educação https://simsaogoncalo.com.br/category/educacao/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 08 Dec 2023 22:31:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg educação https://simsaogoncalo.com.br/category/educacao/ 32 32 147981209 O fim trágico do Tarcísio Bueno: uma escola em ruínas https://simsaogoncalo.com.br/fim-tragico-tarcisio-bueno/ https://simsaogoncalo.com.br/fim-tragico-tarcisio-bueno/#comments Wed, 02 Sep 2020 05:21:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=8009 Um vídeo trágico. Essa é a melhor definição para imagens que, sem dúvidas, virarão material de estudo no futuro. O assunto? Como tratamos a nossa educação em São Gonçalo. Neste caso, o antigo prédio da Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno. O colégio está presente no Paraíso há décadas. Mas foi em 2015, que tudo […]

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Um vídeo trágico. Essa é a melhor definição para imagens que, sem dúvidas, virarão material de estudo no futuro. O assunto? Como tratamos a nossa educação em São Gonçalo. Neste caso, o antigo prédio da Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno.

O colégio está presente no Paraíso há décadas. Mas foi em 2015, que tudo começou a desandar. Depois da ruína de parte do telhado, a escola foi desativada e transferida para o CIEP ao lado. Já o prédio ficou entregue. Abandonado. Hoje, está completamente dilapidado.

Foram levadas todas as telhas e madeiras possíveis. As portas e janelas também foram furtadas, bem como o sistema elétrico. Só ficaram as paredes e as imagens das aulas de arte que a escola, um dia, usou para auxiliar no aprendizado de seus alunos.

Ex- colégio Tarcísio Bueno tem a vocação para se tornar uma creche

No início deste ano, em 2020, foram ventiladas algumas propostas sobre tornar o espaço uma unidade de saúde. Como uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), por exemplo.

A ideia faz sentido, uma vez que a população da cidade necessita, cada vez mais, de unidades que forneçam saúde de qualidade às pessoas. Ainda sim, há uma outra estrutura cuja a carência é ainda maior em São Gonçalo: as creches.

Ter creches próprias é uma demanda forte do município. E o antigo colégio colorido tem tudo a ver com uma proposta dessas. Seria como respeitar a vocação do complexo educacional que vai do Tarcísio Bueno à FFP, do Paraíso ao Patronato.

Com o novo FUNDEB aprovado, o dinheiro advindo do Fundo da Educação Básica seria uma possível fonte para dar vida ao prédio abandonado, sem falar na fácil localização, o que permitiria mães, pais e profissionais a chegarem tranquilamente neste ponto da cidade para utilizar o serviço.

E você, o que acha? Confira o vídeo!

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Empreendedorismo Feminino: a Bolsa de Negócios que transforma vidas https://simsaogoncalo.com.br/empreendedorismo-feminino-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/empreendedorismo-feminino-sao-goncalo/#respond Sat, 16 Nov 2019 15:43:56 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7582 Tudo começou quando conheci o ELA PODE. Logo que cheguei no evento, uma surpresa óbvia: só havia mulheres. Claro! Mesmo já sabendo disso, fiquei surpreso. Afinal, quem conhece os ambientes de eventos de negócios sabe como são dominados por homens. Não só numericamente, mas na essência em si. E talvez, por isso, ainda seja tão […]

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Tudo começou quando conheci o ELA PODE. Logo que cheguei no evento, uma surpresa óbvia: só havia mulheres. Claro! Mesmo já sabendo disso, fiquei surpreso. Afinal, quem conhece os ambientes de eventos de negócios sabe como são dominados por homens. Não só numericamente, mas na essência em si. E talvez, por isso, ainda seja tão importante falar sobre empreendedorismo feminino.

Como fiquei surpreso, fui fazer o que mais gosto: ouvir as histórias. Entender como tudo aquilo tinha começado, como as organizadoras se encontraram, tudo. E eis que uma dessas pessoas era Erica Assis, produtora que organiza o evento chamado Bolsa de Negócios, criado em parceria com Patricia Mattos , Michelly Fernades, Rosana Melo, Sabrina Brittes e Di Miranda.

Empreendedorismo Feminino
Bolsa de Negócios, evento de estudos e capacitação sobre negócios, com foco no empreendedorismo feminino.

Naquele momento, eu já estava planejando o SIM Negócios Locais. Convidado pela Erica, fui até o Shopping São Gonçalo para entender melhor a dinâmica do evento. Uma experiência que me ajudou bastante a captar o espírito desse momento que estamos vivendo.

Bolsa de Negócios: o apoio ao empreendedorismo feminino em São Gonçalo

Quando cheguei ao Bolsa de Negócios, me surpreendi. Entrar num shopping, cujo objetivo majoritário é comprar, e ver uma loja cheia, com uma turma disposta a aprender a vender mais não é algo comum. Mas lá estavam, com uma variedade grande de negócios. Trocando ideia sobre como dinamizar seus empreendimentos.

Bolsa de Negócios no Shopping São Gonçalo, por Erica Assis

Todo mês, os encontros acontecem. E os assuntos são variadíssimos: gestão financeira, ansiedade nos negócios, produtividade, técnicas de divulgação e promoção, desenvolvimento de parcerias, enfim, tudo que é essencial para se tocar um negócio.

O próximo evento acontecerá no próximo dia 18/11, segunda-feira às 14 no Shopping Partage. Para saber mais sobre esse e os próximos eventos, confira na página do Bolsa de Negócios no Facebook. E em dezembro, será na 3ª segunda-feira do mês.

Mulheres Fortalecidas – Painel fotografado no evento
Participantes e organizadores do Bolsa de Negócios de outubro/2019. De amarelo à direita, Erica Assis, e ao centro, Thay Lopes, uma das gestoras do Shopping São Gonçalo.

Incentivo às mulheres nos negócios é fundamental

Sou fruto de uma mãe que criou seus filhos sem a presença dos pais. Infelizmente, algo muito frequente no Brasil. Por esse motivo, sempre prestei bastante atenção na atuação das mulheres no mercado de trabalho.

Em situações de desamparo financeiro, ou de momento econômico ruim, como o atual, o apoio ao empreendedorismo feminino é uma importante ferramenta de sustentação social. Afinal, a independência financeira das mulheres é algo ainda relativamente novo em nossa sociedade. E que, só nos últimos anos, vem ganhando a força necessária, resultando em eventos como esse que, silenciosamente, mobilizam pessoas e movimentam a economia em diversos pontos do país.

Mulheres já são maioria entre as pessoas que desejam ser empreendedoras. Espero que esse cenário se desenvolva e multiplique entre nós.

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Dia das professoras e a educação de base na minha vida https://simsaogoncalo.com.br/dia-das-professoras-educacao-basica/ https://simsaogoncalo.com.br/dia-das-professoras-educacao-basica/#respond Wed, 16 Oct 2019 00:12:05 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7538 No dia das professoras essa é a minha homenagem. 🙂 É comum lembrarmos mais dos professores de quando estávamos mais maduros. Mas pra mim é diferente. Até os 11 anos de idade, estudei “em casa”. A escola fundada pela Tia Bel, o Centro de Estudos Reino Encantado, no Paraíso, apesar do nome bonitinho, cobrava bastante. […]

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No dia das professoras essa é a minha homenagem. 🙂

É comum lembrarmos mais dos professores de quando estávamos mais maduros. Mas pra mim é diferente. Até os 11 anos de idade, estudei “em casa”. A escola fundada pela Tia Bel, o Centro de Estudos Reino Encantado, no Paraíso, apesar do nome bonitinho, cobrava bastante. E ao contrário da maioria de nós, eu vejo minhas professoras da infância até hoje. Sem dúvidas, aquele foi o período fundamental em minha formação.

Esse sou eu, em 1986. Estava com 1 ano, no colo da minha tia Bel (à direita). Irmã da minha mãe, ela me alfabetizou. Além de também ser minha madrinha de batismo. Desde que me entendo por gente, é a referência de professora. À esquerda, está a Tia Carminha, madrinha de consagração e que me deu aulas no Jardim III e em toda a primeira parte do fundamental, até o 5º ano.

Sim, tive sorte e privilégios. E o principal deles foi poder estudar em uma sala com poucos alunos, com maior atenção às necessidades de cada um.

Minha vida escolar sempre foi uma tranquilidade. Por outro lado, até os 7 anos, eu não falava direito. E a parceria entre escola e fonoaudiologia fez toda a diferença na minha evolução. Com técnicas no falar que carrego até hoje.

Aliás, a “escola da Tia Bel”, já nos anos 90, era uma das poucas que aceitava crianças com dificuldades especiais bem mais específicas. Bem à frente do seu tempo. Em pensar que hoje, em 2019, questões como o autismo ainda são tabu em diversas instituições.

Dia das professoras é para reflexão sobre nossa formação como pessoas

Tive outros professores e professoras importantíssimas na minha formação. Entretanto, sei que essa educação com olhar atento no aluno, bem no início, faz largar na frente. Ou seja, faz toda a diferença.

Damos pouquíssima importância aos primeiros anos. E ainda achamos que a “boa faculdade” é o que basta. E enquanto não quebrarmos essa ideia de que quem trabalha na base vale menos, não iremos avançar na educação o quanto desejamos.

Muito obrigado a Tia Bel, Tia Carminha e a todas as professoras e professores pelo dia de hoje. 😊

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ELA PODE traz empreendedorismo feminino para São Gonçalo com apoio do Google https://simsaogoncalo.com.br/empreendedorismo-feminino-ela-pode/ https://simsaogoncalo.com.br/empreendedorismo-feminino-ela-pode/#comments Thu, 05 Sep 2019 04:57:01 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7472 O ELA PODE chegou à São Gonçalo. O programa de empreendedorismo feminino criado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora conta com apoio do Google e foi realizado nos dias 2 e 3 de setembro na OAB, no Zé Garoto. A ideia de trazer o evento para a cidade partiu de empresárias que participaram de um evento […]

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O ELA PODE chegou à São Gonçalo. O programa de empreendedorismo feminino criado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora conta com apoio do Google e foi realizado nos dias 2 e 3 de setembro na OAB, no Zé Garoto.

A ideia de trazer o evento para a cidade partiu de empresárias que participaram de um evento similar em Niterói, contaram Tatianna Carvalho e Suelen Brantes, que trabalharam na organização do encontro.

Empreendedorismo Feminino mostra sua força em São Gonçalo
109 mulheres foram capacitadas na 1ª edição do ELA PODE em São Gonçalo. Foto: Priscila Facco.

Fruto da soma de forças de diversas profissionais, tudo correu bem. Com duração total de 16 horas, o evento selecionou e capacitou 109 mulheres. Em apenas 3 dias, foram mais de 300 inscrições. Uma demanda surpreendente, que já motiva as organizadoras para agendar uma nova data até o final do ano.

ELA PODE – Multiplicadoras da Rede Mulher Empreendedora em São Goncalo
Multiplicadoras do ELA PODE. Foto: Thamiris Santos.

Empreendedorismo feminino mira na mulher e acerta na família

Até 2015, cerca de 40% das famílias eram chefiadas por mulheres, segundo dados do IBGE. Desse total de lares, em 66% não há cônjuges. O que aumenta o risco de vulnerabilidade socioeconômica. Sendo mais claro, isso significa que mais famílias são dependentes do trabalho doméstico e renda gerada por apenas uma pessoa. O que, muita das vezes, também significa que o simples fato de ficar doente pode provocar um corte abrupto nas finanças da família.

Equipe organizadora do ELA PODE em São Gonçalo, setembro/2019.
Equipe organizadora do ELA PODE, São Gonçalo, setembro/2019. Foto: Priscila Facco.

O ELA PODE tem como foco garantir independência financeira e poder de decisão dessas mulheres sobre suas vidas, por meio do desenvolvimento de seus negócios. A meta do programa é capacitar 135 mil mulheres brasileiras até 2020.

Esse dia do empreendedorismo feminino foi repleto de troca de experiências, conhecimento, histórias de vida e, claro, boas palestras sobre como dinamizar os múltiplos negócios na cidade. Eram maquiadoras, artesãs, coachies, chefs, designers de unhas, sombracelhas, agentes de viagem, publicitárias, fotógrafas, entre outras diversas profissionais estavam representadas.

No evento, foram abordadas as áreas de comunicação, liderança, negociação, finanças, networking, marca pessoal e ferramentas digitais. Tudo para ampliar o sucesso pessoal e profissional.

ELA PODE São Gonçalo, realizado em Setembro na OAB, Zé Garoto.
Foto: Priscila Facco.

Fico feliz por ver iniciativas como essa chegando à nossa cidade de 1.084.839 habitantes. Com índices de desemprego altos e sem muitas perspectivas de melhora a curto prazo, é fundamental que o conhecimento para criar e manter negócios sustentáveis cheguem às pessoas. Uma ferramenta para mudança de vida.

No encontro, pude conversar e ver que há diversos outros movimentos acontecendo em paralelo em São Gonçalo, como o encontro mensal de mulheres empreendedoras chamado Bolsa de Negócios, entre outros que no futuro contarei por aqui.

Parabéns a todas envolvidas nessa rede de transformação.

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Como você se imagina daqui a 10 anos? São Gonçalo e seu futuro https://simsaogoncalo.com.br/como-imagina-daqui-a-10-anos/ https://simsaogoncalo.com.br/como-imagina-daqui-a-10-anos/#comments Thu, 25 Apr 2019 20:14:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7161 Aliás, essa pergunta é para você também: Como você se imagina daqui a 10 anos? Trabalhando com o que? Morando onde? Em abril, fui convidado pela Escola Zulmira Mathias Netto Ribeiro, no Paraíso (Marimbondo) para falar um pouco sobre a história da cidade e os motivos pelos quais precisamos valorizá-la. A proposta fez parte da […]

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Aliás, essa pergunta é para você também: Como você se imagina daqui a 10 anos? Trabalhando com o que? Morando onde?

Em abril, fui convidado pela Escola Zulmira Mathias Netto Ribeiro, no Paraíso (Marimbondo) para falar um pouco sobre a história da cidade e os motivos pelos quais precisamos valorizá-la. A proposta fez parte da série de eventos que a Secretaria de Educação sugeriu às escolas, com base na comemoração dos 440 anos da fundação de São Gonçalo.

Combinamos. E lá fui eu, conversar com os alunos.

Matheus Graciano / SIM São Gonçalo na Escola Municipal Zulmira Mathias N Ribeiro, no Paraíso, São Gonçalo
Matheus Graciano e a turma de 5º ano da Escola Municipal Zulmira Mathias N Ribeiro, no Paraíso, São Gonçalo.

Onde estaremos daqui a 10 anos?

Falar de valorização da cidade para pré-adolescentes é algo desafiador. Especialmente porque esse é um momento de descobertas e transições na vida de qualquer pessoa. Uma época onde começamos a entender com mais exatidão o mundo que nos aguarda.

Cada um respondeu O QUE imaginava fazer daqui a 10 anos. Logo após, seguimos para a pergunta que tem tudo a ver com a gente: ONDE você estará fazendo isso?

Rua paul Leroux, (Marimbondo) Paraíso – São Gonçalo
Escola Zulmira na Rua Paul Leroux, (Marimbondo) Paraíso – São Gonçalo

As respostas sobre o “ONDE” só confirmaram uma característica marcante que vejo nos últimos 8 anos: os bairros importam muito. Sobressaem-se sobre a cidade. Especialmente nesse momento da vida, onde nosso dia a dia, muita das vezes, se mantém circunscrito a poucos quarteirões de nossa casa.

Aliás, eles me deram uma lição que talvez precise ser revista pela própria prefeitura. O conceito do que é ser um bairro, já engloba as localidades e comunidades que moram. Ouvi respostas como Feijão, Marimbondo, Serpente, Gato, Caixa D’Água, Pontal, Inseticida, e assim vai. Uma cidade em movimento ressignifica seus lugares. Inclusive, seus nomes.

Rua Paul Leroux, Paraíso – São Gonçalo
Rua Paul Leroux, Paraíso – São Gonçalo.

Quando falamos sobre políticas de valorização da cidade, é natural que caiamos no discurso do “tudo que é público é de todos nós”. Porém, a sensação é que essa associação é lida como “tudo que é público não é de ninguém”. nem sempre é tão óbvia assim.

Prefiro estimular as pessoas a pensarem no ambiente onde suas relações pessoais e familiares acontecem. Isso as faz ter mais domínio e responsabilidade sobre o espaço público. Afinal, se há tantos encontros nas ruas e praças do bairro, é sinal que aquele espaço nos é familiar. Ele faz parte de nossas vidas.

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Zulmira Mathias Neto Ribeiro: a educação do local para o mundo inteiro https://simsaogoncalo.com.br/zulmira-mathias-neto-ribeiro/ https://simsaogoncalo.com.br/zulmira-mathias-neto-ribeiro/#comments Thu, 18 Apr 2019 01:04:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7151 O “Zulmira”, como se referem os mais íntimos à Escola Municipal Zulmira Mathias Neto Ribeiro, é um daqueles colégios que fazem parte da história das pessoas. Por ter uma característica de bairro, focada nas séries iniciais, é o início da trajetória educacional de muitos pequenos gonçalenses. Após o evento que participei na escola, aproveitei para […]

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O “Zulmira”, como se referem os mais íntimos à Escola Municipal Zulmira Mathias Neto Ribeiro, é um daqueles colégios que fazem parte da história das pessoas. Por ter uma característica de bairro, focada nas séries iniciais, é o início da trajetória educacional de muitos pequenos gonçalenses.

Após o evento que participei na escola, aproveitei para conversar com as professoras sobre a história dessa heroína. A seguir, o texto criado pela instituição e agora adaptado para o site.

Se você é um antigo aluno do Zulmira, fique à vontade para comentar e participar com suas memórias sobre sua escola.

Dona Zulmira e sua vocação para a educação

A escola surgiu a partir da necessidade da comunidade local. Era preciso ter uma instituição escolar que atendesse às novas gerações de gonçalenses.

Tudo começou a partir da ação da Dona Zulmira. Ela tinha grande interesse em colaborar com a educação e cultura. Com esse impulso, começou a ensinar às crianças do seu bairro na sua própria residência.

Professora Zulmira Mathias Neto Ribeiro
Professora Zulmira Mathias Neto Ribeiro. Retrato desenhado e emoldurado exibido na escola. Crédito: Se conhecer o autor, avise-me.

A tarefa como alfabetizadora estendeu-se ao longo de sua vida. Atendia especialmente aos que ficavam fora da escola. Ora por falta de vagas, ora por conta da idade fora da faixa etária abrangida pelas instituições.

Além disso, no horário da noite, Dona Zulmira alfabetizava adultos que trabalhavam durante o dia.

Seus esforços foram reconhecidos. Assim, ela tornou-se patrona da escola da comunidade, batizada com seu nome.

A história da escola municipal do Marimbondo

Antes da Escola Municipal Professora Zulmira Mathias Netto, houve uma creche comunitária mantida pela Associação de Moradores Unidos do Cassinu, situada no Porto Novo.

Mesmo sendo mantida pela associação do bairro, funcionava de forma bastante precária. A ajuda que conseguiam para manter a creche era dada por um grupo de voluntários do próprio bairro que ajudavam em tudo. Da manutenção à merenda.

Rua paul Leroux, (Marimbondo) Paraíso – São Gonçalo
Rua Paul Leroux, (Marimbondo) Paraíso – São Gonçalo

Com este cenário, a secretaria de educação da época, dirigida por Wagner Ribeiro Laranjeira, neto da professora Zulmira, se mobilizou. Informados sobre a situação difícil que a creche comunitária sofria, alugou-se uma casa para comportar todos os seus alunos. E assim, a responsabilidade, antes da associação de moradores, foi repassada para a Prefeitura Municipal de São Gonçalo.

Entretanto, como a casa alugada era maior que o espaço anterior, o número de alunos também cresceu.

Placa de inauguração da Escola Municipal Zulmira Mathias Neto Ribeiro.
Placa de inauguração da Escola Municipal Zulmira Mathias Neto Ribeiro.

Mudando o Zulmira para a Paul Leroux

Em 19 de fevereiro de 1990, a casa alugada na Rua Paul Leroux 740 tornava-se a sede da nova escola municipal de São Gonçalo, que tinha a professora Zulmira como patrona. O colégio foi inaugurado com sete salas de aula, funcionando em 2 turnos e administrando do ensino infantil ao 5º ano do fundamental. Nesse local, serviu à comunidade local até 1996.

Com a mudança de prefeito, de Ezequiel Mattos para João Bravo, a prefeitura deixou o prédio no Marimbondo e alugou o prédio na rua principal, onde hoje fica o MV1 São Gonçalo.

Pátio da Escola Municipal que abriga as séries iniciais, de ensino infantil, até o primeiro segmento do ensino fundamental, 1º ao 5º ano.
Pátio da Escola Municipal que abriga as séries iniciais, de ensino infantil, até o primeiro segmento do ensino fundamental, 1º ao 5º ano.

Nessa fase, a instituição Zulmira passou a se chamar Escola Municipal Zelina Barbosa Bravo. Foi designada assim pelo prefeito da época em homenagem à sua mãe. Outra mudança foi que a escola passou a administrar do Ensino Infantil ao Ensino Médio, durante 4 anos.

Entretanto, em março de 1999, a escola volta à Rua Paul Leroux, no número 750. Agora com sede própria, foi reativada com o nome original: Escola Municipal Professora Zulmira Mathias Netto Ribeiro. Em dezembro de 2012, a prefeitura realizou uma reforma do prédio, reinaugurando a escola que serve a comunidade até hoje, do ensino infantil ao 5º ano fundamental, no Paraíso.

Fonte: texto de circulação interna, obtido na própria escola.

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Desemprego entre jovens em São Gonçalo ajuda a explicar a crescente violência https://simsaogoncalo.com.br/desemprego-entre-jovens-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/desemprego-entre-jovens-em-sao-goncalo/#comments Mon, 09 Jul 2018 18:29:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6701 Nessa segunda semana de julho de 2018, a coluna do Ancelmo Gois, no O GLOBO, deu destaque à pesquisa realizada pela BEM TV Educação e Comunicação. Segundo os dados levantados, o desemprego entre jovens é de 34,7% em São Goncalo. É um terço da mão de obra até 29 anos parada. Simplesmente não trabalham. A matéria […]

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Nessa segunda semana de julho de 2018, a coluna do Ancelmo Gois, no O GLOBO, deu destaque à pesquisa realizada pela BEM TV Educação e Comunicação. Segundo os dados levantados, o desemprego entre jovens é de 34,7% em São Goncalo. É um terço da mão de obra até 29 anos parada. Simplesmente não trabalham.

A matéria tem um tom calamitoso. Ela compara nossa situação a países como o Haiti, um dos mais miseráveis das Américas, e Síria, que ainda está na saindo de uma dolorosa guerra interna. E apesar de nosso dia a dia não ser, nem de perto, comparável a esses países, é preciso olhar esses dados com atenção. Afinal, eles revelam algo que percebemos com clareza: o aumento da violência nos últimos 8 anos.

Desemprego entre jovens gonçalenses

Taxa de jovens desempregados em São Gonçalo ajuda a compreender aumento da violência

O marco que sempre faço questão de pontuar é a invasão do Complexo do Alemão, em 2010. A partir daquele evento, as redes criminosas se movimentaram em todo o Rio de Janeiro.

É perceptível que São Gonçalo entrou na rota de distribuição de drogas com mais intensidade nessa década. Especialmente na distribuição, com carregamentos que entram via Baía de Guanabara, na região do Salgueiro. A ponte criada pelo Comperj/Petrobras sobre o rio Alcântara teve sua utilização reinventada. E a infraestrutura trazida pelo setor privado fez crescer o crime no Leste Fluminense.

São Gonçalo tem características particularmente interessantes para o tráfico de drogas fluminense. Fica ao lado de Niterói, cidade com maior proporção de ricos no país, além de ser caminho para um dos maiores pólos turísticos do estado: a região dos Lagos. Essas características geográficas combinadas com desemprego entre jovens, que estão sem perspectiva e ansiosos para ter tudo que vêem na televisão, no Youtube, na internet, tornam nossa cidade o lugar perfeito para ter mão de obra barata e descartável para o crime.

Mas São Gonçalo inteira é assim?

Não. E a prova é o Mapa das Barricadas, que ilustra bem a ausência do estado nas regiões.

Na próxima década, nossa população tende a aumentar ainda mais, tornando-se ainda mais complexa. E acredite, com a chegada de mais armas e políticos oriundos de milícias, tráfico ou associação com o tráfico (principalmente), vamos lembrar com saudades da São Gonçalo dos anos 2000.

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Escolas sem vagas e quebradas: sucateamento da rede estadual é real https://simsaogoncalo.com.br/escolas-sem-vagas-quebradas/ https://simsaogoncalo.com.br/escolas-sem-vagas-quebradas/#comments Fri, 02 Feb 2018 04:45:41 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6145 O sucateamento das escolas estaduais é real. E em 2018, último ano do grupo Cabral – Pezão no poder, foi dado o golpe final. Mesmo com capacidade para receber alunos, há escolas sem vagas e quebradas. O capítulo dessa semana aconteceu no Instituto de Educação Clélia Nanci, tradicional escola que fica na Brasilândia. Segundo professores, […]

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O sucateamento das escolas estaduais é real. E em 2018, último ano do grupo Cabral – Pezão no poder, foi dado o golpe final. Mesmo com capacidade para receber alunos, há escolas sem vagas e quebradas. O capítulo dessa semana aconteceu no Instituto de Educação Clélia Nanci, tradicional escola que fica na Brasilândia.

Segundo professores, funcionários e pais de alunos, não foi possível fazer a inscrição dos alunos pelo processo online. “É como se a Seeduc (Secretaria de Educação) estivesse boicotando as vagas da instituição”, relatam. Até mesmo o RJTV, da Rede Globo, foi até a escola para conferir e mostrar a situação de vários alunos que ainda não têm onde estudar.

Dos colégios quebrados às escolas sem vagas

Um dos exemplos que chamamos a atenção há algum tempo é o do Colégio Estadual Tarcísio Bueno, no Paraíso. Desde agosto de 2015, quando o telhado de parte da escola caiu, o governo do estado mantém o prédio interditado. O corpo técnico foi transferido para o CIEP ao lado. Outras escolas na mesma condição se encontram fechadas, abandonadas e sem nenhum tipo de manutenção.

O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos
O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos. Foto: Alex Ramos

Como a tática de fechar os prédios faz muito barulho, um novo esquema começou a se desenhar. Basicamente, o plano consiste em bloquear e desmobilizar as matrículas. Uma diretriz da secretaria diz que as escolas só podem abrir novas turmas com 45 alunos. Claramente, a preocupação não é com o bem estar e qualidade do ensino, que poderia ser facilitado com turmas menores. Mas com os custos da educação no estado.

Mesmo com professores disponíveis e salas ociosas, o plano de esvaziamento das escolas está em curso. Dessa forma, será possível justificar uma das medidas mais aguardadas pelo Estado na contenção de custos: banir o ensino fundamental de sua responsabilidade.

A ideia é que o estado mantenha apenas o Ensino Médio, deixando com que os municípios, que recebem dinheiro diretamente das instâncias federais, arquem com todo o ensino infantil e fundamental.

A seguir, um dos grandes responsáveis pela execução dessas medidas: o secretário estadual Wagner Victer. Aquele mesmo que ficou famoso pela situação no RJTV onde, após Mariana Gross perguntar “secretário, o senhor me ouve”, ele diz “ouvo sim”.

Escolas sem vagas é um projeto do Wagner Victer, Secretário Estadual de Educação (2017-2018). Zeca Gonçalves/Agência O Globo
Wagner Victer, Secretário Estadual de Educação (2017-2018). Zeca Gonçalves/Agência O Globo

Próximo passo: professores

Mas o plano não termina apenas deixando as escolas ociosas. É bom lembrar que há professores disponíveis para ministrar aulas. E uma vez que eles estejam ociosos, serão enviados para sabe-se Deus onde.

Há relatos sobre funcionários que foram mandados para outras cidades para dar aulas. E não estamos falando de Niterói, que é aqui do lado. Mas de municípios como Rio Bonito e Silva Jardim. Um desrespeito aos concursos prestados cujas vagas eram nas cidades escolhidas pelo profissional.

Outras situações absurdas também são comentadas. Uma delas é a de professores que são designados para dar aulas de outras disciplinas as quais não estão habilitados. Uma forma de “tapar o buraco” das disciplinas sem ninguém para lecionar.

Muitos afirmam ainda que este processo é uma forma de forçar exonerações.

O futuro da educação num estado falido

Dia 31 de janeiro de 2018, um grupo de professores lançou um manifesto contra o que chamam de “Otimização da Rede“. Que nada mais é do que esse projeto que está deixando as escolas sem vagas.

Pensando a longo prazo, fica cada vez mais difícil acreditar que o futuro da educação pública terá uma guinada nos próximos anos.

Além do desmonte claro das estruturas físicas e profissionais, há também um nítido afastamento dos melhores quadros da sociedade do campo da educação. Afinal, sem valorização, sempre haverá profissões muito mais atrativas do que a carreira de professor.

Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos que, inclusive, terão em outubro um capítulo nada esperançoso: a escolha de um novo governador.

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Obstáculos e frutos da ocupação do colégio Pandiá https://simsaogoncalo.com.br/obstaculos-e-frutos-da-ocupacao-do-colegio-pandia/ https://simsaogoncalo.com.br/obstaculos-e-frutos-da-ocupacao-do-colegio-pandia/#respond Sun, 07 Jan 2018 12:36:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6036 Visitei o Colégio Estadual Pandiá Calógeras em maio de 2016, durante a ocupação dos estudantes. Desde então me perguntava se o protesto havia trazido bons frutos. Pra saber a resposta encontrei duas alunas do Pandiá, Júlia e Jhully Anne. Elas disseram que não houve melhora profunda no ensino, uma pena. O movimento, pelo menos, conquistou […]

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Visitei o Colégio Estadual Pandiá Calógeras em maio de 2016, durante a ocupação dos estudantes. Desde então me perguntava se o protesto havia trazido bons frutos. Pra saber a resposta encontrei duas alunas do Pandiá, Júlia e Jhully Anne. Elas disseram que não houve melhora profunda no ensino, uma pena. O movimento, pelo menos, conquistou vitórias importantes depois de superar obstáculos cruéis. O amadurecimento dos jovens envolvidos ficou marcado no olhar de cada um, e isso não é pouco.

Enquanto o Pandiá era administrado pelos alunos – muito bem administrado, vale destacar – a Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiu o colégio com armas em punho, tentando intimidá-los para identificar as lideranças. Entendeu o que é invasão? É essa violência policial. Tem gente que chamou de invasão a permanência pacífica dos alunos na escola, alunos que naturalmente pertencem àquele espaço.

Com a intenção de ferir os estudantes, assustar e azucrinar, criminosos jogaram bombas dentro do Pandiá por noites seguidas. Bombas de gás também. Menores de idade, meninos e meninas buscando melhorias para a educação enfrentando homens armados e bombas é o resumo da luta estudantil que tomou o Brasil.

O medo de morrer se espalhou junto com o gás. Os estudantes não sabiam se voltariam pra casa, o estresse alcançou níveis altíssimos. Dormir se tornou perigoso. Um aluno surtou depois de ficar acordado várias noites à base de café. Pra proteger os alunos da ameaça constante, professores cochilavam com pedaços de pau na mão.

Em casa, parentes também viviam amedrontados. Mães recebiam notícias falsas da imprensa, de que haveria encerramento forçado da ocupação. Notícias de que os estudantes estavam ociosos, algo que nunca aconteceu.

Desde o princípio, quando desconfiou que a escola seria ocupada, a direção do Pandiá adotou táticas para impedi-la. Chamava os estudantes de bandidos. Queria prejudicar a imagem deles e reduzir seus apoiadores. No dia da ocupação, a direção serviu pernil e salada na merenda pra disfarçar a realidade escolar. Os alunos se esbaldaram, sem saber que a água que bebiam no refeitório estava contaminada por baratas e pombos.

Os manifestantes deram o troco. Distribuíram panfletos convidando o corpo de alunos a ocupar o colégio, dialogaram pessoalmente com funcionários da escola e incluíram o atraso de salários na pauta do protesto. Jhully Anne chegou a viajar para São Paulo a fim de trazer para São Gonçalo os aprendizados da experiência paulista.

As medidas de mobilização e desmobilização lembram filmes de espionagem. O Governo do Estado concordou com algumas reivindicações, como o funcionamento do Rio Card no dia da prova do ENEM, e depois não as cumpriu.

A ocupação do Pandiá começou com menos de 10 alunos, que dormiram na escola no primeiro dia. Por mais de dois meses o grupo resistiu – de forma horizontal, sem lideranças fixas e sustentados com doações – achando que qualquer dia poderia ser o último, tão forte era a repressão.

Um dos jovens foi demitido do trabalho e gastou o dinheiro da rescisão comprando pizza para os ocupantes. Eles respiravam política o tempo inteiro, estudaram até técnicas de negociação. Jhully Anne passava o dia no Pandiá, em Alcântara, e às 23h voltava pra casa, no Rocha, sozinha. Ela comemorou o aniversário de 16 anos no protesto.

Os alunos do Pandiá começaram a vida política na escola e hoje participam dos movimentos culturais de São Gonçalo, como a roda de rap que acontece na Praça Chico Mendes, no Raul Veiga. Júlia e Jhully Anne pretendem estudar Medicina e História. Consequências maravilhosas da ocupação. Jhully, aliás, vai escrever um livro sobre a experiência. Com prazer e o orgulho de quem estudou no Pandiá Calógeras há 24 anos, publico o primeiro rascunho desse livro:

“Hoje não sei se volto. Sinto o cheiro do gás, mas não morro, re(existo)”.

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Tarcísio Bueno: o patrono e a escola https://simsaogoncalo.com.br/tarcisio-bueno-patrono-escola/ https://simsaogoncalo.com.br/tarcisio-bueno-patrono-escola/#comments Wed, 03 May 2017 04:01:07 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4576 João Tarcísio Bueno nasceu em Cuiabá, MT, em 23 de junho de 1906, filho de Francisco Pio Bueno e Isabel Viegas Muniz (Bueno, pelo casamento), casal de tradicionais famílias daquela região, com raízes na Europa. Órfão de mãe aos quatro anos de idade, João Tarcísio foi criado pelo pai e, em 1913, ingressou no Colégio […]

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João Tarcísio Bueno nasceu em Cuiabá, MT, em 23 de junho de 1906, filho de Francisco Pio Bueno e Isabel Viegas Muniz (Bueno, pelo casamento), casal de tradicionais famílias daquela região, com raízes na Europa. Órfão de mãe aos quatro anos de idade, João Tarcísio foi criado pelo pai e, em 1913, ingressou no Colégio Salesiano de Cuiabá, transferiu-se para o Colégio de Felício Galdino, em meados de 1913, e retornou ao Salesiano em dezembro do mesmo ano. Ali ainda estava, em 1920, cursando a última série do então ensino médio, quando seu pai, Francisco Pio, funcionário do Arsenal de Guerra de Cuiabá, foi transferido para a Escola Militar do Rio de Janeiro.

Toda a família aqui chegou em 17 de abril de 1920, instalando-se na então capital da República. A 14 de maio seguinte, João Tarcísio ingressou no Ginásio de Campo Grande, Rio de Janeiro, e sua única irmã, Maria Teodora, era admitida no antigo Asilo Santa Leopoldina, em Icaraí, Niterói, que fora fundado pelo imperador Pedro II no século anterior, de lá passando para o Colégio Nossa Senhora da Piedade, no Encantado, Rio de Janeiro, onde ficaria até 1924, quando, em 24 de julho, ela e o pai, Francisco Pio, retornaram a Cuiabá.

Tarcício Bueno – Fotos reproduzidas do livro “O Herói de Abetaia”.

O ingresso no Colégio Militar de Realengo

João Tarcísio, então com 18 anos de idade, preferiu aqui continuar para realizar seu sonho de ingressar no Colégio Militar de Realengo, o que conseguiria em 1929, na arma de Artilharia. Aproveitou as férias do princípio de 1930 para retornar à terra natal e reencontrar o pai e a irmã. Ao chegar a Cuiabá, apaixonou-se por aquela que viria a ser sua esposa, Ana Luíza de Mattos (Bueno, pelo casamento), também de tradicional família local. O casal decidiu que o casamento se daria após João Tarcísio formar-se na Escola Militar do Realengo, o que só ocorreu na turma de 1932. Casaram-se em 18 de março seguinte e geraram os filhos Sônia e Ennio.

Como inerente aos militares, João Tarcísio passou a percorrer todo o território nacional, até que em 1942 estava de volta a Cuiabá. A 31 de agosto daquele ano, era declarada a guerra do Brasil aos países do Eixo e, a 15 de outubro, o 16º Batalhão de Caçadores (local) incorporou a turma Santa Cruz, de aspirantes a oficiais da reserva, tendo como um de seus instrutores o já então capitão João Tarcísio Bueno.

Do 3º RI à Segunda Guerra Mundial na Itália

Pouco depois, ele foi transferido para o Rio de Janeiro e designado para servir no 3º Regimento de Infantaria, em São Gonçalo. Em 1943, era ele designado para receber treinamento militar no Forte Benning, no estado da Geórgia, EUA, de onde só retornaria no princípio de 1944. Na madrugada de primeiro de julho daquele ano, Bueno embarcava no navio norte-americano General Mann, com destino à Itália. Era um dos 5075 homens do primeiro (depois iriam outros quatro, da mesma proporção) escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e João Tarcísio Bueno seguia como ajudante de ordens do general Zenóbio da Costa, que comandava aquele escalão.

Roda de Samba – Região de Pisa/Itália – 15/09/44 - Imagem: Portal FEB
Roda de Samba dos Pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira) – Região de Pisa/Itália – 15/09/44 – Imagem: Portal FEB

Como ordenança, parecia que a ida à guerra seria um trabalho apenas burocrático. Mas não foi bem assim; muito pelo contrário. No dia 10 de dezembro de 1944, o capitão João Tarcísio Bueno recebeu a missão de substituir o oficial, de igual patente, que “amarelara” nos combates, encarregado de tomar o Monte Castello, ocupado pelos nazistas. A FEB já tentara chegar lá em 25 e 29 de novembro, mas sempre esbarrava na artilharia alemã instalada em Abetaia, local que passou a ser chamado de “corredor da morte” ou “terra de ninguém”.

Nada disso intimidou João Tarcísio, que seguiu com três batalhões, na madrugada do dia 12 seguinte: quando viu seus homens serem abatidos pelo fogo inimigo, ele próprio foi para a frente de combate e, depois de gastar toda a munição de metralhadora e pistola, passou a lutar com granadas de mão. Era quase corpo a corpo quando conseguiu desalojar uma casamata alemã, ao mesmo tempo em que era atingido por uma bala dum-dum (usada pelos nazistas, apesar de proibida pela Convenção de Genebra), que lhe quebrou cinco costelas e destruiu seu pulmão direito.

Caído na neve e no gelo, foi dado como morto pelas patrulhas alemãs e, numa tentativa de fuga do local, caiu em um rio semi-congelado, cujas águas gélidas criaram coágulos e mantiveram sua vida. Ali ficou, por quase 24 horas, enquanto várias patrulhas brasileiras iam buscar conterrâneos mortos ou feridos, mas não o localizavam. Salvou-o seu ajudante de ordens, o soldado Sérgio Pereira, um jovem negro, alto e corpulento, de 19 anos, que saiu na madrugada do dia 13 para procurá-lo, apesar da objeção de superiores e companheiros, e o encontrou no riacho, ainda com vida. Arrastou-o para local mais propiciatório, retornou ao acampamento e voltou com dois padioleiros, que puderam enfim levar o oficial para seus primeiros atendimentos médicos. Como diria, anos depois, o jornalista David Nasser, sobre Sérgio e João: “Um Sancho Pança negro de um Dom Quixote branco”.

Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, popularmente conhecido como Monumento aos Pracinhas, Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro
Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, popularmente conhecido como Monumento aos Pracinhas, Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro

De volta ao Brasil

A via-crúcis de Tarcísio, no entanto, não terminou aí; trazido de volta ao Brasil, foi submetido, em treze anos, a numerosas cirurgias reparadoras e, por fim, fez sua segunda e última viagem aos Estados Unidos, em 1957, para operar-se no Hospital John Hopkins, em Baltimore, e serem fechadas as últimas duas fístulas ainda abertas em seu tórax. Na madrugada de seis de abril de 1963, o já então general de divisão João Tarcísio Bueno faleceu de edema pulmonar agudo, no Rio de Janeiro, tendo a seu lado a filha Sônia e oex-ajudante de ordens (e, desde a guerra, amigo) Sérgio Pereira, que salvara sua vida em 1944. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista e, segundo o médico que atestou seu óbito, morrera em consequência, ainda, dos ferimentos sofridos em Abetaia.

O capitão João Tarcísio Bueno foi promovido a major, ainda durante a guerra, e recebeu todas as medalhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Sangue do Brasil, Medalha de Guerra, Ordem do Mérito Militar e Cruz de Combate de Primeira Classe, do Brasil, Estrela de Prata (Silver Star) do Congresso dos Estados Unidos e Cruz de Guerra com Palma (Croix de Guerreavec Palme) do governo francês. É patrono de praça pública em Cuiabá, MT, e de colégio estadual em São Gonçalo, RJ.

Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno, lutando para reabrir as portas em 2016. Foto: Sepe.

A Escola Estadual

O Colégio Estadual Coronel João Tarcísio Bueno, embora haja recebido tal denominação em 1966 e acolhido seus primeiros alunos e professores em 1967, tem uma história que remete ao princípio do século XX.

Era 29 de dezembro de 1910, quando o presidente (governador) Alfredo Backer (1851/1937), fez publicar no Expediente do Estado do Rio de Janeiro (antigo Diário Oficial do Estado) seu ato criando a Escola Isolada do Jacaré, no bairro Paraíso, que começou a funcionar no ano seguinte, em casa alugada, como era praxe da época, sob a direção da professora Alda de Mello Cunha.

Ali ficou pouco tempo, pois o presidente (governador) (Francisco Chaves de) Oliveira Botelho (1868/1943), já em 1912, aprovava a sua mudança para o bairro de Mangueira em 1913. Hoje um bairro próximo, mas bem distante na época, devido à insuficiência de transporte público. Causou enormes protestos da comunidade, que duraram até 1927, quando o prefeito Mentor de Souza Couto (1889/1966) decidiu criar a Escola Municipal do Jacaré, entregando sua direção à professora Cândida Costa e Silva.

Um ano depois, ela comemorava o primeiro aniversário da unidade de ensino com festival de teatro no Cine-Teatro São José, que teve a encenação de uma opereta de sua autoria e homenagem ao sr. Adilson Tavares, por haver distribuído uniformes aos estudantes pobres daquele educandário.

Transferindo a escola da prefeitura para o estado

O empenho da prefeitura durou somente dois anos, transferindo a escola para a administração do Estado em 1929, ano em que, de novo, se criava a Escola Estadual do Jacaré, que viria a tomar o número 8. Na década de 1930, foi dirigida pela professora Odete São Paio.

Assim, duas unidades de ensino passaram a conviver na mesma área. Até que, na década de 1940, foram transformadas em uma só, com o titulo de Escolas Reunidas do Jacaré. Isto não impediu que, na mesma década, uma delas fosse denominada Escola Barão de São Gonçalo e a outra, na década de 1950, recebesse a denominação de (Maria de) Merícia Quaresma de Mello.

Eram homenagens a duas figuras importantes na história de São Gonçalo: primeiro, Belarmino Ricardo de Siqueira (1791/1873), o barão, que projetara a cidade no século XIX, aqui trazendo, em 1854 e em 1870, o imperador Pedro II e sua família para visita à fazenda Engenho Novo do Retiro, em Pacheco; segunda, a professora (Maria de) Merícia Quaresma de Mello (1873/1935), que sempre lecionou em Niterói, mas fazia incursões à nossa cidade, participando, nos primeiros momentos, da campanha de construção do Hospital de São Gonçalo, e cujo um dos filhos, o médico Manuel Pires de Mello (1904/1986), foi diretor, por vários anos, do Centro de Saúde de São Gonçalo, então estadual e hoje municipalizado com o nome de Washington Luiz Lopes.

Ocorre que as duas unidades de ensino eram insuficientes para atender ao crescimento do bairro e, por isso, no fim da década de 1950, as duas foram colocadas abaixo, para a construção de uma só, mais ampla que elas. Para que as homenagens àqueles vultos não fossem eliminadas, em 1967 foram criados a escola estadual Barão de São Gonçalo, municipalizada em 2014, e o Grupo Escolar de Sete Pontes (construído em 1952/1953) passou a ser denominado Escola Estadual Merícia Quaresma de Mello.

A área livre para a construção do novo colégio estadual chegou a ser visitado pelo governador Celso Peçanha (1916), em sete de setembro de 1961. Porém, obras, de fato, só foram iniciadas pelo governador Paulo Francisco Torres (1903/2000), também ex-combatente, em 1964.

O batismo com o nome do Coronel Tarcísio Bueno

Quando elas já estavam bem adiantadas, no princípio de 1966, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou projeto de lei, de autoria do deputado petebista Flávio Monteiro de Barros (1915/1979), denominando-a Dr. Jayme Figueiredo (1891/1944), mas o governador o vetou, sob o argumento constitucional de infringência do poder de iniciativa, que cabia ao Executivo, e baixou o decreto nº 12.344, de 22/04/1966, denominando-a Coronel João Tarcísio Bueno.

A construção da escola, com 16 salas de aula, só viria a ser concluída no ano seguinte, pelo governador Geremias de Mattos Fontes (1930/2010). Em 13/12/1967, ele nomeou a professora Lucy Vieira da Rosa como primeira diretora, para colocá-la em funcionamento a partir do ano letivo de 1968.

Dona Lucy, a primeira diretora

Dona Lucy, também professora municipal desde 1959, aqui nascera, em 10 de fevereiro de 1937. Filha de Aprígio Afonso Vieira e Maria de Andrade Vieira, casara com Milton José da Rosa e residia no bairro Porto da Madama.

Fizera o primário no Curso Benjamin Constant, unidade particular então existente no bairro Porto Velho, e o ginasial e o normal no Colégio São Gonçalo, pelo qual se diplomou professora, antes de alcançar o nível superior na Sociedade Universitária Augusto Mota (SUAM), no Rio de Janeiro.

Aprovada em concurso público, em 1962, a 30 de junho daquele ano era nomeada para exercer o magistério estadual na Escola Frederico Ozanam. Em 1965, foi removida para a Escola Estadual Padre Manoel da Nóbrega. E em 1967, finalmente, chegou à direção da Escola (hoje, Colégio) Estadual João Tarcísio Bueno, na qual permaneceu até 30 de outubro de 1976.

Retornou à Escola Padre Manoel da Nóbrega e em 1978 passou a atuar no Núcleo de Educação, Cultura e Trabalho (NEC), da secretaria estadual de Educação, em São Gonçalo, sendo promovida a Supervisora Educacional em 1981 e logo depois a Inspetora Escolar, cargo no qual foi aposentada em 26 de setembro de 1995.

A expansão na década de 70

O Colégio Estadual João Tarcísio Bueno prosseguia em expansão, a primeira das quais ocorreu em 1973, com a construção de mais sete salas de aula, segundo o jornal O Fluminense, de quatro de setembro de 1973, página 7, e recebia também em suas instalações, à noite, o Colégio Padre Flávio Arcoverde, da então Campanha Nacional de Escolas Gratuitas (CNEG), posteriormente transformada em Escolas da Comunidade (CNEC), tornando-se mais um empreendimento privado de educação, ao contrário do que pretendia seu iniciador, na década de 1950, Felipe Tiago Gomes.

É preciso voltar no tempo para explicar: somente o antigo ensino primário (quatro séries iniciais do atual ensino fundamental) era ministrado gratuitamente pelo poder público. Aumentando a demanda por ginásios (hoje, quatro séries finais do ensino fundamental), o padre Flávio Arcoverde, então na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, lutou para que o ginásio fosse implantado à noite naquele educandário, garantindo a seus alunos o prosseguimento gratuito dos estudos. Como o religioso faleceu em 27 de setembro de 1968, seu nome foi dado à nova unidade de ensino, então com caráter comunitário, que ali funcionou por cerca de 20 anos.

Tarcísio Bueno e o governo Leonel Brizola

A Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno só voltaria a ser objeto das preocupações do governo do estado em 1986. Assim mesmo, por motivos outros: o governador Leonel Brizola (1922/2004) e seu vice, professor Darcy Ribeiro (1922/1997), haviam decidido extinguir a Faculdade de Formação de Professores (hoje subordinada à UERJ). Encontraram tal reação da comunidade que, no ano de 1986, tentando diminuir o impacto político, lançaram o projeto denominado Complexo Educacional de São Gonçalo.

Para o Tarcísio Bueno, projetaram o que as oficinas de carro velho, para revenda, chamam de guaribada, ou seja, fazer uma pintura geral para garantir a aparência. Salvou-os o artista plástico Carlos Scliar (1920/2001). Convidado para visitar o local, e sem poder mexer na estrutura, imaginou uma pintura diferente.

Tarcísio Bueno – Escola e Patrono
Escola Estadual Tarcísio Bueno, Paraíso – São Gonçalo.

A famosa pintura do “Colégio Colorido” do Paraíso

As paredes das salas de aula seriam brancas, com poesias de autores nacionais – nenhum local, embora a cidade tivesse expoentes da poesia, entre eles o consagrado Alberto Silva (1863/1912) e os menos famosos José de Moraes e Silva (1832/1896), Nicomedes Pitanga (1872/1950) e Brígido Tinoco (1910/1982) –, enquanto as paredes externas da unidade de ensino receberiam formas geométricas nas cores vermelho, amarelo, azul, verde e laranja. Com as sucessivas reformas, as poesias internas desapareceram, mas a pintura externa permaneceu, fazendo com que a Tarcísio Bueno passasse a ser conhecida como a “escola colorida”.

Scliar nascera no Rio Grande do Sul e, aos 19 anos, integrou-se ao movimento artístico em São Paulo, com Di Cavalcanti, Portinari, Flávio de Carvalho e Segall, entre outros. Tinha algo em comum com Tarcísio Bueno: também ele, artista, integrara a Força Expedicionária Brasileira (FEB), como cabo de artilharia, e combatera na Itália, contra o nazi-fascismo. Na Tarcísio Bueno, seu propósito era o de “fazer funcionar os olhos, a sensibilidade e a criatividade dos jovens”, conforme declarou aos jornais ao visitá-la, em abril de 1986. Embora os poemas já hajam desaparecido, a parte externa permanece preservada e a “escola colorida” continua a estimular seus jovens alunos, como pretendia o artista plástico.

O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos
O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos
Foto: Alex Ramos

Este cenário de sonho esvaiu-se em agosto de 2015, quando parte do telhado da unidade escolar ruiu, todos os alunos foram transferidos para Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) das imediações e o prédio ficou aguardando decisão do governo estadual de realização de obras reparadoras, conforme noticiado nas páginas 01 e 07 do jornal O São Gonçalo, de 07 de dezembro de 2015.

Fontes:

João Tarcísio Bueno, o Herói de Abetaia, de Alexei Bueno, 142 páginas, Casa Editorial Germakoff, Rio de Janeiro, 2010.

As Ruas Contam Seus Nomes, de Emmanuel de Macedo Soares, p. 728.

Expediente do Estado do Rio de Janeiro, 28-12-1913, p. 1.
Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 01-03-1959 (Diário das Municipalidades, p. 2); 23-04-1966, p. 1; 13-07-1967, p. 1; 05-11-1976, p. 17; e 26-09-1995, p. 13.

Acervo da família de Lucy Vieira da Rosa.

Jornal do Brasil, 05-02-1899, p. 6.

O São Gonçalo, 26-04, p. 1, e 25-09-1966, p. 2.

Correio da Manhã, 22-09-1966, p. 21.

O Globo, 07-04-1986, p. 9

Publicado inicialmente no Blog do Vovozinho.

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A desigualdade entre os jovens gonçalenses cria duas cidades https://simsaogoncalo.com.br/desigualdade-entre-os-jovens-goncalenses-cria-duas-cidades/ https://simsaogoncalo.com.br/desigualdade-entre-os-jovens-goncalenses-cria-duas-cidades/#comments Sat, 08 Apr 2017 21:30:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4429 Dois tipos de jovens se destacam e têm papel fundamental na construção irregular de São Gonçalo. Fora das favelas, onde prevalece a pobreza, os tipos podem ser vistos misturados nas ruas e nos espaços públicos. Majoritariamente do sexo masculino, frequenta a Fazenda Colubandê o esportista saudável, branco, que corre na pista, joga basquete na quadra […]

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Dois tipos de jovens se destacam e têm papel fundamental na construção irregular de São Gonçalo. Fora das favelas, onde prevalece a pobreza, os tipos podem ser vistos misturados nas ruas e nos espaços públicos.

Majoritariamente do sexo masculino, frequenta a Fazenda Colubandê o esportista saudável, branco, que corre na pista, joga basquete na quadra bem vestido e convida as meninas para ver o jogo. Elas até se maquiam para assistir. Andam em grandes grupos, por segurança.

Também frequenta a Fazenda o jovem negro, de chinelo, bermuda, sem camisa (carregada no ombro) e boné. Ele perambula pelo espaço. Acende um cigarro, senta na escada diante da pista e vê as pessoas correndo. Se encontrar um amigo, levanta, brincam de luta por alguns minutos e quando se cansam os dois comentam as últimas notícias das bocas de fumo das redondezas. Esse jovem assusta, afinal, tem a aparência daqueles que assaltam. Anda em grupos menores.

Há rapazes e moças no Ensino Médio particular que almoçam todos os dias, de segunda a sexta, nos restaurantes do Centro e do Rodo após as aulas. Na São Gonçalo carente os jovens não estudam, passam o dia planejando o próximo churrasco de rua, jogando futebol ou fumando maconha. De acordo com o Atlas Brasil 2013, a proporção de gonçalenses de 18 a 20 anos com Ensino Médio completo é de apenas 45,52%.

Os flanelinhas serelepes do bairro Raul Veiga, que atuam ao lado do campo Central, têm 17, 15, 12 e até 10 anos de idade. Abrem um sorriso alegre depois que recebem a gorjeta extorquida. São um pouco mais maduros os jovens que cobram pedágio dos carros que passam pelo atalho da RJ-104 por baixo do viaduto, entre Coelho e Alcântara. Por outro lado, a São Gonçalo de ensino avançado exporta alunos fluentes em Inglês para olimpíadas internacionais de Matemática e eles retornam medalhistas.

Existe a cidade de cultura pujante alavancada pelo teatro cômico, pelo hip hop e pelas artes em geral praticadas principalmente pela juventude. A militância política dela, dedicada a estudar temas e leis a fim de cobrar a aplicação honesta do dinheiro público, é nobre e bela, mas pouco conhecida.

Houve migração de criminosos do Rio de Janeiro para São Gonçalo após a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora. Mas eles só conseguiram se estabilizar por aqui e aumentar a criminalidade porque encontraram soldados suficientes entre os jovens desocupados do município.

A São Gonçalo suja, que provoca medo, é maior, conta com a conivência do poder público, mas não significa que a outra seja pequena, é repleta de exemplos de sucesso conquistados com dedicação e investimento nos jovens. São eles que criam a cidade do próximo instante.

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O Gigante acordou! Lavourão, um patrimônio adormecido no coração da cidade https://simsaogoncalo.com.br/lavourao-um-patrimonio-adormecido-no-coracao-da-cidade/ https://simsaogoncalo.com.br/lavourao-um-patrimonio-adormecido-no-coracao-da-cidade/#comments Thu, 16 Mar 2017 17:00:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4383 Dia 10 de março de 2017, estive no Centro Cultural Joaquim Lavoura para o Show de comédia em pé do grupo “Descontrarindo”. A entrada, um quilo de alimento, foi doada para o Abrigo Cristo Redentor. A mesa de doações ficou farta, ressaltando quem levou até leite em pó para os idosos. A Secretaria de Cultura, com […]

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Dia 10 de março de 2017, estive no Centro Cultural Joaquim Lavoura para o Show de comédia em pé do grupo “Descontrarindo”. A entrada, um quilo de alimento, foi doada para o Abrigo Cristo Redentor. A mesa de doações ficou farta, ressaltando quem levou até leite em pó para os idosos.

A Secretaria de Cultura, com toda sua equipe, imprimia um abraço largo aos convidados. O brilho das centenas de sorrisos flamejam de alegria o velho prédio cultural. Os meninos da comédia fizeram um evento à altura da ilustre plateia: artistas, músicos, secretários, patrocinadores e gente comum de verdade. É a arte de construir movimentos humanos com uma dose de pouco recursos e uma pitada de quase nada. A Dedicação foi a palavra-chave para aquela noite. Alegria foi o sobrenome da festa.

O Centro Cultural foi inaugurado em 22 de setembro de 1988, no governo Hairson Monteiro. Nessa época, CULTURA era apenas um departamento da Secretaria de Educação. Previsto para ter 6 andares, o prédio parou no 4º por falta de verba.

Era o que havia de melhor em construção. Revestido em mármore e com acesso para cadeirantes, o orçamento de 500 mil dólares não foi suficiente para dar conta da obra. Uma revolução em termos de “Aparelho Cultural”.

Foi pensado como um espaço para abrigar setores administrativos de uma vertente que crescia em importância e que, em breve, se tornaria uma Secretaria. A cultura apontava para ser a principal ferramenta da Secretaria de Educação até construir seu espaço independente e convergente.

O plano não foi pra frente. A Secretaria de Cultura tornou se uma realidade apenas no ano de 2001, graças à força dos movimentos sociais que reverberavam o “fazejamento” cultural daquela década.

Plateia, artistas e equipe da Secretaria de Cultura no Centro Cultural Joaquim Lavoura
Plateia, artistas e equipe da Secretaria de Cultura no Centro Cultural Joaquim Lavoura

Consolidando o Lavourão como um dos pólos de cultura da cidade

Hoje, em estado de calamidade declarado, o governo municipal promoveu o achatamento do setor em nome da crise. É preciso corrigir o curso da história, pois o Centro Cultural Joaquim Lavoura nunca desempenhou o papel para o qual foi destinado. Exprimida em apenas um dos andares do prédio, a Secretaria de Cultura e a FASG depende exclusivamente da criatividade e da profissionalização dos gestores. Não possuem concursados ou política pública de médio e longo prazo.

Atendendo a lógica da promoção, o espaço deve atender a demanda do setor cultural que não diminuiu após o achatamento promovido pelo governo NANCI. O gerenciamento do prédio precisa atender a demanda da Sociedade Civil : Projetos, eventos, cursos, profissionalização, aulas e administração. Um espaço de vivência e conexão com a importância da cultura no processo de formação da cidade e do ser humano. E se mover ao contrário carecemos entender os motivos.

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Clélia Nanci e a reocupação anti-democrática https://simsaogoncalo.com.br/clelia-nanci-e-a-reocupacao-anti-democratica/ https://simsaogoncalo.com.br/clelia-nanci-e-a-reocupacao-anti-democratica/#respond Fri, 16 Dec 2016 13:33:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4191 Foi grande o crescimento da população jovem brasileira nos últimos 35 anos. Somado às políticas inclusivas, tivemos um aumento considerável no número de matrículas, inchando as escolas públicas que, dada a incompetência e corrupção dos governos, resultou na educação que temos hoje, mal-gerida, com escolas sucateadas e profissionais mal-remunerados. Nesse sentido, buscando reivindicar melhores condições para todos, o movimento de ocupação das escolas de ensino […]

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Foi grande o crescimento da população jovem brasileira nos últimos 35 anos. Somado às políticas inclusivas, tivemos um aumento considerável no número de matrículas, inchando as escolas públicas que, dada a incompetência e corrupção dos governos, resultou na educação que temos hoje, mal-gerida, com escolas sucateadas e profissionais mal-remunerados. Nesse sentido, buscando reivindicar melhores condições para todos, o movimento de ocupação das escolas de ensino médio e fundamental fez sentido, chamando a atenção para um problema que é de todos.

Entretanto, após os acordos e conquistas daquele primeiro momento, parece que alguns militantes passaram a acreditar que ocupar é instrumento legítimo para tudo, inclusive para fazer algo que tantos lutaram para implementar no Brasil: o direito de votar.

Alunos se reuniram bem cedo na porta da escola para desocupá-la, resgatando seus direitos de estudar e votar.

No final da tarde da terça-feira, a “reocupação” aconteceu. Entretanto, as reivindicações agora eram outras. Questionavam a legitimidade da eleição que aconteceria no dia seguinte, alegando não concordar com a eleição de chapa única. Entretanto, a própria Secretaria de Estado de Educação lembra que a Lei Estadual Nº 7.299 não impede que a eleição aconteça, mesmo que só haja uma chapa, deixando ainda mais duvidosa a atitude do grupo.

Dada a incoerência da situação, a ação dos alunos foi rápida: marcaram de aparecer na porta da escola no dia seguinte, no primeiro horário da manhã. Naquela manhã chuvosa de quarta-feira (14/12/2016), a massa de estudantes contrários à ocupação, literalmente, desocuparam a escola. Não reconhecendo o grupo de alunos ocupantes como algo legítimo, acionaram a polícia militar que, após a “desocupação” feita pelos alunos, levou os militantes para prestar esclarecimentos na delegacia.

Se para alguns essa nova ocupação era sem sentido, servindo só para tumultuar o já desregulado calendário escolar, para outros as motivações foram bem menos nobres e mais pessoais. Parece que o jeito brasileiro de fazer política está refletindo nos movimentos estudantis, que contaminados por partidos políticos, deixam a comunidade em segundo plano, favorecendo os interesses pessoais e de pequenos grupos.

As dúvidas tornaram-se ainda maiores quando adesivos de apoio à direção atual foram encontrados em posse dos militantes ocupantes, como mostram as imagens abaixo. Afinal, se a direção antiga quisesse ficar, não seria mais fácil se candidatar, formando uma segunda chapa?

Joseli – Clélia Nanci São Gonçalo
Adesivos de apoio à atual direção.

Esse fato acontecido na cidade, bem próximo aos nossos olhos, nos leva a questionar, mais uma vez, o quanto a educação e o desenvolvimento na capacidade de pensar, refletir e discernir para agir pode quebrar esse ciclo de péssimos exemplos que temos na política nacional. Se hoje, movimentos criados por jovens com boas finalidade são usados como instrumento de manobra, beneficiando pequenos grupos em detrimento do interesse coletivo, o que se esperar desses mesmos militantes no futuro?

Fica aqui o parabéns à comunidade escolar que se fez presente, se organizando e manifestando seus direitos legítimos. É preciso repetir para não esquecermos: o diálogo sempre vem antes da força, pois a escola é de todos.

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Uma ilha chamada Niterói – a fuga dos talentos gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/uma-ilha-chamada-niteroi-a-fuga-dos-talentos-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-ilha-chamada-niteroi-a-fuga-dos-talentos-goncalenses/#comments Sat, 20 Aug 2016 16:22:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3961 Pensei bastante antes de escrever tudo isso. Mas depois de ver as estatísticas demográficas disponibilizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi inevitável chegar a essa conclusão. Olhando as cidades fluminenses e dos outros estados, são poucas as que chegam às proporções da nossa cidade co-irmã. Além de ter uma das maiores proporções de pessoas na faixa de renda mais alta, quase 50%, Niterói também […]

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Pensei bastante antes de escrever tudo isso. Mas depois de ver as estatísticas demográficas disponibilizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi inevitável chegar a essa conclusão. Olhando as cidades fluminenses e dos outros estados, são poucas as que chegam às proporções da nossa cidade co-irmã. Além de ter uma das maiores proporções de pessoas na faixa de renda mais alta, quase 50%, Niterói também é uma das cidades com maior proporção de eleitores com nível superior, com quase 30% da população, contrastando com os 2,5% gonçalenses. Num Brasil onde essa média é de 6,5%, dá para afirmar que Niterói é uma ilha.

O início das segregações naturais

A criação do nosso município se deu após uma emancipação. Até 1890, éramos uma parte niteroiense. Durante a primeira metade do século XX, muita coisa aconteceu por aqui, inclusive a implementação de várias indústrias, no áureo período da “Manchester Fluminense”.

Nessa época, Niterói era a capital do estado do Rio de Janeiro (não confunda com a cidade do Rio, o Distrito Federal). E lógico, como toda capital, concentrava vários serviços, especialmente os mais especializados que, por consequência, exigiam mais escolaridade. São Gonçalo, ao contrário, abrigou indústrias. E sabemos bem o que isso significa: empregos menos qualificados, focados em produzir para uma linha de produção. O Vila Lage é o retrato de uma época onde ainda se construía vilas para os trabalhadores.

Mas no meio do caminho, havia um JK. Juscelino Kubitschek criou Brasília, levando a capital federal para lá e esvaziando o Rio de Janeiro aos poucos. Anos depois, os governos militares integraram todo o estado, transferindo a capital estadual para o Rio. Deixaram Niterói órfã de toda a importância regional que tinha.

Era uma época onde muitas empresas não resistiam às diversas mudanças econômicas brasileiras. As indústrias que ficavam em São Gonçalo não escaparam disso. Niterói, agora ex-capital, via suas organizações indo para o outro lado da ponte. A importância do Leste Fluminense tornava-se apenas uma história.

Foto: O Globo
A principal porta de entrada dos ônibus que trafegam entre as cidades, o 2º maior fluxo de pessoas entre cidades brasileiras. Foto: O Globo

A fuga de talentos: trabalha lá? mora lá!

Aos olhos de quem teve e tem poucas oportunidades, as duas escolas que estudei em São Gonçalo eram consideradas “escolas da elite gonçalense”. De 1997 à 2003, estudei no Santa Teresinha e no Colégio MV1. Posso afirmar que boa parte das pessoas que convivi fariam parte desses 2,5% de eleitores com ensino superior na cidade.

Digo “fariam” porque muitos votam em Niterói faz tempo. Outros já transferiram seu título para o Rio. Sem falar naqueles que moram em São Paulo ou estão fora do país. Estudar, especialmente quando se tem nível superior, te faz buscar novos caminhos. E para nossa infelicidade, bem longe de onde moramos.

O tempo no transporte é um dos fatores principais dessa migração. Afinal, se todos morássemos a 15 minutos do trabalho andando seria uma bênção. Mas não é bem por aí. Quando a escolaridade avança, é natural que os salários também acompanhem essa evolução. Nessa movimentação, as pessoas buscam a tão falada qualidade de vida. Ficar 2, 3, 4 ou até 5 horas no trânsito começa a se tornar uma opção, não mais uma obrigação.

Ainda sim, a maioria das pessoas continua nessa “migração pendular”. Não à toa, o 2º maior fluxo de pessoas entre cidades no Brasil pertence a nós.

Note que os trabalhos mais qualificados não estão em São Gonçalo. Respeitando a lógica histórica que escrevi acima, eles se concentram no Rio e Niterói. O que faz com que as pessoas deixem a cidade, mesmo tendo carinho por ela.

Universidade Federal Fluminense, a UFF de Niterói
Universidade Federal Fluminense, a UFF em Niterói. Foto: André Redlich / O Fluminense

Educação: a chave da qualidade de vida

Niterói teve sua importância reduzida após a transferência da capital do estado. Porém, ficou a principal matéria-prima das cidades: pessoas. Famílias de maior poder aquisitivo viam na cidade a conjunção de várias coisas boas que se sobrepunham: uma vasta rede escolar, uma universidade pública de relevância nacional, como a UFF (Universidade Federal Fluminense), uma infraestrutura considerável e, até então, não tinham a violência da cidade do Rio de Janeiro.

Assim se transformou num pólo de atração para os mais abastados. Nos últimos 20 anos, com o lançamento do MAC e a promoção do caminho Niemeyer, a cidade ganhou ainda mais projeção no cenário nacional. Sem dúvidas, o ponto-chave que definiu essas transformações chama-se educação.

Ouvir que “educação é a solução” é enfadonho. É uma frase pronta de qualquer político ou palestrante. Mas para nós, saber que a co-irmã é a 7ª em qualidade de vida no Brasil não espanta mais. Niterói colhe os frutos que só a pressão política e social das cidades mais instruídas é capaz. Afinal, ter 30% de seu eleitorado com nível superior, num Brasil onde a média é 6,5%, faz da cidade uma ilha.

E se você acha que tudo são só elogios, engana-se. As desigualdades da cidade são fortes. Sem falar que o sentimento de superioridade, por conta da renda e instrução mais alta, também faz com que muita gente se sinta com o rei na barriga. Problemas de um Brasil que foi escravocrata há pouco mais de um século atrás. São os efeitos colaterais. O crime é um deles, e os bandidos também já perceberam que há muitas chances por lá.

Independente disso, fica o aprendizado: a educação estimula o desenvolvimento do mercado de trabalho, tornando-se a chave-mestra, a ponte para o futuro. Sem isso, definitivamente, nossos talentos gonçalenses vão continuar saindo da cidade, e nós continuaremos a acreditar que “ninguém fica aqui”, mesmo vendo o município inchar cada vez mais.

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Poder de fala https://simsaogoncalo.com.br/poder-de-fala/ https://simsaogoncalo.com.br/poder-de-fala/#respond Tue, 28 Jun 2016 21:46:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3759 Li e ouvi desabafos de pessoas, tanto pela internet quanto pessoalmente, dizendo que agora nós só sabemos falar disso. “Disso o que?”, você deve estar se perguntando. Eu digo: a cultura do estupro. “Ah sim, é mesmo!” É a frase que eu espero que você não tenha dito. Porque se você disse, ou até pensou, só […]

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Li e ouvi desabafos de pessoas, tanto pela internet quanto pessoalmente, dizendo que agora nós só sabemos falar disso. “Disso o que?”, você deve estar se perguntando. Eu digo: a cultura do estupro.

“Ah sim, é mesmo!” É a frase que eu espero que você não tenha dito. Porque se você disse, ou até pensou, só tenho que lamentar por você, meu caro. Começamos a falar sobre isso e agora, mais do que nunca, não vamos parar.

Se por alguns instantes, você pensar na magnitude desse poder de fala e da visibilidade que estamos tendo com relação ao assunto, verá o quanto isso é maravilhoso. Irei esmiuçar para que fique didático e não tão melancólico assim. Na real, não gosto de falar sobre isso, mas é necessário que se fale para que possamos perceber essa cultura no nosso dia-a-dia e obviamente, dessa forma consertá-la (na verdade, excluí-la por completo).

Somos educadas, quase que adestradas, para sermos recatadas, puritanas e quietas. Não temos a liberdade de escolha em diversas esferas das nossas vidas, seja nas nossas relações afetivas e ou sexuais. Somos censuradas em nossas vestes, nosso corpo, nossa forma de expressão verbal, física e até mesmo no nosso desejo (e NÃO desejo também) de interação física com o outro. Parece bem complexo dito assim, mas é tão simples que chega a entristecer.

Cultura do Estupro

Não podemos sair com muitas pessoas, senão somos vadias. Também não podemos sair com poucas, senão somos caretas. Não use roupas muito curtas, senão vai ficar vulgar. Mas também não use roupas muito compridas, senão vai ficar com cara de “maria mijona”. Não seja magra demais, senão fica feia. Não seja gorda demais, senão fica feia também. Não fale palavrão, isso é coisa de macho! Não fale muito delicadinha, senão você parece patricinha. Não dê mole logo de cara, senão ninguém vai te levar a sério. Não faça muito doce, senão você vai ficar pra titia.

Viu como é simples e corriqueiro? Caso você não saiba, isso é cultura do estupro. Todas essas frases sustentam pensamentos machistas que por sua vez, respaldam atitudes desrespeitosas, violências físicas, verbais e até mesmo sexuais. Parece exagero, mas não é.  Por isso a nossa possibilidade de falar sobre isso em todos os espaços de debate possíveis é muito importante, porque fomos silenciadas a cada frase destas, e agora podemos expor o quão incômodo são todas elas.

Por tanto, mano, não venha querer me calar. A gente começou a falar e pode ter certeza, que não vamos parar até que a gente ouça, veja e sinta o seu respeito.

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Dentro do Pandiá ocupado https://simsaogoncalo.com.br/dentro-do-pandia-ocupado/ https://simsaogoncalo.com.br/dentro-do-pandia-ocupado/#respond Tue, 17 May 2016 23:36:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3642 “Aprendi a jogar xadrez dentro do Pandiá ocupado, e como lutar por meus direitos. Aprendi muitas coisas legais na ocupação”, me disse o jovem Wilson, aluno do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, que faz parte do movimento Ocupa Pandiá e guiou a visita que fiz à escola. A ocupação, parte da mobilização estadual […]

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“Aprendi a jogar xadrez dentro do Pandiá ocupado, e como lutar por meus direitos. Aprendi muitas coisas legais na ocupação”, me disse o jovem Wilson, aluno do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, que faz parte do movimento Ocupa Pandiá e guiou a visita que fiz à escola.

A ocupação, parte da mobilização estadual por melhorias na Educação, teve início dia 26 de abril. Entre as reivindicações locais estão reformas na infraestrutura do Pandiá, como a construção de cobertura para a quadra de esportes, e a devida manutenção e limpeza das instalações (baratas e resíduos foram encontrados pelos alunos na caixa d’água central e nas torneiras do refeitório). O movimento já comemora algumas demandas acatadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, um simulado para o ENEM produzido pelo corpo docente e dois tempos de aula de Sociologia e Filosofia a partir de 2017, por exemplo. Mas “a luta continua”, nas palavras confiantes de Wilson.

Quando estudei no Pandiá, os jovens que lá estão varrendo, cozinhando e cuidando do patrimônio público nem eram nascidos. Lembro bem dos desafios entre valentões durante as aulas, há 22 anos atrás, e das brigas sangrentas no intervalo em campo aberto, com a torcida dos oponentes gritando ao redor. A recepção calorosa do grupo, extremamente inteligente e simpático, a disciplina rígida que não permite o fumo nas dependências da escola e a clareza das reivindicações surpreendem. Quem pensa encontrar um ambiente sujo de jovens baderneiros, vibrando porque tomaram a escola, transando nos corredores como ignorantes contra a ocupação alegam, não conhece militância política e não sabe do que a juventude gonçalense é capaz.

Dentro do Pandiá ocupado se aprende façanhas que a maioria do povo chega à terceira idade sem saber, como a Linguagem Brasileira de Sinais, organização política e ação social. “Eu aprendi na ocupação” é a frase mais ouvida pelo visitante; por desenvolver jovens sensatos e articulados o Pandiá Calógeras é o colégio mais completo de Alcântara hoje e provavelmente dele já nasceu a nova elite política e intelectual da cidade de São Gonçalo, não dos colégios privados.

O bebedouro de concreto que eu usava em 1994 continua lá, próximo da escada que desce para o refeitório, e pelas redondezas ainda circula Caju, famoso vendedor ambulante. O Pandiá, entretanto, mudou: ele nunca esteve ocupado por tanto amor.

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Gonçalismo: um estranho jeito de pensar em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/goncalismo-um-estranho-jeito-de-pensar-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/goncalismo-um-estranho-jeito-de-pensar-em-sao-goncalo/#comments Wed, 21 Oct 2015 03:32:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3265 No início do SIM São Gonçalo, lá em fevereiro de 2012, havia algumas coisas que incomodavam bastante no cenário regional. Elas não eram visíveis. Quando percebi, vi que não bastava mostrar os dados, opiniões ou reclamações. Era preciso mudar o “mindset”. Num português bem claro, mudar o nosso “jeito de pensar”. “Não se mete com […]

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No início do SIM São Gonçalo, lá em fevereiro de 2012, havia algumas coisas que incomodavam bastante no cenário regional. Elas não eram visíveis. Quando percebi, vi que não bastava mostrar os dados, opiniões ou reclamações. Era preciso mudar o “mindset”. Num português bem claro, mudar o nosso “jeito de pensar”.

“Não se mete com isso!” Você já ouviu essa frase na sua vida? Já ouvi muitas vezes. Muitos escutam isso para as coisas mais simples, como participar de um grupo religioso ou de esporte, por exemplo. Em discussões sobre política, ideias de futuro, novas formas de viver melhor, somos sempre encorajados a não falar nada. Não discutir, nem trocar. Nas discussões em família, ou com amigos, é normal ver aquelas pessoas insistindo em dizer que “isso não é para você”. Tudo feito para desqualificar qualquer ação que você tome. Mesmo que ela seja para o bem-estar de todos.

Não somos únicos com isso. Aliás, algumas vezes, penso que é um problema brasileiro, que certamente acontece em outros países. Porém, por aqui em São Gonçalo, já ouvi um termo bem específico: o Gonçalismo.

Não chega a ser uma doença, mas um sintoma claro de uma cidade que viveu um apogeu financeiro industrial, sendo vizinha da capital do estado (Niterói) e do distrito federal (Rio de Janeiro), que antes foi residência da única corte real que morou nas Américas. Sinal de uma cidade decadente, que quando alguns cidadãos tentam reerguê-la, ouvem um “isso não é para você” novamente.

Mas o que é esse gonçalismo?

Numa definição, o Gonçalismo é um sentimento de recalque com o medo da responsabilidade. Um sintoma para uma doença mortal: a falta de autoestima, a tristeza em seu próprio lar.

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Nos últimos anos, parece que estamos “virando o jogo”. Com a participação de novas pessoas, novas mentes e novos sonhos, estamos encontrando a chave para entrar num novo momento. Não se trata de candidaturas políticas, salvadores, pelo contrário. Nunca o poder das pessoas foi tão fundamental. Finalmente, quem é de São Gonçalo de verdade está disposto a mudar seu “mapa mental”, não permitindo que esse gonçalismo se faça presente, ficando cada vez mais inconformado com cada serviço mal prestado, do fornecimento de água à coleta e tratamento do lixo.

Toda semana, a cada comentário que leio, percebo como estamos revertendo esse quadro clínico. Demora, sei disso. Mas já é um primeiro passo. Aos poucos, conhecemos nossa história, nossa vocação, nosso território e o que podemos fazer por aqui. Para quem achava que a terra era infértil, parece que muita coisa ainda vai nascer por aqui.

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Vieira Brum’s Piper, porque música é vida https://simsaogoncalo.com.br/vieira-brums-piper-porque-musica-e-vida/ https://simsaogoncalo.com.br/vieira-brums-piper-porque-musica-e-vida/#respond Wed, 12 Aug 2015 00:44:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3101 O Vieira Brum’s Piper é um projeto feito para jovens e adolescentes de comunidade gonçalenses, especialmente para aqueles em situação de risco, sediado no Centro Educacional Vieira Brum, bairro Antonina. Ativo desde 2004, acredita que através do aprendizado com as Gaitas de Fole Escocesas é possível levar aos alunos noções de civismo, companheirismo, somado aos […]

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O Vieira Brum’s Piper é um projeto feito para jovens e adolescentes de comunidade gonçalenses, especialmente para aqueles em situação de risco, sediado no Centro Educacional Vieira Brum, bairro Antonina. Ativo desde 2004, acredita que através do aprendizado com as Gaitas de Fole Escocesas é possível levar aos alunos noções de civismo, companheirismo, somado aos conhecimentos musicais através do instrumento europeu. O projeto é aberto a todo público, e os alunos têm a possibilidade viver novos contextos socioculturais.

Em 2012, inovou com apresentações inusitadas, tocando a gaita de fole fazendo embaixadinhas, em cima da corda bamba, de cabeça para baixo ou até mesmo tocando duas ao mesmo tempo. A arte totalmente brasileira de tocar o instrumento, chamando a atenção dos jovens para algo diferente é algo diferente, que atrai e gera interesse na sociedade.

 

Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo  Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo

A principal contribuição das atividades é reduzir o tempo ocioso das crianças e jovens, fomentando o gosto pela música, propiciando um desenvolvimento saudável para todos, longe das ruas e do contato com as drogas, prostituição ou marginalidade.

A única exigência para fazer parte deste projeto é estudar e apresentar boas notas. O uniforme e as gaitas são disponibilizados pelo Colégio Vieira Brum. Assim, é possível estimular valores como a honestidade e a integridade.

Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo

Neste ano de 2015, o Vieira Brum’s Piper foi convidado a participar do Festival Internacional da Juventude de Aberdeen, na Escócia. Entretanto, não pode comparecer por falta de financiamento das passagens, mesmo já tendo as hospedagem pagas. A meta agora é se preparar para o Festival de Berlim, Alemanha, que acontecerá em 2016.

Consciente de sua importância, o Vieira Brum’s Piper se destaca no cenário artístico e cultural nacional, pelo seu ineditismo regional com um instrumento europeu, sendo um instrumento de educação, socialização e cidadania.

Confira mais imagens do grupo Vieira Brum’s Piper.

Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo Vieira Brum's Piper por SIM São Gonçalo

Entre em contato com o projeto:

Jhonny Mesquita
Emails: jhonny_mesquita@yahoo.com.br / pipervieirabrum@gmail.com
Telefones: 21 2604-9444 / 98868-3448 / 99565-1907

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A Biblioteca do Catarina https://simsaogoncalo.com.br/biblioteca-catarina/ https://simsaogoncalo.com.br/biblioteca-catarina/#comments Mon, 08 Jun 2015 18:18:14 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2927 Antes de seguir o corredor em direção ao quarto, dá uma olhadinha no relógio de parede que marca, religiosamente, cinco minutos para vinte horas. Não adianta lutar contra. É certo que será vencido pelo sono, lembrando o quanto estaria aceso naquele mesmo horário em sua juventude. O tempo é realmente um adversário invencível, que se utiliza de armas das quais […]

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Antes de seguir o corredor em direção ao quarto, dá uma olhadinha no relógio de parede que marca, religiosamente, cinco minutos para vinte horas. Não adianta lutar contra. É certo que será vencido pelo sono, lembrando o quanto estaria aceso naquele mesmo horário em sua juventude. O tempo é realmente um adversário invencível, que se utiliza de armas das quais não temos escudos para nos proteger. Com os dedos ásperos de anos e anos de trabalho duro como pedreiro, desliga o interruptor da luz do corredor e com passos curtos e cansados caminha para o quarto.

Senta-se na beirada do colchão. Mas antes de se deitar, seus olhos encontram na parede misturada àquele mundo de livros, incluindo a velha enciclopédia Barça de seis volumes onde tudo começou, em 2004. Imediatamente, lembrou-se de Maria da Penha, sua mais que esposa, amiga e companheira, que com ele começou aquele sonho, inclusive, abdicando de seu próprio quarto para que as crianças da comunidade tivessem acesso aos livros e conhecimento.

O rosto de Maria da Penha estava nítido em sua memória. Perdera recentemente, e com ela, o ânimo de continuar aquele nobre trabalho. Lembra-se como se fosse hoje, quando voltou de uma viagem do Recife, com sua inseparável bike, e juntos sentaram para idealizar a biblioteca. Aquela velha enciclopédia de 10 anos de idade foi a primeira a ir para estante.

Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Momento das obras para a construção da Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina, ainda na fase das obras.
Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina, ainda na fase das obras.

O acervo da biblioteca foi crescendo cada vez mais com doações de amigos. Aquele personagem feito do sabugo de milho criado por Monteiro Lobato, que devorava livros e fazia dele um intelectual, sempre passeou pela sua imaginação. Com aprovação de sua esposa, foi com o nome desse personagem que nascia a Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa. Na época, a biblioteca mais próxima era a do Centro Cultural Joaquim Lavoura, e não se podia deixar as crianças da comunidade andar tanto para que pudessem estudar.

Um sinal de esperança

Os tempos são outros. Com muitas dificuldades, já não tem mais sua esposa para ajudá-lo naquela batalha. A biblioteca sobrevive um dia após o outro, sem nenhuma ajuda para mantê-la de pé. E quando estava ali, sentado na cama, questionando-se se valeria mesmo a pena continuar aquela luta, foi interrompido por batidas na porta.

Seu Carlos em meio a Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina.
Seu Carlos em meio a Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina.

Levantou-se pensando em quem poderia ser naquela hora da noite. Caminhou pelo corredor e  reacedeu o interruptor da luz.

– Já vou!

Abrindo uma pequena fresta na porta, viu uma jovem senhora e uma menina que não passava dos 15 anos. Jardim Catarina pode não ser o maior bairro em extensão de São Gonçalo, mais leva o título de maior loteamento da América Latina, com cerca de 20 mil domicílios. Embora conhecesse muita gente no bairro, aquelas duas, nunca vira antes.

– Olá, o senhor deve ser Carlos Luiz Leite. Meu nome é Sueli e essa é minha filha Raquel. Somos daqui de Jardim Catarina e precisamos muito da sua ajuda.

Carlos abre totalmente a porta e com um gesto as convidam para entrar.

– Senhor Carlos, sei que esta um pouco tarde, mas esse é o horário que chego do meu serviço no Rio e é a única hora que encontro para me dedicar à minha filha e acompanhar seus estudos. Notei que estava aflita, por causa de um trabalho de ciências que vale ponto para amanhã. Falei com ela que poderia vir à biblioteca no horário de funcionamento antes deu chegar, mas o senhor sabe como são as crianças.

– Não se preocupe Sueli, a nossa casa está sempre aberta para quem tem sede de conhecimento. E não há hora marcada para adquirirmos conhecimentos. Por falar nisso, a Raquel já sabe o que quer ser quando crescer? Carlos pergunta procurando os olhos da menina.

– Veterinária. A menina timidamente responde.

– Que bom! Vou ter quem cuide de mim quando ficar doente. Responde Carlos, arrancando gargalhadas das duas.

Conversaram ainda por meia hora, enquanto Carlos separava alguns livros de ciências da sétima série. Falou quanto era gratificante ser parado nas ruas da comunidade por pessoas que queriam agradecer por seus filhos terem passado de série, entrado na faculdade ou aprovados em um concurso por conta dos livros da biblioteca.

– Esses livros aqui com certeza vão ajudar a futura veterinária no seu trabalho de amanhã.

– Muito obrigada mais uma vez, senhor Carlos. Fala Sueli, enquanto caminham até a porta.

Na porta, Carlos observa Sueli pegar sua filha em uma das mãos, enquanto na outra segura os livros, caminhando de volta para casa. Menos de cinco passos, Sueli volta-se para Carlos com um olhar de agradecimento e diz:

– Vale a pena!

– Hã?

Aquelas palavras bateram diretamente no coração de Carlos. Era a resposta para o seu questionamento enquanto estava sentado na cama. Um anjo colocara na boca daquela mulher a resposta para manter viva a biblioteca. Sendo forte como sempre foi, tinha a certeza que Maria da Penha responderia com a mesma frase. Valeu e sempre valerá a pena.

– Sim, senhor Carlos. Vale a pena para todos nós da comunidade poder contar com a sua generosidade. Saí da minha casa, vim até aqui em sua porta a essa hora da noite e ainda pude contar com a sua atenção, seus livros, que darão um futuro melhor à minha filha.

Por um momento, Carlos esquece de todo cansaço. Apenas acompanha com os olhos as duas sumirem nas ruas de Jardim Catarina. Mas antes de bater a porta, estica o pescoço e olha para cima em uma sensação agradável de estar fazendo a coisa certa, enquanto seus olhos percorrem o letreiro que diz “Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa”.

Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Comunidade em dia de evento na biblioteca.
Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Biblioteca Visconde de Sabugosa, um ponto de encontro na comunidade.

Curiosidades:

A Biblioteca Visconde de Sabugosa fica na Rua São José do Ouro, 28 no Jardim Catarina e funciona de segunda a sexta-feira de 9 às 16 horas.

Carlos Luiz Leite participou do quadro “Agora ou Nunca” do programa Caldeirão do Hulk, na Rede Globo. Não conseguiu o valor de 10 mil reais do programa, mas arrecadou o mesmo valor em doações que foram investidos na biblioteca. Um dos famosos que doaram para a biblioteca foi à atriz global Carolina Dieckmann.

Hoje, Carlos Luiz Leite conta com a ajuda da estudante Viviane Nascimento, 20 anos, que cuida da biblioteca quando não está presente.

Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Biblioteca Visconde de Sabugosa, Jardim Catarina. Processo de contrução do espaço.
Biblioteca Visconde de Sabugosa – Jardim Catarina
Comunidade reunida no espaço da biblioteca.

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Sem aulas, estudantes estão perdidos https://simsaogoncalo.com.br/sem-aulas-estudantes-estao-perdidos/ https://simsaogoncalo.com.br/sem-aulas-estudantes-estao-perdidos/#respond Tue, 02 Jun 2015 13:30:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2919 É alarmante a quantidade de estudantes que perambulam nas ruas, uniformizados, em pleno horário escolar. Seja pela ausência de professores ou escassez de merenda, frequentemente eles são liberados mais cedo, ou não têm aula, e ficam pelo caminho, entre a escola e o lar, procurando o que fazer. Se a sociedade se unir agora em […]

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É alarmante a quantidade de estudantes que perambulam nas ruas, uniformizados, em pleno horário escolar. Seja pela ausência de professores ou escassez de merenda, frequentemente eles são liberados mais cedo, ou não têm aula, e ficam pelo caminho, entre a escola e o lar, procurando o que fazer.

Se a sociedade se unir agora em apoio aos profissionais da Educação na luta por melhores condições de trabalho, talvez consiga amenizar os efeitos da crise no ensino municipal. Caso contrário, por falta de educação de qualidade, perderemos mais uma geração de gonçalenses para problemas sociais graves, como pobreza econômica e desemprego.

Na última quinta-feira, às 8h da manhã, conheci um desses estudantes, uniformizado e com mochila nas costas, sentado sozinho na também abandonada Fazenda Colubandê. O nome dele era Fernando e me disse que não estava na escola porque “a professora faltou”. No momento a maior preocupação de Fernando é conseguir R$ 100 para comprar uma bicicleta, algo que nunca teve. Ele e os amigos se acostumaram a ver pessoas usando drogas na sede da Fazenda e se prostituindo; Fernando é um menino de 11 anos, já em contato com o pior que existe em São Gonçalo.

Culpar a greve dos profissionais da Educação pelo abandono de Fernando seria idiota. No protesto em frente a Prefeitura semana passada, uma professora relatou que precisa escorar a porta da sala de aula com cadeiras para evitar que caia sobre os alunos. Como ensinar assim? A crise é tão profunda que os estudantes carecem de habilidades básicas para se expressar. Há alguns dias, em vez de me pedir licença para passar no corredor do ônibus, um aluno da rede municipal, envergonhado, deu dois tapas na minha perna. Ele não era violento, mas não sabia como interagir devidamente em situações cotidianas.

Cheguei a São Gonçalo em 1989 e minha rua não tinha qualquer infraestrutura, apenas um campinho de futebol de várzea improvisado. Minha rua continua sem asfalto e sem saneamento básico, mas agora está pior, o campinho não existe mais. Sem aulas na escola e sem opções de lazer, os estudantes gonçalenses estão perdidos.

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Educação gonçalense está destruída https://simsaogoncalo.com.br/educacao-goncalense-esta-destruida/ https://simsaogoncalo.com.br/educacao-goncalense-esta-destruida/#respond Wed, 22 Apr 2015 17:33:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2794 Nesta época do ano, os adolescentes do bairro onde moro desperdiçam metade do dia na rua, jogando bolas de gude. Muitos são alunos da rede municipal e, surpreendentemente, gostariam de aprender outras coisas, como criar sites, jogos eletrônicos e até escrever livros. Habilidades que poderiam ser ensinadas na escola, se a educação gonçalense não estivesse destruída por seres inescrupulosos […]

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Nesta época do ano, os adolescentes do bairro onde moro desperdiçam metade do dia na rua, jogando bolas de gude. Muitos são alunos da rede municipal e, surpreendentemente, gostariam de aprender outras coisas, como criar sites, jogos eletrônicos e até escrever livros. Habilidades que poderiam ser ensinadas na escola, se a educação gonçalense não estivesse destruída por seres inescrupulosos que a utilizaram conforme seus interesses políticos sujos.

Há meses que o governo Mulim não esconde sua falta de zelo pela vida de nossas crianças, condenando o futuro desta cidade às mesmas condições degradantes que vivemos no presente (baixa capacitação profissional, ausência de cidadania). Há livros que não são distribuídos e se deterioram em depósitos úmidos, alunos que são obrigados a suportar salas quentes e escuras, uniformes que nunca chegam e obras que não terminam; quem passa em frente a Usina de Asfalto, no bairro Água Mineral, vê centenas de carteiras escolares empilhadas, expostas ao sol e à chuva, outro sinal de que a Prefeitura perdeu a vergonha de errar.

Ingênuos, os alunos não percebem o quanto a educação que recebem está abaixo da ideal, afinal, os problemas começam dentro de casa, afetados pela violência doméstica e pela criminalidade crescente que facilita o acesso às drogas e ao álcool. Por isso, além de ensino de qualidade, o município deveria oferecer atividades extras para que eles passem mais tempo na escola e a vejam como abrigo contra problemas externos.

Dignidade e conforto nas instalações, contato com música, pintura e artes em geral, aulas de empreendedorismo e educação financeira básica são alguns dos atributos das melhores instituições de ensino da atualidade; no entanto, mais importante que o aprendizado de novas tecnologias e educação em tempo integral, cultivar boas relações entre os indivíduos é indispensável ao desenvolvimento humano e à formação de cidadãos, papel fundamental da escola.

Diante de problemas tão graves em São Gonçalo, por onde começar a implementação da educação ideal? Exigindo que os responsáveis pelo setor, inclusive o Prefeito, sejam menos indiferentes e mais apaixonados pelas crianças gonçalenses que querem aprender, mas perdem o dia jogando bolas de gude na rua.

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O caos da Educação em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/o-caos-da-educacao-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-caos-da-educacao-em-sao-goncalo/#comments Mon, 06 Apr 2015 14:03:33 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2761 Semana passada, o prefeito Neilton Mulim (PR) fez uma série de mudanças em secretarias e subsecretarias, incluindo a pasta de Educação, que há muito sofria com Claudio Mendonça no comando. Longe de demonstrar uma atualização do governo, tais movimentações já visam o estreitamento de relações, almejando possíveis alianças para sua campanha de reeleição. A crise na educação de São Gonçalo […]

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Semana passada, o prefeito Neilton Mulim (PR) fez uma série de mudanças em secretarias e subsecretarias, incluindo a pasta de Educação, que há muito sofria com Claudio Mendonça no comando. Longe de demonstrar uma atualização do governo, tais movimentações já visam o estreitamento de relações, almejando possíveis alianças para sua campanha de reeleição.

A crise na educação de São Gonçalo vêm se agravando a cada dia, com unidades fechadas, aulas adiadas, falta de professores e falta de material didático e alimentício. No último 25 de março, a Comissão de Educação da Câmara dos Vereadores visitou a Escola Municipal Castelo Branco, uma das principais unidades do município, localizada no Centro da cidade. Foi constatado o verdadeiro abandono do local, com vazamentos, goteiras e espaços insalubres. Além disso, materiais didáticos novos estavam guardados enquanto os alunos se revezavam utilizando materiais velhos e mal conservados. A comissão irá denunciar o caso ao Ministério Público estadual para apuração.

O descaso do poder público em relação à área é visível e revoltante. Enquanto as unidades necessitam de reformas estruturais para acolher os estudantes de forma adequada e segura, a secretaria gastou R$ 12 milhões em livros que até agora não foram utilizados, e o pior, todo o processo sem nenhum tipo de licitação e transparência. Este é o modelo de gestão do atual prefeito Mulim, que passa por cima da Câmara e até mesmo da legalidade para atender interesses próprios. Enquanto nosso executivo for subserviente à empresas e à interesses de seu mentor Anthony Garotinho (PR), estaremos nos afundando e perdendo a oportunidade de formar adequadamente nossos jovens cidadãos.

A nova secretária Vaneli Chaves precisa estar alinhada com o objetivo de melhorar o investimento em estrutura das unidades, assim como atender as demandas dos profissionais e estudantes como climatização das salas, pagamento do piso nacional e auxílio-transporte Além disso é preciso alterar a cultura da pasta, trazendo uma gestão transparente com os gastos públicos e que dialogue com as comunidades em que cada unidade escolar está inserida.

Foto: Wilson Mendes / Jornal Extra

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Operação Cidade Limpa fracassou https://simsaogoncalo.com.br/operacao-cidade-limpa-fracassou/ https://simsaogoncalo.com.br/operacao-cidade-limpa-fracassou/#comments Tue, 24 Mar 2015 17:20:18 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2698 Último sopro de esperança pelo fim da sujeira nas ruas de São Gonçalo, a Operação Cidade Limpa fracassou por três simples razões: não conscientizou a população, não inovou a coleta de lixo e suas regras básicas são frouxas. Dias atrás vi um funcionário da Prefeitura jogar um copinho de café no chão e empurrá-lo com o pé […]

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Último sopro de esperança pelo fim da sujeira nas ruas de São Gonçalo, a Operação Cidade Limpa fracassou por três simples razões: não conscientizou a população, não inovou a coleta de lixo e suas regras básicas são frouxas.

Dias atrás vi um funcionário da Prefeitura jogar um copinho de café no chão e empurrá-lo com o pé para junto do meio-fio, tentando amenizar a imundície resultante de sua pobreza de espírito. Se o governo não convence seus próprios funcionários a abandonar o péssimo hábito de jogar lixo na rua, e se o cuidado com o município não é levado a sério nos corredores da Prefeitura, dificilmente teremos uma cidade limpa; espera-se que os servidores públicos incentivem a população a descartar corretamente o lixo, não que sejam os primeiros a poluir a cidade.

Além da falta de conscientização popular, a Operação Cidade Limpa pecou ao se concentrar apenas no combate ao despejo irregular. É, obviamente, importantíssimo recuperar a cidade do grande depósito de lixo a céu aberto que ela se tornou, no entanto, a tarefa seria sensivelmente mais plausível se a Prefeitura apresentasse aos cidadãos uma proposta clara do que fazer com seu lixo e, uma vez produzido, não há nada mais apropriado a fazer com o lixo do que reciclá-lo.

Operação Cidade Limpa em São Gonçalo
Placa da “Operação Cidade Limpa” sendo colocada na linha do trem, na altura do bairro Mangueira. Foto: Prefeitura São Gonçalo

Do alto de sua extrema limitação, as cabeças pensantes do governo Mulim não se lembraram de que o mundo inteiro está preocupado com a recuperação do meio ambiente através da reciclagem, havendo iniciativas na Europa e nos Estados Unidos que vão ainda mais longe e pregam a geração de quantidades mínimas de lixo por pessoa. Alguns dirão que a população daqui não é educada o suficiente para reciclar, ou que o investimento seria alto demais para implantar um programa com este objetivo – puro engano. Somos 1 milhão de pessoas em pleno século 21, totalmente capazes de separar o lixo úmido do material reciclável, como qualquer criança faria quando bem orientada. E como a cidade já conta com cooperativas privadas de reciclagem, a maior preocupação da Prefeitura seria coletar o material.

Os comerciantes, por sua vez, deveriam ser obrigados por lei a separar seu lixo e encaminhar a parte reciclável às cooperativas. Mas, na prática, o governo “abre as pernas” para eles e oficialmente permite que depositem o lixo na calçada a partir das 18h, na mesma calçada onde a população que volta do trabalho caminha para chegar em casa. Absurdo imperdoável! Que algum funcionário do estabelecimento entregue diretamente ao caminhão da coleta, nas mãos do gari, o lixo oriundo de suas operações.

Se a Prefeitura pensasse em soluções à altura da complexidade de São Gonçalo, o lema da Operação Cidade Limpa seria “Recicle” em vez do insuficiente e ultrapassado “Não jogue lixo na rua”. Este governo precisa ser empurrado.

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Salão do Livro teve falhas, mas valeu a pena https://simsaogoncalo.com.br/salao-livro-teve-falhas-mas-valeu-pena/ https://simsaogoncalo.com.br/salao-livro-teve-falhas-mas-valeu-pena/#respond Tue, 17 Mar 2015 00:34:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2663 Uma pilha de lixo repugnante a poucos metros da i9 Music recebia os visitantes na estreia do I Salão do Livro de São Gonçalo. Apesar de falhas deste tipo e da tradicional desorganização gonçalense, o Salão cumpriu seu papel de aproximar livro e população. O bom público, formado majoritariamente por estudantes, enfrentava dificuldades ainda do lado de […]

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Uma pilha de lixo repugnante a poucos metros da i9 Music recebia os visitantes na estreia do I Salão do Livro de São Gonçalo. Apesar de falhas deste tipo e da tradicional desorganização gonçalense, o Salão cumpriu seu papel de aproximar livro e população.

O bom público, formado majoritariamente por estudantes, enfrentava dificuldades ainda do lado de fora, pois não havia placas, nem orientadores, indicando a porta de entrada. Assim, muitos encontravam na saída a única porta visivelmente aberta. Superado este obstáculo, a visão era maravilhosa: centenas de pessoas espalhadas pelos corredores do evento, diante dos stands, folheando livros em duplas ou trios, grupos inteiros de leitura se formando espontaneamente em cada metro quadrado do local.

Salão de Leitura de São Gonçalo
Público presente no Salão de Leitura de São Gonçalo. Foto: Facebook da Prefeitura de SG

Assistir às crianças gonçalenses emocionadas, ouvindo poesia pela primeira vez na vida, ou vê-las com um livro em cada mão, em dúvida sobre qual comprar, renova a esperança por uma cidade melhor. Havia stands com preços acessíveis e para troca de livros usados, o que facilitava a aquisição, principalmente por parte dos estudantes que não receberam os “gonçalinhos” (moeda para compra de publicações no evento) prometidos pela Prefeitura (pior crime do governo Mulim).

Apesar da boa oferta de livros, a infraestrutura decepcionou. As crianças que foram ao banheiro tiveram uma surpresa desagradável, pois estes ficaram rapidamente sujos, sem sabão e nem água nas torneiras, pelo menos a partir do final da tarde. As vendas, totalmente manuais e sem fornecimento de notas fiscais, geraram filas em diversos stands, o que incomodou bastante gente; como também incomodou a concorrência entre apresentações que aconteciam ao mesmo tempo em áreas diferentes, embora próximas. Os áudios se confundiram, se atrapalharam, prejudicando a qualidade. E ainda que o público tenha sido grande, o comparecimento da população seria maior se a Prefeitura tivesse dado ao Salão a merecida divulgação, com outdoors e panfletagem.

Salão de Leitura de São Gonçalo
Zuenir Ventura no 1º Salão de Leitura de São Gonçalo. Foto: Facebook da Prefeitura de São Gonçalo
Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica, no 1º Salão de Leitura de São Gonçalo.
Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica, no 1º Salão de Leitura de São Gonçalo.

A falha mais chocante do I Salão do Livro foi o prefeito Neilton Mulim não ter conduzido as grandes personalidades que compareceram, como Zuenir Ventura e Mauricio de Souza, para um passeio pelas ruas de São Gonçalo. É o papel do anfitrião sensato. Será que a presença de autores famosos foi apenas fruto de um acordo milionário e eles não se importam com nossa cidade ou na verdade Mulim tem vergonha de mostrar o lixo e o esgoto que embelezam nossas ruas queridas?

Contadores de História
Contadores de história no 1º Salão de Leitura de São Gonçalo.

Fotos: Facebook da Prefeitura de São Gonçalo 

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Má administração atinge educação municipal https://simsaogoncalo.com.br/ma-administracao-atinge-educacao-municipal/ https://simsaogoncalo.com.br/ma-administracao-atinge-educacao-municipal/#respond Sat, 14 Mar 2015 15:16:25 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2637 Faltam professores, livros, uniformes, merenda e infraestrutura básica para aprendizagem nas escolas municipais gonçalenses. Não surpreende a circulação pelas ruas da cidade de jovens e adultos sem qualquer noção de cidadania, extremamente limitados profissionalmente. “O que a Prefeitura fez com o dinheiro público destinado a Educação?”, perguntamos diante deste mar de problemas. Tanto quanto os […]

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Faltam professores, livros, uniformes, merenda e infraestrutura básica para aprendizagem nas escolas municipais gonçalenses. Não surpreende a circulação pelas ruas da cidade de jovens e adultos sem qualquer noção de cidadania, extremamente limitados profissionalmente.

“O que a Prefeitura fez com o dinheiro público destinado a Educação?”, perguntamos diante deste mar de problemas. Tanto quanto os demais setores públicos, como Saúde e Transportes, a Educação é vítima do vício e do atraso que dominam a administração municipal e levam o governo a gastar demais onde não deve, em vez de investir na solução de problemas urgentes. Desta vez foram gastos, sem licitação, R$ 12 milhões para implantação de um programa de leitura nas escolas, enquanto nem biblioteca elas têm.

Fornecido pela editora Melhoramentos, o programa se chama Magia de Ler e já sugou as receitas de aproximadamente 20 cidades do país, entre elas Búzios e Niterói, bem conhecidas pelo atual secretário de educação, Claudio Mendonça, onde também era responsável pela pasta. O Magia de Ler é tão polêmico que até os educadores, representados pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), consideram abusivo o valor gasto, pois, além de não ter havido consulta ao mercado pelo menor preço, há escolas em São Gonçalo que não oferecem aos alunos condições mínimas para leitura, onde o calor é insuportável no verão.

Outro exemplo de descaso, a creche Formando Vidas, no bairro Mutuaguaçu, está interditada desde as chuvas do Carnaval, mas para a Prefeitura importa mais enriquecer a Melhoramentos do que cuidar das crianças da cidade. Leva a crer que o desprezo por São Gonçalo que encontramos nas ruas tem origem no número 100, da Feliciano Sodré.

Espero que o I Salão Municipal do Livro, que aconteceu entre os dias 10 e 12 de março de 2015, tenha sido um marco na história da educação gonçalense, não devido à presença de autores consagrados, como Zuenir Ventura, mas pelo comparecimento em massa da população no evento, demonstrando que desejam ler, aprender e se desenvolver intelectualmente, ao invés de morrer como capacho da má administração municipal.

Foto: Facebook da Prefeitura de São Gonçalo

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Mensagem aos jovens gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/mensagem-aos-jovens-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/mensagem-aos-jovens-goncalenses/#comments Tue, 10 Mar 2015 18:42:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2612 Aos jovens gonçalenses entre o fim da adolescência e início da fase adulta, que trabalham ou buscam o primeiro emprego, gostaria de dizer: seja ambicioso! Não se contente com pouco. E não falo de dinheiro, mas de satisfação pessoal. Inexperientes, pressionados pela obrigação de trabalhar que a sociedade impõe, geralmente os jovens aceitam qualquer emprego que pague o suficiente para sair […]

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Aos jovens gonçalenses entre o fim da adolescência e início da fase adulta, que trabalham ou buscam o primeiro emprego, gostaria de dizer: seja ambicioso! Não se contente com pouco. E não falo de dinheiro, mas de satisfação pessoal.

Inexperientes, pressionados pela obrigação de trabalhar que a sociedade impõe, geralmente os jovens aceitam qualquer emprego que pague o suficiente para sair nos fins de semana. Ótimo para a diversão, no entanto, alguns permanecem durante anos em funções que não correspondem aos próprios sonhos, se tornando adultos infelizes que vivem para pagar as contas no final do mês.

Como agir se o início da juventude é repleto de dúvidas, período de maior ansiedade e insegurança da vida? Especialistas em satisfação no trabalho defendem que é preciso conhecer a si mesmo, orientar-se pelas disciplinas escolares que mais o atraem (prefira profissões associadas a elas) e explorar talentos naturais para seguir nossa missão no mundo. Ou simplesmente experimentar, aproveitar a liberdade da juventude para trabalhar em áreas diferentes e descobrir aquela que mais desperta interesse.

As profissões mais comuns entre os jovens gonçalenses são vendedor no comércio local  (vendi salgados e sucos na Rua da Feira durante a adolescência) ou ajudante de soldador no Estaleiro Mauá, em Niterói. Contudo, existem outras opções para os insatisfeitos, basta adquirir a qualificação necessária; muitos moradores da cidade desempenham funções mais sofisticadas e melhor remuneradas pelo mercado, principalmente em empresas sediadas no Rio de Janeiro, em áreas como Tecnologia da Informação.

E trabalhar não se resume a ser contratado por uma empresa, com carteira assinada. A ideia de estudar para arrumar um bom emprego perdeu força. Considere montar o próprio negócio e talvez ajudar no desenvolvimento da cidade, o registro como empreendedor pela Internet dura cinco minutos. Viva aventuras, viaje o Brasil trabalhando e perseguindo sua vocação, depois volte a São Gonçalo e faça a revolução que esta cidade tanto aguarda.

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Escoteiro em São Gonçalo? Tem sim, senhor! https://simsaogoncalo.com.br/escoteiro-em-sao-goncalo-tem-sim-senhor/ https://simsaogoncalo.com.br/escoteiro-em-sao-goncalo-tem-sim-senhor/#comments Thu, 30 Oct 2014 01:47:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2323 O 121º Grupo Escoteiro George Savalla Gomes foi fundado em 16 de setembro de 2006. O batismo com o nome do Palhaço Carequinha se deu pela seua história de vida, trabalhando com arte circense voltada às crianças em nosso município, São Gonçalo. No ano de fundação, a primeira ideia foi chamar o grupo de “Jardim […]

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O 121º Grupo Escoteiro George Savalla Gomes foi fundado em 16 de setembro de 2006. O batismo com o nome do Palhaço Carequinha se deu pela seua história de vida, trabalhando com arte circense voltada às crianças em nosso município, São Gonçalo.

No ano de fundação, a primeira ideia foi chamar o grupo de “Jardim Catarina”, pois a proposta inicial era criar um grupo naquele bairro, beneficiando as crianças do bairro. Entretanto, Carequinha faleceu em 2006, surgindo assim a ideia de homenageá-lo.

Escoteiros São Gonçalo

O artista circense representa para o grupo um espírito da arte, de acordo com nossos lemas. O escoteiro é alegre e sorri mesmo nas dificuldades, assim como o palhaço que mesmo triste tem que fazer o seu trabalho sem deixar transparecer seus problemas alegrando as crianças, assim somos nós.

Somos um grupo de adultos voluntários, empenhados em levar aos jovens um programa de desenvolvimento educacional. Visando valores morais através de atividades progressivas, variadas e atraentes, mundo circense se encaixa perfeitamente em nosso contexto. Exemplos como o “Cirque du Soleil”, entre outros, podem ser utilizados para tirar o termo pejorativo do “palhaço”, mostrando que a arte está em grande evolução, assim como queremos que nossos escoteiros evoluam.

O Escotismo, fundado por Lord Robert Stephenson Smyth Baden-Powell em 1907, é um movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos. Sua proposta é desenvolver o jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira, através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazendo com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornando-se exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

Escoteiros São Gonçalo – Outubro Rosa

Dentre as muitas atividades desenvolvidas pelo grupo, está a campanha do Outubro Rosa, onde os jovens escoteiros trabalham a conscientização da população na prevenção ao Câncer de Mama, distribuindo panfletos e lacinhos da campanha no Hospital Geral de São Gonçalo.

Partecipe! Entre em contato com a gente. O 121º Grupo Escoteiro George Savalla Gomes tem sede na Rua Salvatori, s/nº, Água Mineral, no interior do CIEP 422 Nicanor Pereira Nunes. Nossas reuniões acontecem aos sábados, de 9:30 às 12hs. Participe.

Mais fotos da ação do Outubro Rosa no HEAT (Hospital Geral Alberto Torres).

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Leonor Franco Moreira: a história de uma escola que faz a diferença https://simsaogoncalo.com.br/leonor-franco-moreira-historia-de-uma-escola-que-faz-diferenca/ https://simsaogoncalo.com.br/leonor-franco-moreira-historia-de-uma-escola-que-faz-diferenca/#comments Thu, 05 Jun 2014 01:25:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2087 Marambaia é um dos bairros que mais cresce nos últimos tempos. Entretanto, a percepção é de que o investimento dos governos na região não acompanhou a demanda da população. O bairro conta com algumas antigas escolas públicas. Um dos destaques é a Escola Estadual Leonor Franco Moreira. Bem avaliada pelos órgãos públicos, ela tem se […]

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Marambaia é um dos bairros que mais cresce nos últimos tempos. Entretanto, a percepção é de que o investimento dos governos na região não acompanhou a demanda da população.

O bairro conta com algumas antigas escolas públicas. Um dos destaques é a Escola Estadual Leonor Franco Moreira. Bem avaliada pelos órgãos públicos, ela tem se destacado pelos resultados dos alunos que saem de lá no 9º ano, conseguindo passar nas provas de escolas técnicas como FAETEC e NATA, além do Colégio Pedro II. A escola não tem uma infraestrutura tão grande, porém é de boa qualidade, contendo tudo o que os alunos precisam para poder aprender.

Os professores de lá trabalham em extrema integração, sempre incentivando os alunos ao crescimento e mostrando que o estudo é o mais importante. A escola já chegou a ser uma das 10 melhores do município. Anualmente, muitos são premiados através da prova do SAERJ, aplicada pelo governo estadual.

A escola foi fundada graças aos esforços da patrona, Leonor Franco Moreira, que tinha um grande pedaço de terra no bairro. No início, ela criou o orfanato para meninas chamado “Lar De Humaitá”. Como consequência, uma parte do lar tornou-se uma escola para as crianças. Percebendo a carência da população local, D. Leonor abriu a instituição para pessoas de fora, porém, ainda apenas pra meninas. A escola ganhou o nome de “Colégio das Meninas”, que até hoje é chamado assim pelos moradores do bairro.

Com o falecimento de Leonor, sua família doou parte do terreno para o estado, que construiu a escola pública para os moradores do bairro, e outra parte para o município, que construiu o posto de saúde. O antigo orfanato fechou. Hoje, é uma creche comunitária. O posto de saúde ainda funciona. A escola foi aberta para todos, sem distinção de gêneros, com meninos e meninas.

Alunos da Escola Estadual Leonor Franco Moreira
Alunos da Escola Estadual Leonor Franco Moreira – Marambaia

A Escola Estadual Leonor Franco Moreira também realiza vários trabalhos internos, como feira de ciências, integração da família e escola, feira de cultura, campeonatos de futsal, além dos concursos de dança entre as turmas. Com atividades extraclasse, já visitou o planetário da Gávea, FIOCRUZ, Museu de Petrópolis, Quinta da Boa Vista, Casa da Descoberta na UFF, e também passeios históricos em São Gonçalo, como na Fazenda Colubandê. Atualmente, a escola conta com o projeto musical que promove a banda escolar.

Uma das novidades da escola veio da parceria entre a professora de Ciências juntos aos alunos. Através de uma página no Facebook chamada “Ciências em Prática”, ela se comunica com seus alunos, falando sobre temas relacionados a matéria dada em sala de aula. É a integração escola e internet na educação.

 

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O Brasil de João https://simsaogoncalo.com.br/o-brasil-de-joao/ https://simsaogoncalo.com.br/o-brasil-de-joao/#comments Wed, 04 Jun 2014 19:48:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2089 É muito triste ver o meu país de escolas com instalações precárias. Crianças são sujeitadas a conviverem entre goteiras que formam poças enormes nas salas de aulas. Carteiras quebradas onde o aluno se preocupa mais em pensar como vai fazer para escrever do que na própria matéria passada pelo professor. Banheiros com tubulações quebradas onde […]

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É muito triste ver o meu país de escolas com instalações precárias. Crianças são sujeitadas a conviverem entre goteiras que formam poças enormes nas salas de aulas. Carteiras quebradas onde o aluno se preocupa mais em pensar como vai fazer para escrever do que na própria matéria passada pelo professor. Banheiros com tubulações quebradas onde falta água para o mínimo de higiene dos alunos e professores. A qualidade da merenda que chega às crianças muitas vezes não supre o mínimo para a sua nutrição e interfere de forma direta no crescimento e desenvolvimento intelectual. – É o famoso macarrão com salsicha, que muitas vezes é a única refeição para algumas crianças que não tem o que comer em casa.

Podemos colocar nesse imenso circo de horrores chamado educação no Brasil os injustos salários dos professores. Esses sim são guerreiros que fazem milagres para sobreviver e graças a eles e o amor por desenvolver essa profissão nobre a educação ainda caminha e vemos luzes no fim desse comprido túnel.

João Brasil
Professor João Brasil

Todos os que educam com amor são exemplos para todos nós, mas gostaria de falar de um em especial. Um professor que como referida na musica dos “Paralamas” tinha a cor do Brasil. Não só a cor, mas o Professor João Pereira da Silva tinha tanto haver com o seu país que fez dele parte do seu nome.

Em 12 de fevereiro de 1874, nascia na cidade de Nova Friburgo, João Pereira da Silva, filho do casal Clara Maria da Conceição do Nascimento e Desidério de Oliveira. Sempre com muita dificuldade João ajudava no orçamento familiar trabalhando como caixeiro ao mesmo tempo em que fazia seu primário na cidade de Macuco.

Foi aos 15 anos que o lado educador de João aflorou. Mesmo tendo apenas o curso primário, começou a lecionar para quatro alunos nos fundos da oficina do irmão mais velho, que trabalhava como ferreiro. Não demorou muito para João erguer o Colégio Nossa Senhora da Conceição, sua primeira escola dentro de uma Fazenda chamada Maravilha, onde lecionava para os funcionários.

Colégio Brasil • Pátio interno ou dos meninos / Crédito: Araken França
Colégio Brasil • Pátio interno ou dos meninos / Crédito: Araken França

A popularidade do professor João fez com que o coronel Alfredo de Morais dono da Fazenda Providência contratasse-o para lecionar, e em 1893 se transferiu para São Francisco de Paula. Um ano depois foi nomeado professor público em Lumiar onde exerceu essa atividade por 4 anos. Foi nessa época que conheceu Magnólia, sua companheira para toda vida. Casaram-se em 1900 e seguindo a máxima de que atrás de um grande homem existe uma grande mulher, com ajuda de Magnólia no dia 12 de outubro de 1902 fundava em Estrada Nova, município de Itaocara, o Colégio Brasil. Batalhador como sempre foi, fez ele mesmo as primeira mesas e cadeiras de caixotes de madeira para seus 6 únicos alunos.

Em 1909 mudou o colégio de Itaocara para Cordeiro onde também fundaria um banco e um jornal. Foi neste mesmo ano que adotou sua pátria ao nome passando a se chamar João Brazil. O motivo dessa mudança foi a má fama de um homônimo na cidade de Nova Friburgo.

Foi em 1914 que João Brazil adotou de vez a cidade de Niterói alugando a chácara de seu xará João Rodrigues Serrão, onde hoje é a Noronha Torrezão. Não demorou e João Brazil, prestes a completar 10 anos residentes na cidade sorriso, ganhou o maior de seus presentes do então prefeito Cantidiano Rosa, o contrato de cessão da utilização do patrimônio que pertenceu à Constantino Pereira de Barros, o famoso barão de São João de Icaraí. O belíssimo palacete que então estava funcionando como o asilo da Velhice Desamparada. Neste lugar João Brazil pode dar continuidade ao que sempre quis fazer em toda sua vida, educar. E assim o Colégio Brasil se tornou referencia na educação Niteroiense e no Brasil. No começo o colégio funcionava como internato e externato para rapazes e somente na década de 30 o colégio abriu as portas para meninas.

Muitas personalidades importantes no cenário nacional passaram pelo Colégio Brasil como músicos, cineastas, educadores, políticos, militares e até um rei. – “Falando sério, bicho!” – É, foi no Colégio Brasil que rei Roberto Carlos aprendeu a ser “o cara”.

Pavilhão principal do Colégio Brasil (1902-1985)
Pavilhão principal do Colégio Brasil (1902-1985)

Dez anos antes de falecer em 6 de maio de 1940, João Brazil ainda fundou o Colégio Guanabara em 1931 e fundou em 1932 o jornal “O Estudante” um órgão de alunos do Colégio Brasil.

O Colégio Brasil ainda funcionou quase meio século após a morte de seu criador. Fechou as portas em 1985 e infelizmente nos dias de hoje o histórico palacete localizado na Alameda São Boaventura corre o risco de não mais existir, podendo vir a desabar ou mesmo virar estacionamento do condomínio que faz parte do terreno. Mas para que isso não aconteça a família Brazil, moradores do Fonseca e ex-alunos e professores do colégio brigam pelo seu tombamento e a criação de um espaço cultural no lugar e assim mantendo a história e a memória desse bem importantíssimo para cidade de Niterói.

Merecidamente este educador tão importante foi homenageado de diversas formas pelo Brasil a fora após sua morte, mas dentre as mais importantes na cidade de Niterói está Escola Municipal João Brazil no morro do Castro e a Avenida Professor João Brasil tão importante para o gonçalense de Alcântara que trabalha no Rio, corta por Tenente Jardim para fugir do engarrafamento da Alameda.

Imagem (externa) do antigo Colégio Brasil
Imagem (externa) do antigo Colégio Brasil

A Escola Municipal foi criada por decreto número 2788/77 no ano de 1977, apesar do primeiro tijolo ser colocado em 1976 na prefeitura de Ronaldo Fabrício tendo como secretário de educação e cultura o Professor Helter Barcellos. Em 1977 o então prefeito Moreira Franco continuou a obra da escola que foi construída no terreno do famoso Dr. Raul de Castro Alves, que deu o nome ao morro do Castro.

Quanto a Avenida Professor João Brasil essa tem mais idade, foi pelo decreto de 2 de maio de 1950 do prefeito Rocha Werneck. Só em setembro de 1952 seu traçado foi aprovado pelo prefeito Daniel Paz de Almeida e outubro do mesmo ano as obras começaram. E assim Inaugurada em 1954 na gestão do prefeito Lealdino Alcântara que por uma coincidência do destino um de seus genros.

Infelizmente um erro de interpretação no acordo de utilização da nova ortografia de 15 de junho de 1931, aprovada pela Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa em decreto número 20.108 pelo presidente Getúlio Vargas fez erroneamente com que o nome do homenageado fosse escrito com “S” e não com “Z”. O acordo Ortográfico Luso-Brasileiro resolveu fixar a grafia de Brasil e não mais Brazil. Mas quanto ao nosso professor não poderíamos levar em consideração essa mudança, pois se trata de um nome próprio.

Imagem (interior) do antigo Colégio Brasil
Interior do antigo Colégio Brasil, parcialmente destruído

Podemos dizer que nossas vidas são comparadas a um filme onde somos roteiristas, diretores e protagonistas. Que por vezes fazemos dela, a vida, um romance, drama, terror e até comédia. Alguns fazem verdadeiras obras dignas de Oscar. E quem você gostaria de interpretar neste filme chamado de vida? Um “João-Bobo” insistindo em votar em políticos que não dão a mínima para o seu país, preferindo gastar milhões em estádios de futebol deixando de investir na saúde e educação. Ou você prefere interpretar personagens como nosso professor João Brazil, que mesmo nascendo pobre e mulato em um país cheio de preconceitos conseguiu dar a volta por cima trabalhando muito pela educação e acreditando tanto no seu país que fez dele extensão de seu próprio nome.

Queremos nosso Brasil desses João.

Curiosidades

  • Em 1936 candidatou-se a vereador, mas não foi eleito.
  • Casado com a professora Magnólia Brasil, tiveram 7 filhos. Zoraida, Rubens, Ilka, Ruth, Zélia, Zuleika e João Brazil Júnior.
  • É patrono da cadeira 21 da Academia Itaocarense de Letras.
  • Fez parte da sociedade que reorganizou o Conservatório de Música de Niterói e da comissão que no ano seguinte reformou a matriz de São Lourenço.
  • Alunos famosos do Colégio João Brasil são o músico Sérgio Mendes,  as cantoras Marília Medalha e Teresa Tinoco, o maestro Eduardo Lajes, o diretor de televisão Moacyr Deriquém e o cineasta Walter Lima Junior além é claro de Roberto Carlos.
  • O prédio onde foi sede do Colégio Brasil em Niterói foi do Barão de São João de Icará que  foi descendente do médico Francisco da Fonseca Diniz, proprietário das terras de onde é o bairro Fonseca, daí o nome do bairro.

Letra do Hino

• Barão São João  de Icaraí herdou as terras onde hoje estão o Horto, a Penitenciária (em frente ao Horto) e o terreno do antigo Colégio Brasil, onde fixou residência em 1858.

Hino do Colégio Brasil
Música de Maestro Felício Toledo e letra de Dr. A. Gonçalves

Pela Pátria sejamos, um dia,
Povo heróico da Patria feliz,
Exaltemos o ardor que irradia
Toda a glória do nosso País!
O Colégio Brasil, sempre à frente,
Sempre grande, a lutar, e a vencer,
Seja o templo da luz eloquente
Aclarando o infinito; O SABER!
Que os luzeiros da Pátria fremente
Do futuro os heróis devem ser…

Pelo livro, na ciência que vence,
Seja a nossa divisa: ESTUDAR,
Que o futuro somente pertence
Quem deseja crescer… e marchar…

Passo altivo o Brasil, nossa terra
Inspirado no Céu sempre azul,
Elevar a grandeza que encerra,
Desde o Norte às coxilhas do Sul!

Seja a Escola a esperança suprema
Toda envolta na Fé, no Labor…
Que se parta, nos pulsos, a algema
Onde possa vibrar nosso AMOR

Fontes:

Família Brazil
CDP – Centro de Documentação e Pesquisa de Niterói.

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O amante expositor dos céus de São Gonçalo – Clube de Astronomia https://simsaogoncalo.com.br/amante-dos-ceus-clube-astronomia/ https://simsaogoncalo.com.br/amante-dos-ceus-clube-astronomia/#comments Sat, 29 Mar 2014 00:01:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1884 Foi Leonardo Da Vinci quem percebeu a possibilidade de construir um telescópio. No artigo Códice Atlanticus, escrito em 1490, ele comenta que observou o aumento da Lua. Em outro trabalho, Códice Arundul, em 1513, ele relata que “para observar a natureza dos planetas, abra o telhado e traga a imagem de um único planeta sobre […]

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Foi Leonardo Da Vinci quem percebeu a possibilidade de construir um telescópio. No artigo Códice Atlanticus, escrito em 1490, ele comenta que observou o aumento da Lua. Em outro trabalho, Códice Arundul, em 1513, ele relata que “para observar a natureza dos planetas, abra o telhado e traga a imagem de um único planeta sobre a base de um espelho côncavo. A imagem refletida pela base mostrará a superfície do planeta que muito aumentou.” Ele entendeu e compreendeu o fato de que a Lua “brilhou com a luz refletida do Sol” e explicou corretamente que “a Lua nova é a superfície da Lua iluminada por luz.”

Você pode não saber, mas em São Gonçalo, um amante do espaço abriu o telhado de seu lar e nos apresenta o brilho das estrelas. Seu espaço se chama Clube de Astronomia Leonardo Da Vinci e fica a 10 minutos do centro da cidade. É logo ali, no bairro do Vila Lage.

O amante expositor dos céus de São Gonçalo – Clube de Astronomia
Milton Machado (Presidente do Clube de Astronomia Leonardo Da Vinci) e Graça Costa Velho (Presidente do Centro Cultural Vila Lage).

Um dos seus fundadores é o Milton Machado. Ele se autointitula astrônomo amador. Gostaria de defini-lo como um amante expositor dos céus. Diria que uma das partes mais divertidas e emocionantes é vê-lo exibindo o céu para os outros. As surpresas e os suspiros transmitidos pelo seu púbico, em uma festa estelar, por pessoas que pela primeira vez dão uma boa olhada na Lua, nas estrelas ou Saturno são sem dúvidas uma recompensa agradável para o expositor dos céus.

O amante expositor dos céus de São Gonçalo – Clube de Astronomia
Crianças afoitas à espera do olhar as estrelas.

As crianças são um público cativo. Inquietas e ansiosas, elas permanecem na fila à espera de um olhar mágico. Para Jonas Brito, 9 anos, “é muito legal ir ao clube. Quero um dia ser um astronauta”.

A ideia de criar o Clube surgiu em meados da década de 80, quando Milton Machado estava prestando serviço militar no 3° Batalhão de Infantaria (3°BI), localizado em São Gonçalo.

Cometa Halley é um cometa brilhante de período intermediário que retorna às regiões interiores do Sistema Solar a cada 76 anos, aproximadamente. O Foi o primeiro cometa a ser reconhecido como periódico, descoberta feita por Edmond Halley em 1696.
Cometa Halley é um cometa brilhante de período intermediário que retorna às regiões interiores do Sistema Solar a cada 76 anos, aproximadamente. O Foi o primeiro cometa a ser reconhecido como periódico, descoberta feita por Edmond Halley em 1696.

Em 1986, a mídia fez um grande alarde com a passagem do cometa Halley e no quartel, no qual servia como militar, fizeram uma festa onde teria um telescópio para que se pudesse ver o cometa.

Só que Milton, enquanto soldado, não pode ir à festa a qual estava reservada apenas a patentes mais altas e ficou bastante triste naquele dia.

Foi então que no dia 23 de outubro daquele ano, dia do seu aniversário, havia comprado um telescópio e durante um churrasco, com os amigos mais próximos, propôs a criação do Clube de Astronomia Leonardo Da Vinci, no qual todos teriam o direito de ver o espaço, sem discriminar ninguém.

Passados mais de 25 anos, o clube de astronomia permanece com o mesmo ideal. Nas palavras do seu fundador, o Clube de Astronomia Leonardo Da Vinci, é um espaço humilde, mas grandioso em termos de criatividade e superação. É um lugar em que se pode ver que mesmo com pouco dinheiro se pode criar uma mostra interessante do grandioso universo que nos abriga. Quem gosta de astronomia fica encantado e não acredita que isso tudo esta aqui em nossa cidade e quase ninguém conhece.

No mesmo local fica o Centro Cultural Vila Lage, cujos princípios são resgatar os valores da vida, preservando a história e propiciando as pessoas o acesso a Arte, Ciências, Música e Cinema.

O amante expositor dos céus de São Gonçalo – Clube de Astronomia
Ambientes do Centro Cultural Vila Lage

Para Milton Machado, o clube em si já é um grande sonho realizado, mas gostaria de ter mais recursos materiais para mostrar coisas mais fantásticas como, por exemplo, as explosões solares, entre outras, para poder despertar ainda mais a curiosidade científica nas crianças e nos jovens.

No momento, o clube precisa terminar a obra do observatório, pois falta uma proteção térmica no teto para não permitir que a temperatura ultrapasse os 50ºC, como esta ocorrendo. Então um pequeno patrocínio seria muito bem vindo. Faltam também sócios contribuintes, pessoas que sejam simpatizantes a causa e que possam ajudar a manter o Clube com sua pequena, mas importantíssima, mensalidade e de voluntários para ajudar durante as atividades de observação do céu e da exibição de filmes e documentários. E é claro, ver a cúpula clássica do observatório construída.

Desejo ao expositor dos céus uma grande jornada.

O amante expositor dos céus de São Gonçalo – Clube de Astronomia
Milton Machado ao lado do Astronauta Brasileiro Marcos César Pontes

Clube de Astronomia Leonardo Da Vinci

Horário de Funcionamento: Todos os Sábados a partir das 19:00h
Endereço: Travessa Bernardina, 133 – Vila Lage – São Gonçalo – RJ
Referência: Quem vem de São Gonçalo é um ponto depois do Espaço São Jorge. Parar na Praça do Paiva. Subir as escadarias 100 metros a sua esquerda. Irá visualizar uma casa de 1936. Local do clube.
Tel.: (21) 99102-0202 – (21)2624-1925 – Milton Machado
Site: www.clubedeastronomia.com.br
Facebook: Clube de Astronomia Leonardo da Vinci
Facebook de Milton Machado
Facebook Graça Costa Velho

Post original publicado no Blog do Tafulhar.

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Estephânia de Carvalho, um exemplo de Mulher https://simsaogoncalo.com.br/estephania-de-carvalho-um-exemplo-de-mulher/ https://simsaogoncalo.com.br/estephania-de-carvalho-um-exemplo-de-mulher/#comments Sun, 16 Mar 2014 00:01:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1816 O mês de março é aquele em que se celebra o dia Internacional da Mulher. A verdade é que o dia 8 é apenas um marco. As mulheres são tão especiais que dedicamos todos os dias do mês para elas. Dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil. Frágil? Esse é um adjetivo que […]

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O mês de março é aquele em que se celebra o dia Internacional da Mulher. A verdade é que o dia 8 é apenas um marco. As mulheres são tão especiais que dedicamos todos os dias do mês para elas. Dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil.

Frágil? Esse é um adjetivo que não combina com as mulheres.

Para começar, o próprio dia 8 de março tornou-se símbolo em homenagem às trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton, em Nova York. No ano de 1857, elas entraram em greve contra a jornada de 16 horas de trabalho somadas aos salários de fome. Ocuparam a fábrica e, sem a menor piedade, o patrão prendeu-as, fechou todas as portas de saídas e incendiou todo o galpão. As 129 mulheres de sexo nada frágil morreram queimadas nessa luta. E é em homenagem a essas mulheres que celebramos a data.

Mulheres trabalhadoras das fábricas no século XIX

Do início à formação como professora

Por aqui, não faltam exemplos de mulheres guerreiras. Uma delas é Maria Estephânia Mello de Carvalho. Um exemplo de mulher forte e determinada, que lutou incansavelmente pela educação gonçalense.

Estephânia nasceu em Cantagalo, no dia 7 de junho de 1885. Para nossa sorte, adotou São Gonçalo. Aqui deu o seu suor para educação e, consequentemente, para o crescimento da cidade. A educação é a base para o desenvolvimento.

Aluna brilhante no Colégio Sion, em Petrópolis, cursou ciências, letras, línguas e música. Também cursou o Colégio Pedro II e fez vestibular para medicina.

Aos 35 anos de idade, ao casar-se com Sr. Zeno Bellido de Carvalho, abandonou o magistério e passou a morar em Niterói.

Mas um fato triste lhe fez voltar a se dedicar ao ensino: a morte da sua única filha aos dois anos de idade. Da tristeza, nasceu a perseverança. Fundou em sua própria residência um curso primário. Mais tarde, tornou-se diretora do Curso Feminino do Colégio Brasil de Niterói e, logo depois, fundou o Colégio Carvalho.

Maria Estephânia de Carvalho e sua missão com a educação

Já com 56 anos, Estephânia de Carvalho chegou à São Gonçalo. Em 1941, foi convidada pelo então prefeito, Nelson Corrêa Monteiro, para participar de uma concorrência pública para montagem de um colégio secundário. O local seria no lugar de um casarão na rua Coronel Moreira Cezar, que a prefeitura acabará de adquirir para essa finalidade.

Passou seu Colégio Carvalho, em Niterói, para o Dr. Plínio Leite. Em 10 de novembro de 1941, inaugura o Colégio São Gonçalo, contrariando muitos que não acreditavam em um curso secundário na cidade. Não só provou que era possível, como fez melhor: inaugurou a primeira Escola Normal de São Gonçalo e o Curso Técnico de Contabilidade.

Estephânia de Carvalho – Zé Garoto – SIM São Gonçalo
Formandos do Colégio São Gonçalo. Na primeira fila, ao centro, a professora Estephânia de Carvalho. Década de 1950. Autor desconhecido. Acervo MEMOR-SG.

Participou ativamente na cidade. Como na Campanha de Manutenção e Auxílio às Famílias dos Combatentes da Segunda Guerra Mundial.

Foi uma das principais responsáveis pela campanha pró-busto do Dr. Luiz Palmier, e também por um dos maiores marcos históricos da cidade, o Cruzeiro da Coruja. O marco foi inspirado e construído por essa grande mulher com a ajuda de seus alunos.

A professora também idealizou a comemoração do dia do município com o desfile cívico. Anos depois foi incorporado pelas autoridades municipais, tornando-se tradicional na cidade.

A generosidade tornou Estephânia de Carvalho uma mulher admirável. Tinha um coração imenso. Muitas mães devem à ela a felicidade de uma bolsa de estudo e um curso concluído. Era uma verdadeira mãezona, e não deixava ninguém sem estudar, até mesmo os mais pobres. Assim, ficou conhecida como “A mãe do estudante pobre gonçalense”.

Estephânia de Carvalho – Zé Garoto – SIM São Gonçalo
Professora Estephânia de Carvalho

As homenagens: do colégio à praça

Quis o destino que fosse em 2 de março de 1958 o dia de sua partida dessa vida. Justamente no mês de comemoração internacional da mulher.

Depois de tudo o que fez pela educação de São Gonçalo, o reconhecimento de seu trabalho lhe rendeu muitas homenagens. Uma delas é batizar o Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, no Laranjal. A instituição atendia uma média de 3.500 alunos cursando o primeiro e segundo graus.

Outra importante homenagem foi dar seu nome à principal praça do município. Antes chamada de “Praça Cinco de Julho” e popularmente conhecida como Praça do Zé Garoto, o espaço tem o nome de Praça Estephânia de Carvalho. Em respeito à sua memória, ergueu-se um monumento com seu busto.

Finalizo lembrando à todas as mulheres o exemplo da professora Estephânia de Carvalho. Forte, determinada e repleta de amor e ternura para com o próximo.

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Uma Heroína da Educação e uma Biblioteca Comunitária https://simsaogoncalo.com.br/uma-heroina-da-educacao-uma-biblioteca-comunitaria/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-heroina-da-educacao-uma-biblioteca-comunitaria/#comments Thu, 20 Feb 2014 15:42:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1738 Quando se faz o bem, o universo conspira a favor com coincidências inexplicáveis. Adélia Martins tinha tudo para passar pela vida, apenas passar. Mas ela fez mais do que passar. Ela plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua frutificando na nossa cidade: a árvore do conhecimento. Aos 29 […]

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Quando se faz o bem, o universo conspira a favor com coincidências inexplicáveis.

Adélia Martins tinha tudo para passar pela vida, apenas passar. Mas ela fez mais do que passar. Ela plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua frutificando na nossa cidade: a árvore do conhecimento.

Aos 29 dias do mês de agosto do ano de 1872, nascia no município de Boa Esperança, cidade de Rio Bonito, a heroína da educação gonçalense. Adélia Martins era filha do médico Dr. Joaquim de Almeida Marques Simões e Maria de Freitas Simões, os grandes responsáveis pela sua alfabetização. A menina nasceu obstinada em realizar seu sonho. Ainda nova, começou a lecionar para os colonos e vizinhos da fazenda onde residia, em Rio Bonito. Mas ela queria mais, queria se especializar. Seu pai deixou a grande missão de prepará-la para Escola Normal de Niterói com o seu amigo, também médico, Edmundo March, filho do famoso médico Dr. March.

 

Adélia Martins - Coelho - São Gonçalo

Quando ingressou na Escola Normal de Niterói, Adélia já tinha 5 filhos. Nos dias de aula, sem ninguém que pudesse cuidar enquanto assistia as aulas, os deixava no Grupo Escolar “Barão de Macaúbas”, do respeitado pedagogo do período monárquico, Abílio Cesar Borges. Foi nesse período que foi chamada de heroína pelo seu professor, Ataliba Lepage.

Durante a gestão do Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Alberto Torres (que dá nome ao Hospital Estadual no bairro de Colubandê), Adélia Martins foi nomeada professora subvencionada no próprio município onde morava. Mais tarde, no governo do Dr. Nilo Peçanha, acabaram as subvenções, e é nessa parte da vida que São Gonçalo ganha o coração de Adélia, que se muda para São Gonçalo, alugando uma salinha na casa do senhor Salvino de Souza, em uma região chamada Coelho (atual bairro de mesmo nome), onde na época não existia nenhuma escola.

Determinada na missão, Adélia começou a correr a freguesia, passando de casa em casa dos moradores locais avisando-os para que mandassem seus filhos à escola sem custos, tudo 0800. O resultado foi tão satisfatório que a salinha não deu mais para comportar tanta criança. Sem perder tempo, Adélia adquiriu da família Duque Estrada a antiga casa grande da Fazenda do Coelho.

Pedia doação de caixotes de madeira aos comerciantes locais, para servirem de banco para seus alunos. Ao governo, pedia doações de materiais escolares (caderno,giz e quadro). Também conseguiu com que o governo, também através de doações, fizesse um grande galpão de madeira e telhas para atender mais alunos.

Adélia era muito querida por todos no palácio do governo. Levava frutas frescas, pudim e bolo.

Com tamanha força de vontade, foi reconhecida pelo então prefeito de São Gonçalo, Geraldo Ribeiro, que a nomeou professora Municipal. Mas Adélia queria mais. Não satisfeita, conseguiu que o então presidente do estado, Dr. Feliciano Sodré, a incluísse no quadro de professores efetivos do Estado e foi nomeada para uma escola vaga numa fazenda do município fluminense de Vassouras.

Entretanto, seu lugar não era ali. Guerreira como sempre, consegue o maior de seus objetivos. Intercedeu junto ao presidente Feliciano Sodré a sua transferência  da escola em que trabalhava, no município de Vassouras, para o Coelho, doando a escola de sua propriedade para o Estado, onde passou a existir como grupo escolar.

 

Adélia Martins - Escola no Coelho - São Gonçalo

Em 1966, o então prefeito Joaquim de Almeida Lavoura, com a presença do governador do estado General Paulo Torres, realizou a inauguração oficial do grupo escolar Colégio Estadual Adélia Martins, no campo do Coelho. Até hoje, funciona em 4 turnos diários com mais de 1000 alunos.

Essa árvore que nossa heroína plantou e desenvolveu é responsável pela formação anual de dezenas de gonçalenses, moradores do Coelho e adjacências, os armando para enfrentar o mundo com a melhor de todas as armas: a educação.

Exatos 66 anos após a morte de Adélia Martins, uma menina de 12 anos, com sua paixão pela leitura, faz a diferença na vida de pessoas que antes não conviviam com o fantástico mundo da literatura, os enriquecendo culturalmente e socialmente. Essa menina criou o Projeto Recicla Leitores.

 

Família Recicla Leitores - Sim São Gonçalo
Victoria e sua mãe Aline

 

Inspirada pela sua mãe em fazer o bem, Victoria foi convidada a visitar a Cidade de Deus através de uma ONG inglesa. A menina que adora ler, durante a visita não desgrudava de seu livro. Logo foi alvo dos olhares atentos das crianças que a cercavam. Sem titubear, perguntou à sua mãe o que tanto as crianças a olhavam. Sua mãe explicou que aquelas crianças não tinham o hábito da leitura e aquele gesto aguçou a curiosidade, já que aquelas crianças tinham acesso apenas aos livros didáticos. Pensando nisso, Victoria mobilizou todos os familiares a contribuírem com livros para aquela meninada tão carente.

Não é que a menina conseguiu?! Arrecadou uma grande quantidade de livros e não parou mais. Continuou arrecadando e doando em formas de eventos em várias comunidades do Rio de Janeiro.

Com a grande quantidade de livros chegando de todas as partes do Brasil, a família Recicla Leitores conta apenas com a sua residência para guardar esses livros. A casa ficou pequena para este acervo, pois o número de livros que chegam é maior que os que saem. Então, mediante ao crescimento do acervo, Aline Lucas percebeu a necessidade de um espaço para receber os livros, fazer sua triagem, limpá-los e etiquetá-los para o próximo evento itinerante. Foi nesse momento que a família Recicla Leitores pensou em comportar não só um lugar de armazenagem e sim uma biblioteca, onde contemplasse a comunidade ao redor.

 

Família Recicla Leitores - Sim São Gonçalo
Família Recicla Leitores

 

Um casal de amigos da família, que acompanhava a dificuldade, cedeu um espaço de 106 m² para construção da biblioteca no bairro do Coelho, justamente nas proximidades do Colégio Estadual Adélia Martins, onde essa guerreira construiu com seu suor um colégio voltado à educação com amor ao próximo. Um amor que se repete através da história, com Victoria e sua família na construção da primeira biblioteca comunitária do Coelho.

A previsão é que neste primeiro semestre a biblioteca esteja funcionando a pleno vapor atendendo não só os alunos do Colégio Estadual Adélia Martins, mas toda a comunidade do Coelho. Com o auxilio do Rotary Clube de São Gonçalo esse mesmo espaço contará com uma brinquedoteca e um ponto de leitura. Victoria e sua família ainda lutam para conseguir material para obra. Quem quiser saber como ajudar, basta entrar no site do projeto.

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NATA – Aprendendo com sabor https://simsaogoncalo.com.br/nata-aprendendo-com-sabor/ https://simsaogoncalo.com.br/nata-aprendendo-com-sabor/#comments Fri, 31 Jan 2014 12:47:22 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1662 Localizado no bairro Colubandê, o NATA –Núcleo Avançado de Educação e Tecnologia de Alimentos e Gestão de Cooperativismo – é uma escola técnica que forma técnicos de alimentos com duas especializações: panificação e confeitaria ou leites e derivados. A escola nasceu de uma parceria do Grupo Pão de Açúcar com o projeto Dupla Escola do Estado. […]

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Localizado no bairro Colubandê, o NATA –Núcleo Avançado de Educação e Tecnologia de Alimentos e Gestão de Cooperativismo – é uma escola técnica que forma técnicos de alimentos com duas especializações: panificação e confeitaria ou leites e derivados. A escola nasceu de uma parceria do Grupo Pão de Açúcar com o projeto Dupla Escola do Estado. A escola ocupa parte do antigo prédio da CCPL, que aos poucos está voltando a funcionar.

A escola conta com 2 laboratórios, um de microbiologia e outro de fisico-química. Há refeitório, um amplo espaço e 2 usinas pilotos, referentes às especializações: uma de panificação e confeitaria e outra de leite e derivados. Funcionando há quatro anos, já formou diversos alunos. O colégio tem sido o destaque não só na cidade de São Gonçalo, mas também no estado, o que a consagrou como uma das melhores escolas no ENEM 2012. Segundo dados fornecidos pelo MEC, alcançou o primeiro lugar da redação do ENEM das escolas pertencentes à rede estadual, além de ter ficado entre as 10 melhores do estado na prova objetiva da mesma prova. Também foi premiada com o programa Jovens Turistas, pelo destaque na avaliação bimestral do Estado, mais conhecido como Saerjinho.

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Os formados cursam faculdades federais ou trabalham na área formada. Os alunos do NATA contam com uma equipe de professores bem preparada, tanto nas matérias regulares quanto das disciplinas técnicas. Possuem um suporte muito grande dos funcionários e diretores do colégio. A escola também tem programas internos, como eleição de monitores das usinas técnicas e de seus laboratórios, bem como a premiação de uma viagem à França para aqueles que se destacam ao longo dos 3 anos do curso.

O aprendizado incentiva os alunos a fazer grandes projetos, trabalhando de forma integrada, onde a turma toda se reúne em prol de um trabalho somente. Com isso, aprendem como um grupo funciona, simulando situações do mercado de trabalho.

NATA - Núclei

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Bibliotecas ou não? https://simsaogoncalo.com.br/bibliotecas-ou-nao/ https://simsaogoncalo.com.br/bibliotecas-ou-nao/#respond Wed, 11 Dec 2013 03:52:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1403 Uma outra página no Facebook sobre São Gonçalo fez um post referente à falta de bibliotecas na nossa cidade e um dos comentários foi assim: “Fala sério, para que alguém precisa de bibliotecas se existe o google?” Acredita que esse pensamento pequeno reflita o que pensa a maioria dos gonçalenses? Oi. Talvez o comentário deste […]

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Uma outra página no Facebook sobre São Gonçalo fez um post referente à falta de bibliotecas na nossa cidade e um dos comentários foi assim: “Fala sério, para que alguém precisa de bibliotecas se existe o google?” Acredita que esse pensamento pequeno reflita o que pensa a maioria dos gonçalenses?

Oi. Talvez o comentário deste usuário não seja um total absurdo. Pensando no modelo tradicional, em momentos pré-web, as bibliotecas eram repositórios de livros que muita das vezes tinha publicações que só poderiam ser encontradas lá. Com a digitalização das informações, talvez isso pudesse ser completamente abandonado. Mas, e aí?

Veja o exemplo da “Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin”, na USP. O espaço abriga a coleção do empresário que dá nome à biblioteca. São milhares de títulos com um tema especial: o Brasil.

Penso a biblioteca como um espaço que reúne coleções relevantes, e que se relaciona com a identidade da cidade. Poderíamos ter um acervo com obras sobre o município, ou com autores gonçalenses, por exemplo. Todas catalogadas, digitalizadas e disponibilizadas para consultas. O espaço seria um momento de “encontro com os originais da obra”, com terminais para consulta ou wi-fi à vontade para os pesquisadores.

Em cidades como a nossa, bibliotecas e museus deveriam ser espaços voltados à memória do local. Fortalecendo o vínculo de seus habitantes com o território. Talvez isso nunca tenha sido apresentado ao redator do comentário. Na verdade, o pensamento não é pequeno, porque não há nada pensado. 🙂

Foto: Fabrício Rodrigues

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Colégios Gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/colegios-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/colegios-goncalenses/#comments Wed, 24 Jul 2013 03:53:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1127 “Pra você, quais são os colégios que mais se destacam em SG, sendo eles públicos ou particulares?” Educação é algo complicado para se falar. Ainda mais em São Gonça… Mas, vamos lá! 1. Sobre escolas públicas, eu não faço ideia de qual a melhor colocada no “ranking” gonçalense. Tenho familiares que estudam nelas e a […]

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“Pra você, quais são os colégios que mais se destacam em SG, sendo eles públicos ou particulares?”

Educação é algo complicado para se falar. Ainda mais em São Gonça… Mas, vamos lá!

1. Sobre escolas públicas, eu não faço ideia de qual a melhor colocada no “ranking” gonçalense. Tenho familiares que estudam nelas e a situação não é das melhores. Falta de professores, alunos desinteressados, matérias “jogadas”, entre outros problemas crônicos do nosso ensino público. A situação é similar em todo o estado, exceto em algumas escolas priviliegiadas da cidade do Rio, como Pedro II (Tijuca) e os CAps da UERJ (Rio Comprido) e UFRJ (Lagoa). Sem falar em escolas experimentais como a NAVE, que tem aporte do Oi Futuro. Entretanto, às vezes até mesmo estas passam por greves e falta de profissionais.

2. Em São Gonçalo, posso falar das escolas que frequentei e tive contato. Ainda vejo o MV1 e o Santa Mônica como escolas de melhor nível na cidade. Explicação básica: são “escolas de rede”. Infelizmente, hoje, em 2020, não tenho muito parâmetro para afirmar algo assim. Em breve, farei um post com base nos resultados do ENEM, algo mais palpável, em detrimento desses achismos que fiz com base numa percepção do início dos anos 2000.

3.Nos colégios de rede, o que vale são os melhores. Motivo? Estampá-los nas propagandas em janeiro e fevereiro para mostrar como a escola “produz talentos” aptos a passar nos concursos (vestibulares). As avaliações são frequentes, deixando muita gente para trás. Muitos desistem e vão para as escolas “mais fáceis” logo de cara.  Em 2020, já ficou claro que precisamos ir além de resultados. 

4. Estudei no Santa Terezinha na época que ainda eram referência de ensino na cidade. De fato tive um ensino fundamental ótimo, que forma a base escolar de qualquer cidadão. No ensino médio, entrei no 1º ano de MV1 na cidade. Passei nas faculdades públicas e me tornei mais um número.

5. São Gonçalo, como todas as outras cidades com pessoas emergentes economicamente, tem forte demanda para educação. Sabemos que só por ela conseguimos sair do buraco da pobreza, ou pelo menos da situação de “receber para pagar dívidas” que muitos vivem mensalmente. Muitos ainda acreditam que fazer o tão sonhado curso superior é a solução de todos os problemas. Mas acredite: Não é. O reflexo são pessoas que fazem o curso superior na busca simples pelo diploma, sem falar nas dificuldades para concluir matérias e cursos. Vide o curso de engenharia particulares, que não consegue formar bons profissionais com a mesma eficiência da escola pública. Problema do ensino? Não. Da defasagem do aluno.

6. Diploma não dá emprego à ninguém. Ele apenas te coloca em um patamar de competição. Na busca pelo lugar ao sol, é a sua formação pessoal é que faz a diferença.

7. A vida do aluno (cidadão) passa por diversas coisas: ambiente familiar, escolar, perspectivas profissionais e financeiras. Se você vive em um ambiente onde as pessoas estão acostumadas a um nível “x”, você dificilmente sairá dele. Muitos quando “saem”, na verdade continuam se igualando. Um exemplo? Lembre daquela viagem que seu amigo fez e mostrou para todo mundo com maior orgulho? Então, ele não viajou para ele. Foi só para que todos os seus iguais vissem como ele “mudou”.

Conclusão: Quem só busca dinheiro e status não sai do lugar. Penso que na escola e na vida a competição não é com os outros e sim com você mesmo.

Após esse post, tivemos o prazer de ler o relato do colunista Caio Cler, sobre uma escola pública de referência no ensino técnico especializado: o NATA. Clique, informe-se, leia.  

Foto: Victor Medeiros / @viictormedeiiros

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