados como único meio de transporte coletivo dentro do território. Vivem nele mais de 1 milhão de pessoas, a segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro. Começa em São Gonçalo o segundo maior deslocamento urbano do […]

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São Gonçalo não tem barca, trem, metrô nem ciclovia. A cidade conta com ônibus sujos, quentes e apertados como único meio de transporte coletivo dentro do território. Vivem nele mais de 1 milhão de pessoas, a segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro.

Começa em São Gonçalo o segundo maior deslocamento urbano do Brasil: aproximadamente 120 mil pessoas saem da cidade todos os dias com destino à Niterói (IBGE). A maioria dos passageiros, presa nos engarrafamentos, derrete nos veículos lotados.

Há 20 dias o valor da passagem foi reajustado, tornando a viagem mais desagradável. A tarifa municipal aumentou 14,5% – de R$ 3,45 para R$ 3,95 – o maior aumento desde 2012, quando o desconforto no serviço público de transporte terrestre foi formalizado entre o Município, mal representado pela ex-prefeita Aparecida Panisset, e o Consórcio São Gonçalo de Transportes, formado por 9 empresas de ônibus.

Ao jornal A tribuna, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Setrerj) apresentou como uma das justificativas para o aumento o fato de que em 2017 “as gratuidades dos estudantes e dos portadores de necessidades especiais serão suportadas pelo Consórcio São Gonçalo, já estando incluídas no valor da tarifa definida”. Ora, se estão incluídas no valor da tarifa, os passageiros suportarão as gratuidades, não o consórcio, configurando outro aumento sem qualquer contrapartida real para o cidadão.

Além da redução do valor da passagem, principal reivindicação dos movimentos sociais, a instalação de ar-condicionado na frota é urgente. Os usuários do serviço têm o direito de viajar confortavelmente, conforme consta do item 10.1 do contrato de concessão. Absolutamente nenhum ônibus municipal possui ar-condicionado. Durante o verão esta falta implica na quebra inevitável do item 10.1, entretanto, o Consórcio São Gonçalo segue impune e satisfeito.

Transporte público gonçalense e suas longas concessões

O valor da concessão por 25 anos foi estimado pelas partes interessadas em quase 1,5 bilhão de reais usando uma taxa de 8% ao ano de aumento da tarifa. Como a cada reajuste a tarifa aumentou em média 11,05%, a exploração do serviço gera para os empresários uma receita operacional mais importante do que esperavam.

A variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no mesmo período foi de 8,02%. Satisfação prorrogada automaticamente por outros 25 anos, totalizando 50 anos de retorno econômico garantido aos empresários, conforme Panisset fez questão de determinar no item 3.2 do contrato.

As empresas Auto Ônibus Alcântara S/A, Auto Ônibus Asa Branca Gonçalense Ltda., Expresso Tanguá Ltda., Icaraí Auto Transportes S/A (Líder), Transp. e Turismo Rosana Ltda., Viação Estrela S/A, Viação Galo Branco S/A, Viação Mauá S/A e Viação Rio Ouro Ltda., integrantes do Consórcio São Gonçalo, em vez de servir à população, enriquecem porque o povo do município atravessa a roleta.

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Transporte público do desafeto https://simsaogoncalo.com.br/transporte-publico-do-desafeto/ https://simsaogoncalo.com.br/transporte-publico-do-desafeto/#respond Tue, 02 Aug 2016 19:03:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3856 O transporte público é recordista de insatisfações em São Gonçalo. Seja pelo valor alto da passagem, pelas péssimas condições dos ônibus que circulam na cidade, pelas linhas sobrepostas, pela dupla função, pela biometria… Enfim. E hoje, venho com mais uma inquietação para essa pauta. Quando estava grávida já encontrava dificuldades em atravessar os currais (roletas) […]

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O transporte público é recordista de insatisfações em São Gonçalo. Seja pelo valor alto da passagem, pelas péssimas condições dos ônibus que circulam na cidade, pelas linhas sobrepostas, pela dupla função, pela biometria… Enfim. E hoje, venho com mais uma inquietação para essa pauta.

Quando estava grávida já encontrava dificuldades em atravessar os currais (roletas) dos ônibus de uma porta, além também da dificuldade de transitar pelos corredores dele que é são bem estreitos. Agora, com minha filha fora da barriga as dificuldades só mudam, nunca encerram. É horrível ter de atravessar a roleta com um bebê a tira colo, porque é horrível ter de escolher o que vai ficar preso na roleta, se é o pé do seu filho ou a sua mochila.

O que eu gostaria de refletir coletivamente com vocês é a respeito de como o transporte no nosso município é mais do que ruim, mais do que insatisfatório. Ele é desrespeitoso. Não respeita gestantes, não respeita à mãe e a seu(s) filho(s), não respeita aos idosos, não respeita os estudantes, não respeita o cidadão que usufrui desse serviço da sua cidade. Quando vejo que os ônibus não comportam em seu espaço físico nem isso, não consigo ver uma melhora de fato para tantos outros problemas.

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5 passos para melhorar o trânsito da região metropolitana https://simsaogoncalo.com.br/5-passos-para-melhorar-o-transito-da-regiao-metropolitana/ https://simsaogoncalo.com.br/5-passos-para-melhorar-o-transito-da-regiao-metropolitana/#respond Mon, 13 Jun 2016 04:08:40 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3732 As manhãs deixam muita gente da região metropolitana de cabelo em pé. É comum ver enormes engarrafamentos causados quando há um acidente na ponte Rio Niterói. Acima de tudo, essa situação expõe a fragilidade de nosso sistema de mobilidade urbana, intolerante a circunstâncias adversas e administrado em grande parte por entes públicos financiados pelas empresas […]

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As manhãs deixam muita gente da região metropolitana de cabelo em pé. É comum ver enormes engarrafamentos causados quando há um acidente na ponte Rio Niterói. Acima de tudo, essa situação expõe a fragilidade de nosso sistema de mobilidade urbana, intolerante a circunstâncias adversas e administrado em grande parte por entes públicos financiados pelas empresas de transporte.

Existem soluções que levem esse caos para uma mobilidade urbana eficiente, respeitosa e confortável e elas podem ser implantadas em nosso sistema.

 

1. Expansão e integração do metrô

O metrô é o meio de transporte mais eficiente para as grandes cidades. Em qualquer grande metrópole desenvolvida, quando estamos falando de transporte de massa ele é a principal alternativa. Ocorre que no Brasil a prioridade sempre são os carros, e o gasto público é concentrado em ruas, semáforos, agentes de trânsito e sinalização.

A relação de financiamento de campanha entre mandatários e as atuais empresas de transporte esmaga qualquer possibilidade e interesse de investimento em linhas de metrô. O resultado são poucos trens e quase nenhuma integração com outros modais.

A quanto tempo você ouve promessas dizendo que uma linha de metrô chegará a região metropolitana?

 

2. BRT com bi articulados Híbridos

Garantir uma faixa exclusiva para o transporte público é uma maneira de ter agilidade no percurso. Bem antes de nós, o sistema é utilizado em Curitiba desde 1974 e em Bogotá. Nas duas cidades também circulam ônibus biarticulados, levando um maior número de pessoas por trajeto.

Esses ônibus podem ser Híbridos (movidos a biocombustíveis e energia elétrica) além de providos de acessibilidade.

 

3. Climatização e qualificação dos veículos

É difícil convencer alguém a deixar o seu carro para entrar em um ônibus ou metrô lotado, quente, com cadeiras quebradas e tocando música nas alturas. Os ônibus precisam ser climatizados, precisam ter assentos acolchoados, precisam respeitar que as pessoas não são obrigadas a ter o mesmo gosto musical do motorista.

Vale a pena lembrar que metas para climatização total dos ônibus vem sendo descumpridas e pouco esforço temos visto dos administradores públicos para obrigar as empresas de ônibus cumpri-las. Porque será?

 

4. Priorização das bicicletas skates e monociclos

Todos sabem os benefícios desse tipo de transporte. É mais barato, mais saudável, mais sustentável e, dependendo da distância, mais rápido.

Para que isso funcione as bicicletas precisam ser estacionadas, precisam ser guardadas enquanto o dono está longe. Os bicicletários precisam estar em pontos estratégicos, bem localizados, e com segurança para evitar o roubo de partes das bicicletas.

Gostaria de destacar a necessidade de Campanhas educativas. Uma vez que a cidade esteja equipada, é preciso criar uma boa campanha educativa para incentivar as pessoas a usarem as bicicletas, para educar os motoristas a respeitarem os ciclistas e para incentivar as empresas a construírem banheiros e bicicletários.

Em Niterói temos visto embates entre ciclistas e motoristas, um deles chegando e repercutir nacionalmente. Fruto da falta de programas de conscientização.

 

5. Tecnologia e Inteligência para o trânsito

Para fluir bem, o trânsito precisa de um sistema de inteligência. É preciso que haja câmeras nos principais pontos da cidade e operadores de tráfego realmente capacitados para coordenar sincronicidade de semáforos, para emitir avisos em painéis eletrônicos estrategicamente posicionados, para alimentar redes sociais (sim, milhares de motoristas usam redes sociais para saber por onde ir).

Na cidade de Barcelona, cada parada de ônibus tem a lista completa das linhas que passam no local e os horários das mesmas. Em muitas, há um painel eletrônico simples que informa quanto tempo falta para o ônibus chegar até aquela parada.

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A indústria do reboque de motos e carros em São Gonçalo: como a prefeitura e o estado lucram com as terceirizadas https://simsaogoncalo.com.br/a-industria-do-reboque-de-motos-e-carros-em-sao-goncalo-como-a-prefeitura-e-o-estado-lucram-com-as-terceirizadas/ https://simsaogoncalo.com.br/a-industria-do-reboque-de-motos-e-carros-em-sao-goncalo-como-a-prefeitura-e-o-estado-lucram-com-as-terceirizadas/#comments Thu, 12 Nov 2015 15:05:05 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3331 Algumas vezes na vida, a gente acha que passa por problemas desnecessários, que não deveríamos passar. Dessa vez, pelo menos dessa vez, sinto que tive que passar por isso. Só assim, pude sentir na pele o que o nosso querido poder público anda aprontando com a gente, só para garantir um trocado. Pátio da TransGuard […]

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Algumas vezes na vida, a gente acha que passa por problemas desnecessários, que não deveríamos passar. Dessa vez, pelo menos dessa vez, sinto que tive que passar por isso. Só assim, pude sentir na pele o que o nosso querido poder público anda aprontando com a gente, só para garantir um trocado.

Indústria do Reboque: Transguard e a prefeitura de São Gonçalo

Pátio da TransGuard e SEMTRAN, entre o Posto de Gasolina e o Abrigo Cristo Redentor. Agora basta saber de quem é esse terreno alugado, na Estrela do Norte – São Gonçalo.

O início da história: do IPVA ao Detran

No início deste caótico ano de 2015, separei aquele dinheirinho para o IPVA. Já sabia que o governo do estado do Rio de Janeiro estava em crise. Ou melhor: está em crise. Com graves problemas financeiros por conta da queda do preço do petróleo, da Petrobrás se afundando na Operação Lava-Jato, entre outros problemas afins, é lógico que sobraria para nós, com muita Lei Seca, blitz e reboques por aí. Por isso, tratei de pagar logo o bendito do “Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores”.

Porém, mesmo com o meu dinheiro em sua caixinha, o faminto estado não deixaria esse meu adiantamento sair impune. No auge da polêmica com os extintores de incêndio, tive que gastar mais R$130,00 reais para saber que, meses depois, ele não seria mais necessário.

Indústria do Reboque: Transguard e a prefeitura de São Gonçalo

Extintores ABC: segundo a antiga resolução, quem não tivesse, também poderia ser rebocado.

No Detran, ainda no 1º semestre, o sistema não me permitia fazer a marcação da vistoria. Aliás, quis o homem que “vistoria obrigatória” só existisse no estado do Rio de Janeiro. O sistema do site do Detran não agendava a data. Depois de um tempo, passou a me mandar para cidades bem longes de São Gonçalo ou Niterói. Ou seja, se as agências mais próximas do Detran não estava conseguindo vistoriar todos os carros, eu que enchesse meu tanque com uma gasolina cara para resolver um problema que é deles.

Polícia é para proteção, não arrecadação.

Há poucos meses atrás, o projeto do deputado federal Walney Rocha (PTB-RJ) foi aprovado na Câmara. Segundo este, não precisaríamos mais de vistorias no Rio de Janeiro, único estado que ainda pratica isso. O projeto só aguarda a aprovação na Comissão de Justiça do Senado.

Confira a notícia: http://extra.globo.com/noticias/rio/projeto-de-lei-que-poe-fim-as-vistorias-de-carros-aprovado-na-camara-17233754.html#ixzz3jH4zJLii

Voltando à vida real, eis que no dia 9 de novembro, segunda-feira, às 21:30, fui parado numa blitz da Polícia Militar. Eles pediram os documentos e, de cara, lancei: “Ainda não fiz a vistoria”. O policial foi ainda mais direto: “Então, vamos rebocar!”

Sozinho no carro, numa blitz em frente ao Cemitério São Gonçalo. Ali estava eu, numa cena lastimável.

Entretanto, prestei bastante atenção ao processo. Especialmente no diálogo entre os Policiais Militares:

– Quantos já tem aqui?

– 1, 2, 3, 4, …7!

– Ih, então falta mais um aqui! Vamos fazer o seguinte: a gente pega mais 1, fecha 8. Depois vamos lá na entrada do Boaçu para pegar mais 7. Aí, a gente fecha por hoje.

– Tá bom. Vamos fazer isso.

Polícia Militar do Rio de Janeiro rebocando os carros na via pública

Imagem ilustrativa da ação da polícia no reboque de veículos.

Bem, para qualquer um que estivesse ouvindo a conversa, estava claro que havia uma cota de 15 carros a serem rebocados para o depósito por aqueles funcionários da Lei. Sim, da Lei, não da arrecadação do estado.

Acredito seriamente que a desvalorização da polícia começa em atos como esse. Ao invés de usá-la para fins de proteção e prevenção, ela é usada para tudo, inclusive como um arrecadadora de impostos. Nessa “saga”, ouvi de pelo menos 3 pessoas que os policiais estão recebendo por carro. Ou seja: não fique de malandragem tentando subornar a polícia. Está arriscado a tomar uma “voz de prisão”, saindo dali algemado.

Aliás, como já publicamos no SIM São Gonçalo, o artigo 144, § 5º, da Constituição Federal é curto e grosso: “Às policias militares cabe à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”.

Carro lacrado e levado às 22:05 de 9 de novembro de 2015. O dia seria longo na terça.

SEMTRAN: prefeitura de São Gonçalo e a sua má vontade em pessoa

Imagina um lugar quente. Pensou? Agora, adicione isso a um dia abafado, num espaço de pouco mais de 3 metros quadrados, sem nem um ventilador. Conseguiu visualizar? Agora, saiba que faltam banheiros e bebedouros no local. Sim, essa é a fórmula perfeita para que as pessoas fiquem ainda mais irritadas.

SEMTRAN – Secretaria de Trânsito de São Gonçalo na Indústria do Reboque: Transguard e a prefeitura de São Gonçalo

Adesivo da SEMTRAN (Secretaria de Trânsito de São Gonçalo, Rio de Janeiro).

A má vontade da funcionária da Secretaria Municipal de Transportes não poderia ser pior. Lá de dentro, o ar-condicionado da salinha gelada dela passava entre o espacinho do vidro. Nós, aqui fora, no calor. Mesmo assim, ela tinha dificuldade em explicar sobre o que fazer caso não tivéssemos algum documento requerido naquele momento.

O processo da SEMTRAN é muito bem feito. Ele foi desenvolvido para te enrolar ao máximo, de modo que você tenha que ir e voltar algumas vezes para conseguir uma simples guia de pagamento. Assim, eles ganham tempo para te fazer pagar mais uma estadia. E foi isso que aconteceu comigo.

Indústria do Reboque: Transguard e a prefeitura de São Gonçalo

Funcionários da TransGuard manejando o processo de liberação dos veículos.

TransGuard: desvendando o caça-níquel da prefeitura de São Gonçalo

A empresa TransGuard (CNPJ 11361353000303) e a SEMTRAN se uniram para servir o que há de pior em serviços, conseguindo algo que é uma prática comum no estado do RJ: HUMILHAR O CONTRIBUINTE. Para que não restem dúvidas, vou listar ponto a ponto para você entender como a indústria do reboque funciona, nos fazendo pagar muito mais do que está escrito.

Tabela de valores da TransGuard, cujos valores são regulados pela prefeitura de São Gonçalo.

Tabela de “estadias” e reboques da TransGuard, cujos valores são regulados pela prefeitura de São Gonçalo.O decreto pode ser encontrado nesse link: http://www.jusbrasil.com.br/diarios/76397488/dom-qsd-rj-10-09-2014-pg-1

CRONOGRAMA DOS ABSURDOS

#1 Estadias não são diárias: a cobrança pelo absurdo:

O 1º absurdo da TransGuard e SEMTRAN é a cobrança das “estadias”. Segundo a “regra” deles, você deve pagar o reboque + estadia. Entretanto, veja um exemplo: Imagine que sua moto/carro foi pego às 23:00 da noite, seja numa blitz ou rebocado na rua, e levado para o depósito. Se passar da meia-noite, já conta a 2ª estadia. Isso! Nenhum estacionamento, hotel, aluguel de nada conta dessa forma. Esse jeito “inovador” te faz pagar 2 diárias de uma vez!

Isso faz parte da indústria. Entendeu por que a polícia pega mais carro e moto à noite e no fim da tarde? Isso te “obriga” a pagar duas vezes. Sim, 2 vezes.

Primeira guia gerada pela TransGuard, cobrando o valor de duas "estadias".

Primeira guia gerada pela TransGuard, cobrando o valor de duas “estadias”.

#2 Guia de pagamento e a premeditada dificuldade de pagar

Depois da SEMTRAN me fazer de palhaço, me fazendo ir e voltar 3 vezes àquele local, finalmente consegui pegar uma guia de pagamento às 16:20. Como não podíamos pagar lá, algo impensável hoje em dia com tantos meios de pagamento, e com os bancos já fechados, a atendente disse que era possível pagar na Loteria… será?

Sem almoço, depois de idas e vindas à casa e ao cartório, para “autenticar” uma declaração dizendo que o carro era nosso, corremos para a lotérica acreditando que “daria tempo” de pegar o carro… Tudo em vão!

Após uma pequena fila, fui atendido na lotérica indicada, ali na 18 do forte, entrada do Mutuá. A atendente pegou o documento e já disse logo:

– Ih, TransGuard? Só amanhã. O limite deles para depósito é de 500,00 reais por dia. Agora, só amanhã!

Desolado, saí dali e voltei para a casa, na esperança de conseguir pagar na QUARTA-FEIRA pela manhã.

Papel da Loteria com horário que tentei fazer o pagamento

Esse comprovante foi gerado pela própria lotérica, para mostrar a hora e o motivo de ela não ter recebido o documento. Segundo outras pessoas que estavam na mesma situação, apenas os 3 primeiros atendidos na lotérica conseguiram fazer o depósito. Com um limite de 500 reais, era óbvio que isso iria acontecer.

#3 Terceirizadas e a máquina da prefeitura

Como a prefeitura não pode receber dinheiro diretamente, a não ser que seja de impostos, ela contrata essas empresas terceirizadas para arrecadar para ela. No caso, a Transguard me deu um papel que não chegavam nem a ser um boleto (como mostrado acima). Agora me diz: como uma empresa que presta serviço para a prefeitura tem um limite tão baixo para receber nas Loterias? Por que ela não recebe no crédito ou débito, se ela é uma empresa registrada?

Perguntas que só podem ser respondidas com investigação do Ministério Público.

#4 Ninguém aceita guia com data vencida

Na quarta-feira pela manhã (lembrando que o carro foi apreendido na noite de segunda-feira), lógico que o pior aconteceu. Por um erro da empresa, com seu limite pífio para pagamento nas Loterias da Caixa e não aceitação da guia por causa da data vencida, tive de ir novamente à TransGuard para gerar uma nova guia.

#5 Estadia não é diária. Passou um dia? Vamos cobrar!

Na hora de gerar a guia, a atendente da TransGuard me vem com uma guia no valor de R$245,66. OI?! Sim, eles fizeram isso. Por um erro deles, o que já era um abuso, tornou-se uma agressão a todas as lógicas e direitos. O carro mal tinha 30 horas no pátio e eles estavam cobrando por 3 estadias, uma “diária” literal. O absurdo foi formalizado.

Depois de muita revolta, confusão e argumentação, logo vimos que ou era isso ou nada. O “supervisor” até me sugeriu tentar pagar a guia do dia anterior. Mas, peraí! EU TENHO QUE TRABALHAR. Não posso ficar 80 minutos na fila da Caixa Econômica e tomar um “Não posso receber, Senhor”.

Paguei a guia mais cara, com data de vencimento do dia e na boca do caixa da Caixa Econômica Federal. Me senti nos anos 80 ou 90 novamente, provando do atraso que tanto combatemos na cidade.

Nova guia gerada pela Transguard – um absurdo da Prefeitura de São Gonçalo que colabora com essas empresas.

Nova guia gerada pela Transguard – um absurdo da Prefeitura de São Gonçalo que colabora com essas empresas.

#6 Pagamos na CAIXA e voltamos para a Transguard. Será que pegaremos o que é nosso?

Depois da extorsão legitimada pela Prefeitura de São Gonçalo e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, finalmente pegamos o carro e saimos de lá. Fiz o vídeo e já comecei a compreender que não há outro jeito: terei de recorrer à justiça para corrigir esse absurdo.

O que aprendi com tudo isso?

A lição mais importante que ficou é que “o estado é implacável” quando o assunto é tomar o seu dinheiro. Infelizmente, nós, brasileiros, somos muito pacatos e aceitamos esses desmandos como se fosse algo normal.

Mesmo com IPVA pago, tentativas de marcação de vistoria dificultadas pelo próprio DETRAN, compra de extintor que não será mais exigido, cobranças de pedágios, entre outros impostos que pagamos, mesmo com tudo isso, ainda somos tratados como se quiséssemos “não pagar” e enrolar o estado. Pelo contrário, se o estado facilitasse a vida das pessoas, com serviços que funcionassem decentemente, tenho certeza que a maioria das pessoas seriam muito mais felizes.

As “indústrias da dificuldade” estão aí. Todas famintas para que você tenha muitos problemas e, como sempre, ganhe uma bela punição do estado.

SEMTRAN e Transguard, o processo de vocês está sendo elaborado. Se o caminho é a justiça, aí vamos nós.

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Linhas intermunicipais no Rio de Janeiro: “Licitação à vista” https://simsaogoncalo.com.br/linhas-intermunicipais-no-rio-de-janeiro-licitacao-vista/ https://simsaogoncalo.com.br/linhas-intermunicipais-no-rio-de-janeiro-licitacao-vista/#comments Wed, 28 Oct 2015 13:09:35 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3312 Em 27 de outubro de 2015, das 10h às 13h, no Auditório do SESI/SENAI, ocorreu a primeira das 12 Audiências Públicas que tem como objetivo discutir e aprimorar o edital de licitação de todas as linhas intermunicipais do estado do Rio de Janeiro. Estiveram presentes o Secretário Estadual de Transportes, Carlos Osório; o Secretário Municipal de […]

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Em 27 de outubro de 2015, das 10h às 13h, no Auditório do SESI/SENAI, ocorreu a primeira das 12 Audiências Públicas que tem como objetivo discutir e aprimorar o edital de licitação de todas as linhas intermunicipais do estado do Rio de Janeiro. Estiveram presentes o Secretário Estadual de Transportes, Carlos Osório; o Secretário Municipal de Transporte, Alberto Mello; os deputados estaduais Rafael do Gordo, José Luiz Nanci e Comte Bittencourt, além dos vereadores Marlos Costa, Alexandre Gomes e Marco Rodrigues.

A audiência teve por objetivo apresentar os principais pontos técnicos do edital que irá selecionar as novas empresas de transporte que irão operar no Estado. Osório reconheceu a deficiência do atual modelo de permissão, por ser insustentável e juridicamente falho, motivos de questionamentos pelo Ministério Público. Essa será a primeira vez na história do Rio de Janeiro que esse modelo de licitação irá ocorrer para linhas intermunicipais.

A apresentação foi feita pelos técnicos da Fundação Getúlio Vargas – FGV, com auxílio do secretário. Os principais pontos do edital que será lançado ao final de todas as audiências são:

Licitação por área

O Estado do Rio foi dividido em 2 grandes áreas: a Região I (Metropolitana) e a Região II (Interior). Essas áreas foram subdividas em lotes. São Gonçalo, Itaboraí e Tanguá pertencem ao mesmo lote. Niterói e Maricá, outro lote. Cada empresa ou consórcio terá o direito de explorar cada lote com exclusividade, ou seja, no caso de São Gonçalo, o ganhador fará todas as ligações entre o município e Itaboraí, Tanguá e Rio de Janeiro (zona neutra). Já as ligações entre lotes, serão divididas entre as duas empresas, ou seja, na ligação entre São Gonçalo e Niterói, por exemplo, as duas empresas irão operar, cada uma com linha e trajeto diferente.

Renovação da frota

Foi estabelecido a idade limite de 10 anos para toda a frota que irá operar no Estado. Os novos ônibus só serão homologados para circulação caso sejam preenchidos alguns requisitos técnicos como: ar-condicionado, acessibilidade, câmeras internas e GPS. A expectativa é que ao final dos 10 anos de licitação, ou seja, em 2026, 100% da frota tenha preenchido esses requisitos.

Método de reajuste

Foi estabelecido uma tabela fixa para o reajuste anual, que poderá ser calculada por qualquer cidadão. Serão levados em conta índices como o preço do combustível, inflação, aumento salarial dos profissionais e outros. O reajuste será feito a cada 12 meses, de acordo com tais índices. A cada 4 anos, a tarifa sofrerá uma revisão para verificar se há disparidades entre os valores, nesse caso, a tarifa poderá baixar, aumentar ou manter-se, de acordo com as conclusões dos técnicos.

O edital também servirá para a futura linha de BRT que irá operar entre Niterói e Manilha, passando pela RJ-104. A empresa vencedora da área de São Gonçalo, também terá exclusividade na operação do BRT.

Prazo

O edital prevê o prazo de 20 anos, prorrogáveis por mais 20 para a exploração dos lotes. Após o prazo, um novo edital deverá ser convocado.

Quem pode participar?

Qualquer pessoa jurídica brasileira registrada com a função de empresa de transportes poderá participar. Consórcios envolvendo empresas estrangeiras também, desde que a empresa líder seja nacional. Cada empresa só poderá obter, no máximo, 3 lotes para exploração: 2 na Região I e 1 na Região II. Cada empresa também só poderá participar de 1 consórcio.

Vencedor

As empresas vencedoras serão aquelas que apresentarem maior valor de outorga, ou seja, aquelas que pagarem mais. Essa opção é diferente daquele em que o vencedor é escolhido pelo menor preço da passagem. Isso porque, o Estado pretende utilizar os valores das outorgas para financiar as obras do BRT e da linha 3 do metrô, que deverá ter seu novo projeto finalizado em novembro, ligando a Praça Araibóia – Niterói à Alcântara.

Conclusões

Como era possível prever, haverá uma grande formação de monopólio, principalmente em nosso município que já sofre com o Consórcio São Gonçalo no âmbito municipal. A partir de 2016, nosso município contará apenas com 3 empresas: o Consórcio São Gonçalo fazendo as linhas municipais; a empresa vencedora do lote São Gonçalo, fazendo a ligação entre o nosso município, Itaboraí, Tanguá e Rio de Janeiro, e a vencedora do lote Niterói, fazendo a ligação entre Niterói e São Gonçalo.

A explicação do secretário estadual é que não há a necessidade de várias empresas disputarem os mesmos locais, pois isso gera uma sobrecarga de linhas nas ruas, uma concorrência predatória, fazendo as tarifas subirem, além de uma maior dificuldade do Estado em fiscalizar o grande número de empresas. O modelo escolhido é adotado em diversas partes do mundo. A qualidade do serviço não é dado pela concorrência entre empresas, mas sim pela alta capacidade do Estado em fiscalizar os índices de qualidade do setor.

Vale destacar a presença de vários representantes da sociedade como o Sindicato dos Rodoviários, Associações de Moradores, Fórum de Mobilidade, além de outros. Devido ao local pequeno para realização da audiência, muitos foram barrados no início, mas após negociação puderam entrar e acompanhar.

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Barcas: uma luz no fim do túnel https://simsaogoncalo.com.br/barcas-uma-luz-no-fim-do-tunel/ https://simsaogoncalo.com.br/barcas-uma-luz-no-fim-do-tunel/#comments Thu, 15 Oct 2015 04:42:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3262 A maioria dos principais jornais, em suas edições de hoje, estamparam em sua capa a notícia de que a CCR Barcas deverá deixar a concessão que teria direito até 2023. A empresa argumentou que o serviço tornou-se financeiramente inviável e que, para evitar perdas ainda maiores, deixará a concessão. Segundo o Governo do Estado, a […]

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A maioria dos principais jornais, em suas edições de hoje, estamparam em sua capa a notícia de que a CCR Barcas deverá deixar a concessão que teria direito até 2023. A empresa argumentou que o serviço tornou-se financeiramente inviável e que, para evitar perdas ainda maiores, deixará a concessão. Segundo o Governo do Estado, a saída da CCR de forma unilateral é ilegal, mas que empresa e estado deverão chegar a um acordo em breve, onde nova licitação deverá ocorrer. Importante ressaltar que essa mesma empresa, já recebeu diversas multas pela Agetransp, devido ao péssimo serviço prestado à população.

Essa será uma oportunidade de ouro em que, os governos Estadual e Municipais da região, poderão reformular o plano de mobilidade urbana da região metropolitana, que a cada dia está mais caótico e insustentável. Uma nova estrutura de transporte aquaviário deve ser pensada, de maneira que todos os municípios do entorno da Baía de Guanabara sejam beneficiados, diminuindo a dependência do transporte viário.

Essa nova licitação deve prever a construção de novos terminais como aqui em São Gonçalo, além de Caxias, Magé e Ilha do Fundão, com a criação de novas linhas entre os distintos municípios, criando novas conexões e alternativas, dando à população capacidade de escolha. Essas novas linhas também devem ser licitadas de forma individual, com valores e serviços diferenciados de acordo com as especificidades de cada população e município.

Não podemos aceitar que um morador do Gradim, por exemplo, que estude na UFRJ (Ilha do Fundão), tenha de ir até Niterói, para de lá pegar outro ônibus em direção ao Rio, passando por todo o sofrimento da BR-101, Ponte Rio-Niterói e Av. Brasil engarrafadas, sendo que, da orla do seu bairro, é possível avistar os prédios onde estuda, do outro lado da Baía. Essa é apenas uma caricatura do que acontece cotidianamente com a população de nossa cidade, sempre deixado em segundo plano no tabuleiro político estadual.

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Bondes e o trilhar do desenvolvimento de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/o-que-voce-nao-sabia-sobre-os-bondes-e-o-trilhar-do-desenvolvimento-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-que-voce-nao-sabia-sobre-os-bondes-e-o-trilhar-do-desenvolvimento-de-sao-goncalo/#comments Mon, 04 May 2015 18:28:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2824 As primeiras fagulhas do progresso gonçalense Diante da recente emancipação política, em fins do século XIX, São Gonçalo engatinha e revela as transformações que a cidade transpira ao se modernizar em seu tempo. Os olhos se acostumavam à luz vinda dos postes de iluminação a gás, aos flashes das fotografias e ao escuro dos cinemas. Aos […]

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As primeiras fagulhas do progresso gonçalense

Diante da recente emancipação política, em fins do século XIX, São Gonçalo engatinha e revela as transformações que a cidade transpira ao se modernizar em seu tempo.

Os olhos se acostumavam à luz vinda dos postes de iluminação a gás, aos flashes das fotografias e ao escuro dos cinemas. Aos ouvidos cabia absorver a abundância de sotaques, as vozes anônimas dos rádios, as falas distantes dos telefones, e passar impune à polifonia que as aglomerações em trânsito produziam. O aroma dos charutos e cigarros, os perfumes das damas e o suor dos trabalhadores propunham novos desafios ao olfato.

A cidade se oferecia à visão, à audição e ao olfato numa velocidade que fazia da abundância de estímulos sensoriais a sua marca. Em contrapartida, o indivíduo se voltava para si. (O’DONNELL, 2007).

Durante o século XIX, o bonde foi um dos grandes meios de transporte que permitiram às cidades pós Revolução Industrial consolidarem a sua expansão e a sua própria estrutura, delineada a partir das novas funções das cidades com características notadamente urbanas. A disseminação desse processo, no bojo do avanço do poderio capitalista, permitiu a outros países do mundo ocidental experimentar, ainda durante o século XIX, as quimeras do progresso que no Velho Mundo já se avultavam há quase um século.

O Brasil, embora em embrionário processo de industrialização em fins do século XIX, adota o bonde e os ícones da cidade industrial, como meio de promover a sua própria modernização e inserir-se, ainda que forçosamente, já que se limitava a apropriar apenas os aspectos técnicos, nesse processo. O bonde foi implantado na imensa maioria das capitais brasileiras contribuindo, de forma irrefutável, para consolidar essa urbanização tão desejada em todo o país.

Bondes em São Gonçalo
Linhas de bondes em São Gonçalo e Niterói. A palavra inglesa Tramway significa bonde, no português.

E em São Gonçalo não havia sido diferente. Por iniciativa do visionário empresário Carlos Gianelli, muito ligado ao legislativo gonçalense, em 5 de Agosto 1899 (MORRISON, 1989), a sua companhia, Tramway Rural Fluminense, tem permissão a linha de bonde à vapor de 15 km de extensão que liga Neves a Alcântara, que forneceu o serviço local ao longo das ruas paralelas da Leopoldina Railway.

“Realizou-se hontem, conforme fora annunciada, a inauguração dos bonds a vapor de S. Gonçalo ao Alcântara. A 1 hora da tarde, em bonds especiais que partiram das Neves, seguiram os convidados e representantes da imprensa, afim de tomarem parte na solenidade da inauguração, e na mesma partida da estação de Sant’Anna um trem especial da Companhia Leopoldina conduzindo o Sr. Quintino Bocayuva e outros convidados. O trecho inaugurado achava-se ornamentado com gosto e bem assim as locomotivas. Os convidados foram recebidos no ponto terminal do Alcântara ao espoucar dos foguetes e ao som de duas excellentes bandas de musica militares. Terminada a solinidade da inauguração, regressaram os convidados ao edifício da Câmara Municipal de S. Gonçalo, onde o Sr. Carlo Gianelli, director da companhia, offereceu um profuso banquete, no qual tomaram parte grande número de convivas (…) Ao champagne foram levantados os seguintes brindes: do Sr. Carlos Gianelli à Camara Municipal de S. Gonçalo; do Sr. Nilo Peçanha, que em nome da Câmara Municipal agradece ao conhecido industrial, Sr. Carlos Gianelli (…)” (Jornal do Brasil, 2.julho. 1900, n.183)

Bondes São Gonçalo – Jornal O Malho
“Em S. Gonçalo de Nictheroy. Um ataque aos carros da Tramway Rural Fluminense.” Fonte: Jornal O Malho. Ano 1907, p.27.

É preciso ressaltar a visão de Carlos Gianelli. (Industrial, agricultor e empresário). Nascido em 1855 e desde 1881, logo que aqui chegou, vindo do Uruguai, a sua pátria, dedicou-se ao preparo do trigo importado do estrangeiro com sua empresa Moinho Fluminense (1887), empregara todos os seus esforços no sentido de desenvolver a indústria, chegando a ser um dos seus mais importantes representantes.

Dedicou-se também a agricultura, indo empregar os seus inexcedíveis esforços e atividades na Fazenda Guaxindiba, em São Gonçalo. Também exerceu cargo de cônsul e o de secretário da legação do seu país, sendo elevado ao cargo de secretário honorário da legação Oriental. O Sr. Carlos Gianelli, tendo conseguido privilégio para uma linha de bondes à vapor em São Gonçalo, funda a companhia Tramway Rural Fluminense em 1899. Faleceu em 13 de março de 1908, com 53 anos de idade, e foi enterrado no cemitério São João Batista n. 2779, em Botafogo.

Os bondes, juntamente com os seus fundadores, foram os promotores do desenvolvimento da cidade gonçalis na primeira metade do século XX, pela facilidade de transporte que ofereciam. Tão notável progresso, em relação ao transporte de passageiros e cargas, entre os mais importantes centros populosos – Neves – São Gonçalo – Alcântara. A concessão dada a esses beneméritos cooperadores do desenvolvimento de São Gonçalo deve figurar entre as mais valorozas conquistas do progresso que estavam por vir.

Originalmente publicado no blog do Tafulhar.

Fontes e referências:

A foto de abertura tem origem da página do Facebook “São Gonçalo Antigo”, e tem como autores os fotógrafos Allen Morrison, Augusto Malta, Wanderley Duck, Carlheinz Hahmann, Willian Janssen, Raymond DeGroote e J.R. William e Earl Clark, trabalhando para o IBGE.
OSTA, Madsleine Leandro da, FERREIRA, Angela Lucia de Araújo. Mudanças Tecnológicas e Transformação Urbana: do Bonde ao Ônibus. Departamento de Arquitetura – UFRN, s.d.
FERNANDES, Marcelo Belarmino.São Gonçalo operário: cenários e personagens das lutas sociais no Município de São Gonçalo no segundo pós-guerra, 1945-1951. UERJ-FFP, São Gonçalo, 2009.
MACHADO, Fábio Nunes. A atuação do poder público na construção do espaço urbano gonçalense, entre os anos de 1920 – 1950. UERJ-FFP, São Gonçalo, 2002.
MORRISON, Allen. The Tramways of Brazil, A 130 – Years Survey, New York: Bonde Press, 1989. ISBN 0-9622348-1-8O’DONNELL, Julia Galli. Para andar nos trilhos. 12 set. 2007. Em : http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/para-andar-nos-trilhos.

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Governo Mulim se ampara nas vans ilegais https://simsaogoncalo.com.br/governo-mulim-se-ampara-nas-vans-ilegais/ https://simsaogoncalo.com.br/governo-mulim-se-ampara-nas-vans-ilegais/#respond Thu, 16 Apr 2015 15:15:05 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2775 Um governo inútil é capaz de atos infames para se manter no poder. Em São Gonçalo, querendo encobrir sua invalidez, o prefeito Mulim permite a circulação ilegal das vans, onde a passagem é mais barata, ignorando a proibição da Justiça e acumulando multas que ultrapassam R$ 600 mil. A passagem cobrada nas vans custa R$ 2,10, um real a menos […]

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Um governo inútil é capaz de atos infames para se manter no poder. Em São Gonçalo, querendo encobrir sua invalidez, o prefeito Mulim permite a circulação ilegal das vans, onde a passagem é mais barata, ignorando a proibição da Justiça e acumulando multas que ultrapassam R$ 600 mil.

A passagem cobrada nas vans custa R$ 2,10, um real a menos que a passagem dos ônibus municipais. Decepcionado com um governo que nada criou em benefício do povo, esta diferença sustenta o último fio de paciência do cidadão que vive com menos de um salário mínimo por mês. Por isso, o maior favorecido pela operação do perigoso transporte alternativo é o atual governo, tão marcado pela incompetência quanto o governo anterior.

Mulim não cumpriu nenhuma das promessas de campanha, sequer discutiu seu plano de governo com a sociedade e percebeu que corria sérios riscos de cair em desgraça na opinião popular. Assim, como se São Gonçalo fosse uma cidade sem lei, pisou no acordo com o consórcio das empresas de ônibus e deu a si mesmo o falso título de bom administrador que reduziu o valor da passagem. Ele almeja ser o herói que derrotou o poderoso cartel dos transportes, inimigo que não aceitou a redução da passagem para R$ 1,50, principal promessa não cumprida.

Se não for preso, Neilton continuará tratando São Gonçalo como cidade rebelde, destacada do estado do Rio de Janeiro, rindo da inocência da Justiça que insiste em apenas multá-lo. A população precisa de transporte barato mas digno, não esta modalidade sofrível, que arrisca a vida dos passageiros ao circular superlotada e de maneira imprudente.

Morar em São Gonçalo é uma aventura arriscada: quem não olha para baixo enquanto caminha, cai em um buraco; quem atravessa a rua distraidamente, corre grande perigo, mesmo utilizando a faixa de pedestres. No entanto, a maior ameaça que sofremos vem do governo municipal, que se ampara na ilegalidade para administrar a cidade que vivemos.

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Transporte em São Gonçalo e o segredo do dinheiro infinito https://simsaogoncalo.com.br/transporte-sao-goncalo-segredo-dinheiro-infinito/ https://simsaogoncalo.com.br/transporte-sao-goncalo-segredo-dinheiro-infinito/#comments Thu, 26 Mar 2015 22:18:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2709 O 2º maior fluxo de pessoas entre cidades no Brasil fica aqui. Circulam entre São Gonçalo e Niterói cerca de 120.300 pessoas toda semana. Seja para estudar, trabalhar ou ambos, nosso movimento pendular é o vice-campeão brasileiro, de acordo com o último Censo de 2010, feito pelo IBGE (confira o estudo aqui). Nesses últimos 5 anos, muita coisa mudou. Após a criação do Comperj, é bem […]

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O 2º maior fluxo de pessoas entre cidades no Brasil fica aqui. Circulam entre São Gonçalo e Niterói cerca de 120.300 pessoas toda semana. Seja para estudar, trabalhar ou ambos, nosso movimento pendular é o vice-campeão brasileiro, de acordo com o último Censo de 2010, feito pelo IBGE (confira o estudo aqui).

Nesses últimos 5 anos, muita coisa mudou. Após a criação do Comperj, é bem provável que os números tenham crescido ainda mais. Essa situação dá a São Gonçalo e Niterói a posição de uma das regiões mais lucrativas para o mercado de transportes, seja ele público ou particular. Quando o assunto é vender carros, gasolina ou passagens, podemos dizer que o dinheiro infinito existe e mora aqui. Afinal, a mobilidade urbana é uma das questões mais urgentes do país.

Deslocamentos entre cidades no estado do Rio

Repetir que o Rio tem a segunda maior zona metropolitana do país é mais que redundante. Porém, ver que o trecho Niterói – São Gonçalo é um dos mais quentes me causou surpresa. Não pelo número de habitantes, mas pelas vias que temos. Nossos 3 principais “corredores de escoamento” desaguam no mesmo lugar. Alameda, Benjamin Constant e BR-101 (Avenida do Contorno) caem no mesmo ponto, causando os intermináveis engarrafamentos que conhecemos. As obras na Contorno vão ampliar o fluxo de quem sai de Niterói, mas, e quem chega de manhã? Lamento, mas parece que o gargalo continuará o mesmo.

Perceba que os deslocamentos entre o Rio e Duque de Caxias, por pouco, não empatam com São Gonçalo. Porém, se existe um lado bom para eles, talvez seja o fato da Supervia constituir mais uma opção de transporte para os caxienses. O serviço está distante de ser um dos melhores, mas evidencia que os gonçalenses são disparados os maiores reféns das empresas de ônibus no estado, proporcionalmente falando.

Note que falei “proporcionalmente”. Se lembrarmos que o Rio ainda tem barcas, metrôs e trens em circulação, talvez sejamos os maiores reféns até mesmo numericamente. E isso nos dá um título nobre no estado: somos a máquina de dinheiro infinito mais lucrativa para as empresas de ônibus.

Deslocamentos entre cidades no estado do Rio - São Gonçalo e Niterói

Chegar à essa conclusão olhando os dados de um órgão governamental, deixa ainda mais evidente que a má vontade política aliada à máfia dos transportes é o maior entrave na implantação das barcas e metrô. Pensando pragmaticamente, olhando o mercado, a rentabilidade dessas concessões só tenderia a crescer pois, como não é difícil prever, uma vez que população começa a usar estes modais na mobilidade entre as cidades, a tendência é aumentar a frequência com o uso.

A verdade é que quem deteve o segredo do dinheiro infinito durante tantos anos vai fazer de tudo para não perder a máquina. Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos. “Linha 3? No, no, no!”

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A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/ https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/#comments Mon, 16 Mar 2015 00:27:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2557 Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se […]

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Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer

É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se eu fosse um advogado diria que no mínimo um crime culposo, sem intenção de carcar) nesse espetacular registro de Manoel Fonseca no ano de 1956.

Bloco “Inocentes Canibais” Niterói
Manuel Fonseca – Bloco “Inocentes Canibais” diante do busto de Araribóia, na praça Araribóia, Carnaval de 1956. Coleção da Fundação de Arte de Niterói.

Aí, você fica pensando: “Assim é mole! Pular o carnaval em 1956 era muito mais fácil. A vida era muito melhor, não tínhamos tantos problemas como os de hoje. Saúde, educação e transporte eram mil maravilhas! Principalmente o transporte, pois tínhamos algo de qualidade, com preços justos.” Peraí! Não era bem assim! O nosso amigo de bronze da foto sabe muito bem que há muito tempo nossos transportes são péssimos. Especialmente o hidroviário, no qual foi testemunha de que “o bicho pegou” ali pertinho dele. Talvez seja um trauma causado por esse acontecimento que o fez morar na frente da igreja São Lourenço dos Índios, estando lá até hoje, rezando para que nossos governantes nos tratem com mais respeito.

Nosso amigo da foto se estabeleceu mesmo na Praça Araribóia, em 1914, após um movimento popular no ano anterior chamado “Comissão Glorificadora a Araribóia”, liderado por um tal de Araribóia Cardoso, que se dizia descendente do fundador de Niterói. Se o cara era ou não parente direto do famoso índio, nunca vamos saber. Mas aquele cara de barba espessa, casaco longo e cocar na cabeça surgiu com tudo no cenário político niteroiense. A partir daí, nosso amigo vivenciou as alegrias e as tristezas das pessoas que pegavam as barcas todos os dias para trabalhar. Até brincar o carnaval, o nosso amigo brincou. Essa foto não me deixa mentir.

Barcas à vapor, sec XIX (1835)
Barcas à vapor, sec XIX (1835)

O início do transporte aquaviário no Rio de Janeiro

Em 1835, as barcas a vapor circulavam realizando o trajeto Rio – Niterói. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora, com a capacidade de 250 passageiros de seis da manha às seis da tarde. A SNN manteve-se soberana até meados do século XIX, quando a Companhia Inhomirim entrou no circuito, obtendo permissão para manter uma linha de transporte regular entre a Capital do Império e Niterói. Mas, como diz o ditado popular: “Onde Come Um Come Dois”. Assim, as duas companhias entram num acordo para contornar a disputa pela concorrência, fundando a Companhia Niterói – Inhomirim. Esse filme nós vemos até hoje. Ele se chama monopólio. E assim, a companhia passa a explorar não só o trajeto Rio – Niterói, mas todos os principais portos do fundo da baía. A mais lucrativa foi quando estabeleceu uma carreira para o bairro de Botafogo, que na época, era o lugar de residências de famílias mais ricas. Botafogo passou a ser também o lugar mais procurado para os banhos de mar. Em 1858, a Niterói – Inhomirim já tinha 9 barcas fazendo o trajeto Rio – Niterói.

Mas em 1858, um empresário chamado Cliton Von Tuyl ganhou outra concessão para operacionalização do transporte aquaviário na Guanabara, a mesma carreira que Niterói- Inhomirim. Cliton não perde tempo e vende sua empresa aos empresários americanos Thomas Ragney e W. F. Jones, que estabeleceu as barcas a vapor do sistema Ferry. O capital internacional fez com que as barcas do sistema Ferry passassem por cima da concorrência, fazendo o mesmo trajeto em menos tempo, com mais velocidade e conforto. Isso foi fatal para sobrevivência da Companhia Niterói-Inhomirim, que em 1865 suspendeu seus serviços.

Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862
Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862

O velho monopólio do transporte

O céu era o limite para Companhia Ferry. Com o monopólio, o aumento dos preços do serviço ampliou a sua lucratividade a ponto de, em 1889, incorporar a Empresa de Obras Públicas do Brasil ao seu controle, dirigira por Manuel Buarque de Macedo e que já prestava serviços públicos em Niterói e São Gonçalo. Assim surgiu a Companhia Cantareira & Viação Fluminense.

A Companhia Cantareira foi só expansão até o ano de 1908, quando sofreu uma nova reestruturação e passou a ser financiada diretamente pela Leopoldina Railway, que monopolizaria não só o transporte de passageiros na Baia de Guanabara, como a provisão de infraestrutura física na chamada Orla Oriental da Baía.

Entretanto, a companhia não contava com o crescimento de passageiros. A partir do crescimento das duas cidades, tanto Niterói ,que segundo o recenseamento de 1920 contava com 86.238 habitantes, quanto São Gonçalo, que crescia meteoricamente com 47.019 habitantes segundo a mesma fonte, utilizavam o serviço. O reflexo disso não poderia ser outro, senão o descontentamento dos usuários do transporte. Em dezembro de 1925, foi registrado a primeira das diversas ondas de conflitos da história do transporte aquaviário no Rio de Janeiro. Insatisfeita com o aumento das tarifas das barcas Rio – Niterói, a população inicia uma série de depredações às estações “Niterói” e “Gragoatá”. Em 1928, devido ao mau funcionamento e atraso de várias barcas, ocorre outro episódio de indignação popular, quando várias barcas da estação Cantareira são quebradas.

Lembrando que o nosso amigo de bronze, o índio, já fazia guarita ali na praça Araribóia, observando tudo, sem mover uma palha, sem reação. Mas também, o que ele poderia fazer? Era apenas um busto. Ele até tentou o diálogo com os manifestantes, mas no calor do momento, ninguém lhe deu a menor pelota.

Livro Revolta das Barcas - Editora Garamond
Livro “A Revolta das Barcas”, de Edson Nunes. Editora Garamond. Sobre: Este livro descreve minuciosamente os acontecimentos da pequena revolução popular chamada Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói, em 1959, da qual resultaram seis mortos e 118 feridos, depredação de imóveis, uma intervenção militar na cidade e, finalmente, a estatização do serviço de lanchas que faz a travessia para o Rio de Janeiro. Um resgate oportuno numa época em que os serviços públicos estão sendo, em sua maioria, privatizados. Mais do que a simples crônica, traz informação detalhada, análise dos fatos e reflexão sobre a dinâmica político-social da época por um cientista social cujo texto, direto embora refinado, atende tanto às necessidades acadêmicas de pesquisadores quanto à curiosidade do leitor interessado na nossa história contemporânea. (Descrição da editora)

Literalmente, botando pra quebrar

Essas manifestações foram pintos perto do que o nosso amigo passou 30 anos depois. Essa sim deixou seus cabelos metálicos em pé. Pela proporção da revolta, pensou até que fosse seu fim. Mas o amigo manteve a calma, fechou os olhos e rezou para Nossa Senhora dos Índios até tudo se acalmar. Foi a chamada “Revolta das Barcas”.

A concessão era da Frota Barreto S.A, que já possuía barcas que faziam o trajeto em 20 minutos. Porém, os problemas eram os mesmos de 30 anos antes. As filas de passageiros eram cada vez maiores, os atrasos nos horários das barcas frequentes e a insatisfação dos funcionários constante. Sendo assim, no dia 18 de fevereiro de 1969, o dono da Companhia de Navegação Frota Barreto ameaçou paralisar as barcas, caso não houvesse o aumento da tarifa ou um maior subsídio do estado. Como o governo não estava nem aí para as reivindicações da empresa, em 6 de março do mesmo ano, o Grupo retirou algumas barcas de circulação, com o objetivo de pressionar o governo. Para complicar, cinco sindicatos de trabalhadores do transporte aquaviário ameaçavam entrar em greve, pois a Companhia não pagou os salários de março, alegando não ter verba. O ponto crítico se deu em 22 de maio de 1959, quando o tráfego da baía foi paralisado devido à greve dos marítimos, já que o grupo se recusou a pagar o aumento salarial decretado pelo governo.

Estação das barcas, Frota Barreto S.A., Centro, Niterói.
Estação das barcas, Companhia de Navegação Frota Barreto S.A., Centro de Niterói – RJ

Imaginem vocês como deve ter sido o sofrimento dos passageiros que esperavam as barcas para ir ao trabalho ou, até mesmo, voltar para sua casa. Se pensarmos que na época aquele era o único meio de transporte entre as duas cidades, o problema fica infinitamente maior. Hoje simplesmente pegaríamos o 100 e saltaríamos no terminal. Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói, que foi inaugurada apenas em 1974.

Com a greve, as estações das barcas amanheceram ocupadas por policiais e fuzileiros navais. Essa proteção foi insuficiente. Com mais de 3 mil pessoas, a multidão se revolta e ultrapassa a linha de fogo dos fuzileiros, que atiraram na multidão com suas metralhadoras. Mesmo assim, as estações das barcas de Niterói são invadidas, apedrejadas e ateadas fogo, destruindo toda a sua estrutura.

E o busto do Araribóia?

Bom, muita coisa se passou e nosso amigo de bronze já não mora mais ali, na Praça Araribóia. Ele se mudou para Igreja São Lourenço dos Índios, na comemoração do IV centenário de fundação da cidade. Em 1973, o busto do Araribóia foi substituído por um maior, com cara de brabo e braços cruzados, como se tivesse pronto para proteger a cidade… ou seria a estação? Sei lá, importante disso tudo é que hoje a concessão para do transporte hidroviário está nas mãos de outra empresa, CCR Barcas. E nós, usuários, continuamos brigando pelos mesmos motivos que levaram à revolta em 1959.

Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios
Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios.

Quer saber de uma coisa? Esqueça tudo, coloque sua fantasia e vá pular o carnaval. Já passamos por mais de 55 carnavais e não mudamos nada. E o próximo será mais um que passaremos como o índio da Praça Araribóia: DE BRAÇOS CRUZADOS.

Nota do Editor: A Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói no ano de 1959, deixou um saldo de 6 mortos, 118 feridos, depredação de imóveis e intervenção militar na cidade. Porém, o governo foi obrigado a estatizar o serviço de lanchas que faz a travessia Niterói – Rio de Janeiro.

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São Gonçalo: o 1º lugar na lista de roubo nos ônibus https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-lista-roubo-onibus/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-lista-roubo-onibus/#comments Wed, 23 Jul 2014 17:14:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2214 “Tempo é dinheiro!” Você já deve ter ouvido essa frase algumas milhares de vezes na sua vida. Mas se não acreditava, agora vai mais um número: cerca de 9,3 bilhões de reais são perdidos todos os anos no transporte público do Rio de Janeiro. E quem é o vilão disso? Sim, é o TRÂNSITO. É ele quem mais te […]

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“Tempo é dinheiro!” Você já deve ter ouvido essa frase algumas milhares de vezes na sua vida. Mas se não acreditava, agora vai mais um número: cerca de 9,3 bilhões de reais são perdidos todos os anos no transporte público do Rio de Janeiro. E quem é o vilão disso?

Sim, é o TRÂNSITO. É ele quem mais te rouba o tempo.

A matéria de 21 de julho de 2014, no jornal O DIA, deu luz à pesquisa feita pelo Instituto de Economia da UFRJ. Esse levantamento mostra a quantidade de dinheiro que perdemos dentro do transporte na região metropolitana do Rio. Ou seja, onde nós moramos!

Porém, para nossa “surpresa”, adivinha quem ficou em primeiro lugar? SIM, nossa querida SÃO GONÇALO, a campeã do “tempo roubado”, com uma média de 7,2% do PIB, que é a soma financeira do que é produzido na região.

Dinheiro desperdiçado no transporte - Jornal O Dia.
Dinheiro desperdiçado no transporte – Jornal O Dia.

Quando falo de ônibus, não estou generalizando. Diferente do Rio e Baixada, que possuem metrô e trens, e de Niterói, que conta com as barcas para o Centro e Charitas, São Gonçalo é completamente dependente de seus ônibus. As promessas do metrô linha 3 e das barcas já viraram uma piada interna, contada de pai para filho, de avô para neto. Em 2014, mais uma vez, as mesmas promessas estão sendo feitas. Aliás, são as mesmas estorinhas já contadas pelos Garotinhos (1999-2006) e por Sérgio Cabral (2007-2014).

Assim como você, também já passei bastante por esse problema crônico do trânsito. Porém, ao longo do tempo, desenvolvi uma técnica de “educação complementar”: estude dentro do transporte. Sei que precisamos resolver os problemas de infraestrutura, expandir a rede metroviária, aquaviária e descentralizar as cidades. Mas enquanto isso não vem, tente. É sério!

Ah, já sei, você vai dizer que não consegue ler no ônibus.

Mas, já tentou audiobooks? Ouvir os livros pode ser interessante e produtivo! Sem falar em podcasts, vídeos, tudo no melhor estilo EAD (Educação à Distância). Essa é a minha solução paliativa. Ponha em prática, melhore sua qualificação e tente depender menos desses deslocamentos para trabalhar.

Não deixe que roubem seu tempo ainda mais! Sua vida agradece.

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