gonçalense Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/goncalense/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 05 May 2017 14:20:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg gonçalense Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/goncalense/ 32 32 147981209 Todos os Gonçalenses são colonizados pelo Rio de Janeiro https://simsaogoncalo.com.br/todos-os-goncalenses-sao-colonizados-pelo-rio-de-janeiro/ https://simsaogoncalo.com.br/todos-os-goncalenses-sao-colonizados-pelo-rio-de-janeiro/#comments Fri, 05 May 2017 14:18:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4593 Todos os Gonçalenses são colonizados pelo Rio de Janeiro. Alguns são “escravizados”, outros sofrem fortes influências e alguns são cariocas não-praticantes. Ninguém está livre dessa incorporação. Pensa nos seus amigos cariocas. Pensou? Quantas vezes você foi no Rio e Quantas vezes eles vieram em São Gonçalo? Lembre-se sempre que a distância é a mesma, mas […]

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Todos os Gonçalenses são colonizados pelo Rio de Janeiro. Alguns são “escravizados”, outros sofrem fortes influências e alguns são cariocas não-praticantes. Ninguém está livre dessa incorporação.

Pensa nos seus amigos cariocas. Pensou?

Quantas vezes você foi no Rio e Quantas vezes eles vieram em São Gonçalo? Lembre-se sempre que a distância é a mesma, mas os argumentos dos cariocas não colarem aqui são os melhores;

Cafifa pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Pipa responde – Porque vou passar perrengue na volta.

Italiano pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Joelho responde – Porque é longe.

Ezequiel pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Picciani responde – Porque é perigoso.

Íbson pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Goleiro Bruno – Porque faz o calor de Bangu

Sim, as desculpas são as mais esfarrapadas possíveis. Parece que é molinho esperar o 110 ali na Lapa ou andar até o Menezes Cortes. Parece que é uma delícia ficar 1h esperando o ônibus do Galo Branco na Central agarrado com aqueles caras que ficam burlando o Bilhete Único ali no ponto de ônibus. Parece que é mole andar em Ramos ou ir na Praia de Copacabana sem ter medo de ser assaltado.

Carioca tem uma autoestima da porra. Se fizer pesquisa no Rio sobre a Baía de Guanabara é capaz deles colocarem a culpa em São Gonçalo pela sujeira.

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Imagino as reuniões no período colonial como devia ser a vida de Gonçalo Gonçalves, o colonizador gonçalense:

Filipi I, da Dinastia Habsburgo quando Gonçalo chegava devia olhar pra ele e perguntar…

“Gonçalo, porque estás a atrasar?”

Gonçalo, com cara de obviedade respondia…

“Filipe I, o caminho é demorado. Eu saio da minha sesmaria de cavalo, passo pelo fonsequistão, terras do Príncipe Rodrigo Neves, e depois atravesso a Baía de Guabanara com a CCR Navios de Exploração. É longe!.”

—–

Admiro muitos lugares, eventos e pessoas que moram ai, mas o Rio de Janeiro é uma espécie de município criado em apartamento se comparar com o resto da região metropolitana do Estado.

Se um carioca pisar em São Gonçalo, Itaboraí ou na Baixada Fluminense, já tem que tomar benzetacil na hora por que não tem imunidade pra complexidade dessas áreas.

Vocês tem Crivella? Nós tem Aparecida.
Vocês tem Picciani? Nós tem nomes que não podem ser citados.
Vocês tem Polícia violenta? Nós nem polícia tem.
Vocês tem Jacob Barata? Nós tem Zé do Boi.
Vocês tem metrô? Nós tem raiva da linha 2 pular pra linha 4.
Vocês tem a ligth? Nós tem a ENEL
Vocês tem a CEDAE? Nós tem o resto dos cocô que vem.
Vocês tem filme legendado? Nós tem tudo dublado.

Saca? Meu problema não é com o Rio. Gosto do Rio, mas o carioca precisa sair do seu cercadinho.

Querem beijar os gonçalenses? Chama pra ir no Arpoador, mas também vem na Zé Garoto.

Querem transar com os gonçalenses. Chama pra ir nesses muquifo de Santa Teresa, mas também vem no Paloma.

Quer ter amigos gonçalenses? Chama pra ir na Lapa, mas também vem na Praça do Gradim.

Quer fazer rolê underground com os gonçalenses? Chama pra andar na madrugada no Rio antigo mas também vem tirar dinheiro nos caixas eletrônicos do posto de gasolina da Trindade.

A gente já é a mão de obra barata de vocês. A gente já tem que ficar achando que trabalhar no Rio é mudar a vida econômica da família. A gente tem que dar até kit de sobrevivência para quando um adolescente vai pela primeira vez no Rio. Dá uma moral pra gente, levanta sua bunda desse rolê eixo zona sul achando que esse é o lugar mais bem frequentado do mundo e vem pra cá, vem conhecer gente nova, lugares novos, ser assaltado por outro tipo de bandido. Inova!

A distância é mesma. A ponte e a baía que nos separa tem a mesma distância para ir e para voltar. Os ônibus são os mesmos. Seja menos.

Tu é amigo de gonçalense mesmo? Tu está apaixonado por algum ou alguma gonçalense? Então larga esse apartamento no Estado chamado Rio de Janeiro e da um rolê pelo bairro inteiro.

Originalmente publicado no site pessoal de Romário Régis.

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Saudades dos encontros de internet na grama do Shopping São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/saudades-dos-encontros-de-internet-na-grama-do-shopping-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/saudades-dos-encontros-de-internet-na-grama-do-shopping-sao-goncalo/#respond Tue, 21 Jun 2016 03:51:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3747 Se você tem mais de 20 anos e menos de 30, provavelmente conheceu alguém que ia nos encontros de internet no Shopping São Gonçalo. Lembro como se fosse ontem que todo sábado estávamos todos nós, envolvidos com as brigas, flertes, encontros, desencontros e risadas que aquele pedaço de grama na frente do Shopping trazia para […]

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Se você tem mais de 20 anos e menos de 30, provavelmente conheceu alguém que ia nos encontros de internet no Shopping São Gonçalo. Lembro como se fosse ontem que todo sábado estávamos todos nós, envolvidos com as brigas, flertes, encontros, desencontros e risadas que aquele pedaço de grama na frente do Shopping trazia para nós.

A internet hoje é popular, mas naquela época não. Foi uma geração de transição. Nossos pontos de encontro que eram as esquinas foram virando a busca eterna por promoções numa lan house qualquer. Aos poucos, o Counter Strike e Warcraft iam virando ICQ e MSN. O cheiro de homens, pão velho e mortadela ia dando espaço para o cheiro do perfume das mulheres que também passavam a frequentar as “Lan house’s”.

Bons tempos. Era época de trocar lista de MSN, de pensar na melhor coloração dos nick’s do chat e escolher as melhores playerlist para aparecer no “o que você está assistindo”. Era tempo de entrar e sair do MSN para fazer com que alguém puxasse assunto e começar o desenrolo para o sábado virar point de encontro.

Cada um com seu bonde, com seu tipo de roupa, com suas roupas de marca da feirinha de Itaipava, com os perfis I, II, II e IV do orkut com alguma foto de uma câmera digital que não era sua ou no máximo, de uma webcam de baixa resolução.

Estamos ficando velhos. O tempo está passando e cada um foi seguir seu rumo. Uns viraram advogados, uns viraram músicos, uns viraram jornalistas, uns viraram maconheiros, uns viraram bandidos, mas todo mundo virou algo. Foi bom compartilhar e fazer parte de uma geração que descobriu junto o potencial da internet.

Fico pensando o que seria da minha vida sem os encontros. Parte da minha formação, personalidade e sagacidade foi desenvolvida lá. Pensar em estratégias para ser mais popular para entrar nas festas de graça, tentar arrumar uma grana para poder comer meu Mc Donald’s aos sábados, poder ir no cinema a tarde já encaminhando a ida para a grama e tentar entrar em contato com o máximo de pessoas possíveis. Resumindo: todo mundo queria um scrapbook lotado.

Para além de um saudosismo, bate uma saudade de querer saber onde todo mundo está. Queria ver o rosto de cada um novamente e poder ouvir o que aconteceu desde então. Saber dos casais e crianças geradas através do G3, de quem brigou e depois virou amigo, de quem emagreceu, de quem engordou, de quem enriqueceu, de quem foi preso, dos puto, das puta, dos feios, dos bonitos, de todos.

Foi triste deixar de frequentar os encontros e depois não ver mais eles existindo. A grama do Shopping São Gonçalo tem história. Mas tem tanta história que, sempre que passo lá, preciso atravessar a rua para relembrar, mesmo que por minutos, de como foi importante para mim fazer parte de uma geração tão potente e inventiva.

Para alguns era baderna, era zoação, era briga, mas para mim foi o momento mais interessante da minha juventude, onde pude conhecer, aceitar e aprender com gente diferente, de tudo que era lugar da cidade e o melhor, fazer amigos que carrego até hoje.

Era do cacete organizar os encontros e as festas. Lembro do período que começamos a tentar colonizar Niterói fazendo encontros no Plaza, Bay Market e até festas em São Francisco. Nossa geração queria ser promoter de choppada. Era o máximo do legal de tirar onda com cordões e anéis de prata, com algum boné de tela da Von Dutch falso.

Quantas vezes passo na rua e lembro dos apelidos das pessoas. Fico andando no ônibus ou em alguma festa e lembro de como a pessoa era e em como está hoje. As maquiagens, os bonés, o jeito de falar, tudo mudou, mas ainda sim, todo mundo ainda se olha e se lembra que já nos vimos em algum lugar pela grama.

Que a gente guarde essas memórias pra sempre.
por Talude

Atual Romario Regis.

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Sofrimento do gonçalense comum https://simsaogoncalo.com.br/sofrimento-do-goncalense-comum/ https://simsaogoncalo.com.br/sofrimento-do-goncalense-comum/#respond Thu, 07 Jan 2016 12:33:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3421 O gonçalense comum, cuja renda familiar gira em torno do salário mínimo, nasce geralmente nas maternidades do Centro, Nova Cidade, Porto Velho ou Neves, que atendem através do Sistema Único de Saúde. O menino ou menina suporta a primeira infância na creche comunitária, em casa com os irmãos ou na adversidade da rua, logo que […]

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O gonçalense comum, cuja renda familiar gira em torno do salário mínimo, nasce geralmente nas maternidades do Centro, Nova Cidade, Porto Velho ou Neves, que atendem através do Sistema Único de Saúde. O menino ou menina suporta a primeira infância na creche comunitária, em casa com os irmãos ou na adversidade da rua, logo que aprende a andar. Quando matriculado na rede municipal de ensino, sua frequência é irregular, falta professor, merenda, uniforme, estímulo ao estudo e apoio intelectual dos pais.

Perde cada vez mais aulas a partir do segundo ano do Ensino Fundamental, já tem 9 anos e mal sabe juntar as letras, sua escrita é péssima, a única diversão são as brincadeiras de rua.

Avança em idade e se interessa por roupas de marca, boné, tênis, relógio e joias, seus pais dizem aos gritos que não têm dinheiro para comprar nada disso. Parentes lhe apresentam o álcool, mas como sua tolerância ainda é baixa, temporariamente deixa de beber.

O garoto ou garota passa menos tempo em casa ao se envolver completamente com a rua e seus frequentadores, os amigos. Quanto mais cresce, menos vai à escola: perambula, solta pipa, joga futebol, frequenta lan houses, aprende a fugir e mente com perfeição sobre seu paradeiro.

Antes dos 18 anos, quando descobre a maconha, pensa “minha vida está completa”. O dinheiro continua escasso, às vezes arruma uns trocados, até rouba para ir a festas sozinho e se embebedar. Arruma o primeiro emprego, engraxate, carregador ou ajudante de qualquer coisa, quando muito terminou o Ensino Fundamental e definitivamente para de estudar. Pratica sexo com frequencia, tem dezenas de amigos, acha que sua vida nunca foi tão boa, embora a grana seja curta.

Se for menina, engravida nesta época. O menino tem seu primeiro filho. Não sabe o nome do prefeito da cidade. Jamais praticou qualquer esporte além do futebol no campinho de várzea improvisado em terreno baldio. O único sonho é conquistar mais dinheiro sem saber como, visto que não tem formação educacional.

Se torna um adulto condenado à informalidade, aos problemas financeiros, às drogas, escravo das ações displicentes do passado. Vive de bicos por toda a vida. O álcool, que jamais abandonou (como os amigos de copo), traz os primeiros problemas de saúde no fim da juventude.

São Gonçalo continua a mesma cidade, às escuras, que não sabe lidar com o próprio lixo, sem oportunidades de trabalho, que mata inocentes por falta de manutenção básica na rede elétrica porque não conta com o apoio deste gonçalense comum. Ao mesmo tempo ele precisa desesperadamente de São Gonçalo para ser feliz.

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A crise do Estado do Rio e o fundo do poço infinito https://simsaogoncalo.com.br/a-crise-do-estado-rio-fundo-poco-infinito/ https://simsaogoncalo.com.br/a-crise-do-estado-rio-fundo-poco-infinito/#comments Thu, 03 Dec 2015 17:11:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3383 Há poucos anos atrás, as promessas geradas pelo petróleo transformaram o estado do Rio de Janeiro num el dourado nacional. Com tantas coisas diferentes acontecendo ao mesmo tempo, teve gente acreditando que estávamos num “novo ciclo”. COMPERJ, EBX, PETROBRAS são nomes que não saíam da mídia. Junto disso tudo, a capital foi aprovada para sediar as Olimpíadas. Os preços dos […]

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Há poucos anos atrás, as promessas geradas pelo petróleo transformaram o estado do Rio de Janeiro num el dourado nacional. Com tantas coisas diferentes acontecendo ao mesmo tempo, teve gente acreditando que estávamos num “novo ciclo”. COMPERJ, EBX, PETROBRAS são nomes que não saíam da mídia. Junto disso tudo, a capital foi aprovada para sediar as Olimpíadas. Os preços dos imóveis na capital fluminense dispararam. Como são uma referência regional, elevaram os valores das casas também em São Gonçalo, Niterói e toda região metropolitana.

Os efeitos da “falsa valorização” ficaram fixados na mente das pessoas. São Gonçalo teve seu custo de vida sensivelmente elevado. Regiões com o mínimo de facilidades em infraestrutura na cidade tem aluguéis e condomínios caros, algumas vezes equivalentes à sua vizinha, Niterói. Isso sem falar na velha questão do transporte. Salvo os ônibus da Coesa, o restante parece que parou no tempo. Quando entro no 12, por exemplo, parece que volto no tempo.

Agora, o governador atual, Luiz Fernando Pezão, disse que estamos, mais uma vez, à beira da falência. Mas, será? Se pensarmos um pouquinho mais a fundo, veremos que estamos falidos há muito tempo. Como o estado não fali, parece que os falidos somos nós.

Trabalhadores do Comperj caminham sobre a ponte Rio-Niterói para denunciar os atrasos nos pagamentos.
Trabalhadores do Comperj caminham sobre a ponte Rio-Niterói para denunciar os atrasos nos pagamentos.

Origens do “Rio”

A consolidação do que chamamos de “Rio de Janeiro” vem de 1763, quando o Marquês de Pombal transferiu a capital de Salvador (Bahia) para o Rio por questões simples: éramos o lugar mais perto das jazidas de minérios e metais de Minas Gerais, com uma Baía de Guanabara perfeita para receber os navios. Uns 45 anos depois, a corte portuguesa chegava para mudar de vez nossa situação perante o país. Sendo simplório, esses 2 fatos resumem praticamente tudo o que somos hoje.

Para não ser relapso, tivemos um momento de prosperidade no Vale do Paraíba, com uma das maiores produções mundiais de café. Porém, depois que corrigimos uma “pequena injustiça” abolindo os escravos, esse negócio ruiu, migrando para São Paulo.

São Gonçalo, Niterói, Caxias, Nova Iguaçu, todas as cidades da região metropolitana e, porque não, Petrópolis, foram diretamente beneficiadas por toda essa centralização do poder no Rio, que por consequência também concentrou o dinheiro. Depois de JK, com a transferência de Brasília, demos adeus à mamata do dinheiro fácil. Ainda ficaram muitas estatais por aqui, entre outros mecanismos que deixaram o Rio como um ponto focal no Brasil. A Globo e suas novelas que vendem o “sonho carioca de ser” atraíram ainda mais gente de outros lugares para cá.

Rota do Ouro que trazia os metais preciosos de Minas Gerais para o Rio de Janeiro.
Rota do Ouro que trazia os metais preciosos de Minas Gerais para o Rio de Janeiro.

Pensando a fundo, o que produzimos de verdade?

Até que nos anos 9o, a indústria do petróleo deu vida nova à uma triste cidade de Campos, que no passado foi grande plantadora de cana e produtora de açúcar. Macaé, Casemiro de Abreu, São João da Barra, Quissamã, Rio das Ostras entre outras cidades do estado maravilharam-se com as facilidades do dinheiro direto na mão. Nos tornamos, novamente, monocultores. Agora, de óleo e gás.

Nesse embalo, no meio do caminho, prometeram uma “mega-ultra-master” refinaria de petróleo em Itaboraí. Aquilo chamado “COMPERJ”. Resultado? Prometeram A e vão entregar Z.

Como tudo na vida passa, cá estamos nós, novamente, assistindo à queda do petróleo, um produto que aos poucos será substituído por novas matrizes energéticas no mundo. Então, o que nos espera em 30 ou 40 anos?  O que o Rio de Janeiro será? E mais: o que nossas cidades metropolitanas, São Gonçalo nesse bolo, produzem ou produzirão para receber recursos e melhorar a infraestrutura regional?

Bonde no Zé Garoto, São Gonçalo
Instalação da rede de bondes em São Gonçalo. Época em que a cidade era um potencial distrito industrial e, aos olhos dos investidores externos, valia a pena investir nela.

Porque existe um fundo do poço infinito

Há algum tempo, o Rio de Janeiro caiu num poço infinito. O estado tem uma população muito grande e não consegue gerar renda suficiente para manter toda essa estrutura. Com o Petróleo em baixa, nossa única fonte de renda “certa”, via commodities, não consegue mais sustentar os pilares econômicos que nos mantém. Porém, com a 2ª maior região metropolitana do país, mesmo não se bancando, o Rio é alvo de todos os políticos e empresários nacionais e internacionais. O que, naturalmente, força o governo federal a “investir” constantemente no estado.

Estamos vivenciando um exemplo perfeito nesse final de 2015 e início de 2016. O estado não tem dinheiro para pagar seus servidores e terceirizados. Entretanto, poderá pedir dinheiro ao governo federal para custear as obras finais das estruturas olímpicas que se comprometeu a fazer no passado recente. A população, com razão, nunca entenderá isso. E, infelizmente, o estado também não ajuda a explicar.

Minha impressão é que assistimos ao cachorro correndo atrás de sua própria cauda. Como o Rio é o “palco do Brasil”, é possível que outras situações como essa continuem acontecendo.

A crise do Estado do Rio é permanente. Somos um dos maiores mercados informais (sem carteira assinada) do país. Em contrapartida, temos uma forte indústria criativa e cultural acontecendo por aqui. Seria essa crise constante o motivo de sermos tão criativos?

Bem, se permanecerá por muito tempo, não sabemos. Mas, certamente, ainda não estamos preparados para os novos modelos de geração de valor, especialmente por nossa deficiência educacional. Precisamos instruir nossa população de forma a criar menos “operadores” e mais inventores e produtores. Já melhoramos muito, mais ainda há espaço para, um dia, achar o fundo desse poço e descobrir que há uma mola por lá, que nos fará subir para um lugar que nem sabemos se ainda será nosso.

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Mensagem aos jovens gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/mensagem-aos-jovens-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/mensagem-aos-jovens-goncalenses/#comments Tue, 10 Mar 2015 18:42:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2612 Aos jovens gonçalenses entre o fim da adolescência e início da fase adulta, que trabalham ou buscam o primeiro emprego, gostaria de dizer: seja ambicioso! Não se contente com pouco. E não falo de dinheiro, mas de satisfação pessoal. Inexperientes, pressionados pela obrigação de trabalhar que a sociedade impõe, geralmente os jovens aceitam qualquer emprego que pague o suficiente para sair […]

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Aos jovens gonçalenses entre o fim da adolescência e início da fase adulta, que trabalham ou buscam o primeiro emprego, gostaria de dizer: seja ambicioso! Não se contente com pouco. E não falo de dinheiro, mas de satisfação pessoal.

Inexperientes, pressionados pela obrigação de trabalhar que a sociedade impõe, geralmente os jovens aceitam qualquer emprego que pague o suficiente para sair nos fins de semana. Ótimo para a diversão, no entanto, alguns permanecem durante anos em funções que não correspondem aos próprios sonhos, se tornando adultos infelizes que vivem para pagar as contas no final do mês.

Como agir se o início da juventude é repleto de dúvidas, período de maior ansiedade e insegurança da vida? Especialistas em satisfação no trabalho defendem que é preciso conhecer a si mesmo, orientar-se pelas disciplinas escolares que mais o atraem (prefira profissões associadas a elas) e explorar talentos naturais para seguir nossa missão no mundo. Ou simplesmente experimentar, aproveitar a liberdade da juventude para trabalhar em áreas diferentes e descobrir aquela que mais desperta interesse.

As profissões mais comuns entre os jovens gonçalenses são vendedor no comércio local  (vendi salgados e sucos na Rua da Feira durante a adolescência) ou ajudante de soldador no Estaleiro Mauá, em Niterói. Contudo, existem outras opções para os insatisfeitos, basta adquirir a qualificação necessária; muitos moradores da cidade desempenham funções mais sofisticadas e melhor remuneradas pelo mercado, principalmente em empresas sediadas no Rio de Janeiro, em áreas como Tecnologia da Informação.

E trabalhar não se resume a ser contratado por uma empresa, com carteira assinada. A ideia de estudar para arrumar um bom emprego perdeu força. Considere montar o próprio negócio e talvez ajudar no desenvolvimento da cidade, o registro como empreendedor pela Internet dura cinco minutos. Viva aventuras, viaje o Brasil trabalhando e perseguindo sua vocação, depois volte a São Gonçalo e faça a revolução que esta cidade tanto aguarda.

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O gonçalense tem motivos para se orgulhar? https://simsaogoncalo.com.br/o-goncalense-tem-motivos-para-se-orgulhar/ https://simsaogoncalo.com.br/o-goncalense-tem-motivos-para-se-orgulhar/#respond Thu, 12 Feb 2015 23:54:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2575 O carioca se orgulha da beleza do Rio de Janeiro, o paulista valoriza a rotina moderna e metropolitana da maior cidade do país e o baiano de Salvador ou Porto Seguro exalta o estilo festeiro, ao mesmo tempo tranquilo de viver. E o gonçalense, tem motivos para se orgulhar? Há quase dois anos atrás eu diria que não. […]

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O carioca se orgulha da beleza do Rio de Janeiro, o paulista valoriza a rotina moderna e metropolitana da maior cidade do país e o baiano de Salvador ou Porto Seguro exalta o estilo festeiro, ao mesmo tempo tranquilo de viver. E o gonçalense, tem motivos para se orgulhar?

Há quase dois anos atrás eu diria que não. Os problemas que a cidade enfrenta há décadas (má administração pública, desordem urbana e infraestrutura precária) seguem sem solução. Mas hoje percebo que o povo gonçalense evolui do seu jeito e precisa valorizar a si mesmo para dar fim à sucessão de governos inúteis.

Caso você não encontre motivos para se orgulhar por ter nascido ou morar em São Gonçalo, lembre-se que temos uma escola de samba importante no cenário estadual, a Porto da Pedra, o que significa acesso a lazer e cultura para as comunidades vizinhas ao bairro da escola. Temos dois times de futebol em plena ascensão – Gonçalense e São Gonçalo FC – que este ano disputarão a série B do campeonato estadual, outra fonte de diversão.

Possuímos grandes indústrias que levam o nome da cidade Brasil afora e até para o exterior, como a Condal, maior fabricante de máscaras do país, auxiliando na expressão da alegria e da crítica popular, e como a B. Braun, multinacional farmacêutica cuja única fábrica nacional fica em São Gonçalo e emprega diversos moradores da cidade.

Devemos nos orgulhar do Albergue da Misericórdia, projeto social que desenvolve um programa de reabilitação para dependentes químicos extremamente eficiente e ainda reduz a sujeira das ruas, recolhendo o material reciclável. E valorizar o projeto cultural Uma Noite na Taverna, que mensalmente apresenta aos gonçalenses os maiores nomes da história da poesia.

Temos o Maciço de Itaúna, querido pelos praticantes de voo livre, ponto de destaque a ser explorado pelo turismo local; além da herança histórica que acompanha a Fazenda Colubandê, a Capela da Luz e demais relíquias cuja preservação depende da nossa atenção.

E por último, mas não menos importante, o maior motivo de orgulho: o próprio gonçalense. Aquele que acorda cedo para trabalhar, enfrenta horas intermináveis no trânsito, compõe o povo mais batalhador do estado do Rio de Janeiro, que tem 92 municípios. O gonçalense leva três cidades nas costas: além de São Gonçalo, auxilia diretamente no desenvolvimento do Rio de Janeiro e de Niterói. Em qualquer empresa, grande ou pequena, dessas cidades tem gonçalenses não porque somos numerosos, mas porque temos a qualificação exigida pelo mercado. Se houvesse emprego e investimento em São Gonçalo, ela estaria no mesmo nível social e econômico das principais capitais brasileiras pois qualificação profissional nós temos. E não foi de graça, nem o governo deu, muitos gonçalenses trabalham longe de casa e ainda estudam a noite.

Seja vendendo balas no sinal de trânsito do Alcântara ou sentado na sala de uma multinacional inglesa no Centro do Rio, o gonçalense é guerreiro, como o tigre da Porto da Pedra, e esta é nossa verdadeira imagem.

Foto: Lilian Lorenzi 

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