carnaval Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/carnaval/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Tue, 05 Dec 2023 03:32:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg carnaval Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/carnaval/ 32 32 147981209 Como turbinar a Unidos do Porto da Pedra sem custos ao cofre municipal https://simsaogoncalo.com.br/impulsionando-unidos-do-porto-da-pedra/ https://simsaogoncalo.com.br/impulsionando-unidos-do-porto-da-pedra/#comments Thu, 07 Mar 2019 22:28:44 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7019 Por o Carnaval na rua não é fácil. Pelo contrário! De tempos em tempos, o maior produto cultural brasileiro é questionado. Mesmo tendo um forte impacto positivo na imagem do Brasil, ainda há quem duvide de seu potencial. Um desafio a mais para as escolas, como a nossa Unidos do Porto da Pedra. Em tempos […]

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Por o Carnaval na rua não é fácil. Pelo contrário! De tempos em tempos, o maior produto cultural brasileiro é questionado. Mesmo tendo um forte impacto positivo na imagem do Brasil, ainda há quem duvide de seu potencial. Um desafio a mais para as escolas, como a nossa Unidos do Porto da Pedra.

Em tempos de recessão, com razão, cada vez mais a população questiona o poder público sobre o dinheiro doado às escolas de samba. Afinal, diante de tantos mandos e desmandos dos contraventores que ainda dominam essas organizações, as dúvidas sobre a falta de transparência do retorno do dinheiro são óbvias.

Portal da Loucura da Porto da Pedra em 1997, no samba que conquistou o quinto lugar no grupo especial
Carro Abre Alas da Unidos do Porto da Pedra em 1997, ano que a escola conseguiu o 5º lugar no grupo especial, sua melhor colocação na história do carnaval.

Entretanto, seria possível usar os mecanismos legais para transformar uma escola de samba como a Porto da Pedra num sucesso cultural? Tenho certeza que sim. E mais, com a ajuda do poder público municipal. Só que dessa vez, a prefeitura não precisaria injetar nenhum real na agremiação.

Empresários, bicheiros e o carnaval

Entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, com a forte profissionalização do carnaval, tivemos os primeiros ensaios sobre a entrada das empresas no ambiente do carnaval do Rio. A ideia geral era reduzir a participação dos bicheiros, que naquela época estavam com a imagem desgastada e contas devassadas por conta da ofensiva da justiça contra os mesmos.

Para ter uma ideia dos anos 90, esse vídeo do Castor de Andrade em 1993 reflete bem o período.

A Unidos do Porto da Pedra é um exemplo de escola que não teve o jogo do bicho como principal mecenas. A entrada do empresário Jorge Lambel foi o motor propulsor da Porto que conhecemos hoje. Entretanto, após o falecimento do patrono, em dezembro de 2000, inicia-se um período de declínio.

Com o mecenato da contravenção reduzido, os grêmios recreativos começam a ter de buscar recursos em outros lugares. Prefeituras, países e empresas entraram forte no radar, “sugerindo” temas para o desfile. Segundo a matéria da Folha de São Paulo, em 2000, José Carlos Monassa, patrono da Viradouro na época, dizia que “esse é um caminho “lamentável”, que a escola tem evitado, até pela opinião do carnavalesco Joãosinho Trinta, que dizia que “Isso leva a uma pobreza de enredos”.”

A Porto prossegue no grupo especial até ter sua trajetória interrompida em 2012. Justamente naquele ano, o carnaval patrocinado pela Danone tinha como tema o leite, com o título “Da Seiva Materna ao Equilíbrio da Vida”. Infelizmente, o desfile não agradou aos jurados, rebaixando a agremiação para ao grupo de Acesso, posição que se encontra até hoje, em 2019.

Mas, como mudar?

Unidos do Porto da Pedra, São Gonçalo e as Leis de Incentivo: uma parceria estratégica

Em 2019, a Mancha Verde ganhou o campeonato no carnaval de São Paulo pela 1ª vez. O feito supera a estética da avenida. A vitória reflete o sucesso administrativo da escola, que conseguiu captar R$3,4 milhões de reais através da Lei Rouanet com a Crefisa. A empresa é patrocinadora do clube de futebol Palmeiras, ligado à escola de samba. Em resumo, uma parceria que rendeu muitos frutos.

Mirando o exemplo paulista, fica a pergunta: por que São Gonçalo e a Porto da Pedra não se unem num projeto estratégico de longo prazo para captar recursos?

A proposta seria uma mobilização da prefeitura, identificando, conversando e dando suporte às empresas locais que desejassem apoiar o projeto do carnaval da Unidos do Porto da Pedra. Dentro da mesma proposta, obviamente, deveria conter outros elementos que pudessem auxiliar o carnaval local, somado aos projetos educacionais que formariam mão de obra qualificada para “o maior espetáculo da terra”.

Mesmo tendo a necessidade de ter parte do barracão na cidade do Rio, por conta dos carros alegóricos, há outras atividades, como a confecção de fantasias, que poderiam se manter na cidade.

Leis de incentivo injetando dinheiro na economia local

Em 2018, o Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), finalizaram um estudo avaliando o impacto da Lei Rouanet na economia brasileira. O resultado foi que a cada R$1 real investido, R$1,59 são retornados.

Na prática, reteríamos o dinheiro que vai “livre” para Brasília, girando a economia local, criando postos de trabalho, com um plano sólido de investimento na imagem da cidade. Algo que, por sua vez, pode atrair ainda mais negócios.

Sei que para que um projeto assim acontecer precisaremos de bons profissionais e muita vontade política de ambos os lados, tanto da escola quanto da prefeitura, para que tudo funcione e aconteça.

A prestação de contas é rigorosíssima quando se recebe verbas via leis de incentivo. Isso é muito positivo! A transparência das contas gera credibilidade. Um ótimo atrativo para o apoio das pessoas que desejam terminar com a farra do dinheiro público, e ainda sim ver o carnaval crescer como indústria cultural. Seja em São Gonçalo ou no estado do Rio de Janeiro.

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Viradouro, Porto da Pedra e a representatividade das escolas de samba https://simsaogoncalo.com.br/viradouro-porto-da-pedra-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/viradouro-porto-da-pedra-goncalense/#comments Mon, 19 Feb 2018 16:46:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6183 Em fevereiro de 2018, a Viradouro sagrou-se campeã do grupo de acesso das escolas de samba do Rio de Janeiro. Com essa vitória, conseguiu seu retorno ao grupo Especial. Na mesma competição, a Unidos do Porto da Pedra ficou em 3º lugar. E no próximo ano, tentará novamente uma vaga na elite. Para conhecer a […]

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Em fevereiro de 2018, a Viradouro sagrou-se campeã do grupo de acesso das escolas de samba do Rio de Janeiro. Com essa vitória, conseguiu seu retorno ao grupo Especial. Na mesma competição, a Unidos do Porto da Pedra ficou em 3º lugar. E no próximo ano, tentará novamente uma vaga na elite.

Para conhecer a histórias das duas escolas, clique a seguir em:

A intenção aqui é falar sobre a representatividade das escolas de samba locais no carnaval. Isso envolve, inclusive, o bairrismo recente que tenta opor as duas agremiações que representam a cidade no carnaval carioca. Os argumentos são passionais, fáceis de acreditar, especialmente se você for um “gonçalense novo”, ou seja, começou a pouco tempo a ter uma identificação com a cidade.

Desfile da Porto da Pedra em 2018, no grupo de acesso.
Rainha de bateria Danielle Ferreira no desfile da Porto da Pedra em 2018, no grupo de acesso. Foto: O Carnavalesco / Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Já de antemão, agradeço a André Churros, fundador do São Bloco e mestrando em Estudos Literários pela UERJ/FFP, pela consultoria.

Uma escola de samba entre cidades irmãs

A Viradouro é uma das raras escolas de samba que se divide em 2 cidades: São Gonçalo e Niterói. Desde o samba de 1994, “Tereza De Benguela – Uma Rainha Negra No Pantanal”, já era possível ouvir o intérprete, Rico Medeiros, anunciando as duas cidades no início do samba-enredo, em seu grito de guerra.

Mas foi na voz de ouro de Dominguinhos do Estácio que o clássico “Alô, Niterói. Alô, São Gonçalo. Olha a Viradouro Chegando” tornou-se uma marca inconfundível, selando o vínculo definitivo da escola entre as duas cidades.

A estratégia acertada da Viradouro em conclamar ambos os municípios no início dos sambas já mostrava a percepção do crescimento da Porto da Pedra. Em 1994, a Porto já desfilava entre as escolas cariocas, com o objetivo de chegar ao sonhado Grupo Especial.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro
O bonde que fazia o retorno no “Viradouro” em Santa Rosa, Niterói.

Mesmo com seu início no “Viradouro dos Bondes” (em Santa Rosa), foi no Barreto – bairro que fica na divisa entre as duas cidades – que a escola fez sua história mais recente. O fácil acesso a ambos os municípios fez com que seus cidadãos participassem das atividades da escola, ajudando-a, inclusive, no caminho vitorioso das décadas anteriores.

Ensaios da Viradouro em São Gonçalo

Para os gonçalenses novos, que não presenciaram os anos 90 e a primeira metade dos anos 2000, é interessante lembrar que a Viradouro fazia seu primeiro ensaio preparativo para o carnaval no trecho entre o Paraíso e a Mangueira.

Quadra da Viradouro no Barreto em 2014, quando a escola conseguiu retornar ao grupo especial. Foto: Márcio Oliveira
Quadra da Viradouro no Barreto em 2014, quando a escola conseguiu retornar ao grupo especial. Foto: Márcio Oliveira

Os ensaios de rua sempre foram um dos melhores captadores de novos fãs para as escolas. A Viradouro, em especial, fazia seus ensaios ao final das tardes, o que levava muitas famílias às ruas. Ainda criança, eu ia com minha avó. Situação bem diferente de hoje, em que os ensaios da Porto da Pedra são à noite e não têm o mesmo perfil familiar, notando-se a pouca participação de crianças, infelizmente.

Ainda me recordo do ensaio de 2001. Foi um ensaio de rua marcante, especialmente pela presença da Luma de Oliveira, modelo de sucesso da época, à frente da bateria do Mestre Ciça. A rua estava lotada num nível difícil de mensurar.

Os ensaios na cidade acabaram ainda nos anos 2000, quando a escola limitou-se a ensaiar na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, no Centro de Niterói. Um dos prováveis motivos foi a falta de apoio dos governos locais na logística do fechamento das ruas.

Há também quem diga que o horário dos desfiles no Paraíso/Patronato interferia no andamento da missa da Igreja Nossa Senhora Aparecida, que ocorria no mesmo horário. Quem participou da escola na época, diz que ao passar pela igreja, o carro de som e a bateria precisavam parar suas atividades, retomando-as mais à frente.

A Porto da Pedra contornou esses problemas jogando seus ensaios para mais à noite.

Portal da Loucura da Porto da Pedra em 1997, no samba que conquistou o quinto lugar no grupo especial
Portal da Loucura da Porto da Pedra em 1997, no samba que conquistou o quinto lugar no grupo especial, retornando no sábado das campeãs.

Uma era vitoriosa de Viradouro e Porto da Pedra

O ano de 1997 foi um marco para Porto da Pedra. Em seu segundo ano como desfilante na Sapucaí, a escola conseguiu um memorável 5º lugar, voltando entre as campeãs no sábado seguinte.

Maior ainda foi a emoção da Viradouro, quando, com o enredo “Trevas! Luz! Explosão do Universo”, de Joãozinho Trinta, sagrou-se campeã daquele ano.

Naquele ano, após o fim da apuração das notas, era impossível sair, entrar ou transitar em São Gonçalo. No Barreto, principal entrada do município, a Viradouro comemorava o título inédito e, no Centro da cidade, a Porto da Pedra comemorava a colocação inédita. Hoje sabemos que este foi o máximo de representatividade que o leste fluminense pôde alcançar no quesito Carnaval.

O marco foi ainda mais intenso, pois as duas escolas que a representavam no Grupo Especial desfilaram no domingo pós-carnaval, no Rodo.

Integração entre as escolas do leste fluminense

Mesmo com o sucesso e a proximidade geográfica de ambas, parece que não havia um esforço para que elas se integrassem. Entre os componentes, a regra não dita era: “quando se desfila em uma, não se desfila na outra”.

E um grupo se destaca nesse ponto: a bateria.

Surdo de Primeira da Bateria Ritmo Feroz, da Unidos do Porto da Pedra.
Bateria Ritmo Feroz, da Unidos do Porto da Pedra. Fotografia: Jaylton Pimentel

Um dos promotores desses primeiros passos em direção à integração das baterias foi o Mestre Marcinho. Cria da Viradouro, Marcinho tornou-se um mestre de bateria de sucesso na escola Em Cima da Hora. Por ter se destacado, foi convidado a reger a Ritmo Feroz, a bateria da Porto da Pedra. Por seu histórico, conseguiu atrair alguns de seus parceiros para desfilar pela Porto.

“Eu me lembro do primeiro ensaio do Marcinho como Mestre da Porto da Pedra. Substituía o Mestre Cosme, que já estava na escola desde a ascensão ao grupo especial. Marcinho era um dos diretores auxiliares do Mestre Ciça na Viradouro e isso fez com que muitos de nós fôssemos ajudá-lo no novo trabalho. Na primeira reunião, ficou nítida a hostilidade de ambos os lados: de um lado, a galera da Porto; de outro, a gente da Viradouro, os forasteiros. Foi um começo complicado, mas, ao longo do tempo, o Marcinho conseguiu fazer um intercâmbio entre as baterias”, diz André Churros.

Aos poucos, quando os horários de desfile não interferiam, membros das duas escolas passaram a se frequentar mais, apesar de alguns relatos mencionarem que a Viradouro nem sempre recebesse membros da Porto tão bem.

Joãosinho Trinta na Sapucaí pela Viradouro em 1994
Joãosinho Trinta na Sapucaí pela Viradouro, ainda em 1994, com o enredo “Tereza De Benguela – Uma Rainha Negra No Pantanal”. Foto: Arquivo O Globo / Ivo Gonzalez

Retorno de mídia de Viradouro e Porto da Pedra

Apesar de termos poucos indicadores palpáveis sobre isso nas décadas passadas, é ponto pacífico que ainda há muita lembrança de ambas as marcas, quando o assunto é Niterói e São Gonçalo no grupo especial.

E nesse quesito, a Viradouro pode contribuir mais com sua história campeã.

De 1997 a 2007, a escola do Barreto voltou no Sábado das Campeãs por 9 vezes. Enquanto isso, a Porto da Pedra, que só voltou em 1997, trabalhava para fazer um bom desfile e se manter na categoria.

Joãosinho Trinta recebe Caetano Veloso na quadra da Viradouro, no Barreto em 1998. Foto: Carlos Ivan
Joãosinho Trinta recebe Caetano Veloso na quadra da Viradouro, no Barreto em 1998. Ao fundo, Tony Garrido, Cidade Negra. Foto: Carlos Ivan

Essa diferença marcou a Viradouro como uma escola de ponta, que disputa campeonato e tem cara de campeã. Isso, somado à equipe técnica da escola – que já teve em seu plantel nomes como os lendários Joãozinho Trinta, Mestre Ciça, Dominguinhos do Estácio, além das rainhas de bateria Luma de Oliveira e Juliana Paes em seus auges –, deram ainda mais credibilidade à bandeira da agremiação de São Gonçalo e Niterói.

Não se pode esquecer que, nos carnavais de 1997 e 1998, a Viradouro apresentou os 2 sambas que tiveram uma aceitação popular inimaginável naqueles carnavais e são cantados até hoje: “Vou cair na gandaia/Com a minha bateria/No balanço da mulata/A explosão de alegria” (1997) e “Hoje o amor está no ar/Vai conquistar seu coração/”Tristeza não tem fim, felicidade sim”/Sou Viradouro, sou paixão” (1998).

Acrescente-se a esses sambas o fato de a Unidos do Viradouro, em 1998, ter apresentado o enredo Orfeu, o Negro do Carnaval, baseado no mito grego e na peça de Vinicius de Moraes, que virou filme lançado em 1999, dirigido por Cacá Diegues. Todas as filmagens diretamente ligadas ao carnaval foram feitas na quadra, no barracão e no desfile da escola.

A Viradouro, então, era agora frequentada por personalidades como Caetano Veloso, Cacá Diegues, Toni Garrido, Patrícia França, Murilo Benício, Milton Gonçalves, Zezé Motta, Stepan Nercessian, entre outros. Todos queriam estar e desfilar na escola que, na época, era a escolhida dos atores e demais celebridades.

“Era realmente algo muito fora de comum. De uma hora outra para outra, todas as celebridades que eu via na TV estavam lá na quadra, em todos os ensaios e eventos. Quadra com lotação máxima sempre. Só fui ver tantas celebridades reunidas dentro de uma só escola de samba quando desfilei na Grande Rio em 2010”, diz André Churros.

Pensando nesse histórico, ainda vivo na cabeça de muitos gonçalenses, é um desperdício de energia nutrir qualquer tipo de rivalidade entre Viradouro e Porto da Pedra. Suas trajetórias são distintas, bem como a lembrança de marca que cada uma gerou ao longo do tempo.

Nesse sentido, o mais correto seria São Gonçalo voltar a abraçar ambas como marcas da cidade. Bem como muitos gonçalenses já fazem há anos.

Porém, tudo na vida envolve um fator fundamental para que tudo aconteça: o dinheiro. E é sobre ele que falaremos num post futuro. Abordando o relacionamento entre prefeituras, mídia, empresários e o jogo do bicho.

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A tradição nas fantasias dos carnavais de bairro https://simsaogoncalo.com.br/a-tradicao-nas-fantasias-dos-carnavais-de-bairro/ https://simsaogoncalo.com.br/a-tradicao-nas-fantasias-dos-carnavais-de-bairro/#comments Sun, 14 Feb 2016 17:29:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3465 O carnaval sempre foi algo que me encantou. Num passado recente, a festa era algo bem distante das polêmicas atuais sobre verbas governamentais, religiosas ou relativas à violência. Eu contava os dias para chegar a festa e sair às ruas vestido de bruxa, palhaço, “perrô”, o que fosse na época. Nos carnavais passados, o clima de leveza e alegria era constante e […]

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O carnaval sempre foi algo que me encantou. Num passado recente, a festa era algo bem distante das polêmicas atuais sobre verbas governamentais, religiosas ou relativas à violência. Eu contava os dias para chegar a festa e sair às ruas vestido de bruxa, palhaço, “perrô”, o que fosse na época. Nos carnavais passados, o clima de leveza e alegria era constante e fundamental para que a festa acontecesse. Triste mesmo era a terça-feira de carnaval, quando tudo chegava ao fim.

Desde pequeno, boa parte dos carnavais que participei foram ali entre o Paraíso e Patronato. A prefeitura fechava a rua e a festa começava. Algumas vezes o foco era na praça dos ex-combatentes, outras ali na altura do MV1. Sempre estavam lá as fantasias clássicas, dos bate-bolas, que chamamos de “perrô”, aos índios, bailarinas, piratas, entre outras como os “pai-joão”, também conhecidos como “bloco do sujo”, quando se vestem com as roupas do lado avesso, e as figuras marcantes das “piranhas” ou “piriguetes”, nossos homens vestidos de mulher.

Por conta do São Bloco, projeto que temos na cidade, fizermos um evento no domingo de carnaval lá no Gradim. Bem além da nossa apresentação, o mais interessante foram os grupos fantasiados, das “japonesas” aos Gorilas, dos perrôs aos “bondes de cartola” que apareceram na festa. Por conta do esvaziamento o carnaval, a festa do bairro estava cheia, com aproximadamente 8 mil pessoas nas ruas, mostrando nossa força cultural quando o assunto é carnaval.

Na terça-feira, estive na região do Arsenal, onde um carnaval de bairro também foi promovido, próximo às margens da RJ-104. A quantidade de bondes de bate-bolas, bruxas e “perrôs” de todos os tipos era enorme. Num determinado momento na pista, na altura de Tribobó, era possível vê-los andando em filas, prontos para curtir mais um dia dessa festa que ainda motiva os mais novos a confeccionar suas fantasias para curtir a festa. Talento puro no coração dos bairros gonçalenses.

Não conseguimos fotografar todas as fantasias, infelizmente. Mas a seguir, vai um pouco do que a gente conseguiu registrar. Confira!

Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo Gradim • São Gonçalo – Carnaval 2016 / SIM São Gonçalo

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Enjaulado no Carnaval de Trindade https://simsaogoncalo.com.br/enjaulado-no-carnaval-de-trindade/ https://simsaogoncalo.com.br/enjaulado-no-carnaval-de-trindade/#respond Thu, 11 Feb 2016 11:31:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3462 Passei a noite da segunda-feira de Carnaval enjaulado na quadra da praça de Trindade. Agradeço ao desconhecido que empilhou no canto da quadra cinco ou seis caixas de som potentes para nós, gonçalenses, dançarmos ali. Presos. Ouvindo música estrangeira. Lesados pelo governo Mulim que nos roubou o dinheiro para um Carnaval municipal melhor. A quadra apinhada de gente assustava, […]

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Passei a noite da segunda-feira de Carnaval enjaulado na quadra da praça de Trindade. Agradeço ao desconhecido que empilhou no canto da quadra cinco ou seis caixas de som potentes para nós, gonçalenses, dançarmos ali. Presos. Ouvindo música estrangeira. Lesados pelo governo Mulim que nos roubou o dinheiro para um Carnaval municipal melhor.

A quadra apinhada de gente assustava, demorei a me acostumar à ideia. A surpreendente concentração de pessoas esticava ao máximo a grade de ferro que cerca o espaço, centenas e centenas espremiam uns aos outros e alguns milagrosamente conseguiam levantar e abaixar os braços alegres. Ignorando meus instintos de sobrevivência, sem pensar muito, entrei às cotoveladas, dando e recebendo, olhando sempre em frente e empurrando meu corpo com força em direção ao meio da multidão.

Ouvi sons de tiros, segundo susto, pensei em me abaixar mas os foliões agiam normalmente, dançavam ou simulavam a posse de uma metralhadora disparando. Fiz o mesmo, dei falsos tiros para o alto ao som de uma banda raivosa provavelmente filiada ao Estado Islâmico. Quando um bonde passou gritando “Tá tranquilo, tá favorável”, apesar das contas domésticas atrasadas, da ameaça do desemprego e da inflação alta, gritei também – acompanhava o grupo de homens enfileirados ou seria arrastado por ele.

Atrás das grades pulando como um animal que nada sabe sobre sua própria história nem sobre a cidade onde vive, vi belíssimos pierrots circulando do lado de fora da quadra, livres, soltos. Seria melhor estar entre eles depois que outro bonde descontrolado, desta vez de macacos brancos, quase me derrubou. Em 2015 a escola de samba Alegria de Guaxindiba levou o tema “Made in África Berço da Cultura Brasileira” ao desfile no bairro Patronato. Este ano o prefeito Neilton Mulim decidiu que macacos na Trindade segurando a corda do caranguejo é tudo o que um bicho como eu precisa aprender.

Possivelmente com pretensões políticas (afinal é ano eleitoral), a boa alma da Trindade instalou as caixas de som. A noite estava quente, como deve ser, o bairro, abertamente lindo, gonçalense até o último confete. Para alcançar a divindade, faltou à trindade incentivo público digno e respeito pela cultura local. Vi o espetáculo preso, mas sacolejando, dentro da quadra lotada.

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Carnaval não dá votos como antigamente https://simsaogoncalo.com.br/carnaval-nao-votos-como-antigamente/ https://simsaogoncalo.com.br/carnaval-nao-votos-como-antigamente/#comments Mon, 18 Jan 2016 12:03:02 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3428 A segunda semana de janeiro de 2016 começou quente. A Prefeitura Municipal de São Gonçalo, como diversas outras cidades brasileiras, cancelou o carnaval das escolas de samba, alegando crise, falta de dinheiro, essas coisas. Tudo dentro do roteiro padrão de que “há outras prioridades”. Mas, especificamente sr. secretário e sr. prefeito, quais seriam? Falar “saúde […]

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A segunda semana de janeiro de 2016 começou quente. A Prefeitura Municipal de São Gonçalo, como diversas outras cidades brasileiras, cancelou o carnaval das escolas de samba, alegando crise, falta de dinheiro, essas coisas. Tudo dentro do roteiro padrão de que “há outras prioridades”. Mas, especificamente sr. secretário e sr. prefeito, quais seriam? Falar “saúde e educação” é muito vago.

Em 2015, a prefeitura declarou ter gastado a quantia de cinco milhões e trezentos mil reais (5.300.000,00) na montagem do carnaval da cidade. Cerca de 3 vezes mais que Niterói no mesmo ano. Na época, a reportagem do Jornal Extra (23/02/2015) trouxe questões importantes à tona. Uma delas foi o descaso com as contas na cidade. Segundo a própria prefeitura, em 2015, desses mais de 5 milhões de reais, apenas 1 milhão foi usado para montagem dos palcos. Sem falar na desculpa esfarrapada de que o restante do dinheiro “pode ser utilizado em outros eventos, como o aniversário da cidade, ou em áreas como Saúde e Educação”.

Ou seja, há 1 ano atrás, “Saúde e Educação” foram desculpa para a sobra de dinheiro não explicado. Parece que esse governo está achando que todo mundo é trouxa por aqui.

Na prática, toda essa movimentação da prefeitura se justifica. Com pouco, seria mais justo distribuir todo o dinheiro entre os carnavais de bairro ao invés de despejá-lo nas pequenas agremiações. Entretanto, por que o governo não se planejou para comunicar a aprovação ou cancelamento das escolas no ano anterior? Precisa ser de surpresa?

O carnaval gonçalense ainda gera votos?

Do lado eleitoral, uma coisa ficou clara para ser pensada: o poder político e eleitoral dessas pequenas agremiações já não existe como antes. Se há alguns anos atrás, elas eram uma das poucas diversões nas comunidades, hoje são apenas mais uma. Shoppings, igrejas e internet entraram no jogo da atenção. Para as escolas, fica um breve papel na semana do carnaval.

Por outro lado, a G.R.E.S Unidos do Porto da Pedra, escola de samba da cidade, pôde contar com a prefeitura que, inclusive, espalhou suas faixas dentro da escola, com alguns nomes em evidência, que não valem ser mencionados neste post. Nessa hora, é importante fazer uma diferenciação, pois o grêmio recreativo tem destaque na imprensa, emprega pessoas, movimenta a comunidade do samba, além de ser uma referência por conta do tempo que abrigou o Castelo das Pedras. Definitivamente, a escola tem presença na vida gonçalense, ao contrário das pequenas agremiações, que tem pouca ou nenhuma relevância no ano, infelizmente. Por isso, na Porto da Pedra todo mundo quer colar.

Tem muito caroço nesse angu, bem além dessa simples explanação. Em breve, vamos publicar o desenrolar dessa história que está bem além do carnaval: uma guerra pelo poder municipal.

Fontes

Jornal Extra, 23 de fevereiro de 2015: http://extra.globo.com/noticias/rio/prefeitura-de-sao-goncalo-gastou-53-milhoes-com-montagem-de-carnaval-quase-tres-vezes-mais-que-niteroi-15411522.html

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Prefeitura faz farra com dinheiro do povo https://simsaogoncalo.com.br/prefeitura-faz-farra-com-dinheiro-do-povo/ https://simsaogoncalo.com.br/prefeitura-faz-farra-com-dinheiro-do-povo/#respond Tue, 03 Mar 2015 00:01:43 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2604 A Prefeitura de São Gonçalo gastou mais no Carnaval deste ano do que as cidades de Itaboraí e Niterói gastaram juntas. Esta é a prova mais recente de que o governo gonçalense desrespeita o próprio povo e desperdiça o dinheiro público como bem entende. A renda per capita do morador de São Gonçalo é três […]

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A Prefeitura de São Gonçalo gastou mais no Carnaval deste ano do que as cidades de Itaboraí e Niterói gastaram juntas. Esta é a prova mais recente de que o governo gonçalense desrespeita o próprio povo e desperdiça o dinheiro público como bem entende.

A renda per capita do morador de São Gonçalo é três vezes inferior a do niteroiense e a cidade tem tantos problemas quanto Itaboraí. Entretanto, de acordo com o Jornal Extra, São Gonçalo gastou R$ 5,3 milhões no Carnaval 2015, enquanto Niterói e Itaboraí gastaram R$ 2,2 milhões e R$ 1 milhão, respectivamente. O Carnaval gonçalense foi melhor? Pelo contrário, teve inúmeros problemas, como falta de banheiros químicos e ação abusiva de flanelinhas ilegais, e em vez de incentivar a cultura local, pagou pela apresentação de blocos tradicionais da cidade do Rio de Janeiro.

Não é a primeira vez que o dinheiro arrecadado com o suor do povo é tratado de forma irresponsável: no Natal do ano passado o governo municipal gastou oficialmente R$ 370 mil para decorar a cidade, enquanto Niterói empregou apenas R$ 60 mil do seu orçamento e Itaboraí se decorou através de doações, sem mexer nos cofres públicos. Ou seja, existe algo bastante errado na administração pública gonçalense: o dinheiro não é aplicado nas verdadeiras prioridades, como infraestrutura, saúde e educação e pagamos mais caro do que as outras cidades pelos mesmos serviços; isto se chama burrice ou corrupção (ou uma mistura de ambas).

Ainda no fim de 2014, sem qualquer licitação, desembolsamos a astronômica cifra de R$ 26 milhões de reais por 6 meses de coleta de lixo, geralmente irregular, e recentemente o perigoso transporte alternativo foi formalizado também sem licitação, o que resulta igualmente em usurpação do dinheiro público.

A má fé e inaptidão do governo Mulim para gerir o dinheiro público são tão grandes, que a Justiça condenou e multou tanto a contratação da coleta de lixo quanto a legalização do transporte alternativo. Contudo, Mulim provavelmente não pagará a conta e a despesa cairá no colo da população, que sofre com as asneiras que o prefeito faz.

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Água-viva alemã sambando com o tigre gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/agua-viva-alema-sambando-com-o-tigre-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/agua-viva-alema-sambando-com-o-tigre-goncalense/#comments Mon, 02 Mar 2015 18:44:40 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2594 Independente do décimo primeiro lugar no carnaval 2015, nos olhos do tigre brilhou o amor de centenas de gonçalenses apaixonados na Sapucaí. Esses mesmos olhos também foram testemunhos de um não menos apaixonado, porém desengonçado, gordinho com nome de gringo fantasiado de água-viva nadando a favor da correnteza de alegria apoteótica. Minha aventura para desfilar […]

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Independente do décimo primeiro lugar no carnaval 2015, nos olhos do tigre brilhou o amor de centenas de gonçalenses apaixonados na Sapucaí. Esses mesmos olhos também foram testemunhos de um não menos apaixonado, porém desengonçado, gordinho com nome de gringo fantasiado de água-viva nadando a favor da correnteza de alegria apoteótica.

Minha aventura para desfilar na escola de samba mais querida do gonçalense não começa na avenida. É, meu amigo leitor, vida de água-viva na Sapucaí não é fácil. Tive que passar por alguns estágios para cair no samba.

Tudo começou quando, faltando menos de duas semanas para o desfile, recebo o irrecusável convite. Porém, tinha uma missão a cumprir: não faltar a nenhum ensaio e ainda fazer um desfile técnico no Patronato antes do “à vera”. Moleza, não é? Poderia ser para qualquer um, mas pra mim, com uma tremenda inflamação no tendão de Aquiles, era missão impossível. A não ser como destaque em um carro alegórico. Eu, um verdadeiro Deus grego, seminu, rebolando em cima do carro alegórico? Não, isso não é pra mim! Prefiro me entupir de Alginac 1000 e rezar pra fazer efeito e não mancar na avenida.

Estava eu, uma hora antes do combinado, cheio de antiinflamatório nas ideias, prontinho para ensaiar. Antes, o combinado era passar na administração da escola para tirar minhas medidas, número do calçado e saber direitinho qual seria a minha ala. Olhei no cantinho esquerdo, assim que passam as roletas, vi uma portinha escrita “administração” e fui entrando. Dou uma olhadinha nos olhos do sujeito que está na porta e cumprimento com a cabeça, como se o visse todos os dias. Essa técnica eu já usava adolescente, quando entrava de penetra em festas que não era convidado. Bom, voltando a salinha da administração, vejo uma escada caracol. Dando pala de atleta, subo rapidamente para marcar presença, mesmo com a dor no tendão.

– Boa noite, meu nome é Alex e fui convidado para fazer bonito na Sapucaí.

Ela ficou olhando pra minha cara por um tempo, sem esboçar nenhuma reação e apenas solta um: – Hã?

É, não fui feliz na minha primeira impressão. Mas não perco o rebolado: – Meu nome é Alex Wölbert e fui covidado para desfilar pela Porto da Pedra.

– Há, sim. Seu nome está aqui. Você coloca o tamanho de manequim aqui nesse papel e o seu número de calçado. A sua ala é vagalume. Procure a Adriana.

Aí, foi o meu momento pensador. Com cara de tacho, olhando pra ela, me passou pela cabeça como seria eu de vagalume na avenida. Depois de pensar e repensar em centésimos de segundos, relaxei e encarei o fato. Não seria menos ou mais macho ter o bumbum piscando na avenida. Assinei a fichinha, tasquei o Extra G para o tamanho da fantasia (melhor sobrar do que faltar) e fui procurar a tal Adriana.

Não foi difícil encontrá-la. Ela me recebeu muito bem e me deu todas as dicas para não fazer feio no desfile. Me entregou um papel com o samba-enredo e pediu para que decorasse o samba, pois conta muito a escola que conhece o samba de cor.

Não queria fazer feio. Antes de começar o ensaio, ainda dei uma lida no samba-enredo. “Há uma luz que nunca se apaga”, esse era o enredo. Bom, não é da Ampla que estão falando, pois se fosse, já teria pelo menos dado uma piscada ou pior, apagado de vez.

Indo ao ensaio técnico

Quando a bateria impôs seu ritmo e o interprete Anderson Paz começou a cantar o samba não deu pra ninguém. Me sacudi e não parei mais. É como uma sessão de relaxamento. Você esquece as contas para pagar e só pensa em se sacudir, cantarolando o samba. Aquela quarta-feira foi inesquecível. Saí da quadra surdinho e rouco, mas valeu muito a pena. Agora, era descansar para estar inteiro no ensaio técnico do Patronato, no domingo seguinte.

Estava marcado para às 20 horas. Como sempre, cheguei uma hora antes para o reconhecimento do terreno. Só começou mesmo às 22 horas, quando o caminhão com os instrumentos chegou. Aí, foi só alegria. Olha eu lá, sambando e acenando para a galera que curtia o ensaio ali, na Praça dos Ex-Combatentes, como se estivesse na Sapucaí. Estava concentradíssimo na transição da marcação, com o repique modulando a conversão, quando por mim passou uma morena de parar o transito e começou a rebolar olhando na minha cara. Não tem outra explicação, só pode ser o gabiroto tentando acabar com a harmonia da escola. Ou pior: com o meu casamento. Espero que a minha mulher não leia esse texto, mas puxei a morena pelas mãos e falei no seu ouvido.

– Você destrói com qualquer harmonia.

Ela sorri. E com a imponência de quem tem o rei na barriga fala: – Eu sei!

Um diretor de harmonia que nos acompanhava, viu a cena me chamou na chincha. Por sorte ou azar, sei lá, o tinhoso em pele de morena gostosa sumiu entre a ala. Pedi desculpas ao meu diretor e voltei a minha concentração para não fazer feio na Sapucaí.

Alex Wolbert com a Porto da Pedra na Sapucaí
Alex Wölbert com sua fantasia de “Água-Viva”, desfilando pela Porto da Pedra, na Marquês de Sapucaí. Carnaval 2015.

Minha estreia na Sapucaí

Ainda tive o último ensaio, mas não vou perder mais tempo. Vou direto ao ponto: aquele 14 de fevereiro de 2015, que vai ficar na memória para o resto da minha vida. Minha estreia na Marques de Sapucaí, desfilando pela a escola do meu coração. Nesse dia, também peguei a fantasia. Para minha surpresa, era água-viva e não mais um vagalume. Peguei o ônibus na quadra às 20 horas para desfilar as 2:30 da madrugada.

Nossa! Como a água-viva sofreu dentro daquele ônibus lotado, com um calor de assar. E, para piorar, chegando na Avenida Francisco Bicalho, um engarrafamento de não sair do lugar. Sofri! Mas depois de 2 horas naquele ônibus, cheguei na concentração marcada em frente ao prédio “Balança Mais não Cai”.

Marinheiro de primeira viagem, não sabia o que fazer. Abobalhado com a beleza dos carros alegóricos, fiquei mais perdido que cego em tiroteio. Seguindo o conselho do falecido velho guerreiro, de “quem não se comunica se trumbica”, cheguei até um ser iluminado que me orientou para que ficasse atrás do segundo carro. Ali, encontraria minhas companheiras águas-vivas. Por lá fiquei, mas nada da minha ala aparecer. Era uma solitária água-viva. Quanto mais o tempo passava, mais ficava preocupado em atravessar sozinho a avenida. Já ouvindo os fogos da entrada da escola, suspiro aliviado quando vejo aquele cardume de águas-vivas vindo em minha direção. Como aquele ataque que água-viva me fez bem!

Amigo leitor, tudo que eu disser no texto não será nem um décimo da emoção de atravessar a avenida. Inenarrável! Nada se compara. A alegria de estar ali, compartilhada com todos a minha volta, olhando para arquibancada lotada com pessoas acenando, me fazia acreditar que eu era o camisa 10, decidindo o jogo e o campeonato para o Porto da Pedra Futebol Clube, no campo do Cordeiro em Santa Izabel. Sim, isso mesmo! A escola de samba mais queria de São Gonçalo começou nos anos 70 como clube de futebol e já foi até campeão gonçalense, no ano de 1975. Em março de 1978, foi oficialmente registrado como um bloco de enredo chamado “Bloco Carnavalesco Porto de Pedra” e, 3 anos depois, em 1981, chegou à categoria de escola de samba.

Esperava que minha estreia na Sapucaí rendesse o título e a volta da escola para o grupo especial. Infelizmente, não foi assim que aconteceu. Mas uma coisa é certa: no próximo carnaval, estarei firme e forte, defendendo as cores vermelha e branca do tigre. Porque, ganhando ou não, com Alginac ou sem, a paixão pela escola é como no verso da letra do samba. É luz que nunca se apaga.

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Tamoio e o Glamour dos Antigos Carnavais https://simsaogoncalo.com.br/tamoio-e-o-glamour-dos-antigos-carnavais/ https://simsaogoncalo.com.br/tamoio-e-o-glamour-dos-antigos-carnavais/#comments Thu, 05 Feb 2015 00:36:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2559 Estamos na véspera da festa popular mais celebrada no país, o Carnaval. Houve uma época em que os holofotes eram apontados para São Gonçalo, com a abertura oficial do carnaval carioca. Realizados no Tamoio Futebol Clube, os concursos de fantasias de luxo e originalidade eram transmitidos ao vivo pela TV Globo e, posteriormente, pela TV Manchete. Durante as […]

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Estamos na véspera da festa popular mais celebrada no país, o Carnaval.

Houve uma época em que os holofotes eram apontados para São Gonçalo, com a abertura oficial do carnaval carioca. Realizados no Tamoio Futebol Clube, os concursos de fantasias de luxo e originalidade eram transmitidos ao vivo pela TV Globo e, posteriormente, pela TV Manchete. Durante as décadas de 60, 70 e 80, o famoso concurso abria oficialmente, na sexta-feira, o carnaval carioca, com a presença ilustre de grandes artistas como Wilza Carla, Evandro Castro Lima, Flávio Rocha, Clóvis Bornay, entre outros.

Carnaval no Tamoio Futebol Clube
“Simão Carneiro e Mauro Rosas, dois campeoníssimos, que estarão desfilando na passarela de nosso ginásio, por ocasião do desfile de fantasias premiadas em 1º e 2º lugares nos bailes do Hotel Glória, Municipal de São Paulo, Recife, Monte Líbano e Sírio-Libarês.” Foto: José Douglas Ribeiro.

Eram famosos também os bailes de carnaval no ginásio do clube, onde os foliões se divertiam sem violência. Eram épocas que não se contratavam seguranças, que ficava a cargo dos próprios sócios. Vestidos de índios, além de cair na folia, também mantinham a ordem no salão. Eram apelidados de “carcarás”.

Carnaval no Tamoio Futebol Clube
Conhecidos como “Carcarás”, os sócios vestidos de índios faziam a segurança das festas nos baliles de carnaval do Tamoio. Foto: José Douglas Ribeiro.

O quase centenário Tamoio FC foi fundado em 17 de novembro de 1917. Além dos esportes amadores, o clube já contou com equipes de futebol profissional e chegou a empatar com o Clube de Regatas do Flamengo por 3 x 3, em um amistoso realizado em 19 de novembro de 1949. Em 29 de novembro do no ano seguinte, o urubu meteu 9 x 0 no time gonçalense.

Hoje o clube ainda passa por dificuldades. Não é, nem de longe, aquele dos tempos áureos, de salão abarrotado de plumas e paetês. Porém, nós gonçalenses, precisamos perpetuar essa história e não deixar que esse patrimônio da nossa cidade fique apenas na lembrança, como a dos extintos índios que deram nome ao clube: os Tamoios.

Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
O contrato para a construção da primeira piscina do Tamoio, há alguns anos era a reafirmação de um futuro grandioso previsto pelo então pequeno quadro social. O presidente Jair Marinho, hoje, relembra aquela assinatura, para construção da primeira piscina como um impulso positivo que tornaria realidade o sonho das gerações que constróem o Tamoio nestes 55 anos de fundação do Clube.” Ano: 1974. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
“O quadro social do Tamoio e o município de São Gonçalo ganham uma das boates mais sofisticadas do Brasil. – O Tamoio inaugurou na noite do dia 18 último, a sua boate. O evento contou com a presença de elementos do mundo artístico e autoridades civis e militares. Tendo o presidente Jair Marinho em expressivo discurso, feito a entrega aos associados de mais esse empreendimento, convidando o Prefeito Jayme Campos a cortar a fita simbólica de inauguração, ocasião que S. Exa. enauteceu a atuação do clube no sentido de engrandecimento do município. A boate ora inaugurada, segundo palavras do cantor Cauby Peixoto, é uma das mais bem montadas do País. Elementos da imprensa e representantes do Lions e do Rotary de São Gonçalo, estiveram presentes.” Ano: 1977. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
Time profissional do Tamoio Futebol Clube. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
Time profissional do Tamoio Futebol Clube.  Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
Time profissional do Tamoio Futebol Clube. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
“CARNAVAL. Tudo é Alegria. Tamoio em tempo de Carnaval” “Na sexta-feira, dia 3, a TV Globo entrará no ar diretamente do Tamoio, às 22:30h.” Foto: José Douglas Ribeiro

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Unidos do Porto da Pedra: do Futebol para Sapucaí, dá-lhe Tigre! https://simsaogoncalo.com.br/futebol-para-sapucai-tigre-unidos-porto-da-pedra/ https://simsaogoncalo.com.br/futebol-para-sapucai-tigre-unidos-porto-da-pedra/#comments Sun, 25 Jan 2015 16:23:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2539 Uma história sobre a Porto da Pedra, a escola de samba gonçalense, por Alex Wolbert. Eu não entendo, fiz tudo certinho. Pulei as sete ondas na meia-noite do dia primeiro para abrir meus caminhos em 2015. Mas na matéria de futebol e time de coração, o caminho ainda está obstruído. Foram três jogos e três […]

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Uma história sobre a Porto da Pedra, a escola de samba gonçalense, por Alex Wolbert.

Eu não entendo, fiz tudo certinho. Pulei as sete ondas na meia-noite do dia primeiro para abrir meus caminhos em 2015. Mas na matéria de futebol e time de coração, o caminho ainda está obstruído. Foram três jogos e três derrotas, sendo que uma delas para o maior rival, o urubu. Mas pensando bem, não tinha nenhum manual na simpatia que dissesse que funcionaria com futebol. Antes fosse botafoguense, pois não me importaria de cair para segunda divisão e ser derrotado no primeiro jogo do ano para o Gonçalense. Perderia para o Gonçalense com muito orgulho, ÔRRA!

Virar casaca não passa pela cabeça, já que paixão futebolística não se explica. Mas pensando bem, se ele não fosse o time do meu coração, seria a minha escola de samba?

Já estou até vendo, um abre alas com um enorme bacalhau e uma comissão de frente de pernas-de-pau coreografadas pelo Coisinha de Jesus. Na ala das baianas, todas com aquelas saias rodadas de lã vermelhas com bordados em preto e lenços coloridos escorregando pelos ombros. Sem faltar o tradicional tamanco de madeira que faria maior sucesso na Sapucaí ecoando durante a paradinha da bateria. E o “puxador” Roberto Leal chamando a galera com o grito de guerra: “Olha o gigante da colina ai, gente! Chora cavaco!”

Pensando bem, não daria muito certo o meu time de coração virar escola de samba. Mas deu muito certo o time de futebol criado no Porto da Pedra virar a minha escola de coração.

Ritmistas GRES Unidos do Porto da Pedra
Ritmistas da Porto da Pedra desfilando no carnaval de São Gonçalo, nos anos 80.

Uma história sobre a Porto da Pedra

A Unidos do Porto da Pedra é o único representante do município de São Gonçalo a desfilar no carnaval carioca. A escola de coração da maioria dos gonçalenses nasceu nos anos 70, oriundo de um clube de futebol chamado Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube, com uniforme nas cores vermelho e branco que até hoje representam a escola.

Como futebol e samba se completam, em 1975, dois anos depois que se consagrou campeão gonçalense de futebol, nasceu a ideia de criar um bloco de rua. Em 8 de março de 1978, foi oficialmente registrado como um bloco de enredo chamado “Bloco Carnavalesco Porto da Pedra”.

Apenas 3 anos depois, em 1981, alcançou a categoria de escola de samba, ficando com o vice-campeonato com o enredo “Mundo Infantil”, no grupo B do carnaval de São Gonçalo. No ano seguinte, já no grupo A, conquistou a primeira vitória como escola de samba com o enredo “No Reino da Fantasia”.

Time do Porto da Pedra em 1973
Time do Porto da Pedra em 1973.
Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube
Outra imagem da equipe que defendia o Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube.

Em 1985, a agremiação resolveu abandonar a competição e apresentando-se somente em seu bairro durante muito tempo. Só em 1990, conseguiu obter uma quadra de ensaios coberta, ainda que considerada pequena.

Em 1993, recebeu um convite para se apresentar no carnaval carioca no chamado grupo de acesso do Rio de Janeiro, que nessa época ainda desfilava na Avenida Rio Branco.

Componente de ala no Unidos do Porto da Pedra, no desfile de 1994.
Componente de ala no Unidos do Porto da Pedra, no desfile de 1994.

Esse ano a Porto da Pedra tem como enredo “Há uma luz que nunca se apaga!e será a 6ª escola a desfilar na sexta-feira, dia 23 de fevereito de 2015, pela série A do Carnaval Carioca.

Logo depois, através de Jorginho do Império e Jorge Andrade, a escola filiou-se à AESCRJ, a Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, disputou no Grupo de Acesso. Em 1994, o então presidente da recém criada LIESGA, Paulo Almeida, convidou a Porto da Pedra para desfilar no Grupo 1. Na época, este era o passo anterior ao sonhado Grupo Especial.

Com o enredo “Campo Cidade em Busca da Felicidade”, interpretado por Wantuir, a Porto fez um belo desfile, ganhando o título da categoria em 1995. E assim, começou sua saga no grupo de elite do Carnaval Carioca, cuja estreia foi em 1996, como você pode conferir aqui.

Acho que estou exigindo demais da simpatia dos 7 pulinhos. Vocês não acham? Dizem que o ano só começa depois do carnaval. E se for, realmente verdade boas notícias virão em todos os sentidos, incluindo futebolísticos e carnavalescos. Como na música de Gilberto Gil, andar com fé eu vou. A fé não costuma a falhar.

Então, 2015, só vai dar Tigre e Bacalhau!

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No Bonde do Samba: uma história da Unidos do Viradouro https://simsaogoncalo.com.br/no-bonde-do-samba-unidos-do-viradouro/ https://simsaogoncalo.com.br/no-bonde-do-samba-unidos-do-viradouro/#comments Fri, 07 Mar 2014 01:59:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1779 A Escola de Samba Unidos do Viradouro nasceu em 24 de junho de 1946. Foi no bairro de Santa Rosa, em Niterói, no quintal de Nelson dos Santos, o jangada, um apaixonado por samba. Hoje, sua sede é no Barreto, bairro colado à divisão entre Niterói e São Gonçalo. A Unidos do Viradouro tem esse nome por […]

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A Escola de Samba Unidos do Viradouro nasceu em 24 de junho de 1946. Foi no bairro de Santa Rosa, em Niterói, no quintal de Nelson dos Santos, o jangada, um apaixonado por samba. Hoje, sua sede é no Barreto, bairro colado à divisão entre Niterói e São Gonçalo.

A Unidos do Viradouro tem esse nome por causa do seu local de origem. Foi na tradicional rua Dr. Mário Viana, bem próxima à “Garganta”, o nome popular da subida do Morro da União. Era lá que os bondes viravam. Ou melhor, faziam o retorno. Por isso o nome Viradouro dos bondes.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro

A fundação da Unidos do Viradouro

A data de fundação da escola é 24 de junho. Coincide com o dia de São João Batista, o padroeiro da cidade de Niterói. O santo também foi adotado como padroeiro da escola.

Não demorou muito para que a escola mudasse para uma nova padroeira: Nossa Senhora da Auxiliadora. Ali bem pertinho, ao lado do Colégio Salesiano, foi erguida uma basílica. Nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, foi inaugurado um monumento para santa em 1900. E assim, a cor azul do manto e o rosa das vestes foram adotadas como as cores oficias da Unidos do Viradouro.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro
Esquerda: São João – Padroeiro de Niterói  .  Direita: Monumento à Nossa Senhora da Auxiliadora

Quis o destino que as cores azul e rosa fossem substituídos pelo vermelho e branco, com a falência do principal fornecedor de tecido da escola. Tiveram que recorrer a outros fornecedores, que não chegavam à tonalidade do rosa usado anteriormente.

Antigamente, as escolas usavam muito cetim nas roupas e na decoração dos carros. O respeito às cores na hora do desfile imperavam naquele tempo. Sem a tonalidade correta, os adversários acusavam a Viradouro de desfilar com roupas e alegorias feitas com tecidos reaproveitados de carnavais anteriores.

Em 1971, o primeiro ano da mudança de cores, a escola foi campeã. Isso foi muito positivo, pois acabou com o jejum de títulos de 1966 até 1970.

Em Niterói, a escola desfilou pela primeira vez em 1947, conquistando o quarto lugar no carnaval da cidade. O primeiro título saiu em 1949, com o enredo Ararigbóia. De 1947 a 1963, a Viradouro conquistou 10 campeonatos e só não venceu por quatro vezes.

De Niterói para o Rio: passagens pelo carnaval carioca

Por duas vezes, a Viradouro passou pelo carnaval carioca. Na primeira, foram dois anos para se esquecer. Em 1964 e 1965, os resultados ruins e o atraso nos desfiles na Praça Onze fizeram com que ela voltasse a competir em Niterói.

Mas em 1986, depois de conquistar 18 títulos no carnaval niteroiense, a Unidos do Viradouro decidiu voltar a desfilar no carnaval carioca.

O ponto mais alto em sua trajetória foi no ano de 1997, quando ganhou o título de campeã no Grupo Especial, com o enredo “Trevas! Luz! A explosão do Universo” do carnavalesco Joazinho Trinta.

“Alô, Niterói! Alô, São Gonçalo!”

A Unidos do Viradouro pode ter nascido em Niterói. Mas com a mudança para o Barreto, um bairro bem na divisa com São Gonçalo, conquistou também o coração dos gonçalenses.

Então, niteroienses e gonçalenses, podemos gritar:
PARABÉNS, UNIDOS DO VIRADOURO, POR MAIS ESSA CONQUISTA!

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