Meio Ambiente Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/category/meio-ambiente/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Tue, 06 Feb 2024 02:32:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Meio Ambiente Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/category/meio-ambiente/ 32 32 147981209 Lixo em São Gonçalo: um assunto mal resolvido há décadas https://simsaogoncalo.com.br/lixo-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/lixo-em-sao-goncalo/#comments Tue, 25 Aug 2020 04:57:02 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7998 O lixo em São Gonçalo é um assunto que parece esquecido. Nos acostumamos a desviar dos pequenos lixões de cada esquina. Acostumamos, também, com o vizinho que põe fogo nos resíduos, com aquele outro que joga entulho na rua… e assim vamos levando a vida. A sujeira nas ruas ajuda a aumentar a percepção de […]

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O lixo em São Gonçalo é um assunto que parece esquecido. Nos acostumamos a desviar dos pequenos lixões de cada esquina. Acostumamos, também, com o vizinho que põe fogo nos resíduos, com aquele outro que joga entulho na rua… e assim vamos levando a vida.

A sujeira nas ruas ajuda a aumentar a percepção de “terra de ninguém”. É como se a ordem não chegasse até ali. E numa cidade populosa, quando a fiscalização não existe, é como se a segurança também não. Embalados nesse sentimento é que o tráfico entra e a milícia se assenta. Quanto mais desordem, mais poder paralelo.

Lixo na pracinha em Neves
Lixo na pracinha em Neves, São Gonçalo

Organizar o sistema de descarte de lixo em São Gonçalo é possível

Cestinhas e caçambas de lixo são soluções muito conhecidas, que até ajudam a organizar os resíduos que descartamos todos os dias. Mas elas já não suportam o tamanho da população. Para a minha surpresa, vi essa dupla de cestinhas implementadas, em Neves, pela Marquise Ambiental, empresa que faz o serviço em São Gonçalo há alguns anos.

Cestinhas da Marquise em Neves, São Gonçalo
Cestinhas da Marquise em Neves.

Apesar de ainda não ter visto cestinhas similares, descobri, através do projeto “Coletaí” que há outros pontos na cidade com elas instaladas, como na estrada do Bichinho, no Pacheco. Mas o drama não acaba aí. Segundo eles, as lixeiras são paliativos frágeis, pois quando estão muito cheias e o caminhão não consegue acessá-las (por conta de chuva, lama), a única opção encontrada pelas pessoas é queimar os resíduos.

O Coletaí também contou que as lixeiras sem tampa acabam piorando o problema. Afinal, o lixo acaba ficando exposto e sendo mexido por animais, como porcos, cachorros, cavalos, que espalham os resíduos pelas ruas.

Soluções passam por bons projetos e novas licitações

A questão é que pagamos por um contrato por coleta de lixo e…. só. Só temos esse serviço aqui. E numa cidade gigante e territorialmente espalhada como a nossa, não ter pontos de depósito organizados, nem coleta seletiva, é um absurdo.

Ecopontos instalados em Portugal
Exemplo de Ecopontos instalados em Portugal. Segundo site, o país de 11milhões de habitantes instalou cerca de 43 mil ecopontos em todo o país. Fonte.

No site da própria Marquise, há exemplos de ECOPONTOS, em cidades como Fortaleza, onde a empresa também atua. Estes são lugares nas ruas designados ao lixo, que fica lá até catadores ou caminhões coletores passarem para recolher os resíduos.

Hoje, simplesmente, deixamos o lixo a céu aberto, sem nenhuma separação e completamente abandonado, sujeito a que ele seja ainda mais espalhado pelas ruas até que a coleta aconteça.

Cestinha da Marquise Ambiental em Neves, São Gonçalo
Cestinha da Marquise Ambiental em Neves, vistas da rua principal.

Precisamos urgentemente de uma solução eficaz para acabar com a ‘lixarada’ nas ruas. Ações práticas, pra ontem.

Mais que cobrar, precisamos propor algo factível, como a multiplicação de ecopontos e um sistema que envolva a populacão, por exemplo. Muita coisa já acontece em outras cidades. É questão de querer.

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Uma mascará no chão e nenhuma ave voando https://simsaogoncalo.com.br/mascara-no-chao-ave-voando/ https://simsaogoncalo.com.br/mascara-no-chao-ave-voando/#respond Tue, 07 Jul 2020 16:11:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=8109 Por que alguém ainda joga lixo no chão? Mesmo onde há lixeiras no entorno, facilmente encontramos lixo no chão em São Gonçalo. Esse tipo de comportamento também faz parte da cultura de uma cidade. Todos nós podemos mudar essa cultura, mesmo que aos poucos. Como? Dando o exemplo. Não encontrou nenhuma lixeira por perto? Então […]

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Por que alguém ainda joga lixo no chão? Mesmo onde há lixeiras no entorno, facilmente encontramos lixo no chão em São Gonçalo. Esse tipo de comportamento também faz parte da cultura de uma cidade. Todos nós podemos mudar essa cultura, mesmo que aos poucos. Como? Dando o exemplo. Não encontrou nenhuma lixeira por perto? Então esse resíduo ainda é seu. Guarde com você até encontrar uma lixeira. Com o desastre da COVID-19, mais um resíduo surgiu em nossas rotinas: as máscaras. A primeira foto foi tirada no centro da cidade, mais precisamente ali na frente da câmara dos vereadores. Como é sabido, na região há calçamentos, lixeiras e o que? Lixo no chão. Incrível!
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Além de ser mais um lixo entupindo nossos bueiros, as máscaras quando má destinadas, geram o risco de proliferação do coronavírus pela cidade. E as aves que sobrevooam nossa cidade também podem estar ameaçadas. Se os elásticos não forem cortados, eles podem impedir que as aves cacem e se alimentem, o que as põem em risco de vida, infelizmente. Além das garças, visitantes assíduas da região litorânea da cidade, outras aves podem ser impactadas. Só na APA de Guapi-Mirim, região mais protegida da Baía de Guanabara, já foram registras mais 170 espécies de aves residentes, visitantes e que eventualmente visitam a região para reprodução. Nessa região, há diversos manguezais que servem como berçários para diversas espécies que há anos lutam para sobreviver na poluída Baía de Guanabara. Não precisamos piorar a estatística.
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Para que possamos ajudar a mudança de cultura na cidade em relação ao lixo, vão aí simples dicas em relação às máscaras:

Dê preferência ao uso de máscaras de pano. Assim diminuímos a geração de resíduos, economizamos uma graninha e ainda apoiamos costureiras e costureiros locais.
Se precisar usar máscaras descartáveis, não deixe de cortar os elásticos antes de descartá-las em local apropriado.
Se não encontrar uma lixeira por perto, armazene sua máscara em local seguro, com os elásticos cortados, e a descarte assim que encontrar uma lixeira.
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Compartilhe essa mensagem com seus amigos e familiares para que possamos aos poucos contribuir para uma mudança de cultura por uma São Gonçalo mais limpa.

Fontes:
Foto 1: Máscara no chão na Rua Euzelina, centro de São Gonçalo (Matheus Graciano)
Foto 2 e 3: Registro de falcão peregrino tentando remover uma máscara de suas garras em Yorkshire, Reino Unido (Steve Shipley via BBC)
Foto 4 e 5: Tiras elásticas cada vez mais apertadas nas patas de uma gaivota presa por uma semana em Chelmsford, Essex, Reino Unido. (RSPCA via BBC)
Foto 6: Uma gaivota carrega uma máscara protetora no porto de Dover, na Grã-Bretanha (Peter Nicholls, via REUTERS)
Foto 7: Garça-moura (Ardea cocoi), APA de Guapi-Mirim (Daniel Mello via Irmãos Mello Birding Trips)
Foto 8: Garça-branca-pequena (Egretta thula), APA de Guapi-Mirim (Daniel Mello via Irmãos Mello Birding Trips).
Foto 9: Atobá-pardo (Sula leocogaster), APA de Guapi-Mirim (Irmãos Mello Birding Trips)
Foto 10: Garça-azul (Egretta cerulea), APA de Guapi-Mirim (Irmãos Mello Birding Trips)

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Alagamentos também são fruto do crime que cometemos contra os rios https://simsaogoncalo.com.br/alagamentos-crime-contra-rios/ https://simsaogoncalo.com.br/alagamentos-crime-contra-rios/#comments Wed, 05 Feb 2020 03:04:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7634 O Partage Shopping São Gonçalo alagou numa chuva de verão de janeiro. Rapidamente, as fotos foram parar nas redes sociais. Mas o que talvez você não saiba, é como o crime ambiental que ocorre ali pertinho contribui com essa calamidade. Você conhece o canal que fica próximo ao Shopping, mais precisamente, na Travessa Preciosa, no […]

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O Partage Shopping São Gonçalo alagou numa chuva de verão de janeiro. Rapidamente, as fotos foram parar nas redes sociais. Mas o que talvez você não saiba, é como o crime ambiental que ocorre ali pertinho contribui com essa calamidade.

Subsolo do Shopping Partage, no Centro de São Gonçalo, alagado após um dia de forte chuva.

Você conhece o canal que fica próximo ao Shopping, mais precisamente, na Travessa Preciosa, no Centro de São Gonçalo? Pois bem. Essas imagens retratam como as pessoas tratam o rio, transformando-o num valão.

Esse canal recebe esgoto in natura, ou seja, sem tratamento algum, de boa parte das ligações clandestinas do Centro de São Gonçalo. E num momento de ⛈ chuva torrencial, como são essas que nos assolam nos meses de janeiro a abril, os alagamentos chegam a níveis surreais. Como aconteceu nesse dia e, infelizmente, acontecerá mais.

Canos descarregam esgoto in natura no canal da Rua Preciosa, Centro de São Gonçalo.

As atividades climáticas estão mais tensas. Por outro lado, a nossa consciência e educação ambiental deixam muito a desejar. Na foto, enquanto as #crianças do Jardim de Infância pedem para que cuidem do rio, os adultos lançam esgoto e lixo diretamente nas águas, sem culpa. Um descompasso de consciência que os pequenos, infelizmente, sentirão ainda mais nos anos que virão.

Canal que cruza a Travessa Preciosa no Centro de São Gonçalo

Cobramos muito daqueles que estão com as mãos nos controles da administração pública. Ainda sim, também precisamos cobrar às pessoas comuns, como nós, que no dia a dia contribuem para que o rio fique do jeito que se encontra hoje. É preciso encontrar maneiras eficazes para educar os adultos que ainda não compreenderam a gravidade do fato.

Um alagamento como este que aconteceu é ruim para todos. Impacta os negócios locais, as residências, desvaloriza imóveis, paralisa o trânsito, e por aí vai. Os efeitos daqueles saquinhos de lixo lançados no rio, quando se trata de uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, pode ser bem maior que imaginávamos.

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Por que a Amazônia é importante para São Gonçalo? https://simsaogoncalo.com.br/amazonica-importante-para-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/amazonica-importante-para-sao-goncalo/#respond Fri, 23 Aug 2019 15:16:00 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5141 Este post está guardado há alguns anos. O primeiro pensamento veio ainda no início do 2º governo Dilma Rousseff, em 2015, quando a região metropolitana de São Paulo, a maior do Brasil, estava com seus reservatórios de água quase esgotados. Se a chuva não viesse em meses, talvez tivéssemos uma das maiores catástrofes brasileiras. Curiosamente, […]

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Este post está guardado há alguns anos. O primeiro pensamento veio ainda no início do 2º governo Dilma Rousseff, em 2015, quando a região metropolitana de São Paulo, a maior do Brasil, estava com seus reservatórios de água quase esgotados. Se a chuva não viesse em meses, talvez tivéssemos uma das maiores catástrofes brasileiras. Curiosamente, foi também um período crescimento do desmatamento nos últimos tempos. Aliás, migração por falta de água não é novidade no mundo. O que é novo é ter tanta gente adensada em pequenas regiões, como nós, no RJ. E nesse fluxo, comecei a me perguntar: e se o regime de chuvas alterasse a vida na 2ª maior região metropolitana? Como seria esse caos?

Falar sobre a região amazônica é algo muito distante para todos nós do sudeste. Com tantos problemas urbanos, esquecemos que vivemos num sistema, não numa ilha isolada fora do planeta.

O regime de chuvas do sudeste depende da Amazônia

Antes de tudo, é bem importante ver esse vídeo. Ele dá a explicação sobre como funciona o regime de chuvas, decorrente da circulação das partículas de água chamadas de “Rios Voadores”. Explicando grosseiramente, é o processo de captação de água pela vegetação nos lençóis freáticos que, depois de evaporada, é trazida pela atmosfera para o sul, irrigando o quadrilátero entre os Andes, Buenos Aires, Cuiabá e São Paulo. Nessa região, estima-se que são produzidos 70% do PIB da América do Sul.

Novamente, você deve estar se perguntando: por que nós, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, temos que nos preocupar? E a resposta é que se a mata amazônica for arrasada, o sistema do clima regional vai pro buraco.

Os produtos que chegam até às nossas feiras e prateleiras dos mercados são produzidos também em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo. Sem falar que boa parte da energia elétrica que nos abastece vem de Itaipu Binacional. E se o Rio Paraná tiver uma escassez, teremos bons problemas a resolver.

E o abastecimento de água no Leste Fluminense?

Fora as relações econômicas com as outras partes da região sudeste, há um outro ponto importante: você já se perguntou de onde vem a água que nos abastece? Como São Gonçalo, Niterói e Itaboraí têm um abastecimento de água com certa regularidade sem represamento de água?

Estação de Tratamento de Água do Laranjal
Estação de Tratamento de Água do Laranjal – São Gonçalo.

O fato é que dependemos das chuvas. Especialmente as que caem na região de Cachoeiras de Macacu. Mesmo estando próximos ao litoral, é preciso avaliar qual o impacto que um regime de chuvas alterado no Brasil teria em nossa região. Aliás, se algum profissional ou professor de geografia, meteorologia, entre outras ciências relacionadas estiver lendo isso e tenha algum estudo sobre essa relação, fique à vontade para enviar.

Mesmo com nossas enchentes frequentes, não temos sequer um sistema de captação das águas pluviais para aproveitá-las, como acontece em Cingapura, por exemplo. Sem falar na inexistência de um represamento ou algo similar que sirva para armazenar a água para o abastecimento dessas quase 2 milhões de pessoas no Leste Fluminense. Mais um motivo para pressionarmos os mecanismos que podem agilizar as obras de saneamento básico por aqui.

Independente da sua idade, imagine-se idoso em meio à uma crise hídrica. Infelizmente, se não começarmos a pensar em soluções de preservação do meio ambiente e saneamento básico, o abastecimento no Leste Fluminense estará comprometido. E, infelizmente, é possível que vejamos uma catástrofe humanitária por conta de uma grave falta d’água.

Pensemos nisso! O alarmismo só dura até acontecer. Depois que acontece vira desespero.

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Praia das Pedrinhas desafia a população e resiste ao despejo de lixo https://simsaogoncalo.com.br/praia-das-pedrinhas-sg-resiste/ https://simsaogoncalo.com.br/praia-das-pedrinhas-sg-resiste/#comments Mon, 08 Apr 2019 03:58:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7115 Todos os dias, toneladas e mais toneladas de lixo e esgoto sem tratamento são lançados na Baía de Guanabara. Na Praia das Pedrinhas, aqui em São Gonçalo, o cenário não é diferente. Tanto na orla, quanto no mangue, é imensa a quantidade de detritos que chegam à região. Seja pela movimentação das marés ou pelos […]

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Todos os dias, toneladas e mais toneladas de lixo e esgoto sem tratamento são lançados na Baía de Guanabara. Na Praia das Pedrinhas, aqui em São Gonçalo, o cenário não é diferente. Tanto na orla, quanto no mangue, é imensa a quantidade de detritos que chegam à região. Seja pela movimentação das marés ou pelos córregos que lá desembocam.

Pilha de lixo recolhido no manguezal da Praia das Pedrinhas em São Gonçalo
Tela de televisão, isopor, plásticos, espumas, essa pilha de lixo foi feita no Desafio do Lixo que rolou na Praia das Pedrinhas.

Desafio do lixo na Praia das Pedrinhas

Pensando em como chamar a atenção das pessoas, Thamiris Santos e Romário Regis trouxeram o chamado “DESAFIO DO LIXO” para cá. A ideia consiste em fazer um antes e depois do lugar, recolhendo esse lixo que despejamos indiscriminadamente no meio ambiente.

Thamiris Santos e Matheus Graciano no Desafio do Lixo na Praia das Pedrinhas
Essa é a Thamiris Santos, criadora do Projeto Gentileza, que também mobilizou os voluntários para a 1ª edição do Desafio do Lixo em São Gonçalo.

Através da hashtag #trashtagchallenge, é possível conferir como isso aconteceu em outras partes no mundo. O produto dessas ações é uma prova de como a união de pessoas comuns, como eu e você, pode gerar resultados interessantes e benéficos para toda a sociedade.

Filhotes de Caranguejos se adaptando a nova realidade, com um habitat repleto de lixo plástico.

A Praia das Pedrinhas é uma das raras partes da Orla de São Gonçalo que ainda tem movimento para o lazer. Algo que foi retomado com mais força após a revitalização, em 2013.

O plano inicial do “Desafio do Lixo” era realizar a ação na orla. A prefeitura (ou a empresa contratada) se adiantou e fez uma limpeza superficial, um dia antes. Mas a gente sabe que um problema crônico não se resolve facilmente. E assim o grupo encarou uma tarefa ainda mais difícil: enfiar a mão na lama. Literalmente! Adentrando o manguezal.

Vista da Ilha de Itaoca pela Praia das Pedrinhas, São Gonçalo
Vista da Ilha de Itaoca pela Praia das Pedrinhas.
Ponte sobre o córrego que leva água ao Manguezal
Pequena ponte que liga o lado da rua à faixa e areia da praia, passando por cima de um dos sujos córregos que despejam água no manguezal.
Lixo coletado no Manguzal
Lâmpadas incandescentes que foram encontradas enterradas no manguezal.
Voluntário reúne os resíduos que inundaram o manguezal.
Voluntário reúne os resíduos que inundaram o manguezal.

Manguezais são ambientes que fazem a transição entre os meios terrestre e aquático. E são muito conhecidos por serem o “berçário” das espécies. Entretanto, a quantidade de lixo plástico enterrado na terra e lama do mangue nos mostra cenas cada vez mais bizarras. Como uma garrafa pet que encontrei e, ao puxar, vi que havia um pequeno caranguejinho que a transformou em sua “casa”.

Retiramos o excesso. Mas é verdade que ainda há muito o que fazer.

Placa avisando que ali é "Área de Preservação Ambiental" e que não devemos jogar lixo
Placa escrita “Área e Preservação Ambiental. Proibido jogar lixo no chão e fazer despacho. Sujeito à multa.”

Nesse caso, a CEDAE e as prefeituras têm tudo a ver com isso. A captação do esgoto e o tratamento terciário das águas devolvidas aos rios e mares são pontos fundamentais. Isso aliado a uma coleta sem furos, com redes de reciclagem que evitassem os montes de lixo que, muita das vezes, são levados pelas chuvas aos encanamentos de águas pluviais. Que, no final, param ali na praia ou nos oceanos.

Córrego que sai do manguezal em direção ao mar. À frente, a ilha de Itaoca.
Córrego que sai do manguezal em direção ao mar. À frente, a ilha de Itaoca.

Novas edições do Desafio do Lixo

Uma nova edição da limpeza foi marcada para 18 de maio/2019. E o que se espera agora é que, com um contingente de voluntários maior, consigamos retirar ainda mais resíduos sólidos para deixar a praia e o mangue “respirando” um pouco melhor.

Desafio do Lixo na Praia das Pedrinhas SG
Voluntários que participaram do Desafio do Lixo na Praia das Pedrinhas, São Gonçalo.

Com a 5ª maior população do mundo, o Brasil é um dos maiores produtores de lixo do planeta. Se buscarmos um índice que tenha lixos plásticos como parâmetro, somos o 4º maior. Alguns dados apontam que produzimos cerca de 10 milhões de toneladas de lixo plástico todo ano. Entretanto, reciclamos apenas 145 mil toneladas.

Esperamos que, a cada ato simbólico desse, mais e mais pessoas se conscientizem do quanto precisamos pressionar autoridades públicas e a nós mesmos sobre os problemas que produzimos ao meio ambiente.

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Mataram o jacaré no Jardim Catarina: o descaso com os animais silvestres https://simsaogoncalo.com.br/jacare-no-jardim-catarina-animais-silvestres/ https://simsaogoncalo.com.br/jacare-no-jardim-catarina-animais-silvestres/#comments Mon, 15 Oct 2018 20:17:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6848 Mataram um jacaré no Jardim Catarina. Talvez isso não fosse notícia até pouco tempo atrás. Mas numa sociedade em evolução como a nossa, a vida dos animais silvestres importa cada vez mais. Especialmente por termos a consciência de que, antes de ocuparmos os bairros e transformarmos rios em valões, eram os jacarés, capivaras, peixes, caranguejos, […]

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Mataram um jacaré no Jardim Catarina. Talvez isso não fosse notícia até pouco tempo atrás. Mas numa sociedade em evolução como a nossa, a vida dos animais silvestres importa cada vez mais. Especialmente por termos a consciência de que, antes de ocuparmos os bairros e transformarmos rios em valões, eram os jacarés, capivaras, peixes, caranguejos, entre outros animais, os moradores do lugar.

É preciso sempre lembrar aos cidadãos que o recolhimento dos animais silvestres de vias públicas pode ser feito pelos Bombeiros. Basta ligar 193 e relatar o ocorrido.

Jacaré passeando nas ruas do Recreio, Zona Oeste do Rio, após um dia de chuva.
Jacaré passeando nas ruas do Recreio, Zona Oeste do Rio, após um dia de chuva.

Jacaré no Jardim Catarina não é exclusividade

São Gonçalo, bem como todo o estado do Rio de Janeiro, é permeado por rios. Eles desaguam na Baía de Guanabara, nas lagoas, formando um rico estuário. Formam diversos manguezais, conhecidos como berçários da natureza. Estes recebem e viabilizam a reprodução de muitas espécies, além de serem o habitat de outras, como os próprios jacarés.

Nossa população cresceu rapidamente nas últimas décadas. A São Gonçalo de hoje tem 10 vezes mais pessoas que a mesma cidade dos anos 50. Nesse processo, muitas áreas foram ocupadas, seja na forma de loteamentos, como o próprio Jardim Catarina, ou de forma desordenada.

Construímos residências em lugares sem o mínimo de estrutura, especialmente sanitária. Seja para o escoamento do esgoto residencial, ou até mesmo para as águas pluviais.

Jacaré no Jardim Catarina, São Gonçalo
Jacaré no Jardim Catarina, capturado na rua 10 e morto logo depois por populares.

Os lugares que hoje alagam com as chuvas, ou já alagavam antes pelas características daquele meio ambiente, ou estão encontrando barreiras no caminho do escoamento, que estão represando as águas da chuva. E essas novas barreiras foram construídas por nós, seres humanos.

Quando há um alagamento, é possível que apareçam animais que façam parte daquele meio ambiente, hoje ocupado por nós. Entretanto, eliminá-los não é a solução. Até porque, uma vez que se elimina uma população de animais, uma outra, antes comida por eles, tende a crescer, por não ter mais seu predador.

Na mesma semana que apareceu o réptil no Jardim Catarina, um outro, de porte ainda maior, se apresentou nas ruas do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, logo após as chuvas. Por lá, os moradores chamaram os bombeiros (193) para recolher o animal e devolvê-lo em segurança.

Bombeiros (193) ou Guarda Florestal podem ajudar

Em nossa história, temos figuras lendárias como Luiz Caçador, que ganhou este nome por ser um caçador de jacarés na mesma região. Luiz fez da caça um meio de vida, vendendo o couro dos animais aos cortumes que existiam em Neves e Gradim, além de promover caçadas na região, como conta Jorge Nunes neste post.

Entretanto, um século depois, após anos de informação acumulada, é esperado que nossa consciência mude. Se você conhecer pessoas que morem, ou se você morar em regiões com aparecimento eventual de animais silvestres, ao encontrá-los, ligue para o 193 dos Bombeiros.

Não sacrifique o animal por nada. Procure o outro órgão competente.

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Como não jogar lixo no chão https://simsaogoncalo.com.br/como-nao-jogar-lixo-no-chao/ https://simsaogoncalo.com.br/como-nao-jogar-lixo-no-chao/#respond Sat, 09 Jun 2018 12:06:43 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6646 O governo Nanci é o maior culpado pela sujeira em São Gonçalo. As lixeiras, quando existem, transbordam. A coleta é irregular e mal planejada, o que leva comunidades inteiras a jogar sacolas de lixo, todos os dias, na esquina mais próxima. O prefeito ignora as empresas que poluem o município livremente, também não multa os gonçalenses […]

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O governo Nanci é o maior culpado pela sujeira em São Gonçalo. As lixeiras, quando existem, transbordam. A coleta é irregular e mal planejada, o que leva comunidades inteiras a jogar sacolas de lixo, todos os dias, na esquina mais próxima. O prefeito ignora as empresas que poluem o município livremente, também não multa os gonçalenses sujões. Cada um de nós, entretanto, pode ajudar a manter a limpeza não jogando lixo no chão.

Onde o morador da Favela da Central, no Raul Veiga, vai deixar seu lixo já que o caminhão da coleta não entra na favela? E o morador das ladeiras estreitas, onde nem carro de passeio consegue passar? Nanci deveria sair do Gabinete, no número 100 da rua Feliciano Sodré, entrar na favela, subir as ladeiras e combinar com cada morador o dia e a hora da coleta. O cidadão entregaria seu lixo diretamente ao caminhão ou deixaria seu lixo no coletor mais próximo da sua casa. Sem regularidade no serviço, sem disciplina e vontade pública, e sem coletor nem caçamba de lixo, não vai dar.

Agora vem a nossa parte. Se você terminou de fumar um cigarro, procure uma lixeira e jogue a guimba nela. Se a lixeira estiver cheia demais, algo comum em São Gonçalo, enrole a guimba em um pedaço de papel e guarde no bolso.

Saia de casa com uma sacola plástica dobrada dentro do bolso. Se comer um salgado e não encontrar nenhuma lixeira, não jogue o guardanapo no chão, nem o copo de GuaraCrac. Tire a sacola do bolso, guarde seu lixo nela e leve para casa para entregar ao caminhão da coleta. Vale para qualquer produto que consumir.

Muitos jogam lixo no chão porque “todo mundo joga”. Não é a resposta certa. Você joga lixo no chão porque é preguiçoso. Se todo mundo resolver tomar um banho no imundo Rio Alcântara, na altura da Rua da Feira, você vai tomar também? Não vai porque age com responsabilidade em relação à própria saúde. O lixo é seu, de mais ninguém, e também exige que você seja responsável com ele. Na verdade, cada cidadão do mundo atual deve se preocupar com muito mais do que não jogar lixo no chão. É preciso gerar menos lixo e reciclar o máximo que pudermos.

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Por que jogamos lixo nas ruas e rios? https://simsaogoncalo.com.br/por-que-jogamos-tanto-lixo-nos-rios/ https://simsaogoncalo.com.br/por-que-jogamos-tanto-lixo-nos-rios/#comments Thu, 14 Dec 2017 03:16:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5885 É comum que sempre coloquemos a culpa no poder público. Afinal, nós, brasileiros, fomos moldados por uma tradição de dependência do governo. Seja com os mais pobres ou mais ricos, a reclamação é a mesma. Estes últimos, aliás, vivem das benesses públicas, do funcionalismo aos prestadores de serviço. No final, independente da classe econômica, você sempre […]

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É comum que sempre coloquemos a culpa no poder público. Afinal, nós, brasileiros, fomos moldados por uma tradição de dependência do governo.

Seja com os mais pobres ou mais ricos, a reclamação é a mesma. Estes últimos, aliás, vivem das benesses públicas, do funcionalismo aos prestadores de serviço. No final, independente da classe econômica, você sempre ouvirá um “mas o governo tem – ou não tem – que fazer isso ou aquilo”.

Entretanto, mesmo que o serviço público funcione, é comum ver muitos de nós, cidadãos, não colaborando com o todo. Um exemplo clássico é ver o coletor de lixo passando com regularidade nas ruas e, mesmo assim, as pessoas continuam jogando lixo nas ruas e rios.

Talvez já tenha passado da hora de fazermos uma auto cobrança: E NÓS? O que estamos fazemos pelo bem estar social?

 Lixo jogado e "armazenado" na margem do rio no Porto Novo – São Gonçalo. Não satisfeitos em deixa o lixo ali, insistem em queimá-lo também. Foto: Sim São Gonçalo

Lixo jogado e “armazenado” na margem do rio no Porto Novo – São Gonçalo. Não satisfeitos em deixar o lixo ali, insistem em queimá-lo também. Foto: Sim São Gonçalo

Nosso hábito de imundiçar os rios é antigo

A cidade do Rio de janeiro já foi conhecida como “Veneza dos Trópicos”, pela quantidade de rios navegáveis que havia na região. Hoje, boa parte está enterrada, virou galeria de esgoto ou valão. Em São Gonçalo, Niterói, Baixada, o processo é similar. Afinal, nossa geografia é igual. E todos desaguam na Baía de Guanabara.

Nossa cidade, inclusive, teve seu desenvolvimento por conta dessa malha fluvial. Os vestígios dessa época são os bairros com nomes de portos, como Porto Novo, Porto da Pedra, Porto do Rosa, Porto Velho. Todos com um objetivo em comum: escoar a produção das fazendas da região, como a própria Fazenda Colubandê, por exemplo.

O crescimento ao redor de todos esses rios da região metropolitana foi devastador. Transformamos tudo em redes de esgoto. Incrivelmente, alguns sobraram para contar história.

Rio Marimbondo no Porto Novo, cruza a Rua Maria Rita – São Gonçalo
O Rio Marimbondo cruza a rua Maria Rita no Porto Novo. É um desses rios sobreviventes que não foram completamente enterrados no processo de habitação da cidade. Foto: SIM São Gonçalo

Meu lixão favorito

Mesmo aprendendo desde pequenos que não se pode jogar lixo nas ruas e rios, muitas crianças ainda são deseducadas quando voltam às suas casas. Num momento onde tanto se fala em educação moral, que determinados assuntos tem que ser ensinados em família, é vergonhoso ver que, também em família, pouco se ensina sobre viver em comunidade, recolher o lixo e não imundiçar o espaço público e meio ambiente.

Paredão da Escola Estadual Tarcísio Bueno no Paraíso, São Gonçalo. Após a desativação da escola, o hábito de depositar lixo aumentou no lugar. Este é um dos raros momentos que o vemos limpo. Alguns minutos após a prefeitura fazer a limpeza. Foto: Matheus Graciano, SIM São Gonçalo

Há alguns anos, a teoria das “janelas quebradas” (Universidade de Stanford – EUA) ganhou notoriedade. Ela consiste em mostrar que, quanto pior um lugar ou objeto, mais as pessoas contribuirão para piorá-lo e menos para preservá-lo. Em nossas cidades, podemos adaptar a teoria. Aqui ela se chama “Meu Lixão Favorito”. Com algumas adaptações.

Em suma, mesmo que limpemos os rios, ruas ou esquinas, as pessoas continuarão jogando lixo ali. Como o entorno é ruim, muitas consolidaram em suas mentes que aquele é “o lugar do lixo”. O lixão pra chamar de seu. Podemos limpar o quanto for. Mas enquanto toda a infraestrutura não for alterada, as pessoas continuarão jogando seus dejetos ali, sem se importar ou se preocupar.

Caixote flutuando no rio Marimbondo no Porto Novo, São Gonçalo

Com a violência dos fenômenos meteorológicos atuais, é possível que novas inundações aconteçam. É o momento no qual os rios “se vingam”, jogando todo o lixo de volta para suas casas ao redor.

O que é preciso para resolver isso?

Só “educação” não é uma resposta satisfatória. Não é difícil ouvir pessoas ditas instruídas ou educadas fazendo o errado e se justificando dizendo “aqui é assim mesmo” ou “não sou só eu”. Infelizmente, é mais comum do que se pensa.

O problema passa por uma consciência individual, combinada com resoluções, aí sim, advindas do poder público. Porém, precisam ser soluções combinadas. Há um tempo atrás, até, lembro de já ter falado sobre como a melhora nos equipamentos públicos de sinalização dão uma “cara nova” aos bairros e à cidade.

Arredores da Praça do Gradim. Foto: Matheus Graicano / SIM São Gonçalo

Portanto, nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Culpar o poder público sem cobrar o cidadão, e vice-versa, é só mais um ciclo vicioso que no final nada resolve a questão do lixo na 2ª maior região metropolitana e 16ª cidade mais populosa do Brasil.

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Entre secas e enchentes, a cada chuva uma preocupação diferente https://simsaogoncalo.com.br/cada-chuva-uma-preocupacao-diferente/ https://simsaogoncalo.com.br/cada-chuva-uma-preocupacao-diferente/#respond Tue, 24 Oct 2017 13:29:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5622 A nossa vida urbana se distanciou da natureza. Estamos cada vez mais em cidades. Por conta disso, aos poucos, vamos perdendo algumas noções básicas, como a questão do acesso à água doce e sua transformação em potável. Em dias chuvosos, a cada gota que cai, só pensamos em nossos compromissos pessoais. Se vamos conseguir ou […]

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A nossa vida urbana se distanciou da natureza. Estamos cada vez mais em cidades. Por conta disso, aos poucos, vamos perdendo algumas noções básicas, como a questão do acesso à água doce e sua transformação em potável.

Em dias chuvosos, a cada gota que cai, só pensamos em nossos compromissos pessoais. Se vamos conseguir ou não chegar em tal lugar, ou se aquele evento vai rolar ou não por conta da chuva.

Entretanto, esses pensamentos não são gratuitos. Com tantos problemas de infraestrutura, chover significa transporte lento, pés na lama e todo o tipo de desconforto para quem precisa se deslocar na cidade.

De quebra, um outro problema constante faz com que o estado do Rio colecione desgraças: as enchentes. O excesso localizado de chuva no “lugar errado” gera muitos danos, incluindo em nossas casas.

Por outro lado, nossas deficiências educacionais nos fazem esquecer que, naquele lugar onde hoje enche, há 100 anos atrás já enchia. E até mesmo os políticos e administradores públicos, que deveriam saber daquilo, ficam perdidos a cada novo desastre que acontece, porque mal conhecem a geografia física do território que governam.

Secas: o problema da falta d’água se aproxima

Na gangorra do clima, este ano foi a seca que resolveu dar as caras novamente. Em setembro, os alertas começaram a ser dados. A bacia dos rios Guapiaçu e Macau, em Cachoeiras de Macacu, estava rareando, gerando dificuldades para abastecer o sistema Imunana-Laranjal. A consequência vimos nas torneiras sem água em São Gonçalo.

Além de Cachoeiras de Macacu, as cidades da serra fluminense, como Petrópolis e Teresópolis, além da metropolitana Guapimirim, também amargaram o período de quase dois meses e meio sem chover. A região da Serra dos Órgãos, de onde se originam alguns rios que compõem as bacias que irrigam as cidades fluminenses, está experimentando eventos completamente opostos daquele triste janeiro de 2011.

Como nos equilibramos entre secas e enchentes?

Apesar do desconhecimento dos nossos parlamentares e agentes do poder executivo, existem saídas. Mas para conhecê-las, é preciso se voltar para aqueles que produzem ciência para o estado: as Universidades Públicas.

Enchente de 2010 em Alcântara, São Gonçalo
Enchente de 2010 em Alcântara. Fonte: São Gonçalo On Line

Quando estamos em situações complicadas, a imprensa é a primeira a recorrer a elas. Os especialistas vêm à TV, falam, explicam, mas dias depois da água baixar ou cair, o assunto desaparece… até o momento que os problemas retornam. Geralmente mais fortes.

Há muitos estudos sobre como prevenir e remediar ambas as situações, de secas e enchentes. Mas é preciso que os eleitos se debrucem sobre o planejamento, integração entre poderes e instituições para melhor execução.

Afinal, em 2017, se eles se juntam para se proteger da punição de crimes, por que não conseguem fazer o mesmo quando o assunto é água?

Pobres de nós que somos governados por homens e mulheres de tão pouca visão e instrução.

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Meu sábado entre o Gradim e Itaoca https://simsaogoncalo.com.br/meu-sabado-entre-o-gradim-e-itaoca/ https://simsaogoncalo.com.br/meu-sabado-entre-o-gradim-e-itaoca/#comments Tue, 03 Oct 2017 13:12:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4807 Hoje sai do Pontal, ali no Gradim, e dei um rolê por toda a Baía de Guanabara. A missão era discutir a região como uma possível área de proteção ambiental para além das regiões já demarcadas. A companhia eram de professores, pesquisadores, comunicadores, gestores públicos e do anfitrião que era o Padre André. Passamos por […]

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Hoje sai do Pontal, ali no Gradim, e dei um rolê por toda a Baía de Guanabara. A missão era discutir a região como uma possível área de proteção ambiental para além das regiões já demarcadas. A companhia eram de professores, pesquisadores, comunicadores, gestores públicos e do anfitrião que era o Padre André.

Foto: Romário Régis

Passamos por Jurubaíba, Ilha das Flores, São João, Praia da Luz, Ilha Redonda e tantos outros pontos com potencialidades turísticas que sempre são incríveis de se observar. Todo ano faço trajetos parecidos de barco, mas a experiência sempre parece ser a primeira.

Foto: Romário Régis
Foto: Romário Régis
Foto: Romário Régis

Sempre ouço que essa região é impraticável por conta do tráfico de drogas e é. É difícil uma região tão bonita ser ocupada por um poder paralelo. Hoje mesmo, durante essa visita, ouvi de um dos traficantes da região a seguinte frase;

“Espero que vocês tragam algo de bom para a região, não quero essa molecada envolvida”

É contraditório? É! Mas aos poucos, mesmo aqueles que inviabilizam nossa ida até a região, compreendem que o melhor para os próximos é um outro caminho.

Itaoca e a sustentabilidade

Falando em caminho, a região de Itaoca pode caminhar sozinha. Ser sustentável economicamente, ecologicamente e criar um novo eixo de desenvolvimento na cidade. O turismo, a culinária, as tradições religiosas e a sua história fazem parte da fundação de uma cidade que ignora parte significativa do seu passado.

Foto: Romário Régis

Pela primeira vez meu rolê por essas bandas de gonça estava com o tempo nublado. Sempre vou pra lá me divertir, apresentar a região para amigos e amigas, mas dessa vez saio pensativo sobre a complexidade da nossa cidade e daquela área. Existem saídas, caminhos, percursos e muita gente disposta para essa construção, mas por onde começar?

De um lado a Associação de Moradores se desenvolve, do outro a Igreja Católica pensa na região com muito carinho por conta da sua proximidade com o tema. Ai juntam professores que possuem pesquisas na área, gestores públicos que tentam contribuir, moradores e o caldo vai se formando. Será possível tornar essas potencialidades viáveis? Fiquei me perguntando durante as últimas horas ali na Capela da Luz.

O lugar é lindo!
O lugar é agradável!
O lugar é fantástico!

Foto: Romário Régis

Vocês, que talvez não estejam entendendo por que perder tempo escrevendo sobre essa área, não devem conhecer o local. Como pode um caminho que passa pelo lixão de Itaoca  esconder tantas belezas? Isso tudo é nosso. É de cada gonçalense interessado em viver melhor por aqui.

Tire um domingo, junte alguns amigos, fale com a Igreja Católica, fale com a Associação de Moradores de Itaoca, fale com algum morador de lá e visite. Conheça o que há de melhor em nossa cidade e que com mais participação de todo mundo (poder público, poder privado e população), será possível começar a se pensar num lugar que de 10 em 10 pessoas, terá a possibilidade de um dia ficar lotado com muitos sorrisos, namoros e boas histórias.

Capela da Luz em Itaoca, São Gonçalo
Capela da Luz em Itaoca, São Gonçalo. Foto: Romário Régis

Que Itaoca seja cada vez menos dos tráfico e cada vez mais um lugar de outras oportunidades. Aquele lugar é lindo, precisamos trocar as armas por pirão e peixe fresco.

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Debate latino-americano fala sobre mudanças climáticas e água https://simsaogoncalo.com.br/debate-latino-americano-fala-sobre-mudancas-climaticas-e-agua/ https://simsaogoncalo.com.br/debate-latino-americano-fala-sobre-mudancas-climaticas-e-agua/#respond Sun, 07 May 2017 15:48:27 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4598 O Centro de Educação Ambiental Gênesis recebeu em sua sede aproximadamente 15 jovens vindos de vários países da América Latina. Dentre eles Nicarágua, Venezuela, Chile, Equador, Bolívia, Argentina, Honduras, Peru, Costa Rica, Novo México. A vinda desses jovens ao Gênesis teve como propósito debater sobre as mudanças climáticas e a água. Todos fazem parte da […]

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O Centro de Educação Ambiental Gênesis recebeu em sua sede aproximadamente 15 jovens vindos de vários países da América Latina. Dentre eles Nicarágua, Venezuela, Chile, Equador, Bolívia, Argentina, Honduras, Peru, Costa Rica, Novo México.

A vinda desses jovens ao Gênesis teve como propósito debater sobre as mudanças climáticas e a água. Todos fazem parte da Convergência ambiental multi-religiosa, uma das partes educacionais da iniciativa Fé no Clima (Comunidades Religiosas e justiça socioambiental). Durante uma semana no Rio de Janeiro, ela reuniu jovens líderes de 21 a 40 anos, pertencentes a diferentes tradições religiosas e espirituais. Esse evento foi organizado pelo Instituto de estudos de Religião (ISER) em parceria com a organização de Interesse Público (GIP), que tem por objetivo mapear percepções e ações em relação às mudanças climáticas.

Recebidos calorosamente pela Diretora e fundadora do Gênesis, Lourdes Brazil, puderam conhecer um pouco mais da história do espaço, desde sua organização oficial, em 2009. O instituto trabalha para superação dos problemas socioambientais e a construção de forma ampliada e progressiva dos caminhos da sustentabilidade.

Cumprindo um cronograma de reconhecimento do espaço, iniciaram uma caminhada guiada pela bióloga Samira, pelas trilhas, viveiros, laguinhos e composteiras. Em meio a visita, uma família de Micos Estrelas, pertencentes a nossa fauna, brincava livremente nos topos das árvores. Todos puderam acompanhar a importância da preservação em área urbana do Micro Fragmento de Mata Atlântica e tudo que ele abriga. Ao final da caminhada, os jovens tiveram a oportunidade de plantar mudas nativas que, em breve, farão parte da flora do espaço.

Provendo a amplitude desses debates em sua sede, junto a atividades que incentivam a preservação da fauna e flora, o Gênesis está conseguindo alcançar sua prioridade de ser referência em sustentabilidade na cidade de São Gonçalo. Promovendo essa referência para o mundo.

Mais informações, confira a nossa página no Facebook.

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Visitando a Ilha das Flores – de hospedaria de imigrantes à base da Marinha https://simsaogoncalo.com.br/visitando-a-ilha-das-flores-de-hospedaria-de-imigrantes-a-base-da-marinha/ https://simsaogoncalo.com.br/visitando-a-ilha-das-flores-de-hospedaria-de-imigrantes-a-base-da-marinha/#comments Mon, 17 Apr 2017 03:20:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4368 Você que sempre passa pela BR-101, já deve ter percebido a Ilha das Flores, na altura do Paiva. Hoje, ela está em posse da Marinha do Brasil. Mas nem sempre foi assim. Em março de 2017, rolou o Festival Gastronômico que aconteceu na Ilha. Uma oportunidade ímpar de vermos o o pôr-do-sol bem na beira do cais, de frente para a boca […]

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Você que sempre passa pela BR-101, já deve ter percebido a Ilha das Flores, na altura do Paiva. Hoje, ela está em posse da Marinha do Brasil. Mas nem sempre foi assim.

Em março de 2017, rolou o Festival Gastronômico que aconteceu na Ilha. Uma oportunidade ímpar de vermos o o pôr-do-sol bem na beira do cais, de frente para a boca da Baía de Guanabara, um dos bens naturais mais desprezados no estado do Rio de Janeiro.

Cais da Ilha das Flores, esperando o dia em que as águas da Baía de Guanabara voltarão a ser limpas. São Gonçalo – Rio de Janeiro

A origem do nome “Ilha das Flores”

“No início do século XIX, a Ilha das Flores pertencia a Delfina Felicidade do Nascimento Flores e seria denominada de Santo Antônio. É possível que o seu nome atual seja por conta da proprietária, pois o local deveria ser conhecido como a “ilha da Dona Flores”, que com o passar do tempo ficou Ilha das Flores. Em 1834, após a criação da Província do Rio de Janeiro, provavelmente, por alguma dívida da proprietária, a ilha passou ao tesouro provincial. Foi apregoada publicamente em 17 de agosto, em “praça de Juízo de Feitos” e arrematada por Maria do Leo Antunes (ESCRITURA, 1957a).”

A hospedaria de imigrantes

Em 1883, foi criada a primeira hospedaria de imigrantes do Brasil bem ali na ilha. Era uma forma de receber os imigrantes vindos de vários continentes que desembarcavam no porto do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Ilha das Flores em São Gonçalo
Vista do cais de entrada da Hospedaria de Imigrantes. Embarcações próximas ao atacadouro. Ao fundo, o pavilhão de recepção da Hospedaria. Ilha das Flores, sem data. Autor desconhecido. Coleção Leopoldino Brasil. Fonte: hospedariailhadasflores.com.br

Vindos da Europa e Ásia, eles passaram a fazer parte dos planos para substituir a mão de obra escrava, abolida em 1888. Além da força de trabalho, eram fundamentais nas políticas de embranquecimento da população, que pretendia deixar o Brasil “mais branco”, dada a diferença numérica entre escravos negros e a população branca.

Em 1917, por conta da Primeira Guerra Mundial, as questões de segurança nacional fizeram a ilha ser transferida para as mãos do Ministério da Marinha. Nesse período, começou a ser usada também como prisão militar.

O uso prisional também aconteceu em outros dois importantes momentos na história brasileira. Podemos citar a década de 30, no primeiro governo Getúlio Vargas, e também a ditadura militar de 1964 a 1985.

Hospedaria de Imigrantes – Ilha das Flores, São Gonçalo – Rio de Janeiro
Desembarque de visitantes na Hospedaria de Imigrantes. Ilha das Flores. Sem data. Autor desconhecido. Coleção Leopoldino Brasil. Fonte: hospedariailhadasflores.com.br

Casa dos Fuzileiros Navais e clube do Marinheiro

A Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores funcionou até 1966. Em 1968, o Ministério da Marinha passou a ocupar o arquipélago, instalando a Tropa de Reforço do Corpo de Fuzileiros Navais, em 1971.

Além de base da instituição, a Ilha das Flores de hoje também abriga o clube do Marinheiro, espaço onde aconteceu o Festival Gastronômico. Há também um restaurante no local, aberto ao público. Se você deseja ir a um lugar diferente na cidade, vale a pena conhecer o espaço na hora do almoço.

Praia Ilhas das Flores – Fuzileiros Navais e Marinha do Brasil
Praia na Ilhas das Flores – Baía de Guanabara, São Gonçalo

Ilha das flores, BR-101 e baía de guanabara

Ir à lha naquele fim de tarde de céu claro foi inspirador. Especialmente para nós, que vivemos nas caóticas cidades da região metropolitana. Observar a Baía de Guanabara daquele ponto é algo encantador.

Com a construção da BR nos anos 80, a Ilha das Flores passou a ter conexão direta com São Gonçalo por terra. As outras ilhas pertencentes ao arquipélago foram unidas por sucessivos aterramentos ao longo dos anos. Mesmo não sendo comparável, a vista da BR, assim como a da ilha, dá um “sossego na alma”, especialmente para nós que passamos estressados pela via.

O ponto negativo é o lixo doméstico. Lançado todos os dias na baía por nós, através do esgoto não tratado jogado nos rios, o lixo flutuante é visível. Sem falar que, quando a maré está baixa os problemas se tornam ainda mais aparentes, nos fazendo lembrar do quanto um dos pontos mais bonitos do Estado do Rio e de São Gonçalo foram poluídos por nosso deficiente saneamento básico.

Nossa sorte é que, mesmo depois de tantas interferências do ser humano, o visual continua espetacular.

Serviço: Museu da imigração da Ilha das Flores, funciona no mesmo espaço do Comando da Tropa de Reforço. De terça a domingo, de 9h às 17h. Entrada gratuita.

Fonte: Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores (abril/2017)

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O dia que o lixo da Panisset foi recolhido por Mulim https://simsaogoncalo.com.br/o-dia-que-o-lixo-da-panisset-foi-recolhido-por-mulim/ https://simsaogoncalo.com.br/o-dia-que-o-lixo-da-panisset-foi-recolhido-por-mulim/#comments Mon, 02 May 2016 06:01:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3577 Na última semana de abril de 2016, recebi no inbox do SIM São Gonçalo uma imagem com a publicação da coluna da Berenice Seara do Jornal Extra, dizendo: “Favor divulgar, Matheus, pois só falar mal é complicado.” A imagem continha a seguinte nota: “Prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim (PR) só faltou soltar fogos ao pagar a última parcela da […]

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Na última semana de abril de 2016, recebi no inbox do SIM São Gonçalo uma imagem com a publicação da coluna da Berenice Seara do Jornal Extra, dizendo: “Favor divulgar, Matheus, pois só falar mal é complicado.” A imagem continha a seguinte nota: “Prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim (PR) só faltou soltar fogos ao pagar a última parcela da dívida deixada por Aparecida Panisset (PDT) com a empresa de lixo. Além de R$2 milhões mensais pelos serviços prestados, ele pagava R$800.000 (oitocentos mil) de débito da antecessora.” Diante dessa notícia, o meu veredicto: apesar da irresponsabilidade e da péssima gestão Panisset, o governo atual não fez mais que sua obrigação. E vou te explicar o por quê.

 

Jornal Extra – Berenice Seara

 

É curioso ver a posição de alguns cidadãos brasileiros. O comportamento que encontramos em São Gonçalo é facilmente achado em outras cidades no país. As pessoas acreditam mesmo que os governantes estão fazendo um favor quando conseguem colocar as contas públicas em ordem. Veja, isso é uma obrigação! Errado é não cumprir as promessas de campanha, não ter responsabilidade fiscal, seja por má fé ou por negligência na hora de estudar o básico no quesito “economia da cidade”.

Numa continha simples, que qualquer garoto de 4ª série resolve, visualizamos que São Gonçalo, hoje, paga cerca de 24 milhões de reais anuais para a coleta de lixo. Entretanto, no ano passado, esse mesmo dinheiro era desembolsado em apenas 6 meses! Como visto na matéria do Jornal Extra de 2015, Mulim ainda fazia como no governo Panisset, contratando a empresa por contratos emergenciais de 180 dias por uma bagatela de R$ 25,8 milhões.

Dado os absurdos, é fato que com um bom planejamento e mais pessoas competentes na prefeitura, talvez fosse possível ter implementado essa nova empresa municipal, não ficando refém, por mais alguns anos, dessa coleta de lixo terceirizada que sempre falha na cidade. Se existe algo que gostaríamos muito de saber, e que estava presente no material de campanha de 2012, é o motivo dessa companhia de lixo municipal não ter sido criada no atual mandato.

Portanto, dizemos e repetimos: prefeito Neilton Mulim não fez mais que a sua obrigação. E que Aparecida Panisset seja lembrada para sempre pela incompetência de seu governo. Ambos não mereciam ser prefeitos da 16ª maior cidade do Brasil.

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Privatização da CEDAE: riscos e benefícios para São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/privatizacao-da-cedae-riscos-e-beneficios-para-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/privatizacao-da-cedae-riscos-e-beneficios-para-sao-goncalo/#comments Wed, 02 Mar 2016 20:49:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3489 Uma comentarista da rádio CBN trouxe à tona uma possível negociação político-comercial com uma empresa que conhecemos bem: a CEDAE. Segundo a jornalista, o governo do estado está estudando a proposta de federalizar a empresa, o que significa passá-la ao governo federal. Essa manobra seria feita para que, depois de federalizada, o governo pudesse transformá-la numa concessão, assim como a Ampla, Eco […]

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Uma comentarista da rádio CBN trouxe à tona uma possível negociação político-comercial com uma empresa que conhecemos bem: a CEDAE. Segundo a jornalista, o governo do estado está estudando a proposta de federalizar a empresa, o que significa passá-la ao governo federal. Essa manobra seria feita para que, depois de federalizada, o governo pudesse transformá-la numa concessão, assim como a Ampla, Eco Ponte S.A, Barcas, entre outras concessões que conhecemos bem. Dessa forma, o estado poderia ficar um pouco “menor”, ou seja, com menos gastos, além de levar uma grana com essa manobra.

Todos sabemos que um dos maiores gastos do estado não é a Cedae, mas sim a previdência, responsável por aposentadorias, pensões e benefícios que o governo estadual paga e que, com o envelhecimento da população, só tendem a aumentar. A falta de verbas totais faz com que a Cedae caminhe a passos lentos. Em São Gonçalo, conhecemos muito bem a história de ficar sem água. Quando moleque, já fiquei algumas vezes sem água, chegando a tomar aquele legítimo banho de canequinha.

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Rio Bomba, que divide São Gonçalo e Niterói, transformado em valão, agora desagua suas águas sujas na Baía de Guanabara.

Em setembro de 2015, o Blog Verde do jornal O Globo publicou a opinião do atual presidente da assembléia sobre a privatização da Cedae, citando São Gonçalo, inclusive. A questão tem opositores dentro da Companhia, claro. Mas, segundo Jorge Picciani, a Águas de Niterói mostrou que é possível fazer esse trabalho com eficiência.

Mesmo acreditando que a concessão poderia ser um bom caminho para a cidade, há 3 pontos específicos que eu gostaria de chamar a sua atenção: Imunana-Laranjal, áreas de risco e diálogo com a prefeitura de São Gonçalo.

Estação Imunana Laranjal – São Gonçalo

1) Imunana-Laranjal

Se tem algo diferente na parte gonçalense da Cedae é a ETA Imunana-Laranjal. A Estação de Tratamento de Água, que fica no bairro de mesmo nome, capta e trata a água que recebe dos Rios Guapiaçu e Macacu, vindos lá de Cachoeira de Macacu, e manda para São Gonçalo, Niterói, Itaboraí e Ilha de Paquetá.

Inaugurada em 1954, a estação trata cerca de 6.700 litros de água por segundo (isso mesmo!), para uma população de mais de 1,6 milhões de pessoas. Só por ter a segunda maior estação de tratamento de água do estado, fica a pergunta: a ETA entraria no bolo da privatização também? Sem dúvidas, seria uma importante e lucrativa parte do sistema nessa conta.

Outro detalhe importantíssimo nessa estação é a sua relação com o Comperj. Se você olhar no mapa, o rio Macacu passa exatamente atrás do Complexo Petroquímico. Inclusive, uma das polêmicas “contrapartidas” é a construção da barragem em Cachoeiras de Macacu, que planeja retirar cerca de 1.000 famílias que plantam na região, o que, ao meu ver, pode criar uma situação ainda sem precedentes de escassez de alimentos na região, fazendo com que os preços de alguns produtos e derivados subam.

Uma das soluções possíveis para evitar a barragem seria a construção de uma estação de tratamento de efluentes (de esgotos) que agisse em conjunto com o tratamento da água potável, permitindo que as águas pudessem ser recicladas. Este tipo de sistema, apesar de caro, evitaria o impacto ambiental irreversível prometido pela barragem do Guapiaçu.

Aliás, depois dá uma olhada nesse vídeo:

2) Áreas de risco

Outra situação muito comum na instalação de água são os “gatos”. O aumento das áreas de risco na cidade cresceu nos últimos tempos. Então, como entrar nas comunidades dominadas pelos traficantes e milicianos armados, impedindo o trabalho destes profissionais da água?

Infelizmente, nas regiões mais pobres as ligações clandestinas são ainda mais frequentes. Especialmente pelo não planejamento territorial dos lugares. Como fazer para não se meter em conflitos violentos e fazer o trabalho almejado? Esse é um desafio que ainda estamos para ver no estado do Rio de Janeiro.

Obras da CEDAE
Instalação de dutos de água nas ruas de São Gonçalo.

3) Prefeituras

No início de 2016, passei na Trindade e pude ver que, depois de asfaltar o bairro por completo, a Companhia de Água estava quebrando o asfalto para abrir um buraco no chão e fazer seu trabalho com as ligações de esgoto. Quando terminavam, ficavam os remendos expostos, esperando que a prefeitura fizesse seu trabalho novamente.

Se uma companhia como a CEDAE, estatal, não consegue trabalhar em uma parceria sadia com a prefeitura de São Gonçalo, fazendo com que nosso dinheiro não seja desperdiçado, o que esperar de um futuro privado? A prefeitura conseguirá trabalhar em pleno acordo com uma empresa assim?

Uma das coisas que deixam o cidadão mais irritado é esse “passa-repassa” nas responsabilidades. Hoje, prefeitura e Cedae culpam-se uma a outra por problemas que acontecem em diversas vias no estado. No final, quem sofre é o morador.

Espero que você tenha conseguido chegar até o final. Que esse texto sirva de reflexão e seja a primeira luz para essa importante questão em nossas vidas: a água. Sem ela, não somos absolutamente nada.

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Foto da abertura: Alexandre Vieira / Agência O Dia

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Por que o Colubandê deveria ser o centro administrativo de São Gonçalo? https://simsaogoncalo.com.br/por-que-o-colubande-deveria-ser-o-centro-administrativo-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/por-que-o-colubande-deveria-ser-o-centro-administrativo-de-sao-goncalo/#comments Mon, 06 Jul 2015 15:49:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3016 Você já foi ao Colubandê? Numa cidade extensa como a nossa, essa pergunta é necessária. Supermercado Guanabara, Hospital Geral, Fórum de Alcântara, Quartel dos Bombeiros, mercados atacadistas e a própria Fazenda Colubandê, como diz o nome, fazem parte deste bairro. Mas por que será que esse lugar parece tão estratégico? O primeiro destaque é geográfico. Pelo Colubandê, passa uma das principais […]

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Você já foi ao Colubandê? Numa cidade extensa como a nossa, essa pergunta é necessária. Supermercado Guanabara, Hospital Geral, Fórum de Alcântara, Quartel dos Bombeiros, mercados atacadistas e a própria Fazenda Colubandê, como diz o nome, fazem parte deste bairro. Mas por que será que esse lugar parece tão estratégico?

O primeiro destaque é geográfico. Pelo Colubandê, passa uma das principais vias da cidade, a RJ104, ligando Niterói à Itaboraí e São Gonçalo às duas cidades. Também é caminho para Alcântara, Laranjal, Jardim Catarina e todos os bairros adjacentes. Muito próximo dali, há a entrada para a RJ106, a rodovia Amaral Peixoto, uma das principais vias para se chegar à região dos lagos e norte fluminense, além de Tribobó, Arsenal e Maria Paula. Em direção ao bairro “Água Mineral”, chega-se ao caminho que passa pelo Engenho Pequeno, comunicando-se com o distrito de Sete Pontes (Pita, Santa Catarina, Barro Vermelho). Já pelo Rocha, é possível ir ao Rodo, atual centro da cidade.

Fazenda Colubandê – São Gonçalo
Fazenda Colubandê – São Gonçalo, fotografado por @vitalbr, no Instagram.

A localização estratégica do bairro talvez tenha sido percebida pelo estado há mais tempo. Inaugurado em 1998, o Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), também conhecido como Hospital Geral de São Gonçalo, foi construído na região por conta da posse destes terrenos. Outras construções, também estatais, justificam essa afirmação. O Fórum, o Corpo de Bombeiros e a Unidade de Pronto Atendimento, a UPA do Colubandê, formam com o hospital um complexo de equipamentos estatais que tornam aquela região um ponto de referência na cidade.

A oeste do bairro, ainda é possível ver uma imensa área verde que dá na Área de Preservação Ambiental do Engenho Pequeno. Criada em julho de 1991, com cerca de 140 hectares de Mata Atlântica secundária e terciária, a APA é administrada pela Secretaria de Municipal de Meio Ambiente, uma região com grande potencial para se tornar um Parque, tornando-se um equipamento público de lazer para a população, como há em diversas outras cidades e países.

Sede da APA do Engenho Pequeno – São Gonçalo
Sede da APA do Engenho Pequeno, um dos últimos redutos da Mata Atlântica em São Gonçalo.

Com o forte crescimento das regiões ao norte e leste de São Gonçalo, seria interessante que futuramente o governo municipal pleiteasse com o estado os auxílios possíveis para a construção de sua nova sede na região, carregando consigo a Câmara de Vereadores. Dessa forma, a atual prefeitura tornaria-se um Museu da Cidade e o Fórum Velho, no Zé Garoto, seria um equipamento cultural da cidade, definitivamente.

Naturalmente, com mudanças dessa natureza, boa parte dos caminhos ao Colubandê teriam de mudar. Especialmente o trecho da Salvatóri, que vai do Rocha à Água Mineral. Desapropriações do lado sem casas, alargamento de ruas e nivelamento de terrenos seriam fundamentais para que a cidade se comunicasse com eficiência.

Sei que as ideias dependem muito de verbas que, no momento, nenhuma das 3 instâncias de governo (Município, Estado e Federação) têm sobrando em seus orçamentos. Entretanto, a mudança seria fundamental para desenvolver a cidade e ligá-la às 3 cidades co-irmãs, formando um novo eixo de força no Leste Fluminense.

RJ 104, São Gonçalo
Trecho da RJ 104, sentido Niterói, altura do viaduto que dá em Maria Paula. Foto: Gustavo Stephan

E para aqueles que possam pensar que os distritos de Neves e Sete Pontes ficariam desamparados, isso é um equívoco. As ligações de São Gonçalo com o Rio e Niterói, seja via BR-101 ou pelas ruas principais dali, já estão devidamente consolidadas como as principais vias. Sem falar no fator Baía de Guanabara, que com a vinda das barcas, daria ainda mais valor à região.

Como tudo nesse texto ainda é um sonho, não vou nem citar o metrô. Afinal, esse já é uma desilusão.

Foto de capa: Por @fabiodevillart no Instagram.

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Como transformar São Gonçalo numa cidade mais verde https://simsaogoncalo.com.br/como-transformar-sao-goncalo-numa-cidade-mais-verde/ https://simsaogoncalo.com.br/como-transformar-sao-goncalo-numa-cidade-mais-verde/#comments Thu, 02 Apr 2015 16:34:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2743 “Tem Jardim no Catarina?” Essa é mais uma daquelas frases que seriam engraçadas se não fossem trágicas. São Gonçalo, como boa parte do território do Rio de Janeiro, já abrigou parte da Mata Atlântica no passado. Nas últimas décadas, com o crescimento urbano desordenado e acelerado, nossa cidade entrou para a lista daquelas com poucas […]

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“Tem Jardim no Catarina?” Essa é mais uma daquelas frases que seriam engraçadas se não fossem trágicas. São Gonçalo, como boa parte do território do Rio de Janeiro, já abrigou parte da Mata Atlântica no passado. Nas últimas décadas, com o crescimento urbano desordenado e acelerado, nossa cidade entrou para a lista daquelas com poucas áreas verdes e muito cimento construído, retendo ainda mais calor, deixando nossas temperaturas cada vez mais altas e com um verão insuportável.

Conhecendo as pessoas que se mobilizam pela cidade, chegamos até Marcos Dias, biólogo que criou o projeto Remoma, cujo objetivo é a Revitalização do Morro da Matriz, daí a origem do nome. Desde 2002, Marcos trabalha na recuperação da vegetação no entorno da Igreja Matriz de São Gonçalo, plantando espécies nativas da Mata Atlântica.

Projeto Remoma - Morro da Matriz – São Gonçalo
Sujeira e depósito de lixo no terreno entre a “Clínica São Gonçalo” e a Igreja Matriz.

Bem além da melhoria visual e olfativa, sem o lixo acumulado, o Remoma entende que a revitalização dos espaços naturais também inibi o crescimento desordenado no topo do terreno, e promove o lugar para que se faça caminhadas com temas religiosos e ecológicos, tornando-se uma nova opção de lazer para a população, contando com a vista privilegiada da cidade.

No final de março de 2015, a equipe formada por voluntários de todas as idades, entre eles alunos do Clélia Nanci, realizaram a 25ª etapa do Projeto Remoma, plantando espécies nativas como Pau d’alho, ipê roxo e paineiras na região.

Projeto Remoma - Morro da Matriz – São Gonçalo
Situação do lugar, antes da chegada do Projeto Remoma no último mês de março (2015).
Projeto Remoma - Morro da Matriz – São Gonçalo
Ações de plantio de espécies como pau d’álho e ipê.

Segundo Marcos, ainda há muito trabalho a ser feito. Se você estiver interessado em fazer parte dessa equipe como voluntário, entre em contato com o Remoma através do email projetoremoma@gmail.com. Em breve, eles criarão um grupo no Whatsapp para troca de ideias e sugestões para fazer ainda mais por São Gonçalo.

Esperamos que o gesto do Remoma se alastre, tornando-se um exemplo do que pode ser feito para deixar a cidade um lugar ainda melhor para se viver.

Entre no site www.projetoremoma.org e confira outras ações do projeto.

Projeto Remoma - Morro da Matriz – São Gonçalo
25ª Etapa do Projeto Remoma, no Morro da Matriz – Centro de São Gonçalo
Projeto Remoma - Morro da Matriz – São Gonçalo
25ª Etapa do Projeto Remoma, no Morro da Matriz – Centro de São Gonçalo

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Operação Cidade Limpa fracassou https://simsaogoncalo.com.br/operacao-cidade-limpa-fracassou/ https://simsaogoncalo.com.br/operacao-cidade-limpa-fracassou/#comments Tue, 24 Mar 2015 17:20:18 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2698 Último sopro de esperança pelo fim da sujeira nas ruas de São Gonçalo, a Operação Cidade Limpa fracassou por três simples razões: não conscientizou a população, não inovou a coleta de lixo e suas regras básicas são frouxas. Dias atrás vi um funcionário da Prefeitura jogar um copinho de café no chão e empurrá-lo com o pé […]

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Último sopro de esperança pelo fim da sujeira nas ruas de São Gonçalo, a Operação Cidade Limpa fracassou por três simples razões: não conscientizou a população, não inovou a coleta de lixo e suas regras básicas são frouxas.

Dias atrás vi um funcionário da Prefeitura jogar um copinho de café no chão e empurrá-lo com o pé para junto do meio-fio, tentando amenizar a imundície resultante de sua pobreza de espírito. Se o governo não convence seus próprios funcionários a abandonar o péssimo hábito de jogar lixo na rua, e se o cuidado com o município não é levado a sério nos corredores da Prefeitura, dificilmente teremos uma cidade limpa; espera-se que os servidores públicos incentivem a população a descartar corretamente o lixo, não que sejam os primeiros a poluir a cidade.

Além da falta de conscientização popular, a Operação Cidade Limpa pecou ao se concentrar apenas no combate ao despejo irregular. É, obviamente, importantíssimo recuperar a cidade do grande depósito de lixo a céu aberto que ela se tornou, no entanto, a tarefa seria sensivelmente mais plausível se a Prefeitura apresentasse aos cidadãos uma proposta clara do que fazer com seu lixo e, uma vez produzido, não há nada mais apropriado a fazer com o lixo do que reciclá-lo.

Operação Cidade Limpa em São Gonçalo
Placa da “Operação Cidade Limpa” sendo colocada na linha do trem, na altura do bairro Mangueira. Foto: Prefeitura São Gonçalo

Do alto de sua extrema limitação, as cabeças pensantes do governo Mulim não se lembraram de que o mundo inteiro está preocupado com a recuperação do meio ambiente através da reciclagem, havendo iniciativas na Europa e nos Estados Unidos que vão ainda mais longe e pregam a geração de quantidades mínimas de lixo por pessoa. Alguns dirão que a população daqui não é educada o suficiente para reciclar, ou que o investimento seria alto demais para implantar um programa com este objetivo – puro engano. Somos 1 milhão de pessoas em pleno século 21, totalmente capazes de separar o lixo úmido do material reciclável, como qualquer criança faria quando bem orientada. E como a cidade já conta com cooperativas privadas de reciclagem, a maior preocupação da Prefeitura seria coletar o material.

Os comerciantes, por sua vez, deveriam ser obrigados por lei a separar seu lixo e encaminhar a parte reciclável às cooperativas. Mas, na prática, o governo “abre as pernas” para eles e oficialmente permite que depositem o lixo na calçada a partir das 18h, na mesma calçada onde a população que volta do trabalho caminha para chegar em casa. Absurdo imperdoável! Que algum funcionário do estabelecimento entregue diretamente ao caminhão da coleta, nas mãos do gari, o lixo oriundo de suas operações.

Se a Prefeitura pensasse em soluções à altura da complexidade de São Gonçalo, o lema da Operação Cidade Limpa seria “Recicle” em vez do insuficiente e ultrapassado “Não jogue lixo na rua”. Este governo precisa ser empurrado.

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4 passos para reciclar seu lixo https://simsaogoncalo.com.br/4-passos-para-reciclar-seu-lixo/ https://simsaogoncalo.com.br/4-passos-para-reciclar-seu-lixo/#comments Wed, 25 Feb 2015 01:28:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2582 Tomada por pilhas de lixo que se acumulam nas ruas, geralmente em volta dos postes, São Gonçalo sofre com desrespeito e falta de zelo por parte dos setores civil, público e privado da sociedade. Em alguns bairros, como Centro e Alcântara, o problema é tão grave que enoja quem caminha pelas calçadas. Não permita que o […]

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Tomada por pilhas de lixo que se acumulam nas ruas, geralmente em volta dos postes, São Gonçalo sofre com desrespeito e falta de zelo por parte dos setores civil, público e privado da sociedade. Em alguns bairros, como Centro e Alcântara, o problema é tão grave que enoja quem caminha pelas calçadas.

Não permita que o lixo de sua casa ou trabalho polua a cidade, descarte-o de forma inteligente:

  1. Adquira uma lixeira adicional e alguns sacos plásticos.
  2. Separe o lixo seco (latas, papéis, plástico, vidro) do lixo úmido (alimentos, fraldas, cigarros).
  3. Entregue somente o lixo úmido ao caminhão da coleta de lixo.
  4. Encaminhe o lixo seco ao posto de coleta de material reciclável mais próximo.

Percebemos imediatamente que a quantidade de material reciclável, que antes era desperdiçado, é bem maior que a quantidade de lixo não reaproveitável, que inevitavelmente polui o meio ambiente ao ser despejado no aterro sanitário de Anaia Pequeno pela empresa de coleta.

Se ainda não acredita que é fácil reciclar, lembre-se de que não é necessário comprar uma nova lixeira, basta colocar em sacos diferentes os dois grupos – seco e úmido. Além disso, não se deve lavar as garrafas e potes que serão reciclados, simplesmente tire o excesso de comida. E, uma vez por semana, o Albergue da Misericórdia coleta material reciclável em 17 bairros de São Gonçalo, permitindo a reciclagem sem sair de casa. Entre em contato com o Albergue pelo telefone (21) 2601-5015 e verifique se o seu bairro está na lista.

Atenção: pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes devem ter destino especial, geralmente o próprio local de compra.

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Projetos que movem a cidade adiante https://simsaogoncalo.com.br/projetos-que-movem-cidade-adiante/ https://simsaogoncalo.com.br/projetos-que-movem-cidade-adiante/#respond Tue, 02 Dec 2014 11:49:42 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2399 Em São Gonçalo existem valiosas iniciativas populares que lutam para livrar a cidade da atual realidade miserável. Algumas ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, como o Festival de Rap e Cultura, mas destaco abaixo três grandes projetos que vi de perto em ação dedicando-se à arte, reciclagem e assistência social, atividades fundamentais para o desenvolvimento urbano neste século.   […]

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Em São Gonçalo existem valiosas iniciativas populares que lutam para livrar a cidade da atual realidade miserável. Algumas ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, como o Festival de Rap e Cultura, mas destaco abaixo três grandes projetos que vi de perto em ação dedicando-se à arte, reciclagem e assistência social, atividades fundamentais para o desenvolvimento urbano neste século.

 

Rodrigo Santos - Uma Noite na Taverna. Toda 2ª sexta-feira de cada mês, às 19h. Local: SESC
Rodrigo Santos – Uma Noite na Taverna. Toda 2ª sexta-feira de cada mês, às 19h. Local: SESC

1. Uma Noite na Taverna

Assisti ao evento pela primeira vez há mais de sete anos e ainda o considero a maior riqueza gonçalense. A Taverna consegue reunir no mesmo espaço, uma vez por mês, música, artes plásticas e poesia de qualidade.

Chegando ao evento, o visitante é absorvido pela atmosfera da arte em pleno exercício e pode apreciar obras de escultores e pintores locais e ouvir boa música enquanto os poetas se preparam para declamar os trabalhos dos maiores nomes da poesia nacional e internacional. Essencialmente democrático, o público é incentivado a exercitar seu lado artístico e também apresentá-lo no evento.

Sempre com uma programação diferente, a Taverna é importante porque, através da disseminação da arte, forma cidadãos.

– Funcionamento: Na segunda sexta-feira de cada mês, às 19h, no SESC
– Preço: Gratuito
– Site: Uma Noite na Taverna – Facebook

 

Rota da Reciclagem
Rota da Reciclagem – Segunda a sexta, das 8h às 17h, em Monjolos. Local: Albergue da Misericórdia

2. Albergue da Misericórdia

A quantidade de lixo espalhado nas ruas de São Gonçalo é vergonhosamente assustadora. Nenhum bairro da cidade está isento do problema; a população não sabe lidar com o lixo que produz e o descarta de forma indevida. O Albergue oferece um serviço único, que é coletar diretamente nos domicílios o material reciclável, que representa 70% do lixo que geramos.

O material, recolhido gratuitamente, é levado ao centro de reciclagem para ser preparado e depois vendido. O dinheiro arrecadado auxilia na manutenção do projeto social de apoio a ex-presidiários e dependentes químicos.

O Albergue da Misericórdia, que permanece aberto a visitas durante o horário de funcionamento, é prova de que inteligência e boa vontade operam verdadeiros milagres. Lá até o material oriundo da limpeza dos chiqueiros é transformado em gás, utilizado na cozinha. Recicle seu lixo.

– Funcionamento: Segunda a sexta, das 8h às 17h, em Monjolos.
– Site: Albergue da Misericórdia – Rota da Reciclagem

 

 

3. Pastoral dos Vicentinos

O trabalho dos vicentinos é doar aos pobres e necessitados gonçalenses aquilo que mais precisam: amor. Esta doação acontece através do contato amigável, da cesta básica mensal de alimentos e da orientação social e profissional. Centenas de famílias em situação de vulnerabilidade social são assistidas enquanto buscam o próprio sustento (em caso de acomodação, perdem o benefício).

Os membros da pastoral são voluntários, porém afirmam que o serviço é recompensador, pois também recebem amor em troca.

– Funcionamento: Reuniões às terças, às 20h, na Paróquia São Pedro de Alcântara

Sem qualquer apoio governamental, São Gonçalo não teria esperanças de vencer a desordem e ignorância se não fosse o esforço daqueles que se dedicam a projetos como esses.

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Alagamento em São Gonçalo: por que são tão frequentes? https://simsaogoncalo.com.br/por-que-sao-goncalo-tem-alagamento/ https://simsaogoncalo.com.br/por-que-sao-goncalo-tem-alagamento/#comments Mon, 14 Apr 2014 21:23:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1837 Alagamento é um problema crônico em todo estado do Rio de Janeiro. São as águas de março fechando o verão, levando desgraça e preocupação. Em 1972, Tom Jobim lançava a música que até hoje embala trilhas e ouvidos pelo mundo. Em todo o estado e em São Gonçalo a poética canção revela algo preocupante. São as […]

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Alagamento é um problema crônico em todo estado do Rio de Janeiro. São as águas de março fechando o verão, levando desgraça e preocupação.

Em 1972, Tom Jobim lançava a música que até hoje embala trilhas e ouvidos pelo mundo. Em todo o estado e em São Gonçalo a poética canção revela algo preocupante. São as chuvas fortes que precipitam de uma vez só, alagando tudo.

Da década de 70 até hoje, a população de São Gonçalo quase que dobrou. E como pode-se perceber em todo o Brasil, com raríssimas exceções, o crescimento desenfreado deu numa quantidade absurda de ocupações irregulares. Planejamento habitacional zero. É casa em cima de rio, rio que vira valão, valão que transborda.

Todo ano, Neves, Vila Lage, Trindade, Colubandê, Gradim, Alcântara, Camarão, Califórnia, Tribobó, Jockey, Boaçu, Catarina, Bom Retiro, Guaxindiba, Porto Novo e outros vários bairros convivem com os alagamentos de verão. Mas o que fazer?

Quando fizemos o Alagamaps, ficou claro que muitos pontos de alagamento tinham relação direta com a ocupação de áreas onde antes havia rios. E olha, São Gonçalo possui muitos deles! A maioria já virou valão. Entretanto, ainda desembocam na Baía de Guanabara.

Por que São Gonçalo tem alagamento?
Alcântara no alagamento de 2010 – Por Gustavo D’Ângelo
Por que São Gonçalo tem alagamento?
Alcântara no alagamento de 2010 – Por Gustavo D’Ângelo

Alagamento em São Gonçalo, há solução?

NevesVila Lage e arredores fazem parte de uma das regiões mais antigas da cidade. É cercada por dois rios: o Brandoas, que está entre Vila Lage e Porto Velho, e o Bomba, aquele ao lado do Carrefour que divide São Gonçalo e Niterói. Tenho a impressão de que a rede de águas pluviais é tão antiga, que não foi desenhada para sustentar o volume de águas que passam nas galerias. Somado ao asfalto das ruas, que blinda a penetração de água no solo, temos um grande volume de chuvas correndo com mais rapidez às galerias. Resultado: Não há vazão suficiente e o alagamento começa.

Esse não é um problema exclusivo de São Gonçalo. Pelo contrário, da zona sul carioca à região serrana, a época das chuvas é um período de atenção redobrada. Soluções existem. Mas as obras são caras, demoradas, geram transtornos no trânsito e, depois de prontas, não aparecem, pois ficam debaixo da terra.

Então, me diga: qual político vai ter peito para fazê-las? Não precisa ser gênio pra responder essa pergunta.

Infelizmente, as águas de março e abril fecham o verão sem deixar promessa alguma no seu coração.

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As duas mortes de Francisco https://simsaogoncalo.com.br/as-duas-mortes-de-francisco-chico-mendes/ https://simsaogoncalo.com.br/as-duas-mortes-de-francisco-chico-mendes/#comments Mon, 23 Dec 2013 17:34:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1585 Posso dizer com todas as consoantes e vogais que sou realmente um cara azarado. Não bastava me tirarem a vida uma semana após completar 44 anos, na minha querida cidade do Acre. Tempos depois de sepultado, fui novamente morto, lá no estado do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada São Gonçalo. Para que o […]

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Posso dizer com todas as consoantes e vogais que sou realmente um cara azarado. Não bastava me tirarem a vida uma semana após completar 44 anos, na minha querida cidade do Acre. Tempos depois de sepultado, fui novamente morto, lá no estado do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada São Gonçalo.

Para que o leitor me conheça melhor, vou contar um pouco da minha vida.

Meu nome de batismo é Francisco Alves Mendes Filho. Mas pode me chamar de Chico. Fui íntimo para milhares de pessoas, porque não ser íntimo para você, amigo leitor.

Nasci no Acre. Brasileiro e me orgulho disso. Afinal, como diz o dito popular, não desisto nunca e sempre foi assim até a hora da minha morte. Poderia ter nascido boliviano, já que até o século XX o Acre pertencia à Bolívia. Graças à luta dos migrantes nordestinos brasileiros, grande maioria cearense, incluindo com muito orgulho meus pais que chegaram para tentar a vida como seringueiros, esse pedacinho de terra passou ao Brasil através do Tratado de Petrópolis, intermediado pelo então ministro do exterior, o Barão do Rio Branco. Afirmou-se ali que, por 2 milhões de libras esterlinas, parte do território do Mato Grosso e o Acre ficariam de vez com o Brasil. Mas como o assunto não é a minha cidade natal e sim a minha vida, vou continuar a história sobre como acabei morto por duas vezes.

Minha vida não foi fácil. Quando criança, me embrenhava na mata para acompanhar meu pai. Ele era um grande homem e um excelente profissional. Com a dedicação de um professor, me passava cada detalhe sobre o oficio de seringueiro. Olhava para ele com muita ternura e não saia da minha cabeça que quando crescesse seria igualzinho a ele.

Chico Mendes

Não tive oportunidade de me alfabetizar como uma criança normal de seis ou sete anos. Não tínhamos escolas e os donos de terras não tinham o menor interesse de criá-las, pois quanto menos estudo, mais dependentes ficávamos. Com isso, só aprendi mesmo a ler quando completei os meus 20 anos. Essa conquista só foi possível com a ajuda de um grande amigo, Euclides Távola, que não só me ensinou a ler e a escrever, como despertou o meu interesse pelo destino do planeta e da humanidade. Um militante comunista que participou ativamente no levante comunista de 1935, em Fortaleza, e ainda na Revolução de 1952, na Bolívia. Nunca mais o veria em vida, desde o golpe militar de 1964, mas aquele homem mudou a concepção da minha vida e a educação passou a ser minha obsessão. Queria que todos os companheiros de trabalho aprendessem a ler e a escrever para não serem roubados nas contas do patrão. Cem homens sem instrução fazem uma rebelião. Um homem instruído é o começo de um movimento.

Minha liderança aflorou mesmo aos meus 31 anos de idade quando cheguei a secretário dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, presidido por Wilson Pinheiro, grande responsável pela minha veia ativista. Comecei a participar intensamente das lutas dos meus companheiros seringueiros para impedir o desmatamento da Amazônia. A união sempre fez a força e cada companheiro contribuía fielmente na causa. Éramos uma só família que de mãos dadas impedíamos as máquinas de destruir nossa floresta. Homens, mulheres, crianças e até vovozinhos davam suas vidas pela floresta. Chamávamos de “EMPATES”. A floresta sempre foi a nossa sobrevivência e de lá ganhamos o pão nosso de cada dia.

Em 1985, o nosso movimento, definitivamente, criava corpo. Fizemos o primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros. Criamos o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e uma proposta que garantia defender os interesses e direitos dos habitantes da floresta por meio da criação de reservas extrativistas. A “União do Povo da Floresta” viria para ajudar não só a nós seringueiros, mas indígenas, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeira de coco babaçu e a população ribeirinha.

Nossa causa chamou a atenção do mundo e membros da ONU nos deram o prazer da visita em nossa Xapuri. Puderam acompanhar de perto a devastação da floresta e a expulsão dos nossos companheiros por projetos financiados por bancos internacionais. Essa visita me encheu ainda mais de coragem e procurei o senado norte-americano para afirmar a denúncia. O financiamento desses projetos foi interrompido e ganhamos essa batalha. Essa coragem me proporcionou vários prêmios internacionais, mas acreditem leitores, no Brasil fui acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar o progresso. 

Vê se pode! Eu não lutava contra o progresso. Precisamos de empregos e desenvolvimento, mas de um jeito que não nos mantenha pobres. Passar por cima da nossa gente nunca, nem morto!

Por falar em morto, chego ao momento do texto onde tenho que falar sobre como me tiraram a vida. Tenho certeza que essa morte doeu mais no mundo do que em mim mesmo. O leitor nunca teve essa experiência com a morte, não é? Claro, pois se tivesse não estaria passeando por esse texto. Vou te falar meu amigo, é como se fosse alguém desligando um interruptor. De repente, tudo se apaga.

Já tinha recebido ameaças de morte outras vezes, mas elas aumentaram quando batemos de frente com o fazendeiro Darly Alves da Silva, que decidiu desmatar o seringal Cachoeira. O seringal já tinha sido desapropriado para a criação de uma reserva extrativista. Sem pensar duas vezes, liderei meu povo e fizemos o “empate” no terreno. Denunciei que estava sendo ameaçado por Darly e um mandato de prisão chegou a ser emitido. Mas o malandro fugiu antes do mandato chegar. Dias depois, quando saia de casa para tomar meu banho, fui surpreendido na porta dos fundos da minha casa com um tiro de escopeta no peito. E aí, veio a escuridão.

Minha morte fortaleceu não só a nossa luta pela floresta amazônica, mas meu nome virou sinônimo de proteção ao meio ambiente e biodiversidade. Eu renasci em várias formas de homenagem. Renasci em forma de institutos, praças, avenidas, escolas e muitas outras pelo mundo.

Fiquei muito feliz com cada homenagem, mas uma em especial mexeu comigo. Aconteceu lá no Rio de Janeiro, para ser mais preciso, na cidade de São Gonçalo, em outubro de 1992. Momento que o mundo dava mais um passo rumo à consciência ecológica. Coincidência ou não, ano da ECO92.

Nascia uma praça, a Praça Chico Mendes. Nenhuma família precisou ser desapropriada, o espaço utilizado era justamente o espaço onde passavam os trilhos de ligação para Estação Raul Veiga, da saudosa Estrada de Ferro Maricá. Importante para economia da cidade e até do Brasil. Nela passava uma grande parte das laranjas que eram exportadas para os gringos.

Voltando à praça, foi toda arborizada, tornando o lugar bem arejado para as famílias que frequentavam, aproveitando aquele espaço o verde da cidade. Possuía uma quadra onde os adolescentes podiam praticar seus esportes favoritos. Como era bom apreciar aqui de cima a galera do basquete treinando os arremessos. Bem cedinho, os vovôs e as vovós utilizavam a quadra para se exercitar ao som de música ritmada, sobre a orientação de uma linda e sarada personal. Desculpe-me leitor, morri, mas o instinto de homem falou mais alto. Era de ficar de queixo caído admirando as manobras radicais da galera do skate na única pista da cidade. 

As duas mortes de Chico Mendes

Praça Chico Mendes, a "praça da Bíblia" pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert
Praça Chico Mendes, a “praça da Bíblia” pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert

A praça era frequentada por várias tribos diferentes em perfeita harmonia. Ela durou exatos 20 anos, quando o povo de São Gonçalo elegeu uma prefeita que cismou com a coitada da praça. Queria porque queria que o nome fosse substituído para Praça da Bíblia. Eu não fiquei chateado com o nome, afinal ser substituído pelo livro sagrado é uma honra pra mim, mas aquela senhora de cabelos vermelhos, tipo o do Curupira, foi além.

A quadra e a pista de skate sumiram definitivamente. Em seus lugares, foram colocadas estruturas metálicas formando alguma coisa que sinceramente não sei explicar. Bom, vou tentar narrar aos olhos do arquiteto que criou essa maravilha da arte contemporânea. Se Niemeyer desse uma voltinha em São Gonçalo e visse essa obra rasgaria o diploma de tanta raiva. “Ao adentrar nos portões da suntuosa Praça da Bíblia, os senhores avistarão um chafariz lindíssimo que representa a água da vida. Andando mais um pouco, os senhores passarão por uma estrutura metálica com painéis que representam o velho testamento. No final, olhando para cima, uma grande cúpula representa o útero que dá a vida. E, finalmente, os portões representam a saída do mundo ocidental.”

As duas mortes de Chico Mendes

Água da vida, útero, portões para saída do mundo ocidental? Viajou! Isso lá no Acre tem nome: maconha, muita maconha!!! A realidade de quem vê é uma praça triste, com um chafariz que não tem água, uma estrutura metálica que já se encontra enferrujada e painéis que não existem mais, pois voaram como pipas. Os portões nunca foram abertos desde a sua inauguração em dezembro do ano passado. E tudo isso com uma verba de 2 milhões de reais. Com dois milhões de reais eu compraria o Acre todinho para mim.

As duas mortes de Chico Mendes

E esse foi um pedacinho da minha história. Tenho certeza que muitas homenagens terei pela frente. No coração de cada gonçalense, estarei presente para sempre.

Aqui jaz Chico Mendes. Ex-seringueiro e ex- praça.

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Multa para os sujinhos, funciona? https://simsaogoncalo.com.br/multa-sujinhos/ https://simsaogoncalo.com.br/multa-sujinhos/#respond Fri, 29 Mar 2013 10:46:01 +0000 http://themes.wpbox.net/bolid/?p=615 “Acredita que se os gonçalenses fossem multados por jogar lixo no chão, assim como começou a ser na cidade do Rio de Janeiro, teríamos uma cidade mais limpa? Por que acha que as pessoas são tão porcas? Fico abismada ao ver como as pessoas podem jogar lixo no chão com tanta naturalidade!” Oi! Quando falam […]

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“Acredita que se os gonçalenses fossem multados por jogar lixo no chão, assim como começou a ser na cidade do Rio de Janeiro, teríamos uma cidade mais limpa? Por que acha que as pessoas são tão porcas? Fico abismada ao ver como as pessoas podem jogar lixo no chão com tanta naturalidade!”

Oi! Quando falam da “cidade do Rio”, não nos iludamos. Isso só vai acontecer próximo aos pontos turísticos, em um ou outro ponto do Centro. Se acontecer!

O lixo é uma questão cultural e de (falta de) educação das pessoas. No sul do Brasil, as cidades conseguem se manter mais limpas, fruto de uma conscientização implantada em outros tempos por lá. Aqui no Rio é essa zona.

Mesmo que haja multa, nada vai mudar. Os que deveriam sofrer fiscalização mais severa são os comerciantes. Boa parte do lixo deixado em algumas zonas da cidade são gerados por eles. Outra solução mais ativa seria ter pessoas dos bairros, remuneradas, responsáveis pelo bem local, fiscalizando-o. Isso daria “cara” ao governo municipal e, por serem são rostos conhecidos (do bairro), gerariam mais compreensão das pessoas.

 

Foto: Fábio Schumacher – @fabio_schumacher

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