Alex Wölbert, Autor em Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/author/alexwolbert/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 15 Dec 2023 19:43:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Alex Wölbert, Autor em Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/author/alexwolbert/ 32 32 147981209 O mundo dá voltas, mas para no mesmo lugar https://simsaogoncalo.com.br/o-mundo-da-voltas-e-para-no-mesmo-lugar/ https://simsaogoncalo.com.br/o-mundo-da-voltas-e-para-no-mesmo-lugar/#comments Thu, 22 Oct 2015 05:02:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3284 O dia 21 de outubro de 2015 chegou. Enquanto escrevo esse texto, Marty Mcfly está tentando impedir que seu filho vá para cadeia. Porém, o velho Biff não é bobo e zarpa com o DeLorean para 12 de novembro de 1955, e entrega a ele mesmo, no passado, um almanaque com todos os resultados de competições esportivas […]

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O dia 21 de outubro de 2015 chegou. Enquanto escrevo esse texto, Marty Mcfly está tentando impedir que seu filho vá para cadeia. Porém, o velho Biff não é bobo e zarpa com o DeLorean para 12 de novembro de 1955, e entrega a ele mesmo, no passado, um almanaque com todos os resultados de competições esportivas de 1950 à 2000. Bem, todos já sabem o enredo dessa estória e sabem também que o final é feliz como na maioria da ficção.

Agora, é possível voltar no tempo? E será que, assim como nas telas de cinema, podemos ter finais felizes?

Bom, até agora, o único Delorean que conheço é a leitura. Sim, com livros, revistas e jornais antigos, podemos sim, por alguns instantes, voltar no tempo. Agora, se no futuro vamos ter finais felizes, aí, não sou mãe Dinah para prever.

Uma notinha me chamou a atenção enquanto folheava uma edição do jornal “O São Gonçalo” de 29 de outubro de 1992. Falava sobre a expansão da Igreja Universal do Reino de Deus, passando os limites do território nacional. Assim era a nota com o título de Dízimo Suíço:

“O “bispo” Macedo, não conformado com o dizimo brasileiro, fundou uma sede de sua igreja em Genebra, Suíça, e de lá vem periodicamente um emissário trazendo 50 mil dólares, que é o dízimo das devotas de lá. Lembrando ainda que em sua maioria elas são empregadas domésticas brasileiras que ganham em torno de 15 mil francos, o que equivale a cerca de 15 salários mínimos brasileiros. Deste jeito, a grande onda vai ser fundar novas igrejas pelo mundo.” (O São Gonçalo, 29/11/1992)

Dízimo Suíço
Nota do “O São Gonçalo”, 29/11/1992

A sede na Suíça, país que tem fama de paraíso fiscal, foi a primeira das mais de 200 no exterior e 6.500 no Brasil. A Igreja Universal foi fundada em 9 de julho de 1977, por Edir Macedo e seu cunhado, Romildo Ribeiro Soares, o R. R. Soares, que por desentendimentos na administração da igreja, picou a mula e fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus. As primeira reuniões da Universal foram no coreto do Jardim do Méier. Depois, num espaço alugado de uma funerária. Hoje, aos 70 anos, Edir Macedo conta com uma fortuna de mais de 1,2 bilhões de dólares, de acordo com a revista Forbes. Em 1989, adquiriu a Rede Record de Televisão por 45 milhões de dólares.

Reuniões da IURD no Jardim do Meier
Reuniões da IURD no Jardim do Méier

Pois é, 23 anos se passaram após essa pequena notinha do Jornal O São Gonçalo e novamente a Igreja Universal passeia pelas páginas dos jornais locais quando anunciou recentemente a compra da i9 Music  por míseros 30 milhões de reais. Isso comprova que o mundo dá voltas, e para no mesmo lugar. Pelo menos para Edir Macedo que não precisa de DeLorean e nem de almanaque com resultados esportivos para continuar enriquecendo. Ou será que, enquanto pregava na Praça do Méier, algum viajante do passado lhe mostrou a fórmula do enriquecimento? Será?

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Falência múltipla dos órgãos do governo https://simsaogoncalo.com.br/falencia-multipla-dos-orgaos-do-governo/ https://simsaogoncalo.com.br/falencia-multipla-dos-orgaos-do-governo/#respond Thu, 10 Sep 2015 06:00:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3186 Foto: Vovó no Pronto Socorro de Alcântara. Eu estava sentado naquela cadeira de cor azul desbotado, com manchas marrons, uma cor quase café com leite, não sei se por sangue, iodo ou qualquer outro fluido químico ou biológico. Ao lado, uma sala que passava a maioria das vezes fechada. As poucas vezes que abriam, emanava um cheiro […]

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Foto: Vovó no Pronto Socorro de Alcântara.

Eu estava sentado naquela cadeira de cor azul desbotado, com manchas marrons, uma cor quase café com leite, não sei se por sangue, iodo ou qualquer outro fluido químico ou biológico. Ao lado, uma sala que passava a maioria das vezes fechada. As poucas vezes que abriam, emanava um cheiro que, por mais que eu me esforce, não consigo descrever. Triste, desolado, cansado de uma luta que certamente perderei. Pode ser hoje, amanhã, daqui a semana ou alguns meses. Mas, certamente, perderei.

Na minha frente, a salinha de medicamentos tinha um relógio na parede marcando quase vinte duas e dez. No cantinho direito da sala, havia uma poltrona de couro sintético azul. Rasgada e com apoio para os pés, que nem o mais forte dos homens na terra conseguia manipular, estava ela com os pés em brasas, sobre uma improvisada escadinha para maca. Estava ali a mulher que lutou todos os momentos para dar o que comer para seus filhos, e que em momentos diferentes da vida, viu cada um dos três serem levados por ela. Quer sofrimento maior do que ver a inversão da ordem natural da vida e sofrer com a morte de todos os seus filhos? Sim, sua família se resume a apenas três netos e duas bisnetas.

Relógio da sala de medicamentos

O relógio da sala de medicamentos.

Com um vazio no estômago, começo a lembrar de cada momento que vivemos juntos. Desde que me conheço como gente, já tinha cabelos grisalhos. Mas não como hoje, um tufo de algodão. Seu sorriso largo e seu jeito de chamar minha atenção serão levados comigo por toda minha vida. Quando tinha minhas briguinhas na rua, ela sempre tomava meu partido. Era uma verdadeira leoa para defender sua cria. Lembro-me da sua preocupação quando não raspava o prato do almoço. Sempre amassava uma banana prata com açúcar e carinhosamente me dava na boca com seus aviõezinhos. Era um mimo só.

Minha solitária viagem no tempo é interrompida por uma gordinha baixinha que me deixou sem resposta para sua pergunta:

– Moço, moço?

Somente levanto devagar a cabeça que parecia pesar 2 toneladas até a altura dos seus  olhos.

– O senhor tem um copo descartável para me emprestar?

Pensei, mas não é descartável?

– Não, senhora. Não tenho.

– Eu preciso tomar esse remédio e aqui falta até copo descartável.

Foi aí que a senhora sacou da bolsa um daqueles potinhos de exame de urina e me fez a inusitada pergunta:

– Será que posso tomar água nesse potinho?

– Não sei, senhora. Mas não recomendo, se a senhora já fez pipi nele.

– Bom, não tem outro jeito.

Falou a mulher, enquanto caminhava até o bebedouro.

Naquela situação, eu vi a real aplicação da famosa frase “seria cômico, se não fosse trágico”.

Não havia cama disponível

A interrupção das minhas boas lembranças ao lado da minha velhinha me fez acordar para realidade. Pude perceber que já estávamos há 10 horas naquela situação. Não por mim, mas por aquela senhora de 94 anos, mal acomodada naquela poltrona rasgada, sem posição e com os pés em chamas, em cima da escadinha improvisada. A luta para conseguir um leito onde ela pudesse ficar deitada foi em vão. Não havia cama disponível, a não ser uma maca de alumínio gelada, sem colchão para acolher seu corpo.

A batalha começou ao meio-dia, quando chegamos ao Pronto Socorro de Alcântara. Ela foi atendida por uma médica de cabelos negros, com rabo de cavalo e que não parecia ter mais de 18 anos de idade. Era nítido, até para um leigo da medicina, que o quadro da vozinha, principalmente por conta da sua idade, exigia cuidados mais adequados. Mas não foi assim que aconteceu. A aprendiz de médica achou conveniente levá-la para aquela salinha de medicamentos e enchê-la de soro nas frágeis veias. Foram horas e horas nesse sofrimento, sem nenhuma medicação. Pior, sem acompanhamento da médica que tomou chá de sumiço. O que faltou de atenção da equipe médica, sobrou na equipe de enfermagem, que fizeram de tudo para acolhê-la, mesmo sem recursos. Uma das enfermeiras me confidenciou que falta do esparadrapo às seringas e agulhas. No final do nosso papo, soltou um “e não está aqui quem falou”.

Na minha peleja à procura da médica ou de qualquer outro profissional que pudesse ajudar, fui direcionado até outro médico, não muito mais velho. Ostentando um estetoscópio pendurado no pescoço, como um cordão de ouro 18 quilates, e com um ar de superioridade, disse:

– Você sabe que sua avó está bem velhinha, não sabe? Tem que estar preparado para sua partida. Alguns órgãos estão parando e ela está entrando em um quadro que chamamos de “síndrome de disfunção múltipla de órgãos”. Também conhecido como falência múltipla dos órgãos. Nesse quadro, não tem o que fazer. Ela tomará mais uma bolsa de soro e liberaremos a sua avó para que ela seja cuidada em casa.

– Mas não fará nenhum exame de sangue, doutor?

Pergunto quase implorando.

– Não é necessário.

Responde o médico sem baixar o nariz.

Aquelas palavras me deixaram ainda mais arrasado e para baixo. Mais do que já estava. Foi nesse momento que procurei meu cantinho. Naquela cadeira azul manchada de café com leite, fiquei viajando nos momentos maravilhosos que eu e minha avó passamos juntos, até a chegada da mulher do potinho.

Antes que o soro da bolsa chegasse ao fim, fui procurado por outro médico, também com seus vinte poucos anos.

– O senhor que é o neto da vovozinha?

– Sim, sou eu.

– Analisamos melhor o quadro da sua avó e resolvemos fazer um exame de sangue. Porém, lhe adianto que mesmo que o exame seja positivo para alguma grave infecção, não poderemos interná-la, pois falta leito.

– Como assim? Não podem fazer pelo menos um encaminhamento para outro hospital?

– Lamento. O senhor mesmo deverá correr atrás de um hospital para interná-la.

– Doutor, ela tem 94 anos! Já foi um sacrifício chegar com ela aqui no Pronto Socorro.

– Lamento, senhor.

Lamento, como brasileiro

Lamentar! Na verdade vivemos em uma sociedade cheia de lamentações. Eu tenho as minhas, pois lamento de coração não poder pagar dois mil reais mensais em um plano de saúde para minha avó ser atendida com mais dignidade. Lamento viver em uma cidade em que um vereador é suspeito de roubar 9 milhões de reais do SUS, enquanto nós, o povo, não temos direito a nem um copo descartável para tomar medicação. Quando não falta, também, a medicação. Lamento, como brasileiro, viver em um país onde aflora escândalos de corrupção como o da Petrobrás, onde estimasse que o desvio de 10 bilhões de reais poderiam ser aplicados em vários setores, como na saúde.

Ah, acabei esquecendo! Quer saber como foi o final da estória da vozinha no Pronto Socorro de Alcântara? Não houve final feliz. E nem haverá enquanto não houver melhora no quadro de falência múltipla dos órgãos do governo.

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Gonçaly Hills de Talentos – Maria Domícia https://simsaogoncalo.com.br/goncaly-hills-de-talentos-maria-domicia/ https://simsaogoncalo.com.br/goncaly-hills-de-talentos-maria-domicia/#comments Sat, 15 Aug 2015 22:36:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3117 Quem foi que disse que São Gonçalo é uma cidade pobre? O maior tesouro que uma cidade pode ter é a sua gente. A nossa, é uma “Beverly Hills” de talentos. Nossa gente, não está nem ai para mansões luxuosas com carrões na garagem e o que querem mesmo é o mínimo, principalmente de respeito. […]

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Quem foi que disse que São Gonçalo é uma cidade pobre? O maior tesouro que uma cidade pode ter é a sua gente. A nossa, é uma “Beverly Hills” de talentos. Nossa gente, não está nem ai para mansões luxuosas com carrões na garagem e o que querem mesmo é o mínimo, principalmente de respeito. Querem educação para seus filhos, hospitais de qualidade para quando adoecerem e segurança para que ninguém tire o seu direito de ir e vir ou levarem-lhe o pouco que tem. Educação, saúde e segurança, a receitinha básica para melhoria da qualidade de vida de qualquer cidade, São Gonçalo, ainda carece muito dessa trinca. Se nem no essencial temos investimentos, imagine na cultura? O exemplo é a nossa Fazenda Colubandê que está aí “à Deus dará”.

Na contramão de quem governa, o nosso povo não cruza os braços e vai à luta conquistando seu espaço e com talento divulga nossa cidade para o Brasil. Um exemplo é cantora lírica gonçalense Maria Domícia. Sim, isso mesmo, eu disse cantora lírica. Podemos nos orgulhar de ter tido uma das mais belas e afinadas vozes do nosso país.

Maria Domícia nasceu no bairro do Patronato e estudou até a 3º série na Escola Estadual Porto da Madama, e concluiu o Primário no grupo escolar Benjamim Constant no Barreto em Niterói. Fez o curso Normal no Liceu Nilo Peçanha. Começou a se destacar na música quando se formou em canto sob a orientação da professora e cantora lírica Elizabeth do Prado Esberard no Conservatório Brasileiro de Musica.

Domícia foi professora do ensino médio nos cursos de: Teoria de Solfejo, Canto Lírico, Musica Sacra, Educação Musical, História da Música, Regência, Musica Contemporânea e outros.

Como cantora participou de várias atividades musicais. Festivais de Inverno realizados na cidade mineira de Ouro Preto, IV Centenário da Cidade de Niterói em 22 de novembro de 1973, vários recitais, como: Colégio Santa Úrsula, Teatro Municipal de Niterói, Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Na década de 70 participou da “Barca Cultural” organizada por Paschoal Carlos Magno e viajou mais de 50 cidades brasileiras encantando com seu vozerão. Mas foi a cidade de Terezina, no Piauí, que vivenciou de perto a potência da voz de Domícia. Enquanto arrebentava em mais uma de suas apresentações , Domícia entoou uma nota que fez com que um dos cristais da janela do teatro se quebrasse e quase feriu um violinista.

Uma gravação caseira de Domícia interpretando “Pergunte aos Canaviais”, de Capiba, chegou aos ouvidos de Flávio Cavalcante, um dos mais badalados apresentadores de programa de auditório na década de 70. Ao ouvi-la cantar, Flávio a confunde com a cantora lírica peruana Yma Sumac e com espanto de ter interpretado tão bem uma letra em português, solta: “- Yma Sumac cantando em português. Como é possível?”. Passado o desconforto da comparação, Flavio fez questão de conhecê-la. Três dias depois, Domícia cantou ao vivo na residência de Flávio Cavalcante, que se encantou com a nossa cantora e disse: “– Há uma razão para essa voz, pois seu nome carrega o som de três notas musicais – o DO o MI e o SI – Do –mi – ci – a.”

Maria Domícia faleceu em 2007 e ocupou a 24º cadeira da Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências (AGLAC).

Domícia foi só mais uma joia que ajudou a enriquecer esse baú de tesouros chamado São Gonçalo. Uma cidade tão rica de talentos e pobre de investimentos.

POBRE RICA CIDADE DE SÃO GONÇALO.

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Tá certo ou não tá? Carequinha e o privilégio de ser palhaço https://simsaogoncalo.com.br/carequinha-o-privilegio-de-ser-palhaco-ta-certo-ou-nao-ta/ https://simsaogoncalo.com.br/carequinha-o-privilegio-de-ser-palhaco-ta-certo-ou-nao-ta/#comments Mon, 20 Jul 2015 19:03:29 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3065 Um dia desses, dirigindo no meu passo tartaruga, um motorista apressadinho passou a toda por mim e disse aquela frase que ninguém gosta de escutar: “– Sai da frente, seu palhaço! “ Mas, pensando bem, quem foi que disse que ser palhaço é um péssimo adjetivo? Ser palhaço é ser nobre, lírico, inocente, ingênuo e […]

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Um dia desses, dirigindo no meu passo tartaruga, um motorista apressadinho passou a toda por mim e disse aquela frase que ninguém gosta de escutar: “– Sai da frente, seu palhaço! “

Mas, pensando bem, quem foi que disse que ser palhaço é um péssimo adjetivo? Ser palhaço é ser nobre, lírico, inocente, ingênuo e angelical. Para ser palhaço, precisamos saber quem somos. Uma honra que poucos conseguem.

Há cem anos, no dia 18 de julho, nascia em Rio Bonito uma criança chamada George Savalla Gomes, que teve essa honra de ser um palhaço. Essa criança teve também a honra de nascer no circo, filho de um casal trapezista. Também teve a honra de nascer enquanto sua mãe performava no picadeiro. Teve a honra de ser o primeiro palhaço cantor e também de se tornar o primeiro palhaço a ter um programa de TV. Essa criança foi o maior palhaço do Brasil.

Poucos dessa geração tiveram o privilégio de assistir este artista. Nos meus aniversários, tive o prazer de ser acordado ao som de parabéns para você na voz dele. Me sinto honrado em estar aqui, escrevendo um pouco da história deste querido artista que fez a minha infância mais feliz. Este palhaço me acompanhou na infância e, anos depois, tive o prazer de levar a minha família em um dos seus últimos espetáculos. Vi minha filha cantar e brincar com o velho Carequinha, quando ela tinha apenas 4 anos de idade.

Em uma das suas centenas de entrevistas, George falou que o segredo do reconhecimento de um palhaço está na pintura que faz no seu rosto. É a identidade e autenticidade do palhaço.

Ele teve a sua própria identidade. E você? Mesmo sem a cara pintada como a de um palhaço, pode dizer que tem uma identidade e autenticidade nesse picadeiro chamado vida?

Agora você tem a receita. Se te chamarem de palhaço, diga em alto e bom tom: – Com muito orgulho!

Tá certo ou não tá?

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A Biblioteca do Catarina https://simsaogoncalo.com.br/biblioteca-catarina/ https://simsaogoncalo.com.br/biblioteca-catarina/#comments Mon, 08 Jun 2015 18:18:14 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2927 Antes de seguir o corredor em direção ao quarto, dá uma olhadinha no relógio de parede que marca, religiosamente, cinco minutos para vinte horas. Não adianta lutar contra. É certo que será vencido pelo sono, lembrando o quanto estaria aceso naquele mesmo horário em sua juventude. O tempo é realmente um adversário invencível, que se utiliza de armas das quais […]

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Antes de seguir o corredor em direção ao quarto, dá uma olhadinha no relógio de parede que marca, religiosamente, cinco minutos para vinte horas. Não adianta lutar contra. É certo que será vencido pelo sono, lembrando o quanto estaria aceso naquele mesmo horário em sua juventude. O tempo é realmente um adversário invencível, que se utiliza de armas das quais não temos escudos para nos proteger. Com os dedos ásperos de anos e anos de trabalho duro como pedreiro, desliga o interruptor da luz do corredor e com passos curtos e cansados caminha para o quarto.

Senta-se na beirada do colchão. Mas antes de se deitar, seus olhos encontram na parede misturada àquele mundo de livros, incluindo a velha enciclopédia Barça de seis volumes onde tudo começou, em 2004. Imediatamente, lembrou-se de Maria da Penha, sua mais que esposa, amiga e companheira, que com ele começou aquele sonho, inclusive, abdicando de seu próprio quarto para que as crianças da comunidade tivessem acesso aos livros e conhecimento.

O rosto de Maria da Penha estava nítido em sua memória. Perdera recentemente, e com ela, o ânimo de continuar aquele nobre trabalho. Lembra-se como se fosse hoje, quando voltou de uma viagem do Recife, com sua inseparável bike, e juntos sentaram para idealizar a biblioteca. Aquela velha enciclopédia de 10 anos de idade foi a primeira a ir para estante.

Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Momento das obras para a construção da Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina, ainda na fase das obras.
Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina, ainda na fase das obras.

O acervo da biblioteca foi crescendo cada vez mais com doações de amigos. Aquele personagem feito do sabugo de milho criado por Monteiro Lobato, que devorava livros e fazia dele um intelectual, sempre passeou pela sua imaginação. Com aprovação de sua esposa, foi com o nome desse personagem que nascia a Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa. Na época, a biblioteca mais próxima era a do Centro Cultural Joaquim Lavoura, e não se podia deixar as crianças da comunidade andar tanto para que pudessem estudar.

Um sinal de esperança

Os tempos são outros. Com muitas dificuldades, já não tem mais sua esposa para ajudá-lo naquela batalha. A biblioteca sobrevive um dia após o outro, sem nenhuma ajuda para mantê-la de pé. E quando estava ali, sentado na cama, questionando-se se valeria mesmo a pena continuar aquela luta, foi interrompido por batidas na porta.

Seu Carlos em meio a Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina.
Seu Carlos em meio a Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina.

Levantou-se pensando em quem poderia ser naquela hora da noite. Caminhou pelo corredor e  reacedeu o interruptor da luz.

– Já vou!

Abrindo uma pequena fresta na porta, viu uma jovem senhora e uma menina que não passava dos 15 anos. Jardim Catarina pode não ser o maior bairro em extensão de São Gonçalo, mais leva o título de maior loteamento da América Latina, com cerca de 20 mil domicílios. Embora conhecesse muita gente no bairro, aquelas duas, nunca vira antes.

– Olá, o senhor deve ser Carlos Luiz Leite. Meu nome é Sueli e essa é minha filha Raquel. Somos daqui de Jardim Catarina e precisamos muito da sua ajuda.

Carlos abre totalmente a porta e com um gesto as convidam para entrar.

– Senhor Carlos, sei que esta um pouco tarde, mas esse é o horário que chego do meu serviço no Rio e é a única hora que encontro para me dedicar à minha filha e acompanhar seus estudos. Notei que estava aflita, por causa de um trabalho de ciências que vale ponto para amanhã. Falei com ela que poderia vir à biblioteca no horário de funcionamento antes deu chegar, mas o senhor sabe como são as crianças.

– Não se preocupe Sueli, a nossa casa está sempre aberta para quem tem sede de conhecimento. E não há hora marcada para adquirirmos conhecimentos. Por falar nisso, a Raquel já sabe o que quer ser quando crescer? Carlos pergunta procurando os olhos da menina.

– Veterinária. A menina timidamente responde.

– Que bom! Vou ter quem cuide de mim quando ficar doente. Responde Carlos, arrancando gargalhadas das duas.

Conversaram ainda por meia hora, enquanto Carlos separava alguns livros de ciências da sétima série. Falou quanto era gratificante ser parado nas ruas da comunidade por pessoas que queriam agradecer por seus filhos terem passado de série, entrado na faculdade ou aprovados em um concurso por conta dos livros da biblioteca.

– Esses livros aqui com certeza vão ajudar a futura veterinária no seu trabalho de amanhã.

– Muito obrigada mais uma vez, senhor Carlos. Fala Sueli, enquanto caminham até a porta.

Na porta, Carlos observa Sueli pegar sua filha em uma das mãos, enquanto na outra segura os livros, caminhando de volta para casa. Menos de cinco passos, Sueli volta-se para Carlos com um olhar de agradecimento e diz:

– Vale a pena!

– Hã?

Aquelas palavras bateram diretamente no coração de Carlos. Era a resposta para o seu questionamento enquanto estava sentado na cama. Um anjo colocara na boca daquela mulher a resposta para manter viva a biblioteca. Sendo forte como sempre foi, tinha a certeza que Maria da Penha responderia com a mesma frase. Valeu e sempre valerá a pena.

– Sim, senhor Carlos. Vale a pena para todos nós da comunidade poder contar com a sua generosidade. Saí da minha casa, vim até aqui em sua porta a essa hora da noite e ainda pude contar com a sua atenção, seus livros, que darão um futuro melhor à minha filha.

Por um momento, Carlos esquece de todo cansaço. Apenas acompanha com os olhos as duas sumirem nas ruas de Jardim Catarina. Mas antes de bater a porta, estica o pescoço e olha para cima em uma sensação agradável de estar fazendo a coisa certa, enquanto seus olhos percorrem o letreiro que diz “Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa”.

Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Comunidade em dia de evento na biblioteca.
Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Biblioteca Visconde de Sabugosa, um ponto de encontro na comunidade.

Curiosidades:

A Biblioteca Visconde de Sabugosa fica na Rua São José do Ouro, 28 no Jardim Catarina e funciona de segunda a sexta-feira de 9 às 16 horas.

Carlos Luiz Leite participou do quadro “Agora ou Nunca” do programa Caldeirão do Hulk, na Rede Globo. Não conseguiu o valor de 10 mil reais do programa, mas arrecadou o mesmo valor em doações que foram investidos na biblioteca. Um dos famosos que doaram para a biblioteca foi à atriz global Carolina Dieckmann.

Hoje, Carlos Luiz Leite conta com a ajuda da estudante Viviane Nascimento, 20 anos, que cuida da biblioteca quando não está presente.

Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina. Processo de contrução do espaço.
Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Comunidade reunida no espaço da biblioteca.

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A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/ https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/#comments Mon, 16 Mar 2015 00:27:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2557 Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se […]

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Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer

É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se eu fosse um advogado diria que no mínimo um crime culposo, sem intenção de carcar) nesse espetacular registro de Manoel Fonseca no ano de 1956.

Bloco “Inocentes Canibais” Niterói
Manuel Fonseca – Bloco “Inocentes Canibais” diante do busto de Araribóia, na praça Araribóia, Carnaval de 1956. Coleção da Fundação de Arte de Niterói.

Aí, você fica pensando: “Assim é mole! Pular o carnaval em 1956 era muito mais fácil. A vida era muito melhor, não tínhamos tantos problemas como os de hoje. Saúde, educação e transporte eram mil maravilhas! Principalmente o transporte, pois tínhamos algo de qualidade, com preços justos.” Peraí! Não era bem assim! O nosso amigo de bronze da foto sabe muito bem que há muito tempo nossos transportes são péssimos. Especialmente o hidroviário, no qual foi testemunha de que “o bicho pegou” ali pertinho dele. Talvez seja um trauma causado por esse acontecimento que o fez morar na frente da igreja São Lourenço dos Índios, estando lá até hoje, rezando para que nossos governantes nos tratem com mais respeito.

Nosso amigo da foto se estabeleceu mesmo na Praça Araribóia, em 1914, após um movimento popular no ano anterior chamado “Comissão Glorificadora a Araribóia”, liderado por um tal de Araribóia Cardoso, que se dizia descendente do fundador de Niterói. Se o cara era ou não parente direto do famoso índio, nunca vamos saber. Mas aquele cara de barba espessa, casaco longo e cocar na cabeça surgiu com tudo no cenário político niteroiense. A partir daí, nosso amigo vivenciou as alegrias e as tristezas das pessoas que pegavam as barcas todos os dias para trabalhar. Até brincar o carnaval, o nosso amigo brincou. Essa foto não me deixa mentir.

Barcas à vapor, sec XIX (1835)
Barcas à vapor, sec XIX (1835)

O início do transporte aquaviário no Rio de Janeiro

Em 1835, as barcas a vapor circulavam realizando o trajeto Rio – Niterói. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora, com a capacidade de 250 passageiros de seis da manha às seis da tarde. A SNN manteve-se soberana até meados do século XIX, quando a Companhia Inhomirim entrou no circuito, obtendo permissão para manter uma linha de transporte regular entre a Capital do Império e Niterói. Mas, como diz o ditado popular: “Onde Come Um Come Dois”. Assim, as duas companhias entram num acordo para contornar a disputa pela concorrência, fundando a Companhia Niterói – Inhomirim. Esse filme nós vemos até hoje. Ele se chama monopólio. E assim, a companhia passa a explorar não só o trajeto Rio – Niterói, mas todos os principais portos do fundo da baía. A mais lucrativa foi quando estabeleceu uma carreira para o bairro de Botafogo, que na época, era o lugar de residências de famílias mais ricas. Botafogo passou a ser também o lugar mais procurado para os banhos de mar. Em 1858, a Niterói – Inhomirim já tinha 9 barcas fazendo o trajeto Rio – Niterói.

Mas em 1858, um empresário chamado Cliton Von Tuyl ganhou outra concessão para operacionalização do transporte aquaviário na Guanabara, a mesma carreira que Niterói- Inhomirim. Cliton não perde tempo e vende sua empresa aos empresários americanos Thomas Ragney e W. F. Jones, que estabeleceu as barcas a vapor do sistema Ferry. O capital internacional fez com que as barcas do sistema Ferry passassem por cima da concorrência, fazendo o mesmo trajeto em menos tempo, com mais velocidade e conforto. Isso foi fatal para sobrevivência da Companhia Niterói-Inhomirim, que em 1865 suspendeu seus serviços.

Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862
Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862

O velho monopólio do transporte

O céu era o limite para Companhia Ferry. Com o monopólio, o aumento dos preços do serviço ampliou a sua lucratividade a ponto de, em 1889, incorporar a Empresa de Obras Públicas do Brasil ao seu controle, dirigira por Manuel Buarque de Macedo e que já prestava serviços públicos em Niterói e São Gonçalo. Assim surgiu a Companhia Cantareira & Viação Fluminense.

A Companhia Cantareira foi só expansão até o ano de 1908, quando sofreu uma nova reestruturação e passou a ser financiada diretamente pela Leopoldina Railway, que monopolizaria não só o transporte de passageiros na Baia de Guanabara, como a provisão de infraestrutura física na chamada Orla Oriental da Baía.

Entretanto, a companhia não contava com o crescimento de passageiros. A partir do crescimento das duas cidades, tanto Niterói ,que segundo o recenseamento de 1920 contava com 86.238 habitantes, quanto São Gonçalo, que crescia meteoricamente com 47.019 habitantes segundo a mesma fonte, utilizavam o serviço. O reflexo disso não poderia ser outro, senão o descontentamento dos usuários do transporte. Em dezembro de 1925, foi registrado a primeira das diversas ondas de conflitos da história do transporte aquaviário no Rio de Janeiro. Insatisfeita com o aumento das tarifas das barcas Rio – Niterói, a população inicia uma série de depredações às estações “Niterói” e “Gragoatá”. Em 1928, devido ao mau funcionamento e atraso de várias barcas, ocorre outro episódio de indignação popular, quando várias barcas da estação Cantareira são quebradas.

Lembrando que o nosso amigo de bronze, o índio, já fazia guarita ali na praça Araribóia, observando tudo, sem mover uma palha, sem reação. Mas também, o que ele poderia fazer? Era apenas um busto. Ele até tentou o diálogo com os manifestantes, mas no calor do momento, ninguém lhe deu a menor pelota.

Livro Revolta das Barcas - Editora Garamond
Livro “A Revolta das Barcas”, de Edson Nunes. Editora Garamond. Sobre: Este livro descreve minuciosamente os acontecimentos da pequena revolução popular chamada Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói, em 1959, da qual resultaram seis mortos e 118 feridos, depredação de imóveis, uma intervenção militar na cidade e, finalmente, a estatização do serviço de lanchas que faz a travessia para o Rio de Janeiro. Um resgate oportuno numa época em que os serviços públicos estão sendo, em sua maioria, privatizados. Mais do que a simples crônica, traz informação detalhada, análise dos fatos e reflexão sobre a dinâmica político-social da época por um cientista social cujo texto, direto embora refinado, atende tanto às necessidades acadêmicas de pesquisadores quanto à curiosidade do leitor interessado na nossa história contemporânea. (Descrição da editora)

Literalmente, botando pra quebrar

Essas manifestações foram pintos perto do que o nosso amigo passou 30 anos depois. Essa sim deixou seus cabelos metálicos em pé. Pela proporção da revolta, pensou até que fosse seu fim. Mas o amigo manteve a calma, fechou os olhos e rezou para Nossa Senhora dos Índios até tudo se acalmar. Foi a chamada “Revolta das Barcas”.

A concessão era da Frota Barreto S.A, que já possuía barcas que faziam o trajeto em 20 minutos. Porém, os problemas eram os mesmos de 30 anos antes. As filas de passageiros eram cada vez maiores, os atrasos nos horários das barcas frequentes e a insatisfação dos funcionários constante. Sendo assim, no dia 18 de fevereiro de 1969, o dono da Companhia de Navegação Frota Barreto ameaçou paralisar as barcas, caso não houvesse o aumento da tarifa ou um maior subsídio do estado. Como o governo não estava nem aí para as reivindicações da empresa, em 6 de março do mesmo ano, o Grupo retirou algumas barcas de circulação, com o objetivo de pressionar o governo. Para complicar, cinco sindicatos de trabalhadores do transporte aquaviário ameaçavam entrar em greve, pois a Companhia não pagou os salários de março, alegando não ter verba. O ponto crítico se deu em 22 de maio de 1959, quando o tráfego da baía foi paralisado devido à greve dos marítimos, já que o grupo se recusou a pagar o aumento salarial decretado pelo governo.

Estação das barcas, Frota Barreto S.A., Centro, Niterói.
Estação das barcas, Companhia de Navegação Frota Barreto S.A., Centro de Niterói – RJ

Imaginem vocês como deve ter sido o sofrimento dos passageiros que esperavam as barcas para ir ao trabalho ou, até mesmo, voltar para sua casa. Se pensarmos que na época aquele era o único meio de transporte entre as duas cidades, o problema fica infinitamente maior. Hoje simplesmente pegaríamos o 100 e saltaríamos no terminal. Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói, que foi inaugurada apenas em 1974.

Com a greve, as estações das barcas amanheceram ocupadas por policiais e fuzileiros navais. Essa proteção foi insuficiente. Com mais de 3 mil pessoas, a multidão se revolta e ultrapassa a linha de fogo dos fuzileiros, que atiraram na multidão com suas metralhadoras. Mesmo assim, as estações das barcas de Niterói são invadidas, apedrejadas e ateadas fogo, destruindo toda a sua estrutura.

E o busto do Araribóia?

Bom, muita coisa se passou e nosso amigo de bronze já não mora mais ali, na Praça Araribóia. Ele se mudou para Igreja São Lourenço dos Índios, na comemoração do IV centenário de fundação da cidade. Em 1973, o busto do Araribóia foi substituído por um maior, com cara de brabo e braços cruzados, como se tivesse pronto para proteger a cidade… ou seria a estação? Sei lá, importante disso tudo é que hoje a concessão para do transporte hidroviário está nas mãos de outra empresa, CCR Barcas. E nós, usuários, continuamos brigando pelos mesmos motivos que levaram à revolta em 1959.

Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios
Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios.

Quer saber de uma coisa? Esqueça tudo, coloque sua fantasia e vá pular o carnaval. Já passamos por mais de 55 carnavais e não mudamos nada. E o próximo será mais um que passaremos como o índio da Praça Araribóia: DE BRAÇOS CRUZADOS.

Nota do Editor: A Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói no ano de 1959, deixou um saldo de 6 mortos, 118 feridos, depredação de imóveis e intervenção militar na cidade. Porém, o governo foi obrigado a estatizar o serviço de lanchas que faz a travessia Niterói – Rio de Janeiro.

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Água-viva alemã sambando com o tigre gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/agua-viva-alema-sambando-com-o-tigre-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/agua-viva-alema-sambando-com-o-tigre-goncalense/#comments Mon, 02 Mar 2015 18:44:40 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2594 Independente do décimo primeiro lugar no carnaval 2015, nos olhos do tigre brilhou o amor de centenas de gonçalenses apaixonados na Sapucaí. Esses mesmos olhos também foram testemunhos de um não menos apaixonado, porém desengonçado, gordinho com nome de gringo fantasiado de água-viva nadando a favor da correnteza de alegria apoteótica. Minha aventura para desfilar […]

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Independente do décimo primeiro lugar no carnaval 2015, nos olhos do tigre brilhou o amor de centenas de gonçalenses apaixonados na Sapucaí. Esses mesmos olhos também foram testemunhos de um não menos apaixonado, porém desengonçado, gordinho com nome de gringo fantasiado de água-viva nadando a favor da correnteza de alegria apoteótica.

Minha aventura para desfilar na escola de samba mais querida do gonçalense não começa na avenida. É, meu amigo leitor, vida de água-viva na Sapucaí não é fácil. Tive que passar por alguns estágios para cair no samba.

Tudo começou quando, faltando menos de duas semanas para o desfile, recebo o irrecusável convite. Porém, tinha uma missão a cumprir: não faltar a nenhum ensaio e ainda fazer um desfile técnico no Patronato antes do “à vera”. Moleza, não é? Poderia ser para qualquer um, mas pra mim, com uma tremenda inflamação no tendão de Aquiles, era missão impossível. A não ser como destaque em um carro alegórico. Eu, um verdadeiro Deus grego, seminu, rebolando em cima do carro alegórico? Não, isso não é pra mim! Prefiro me entupir de Alginac 1000 e rezar pra fazer efeito e não mancar na avenida.

Estava eu, uma hora antes do combinado, cheio de antiinflamatório nas ideias, prontinho para ensaiar. Antes, o combinado era passar na administração da escola para tirar minhas medidas, número do calçado e saber direitinho qual seria a minha ala. Olhei no cantinho esquerdo, assim que passam as roletas, vi uma portinha escrita “administração” e fui entrando. Dou uma olhadinha nos olhos do sujeito que está na porta e cumprimento com a cabeça, como se o visse todos os dias. Essa técnica eu já usava adolescente, quando entrava de penetra em festas que não era convidado. Bom, voltando a salinha da administração, vejo uma escada caracol. Dando pala de atleta, subo rapidamente para marcar presença, mesmo com a dor no tendão.

– Boa noite, meu nome é Alex e fui convidado para fazer bonito na Sapucaí.

Ela ficou olhando pra minha cara por um tempo, sem esboçar nenhuma reação e apenas solta um: – Hã?

É, não fui feliz na minha primeira impressão. Mas não perco o rebolado: – Meu nome é Alex Wölbert e fui covidado para desfilar pela Porto da Pedra.

– Há, sim. Seu nome está aqui. Você coloca o tamanho de manequim aqui nesse papel e o seu número de calçado. A sua ala é vagalume. Procure a Adriana.

Aí, foi o meu momento pensador. Com cara de tacho, olhando pra ela, me passou pela cabeça como seria eu de vagalume na avenida. Depois de pensar e repensar em centésimos de segundos, relaxei e encarei o fato. Não seria menos ou mais macho ter o bumbum piscando na avenida. Assinei a fichinha, tasquei o Extra G para o tamanho da fantasia (melhor sobrar do que faltar) e fui procurar a tal Adriana.

Não foi difícil encontrá-la. Ela me recebeu muito bem e me deu todas as dicas para não fazer feio no desfile. Me entregou um papel com o samba-enredo e pediu para que decorasse o samba, pois conta muito a escola que conhece o samba de cor.

Não queria fazer feio. Antes de começar o ensaio, ainda dei uma lida no samba-enredo. “Há uma luz que nunca se apaga”, esse era o enredo. Bom, não é da Ampla que estão falando, pois se fosse, já teria pelo menos dado uma piscada ou pior, apagado de vez.

Indo ao ensaio técnico

Quando a bateria impôs seu ritmo e o interprete Anderson Paz começou a cantar o samba não deu pra ninguém. Me sacudi e não parei mais. É como uma sessão de relaxamento. Você esquece as contas para pagar e só pensa em se sacudir, cantarolando o samba. Aquela quarta-feira foi inesquecível. Saí da quadra surdinho e rouco, mas valeu muito a pena. Agora, era descansar para estar inteiro no ensaio técnico do Patronato, no domingo seguinte.

Estava marcado para às 20 horas. Como sempre, cheguei uma hora antes para o reconhecimento do terreno. Só começou mesmo às 22 horas, quando o caminhão com os instrumentos chegou. Aí, foi só alegria. Olha eu lá, sambando e acenando para a galera que curtia o ensaio ali, na Praça dos Ex-Combatentes, como se estivesse na Sapucaí. Estava concentradíssimo na transição da marcação, com o repique modulando a conversão, quando por mim passou uma morena de parar o transito e começou a rebolar olhando na minha cara. Não tem outra explicação, só pode ser o gabiroto tentando acabar com a harmonia da escola. Ou pior: com o meu casamento. Espero que a minha mulher não leia esse texto, mas puxei a morena pelas mãos e falei no seu ouvido.

– Você destrói com qualquer harmonia.

Ela sorri. E com a imponência de quem tem o rei na barriga fala: – Eu sei!

Um diretor de harmonia que nos acompanhava, viu a cena me chamou na chincha. Por sorte ou azar, sei lá, o tinhoso em pele de morena gostosa sumiu entre a ala. Pedi desculpas ao meu diretor e voltei a minha concentração para não fazer feio na Sapucaí.

Alex Wolbert com a Porto da Pedra na Sapucaí
Alex Wölbert com sua fantasia de “Água-Viva”, desfilando pela Porto da Pedra, na Marquês de Sapucaí. Carnaval 2015.

Minha estreia na Sapucaí

Ainda tive o último ensaio, mas não vou perder mais tempo. Vou direto ao ponto: aquele 14 de fevereiro de 2015, que vai ficar na memória para o resto da minha vida. Minha estreia na Marques de Sapucaí, desfilando pela a escola do meu coração. Nesse dia, também peguei a fantasia. Para minha surpresa, era água-viva e não mais um vagalume. Peguei o ônibus na quadra às 20 horas para desfilar as 2:30 da madrugada.

Nossa! Como a água-viva sofreu dentro daquele ônibus lotado, com um calor de assar. E, para piorar, chegando na Avenida Francisco Bicalho, um engarrafamento de não sair do lugar. Sofri! Mas depois de 2 horas naquele ônibus, cheguei na concentração marcada em frente ao prédio “Balança Mais não Cai”.

Marinheiro de primeira viagem, não sabia o que fazer. Abobalhado com a beleza dos carros alegóricos, fiquei mais perdido que cego em tiroteio. Seguindo o conselho do falecido velho guerreiro, de “quem não se comunica se trumbica”, cheguei até um ser iluminado que me orientou para que ficasse atrás do segundo carro. Ali, encontraria minhas companheiras águas-vivas. Por lá fiquei, mas nada da minha ala aparecer. Era uma solitária água-viva. Quanto mais o tempo passava, mais ficava preocupado em atravessar sozinho a avenida. Já ouvindo os fogos da entrada da escola, suspiro aliviado quando vejo aquele cardume de águas-vivas vindo em minha direção. Como aquele ataque que água-viva me fez bem!

Amigo leitor, tudo que eu disser no texto não será nem um décimo da emoção de atravessar a avenida. Inenarrável! Nada se compara. A alegria de estar ali, compartilhada com todos a minha volta, olhando para arquibancada lotada com pessoas acenando, me fazia acreditar que eu era o camisa 10, decidindo o jogo e o campeonato para o Porto da Pedra Futebol Clube, no campo do Cordeiro em Santa Izabel. Sim, isso mesmo! A escola de samba mais queria de São Gonçalo começou nos anos 70 como clube de futebol e já foi até campeão gonçalense, no ano de 1975. Em março de 1978, foi oficialmente registrado como um bloco de enredo chamado “Bloco Carnavalesco Porto de Pedra” e, 3 anos depois, em 1981, chegou à categoria de escola de samba.

Esperava que minha estreia na Sapucaí rendesse o título e a volta da escola para o grupo especial. Infelizmente, não foi assim que aconteceu. Mas uma coisa é certa: no próximo carnaval, estarei firme e forte, defendendo as cores vermelha e branca do tigre. Porque, ganhando ou não, com Alginac ou sem, a paixão pela escola é como no verso da letra do samba. É luz que nunca se apaga.

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Tamoio e o Glamour dos Antigos Carnavais https://simsaogoncalo.com.br/tamoio-e-o-glamour-dos-antigos-carnavais/ https://simsaogoncalo.com.br/tamoio-e-o-glamour-dos-antigos-carnavais/#comments Thu, 05 Feb 2015 00:36:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2559 Estamos na véspera da festa popular mais celebrada no país, o Carnaval. Houve uma época em que os holofotes eram apontados para São Gonçalo, com a abertura oficial do carnaval carioca. Realizados no Tamoio Futebol Clube, os concursos de fantasias de luxo e originalidade eram transmitidos ao vivo pela TV Globo e, posteriormente, pela TV Manchete. Durante as […]

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Estamos na véspera da festa popular mais celebrada no país, o Carnaval.

Houve uma época em que os holofotes eram apontados para São Gonçalo, com a abertura oficial do carnaval carioca. Realizados no Tamoio Futebol Clube, os concursos de fantasias de luxo e originalidade eram transmitidos ao vivo pela TV Globo e, posteriormente, pela TV Manchete. Durante as décadas de 60, 70 e 80, o famoso concurso abria oficialmente, na sexta-feira, o carnaval carioca, com a presença ilustre de grandes artistas como Wilza Carla, Evandro Castro Lima, Flávio Rocha, Clóvis Bornay, entre outros.

Carnaval no Tamoio Futebol Clube
“Simão Carneiro e Mauro Rosas, dois campeoníssimos, que estarão desfilando na passarela de nosso ginásio, por ocasião do desfile de fantasias premiadas em 1º e 2º lugares nos bailes do Hotel Glória, Municipal de São Paulo, Recife, Monte Líbano e Sírio-Libarês.” Foto: José Douglas Ribeiro.

Eram famosos também os bailes de carnaval no ginásio do clube, onde os foliões se divertiam sem violência. Eram épocas que não se contratavam seguranças, que ficava a cargo dos próprios sócios. Vestidos de índios, além de cair na folia, também mantinham a ordem no salão. Eram apelidados de “carcarás”.

Carnaval no Tamoio Futebol Clube
Conhecidos como “Carcarás”, os sócios vestidos de índios faziam a segurança das festas nos baliles de carnaval do Tamoio. Foto: José Douglas Ribeiro.

O quase centenário Tamoio FC foi fundado em 17 de novembro de 1917. Além dos esportes amadores, o clube já contou com equipes de futebol profissional e chegou a empatar com o Clube de Regatas do Flamengo por 3 x 3, em um amistoso realizado em 19 de novembro de 1949. Em 29 de novembro do no ano seguinte, o urubu meteu 9 x 0 no time gonçalense.

Hoje o clube ainda passa por dificuldades. Não é, nem de longe, aquele dos tempos áureos, de salão abarrotado de plumas e paetês. Porém, nós gonçalenses, precisamos perpetuar essa história e não deixar que esse patrimônio da nossa cidade fique apenas na lembrança, como a dos extintos índios que deram nome ao clube: os Tamoios.

Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
O contrato para a construção da primeira piscina do Tamoio, há alguns anos era a reafirmação de um futuro grandioso previsto pelo então pequeno quadro social. O presidente Jair Marinho, hoje, relembra aquela assinatura, para construção da primeira piscina como um impulso positivo que tornaria realidade o sonho das gerações que constróem o Tamoio nestes 55 anos de fundação do Clube.” Ano: 1974. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
“O quadro social do Tamoio e o município de São Gonçalo ganham uma das boates mais sofisticadas do Brasil. – O Tamoio inaugurou na noite do dia 18 último, a sua boate. O evento contou com a presença de elementos do mundo artístico e autoridades civis e militares. Tendo o presidente Jair Marinho em expressivo discurso, feito a entrega aos associados de mais esse empreendimento, convidando o Prefeito Jayme Campos a cortar a fita simbólica de inauguração, ocasião que S. Exa. enauteceu a atuação do clube no sentido de engrandecimento do município. A boate ora inaugurada, segundo palavras do cantor Cauby Peixoto, é uma das mais bem montadas do País. Elementos da imprensa e representantes do Lions e do Rotary de São Gonçalo, estiveram presentes.” Ano: 1977. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
Time profissional do Tamoio Futebol Clube. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
Time profissional do Tamoio Futebol Clube.  Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
Time profissional do Tamoio Futebol Clube. Foto: José Douglas Ribeiro
Tamoio Futebol Clube – São Gonçalo
“CARNAVAL. Tudo é Alegria. Tamoio em tempo de Carnaval” “Na sexta-feira, dia 3, a TV Globo entrará no ar diretamente do Tamoio, às 22:30h.” Foto: José Douglas Ribeiro

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Unidos do Porto da Pedra: do Futebol para Sapucaí, dá-lhe Tigre! https://simsaogoncalo.com.br/futebol-para-sapucai-tigre-unidos-porto-da-pedra/ https://simsaogoncalo.com.br/futebol-para-sapucai-tigre-unidos-porto-da-pedra/#comments Sun, 25 Jan 2015 16:23:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2539 Uma história sobre a Porto da Pedra, a escola de samba gonçalense, por Alex Wolbert. Eu não entendo, fiz tudo certinho. Pulei as sete ondas na meia-noite do dia primeiro para abrir meus caminhos em 2015. Mas na matéria de futebol e time de coração, o caminho ainda está obstruído. Foram três jogos e três […]

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Uma história sobre a Porto da Pedra, a escola de samba gonçalense, por Alex Wolbert.

Eu não entendo, fiz tudo certinho. Pulei as sete ondas na meia-noite do dia primeiro para abrir meus caminhos em 2015. Mas na matéria de futebol e time de coração, o caminho ainda está obstruído. Foram três jogos e três derrotas, sendo que uma delas para o maior rival, o urubu. Mas pensando bem, não tinha nenhum manual na simpatia que dissesse que funcionaria com futebol. Antes fosse botafoguense, pois não me importaria de cair para segunda divisão e ser derrotado no primeiro jogo do ano para o Gonçalense. Perderia para o Gonçalense com muito orgulho, ÔRRA!

Virar casaca não passa pela cabeça, já que paixão futebolística não se explica. Mas pensando bem, se ele não fosse o time do meu coração, seria a minha escola de samba?

Já estou até vendo, um abre alas com um enorme bacalhau e uma comissão de frente de pernas-de-pau coreografadas pelo Coisinha de Jesus. Na ala das baianas, todas com aquelas saias rodadas de lã vermelhas com bordados em preto e lenços coloridos escorregando pelos ombros. Sem faltar o tradicional tamanco de madeira que faria maior sucesso na Sapucaí ecoando durante a paradinha da bateria. E o “puxador” Roberto Leal chamando a galera com o grito de guerra: “Olha o gigante da colina ai, gente! Chora cavaco!”

Pensando bem, não daria muito certo o meu time de coração virar escola de samba. Mas deu muito certo o time de futebol criado no Porto da Pedra virar a minha escola de coração.

Ritmistas GRES Unidos do Porto da Pedra
Ritmistas da Porto da Pedra desfilando no carnaval de São Gonçalo, nos anos 80.

Uma história sobre a Porto da Pedra

A Unidos do Porto da Pedra é o único representante do município de São Gonçalo a desfilar no carnaval carioca. A escola de coração da maioria dos gonçalenses nasceu nos anos 70, oriundo de um clube de futebol chamado Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube, com uniforme nas cores vermelho e branco que até hoje representam a escola.

Como futebol e samba se completam, em 1975, dois anos depois que se consagrou campeão gonçalense de futebol, nasceu a ideia de criar um bloco de rua. Em 8 de março de 1978, foi oficialmente registrado como um bloco de enredo chamado “Bloco Carnavalesco Porto da Pedra”.

Apenas 3 anos depois, em 1981, alcançou a categoria de escola de samba, ficando com o vice-campeonato com o enredo “Mundo Infantil”, no grupo B do carnaval de São Gonçalo. No ano seguinte, já no grupo A, conquistou a primeira vitória como escola de samba com o enredo “No Reino da Fantasia”.

Time do Porto da Pedra em 1973
Time do Porto da Pedra em 1973.
Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube
Outra imagem da equipe que defendia o Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube.

Em 1985, a agremiação resolveu abandonar a competição e apresentando-se somente em seu bairro durante muito tempo. Só em 1990, conseguiu obter uma quadra de ensaios coberta, ainda que considerada pequena.

Em 1993, recebeu um convite para se apresentar no carnaval carioca no chamado grupo de acesso do Rio de Janeiro, que nessa época ainda desfilava na Avenida Rio Branco.

Componente de ala no Unidos do Porto da Pedra, no desfile de 1994.
Componente de ala no Unidos do Porto da Pedra, no desfile de 1994.

Esse ano a Porto da Pedra tem como enredo “Há uma luz que nunca se apaga!e será a 6ª escola a desfilar na sexta-feira, dia 23 de fevereito de 2015, pela série A do Carnaval Carioca.

Logo depois, através de Jorginho do Império e Jorge Andrade, a escola filiou-se à AESCRJ, a Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, disputou no Grupo de Acesso. Em 1994, o então presidente da recém criada LIESGA, Paulo Almeida, convidou a Porto da Pedra para desfilar no Grupo 1. Na época, este era o passo anterior ao sonhado Grupo Especial.

Com o enredo “Campo Cidade em Busca da Felicidade”, interpretado por Wantuir, a Porto fez um belo desfile, ganhando o título da categoria em 1995. E assim, começou sua saga no grupo de elite do Carnaval Carioca, cuja estreia foi em 1996, como você pode conferir aqui.

Acho que estou exigindo demais da simpatia dos 7 pulinhos. Vocês não acham? Dizem que o ano só começa depois do carnaval. E se for, realmente verdade boas notícias virão em todos os sentidos, incluindo futebolísticos e carnavalescos. Como na música de Gilberto Gil, andar com fé eu vou. A fé não costuma a falhar.

Então, 2015, só vai dar Tigre e Bacalhau!

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Por Uma Cidade Mais Rosa https://simsaogoncalo.com.br/por-uma-cidade-mais-rosa/ https://simsaogoncalo.com.br/por-uma-cidade-mais-rosa/#comments Fri, 02 Jan 2015 12:15:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2481 O primeiro dia do ano nasceu cor de rosa em São Gonçalo. Pelo menos para os moradores do Patronato. O gerente comercial por profissão, mas com alma de “artista”, Fabiano Vieira Barreto, resolveu colorir de rosa o tanque de guerra da praça dos Ex-Combatentes. A cor não poderia ser melhor para a “cidadania” que Fabiano desejava atingir com […]

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O primeiro dia do ano nasceu cor de rosa em São Gonçalo. Pelo menos para os moradores do Patronato. O gerente comercial por profissão, mas com alma de “artista”, Fabiano Vieira Barreto, resolveu colorir de rosa o tanque de guerra da praça dos Ex-Combatentes.

A cor não poderia ser melhor para a “cidadania” que Fabiano desejava atingir com o seu gesto. Nenhuma outra cor sugere ternura, romantismo e ingenuidade. O rosa significa feliz, próspero e alegre. Quem nunca sonhou ter um “futuro cor-de-rosa”? É a cor de maior sucesso entre as crianças e adolescentes.

Acertou a cor e errou no alvo. Não é num monumento público que devemos expressar nossa arte. Mesmo que historicamente esse patrimônio represente tempos de guerra, fazendo valer o provérbio latim “Si Vis pacem, para bellum”, que significa: Se quer paz, prepare-se para guerra.

Praça dos Ex-Combatentes, São Gonçalo – Rio de Janeiro
Praça dos Ex-Combatentes noa anos 70. Patronato, São Gonçalo. Crédito: www.tafulhar.com.br

Fundada em 1970, a praça e os monumentos expostos como um museu a céu aberto, são homenagens às centenas de gonçalenses que lutaram no gelado Monte Castelo, no norte da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Gonçalenses esses que saíram do 3° Regimento de Infantaria da Venda da Cruz, o famoso 3° BI que, por conta do descaso dos nossos governantes ao patrimônio histórico municipal, está se transformando em um grande condomínio.

Fabiano, não lhe culpo pelo que fez. Nem mesmo o prefeito da cidade é digno para te acusar, pois ele mesmo não deu exemplo quando decretou o destombamento do 3° BI, nosso patrimônio. Mas que isso lhe sirva de aprendizagem. Não só para você, mas para todos nós que acreditamos numa cidade mais prospera e feliz, sem precisar pintá-la de rosa, mas cumprindo nosso dever como cidadão, em todos os aspectos. Do lixo no chão até a preservação do patrimônio.

Tanque Rosa – Praça dos Ex-Combatentes
Tanque Rosa – Praça dos Ex-Combatentes, Patronato, São Gonçalo. Crédito: Enviada pelo WhatsApp / Jornal Extra

E que tal trocar a lata de tinta e o pincel pelas urnas em 2016? Aí sim, fazendo a escolha correta, você estará contribuindo por uma cidade mais cor de rosa.

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O Bom Velhinho no Hospital das Freiras https://simsaogoncalo.com.br/o-bom-velhinho-no-hospital-das-freiras/ https://simsaogoncalo.com.br/o-bom-velhinho-no-hospital-das-freiras/#comments Wed, 24 Dec 2014 00:01:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2443 O mês de dezembro, sem dúvida, é especial. E quando você vê o papai noel parar no Hospital das Freiras do Lagoinha, fica mais curioso ainda. Sobre o Hospital das Freiras em Lagoinha Endereço: Estrada Do Pacheco, 216, Lagoinha – São Gonçalo, Cep: 24732-890 Telefone: +55 21 2701-3923 Clique e saiba mais sobre o atendimento do Hospital. […]

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O mês de dezembro, sem dúvida, é especial. E quando você vê o papai noel parar no Hospital das Freiras do Lagoinha, fica mais curioso ainda.

Sobre o Hospital das Freiras em Lagoinha

Endereço: Estrada Do Pacheco, 216, Lagoinha – São Gonçalo,
Cep: 24732-890
Telefone: +55 21 2701-3923

Clique e saiba mais sobre o atendimento do Hospital.

O espírito natalino já chega desde o primeiro dia. A cada dia que se aproxima do dia 24, fica mais fervoroso. Basta olhar para os lados e se deparar com árvores de Natal, guirlandas, presépios, estrelas natalinas, Papais Noéis de todos os tipos e tamanhos. À noite, a lembrança de que estamos no mês do Natal fica por conta dos zilhões de pisca-piscas que enfeitam a cidade.

De onde sai tantos enfeites natalinos MADE IN CHINA espalhados pela cidade?

Não precisa nem pensar muito na resposta. Existem muitos mercados populares espalhados pela cidade. E nada se compara a Alcântara. Em qualquer mês do ano o lugar já é um caldeirão de gente saindo pelo ladrão. Em dezembro a coisa piora e só os fortes sobrevivem. Até mesmo o bom velhinho, acostumado com a correria de Natal, não aguentou o tumulto e piripaqueou na famosa rua da feira.

Eu até gosto de andar por Alcântara. Gosto de gente, mas como no comercial de cerveja que me lembra de beber com moderação, é isso que faço quando chega nessa data. Mas tem horas que não podemos escapar de uma visita forçada. Aí não tem jeito, temos que respirar os ares do Alcântara.

Por sinal, dependendo da hora e do lugar, não são nada agradáveis. Atire a primeira pedra, quem nunca sentiu o cheiro de podre na Estrada Raul Veiga entre o Extra e o Supermarket?

Foi em uma dessas minhas visitas forçadas que tive uma experiência bem inusitada.

Quando Papai Noel quase infartou

O sol torrava tanto a cabeça que me sentia um peru de Natal, só esperando ser servido. Nem mesmo a sombra do viaduto de Alcântara aliviava o calorão. Enfim, tinha que cumprir a missão. Lá fui, em direção à rua da feira, mas sem antes dar aquela espiadela para ver que horas eram no prédio de relógio.

Faltava pouco para as 13 horas no horário de verão. Gente para todo lado. Com cuidado, vou me esquivando de um e de outro. No meio do falatório irreconhecível, um som quase rompe meus tímpanos. – “Chip da “Craro”, da Tim, da Vivo, e da Oooiii.” – Quando consigo fugir da bendita gordinha berradeira, já vem um me empurrando um papelzinho. Penso comigo mesmo em não pegá-lo, mas quando fixo os olhos no sujeito, a cara de poucos amigos me faz mudar de ideia. Pra mostrar que sou educado, dou aquela espiadela no papel que dizia em letras garrafas “Compro Ouro”. Eu não tenho, mas mesmo que tivesse não seria para ele que venderia.

Poucos passos adiante, vejo uma aglomeração de gente formando um círculo. Embora, aglomeração de gente em Alcântara seja de fato um pleonasmo, era uma roda de pessoas falando alto alguns com expressões de desespero. Chego perto e consigo ver entre as pernas daquele muro humano  um saco vermelho bem chamativo. Curioso, levantando a cabeça entre a multidão para tentar ver o que estava no interior do círculo pergunto o rapaz do meu lado.

– O que esta acontecendo aqui?

– O Papai Noel esta no chão desacordado.

– Caiu do trenó?

Ele olhou com uma cara que, nitidamente, percebi que não gostou da minha piadinha.

Também não era hora desse tipo de piada. Então, como alguém que quer se redimir, afasto um e outro com os braços e chego ao meio da roda. O que vejo é o bom velhinho apagadão no meio da roda e uma senhora que se dizia ter curso de enfermagem o abanando tanto que, se a barba não fosse de verdade, já teria o voado do rosto.

– Você sabe onde é o Hospital das Freiras?

A mulher nem me deu tempo de respirar.

– Sim, sei sim.

-Ótimo, me ajuda a levar esse senhor para lá?

– Claro!

Eu não podia dizer não para o Papai Noel.

Paramos o primeiro carro que passava por perto, a mulher sentou no banco de trás. Eu e mais um delicadamente acomodamos o barbudo de uma forma que as pernas dela o servissem como travesseiro.

– E o saco? – Ainda fora do carro perguntei para mulher.

– Que saco?

-Dele!

– Pega logo esse saco e entra no carro! Não temos tempo a perder.

Sentei no banco do carona e com o saco na mão dei as coordenadas.

– Toca para o Hospital das Freiras. Fica na Estrada do Pacheco ali na Lagoinha.

Tivemos sorte de não pegamos a Raul Veiga no horário do rush e chegamos bem rapidinho ao hospital.

Rapidamente, uma equipe do hospital tirou o barbudo do carro. Colocaram-no em uma maca e correram para dentro do hospital. A mulher que nos acompanhava sumiu junto com o paciente. Então, só me restou esperar notícias do bom velhinho com o saco vermelho na mão.

Sobre o Hospital das Freiras do Lagoinha

Na sala de espera, uma imagem grande de Nossa Senhora das Graças me chama a atenção. Caminho devagar até ela e fico admirando. Viajo no tempo para entender o nascimento daquele hospital tão importante para cidade de São Gonçalo.

Hospital das Freiras – São Gonçalo
Imagem da lagoa que deu origem ao bairro da Lagoinha, São Gonçalo-RJ. Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus.

Era de interesse da Madre Superiora, Maria Antonieta, adquirir um terreno em um ambiente adequado para um convento aqui em São Gonçalo. Então surgiu a oportunidade de comprar o Sitio Lagoinha, na Estrada do Pacheco, 24, em Alcântara, o 2º distrito de São Gonçalo. Este sítio media aproximadamente 72.000 metros quadrados. Em sua entrada, uma bela pequena lagoa, que mais tarde acabou dando o nome ao bairro.

Então, a licença para a compra do sítio saiu pelo Cardeal-Arcebispo D. Jaime de Barros Câmara, no valor de Cr$ 1.100.000,00 (Um milhão e cem mil cruzeiros). Já no dia 23 de fevereiro de 1955, as irmãs instalam-se na casa de residência do sítio.

Hospital das Freiras - São Gonçalo
Imagens da construção. Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus

Logo foi chamada de Casa Nossa Senhora das Graças pois, para sua aquisição, foi escrita uma carta a um grande incentivador à devoção em Nossa Senhora, o padre Antônio Ribeiro, com o título “das Graças”. Cinco dias depois de se instalarem, já foi celebrada a primeira missa em uma capelinha, propositalmente preparada pelo então responsável pela paróquia de Alcântara, o padre Érico Wort. A capelania da casa foi entregue aos Missionários do Sagrado Coração de Jesus.

Hospital das Freiras - São Gonçalo
Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus

Em 2 de dezembro de 1955, começou a funcionar o Serviço Maternal e Infantil, um ambulatório visando dar assistência médica, religiosa e social às mães pobres e seus filhos. Com a grande quantidade de atendimento foi preciso construir um novo ambulatório e uma maternidade. O serviço encerrou suas atividades no ano de 1974. Em seu lugar, surgiu o Hospital Franciscano Nossa Senhora das Graças.

Voltando ao Papai Noel…

– O senhor esta esperando notícias do Senhor Sebastião? – Uma jovem freira alta com um sorriso gentil interrompe meus pensamentos.

– Sebastião? Indago sem saber quem é.

– Sim. O senhor Sebastião é o nome do Papai Noel que foi hospitalizado.

– Como a senhora sabe que estou esperando notícias dele?

Ela não fala nada, apenas inclina um pouco a cabeça e fixa os olhos em direção ao saco vermelho que eu segurava nas mãos.

– Ah, sim. Sou eu mesmo. Me chamo Alex. E como ele está?

– Está ótimo, foi apenas um susto que pregou em todos nós. Ele faz questão de falar com você e é por isso que vim até aqui para avisa-lo. Dentro de 5 minutos ele terá alta médica. Enquanto aguarda fique na excelente companhia de Nossa Senhora.

– Muito obrigado.

Enquanto a freira se afastava, me viro para a imagem de Nossa Senhora e, novamente, recomeço de onde parei na minha viagem ao tempo.

Capela ao lado do hospital das freiras - São Gonçalo
Capela. Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus

Não ficou apenas no convento e no hospital das freiras. As irmãs franciscanas criaram em 1964, a Escola da Casa Nossa Senhora das Graças, pelo insistente pedido da Irmã Maria Lúcia. No inicio, apenas o curso de alfabetização. Depois, jardim de infância. Em 1986, foi reconhecida pelo MEC oficialmente como Escola Nossa Senhora das Graças de 1º a 4º série. Hoje o colégio também é conhecido popularmente como o “colégio das freiras”, com ensino até o 9º ano do fundamental.

Em 20 de dezembro de 1970, foi inaugurada a nova casa com a sua belíssima capela no estilo modernista.

-Então o senhor é responsável por salvar o Natal?

Já não estava mais caracterizado, mas era o mesmo barbudo e sem o traje aparentava ter uns 60 anos de idade.

-Eu? Não fiz nada.

-Claro que fez. Você e dona Isabel salvaram o meu Natal quando me tiraram de Alcântara e me trouxeram ao hospital das freiras. O médico disse que se demorasse mais um pouquinho eu não comeria rabanada esse ano.

– O mais importante que agora o senhor esta bem.

Sebastião me explicou que fazia um bico de Papai Noel para melhorar o orçamento doméstico, já que seu salário de aposentado não é muito, e com esse dinheirinho a mais poderia ajudar a sua família a ter um Natal melhor. Se pudesse, daria um Tablet para sua netinha de 13 anos.

Ficamos conversando por horas. Antes de me despedir, lhe entreguei o saco que guardei com sete chaves. Sebastião me deu um abraço que valerá por qualquer presente de Natal que pudesse ganhar.

Sebastião pode não ter cumprido a missão de ajudar a família com a renda extra de Papai Noel. Pode não ter dado o presente de Natal que esperava para sua neta. Mas o maior presente que ele poderia dar é estar vivo. E isso ele conseguiu dar à sua família nesse Natal.

Sim, Sebastião é um bom velhinho.

FELIZ NATAL PARA TODOS!

 

Curiosidades

1. O bairro de Alcântara homenageia o imperador brasileiro Dom Pedro de Alcântara (D. Pedro II).

2. Em 1984, políticos locais e o jornal “O Alcântara” se mobilizaram para a realização de um plebiscito, que tramitou pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e se concretizou em 1995. Não houve êxito, pois, apesar de uma votação expressiva a favor da emancipação, esmagadora parte dos eleitores da região interessada não compareceu às urnas.

3. Nos anos 70 houve doações para o Hospital das Freiras. O Arcebispo de Niterói doou 1 aparelho de Raio X e 1 gabinete dentário.

4. Com auxílio da MEMISA (Holanda) foram adquiridos 1 mesa cirúrgica, 1 autoclave, 1 lâmpada de teto com 5 focos, 1 lâmpada auxiliar, armários e instrumental cirúrgico.

5. Durante a construção da Casa Nossa Senhora das Graças um fiel a causa doou uma geladeira, uma vaca Jersey e uma imagem de Nossa Senhora das Graças que foi instalada no meio da lagoinha e hoje esta na entrada do terreno do hospital das freiras.

FONTES 

1. Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus.

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Altay Veloso e a cidade de consciência https://simsaogoncalo.com.br/altay-veloso-e-a-cidade-de-consciencia/ https://simsaogoncalo.com.br/altay-veloso-e-a-cidade-de-consciencia/#respond Thu, 20 Nov 2014 21:21:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2381 Em 20 de novembro, comemoramos o dia da consciência Negra, que dedicamos à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Segundo o último censo, São Gonçalo é uma das cidades com muitos negros e pardos no país, sendo quase 56% de toda população gonçalense. Com muito orgulho, somos uma cidade de negros. Gostaria de homenagear cada um […]

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Em 20 de novembro, comemoramos o dia da consciência Negra, que dedicamos à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Segundo o último censo, São Gonçalo é uma das cidades com muitos negros e pardos no país, sendo quase 56% de toda população gonçalense.

Com muito orgulho, somos uma cidade de negros. Gostaria de homenagear cada um desses que contribuem para a cultura gonçalense falando de um nome que elevou a cidade para o Brasil e para o mundo. Altay Veloso da Silva, esse apaixonado pela cultura negra, nasceu aqui em São Gonçalo, em 26 de fevereiro de 1951. Filho de jongueiro e sacerdotisa de culto africano, começou a estudar violão e acordeão aos 17 anos, influenciado também pelo avô acordeonista. Aos 21 anos, fez sua primeira composição, o que lhe rendeu participar de algumas das bandas mais prestigiadas do Rio de Janeiro.

Altay tem quase 500 composições gravadas por nomes como Roberto Carlos, Nana Caymmi, Elymar Santos entre outros. Na visita de Nelson Mandela ao Brasil, cantou com Alcione sua composição “Sintonia da Paz”, feita para o líder Sul-Africano.

Altay Veloso - SIM São Gonçalo

Altay, também escreveu a obra literária “Alabê de Jerusalém”, que conta a história do africano Ogundana que é Alabê, o responsável por zelar pelos instrumentos musicais da tribo que, após peregrinar pela África e Europa, casou-se com Judith, prima de Maria Madalena, em Israel. A obra foi transformada em ópera, contando com um elenco de 32 bailarinos, 18 cantores e 10 técnicos de som, sendo encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, tendo o próprio Altay como Alabê.

Parabéns a todos os negros, pardos, brancos e índios que se misturam e vivem na nossa terra com respeito e sem nenhum preconceito. Nossa gente não tem só consciência negra.

NOSSA GENTE TEM CONSCIÊNCIA!

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Abrem-se as Cortinas: João Caetano e teatro brasileiro https://simsaogoncalo.com.br/abrem-se-as-cortinas-joao-caetano-teatro-brasileiro/ https://simsaogoncalo.com.br/abrem-se-as-cortinas-joao-caetano-teatro-brasileiro/#respond Sun, 19 Oct 2014 16:33:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2310 Abrem-se as cortinas quase pálidas de tão desbotado que era aquele vermelho. Sem contar com os grandes remendos improvisados e a poeira que cuspia ácaro nos atores e na plateia. Vira e mexe interrompia-se a cena para acudir um pobre coitado que quase tinha um troço de tanto espirrar. Mas em pé naquele tablado ripado […]

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Abrem-se as cortinas quase pálidas de tão desbotado que era aquele vermelho. Sem contar com os grandes remendos improvisados e a poeira que cuspia ácaro nos atores e na plateia. Vira e mexe interrompia-se a cena para acudir um pobre coitado que quase tinha um troço de tanto espirrar.

Mas em pé naquele tablado ripado simples, não muito alto, lá estava Romeu. Não era nada atlético, baixinho com a sua barriguinha saliente que lhe apertava a camisa listrada de veludo azul a ponto dos botões voarem na plateia em um respiro mais exagerado. Por baixo do chapéu em camurça verde com a tradicional pluma branca uma careca lisa e lustrada. Mas ridículo do que seu bigodinho era a voz irritante e a maneira que interpretava. Bem parecido com o Pato Donald rezando o terço.

“Meu coração amou antes de agora? Essa visão rejeita tal pensamento, pois nunca tinha eu visto a verdadeira beleza antes dessa noite.”

Mais que de repente surge no palco numa corridinha desengonçada e barulhenta, por causa do tamanco de madeira, aquele negro bombado de 2 metros de altura em uma peruca de tranças loiras.

“Romeu, Romeu, onde estas tu, Romeu?”

João Caetano e o teatro brasileiro

Inevitável eram as gargalhadas da plateia, mas estamos no Brasil do final do século XVIII e até mesmo a tragédia de William Shakespeare transforma-se na pior das comédias. Os teatros não tinham recursos e era muito comum  atores serem ex-escravos sem formação e quase não se via atrizes, já que o preconceito era imenso. Mulheres no palco eram consideradas prostitutas para sociedade. Piorou com o édito de D. Maria I que as proibiam de representar.

Esse cenário só foi modificado quando entrou em cena um itaboraiense que mudou o teatro nacional. João Caetano dos Santos nasceu em 27 de janeiro de 1808, quatro dias depois que o D. João VI e sua família pisava em solo brasileiro.

Bem jovem João Caetano dava seus primeiros passos como ator amador. Aos 23 anos interpretava como profissional a peça “O Carpinteiro da Livônia” no teatro da sua cidade natal. Hoje em sua homenagem chamado Teatro Municipal João Caetano na cidade de Itaboraí.

João Caetano e o teatro brasileiro

Dois anos depois da sua estréia como profissional João Caetano já ocupava o teatro de Niterói com a sua Companhia Nacional João Caetano, a primeira companhia nacional de teatro. Em sua homenagem hoje chamado Teatro Municipal João Caetano em Niterói.

Era imbatível na montagem de cenas de guerra, na época faziam bastante sucesso com a platéia.  Talvez o fato de ter servido na Guerra da Cisplatina como cadete tenha o ajudado a se destacar.

João Caetano e o teatro brasileiro

João Caetano criou um perfil para o ator brasileiro e se tornou um mito. Nunca um ator foi tão biografado. Lançou dois livros sobre a arte de representar que são referências de estudo até hoje. Reflexões Dramáticas de 1837 e Lições Dramáticas de 1862.

Sem dúvida sua maior conquista foi a concessão por dois contos de réis do teatro mais antigo do Rio de Janeiro. Inaugurado em 13 de outubro de 1813 com o nome de Real Theatro São João pelo próprio imperador D. João VI. Neste teatro foi assinada a primeira Constituição Brasileira. Mais tarde com o nome de Theatro São Pedro de Alcântara e em 1930, após sua reconstrução determinada pelo então prefeito Prado Junior, foi batizado como Teatro João Caetano.

Teatro Municipal João Caetano na cidade de Itaboraí.
Teatro João Caetano – Praça Tiradentes, Rio de Janeiro

Aos 52 anos João Caetano organizou no Rio de Janeiro uma escola de artes dramática onde todos podiam estudar. Um ensino totalmente gratuito. E para valorizar a nossa arte, promoveu a criação de um júri dramático para premiar a produção nacional.

No dia 24 de agosto de 1863, João Caetano saia de cena, mas a arte plantada por ele continua viva em todos os palcos do Brasil. Não é exagero falar que a arte cênica nacional deve muito a esse filho de Itaboraí. Basta perguntar a uma criança o que ela quer ser quando crescer. A maioria responderá com um sorriso, ator ou atriz.

E no centro do tablado ripado o barrigudinho Romeu e a bombada Julieta de mãos dadas agradecem ao publico enquanto as cortinas vermelhas se fecham.

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Gentileza Gera Gentileza também em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/gentileza-gera-gentileza-tambem-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/gentileza-gera-gentileza-tambem-em-sao-goncalo/#respond Wed, 08 Oct 2014 14:21:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2283 A vida já nos ensina desde criança. Tomamos como exemplo aquela simples experiência de ciências que tivemos na escola, onde plantamos no chumaço de algodão uma semente de feijão. Aprendemos muito mais que os estágios de crescimento da plantinha, que precisa ser cultivada para germinar e crescer até que se chegue ao tamanho em que […]

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A vida já nos ensina desde criança. Tomamos como exemplo aquela simples experiência de ciências que tivemos na escola, onde plantamos no chumaço de algodão uma semente de feijão. Aprendemos muito mais que os estágios de crescimento da plantinha, que precisa ser cultivada para germinar e crescer até que se chegue ao tamanho em que possa ser plantada direto na terra, fazendo valer o dito popular de que colhemos o que plantamos.

Sem querer filosofar, e já filosofando, aprendemos também que devemos fazer três coisas antes de morrer. Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Mas se analisarmos, todas as três se resumem à uma só: plantar. Quando escrevemos um livro, plantamos um pedacinho dos nossos conhecimentos para gerações futuras. Quando temos um filho plantamos um pedacinho de nós mesmos para o mundo. Logo, passamos nossa vida inteira plantando.

Fazemos nossas escolhas quanto à semente plantar. Dentre os horticultores, os que plantam e cultivam amor têm a minha admiração. É o caso de José Dautrino, o paulista que abdicou de tudo na vida, casa, trabalho e veio plantar em Niterói o melhor dos jardins.

No dia 23 de dezembro de 1961, seis dias depois do incêndio do Gran Circus Norte-Americano, José Datrino acordou determinado em fazer alguma coisa em prol das pessoas que sofriam com a perda dos entes queridos pela tragédia. Então, rumou em direção a Niterói e bem no lugar onde o fogo consumiu mais de 500 pessoas, a maioria crianças, Dautrino plantou sobre as cinzas o mais belo jardim e a mais bela horta e ali ficou por 4 anos curando as feridas de familiares envolvidos na tragédia com palavras de amor e bondade. Alí, naquele cantinho marcado por uma tragédia, nasceu o Profeta Gentileza.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo
Murais desenhados por José Datrino, o profeta Gentileza, nas colunas do viaduto situado na Leopoldina, Rio de Janeiro

Naquele mesmo ano de 1961 enquanto Gentileza, cultivava o seu jardim em Niterói, nascia no bairro da Covanca em São Gonçalo, Aílton Silveira. Ele não sabia, mas o destino reservaria pra aquele menino pobre o mesmo dom que dera ao paulista Dautrino.

Da Covanca, Aílton foi ainda criança parar em um quartinho no alto do morro do bairro de Tenente Jardim em Niterói, morando com a sua avó e seus dois primos, Jorge e Nazareth. Sua avó trabalhava duro para dar o que comer para os netos. As condições eram precárias, pois não dormiam em colchões e sim em uma esteira de palha dura. A preparação da comida era feita em um fogareiro onde se catava madeira como lenha. Banheiro não existia.

Com tanto sofrimento, Aílton nunca teve a oportunidade de estudar. Com 14 anos, montou um carrinho com ripas e rodinhas de rolimã e corria para feira levar as bolsas de compras das senhoras. Com o dinheiro da generosidade dessas mulheres, Aílton vivia. No final da feira, ele catava sobras de frutas e legumes que podia alimentar a ele e seus primos. O dinheiro que conseguia com o transporte deixava todo ele na mão da sua avó.

Ao completar 21 anos, sem nunca ter entrado em uma escola, Aílton era analfabeto e só depois de muito esforço pessoal, conseguiu desenhar seu próprio nome. Foi graças a esse esforço e mesmo sem entender, mas agradecendo a Deus, que conseguiu um emprego de cobrador de ônibus na Viação Garcia. Não sabia ler nem escrever, e muito menos fazer contas, mas Aílton com uma blindagem de armadura passava um dia após o outro, gravando as cores das notas e aprendendo a fazer conta naquele banco que não era o da escola, e sim o da vida. Com o coração que não cabia no peito, às vezes tirava do próprio bolso para completar a passagem de alguém que não podia pagar.

Aílton, além de aprender a fazer conta, teve a oportunidade de aprender o ofício de servente de pedreiro. Na mesma época, seus olhos avistaram Andreia. Amor à primeira vista. Andreia conquistou o coração do rapaz e logo marcaram o casório. Mas, infelizmente, o amor não foi adiante e com apenas um ano de casados o casal se separou. Aquele ponto da história de Aílton foi fundamental para sua escolha de vida.

Nas palavras do próprio Aílton, onde ele diz que na Bíblia, aquele que não vem por amor, vem pela dor. E assim foi com ele, chegou à igreja Assembleia de Deus, pela dor de um coração apaixonado que não queria desistir do amor de Andréia. As lágrimas saiam como rios pensando na amada. Não tinha força para nada. Deixou de comer e o pastor foi seu único amigo e conselheiro. Com o aval do pastor, Aílton fez da igreja sua moradia e entendeu que aquele era seu destino. Estava casando novamente, mas nada de noivas, e sim Jesus Cristo.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo

Então aceitou a Jesus e mais a vida que lhe foi escrita para ser vivida. Passou a morar sozinho e falar do amor de Deus para todos ao seu redor. Conseguiu um emprego como vigia na sede da Fundação Parques e Jardins de São Gonçalo e lá pregou o amor e a bondade, assim como o Profeta Gentileza, plantou e cultivou no terreno da sede uma horta.

Hoje, já aposentado, Aílton continua ali no mesmo lugar, na Estrada do Rocha, na região da Água Mineral, falando para todos que passam do amor de Deus. Mora lá em cima do morro. Com o dinheiro da aposentadoria, paga com muita dificuldade um aluguel que por muitas vezes não sobra para se alimentar. Mas, como ele mesmo diz, Deus está no poder e amigos ajudam com quentinhas.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo
Na imagem, o quadro de Aílton preso ao poste que fica em frente ao CIEP localizado na Água Mineral

Não é à toa que a passagem favorita de Aílton é João 3:16: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu único filho, para que todos que nele crer não pereçam, mas tenham a vida eterna.”  Independente de qual seja o seu credo ou religião, católica, evangélica, espírita, candomblecista, umbandista ou até mesmo ateu, há de se convir que sem amor nada seríamos, como na letra do poeta.

De gênio e louco todos nós temos um pouco. Parabéns a esses “loucos” como o paulista Datrino e o gonçalense Aílton, que semeiam amor por onde passam.

Afinal de contas: GENTILEZA GERA GENTILEZA

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A passagem que Ailton admira, presa ao poste.

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Viver para Amar ao Próximo https://simsaogoncalo.com.br/viver-para-amar-ao-proximo/ https://simsaogoncalo.com.br/viver-para-amar-ao-proximo/#comments Mon, 25 Aug 2014 00:46:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2242 Em uma manhã dessas  sentado no banco do carro em mais um engarrafamento de costume na ponte Rio-Niterói enquanto me deslocava para o trabalho me deparei em mais um maluco devaneio. Me peguei pensando desde o começo da minha vida profissional, lá naquele sobradinho velho da Rua Teofilo Otoni onde meus olhos acompanhavam com detalhes cada […]

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Em uma manhã dessas  sentado no banco do carro em mais um engarrafamento de costume na ponte Rio-Niterói enquanto me deslocava para o trabalho me deparei em mais um maluco devaneio. Me peguei pensando desde o começo da minha vida profissional, lá naquele sobradinho velho da Rua Teofilo Otoni onde meus olhos acompanhavam com detalhes cada comando dado pelo meu instrutor naquele teclado gigantesco e monitor verde que refletia nos seu óculos fundo de garrafa. Estava fascinado com aquele homem e quando crescesse era igual a ele que queria ser.

Então foquei naquele exemplo e comecei a galgar cada pedacinho de chão. Estudei, estudei mais um pouquinho, continuei estudando. Consegui meu diploma de nível superior e continuei estudando mais ainda. Foram anos e anos de estudos e praticas que me tornaram tão bom quanto meu guru. O tempo passou tão rápido quanto meus pensamentos que foram interrompidos por buzinas dos apressadinhos atrás de mim. – “PASSA POR CIMA!” – Enquanto acelero para acompanhar a procissão de carros me indago se valeu a pena tudo aquilo. Dos estágios do ciclo da vida que aprendemos na escola já passei por três agora é envelhecer e morrer. Por isso a minha indagação, a sete palmos de areia estarão comigo todo aquele conhecimento que adquiri durante esse tempo e todos aqueles anos que dei o meu suor trabalhando. Valeu a pena?

Sem saber minha pergunta seria respondida dias depois em um simples olhar acompanhado de um sorriso.

Em 1931, nascia a “Caixa Auxiliadora dos Pobres” criada pelos varejistas de São Gonçalo. Tinha o objetivo de dar aos mendigos uma esmola semanal, porem visto que muitos não tinham família nem lar, transformaram-na em “Asilo Amor ao Próximo” e para angariar recursos foi criado um “Livro de Ouro” e assim puderam comprar a sua sede bem no centro de São Gonçalo na Rua Feliciano Sodré, nº 04  localizada entre a prefeitura e a praça Zé Garoto.

Asilo Amor ao Próximo. Espaço ampliado. Foto: Reprodução
Asilo Amor ao Próximo. Espaço ampliado. Foto: Reprodução

Asilo Amor ao Próximo. Espaço ampliado.

No ano de 1969, o Asilo passou pelo pior momento de sua existência, com a morte e afastamento dos fundadores chegou a estar completamente abandonado com apenas 11 velinhos sofrendo de maus tratos. Foi então que um casal visitando o asilo vendo aquela situação resolveu ajudar. Criaram um “Departamento de Cooperadoras” com senhoras voluntarias que administram a instituição sem nenhum beneficio. No inicio apenas 15 e hoje perto de completar 50 anos com mais de 160 voluntarias que administram e trabalham para que não falte nada para as internas. Com a reforma do estatuto passou a ter a atual denominação, Instituição Cristã Amor ao Próximo (ICAP), e passou a trabalhar apenas com senhoras acima de 70 anos.

Sede da Instituição Cristã Amor ao Próximo - ICAP.  Local: Rua Feliciano Sodré n. 4, São Gonçalo-RJ.  Foto: Reprodução
Sede da Instituição Cristã Amor ao Próximo – ICAP. Local: Rua Feliciano Sodré n. 4, São Gonçalo-RJ. Foto: Reprodução

Meu contato com o ICAP foi numa sexta-feira fria quando minha sogra que faz trabalhos sociais em igrejas me pediu um favorzinho. Sabe como é, não se nega favor a sogra.

– Alex, você pode, por favor, entregar essas sacolas de agasalhos no Asilo Amor ao Próximo?

Ué, será que deu pane na vassoura? Pensei.

–  Claro minha sogra, você não pede, você manda.

Deixando a brincadeira de lado, afinal eu adoro a minha sogra e nem sei por que fiz esse comentário da vassoura no texto. Deve ter sido para torna-lo mais bem humorado e atrativo. Enfim, eu não sabia, mas a minha ida ao ICAP seria inesquecível e cheia de aprendizado.

A viagem não foi longa, já que meus sogros moram a 10 minutos do centro de São Gonçalo e logo estava atravessando com aquelas sacolas nas mãos o portão verde onde na fachada lia-se Pavilhão de Bazares Beneficentes. Ao atravessar a porta um barulho ensurdecedor de máquina de costura e meus olhos passeando por todo ambiente só viam araras de roupas. Até que na segunda inspeção vejo no cantinho uma máquina de costura e um tufinho de cabelo branco como neve escondido por detrás.

– Boa tarde?

E o som da máquina continuava sem interrupção. Então quase gritando.

– Boa tarde, senhora?

E ali permaneceu sem nenhuma reação atrás da barulhenta maquina de costura. Caminhei até ficar de frente e pude perceber que se tratava de uma senhora na casa dos 60, mas com uma vitalidade no manejo daquela máquina. Suas mãos dançavam na bancada segurando uma peça de roupa ao som daquela medonha melodia ensurdecedora. Quanta pratica tinha aquela senhora. Com certeza se fosse eu no seu lugar já teria meus dedos furados antes mesmo de dar o primeiro ponto.

Fique ali admirando por quase 20 segundos, até que ela percebesse a minha presença. Então com a mão direta empurrou os óculos para pontinha do nariz inclinou a cabeça um pouco para baixo e me olhou por cima dos óculos.

– Boa tarde, seja muito bem vindo. Em que posso ajudar?

Aquela boas vindas mexeu comigo, há muito tempo não via uma recepção com tanta educação. Estamos vivendo um tempo de, E ai?, O que foi?, Qual é?

– Boa tarde, me chamo Alex e vim até aqui a pedido de minha sogra que pediu para que entregasse essas duas sacolas de agasalhos para doar ao asilo.

– Que bom, tem feito muito frio à noite e os agasalhos vão ajudar a esquentar quem precisa. A sua sogra é um anjo, Alex.

– Pois é, eu é que sei.

Ela sorri e com muita dificuldade levanta da cadeira e caminha até uma porta que dá para os fundos do bazar.

– Vamos lá Alex, vou te mostrar a nossa casa. A propósito me chamo Lourdes.

Bosque da Paz - Largo do Chafariz - ICAP. Foto: Reprodução
Bosque da Paz – Largo do Chafariz – ICAP. Foto: Reprodução

Quando atravesso a porta dos fundos do bazar me deparo com um jardim lindo, com muito verde e muitas flores. No centro do jardim um chafariz com plantas jiboias escorregando do centro da escultura.

– Chamamos de bosque da paz e largo do Chafariz. Dona Maria Amélia adorava cuidar de cada planta desse jardim. Acho até que tinha o dom de ouvi-las.

– Maria Amélia?

– Sim, Maria Amélia foi a grande responsável pela transformação da nossa casa, foi ela e seu marido que em visita criaram o Departamento de Cooperadores. Departamento que ela presidiu com muito vigor por 48 anos até o fim de sua vida no ano passado.

Maria Amélia (1918-2013) foi diretora da Instituição Cristã Amor ao Próximo (ICAP) por 48 anos
Maria Amélia (1918-2013) foi diretora da Instituição Cristã Amor ao Próximo (ICAP) por 48 anos

Lourdes foi subindo a caminho das instalações.

– Vamos lá, vou te mostrar onde as vovós descansam.

Um pequeno portão de ferro dividia uma varandão com várias cadeiras e poltronas.

– Aqui são três lares, os quartos são para quatro senhoras, com uma suíte. O primeiro lar é para as que precisam de cuidados especiais como banho e necessitam que as vistam. O segundo lar é para aquelas que são lúcidas, passeiam, tomam banho sozinha. E o terceiro é o que chamamos de “remanso” que é para as voluntárias que trabalharam na casa por mais de 10 anos, gratuitamente, e que depois dos 65 anos de idade precisam de um lugar para morar. Esse é o meu caso Alex.

Eu e minha cara nítida de espanto fomos caminhando até a varanda onde com apenas um gesto de mãos Lourdes me pediu para sentar ao lado de uma senhorinha, essa com mais idade. Parecia estar entrando na casa dos 90 anos.

– Então trabalha  por 10 anos sem receber nada em troca Lourdes?

– Eu trabalho por exatos 30 anos e quem disse que não recebo nada em troca? Todos os dias recebo algo que dinheiro nenhum é capaz da pagar.

Ela olhou a senhora do meu lado, deu um sorriso e levantou mais uma vez com dificuldade.

– Alex, vou pegar um café pra gente. Enquanto isso faz companhia a Bethânia. Ah, ela é surda, mas se comunica muito bem.

Largo do Chafariz
Largo do Chafariz

Enquanto Lourdes se afastava, meus olhos foram ao encontro daquela que me fazia lembrar minha própria avó. E não precisou de nada a mais do que um simples olhar e um sorriso. Bethânia pegou na minha mão e mesmo sem pronunciar uma palavra, eu sabia o que ela estava me dizendo. Tinha razão Lourdes quando disse que Bethânia era muda, mas se comunicava muito bem. Ela estava me agradecendo. Agradecendo por estar ali ao lado dela, de conhecer a sua casa e compartilhar aquele momento.

Acho que estava sendo muito egoísta nos meus questionamentos, pois o que fiz foi trabalhar e ganhar experiencia para que pudesse dar o melhor para minha família. E os que trabalham e dão o melhor por pessoas que muitas vezes nem conhecem? Olho pro lado e vejo o exemplo dessas mulheres que passaram a sua vida trabalhando com amor em prol de outras pessoas. Vejo o exemplo da minha sogra que dedica o seu tempo recebendo e separando roupas e alimentos na igreja para repassa-los para quem precisa. Vejo o exemplo de Maria Amélia que até o seu ultimo dia esteve presente na vida de cada uma das internas do ICAP. Vejo o exemplo de Lourdes que dedicou 30 anos de sua vida costurando agasalhos para que muitas vovós não tivessem uma noite fria. E Bethânia? Essa trabalha com o sorriso e com olha e nos prepara para encarar uma vida regada de alegrias e esperanças e cheia de amor ao próximo. E mais uma vez meus devaneios são interrompidos pelas buzinas dos apressadinhos, mas dessa vez não estou nem ai. – “PASSA POR CIMA!”

É CLARO QUE VALEU A PENA.

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Uma História Gonçalense de Amor e Fé https://simsaogoncalo.com.br/uma-historia-goncalense-de-amor-e-fe/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-historia-goncalense-de-amor-e-fe/#comments Tue, 24 Jun 2014 19:18:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2155 Histórias de amor acontecem em todos os lugares do mundo. Mas posso garantir que as que acontecem na nossa cidade são as mais belas. Quando a linda jovem Mathilde Ferreira cruzou os olhos para o jovem imigrante português Francisco Rodrigues, desabrochou como um botão de rosa o maior de todos os sentimentos.  E nada nesse […]

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Histórias de amor acontecem em todos os lugares do mundo. Mas posso garantir que as que acontecem na nossa cidade são as mais belas.

Quando a linda jovem Mathilde Ferreira cruzou os olhos para o jovem imigrante português Francisco Rodrigues, desabrochou como um botão de rosa o maior de todos os sentimentos.  E nada nesse mundo, nada mesmo, mudaria o rumo dessa história de amor.  Nem mesmo o pior dos desastres separaria o casal. Por pior que fosse, era como uma cabeça de alfinete perto da fé que Mathilde tinha no coração.

Era do pescado que Francisco tirava seu sustento. Quando estava em alto-mar, Mathilde fazia companhia em seus pensamentos. Estava na hora de concretizar a união. Marcaram o casamento para o primeiro dia de junho de 1900.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Francisco e Mathilde Rodrigues

E assim foi feito, naquela primeira sexta-feira do mês de junho. Todavia, por conta do compromisso com seu trabalho, Francisco nem teve tempo de curtir seu primeiro dia de casado ao lado da sua esposa Mathilde. Logo cedo, saiu com a embarcação do cais de Neves e varou mar à dentro com mais 29 tripulantes a bordo.

Ele esperava que o bonito dia de sol e o frescor da brisa do mar fossem abençoar o seu dia. Tão logo a embarcação estivesse lotada de pescado, estaria em casa nos braços da sua amada.

No entanto, Francisco estava enganado. Eis que de repente, mais rápido que um piscar de olhos, o céu se cobrira com um véu negro. O vento começou a assobiar desesperadamente entre as cordas de sustentação da rede. Raios brilhantes como flash varavam o céu. As ondas de 3 metros de altura que batiam violentamente na embarcação, a balançavam como um pêndulo desritmado no meio do oceano. A violência do sacolejo era tamanha que Francisco foi jogado de um lado para outro até bater com a cabeça no mastro e apagar. Acorda com a água gelada e salgada alisando seu rosto. Olha para um lado e para o outro à procura da embarcação e de seus companheiros, mas não vê nada, nem ninguém além de um tronco boiando próximo ao seu corpo. Mesmo cansado, lutando pela sua sobrevivência, Francisco agarra aquele tronco com todas as forças que lhe restavam. Sabia que aquele tronco era único caminho para manter-se vivo.

Enquanto isso Mathilde via o tempo passar olhando para frente da casa na esperança de que seu marido chegasse com o mesmo sorriso que a fez se apaixonar. No íntimo, Mathilde pressentia que ele não voltaria com aquele temporal. Mas, em nenhum momento, perdera a fé, pois desde criança sempre foi católica e muito devota de São Pedro. Então, se ajoelhou e orou com a maior de sua fé, fazendo uma promessa ao santo protetor dos pescadores. Se São Pedro trouxesse seu esposo, Francisco, são e salvo, como prova de sua fé construiria uma capelinha para o santo de devoção, dentro do terreno de sua casa. Mathilde orou, ininterruptamente, durante 3 dias e 3 noites que perduraram a tempestade.

Passados 14 dias, os corpos dos 29 pescadores que estavam na embarcação apareciam um a um, sem vida. Todos, exceto Mathilde, perdiam a esperança de encontrar Francisco vivo. Eis que, naquele mesmo dia, ela teve a certeza de que os anjos existem. e foi através de um deles que recebeu a notícia de que Francisco estava vivo e que teria sido resgatado, em estado gravíssimo, a quilômetros de distância de onde ocorreu o acidente e havia sido levado imediatamente ao Hospital Municipal São João Batista, em Niterói. Mathilde não se conteve e de joelhos levantou as mãos para o céu agradecendo de todo o coração ao santo que confiou a vida de seu amado.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Quadro de São Pedro

No hospital, ainda em estado delicado, Francisco não pôde estar ao lado de Mathilde no dia 29 de junho, quando cumprira a primeira parte da sua promessa, mandando rezar a primeira ladainha para o santo diante de um quadro de São Pedro.

A partir desse dia, a história do casal Ferreira Rodrigues não foi diferente de todas as outras histórias que possuem finais felizes. A recuperação de Francisco foi bem rápida e logo ele estava ao lado da mulher que amou para toda vida.

Mathilde e Francisco tiveram 10 filhos. A nenhum deles foi dado o nome de Pedro. Mas, como forma de agradecimento ao santo e a fé de sua esposa, ele fez um pedido à família para que o primeiro neto fosse batizado como Pedro. E assim foi feito. Hoje, são aproximadamente 20 descendentes em quatro gerações com o nome de Pedro na família.

Nada melhor do que terminar uma feliz história de amor com o famoso bordão “E foram felizes para sempre”. Sim, foi assim com Mathilde e Francisco que, até o final de suas vidas, contagiavam a todos com seu amor, cativando a devoção pelo santo que os uniu para eternidade.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Capela de São Pedro construída pela família Rodrigues

Prestes há completar 114 anos, no dia 29 de junho de 2014, a Capelinha de São Pedro é prova viva desse amor e fé. Ela fica na Rua Nova de Azevedo, 421, Neves, São Gonçalo. Atualmente, é mantida pela neta do casal, a senhora Mathildes. É ela quem cuida dessa relíquia junto à família, compartilhando essa linda história por gerações.

Eis aqui a minha verídica história gonçalense de amor e fé. Onde em nenhum lugar deste mundo, nem sobre uma gôndola no cenário de Veneza, bateria o esplendor da nossa história ocorrida no bairro de Neves, em São Gonçalo.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Interior da capela centenária de São Pedro

 

Curiosidades:

O primeiro quadro de São Pedro exposto na primeira ladainha realizada em 29 de junho de 1900 encontra-se em exposição na capela.
A Capelinha não é aberta ao público e quem quiser visita-la deverá solicitar a família Ferreira Rodrigues.

Fontes:

Família Ferreira Rodrigues

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O Brasil de João https://simsaogoncalo.com.br/o-brasil-de-joao/ https://simsaogoncalo.com.br/o-brasil-de-joao/#comments Wed, 04 Jun 2014 19:48:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2089 É muito triste ver o meu país de escolas com instalações precárias. Crianças são sujeitadas a conviverem entre goteiras que formam poças enormes nas salas de aulas. Carteiras quebradas onde o aluno se preocupa mais em pensar como vai fazer para escrever do que na própria matéria passada pelo professor. Banheiros com tubulações quebradas onde […]

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É muito triste ver o meu país de escolas com instalações precárias. Crianças são sujeitadas a conviverem entre goteiras que formam poças enormes nas salas de aulas. Carteiras quebradas onde o aluno se preocupa mais em pensar como vai fazer para escrever do que na própria matéria passada pelo professor. Banheiros com tubulações quebradas onde falta água para o mínimo de higiene dos alunos e professores. A qualidade da merenda que chega às crianças muitas vezes não supre o mínimo para a sua nutrição e interfere de forma direta no crescimento e desenvolvimento intelectual. – É o famoso macarrão com salsicha, que muitas vezes é a única refeição para algumas crianças que não tem o que comer em casa.

Podemos colocar nesse imenso circo de horrores chamado educação no Brasil os injustos salários dos professores. Esses sim são guerreiros que fazem milagres para sobreviver e graças a eles e o amor por desenvolver essa profissão nobre a educação ainda caminha e vemos luzes no fim desse comprido túnel.

João Brasil
Professor João Brasil

Todos os que educam com amor são exemplos para todos nós, mas gostaria de falar de um em especial. Um professor que como referida na musica dos “Paralamas” tinha a cor do Brasil. Não só a cor, mas o Professor João Pereira da Silva tinha tanto haver com o seu país que fez dele parte do seu nome.

Em 12 de fevereiro de 1874, nascia na cidade de Nova Friburgo, João Pereira da Silva, filho do casal Clara Maria da Conceição do Nascimento e Desidério de Oliveira. Sempre com muita dificuldade João ajudava no orçamento familiar trabalhando como caixeiro ao mesmo tempo em que fazia seu primário na cidade de Macuco.

Foi aos 15 anos que o lado educador de João aflorou. Mesmo tendo apenas o curso primário, começou a lecionar para quatro alunos nos fundos da oficina do irmão mais velho, que trabalhava como ferreiro. Não demorou muito para João erguer o Colégio Nossa Senhora da Conceição, sua primeira escola dentro de uma Fazenda chamada Maravilha, onde lecionava para os funcionários.

Colégio Brasil • Pátio interno ou dos meninos / Crédito: Araken França
Colégio Brasil • Pátio interno ou dos meninos / Crédito: Araken França

A popularidade do professor João fez com que o coronel Alfredo de Morais dono da Fazenda Providência contratasse-o para lecionar, e em 1893 se transferiu para São Francisco de Paula. Um ano depois foi nomeado professor público em Lumiar onde exerceu essa atividade por 4 anos. Foi nessa época que conheceu Magnólia, sua companheira para toda vida. Casaram-se em 1900 e seguindo a máxima de que atrás de um grande homem existe uma grande mulher, com ajuda de Magnólia no dia 12 de outubro de 1902 fundava em Estrada Nova, município de Itaocara, o Colégio Brasil. Batalhador como sempre foi, fez ele mesmo as primeira mesas e cadeiras de caixotes de madeira para seus 6 únicos alunos.

Em 1909 mudou o colégio de Itaocara para Cordeiro onde também fundaria um banco e um jornal. Foi neste mesmo ano que adotou sua pátria ao nome passando a se chamar João Brazil. O motivo dessa mudança foi a má fama de um homônimo na cidade de Nova Friburgo.

Foi em 1914 que João Brazil adotou de vez a cidade de Niterói alugando a chácara de seu xará João Rodrigues Serrão, onde hoje é a Noronha Torrezão. Não demorou e João Brazil, prestes a completar 10 anos residentes na cidade sorriso, ganhou o maior de seus presentes do então prefeito Cantidiano Rosa, o contrato de cessão da utilização do patrimônio que pertenceu à Constantino Pereira de Barros, o famoso barão de São João de Icaraí. O belíssimo palacete que então estava funcionando como o asilo da Velhice Desamparada. Neste lugar João Brazil pode dar continuidade ao que sempre quis fazer em toda sua vida, educar. E assim o Colégio Brasil se tornou referencia na educação Niteroiense e no Brasil. No começo o colégio funcionava como internato e externato para rapazes e somente na década de 30 o colégio abriu as portas para meninas.

Muitas personalidades importantes no cenário nacional passaram pelo Colégio Brasil como músicos, cineastas, educadores, políticos, militares e até um rei. – “Falando sério, bicho!” – É, foi no Colégio Brasil que rei Roberto Carlos aprendeu a ser “o cara”.

Pavilhão principal do Colégio Brasil (1902-1985)
Pavilhão principal do Colégio Brasil (1902-1985)

Dez anos antes de falecer em 6 de maio de 1940, João Brazil ainda fundou o Colégio Guanabara em 1931 e fundou em 1932 o jornal “O Estudante” um órgão de alunos do Colégio Brasil.

O Colégio Brasil ainda funcionou quase meio século após a morte de seu criador. Fechou as portas em 1985 e infelizmente nos dias de hoje o histórico palacete localizado na Alameda São Boaventura corre o risco de não mais existir, podendo vir a desabar ou mesmo virar estacionamento do condomínio que faz parte do terreno. Mas para que isso não aconteça a família Brazil, moradores do Fonseca e ex-alunos e professores do colégio brigam pelo seu tombamento e a criação de um espaço cultural no lugar e assim mantendo a história e a memória desse bem importantíssimo para cidade de Niterói.

Merecidamente este educador tão importante foi homenageado de diversas formas pelo Brasil a fora após sua morte, mas dentre as mais importantes na cidade de Niterói está Escola Municipal João Brazil no morro do Castro e a Avenida Professor João Brasil tão importante para o gonçalense de Alcântara que trabalha no Rio, corta por Tenente Jardim para fugir do engarrafamento da Alameda.

Imagem (externa) do antigo Colégio Brasil
Imagem (externa) do antigo Colégio Brasil

A Escola Municipal foi criada por decreto número 2788/77 no ano de 1977, apesar do primeiro tijolo ser colocado em 1976 na prefeitura de Ronaldo Fabrício tendo como secretário de educação e cultura o Professor Helter Barcellos. Em 1977 o então prefeito Moreira Franco continuou a obra da escola que foi construída no terreno do famoso Dr. Raul de Castro Alves, que deu o nome ao morro do Castro.

Quanto a Avenida Professor João Brasil essa tem mais idade, foi pelo decreto de 2 de maio de 1950 do prefeito Rocha Werneck. Só em setembro de 1952 seu traçado foi aprovado pelo prefeito Daniel Paz de Almeida e outubro do mesmo ano as obras começaram. E assim Inaugurada em 1954 na gestão do prefeito Lealdino Alcântara que por uma coincidência do destino um de seus genros.

Infelizmente um erro de interpretação no acordo de utilização da nova ortografia de 15 de junho de 1931, aprovada pela Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa em decreto número 20.108 pelo presidente Getúlio Vargas fez erroneamente com que o nome do homenageado fosse escrito com “S” e não com “Z”. O acordo Ortográfico Luso-Brasileiro resolveu fixar a grafia de Brasil e não mais Brazil. Mas quanto ao nosso professor não poderíamos levar em consideração essa mudança, pois se trata de um nome próprio.

Imagem (interior) do antigo Colégio Brasil
Interior do antigo Colégio Brasil, parcialmente destruído

Podemos dizer que nossas vidas são comparadas a um filme onde somos roteiristas, diretores e protagonistas. Que por vezes fazemos dela, a vida, um romance, drama, terror e até comédia. Alguns fazem verdadeiras obras dignas de Oscar. E quem você gostaria de interpretar neste filme chamado de vida? Um “João-Bobo” insistindo em votar em políticos que não dão a mínima para o seu país, preferindo gastar milhões em estádios de futebol deixando de investir na saúde e educação. Ou você prefere interpretar personagens como nosso professor João Brazil, que mesmo nascendo pobre e mulato em um país cheio de preconceitos conseguiu dar a volta por cima trabalhando muito pela educação e acreditando tanto no seu país que fez dele extensão de seu próprio nome.

Queremos nosso Brasil desses João.

Curiosidades

  • Em 1936 candidatou-se a vereador, mas não foi eleito.
  • Casado com a professora Magnólia Brasil, tiveram 7 filhos. Zoraida, Rubens, Ilka, Ruth, Zélia, Zuleika e João Brazil Júnior.
  • É patrono da cadeira 21 da Academia Itaocarense de Letras.
  • Fez parte da sociedade que reorganizou o Conservatório de Música de Niterói e da comissão que no ano seguinte reformou a matriz de São Lourenço.
  • Alunos famosos do Colégio João Brasil são o músico Sérgio Mendes,  as cantoras Marília Medalha e Teresa Tinoco, o maestro Eduardo Lajes, o diretor de televisão Moacyr Deriquém e o cineasta Walter Lima Junior além é claro de Roberto Carlos.
  • O prédio onde foi sede do Colégio Brasil em Niterói foi do Barão de São João de Icará que  foi descendente do médico Francisco da Fonseca Diniz, proprietário das terras de onde é o bairro Fonseca, daí o nome do bairro.

Letra do Hino

• Barão São João  de Icaraí herdou as terras onde hoje estão o Horto, a Penitenciária (em frente ao Horto) e o terreno do antigo Colégio Brasil, onde fixou residência em 1858.

Hino do Colégio Brasil
Música de Maestro Felício Toledo e letra de Dr. A. Gonçalves

Pela Pátria sejamos, um dia,
Povo heróico da Patria feliz,
Exaltemos o ardor que irradia
Toda a glória do nosso País!
O Colégio Brasil, sempre à frente,
Sempre grande, a lutar, e a vencer,
Seja o templo da luz eloquente
Aclarando o infinito; O SABER!
Que os luzeiros da Pátria fremente
Do futuro os heróis devem ser…

Pelo livro, na ciência que vence,
Seja a nossa divisa: ESTUDAR,
Que o futuro somente pertence
Quem deseja crescer… e marchar…

Passo altivo o Brasil, nossa terra
Inspirado no Céu sempre azul,
Elevar a grandeza que encerra,
Desde o Norte às coxilhas do Sul!

Seja a Escola a esperança suprema
Toda envolta na Fé, no Labor…
Que se parta, nos pulsos, a algema
Onde possa vibrar nosso AMOR

Fontes:

Família Brazil
CDP – Centro de Documentação e Pesquisa de Niterói.

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Rosas e a Santa Isabel https://simsaogoncalo.com.br/rosas-e-santa-isabel/ https://simsaogoncalo.com.br/rosas-e-santa-isabel/#comments Thu, 17 Apr 2014 21:15:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2011 Embora tenham vivido em épocas diferentes, Célia e Mário tinham mais que um “Rosa” como coincidência na vida. A educação é uma delas, mas uma santa também apareceu na vida dos dois. Há mais ou menos 340 anos antes de ser declarada santa pelo Papa Urbano VIII, Isabel Aragão desfrutava da coroa de Portugal como […]

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Embora tenham vivido em épocas diferentes, Célia e Mário tinham mais que um “Rosa” como coincidência na vida. A educação é uma delas, mas uma santa também apareceu na vida dos dois.

Há mais ou menos 340 anos antes de ser declarada santa pelo Papa Urbano VIII, Isabel Aragão desfrutava da coroa de Portugal como rainha consorte do rei D. Dinis. Era muito popular e, ainda viva, era tida como santa para muitos. O povo a chamava de Rainha da Paz, pois conseguiu esfriar os ânimos de uma iminente guerra entre pai e filho. Dom Dinis tinha um filho bastardo chamado Afonso Sanches, seu filho e herdeiro. D. Afonso, sentindo-se ameaçado, declara abertamente a intenção de uma batalhar contra seu próprio pai. Nesse momento, a rainha Isabel intercede e apazigua a situação, impedindo o confronto conhecido como “Batalha de Alvalade“.

Era inegável o carisma de Isabel. Mas para ser santa, tem que fazer milagre. Segundo a lenda, ele veio em forma de rosas.

O rei D. Dinis já teria sido informado sobre as ações de caridade de D. Isabel e quanto isso doía no seu bolso real. A rainha não poupava quando o assunto era ajudar aos pobres. Era um costume distribuir pães e esmolas aos necessitados. Durante um desses dias, o rei resolveu interpelá-la, perguntando o que levava no colo. “São rosas, meu senhor!”. Desconfiado o rei acusou-a de estar mentindo, pois era impossível ter rosas em pleno inverno de janeiro. A rainha mostrou aos olhos espantados de todos as belas rosas que levava no colo.

Célia Pereira da Rosa nunca foi declarada santa pela igreja católica. Mas desde jovem, se preocupou com o próximo, principalmente com os mais pobres. Atuou intensamente no socorro às vítimas do Gran Circus Norte-Americano, em janeiro de 1961 e, um ano depois, liderou o segundo distrito em uma ação de auxilio aos desabrigados das enchentes que assolaram o município de São Gonçalo. Entretanto, foi na educação que a professora Célia Rosa ganhou o respeito de toda comunidade.

Escola Municipal Célia Pereira da Rosa em Santa Isabel
Escola Municipal Célia Pereira da Rosa, em Santa Isabel

Célia nasceu em 3 de fevereiro de 1915, em Santa Isabel, 2º distrito de São Gonçalo. Era filha do Capitão da Guarda Nacional, Raphael Rosa, também dono da fazenda de cordeiros ou Santa Isabel. O nome da santa foi dado por Dona Isabel Alves Sodré, esposa de José Mariano, quando, no final do século XIX, o casal dono da terra cedeu uma área para construção da Estação de Ipiíba, parte da saudosa Estrada de Ferro Maricá. Muito devota de Santa Isabel, Dona Isabel pediu que fosse dado o nome da santa à estação. Depois, apareceu a empresa de ônibus Santa Isabel, a padaria Santa Isabel, armazém Santa Isabel e até a estrada de rodagem Santa Isabel.

A localidade é sede do segundo distrito de São Gonçalo, cujo nome oficial é Ipiíba. Já foi chamada de Freguesia de Cordeiros, Vila José Mariano e Vale do Ipiíba. Nos séculos XVIII e XIX, foi um grande centro comercial e produtor agrícola. De lá, saía grande parte das laranjas para exportação. Também foi chamada “terra da laranja”.

Na terra da laranja, Célia começou a sua jornada de ensinar. Fez seu curso primário na Escola Estadual Santa Isabel, com a professora Bolívia Gaetho, e lá começou a lecionar como professora substituta. Célia não parou mais. Alfabetizou os funcionários que trabalhavam na fazenda do pai, que não sabiam ler nem escrever. Vendo a vocação da filha, o pai cedeu um terreno e a presenteou com a tão sonhada escola.

O Ginásio Comercial Santa Isabel foi a primeira escola a ter curso ginasial na localidade. Começou pequena, onde atendia às crianças da comunidade. Conforme Santa Isabel crescia, a escola se desenvolvia também.

Não só a escola, mas a Igreja Nossa Senhora da Conceição. Santa Isabel passou a ser pequena para tamanha quantidade de fiéis. Em 1960, foi preciso restaurá-la, sobre a responsabilidade do Padre Theodoro Peters. Essa restauração incluía a substituição da imagem da Santa Isabel do altar por uma maior.

Igreja de Santa Isabel
Igreja de Santa Isabel.

Por ser uma católica atuante na igreja, o então padre Theodoro presenteia Célia Rosa com a antiga imagem de Santa Isabel. Célia toma pra si a responsabilidade de zelar pela imagem da santa. Colocou-a destacada no seu colégio, de forma que todos os alunos e professores pudessem admirá-la.

Todos que passeavam pelo pátio da escola admiravam a imagem de Santa Isabel. Mas nenhum olhar era como o olhar do menino Mário Rosa.

Embora tenha rosa no nome, Mário não tinha nenhum grau de parentesco com Dona Célia. O menino possuía o dom de lecionar. Conforme o menino crescia e se qualificava, esse dom aflorava cada vez mais, sem apagar as lembranças dos recreios no colégio ginasial, sempre vigiado e amparado por Santa Isabel.

Mário Rosa nasceu em Santa Isabel e foi um dos primeiros alunos do Ginásio Comercial Santa Isabel. Dando continuidade à sua formação técnica, estudou química no Colégio Plínio Leite, em Niterói, e concluiu o ensino superior na Faculdade de Formação de Professores da UERJ, em São Gonçalo.

Mário não era mais um menino quando Célia faleceu, em 7 de dezembro de 1991. Já era um professor formado e era contratado pela rede municipal de São Gonçalo. Mas sem esquecer suas origens e lembranças, aceitou o convite de lecionar no colégio que abriu seu caminho como professor. E lá, teve a oportunidade de rever a imagem de Santa Isabel, que esteve ao seu lado durante os recreios no pátio da escola.

Antes de falecer, Célia Rosa expressou seu desejo de doar o colégio ao município para atender às crianças mais carentes. Assim foi feito. Professor Mário Rosa ganhou o maior de seus presentes, quando no ano de 2002, pelo então secretário de educação do município, o professor Hélter Barcellos, o colégio passou a funcionar pela rede municipal de ensino com o professor Mário como diretor geral. Foi o próprio Mário que sugeriu o nome: Colégio Municipal Célia Pereira da Rosa, em homenagem a tudo o que ela fez pela educação de Santa Isabel.

Há 12 anos, Mário cumpre seu papel de educador como diretor da escola. Ele também é tutor da imagem centenária de Santa Isabel, que pertenceu à antiga capela da região. Um patrimônio importantíssimo que mantém viva a história do bairro.

Rosas são sinônimos de amor e acompanham Santa Isabel antes mesmo de virar santa no século XIII, quando apareceram em forma de milagre salvando-a do rei D. Dinis de Portugal. E aqui, na cidade de São Gonçalo, os dois “rosas”, Célia e Mário, provam que essa relação de amor entre rosas e a santa continua viva.

Curiosidades:

Na fase terminal da obra da Igreja Nossa Senhora da Conceição e Santa Isabel, na década de 60, 10 minutos depois do Pe. Simeão celebrar uma missa de 7º dia de um membro da comunidade, a igreja desabou, ficando de pé somente a creche, a torre e a sacristia. Muitos atribuem ao fato do desabamento só acontecer depois de todos os fiéis estarem a salvo, fora da igreja, não havendo vítimas. Um milagre de Santa Isabel.

Em 1983, os irmãos Fernando, Virgínia e Raphael Rosa Monteiro, sobrinhos de Célia Rosa fundam o Centro Educacional Celia Rosa. Uma homenagem a tia que é patrona da escola.

Referências:

IGREJA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÂO E SANTA ISABEL
http://www.oocities.org/eac_pachecos/santaisabel.htm
WIKIPÉDIA (ISABEL DE ARAGÃO). http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Isabel_de_Arag%C3%A3o,_Rainha_de_Portugal
Salvador Mata e Silva, São Gonçalo no século XIX (1999)
Salvador Mata e Silva, Eles Nasceram em São Gonçalo (1995)

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De braços abertos sobre São Gonçalo – o Cristo Redentor https://simsaogoncalo.com.br/de-bracos-abertos-sobre-sao-goncalo-cristo-redentor/ https://simsaogoncalo.com.br/de-bracos-abertos-sobre-sao-goncalo-cristo-redentor/#respond Thu, 10 Apr 2014 01:32:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1946 Independente do credo, o gonçalense gosta de dizer que na sua cidade se faz o maior tapete de sal de Corpus Christi da América Latina. Também gostamos de dizer que anualmente, milhões de evangélicos saem às ruas marchando e cantando para Jesus. Orgulho da coragem de Manoel Avelino de Souza e, posteriormente, Waldemar Zarro que, […]

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Independente do credo, o gonçalense gosta de dizer que na sua cidade se faz o maior tapete de sal de Corpus Christi da América Latina. Também gostamos de dizer que anualmente, milhões de evangélicos saem às ruas marchando e cantando para Jesus.

Orgulho da coragem de Manoel Avelino de Souza e, posteriormente, Waldemar Zarro que, num período de perseguição moral aos evangélicos, criaram a primeira igreja evangélica da cidade, a Primeira Igreja Batista de São Gonçalo.

É gostoso subir o Monte das Oliveiras, em Amendoeira, e ser contagiado com a paz que emana daquele lugar. Orgulho de morar em uma cidade onde, no inicio do século 20, Zélio Fernandino de Moraes abria a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, em Neves, nascendo ali a Umbanda, a única religião 100% brasileira. Não fosse o descaso de nossos gestores pela história, nosso patrimônio ainda estaria de pé.

De Braços Abertos para São Gonçalo – Sim São Gonçalo
Heitor Silva da Costa, sentado, e Levy, o terceiro da esquerda para a direita, rodeados por artistas e técnicos franceses: grande rol de colaboradores. Fonte: Veja Rio Abril*

Uma rua tranquila de paralelepípedo no Barro Vermelho, de nome Heitor Levy também deveria ser orgulho para todos nós gonçalenses. Infelizmente, nem todos conhecem a história que rodeia aquele lugar. Quem foi Heitor Levy e o que ele fez por São Gonçalo?

Heitor Levy foi um dos engenheiros responsáveis pela construção do Cristo Redentor. Para que o leitor entenda o que São Gonçalo tem a ver com uma das sétimas maravilhas do mundo moderno, vou contar uma breve história.

Não existe nada que simbolize mais o Brasil do que a imagem do Cristo Redentor de braços abertos. Talvez por vivenciarmos um mundo cheio de tecnologia não temos a noção exata de quanto foi trabalhosa a construção de um monumento dessa proporção. Antes mesmo da sua inauguração no dia de Nossa Senhora da Aparecida, 12 de outubro de 1931, vários estágios tinham sido alcançados, e o primeiro deles em 1918 – ano do fim da primeira guerra mundial e o mundo clamava por paz-, foi à própria idealização de se construir uma imagem do cristo para comemoração do centenário da Independência do Brasil.

Então através de concurso o melhor projeto escolhido foi do engenheiro Heitor da Silva Costa. Pensou-se em um cristo carregando uma cruz em uma mão e um globo na outra, mas uma antena de radiotelefonia no formato de uma cruz já existente em 1922 serviu de inspiração para construção de um cristo de braços abertos.

De Braços Abertos para São Gonçalo – Sim São Gonçalo
Esquerda: Cristo segurando o Globo / Direita: Antena de radiotelefonia no Corcovado em 1922.

Ao contrário de que muitos pensam o Cristo não foi presente de nenhuma nação ao Brasil, foi sim esforço e suor de milhares de católicos que ajudaram com mil reis cada através de campanha em todo o Brasil. Foram 10 anos de arrecadação até somar a quantia necessária para a obra.

Inicialmente foi cogitada a escultura toda em metal como a Estatua da Liberdade, mas Heitor da Silva Costa considerava feio o efeito do cobre a longa distância e principalmente temia que em uma guerra o monumento fosse destruído com intuito de virar artilharia, como aconteceu na Rússia com a Revolução Bolchevique, onde o governo soviético mandou fundir todas as estatuas metálicas de santos para aproveitar o metal.

A obra começou em 1926, sob a responsabilidade do engenheiro Heitor Levy, mas faltava um detalhe. Qual artista escultor seria responsável por dar forma a face e as mãos do cristo. Uma comissão foi enviada a Paris e cogitou-se Auguste Rodin, mas a responsabilidade acabou caindo nas mãos do artista franco-polonês Paul Landowski.

Na realização das mãos o artista valeu da ajuda da amiga brasileira poetisa Margarida Lopes de Almeida que ofereceu suas próprias mãos para modelagem das do cristo. A cabeça foi toda feita em moldes de gesso divididos em 50 partes para serem montadas peça por peça aqui no Brasil.

É ai que entra o personagem principal da nossa história, a pessoa quem deu nome a nossa tranquila rua. Heitor Levy era proprietário de uma chácara exatamente nas mediações entre hoje a rua que leva o seu nome e a Siqueira Campos e foi nesse lugar que Levy utilizou os moldes enviados por Landowski para montar e juntar as peças dando forma à face do monumento mais famoso do Brasil. Moradores antigos relatam que o lugar onde ocorreu a montagem é onde hoje está localizado o Colégio Santa Catarina.

De Braços Abertos para São Gonçalo – Sim São Gonçalo
Cabeça montada em um teste no sítio de Heitor Levy. Fonte:
Arquivo CEIPN/livro “Corcovado – A Conquista da Montanha de Deus”

É importante destacar que Heitor Levy estava tão engajado na obra que se mudou de mala e cuia para o corcovado. Era judeu, mas com tanto envolvimento e paixão converteu-se ao catolicismo e um vidrinho colocou o seu nome e o de toda família e o misturou com a massa de concreto do coração da estátua.

São Gonçalo é cheia de credos e religiões e ao contrário de muitas cidades no mundo todas se respeitando e convivendo em paz e harmonia. O gonçalense sabe muito bem o que é amar ao próximo como a ti mesmo e quis o destino que fossemos presenteados com um pedacinho da história que marca a construção dessa maravilha do mundo moderno.

Axé, Amém, Inshallah, Maktub, Aleluia, Salam, Shalon, Que Assim Seja São Gonçalo !!!

Referências:

Ilustração Disponível em:  http://vejario.abril.com.br/edicao-da-semana/autor-cristo-642226.shtml. Acesso em: 01/11/2013.

Post originalmente publicado no Blog do Tafulhar.

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Yes, nós temos sardinhas! – a fábrica Coqueiro no Porto Velho https://simsaogoncalo.com.br/yes-nos-temos-sardinhas/ https://simsaogoncalo.com.br/yes-nos-temos-sardinhas/#comments Mon, 07 Apr 2014 00:01:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1921 A fábrica da Coqueiro no Porto Velho, enlatadora de Sardinhas, foi criada em 1937 e até hoje está funcionando e presente na história da cidade. Leia e entenda tudo sobre uma das referências da cidade. Sardinhas e a Manchester Fluminense Todo gonçalense, independente da idade, se orgulha em dizer que sua cidade já foi apelidada […]

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A fábrica da Coqueiro no Porto Velho, enlatadora de Sardinhas, foi criada em 1937 e até hoje está funcionando e presente na história da cidade. Leia e entenda tudo sobre uma das referências da cidade.

Sardinhas e a Manchester Fluminense

Todo gonçalense, independente da idade, se orgulha em dizer que sua cidade já foi apelidada de Manchester Fluminense, comparada à cidade inglesa que também foi um grande pólo fabril na Inglaterra. Manchester foi uma cidade importantíssima na revolução industrial. De lá, o mundo viu as primeiras máquinas industriais a vapor no ramo têxtil e a primeira linha férrea de passageiros. O tempo passou e ela continua como relevante centro industrial e econômico.

Os futebolistas de plantão logo imaginam o Manchester United e Manchester City – atire a primeira pedra quem nunca jogou com um deles no FIFA ou Pro Evolution dois mil e qualquer coisa. Mesmo com a ascensão do São Gonçalo Esporte Clube, garantindo a vaga na segundona do carioca, e o azul da camisa do clube gonçalense, vale lembrar que não é do Manchester City que vem essa comparação.

A nossa Manchester, a fluminense, foi assim batizada entre a década de 20 a 50, quando grandes indústrias se instalaram por aqui, fazendo de São Gonçalo a responsável pela metade da arrecadação de impostos para economia do estado do Rio de Janeiro. Entretanto, a cidade não conseguiu segurar a peteca até os dias de hoje. Dentre todas as empresas instaladas nos primórdios, uma continua a pleno vapor, ganhando espaço no território nacional até mesmo internacional.

Yes nós temos sardinhas – SIM São Gonçalo

Estado novo e a implantação da fábrica de sardinhas

O couro comia na política nacional. Com o Estado Novo de Getúlio Vargas, através do Decreto 37, todos os partidos políticos foram extintos em 2 de dezembro de 1937. Neste mesmo dia, nem aí para o momento, o gaúcho, José Emílio Tarragó, achava um jeito de ganhar a vida com o sabor meio doce e meio azedo do tamarindo. Fundava em São Gonçalo a Tarragó, Martinez e Cia Ltda que fazia sucos e licores da fruta.

Em pouco tempo de empresa, Tarragó viu que trabalhar com tamarindo não era tão doce assim. Sua lucratividade era baixa. Daí, mudou radicalmente sua atividade para conservas de peixes.

E assim nascia a Indústria de Conservas Coqueiro. A razão social não foi por desgosto com o pobre fruto tamarindo, e sim um jeito de homenagear a Praia do Coqueiro, que ficava no bairro do Porto Velho, onde na época era a sede da empresa.

Fábrica da Coqueiro, Porto Velho, São Gonçalo. Foto: Revista Gaivota, setembro de 1977.
Fábrica da Coqueiro, Porto Velho, São Gonçalo. Foto: Revista Gaivota, setembro de 1977.

Fábrica da Coqueiro e o paladar dos Brasileiros

Não demorou muito para a Coqueiro conquistar a confiança e o paladar dos brasileiros. A qualidade dos produtos foi um pulo para ganhar o mercado exterior, exportando para diversos países. Como sempre acontece, os tubarões do mercado ficam de olho no crescimento de uma empresa. Quando veem nela um potencial concorrente, tratam logo de comprá-la.

Assim aconteceu com a tradicional marca de refrigerante maranhense Jesus, quando comprada pela Coca-Cola, e não foi diferente com a marca Coqueiro, que foi adquirida pela Quaker do Brasil em 1973. Passou a produzir atum, sardinha sem pele e sem espinha e ampliou ainda mais sua liderança no mercado. Com o crescimento, uma fábrica de sardinhas só em São Gonçalo não deu conta. Foi preciso, então, criar em 1982, a fábrica de Itajaí em Santa Catarina.

Coqueiro e o Selo Dolphin Free

Com o passar dos anos, para se manter no mercado, as empresas tiveram que não só se preocupar com a qualidade de seus produtos, mas também com o que fazem pelo meio ambiente e pelo social. Nesse caminho, em 2010, a Coqueiro ganhou o Selo Dolphin Free, atestando que a empresa não usa redes que possam capturar, ferir ou matar golfinhos durante a pesca.

Depois de tantas negociações, no final de 2011, a marca Coqueiro foi adquirida pela Camil, uma cooperativa agrícola mista onde o forte é feijão e arroz. Aquela mesma que tem como garoto propaganda o chef de cozinha e apresentador Edu Guedes.

Fábrica Coqueiro no Porto Velho líder no Brasil

Prestes a completar 76 anos, a Coqueiro tem uma fatia do mercado de 45% e líder absoluta desse segmento no Brasil, com mais de 200 mil pontos de venda em todo território nacional. Só as sardinhas representam 77% do faturamento. O atum e os outros peixes somam 23%. A fábrica da Coqueiro no Porto Velho, São Gonçalo, é hoje a maior unidade de enlatamento de peixes do mundo.

É prazeroso para nós, gonçalenses, acompanhar o sucesso de uma empresa da nossa terra. Gerando empregos para o nosso povo e contribuindo com a arrecadação do nosso município. E que muitas mais apareçam, fazendo valer o bom e velho apelido de Manchester Fluminense.

Post originalmente publicado em Blog do Tafulhar.

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Estephânia de Carvalho, um exemplo de Mulher https://simsaogoncalo.com.br/estephania-de-carvalho-um-exemplo-de-mulher/ https://simsaogoncalo.com.br/estephania-de-carvalho-um-exemplo-de-mulher/#comments Sun, 16 Mar 2014 00:01:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1816 O mês de março é aquele em que se celebra o dia Internacional da Mulher. A verdade é que o dia 8 é apenas um marco. As mulheres são tão especiais que dedicamos todos os dias do mês para elas. Dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil. Frágil? Esse é um adjetivo que […]

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O mês de março é aquele em que se celebra o dia Internacional da Mulher. A verdade é que o dia 8 é apenas um marco. As mulheres são tão especiais que dedicamos todos os dias do mês para elas. Dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil.

Frágil? Esse é um adjetivo que não combina com as mulheres.

Para começar, o próprio dia 8 de março tornou-se símbolo em homenagem às trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton, em Nova York. No ano de 1857, elas entraram em greve contra a jornada de 16 horas de trabalho somadas aos salários de fome. Ocuparam a fábrica e, sem a menor piedade, o patrão prendeu-as, fechou todas as portas de saídas e incendiou todo o galpão. As 129 mulheres de sexo nada frágil morreram queimadas nessa luta. E é em homenagem a essas mulheres que celebramos a data.

Mulheres trabalhadoras das fábricas no século XIX

Do início à formação como professora

Por aqui, não faltam exemplos de mulheres guerreiras. Uma delas é Maria Estephânia Mello de Carvalho. Um exemplo de mulher forte e determinada, que lutou incansavelmente pela educação gonçalense.

Estephânia nasceu em Cantagalo, no dia 7 de junho de 1885. Para nossa sorte, adotou São Gonçalo. Aqui deu o seu suor para educação e, consequentemente, para o crescimento da cidade. A educação é a base para o desenvolvimento.

Aluna brilhante no Colégio Sion, em Petrópolis, cursou ciências, letras, línguas e música. Também cursou o Colégio Pedro II e fez vestibular para medicina.

Aos 35 anos de idade, ao casar-se com Sr. Zeno Bellido de Carvalho, abandonou o magistério e passou a morar em Niterói.

Mas um fato triste lhe fez voltar a se dedicar ao ensino: a morte da sua única filha aos dois anos de idade. Da tristeza, nasceu a perseverança. Fundou em sua própria residência um curso primário. Mais tarde, tornou-se diretora do Curso Feminino do Colégio Brasil de Niterói e, logo depois, fundou o Colégio Carvalho.

Maria Estephânia de Carvalho e sua missão com a educação

Já com 56 anos, Estephânia de Carvalho chegou à São Gonçalo. Em 1941, foi convidada pelo então prefeito, Nelson Corrêa Monteiro, para participar de uma concorrência pública para montagem de um colégio secundário. O local seria no lugar de um casarão na rua Coronel Moreira Cezar, que a prefeitura acabará de adquirir para essa finalidade.

Passou seu Colégio Carvalho, em Niterói, para o Dr. Plínio Leite. Em 10 de novembro de 1941, inaugura o Colégio São Gonçalo, contrariando muitos que não acreditavam em um curso secundário na cidade. Não só provou que era possível, como fez melhor: inaugurou a primeira Escola Normal de São Gonçalo e o Curso Técnico de Contabilidade.

Estephânia de Carvalho – Zé Garoto – SIM São Gonçalo
Formandos do Colégio São Gonçalo. Na primeira fila, ao centro, a professora Estephânia de Carvalho. Década de 1950. Autor desconhecido. Acervo MEMOR-SG.

Participou ativamente na cidade. Como na Campanha de Manutenção e Auxílio às Famílias dos Combatentes da Segunda Guerra Mundial.

Foi uma das principais responsáveis pela campanha pró-busto do Dr. Luiz Palmier, e também por um dos maiores marcos históricos da cidade, o Cruzeiro da Coruja. O marco foi inspirado e construído por essa grande mulher com a ajuda de seus alunos.

A professora também idealizou a comemoração do dia do município com o desfile cívico. Anos depois foi incorporado pelas autoridades municipais, tornando-se tradicional na cidade.

A generosidade tornou Estephânia de Carvalho uma mulher admirável. Tinha um coração imenso. Muitas mães devem à ela a felicidade de uma bolsa de estudo e um curso concluído. Era uma verdadeira mãezona, e não deixava ninguém sem estudar, até mesmo os mais pobres. Assim, ficou conhecida como “A mãe do estudante pobre gonçalense”.

Estephânia de Carvalho – Zé Garoto – SIM São Gonçalo
Professora Estephânia de Carvalho

As homenagens: do colégio à praça

Quis o destino que fosse em 2 de março de 1958 o dia de sua partida dessa vida. Justamente no mês de comemoração internacional da mulher.

Depois de tudo o que fez pela educação de São Gonçalo, o reconhecimento de seu trabalho lhe rendeu muitas homenagens. Uma delas é batizar o Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, no Laranjal. A instituição atendia uma média de 3.500 alunos cursando o primeiro e segundo graus.

Outra importante homenagem foi dar seu nome à principal praça do município. Antes chamada de “Praça Cinco de Julho” e popularmente conhecida como Praça do Zé Garoto, o espaço tem o nome de Praça Estephânia de Carvalho. Em respeito à sua memória, ergueu-se um monumento com seu busto.

Finalizo lembrando à todas as mulheres o exemplo da professora Estephânia de Carvalho. Forte, determinada e repleta de amor e ternura para com o próximo.

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Alimenta o corpo e a mente https://simsaogoncalo.com.br/alimenta-o-corpo-e-mente/ https://simsaogoncalo.com.br/alimenta-o-corpo-e-mente/#respond Sat, 08 Mar 2014 23:12:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1765 Imagine entrar em uma lanchonete e se deparar com centenas de livros espalhados no balcão. Onde um senhor, com traços orientais, manuseando uma chapa e com um sorriso cativante, diz que pode levar o livro que quiser. E que, quando acabar de ler, devolva para que outros tenham a oportunidade de ler o mesmo livro […]

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Imagine entrar em uma lanchonete e se deparar com centenas de livros espalhados no balcão. Onde um senhor, com traços orientais, manuseando uma chapa e com um sorriso cativante, diz que pode levar o livro que quiser. E que, quando acabar de ler, devolva para que outros tenham a oportunidade de ler o mesmo livro também. “Aqui alimentamos não só o corpo, mas também o espírito.”

Para a alegria dos  “gulosos” por leitura e um ótimo lanche, esse lugar existe. Trata-se do “Japa Lanches”, na Rua Francisco Rocha, 59, no bairro do Porto da Pedra. O espaço foi carinhosamente batizado de bibliojapa. O Sr. Osvaldo Roberto conta que a ideia nasceu de fazer um clubinho de leitura entre as crianças do bairro.  Sem fugir da sua origem oriental, durante esses encontros o Sr. Osvaldo não deixa de fazer seus origamis, tornando a leitura mais lúdica entre os pequenos. Ele acredita que a igualdade está na educação. Para ele, ler é saber.

Japa Lanches - SIM São Gonçalo

Nesse lugar, encontramos  o verdadeiro X-TUDÃO. Saboreamos esse misto de sabores que só a literatura proporciona. É por isso que nós da família Recicla Leitores e do Sim São Gonçalo acreditamos que gestos como esse mudam o mundo para melhor. Um prazer alimentarmos essa saborosa biblioteca, ampliando esse cardápio de sonhos.

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No Bonde do Samba: uma história da Unidos do Viradouro https://simsaogoncalo.com.br/no-bonde-do-samba-unidos-do-viradouro/ https://simsaogoncalo.com.br/no-bonde-do-samba-unidos-do-viradouro/#comments Fri, 07 Mar 2014 01:59:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1779 A Escola de Samba Unidos do Viradouro nasceu em 24 de junho de 1946. Foi no bairro de Santa Rosa, em Niterói, no quintal de Nelson dos Santos, o jangada, um apaixonado por samba. Hoje, sua sede é no Barreto, bairro colado à divisão entre Niterói e São Gonçalo. A Unidos do Viradouro tem esse nome por […]

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A Escola de Samba Unidos do Viradouro nasceu em 24 de junho de 1946. Foi no bairro de Santa Rosa, em Niterói, no quintal de Nelson dos Santos, o jangada, um apaixonado por samba. Hoje, sua sede é no Barreto, bairro colado à divisão entre Niterói e São Gonçalo.

A Unidos do Viradouro tem esse nome por causa do seu local de origem. Foi na tradicional rua Dr. Mário Viana, bem próxima à “Garganta”, o nome popular da subida do Morro da União. Era lá que os bondes viravam. Ou melhor, faziam o retorno. Por isso o nome Viradouro dos bondes.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro

A fundação da Unidos do Viradouro

A data de fundação da escola é 24 de junho. Coincide com o dia de São João Batista, o padroeiro da cidade de Niterói. O santo também foi adotado como padroeiro da escola.

Não demorou muito para que a escola mudasse para uma nova padroeira: Nossa Senhora da Auxiliadora. Ali bem pertinho, ao lado do Colégio Salesiano, foi erguida uma basílica. Nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, foi inaugurado um monumento para santa em 1900. E assim, a cor azul do manto e o rosa das vestes foram adotadas como as cores oficias da Unidos do Viradouro.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro
Esquerda: São João – Padroeiro de Niterói  .  Direita: Monumento à Nossa Senhora da Auxiliadora

Quis o destino que as cores azul e rosa fossem substituídos pelo vermelho e branco, com a falência do principal fornecedor de tecido da escola. Tiveram que recorrer a outros fornecedores, que não chegavam à tonalidade do rosa usado anteriormente.

Antigamente, as escolas usavam muito cetim nas roupas e na decoração dos carros. O respeito às cores na hora do desfile imperavam naquele tempo. Sem a tonalidade correta, os adversários acusavam a Viradouro de desfilar com roupas e alegorias feitas com tecidos reaproveitados de carnavais anteriores.

Em 1971, o primeiro ano da mudança de cores, a escola foi campeã. Isso foi muito positivo, pois acabou com o jejum de títulos de 1966 até 1970.

Em Niterói, a escola desfilou pela primeira vez em 1947, conquistando o quarto lugar no carnaval da cidade. O primeiro título saiu em 1949, com o enredo Ararigbóia. De 1947 a 1963, a Viradouro conquistou 10 campeonatos e só não venceu por quatro vezes.

De Niterói para o Rio: passagens pelo carnaval carioca

Por duas vezes, a Viradouro passou pelo carnaval carioca. Na primeira, foram dois anos para se esquecer. Em 1964 e 1965, os resultados ruins e o atraso nos desfiles na Praça Onze fizeram com que ela voltasse a competir em Niterói.

Mas em 1986, depois de conquistar 18 títulos no carnaval niteroiense, a Unidos do Viradouro decidiu voltar a desfilar no carnaval carioca.

O ponto mais alto em sua trajetória foi no ano de 1997, quando ganhou o título de campeã no Grupo Especial, com o enredo “Trevas! Luz! A explosão do Universo” do carnavalesco Joazinho Trinta.

“Alô, Niterói! Alô, São Gonçalo!”

A Unidos do Viradouro pode ter nascido em Niterói. Mas com a mudança para o Barreto, um bairro bem na divisa com São Gonçalo, conquistou também o coração dos gonçalenses.

Então, niteroienses e gonçalenses, podemos gritar:
PARABÉNS, UNIDOS DO VIRADOURO, POR MAIS ESSA CONQUISTA!

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Uma Heroína da Educação e uma Biblioteca Comunitária https://simsaogoncalo.com.br/uma-heroina-da-educacao-uma-biblioteca-comunitaria/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-heroina-da-educacao-uma-biblioteca-comunitaria/#comments Thu, 20 Feb 2014 15:42:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1738 Quando se faz o bem, o universo conspira a favor com coincidências inexplicáveis. Adélia Martins tinha tudo para passar pela vida, apenas passar. Mas ela fez mais do que passar. Ela plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua frutificando na nossa cidade: a árvore do conhecimento. Aos 29 […]

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Quando se faz o bem, o universo conspira a favor com coincidências inexplicáveis.

Adélia Martins tinha tudo para passar pela vida, apenas passar. Mas ela fez mais do que passar. Ela plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua frutificando na nossa cidade: a árvore do conhecimento.

Aos 29 dias do mês de agosto do ano de 1872, nascia no município de Boa Esperança, cidade de Rio Bonito, a heroína da educação gonçalense. Adélia Martins era filha do médico Dr. Joaquim de Almeida Marques Simões e Maria de Freitas Simões, os grandes responsáveis pela sua alfabetização. A menina nasceu obstinada em realizar seu sonho. Ainda nova, começou a lecionar para os colonos e vizinhos da fazenda onde residia, em Rio Bonito. Mas ela queria mais, queria se especializar. Seu pai deixou a grande missão de prepará-la para Escola Normal de Niterói com o seu amigo, também médico, Edmundo March, filho do famoso médico Dr. March.

 

Adélia Martins - Coelho - São Gonçalo

Quando ingressou na Escola Normal de Niterói, Adélia já tinha 5 filhos. Nos dias de aula, sem ninguém que pudesse cuidar enquanto assistia as aulas, os deixava no Grupo Escolar “Barão de Macaúbas”, do respeitado pedagogo do período monárquico, Abílio Cesar Borges. Foi nesse período que foi chamada de heroína pelo seu professor, Ataliba Lepage.

Durante a gestão do Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Alberto Torres (que dá nome ao Hospital Estadual no bairro de Colubandê), Adélia Martins foi nomeada professora subvencionada no próprio município onde morava. Mais tarde, no governo do Dr. Nilo Peçanha, acabaram as subvenções, e é nessa parte da vida que São Gonçalo ganha o coração de Adélia, que se muda para São Gonçalo, alugando uma salinha na casa do senhor Salvino de Souza, em uma região chamada Coelho (atual bairro de mesmo nome), onde na época não existia nenhuma escola.

Determinada na missão, Adélia começou a correr a freguesia, passando de casa em casa dos moradores locais avisando-os para que mandassem seus filhos à escola sem custos, tudo 0800. O resultado foi tão satisfatório que a salinha não deu mais para comportar tanta criança. Sem perder tempo, Adélia adquiriu da família Duque Estrada a antiga casa grande da Fazenda do Coelho.

Pedia doação de caixotes de madeira aos comerciantes locais, para servirem de banco para seus alunos. Ao governo, pedia doações de materiais escolares (caderno,giz e quadro). Também conseguiu com que o governo, também através de doações, fizesse um grande galpão de madeira e telhas para atender mais alunos.

Adélia era muito querida por todos no palácio do governo. Levava frutas frescas, pudim e bolo.

Com tamanha força de vontade, foi reconhecida pelo então prefeito de São Gonçalo, Geraldo Ribeiro, que a nomeou professora Municipal. Mas Adélia queria mais. Não satisfeita, conseguiu que o então presidente do estado, Dr. Feliciano Sodré, a incluísse no quadro de professores efetivos do Estado e foi nomeada para uma escola vaga numa fazenda do município fluminense de Vassouras.

Entretanto, seu lugar não era ali. Guerreira como sempre, consegue o maior de seus objetivos. Intercedeu junto ao presidente Feliciano Sodré a sua transferência  da escola em que trabalhava, no município de Vassouras, para o Coelho, doando a escola de sua propriedade para o Estado, onde passou a existir como grupo escolar.

 

Adélia Martins - Escola no Coelho - São Gonçalo

Em 1966, o então prefeito Joaquim de Almeida Lavoura, com a presença do governador do estado General Paulo Torres, realizou a inauguração oficial do grupo escolar Colégio Estadual Adélia Martins, no campo do Coelho. Até hoje, funciona em 4 turnos diários com mais de 1000 alunos.

Essa árvore que nossa heroína plantou e desenvolveu é responsável pela formação anual de dezenas de gonçalenses, moradores do Coelho e adjacências, os armando para enfrentar o mundo com a melhor de todas as armas: a educação.

Exatos 66 anos após a morte de Adélia Martins, uma menina de 12 anos, com sua paixão pela leitura, faz a diferença na vida de pessoas que antes não conviviam com o fantástico mundo da literatura, os enriquecendo culturalmente e socialmente. Essa menina criou o Projeto Recicla Leitores.

 

Família Recicla Leitores - Sim São Gonçalo
Victoria e sua mãe Aline

 

Inspirada pela sua mãe em fazer o bem, Victoria foi convidada a visitar a Cidade de Deus através de uma ONG inglesa. A menina que adora ler, durante a visita não desgrudava de seu livro. Logo foi alvo dos olhares atentos das crianças que a cercavam. Sem titubear, perguntou à sua mãe o que tanto as crianças a olhavam. Sua mãe explicou que aquelas crianças não tinham o hábito da leitura e aquele gesto aguçou a curiosidade, já que aquelas crianças tinham acesso apenas aos livros didáticos. Pensando nisso, Victoria mobilizou todos os familiares a contribuírem com livros para aquela meninada tão carente.

Não é que a menina conseguiu?! Arrecadou uma grande quantidade de livros e não parou mais. Continuou arrecadando e doando em formas de eventos em várias comunidades do Rio de Janeiro.

Com a grande quantidade de livros chegando de todas as partes do Brasil, a família Recicla Leitores conta apenas com a sua residência para guardar esses livros. A casa ficou pequena para este acervo, pois o número de livros que chegam é maior que os que saem. Então, mediante ao crescimento do acervo, Aline Lucas percebeu a necessidade de um espaço para receber os livros, fazer sua triagem, limpá-los e etiquetá-los para o próximo evento itinerante. Foi nesse momento que a família Recicla Leitores pensou em comportar não só um lugar de armazenagem e sim uma biblioteca, onde contemplasse a comunidade ao redor.

 

Família Recicla Leitores - Sim São Gonçalo
Família Recicla Leitores

 

Um casal de amigos da família, que acompanhava a dificuldade, cedeu um espaço de 106 m² para construção da biblioteca no bairro do Coelho, justamente nas proximidades do Colégio Estadual Adélia Martins, onde essa guerreira construiu com seu suor um colégio voltado à educação com amor ao próximo. Um amor que se repete através da história, com Victoria e sua família na construção da primeira biblioteca comunitária do Coelho.

A previsão é que neste primeiro semestre a biblioteca esteja funcionando a pleno vapor atendendo não só os alunos do Colégio Estadual Adélia Martins, mas toda a comunidade do Coelho. Com o auxilio do Rotary Clube de São Gonçalo esse mesmo espaço contará com uma brinquedoteca e um ponto de leitura. Victoria e sua família ainda lutam para conseguir material para obra. Quem quiser saber como ajudar, basta entrar no site do projeto.

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A família Conceição e a história de uma Ferrovia https://simsaogoncalo.com.br/familia-conceicao-e-historia-de-uma-ferrovia/ https://simsaogoncalo.com.br/familia-conceicao-e-historia-de-uma-ferrovia/#comments Tue, 18 Feb 2014 02:54:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1716 A relação de amor entre o senhor Antenor da Conceição e a Estrada de Ferro Maricá (EFM) começou cedo. Com apenas 22 anos, foi trabalhar como conservador de via permanente, contou com orgulho e nostalgia para nossa reportagem – os olhos marejados de lágrimas – sobre os bons tempos na ferrovia. Antenor da Conceição nos […]

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A relação de amor entre o senhor Antenor da Conceição e a Estrada de Ferro Maricá (EFM) começou cedo. Com apenas 22 anos, foi trabalhar como conservador de via permanente, contou com orgulho e nostalgia para nossa reportagem – os olhos marejados de lágrimas – sobre os bons tempos na ferrovia.

Antenor da Conceição nos revela a história do menino que não tinha grandes aspirações de ser um médico ou engenheiro. Porém, seu maior sonho era de ser coveiro no funcionalismo público. A vida do jovem Antenor despontava em Saquarema, no ano de 1936, enquanto a da EFM já estava a pleno vapor: era responsável pelo transporte de grande quantidade de sal vindo da região dos lagos e, principalmente, da grande quantidade de laranja que fez do município de São Gonçalo um dos principais exportadores da fruta.

A rede ferroviária também foi responsável pelo crescimento do núcleo urbano de Maricá, pois era o mais eficiente meio de transporte. Como consequência, ruas surgiram em torno da estação, resultando no aparecimento de diversos estabelecimentos comerciais.

Eduardo Rodrigues de Figueiredo relata no Anuário Geográfico do Rio de Janeiro, de 1952, a dificuldade demográfica de Maricá: “Não há no Estado do Rio de Janeiro município que, devido ao seu sistema orográfico, esteja mais isolado do restante de seu território do que Maricá”. Financiada em 1888, principalmente por proprietários rurais como José Antônio Soares Ribeiro, o Barão de Inohan, sem nenhum ônus para os cofres públicos, o primeiro trecho da estrada foi iniciado ligando Alcântara a Rio do Ouro, passando por Sacramento e Santa Isabel.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

 

Antenor nos recebeu nessa mesma estação de Santa Isabel, sua residência, onde desde 1970 vive com sua esposa, Maria Inês, e seus 3 filhos: Regina, Ronildo e Raquel – todos criados graças ao seu salário de ferroviário. Mesmo acamado devido uma enfermidade, um sorriso jovial ainda enfeita seu rosto e – com a alegria do menino sonhador de Saquarema – nos contou sobre seu trabalho na estrada de ferro. Sempre preocupado em manter a história, preservando as características do lugar, quando questionado do motivo de sua luta para manter a arquitetura da época, explicou: “Esse lugar não é meu e devo mantê-lo. Estou aqui justamente para preservá-lo e  não acabarem com esse patrimônio que guarda muitas memórias de nosso Município”.

O destino sempre amarrou a história de Sr. Antenor à estrada de ferro Maricá. Mesmo noivo e nos preparativos de casamento, os olhos de Antenor cruzaram com os da menina Maria Inês, filha do feitor a quem era subordinado. Essa historia de amor perdura até hoje. Fomos testemunhas do carinho e atenção daquela menina, hoje uma senhora de fala mansa e passos calmos, mas uma guerreira para defender sua família.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

Quando indagado pela nossa reportagem sobre o que mais o marcou em sua carreira como ferroviário, o Sr. Antenor, sem falsa modéstia, diz que era sua agilidade no serviço. Por causa dessa qualidade, sempre era chamado para trabalhos de emergência. Contou que às vezes, três funcionários não davam conta do serviço e ele era chamado pelo encarregado para dar uma “forcinha”. Ao chegar, os outros funcionários desapareciam e ele desenrolava o serviço com a maior facilidade. Sr. Antenor era, como se diz popularmente, “pau pra toda obra”. Quando a linha enchia de capim alto, dificultando a visibilidade do maquinista, quase sempre resultando no atropelamento de gados pastando, ele era chamado pelo supervisor para capinar.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Sr. Antônio Conceição

 

Num momento da entrevista notamos uma tristeza no olhar do Sr. Antenor. Foi exatamente quando fala do fim da estrada de ferro pela justificativa de não dar lucro. Ele informa que, além de ter bastante volume de carga e passageiros, muitas pessoas precisavam do trem. O senhor Antenor lamenta o não aproveitamento de nenhum trem que circulava na linha. Todos foram enviados para a siderúrgica em Volta Redonda.

A toda hora vivemos a história. Algumas delas se entrelaçam no meio do caminho, como a da família do Sr. Antenor e a EFM. Preservar as memórias da história de São Gonçalo é valorizar nosso passado e compreender nosso presente para a construção de um futuro melhor.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

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Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! https://simsaogoncalo.com.br/esse-cristo-e-nosso-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/esse-cristo-e-nosso-sao-goncalo/#comments Thu, 06 Feb 2014 02:08:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1620 Era outubro de 1997. O povo brasileiro recebia o Papa João Paulo II, que nos visitava pela terceira vez para participar do 2º Encontro com as Famílias. Enquanto aos pés do Cristo Redentor o Papa abençoava o Rio de Janeiro, em São Gonçalo, um morador nascido e criado no Porto da Pedra fazia uma gentileza ao […]

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Era outubro de 1997. O povo brasileiro recebia o Papa João Paulo II, que nos visitava pela terceira vez para participar do 2º Encontro com as Famílias.

Enquanto aos pés do Cristo Redentor o Papa abençoava o Rio de Janeiro, em São Gonçalo, um morador nascido e criado no Porto da Pedra fazia uma gentileza ao casal José Alves de Azevedo e Elvira Santos de Azevedo, doando uma réplica, em proporções menores da imagem que, há exatos 10 anos, se tornaria uma das sete maravilhas do mundo moderno.

O casal muito católico, de não faltar uma missa, acordou que aquele presente não seria só deles, teria que ser compartilhado com toda a vizinhança. Com a morte do Padre Eugênio, da Igreja da Matriz de São Gonçalo, frequentada pelo casal, acharam que era uma forma de homenageá-lo.

Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! © Sim São Gonçalo 2014

O senhor José procurou os vizinhos, o dono da padaria, da marmoraria, do açougue, enfim, todos dispostos a ajudar na empreitada. O lugar foi escolhido: a esquina da Av. Joaquim de Oliveira com a Rua Governador Macedo Soares, bem perto da residência do casal. A imagem foi fixada em um pedestal de mármore com as inscrições “Homenagem ao Papa João Paulo II em Visita ao Brasil em 02-10-1997”. Na parte de cima e “In Memorian Padre Eugênio 02-10-1997” a baixo. Uma dupla homenagem, data da visita do Papa e homenagem ao padre. (O Município de São Gonçalo foi abalado com a morte do Cônego Eugênio Moreira, em 03 de junho de 1997, dias após a celebração de Corpus Christi com uma das mais belas manifestações de arte e religiosidade da Cidade, os tapetes de sal.)

O casal tentou junto à prefeitura que a imagem fosse iluminada a noite. Entretanto, por conta da burocracia, desistiram e resolveram eles mesmos levar luz ao Cristo, através de uma ‘foto-célula’ ligada à sua residência. Não seria por dificuldades burocráticas que o Cristo não seria aceso.

Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! © Sim São Gonçalo 2014

Para evitar que vândalos danificassem-no o casal cercou com grades de proteção.

A manhã do dia 5 de maio de 2005 tinha tudo para ser cheia de felicidade. José completava 74 primaveras, mas quis o destino que, naquele dia, o coração da sua companheira parasse de bater. Enquanto viva, Dona Elvira tinha uma paixão pelo Cristo indescritível. Promovia missas campais em frente à imagem e se orgulhava de ver a rua lotada de fieis.  Mensalmente, com ajuda do seu marido, limpavam cuidadosamente a imagem. Anualmente, a pintavam. Hoje, viúvo, o senhor José segue a risca a mesma rotina.

A imagem passou a ser ponto de referência. Ficou conhecida não só no bairro, mas até mesmo na cidade vizinha, Niterói. Basta falar: “Vamos nos encontrar em frente ao Cristo Redentor do Porto da Pedra”. Fica fácil para todo mundo.

Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! © Sim São Gonçalo 2014

Com 82 anos de idade, a maior preocupação do senhor José é o que acontecerá com o Cristo do Porto da Pedra após a sua morte. Ao mesmo tempo em que se preocupa, tem esperança que sua família continue o legado cuidando da imagem. E espera que as futuras gerações de gonçalenses independente da religião enxerguem-no como um patrimônio da cidade e tenham orgulho de dizer: ESSE CRISTO É NOSSO, SÃO GONÇALO!

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As duas mortes de Francisco https://simsaogoncalo.com.br/as-duas-mortes-de-francisco-chico-mendes/ https://simsaogoncalo.com.br/as-duas-mortes-de-francisco-chico-mendes/#comments Mon, 23 Dec 2013 17:34:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1585 Posso dizer com todas as consoantes e vogais que sou realmente um cara azarado. Não bastava me tirarem a vida uma semana após completar 44 anos, na minha querida cidade do Acre. Tempos depois de sepultado, fui novamente morto, lá no estado do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada São Gonçalo. Para que o […]

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Posso dizer com todas as consoantes e vogais que sou realmente um cara azarado. Não bastava me tirarem a vida uma semana após completar 44 anos, na minha querida cidade do Acre. Tempos depois de sepultado, fui novamente morto, lá no estado do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada São Gonçalo.

Para que o leitor me conheça melhor, vou contar um pouco da minha vida.

Meu nome de batismo é Francisco Alves Mendes Filho. Mas pode me chamar de Chico. Fui íntimo para milhares de pessoas, porque não ser íntimo para você, amigo leitor.

Nasci no Acre. Brasileiro e me orgulho disso. Afinal, como diz o dito popular, não desisto nunca e sempre foi assim até a hora da minha morte. Poderia ter nascido boliviano, já que até o século XX o Acre pertencia à Bolívia. Graças à luta dos migrantes nordestinos brasileiros, grande maioria cearense, incluindo com muito orgulho meus pais que chegaram para tentar a vida como seringueiros, esse pedacinho de terra passou ao Brasil através do Tratado de Petrópolis, intermediado pelo então ministro do exterior, o Barão do Rio Branco. Afirmou-se ali que, por 2 milhões de libras esterlinas, parte do território do Mato Grosso e o Acre ficariam de vez com o Brasil. Mas como o assunto não é a minha cidade natal e sim a minha vida, vou continuar a história sobre como acabei morto por duas vezes.

Minha vida não foi fácil. Quando criança, me embrenhava na mata para acompanhar meu pai. Ele era um grande homem e um excelente profissional. Com a dedicação de um professor, me passava cada detalhe sobre o oficio de seringueiro. Olhava para ele com muita ternura e não saia da minha cabeça que quando crescesse seria igualzinho a ele.

Chico Mendes

Não tive oportunidade de me alfabetizar como uma criança normal de seis ou sete anos. Não tínhamos escolas e os donos de terras não tinham o menor interesse de criá-las, pois quanto menos estudo, mais dependentes ficávamos. Com isso, só aprendi mesmo a ler quando completei os meus 20 anos. Essa conquista só foi possível com a ajuda de um grande amigo, Euclides Távola, que não só me ensinou a ler e a escrever, como despertou o meu interesse pelo destino do planeta e da humanidade. Um militante comunista que participou ativamente no levante comunista de 1935, em Fortaleza, e ainda na Revolução de 1952, na Bolívia. Nunca mais o veria em vida, desde o golpe militar de 1964, mas aquele homem mudou a concepção da minha vida e a educação passou a ser minha obsessão. Queria que todos os companheiros de trabalho aprendessem a ler e a escrever para não serem roubados nas contas do patrão. Cem homens sem instrução fazem uma rebelião. Um homem instruído é o começo de um movimento.

Minha liderança aflorou mesmo aos meus 31 anos de idade quando cheguei a secretário dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, presidido por Wilson Pinheiro, grande responsável pela minha veia ativista. Comecei a participar intensamente das lutas dos meus companheiros seringueiros para impedir o desmatamento da Amazônia. A união sempre fez a força e cada companheiro contribuía fielmente na causa. Éramos uma só família que de mãos dadas impedíamos as máquinas de destruir nossa floresta. Homens, mulheres, crianças e até vovozinhos davam suas vidas pela floresta. Chamávamos de “EMPATES”. A floresta sempre foi a nossa sobrevivência e de lá ganhamos o pão nosso de cada dia.

Em 1985, o nosso movimento, definitivamente, criava corpo. Fizemos o primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros. Criamos o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e uma proposta que garantia defender os interesses e direitos dos habitantes da floresta por meio da criação de reservas extrativistas. A “União do Povo da Floresta” viria para ajudar não só a nós seringueiros, mas indígenas, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeira de coco babaçu e a população ribeirinha.

Nossa causa chamou a atenção do mundo e membros da ONU nos deram o prazer da visita em nossa Xapuri. Puderam acompanhar de perto a devastação da floresta e a expulsão dos nossos companheiros por projetos financiados por bancos internacionais. Essa visita me encheu ainda mais de coragem e procurei o senado norte-americano para afirmar a denúncia. O financiamento desses projetos foi interrompido e ganhamos essa batalha. Essa coragem me proporcionou vários prêmios internacionais, mas acreditem leitores, no Brasil fui acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar o progresso. 

Vê se pode! Eu não lutava contra o progresso. Precisamos de empregos e desenvolvimento, mas de um jeito que não nos mantenha pobres. Passar por cima da nossa gente nunca, nem morto!

Por falar em morto, chego ao momento do texto onde tenho que falar sobre como me tiraram a vida. Tenho certeza que essa morte doeu mais no mundo do que em mim mesmo. O leitor nunca teve essa experiência com a morte, não é? Claro, pois se tivesse não estaria passeando por esse texto. Vou te falar meu amigo, é como se fosse alguém desligando um interruptor. De repente, tudo se apaga.

Já tinha recebido ameaças de morte outras vezes, mas elas aumentaram quando batemos de frente com o fazendeiro Darly Alves da Silva, que decidiu desmatar o seringal Cachoeira. O seringal já tinha sido desapropriado para a criação de uma reserva extrativista. Sem pensar duas vezes, liderei meu povo e fizemos o “empate” no terreno. Denunciei que estava sendo ameaçado por Darly e um mandato de prisão chegou a ser emitido. Mas o malandro fugiu antes do mandato chegar. Dias depois, quando saia de casa para tomar meu banho, fui surpreendido na porta dos fundos da minha casa com um tiro de escopeta no peito. E aí, veio a escuridão.

Minha morte fortaleceu não só a nossa luta pela floresta amazônica, mas meu nome virou sinônimo de proteção ao meio ambiente e biodiversidade. Eu renasci em várias formas de homenagem. Renasci em forma de institutos, praças, avenidas, escolas e muitas outras pelo mundo.

Fiquei muito feliz com cada homenagem, mas uma em especial mexeu comigo. Aconteceu lá no Rio de Janeiro, para ser mais preciso, na cidade de São Gonçalo, em outubro de 1992. Momento que o mundo dava mais um passo rumo à consciência ecológica. Coincidência ou não, ano da ECO92.

Nascia uma praça, a Praça Chico Mendes. Nenhuma família precisou ser desapropriada, o espaço utilizado era justamente o espaço onde passavam os trilhos de ligação para Estação Raul Veiga, da saudosa Estrada de Ferro Maricá. Importante para economia da cidade e até do Brasil. Nela passava uma grande parte das laranjas que eram exportadas para os gringos.

Voltando à praça, foi toda arborizada, tornando o lugar bem arejado para as famílias que frequentavam, aproveitando aquele espaço o verde da cidade. Possuía uma quadra onde os adolescentes podiam praticar seus esportes favoritos. Como era bom apreciar aqui de cima a galera do basquete treinando os arremessos. Bem cedinho, os vovôs e as vovós utilizavam a quadra para se exercitar ao som de música ritmada, sobre a orientação de uma linda e sarada personal. Desculpe-me leitor, morri, mas o instinto de homem falou mais alto. Era de ficar de queixo caído admirando as manobras radicais da galera do skate na única pista da cidade. 

As duas mortes de Chico Mendes

Praça Chico Mendes, a "praça da Bíblia" pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert
Praça Chico Mendes, a “praça da Bíblia” pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert

A praça era frequentada por várias tribos diferentes em perfeita harmonia. Ela durou exatos 20 anos, quando o povo de São Gonçalo elegeu uma prefeita que cismou com a coitada da praça. Queria porque queria que o nome fosse substituído para Praça da Bíblia. Eu não fiquei chateado com o nome, afinal ser substituído pelo livro sagrado é uma honra pra mim, mas aquela senhora de cabelos vermelhos, tipo o do Curupira, foi além.

A quadra e a pista de skate sumiram definitivamente. Em seus lugares, foram colocadas estruturas metálicas formando alguma coisa que sinceramente não sei explicar. Bom, vou tentar narrar aos olhos do arquiteto que criou essa maravilha da arte contemporânea. Se Niemeyer desse uma voltinha em São Gonçalo e visse essa obra rasgaria o diploma de tanta raiva. “Ao adentrar nos portões da suntuosa Praça da Bíblia, os senhores avistarão um chafariz lindíssimo que representa a água da vida. Andando mais um pouco, os senhores passarão por uma estrutura metálica com painéis que representam o velho testamento. No final, olhando para cima, uma grande cúpula representa o útero que dá a vida. E, finalmente, os portões representam a saída do mundo ocidental.”

As duas mortes de Chico Mendes

Água da vida, útero, portões para saída do mundo ocidental? Viajou! Isso lá no Acre tem nome: maconha, muita maconha!!! A realidade de quem vê é uma praça triste, com um chafariz que não tem água, uma estrutura metálica que já se encontra enferrujada e painéis que não existem mais, pois voaram como pipas. Os portões nunca foram abertos desde a sua inauguração em dezembro do ano passado. E tudo isso com uma verba de 2 milhões de reais. Com dois milhões de reais eu compraria o Acre todinho para mim.

As duas mortes de Chico Mendes

E esse foi um pedacinho da minha história. Tenho certeza que muitas homenagens terei pela frente. No coração de cada gonçalense, estarei presente para sempre.

Aqui jaz Chico Mendes. Ex-seringueiro e ex- praça.

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O fantasma do padre da capela https://simsaogoncalo.com.br/o-fantasma-padre-da-capela-fazenda-colubande/ https://simsaogoncalo.com.br/o-fantasma-padre-da-capela-fazenda-colubande/#comments Sun, 15 Dec 2013 18:45:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1519 Levantei cedo, peguei o jornal e meus olhos se encheram de lágrimas com a notícia: as luzes da Fazenda Colubandê se acenderiam às 19 horas. OBA!!! Tirei da gaveta a minha melhor camisa. Fiz a barba como se me preparasse para um evento de gala. E é mesmo um evento de gala. Para mim, a […]

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Levantei cedo, peguei o jornal e meus olhos se encheram de lágrimas com a notícia: as luzes da Fazenda Colubandê se acenderiam às 19 horas.

OBA!!! Tirei da gaveta a minha melhor camisa. Fiz a barba como se me preparasse para um evento de gala. E é mesmo um evento de gala. Para mim, a valorização da história e do nosso patrimônio é mais importante do que qualquer outro evento, desses onde mulheres desfilam com seus saltos altíssimos e seus vestidos de brilho, que ofuscam os olhos de quem vê, e homens passeiam pelo salão com seus ternos de puro linho, como se tivessem o rei na barriga.

Enfim, eu estava lá com a minha família na hora marcada. Marcada não, cheguei meia hora mais cedo para não perder nenhum detalhe do acionamento dos disjuntores até a iluminação por completo.

A hora foi passando e cada vez mais a comunidade do entorno da fazenda chegava. Eram famílias inteiras. Com ouvido atento, me alegrava com cada história contada sobre a beleza e o que a fazenda representava para cada um ali.

Deu meia hora, uma hora e nada do brilho saltar os olhos. Até que ouço de um e de outro que, por determinação da prefeitura, as luzes não iriam se acender. Ué, mas estava no jornal! Será que é pegadinha do malandro gonçalense?

Já estava xingando todas as gerações do prefeito, quando mais que de repente as luzes da capela se acendem! No instinto, olhei para minha filha ,que tinha no rosto um sorriso e o verde do brilho das luzes. Ela olhou pra mim como se dissesse “agora vai”.

Não demorou 5 minutos e as luzes de LED se acenderam, moldando cada detalhe do casarão e da capela.

As famílias se abraçaram, aplaudiram e curtiram de vez a beleza do lugar. Não existe nenhum outro espaço mais bonito que a nossa fazenda iluminada com as cores do natal. Nem mesmo a árvore da Lagoa tem o mesmo charme que a nossa Fazenda Colubandê. Os flashes se misturavam com as luzes da fazenda, numa sintonia perfeita.

Como tudo que é bom dura pouco, entra um sujeito desesperado gritando:

– Quem foi que acendeu as luzes da fazenda?

– Eu vi que foi um cara de branco! – Gritou uma menina.

– Cara de branco? – Bom o Saci esta fora de cogitação. Seria o fantasma do padre da capela?

Bom, gostaria de agradecer ao fantasma do padre da capela ou quem quer que tenha feito esse gesto maravilhoso de ligar as luzes da fazenda, fazendo a felicidade de dezenas de famílias que ali se acomodaram para ver esse fantástico show de luzes.

 

Fazenda Colubandê

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Que Horas são, São Gonçalo? https://simsaogoncalo.com.br/que-horas-sao-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/que-horas-sao-sao-goncalo/#comments Thu, 12 Dec 2013 17:24:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1505 Um dia, um homem chamado Albert Einstein falou para o mundo que o tempo é relativo. E é mesmo! Dependendo da agitação do dia, notamos bem essa confirmação e a surpresa quase sempre vem com uma frase de espanto – “Hoje tempo voou!” ou “Essa hora não passa!”. Seguindo esse raciocínio, podemos dizer que o […]

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Um dia, um homem chamado Albert Einstein falou para o mundo que o tempo é relativo. E é mesmo! Dependendo da agitação do dia, notamos bem essa confirmação e a surpresa quase sempre vem com uma frase de espanto – “Hoje tempo voou!” ou “Essa hora não passa!”.

Seguindo esse raciocínio, podemos dizer que o tempo para os nossos antepassados passava lentamente. Comparando a nossa correria dos dias de hoje, onde corremos, corremos para na maioria das vezes não chegar a lugar nenhum. Quer felicidade maior do que pegar um bonde em Niterói e ver o tempo passar, apreciando a paisagem até a quadragésima parada? Só mesmo em uma época com tamanha calmaria, para que uma simples contagem das paradas do bonde viessem a dar o nome ao bairro Parada 40. Inimaginável, para uma época onde fazemos tudo ao mesmo tempo. Assobiar e chupar cana é questão de sobrevivência nos dias de hoje, exigindo das pessoas que façam mais e melhor em menos.

É no bairro Parada 40 que encontramos na Praça Ayrton Senna, um monumento que não existe em nenhum lugar do mundo. Um privilégio de gonçalense que a maioria não conhece. Por conta do famigerado corre-corre, não há tempo para apreciar, nem mesmo por cinco minutinhos.

Que horas são, São Gonçalo?

O Relógio de Sol da Parada 40

Inaugurado em 30 de setembro de 1990, o monumento foi construído pelo escritor e artista plástico Décio Machado, com seus próprios recursos, em homenagem ao centenário da emancipação política e administrativa do município. É o único relógio de sol vertical com duas faces do mundo.

Que horas são, São Gonçalo?

O relógio de sol foi uma das primeiras descobertas humanas, datando de 5.000 anos a.C pelos chineses. O relógio goncalense, com as suas duas faces, representam a cultura chinesa e Grécia antiga, e a outra a cultura Egípcia.

Por conta de depredação de uma minoria que não valoriza o patrimônio da cidade, foi preciso a restauração em dezembro de 2010, com reinauguração do monumento.

Que horas são, São Gonçalo?

Então, meu amigo, independente do seu dia, sendo ele uma correria ou uma calmaria, tire um tempinho para valorizar a história e o patrimônio da sua cidade. Com paixão e respeito, faremos uma São Gonçalo melhor para todos.

A HORA É ESSA !!!

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