patrimônio cultural Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/patrimonio-cultural/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Thu, 30 Nov 2023 03:15:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg patrimônio cultural Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/patrimonio-cultural/ 32 32 147981209 A importância dos festivais gastronômicos nas cidades https://simsaogoncalo.com.br/importancia-dos-festival-gastronomicos-nas-cidades/ https://simsaogoncalo.com.br/importancia-dos-festival-gastronomicos-nas-cidades/#comments Tue, 14 Mar 2017 14:08:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4355 A moda dos trailers, agora chamados de foodtrucks, parece que veio para ficar. Além da boa comida e bebida, os festivais gastronômicos trouxeram algo que há tempos precisávamos fazer: a ocupação das ruas e espaços que, cotidianamente, não temos contato. Os primeiros eventos gastronômicos aconteceram na praça do Zé Garoto (Estephânia de Carvalho). Devido ao sucesso inicial, o segundo aconteceu, trazendo ainda […]

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A moda dos trailers, agora chamados de foodtrucks, parece que veio para ficar. Além da boa comida e bebida, os festivais gastronômicos trouxeram algo que há tempos precisávamos fazer: a ocupação das ruas e espaços que, cotidianamente, não temos contato.

Os primeiros eventos gastronômicos aconteceram na praça do Zé Garoto (Estephânia de Carvalho). Devido ao sucesso inicial, o segundo aconteceu, trazendo ainda mais gente para o local onde, por insegurança e pouca atratividade, poucos se arriscavam a entrar.

Cervejaria artesanal Dois Lados. Prata da casa presente de qualidade presente nos festivais da cidade.
Cervejaria artesanal Dois Lados. Prata da casa de qualidade, sempre presente nos festivais da cidade.

Na mesma frequência, crescia o OcupaSound, evento mensal que ocorre na praça do Camarão, rua da caminhada. Outro belo movimento que precisa ser citado são os eventos semanais de Rap, como o que acontece na Trindade. Até mesmo iniciativas como o baile charme, na praça do Gradim. Esses eventos de bairro trazem ainda mais movimento às diversas barracas que ficam ao redor das praças, com as mais variadas opções gastronômicas.

Com todo esse histórico de sucesso, alguns produtores resolveram dar um passo maior, explorando um dos lugares mais belos da cidade: a ilha das Flores.

Cais Ilha das Flores em São Gonçalo, Rio de Janeiro – Marinha do Brasil
Pequeno cais da Ilha das Flores, próprio para pequenas embarcações. Nadar não pode, infelizmente. São Gonçalo, Rio de Janeiro – Marinha do Brasil

Festivais gastronômicos: descobrindo novos espaços

Alguns espaços fogem da questão da revitalização. Na verdade, eles precisam ser é descobertos pela população. É o caso da Ilha das Flores, a base dos Fuzileiros Navais, sob gestão da Marinha do Brasil.

O local, além de histórico, tem uma excelente vista da Baía de Guanabara. Ver o mar dali, além de trazer paz, nos mostra o quanto a cidade pode ser vista de novos ângulos.

Ficamos felizes por ver que a instituição abriu as portas para que um evento desse porte acontecesse por ali. Foi incrível ver a interação das pessoas num espaço interesse e ainda inexplorado dessa forma em São Gonçalo.

Há pouco tempo, o Mário Lima Jr. escreveu um conto sobre um evento similar acontecendo na Fazenda Colubandê. A história fictícia fez sucesso, pois descrevia o bem que um evento desses poderia fazer ao local, um ponto histórico da cidade, cujo espaço ocioso parece estar ansioso em receber um evento deste porte e mostrar seu potencial.

Barraca de Churros no festival gastronômico de verão da Ilha das Flores.
Barraca de Churros no Festival Gastronômico de verão da Ilha das Flores.

Desejamos vida longa ao movimento. Diante da crise econômica, eles mostram que podem ser uma opção viável para promover os produtores locais. Que eles também continuem desbravando pontos ociosos na cidade, que precisam ser frequentados e vividos pela população. Aliás, além da Fazenda Colubandê, fica a dica também para a Praia das Pedrinhas, lugar que também rende um belo pôr do sol.

Vendedor de Balões nos festivais gastronômicos de São Gonçalo
Até o vendedor de balões ganha no festival de comidas e bebidas. 🙂

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Presente para os 126 anos de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/presente-126-anos-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/presente-126-anos-sao-goncalo/#comments Thu, 22 Sep 2016 14:04:53 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4045 São Gonçalo comemora 126 anos de emancipação política hoje, 22 de setembro! Muitos reclamam da escassa oferta de trabalho e lazer, mas poucos se dedicam ao desenvolvimento gonçalense. No aniversário da cidade, que tal oferecer a ela um pequeno gesto de carinho como presente? Aproveitando o feriado municipal, você pode escolher uma dessas opções simples: […]

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São Gonçalo comemora 126 anos de emancipação política hoje, 22 de setembro! Muitos reclamam da escassa oferta de trabalho e lazer, mas poucos se dedicam ao desenvolvimento gonçalense. No aniversário da cidade, que tal oferecer a ela um pequeno gesto de carinho como presente?

Aproveitando o feriado municipal, você pode escolher uma dessas opções simples: enviar uma reclamação ou sugestão para a Ouvidoria da Prefeitura, analisar com amigos as propostas dos candidatos a prefeito, doar material reciclável para o Albergue da Misericórdia ou escrever e compartilhar nas redes sociais seu relacionamento com a cidade. Como gosto de escrever, escolhi a última opção, lá vai:

Quando acordo, penso nas maravilhas e mazelas gonçalenses. Saio de casa de manhã e, da calçada, olho para os dois lados da minha rua, nunca varrida pela Prefeitura. Sacos e copos plásticos se ajuntam no bueiro. De vez em quando, um vizinho varre.

Começo a caminhar e vejo a barricada de sofás rasgados, pedras, troncos e geladeira velha que divide minha rua em duas. Ouço o som dela sendo arrastada por homens e mulheres que desejam ir ao trabalho ou buscar o filho na escola. É o barulho mais deprimente que conheço, ferro contra concreto, som do fracasso da luta do estado do Rio contra a violência.

Continuo caminhando desde o Vila Três e chego ao centro de Alcântara, cheio de pilhas de lixo nas esquinas. Uma rápida observação das pilhas fedorentas leva à conclusão de que são perfeitamente recicláveis. A hipocrisia impede o governo Mulim de aproveitar este potencial econômico.

Sobre as maravilhas, recentemente visitei o Porto da Madama pela primeira vez. Lá tem uma estação de trem antiga, linda e emocionante, apesar do abandono. Outro patrimônio histórico se deteriorando, como a magnífica Fazenda Colubandê, por culpa dos parasitas políticos.

Nos fins de semana, vende-se de tudo no meio das ruas do Porto da Madama. As pessoas se olham e se esbarram como se fossem parentes vivendo dentro da mesma casa, São Gonçalo. O povo olha os produtos no chão, quer saber a qualidade, o preço, fala alto, mas com naturalidade, e abertamente as pessoas dependem umas das outras. A alma gonçalense pode ser tocada. Alcântara é mais cosmopolita do que o Porto da Madama, onde há menos lojas e a  inocência é evidente.

Fotografei a estação de trem e peguei o ônibus de volta pra casa. À noite continuo pensando em São Gonçalo, agora com 126 anos, espelho das maravilhas contraditórias brasileiras, até a hora de dormir.

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A praça é do Rodo https://simsaogoncalo.com.br/praca-e-do-rodo/ https://simsaogoncalo.com.br/praca-e-do-rodo/#comments Sat, 11 Jun 2016 12:32:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3726 São Gonçalo é uma cidade grande, com uma linda história de sobrevivência. Ignorar seu passado de propósito e chamar a Praça do Rodo de “praça da Marisa” é criminoso. O município lutou para se desvencilhar politicamente de Niterói durante anos e hoje se esforça para superar graves problemas sociais, a baixa qualificação profissional, o pouco acesso […]

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São Gonçalo é uma cidade grande, com uma linda história de sobrevivência. Ignorar seu passado de propósito e chamar a Praça do Rodo de “praça da Marisa” é criminoso.

O município lutou para se desvencilhar politicamente de Niterói durante anos e hoje se esforça para superar graves problemas sociais, a baixa qualificação profissional, o pouco acesso à Cultura. A solução passa pelo resgate das próprias raízes para corrigir o rumo. Mas há pessoas que conhecem até o nome oficial da praça, Luiz Palmier, e a chamam de praça da Marisa. A Prefeitura, quando anuncia eventos no local, comete tal crime. Os 27 vereadores da Câmara, cuja maioria não conhece a história da cidade, também pecam.

E a Marisa não paga um centavo por esta maravilhosa ação de marketing permanente. Secretarias de governo, empresas privadas, assessorias de comunicação e a população em geral trabalham de graça ao citar seu nome.

O termo “praça do Rodo” já foi mais popular que “praça da Marisa” há pouco tempo. Aí surgiu essa moda degradante de trocar o nome da praça – onde os bondes retornavam em direção à Niterói -, dona de uma importância para o desenvolvimento da cidade infinitamente maior do que a marca de varejo (Tafulhar).

A praça do Rodo continua especialíssima hoje. É uma praça diferente da Zé Garoto, mais indicada para ler um livro, apreciar um pouco de silêncio ou o escasso verde gonçalense das árvores. No Rodo, São Gonçalo inteira está ao seu redor, na pista movimentada de veículos, ruidosa, nos pedestres apressados, nas lojas fervendo de gente, na lanchonete vendendo salgado e refresco. Aliás, o típico gonçalense come pelo menos um salgado na rua por semana.

Na praça do Rodo a banca de jornal é tradicionalmente agradável pois permite esquecer por alguns segundos o movimento confuso ao lado e saber das últimas notícias, e as feiras de livros que frequentemente acontecem são o que mais aprecio na rotina local.

Há bancos mas faltam árvores na segunda praça gonçalense mais famosa. E sobra ferro naquela coluna ridícula (apenas prefeitos estúpidos plantam ferro em vez de árvore). A réplica de um bonde cumpriria melhor o papel de preservação da memória.

Sempre que alguém chama a Praça do Rodo de “praça da Marisa” tenho vontade de correr nu entre os carros na contramão gritando: “A praça é do Rodo, porra!”. Evitem essa vergonha, por favor. A praça é do Rodo.

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Os bastidores do Corpus Christi: como retiram os tapetes? https://simsaogoncalo.com.br/os-bastidores-do-corpus-christi-como-retiram-os-tapetes/ https://simsaogoncalo.com.br/os-bastidores-do-corpus-christi-como-retiram-os-tapetes/#comments Fri, 27 May 2016 17:28:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3676 A tradição dos tapetes de Corpus Christi se consolidou na cidade. Mas a beleza artística que presenciamos na manhã de quinta tem seus custos. Naturalmente, já sofremos com o trânsito. E quando um pequeno evento acontece no centro da cidade, é o suficiente para o caos se instalar. Por isso, este ano, resolvemos olhar para aqueles que reordenam as ruas: a equipe de […]

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A tradição dos tapetes de Corpus Christi se consolidou na cidade. Mas a beleza artística que presenciamos na manhã de quinta tem seus custos. Naturalmente, já sofremos com o trânsito. E quando um pequeno evento acontece no centro da cidade, é o suficiente para o caos se instalar. Por isso, este ano, resolvemos olhar para aqueles que reordenam as ruas: a equipe de limpeza pós-tapetes.

Limpeza dos tapetes de Corpus Christi

Antes de falar sobre o assunto principal, precisamos falar sobre o fechamento precoce das ruas. Desde às 18 horas, o trânsito foi interrompido, o que gerou bastante transtorno para as pessoas que voltavam para suas casas nesse pré-feriado. Não sabemos ao certo o motivo de tanto adiantamento, mas seria interessante se a prefeitura voltasse a fechar as ruas às 22:00 da noite, após o horário de maior fluxo. Seria mais justo com todos.

Por mais óbvio que possa parecer para você, o rápido trabalho feito pelos garis é fruto da experiência dos anos de desmonte dos tapetes. Liberar a via em pouco tempo é um trabalho árduo, mas gratificante para quem sabe de seu papel fundamental ao final do evento. Surpreendentemente, muita gente nunca imaginou o processo de limpeza geral, especialmente sobre como a atuação do trator ajuda bastante.

Limpeza dos tapetes de Corpus Christi

Equipe de limpeza, liberando a via em frente à prefeitura.

Sugestões para os próximos Corpus Christi

A sugestão para os próximos eventos, na questão do lixo, é que empresa e prefeitura mostrem como fazem o descarte de todo o material usado na confecção dos tapetes. Seria o ideal para termos o ciclo completo, do início ao fim, gerando ainda mais valor para todo o evento. Afinal, o meio ambiente agradece.

A expectativa de todos é que os erros do passado sejam corrigidos e os acertos repetidos. As lições aprendidas aqui são o melhor meio para que consigamos fazer dos tapetes de Corpus Christi algo ainda mais interessante para todos que vivem por aqui.

Limpeza dos tapetes de Corpus Christi Limpeza dos tapetes de Corpus Christi Limpeza dos tapetes de Corpus Christi Limpeza dos tapetes de Corpus Christi Limpeza dos tapetes de Corpus Christi

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Tem turismo em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tem-turismo-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/tem-turismo-em-sao-goncalo/#comments Sun, 13 Mar 2016 10:36:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3535 Cento e sessenta pessoas reunidas na praça de Santa Isabel, às 8h da manhã de um domingo de sol, para visitar as Grutas de Caulim provaram – mais uma vez – que existem passeios prazerosos em São Gonçalo. O que falta é incentivo à visitação e preservação por parte do poder público. Santa Isabel foi […]

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Cento e sessenta pessoas reunidas na praça de Santa Isabel, às 8h da manhã de um domingo de sol, para visitar as Grutas de Caulim provaram – mais uma vez – que existem passeios prazerosos em São Gonçalo. O que falta é incentivo à visitação e preservação por parte do poder público.

Santa Isabel foi transformado no dia seis de março. Ao lado das pilhas de lixo disputadas por porcos e urubus, gonçalenses dos cinco distritos tomaram as ruas do bairro e prometeram mais do que não sujá-lo, também recolher a sujeira que encontrassem na trilha até as cavernas. Respeito pela natureza da cidade era a orientação principal do grupo. Com o devido esclarecimento, inclusive o indivíduo que deposita sua sacola de lixo na esquina e segue calmamente em direção à academia pode se tornar um cidadão.

A partir da praça, caminhamos sem dificuldade, além do sol intenso, até o ponto final da linha de ônibus municipal 01. Neste ponto a São Gonçalo eletrizada como conhecemos termina (ou começa na direção contrária, como indica a numeração da linha). Vemos um largo com três ruas, três caminhos, um mais misterioso que o outro, o primeiro à esquerda, outro no meio e o último à direita, parecem as portas do destino que nos deparamos ao longo da vida. O asfalto acaba, há morros e árvores e mais animais, bois, muitos bois. A rua do lado direito, de terra batida, nos levou ao conjunto de 22 cavernas, com aproximadamente 10.000m² de extensão e salões com mais de 30m de altura, de acordo com a Prefeitura.

O primeiro córrego apareceu após alguns minutos andando, já suados, o mato verde, vigoroso, dominou a paisagem e o boné para proteger o rosto e alguns goles de água foram necessários. Qualquer pessoa desmotivada desistiria neste momento apesar da trilha dentro da mata ainda não ter começado: a poeira subia a cada passo, o sol se fortalecia e a paisagem assumia definitivamente feições rurais. Ninguém desistiu, nem entre idosos e crianças, a multidão caminhava firme, extensa, como uma procissão religiosa ou manifestação política, ansiosa pelo contato íntimo com a cidade. Perceber este sentimento generalizado de amor por São Gonçalo foi a maior emoção do passeio.

Depois de aproximadamente duas horas superando trechos íngremes, cansativos, escorregadios e estreitos, cortes no corpo feitos pelo mato e clima abafado – iniciantes tiveram bastante paciência – na primeira gruta vista ecoaram os assovios, gritos, urros e a alegria. Descobríamos que as cavernas de Santa Isabel são reais, com direito à escuridão total, morcegos e piscinas.

Experiências como esta merecem mais divulgação das esferas de governo. Mais do que nota publicada no site da Prefeitura ou posts em redes sociais. Panfletagem com dados sobre a formação do complexo e pontos de informações turísticas, no mínimo. Antes que Maricá possua as grutas na cara-de-pau, como Niterói tomou Itaipu, antes que estejam tão pichadas quanto as principais vias gonçalenses.

Longe do centro urbano poluído de calor infernal, me refresquei na água cristalina e gelada que escorria do teto de uma pequena gruta. Se alguém me contasse, não acreditaria.

CONFIRA AS FOTOS DA IDA ÀS CAVERNAS.

Realização:Apoio:Secretaria de Turismo e Cultura de São Gonçalo.

Publicado por FI S Gonçalo em Domingo, 6 de março de 2016

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Sonhei com Aparecida Panisset https://simsaogoncalo.com.br/sonhei-com-aparecida-panisset/ https://simsaogoncalo.com.br/sonhei-com-aparecida-panisset/#respond Sun, 29 Nov 2015 10:45:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3386 Noite passada sonhei com Aparecida Panisset, ex-prefeita de São Gonçalo, antecessora do ser que hoje ocupa a Prefeitura e igualmente afunda a cidade em dívidas, lixo e ignorância. Estávamos em um evento partidário para apresentação dos candidatos às eleições de 2016; eu e Panisset compartilhávamos os mesmos ideais políticos, que sonho absurdo. Face enrugada, corpo curvado, […]

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Noite passada sonhei com Aparecida Panisset, ex-prefeita de São Gonçalo, antecessora do ser que hoje ocupa a Prefeitura e igualmente afunda a cidade em dívidas, lixo e ignorância. Estávamos em um evento partidário para apresentação dos candidatos às eleições de 2016; eu e Panisset compartilhávamos os mesmos ideais políticos, que sonho absurdo.

Face enrugada, corpo curvado, bem mais idosa, a ex-prefeita interrompia a conversa dos presentes a torto e a direito, impondo sua opinião com um sorriso intrometido sobre qualquer assunto. Fazia questão de ser a única a falar, onde chegava a conversa acabava. Quando serviram salgadinhos, foi a primeira a garantir o seu, avançando sobre a bandeja.

A cabeleira vermelhíssima combinava com a camisa de renda da mesma cor. Quando se aproximou de mim, gesticulando e falando descontroladamente, desfilando seu jeito político provinciano, aproveitei para perguntar:

– Por que a chamada “prefeita das praças” abandonou a Praça Carlos Gianelli, em Alcântara, depois a vendeu para a construção de um shopping? Por que a “prefeita das praças” destruiu três quadras poliesportivas e uma pista de skate no Raul Veiga, e transformou a Praça Chico Mendes na obra mais estúpida, inútil e bizarra que existe no mundo?

Como era um sonho, Aparecida Panisset me respondeu com total sinceridade:

– Mário, a Praça Carlos Gianelli era um tormento, uma feiura só. Eu era incapaz de mantê-la limpa ou reformá-la. As contas da Prefeitura não batiam, e não batem até hoje, não sobrava grana. Os cracudos dominavam o espaço. Alguns foram levados para abrigos, outros insistiam em voltar. Aí surgiu a proposta comercial de concessão da praça, que maravilha, transformá-la em um bonito e grande shopping. Consta no contrato urbanizar o entorno, mas ninguém cobra, o povo esquece, a Justiça engatinha. Fiz amigos para sempre entre aqueles empresários, todos me devem favores. O padre da paróquia logo atrás me apoiou, ganhou a parte dele, hoje não nos falamos mais. A igreja evoluiu, agora tem um pátio bom lá em cima, onde organizam os eventos. Com esta jogada, escondi maravilhosamente a Igreja Católica. Entre o catolicismo e o consumismo, prefiro o segundo, afinal, Jesus abençoa os escolhidos com dinheiro para gastar.

– Mas, Aparecida – disse eu – era a única praça do bairro. As pessoas passam espremidas entre o shopping e a rua, respirando o escapamento dos veículos. Para fugir do sol por alguns minutos, elas se sentam no canteiro do shopping, quase no chão, humilhadas na própria cidade, porque não têm mais praça.

– Era preciso um shopping em Alcântara, imagina – continuou Panisset -, um bairro tão grande, comércio forte. Acabaram os cracudos, você viu? O shopping “bomba”, é um sucesso. Os casais namoram na cobertura, a vista é maravilhosa. Já na Praça Chico Mendes, que homenageava esse agricultor cearense que não sei como veio parar em São Gonçalo, eu quis consolidar um espaço evangélico, temos quase dez templos lá atualmente. Havia uns moleques por ali, roqueiros que vinham encher a cara, uns vagabundos, queria acabar com aquela farra, sumiram todos, viu? Acabei com os cracudos de Alcântara e os cachaceiros do Raul Veiga. Era pra virar referência na região, atrair mais fiéis, construí a Praça da Bíblia de presente para meus amigos pastores. Entreguei uma praça linda, que não foi cuidada, faltou manutenção. Era agradável andar por ali enquanto as passagens bíblicas existiam. Hoje me divirto, as crianças pensam que é um circo, que tem um “globo da morte”. A Justiça me persegue até hoje, por isso a Praça da Bíblia está fechada.

Era difícil interromper Panisset, até mesmo no sonho. Quando passo ao lado da Chico Mendes, vazia de pessoas, repleta de lixo nas laterais e ferros grotescos emaranhados no meio, dá vontade de voltar no tempo e me agarrar ao que era antes. Pais, mães e filhos brincavam nela aos domingos. Entre cracudos e cachaceiros e as duas gestões de Panisset, aceitaria os primeiros de bom grado.

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Executivo despreza a Cultura https://simsaogoncalo.com.br/executivo-despreza-a-cultura/ https://simsaogoncalo.com.br/executivo-despreza-a-cultura/#respond Wed, 30 Sep 2015 11:10:44 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3232 O povo gonçalense ignora a história da sua formação, desconhece suas qualidades profissionais e a própria capacidade artística. Deficiência grave, claramente compreendida: a Cultura é mais um setor público abandonado pelo Executivo, sem planejamento, de orçamento ínfimo e baixa qualificação técnica. Para o governo Mulim, liderado por um professor, Cultura não é importante. O orçamento da pasta é de R$ […]

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O povo gonçalense ignora a história da sua formação, desconhece suas qualidades profissionais e a própria capacidade artística. Deficiência grave, claramente compreendida: a Cultura é mais um setor público abandonado pelo Executivo, sem planejamento, de orçamento ínfimo e baixa qualificação técnica.

Para o governo Mulim, liderado por um professor, Cultura não é importante. O orçamento da pasta é de R$ 1,2 milhão (apenas 0,1% do total gasto pelo município em 2015), colocando o setor entre as quatro secretarias menos favorecidas e de menor capacidade de investimento, visto que os gastos exorbitantes com pessoal – gente desqualificada e desnecessária – e eventos fixos do calendário anual, que não valorizam a produção artística gonçalense, consomem praticamente toda a verba.

Ao Gabinete do Prefeito, no entanto, chefiado pela irmã de Mulim, a Prefeitura destina R$ 3,5 milhões por ano, quase três vezes mais do que a Cultura recebe. O que faz o Gabinete com tanto dinheiro? Longe de desenvolver pesquisas científicas em benefício do população, suas funções são assessorar o prefeito, assessorá-lo mais um pouco e eventualmente assessorá-lo de novo.

O descaso é ainda mais ofensivo: há sete meses o Executivo se sentou e reteve embaixo de si mesmo a proposta de criação do Plano Municipal de Cultura, documento que visa estruturar o aparelho e a oferta cultural do município, inserido no contexto nacional. Nas mãos da corja incompetente que domina seu cenário político, São Gonçalo é mantida de propósito imersa na ignorância.

Como se não bastasse tanto desprezo, neste mês de setembro a Prefeitura deveria prontificar e entregar aos gonçalenses dois Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs), um em Neves, outro no Colubandê. Entre outros benefícios, os CEUs oferecem lazer e serviços para promoção da cidadania em territórios de alta vulnerabilidade social, contudo, apesar de contar com verbas federais de mais de R$ 7 milhões, a construção dos CEUs municipais estagnou no estágio inicial.

A alienação generalizada estimulada pelo Governo prejudica o estabelecimento de respostas para uma pergunta simples: o que significa ser gonçalense? É um conceito quase inexistente, nos falta uma imagem pública positiva, carecemos de identidade. Certamente é algo maior do que simplesmente nascer ou viver em São Gonçalo.

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Admitindo que vivemos na lama https://simsaogoncalo.com.br/admitindo-que-vivemos-na-lama/ https://simsaogoncalo.com.br/admitindo-que-vivemos-na-lama/#respond Thu, 25 Jun 2015 12:54:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2975 De acordo com o IBGE, em 2010, 38% dos domicílios gonçalenses estavam em ruas não pavimentadas e 65% em ruas sem bueiros. Indicadores que colocam a cidade de São Gonçalo entre as piores do país em urbanização. Conhecendo esses números alarmantes, a ineficiência histórica do poder público e o efeito da chuva sobre a má […]

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De acordo com o IBGE, em 2010, 38% dos domicílios gonçalenses estavam em ruas não pavimentadas e 65% em ruas sem bueiros. Indicadores que colocam a cidade de São Gonçalo entre as piores do país em urbanização. Conhecendo esses números alarmantes, a ineficiência histórica do poder público e o efeito da chuva sobre a má qualidade do asfalto municipal, devemos admitir que a população gonçalense vive na lama.

Por que é importante reconhecer este fato? Muitos gonçalenses que estudam, têm bom emprego e poderiam contribuir para o desenvolvimento da cidade negam sua realidade caótica. Limitam-se a pensar que “mais de 50% das ruas são asfaltadas”, como se fosse suficiente para o bem-estar geral. São pessoas que frequentam sempre os mesmos lugares e circulam apenas no mesmo trecho, ou seja, conhecem somente uma pequena parte deste município enorme e não encaram o descaso que assola distritos inteiros, como Ipiíba e Monjolos.

Gonçalenses que passam diariamente pelas ruas menos esburacadas, como Cel. Moreira César, Feliciano Sodré e Dr. Nilo Peçanha, mas jamais pisaram no Engenho do Roçado e desconhecem a gravidade do seu atraso. Se quisessem, poderiam influenciar politicamente o governo, pressioná-lo por melhorias para seus vizinhos. Não, almoçar no início da rua Salvatori e curtir o happy hour com amigos no Baixo Alcântara deturpam sua capacidade de percepção da realidade até que se ofendem quando incluídos entre a população que vive na lama. Veem a si mesmos como cidadãos de uma São Gonçalo desenvolvida que não existe.

Jardim Catarina - Na Lama
Foto: SOS Catarina. “Há 1 ano atrás, os moradores da rua 46 colocaram essa faixa na rua em forma de protesto a propaganda feita pelo governo estadual. Um ano depois, continuamos na mesma situação. Promessas e mais promessas feitas pelo Governador Pezão e nada foi feito. Prefeito Neilton Mulim? Nunca se pronunciou! Descaso e abandono para com os moradores do Jardim Catarina.”

Nenhum habitante está livre do lixo, do esgoto ou da lama após a chuva, ainda que more no Centro. Se o IBGE avaliasse a qualidade do asfalto e do funcionamento dos poucos bueiros, teríamos um retrato mais exato sobre o município. Há ruas “asfaltadas” com tantos buracos que parecem a superfície lunar, como no Vila Três. Há ruas asfaltadas que alagam com frequência, onde inundam casas e estabelecimentos comerciais, como no Porto da Pedra. Há bairros como o Alcântara onde as ruas, asfaltadas, têm verdadeiras piscinas de lama e esgoto repletas de lixo o ano inteiro, não precisa chover.

Buscaremos soluções para os problemas que comprometem nossa qualidade de vida assim que admitirmos que vivemos na lama. Os gonçalenses trancados em casa 24h por dia, devido a dificuldades de locomoção entre tantos buracos e pela falta de rampas, aguardam ansiosamente este momento. A ajuda nascerá entre nós e não depende de qualquer governo. Se o Brasil passa por uma crise interminável, o país inteiro pode afundar, menos a cidade que moramos.

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Praça dos Ex-combatentes: marcas de um passado heróico https://simsaogoncalo.com.br/praca-dos-ex-combatentes-historia/ https://simsaogoncalo.com.br/praca-dos-ex-combatentes-historia/#comments Mon, 05 Jan 2015 10:20:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2493 A praça dos Ex-combatentes foi fundada em 24 de outubro de 1970, nesta mesma derradeira e amada cidade de São Gonçalo. A praça é uma jovem senhora, nascida no 1° decanato de escorpião. Com duas grandes reformas, o espaço é um museu a céu aberto, erguido em homenagem aos Combatentes da 2° Guerra Mundial. Ela é […]

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A praça dos Ex-combatentes foi fundada em 24 de outubro de 1970, nesta mesma derradeira e amada cidade de São Gonçalo.

A praça é uma jovem senhora, nascida no 1° decanato de escorpião. Com duas grandes reformas, o espaço é um museu a céu aberto, erguido em homenagem aos Combatentes da 2° Guerra Mundial.

Ela é composta por um obelisco, um mastro central para quatro bandeiras, mapa do Brasil e Brasões oficiais. Há também o famoso tanque, além de uma hélice e munições de guerra.

No monumento aos soldados mortos, ficou a mensagem para os vivos: “Aos que em holocausto à Pátria, tiveram como túmulo às águas do atlântico ou a terra fria da Itália. A morredoura gratidão e imperecível saudade dos que ficaram”.

O grupo Lavoura e o militarismo

Nos anos de 1970, a cidade de São Gonçalo ainda gozava dos louros do desenvolvimento, propiciados pela política promovida pelo prefeito Joaquim de Almeida Lavoura.

Sua carreira teve início em 1947, quando foi eleito vereador pelo Partido Social Democrático, o PSD. Era conhecido como o “vereador de tamancos”, já que exercia mil e uma atividades. Profissionalmente, era peixeiro e comerciante de “secos e molhados”.

Dentre os inéditos feitos do grupo Lavourista, friso a defesa do militarismo e do serviço prestado à nação. A história dos ex-combatentes gerou encontros políticos, plenárias públicas e leis municipais em defesa dos pracinhas que estiveram na guerra.

Jornal O Globo - Volta dos pracinha da 2ª Guerra Mundial
Jornal O Globo – Volta dos pracinha da 2ª Guerra Mundial

Dos treinamentos no Morro do Castro, em Niterói, às sangrentas lutas no frio de Monte Castelo na Itália, a 2ª Grande Guerra levou parte considerável do 3° Regimento de Infantaria da Venda da Cruz e com ele centenas de Gonçalenses.

O local surgiu no ano de 1935, como o 3º Regimento de Infantaria, com sede na Chácara Paraíso. Quatro anos depois, passou a ser 3° Batalhão de Infantaria, em substituição ao 14° Regimento de Infantaria, da Praia Vermelha (Urca), que havia sido extinto após o bombardeio da Intentona Comunista. Contudo, estas não são as histórias que me trouxeram até aqui e nem os são fatos em que devo me ater.

Praça dos Ex-Combatentes, São Gonçalo
Praça dos Ex-Combatentes, Patronato, São Gonçalo – RJ. Crédito: Acervo Sociedade de Artes e Letras São Gonçalo

Praça dos Ex-Combatentes: uma homenagem aos guerreiros brasileiros

O ex-prefeito Osmar Leitão (1967-70), que assumiu sua 1° secretaria aos 19 anos, foi o fundador da praça dos Ex-Combatentes. Entretanto, quem a inaugurou foi José Alves Barbosa (1970-71), que havia assumido a prefeitura no período.

Osmar Leitão e André Correia na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro
Ex-prefeito Osmar Leitão e André Correia na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro

Nesta matéria, Osmar caminhou por entre os monumentos no bairro do Patronato. Ele falou com orgulho da construção da praça e dos tempos que a sociedade se comovia com homenagens aos soldados brasileiros.

Segundo Leitão, “Esse espaço pertencia à CEDAE. Aqui se fazia os serviços diários da manobra de água, mas depois ficou abandonado. Quando cheguei à prefeitura, solicitamos ao Governador Geremias Fontes, permissão para urbanizar o local. No rastro dessa autorização, conseguimos também o espaço onde hoje funciona a Associação dos Ex-Combatentes, fundada em 1º de outubro de 1945, pelo senhor Rubem Silva.”

Ex-prefeito Osmar Leitão na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro
Ex-prefeito Osmar Leitão na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro

Da promoção ao reconhecimento

Muitos Ex-Combatentes passaram de soldados de guerra a funcionários públicos do município, além de membros ilustres da sociedade gonçalense. Inúmeras leis foram votadas para beneficiá-los, bem como suas famílias.

Uma delas, por exemplo, foi o recebimento de soldo (salário), utilizado em grande escala como apoio aos serviços prestados à nação. Entusiasmado, Osmar Leitão afirma que o reconhecimento aos pracinhas são presentes na lei ainda hoje, em 2014. Onde quer que seja descoberta uma família de ex-combatente desamparada, o estado prestará o devido auxílio. “Um guardião da nação não deve ficar desamparado. As políticas de proteção foram implementadas a favor do heroísmo e das vitórias de guerra”, declarou o ex-prefeito.

Em um tempo de “ame ou deixe-o”, o discurso cívico-patriótico pode ser comprovado nas palavras confeccionadas em placas de bronze. Elas foram fixadas nos artefatos da praça dos ex-combatentes, como memória e reafirmação do discurso de preservação.

A praça é representada como um monumento simbólico. Ela fez parte de um complexo de 109 homenagens, realizadas pelo governo brasileiro em todo território nacional.

Brasão da Associação dos Ex-combatentes Brasileiros na 2ª Guerra Mundial
Brasão da Associação dos Ex-combatentes Brasileiros na 2ª Guerra Mundial

As homenagens aos pracinhas ex-combatentes

Geraldo Ataíde, o presidente da “Associação dos Ex-Combatentes”, gozava do prestígio da guerra e conseguiu as peças que hoje compõem o museu militar.

Além disso, os mortos também foram homenageados com nomes de ruas recém criadas em São Gonçalo. No Engenho Pequeno, por exemplo, é fácil encontrar ruas com o nome de expedicionários da guerra.

As décadas se passaram e hoje a população confunde a homenagem aos pracinhas com uma exaltação ao regime ditatorial de 1964. Hoje temos o fruto de uma geração sem memória, voltada para o pensamento “macro consumista”, de pouco valor aos estudos e a história regional.

Memória presente na praça dos ex-combatentes

Este descaso com o regionalismo e a memória local interfere profundamente na relação entre a história e a memória do cidadão gonçalense. Segundo a professora Maria Tereza Goudart, a “alfabetização patrimonial” dá ao indivíduo não só a valorização do “patrimônio de pedra e cal”, mas também a valorização da memória e do mundo que a cerca.

Vale ressaltar que a história detém o poder da construção e reconstrução social, sendo a memória a chave para tal artimanha social.

E por falar em História, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) ficou com a missão de representar o Brasil na 2ª Guerra Mundial. Isso aconteceu a partir do decreto de 31 de agosto de 1942 do presidente Getúlio Vargas, declarando estado de guerra em todo território nacional.

Mas antes disso, a bordo do navio de transporte americano General Mann em 22 de agosto, nossos jovens já deixavam as terras de “Amarante” ao som da “canção do expedicionário, a marcha”, de Spartaco Rossi e Guilherme de Almeida. Este fato daria aos Gonçalenses um lugar de prestígio heróico e conquistas titulares na história do país e da cidade, mas também traria morte e sofrimento às famílias papagoiabas. Leia aqui sobre “O dia que pintaram o tanque de rosa”. 

A praça dos ex-combatentes de hoje

Destruída pela população de diversas formas, a praça resiste. Hoje é palco da feira nordestina, cheia de costumes e comidas fluminenses. É praça de alimentação nos ensaios das escolas de samba Viradouro e unidos do Porto da Pedra.

É também palco da Roda Cultural. É lugar de amores passageiros e flertes da molecada. Cenário de skatistas, artistas, desocupados e bêbados conhecidos. É lembrança das flores amarelas e fotos ao lado dos monumentos.

Mas nada disso lembra os Ex-combatentes de guerra, embora o nome e os objetos não neguem. A praça foi símbolo do governo Lavourista, tornando-se patrimônio da humanidade local.

O lugar tinha como principal objetivo oferecer espaço de lazer gratuito ao cidadão, fazendo dali um espaço de convivência. Sim, estes objetivos foram alcançados e os cidadãos, idosos, paqueradores e namorados agradecem.

Cenário atual da Praça dos Ex-Combatentes - São Gonçalo
Cenário atual da Praça dos Ex-Combatentes.

Salve a Itália! Viva Anita Garibaldi! Salve o monumento fúnebre das lembranças dos praçinhas, presos no riso dos frequentadores que nada sabem sobre a história, mas ainda sim, a sentem.

Para mais informações, clique e leia a monografia “A Praça dos Ex-combatentes: Memória e Esquecimento” de Rogério Fernandes da Silva, graduado em Licenciatura Plena em História, pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de 2003.

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Por Uma Cidade Mais Rosa https://simsaogoncalo.com.br/por-uma-cidade-mais-rosa/ https://simsaogoncalo.com.br/por-uma-cidade-mais-rosa/#comments Fri, 02 Jan 2015 12:15:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2481 O primeiro dia do ano nasceu cor de rosa em São Gonçalo. Pelo menos para os moradores do Patronato. O gerente comercial por profissão, mas com alma de “artista”, Fabiano Vieira Barreto, resolveu colorir de rosa o tanque de guerra da praça dos Ex-Combatentes. A cor não poderia ser melhor para a “cidadania” que Fabiano desejava atingir com […]

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O primeiro dia do ano nasceu cor de rosa em São Gonçalo. Pelo menos para os moradores do Patronato. O gerente comercial por profissão, mas com alma de “artista”, Fabiano Vieira Barreto, resolveu colorir de rosa o tanque de guerra da praça dos Ex-Combatentes.

A cor não poderia ser melhor para a “cidadania” que Fabiano desejava atingir com o seu gesto. Nenhuma outra cor sugere ternura, romantismo e ingenuidade. O rosa significa feliz, próspero e alegre. Quem nunca sonhou ter um “futuro cor-de-rosa”? É a cor de maior sucesso entre as crianças e adolescentes.

Acertou a cor e errou no alvo. Não é num monumento público que devemos expressar nossa arte. Mesmo que historicamente esse patrimônio represente tempos de guerra, fazendo valer o provérbio latim “Si Vis pacem, para bellum”, que significa: Se quer paz, prepare-se para guerra.

Praça dos Ex-Combatentes, São Gonçalo – Rio de Janeiro
Praça dos Ex-Combatentes noa anos 70. Patronato, São Gonçalo. Crédito: www.tafulhar.com.br

Fundada em 1970, a praça e os monumentos expostos como um museu a céu aberto, são homenagens às centenas de gonçalenses que lutaram no gelado Monte Castelo, no norte da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Gonçalenses esses que saíram do 3° Regimento de Infantaria da Venda da Cruz, o famoso 3° BI que, por conta do descaso dos nossos governantes ao patrimônio histórico municipal, está se transformando em um grande condomínio.

Fabiano, não lhe culpo pelo que fez. Nem mesmo o prefeito da cidade é digno para te acusar, pois ele mesmo não deu exemplo quando decretou o destombamento do 3° BI, nosso patrimônio. Mas que isso lhe sirva de aprendizagem. Não só para você, mas para todos nós que acreditamos numa cidade mais prospera e feliz, sem precisar pintá-la de rosa, mas cumprindo nosso dever como cidadão, em todos os aspectos. Do lixo no chão até a preservação do patrimônio.

Tanque Rosa – Praça dos Ex-Combatentes
Tanque Rosa – Praça dos Ex-Combatentes, Patronato, São Gonçalo. Crédito: Enviada pelo WhatsApp / Jornal Extra

E que tal trocar a lata de tinta e o pincel pelas urnas em 2016? Aí sim, fazendo a escolha correta, você estará contribuindo por uma cidade mais cor de rosa.

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Uma História Gonçalense de Amor e Fé https://simsaogoncalo.com.br/uma-historia-goncalense-de-amor-e-fe/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-historia-goncalense-de-amor-e-fe/#comments Tue, 24 Jun 2014 19:18:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2155 Histórias de amor acontecem em todos os lugares do mundo. Mas posso garantir que as que acontecem na nossa cidade são as mais belas. Quando a linda jovem Mathilde Ferreira cruzou os olhos para o jovem imigrante português Francisco Rodrigues, desabrochou como um botão de rosa o maior de todos os sentimentos.  E nada nesse […]

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Histórias de amor acontecem em todos os lugares do mundo. Mas posso garantir que as que acontecem na nossa cidade são as mais belas.

Quando a linda jovem Mathilde Ferreira cruzou os olhos para o jovem imigrante português Francisco Rodrigues, desabrochou como um botão de rosa o maior de todos os sentimentos.  E nada nesse mundo, nada mesmo, mudaria o rumo dessa história de amor.  Nem mesmo o pior dos desastres separaria o casal. Por pior que fosse, era como uma cabeça de alfinete perto da fé que Mathilde tinha no coração.

Era do pescado que Francisco tirava seu sustento. Quando estava em alto-mar, Mathilde fazia companhia em seus pensamentos. Estava na hora de concretizar a união. Marcaram o casamento para o primeiro dia de junho de 1900.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Francisco e Mathilde Rodrigues

E assim foi feito, naquela primeira sexta-feira do mês de junho. Todavia, por conta do compromisso com seu trabalho, Francisco nem teve tempo de curtir seu primeiro dia de casado ao lado da sua esposa Mathilde. Logo cedo, saiu com a embarcação do cais de Neves e varou mar à dentro com mais 29 tripulantes a bordo.

Ele esperava que o bonito dia de sol e o frescor da brisa do mar fossem abençoar o seu dia. Tão logo a embarcação estivesse lotada de pescado, estaria em casa nos braços da sua amada.

No entanto, Francisco estava enganado. Eis que de repente, mais rápido que um piscar de olhos, o céu se cobrira com um véu negro. O vento começou a assobiar desesperadamente entre as cordas de sustentação da rede. Raios brilhantes como flash varavam o céu. As ondas de 3 metros de altura que batiam violentamente na embarcação, a balançavam como um pêndulo desritmado no meio do oceano. A violência do sacolejo era tamanha que Francisco foi jogado de um lado para outro até bater com a cabeça no mastro e apagar. Acorda com a água gelada e salgada alisando seu rosto. Olha para um lado e para o outro à procura da embarcação e de seus companheiros, mas não vê nada, nem ninguém além de um tronco boiando próximo ao seu corpo. Mesmo cansado, lutando pela sua sobrevivência, Francisco agarra aquele tronco com todas as forças que lhe restavam. Sabia que aquele tronco era único caminho para manter-se vivo.

Enquanto isso Mathilde via o tempo passar olhando para frente da casa na esperança de que seu marido chegasse com o mesmo sorriso que a fez se apaixonar. No íntimo, Mathilde pressentia que ele não voltaria com aquele temporal. Mas, em nenhum momento, perdera a fé, pois desde criança sempre foi católica e muito devota de São Pedro. Então, se ajoelhou e orou com a maior de sua fé, fazendo uma promessa ao santo protetor dos pescadores. Se São Pedro trouxesse seu esposo, Francisco, são e salvo, como prova de sua fé construiria uma capelinha para o santo de devoção, dentro do terreno de sua casa. Mathilde orou, ininterruptamente, durante 3 dias e 3 noites que perduraram a tempestade.

Passados 14 dias, os corpos dos 29 pescadores que estavam na embarcação apareciam um a um, sem vida. Todos, exceto Mathilde, perdiam a esperança de encontrar Francisco vivo. Eis que, naquele mesmo dia, ela teve a certeza de que os anjos existem. e foi através de um deles que recebeu a notícia de que Francisco estava vivo e que teria sido resgatado, em estado gravíssimo, a quilômetros de distância de onde ocorreu o acidente e havia sido levado imediatamente ao Hospital Municipal São João Batista, em Niterói. Mathilde não se conteve e de joelhos levantou as mãos para o céu agradecendo de todo o coração ao santo que confiou a vida de seu amado.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Quadro de São Pedro

No hospital, ainda em estado delicado, Francisco não pôde estar ao lado de Mathilde no dia 29 de junho, quando cumprira a primeira parte da sua promessa, mandando rezar a primeira ladainha para o santo diante de um quadro de São Pedro.

A partir desse dia, a história do casal Ferreira Rodrigues não foi diferente de todas as outras histórias que possuem finais felizes. A recuperação de Francisco foi bem rápida e logo ele estava ao lado da mulher que amou para toda vida.

Mathilde e Francisco tiveram 10 filhos. A nenhum deles foi dado o nome de Pedro. Mas, como forma de agradecimento ao santo e a fé de sua esposa, ele fez um pedido à família para que o primeiro neto fosse batizado como Pedro. E assim foi feito. Hoje, são aproximadamente 20 descendentes em quatro gerações com o nome de Pedro na família.

Nada melhor do que terminar uma feliz história de amor com o famoso bordão “E foram felizes para sempre”. Sim, foi assim com Mathilde e Francisco que, até o final de suas vidas, contagiavam a todos com seu amor, cativando a devoção pelo santo que os uniu para eternidade.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Capela de São Pedro construída pela família Rodrigues

Prestes há completar 114 anos, no dia 29 de junho de 2014, a Capelinha de São Pedro é prova viva desse amor e fé. Ela fica na Rua Nova de Azevedo, 421, Neves, São Gonçalo. Atualmente, é mantida pela neta do casal, a senhora Mathildes. É ela quem cuida dessa relíquia junto à família, compartilhando essa linda história por gerações.

Eis aqui a minha verídica história gonçalense de amor e fé. Onde em nenhum lugar deste mundo, nem sobre uma gôndola no cenário de Veneza, bateria o esplendor da nossa história ocorrida no bairro de Neves, em São Gonçalo.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Interior da capela centenária de São Pedro

 

Curiosidades:

O primeiro quadro de São Pedro exposto na primeira ladainha realizada em 29 de junho de 1900 encontra-se em exposição na capela.
A Capelinha não é aberta ao público e quem quiser visita-la deverá solicitar a família Ferreira Rodrigues.

Fontes:

Família Ferreira Rodrigues

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Corpus Christi em São Gonçalo: uma recente tradição https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/ https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/#comments Sun, 22 Jun 2014 14:38:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2160 Muito se tem escrito sobre a tradição cristã do Corpus Christi, Festa do Corpo e Sangue do Senhor. Em especial, sobre a tradição do tapete, enfeite do trajeto da procissão anexa à mesma festa. Como católico gonçalense, não poderia me isentar de comentar esta bela tradição de São Gonçalo pela ótica católica, para benefício tanto […]

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Muito se tem escrito sobre a tradição cristã do Corpus Christi, Festa do Corpo e Sangue do Senhor. Em especial, sobre a tradição do tapete, enfeite do trajeto da procissão anexa à mesma festa. Como católico gonçalense, não poderia me isentar de comentar esta bela tradição de São Gonçalo pela ótica católica, para benefício tanto dos católicos gonçalenses, quanto dos que queiram entender a nossa cultura.

A Eucaristia

A Igreja Católica sempre entendeu nas palavras proferidas por Nosso Senhor Jesus Cristo, na chamada Última Ceia, que o pão e o vinho consagrados neste momento pelo sacerdote são, em real, o Seu corpo e o Seu sangue. A Igreja vive da Eucaristia. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: “Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo” [1] mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. O Concílio Vaticano II[2] justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã”. De fato, “na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo”. Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.[3]

Para o cristão católico, aquele pedaço de pão sem fermento é a real carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, e aquele vinho tinto o Seu precioso sangue. Inúmeros milagres durante dois mil anos dão ao fiel a comprovação dessa doutrina, como o Milagre de Lanciano, exaustivamente estudado pela Ciência.

Uma festa para sanar as dúvidas

A celebração de Corpus Christi (Corpo de Cristo) surgiu na Idade Média. Consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. Quarenta dias depois do Domingo de Páscoa é a quinta-feira da Ascensão do Senhor. Dez dias depois temos o Domingo de Pentecostes. O domingo seguinte é o da Santíssima Trindade, e na quinta-feira é a celebração do Corpus Christi. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade.

No final do século XIII surgiu em Liége, atual Bélgica, um Movimento de revalorização da Eucaristia na Abadia de Cornillon. Foi a origem de vários costumes eucarísticos, como a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon (1193-1258), à época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinianas. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade. Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, bispo de Liége, também a e Jacques Pantaleón, arquidiácono local, futuro Papa Urbano IV. O bispo Roberto ficou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte.[4]

O Papa Urbano IV, estava em Orvieto, cidade ao norte de Roma. Perto está Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal.

A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais [5] em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue. O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” (de 8/9/1264) fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que asistirem a Santa Missa e o ofício.

O ofício de Corpus Christi foi composto por São Tomás de Aquino, que usou parte de Antífonas, Lições e Responsórios já em uso em algumas igrejas.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV. Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Corpus Christi – São Gonçalo

No Brasil, com tapetes

A confecção de tapetes de rua é uma magnífica manifestação de arte popular que tem como origem a comemoração do Corpus Christi. A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares onde chegaram seus imigrantes, como Florianópolis (SC).

A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses. Numa carta de 9 de agosto de 1549, o Padre Manuel da Nóbrega, da Bahia, informava: “Outra procissão se fez dia de Corpus Christi, mui solene, em que jogou toda a artilharia, que estava na cerca, as ruas muito enramadas, houve danças e invenções à maneira de Portugal”.[6]

As procissões portuguesas eram esplendorosas: tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge, padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais de gala.

A Liturgia Romana

Para as procissões eucarísticas, a cruz vai à frente ladeada por duas velas. Não se leva incenso junto à cruz. Atrás dela os ministros dois a dois, os acólitos, os diáconos e os concelebrantes. Estes últimos portam o pluvial, mas podem portar também a casula se a procissão foi feita logo após a missa. O celebrante principal, se não levar a sagrada eucaristia vai imediatamente à frente dela. Segue, então, a sagrada Eucaristia carrega por um clérigo vestido com alva, estola, pluvial e véu umeral de cor branca. É coberta pelo pálio ou pela umbela, carregado por quatro ou seis pessoas. À sua frente, vão dois acólitos com turíbulos fumegando. Se for o bispo a levar o Santíssimo, o báculo vai à frente dos turiferários e a mitra, bem como o livro atrás do pálio.

Além dos demais acólitos assistentes, vão na parte de trás da procissão, os clérigos em vestes corais. Os de maior dignidade vão mais perto da Sagrada Eucaristia. Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra apresentada aos fiéis para adoração.

A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com o pão maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo em forma de pão.

Corpus Christi – São Gonçalo

O Corpus Christi em São Gonçalo

A festa passou a integrar o calendário religioso brasileiro em 1961, quando uma pequena procissão saiu da igreja de Santo Antônio e seguiu até a igreja de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. A festa de Corpus Christi no município de São Gonçalo começou em 1995. [7]

Em 2010, os tapetes de Corpus Christi em São Gonçalo são patrimônio cultural imaterial do município, conforme a Lei Estadual 3141/10 de autoria do Deputado Altineu Cortes.[8] Sua extensão de 2000 metros o caracteriza como o maior em extensão da América Latina.

A cada ano, o Prefeito de São Gonçalo assina um decreto nomeando os componentes da Comissão dos Festejos de Corpus Christi no município, publicado no Diário Oficial da cidade.

Uma tradição católica e cultural gonçalense

A cidade de São Gonçalo foi fundada por portugueses e grande parte de sua arquitetura é de origem ibérica. Não somente as casas, mas o modo de ser das pessoas, do comércio, são típicos de antiguidade portuguesa. A religião católica é um dado característico dessa cultura e tornou-se também uma característica brasileira, desenvolvendo-se em formas próprias em uma chamada “brasilidade católica”.

A festa católica do Corpo de Cristo é assimilada em toda a Cristandade e não poderia deixar de ser em São Gonçalo também praticada. Com orgulho temos o maior tapete artístico de sal com motivos sacros de toda a América Latina. Isso demonstra não só a catolicidade de nossa cultura antiga, mas também a preservação de uma tradição para as gerações futuras, ansiosas de tradição e cultura seculares.

Corpus Christi – São Gonçalo

Fontes:

1 – Evangelho segundo são Mateus, capítulo 28, versículo 20.
2 – Reunião de todos os bispos da Igreja Católica, realizado de 1963 a 1966, em Roma, Itália.
3 – Carta Encíclica “Ecclesia de Eucaristia” (A Igreja da Eucaristia) do papa Paulo II, §1
4 – O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.
5 – guardanapos de pano branco onde se apóiam o cálice e a patena durante a Missa.
6 – Cartas do Brasil, 86, Rio de Janeiro, 1931.
7 – Sítio oficial da Arquidiocese de Niterói, disponível em http://arqnit.org.br
8 – PROJETO DE LEI Nº 3141/2010 – DECLARA PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO OS FESTEJOS RELIGIOSOS DE Corpus Christi E O TAPETE PARA A PROCISSÃO NO MUNICÍPIO DE SÃO GONÇALO/RJ Autor(es): Deputado ALTINEU CORTES – A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESOLVE: Art. 1º – Ficam declarados como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro os festejos religiosos de Corpus Christi e o tapete preparado para a procissão católica no município de São Gonçalo. Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua criação. Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 9 de junho de 2010.

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