feminismo Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/feminismo/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Mon, 01 Aug 2016 05:42:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg feminismo Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/feminismo/ 32 32 147981209 Poder de fala https://simsaogoncalo.com.br/poder-de-fala/ https://simsaogoncalo.com.br/poder-de-fala/#respond Tue, 28 Jun 2016 21:46:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3759 Li e ouvi desabafos de pessoas, tanto pela internet quanto pessoalmente, dizendo que agora nós só sabemos falar disso. “Disso o que?”, você deve estar se perguntando. Eu digo: a cultura do estupro. “Ah sim, é mesmo!” É a frase que eu espero que você não tenha dito. Porque se você disse, ou até pensou, só […]

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Li e ouvi desabafos de pessoas, tanto pela internet quanto pessoalmente, dizendo que agora nós só sabemos falar disso. “Disso o que?”, você deve estar se perguntando. Eu digo: a cultura do estupro.

“Ah sim, é mesmo!” É a frase que eu espero que você não tenha dito. Porque se você disse, ou até pensou, só tenho que lamentar por você, meu caro. Começamos a falar sobre isso e agora, mais do que nunca, não vamos parar.

Se por alguns instantes, você pensar na magnitude desse poder de fala e da visibilidade que estamos tendo com relação ao assunto, verá o quanto isso é maravilhoso. Irei esmiuçar para que fique didático e não tão melancólico assim. Na real, não gosto de falar sobre isso, mas é necessário que se fale para que possamos perceber essa cultura no nosso dia-a-dia e obviamente, dessa forma consertá-la (na verdade, excluí-la por completo).

Somos educadas, quase que adestradas, para sermos recatadas, puritanas e quietas. Não temos a liberdade de escolha em diversas esferas das nossas vidas, seja nas nossas relações afetivas e ou sexuais. Somos censuradas em nossas vestes, nosso corpo, nossa forma de expressão verbal, física e até mesmo no nosso desejo (e NÃO desejo também) de interação física com o outro. Parece bem complexo dito assim, mas é tão simples que chega a entristecer.

Cultura do Estupro

Não podemos sair com muitas pessoas, senão somos vadias. Também não podemos sair com poucas, senão somos caretas. Não use roupas muito curtas, senão vai ficar vulgar. Mas também não use roupas muito compridas, senão vai ficar com cara de “maria mijona”. Não seja magra demais, senão fica feia. Não seja gorda demais, senão fica feia também. Não fale palavrão, isso é coisa de macho! Não fale muito delicadinha, senão você parece patricinha. Não dê mole logo de cara, senão ninguém vai te levar a sério. Não faça muito doce, senão você vai ficar pra titia.

Viu como é simples e corriqueiro? Caso você não saiba, isso é cultura do estupro. Todas essas frases sustentam pensamentos machistas que por sua vez, respaldam atitudes desrespeitosas, violências físicas, verbais e até mesmo sexuais. Parece exagero, mas não é.  Por isso a nossa possibilidade de falar sobre isso em todos os espaços de debate possíveis é muito importante, porque fomos silenciadas a cada frase destas, e agora podemos expor o quão incômodo são todas elas.

Por tanto, mano, não venha querer me calar. A gente começou a falar e pode ter certeza, que não vamos parar até que a gente ouça, veja e sinta o seu respeito.

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O grito contra a cultura do estupro https://simsaogoncalo.com.br/o-primeiro-grito-de-sao-goncalo-contra-cultura-do-estupro/ https://simsaogoncalo.com.br/o-primeiro-grito-de-sao-goncalo-contra-cultura-do-estupro/#respond Mon, 30 May 2016 20:56:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3695 Foi pela indignação. Pelo medo, pela vontade de falar, desabafar e até mesmo de gritar sobre o assunto. A vontade de chorar a tristeza, de abraçar e proteger o corpo do outro. Dia 28 de maio foi feito um Ato chamado 30×1, nome que infelizmente foi retirado do crime que ocorreu contra uma jovem de […]

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Foi pela indignação. Pelo medo, pela vontade de falar, desabafar e até mesmo de gritar sobre o assunto. A vontade de chorar a tristeza, de abraçar e proteger o corpo do outro.

Dia 28 de maio foi feito um Ato chamado 30×1, nome que infelizmente foi retirado do crime que ocorreu contra uma jovem de 16 ou 17 anos por 30 ou 33 homens. Os números tanto da idade da vítima quanto do número de agressores desse crime que aconteceu em uma periferia do Rio de Janeiro são incertos, e não há como negar que é sim por uma banalização do crime. Para a mídia machista e misógina, não interessa a idade e muito menos quantos foram, porque o que eles ressaltam em suas reportagens é que ainda são “suspeitos”, ainda é um crime que precisa de provas.

Vamos agora, nos aprofundar no nosso município. Em 2015, o dossiê da mulher nos traz números alarmantes, sendo São Gonçalo a 2º maior região de números absolutos de estupros (262 vítimas) e a 5ª maior região em tentativas de estupro. Além dos números entristecedores, tenho que frisar que a 1ª região do pódio é um aglomerado de municípios. Ou seja, “ganhamos” o segundo lugar sozinhos.

Por isso, entendemos que o Ato que aconteceu foi apenas o primeiro passo para dizermos juntas, um basta contra essa cultura que respalda esse tipo de prática que mata o indivíduo em todas as suas formas possíveis. Mata sua liberdade, sua alma, seu corpo, seus sonhos.

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Cerca de 40 pessoas compareceram a essa manifestação. Mas não é nem de longe o ideal visto que temos mais de 1 milhão de habitantes em São Gonçalo. Precisamos nos mobilizar e comprar essa briga que é de todos nós. Mais do que o medo e a cruel verdade de que um estupro pode acontecer com qualquer uma de nós, precisamos exercitar o nosso amor ao próximo, entendendo que o corpo dela é tão digno de liberdade quanto o nosso.

Por isso, a luta não pode parar. Dia 1 de junho haverá diversas mobilizações no Brasil contra a cultura do estupro e em São Gonçalo não será diferente. Dessa vez, vamos nos concentrar na frente do portal principal da Praça Zé Garoto, para marcharmos unidas até a Praça da Marisa. Às 18 horas, irmãs e irmãos, esperamos a todos para mostrar que essa demanda também é nossa, e que não vamos baixar a cabeça para essa e nem outras formas de violência contra a mulher.

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