Transporte Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/category/transporte/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 15 Dec 2023 19:43:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Transporte Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/category/transporte/ 32 32 147981209 Linha 3 do metrô Rio já foi realidade na história de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/linha-3-do-metro-rio-existiu/ https://simsaogoncalo.com.br/linha-3-do-metro-rio-existiu/#comments Tue, 11 Sep 2018 01:12:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6770 Você pode não saber, mas a linha 3 do metrô Rio já foi realidade na história de São Gonçalo. Não da forma planejada, como esperamos, infelizmente. Mas no lugar onde, anos atrás, havia a estrada de ferro que conectava Porto das Caixas, em Itaboraí, à Niterói. LEIA TAMBÉM: E se a linha 3 do Metrô fosse […]

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Você pode não saber, mas a linha 3 do metrô Rio já foi realidade na história de São Gonçalo. Não da forma planejada, como esperamos, infelizmente. Mas no lugar onde, anos atrás, havia a estrada de ferro que conectava Porto das Caixas, em Itaboraí, à Niterói.

LEIA TAMBÉM: E se a linha 3 do Metrô fosse inaugurada hoje?

Ainda pude pegar o trem e ir até estação final, quando era pequeno. O ano foi 1993 ou 94, se não me engano. Fui da estação da Madama até o ponto final, próximo ao que hoje chamamos de Comperj. A seguir, um vídeo de 2004 que encontramos nas redes. Ele mostra como era feita a viagem, na época que o trem ainda funcionava.

Linha 3 do Metrô Rio sai com boa vontade

Uma das vantagens dessa chamada linha 3 do metrô rio é a facilidade de implementá-la. Diferente de vários pontos do estado do Rio de Janeiro, essa linha ainda mantém seu traçado livre de construções e invasões que bloqueiem fortemente seu desenvolvimento.

Em 2016, algumas casas foram demolidas no Jardim Catarina, livrando o traçado dessas eventuais construções. Isso foi feito na esperança de se implantar a linha 3 do metrô Rio. Entretanto, nada foi realizado. Em 2017, as residências voltaram a ser ocupadas e reconstruídas.

Espero que você tenha curtido o vídeo. Sugiro também ir ao site “Estações Ferroviárias do Brasil” para conhecer diversas outras linhas férreas que foram implementadas e criminosamente destruídas. Se mantivéssemos tudo o que tínhamos, teríamos uma mobilidade urbana invejável.

Enquanto as máfias rodoviárias não largarem o osso, sigamos na batalha da péssima mobilidade urbana do Rio de Janeiro.

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Ônibus Fagundes com placa pendurada mostra que fiscalização é seletiva https://simsaogoncalo.com.br/onibus-fagundes-sem-fiscalizacao/ https://simsaogoncalo.com.br/onibus-fagundes-sem-fiscalizacao/#comments Tue, 13 Mar 2018 19:05:35 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6427 Um ônibus Fagundes roda com sua placa vermelha pendurada. Não, isso não foi uma metáfora. Esta semana, esse flagrante deixou ainda mais claro que, na hora de fiscalizar o transporte público, prefeitura e estado fecham os olhos. Aquela clássica “vista grossa” com os reis dos ônibus no leste fluminense. Na foto, vemos a linha de […]

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Um ônibus Fagundes roda com sua placa vermelha pendurada. Não, isso não foi uma metáfora. Esta semana, esse flagrante deixou ainda mais claro que, na hora de fiscalizar o transporte público, prefeitura e estado fecham os olhos. Aquela clássica “vista grossa” com os reis dos ônibus no leste fluminense.

Na foto, vemos a linha de ônibus 487M. Seu itinerário é entre Guaxindiba e Niterói.

A princípio, esse dado pode não fazer diferença para você. Mas para os moradores das regiões mais desfavorecidas da cidade, é nítido que os ônibus em pior estado de conservação trafegam nestas rotas.

Porém, nem só as localidades esquecidas estão passando por problemas. A RJ-104, como evidenciada pelo Jornal O São Gonçalo (março/2018), uma das principais vias de ligação entre Niterói e São Gonçalo, também está toda esburacada.

O DER, o Departamento de Estradas e Rodagem, até fez uma ação paliativa. Na verdade, estão remendando um asfalto que precisa ser completamente renovado.

Recapeamento da RJ104 ajuda os ônibus fagundes
Funcionários do DER consertaram alguns buracos na RJ-104 Foto: Luiz Nicolela / Jornal O São Gonçalo

Precisamos de fiscalização nos ônibus Fagundes e das outras viações

Para quem tem motocicleta e carro de passeio, as blitz comuns são frequentes. Sabemos que a qualquer mínimo detalhe fora de ordem, os órgãos de fiscalização podem travar nossos veículos, levando para o depósito.

Entretanto, quando o assunto são os ônibus municipais e intermunicipais, a coisa muda de figura. Nesse caso, só perdemos dinheiro. Afinal, pagamos passagem para termos um ônibus decente, como também pagamos impostos para financiar os órgãos de fiscalização. Quando ambos não fazem seu trabalho, obviamente, os prejudicados somos nós.

Nos últimos tempos, com a Operação LAVA JATO e seus filhotes, ficaram mais do que claras as promíscuas relações entre empresas de ônibus e governo. E certamente, esse é o ponto mais problemático de todos.

Ao final, o que acontece é um grande acordão. Prefeituras e Estado fingem que pavimentam as ruas, mas está tudo esburacado. Empresas de ônibus sabem disso, põem ônibus remendados nas ruas e cobram aumento de passagens. E ao final, pagamos à dois senhores por serviços que não vemos retorno algum.

E depois disso tudo, ainda tem gente que acha que reclamamos demais, só porque vimos uma “plaquinha pedurada”.

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Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo: conservar é preciso! https://simsaogoncalo.com.br/onibus-com-ar-condicionado-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/onibus-com-ar-condicionado-sao-goncalo/#respond Tue, 27 Feb 2018 20:42:33 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6353 Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo eram um mito. Com exceção dos  intermunicipais que vão para o Rio, o restante da frota é só decepção. Mas parece que nesta última semana de fevereiro de 2018, a lei que obriga os ônibus municipais a terem uma climatização digna está sendo posta em prática. Após constantes […]

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Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo eram um mito. Com exceção dos  intermunicipais que vão para o Rio, o restante da frota é só decepção. Mas parece que nesta última semana de fevereiro de 2018, a lei que obriga os ônibus municipais a terem uma climatização digna está sendo posta em prática.

Após constantes pedidos da população, em 2017, foi aprovada na câmara municipal e sancionada posteriormente a Lei que prometia, até 2020, fazer uma mini-revolução no transporte público municipal. Aplicada aos ônibus municipais, ela dará mais conforto a quem trafega pela cidade, trabalhando, passeando, estudando ou resolvendo a fazeres de seu cotidiano.

Do contrário que foi dito inicialmente, a Lei que prometia ter 20% da frota ainda em 2017 não foi cumprida no ano anterior. Tanto que agora em 2018, ao ver este “espécime raro” trafegando pelas ruas de São Gonçalo, muita gente nem acreditou.

Logo após a exibição dos primeiros exemplares de ônibus com ar condicionado na cidade, uma pergunta já está sendo feita nas redes sociais: “será que nós, população, conseguiremos manter os ônibus limpos, sem depredação?”

Ônibus com ar condicionado um sonho em São Gonçalo
Ônibus no trânsito de Alcântara. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Manter os ônibus com ar condicionado rodando é responsabilidade de todos nós

Embora a nossa população dependa dos ônibus para seu transporte, é flagrante que ainda há muito desrespeito com os coletivos nas ruas.

É comum ver passageiros que, sentindo-se “no seu direito” de fazer o que bem quiser, sujam o coletivo por completo. Muitas vezes, as pessoas sujam e espalham alimentos e bebidas pelo chão. Sem falar naqueles que escrevem nos bancos, colam chicletes, cospem no chão, entre outros atos nada respeitáveis.

Ônibus com ar condicionado em São Gonçalo: é preciso conservá-los
Ônibus com ar condicionado da linha 10 Circular. Foto: Robson Cunha / Twitter @Robson_Cunha

Boa parte dessas ações depreciativas serão amplificadas num ônibus com ar condicionado. Por serem fechados, eles têm ventilação um pouco mais lenta que com as janelas abertas. Mesmo acreditando na civilidade majoritária da população, ainda haverá uma meia dúzia insistindo nos mesmos péssimos hábitos de antes.

Ações educativas são fundamentais. Mas é preciso reconhecer os ônibus, com ou sem ar condicionado, como algo que pertence a todos nós.

Mesmo duvidando da idoneidade de boa parte das empresas de ônibus, a concessão pública a qual elas servem são para nos servir. E funcionando bem, são fundamentais para o nosso bem estar na cidade.

Que a lei se cumpra! E quem não esqueçamos do básico: pelo preço, as empresas não fazem mais do que sua obrigação.

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Não perca seu Bilhete Único! Saiba como manter o benefício na passagem https://simsaogoncalo.com.br/nao-perca-seu-bilhete-unico/ https://simsaogoncalo.com.br/nao-perca-seu-bilhete-unico/#respond Tue, 21 Nov 2017 16:14:09 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5767 Muitas pessoas serão surpreendidas com a suspensão do benefício do Bilhete Único Intermunicipal. Mesmo que você já tenha declarado a renda de até R$3.000 há alguns meses. Leia também: Transporte e o segredo do dinheiro infinito Isso porque no Decreto Estadual nº 45.895 consta que a declaração deve ser renovada a cada 180 dias. Isto […]

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Muitas pessoas serão surpreendidas com a suspensão do benefício do Bilhete Único Intermunicipal. Mesmo que você já tenha declarado a renda de até R$3.000 há alguns meses.

Leia também: Transporte e o segredo do dinheiro infinito

Isso porque no Decreto Estadual nº 45.895 consta que a declaração deve ser renovada a cada 180 dias. Isto é, 5 meses.

Ao invés de perder tempo indo às agências do RioCard, saiba o que fazer se isso acontecer com você:

  1. Declare novamente a sua renda pelo site da Setrans: https://www.riobilheteunico.com.br/declaracao e espere 24 horas para o próximo passo (porque o site demora a atualizar)
  2. Acesse o site do Bilhete Único: https://www.cartaoriocard.com.br/rcc/bilheteUnico
  3. Faça o Login no site do Bilhete Único
  4. Vá na sessão USUÁRIOS > CONSULTA E ALTERAÇÃO > selecione o usuário que teve o benefício suspenso > ALTERAR > selecione a opção “Deseja habilitar o Bilhete Único Intermunicipal?” > CONFIRMAR
  5. Validar o cartão em qualquer máquina de validação ou na própria máquina dos ônibus.

Observações sobre o Bilhete Único:

Pode demorar mais 24 à 48 horas para o benefício ser ativado (pela demora na atualização do site).

Você não receberá nenhum aviso que seu benefício do bilhete único foi suspenso, ou seja, fique atento ao dia em que declarou e se a máquina do ônibus computou a integração.

Se após esperar 24h e não aparecer a opção de habilitar o bilhete único e no lugar aparecer SUSPENSO na cor vermelha, espere mais um pouco, pois o site demora a atualizar.

A empresa RioCard não vai querer te reembolsar a diferença entre as passagens integrais e o valor do bilhete único nos dias que você ficou esperando o site deles atualizar para receber seu direito de volta.

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Barcas em Duque de Caxias tem mais chances que em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/barcas-duque-de-caxias-tem-mais-chances-que-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/barcas-duque-de-caxias-tem-mais-chances-que-sao-goncalo/#comments Mon, 15 May 2017 16:38:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4614 A região metropolitana do Rio de Janeiro é a 2ª maior do Brasil. Uma das 20 maiores do mundo. Isso mesmo! Sem exagero. Temos cerca de 12 milhões de pessoas vivendo juntas e trafegando constantemente entre as cidades. Seja para trabalhar, estudar, viver. Não à toa, os maiores fluxos de pessoas entre cidades acontecem aqui. E São Gonçalo e Niterói estão em […]

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A região metropolitana do Rio de Janeiro é a 2ª maior do Brasil. Uma das 20 maiores do mundo. Isso mesmo! Sem exagero. Temos cerca de 12 milhões de pessoas vivendo juntas e trafegando constantemente entre as cidades. Seja para trabalhar, estudar, viver.

Não à toa, os maiores fluxos de pessoas entre cidades acontecem aqui. E São Gonçalo e Niterói estão em 2º lugar na lista brasileira.

Agora, um anúncio feito pela CCR Barcas em outubro de 2015 está próximo de se tornar uma realidade. A Secretaria de Transportes do RJ anulou o contrato antigo e já está preparando uma nova licitação para a concessão do serviço. E nesse momento decisivo, a pergunta que mais fazemos é: e as barcas para São Gonçalo, quando virão?

Barca Pão de Açúcar se preparando para entrar em operação no trajeto Praça XV – Arariboia.
Barca Pão de Açúcar se preparando para entrar em operação no trajeto Praça XV – Arariboia.

A jóia da Coroa Aquaviária é gonçalense

Como já contamos aqui, a história do serviço de barcas vem desde 1835, quando o trajeto Rio-Niterói era feito por barcas a vapor. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora. Com capacidade para 250 passageiros, elas trafegavam das seis da manhã às seis da tarde.

Entretanto, 182 anos depois, cá estamos com o mesmo serviço, no mesmo local. As linhas foram ampliadas para Paquetá, Gragoatá, Ribeira (Ilha do Governador) e, mais recentemente, Charitas. Mas a jóia da Coroa Aquaviária Fluminense permanece no trajeto Praça XV – Arariboia, tendo um grande público vindo de São Gonçalo.

Trânsito no Centro de São Gonçalo. Foto: Marcelo Feitosa
Trânsito no Centro de São Gonçalo. Foto: Marcelo Feitosa

São Gonçalo que, aliás, é a cidade que tem a maior perda de tempo no trânsito do Rio de Janeiro.

Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão que, com 2 dos maiores fluxos pendulares do Brasil, ou seja, pessoas indo e voltando todos os dias, implantar a estação das barcas em São Gonçalo seria um ótimo negócio. Pelo menos na teoria.

Projeto de estação das barcas em Duque de Caxias, RJ.
Projeto de estação das barcas em Duque de Caxias, RJ.

Quando Duque de Caxias entra e põe a Baixada no jogo

O transporte aquaviário na Baixada não é nenhuma novidade. Desde o século XVIII, funcionava em Magé o Porto da Estrela, lugar onde pessoas e produtos circulavam, inclusive encurtando o caminho para a serra fluminense.

Aproveitando a nova licitação do serviço, momento onde todas as regras contratuais são dispostas, Duque de Caxias, a maior cidade da baixada fluminense, resolveu apresentar seus estudos de viabilidade para que as embarcações cheguem até lá.

Na prática, isso poderia reduzir boa parte do trânsito da linha vermelha, uma das principais vias de ligação da cidade do Rio com o município vizinho. Além de impactar as cerca de 118 mil pessoas que todos os dias vão e vem nesse trajeto.

Trânsito na Linha Vermelha em direção à Caxias e Ilha do Governador. Foto: Rafael Bozeo
Trânsito na Linha Vermelha em direção à Caxias e Ilha do Governador. Foto: Rafael Bozeo

Por que Caxias tem mais chances que São Gonçalo?

Caxias tem um PIB (Produto Interno Bruto) que é quase 2 vezes o de São Gonçalo. É o 3º maior do estado e o 22º maior do Brasil. Além disso, possui a REDUC, a refinaria responsável por 80% da produção de lubrificantes e pelo maior processamento de gás natural do Brasil.

Na teoria, Caxias é bem mais rica que São Gonçalo. Na vida real, nem tanto.

O PIB caxiense é puxado pela refinaria. Mas isso não significa que o dinheiro gerado pelos impostos são distribuídos em melhorias, deixando a população mais rica.

Praça do Pacificador em Duque de Caxias, a capital da Baixada Fluminense.
Praça do Pacificador em Duque de Caxias, a capital da Baixada Fluminense.

Porém, no final, o que vale é dinheiro no caixa do município. Sendo assim, já anunciaram o alargamento da Rua Almirante Greenfall, uma das ruas de acesso à futura possível estação, que passará a ter 500m de comprimento por 300m de largura.

Caso consigam a inserção na licitação, Caxias será a nova Niterói.

Da mesma forma que a praça Araribóia absorve toda a população de São Gonçalo e Maricá, Caxias fará isso com a população das outras cidades da baixada, fazendo com que elas deixem seu dinheiro na região.

Enquanto isso, vemos pouca movimentação em São Gonçalo. Gradim, Porto da Pedra, quais seriam os possíveis pontos para a recepção da Estação das Barcas Gonçalenses nesse modelo atual? Há estudos de viabilidade recentes? Precisamos construir esse material para levá-lo a público o quanto antes.

Barcas: uma luz no fim do túnel

Prefeitos e vereadores, a barca é mais viável que BRT e Metrô

É sabido que depois dessa crise econômica, nem o Comperj será o que foi prometido. Os investimentos minguaram e todo o El Dourado enferrujou. Nada de metrô, nem de BRTs pelos próximos anos.

Porém, essa janela das barcas pode se tornar uma viável opção. O tempo de deslocamento do gonçalense até o Rio, principalmente, diminuiria muito. Sem falar no alívio mental que é atravessar a Baía de Guanabara, ao invés de ficar preso num ônibus durante horas.

Todo mundo ganha. E só quem perde são aqueles que preferem que a situação se mantenha para continuar extorquindo o dinheiro de São Gonçalo.

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Barcas: uma luz no fim do túnel https://simsaogoncalo.com.br/barcas-uma-luz-no-fim-do-tunel/ https://simsaogoncalo.com.br/barcas-uma-luz-no-fim-do-tunel/#comments Thu, 15 Oct 2015 04:42:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3262 A maioria dos principais jornais, em suas edições de hoje, estamparam em sua capa a notícia de que a CCR Barcas deverá deixar a concessão que teria direito até 2023. A empresa argumentou que o serviço tornou-se financeiramente inviável e que, para evitar perdas ainda maiores, deixará a concessão. Segundo o Governo do Estado, a […]

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A maioria dos principais jornais, em suas edições de hoje, estamparam em sua capa a notícia de que a CCR Barcas deverá deixar a concessão que teria direito até 2023. A empresa argumentou que o serviço tornou-se financeiramente inviável e que, para evitar perdas ainda maiores, deixará a concessão. Segundo o Governo do Estado, a saída da CCR de forma unilateral é ilegal, mas que empresa e estado deverão chegar a um acordo em breve, onde nova licitação deverá ocorrer. Importante ressaltar que essa mesma empresa, já recebeu diversas multas pela Agetransp, devido ao péssimo serviço prestado à população.

Essa será uma oportunidade de ouro em que, os governos Estadual e Municipais da região, poderão reformular o plano de mobilidade urbana da região metropolitana, que a cada dia está mais caótico e insustentável. Uma nova estrutura de transporte aquaviário deve ser pensada, de maneira que todos os municípios do entorno da Baía de Guanabara sejam beneficiados, diminuindo a dependência do transporte viário.

Essa nova licitação deve prever a construção de novos terminais como aqui em São Gonçalo, além de Caxias, Magé e Ilha do Fundão, com a criação de novas linhas entre os distintos municípios, criando novas conexões e alternativas, dando à população capacidade de escolha. Essas novas linhas também devem ser licitadas de forma individual, com valores e serviços diferenciados de acordo com as especificidades de cada população e município.

Não podemos aceitar que um morador do Gradim, por exemplo, que estude na UFRJ (Ilha do Fundão), tenha de ir até Niterói, para de lá pegar outro ônibus em direção ao Rio, passando por todo o sofrimento da BR-101, Ponte Rio-Niterói e Av. Brasil engarrafadas, sendo que, da orla do seu bairro, é possível avistar os prédios onde estuda, do outro lado da Baía. Essa é apenas uma caricatura do que acontece cotidianamente com a população de nossa cidade, sempre deixado em segundo plano no tabuleiro político estadual.

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A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/ https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/#comments Mon, 16 Mar 2015 00:27:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2557 Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se […]

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Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer

É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se eu fosse um advogado diria que no mínimo um crime culposo, sem intenção de carcar) nesse espetacular registro de Manoel Fonseca no ano de 1956.

Bloco “Inocentes Canibais” Niterói
Manuel Fonseca – Bloco “Inocentes Canibais” diante do busto de Araribóia, na praça Araribóia, Carnaval de 1956. Coleção da Fundação de Arte de Niterói.

Aí, você fica pensando: “Assim é mole! Pular o carnaval em 1956 era muito mais fácil. A vida era muito melhor, não tínhamos tantos problemas como os de hoje. Saúde, educação e transporte eram mil maravilhas! Principalmente o transporte, pois tínhamos algo de qualidade, com preços justos.” Peraí! Não era bem assim! O nosso amigo de bronze da foto sabe muito bem que há muito tempo nossos transportes são péssimos. Especialmente o hidroviário, no qual foi testemunha de que “o bicho pegou” ali pertinho dele. Talvez seja um trauma causado por esse acontecimento que o fez morar na frente da igreja São Lourenço dos Índios, estando lá até hoje, rezando para que nossos governantes nos tratem com mais respeito.

Nosso amigo da foto se estabeleceu mesmo na Praça Araribóia, em 1914, após um movimento popular no ano anterior chamado “Comissão Glorificadora a Araribóia”, liderado por um tal de Araribóia Cardoso, que se dizia descendente do fundador de Niterói. Se o cara era ou não parente direto do famoso índio, nunca vamos saber. Mas aquele cara de barba espessa, casaco longo e cocar na cabeça surgiu com tudo no cenário político niteroiense. A partir daí, nosso amigo vivenciou as alegrias e as tristezas das pessoas que pegavam as barcas todos os dias para trabalhar. Até brincar o carnaval, o nosso amigo brincou. Essa foto não me deixa mentir.

Barcas à vapor, sec XIX (1835)
Barcas à vapor, sec XIX (1835)

O início do transporte aquaviário no Rio de Janeiro

Em 1835, as barcas a vapor circulavam realizando o trajeto Rio – Niterói. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora, com a capacidade de 250 passageiros de seis da manha às seis da tarde. A SNN manteve-se soberana até meados do século XIX, quando a Companhia Inhomirim entrou no circuito, obtendo permissão para manter uma linha de transporte regular entre a Capital do Império e Niterói. Mas, como diz o ditado popular: “Onde Come Um Come Dois”. Assim, as duas companhias entram num acordo para contornar a disputa pela concorrência, fundando a Companhia Niterói – Inhomirim. Esse filme nós vemos até hoje. Ele se chama monopólio. E assim, a companhia passa a explorar não só o trajeto Rio – Niterói, mas todos os principais portos do fundo da baía. A mais lucrativa foi quando estabeleceu uma carreira para o bairro de Botafogo, que na época, era o lugar de residências de famílias mais ricas. Botafogo passou a ser também o lugar mais procurado para os banhos de mar. Em 1858, a Niterói – Inhomirim já tinha 9 barcas fazendo o trajeto Rio – Niterói.

Mas em 1858, um empresário chamado Cliton Von Tuyl ganhou outra concessão para operacionalização do transporte aquaviário na Guanabara, a mesma carreira que Niterói- Inhomirim. Cliton não perde tempo e vende sua empresa aos empresários americanos Thomas Ragney e W. F. Jones, que estabeleceu as barcas a vapor do sistema Ferry. O capital internacional fez com que as barcas do sistema Ferry passassem por cima da concorrência, fazendo o mesmo trajeto em menos tempo, com mais velocidade e conforto. Isso foi fatal para sobrevivência da Companhia Niterói-Inhomirim, que em 1865 suspendeu seus serviços.

Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862
Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862

O velho monopólio do transporte

O céu era o limite para Companhia Ferry. Com o monopólio, o aumento dos preços do serviço ampliou a sua lucratividade a ponto de, em 1889, incorporar a Empresa de Obras Públicas do Brasil ao seu controle, dirigira por Manuel Buarque de Macedo e que já prestava serviços públicos em Niterói e São Gonçalo. Assim surgiu a Companhia Cantareira & Viação Fluminense.

A Companhia Cantareira foi só expansão até o ano de 1908, quando sofreu uma nova reestruturação e passou a ser financiada diretamente pela Leopoldina Railway, que monopolizaria não só o transporte de passageiros na Baia de Guanabara, como a provisão de infraestrutura física na chamada Orla Oriental da Baía.

Entretanto, a companhia não contava com o crescimento de passageiros. A partir do crescimento das duas cidades, tanto Niterói ,que segundo o recenseamento de 1920 contava com 86.238 habitantes, quanto São Gonçalo, que crescia meteoricamente com 47.019 habitantes segundo a mesma fonte, utilizavam o serviço. O reflexo disso não poderia ser outro, senão o descontentamento dos usuários do transporte. Em dezembro de 1925, foi registrado a primeira das diversas ondas de conflitos da história do transporte aquaviário no Rio de Janeiro. Insatisfeita com o aumento das tarifas das barcas Rio – Niterói, a população inicia uma série de depredações às estações “Niterói” e “Gragoatá”. Em 1928, devido ao mau funcionamento e atraso de várias barcas, ocorre outro episódio de indignação popular, quando várias barcas da estação Cantareira são quebradas.

Lembrando que o nosso amigo de bronze, o índio, já fazia guarita ali na praça Araribóia, observando tudo, sem mover uma palha, sem reação. Mas também, o que ele poderia fazer? Era apenas um busto. Ele até tentou o diálogo com os manifestantes, mas no calor do momento, ninguém lhe deu a menor pelota.

Livro Revolta das Barcas - Editora Garamond
Livro “A Revolta das Barcas”, de Edson Nunes. Editora Garamond. Sobre: Este livro descreve minuciosamente os acontecimentos da pequena revolução popular chamada Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói, em 1959, da qual resultaram seis mortos e 118 feridos, depredação de imóveis, uma intervenção militar na cidade e, finalmente, a estatização do serviço de lanchas que faz a travessia para o Rio de Janeiro. Um resgate oportuno numa época em que os serviços públicos estão sendo, em sua maioria, privatizados. Mais do que a simples crônica, traz informação detalhada, análise dos fatos e reflexão sobre a dinâmica político-social da época por um cientista social cujo texto, direto embora refinado, atende tanto às necessidades acadêmicas de pesquisadores quanto à curiosidade do leitor interessado na nossa história contemporânea. (Descrição da editora)

Literalmente, botando pra quebrar

Essas manifestações foram pintos perto do que o nosso amigo passou 30 anos depois. Essa sim deixou seus cabelos metálicos em pé. Pela proporção da revolta, pensou até que fosse seu fim. Mas o amigo manteve a calma, fechou os olhos e rezou para Nossa Senhora dos Índios até tudo se acalmar. Foi a chamada “Revolta das Barcas”.

A concessão era da Frota Barreto S.A, que já possuía barcas que faziam o trajeto em 20 minutos. Porém, os problemas eram os mesmos de 30 anos antes. As filas de passageiros eram cada vez maiores, os atrasos nos horários das barcas frequentes e a insatisfação dos funcionários constante. Sendo assim, no dia 18 de fevereiro de 1969, o dono da Companhia de Navegação Frota Barreto ameaçou paralisar as barcas, caso não houvesse o aumento da tarifa ou um maior subsídio do estado. Como o governo não estava nem aí para as reivindicações da empresa, em 6 de março do mesmo ano, o Grupo retirou algumas barcas de circulação, com o objetivo de pressionar o governo. Para complicar, cinco sindicatos de trabalhadores do transporte aquaviário ameaçavam entrar em greve, pois a Companhia não pagou os salários de março, alegando não ter verba. O ponto crítico se deu em 22 de maio de 1959, quando o tráfego da baía foi paralisado devido à greve dos marítimos, já que o grupo se recusou a pagar o aumento salarial decretado pelo governo.

Estação das barcas, Frota Barreto S.A., Centro, Niterói.
Estação das barcas, Companhia de Navegação Frota Barreto S.A., Centro de Niterói – RJ

Imaginem vocês como deve ter sido o sofrimento dos passageiros que esperavam as barcas para ir ao trabalho ou, até mesmo, voltar para sua casa. Se pensarmos que na época aquele era o único meio de transporte entre as duas cidades, o problema fica infinitamente maior. Hoje simplesmente pegaríamos o 100 e saltaríamos no terminal. Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói, que foi inaugurada apenas em 1974.

Com a greve, as estações das barcas amanheceram ocupadas por policiais e fuzileiros navais. Essa proteção foi insuficiente. Com mais de 3 mil pessoas, a multidão se revolta e ultrapassa a linha de fogo dos fuzileiros, que atiraram na multidão com suas metralhadoras. Mesmo assim, as estações das barcas de Niterói são invadidas, apedrejadas e ateadas fogo, destruindo toda a sua estrutura.

E o busto do Araribóia?

Bom, muita coisa se passou e nosso amigo de bronze já não mora mais ali, na Praça Araribóia. Ele se mudou para Igreja São Lourenço dos Índios, na comemoração do IV centenário de fundação da cidade. Em 1973, o busto do Araribóia foi substituído por um maior, com cara de brabo e braços cruzados, como se tivesse pronto para proteger a cidade… ou seria a estação? Sei lá, importante disso tudo é que hoje a concessão para do transporte hidroviário está nas mãos de outra empresa, CCR Barcas. E nós, usuários, continuamos brigando pelos mesmos motivos que levaram à revolta em 1959.

Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios
Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios.

Quer saber de uma coisa? Esqueça tudo, coloque sua fantasia e vá pular o carnaval. Já passamos por mais de 55 carnavais e não mudamos nada. E o próximo será mais um que passaremos como o índio da Praça Araribóia: DE BRAÇOS CRUZADOS.

Nota do Editor: A Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói no ano de 1959, deixou um saldo de 6 mortos, 118 feridos, depredação de imóveis e intervenção militar na cidade. Porém, o governo foi obrigado a estatizar o serviço de lanchas que faz a travessia Niterói – Rio de Janeiro.

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A família Conceição e a história de uma Ferrovia https://simsaogoncalo.com.br/familia-conceicao-e-historia-de-uma-ferrovia/ https://simsaogoncalo.com.br/familia-conceicao-e-historia-de-uma-ferrovia/#comments Tue, 18 Feb 2014 02:54:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1716 A relação de amor entre o senhor Antenor da Conceição e a Estrada de Ferro Maricá (EFM) começou cedo. Com apenas 22 anos, foi trabalhar como conservador de via permanente, contou com orgulho e nostalgia para nossa reportagem – os olhos marejados de lágrimas – sobre os bons tempos na ferrovia. Antenor da Conceição nos […]

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A relação de amor entre o senhor Antenor da Conceição e a Estrada de Ferro Maricá (EFM) começou cedo. Com apenas 22 anos, foi trabalhar como conservador de via permanente, contou com orgulho e nostalgia para nossa reportagem – os olhos marejados de lágrimas – sobre os bons tempos na ferrovia.

Antenor da Conceição nos revela a história do menino que não tinha grandes aspirações de ser um médico ou engenheiro. Porém, seu maior sonho era de ser coveiro no funcionalismo público. A vida do jovem Antenor despontava em Saquarema, no ano de 1936, enquanto a da EFM já estava a pleno vapor: era responsável pelo transporte de grande quantidade de sal vindo da região dos lagos e, principalmente, da grande quantidade de laranja que fez do município de São Gonçalo um dos principais exportadores da fruta.

A rede ferroviária também foi responsável pelo crescimento do núcleo urbano de Maricá, pois era o mais eficiente meio de transporte. Como consequência, ruas surgiram em torno da estação, resultando no aparecimento de diversos estabelecimentos comerciais.

Eduardo Rodrigues de Figueiredo relata no Anuário Geográfico do Rio de Janeiro, de 1952, a dificuldade demográfica de Maricá: “Não há no Estado do Rio de Janeiro município que, devido ao seu sistema orográfico, esteja mais isolado do restante de seu território do que Maricá”. Financiada em 1888, principalmente por proprietários rurais como José Antônio Soares Ribeiro, o Barão de Inohan, sem nenhum ônus para os cofres públicos, o primeiro trecho da estrada foi iniciado ligando Alcântara a Rio do Ouro, passando por Sacramento e Santa Isabel.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

 

Antenor nos recebeu nessa mesma estação de Santa Isabel, sua residência, onde desde 1970 vive com sua esposa, Maria Inês, e seus 3 filhos: Regina, Ronildo e Raquel – todos criados graças ao seu salário de ferroviário. Mesmo acamado devido uma enfermidade, um sorriso jovial ainda enfeita seu rosto e – com a alegria do menino sonhador de Saquarema – nos contou sobre seu trabalho na estrada de ferro. Sempre preocupado em manter a história, preservando as características do lugar, quando questionado do motivo de sua luta para manter a arquitetura da época, explicou: “Esse lugar não é meu e devo mantê-lo. Estou aqui justamente para preservá-lo e  não acabarem com esse patrimônio que guarda muitas memórias de nosso Município”.

O destino sempre amarrou a história de Sr. Antenor à estrada de ferro Maricá. Mesmo noivo e nos preparativos de casamento, os olhos de Antenor cruzaram com os da menina Maria Inês, filha do feitor a quem era subordinado. Essa historia de amor perdura até hoje. Fomos testemunhas do carinho e atenção daquela menina, hoje uma senhora de fala mansa e passos calmos, mas uma guerreira para defender sua família.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

Quando indagado pela nossa reportagem sobre o que mais o marcou em sua carreira como ferroviário, o Sr. Antenor, sem falsa modéstia, diz que era sua agilidade no serviço. Por causa dessa qualidade, sempre era chamado para trabalhos de emergência. Contou que às vezes, três funcionários não davam conta do serviço e ele era chamado pelo encarregado para dar uma “forcinha”. Ao chegar, os outros funcionários desapareciam e ele desenrolava o serviço com a maior facilidade. Sr. Antenor era, como se diz popularmente, “pau pra toda obra”. Quando a linha enchia de capim alto, dificultando a visibilidade do maquinista, quase sempre resultando no atropelamento de gados pastando, ele era chamado pelo supervisor para capinar.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Sr. Antônio Conceição

 

Num momento da entrevista notamos uma tristeza no olhar do Sr. Antenor. Foi exatamente quando fala do fim da estrada de ferro pela justificativa de não dar lucro. Ele informa que, além de ter bastante volume de carga e passageiros, muitas pessoas precisavam do trem. O senhor Antenor lamenta o não aproveitamento de nenhum trem que circulava na linha. Todos foram enviados para a siderúrgica em Volta Redonda.

A toda hora vivemos a história. Algumas delas se entrelaçam no meio do caminho, como a da família do Sr. Antenor e a EFM. Preservar as memórias da história de São Gonçalo é valorizar nosso passado e compreender nosso presente para a construção de um futuro melhor.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

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