Comportamento Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/category/comportamento/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Sat, 22 Mar 2025 23:35:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Comportamento Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/category/comportamento/ 32 32 147981209 Quando o “novo normal” chegará em São Gonçalo? https://simsaogoncalo.com.br/novo-normal-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/novo-normal-sao-goncalo/#comments Mon, 22 Jun 2020 21:57:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7871 A expressão “novo normal” se tornou habitual para descrever o que será o mundo pós Covid-19. Mas, que mundo é esse? Com uma população heterogênea como a nossa, achar que tudo irá mudar igualmente para os nossos mais de 1 milhão de habitantes seria uma ingenuidade. Quando a quarentena começou, surgiram vários questionamentos, como: Quem […]

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A expressão “novo normal” se tornou habitual para descrever o que será o mundo pós Covid-19. Mas, que mundo é esse? Com uma população heterogênea como a nossa, achar que tudo irá mudar igualmente para os nossos mais de 1 milhão de habitantes seria uma ingenuidade.

Quando a quarentena começou, surgiram vários questionamentos, como:

Diante de tudo isso, esse novo normal é pra quem?

Por aqui, enquanto a parte mais abastada da cidade tem uma rede de serviços de entrega precária e possibilidade limitada de fazer pedidos pela internet, aqueles com menor poder financeiro sequer sabem o que é isso.

A primeira onda da pandemia no RJ parece estar arrefecendo. Ainda sim, ela deixa as nossas vísceras sociais abertas. As desigualdades regionais moram nos detalhes. E essa lista de perguntas e suas respostas pouco agradáveis parecem nos mostrar alguns indicativos de para onde nossa sociedade irá a curto prazo, caso tudo se mantenha como está.

E nem falei sobre o comportamento negacionista de algumas pessoas, não usando máscaras em locais públicos e lotando casas de show e restaurantes. Vamos fingir que foram apenas “descuidos” momentâneos.

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Morar em São Gonçalo ainda é um desejo para muitos brasileiros https://simsaogoncalo.com.br/morar-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/morar-em-sao-goncalo/#comments Mon, 01 Jun 2020 23:24:06 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7805 Em meio à crise do COVID-19, morar em São Gonçalo é uma boa opção para muitos brasileiros. E tive mais uma prova essa semana, quando recebi (mais) uma mensagem de pessoas pensando em arriscar a vida aqui. Durante todo o século XX, a população da cidade cresceu rapidamente. Tempos de indústrias e capital nacional como […]

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Em meio à crise do COVID-19, morar em São Gonçalo é uma boa opção para muitos brasileiros. E tive mais uma prova essa semana, quando recebi (mais) uma mensagem de pessoas pensando em arriscar a vida aqui.

Durante todo o século XX, a população da cidade cresceu rapidamente. Tempos de indústrias e capital nacional como nossa vizinha. Mas há tempos que essa realidade mudou. Ainda sim, carregamos conosco o DDD 021 e a companhia da, agora, ex-cidade olímpica. O que aos olhos do país, pode significar muito.

Dessa vez, a pessoa que entrou em contato mora em Pernambuco. Contou que uma parente muito próxima tinha vindo para cá. E agora, ela estava avaliando a própria vinda com a família completa para “arriscar uma nova vida”. Me perguntou sobre alguns bairros e, principalmente, se havia oferta de empregos por aqui.

Fui sincero, porém, cauteloso. Disse que, em tempos de Covid-19, muitas pessoas tinham perdido seus trabalhos, sem contar as já desempregadas. E que é difícil saber o que acontecerá nos próximos meses. Logo, seria bom pensar bastante antes de rumar ao incerto.

A experiência de morar em São Gonçalo é diferente para cada um

Depois disso, fiquei pensando o quão é desconfortável dizer à uma pessoa o que é ruim ou bom, tendo em vista as disparidades brasileiras. Não conheço a realidade dela. Afinal, em algumas partes da cidade, o nível de vida é muito melhor que em boa parte do Brasil, com água potável, luz, internet rápida e serviços próximos.

Generalizar que São Gonçalo é ruim sem saber essas realidades externas seria imprudente. E essa conversa ainda me acendeu outra luz: mesmo em decadência, ainda há pessoas migrando para cá, desejando morar em São Gonçalo.

Sinto falta de ter uma pesquisa local mapeando esse público migrante. Mas não é a primeira vez que escuto essa história. Das outras que ouvi, as pessoas vinham, particularmente, das regiões nordeste e norte. Ambas pobres quando comparadas ao Sudeste, onde estamos.

Isso pode ser um indicativo para compreender melhor para onde a cidade está indo. Qual será o perfil demográfico em 10 anos? Onde será necessário investir?

Exportamos muitos cérebros. São diversos os talentos que migram para o Rio, São Paulo, Brasilia e para o exterior. Nossa população mudou e continua mudando constantemente. Quanto mais enxergarmos e compreendermos as pessoas, melhores os serviços – públicos e privados – poderão ser desenvolvidos e aprimorados por aqui.

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Radar de velocidade desligado não significa mais segurança https://simsaogoncalo.com.br/radar-desligado-nao-significa-seguranca/ https://simsaogoncalo.com.br/radar-desligado-nao-significa-seguranca/#comments Sat, 31 Aug 2019 00:45:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7465 Radar de velocidade é um inimigo do cidadão-motorista. A “indústria da multa” não ganhou esse nome à toa. Sou motorista há uns 15 anos e já ganhei algumas multas nesse período. Ainda sim, sou pedestre há muito mais tempo. Sei bem a diferença que faz ter um “pardalzinho” à vista quando se atravessa com uma […]

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Radar de velocidade é um inimigo do cidadão-motorista. A “indústria da multa” não ganhou esse nome à toa. Sou motorista há uns 15 anos e já ganhei algumas multas nesse período. Ainda sim, sou pedestre há muito mais tempo. Sei bem a diferença que faz ter um “pardalzinho” à vista quando se atravessa com uma criança no sinal. Em rodovias como as RJ 104 e 106, com tanta gente morando ao redor e sem tantas passarelas assim, fica a pergunta: não era melhor ter aumentado o nível de velocidade ao invés de eliminar o radar?

Aumento de velocidade no radar resolveria

Passo nas RJs com alguma frequência. Entendo bem esse dilema entre passar em determinados pontos com receio de ter uma arma apontada ou de ganhar uma multa por excesso de velocidade. Mas vejo também que os radares são instrumentos para fazer com que maus motoristas “segurem” o pé no pedal.

A pista com velocidade máxima de 50 ou 60km/h realmente deixa o motorista vulnerável. Porém, não ter limite deixa pedestres na beira da via e outros motoristas vulneráveis aos irresponsáveis que põem 130km/h sem dó nessas vias cheias de curvas e buracos.

Penso que o melhor seria aumentar o limite de velocidade. Algo como 90km ou qualquer outra velocidade previamente estudada para os trechos, ajudaria um lado sem prejudica o outro. Motoristas e pedestres.

Sem radar de velocidade, sem passarela e sem asfalto

A última mudança que as RJs viram, já tem mais de 12 anos. Foi no governo Rosinha Garotinho. De lá para cá, as vias não tiveram nenhuma grande mudança. A RJ 104 então, cujo pedaço mais famoso é o viaduto de Alcântara, tem trechos que a gente sente pena do veículo e, naturalmente, do nosso bolso. O que nos faz lembrar que, mesmo sem radar, não dá para andar muito rápido sem arriscar danificar o próprio carro.

Outro problema corrente é falta de passarelas. Há pontos da pista onde as pessoas, tradicionalmente, passam. Logo, porque não ampliar o número das travessias sobre a pista? Provavelmente, o valor de uma passarela é mais barato que o serviço de socorro e internação de um pedestre acidentado por dias no hospital.

Os problemas de segurança existem e ninguém está negando isso. Mas há tantos outros fatores de insegurança na via, que a tendência é que os problemas se somem e não sumam. A bandidagem sempre vai criar uma saída nova para continuar assaltando. Estejamos nós passando a 60 ou 120km/h.

Lembrando sempre que nosso problema de segurança se resolve com estratégias de segurança pública, não com questões de trânsito. E as pessoas que moram na região, pegando ônibus ou andando a pé, continuarão sofrendo com os mesmos problemas. Essas não tem como correr.

 

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Desemprego entre jovens em São Gonçalo ajuda a explicar a crescente violência https://simsaogoncalo.com.br/desemprego-entre-jovens-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/desemprego-entre-jovens-em-sao-goncalo/#comments Mon, 09 Jul 2018 18:29:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6701 Nessa segunda semana de julho de 2018, a coluna do Ancelmo Gois, no O GLOBO, deu destaque à pesquisa realizada pela BEM TV Educação e Comunicação. Segundo os dados levantados, o desemprego entre jovens é de 34,7% em São Goncalo. É um terço da mão de obra até 29 anos parada. Simplesmente não trabalham. A matéria […]

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Nessa segunda semana de julho de 2018, a coluna do Ancelmo Gois, no O GLOBO, deu destaque à pesquisa realizada pela BEM TV Educação e Comunicação. Segundo os dados levantados, o desemprego entre jovens é de 34,7% em São Goncalo. É um terço da mão de obra até 29 anos parada. Simplesmente não trabalham.

A matéria tem um tom calamitoso. Ela compara nossa situação a países como o Haiti, um dos mais miseráveis das Américas, e Síria, que ainda está na saindo de uma dolorosa guerra interna. E apesar de nosso dia a dia não ser, nem de perto, comparável a esses países, é preciso olhar esses dados com atenção. Afinal, eles revelam algo que percebemos com clareza: o aumento da violência nos últimos 8 anos.

Desemprego entre jovens gonçalenses

Taxa de jovens desempregados em São Gonçalo ajuda a compreender aumento da violência

O marco que sempre faço questão de pontuar é a invasão do Complexo do Alemão, em 2010. A partir daquele evento, as redes criminosas se movimentaram em todo o Rio de Janeiro.

É perceptível que São Gonçalo entrou na rota de distribuição de drogas com mais intensidade nessa década. Especialmente na distribuição, com carregamentos que entram via Baía de Guanabara, na região do Salgueiro. A ponte criada pelo Comperj/Petrobras sobre o rio Alcântara teve sua utilização reinventada. E a infraestrutura trazida pelo setor privado fez crescer o crime no Leste Fluminense.

São Gonçalo tem características particularmente interessantes para o tráfico de drogas fluminense. Fica ao lado de Niterói, cidade com maior proporção de ricos no país, além de ser caminho para um dos maiores pólos turísticos do estado: a região dos Lagos. Essas características geográficas combinadas com desemprego entre jovens, que estão sem perspectiva e ansiosos para ter tudo que vêem na televisão, no Youtube, na internet, tornam nossa cidade o lugar perfeito para ter mão de obra barata e descartável para o crime.

Mas São Gonçalo inteira é assim?

Não. E a prova é o Mapa das Barricadas, que ilustra bem a ausência do estado nas regiões.

Na próxima década, nossa população tende a aumentar ainda mais, tornando-se ainda mais complexa. E acredite, com a chegada de mais armas e políticos oriundos de milícias, tráfico ou associação com o tráfico (principalmente), vamos lembrar com saudades da São Gonçalo dos anos 2000.

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São Gonçalo tem jeito? Depende de quem a vê https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-tem-jeito-depende/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-tem-jeito-depende/#comments Mon, 04 Jun 2018 14:15:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6613 O Brasil é um país com três capitais distintas. São Paulo, a financeira. Brasília, a administrativa. E o Rio de Janeiro, a cultural. São Gonçalo, bem como todas as outras cidades ao redor da Baía de Guanabara, sofre dessa dualidade de efeitos benéficos e maléficos pela proximidade com a polêmica capital fluminense. Diferente das cidades da […]

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O Brasil é um país com três capitais distintas. São Paulo, a financeira. Brasília, a administrativa. E o Rio de Janeiro, a cultural. São Gonçalo, bem como todas as outras cidades ao redor da Baía de Guanabara, sofre dessa dualidade de efeitos benéficos e maléficos pela proximidade com a polêmica capital fluminense.

Diferente das cidades da baixada, pouco desenvolvidas há uns 100 anos atrás, São Gonçalo era o oposto. A tal “Manchester Fluminense” se desenvolveu e caiu na mesma velocidade. Por este motivo, é possível afirmar que vivemos a decadência, enquanto a baixada a ascendência. Sendo que, atualmente, nem no mesmo nível estamos mais, visto que eles tendem a crescer ainda mais regionalmente.

E numa trajetória descendente, o que nos faria encontrar novamente o caminho de um desenvolvimento relevante e sustentável?

O que faria essa cidade ter jeito?

A resposta é uma só: pessoas. Especialmente aquelas que São Gonçalo expulsa de si.

Longe de mim acreditar que a cidade faz isso de propósito. Não faz! Pelo contrário. Nos momentos mais dolorosos, é o primeiro refúgio de todos os “expatriados” desse nosso país.

É consenso entre muitas pessoas que já foram da cidade que, por mais problemas que tenhamos, as boas memórias são as que ficam. E a cada vez que rodamos o mundo, são as mesmas lembranças que nos fazem a olhar para este território ao lado Leste da Baía de Guanabara com esperança.

Porém, há um outro tipo de pessoa que impede que novas visões de mundo cheguem até aqui. São os “nacionalistas”. Eles acreditam que toda a solução de São Gonçalo mora nela. Alguns até dizem inspirar-se em paulistas e cariocas para pensar assim.

Porém, o exemplo principal das duas maiores cidades brasileiras é completamente diferente: enquanto elas atraem os cérebros e mão de obra qualificada, os nacionalistas gonçalenses, os repelem. Até o atual prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, é gonçalense.

Estamos tão perto do maior cartão postal da América Latina, próximos ao Galeão que nos conecta a diversos aeroportos com vôos diretos para diversos pontos do mundo, mas quando cruzamos o Rio Bomba, parece que nada mudou.

Ainda sim, São Gonçalo tem jeito?

Se começarmos a entender nossas potencialidades, fazendo parcerias com todos os territórios ao redor, rechaçando esse bairrismo triste das mentes sem futuro, talvez tenhamos jeito sim.

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Roubo de cargas de caminhão tombado no Laranjal revela quem somos https://simsaogoncalo.com.br/roubo-de-cargas-caminhao-tombado/ https://simsaogoncalo.com.br/roubo-de-cargas-caminhao-tombado/#respond Wed, 07 Mar 2018 16:09:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6416 Um caminhão tomba na RJ-104. Ali, na altura do Laranjal. O motorista que passa na pista oposta, se entristece com o que vê. Não é o carro dos bombeiros, nem da polícia, que aparece no local primeiro. Quem estão ali são populares, que na primeira oportunidade tornaram-se ladrões, praticando o mesmo roubo de cargas que os […]

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Um caminhão tomba na RJ-104. Ali, na altura do Laranjal. O motorista que passa na pista oposta, se entristece com o que vê. Não é o carro dos bombeiros, nem da polícia, que aparece no local primeiro. Quem estão ali são populares, que na primeira oportunidade tornaram-se ladrões, praticando o mesmo roubo de cargas que os marginais armados praticam todos os dias no Rio de Janeiro.

No passado, com um histórico de miséria e esquecimento, o Brasil se habituou a ver saques de caminhões tombados como o desespero de um povo que precisava comer. Mas nos últimos 20 anos, muita coisa mudou. Com programas sociais, melhora da renda, maior acesso à comida, questionamos: por que hoje, em 2018, ainda há quem ache isso normal?

Na foto, é possível ver dois homens bem cuidados e vestidos, carregando seus caixotes recém furtados. E tudo isso, como se fosse a coisa mais normal do mundo saquear um caminhão.

Arrastão na RJ-104 em São Gonçalo
EFEITOS DA SENSAÇÃO DE “TERRA SEM LEI”: na mesma estrada onde o caminhão foi saqueado há poucos dias, na RJ-104, criminosos promovem arrastões. Coincidência? Foto: SBT RIO

Roubo de cargas, com ou sem armas, legitimam um lugar como perigoso

Saquear um caminhão, por muitos, ainda é visto como algo ingênuo. Até cultural. Mas esses delitos, quando somados a outros, como jogar lixo na rua, quebrar patrimônio público e avançar sinal de trânsito, dão a sensação de “terra de ninguém” que tanto reclamamos por aqui.

E se tem gente que se sente mal vivendo em ambientes assim, o contrário também acontece. Assaltantes e traficantes são exemplo disso. A sensação de insegurança do lugar favorece suas atividades criminosas.

O caso dos Correios em São Gonçalo

Algumas vezes reclamamos sobre diversos pontos da cidade serem considerados “áreas de risco” pelos Correios. Mas alguns dados alarmantes chamam a atenção. Só aqui, em São Gonçalo, o roubo a pequenos veículos dos Correios, aqueles que fazem entregas nas casas, tiveram crescimento de 90% nos primeiros meses de 2018 (Jornal Hoje/Rede Globo).

Roubo de Cargas em São Gonçalo
O roubo de cargas em pequenos veículos dos Correios cresceu cerca de 90% nos primeiros meses de 2018 em Såo Gonçalo. Imagem: Jornal Hoje/Rede Globo

Este ano, a conta chegou: encomendas enviadas pelos Correios sofreram aumento de 8% no preço total das entregas feitas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Só em 2017, tivemos uma média de 6 veículos dos correios roubados por dia no Estado do Rio de Janeiro.

Saques de caminhões tombados e compra de produtos roubados estão no mesmo saco das coisas que, se a população não fizesse, reduziria bastante o número de problemas que temos. Mas talvez, pedir isso seja como dizer a um viciado que ele financia o crime comprando drogas.

Em todos esses casos, o problema é o mesmo: educação, melhora da renda e das condições de vida. Apesar de termos caminhado bastante nas últimas décadas, ainda há muito o que fazer.

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São Gonçalo não é comunidade: morro vs. asfalto não funciona por aqui https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-nao-e-comunidade/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-nao-e-comunidade/#comments Mon, 30 Oct 2017 12:52:07 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5633 ​ Mais uma vez, em setembro de 2017, a Riotur apaga as favelas do mapa. A medida do órgão responsável pelo marketing da cidade do Rio visa esconder nossas desigualdades dos turistas, criando uma falsa sensação de segurança. Para quem é local, sabemos que segurança mesmo é conhecer bem o território. Ou estar com pessoas […]

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Mais uma vez, em setembro de 2017, a Riotur apaga as favelas do mapa. A medida do órgão responsável pelo marketing da cidade do Rio visa esconder nossas desigualdades dos turistas, criando uma falsa sensação de segurança.

Para quem é local, sabemos que segurança mesmo é conhecer bem o território. Ou estar com pessoas responsáveis que o conheçam.

O que a princípio parece bobo, na verdade tem reflexos bem maiores. Eles pegam em cheio a percepção não só das favelas, mas de todas as cidades do cinturão fluminense, aquelas que estão ao redor da Baía de Guanabara.

Vista da Ponte Rio-Niterói de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt
Vista da Ponte Rio-Niterói de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt

Municípios vizinhos da capital são “só mais uma comunidade”

Desde quando comecei a levar as questões de São Gonçalo para a capital, os encontros sempre revelaram a categoria que nos enquadram. Como estamos fora do eixo financeiro, ganhamos sempre o nome de “comunitário”. Mídia comunitária, jornalzinho comunitário, serviço comunitário, mesmo falando para a 2ª maior cidade do estado do Rio de Janeiro.

Chamar cidades com mais 500 mil, 800 mil ou 1 milhão de habitantes de “comunidade”, como é o nosso caso, além de bizarro, mostra a completa cegueira da comunicação brasileira.

Entretanto, a falta de visão vem de casa, literalmente. Afinal, boa parte de quem trabalha no ramo da comunicação mora no eixo carioca Centro–Zona Sul–Barra, de onde também é possível ver a lógica que vamos explicar a seguir.

Bairro Boa Vista em São Gonçalo fotografado atualmente em 2017.
Bairro Boa Vista em São Gonçalo fotografado atualmente em 2017. Foto: Adriana Xavier.

Morro vs. Asfalto: aqui não funciona assim

O primeiro lugar batizado como favela, segundo nossos historiadores, é onde hoje conhecemos por “Morro da Providência”. Já naquele momento, a distinção entre pobres do morro vs ricos da parte baixa, se consolidou.

Com o crescimento da então capital do Brasil, que se expandia além do Centro da cidade, novas favelas nasciam em outros morros. Enquanto isso, a classe média se estabelecia nas ruas calçadas que, posteriormente, ganharam a manta asfáltica.

Consequentemente, a oposição entre pobres vs ricos ganhou esse eufemismo de “morro vs asfalto”. Na verdade, ambos se retroalimentam, uma vez um dependem mutuamente da mão de obra barata e do dinheiro disponível.

Mas essa diferença social tão drástica tem extensão limitada. Alem do eixo Centro – Zona Sul, iremos encontrar exemplares na região da Grande Tijuca e Niterói. No restante do território da região metropolitana é mais difícil sentir essa forte segregação, uma vez que o acabamento urbano do “asfalto” é deficiente. Vide o caso de São Gonçalo.

McDonalds e Assai no Alcântara em São Gonçalo
McDonalds e Assai no Alcântara em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

São Gonçalo tem favelas, mas sem áreas ricas

Isso não quer dizer que não existam regiões mais pobres que outras no restante do território. Em São Gonçalo, diversos locais sem infraestrutura, mesmo no plano, ganharam o nome de favela. Como é o caso de alguns bairros mais novos na cidade.

Entretanto, esse confronto de classes já não consegue se justificar. Até porque, independente de onde você more, é provável que ambos tenham que sair da cidade para trabalhar, uma vez que o dinheiro não está na região.

Por conta desse cenário, vemos o ‘fenômeno’ de pobre roubando pobre ou classe média baixa.

Esse meu questionamento frequente deu origem à primeira “Pesquisa Rápida” no SIM São Gonçalo. Um jeito de comparar a opinião das pessoas de diversos cantos da cidade. A primeira pergunta era “o que diferencia uma favela de um lugar não-favela em São Gonçalo?

O resultado não teve surpresas para quem conhece a região. Entretanto, mostrou que para muitos a questão de ser favela tem mais a ver com a presença do tráfico, do que com a presença de saneamento básico e calçamento.

Ainda temos muito o que evoluir, e o que melhorar. Ainda sim, fica a análise disponível para que a dita mídia hegemônica estude um pouco mais antes de chamar tudo de favela ou comunidade, uma vez que a situação é muito mais complexa que uma simples definição.

No final, somos todos cidades fluminense.

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Rivais? Jamais! Mulheres, ondas de amor e companheirismo https://simsaogoncalo.com.br/mulheres-rivais-jamais/ https://simsaogoncalo.com.br/mulheres-rivais-jamais/#respond Fri, 20 Oct 2017 11:00:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5554 Sororidade. Uma palavra difícil de falar, de escrever e mais ainda de se praticar. Tem sua origem no latim sóror que significa “irmã”. Logo, sororidade, diz respeito ao sentimento de união, aliança e irmandade entre mulheres, baseando-se na empatia e companheirismo. Colocá-la em prática é um exercício árduo de construção e desconstrução. Ao longo dos […]

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Sororidade. Uma palavra difícil de falar, de escrever e mais ainda de se praticar. Tem sua origem no latim sóror que significa “irmã”. Logo, sororidade, diz respeito ao sentimento de união, aliança e irmandade entre mulheres, baseando-se na empatia e companheirismo. Colocá-la em prática é um exercício árduo de construção e desconstrução.

Ao longo dos séculos as mulheres foram ensinadas e incentivadas a criar sentimentos de rivalidade e oposição umas para com as outras. E essa rivalidade se mostra em diversos aspectos da vida. Essa oposição desnecessária causa uma sensação de enfrentar o mundo completamente sozinha, sem ajuda de ninguém.

Mas não precisa ser assim. Numa sociedade onde, diariamente, as mulheres sofrem opressões das mais diferentes, saber que pode confiar e contar com outra mulher acalenta a alma. É preciso parar de alimentar a hostilidade, pois ela só reforça a ideia de que existe uma luta constante e incansável que as mulheres travam umas com as outras.

Unidas podemos lutar contra a violência, as injustiças, os abusos. Unidas criaremos um mundo onde não seremos mais caladas, onde nosso valor será reconhecido e respeitado.

Algumas atitudes simples podem começar a mudar a relação das mulheres e sua relação com a sociedade, iniciando assim a criação de um mundo mais digno para todos e todas. Procurem ouvir umas às outras, mesmo sem concordar. Tentem não julgar umas às outras por uma atitude, o jeito de agir ou modo de vestir. Abram-se para conhecer outras mulheres antes de olhá-las de cima a baixo e afastá-las, assim vocês começarão a notar as pessoas incríveis que lhes rodeiam e que podem mudar seus modos de enxergar o mundo.

Essas pequenas coisas, aplicadas ao cotidiano de uma mulher, vão fazê-la enxergar a onda de amor e companheirismo que emana de um coletivo feminino.

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Os tipos mais comuns do Calçadão de Alcântara https://simsaogoncalo.com.br/os-tipos-mais-comuns-do-calcadao-de-alcantara/ https://simsaogoncalo.com.br/os-tipos-mais-comuns-do-calcadao-de-alcantara/#respond Sat, 09 Sep 2017 15:40:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5355 As mesas do shopping que substituiu a Praça Carlos Gianelli têm uma boa vista dos gonçalenses que vão e vêm pelo Calçadão de Alcântara. Circulam por lá três tipos interessantes: o camelô, o estudante e o idoso. A pele negra prevalece e a dignidade se destaca no porte de cada um. O camelô é o […]

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As mesas do shopping que substituiu a Praça Carlos Gianelli têm uma boa vista dos gonçalenses que vão e vêm pelo Calçadão de Alcântara. Circulam por lá três tipos interessantes: o camelô, o estudante e o idoso. A pele negra prevalece e a dignidade se destaca no porte de cada um.

O camelô é o mais exótico porque precisa despertar o interesse dos pedestres para lucrar. Ninguém passa pelo Calçadão indiferente à voz arrastada e potente das vendedoras de chips. Elas têm uma participação importante no faturamento das operadoras e também distribuem carinho em troca de atenção. Do grito ao sussurro, chamam o cliente mais próximo de “amor”, “amado”, “querido” e outras gentilezas.

Ouço há 28 anos que nenhum desempregado fica sem dinheiro em Alcântara. Basta pegar um isopor e vender bebidas no Calçadão. Tanta gente vende água, cerveja e guaraná natural, não raro um vendedor de frente para o outro em aberta concorrência. Passam o dia sentando e levantando do caixote de madeira para tirar bebidas do gelo, com o troco do cliente na outra mão, mantida seca para receber o pagamento.

“Pequenas rodas de conversa se espalham pelo Calçadão de Alcântara, as pessoas não estão apenas de passagem”

O futuro de São Gonçalo é o adolescente que anda de chinelo e mochila nas costas, o estudante, segundo tipo mais comum. Geralmente em dupla, tão colados que esfregam o braço no seu par a cada passo, exibem penteados, acessórios e formas de interação que ainda não chegaram aos adultos. O boné na cabeça dos meninos é quase obrigatório, nas meninas, o sorriso no rosto e a velocidade com que mudam de rumo, andando de um lado para o outro e achando graça das coisas.

As conversas se espalham no calçadão de Alcântara

A característica mais marcante dos idosos é a quantidade grande de bolsas que carregam. Ninguém faz mais compras e leva tanto peso quanto eles. Têm o passo lento, o olhar caído, cansado, mas observador. As senhoras andam bem vestidas, maquiadas e aparecem em maior número do que os homens.

Pequenas rodas de conversa se espalham pelo Calçadão. As pessoas não estão apenas de passagem. O bicicletário fica diariamente lotado. Muitos fazem negócios por lá, como trocas de produtos para festas. Por isso a Praça Carlos Gianelli, na ponta do Calçadão, teria mais utilidade do que um shopping que ocupa o espaço público e joga os pedestres para o meio da rua.

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Caiu no Face? Compartilhar notícias falsas também é crime https://simsaogoncalo.com.br/compartilhar-noticias-falsas-crime/ https://simsaogoncalo.com.br/compartilhar-noticias-falsas-crime/#respond Tue, 05 Sep 2017 12:52:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5312 ​Quando os bebês chegam ao mundo, eles vêm sem defesas. Logo nos primeiros meses de vida, tomam suas vacinas, que servirão para mantê-los imunizados nesse novo mundo cheio de doenças e problemas. Durante toda uma vida, ainda precisarão ser educados para que aprendam a conviver com seus pares. Assim são os novos usuários de internet. […]

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​Quando os bebês chegam ao mundo, eles vêm sem defesas. Logo nos primeiros meses de vida, tomam suas vacinas, que servirão para mantê-los imunizados nesse novo mundo cheio de doenças e problemas. Durante toda uma vida, ainda precisarão ser educados para que aprendam a conviver com seus pares.

Assim são os novos usuários de internet. Chegam como os bebês à rede, seu novo mundo. Por seus organismos não conhecerem as doenças, e suas mentes não saberem as regras de convivência, ficam vulneráveis à golpes, superexposições, extremismos ideológicos e, claro, às notícias falsas.

Fake News = Notícias Falsas

Os acontecimentos que “caem no feici” vão desde um cachorro 🐶 tentando passar por um portão a assassinatos. O ser humano, numa mistura de fofura e morbidez, consegue dar audiência a todos os espectros de informação.

Mas se tem algo que é facilmente compartilhável são as coisas ruins. Tiroteios, sequestros, mortes e, o mais danoso, notícias falsas sobre pessoas.

Em agosto, um morador do Gradim se viu nessa agonia de ser confundido com um bandido. Por conta de uma “brincadeira” dos amigos, teve sua foto compartilhada diversas vezes, onde dizia que ele era um assaltante.

A brincadeira de mau gosto virou caso de polícia. E o homem acusado injustamente ficou sem sair de casa por semanas, com medo de ser confundido e linchado. De tão bizarro, o fato parou na TV.

Casos como esse já aconteceram no passado. Em São Paulo, há poucos anos atras, uma mulher foi espancado e morta, por conta de ter “caído no face” como uma seqüestradora de crianças.

Link do post desagravo, feito por um amigo da vítima: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1845622025464443&id=100000499912161

Post de desagravo feito por um amigo, para desmentir o boato sobre a falsa notícia.

Pequenas páginas, grandes responsabilidades

Há muitos sites e páginas descompromissadas com a verdade. Algumas, também conhecidas como “páginas de bairro”, muita das vezes se vislumbram com a quantidade de likes e compartilhamentos. Porém, essa medição é venenosa, se aproveitando de um fato calunioso para gerar cliques.

O grande alcance pode dar sensação de poder. Mas quando isso é feito compartilhando notícias falsas, que viralizam com grande força pela internet, o retorno do ato pode ter consequências desastrosas.

O que pedimos a todos os comunicadores e a todas as pessoas é que haja maior conscientização sobre o que se publica.

A internet é relativamente nova na vida de muita gente. Entretanto, é preciso entender que a informação compartilhada se comporta da mesma forma que uma fofoca contada no “boca a boca”.

Se você ainda publica notícia falsa ou informação sem verificar a fonte, ATENÇÃO! Uma hora o prejudicado pode ser você.

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“Fica, Alessandro!” Comparando os índices de violência em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/fica-alessandro-indices-violencia-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/fica-alessandro-indices-violencia-sao-goncalo/#comments Mon, 21 Aug 2017 13:31:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5102 Embarquei no Uber, na porta de casa, em São Gonçalo. Itinerário confirmado, logo eu e o motorista demos início a uma conversa que só seria interrompida com o meu desembarque. Dentre mil assuntos, a certa altura chegamos ao inevitável: violência urbana. Alessandro, o motorista, desatou a falar. Dizia-se morador da cidade e revelou o plano […]

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Embarquei no Uber, na porta de casa, em São Gonçalo. Itinerário confirmado, logo eu e o motorista demos início a uma conversa que só seria interrompida com o meu desembarque. Dentre mil assuntos, a certa altura chegamos ao inevitável: violência urbana.

Alessandro, o motorista, desatou a falar. Dizia-se morador da cidade e revelou o plano de se mudar para Iguaba Grande tão logo conquistasse sua aposentadoria. Segundo sua avaliação, São Gonçalo se tornou um lugar perigoso demais.

Parece fazer sentido. Segundo o Atlas da Violência 2017 – estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) juntamente com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) – a cidade às margens da Baía de Guanabara ocupa a 14ª posição dentre as mais violentas do estado do Rio de Janeiro, com a marca de 40,9 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes.

Mas vejamos, Araruama e Cabo Frio ocupam respectivamente a 3ª e 4ª posições no mesmo ranking. O município de Iguaba Grande se situa entre as duas cidades da Região dos Lagos onde o número de mortes violentas não é menor que 56,1/100 mil habitantes. Bem, até que se prove o contrário, 56,1 é mais do que 40,9. Não me parece exatamente seguro se mudar pra esses arredores…

Tarcísio Bueno – Escola e Patrono
Paraíso – São Gonçalo-RJ

São Gonçalo é tão violenta assim?

Segundo o relatório “Os jovens do Brasil” (2014), que integra a série de estudos “Mapa da violência”, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, de 2002 a 2012 o estado do Rio de janeiro respondeu por quase 69 mil homicídios dos quais a capital contribuiu com nada menos que 38% da cifra, isto é, mais de 26 mil mortes, números de guerra. Não bastasse isso, a cidade do Rio se apresenta recorrentemente como cenário de chacinas de enorme repercussão, reafirmando sua história de violência estrutural. A depender do ponto de vista, a ‘cidade maravilhosa’ pode ser facilmente convertida em Hell de Janeiro. E aviso aos navegantes: cor da pele, endereço e saldo bancário são aspectos determinantes de qual dessas duas cidades será servida aos moradores e visitantes.

Vizinha da capital, o 1° IDHM do estado e o 7° do país não impedem Niterói de patinar na marca de 35,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. De acordo com a metodologia do Atlas, é a 17ª cidade a ilustrar o ranqueamento fluminense. Em comparação com São Gonçalo, a renda da população economicamente ativa na terra de Araribóia é superior em mais de 50%, revelam dados do IBGE.

Não obstante, foi necessário que o índice geral de crimes de São Gonçalo crescesse 106%, entre 2003 e 2016, para que viesse a superar – por diferença mínima – a cifra niteroiense: 4.626 versus 4.592 registros de ocorrência por fração de 100 mil habitantes, respectivamente, atribuídos ao último ano de referência, conforme apuração do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Fonte de tais resultados, Niterói era o destino da corrida de Uber à qual déramos início em São Gonçalo, mas o Alessandro não tem medo de transitar pela ‘cidade sorriso’. Porque será?

Com exceção de São Gonçalo, todas as cidades citadas têm em comum o fato de serem turisticamente ativas. São ofertadas ao público consumidor como territórios legítimos, dignos de se ‘aproveitar a vida’. Isso acaba colaborando, em alguma medida, para que São Gonçalo seja assimilado como território periférico suburbanizado, inclusive pela população local. Uma ‘zona lost’, deserto de expectativas.

Só faltou combinar isso com os institutos de pesquisa em segurança pública. Afinal, as estatísticas sobre violência urbana no estado não confirmam as fraudes projetadas nos gabinetes de marketing turístico.

Fica, Alessandro!

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Filho da desembargadora pego com 129kg de maconha e o Morro da Dita https://simsaogoncalo.com.br/filho-desembargadora-pego-maconha-morro-da-dita/ https://simsaogoncalo.com.br/filho-desembargadora-pego-maconha-morro-da-dita/#respond Mon, 24 Jul 2017 21:06:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4855 No dia 21 de julho, o filho de uma desembargadora do Mato Grosso do Sul deixou o presídio. Pego com 129 quilos de maconha e 270 munições, o filhinho desta senhora, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do estado, escapou. Foi transferido para uma clínica psiquiátrica para reabilitação. Problemas mentais? Bem… maluquice mesmo seria alguém acreditar […]

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No dia 21 de julho, o filho de uma desembargadora do Mato Grosso do Sul deixou o presídio. Pego com 129 quilos de maconha e 270 munições, o filhinho desta senhora, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do estado, escapou. Foi transferido para uma clínica psiquiátrica para reabilitação. Problemas mentais? Bem… maluquice mesmo seria alguém acreditar que ele fumaria esses 129kg de erva sozinho.

Enquanto isso, no Morro da Dita, facções se matam para ter o controle de um ponto de drogas que, possivelmente, poderia vender toda essa maconha em São Gonçalo.

Breno Fernando Solon Borges, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargadora Tânia Garcia Freitas, liberado para ser "tratado" depois de ser preso com 129 quilos de maconha e 270 munições.
Breno Fernando Solon Borges, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargadora Tânia Garcia Freitas, liberado para ser “tratado” depois de ser preso com 129 quilos de maconha e 270 munições. Fonte: Juliene Katayama, G1 MS.

O filho da desembargadora não é filho de qualquer um

Ainda persistimos em olhar algumas pessoas como melhores que outras. E antes que você tenda a repetir que “só no Brasil acontecem essas coisas”, preciso lhe dizer que esse fenômeno é mundial.

A guerra às drogas fomenta o uso contínuo de armamentos pelos traficantes, sendo responsáveis por boa parte das mortes por armas de fogo no Brasil.

Mas enquanto parentes de pessoas ligadas à justiça e à política não forem tratados como os traficantes do Morro da Dita, continuaremos enxugando gelo, deixando que todas as drogas cheguem facilmente aqui.

E na hora de mostrar serviço, prenderemos apenas os moleques pobres, ao invés dos vagabundos ricos. Afinal, se a lei é a mesma, a cadeia deve ser para todos. Sem distinção.

Não prender um marginal graúdo é burrice. Ou mau-caratismo mesmo.

Homicídio no Jockey, região do Morro da Dita. Foto: Foto: Julio Diniz / O São Gonçalo
Homicídio no Jockey, região do Morro da Dita. Foto: Foto: Julio Diniz / O São Gonçalo

O Morro da Dita seria assim se a guerra às drogas fosse cessada ou se o estado prendesse na fonte?

Suponho que não.

Em geral, as pessoas tendem a querer tomar partido por um caminho solucionador de todos os problemas. É legítimo. Mas nem sempre é o ideal.

Este post, entretanto, não é para discutirmos sobre a liberação ou não das drogas. E sim para que fique claro e registrado como as pessoas podem ser tratadas como lixo ou coitadinhos, dependendo de suas origens.

Tendo a acreditar que qualquer solução punitiva sempre será mais benevolente com aqueles que sempre tiveram privilégios no Brasil. A Operação Lava-Jato está deixando claro que, mesmo presos, os bandidos ricos ficam nas melhores cadeias e com as celas mais que especiais.

Por isso, fica o alerta: lembre sempre de casos como esse. E da próxima vez que protestar, faça pressão para que esses grandes traficantes ricos sejam presos e expurgados. Enquanto eles estiverem na ativa, lá no Morro da Dita e em qualquer outra favela do Brasil, continuaremos enxugando gelo.

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Não queremos novos políticos, precisamos de novos eleitores https://simsaogoncalo.com.br/nao-queremos-novos-politicos-precisamos-de-novos-eleitores/ https://simsaogoncalo.com.br/nao-queremos-novos-politicos-precisamos-de-novos-eleitores/#respond Wed, 12 Jul 2017 15:28:22 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4813 Economia e política sempre estiveram coladas no Brasil. E em São Gonçalo, não é diferente. Quando a economia está boa ou ruim, nossa tendência é culpar ou dar créditos aos políticos pela eficiência ou não do Estado. Para a nossa atual realidade, nada fora do normal. Num país onde tudo gira em torno do estado, […]

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Economia e política sempre estiveram coladas no Brasil. E em São Gonçalo, não é diferente. Quando a economia está boa ou ruim, nossa tendência é culpar ou dar créditos aos políticos pela eficiência ou não do Estado.

Para a nossa atual realidade, nada fora do normal. Num país onde tudo gira em torno do estado, nem as ótimas aposentadorias ou crescimento de grandes empresas escapam da intervenção estatal.

2017, um ano de mudanças silenciosas

Depois do tsunami de junho de 2013, todo o barulho causado pela onda de mudanças se esvaiu. A real é que as pessoas cansaram. Afinal, depois de tantas catarses coletivas, é preciso voltar o olhar para nossas próprias vidas.

Entretanto, esse ano corrente está sendo um período de surpresas.

Com reforma trabalhista em curso de aprovação, mudanças nas políticas do BNDES – com revisão do apoio irrestrito às grandes empresas – retorno do Comperj, crescimento dos empreendedores por necessidade e dos pequenos negócios, o perfil das cidades médias brasileiras tende a se alterar.

E, consequentemente, dos eleitores também.

Nova política não existe

Muito provavelmente, você que está lendo deve achar que esse papo da “nova política” está gasto. E é verdade, está.

O jeito de fazer política nunca mudará. O ser humano só faz o que é bom para si próprio. Até mesmo quem se doa para trabalhar para os outros, só o faz porque sente prazer nisso.

Tenho a impressão de que o comportamento do consumidor atual, que deseja saber mais sobre o produto, cobrando mais qualidade e com mais valores comparativos, esteja se refletindo no eleitor.

Os novos eleitores estão chegando e serão obrigados a tomar uma decisão

Os novos eleitores ainda anulam seus votos. Olham tudo com desconfiança e acham que não precisam do estado para nada.

Outra parte deles, por desconhecimento, diz acreditar em ideologias ditas de “esquerda” ou “direita”. Na verdade, boa parte deles não sabe muito o que isso significa.

Alguns acreditam em candidatos que sempre viveram às custas das forças armadas ou do estado falando que são direita. Outros acreditam em candidatos populistas de esquerda que beneficiam desproporcionalmente grandes empresas do “livre mercado”.

Porém, com leis trabalhistas diferentes, escassez do emprego formal, “Pejotização”, estado com menos dinheiro e empreendedorismo tornando-se porta de saída, rarefação dos concursos públicos e aumento nos contratos CLT com o estado (olha as OS), eles terão de tomar uma decisão.

E não vai restar espaço para a omissão.

Muitos dos novos eleitores ainda estão na faculdade e ensino médio. Outros já estão trabalhando ou tentando trabalhar. Alguns ainda não tem filhos. Outros já tem 1 ou 2 crianças para alimentar.

Não é difícil encontrá-los. Só não é fácil reuni-los.

Eles não precisam de uma nova política. Aliás, eles sabem fazer política como poucos. Também não precisam ser políticos. Só precisam se encontrar para verem que o assistencialismo que mantém os votos dos políticos de sempre pode ser quebrado.

Os novos eleitores ainda não estão prontos. É um processo. Eles mal sentiram os efeitos desse 2017 sobre suas vidas. Mas acredite, nada será como antes.

Foto de capa: Fernando Bittencourt

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Dicas de imagem para pessoas públicas que recebem salário do governo https://simsaogoncalo.com.br/dicas-imagem-pessoas-publicas-salario-governo/ https://simsaogoncalo.com.br/dicas-imagem-pessoas-publicas-salario-governo/#respond Thu, 22 Jun 2017 03:55:09 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4705 Se expor nas redes sociais é algo corriqueiro hoje em dia. Entretanto, é preciso entender como aparecer se você é uma pessoa pública. Políticos e políticas da cidade (e região), este post é para vocês. Levem-no como uma consultoria de imagem gratuita. Isso se vocês quiserem algo a mais que uma cadeirinha de vereador ou […]

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Se expor nas redes sociais é algo corriqueiro hoje em dia. Entretanto, é preciso entender como aparecer se você é uma pessoa pública.

Políticos e políticas da cidade (e região), este post é para vocês. Levem-no como uma consultoria de imagem gratuita. Isso se vocês quiserem algo a mais que uma cadeirinha de vereador ou um cargo nas secretarias, é claro.

Se sua intenção for apenas manter seu emprego público temporário, desconsidere. Até mais!

Mas se você deseja prosseguir com a sua “vida pública” de forma coerente com a realidade brasileira, continue aqui.

Mapeando comportamentos na internet

A coisa mais valiosa na internet são os dados. E como vimos no fenômeno estadunidense Trump, essas análises de dados podem levar a decisões estratégicas que auxiliam na vitória de uma eleição.

Para você que é leigo no assunto, saiba que todas as suas informações fazem parte de um grande bolo de dados que serve para duas coisas: gerar compras e votos.

Sabendo disso, seria prudente pensar 70 vezes antes de publicar qualquer coisa na web.

Porém, os robôs da internet só querem saber suas preferências pessoais. Já as pessoas reais… essas querem saber o que você está fazendo.

E se você for uma pessoa pública que recebe salário do município… é possível que quem banca com impostos uma situação de vida, não fique muito contente em ver e não compartilhar daquilo.

Em suma: se você se dispõe a ser uma pessoa pública, precisa pensar 70 vezes 7.

Mas, será por quê?

Riqueza vs Pobreza brasileira

Não sei se vocês sabem, mas 46% dos brasileiros têm renda familiar de até R$1.356. Na prática, pouco mais de 1 salário mínimo. A faixa de renda seguinte não vai muito além. Somando, são cerca de 66% das famílias brasileiras ganhando até 2.034 reais.

Índice de Renda no Brasil segundo o Datafoha/2013.
Fonte: Datafolha/2013. Obs.: A soma não chega a 100%, pois parte dos entrevistados se nega a declarar a renda.

Agora veja: como lidar com a situação de ver vereadores ganhando 15.000 reais, fazendo parte dos 1% mais ricos do Brasil? E os secretários e subsecretários? Como saber que estes estão na faixa dos 4% mais ricos, sendo que esta é bancada pelo erário do município nutrido pelos impostos?

Difícil, não é?

Agora, um segredo que vou contar só para você: essa pesquisa foi feita em 2013. Sim, aquele último ano financeiramente bom no Brasil.

Se em 2013 estávamos assim, nesse nível de desigualdade, o que dizer de 2017, em meio à uma crise econômica? O que você acha que está acontecendo com essa pirâmide de renda, hein?

O fato é que com esses índices recordes de desemprego, a base deva estar maior.

Mas, e daí? Não devo mostrar minha vida?

Bem, se você é uma pessoa pública, que se envolveu no processo eleitoral e recebe uma fatia do orçamento público, minha resposta vem com uma pergunta:

“você se sente bem expondo seus hábitos de consumo, recebendo um alto salário num cargo público bancado por impostos de gente que ganha tão pouco?”

Se as pessoas fossem funcionárias públicas, que passaram no concurso e tal, mesmo eu não concordando com a distorção dos salários pagos no Brasil, ainda sim, eu defenderia seu direito de se expor. Afinal, tudo foi alcançado às custas de seus esforços.

Mas quando políticos e políticas, beneficiados por contatos pessoais e familiares, recebem salários que os deixam na faixa dos 5%, desculpe… mas vocês precisam redobrar a atenção na hora de mostrar seus hábitos e suas vidas.

Ainda acham que não? Então perguntem aos 66% das famílias brasileiras. E em se tratando de São Gonçalo, Itaboraí, o número deve proporcionalmente ainda maior.

Então, o que fazer pessoas públicas?

A dica básica é fechar suas redes sociais. Se seus dedos coçam na hora de mostrar que estão no Shopping X, no Restaurante Y ou no lugar Z, basta fechar seus perfis para seus amigos apenas. Aqueles que lhe conhecem e desejam compartilhar da sua vida com vocês.

Se você acha que é tranquilo, continue. Em tempos de Lava-Jato, onde a imagem de políticos e envolvidos no meio está imunda, talvez seja prudente refletir qual o comportamento nas redes sociais (e fora delas) de uma pessoa pública que recebe um generoso salário municipal. Eu pensaria umas… 70 vezes 7.

O bom senso agradece.

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Todos os Gonçalenses são colonizados pelo Rio de Janeiro https://simsaogoncalo.com.br/todos-os-goncalenses-sao-colonizados-pelo-rio-de-janeiro/ https://simsaogoncalo.com.br/todos-os-goncalenses-sao-colonizados-pelo-rio-de-janeiro/#comments Fri, 05 May 2017 14:18:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4593 Todos os Gonçalenses são colonizados pelo Rio de Janeiro. Alguns são “escravizados”, outros sofrem fortes influências e alguns são cariocas não-praticantes. Ninguém está livre dessa incorporação. Pensa nos seus amigos cariocas. Pensou? Quantas vezes você foi no Rio e Quantas vezes eles vieram em São Gonçalo? Lembre-se sempre que a distância é a mesma, mas […]

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Todos os Gonçalenses são colonizados pelo Rio de Janeiro. Alguns são “escravizados”, outros sofrem fortes influências e alguns são cariocas não-praticantes. Ninguém está livre dessa incorporação.

Pensa nos seus amigos cariocas. Pensou?

Quantas vezes você foi no Rio e Quantas vezes eles vieram em São Gonçalo? Lembre-se sempre que a distância é a mesma, mas os argumentos dos cariocas não colarem aqui são os melhores;

Cafifa pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Pipa responde – Porque vou passar perrengue na volta.

Italiano pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Joelho responde – Porque é longe.

Ezequiel pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Picciani responde – Porque é perigoso.

Íbson pergunta – Por que não vem em São Gonçalo?
Goleiro Bruno – Porque faz o calor de Bangu

Sim, as desculpas são as mais esfarrapadas possíveis. Parece que é molinho esperar o 110 ali na Lapa ou andar até o Menezes Cortes. Parece que é uma delícia ficar 1h esperando o ônibus do Galo Branco na Central agarrado com aqueles caras que ficam burlando o Bilhete Único ali no ponto de ônibus. Parece que é mole andar em Ramos ou ir na Praia de Copacabana sem ter medo de ser assaltado.

Carioca tem uma autoestima da porra. Se fizer pesquisa no Rio sobre a Baía de Guanabara é capaz deles colocarem a culpa em São Gonçalo pela sujeira.

—–

Imagino as reuniões no período colonial como devia ser a vida de Gonçalo Gonçalves, o colonizador gonçalense:

Filipi I, da Dinastia Habsburgo quando Gonçalo chegava devia olhar pra ele e perguntar…

“Gonçalo, porque estás a atrasar?”

Gonçalo, com cara de obviedade respondia…

“Filipe I, o caminho é demorado. Eu saio da minha sesmaria de cavalo, passo pelo fonsequistão, terras do Príncipe Rodrigo Neves, e depois atravesso a Baía de Guabanara com a CCR Navios de Exploração. É longe!.”

—–

Admiro muitos lugares, eventos e pessoas que moram ai, mas o Rio de Janeiro é uma espécie de município criado em apartamento se comparar com o resto da região metropolitana do Estado.

Se um carioca pisar em São Gonçalo, Itaboraí ou na Baixada Fluminense, já tem que tomar benzetacil na hora por que não tem imunidade pra complexidade dessas áreas.

Vocês tem Crivella? Nós tem Aparecida.
Vocês tem Picciani? Nós tem nomes que não podem ser citados.
Vocês tem Polícia violenta? Nós nem polícia tem.
Vocês tem Jacob Barata? Nós tem Zé do Boi.
Vocês tem metrô? Nós tem raiva da linha 2 pular pra linha 4.
Vocês tem a ligth? Nós tem a ENEL
Vocês tem a CEDAE? Nós tem o resto dos cocô que vem.
Vocês tem filme legendado? Nós tem tudo dublado.

Saca? Meu problema não é com o Rio. Gosto do Rio, mas o carioca precisa sair do seu cercadinho.

Querem beijar os gonçalenses? Chama pra ir no Arpoador, mas também vem na Zé Garoto.

Querem transar com os gonçalenses. Chama pra ir nesses muquifo de Santa Teresa, mas também vem no Paloma.

Quer ter amigos gonçalenses? Chama pra ir na Lapa, mas também vem na Praça do Gradim.

Quer fazer rolê underground com os gonçalenses? Chama pra andar na madrugada no Rio antigo mas também vem tirar dinheiro nos caixas eletrônicos do posto de gasolina da Trindade.

A gente já é a mão de obra barata de vocês. A gente já tem que ficar achando que trabalhar no Rio é mudar a vida econômica da família. A gente tem que dar até kit de sobrevivência para quando um adolescente vai pela primeira vez no Rio. Dá uma moral pra gente, levanta sua bunda desse rolê eixo zona sul achando que esse é o lugar mais bem frequentado do mundo e vem pra cá, vem conhecer gente nova, lugares novos, ser assaltado por outro tipo de bandido. Inova!

A distância é mesma. A ponte e a baía que nos separa tem a mesma distância para ir e para voltar. Os ônibus são os mesmos. Seja menos.

Tu é amigo de gonçalense mesmo? Tu está apaixonado por algum ou alguma gonçalense? Então larga esse apartamento no Estado chamado Rio de Janeiro e da um rolê pelo bairro inteiro.

Originalmente publicado no site pessoal de Romário Régis.

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