mutuá Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/mutua/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Thu, 30 Nov 2023 02:41:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg mutuá Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/mutua/ 32 32 147981209 Aécio Nanci – médico, político e filho de Clélia Nanci https://simsaogoncalo.com.br/aecio-nanci-medico-politico-clelia-nanci/ https://simsaogoncalo.com.br/aecio-nanci-medico-politico-clelia-nanci/#comments Tue, 02 Apr 2019 14:14:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6991 A história de José Luiz Nanci (2017–2020) na política não começou ontem. Aliás, seu início é de antes do próprio prefeito nascer. E o responsável por isso foi Aécio Nanci, seu tio. Nascido no estado de São Paulo, teve uma carreira política bem-sucedida aqui no Rio, popularizando um nome até hoje conhecido na política do […]

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A história de José Luiz Nanci (2017–2020) na política não começou ontem. Aliás, seu início é de antes do próprio prefeito nascer. E o responsável por isso foi Aécio Nanci, seu tio. Nascido no estado de São Paulo, teve uma carreira política bem-sucedida aqui no Rio, popularizando um nome até hoje conhecido na política do leste fluminense.

A seguir, confira o texto extraído do livro Gonçalenses Adotivos São Gonçalo.

Aécio Nanci, o filho da Clélia Nanci

Aécio Nanci, médico, político, era filho de José Maria Nanci e Clélia Cazemiro Nanci. Nasceu em Barra Bonita, São Paulo, em 4 de agosto de 1912 e faleceu em setembro de 2001, aos 89 anos.

Clélia Nanci com Aécio Nanci Filho, o Aecinho
Clélia Nanci (15/08/1879 – 04/05/1963) com Aécio Nanci Filho, seu neto e filho de Aécio Nanci. A matriarca da família é mais conhecida por ter batizado o Instituto de Educação Clélia Nanci, na Brasilândia, São Gonçalo.

Estudou as primeiras letras em casa. Já o primário, ginásio e preparatório (ensinos fundamental e médio), no Colégio Brasil, de 1926 a 1933.

Cursou a Faculdade Fluminense de Medicina, hoje curso de Medicina da UFF, no período de 1934 a 1939, onde colou grau em 19 de dezembro de 1939. Frequentou os cursos de Ginecologia e Cirurgia na Santa Casa de Misericórdia, na cidade do Rio de Janeiro, de 1948 a 1950, ministrados pelo professor M. Fabião. Na Policlínica de Niterói e Hospital São João Batista, Aécio cursou Cirurgia Geral de 1950 a 1952, no curso ministrado pelo professor Francisco Pimentel. Já no Hospital de São Gonçalo, fundou o Centro de Estudos, realizando palestrar e trabalhos.

A atuação como médico

Médico formado, Aécio Nanci trabalhou no Hospital e Pronto Socorro de São Gonçalo como cirurgião geral de 1940 a 1955. Foi chefe de enfermaria e serviço geral de cirurgia durante 6 anos. No período de 1950 a 1956, foi escolhido pela direção e pelos colegas que ali exerciam suas funções para ser diretor técnico do hospital.

Trabalhou também na Companhia EletroQuímica Fluminense (1944–1954), na Companhia Brasil de Seguros S/A (1948–1953) e na Prefeitura Municipal de São Gonçalo (1942–1948).

Na Policlínica de São Gonçalo, foi fundador, médico e diretor técnico no período de 1949 a 1956. Fundou a Casa de Saúde São José (hoje Hospital São José dos Lírios), sendo seu proprietário. Lá, atuou também como médico e diretor técnico, de 1956 até seus últimos anos de vida. Foi sócio da Casa de Saúde Menino de Deus e da Casa de Saúde Santa Terezinha.

O político em São Gonçalo

Como político, Aécio Nanci foi deputado estadual por três legislaturas, sendo eleito como representante de São Gonçalo no período de 1954 a 1966. foi secretário da Assembleia Legislativa e Vice-presidente. Em 1946, foi nomeado prefeito de São Gonçalo por 30 dias.

Durante o período como deputado estadual, trouxe para a cidade o Instituto de Educação Clélia Nanci, situado na Brasilândia, que leva o nome de sua mãe.

Por sua influência e atuação como deputado, vieram também o Grupo Escolar Ismael Branco, no Mutuá; a Escola Pública Municipal, na Praia da Luz; o Grupo Escolar Vital Brasil, em Monjolos; e as Escolas Públicas no Engenho Pequeno, Boaçu, Vidreira, Rocha e Colubandê.

Uma outra necessidade da época eram os telefones públicos, fornecidos pela Companhia Telefônica Brasileira, sendo instalados em Cabuçu, Monjolos, Santa Isabel, Raul Veiga e Laranjal. Além do fornecimento de água e luz para outras localidades carentes na cidade.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Adino Xavier: de Cantagalo ao Colégio no Mutondo https://simsaogoncalo.com.br/adino-xavier-mutondo/ https://simsaogoncalo.com.br/adino-xavier-mutondo/#comments Thu, 14 Feb 2019 03:01:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6987 Quem mora no Mutondo, Trindade ou Nova Cidade conhece bem esse nome: Adino Xavier. Um dos colégios mais relevantes da região, que até já ganhou um conto da Damiana Duarte, hoje tem aqui a história do personagem gonçalense que emprestou seu nome para batizá-lo. Adino Xavier, da justiça à vida pública Adino Maciel Xavier, político, advogado, […]

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Quem mora no Mutondo, Trindade ou Nova Cidade conhece bem esse nome: Adino Xavier. Um dos colégios mais relevantes da região, que até já ganhou um conto da Damiana Duarte, hoje tem aqui a história do personagem gonçalense que emprestou seu nome para batizá-lo.

Adino Xavier, da justiça à vida pública

Adino Maciel Xavier, político, advogado, tabelião, foi ministro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Presidiu a Caixa Escolar do Município de São Gonçalo, foi secretário de Justiça e presidente do PSP (Partido Social Progressista) na cidade. Presidiu também o Patronato de Menores, instituição que deu origem ao nome do bairro Patronato.

O filho de Arthur Cândido Xavier e de Rosa Maciel Xavier, nasceu em Cordeiro, na época, pertencente ao município de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 1892. Faleceu em São Gonçalo, em 18 de novembro de 1958.

Adino Xavier era casado com Hilda de Morais Xavier. Com ela, teve dois filhos: Lúcia e Nelson. O segundo, oficial de alta patente na Marinha Brasileira.

Foi oficial de Registro de Imóveis (quarto e quinto distrito), no Cartório Adino Maciel Xavier. Tornou-se presidente do Rotary Club de Niterói, Presidente do PSP de São Gonçalo e candidato a deputado.

Grupo Escolar Adino Xavier, 1930.
Grupo Escolar Adino Xavier nos anos 30. Há informações que indicam que esse prédio foi demolido para a construção do atual Colégio Estadual Adino Xavier, no Mutondo.

Participação política na cidade

Advogado e influente político na cidade, onde foi tabelião por muitos anos, gozava de máxima consideração de todos. Pelos superiores atributos morais e intelectuais que o caracterizavam, sua personalidade marcante impressionava a todos.

Seus valiosos dotes de espírito fizeram-no ser lembrado pelo então governador, Ernani do Amaral Peixoto, que o nomeou ministro do Tribunal de Contas do Estado. Sua posse foi em 22 de agosto de 1952.

Como presidente da Caixa Escolar de São Gonçalo, esteve sempre presente em todas as reuniões sociais, culturais ou empreendimentos que visassem ao progresso, bem estar e grandeza da cidade e da pátria.

Em sua homenagem, foi batizado o Colégio Estadual Adino Xavier, situado na Travessa Adélia Martins, Mutondo. Em 1996, ano da publicação do “Gonçalenses Adotivos”, a escola funcionava com 4 turnos e mais de 3000 alunos, com Ensino Fundamental completo (antigo 1º grau), sendo um dos maiores do estado.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Ismael Branco: um construtor da São Gonçalo que conhecemos https://simsaogoncalo.com.br/ismael-branco-mutua-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/ismael-branco-mutua-sao-goncalo/#comments Thu, 31 Jan 2019 03:00:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6970 Se você for do Mutuá ou bairros próximos, certamente já ouviu falar da Escola Estadual ismael Branco. Pensando na curiosidade das pessoas que, como eu, não conheciam a história deste personagem gonçalense, segue o texto extraído do livro “Gonçalenses Adotivos”, agora publicado aqui, no SIM São Gonçalo. Ismael Branco – um gonçalense rio Bonitense Ismael da […]

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Se você for do Mutuá ou bairros próximos, certamente já ouviu falar da Escola Estadual ismael Branco. Pensando na curiosidade das pessoas que, como eu, não conheciam a história deste personagem gonçalense, segue o texto extraído do livro “Gonçalenses Adotivos”, agora publicado aqui, no SIM São Gonçalo.

Ismael Branco – um gonçalense rio Bonitense

Ismael da Silva Branco foi auxiliar de guarda-livros, contabilista e político. Filho de Cyrilo da Silva Branco e de Maria Pereira Branco, nasceu em Rio Bonito, em 14 de agosto de 1890. Faleceu em 7 de outubro de 1960, em São Gonçalo.

Casado com Alice de Souza, teve como filhos: o médico Amilse Ismael Branco, o advogado Euler Ismael Branco, a perita-contadora Ilcéa Branco Nanci, contador Hélio Ismael Branco, secretária Maria Alice Branco Braga, e as professoras Elce Branco de Oliveira e Leda Branco.

Ismael estudou as primeiras letras em casa com os pais. O curso primário foi em Rio Bonito. Após, concluiu o curso técnico em contabilidade na Academia Fluminense de Comércio, no Jardim de São João, em Niterói, que na época ainda era capital do Rio de Janeiro.

Aos 15 anos, preocupado em continuar seus estudos, resolveu morar em São Gonçalo. Ocupou cargo público na Prefeitura de São Gonçalo. Mais tarde, abandonou o seu emprego, dizendo que preferia lutar de forma independente, pois tinha um ideal maior em sua vida.

Iniciando sua vida, ainda jovem, dedicou-se à contabilidade, como guarda-livros. Depois, tornou-se auxiliar, trabalhando na fábrica de chumbo outrora existente no Barreto. Nela, foi eficiente colaborador, adquirindo neste local amigos e sendo muito estimado por todos.

Não satisfeito com a condição de auxiliar de guarda-livros, continuou estudando com sacrifício. Conseguiu diplomar-se em técnico de contabilidade, pela Academia Fluminense de Comércio. Nesta época, já estava casado e com sete (7) filhos.

Vida política

Ismael Branco teve intensa atividade em prol da comunidade. Foi vereador em São Gonçalo por duas (2) legislaturas, exercendo o cargo de vereador em caráter gratuito. Foi diretor (secretário) de Fazenda na prefeitura de São Gonçalo. Fundou o Tamoio Futebol Clube, sendo o seu primeiro presidente em 1918. Fundou também a Praça 5 de julho, atual Estephânia de Carvalho (também conhecida como pracinha do Zé Garoto).

Ismael Branco foi fundador do Hospital Luiz Palmier (ocupando todos os cargos administrativos por mais de 15 anos gratuitamente), participando também da fundação do Centro de Puericultura e de sociedades culturais e literárias do Município de São Gonçalo. Legou o seu nome às iniciativas mais beneméritas e filantrópicas de 1920 a 1950, contribuindo ao máximo para o progresso de São Gonçalo.

O batismo da escola no Mutuá

Em reconhecimento público pelo legado deixado por Ismael Branco à sua gente, o então deputado Aécio Nanci, propôs conferir ao Grupo Escolar do Mutuá, hoje Escola Estadual, o nome de Ismael Branco. A iniciativa teve o apoio dos deputados gonçalenses: Hamilton Xavier, Zeir Porto, Walter Orlandino e Flávio Monteiro de Barros. As obras foram iniciadas no governo Miguel Couto Filho (1954 – 1958) e terminadas na administração de Paulo Francisco Torres (1964 – 1966).

Na época da publicação deste livro (1996), a Escola Estadual Ismael Branco, situada na Rua Lengruber, Mutuá, funcionava em três turnos, com mais de 1000 alunos, cursando da primeira à oitava séries.

Observação: O texto sobre este personagem da história gonçalense foi extraído da biografia feita pela contadora e filha de Ismael Branco, Ilcéa Branco Nanci.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Ovelha desgarrada: a menina do Mutuá https://simsaogoncalo.com.br/ovelha-desgarrada-menina-mutua/ https://simsaogoncalo.com.br/ovelha-desgarrada-menina-mutua/#respond Thu, 26 Oct 2017 15:48:35 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5455 – Você está bem? Óbvio que ela não estava. Os cabelos cortados à máquina, rente ao couro cabeludo, deixavam entrever algumas cicatrizes, novas e antigas. Olheiras profundas deixavam o azul de seus olhos opaco, como a pintura de um Corcel II estacionado há décadas na Av. 18 do Forte. Uma calça de moletom escondia uma […]

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– Você está bem?

Óbvio que ela não estava. Os cabelos cortados à máquina, rente ao couro cabeludo, deixavam entrever algumas cicatrizes, novas e antigas. Olheiras profundas deixavam o azul de seus olhos opaco, como a pintura de um Corcel II estacionado há décadas na Av. 18 do Forte. Uma calça de moletom escondia uma provável magreza – logo Elaine, cujas formas sempre causaram inveja a todas nós – e um casaco que eu nunca tinha visto (e que já vivera dias melhores) se jogava por cima de uma camisa velha de futebol. Não dava nem pra saber se era um garoto ou uma garota.

– Estou indo… E o pessoal do Santa Mônica?

– Vão bem… Todos perguntam por você. – mentira, ninguém queria saber dela, só eu. Nem o Tiago queria ouvir falar no nome de Elaine (“Pára de falar nessa menina, ela escolheu o caminho dela e eu não quero minha namorada envolvida com esse tipo de gente”), em menos de um ano parecia que ela deixara de existir nas vidas de todos. Menos na minha.

Estudamos juntas desde o jardim. Era a minha melhor amiga, das panelinhas de plástico a confidências da puberdade. “A gente vai ser amigas para sempre, não vai?”, dizia Elaine antes das fotos abraçadas ou depois de corações partidos. Ninguém sabia os segredos que Elaine chorava em silêncio, ninguém via as marcas de cinto e mãos na sua carne branca. Nem eu.

Elaine tentava comer o copão de açaí que eu levara com alguma dignidade, mas a fome é um algoz espaçoso e desesperado. Não devia comer há dias. Tomei coragem e perguntei:

– Você volta?

– Não sei. Meu dente está sujo? – e sorriu, mostrando os dentes pretos em mais uma brincadeira antiga, só nossa. Ri também.

– Sua porca! E esse cachorrinho fofo?

– É o Bob. Coloquei essa correia velha pra servir de coleira e agora ele é meu. Não é, Bob? Não é? – o filhote de vira-lata se tremia todo de felicidade.

– É uma graça… Você está morando onde?

Pela primeira vez o semblante de Elaine se ensombreceu, e eu vi que havia feito a pergunta errada. A gente se encontrava uma vez na semana ali, na esquina da antiga escola (não do Santa Mônica, onde ninguém queria ser amigo de uma drogada refugiada do próprio lar). Eu levava açaí, algum dinheiro e um livro, mas havia perguntas que não podiam ser feitas. Sobre a droga, sobre o motivo da fuga, sobre a vida de agora.

Após um desconfortável silêncio, ela murmurou “acho melhor você ir andando. Tia Geiza deve estar preocupada”.

– Semana que vem então?

– Semana que vem, amiga. – e nos abraçamos. Tomei coragem e sussurrei em seu ouvido: “Amigas para sempre, lembra?”, apenas para abreviar o abraço e ver Elaine passar as costas da mão suja nos olhos.

Foi a última vez que vi minha melhor amiga. Toda semana apareço na mesma esquina, e levo o Harry Potter que ela havia me pedido.

Para sempre.

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