população Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/populacao/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Wed, 13 Mar 2019 20:23:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg população Archives - Sim São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tag/populacao/ 32 32 147981209 São Gonçalo tem jeito? Depende de quem a vê https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-tem-jeito-depende/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-tem-jeito-depende/#comments Mon, 04 Jun 2018 14:15:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6613 O Brasil é um país com três capitais distintas. São Paulo, a financeira. Brasília, a administrativa. E o Rio de Janeiro, a cultural. São Gonçalo, bem como todas as outras cidades ao redor da Baía de Guanabara, sofre dessa dualidade de efeitos benéficos e maléficos pela proximidade com a polêmica capital fluminense. Diferente das cidades da […]

O post São Gonçalo tem jeito? Depende de quem a vê apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
O Brasil é um país com três capitais distintas. São Paulo, a financeira. Brasília, a administrativa. E o Rio de Janeiro, a cultural. São Gonçalo, bem como todas as outras cidades ao redor da Baía de Guanabara, sofre dessa dualidade de efeitos benéficos e maléficos pela proximidade com a polêmica capital fluminense.

Diferente das cidades da baixada, pouco desenvolvidas há uns 100 anos atrás, São Gonçalo era o oposto. A tal “Manchester Fluminense” se desenvolveu e caiu na mesma velocidade. Por este motivo, é possível afirmar que vivemos a decadência, enquanto a baixada a ascendência. Sendo que, atualmente, nem no mesmo nível estamos mais, visto que eles tendem a crescer ainda mais regionalmente.

E numa trajetória descendente, o que nos faria encontrar novamente o caminho de um desenvolvimento relevante e sustentável?

O que faria essa cidade ter jeito?

A resposta é uma só: pessoas. Especialmente aquelas que São Gonçalo expulsa de si.

Longe de mim acreditar que a cidade faz isso de propósito. Não faz! Pelo contrário. Nos momentos mais dolorosos, é o primeiro refúgio de todos os “expatriados” desse nosso país.

É consenso entre muitas pessoas que já foram da cidade que, por mais problemas que tenhamos, as boas memórias são as que ficam. E a cada vez que rodamos o mundo, são as mesmas lembranças que nos fazem a olhar para este território ao lado Leste da Baía de Guanabara com esperança.

Porém, há um outro tipo de pessoa que impede que novas visões de mundo cheguem até aqui. São os “nacionalistas”. Eles acreditam que toda a solução de São Gonçalo mora nela. Alguns até dizem inspirar-se em paulistas e cariocas para pensar assim.

Porém, o exemplo principal das duas maiores cidades brasileiras é completamente diferente: enquanto elas atraem os cérebros e mão de obra qualificada, os nacionalistas gonçalenses, os repelem. Até o atual prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, é gonçalense.

Estamos tão perto do maior cartão postal da América Latina, próximos ao Galeão que nos conecta a diversos aeroportos com vôos diretos para diversos pontos do mundo, mas quando cruzamos o Rio Bomba, parece que nada mudou.

Ainda sim, São Gonçalo tem jeito?

Se começarmos a entender nossas potencialidades, fazendo parcerias com todos os territórios ao redor, rechaçando esse bairrismo triste das mentes sem futuro, talvez tenhamos jeito sim.

O post São Gonçalo tem jeito? Depende de quem a vê apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-tem-jeito-depende/feed/ 4 6613
Mentiras que o gonçalense repete https://simsaogoncalo.com.br/mentiras-que-o-goncalense-repete/ https://simsaogoncalo.com.br/mentiras-que-o-goncalense-repete/#comments Fri, 28 Apr 2017 17:29:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4572 São Gonçalo não presta. É o quintal sujo, escuro e desrespeitado de Niterói. Terra ocupada por um milhão de condenados onde ninguém planta nada de valor. Um lixão em cada esquina, furto de combustível da garagem municipal, filas quilométricas para tomar vacina contra a febre amarela, ruas esburacadas devido à paralisação do setor de infraestrutura […]

O post Mentiras que o gonçalense repete apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
São Gonçalo não presta. É o quintal sujo, escuro e desrespeitado de Niterói. Terra ocupada por um milhão de condenados onde ninguém planta nada de valor.

Um lixão em cada esquina, furto de combustível da garagem municipal, filas quilométricas para tomar vacina contra a febre amarela, ruas esburacadas devido à paralisação do setor de infraestrutura e por aí vai.

O prefeito Nanci é um frouxo controlado pela mulher e desse governo nenhuma evolução se pode esperar. Dos membros do Legislativo, menos ainda. São incorrigíveis, sanguessugas e ignorantes que esbanjam erros de ortografia e gramática com orgulho nas redes sociais. Os vereadores sustentam a mediocridade que nasce da conjunção corrupta entre a Prefeitura e o mandato populista dos secretários de governo. Querem somente o dinheiro do povo que o elegeu.

Se Dejorge Patrício tivesse sido eleito, por bem ou por mal ele já teria resolvido essa bagunça toda. Dejorge tem peito.

A melhor prefeita das últimas décadas foi Aparecida Panisset. Ela roubou descaradamente, sim, foi condenada pela Justiça, mas pelo menos construiu praças e asfaltou ruas. Antes de Panisset não houve nada de importante na política gonçalense.

O maior culpado pelo abandono é o povo que não sabe votar. Ele mantém os políticos que merece, por isso a cidade jamais deixará de ser o esgoto niteroiense, aquilo que é expulso e malquisto pelos vizinhos.

Veja a página no Facebook com centenas de milhares de fãs chamada ironicamente de “São Gonçalo vai mudar”. Ela publica roubos de veículos, prisões, pessoas desaparecidas e os seguidores curtem o mesmo conteúdo desgraçado diariamente. Não há sinais positivos. Na tragédia que o gonçalense, que em primeiro lugar frustra qualquer melhoria, gosta de se esbaldar.

A falta de educação do morador – que não pode ser chamado de cidadão – impede o ato mais simples do mundo: jogar o lixo na lixeira. Ele prefere largar o copo de guaravita e o guardanapo do salgado no chão, na sarjeta ou encosta, ambos ao lado do poste de luz.

Sem pontos turísticos, sem valor histórico, praias, nem opções de lazer. A última coisa boa que saiu de São Gonçalo para o mundo foi a dupla Claudinho e Buchecha há mais de 20 anos. E para azar do município (azarado por natureza) Claudinho foi perdido em um terrível acidente.

São Gonçalo é a decepção violenta publicada na capa do seu diário mais famoso. O melhor jeito de sobreviver nela é puxando o saco de algum político e arrumando um carguinho comissionado, de preferência sem trabalhar muito. Boas ideias empreendedoras não dão certo. Ninguém tem grana para comprar nada que não seja vendido por camelôs embaixo do viaduto de Alcântara. Montar um negócio é perda de tempo, investir é jogar dinheiro fora.

Se o jovem estudasse, teria sucesso na vida, transformaria São Gonçalo. As oportunidades de educação são iguais para todos, a escola pública municipal é boa. Esses moleques safados preferem fumar maconha, perambular e roubar.

O post Mentiras que o gonçalense repete apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/mentiras-que-o-goncalense-repete/feed/ 3 4572
O mototaxista gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/o-mototaxista-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/o-mototaxista-goncalense/#respond Sat, 14 Jan 2017 11:28:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4303 O mototaxista ocupa as principais esquinas de São Gonçalo oferecendo uma corrida emocionante, capaz de injetar altas doses de adrenalina no sangue do passageiro. Nos últimos quatro ou cinco anos, nenhum outro ser vivo se reproduziu nas ruas da cidade mais do que ele. Sua taxa de crescimento anual superou a do camelô, antes imbatível. […]

O post O mototaxista gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
O mototaxista ocupa as principais esquinas de São Gonçalo oferecendo uma corrida emocionante, capaz de injetar altas doses de adrenalina no sangue do passageiro. Nos últimos quatro ou cinco anos, nenhum outro ser vivo se reproduziu nas ruas da cidade mais do que ele. Sua taxa de crescimento anual superou a do camelô, antes imbatível.

“Mototáxi, senhora, mototáxi?”, gira a cabeça de um lado para o outro, aponta e grita o profissional ilegal de transportes. O cliente fica sem saber em qual moto subir quando mais de um mototaxista está no ponto gritando, apontando e girando a cabeça ao mesmo tempo. Alguns ligam o motor da moto antes de o cliente subir na garupa, para mostrar agilidade, e se o passageiro não for rápido o veículo pode partir sem ele.

As motos pequenas carregam gordos que arriam os pneus, magros que quase voam na viagem, baixos e altos com os joelhos perto do guidão, como eu. Há “mototáxis”, como são popularmente conhecidos, tão gordos que só sobra espaço nas motocicletas para passageiros baixos e magros. O corpo feminino se adaptou bem a esse meio de transporte de espaço reduzido.

O serviço não tem frescuras, além de pessoas carrega coisas como bolsas de compras de supermercado nos dois lados do guidão e em cima do tanque de combustível, varas para cortinas, cães, gatos, gaiolas e o que mais for requisitado. Às vezes traz tantos objetos que o passageiro fica de fora e vem a pé atrás da moto.

Embora o preço seja alto, o mototaxista agilizou o transporte municipal. Do centro de Alcântara ao Vila Três, bairros colados, a passagem custa R$ 4,00. O passageiro na garupa veloz se sente mais seguro durante a noite, onde assaltos são frequentes e caminhar é arriscado. E fica satisfeito quando mora longe de qualquer ponto de ônibus e tem pressa para chegar em casa.

A corrida pode ser agendada pelo Whatsapp, de qualquer bairro da cidade. Ele está presente nas praças de Trindade, Nova Cidade, Centro, Santa Luzia, Rio do Ouro, Monjolos… Moradores de áreas dominadas pelo tráfico de drogas e que saem bem cedo para trabalhar utilizam bastante o serviço.

Já defenderam a regulamentação do mototáxi o secretário de Desenvolvimento Social, Marlos Costa, que não é bobo, e o ex-vereador Bananada, que não está mais entre nós. Afinal, um serviço tão utilizado pela população não pode continuar sendo explorado pelas sociedades entre policiais militares corruptos e outros tipos de bandidos. A taxa semanal cobrada no mundo do crime, por moto, gira em torno de R$ 160.

O mototaxista gonçalense é uma espécie alegre que cumprimenta as crianças na rua e buzina ao passar em alta velocidade. Até capacete e colete ele usa atualmente, tremenda capacidade de auto-organização. Não esqueça de segurar firme porque ele não reduz a velocidade em buracos nem cruzamentos.

O post O mototaxista gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/o-mototaxista-goncalense/feed/ 0 4303
Outro jeito de ver São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/outro-jeito-de-ver-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/outro-jeito-de-ver-sao-goncalo/#comments Sun, 08 Jan 2017 13:25:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4285 Artigo inspirado na frase “Outra forma de ver o Mundo. Outro jeito de ler São Gonçalo”, repetida por André Correia, ativista político e cultural gonçalense. Estive em uma cidade especial hoje, onde o tédio não existe. Nela habita um povo sem instrução, sem luxo, que compra, vende e troca ao ar livre aquilo que precisa […]

O post Outro jeito de ver São Gonçalo apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Artigo inspirado na frase “Outra forma de ver o Mundo. Outro jeito de ler São Gonçalo”, repetida por André Correia, ativista político e cultural gonçalense.

Estive em uma cidade especial hoje, onde o tédio não existe. Nela habita um povo sem instrução, sem luxo, que compra, vende e troca ao ar livre aquilo que precisa para sobreviver, sem parar um minuto.

A identidade local foi marcada há décadas pela agitação necessária para superar a pobreza. Da inquietação nasceu um tipo de caos particular absolutamente imprevisível para os novos moradores sem intimidade com o território. Promoções de alimentos vendidos na calçada, sem fiscalização sanitária, acontecem de repente, por exemplo. Motoristas inopinados atravessam multidões em alta velocidade.

Seus habitantes dependem sinceramente uns dos outros e nisto há beleza humana indiscutível, não na carência de infraestrutura, emprego e renda. Eles se olham nos olhos sem reservas, quase se beijam ou se batem quando conversam, tão intensa é sua ligação.

O baixo desenvolvimento educacional não impede o interesse político, nem o esforço para formar opinião própria. Por ano são lançadas dezenas de livros em eventos mensais de poesia, arte e cultura ou de maneira completamente independente. Nenhum artista deixa de praticar sua paixão, vencem as dificuldades que encontram naturalmente (não sem a costumeira reclamação pública).

Lanchonetes e restaurantes não faltam, nem quem distribua comida de graça aos necessitados. Tendências gastronômicas, novas hamburguerias e food trucks são criados mensalmente, barbearias temáticas se espalharam pelos bairros.

A criança brinca na rua descalça, experimenta a vida, aprende. O adulto joga bola nos fins de semana, encontra os amigos nos bares, não conhece a solidão.

A alma festeira deste lugar pode ser tocada no ar quando milhares de pessoas se reúnem no festival anual de pipas, no tapete de Corpus Christi, no carnaval de rua. Como não tem transporte de massa, mas sua população ultrapassa um milhão, o povo se reinventou, os mototaxistas cortam as esquinas em duas direções ao mesmo tempo, os modernos serviços de carona são um sucesso popular.

Alguns pontos turísticos causam inveja às maiores cidades históricas brasileiras. Ambos construídos no século 17, tem uma fazenda, considerada marco na arquitetura colonial brasileira, e do outro lado da cidade fica uma das mais antigas capelas do país. A região é banhada pelo mar, outro privilégio, e possui parte de uma área de proteção ambiental imensa, rica em biodiversidade.

A terra é quente, muito quente, como a essência ancestral da vida. Seria perfeita se a classe política percebesse seus tesouros, o que não esmorece a maioria honesta que vive lá.

O post Outro jeito de ver São Gonçalo apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/outro-jeito-de-ver-sao-goncalo/feed/ 2 4285
Simples divisão política do povo gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/simples-divisao-politica-do-povo-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/simples-divisao-politica-do-povo-goncalense/#respond Fri, 19 Feb 2016 10:55:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3480 Os eleitores gonçalenses podem ser divididos em três grupos: filiados a algum partido político (9%, de acordo com o TSE), politizados não filiados (parte do corpo da pirâmide) e, por último, eleitores completamente despolitizados (não filiados, base da população em idade eleitoral composta principalmente por analfabetos funcionais). As proporções desta divisão pouco variam ao longo do tempo e […]

O post Simples divisão política do povo gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Os eleitores gonçalenses podem ser divididos em três grupos: filiados a algum partido político (9%, de acordo com o TSE), politizados não filiados (parte do corpo da pirâmide) e, por último, eleitores completamente despolitizados (não filiados, base da população em idade eleitoral composta principalmente por analfabetos funcionais). As proporções desta divisão pouco variam ao longo do tempo e são as principais responsáveis pela configuração política do município a cada quatro anos.

Politizado é o indivíduo consciente de seus direitos e deveres políticos, aquele que compreende como “todo poder emana do povo” e alcança as esferas Legislativa e Executiva. Em São Gonçalo há indivíduos tão despolitizados exercendo cargos públicos que trabalham em benefício próprio e menosprezam a falta de transporte, saúde e lazer suportada pelo cidadão comum. Outro exemplo surpreendente são pessoas que se manifestam nas redes sociais pedindo o retorno à Prefeitura do demônio de cabelo vermelho. Ignorantes políticos, desconhecem a extensa lista de crimes cometidos pelo capeta na sua gestão. Daí a importância da educação cultural de um povo, aquela que baseada na História ensina a ver e interpretar os fatos, a mesma que pajés transmitem naturalmente à tribo e poucas escolas gonçalenses o fazem.

Faltando menos de 8 meses para as eleições municipais, a maior chance de mudanças profundas no ciclo, os dois menores grupos, filiados e politizados, têm algo fundamental em comum: ambos odeiam a administração pública comandada pelo prefeito Neilton Mulim. O terceiro e maior grupo, no entanto, de eleitores despolitizados, atribui certo louvor a Mulim graças aos projetos mantidos com verbas federais, como o programa Rua Nova. Ou apenas não têm qualquer opinião formada e geralmente votam no candidato mais presente na memória. Se os dois grupos com mais acesso à informação mostrarem aos despolitizados o desprezo com o qual a cidade é tratada, a chance de renovação pode ser aproveitada.

São Gonçalo é uma cidade moribunda, as aves de rapina do Legislativo e do Executivo aguardam as eleições de outubro para avançar sobre sua carne podre. Quando faz sol o povo padece nas filas enormes dos pontos de ônibus descobertos, em meio ao lixo e ao esgoto, e depois definha nos ônibus lotados sem ar-condicionado. Quando chove forte bairros inteiros se retraem, móveis, lares e vidas são destruídos. Os vermes políticos contam com a paralisia da população para perpetuar o banquete onde nós somos o prato principal. Querem repetir em 2016 o ritual de falsas promessas que conquista os incautos realizado em 2012. Sair da inércia é tão simples quanto defender opiniões publicamente, nas ruas.

* A quantidade total de eleitores e de filiados é fornecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A quantidade de politizados e despolitizados foi estimada com base na pesquisa de interesse por política divulgada em 2014 pela Confederação Nacional da Indústria e Ibope.

O post Simples divisão política do povo gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/simples-divisao-politica-do-povo-goncalense/feed/ 0 3480
Ficamos mais gonçalenses no Natal https://simsaogoncalo.com.br/ficamos-mais-goncalenses-no-natal/ https://simsaogoncalo.com.br/ficamos-mais-goncalenses-no-natal/#respond Mon, 21 Dec 2015 23:58:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3413 São Gonçalo fica ainda mais gonçalense no Natal. As ruas estão lotadas, não? De gente, carros, lixo e fedor. Pessoas de todos os tipos e gostos circulam de mãos cheias, ensopadas de suor, carregando sacolas de compras pra cima e pra baixo, ansiosas como se vivessem o último dia na Terra. Graças ao horário de verão […]

O post Ficamos mais gonçalenses no Natal apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
São Gonçalo fica ainda mais gonçalense no Natal. As ruas estão lotadas, não? De gente, carros, lixo e fedor. Pessoas de todos os tipos e gostos circulam de mãos cheias, ensopadas de suor, carregando sacolas de compras pra cima e pra baixo, ansiosas como se vivessem o último dia na Terra. Graças ao horário de verão e às férias escolares, as crianças brincam até o início da noite e raias e cortadeiras colorem o céu da cidade.

Nos estacionamentos dos supermercados e shoppings não há mais espaço. Motoristas brigam por vagas batendo um carro no outro, como se disputassem no autopista, brinquedo dos parques de diversão. Se o pedestre não sai da frente, é atropelado imediatamente.

A iluminação de Natal das casas e apartamentos, no entanto, está mais modesta, pelo menos no Vila Três. A inflação de dois dígitos e o desemprego afetaram a economia doméstica do cidadão. A Fazenda Colubandê, sob incertezas, foi iluminada com pompa, centenas de pessoas e a presença ilustre da Orquestra Sinfônica Municipal. São Gonçalo poderia ficar inteiramente às escuras nesta época, exceto a Fazenda Colubandê. Dezenas de milhares de trabalhadores que voltam para casa pela RJ-104 recuperam suas forças no exato momento em que passam em frente a ela, viva, iluminada. Refresco para a alma que renova a esperança do homem e da mulher explorada, cuja jornada de trabalho aumenta em 50% por causa dos engarrafamentos. Que o lixo proveniente da decoração tenha sido recolhido, ao invés de jogado no Casarão, como fizeram ano passado.

Enquanto a Fazenda se destaca, a Política desaparece totalmente no Natal. Os vereadores que não sabem ler nem escrever se vestem de Papai Noel, trocam entre si honrarias, títulos e aplausos sem qualquer merecimento, distribuem presentes para a população e montam árvores de Natal para enfeitar os bairros, que maravilha. Existe aspecto mais gonçalense que o populismo miseravelmente ignorante?

A Saúde “morre”, entra em um dos piores colapsos do ano. Faltam médicos até nas unidades particulares, o povo que não adoeça.

Ficamos mais criativos, agitados e sensíveis neste período. E carregamos na memória outro Natal compartilhado nesta cidade humilde, também só nossa.

O post Ficamos mais gonçalenses no Natal apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/ficamos-mais-goncalenses-no-natal/feed/ 0 3413
Maria, guerreira gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/maria-guerreira-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/maria-guerreira-goncalense/#respond Mon, 09 Nov 2015 21:10:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3328 Gostaria de ter publicado, nesta coluna, a opinião de uma gonçalense sobre o projeto de lei 5069/13, que criminaliza ainda mais o aborto, ou sobre a luta das mulheres por maior participação política e igualdade de direitos. Diversos colunistas brasileiros aderiram à esta campanha. Não consegui. Deixo o espaço aberto para semana que vem. Mas […]

O post Maria, guerreira gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Gostaria de ter publicado, nesta coluna, a opinião de uma gonçalense sobre o projeto de lei 5069/13, que criminaliza ainda mais o aborto, ou sobre a luta das mulheres por maior participação política e igualdade de direitos. Diversos colunistas brasileiros aderiram à esta campanha. Não consegui. Deixo o espaço aberto para semana que vem. Mas não abro mão de destacar, hoje, um grande exemplo feminino de sobrevivência na cidade de São Gonçalo.

Vendi salgados e sucos na Rua da Feira, e em todo Alcântara, ainda adolescente, na década de 1990. Era ambulante, carregava o garrafão de suco a pé, e ao meu lado Maria carregava o cesto com rissoles, pastéis e coxinhas, muito mais pesado. Viúva de meia-idade e mãe de três filhos, buscando o sustento da família, o convite para iniciarmos esta humilde atividade comercial foi dela, e eu aceitei prontamente. Todo adolescente queria uns trocados para jogar fliperama naquela época.

Surpreendentemente, quem se esforçava para segui-la era eu. Apesar da diferença de altura gigantesca, Maria era ágil e eu praticamente tinha que correr para acompanhá-la de loja em loja, onde oferecíamos o lanche às vendedoras e seus clientes. Após algumas semanas de operação, éramos ansiosamente aguardados no fim da tarde, interrompíamos as vendas de roupas onde chegávamos, ficamos famosos.

Eu enchia os copos com suco e entregava aos nossos clientes. A chefe servia o salgado e recebia a grana. Na volta para casa, na subida do Morro da Caixa D’água, no Vila Três, eu recebia minha participação, verdadeira fortuna para um garoto sem contas a pagar.

Maria era uma vizinha, amiga dos meus pais, e me ensinou uma lição fundamental: sair da mesmice, trabalhar de cabeça erguida, não ter vergonha de buscar soluções para crises financeiras domésticas, ainda que tenha recursos tão escassos quanto uma garrafa e um cesto.

Dona de uma escoliose gravíssima, que provocava dores terríveis, Maria jamais deixou eu carregar o cesto pesado com os salgados, por mais que eu insistisse em trocar pela garrafa de suco. Parávamos diversas vezes no caminho para ela tirar o cesto do braço, apoiá-lo em algum lugar, e descansar.

Nosso projeto durou poucos meses, mas desde então Maria já vendeu sacolé, caldos, petiscos, bolos e bebidas. O corpo torto continua o mesmo, ela não para de lutar.

O post Maria, guerreira gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/maria-guerreira-goncalense/feed/ 0 3328
Somos a solução gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/somos-solucao-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/somos-solucao-goncalense/#respond Thu, 27 Aug 2015 12:54:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3144 São Gonçalo é desagradável. Má iluminação, pilhas de lixo nas calçadas, esgoto escorrendo na sarjeta, veículos ensandecidos, propaganda irregular sufocante e gente apressada se embolam nas ruas. Além de sofrer com graves problemas na administração pública, como ausência de licitação na contratação de serviços essenciais. Mas, coitada, não é culpa da cidade. Nossos antepassados menosprezaram São Gonçalo e nós mantivemos […]

O post Somos a solução gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
São Gonçalo é desagradável. Má iluminação, pilhas de lixo nas calçadas, esgoto escorrendo na sarjeta, veículos ensandecidos, propaganda irregular sufocante e gente apressada se embolam nas ruas. Além de sofrer com graves problemas na administração pública, como ausência de licitação na contratação de serviços essenciais. Mas, coitada, não é culpa da cidade.

Nossos antepassados menosprezaram São Gonçalo e nós mantivemos o abandono. Sua feiura é totalmente artificial e pode ser convertida em algo belo, apropriado à sua natureza. Sua gestão será eficiente quando pessoas inteligentes, de boa vontade, estiverem envolvidas.

Você certamente tem projetos adiados indefinidamente que poderiam contribuir para o desenvolvimento municipal. Montar um negócio, talvez uma empresa de tecnologia ou livraria, dar aulas de reforço, ou vender roupas pela Internet. Talvez deseje participar ativamente da vida política. O que espera? A grande solução para São Gonçalo é o gonçalense praticar os próprios sonhos. Começando pequeno, você pode realizá-los agora.

Não use como desculpa a falta de tempo, dinheiro ou a rotina cansativa entre casa e trabalho. Para testar sua ideia de negócio com vizinhos e amigos, um final de semana apenas e pouquíssimo investimento são necessários. Não queira iniciar sua carreira de fotógrafo com a máquina mais cara e moderna do mercado, por exemplo, colabore consigo mesmo. E há sonhos que exigem apenas um computador e acesso à Internet, além de dedicação.

Não compreendia a frase “Quem ama o feio, bonito lhe parece” até ler o livro “O município de São Gonçalo e sua história”, de Maria Nelma Carvalho Braga. Como amar o feio? Qual beleza é vista? Amar São Gonçalo é encarar seus defeitos e se esforçar para resolvê-los. Amar hoje, enquanto é feia. A beleza que vemos é a concretização de nossos sonhos em harmonia com a transformação da cidade. Lixo e esgoto ainda existem nas ruas porque poucos habitantes estão em harmonia com a cidade.

Amar não é conformismo, pelo contrário, é trabalhar de cabeça erguida pela evolução. O caminho começa onde seus desejos e as necessidades de São Gonçalo se encontram, acreditando na possibilidade de ser feliz aqui.

O post Somos a solução gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/somos-solucao-goncalense/feed/ 0 3144
Asfalto e saneamento comunitário: esperar ou mãos à obra? https://simsaogoncalo.com.br/asfalto-e-saneamento-comunitario-esperar-ou-maos-a-obra/ https://simsaogoncalo.com.br/asfalto-e-saneamento-comunitario-esperar-ou-maos-a-obra/#comments Fri, 24 Jul 2015 18:49:02 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3076 Asfalto e saneamento básico são problemas crônicos no nosso Brasil. Em muitas cidades, a promessa do “asfalto na porta” se renova de 4 em 4 anos, um intervalo eleitoral perfeito para angariar votos nos lugares mais populosos e necessitados. Em estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, por exemplo, já está sendo […]

O post Asfalto e saneamento comunitário: esperar ou mãos à obra? apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Asfalto e saneamento básico são problemas crônicos no nosso Brasil. Em muitas cidades, a promessa do “asfalto na porta” se renova de 4 em 4 anos, um intervalo eleitoral perfeito para angariar votos nos lugares mais populosos e necessitados.

Em estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, por exemplo, já está sendo posta em prática a proposta do “Asfalto Comunitário”. Ela consiste na parceria entre prefeitura e moradores para promover a infraestrutura das localidades, deixando o processo mais rápido e barato.

Confira a proposta da Prefeitura de Foz do Iguaçu (PR) e como está sendo implementada na prática.

A ideia ganhou força porque, em muitos municípios, a arrecadação não sustenta o processo, sem falar na Lei de Responsabilidade Fiscal, que tenta regular o descontrole no orçamento dos prefeitos, criando alguns impeditivos. Ou seja, a saída tornou-se quase uma porta única: ou sofremos ou trabalhamos juntos.

Dona Sidnéia empurra a cadeira de rodas de seu filho Paulo Victor numa ponte improvisada em Guaxindiba, São Gonçalo – RJ
Dona Sidnéia empurra a cadeira de rodas de seu filho Paulo Victor numa ponte improvisada em Guaxindiba, São Gonçalo – RJ – Por Domingos Peixoto / Agência O Globo

Com uma busca no Google, você poderá encontrar diversos arranjos nesses moldes de parceria. Em alguns, a prefeitura custeia parte do processo e os moradores outra. Há também soluções onde o município dá isenção fiscal para baratear os custos e os cidadãos pagam a metragem do asfalto, de acordo com o tamanho de suas casas. Tudo muito interessante, não fosse um fato incômodo: você, pagador de impostos, deseja pagar duas vezes por aquilo que é direito seu?

O clássico asfalto em ano eleitoral

Em 2012, semanas antes das eleições, o governo fez questão de “reasfaltar” bairros com calçamento antigo, como o Paraíso, por exemplo, no intuito de angariar votos, com direito a candidatos a vereador passando com carros de som dizendo que “foi a pedido dele”. Na época, lançamos esse absurdo no SIM, sendo rechaçados pelos puxa-sacos eleitorais, é claro.

Motivos como esse, sempre nos fazem duvidar dos intuitos da prefeitura. E ainda pior: como os moradores não acompanham o processo, muita coisa é feita de qualquer jeito, com material de péssima qualidade, o que dá no conhecido “asfalto R$1,99”, aquele que em meses já “dissolve” com a primeira chuva, deixando muitos buracos por aí.

Carro cai no buraco em São Gonçalo. Uma obra feita às pressas em 2012, fez com que uma simples chuva em janeiro de 2013 não resistisse ao peso do carro e abrisse uma cratera no chão. Foto: Fabiano Rocha / Jornal Extra
Carro cai no buraco em São Gonçalo. Uma obra feita às pressas em 2012, ano eleitoral, fez com que uma simples chuva em janeiro de 2013 não resistisse ao peso do carro e abrisse uma cratera no chão. Foto: Fabiano Rocha / Jornal Extra

Mas, e se os moradores não tem dinheiro, qual a proposta?

Há algum tempo atrás, ainda era possível ver os “mutirões”, reunião entre pessoas da região, para promover a infraestrutura local. Ainda é possível ver isso acontecer quando o problema é a falta d’água. Porém, na questão do calçamento, essa mobilização não tem a mesma urgência, além de ser mais complexa.

Estamos em um período complicado no Brasil, onde o endividamento do país pede cortes de gastos. Uma das consequências é que menos dinheiro chegará nas prefeituras através dos governos federal e estadual. Nesse sentido, mais do que nunca, é necessário repensar se o calçamento e o saneamento não poderiam ser implementados de forma conjunta, onde comunidade e prefeitura dessem as mãos, trabalhando juntas, especialmente quando o assunto é “mão de obra”, uma das partes mais complicadas.

Será que as pessoas se negariam a promover as benfeitorias em seus próprios bairros?

Isso inverteria a lógica usada nos estados que citei no início, onde as pessoas pagam por parte da infraestrutura. Mas em São Gonçalo, muita gente não tem dinheiro para bancar, porém tem energia de sobra para fazer a sua cidade melhor.

Abaixo, um vídeo mostra o drama dos carros, pedestres e cadeirantes para transitar pela Estrada de Ipiíba. Foi publicado no grupo do Facebook “Queremos o Asfalto em Ipiíba”.  Clique e confira o drama dos moradores.

Vídeo publicado por Vanderlea Sant'Ana no grupo "Queremos Asfalto em Ipiíba" São Gonçalo – RJ
Vídeo publicado por Vanderlea Sant’Ana no grupo “Queremos Asfalto em Ipiíba” São Gonçalo – RJ

Quem apoiaria?

Mais uma vez, repito: é uma proposta complexa. Certamente, seria vetada pelos “líderes locais”, aqueles mesmos que querem ficar prometendo “asfalto e saneamento” para sempre. Eles vão dizer que isso é dever do governo, e que quando “eles estiverem no governo” vão acabar com a corrupção e levar o asfalto e o saneamento até você… Como sabemos, milagres divinos não fazem o calçamento “brotar” no chão, como mato. E a única coisa que cai do céu é chuva, que quando cai com força, alaga a rua inteira que não tem aquele saneamento básico necessário. O final? A chuva leva embora tudo o que Deus te deu.

É um ciclo. E só novas propostas e mãos à obra vão tornar São Gonçalo, e todas as cidades brasileiras, lugares melhores para se viver.

Foto de capa: Domingos Peixoto / Agência O Globo

O post Asfalto e saneamento comunitário: esperar ou mãos à obra? apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/asfalto-e-saneamento-comunitario-esperar-ou-maos-a-obra/feed/ 2 3076
A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/ https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/#comments Mon, 16 Mar 2015 00:27:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2557 Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se […]

O post A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer

É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se eu fosse um advogado diria que no mínimo um crime culposo, sem intenção de carcar) nesse espetacular registro de Manoel Fonseca no ano de 1956.

Bloco “Inocentes Canibais” Niterói
Manuel Fonseca – Bloco “Inocentes Canibais” diante do busto de Araribóia, na praça Araribóia, Carnaval de 1956. Coleção da Fundação de Arte de Niterói.

Aí, você fica pensando: “Assim é mole! Pular o carnaval em 1956 era muito mais fácil. A vida era muito melhor, não tínhamos tantos problemas como os de hoje. Saúde, educação e transporte eram mil maravilhas! Principalmente o transporte, pois tínhamos algo de qualidade, com preços justos.” Peraí! Não era bem assim! O nosso amigo de bronze da foto sabe muito bem que há muito tempo nossos transportes são péssimos. Especialmente o hidroviário, no qual foi testemunha de que “o bicho pegou” ali pertinho dele. Talvez seja um trauma causado por esse acontecimento que o fez morar na frente da igreja São Lourenço dos Índios, estando lá até hoje, rezando para que nossos governantes nos tratem com mais respeito.

Nosso amigo da foto se estabeleceu mesmo na Praça Araribóia, em 1914, após um movimento popular no ano anterior chamado “Comissão Glorificadora a Araribóia”, liderado por um tal de Araribóia Cardoso, que se dizia descendente do fundador de Niterói. Se o cara era ou não parente direto do famoso índio, nunca vamos saber. Mas aquele cara de barba espessa, casaco longo e cocar na cabeça surgiu com tudo no cenário político niteroiense. A partir daí, nosso amigo vivenciou as alegrias e as tristezas das pessoas que pegavam as barcas todos os dias para trabalhar. Até brincar o carnaval, o nosso amigo brincou. Essa foto não me deixa mentir.

Barcas à vapor, sec XIX (1835)
Barcas à vapor, sec XIX (1835)

O início do transporte aquaviário no Rio de Janeiro

Em 1835, as barcas a vapor circulavam realizando o trajeto Rio – Niterói. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora, com a capacidade de 250 passageiros de seis da manha às seis da tarde. A SNN manteve-se soberana até meados do século XIX, quando a Companhia Inhomirim entrou no circuito, obtendo permissão para manter uma linha de transporte regular entre a Capital do Império e Niterói. Mas, como diz o ditado popular: “Onde Come Um Come Dois”. Assim, as duas companhias entram num acordo para contornar a disputa pela concorrência, fundando a Companhia Niterói – Inhomirim. Esse filme nós vemos até hoje. Ele se chama monopólio. E assim, a companhia passa a explorar não só o trajeto Rio – Niterói, mas todos os principais portos do fundo da baía. A mais lucrativa foi quando estabeleceu uma carreira para o bairro de Botafogo, que na época, era o lugar de residências de famílias mais ricas. Botafogo passou a ser também o lugar mais procurado para os banhos de mar. Em 1858, a Niterói – Inhomirim já tinha 9 barcas fazendo o trajeto Rio – Niterói.

Mas em 1858, um empresário chamado Cliton Von Tuyl ganhou outra concessão para operacionalização do transporte aquaviário na Guanabara, a mesma carreira que Niterói- Inhomirim. Cliton não perde tempo e vende sua empresa aos empresários americanos Thomas Ragney e W. F. Jones, que estabeleceu as barcas a vapor do sistema Ferry. O capital internacional fez com que as barcas do sistema Ferry passassem por cima da concorrência, fazendo o mesmo trajeto em menos tempo, com mais velocidade e conforto. Isso foi fatal para sobrevivência da Companhia Niterói-Inhomirim, que em 1865 suspendeu seus serviços.

Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862
Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862

O velho monopólio do transporte

O céu era o limite para Companhia Ferry. Com o monopólio, o aumento dos preços do serviço ampliou a sua lucratividade a ponto de, em 1889, incorporar a Empresa de Obras Públicas do Brasil ao seu controle, dirigira por Manuel Buarque de Macedo e que já prestava serviços públicos em Niterói e São Gonçalo. Assim surgiu a Companhia Cantareira & Viação Fluminense.

A Companhia Cantareira foi só expansão até o ano de 1908, quando sofreu uma nova reestruturação e passou a ser financiada diretamente pela Leopoldina Railway, que monopolizaria não só o transporte de passageiros na Baia de Guanabara, como a provisão de infraestrutura física na chamada Orla Oriental da Baía.

Entretanto, a companhia não contava com o crescimento de passageiros. A partir do crescimento das duas cidades, tanto Niterói ,que segundo o recenseamento de 1920 contava com 86.238 habitantes, quanto São Gonçalo, que crescia meteoricamente com 47.019 habitantes segundo a mesma fonte, utilizavam o serviço. O reflexo disso não poderia ser outro, senão o descontentamento dos usuários do transporte. Em dezembro de 1925, foi registrado a primeira das diversas ondas de conflitos da história do transporte aquaviário no Rio de Janeiro. Insatisfeita com o aumento das tarifas das barcas Rio – Niterói, a população inicia uma série de depredações às estações “Niterói” e “Gragoatá”. Em 1928, devido ao mau funcionamento e atraso de várias barcas, ocorre outro episódio de indignação popular, quando várias barcas da estação Cantareira são quebradas.

Lembrando que o nosso amigo de bronze, o índio, já fazia guarita ali na praça Araribóia, observando tudo, sem mover uma palha, sem reação. Mas também, o que ele poderia fazer? Era apenas um busto. Ele até tentou o diálogo com os manifestantes, mas no calor do momento, ninguém lhe deu a menor pelota.

Livro Revolta das Barcas - Editora Garamond
Livro “A Revolta das Barcas”, de Edson Nunes. Editora Garamond. Sobre: Este livro descreve minuciosamente os acontecimentos da pequena revolução popular chamada Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói, em 1959, da qual resultaram seis mortos e 118 feridos, depredação de imóveis, uma intervenção militar na cidade e, finalmente, a estatização do serviço de lanchas que faz a travessia para o Rio de Janeiro. Um resgate oportuno numa época em que os serviços públicos estão sendo, em sua maioria, privatizados. Mais do que a simples crônica, traz informação detalhada, análise dos fatos e reflexão sobre a dinâmica político-social da época por um cientista social cujo texto, direto embora refinado, atende tanto às necessidades acadêmicas de pesquisadores quanto à curiosidade do leitor interessado na nossa história contemporânea. (Descrição da editora)

Literalmente, botando pra quebrar

Essas manifestações foram pintos perto do que o nosso amigo passou 30 anos depois. Essa sim deixou seus cabelos metálicos em pé. Pela proporção da revolta, pensou até que fosse seu fim. Mas o amigo manteve a calma, fechou os olhos e rezou para Nossa Senhora dos Índios até tudo se acalmar. Foi a chamada “Revolta das Barcas”.

A concessão era da Frota Barreto S.A, que já possuía barcas que faziam o trajeto em 20 minutos. Porém, os problemas eram os mesmos de 30 anos antes. As filas de passageiros eram cada vez maiores, os atrasos nos horários das barcas frequentes e a insatisfação dos funcionários constante. Sendo assim, no dia 18 de fevereiro de 1969, o dono da Companhia de Navegação Frota Barreto ameaçou paralisar as barcas, caso não houvesse o aumento da tarifa ou um maior subsídio do estado. Como o governo não estava nem aí para as reivindicações da empresa, em 6 de março do mesmo ano, o Grupo retirou algumas barcas de circulação, com o objetivo de pressionar o governo. Para complicar, cinco sindicatos de trabalhadores do transporte aquaviário ameaçavam entrar em greve, pois a Companhia não pagou os salários de março, alegando não ter verba. O ponto crítico se deu em 22 de maio de 1959, quando o tráfego da baía foi paralisado devido à greve dos marítimos, já que o grupo se recusou a pagar o aumento salarial decretado pelo governo.

Estação das barcas, Frota Barreto S.A., Centro, Niterói.
Estação das barcas, Companhia de Navegação Frota Barreto S.A., Centro de Niterói – RJ

Imaginem vocês como deve ter sido o sofrimento dos passageiros que esperavam as barcas para ir ao trabalho ou, até mesmo, voltar para sua casa. Se pensarmos que na época aquele era o único meio de transporte entre as duas cidades, o problema fica infinitamente maior. Hoje simplesmente pegaríamos o 100 e saltaríamos no terminal. Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói, que foi inaugurada apenas em 1974.

Com a greve, as estações das barcas amanheceram ocupadas por policiais e fuzileiros navais. Essa proteção foi insuficiente. Com mais de 3 mil pessoas, a multidão se revolta e ultrapassa a linha de fogo dos fuzileiros, que atiraram na multidão com suas metralhadoras. Mesmo assim, as estações das barcas de Niterói são invadidas, apedrejadas e ateadas fogo, destruindo toda a sua estrutura.

E o busto do Araribóia?

Bom, muita coisa se passou e nosso amigo de bronze já não mora mais ali, na Praça Araribóia. Ele se mudou para Igreja São Lourenço dos Índios, na comemoração do IV centenário de fundação da cidade. Em 1973, o busto do Araribóia foi substituído por um maior, com cara de brabo e braços cruzados, como se tivesse pronto para proteger a cidade… ou seria a estação? Sei lá, importante disso tudo é que hoje a concessão para do transporte hidroviário está nas mãos de outra empresa, CCR Barcas. E nós, usuários, continuamos brigando pelos mesmos motivos que levaram à revolta em 1959.

Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios
Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios.

Quer saber de uma coisa? Esqueça tudo, coloque sua fantasia e vá pular o carnaval. Já passamos por mais de 55 carnavais e não mudamos nada. E o próximo será mais um que passaremos como o índio da Praça Araribóia: DE BRAÇOS CRUZADOS.

Nota do Editor: A Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói no ano de 1959, deixou um saldo de 6 mortos, 118 feridos, depredação de imóveis e intervenção militar na cidade. Porém, o governo foi obrigado a estatizar o serviço de lanchas que faz a travessia Niterói – Rio de Janeiro.

O post A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/feed/ 1 2557
Como transformar São Gonçalo em uma cidade melhor https://simsaogoncalo.com.br/como-transformar-sao-goncalo-em-uma-cidade-melhor/ https://simsaogoncalo.com.br/como-transformar-sao-goncalo-em-uma-cidade-melhor/#comments Sat, 27 Dec 2014 16:14:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2377 Moro em São Gonçalo há 24 anos. “O azar é seu”, alguns dirão, principalmente os niteroienses. Aqueles que não conhecem a cidade, depois de ler este artigo, talvez pensem o mesmo. Não porque encontrarão no texto críticas sem propósito, zombarias ou lamúrias. E sim pois, pretendo expor e debater este antigo “azar”, para que progressivamente ele se […]

O post Como transformar São Gonçalo em uma cidade melhor apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Moro em São Gonçalo há 24 anos. “O azar é seu”, alguns dirão, principalmente os niteroienses. Aqueles que não conhecem a cidade, depois de ler este artigo, talvez pensem o mesmo. Não porque encontrarão no texto críticas sem propósito, zombarias ou lamúrias. E sim pois, pretendo expor e debater este antigo “azar”, para que progressivamente ele se transforme numa permanente maré de sorte. Como estamos no mesmo barco, espero que os leitores gonçalenses remem junto comigo.

São Gonçalo é uma cidade grande. Mais de 1 milhão de pessoas ocupam 249 quilômetros quadrados. Apesar do tamanho, neste momento, busco motivos para me sentir orgulhoso de viver aqui, mas não encontro um sequer. A pobreza humana brasileira, que maltrata a maioria dos municípios do país, está bem presente em São Gonçalo. Nossa renda per capita é menor que um salário mínimo, e somente 7% da população com mais de 24 anos concluiu o ensino superior. Em 2013, foi decretado estado de calamidade pública na saúde. Com indicadores tão desfavoráveis (vide Atlas Brasil 2013), a vontade de ajudar a desenvolvê-la é a única razão que me prende à cidade, pois, infelizmente, seu povo também não desperta em mim esperança de dias melhores.

Melhorias na cidade de São Gonçalo
Mesmo sendo um bairro antigo em São Gonçalo, o Paraíso vive seus dias caóticos, com comércio irregular, lixo e crescimento da violência.

Corro o risco de ser injusto, visto que diversos aspectos compõem uma população de um milhão de habitantes, naturalmente complexa. Do povo de São Gonçalo, a característica que mais se destaca é a desorganização, tanto social quanto política. Frutos do comportamento urbano caótico, o trânsito é ameaçador para veículos e pedestres. Os bairros estão tomados pelo comércio ilegal, além de ser um hábito comum jogar lixo nas ruas, sem exceção, desde guimbas de cigarro a sofás. Se você mora aqui, e se preocupa com isso, já percebeu esses males.

Além de não repetir os erros dos outros, tenho algumas sugestões que podem transformar São Gonçalo em uma cidade melhor. Veja:

  • Reclame. Entre agora no site da Ouvidoria da Prefeitura Municipal de São Gonçalo e abra uma reclamação sobre aquele problema antigo que o aflige. A coleta de lixo que raramente acontece, a rua sem asfalto, esburacada ou mal iluminada, o esgoto a céu aberto etc.
  • Mantenha a limpeza. Não jogue lixo nas ruas.
  • Informe-se. Busque informação sobre o que acontece na cidade. O exercício da cidadania depende do conhecimento.
  • Cobre. O prefeito, seus secretários e os vereadores são pagos para resolver os problemas da cidade e servir à população. Vá até a Prefeitura, utilize o telefone ou as redes sociais para cobrar suas promessas de campanha. Verifique se a reclamação que você abriu está sendo atendida.
  • Vote com consciência. Escolha bem antes de confiar seu voto, conheça o candidato.
  • Invista na cidade. Tire do papel aquele sonho de criar um negócio. Só aqui você tem 1 milhão de clientes em potencial.
  • Desenvolva-se. Invista na própria educação e na de seus filhos.

Guardo a crença de que qualquer cidade ou nação deve seus indicadores socioeconômicos ao povo que a habita, não ao seu governo. São as pessoas comuns que têm o poder de criar as condições para positivamente influenciá-los.

O post Como transformar São Gonçalo em uma cidade melhor apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/como-transformar-sao-goncalo-em-uma-cidade-melhor/feed/ 6 2377
Num país no qual morar é um privilégio, ocupar é um dever: ocupação Zumbi dos Palmares https://simsaogoncalo.com.br/num-pais-no-qual-morar-e-um-privilegio-ocupar-e-um-dever-ocupacao-zumbi-palmares/ https://simsaogoncalo.com.br/num-pais-no-qual-morar-e-um-privilegio-ocupar-e-um-dever-ocupacao-zumbi-palmares/#respond Mon, 22 Dec 2014 00:01:34 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2427 Na madrugada do dia 31 de outubro, estivemos junto ao Movimento de Trabalhadores Sem Teto ajudando na ocupação de um terreno em São Gonçalo. Essa nova ocupação não pode, de forma nenhuma, ser analisada descolada do legado da Favela da Telerj (Lembre aqui o caso). A situação imobiliária no Estado do Rio de Janeiro vem […]

O post Num país no qual morar é um privilégio, ocupar é um dever: ocupação Zumbi dos Palmares apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Na madrugada do dia 31 de outubro, estivemos junto ao Movimento de Trabalhadores Sem Teto ajudando na ocupação de um terreno em São Gonçalo.

Essa nova ocupação não pode, de forma nenhuma, ser analisada descolada do legado da Favela da Telerj (Lembre aqui o caso). A situação imobiliária no Estado do Rio de Janeiro vem tomando proporções incontroláveis, refletidas nas concretas expressões sentidas por todos os trabalhadores assalariados desse estado: o aumento dos alugueis, a segregação sócio-espacial, a gentrificação, o distanciamento dos pobres dos centros urbanos que concentram os empregos. A favela da Telerj teve uma peculiaridade histórica, dezenas de famílias sem nenhuma ligação ao movimento social ocuparam uma área de forma autônoma, certamente motivados pela indignação, pela falta de acesso à cidade, e, sobre tudo, pela falta de moradia e pelos altos preços dos alugueis na cidade. O legado da favela da Telerj foi uma provocação aos movimentos sociais urbanos ligados à questão da moradia no Estado do Rio de Janeiro, colocando como tema central a necessidade de capilarizar os setores sociais revoltados com os preços cada vez mais altos para se habitar na cidade.

Após alguns meses da ocupação do terreno da Telerj, o MTST retoma suas atividades no Rio através da ocupação em São Gonçalo. O município de São Gonçalo caracteriza-se por um enorme contingente populacional (mais de um milhão de habitantes), crescimento desordenado, precariedade dos serviços de educação, mobilidade urbana e saúde. Em um processo gradual, o município vem sofrendo com o aumento da especulação imobiliária nos bairros centrais, crescimento da violência, aumento do tráfico de drogas, falta de saneamento básico. O crescimento urbano desordenado tem rapidamente transformado as áreas de característica rurais, que se desenvolvem sem infraestrutura, e, com a ausência do Estado, temos o crescimento do poder paralelo. O atual cenário em São Gonçalo obriga inúmeros trabalhadores a alugarem imóveis precários, insalubres, em áreas de risco, dominadas pelo tráfico e em constante guerra com a polícia.

Ocupação em São Gonçalo
Família na ocupação “Zumbi dos Palmares”, em São Gonçalo.

Situado a margem da Br, o município tem posição privilegiada para o deslocamento tanto para o Rio, quanto para Itaboraí. A ocupação Zumbi dos Palmares situa-se próxima a BR, local estratégico para a mobilidade urbana dos trabalhadores. Cerca de 200 famílias foram cadastradas pelo MTST, famílias oriundas de comunidades dominadas pelo tráfico em constante guerra entre facções e a polícia, familias que são cotidianamente submetidas a violações do direitos de ir e vir, vivem em moradias precárias, em áreas de risco, pagam aluguéis, ganham baixos salários.

Já na madrugada do dia 31, algumas famílias chegavam ao local, os olhos brilhavam de esperança ao ver aquele terreno, o coração pulsava de emoção, a consciência só conseguia sonhar com a possibilidade de um lugar para viver. Uma das falas que me marcará por toda vida, foi de uma senhora de uns 70 anos que dizia: “por mim eu já dormiria aqui hoje” “vocês são minha família”. Naquele momento eu tive a dimensão do sonho de ter uma casa e da responsabilidade social que tinha com essa luta. Naquele momento eu percebi que aquela senhora reconhecia aquelas pessoas que ali estavam como uma nova família, pois embora muitos ali tivessem casa, estavam contribuindo para a realização de seu sonho. Para nós que nos envolvemos com as lutas por justiça social o sonho da casa própria é um direito, e, por tanto, um sonho que se sonha coletivamente.

Após 2 anos, muito próximo as lideranças de São Gonçalo, é impossível não se envolver com a luta dessa população, muitos dizem que São Gonçalo é terra sem lei. Isso é MENTIRA! São Gonçalo é terra de luta, é terra de mulheres e homens guerreiros (as), é terra de Janetes, Emilias, Roses, Marias, Edmilsons, que estão lá na comunidade sem recurso e tocando uma luta para uma São Gonçalo mais justa e igualitária. São Gonçalo mexeu com meus sonhos, um lugar que aprendi a amar através de tantas pessoas guerreiras, lutadoras, cheias de garra que não fogem da luta e enfrentam o leão.

Na madrugada do dia 01, uma invasão criminosa ateou fogo nos barracos. Ainda temos pouca informação. Pelo que sabemos, as pessoas estão bem e reocupando o espaço. O ato de tacar fogo é simbólico, na verdade quando se queimam os barracos, a tentativa é de queimar os sonhos. Lamentamos informar, mas disso vocês não serão capazes.

Dia 01 de novembro, São Gonçalo acordou com a possibilidade de realização de sonhos antigos. Foi o dia em que a cidade acordou com a possibilidade de avançar na construção de uma sociedade menos desigual.

Enquanto não tiver moradia vai ter luta sim! E o que me tranquiliza é saber que o Gonçalense é povo de luta.

O post Num país no qual morar é um privilégio, ocupar é um dever: ocupação Zumbi dos Palmares apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/num-pais-no-qual-morar-e-um-privilegio-ocupar-e-um-dever-ocupacao-zumbi-palmares/feed/ 0 2427
Política e a população gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/politica-e-a-populacao-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/politica-e-a-populacao-goncalense/#comments Mon, 15 Dec 2014 13:31:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2302 No Brasil, a câmara municipal ou câmara de vereadores é o órgão legislativo da administração dos municípios, configurando-se como a assembléia de representantes dos cidadãos ali residentes. Apesar de ter as mesmas origens das câmaras portuguesas, atualmente possuem funções diferentes: a brasileira é um órgão legislativo e em Portugal possui atribuições de poder executivo. Como órgão legislativo municipal, a câmara municipal brasileira é equivalente à atual assembleia municipal portuguesa. (Fonte: Wikipédia) Mas será que é […]

O post Política e a população gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
No Brasil, a câmara municipal ou câmara de vereadores é o órgão legislativo da administração dos municípios, configurando-se como a assembléia de representantes dos cidadãos ali residentes. Apesar de ter as mesmas origens das câmaras portuguesas, atualmente possuem funções diferentes: a brasileira é um órgão legislativo e em Portugal possui atribuições de poder executivo. Como órgão legislativo municipal, a câmara municipal brasileira é equivalente à atual assembleia municipal portuguesa. (Fonte: Wikipédia)

Mas será que é assim está acontecendo em São Gonçalo? Será que está realmente representando os moradores de São Gonçalo ou estão representando empresários?

Atualmente no Brasil, tem acontecido o fenômeno de sair as ruas para protestar. Em São Gonçalo não é diferente. Pessoas têm ido as ruas para defender e lutar por seus direitos e ideais. O atual prefeito, Neilton Mulim, tem feito muitas melhorias em todo o município na área da saúde, educação, esporte e saneamento básico, que são taxadas como as áreas mais importantes de todo governo político. Ao que parece, ele também tem lutado contra uma bancada de vereadores que tem defendido mais os empresários do que a população que o elegeu. Há um tempo atrás, nosso prefeito mandou um projeto de lei à câmara dos vereadores para que a passagem passasse para R$ 1,50, como ele prometeu em sua campanha política. Entretanto, o projeto de lei não foi aprovado pelos nossos vereadores.

Prefeitura de São Gonçalo
Pátio da Prefeitura de São Gonçalo

 

Todas a leis municipais são aprovadas pelos vereadores através de uma votação na câmara municipal. Assim que elas saem no diário oficial, entram em vigor. Porém, nem todos os projetos de lei são aprovadas pelos vereadores ou aceitas pelo prefeito, que tem o poder de vetar ou não. Lembremos também que a câmara pode derrubar o veto do prefeito, mas o prefeito não pode derrubar a “desautorização” do projeto pela câmara. Nesse momento é que entra a participação popular.

Muita gente não sabe, mas nós cidadãos podemos ir à câmara dos vereadores, assistir à votação e pressionar os vereadores até que estes votem pela aprovação da lei.

Em São Gonçalo, temos o costume de não nos envolvermos com a política do município, e de falar mal dos políticos só porque não fizeram algo que nos beneficie. Porém, nos esquecemos que nosso município é imenso, e que muitas outras áreas que precisam de investimentos foram esquecidos pelos antigos prefeitos e vereadores. Tenho escutado muitas pessoas falando mal da atual administração porque ele não conseguiu abaixar a passagem dos ônibus, quando a culpa não é apenas dele, mas também dos vereadores que não aprovaram a lei por terem convênio com as empresas de ônibus. Não sabem que está na justiça esse projeto de lei. Será que alguém já procurou saber o que ele tem feito?

O governo de uma cidade como São Gonçalo precisa ser mais do que só abaixar a passagem. Gonçalenses, vamos procurar entender mais as coisas, para nos envolvermos mais com as questões do nosso município. Paremos de endeusar as outras cidades, pois se estamos piores que eles é porque não fazemos nada para melhorar o nosso município, nosso lar.

O post Política e a população gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/politica-e-a-populacao-goncalense/feed/ 2 2302
E aí, vai votar em quem? https://simsaogoncalo.com.br/e-ai-vai-votar-em-quem-politicos/ https://simsaogoncalo.com.br/e-ai-vai-votar-em-quem-politicos/#respond Mon, 15 Sep 2014 16:16:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2260 O exercício do voto é algo recente no Brasil. Como toda prática, a gente só “pega o jeito” com tempo. Entretanto, com os últimos acontecimentos no país, em especial o junho de 2013, a descrença em quem votar nessa “ala” de cidadãos que nos governa só aumenta. Sentindo isso, resolvemos fazer uma pequena enquete, visando […]

O post E aí, vai votar em quem? apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
O exercício do voto é algo recente no Brasil. Como toda prática, a gente só “pega o jeito” com tempo. Entretanto, com os últimos acontecimentos no país, em especial o junho de 2013, a descrença em quem votar nessa “ala” de cidadãos que nos governa só aumenta.

Sentindo isso, resolvemos fazer uma pequena enquete, visando a entender o que as pessoas de fato pensam sobre cada candidato ao governo do estado. Nosso foco estadual se deu por um motivo: no geral, não se presta tanta atenção nos governadores como nos presidentes. Muitos mal sabem que parte do que acontece diretamente na sua vida é responsabilidade dos governos locais, como a PM e a CEDAE, por exemplo.

São Gonçalo se tornou uma das “jóias” dos votos. É uma das cidades brasileiras que tem mais gente que muita capital. Como somos decisivos, nada melhor que perguntar em quem as pessoas votarão e seus motivos.

Sobre os resultados

Tivemos uma enxurrada de opiniões sobre voto nulo, por conta da descrença popular, e no Tarcísio Mota, por simbolizar o “voto limpo” entre a população jovem. Entretanto, vamos publicar aqui, de forma igual, todos os resultados mais curiosos e interessantes.

Divirta-se!

Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Marcelo Crivella  - Eleições Governo do Estado 2014 Dayse Oliveira  - Eleições Governo do Estado 2014Luis Fernando Pezão - Eleições 2014 Governo do Estado Tarcísio Mota - Eleições 2014 Governo do Estado Anthony Garotinho - Eleições 2014 Governo do EstadoLindberg Farias  - Eleições Governo do Estado 2014 Ney Nunes  - Eleições Governo do Estado 2014Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014 Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014Voto Nulo  - Eleições Governo do Estado 2014Anthony Garotinho - Eleições 2014 Governo do EstadoTarcísio Mota - Eleições 2014 Governo do EstadoLuis Fernando Pezão - Eleições 2014 Governo do Estado

 

Quer ver os outros? Curta nossa página no Facebook e veja os outros resultados na galeria.

O post E aí, vai votar em quem? apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/e-ai-vai-votar-em-quem-politicos/feed/ 0 2260
Mapa da população de São Gonçalo – 1940 a 2010: um breve apanhado acerca da população gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/mapa-populacao-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/mapa-populacao-sao-goncalo/#comments Tue, 25 Mar 2014 00:10:40 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1859 Os anos de 1940 foram marcantes para a sociedade gonçalense, época na qual a cidade atraiu um parque industrial considerável, destacado pelo médico e pesquisador Luiz Palmier quando denominou o distrito industrial de Neves de Machester Fluminense. Esse entusiasmo pode ter contribuído, sobremaneira, para atrair novos moradores e à consequente explosão demográfica que aconteceu em […]

O post Mapa da população de São Gonçalo – 1940 a 2010: um breve apanhado acerca da população gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
Os anos de 1940 foram marcantes para a sociedade gonçalense, época na qual a cidade atraiu um parque industrial considerável, destacado pelo médico e pesquisador Luiz Palmier quando denominou o distrito industrial de Neves de Machester Fluminense.

Esse entusiasmo pode ter contribuído, sobremaneira, para atrair novos moradores e à consequente explosão demográfica que aconteceu em São Gonçalo entre as décadas de 1950 e 1970 quando as indústrias locais, e também de Niterói, atraíram um considerável contingente populacional no município.

 

Mapa da população de São Gonçalo – SIM São Gonçalo

O número considerável de lotes oferecidos em São Gonçalo, resultado da crise da citricultura, acaba por se desenvolver em paralelo ao processo de urbanização brasileira, onde a economia deixava de ser agrário-exportadora para ser urbano-industrial. O parcelamento das fazendas e sítios, em loteamentos, torna-se uma alternativa econômica para os proprietários. Estes loteamentos deram origem a vários bairros como: Boa Vista, Brasilândia, Jardim Bom Retiro e outros.

Entre os períodos de 1950/60 e 1960/1970, houve um expressivo crescimento das taxas anuais de crescimento populacional, determinado principalmente pela próspera industrialização da cidade, pelo loteamento de antigas fazendas, além da construção da Ponte Rio-Niterói.
O declínio das taxas anuais de crescimento populacional nas ultimas décadas pode ser atribuído pela: hipertrofiação dos espaços urbanos gonçalenses e pela redução da fecundidade.

 

Mapa da população de São Gonçalo – SIM São Gonçalo

Fonte: Censo Demográfico, 2010.

Referências Bibliográficas:

MENDONÇA, Adalton da Motta. Transformações sócio-econômicas no eixo Niterói- Manilha em São Gonçalo/RJ / Adalton da Motta Mendonça. – 2007.
MODESTO, Nilo Sérgio d’Avila. A (re)produção espacial em marcha na consolidação dos Grupos de Poder Hegemônico em São Gonçalo – RJ. PPG/UFF, Niterói, 2008.
Post originalmente publicado em blog do Tafulhar.

O post Mapa da população de São Gonçalo – 1940 a 2010: um breve apanhado acerca da população gonçalense apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

]]>
https://simsaogoncalo.com.br/mapa-populacao-sao-goncalo/feed/ 13 1859