Polícia em São Gonçalo – Opiniões sobre instituição e segurança pública https://simsaogoncalo.com.br/category/policia/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 08 Dec 2023 23:20:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Polícia em São Gonçalo – Opiniões sobre instituição e segurança pública https://simsaogoncalo.com.br/category/policia/ 32 32 147981209 Barricadas são uma epidemia sem previsão de vacina https://simsaogoncalo.com.br/conta-das-barricadas/ https://simsaogoncalo.com.br/conta-das-barricadas/#respond Thu, 03 Sep 2020 20:32:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=8017 As barricadas são uma epidemia cuja vacina não tem previsão de lançamento. E por conta dessa doença que tomou São Gonçalo, recebi esta mensagem em agosto de 2020: “ALGUÉM PODE NOS AJUDAR? SÃO MAIS DE 8 RUAS BLOQUEADAS TOTALMENTE NO BAIRRO (TRINDADE) EM SÃO GONÇALO, A 3 QUILÔMETROS DO BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR. ONTEM, VÁRIOS […]

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As barricadas são uma epidemia cuja vacina não tem previsão de lançamento. E por conta dessa doença que tomou São Gonçalo, recebi esta mensagem em agosto de 2020:

“ALGUÉM PODE NOS AJUDAR? SÃO MAIS DE 8 RUAS BLOQUEADAS TOTALMENTE NO BAIRRO (TRINDADE) EM SÃO GONÇALO, A 3 QUILÔMETROS DO BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR. ONTEM, VÁRIOS MATERIAIS ROUBADOS QUE LEVARAM PARA LÁ , isso agora está sendo constante na localidade.”

E no decorrer da mensagem, os moradores falaram sobre os dramas que quem reside em áreas conflagradas precisa conviver diariamente. Um pedido de socorro!

“Pedimos ajuda dos senhores pois, até o momento, ainda estamos com ruas fechadas. Sendo elas no mesmo bairro Trindade. As ruas Caçapava, Cidade de Olinda, Cuiabá, Parati, Tabajara, Jaú e Avenida Cidade de Campos esquina com rua Uruguaiana. Todas estas interrompidas pelo tráfico local, onde estamos impedidos de entrar com nossos carros em nossas próprias casas. Caminhões de coleta de lixo não estão conseguindo entrar. Ambulância SAMU também impedidos. Está horrível esta situação aqui nestas ruas! Pedimos providências emergentes! Obs: o 7º batalhão da área de Policia Militar já foram informados quanto ao problema, já fizemos reclamações no 190, disk denúncia, etc….. e até o momento sem solução!!!!! Nos ajudem.”

Barricadas na Trindade

Os moradores contaram que já protocolaram também as denúncias no MPRJ, o Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas que as ações são morosas.

Infelizmente, sabemos que essa situação não é exclusividade dessa região. E em diversos outros lugares, esse impedimento do ir e vir dos moradores se amplia a cada dia.

A Polícia Militar faz o seu papel. Entra, dá suporte aos órgãos que tem meios para desfazer a situação, mas não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

A Trindade não era um bairro tido como área conflagrada, até alguns anos atrás. Mas essa situação se agravou, especialmente nos anos 2010. Mais que polícia, precisamos que os serviços cheguem a todos os lugares de São Gonçalo, dando dignidade e respeito a cada região. Essa é a vacina. Mas com a inexistência de planejamento e alocação decente dos recursos, fica difícil criá-la.

Todos sabemos que o trabalho é árduo. Mas o nosso tempo está terminando. Será que vamos ter uma cidade completamente sitiada na próxima década? Esperamos, todos, que não.

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Milícias e barricadas mudam o cenário imobiliário em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/milicias-barricadas-mudam-cenario-imobiliario/ https://simsaogoncalo.com.br/milicias-barricadas-mudam-cenario-imobiliario/#comments Wed, 11 Sep 2019 01:17:42 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7487 Há algumas semanas, recebi imagens de barricadas instaladas no Galo Branco. Uma região bem próxima à praça do bairro. Bandidos locais dominaram e fecharam a área. Com a barricada, um bairro tradicional vira “comunidade”. Logo depois, se torna área de risco. Já os moradores entram numa prisão. Além de perderem o direito de ir e […]

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Há algumas semanas, recebi imagens de barricadas instaladas no Galo Branco. Uma região bem próxima à praça do bairro. Bandidos locais dominaram e fecharam a área. Com a barricada, um bairro tradicional vira “comunidade”. Logo depois, se torna área de risco. Já os moradores entram numa prisão. Além de perderem o direito de ir e vir em suas casas construídas com muito suor, perdem também a possibilidade de vender seus imóveis por algum valor justo que possibilite se mudarem dali. Todos os serviços e melhorias que poderiam chegar ao bairro são barrados pela barricada.

Parte das pessoas que estão vendo a depreciação dos bairros e seus imóveis são antigos moradores da cidade. Alguns já viram filhos e netos se mudarem. Seja para outra cidade ou para outras regiões de São Gonçalo.

Por conta dos criminosos, traficantes ou milicianos, novas regiões se tornarão (ou já são) mais caras por conta da sensação de segurança. A gente pode até generalizar a violência por aqui, mas é fato que há regiões da cidade onde a polícia está mais presente e atuante por conta da infraestrutura e menor risco. Há lugares que não tem barricadas e a PM chega. A gente sabe disso.

E o que isso significa?

Cenário imobiliário em São Gonçalo crescerá nos bairros de sempre

Quem é da Mangueira e Camarão está acompanhando de perto o crescimento de um grande condomínio de apartamentos. O tamanho desproporcional assusta quando comparado às casas dos bairros. Mas o sinal é claro: o processo de verticalização chegou para ficar em São Gonçalo.

Em paralelo, o Vila Lage também vê seus prédios subirem, concentrando mais moradias na cidade. De novidade mesmo, só o Maria Paula que, pela proximidade com a região de Pendotiba, vê seu metro quadrado se valorizar ainda mais.

Construção no Maria Paula, São Gonçalo
Metro quadrado do Maria Paula está avaliado em R$ 4.358, segundo o Secovi-Rio. Foto: Jornal O São Gonçalo

Perceba que todas essas regiões, como já citei neste outro post, têm proximidade com Niterói e Rio de Janeiro. Duas das cidades com maior IDH (índice de desenvolvimento humano) do Brasil. O mercado foge cada vez mais das regiões ditas perigosas, para crescer onde o risco é “controlável” e a infraestrutura é um pouco mais presente.

O movimento de adensamento das cidades é um sinal dos novos tempos. Entretanto, em todo o estado do Rio de Janeiro, as novas residências concentradas tendem a ter seu valor regulado pelo fator “violência”, antes de tudo. A insegurança, valor tão intangível comparado à infraestrutura física e possibilidade de transporte (mobilidade), ganha cada vez mais relevância e define o futuro das cidades fluminenses.

Bandidos sabem onde construir sua barricada

Uma das coisas mais perceptíveis é como os bandidos têm a clara noção de onde não há presença do estado. Isso define o ponto exato de uma barricada ou da implantação de serviços ilegais, como internet, gatonet e venda de gás. Sem falar no clássico tráfico de drogas.

Nesse ponto, é fundamental que prefeituras e governo do estado atuem em parceria. Uma das coisas que os bandidos não apreciam é quando os bairros passam por melhorias. Isso significa que o acesso das forças de segurança irá melhorar. Logo, sua atuação se torna reduzida.

As forças policiais são fundamentais no enfrentamento do crime. Mas elas não são permanentes, como as melhorias infraestruturais que os bairros precisam. Só assim conseguiremos dar uma vida digna aos moradores que já viveram dias melhores antes de serem presos involuntariamente na prisão de suas casas.

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Chacina do Porto Velho mata a esperança dos antigos moradores https://simsaogoncalo.com.br/chacina-do-porto-velho-antigos-moradores/ https://simsaogoncalo.com.br/chacina-do-porto-velho-antigos-moradores/#respond Mon, 27 May 2019 19:51:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7247 “Todo domingo há mais de 30 anos, acabou o futebol, os amigos se reúnem. […] Os caras destruíram um bairro.” Esse foi o depoimento de Wendel Jacinto da Silva, uma das vítimas que sobreviveram à Chacina do Porto Velho. O ocorrido que vitimou 4 pessoas e feriu outras 7, aconteceu ontem, domingo, 26 de maio […]

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“Todo domingo há mais de 30 anos, acabou o futebol, os amigos se reúnem. […] Os caras destruíram um bairro.” Esse foi o depoimento de Wendel Jacinto da Silva, uma das vítimas que sobreviveram à Chacina do Porto Velho. O ocorrido que vitimou 4 pessoas e feriu outras 7, aconteceu ontem, domingo, 26 de maio de 2019.

Sabemos que todas as semanas, em diferentes escalas, acontecem atrocidades desse tipo no Brasil. No Rio de Janeiro, nem se fala. E é bom lembrar que em janeiro/2019, 9 mortes aconteceram em Marambaia, no mesmo estilo. Como também ocorreu em março/2018, em Maricá. Chegam, atiram, matam e ninguém vai preso. Ninguém.

Nessa rotina de violência gratuita, sem justiça, onde se intimida pelo terror, todos sofrem. Afinal, o direito de ir e vir nas ruas está se extinguindo rapidamente.

Um grupo, em especial, é o maior refém disso: os antigos moradores. Como são as próprias pessoas que foram vítimas dessa chacina bárbara e sem sentido.

Entrada da Comunidade que fica ao lado do Campo da Brahma, Porto Velho, São Gonçalo

Antigos moradores conheceram uma cidade bem diferente da atual

O depoimento de uma das vítimas, relatando que “há mais de 30 anos os amigos se encontram no lugar” é um fato triste em nossa história. Isso mostra que, mesmo tendo a consciência do perigo na cidade, o carinho pelas pessoas e a intimidade com os lugares que se vai há décadas, mascaram a nossa vulnerabilidade nas ruas de São Gonçalo e de todo estado do RJ.

É claro que todos sofremos com a violência diária que vivemos. Mas se nós, que temos entre 18 e 35 anos, sentimos a diferença do avanço da violência, imagine os antigos moradores.

Quem está começando uma vida tem menos compromissos e mais disposição para mudar de cidade, quiçá de estado ou de país. Enquanto quem fez uma vida aqui, vê o ambiente que escolheu viver se desintegrar. Tanto com o avanço da violência, quanto com a falta de infraestrutura que a prefeitura pouco se move para mudar.

Chacina do Porto Velho é o retrato da violência impactando a qualidade de vida

Outro desdobramento é a desvalorização dos bairros e imóveis. A impossibilidade financeira dos antigos moradores se mudarem, até mesmo dentro de São Gonçalo, é flagrante. Afinal, seus imóveis, em áreas – hoje – em risco, não têm condições de serem vendidos, alugados, tampouco habitados por seus próprios familiares, pois a vida de todos estaria a perigo.

Ainda tem o estresse diário, que nos prejudica mentalmente, e seus graves reflexos em nossos corpos.

Para completar, os serviços não entram. Correios não entregam produtos. Transportadoras precisam fazer acordos com tráfico ou milícia, sem falar no básico, como água, luz, gás e internet. Os dois últimos, em especial, controlados também pelos poderes paralelos locais, como o gatonet.

E com essa tragédia, nem ao menos o direito de se divertir, jogando bola, fazendo uma festa com a família ou, quem sabe, indo para a Igreja, encontrar os amigos, nada mais é permitido viver sem a constante tensão do medo.

Em breve, novas soluções milagrosas aparecerão. Já nós, ficaremos mais décadas sem ver a real efetividade das ações que fingem fazer para mudar São Gonçalo.

Que Deus conforte mais essas famílias. :/

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62% a mais de tiroteios após intervenção militar: E o resultado nas ruas? https://simsaogoncalo.com.br/mais-tiroteios-intervencao-militar/ https://simsaogoncalo.com.br/mais-tiroteios-intervencao-militar/#respond Mon, 17 Sep 2018 14:36:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6779 Sábado de setembro. Final de semana. Ao passar pela Ilha das Flores à noite, lá estavam os comboios com jovens recrutas saindo para mais um combate. Após a intervenção militar no Rio, essas cenas tornaram-se comuns. Mas, e os resultados? Assim como a maioria da população do Estado do Rio de Janeiro (março/2018), sempre fui a […]

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Sábado de setembro. Final de semana. Ao passar pela Ilha das Flores à noite, lá estavam os comboios com jovens recrutas saindo para mais um combate. Após a intervenção militar no Rio, essas cenas tornaram-se comuns. Mas, e os resultados?

Assim como a maioria da população do Estado do Rio de Janeiro (março/2018), sempre fui a favor de uma experiência de intervenção militar séria na segurança do estado. Mas o que estamos vendo não é o que gostaríamos que acontecesse.

62% a mais de tiroteios após a intervenção militar

Segundo o aplicativo “Onde Tem Tiroteio”, os tiroteios aumentaram cerca de 62% desde o início das operações.

Em contrapartida, em maio de 2018, São Gonçalo foi o líder de roubos de carros. Com 658 casos no mês, foi uma média de 21 carros roubados por dia.

Mas, quais seriam as soluções?

Intervenção Militar no Rio precisa caminhar com ações de urbanização

Em regiões favelizadas coladas a bairros urbanizados, é comum ver a diferenciação que os moradores costumam fazer entre onde iniciam e terminam os limites entre o bairro e a favela.

Esse tipo de noção, ao meu ver, alimenta ainda mais a sensação de onde o poder paralelo pode atuar.

Há pouco tempo, conversando com pessoas que moram no Capote, bairro próximo ao Colubandê, elas contavam sobre como o tráfico entrou no bairro. E lamentavam que a paz havia acabado em pouco tempo. Segundo elas, ainda em 2017, o lugar era quase uma roça, tamanha a tranquilidade.

E este talvez seja o ponto de reflexão.

É perceptível que as facções criminosas no Rio estão num ritmo de expansão para regiões sem infraestrutura. Sabem que ali não há “estado”. E que o mesmo, através da polícia militar, penetra com dificuldade no território. Isso facilita o esconderijo de drogas e transforma qualquer conflito em uma guerrilha.

Já em 2016, era possível ver bairros, como o Laranjal, onde o tráfico impedia a continuação das obras de urbanização. A polícia militar teve de intervir para a conclusão das obras. Afinal, bandido sabe que quanto mais acesso do estado nos locais, menor sua atuação, enfraquecendo o poder sob a comunidade.

Talvez o próximo governador, em uma ação orquestrada com prefeitos, consiga mapear as regiões que precisam de um “choque de investimentos” e fazê-los com sucesso. Nesse caso, a ajuda dos militares seria fundamental para iniciar uma real transformação no Estado do Rio de Janeiro.

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Desemprego entre jovens em São Gonçalo ajuda a explicar a crescente violência https://simsaogoncalo.com.br/desemprego-entre-jovens-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/desemprego-entre-jovens-em-sao-goncalo/#comments Mon, 09 Jul 2018 18:29:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6701 Nessa segunda semana de julho de 2018, a coluna do Ancelmo Gois, no O GLOBO, deu destaque à pesquisa realizada pela BEM TV Educação e Comunicação. Segundo os dados levantados, o desemprego entre jovens é de 34,7% em São Goncalo. É um terço da mão de obra até 29 anos parada. Simplesmente não trabalham. A matéria […]

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Nessa segunda semana de julho de 2018, a coluna do Ancelmo Gois, no O GLOBO, deu destaque à pesquisa realizada pela BEM TV Educação e Comunicação. Segundo os dados levantados, o desemprego entre jovens é de 34,7% em São Goncalo. É um terço da mão de obra até 29 anos parada. Simplesmente não trabalham.

A matéria tem um tom calamitoso. Ela compara nossa situação a países como o Haiti, um dos mais miseráveis das Américas, e Síria, que ainda está na saindo de uma dolorosa guerra interna. E apesar de nosso dia a dia não ser, nem de perto, comparável a esses países, é preciso olhar esses dados com atenção. Afinal, eles revelam algo que percebemos com clareza: o aumento da violência nos últimos 8 anos.

Desemprego entre jovens gonçalenses

Taxa de jovens desempregados em São Gonçalo ajuda a compreender aumento da violência

O marco que sempre faço questão de pontuar é a invasão do Complexo do Alemão, em 2010. A partir daquele evento, as redes criminosas se movimentaram em todo o Rio de Janeiro.

É perceptível que São Gonçalo entrou na rota de distribuição de drogas com mais intensidade nessa década. Especialmente na distribuição, com carregamentos que entram via Baía de Guanabara, na região do Salgueiro. A ponte criada pelo Comperj/Petrobras sobre o rio Alcântara teve sua utilização reinventada. E a infraestrutura trazida pelo setor privado fez crescer o crime no Leste Fluminense.

São Gonçalo tem características particularmente interessantes para o tráfico de drogas fluminense. Fica ao lado de Niterói, cidade com maior proporção de ricos no país, além de ser caminho para um dos maiores pólos turísticos do estado: a região dos Lagos. Essas características geográficas combinadas com desemprego entre jovens, que estão sem perspectiva e ansiosos para ter tudo que vêem na televisão, no Youtube, na internet, tornam nossa cidade o lugar perfeito para ter mão de obra barata e descartável para o crime.

Mas São Gonçalo inteira é assim?

Não. E a prova é o Mapa das Barricadas, que ilustra bem a ausência do estado nas regiões.

Na próxima década, nossa população tende a aumentar ainda mais, tornando-se ainda mais complexa. E acredite, com a chegada de mais armas e políticos oriundos de milícias, tráfico ou associação com o tráfico (principalmente), vamos lembrar com saudades da São Gonçalo dos anos 2000.

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Roubo de cargas de caminhão tombado no Laranjal revela quem somos https://simsaogoncalo.com.br/roubo-de-cargas-caminhao-tombado/ https://simsaogoncalo.com.br/roubo-de-cargas-caminhao-tombado/#respond Wed, 07 Mar 2018 16:09:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6416 Um caminhão tomba na RJ-104. Ali, na altura do Laranjal. O motorista que passa na pista oposta, se entristece com o que vê. Não é o carro dos bombeiros, nem da polícia, que aparece no local primeiro. Quem estão ali são populares, que na primeira oportunidade tornaram-se ladrões, praticando o mesmo roubo de cargas que os […]

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Um caminhão tomba na RJ-104. Ali, na altura do Laranjal. O motorista que passa na pista oposta, se entristece com o que vê. Não é o carro dos bombeiros, nem da polícia, que aparece no local primeiro. Quem estão ali são populares, que na primeira oportunidade tornaram-se ladrões, praticando o mesmo roubo de cargas que os marginais armados praticam todos os dias no Rio de Janeiro.

No passado, com um histórico de miséria e esquecimento, o Brasil se habituou a ver saques de caminhões tombados como o desespero de um povo que precisava comer. Mas nos últimos 20 anos, muita coisa mudou. Com programas sociais, melhora da renda, maior acesso à comida, questionamos: por que hoje, em 2018, ainda há quem ache isso normal?

Na foto, é possível ver dois homens bem cuidados e vestidos, carregando seus caixotes recém furtados. E tudo isso, como se fosse a coisa mais normal do mundo saquear um caminhão.

Arrastão na RJ-104 em São Gonçalo
EFEITOS DA SENSAÇÃO DE “TERRA SEM LEI”: na mesma estrada onde o caminhão foi saqueado há poucos dias, na RJ-104, criminosos promovem arrastões. Coincidência? Foto: SBT RIO

Roubo de cargas, com ou sem armas, legitimam um lugar como perigoso

Saquear um caminhão, por muitos, ainda é visto como algo ingênuo. Até cultural. Mas esses delitos, quando somados a outros, como jogar lixo na rua, quebrar patrimônio público e avançar sinal de trânsito, dão a sensação de “terra de ninguém” que tanto reclamamos por aqui.

E se tem gente que se sente mal vivendo em ambientes assim, o contrário também acontece. Assaltantes e traficantes são exemplo disso. A sensação de insegurança do lugar favorece suas atividades criminosas.

O caso dos Correios em São Gonçalo

Algumas vezes reclamamos sobre diversos pontos da cidade serem considerados “áreas de risco” pelos Correios. Mas alguns dados alarmantes chamam a atenção. Só aqui, em São Gonçalo, o roubo a pequenos veículos dos Correios, aqueles que fazem entregas nas casas, tiveram crescimento de 90% nos primeiros meses de 2018 (Jornal Hoje/Rede Globo).

Roubo de Cargas em São Gonçalo
O roubo de cargas em pequenos veículos dos Correios cresceu cerca de 90% nos primeiros meses de 2018 em Såo Gonçalo. Imagem: Jornal Hoje/Rede Globo

Este ano, a conta chegou: encomendas enviadas pelos Correios sofreram aumento de 8% no preço total das entregas feitas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Só em 2017, tivemos uma média de 6 veículos dos correios roubados por dia no Estado do Rio de Janeiro.

Saques de caminhões tombados e compra de produtos roubados estão no mesmo saco das coisas que, se a população não fizesse, reduziria bastante o número de problemas que temos. Mas talvez, pedir isso seja como dizer a um viciado que ele financia o crime comprando drogas.

Em todos esses casos, o problema é o mesmo: educação, melhora da renda e das condições de vida. Apesar de termos caminhado bastante nas últimas décadas, ainda há muito o que fazer.

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Guarda Municipal de São Gonçalo precisa fazer sua intervenção na cidade https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-de-sao-goncalo/#comments Wed, 28 Feb 2018 20:44:41 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6377 A Guarda Municipal de São Gonçalo vem ganhando destaque nos últimos meses. Mas esse movimento não é exclusivo daqui. Por conta do avanço da violência, roubos e latrocínios no Estado, sobra pressão para todo lado. Inclusive para as guardas, a instância mais básica na garantia da ordem pública. Na última semana de fevereiro, houve uma […]

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A Guarda Municipal de São Gonçalo vem ganhando destaque nos últimos meses. Mas esse movimento não é exclusivo daqui. Por conta do avanço da violência, roubos e latrocínios no Estado, sobra pressão para todo lado. Inclusive para as guardas, a instância mais básica na garantia da ordem pública.

Na última semana de fevereiro, houve uma pequena blitz que apreendeu 16 motos que trafegavam irregulares no Rodo, centro da cidade. Segundo o comando da Guarda Municipal de São Gonçalo, a intenção é reduzir o número de veículos e condutores irregulares nas ruas da cidade.

Como muitos assaltos são feitos sobre duas rodas, por serem veículos leves, quanto menos irregulares trafegando, melhor.

Guarda Municipal de São Gonçalo em ação no Centro da cidade.
Guarda Municipal verifica documentos do motociclista parado pouco antes da entrada do Boaçu, em 27 de fevereiro de 2018. Foto: Via Twitter

Barulho de moto, sensação de “perdi” e preconceito

Se você já sentiu a sensação de “perdi” ao ouvir um barulho de moto próximo, sabe do que estamos falando. Não é difícil encontrar alguém que já tenha sofrido com isso.

Por serem fáceis de manobrar numa perseguição e terem uma mobilidade superior a dos carros, as motos têm vantagens nas práticas de assaltos. Em fugas, ir na contramão ou adentrar locais de difícil acesso não são um problema para veículos de duas rodas.

Por conta desse cenário, infelizmente, quem também sofre bastante com o preconceito são os motociclistas habilitados. Especialmente os mototaxistas e motoboys. Com suas motocicletas regularizadas e aptos para o trabalho, tornaram-se alvos fáceis nas ruas. Seja pelas forças de segurança, que os param para averiguação, seja pelos bandidos, que roubam suas motos para praticar crimes.

Após a divulgação, houve quem falasse sobre uma possível inconstitucionalidade nas ações de apreensão. Também há relatos não divulgados sobre possíveis esquemas de corrupção, onde motos apreendidas são liberadas mediante propinas. Entretanto, se você ou algum conhecido presenciar esse tipo de crime, notifique a polícia imediatamente.

Guarda Municipal de São Gonçalo em ação no Centro da cidade.
Carros da Guarda Municipal de São Gonçalo aguardam andamento da ação no Centro da cidade. Foto: Via Twitter

Guarda Municipal de São Gonçalo não pode se limitar ao Centro

A presença da guarda na cidade é facilmente percebida no Rodo e em Alcântara nos dias úteis. Entretanto, não se vê com a mesma intensidade em outras áreas da cidade.

isso gera uma percepção forte de dúvidas sobre a efetividade dessas ações. Nos dão a impressão de que são feitas para o espetáculo, para a mídia, e menos para que se tenha impacto na cidade. Entre o Paraíso e Gradim, por exemplo, é fácil encontrar garotos sem capacete, camisa e, até mesmo, sem calçados pilotando motos. Algumas vezes, com até 3 pessoas sobre o veículo.

Multiplicar a presença e as apreensões em parceria com a Polícia Militar é fundamental. Ações em pontos estratégicos, especialmente aos finais de semana e parte da noite, ampliariam a sensação de segurança entre a população e seriam ainda mais eficazes.

Há problemas em todo o Rio de Janeiro. Mas a apreensão de armas e motocicletas, retirando-as dos bandidos, são fundamentais para aliviar os constantes assaltos e latrocínios que acontecem todos os dias.

Sabemos que a redução dos crimes tem fatores diversos. E que as atividades criminosas migram quando um tipo de crime rentável é neutralizado. Ainda sim, já que estamos em período de intervenção federal, que a intervenção municipal também se faça presente.

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Mapa das barricadas é o retrato da pobreza em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/mapa-das-barricadas-e-o-retrato-da-pobreza-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/mapa-das-barricadas-e-o-retrato-da-pobreza-em-sao-goncalo/#comments Mon, 18 Dec 2017 21:08:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5956 Lixo, entulho, terra, manilha, plantas, pneus, madeiras, concreto. Tudo o que tiver na reta e puder ser empilhado pode servir para fazer uma barricada. A tática de guerra que ganhou as ruas dos bairros do estado do Rio serve para demarcar onde começa a influência do tráfico na região. A princípio, é para se defenderem […]

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Lixo, entulho, terra, manilha, plantas, pneus, madeiras, concreto. Tudo o que tiver na reta e puder ser empilhado pode servir para fazer uma barricada. A tática de guerra que ganhou as ruas dos bairros do estado do Rio serve para demarcar onde começa a influência do tráfico na região. A princípio, é para se defenderem da polícia e das facções rivais. Mas na verdade, é um limitador territorial, que mostra para os moradores quem realmente manda ali.

Nos últimos meses, o jornal o São Gonçalo abriu um canal anônimo via WhatsApp (21) 97220-6423 para que esses moradores pudessem denunciar cada um desses bloqueios. Deu certo. Acuada, a população viu na mídia uma parceira. Em pouco tempo, diversos pontos foram denunciados e mapeados.

Em alguns casos a polícia agiu. Em outros, os traficantes remontaram as barreiras rapidamente. Problemas à parte, a iniciativa serviu para mostrar que ainda há esperanças no processo de paz do estado com a colaboração da sociedade civil.

Ruas do Jardim Catarina bloqueadas a mando do tráfico. Foto: Luiz Nicolella
Ruas do Jardim Catarina bloqueadas a mando do tráfico. Foto: Luiz Nicolella / O São Gonçalo

Mapa das Barricadas mostra que o território se dividiu ainda mais

Com o objetivo de agilizar o processo, um grupo – ou um/a desenvolvedor/a – criou o aplicativo, com objetivo de facilitar mapeamento e visualização dos pontos bloqueados. Implementaram também o recurso para confirmar ou não a localização exata da rua onde a barreira se encontra.

Se você quiser vê-lo agora, clique nesse link do Mapa das Barricadas.

Entretanto, a visualização gráfica do mapa foi além. Ela deixou explícito um processo óbvio e bem conhecido no estado do Rio de Janeiro e em São Gonçalo, que é a tomada das regiões mais pobres pelo tráfico de drogas.

Mapa das Barricadas em São Gonçalo
Mapa das Barricadas em São Gonçalo em dezembro de 2017.

Esse mapa da violência só reforça algo que tanto já debatemos, que é a priorização do calçamento, saneamento básico e iluminação nos bairros mais deficitários. Quanto menor a dignidade em uma região, maior o terreno fértil para o tráfico se manter.

Diante de tantos serviços parcos, justamente o único que chega à região com eficiência é o que mais apresenta saídas aos moradores: o sinal de internet. Seja 3G ou 4G, é quase uma porta da esperança para que população dê as mãos ao poder público, ajudando as polícias, civil e militar, nessa tarefa de “gato e rato” que se transformou a guerra contra o tráfico de drogas.

Esperamos que o Mapa das Barricadas termine suas atividades em breve. Uma cidade sem barricadas é um ambiente onde o direito de ir e vir foi garantido.

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Chacina no Salgueiro humilhou os gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/chacina-no-salgueiro-humilhou-os-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/chacina-no-salgueiro-humilhou-os-goncalenses/#respond Wed, 22 Nov 2017 13:44:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5793 Sete pessoas foram mortas na favela do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante uma operação clandestina do Exército e da Polícia Civil dia 11 de novembro. Mortes que nenhuma das instituições reconheceu até hoje, algo inédito no Rio de Janeiro, como afirmou o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (UOL). […]

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Sete pessoas foram mortas na favela do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante uma operação clandestina do Exército e da Polícia Civil dia 11 de novembro. Mortes que nenhuma das instituições reconheceu até hoje, algo inédito no Rio de Janeiro, como afirmou o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (UOL). Mortes que formam, portanto, uma chacina cruel e vergonhosa contra a segunda maior população do Estado.

Como se a vida dos gonçalenses não valesse nada, soldados do Exército e agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil se esconderam à noite na mata, encapuzados, para cometer os assassinatos no horário de um baile funk na comunidade. Bandido ou não, nenhum gonçalense ou cidadão brasileiro pode ser ferido ou morto e empilhado no Instituto Médico Legal sem explicações, por isso o Ministério Público abriu uma investigação criminal.

Um jovem de 19 anos, padeiro, é um dos quatro sobreviventes. Em entrevista exclusiva ao Jornal Extra, ele contou que depois de ser baleado nas duas mãos, os atiradores saíram do matagal tiraram uma foto sua e roubaram o seu celular. Nenhum agente socorreu o jovem nem seu amigo, que viajava na garupa da moto e foi atingido na boca, e eles sangraram no local por 3 horas. Esse é o valor que o Exército e a Core atribuem aos gonçalenses.

Ainda mais grave é a chacina contar com a aprovação de muitos moradores da cidade, gente que pode estar entre os mortos e feridos na próxima operação ilegal e defende que bandido bom é bandido morto. Sinal de pouca fé em si mesmo, quando mais do que nunca, diante da violência generalizada, precisamos ser exigentes.

Mesmo se todos os mortos e feridos fossem bandidos, uma sociedade sadia, onde os índices de criminalidade são reduzidos, não é aquela em que o crime se desenvolve e depois extermina os criminosos. Em uma sociedade digna as condições para a prática criminosa são reduzidas pelo esforço comum da Justiça, do desenvolvimento social e da eficiência policial, que compõem a segurança pública.

A vida humana merece respeito profundo e veneração absoluta, seja no Salgueiro ou na Suécia. São Gonçalo não ficou mais segura depois da chacina do dia 11, ficou mais violenta. Informações enviadas pelos leitores do jornal O São Gonçalo indicam que 33% dos bairros do município têm ruas interditadas por barricadas feitas por traficantes de drogas. Barricadas que aprisionam cerca de 400 mil gonçalenses, humilhados por criminosos dentro e fora das forças do Estado.

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Tendência é que ações policiais e militares sejam mais frequentes https://simsaogoncalo.com.br/tendencia-e-que-acoes-policiais-e-militares-sejam-mais-frequentes/ https://simsaogoncalo.com.br/tendencia-e-que-acoes-policiais-e-militares-sejam-mais-frequentes/#respond Fri, 17 Nov 2017 05:03:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5739 Na sexta-feira, 10 de novembro, o policial militar Joubert dos Santos de Lima, 26 anos, foi morto durante um confronto na comunidade do Brejal, aqui em São Gonçalo. Naquele momento, ele se tornava o 117º PM assassinado no estado do Rio de Janeiro em 2017. No mesmo minuto, o destino de outras sete pessoas havia […]

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Na sexta-feira, 10 de novembro, o policial militar Joubert dos Santos de Lima, 26 anos, foi morto durante um confronto na comunidade do Brejal, aqui em São Gonçalo. Naquele momento, ele se tornava o 117º PM assassinado no estado do Rio de Janeiro em 2017. No mesmo minuto, o destino de outras sete pessoas havia sido selado.

No dia seguinte, a polícia civil aliada aos militares do exército invadiram o, agora conhecido, Complexo do Salgueiro. Alguns dizem que vieram dos céus. Outros, que foi por dentro da mata. Seja como tenha sido, interromperam o baile da comunidade, dizimando 7 pessoas. Após o ocorrido, entretanto, nenhum dos órgãos assumiu a autoria do crime.

Protesto na BR-101 em São Gonçalo. Foto: Divulgação/O São Gonçalo

É bom lembrar que dias antes, em 7 de novembro de 2017, as forças de segurança fizeram uma megaoperação dentro do bairro. Até aquele momento, nenhum dos chefes do tráfico foi pego. A população, no geral, questionou se aquela ação era apenas um teatro. Poucas horas depois, já era possível ler relatos desacreditados na segurança pública do Rio de Janeiro. Algumas pessoas, inclusive, sugeriam que a polícia chegasse de surpresa.

Até que no sábado, a sugestão foi executada.

São Gonçalo se tornou peça-chave no jogo da (in)segurança pública

Se tem algo que falamos no SIM São Gonçalo há tempos é que nossa cidade está no tabuleiro do jogo. O Salgueiro fica num ponto estratégico da Baía de Guanabara. E já há relatos de que a droga que chega por ali é distribuída para vários pontos do estado do RJ.

Nada disso é segredo para ninguém. Inclusive, há pouco tempo atrás, os próprios traficantes ostentavam armas navegando em seus barquinhos pela baía.

Lembra dessa foto? Traficantes ostentam armas na Baía de Guanabara em frente ao Shopping da BR em São Gonçalo.

Por maior que seja seu poder bélico, é praticamente impossível resistir ao poderio técnico das nossas forças de segurança. Salvo por um motivo: território. Há Google Maps, Street View, satélites da Nasa, mas nada substitui a presença em terra.

Analisando as ocorrências da última semana, tentamos entender a atuação da polícia e exército integrados. No primeiro dia (07/11), mesmo aparentando ser um teatro, a ação foi fundamental para conhecer a região, explorando os detalhes territoriais. Depois disso, ficou fácil fazer o serviço.

Imagino que as ações em São Gonçalo sejam cada vez mais controladas e executadas. Afinal, além da Baía de Guanabara, temos a BR-101, uma importante via de escoamento de produtos. Inclusive, é nela que os roubos de cargas e arrastões se concentram.

Militares caminham no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. (Foto: Reprodução/ TV Globo)

População revoltada dá carta branca. Mas “o policial não puxa o gatilho sozinho”

A clássica fala do personagem Capitão Nascimento faz cada vez mais sentido. Com um número ímpar de assaltos e furtos a carros, pedrestres, latrocínios e assassinatos, é natural que a população se sinta acuada e vitimada pelos marginais.

Em todas as redes e conversas nas ruas, a legitimação às ações da polícia e exército ganham coro. Consequentemente, o crime organizado se espalha pelas cidades fluminenses e, com ações coordenadas, se reintegra, recrutando novos soldados para o tráfico.

A revolta das pessoas é legítima. Mas veja bem: os estrategistas que trabalham na segurança pública brasileira têm em seus estudos de caso um emblemático: CARANDIRU. O massacre de 111 presos que foram mortos naquele dia iniciou uma movimentação entre os encarcerados. O resultado foi a criação do Primeiro Comando da Capital, também conhecido como PCC.

O PCC pratica um crime muito mais organizado que o ocorrido no Rio de Janeiro. Em São Gonçalo, por exemplo, a participação dos “crias” da comunidade é fundamental. As ações não são tão coordenadas quanto se pensa. E chegamos ao ponto mais absurdo de todos: em todo o Rio, a Polícia Militar tem de intervir para que as facções não entrem em guerra.

Mas o ódio, que não para de crescer, alimenta algo que passa longe dos quartéis ou das bocas de fumo: os políticos oportunistas.

Policiais mortos ou bandidos dizimados: onde estão os direitos humanos?

Uma das coisas mais deploráveis que vemos atualmente são os políticos oportunistas.

Para aparecer, se posicionam nos extremos. Rivalizam mortes policiais, tão alardeadas e comentadas em todo o país, com mortes dos bandidos. Estimulam o medo e fazem com que as pessoas acreditem seriamente que ninguém olha os PMs, em benefício dos bandidos.

No outro extremo, políticos desonestos se posicionam contra a PMERJ – Polícia Militar do Rio de Janeiro – como se todos fossem corruptos e homicidas. Em ações como essa, que aconteceu no Salgueiro, mesmo sabendo do foco de bandidos na região e da ação necessária das forças de segurança, criticam as ações que resultaram nas mortes dos meliantes. Cinicamente, usando os valiosos direitos humanos, deixam o cenário ainda mais confuso.

Por consequência, a nossa população, seja por carência de instrução, educação deficiente ou pela legítima sensibilidade ao medo que nos assola nas ruas, acaba se sentindo na necessidade de “escolher um lado”.

Michel Temer posa com alunos do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, na Penha – Rio de Janeiro.

O único lado a se escolher é o da melhora nas condições do território e educação

E para fechar a semana com chave de ouro, tivemos esse anúncio do presidente Michel Temer. Segundo o governo, o Complexo do Salgueiro será beneficiado pelo Programa Emergencial de Ações Sociais. O projeto prevê investimentos na ordem de R$157 milhões de reais para “atividades esportivas, culturais e de tecnologia com o intuito de prevenir a violência na região metropolitana do Rio.”

Mas, peraí: e as condições de vida no território? E o dinheiro escasso para resolver a questão do lixo? E o saneamento básico deficiente na região? Por que será que os repasses para esse tipo de obras não estão disponíveis?

Parece que nosso destino é continuar perdendo tempo. Enquanto isso, novos garotos revoltados, mesmo vendo seus amigos morrerem todos os dias, continuam se tornando soldados do tráfico. Achando que é normal morrerem como moscas, matam a si próprios e aos outros que, sob os olhos de Deus, continuam sendo seus irmãos. Nós.

Em 2017, o código de Hamurabi está de volta. E num momento de falta de comando, não se surpreenda se novas ações de limpeza acontecerem nos próximos meses. E mais: a população vai agradecer.

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São Gonçalo perdeu um jovem e ganhou assassinos https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-perdeu-um-jovem-e-ganhou-assassinos/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-perdeu-um-jovem-e-ganhou-assassinos/#respond Wed, 08 Nov 2017 09:46:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5714 Um jovem de 18 anos foi espancado até a morte por moradores do bairro Santa Catarina, no Dia de Finados. A Polícia encontrou seu corpo jogado dentro da mala de um carro. São Gonçalo perdeu um jovem e ganhou um grupo de assassinos, que acusaram o rapaz de cometer uma série de assaltos no bairro. […]

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Um jovem de 18 anos foi espancado até a morte por moradores do bairro Santa Catarina, no Dia de Finados. A Polícia encontrou seu corpo jogado dentro da mala de um carro. São Gonçalo perdeu um jovem e ganhou um grupo de assassinos, que acusaram o rapaz de cometer uma série de assaltos no bairro.

Segundo notícia publicada no jornal O São Gonçalo, um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra diversas pessoas agarrando a vítima, que teria assumido o roubo de um celular usando um simulacro de pistola. Nenhuma dessas informações haviam sido confirmadas pela Polícia. Os assassinos julgaram e condenaram o réu por conta própria e tiraram dele o direito à vida, garantido pelo Artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece inclusive que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.

O linchamento que nos torna assassinos

O Brasil é o país que mais lincha no mundo, de acordo com uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, e evidentemente a prática não torna o país mais seguro. Há relatos de pessoas completamente inocentes, confundidas com bandidos, sendo linchadas. Ao promover outro linchamento, a cidade de São Gonçalo se tornou mais cruel, tendência que se estende pelo Brasil inteiro.

Há outros jovens de 18 anos roubando por aí. Jovens que deveriam estar na universidade. Não podemos virar uma cidade demoníaca e espancar todos até a morte. O que faríamos depois? Uma lei que torne obrigatório o aborto daqueles que podem se tornar bandidos no futuro? Uma vida humana vale mais que todos os aparelhos celulares já fabricados.

O rapaz assassinado, cujo nome nem aparece no jornal, não aprendeu lição nenhuma com a tortura. É ilusão achar que ele vivia em um mundo saudável e escolheu ser assaltante. Não é esse o perfil do bandido brasileiro. Ele é pobre, tem baixa escolaridade e vive constantemente sob a influência e ameaça do tráfico de drogas.

Parte da população aprova o assassinato, tanto que ele foi filmado para que mais pessoas assistissem. Talvez você seja incapaz de participar dando socos e pedradas, mas concordar nas redes sociais com o linchamento de bandidos favorece a crueldade.

Queremos viver em um município seguro, desenvolvido e limpo. Nenhuma cidade do mundo conquistou essas qualidades com violência, mas protegendo a juventude e investindo na sua educação.

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Audiência Pública aborda armamento ou não da Guarda Municipal https://simsaogoncalo.com.br/audiencia-publica-armamento-guarda-municipal/ https://simsaogoncalo.com.br/audiencia-publica-armamento-guarda-municipal/#respond Sat, 28 Oct 2017 18:08:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5663 Na última sexta-feira, 27 de outubro, aconteceu uma Audiência Pública na Câmara dos Vereadores para discutir o Armamento da Guarda Municipal. Presidida pelo vereador Cap. Nelson, também contou com a presença de diversos vereadores, representantes da Guarda, OAB, Polícia Civil e sociedade em geral. A seguir, alguns apontamentos que registrei através das falas dos presentes. O Estatuto […]

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Na última sexta-feira, 27 de outubro, aconteceu uma Audiência Pública na Câmara dos Vereadores para discutir o Armamento da Guarda Municipal. Presidida pelo vereador Cap. Nelson, também contou com a presença de diversos vereadores, representantes da Guarda, OAB, Polícia Civil e sociedade em geral.

A seguir, alguns apontamentos que registrei através das falas dos presentes.

O Estatuto Geral das Guardas Municipais

O primeiro ponto é entendermos que o armamento da Guarda é apenas um dos pontos da Lei Federal 13.022/14, que cria o Estatuto Geral das Guardas Municipais. Essa lei aborda diversos artigos, como a autonomia da Guarda em relação ao Executivo através de uma autarquia, a criação de uma ouvidoria e corregedoria para a instituição e um plano de cargos e salários – PCS para os servidores, entre outros pontos.

Sobre isso, a Guarda Municipal de São Gonçalo está totalmente à margem desta legislação. Isso porque não possui nenhum dos pontos obrigatórios da lei. Segundo representante da Secretaria de Segurança Pública, foi iniciado um primeiro avanço na elaboração do PCS para, depois, os demais pontos serem encaminhados. Ou seja, para nossa Guarda estar apta ao porte de armas de fogo, há um caminho longo e burocrático que não deve demorar menos de dois anos.

Uma nova guarda, um novo estatuto jurídico

Segundo ponto é que não será esta Guarda que terá o porte de armas, mas sim uma nova Guarda, com um Estatuto jurídico e um treinamento oferecido pela Polícia Federal. Com isso, somente os Guardas autorizados pela Polícia Federal – PF estarão aptos ao porte, passando por cursos de reciclagem a cada dois anos.

E o orçamento, de onde virá o dinheiro?

Terceiro ponto muito abordado foi a questão orçamentária da cidade. Teria São Gonçalo condições de fornecer equipamentos de qualidade para os Guardas? A conclusão geral foi que não. O paupérrimo orçamento da cidade não viabilizaria as condições necessárias.

Cada real investido em uma área é um real a menos na saúde e na educação, prioridades constitucionais do município. Já que os recursos destinados ao município são apenas para estas duas áreas.

Esta foi apenas a primeira de três audiências públicas, que devem ser realizadas pela Comissão de Segurança Pública da Câmara até que seja tomada uma decisão definitiva. O prefeito Nanci se mostrou favorável ao armamento, porém com o compromisso de só avançar com respaldo da população.

De maneira geral, parece haver um consenso no poder público sobre esse tema, contudo há uma série de dificuldades e responsabilidades que não é possível afirmar se o município está preparado para avançar neste tema.

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Guarda Municipal Armada em SG: uma discussão que vai além do porte de armas https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-armada-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/guarda-municipal-armada-em-sao-goncalo/#comments Fri, 27 Oct 2017 18:36:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5658 Até a publicação desse texto, 112 policias morreram esse ano no Rio de Janeiro. São mortes por atentatos, assaltos e outras causas ligadas diretamente ao seu trabalho. Peço que antes de ler esse texto, perca sua farda de “bandido bom é bandido morto” ou de “fascistas não passarão“. Por conta da escalada da violência, muitos […]

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Até a publicação desse texto, 112 policias morreram esse ano no Rio de Janeiro. São mortes por atentatos, assaltos e outras causas ligadas diretamente ao seu trabalho. Peço que antes de ler esse texto, perca sua farda de “bandido bom é bandido morto” ou de “fascistas não passarão“.

Por conta da escalada da violência, muitos municípios começaram a discutir sobre a militarização da guarda municipal. O procedimento e o raciocínio feito é de que existirá um grupo que será treinado durante um período pré-estabelecido para saber lidar com o porte e que isso facilitará a ação desses profissionais para atender pequenos casos que a arma seja necessária.

Ao mesmo tempo que entendo a reflexão, discordo desse uso armado da guarda por conta dos desdobramentos que isso trará. Colocar uma arma na mão de um determinado grupo de profissionais, mesmo que seja com um rigoroso processo de formação é muito arriscado pois hoje os guardas não são vistos como “perigosos” para o crime organizado e após um programa que garante esse porte, podem ficar vulneráveis no seu dia a dia como são os policiais.

Armar a Guarda Municipal é assumir que a polícia não tem estrutura para lidar com a questão da segurança pública. E mesmo eu concordando que a polícia militar não tem a estrutura correta para cuidar dessa segurança, entendo que todo o dinheiro gasto com armamento e treinamento para a guarda deveria ser encaminhada para programas de fortalecimento da PM.

Se os municípios querem assumir a responsabilidade pelo combate ao tráfico, combate aos assaltos e outras violências, o melhor caminho deveria entender as demandas locais das polícias militares e civis e criar convênios e teremos cooperação.

Armar um Guarda Municipal é torná-lo vulnerável caso ele more num bairro comandado por alguma facção criminosa. Armar um Guarda Municipal é torná-lo vulnerável num assalto, pois caso alguém o identifique como guarda, o bandido poderia atirar partido do pré-suposto que ele está armado. Armar um Guarda Municipal é colocar sua vida numa conta de uma guerra que ele não está diretamente ligado.

O problema de Segurança Pública não vai melhorar com a Guarda Municipal das cidades armada.

O problema da Segurança Pública é o péssimo investimento nos policiais que ganham mal e que são colocados no meio de uma guerra para matar e morrer. O problema da segurança são os péssimos investimentos em cultura e educação. O problema da segurança é a falta de oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Para deixar claro, sou contra que a Guarda Municipal tenha porte de armas. Sou a favor de que todos os investimentos feitos para isso nas cidades seja encaminhado para programas de fortalecimento da Polícia Militar, Polícia Civil e órgãos de investigação. O trabalho complementar que a Guarda cumpre para a Segurança Pública não pode ser um trabalho de substituição dos órgãos que já o fazem.

Depois de ler o texto, você ainda pode ficar nessa de “bandido bom é bandido morto”, de “quero o fim da PM”, etc, etc, etc. Fique sabendo que sua frase performática não contribui em nada. Vá nas audiências públicas, leia experiências de outros municípios e discuta isso na sua cidade. É importante

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No aniversário de São Gonçalo, sinto informar que a violência vai aumentar https://simsaogoncalo.com.br/no-aniversario-de-sao-goncalo-sinto-informar-que-violencia-vai-aumentar/ https://simsaogoncalo.com.br/no-aniversario-de-sao-goncalo-sinto-informar-que-violencia-vai-aumentar/#comments Fri, 22 Sep 2017 21:38:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5462 Anos atrás, o Governo do Estado lançava o programa das UPP’s. Através da polícia, tentava resolver TODOS os problemas de segurança dos territórios que seriam “pacificados” no Rio de Janeiro. Só a polícia foi e por falta de programas de educação, saúde, cultura, esporte e outros, o processo de redução da violência não deu certo. […]

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Anos atrás, o Governo do Estado lançava o programa das UPP’s. Através da polícia, tentava resolver TODOS os problemas de segurança dos territórios que seriam “pacificados” no Rio de Janeiro. Só a polícia foi e por falta de programas de educação, saúde, cultura, esporte e outros, o processo de redução da violência não deu certo.

A UPP começou em 2008 e antes disso, já havia um programa chamado GPAE que também não havia dado certo, todos por falta de políticas públicas nas outras áreas.

Chegamos em 2017 e novas operações nas favelas cariocas. Policiais, Traficantes e Civis mortos nos confrontos que não possuem hora para começar e nem acabar. Seja você de esquerda ou de direita, seja você defensor de “bandido bom é bandido morto” ou “desmilitarização da polícia”, saiba que nossa cidade vai ficar pior e nossas publicações no facebook continuam não resolvendo nada.

São Gonçalo, por conta do tamanho e da organização da cidade, vira um polo que sempre recebe os traficantes e bandidos de todo lugar. Foi assim no começo da UPP, foi assim nas ocupações de outras favelas cariocas e será assim nessa nova operação do Rio de Janeiro.

Lembro quando surgiu o termo “bandido de estimação” e trago ele de volta para esse debate tendo em vista que era muito mais fácil (ou menos difícil) lidar com os bandidos de estimação da cidade. Apesar de também serem criminosos e precisarem responder na justiça, eles não eram tão violentos como os de outros lugares são.

A capital que é o Rio de Janeiro, mesmo com todas as suas contradições e com toda a falta de infra e investimentos que algumas regiões ainda possuem, não chega nem perto da falta de investimentos que São Gonçalo possui.

Não temos uma mídia 24h por dia pressionando o imaginário público da cidade, não temos um Governo do Estado presente com policiamento, inteligência e programas sociais. No Rio, mesmo que pouco, ainda tem. Aqui não.

Aqui bandido invade Shopping e as emissoras não trazem helicóptero por que “é longe”.

Aqui, Governador não dá entrevista em tempo real quando acontece alguma chacina.

Aqui, mesmo com mais de 1,5 milhões de habitantes, os programas das outras Secretarias só chegam cotizadas para atender o mínimo.

São Gonçalo ainda é ou voltou a ser Terra de Malboro. Somos nós por nós. Ainda tem jeito, mas só terá jeito quando a gente se entender.

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Corrupção da polícia é a principal inimiga na Guerra do Rio https://simsaogoncalo.com.br/corrupcao-policia-inimiga-guerra-no-rio/ https://simsaogoncalo.com.br/corrupcao-policia-inimiga-guerra-no-rio/#respond Wed, 30 Aug 2017 14:18:43 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5268 Mesmo que recolhessem todas as drogas do Rio de Janeiro, ainda haveria mortes. Bingos, caça-níqueis, clínicas de aborto clandestinas, assaltos, desmanche de carros, venda de produtos piratas, gatonet, roubo de cargas. Tudo isso faz parte da cadeia do crime, cujo principal aditivo é a corrupção da polícia e dos políticos. Isso é óbvio. Entretanto, pouco […]

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Mesmo que recolhessem todas as drogas do Rio de Janeiro, ainda haveria mortes. Bingos, caça-níqueis, clínicas de aborto clandestinas, assaltos, desmanche de carros, venda de produtos piratas, gatonet, roubo de cargas. Tudo isso faz parte da cadeia do crime, cujo principal aditivo é a corrupção da polícia e dos políticos.

Isso é óbvio. Entretanto, pouco falado por quem deseja apenas demonizar as drogas, acobertando outros crimes tão danosos quanto o crack, a erva e o pó.

Num curto espaço de tempo, entre as semanas de agosto de 2017, pelo menos 2 crimes contra policiais aconteceram em São Gonçalo. Ambos muito similares, aparentemente classificados como assaltos. No dia 24/08/2017, na Madama, e 29/07/2017, no Mutuá.

O 100º policial morto no Rio

A imprensa do RJ estava com sede de sangue. Certamente, as capas com o 100º policial já deviam estar sendo preparadas há tempos. A contagem regressiva era mais um aditivo agressivo à mente de tantos profissionais que trabalham sob estresse a todo minuto.

Somado a isso, é horrível a sensação de saber que um companheiro de trabalho pode estar trabalhando contra você. Aquela pequena parcela corrupta que faz um estrago imenso à vida de todos. Inclusive às famílias e amigos dos policiais.

Viatura policial no Rio de Janeiro
Viatura policial da PMERJ – Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Corrupção da polícia e dos políticos é a principal assassina

Apesar de redundante e cansativo, é preciso lembrar que a Operação Calabar, que prendeu diversos PMs no 7º BPM, foi apenas uma ponta de um processo que ainda está longe do fim. Afinal, como tantas armas são capazes de chegar ao Rio de Janeiro todos os dias?

A gravidade da corrupção passou do limite do que antes era aceitável, permitido ou considerado normal. Hoje, a corrupção mata e devasta famílias.

Há poucos anos atrás, a corrupção policial foi tolerada e justificada pelos baixos salários. Em outros momentos, era permitida por conta da corrupção dos políticos que influenciavam na polícia, pressionando o policial honesto a aceitar os ilícitos que financiavam os governantes.

Mas o mais comum da história era a situação do policial honesto que, para proteger sua própria vida e de sua família, tinha de ser condescendente com a parcela corrupta.

André Mathias, personagem policial de André Ramiro, no filme Tropa de Elite 2
André Mathias, personagem policial de André Ramiro, no filme Tropa de Elite 2 .

Aliás, o exemplo ficcional do policial Mathias, no filme Tropa de Elite 2, não foi inventado ao acaso. Caso você não lembre, André Mathias é assassinado pelas costas pelos próprios companheiros de trabalho, por querer investigar mais.

Se antes os honestos morriam por denunciar, hoje não há escapatória. A corrupção permite a venda de armamentos aos marginais. E a bala volta no corpo do policial, que também é cidadão.

Assim chegamos aos calamitosos 3 dígitos em mortes policiais. Emocionalmente, devastador para famílias. Financeiramente, difícil para o estado, que gastará ainda mais com pensões, treinamentos e contratações de novos policiais. Sem falar na dificuldade para atrair bons profissionais com cenário tão complicado.

O tráfico de drogas é só mais um negócio

Se antes o tráfico era apontado como o principal financiador de todos os males, hoje isso é facilmente questionável. Afinal, qual a diferença do dinheiro gerado pelo roubo de cargas e pelas drogas?

Independente da atividade ilícita, o mais importante para o crime é só gerar dinheiro. Qualquer ilícito permitido pela corrupção da polícia e dos políticos (sim, eles inclusive), servirá para comprar armas e proteger o novo negócio criminoso que se instalar em nosso território.

Força e fé aos policiais honestos que estão na ativa!

Infelizmente, tivemos que chegar ao fundo do poço para por pra fora todo o lado podre da polícia. Mas tenhamos certeza que, a cada corrupto denunciado e preso, menos armas e munições chegarão nas mãos dos bandidos. E menos confrontos armados na vida de todos nós.

Todas as vidas valem muito.

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“Fica, Alessandro!” Comparando os índices de violência em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/fica-alessandro-indices-violencia-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/fica-alessandro-indices-violencia-sao-goncalo/#comments Mon, 21 Aug 2017 13:31:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5102 Embarquei no Uber, na porta de casa, em São Gonçalo. Itinerário confirmado, logo eu e o motorista demos início a uma conversa que só seria interrompida com o meu desembarque. Dentre mil assuntos, a certa altura chegamos ao inevitável: violência urbana. Alessandro, o motorista, desatou a falar. Dizia-se morador da cidade e revelou o plano […]

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Embarquei no Uber, na porta de casa, em São Gonçalo. Itinerário confirmado, logo eu e o motorista demos início a uma conversa que só seria interrompida com o meu desembarque. Dentre mil assuntos, a certa altura chegamos ao inevitável: violência urbana.

Alessandro, o motorista, desatou a falar. Dizia-se morador da cidade e revelou o plano de se mudar para Iguaba Grande tão logo conquistasse sua aposentadoria. Segundo sua avaliação, São Gonçalo se tornou um lugar perigoso demais.

Parece fazer sentido. Segundo o Atlas da Violência 2017 – estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) juntamente com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) – a cidade às margens da Baía de Guanabara ocupa a 14ª posição dentre as mais violentas do estado do Rio de Janeiro, com a marca de 40,9 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes.

Mas vejamos, Araruama e Cabo Frio ocupam respectivamente a 3ª e 4ª posições no mesmo ranking. O município de Iguaba Grande se situa entre as duas cidades da Região dos Lagos onde o número de mortes violentas não é menor que 56,1/100 mil habitantes. Bem, até que se prove o contrário, 56,1 é mais do que 40,9. Não me parece exatamente seguro se mudar pra esses arredores…

Tarcísio Bueno – Escola e Patrono
Paraíso – São Gonçalo-RJ

São Gonçalo é tão violenta assim?

Segundo o relatório “Os jovens do Brasil” (2014), que integra a série de estudos “Mapa da violência”, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, de 2002 a 2012 o estado do Rio de janeiro respondeu por quase 69 mil homicídios dos quais a capital contribuiu com nada menos que 38% da cifra, isto é, mais de 26 mil mortes, números de guerra. Não bastasse isso, a cidade do Rio se apresenta recorrentemente como cenário de chacinas de enorme repercussão, reafirmando sua história de violência estrutural. A depender do ponto de vista, a ‘cidade maravilhosa’ pode ser facilmente convertida em Hell de Janeiro. E aviso aos navegantes: cor da pele, endereço e saldo bancário são aspectos determinantes de qual dessas duas cidades será servida aos moradores e visitantes.

Vizinha da capital, o 1° IDHM do estado e o 7° do país não impedem Niterói de patinar na marca de 35,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. De acordo com a metodologia do Atlas, é a 17ª cidade a ilustrar o ranqueamento fluminense. Em comparação com São Gonçalo, a renda da população economicamente ativa na terra de Araribóia é superior em mais de 50%, revelam dados do IBGE.

Não obstante, foi necessário que o índice geral de crimes de São Gonçalo crescesse 106%, entre 2003 e 2016, para que viesse a superar – por diferença mínima – a cifra niteroiense: 4.626 versus 4.592 registros de ocorrência por fração de 100 mil habitantes, respectivamente, atribuídos ao último ano de referência, conforme apuração do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Fonte de tais resultados, Niterói era o destino da corrida de Uber à qual déramos início em São Gonçalo, mas o Alessandro não tem medo de transitar pela ‘cidade sorriso’. Porque será?

Com exceção de São Gonçalo, todas as cidades citadas têm em comum o fato de serem turisticamente ativas. São ofertadas ao público consumidor como territórios legítimos, dignos de se ‘aproveitar a vida’. Isso acaba colaborando, em alguma medida, para que São Gonçalo seja assimilado como território periférico suburbanizado, inclusive pela população local. Uma ‘zona lost’, deserto de expectativas.

Só faltou combinar isso com os institutos de pesquisa em segurança pública. Afinal, as estatísticas sobre violência urbana no estado não confirmam as fraudes projetadas nos gabinetes de marketing turístico.

Fica, Alessandro!

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Carta de quem é assaltado em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/carta-quem-assaltado-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/carta-quem-assaltado-sao-goncalo/#respond Thu, 27 Jul 2017 13:34:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4871 Não te conheço e provavelmente nunca vá te conhecer. Não sei os motivos que te fizeram começar a assaltar, mas queria te contar um pouco do medo que nós temos de andar em São Gonçalo. Várias vezes fazemos trajetos pequenos em nosso bairro e temos que colocar R$50,00 no bolso por conta do medo de […]

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Não te conheço e provavelmente nunca vá te conhecer. Não sei os motivos que te fizeram começar a assaltar, mas queria te contar um pouco do medo que nós temos de andar em São Gonçalo.

Várias vezes fazemos trajetos pequenos em nosso bairro e temos que colocar R$50,00 no bolso por conta do medo de não ter nada e isso se transformar num motivo agressão ou morte. Temos medo do nosso reflexo se transformar em problema pra nós.

Não sei sua história.
Não sei de onde veio.
Não sei quais motivos te fizeram começar a assaltar.

Mas de qualquer forma, sei que quando você deita para dormir no meio da adrenalina de ser procurado, pensa nos outros caminhos que poderia ter escolhido. Perdi muitos amigos que estavam no crime, muitos mesmo. Gente que eu me divertia na infância e adolescência e que hoje estão presos, mortos ou foragidos.

Pensa no meu lado. Trabalho pra caramba para conquistar minhas coisas. Trabalho para conquistar meu celular, minha roupa, meu tênis e tenho medo de andar pela rua com esses bens por que posso perder e/ou posso sofrer algum tipo de violência física sem ter feito nada.

Só quero pegar meu ônibus e chegar no trabalho. Só quero sair as 23h de casa e comer meu x-tudo na praça em paz e não posso mais fazer isso. Não estou só te culpando. Afinal, vivemos num sistema muito complexo em que várias instituições públicas estão corrompidas e que também são responsáveis por toda a violência que vivemos.

Sei que também tem a ausência de serviços de educação, saúde, cultura e assistência que fazem a violência piorar, mas será que não existe outro caminho? Será que esse universo de insegurança precisa continuar?

Ao longo de todos esses anos, já pedimos a melhoria da segurança de várias maneiras. Agora, sem mediadores, estou pedindo para você.

Pare de assaltar, por favor.

Não temos mais coragem de andar pelas ruas da nossa cidade. Não temos mais coragem de andar tranquilos. Não temos mais disposição para ficar na rua com medo de tomar um tiro, apanhar ou simplesmente ser confundido pela polícia.

Muita gente vai dizer que esse texto está defendendo bandido ou algo do tipo. Minha visão de crime não é só de quem assalta. É também dos grandes empresários e dos policiais que fazem parte desse sistema que inviabiliza o direito à cidade. Nessa guerra, todo mundo está perdendo. Estamos circulando menos e falando menos com as pessoas que gostamos.

Todo mundo está perdendo as pessoas que ama.

Existem duas coisas entre todas as pessoas. A primeira é que todas as pessoas acertam. E a segunda é que todas as pessoas erram. Todos nós erramos, mas ninguém é só bom ou só mal. Ninguém! Você, eu e todas as pessoas do mundo já foram MUITO legais ou MUITO escrotas com alguém. Já fizemos MUITO bem ou MUITO mal para alguém e o que nos une são nossas contradições.

E é dentro dessas contradições que eu imploro para que você deixe a nossa cidade ser mais segura. Sem penalizações para as pessoas que não tem nenhuma relação com essa guerra.

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Filho da desembargadora pego com 129kg de maconha e o Morro da Dita https://simsaogoncalo.com.br/filho-desembargadora-pego-maconha-morro-da-dita/ https://simsaogoncalo.com.br/filho-desembargadora-pego-maconha-morro-da-dita/#respond Mon, 24 Jul 2017 21:06:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4855 No dia 21 de julho, o filho de uma desembargadora do Mato Grosso do Sul deixou o presídio. Pego com 129 quilos de maconha e 270 munições, o filhinho desta senhora, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do estado, escapou. Foi transferido para uma clínica psiquiátrica para reabilitação. Problemas mentais? Bem… maluquice mesmo seria alguém acreditar […]

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No dia 21 de julho, o filho de uma desembargadora do Mato Grosso do Sul deixou o presídio. Pego com 129 quilos de maconha e 270 munições, o filhinho desta senhora, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do estado, escapou. Foi transferido para uma clínica psiquiátrica para reabilitação. Problemas mentais? Bem… maluquice mesmo seria alguém acreditar que ele fumaria esses 129kg de erva sozinho.

Enquanto isso, no Morro da Dita, facções se matam para ter o controle de um ponto de drogas que, possivelmente, poderia vender toda essa maconha em São Gonçalo.

Breno Fernando Solon Borges, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargadora Tânia Garcia Freitas, liberado para ser "tratado" depois de ser preso com 129 quilos de maconha e 270 munições.
Breno Fernando Solon Borges, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargadora Tânia Garcia Freitas, liberado para ser “tratado” depois de ser preso com 129 quilos de maconha e 270 munições. Fonte: Juliene Katayama, G1 MS.

O filho da desembargadora não é filho de qualquer um

Ainda persistimos em olhar algumas pessoas como melhores que outras. E antes que você tenda a repetir que “só no Brasil acontecem essas coisas”, preciso lhe dizer que esse fenômeno é mundial.

A guerra às drogas fomenta o uso contínuo de armamentos pelos traficantes, sendo responsáveis por boa parte das mortes por armas de fogo no Brasil.

Mas enquanto parentes de pessoas ligadas à justiça e à política não forem tratados como os traficantes do Morro da Dita, continuaremos enxugando gelo, deixando que todas as drogas cheguem facilmente aqui.

E na hora de mostrar serviço, prenderemos apenas os moleques pobres, ao invés dos vagabundos ricos. Afinal, se a lei é a mesma, a cadeia deve ser para todos. Sem distinção.

Não prender um marginal graúdo é burrice. Ou mau-caratismo mesmo.

Homicídio no Jockey, região do Morro da Dita. Foto: Foto: Julio Diniz / O São Gonçalo
Homicídio no Jockey, região do Morro da Dita. Foto: Foto: Julio Diniz / O São Gonçalo

O Morro da Dita seria assim se a guerra às drogas fosse cessada ou se o estado prendesse na fonte?

Suponho que não.

Em geral, as pessoas tendem a querer tomar partido por um caminho solucionador de todos os problemas. É legítimo. Mas nem sempre é o ideal.

Este post, entretanto, não é para discutirmos sobre a liberação ou não das drogas. E sim para que fique claro e registrado como as pessoas podem ser tratadas como lixo ou coitadinhos, dependendo de suas origens.

Tendo a acreditar que qualquer solução punitiva sempre será mais benevolente com aqueles que sempre tiveram privilégios no Brasil. A Operação Lava-Jato está deixando claro que, mesmo presos, os bandidos ricos ficam nas melhores cadeias e com as celas mais que especiais.

Por isso, fica o alerta: lembre sempre de casos como esse. E da próxima vez que protestar, faça pressão para que esses grandes traficantes ricos sejam presos e expurgados. Enquanto eles estiverem na ativa, lá no Morro da Dita e em qualquer outra favela do Brasil, continuaremos enxugando gelo.

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Levem a Maré de violência de volta pra favela https://simsaogoncalo.com.br/levem-mare-de-violencia-de-volta-pra-favela/ https://simsaogoncalo.com.br/levem-mare-de-violencia-de-volta-pra-favela/#respond Sat, 22 Jul 2017 17:05:26 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4849 Eu vinha de Aparecida, no Estado de São Paulo, e atravessava a Linha Vermelha de ônibus, domingo passado (16/07), quando o trânsito parou de repente. Logo vi que não era um simples engarrafamento carioca: policiais corriam de arma em punho e motoristas abandonavam seus carros e corriam na direção contrária. Era a violência do Complexo […]

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Eu vinha de Aparecida, no Estado de São Paulo, e atravessava a Linha Vermelha de ônibus, domingo passado (16/07), quando o trânsito parou de repente. Logo vi que não era um simples engarrafamento carioca: policiais corriam de arma em punho e motoristas abandonavam seus carros e corriam na direção contrária. Era a violência do Complexo da Maré que transbordava, de novo, ameaçando inocentes.

Bandidos interrompendo bruscamente meu passeio em família? Um absurdo! Pago meus impostos. O motorista do ônibus mandou os passageiros manterem a calma e abaixarem a cabeça, aí que o povo entrou em desespero. Chorando, minha esposa imediatamente se ajoelhou e implorou ajuda a Nossa Senhora Aparecida. Meu filho dormia e não percebeu o terror.

Motoristas e passageiros se protegem de tiros na Linha Vermelha. Foto: Zilmar

Ninguém sabia direito o que fazer porque na verdade a gente não podia fazer nada dentro do ônibus, presos pelo engarrafamento, perto do 22º Batalhão da Polícia Militar. O nervosismo levou alguns ao banheiro do veículo, outros começaram a falar descontroladamente e poucos cumpriram a ordem de abaixar a cabeça e permanecer em silêncio. Se os marginais viessem num arrastão pra cima da gente, “perdeu”.

Em vários momentos tive vontade de descer e correr pra longe, mas o medo de tomar um tiro me impedia. Famílias inteiras fizeram isso, carregando bebês, inclusive. Carros tentavam retornar e motos passavam na contramão em alta velocidade.

Nós, moradores honestos do Rio de Janeiro, não aguentamos mais. O Estado é o culpado por essa bagunça. O que é o Estado eu não sei, só sei que a culpa não é minha.

Essa preocupação absurda com direitos humanos contribuiu para a violência atingir níveis infernais no Rio, como diz o grande Jair Bolsonaro, do alto de sua sabedoria e conhecimento adquirido através de profundos estudos sociais.

Exército no patrulhamento da Linha Vermelha, altura do Complexo da Maré, na época dos jogos olímpicos. Foto: UOL
Exército no patrulhamento da Linha Vermelha, altura do Complexo da Maré, na época dos jogos olímpicos. Foto: UOL

Mandem o Exército matar os vagabundos. Explodam os barracos. Aproveitem que as Forças Armadas vão patrulhar as ruas até o fim de 2018 e permitam que façam uma limpeza atirando primeiro e perguntando depois. Alguns inocentes morrerão, assim é a guerra. Quando uma nova Maré se formar daqui a algumas décadas, após a destruição do Complexo, não estarei mais na Terra.

Tirar os direitos dos seres humanos assim que se tornam bandidos é a solução para um Brasil melhor. Algo tão simples, tão óbvio. Nada de levar em consideração a formação histórica brasileira, repleta de desigualdade.

As 140 mil pessoas que vivem na Maré, em 17 favelas, deveriam fazer sua parte. Se foram criadas sobre a pobreza, sem direito a serviços como água encanada, aproveitem a oportunidade do ensino público e melhorem de vida. Se as crianças de lá brincam descalças na rua ao lado de valas de esgoto, a culpa é dos pais, nem tudo é culpa do Estado. Se são forçadas a entrar no crime por traficantes que fazem o recrutamento dentro das escolas, não me importo, desde que o direito de ir e vir das pessoas honestas continue existindo.

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É hora de uma atitude diferente no combate à violência https://simsaogoncalo.com.br/e-hora-de-uma-atitude-diferente-no-combate-violencia/ https://simsaogoncalo.com.br/e-hora-de-uma-atitude-diferente-no-combate-violencia/#respond Mon, 03 Jul 2017 14:43:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4797 É hora de tomarmos uma atitude diferente no combate à violência: exigir desenvolvimento social. Faz tempo que a população de São Gonçalo vive com medo. Seguindo a máxima “Bandido bom é bandido morto”, tentamos matá-los, prendemos, mas não dá certo. Há sempre dois bandidos disputando a posição daquele que morreu ou foi preso. Apelamos à […]

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É hora de tomarmos uma atitude diferente no combate à violência: exigir desenvolvimento social.

Faz tempo que a população de São Gonçalo vive com medo. Seguindo a máxima “Bandido bom é bandido morto”, tentamos matá-los, prendemos, mas não dá certo. Há sempre dois bandidos disputando a posição daquele que morreu ou foi preso. Apelamos à Polícia Militar e… bem, deixa pro parágrafo seguinte. Chega de sentir medo. É hora de tomarmos uma atitude diferente no combate à violência: exigir desenvolvimento social, com a autoridade que a Constituição Federal nos confia.

Aluguel de armas, extorsão e sequestro. Escolta armada para fugas, corrupção e venda de drogas. Atividades cotidianas de uma facção criminosa fardada composta por pelo menos 11% do efetivo do 7º Batalhão de Polícia, instalado em São Gonçalo. O mesmo batalhão de onde saíram os policiais assassinos – inclusive o comandante da unidade – da juíza Patrícia Acioli, há seis anos. Se até a polícia nos traiu, a quem recorrer, senão a nós mesmos?

José Mariano Beltrame, ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro, prega que a segurança pública vai além do trabalho policial. Além de reduzir a precariedade da urbanização, é preciso dar perspectiva para a juventude, assistência social e propostas de proteção através da educação. Esse discurso jamais foi defendido pela sociedade fluminense como merecia, nem pelo governo estadual, mas faz parte da solução de qualquer país do mundo que enfrenta seriamente a criminalidade.

A pobreza é o primeiro crime. Os 25 países mais violentos ficam na América Latina e na África, regiões de baixo desenvolvimento humano. Nenhum na Europa, nem na América do Norte. Em São Gonçalo a renda per capita é inferior ao salário mínimo e somente 45,52% dos jovens de 18 a 20 anos terminaram o Ensino Médio (Atlas Brasil 2013). Quais alternativas a maioria dos jovens gonçalenses tem fora da escola? Dizer que mais da metade deles é voluntariamente vagabunda e bandida é a pior das hipocrisias. Não por acaso o município é violento.

Entre as vítimas, ao lado da população, os policiais honestos. Até o dia 17 de junho chegava a 81 o número de policiais mortos no Estado, alguns deles em São Gonçalo. Dentro da guerra sangrenta aí fora, não há meio-termo, mas heróis e bandidos. Felizmente existem heróis como os homens e mulheres da Corregedoria da Polícia Militar que participaram da caça aos criminosos corruptos da corporação semana passada.

O bonde do mal concentrado no 7º Batalhão, investigado pela Operação Calabar, era tão organizado que tinha até serviço de prevenção à inadimplência no pagamento de propina. Uma espécie de central telefônica mantinha contato com os extorquidos, traficantes de drogas de 46 comunidades. Quarenta e seis!, segundo o Jornal Extra.

Tanta opressão existe porque fazemos as exigências erradas. Ou nada exigimos, fugimos da responsabilidade. A violência só termina depois da pobreza. Há mais diferenças entre São Gonçalo e Estocolmo, a quarta cidade mais segura do mundo, do que seus índices de criminalidade.

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Violência nunca esteve tão próxima – o colapso na segurança do RJ https://simsaogoncalo.com.br/seguranca-em-colapso-violencia-nunca-esteve-tao-proxima/ https://simsaogoncalo.com.br/seguranca-em-colapso-violencia-nunca-esteve-tao-proxima/#comments Fri, 30 Jun 2017 17:53:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4774 A violência está perto. Está batendo na porta da sua casa. É visível pela janela. Feche a cortina para não participar. Desligue a TV, ela só fala do pior lado de São Gonçalo. Ainda sim, você pode acordar com barulho de tiro de madrugada. Vai saber, intuitivamente, que foi uma pistola 38, disparada mais ou […]

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A violência está perto. Está batendo na porta da sua casa. É visível pela janela. Feche a cortina para não participar. Desligue a TV, ela só fala do pior lado de São Gonçalo.

Ainda sim, você pode acordar com barulho de tiro de madrugada. Vai saber, intuitivamente, que foi uma pistola 38, disparada mais ou menos em um raio de um quilômetro. Vai torcer para ter sido só uma comemoração. Que estranho! Jogo de futebol a essa hora? Os tiros continuam, caramba! Tenta dormir para esquecer. Dormiu. No sonho, você está sendo sequestrado, o filho que você ainda não tem está sendo levado. Você acorda, eu acordo, todo mundo acorda. São 4 horas da manhã e nós ainda temos 2 horas para dormir antes de acordar para trabalhar. Mas quer saber? Vamos ficar acordados, estamos cansados de pesadelo todos os dias.

Rotatória do Zé Garoto. Foto: Fernando Bittencourt
Rotatória do Zé Garoto. Foto: Fernando Bittencourt

“Laranjas podres: quase 100 PMs são denunciados na maior operação contra corrupção de PMs no RJ. Megaoperação foi deflagrada para prender 96 PMs, 70 traficantes e outros integrantes de esquema em São Gonçalo.” – Noticiário, 29 de junho de 2017

Falsa segurança: quando as armas mudam de mãos

Voltando no tempo, precisamente no segundo semestre de 2010, gravei, junto com dois amigos, um trabalho para faculdade sobre a instalação da 6ª Unidade de Polícia Pacificadora no Morro dos Cabritos, Copacabana. Naquele momento, a implantação da unidade tinha 6 meses e o clima era de dúvida. Na fala dos moradores, a gente encontrava ansiedade na espera de uma intervenção mais social, que trouxesse infraestrutura para a comunidade. Mas o fato era que, até aquele momento, as armas tinham mudado de mãos.

Novembro de 2010, dia 25, quinta-feira.

Assisti, de uma das televisões do Pilotis da PUC, a incursão do BOPE ao Complexo do Alemão. Não lembro exatamente da minha reação, mas lembro perfeitamente do medo que senti na volta para casa, dentro do ônibus 996, viação 1001, que faz o trajeto Gávea x Charitas. Os policiais estavam parando e revistando os coletivos que iam para Niterói. Naquele momento, eu entendi que os fatos tinham relação direta, invasão dos morros e evasão dos bandidos, mas não realizei que em pouco tempo a minha cidade ia mudar drasticamente.

Morro Menino de Deus, centro de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt
Morro Menino de Deus, centro de São Gonçalo. Foto: Fernando Bittencourt

Do Galo Branco para o Rodo

Em setembro de 2013, me mudo do bairro Galo Branco para o Centro de São Gonçalo, o Rodo. A realidade me impacta logo de cara. Morar no Rodo é encontrar ruas desertas a partir das 7 horas da noite. Morava em um prédio que dava as costas para o Morro Menino de Deus, na Rua Aluísio Neiva. Aos poucos, fui entendendo a dinâmica da comunidade. A venda de drogas que acontecia, a apreensão dos moradores, os conflitos com a polícia, tudo. Ouvia tiros esporádicos à noite. Logo depois, os tiros não tinham mais hora para acontecer.

Foram três anos que vivi naquele apartamento. Três anos de muita angústia. Ao mesmo tempo que ganhei em mobilidade, com mais opções de transporte e facilidades, pela proximidade do comércio, ganhei insegurança para sair e chegar em casa. Da janela do quarto, via os traficantes com armas na pedra em cima do morro. Do outro lado, na varanda, via os policiais na rua, cobertos pela parede do edifício. Eu estava no meio da guerra. Não era um noticiário da Tv, era a minha realidade.

Quando a sensação de segurança se esvai

Um dia combinamos de levar dois sobrinhos ao cinema. Laura, minha namorada, pegou eles de carro e passou no apartamento para me buscar. Eu já tinha descido, porque ela já tinha me dado um toque no celular. Em frente ao prédio, ela passa de carro e para, vou ao seu encontro e entro no carro. Um Gol branco para na nossa frente e dá ré, sai um homem do carona… eu sabia o que ia acontecer, já tinha ouvido muitos relatos, muitos amigos e parentes já passaram por essa situação. Mas eu não queria acreditar. Comigo não, hoje não, por favor… Fomos assaltados, levaram o carro, todos a salvo. Perdemos, e não foi só o bem material, foi toda e qualquer liberdade que ainda restava. Olhando para trás, tudo mudou a partir daquele dia, nossos hábitos se moldaram a procura de proteção.

Vista para o Mutuá. Foto: Fernando Bittencourt
Vista para o Mutuá à noite. Foto: Fernando Bittencourt

Parada 40 e o velado toque de recolher

Em 2016, me mudo para o bairro Parada 40. Lugar onde estou até hoje. Começamos a morar juntos em um condomínio com segurança 24 horas. Câmeras de segurança vigiam a todos. Ruas movimentadas, próximas à famosa Rua da Caminhada. No perímetro próximo, há lanchonetes, bares, colégios e uma grande concentração de igrejas evangélicas. Além do fluxo normal de pessoas do condomínio.

Definitivamente, a Parada 40 é mais movimentada. Mas às 21 horas, as pessoas já não circulam mais. Há um toque de recolher velado. Todos sentem que não é hora de ficar na rua. O som do motor das motos assusta, qualquer carro assusta, qualquer transeunte assusta. Você não quer ter medo, mas o sentimento é maior.

Rua Aluísio Neiva, Centro de São Gonçalo: carros em alta velocidade. Foto: Fernando Bittencourt
Rua Aluísio Neiva, Centro de São Gonçalo: carros em alta velocidade. Foto: Fernando Bittencourt

Ontem de madrugada, ouvi um tiro de 38. Foi disparado, mais ou menos, num raio de um quilômetro… dessa vez, decidi que vou acordar e sonhar com um lugar melhor. Com uma cidade que não me cause medo. Em busca de dias melhores.

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Pra viver em São Gonçalo tem que perder alguma coisa https://simsaogoncalo.com.br/pra-viver-em-sao-goncalo-tem-que-perder-alguma-coisa/ https://simsaogoncalo.com.br/pra-viver-em-sao-goncalo-tem-que-perder-alguma-coisa/#comments Fri, 16 Jun 2017 14:53:26 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4695 Pra morar em São Gonçalo tem que perder alguma coisa material e imaterial. Nos quarteirões sem a presença do tráfico de drogas, e também nas ruas bloqueadas por barricadas, quando o tiro não está comendo, o cidadão sai para o trabalho, vizinhos conversam na calçada e as crianças brincam. Enquanto encontra condições mínimas, a rotina […]

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Pra morar em São Gonçalo tem que perder alguma coisa material e imaterial.

Nos quarteirões sem a presença do tráfico de drogas, e também nas ruas bloqueadas por barricadas, quando o tiro não está comendo, o cidadão sai para o trabalho, vizinhos conversam na calçada e as crianças brincam. Enquanto encontra condições mínimas, a rotina continua, mas está longe da normalidade. Diariamente toda a população de São Gonçalo perde algo de valor: o número de roubos a pedestres na cidade aumentou 82% de 2015 para 2016 (O Dia).

A própria vida pode ser perdida na porta de casa. Aconteceu em abril com a escriturária Solange Gonçalves, de 53 anos, no Porto da Pedra. Desesperado ao ver Solange baleada, seu marido implorou ajuda a um policial militar (envolvido no tiroteio que matou a mulher e possível autor do disparo) e ouviu como resposta do policial que “quem socorre é o SAMU”. Antes da vida de Solange ser perdida, o Estado do Rio perdeu o respeito pelo cidadão gonçalense.

Quanto mais pobre, maior a perda. Quem tem condições financeiras e nenhum laço emocional com a cidade, se afasta dela.

A moradora das regiões dominadas pelo tráfico perde a segurança, a liberdade e o prazer de habitar o território.

O dono do bar paga impostos às três esferas de governo e paga a bandidos por proteção contra eles mesmos. O camelô paga a fiscais corruptos para vender seus produtos ilegalmente embaixo do viaduto de Alcântara. O entregador de gás é obrigado a dar um botijão ou dois por mês para circular pelo bairro que nasceu e foi criado.

A artista perde público, mas não a esperança de um dia ter algum reconhecimento por sua arte. Ela insiste na atividade que a realiza, embora não traga nenhum retorno financeiro. Com o desemprego atingindo 30% dos jovens brasileiros, a jovem estudante do município, que oferece poucas oportunidades de trabalho, perde qualquer interesse pelo futuro.

Aquele que se desloca de manhã para trabalhar em Niterói ou no Rio de Janeiro perde horas e horas da vida nos engarrafamentos que começam cada vez mais próximos de casa. Quem passa pela BR-101, a rodovia do medo, não sabe nem se chegará ao destino: os casos de violência na estrada aumentaram quase 700% (O São Gonçalo).

Pra morar em São Gonçalo tem que perder alguma coisa material e imaterial. Não é perdida definitivamente a busca pela felicidade, obrigação humana que independe do lugar onde se vive e pode ser encontrada até nas cidades destruídas da Síria.

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O esquema para recuperar o carro do prefeito https://simsaogoncalo.com.br/o-esquema-para-recuperar-o-carro-do-prefeito/ https://simsaogoncalo.com.br/o-esquema-para-recuperar-o-carro-do-prefeito/#respond Fri, 02 Jun 2017 18:13:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4660 O que você lerá a seguir é uma narrativa de ficção, inspirada na realidade gonçalense. Contrariado, o secretário mandou duas mensagens pelo WhatsApp, a primeira para o seu braço direito, responsável pelo Serviço de Inteligência, e a segunda para o comandante da Guarda Municipal. O conteúdo foi o mesmo: “Roubaram carro prefeito corola prata atividade”. […]

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O que você lerá a seguir é uma narrativa de ficção, inspirada na realidade gonçalense.

Contrariado, o secretário mandou duas mensagens pelo WhatsApp, a primeira para o seu braço direito, responsável pelo Serviço de Inteligência, e a segunda para o comandante da Guarda Municipal. O conteúdo foi o mesmo: “Roubaram carro prefeito corola prata atividade”.

O telefone do Secretário Municipal de Segurança Pública tocou depois das nove da noite.

– Porra, secretário, acabaram de roubar o carro do prefeito! Meteram a pistola na nossa cara e ameaçaram matar o homem aqui na Rua General Barcelos, esquina com a Avenida Presidente Kennedy.

– O que vocês estavam fazendo aí a essa hora, Marcão? Já disse que a cidade está violenta, o prefeito precisa encerrar o expediente mais cedo.

– A gente trabalhou até tarde hoje pra resolver aquela merda do lixo que não é recolhido. No caminho pra casa dele, dois marginais apareceram do nada na frente do carro gritando “Perdeu, perdeu”. Só deu tempo de sair do veículo.

– Tá. Pega um Uber aí, leva o prefeito pra casa e amanhã a gente conversa. Quem está perdendo o capítulo da novela sou eu.

– Vê o que o senhor pode fazer, por favor.

Contrariado, o secretário mandou duas mensagens pelo WhatsApp, a primeira para o seu braço direito, responsável pelo Serviço de Inteligência, e a segunda para o comandante da Guarda Municipal. O conteúdo foi o mesmo: “Roubaram carro prefeito corola prata atividade”. Quando recebeu a confirmação de visualização das mensagens, o secretário de Segurança Pública se sentiu mais tranquilo. No dia seguinte um agente secreto da Inteligência deu o pronto.

– Secretário, achamos o carro do prefeito. Mandamos deixar lá em Guaxindiba.

– Ótimo, depois entrega a conta do resgate ao secretário de Fazenda e diz que eu mandei. Qual o estado do veículo? Algum estrago?

– Não, tá inteiro. Tem os pertences do prefeito, do Marcão e também tá cheio de bolsa, celular, relógio… usaram o carro pra fazer arrastão até Itaboraí.

– Esses caras estão de sacanagem, não respeitam nem o prefeito, são uns animais.

– É, desse jeito não dá pra trabalhar. Não se contentam em roubar só a população. O senhor vem pro local?

– Guaxindiba é longe pra cacete, vou não. Ainda nem tomei café.

– A imprensa chegou antes da gente, estão fotografando o veículo. O comandante da Guarda Municipal acabou de chegar.

– Merda, então tenho que ir. Segura os jornalistas aí que eu preciso aparecer na foto, senão vão achar que foi só trabalho da Guarda. A oposição tá querendo derrubar todo mundo.

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Liga o alerta aí, amor https://simsaogoncalo.com.br/liga-o-alerta-ai-amor/ https://simsaogoncalo.com.br/liga-o-alerta-ai-amor/#respond Thu, 25 May 2017 20:11:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4655 Liga o alerta aí, amor, acende a luz interna e abaixa o farol e os vidros do carro. Liga o alerta aí, amor, porque você está entrando em São Gonçalo. Nossa cidade é escura e o motorista que esquece de piscar as luzes do veículo entra em depressão. Não me entenda mal, não é uma […]

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Liga o alerta aí, amor, acende a luz interna e abaixa o farol e os vidros do carro.

Liga o alerta aí, amor, porque você está entrando em São Gonçalo. Nossa cidade é escura e o motorista que esquece de piscar as luzes do veículo entra em depressão.

Não me entenda mal, não é uma ameaça. Castigo da insensibilidade humana no século 21, ligar o alerta para afastar a depressão é altamente recomendável. Além disso, o Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo. Combinado esse índice com a grande quantidade de lâmpadas queimadas nos postes, corremos o perigo da tristeza à noite.

Tirando as lâmpadas queimadas e o engano que cometeram com o prefeito (a Guarda Municipal rebocou o carro dele), São Gonçalo vai muito bem, obrigado. As brigas entre grupos de escoteiros – que estavam levando a população à loucura – diminuíram bastante. As coisas estão no seu devido lugar, cada um respeita o espaço do outro.

Em muitos bairros foram criadas ruas exclusivas para o lazer e segurança da população, como aquelas que existem na Barra da Tijuca. Para fazer o isolamento as associações de moradores usaram paletes que pegaram no CEASA, pintaram de branco e penduraram flores, ficou uma coisa linda. Enquanto na Barra os caras têm dinheiro pra instalar cancelas que sobem e descem tocando música clássica, com vigia, wifi e tudo. A diferença fica na qualidade da infraestrutura. A satisfação que existe lá, temos aqui.

Somos uma cidade alegre, mas pobre e sem árvores no centro urbano, não dá pra comparar tanto com os bairros nobres do Rio. Ah, o Rio de Janeiro tem um agravante: bandidos demais. Tenho medo de andar naquele lugar.

Colocamos os meninos a partir de 14 anos uniformizados no topo do morro pra vigiar a circulação de motoristas depressivos. Como frequentemente são liberados mais cedo da escola, conseguem conciliar os estudos com a carreira, remunerada, de observador. Mantemos os adolescentes ocupados para que não se tornem adultos infelizes.

Em algumas ruas distribuem suco natural, sanduíche integral e açaí para a criançada. Em outras colocaram videogames e fliperamas, veja só que festa. Ajudar na recuperação de jovens com sinais de melancolia, coisa que o Estado falido não faz, é prioridade das associações.

Liga o alerta aí, amor, acende a luz interna e abaixa o farol e os vidros do carro. Sintonize o rádio naquela estação que adoro e vamos seguir em paz, com um sorriso no rosto. São Gonçalo é uma cidade livre, amiga, nada aqui é forçado não.

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Já comprou produto roubado? Recordes no roubo de carga e o consumidor https://simsaogoncalo.com.br/recordes-roubo-de-carga-e-consumidor/ https://simsaogoncalo.com.br/recordes-roubo-de-carga-e-consumidor/#comments Wed, 26 Apr 2017 18:03:09 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4538 Há um ano e meio atrás, peguei um Uber no Rio. Conversando com o motorista, pra variar, falei que sou de São Gonçalo e tal. Ele me respondeu que conhecia a cidade. Tinha sido motorista por aqui e tinha medo. Disse que cidade era bem conhecida por eles por conta dos frequentes roubos de cargas. Meses depois, ainda em […]

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Há um ano e meio atrás, peguei um Uber no Rio. Conversando com o motorista, pra variar, falei que sou de São Gonçalo e tal. Ele me respondeu que conhecia a cidade. Tinha sido motorista por aqui e tinha medo. Disse que cidade era bem conhecida por eles por conta dos frequentes roubos de cargas.

Meses depois, ainda em 2016, uma parente minha foi até uma loja comprar uma máquina de lavar. Na hora de especificar a entrega, a pergunta: “É no Rocha, Galo Branco ou pela região? Porque, se for por ali, a gente não está fazendo entrega. Nosso caminhão não vai lá por causa dos roubos.”

Pensei em publicar algo naquele momento, mas achei precipitado. Não era. Em 2016, os roubos de cargas no estado do Rio de Janeiro chegariam a 9.870 casos registrados.

São Gonçalo não está sozinha nessa. Baixada e capital estão conosco, juntas nesse drama.

Índice dos roubos de cargas no Rio de Janeiro de 2013 a 2016.
Índice dos roubos de cargas no Rio de Janeiro de 2013 a 2016. Infografia: RJTV. Fonte: ISP – Instituto de Segurança Pública.

Índices de roubo de carga no Rio de Janeiro (ISP-RJ)

  • 2013: 3.534 casos
  • 2014: 5.890 casos
  • 2015: 7.225 casos
  • 2016: 9.870 casos

Possível explicação para o crescimento do roubo de carga

Depois de 2010, com a invasão do Morro do Alemão e o crescimento das UPPs, o crime se espalhou pelo estado inteiro. São Gonçalo, como sabemos, abrigou alguns dos refugiados das favelas que receberam as Unidades de Polícia Pacificadora.

Entretanto, aqueles que saíram para as cidades do leste Fluminense e da Baixada não ficaram de bobeira. Pelo contrário. Os comerciantes de drogas buscaram treinar e equipar suas “filiais”. A piora do crime nos últimos 7 anos foi sensível.

A presença de armas de grosso calibre no Morro da Coruja, Salgueiro, Feijão, Rua da Feira, Morro da Dita, da Caixa d’água, Chumbada, entre outras diversas regiões como na baixada, zonas norte e oeste deixaram os bandidos ainda mais fortalecidos no estado.

Vila Três, Alcântara – São Gonçalo
Homicídio ocorrido no Morro da caixa d’água, bairro do Vila Três em 2015.

Mas aí, a crise econômica chegou.

E as bocas de fumo, pontos de venda de drogas, sentiram a crise. Afinal, o tráfico de drogas também é um comércio.

No primeiro momento, foram os roubos a pedestres que subiram. Mas os constantes assaltos para pegar jóias, dinheiro e celular mudaram hábitos. Fizeram as pessoas andar com pouquíssimo dinheiro na carteira e quase nenhum anel, pulseira e colar. Tem gente que nem celular mais leva pra rua.

Os bandidos perceberam isso. Perceberam também que seus parentes estavam sendo assaltados.

Viram que os celulares roubados precisavam ser vendidos. Mas, como, se a crise está deixando todos com menos dinheiro?

Foi aí que algum desses gênios do crime olhou para a tática dos milicianos.

Na milícia, se vende gás, gato net, cobra-se taxa de segurança, do transporte alternativo… ou seja, todos os produtos/serviços do dia-a-dia das pessoas.

São esses produtos/serviços que não param de vender nem por um segundo. São eles que dão dinheiro vivo na mão. Todo dia, toda hora. Especialmente da população mais pobre, que não faz transações bancárias com cartões de débito e crédito com a mesma densidade que aqueles com maior renda.

Roubo de cargas no Rio de Janeiro
São Paulo e Rio de Janeiro, um dos eixos mais perigosos para o transporte de cargas no planeta. Foto: Blog do caminhoneiro.

Com bandidos bem armados, equipados e com o território dominado, as estradas se tornaram um alvo fácil. E o meio de roubar produtos para vendê-los mais baratos dentro das comunidades e bairros mais pobres mostrou-se um ótimo negócio.

Nesse fluxo, transformaram o eixo Rio-São Paulo num dos lugares mais perigosos para cargas no mundo.

Isso. Você não leu errado: Rio e São Paulo é a região responsável por quase 88% dos roubos de cargas do Brasil e uma das regiões mais perigosas para o transporte de cargas no planeta.

Só no estado do Rio, acontecem 43,7% dos crimes deste tipo.

Veja: o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. O RJ tem pouco mais de 16 milhões. Se só aqui temos quase metade dos crimes de roubo de cargas, com uma população pouco menor que um décimo, há algo bem errado.

E você, consumidor, o que tem a ver com isso?

O Rio de Janeiro é um estado rico com uma população pobre. Segundo maior PIB do Brasil, com um dos maiores índices de trabalho informal. Gente que vive com pouco, na corda bamba, sem crédito fácil, muito menos barato.

Terreno fértil para agiotas e para aqueles que vendem produtos roubados.

Roubos de carga e o prejuízo aos Correios Foto: Guito Moreto/Jornal Extra.
Roubos de carga e o prejuízo aos Correios Foto: Guito Moreto/Jornal Extra.

Correios e as ‘áreas de risco’

Um dos problemas que muitos gonçalenses e moradores de regiões com alto índice de roubos e furtos de carga sofrem é com essa rotulação dos correios. Infelizmente, aqueles que mais transportam cargas para o consumidor final, diretamente para suas casas, são um dos alvos prediletos.

E aquele seu pedido, que você aguardava há tanto tempo, pode ter parado nas mãos de bandidos.

A própria agência dos Correios, ali no Zé Garoto, já foi roubada e furtada algumas vezes nos últimos tempos. Era comum ver o local fechado, porque os funcionários, ao chegar para trabalhar, se deparavam com a loja arrombada.

Um aviso sobre a falta de funcionamento estava no portão da unidade do Zé Garoto ontem Foto: Leonardo Ferraz
Um aviso sobre a falta de funcionamento estava no portão da unidade do Zé Garoto. Foto: Leonardo Ferraz / O São Gonçalo

Um crime que financia outro contra você

Quando compramos produtos roubados financiamos quem está roubando. Não serei hipócrita, pondo a culpa completa no consumidor. Até porque, com o baixo nível educacional e de renda que temos em nossa população, exigir que ela prefira os produtos da loja pode ser uma piada, uma vez que, talvez, as pessoas nunca tenham acesso aos bens que tanto veem nas propagandas a todo momento.

Educação e ética são pontos complicados em nossa sociedade. É claro que todos precisam tê-las. Mas nem sempre são esses argumentos que podem convencer alguém a não escolher produtos baratos que foram roubados.

Porém, esse pode servir: quem te vende esses produtos hoje, comprará aquelas armas que te assaltarão nas ruas amanhã. Ou assassinar um parente seu. Simples assim.

O crime de receptação de produtos roubados, financia aquele que rouba. Este, por sua vez, insere dinheiro na economia do crime. E o ciclo continua.

Escassez e encarecimento dos produtos

Talvez isso já aconteça em menor escala.

Sabe aquele produto que não chega mais ao mercado com frequência? Ou aquele outro que só se acha na outra cidade? Ou ainda mais: cadê aquelas “marcas A”? Será que deram lugar às “marcas B” de vez?

O que te faz pensar que um fabricante ou transportadora irá querer voltar numa região que já os roubaram tantas vezes? Será que, mesmo com um PIB tão grande, valerá a pena trabalhar com um mercado onde há tantos crimes?

Esse tipo de raciocínio passa longe de nós. Mas em momentos de crise, onde as vendas diminuem, essas substituições de marcas de qualidade por outras são comuns. Porém, neste caso, a vontade de não ser roubado do fabricante é maior que o desejo do consumidor.

E quem paga no final? Nós. Afinal, os poucos produtos que chegaram, vieram com um aparato de segurança tão grande que os encarecerão ainda mais.

Soluções possíveis

Mais que não comprar produtos roubados, da nossa parte, ou ampliar os investimentos em segurança, da parte dos comerciantes, acredito que temos outros gargalos a repensar. Especialmente na questão da reforma tributária.

Enquanto nossos impostos não forem revistos e redistribuídos, produtividade e logística continuarem sendo complicadores dentro do Brasil, nossos produtos continuarão extremamente caros para a população mais pobre. Que, naturalmente, é um dos clientes preferidos por aqueles que acham ser, mas não tem nada de Robin Hood.

Como nada disso vai acontecer tão cedo, os nossos bandidos vão se aproveitando das brechas abertas na segurança do estado pela crise econômica.

Paliativos serão feitos. Mas sabemos quem sofrerá com isso no final: Nós.

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Polícia também é bom exemplo para crianças – a história Raphael https://simsaogoncalo.com.br/policia-bom-exemplo-para-criancas-historia-raphael/ https://simsaogoncalo.com.br/policia-bom-exemplo-para-criancas-historia-raphael/#respond Thu, 13 Oct 2016 13:47:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4142 Filho do meio de uma inspetora de alunos e um pintor, o estudante Raphael Lopes Silva, 7 anos, sempre teve admiração pela Polícia Militar. Morador do bairro Vila Três, em São Gonçalo – região que tem sido palco de disputas entre quadrilhas de facções rivais -, nunca teve dúvidas sobre a figura que via como […]

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Filho do meio de uma inspetora de alunos e um pintor, o estudante Raphael Lopes Silva, 7 anos, sempre teve admiração pela Polícia Militar. Morador do bairro Vila Três, em São Gonçalo – região que tem sido palco de disputas entre quadrilhas de facções rivais -, nunca teve dúvidas sobre a figura que via como exemplo para seguir.

“É algo que não tem explicação. Desde bem pequeno, não podia ver um PM na rua que saía correndo para cumprimentar. Os policiais às vezes até ficam assustados”, conta a mãe, a inspetora de alunos Daiana Lopes, 28 anos.

Casada com o pintor Carlos da Silva, 36, com quem tem outros dois filhos – de 6 e 10 anos – ela resolveu dar um presente para o filho, que completa 8 anos na próxima sexta-feira, dia 14 de outubro (dois dias após o Dia das Crianças): levá-lo para conhecer o batalhão da Polícia Militar responsável pelo policiamento ostensivo e patrulhamento nas ruas do município onde moram.

Sustentando sozinha a casa há dois anos, quando o marido ficou desempregado, a inspetora de alunos não poderia fazer uma festa de aniversário para o menino, mas acabou surpreendida por integrantes do movimento #basta – que desde 2009 atua na divulgação do número de policiais mortos e baleados no Estado do Rio e denuncia a falta de estrutura e condições de trabalho a que os PMs são submetidos.

Quando chega ao nosso conhecimento a existência de histórias assim, de crianças que admiram quem merece, é que reacende a chama da esperança em dias melhores. Afinal, são elas que no futuro estarão contribuindo de forma positiva ou atuando de forma negativa na vida de todos nós. É preciso estimular esses bons sonhos.

Quando criamos o #basta, tínhamos como objetivo valorizar a imagem das Policías e dos policiais, divulgando as ações do dia a dia, fazendo com que os bons exemplos chegassem à população.

Festa surpresa para o pequeno Raphael

Com o apoio do comandante do 7ºBPM , coronel Samir Vaz, estamos organizando uma festa surpresa para o pequeno Raphael e arrecadando doações tanto para a comemoração como para a família, pois o pai do menino tem encontrado dificuldades de se recolocar no mercado por não ter concluído o Ensino Médio. Doações de alimentos não perecíveis podem ser entregues no próprio batalhão. Itens para a festa podem ser entregues diretamente a gente.

Serviço:
Local: 7º BPM
Endereço: Rua Doutor Alfredo Backer, Alcântara, São Gonçalo
Data: 14/10/2016, sexta-feira
Horário: 15h
Contato: Jornalista Roberta Trindade [WhatsApp (21) 96430-0887]
http://www.facebook.com/RobertaTrindadeRJ

 

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Uma coisa é a polícia. Outra é o policial. https://simsaogoncalo.com.br/uma-coisa-e-policia-outra-e-o-policial/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-coisa-e-policia-outra-e-o-policial/#respond Wed, 29 Jun 2016 14:49:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3769 A maioria dos policiais vieram de famílias pobres ou sem muita estrutura financeira. Boa parte são negros, moradores de favelas e periferias da Região Metropolitana do RJ. Quando foram decidir suas carreiras profissionais, as oportunidades eram sempre de sub-empregos. Esses trabalhos os colocariam no papel de um funcionário sem poder, sem autonomia e sem muitos direitos. É […]

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A maioria dos policiais vieram de famílias pobres ou sem muita estrutura financeira. Boa parte são negros, moradores de favelas e periferias da Região Metropolitana do RJ.

Quando foram decidir suas carreiras profissionais, as oportunidades eram sempre de sub-empregos. Esses trabalhos os colocariam no papel de um funcionário sem poder, sem autonomia e sem muitos direitos. É nesse momento que aparece a figura da Polícia, te dando uma arma, poder, respeito e direitos (as vezes inventados por eles mesmos).

Só esse ano, mais de 100 policiais foram baleados. Outros 50 foram mortos. Todos eles fazem parte da parcela dos jovens negros de origem popular que morrem todos os dias pelo Brasil. Esses caras estão com salários atrasados, atrasos nos pagamentos dos programas de complementação de renda, mal alimentados e com uma arma na mão.

Os “policias”, na maioria das vezes, saem de lugares muito hostis. São obrigados a se mudar por conta da segurança, para evitar problemas para sua família, etc.

É preciso tratar a Polícia como Instituição, cobrando e punindo seus erros. Cada policial é um universo de contradições gigantes, precisando de apoio psicológico e estrutural para não enlouquecer.

É preciso lembrar que uma coisa é a instituição, outra é o policial. Precisamos criticar a instituição, mas respeitar o policial.

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Violência não traz Justiça https://simsaogoncalo.com.br/violencia-nao-traz-justica/ https://simsaogoncalo.com.br/violencia-nao-traz-justica/#respond Mon, 20 Jun 2016 18:47:06 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3743 Um gonçalense de 34 anos foi assassinado a pauladas, socos, chutes e pedradas no Barro Vermelho, semana passada. Os golpes desfiguraram seu rosto e dificultaram a identificação do corpo pela família. Francisco Rocha era casado, tinha dois filhos pequenos (4 e 6 anos) e um enteado de 16 anos de idade. A perícia apontou que o grupo que […]

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Um gonçalense de 34 anos foi assassinado a pauladas, socos, chutes e pedradas no Barro Vermelho, semana passada. Os golpes desfiguraram seu rosto e dificultaram a identificação do corpo pela família. Francisco Rocha era casado, tinha dois filhos pequenos (4 e 6 anos) e um enteado de 16 anos de idade.

A perícia apontou que o grupo que matou Francisco era composto por mais de 10 pessoas, talvez ligadas ao tráfico de drogas da região, de acordo com informações passadas por moradores, que também disseram que a vítima teria cometido assaltos no bairro.

A aprovação deste crime bárbaro por parte da população que acredita na justiça feita pelas próprias mãos é tão grave quanto o crime em si. Violência não traz Justiça. A família de Francisco alega que ele trabalhava como carpinteiro e lutava contra a dependência química, classificada como transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde. Se as investigações provarem que também era assaltante, Justiça seria julgá-lo tendo como objetivo a ressocialização, como qualquer povo civilizado faria.

É fato que a população gonçalense é refém do medo de ser assaltada, estuprada, assassinada. Mas espancar outros seres humanos até a morte não eliminará a ação das facções criminosas que dominam parte do território municipal, espalhando a violência, e recrutam crianças e jovens para o tráfico de drogas como seus soldados. Igualdade social foi a solução encontrada – a única possível – pelos países que apresentam os maiores níveis de segurança no mundo, como a Nova Zelândia.

Não é a primeira vez que alguém é espancado até a morte em São Gonçalo e os índices de homicídio, roubo de veículos e assalto à pedestres explodiram, segundo o Instituto de Segurança Pública. O que virá após o espancamento no meio da rua? Vamos trucidar, cortar e comer a carne quente da vítima sentados na calçada batendo um papo? Tão acostumados a ela, assustar bandidos com violência e vê-los fugindo da cidade com o rabo entre as pernas não parece uma expectativa sensata.

Se o sistema inteiro falhou, dominado pela burocracia e corrupção, da polícia militar ao juiz criminal, a sociedade depende ainda mais da resistência e sanidade de seus cidadãos.

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Estão matando a nossa polícia – o território dominado https://simsaogoncalo.com.br/estao-matando-a-nossa-policia-o-territorio-dominado/ https://simsaogoncalo.com.br/estao-matando-a-nossa-policia-o-territorio-dominado/#respond Sat, 21 May 2016 07:05:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3653 Há cerca de 5 anos atrás, enquanto muitos comemoravam a política das UPPs, a gente já previa os tempos difíceis. Digo “a gente” porque eu não estava sozinho nessa. Não mesmo! Certamente, você e seus amigos, colegas e familiares já pensavam a mesma coisa que eu: esse câncer chamado tráfico de drogas e armas vai se espalhar para o […]

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Há cerca de 5 anos atrás, enquanto muitos comemoravam a política das UPPs, a gente já previa os tempos difíceis. Digo “a gente” porque eu não estava sozinho nessa. Não mesmo! Certamente, você e seus amigos, colegas e familiares já pensavam a mesma coisa que eu: esse câncer chamado tráfico de drogas e armas vai se espalhar para o Rio de Janeiro inteiro e chegar em São Gonçalo com força total.

No passado, muitos ainda desqualificavam quando os moradores diziam que após a ECO 92 o crime chegou com mais força por aqui. Na Conferência Mundial do Meio Ambiente do início da década de 90, o exército foi para as ruas da capital para deixar a situação mais calma durante o evento. Hoje, com os ventos da Copa e da Olimpíada, o mesmo aconteceu. A diferença é que o dinheiro acabou antes do tempo, e o que já era ruim, ficou pior pra todo mundo.

Exército na Eco 92 – Rio de Janeiro

Exército nas ruas na Eco 92, Rio de Janeiro (capital).

 

Por aqui, como uma doença sem cura, a bandidagem mais que se espalhou, se profissionalizou. Instalou suas bases no Morro da Coruja, recrutou alguns garotos no Feijão, Mutuapira, Chumbada, Dita, Caixa D’Água, Rua da Feira, formando um pequeno exército de homens recém-chegados à maioridade, cuja única missão é gastar o resto de suas vidas dando a cara a tapa, ficando presos em suas comunidades, enquanto grandes traficantes ficam cada vez mais ricos e livres.

Mas o maior golpe estava por vir. Aproveitando-se da incompetência do estado brasileiro, da trapalhada do governo federal com a Comperj, somada ao corpo mole dos governos municipal e estadual, os traficantes, sempre alguns passos à frente da polícia, viram a oportunidade única de montar uma fortaleza em São Gonçalo. A posição privilegiada, de frente para a Baía de Guanabara, não poderia ser melhor. De graça, ainda ganharam a ponte construída pela Petrobras, ligando o Salgueiro ao Jardim Catarina, por cima do rio Alcântara. Agora, com livre acesso à toda a região leste fluminense, o tráfico estava livre para expandir seus negócios por aqui.

Mapa de São Gonçalo – Palmeiras e Jardim Catarina

Mapa da região do Salgueiro, Palmeiras, Fazenda dos Mineiros e Jardim Catarina, por onde passa a ponte construída pela Petrobras para o Comperj.

 

O resultado de hoje é fruto de todo esse processo. Nós, que já não tínhamos uma polícia proporcional à nossa população, perdemos o direito de ir e vir, sem falar na vida de crianças e adultos, com as incontáveis balas perdidas que sempre encontram alguém por aí. Ganhamos armas incríveis, capazes de disparar dezenas de balas por segundo, enquanto a nossa polícia não consegue se multiplicar na mesma velocidade, por conta da incompetência do poder público. Para complicar ainda mais a situação, precisamos banir as brechas do judiciário e a discórdia entre as polícias civil e militar que, na verdade, deveriam ser uma só.

Com o território dominado, o poder paralelo do crime se afirma como oficial. Estamos sendo derrotados, vendo a PM retirar seu posto policial da comunidade do Salgueiro como se estivesse sido expulsa do local. Moralmente, estão matando a nossa polícia. Se antes, o secretário José Mariano Beltrame era a salvação, hoje ele é mais um nesse governo moribundo, que vê seus órgãos morrerem um a um sem poder para agir.

Cabine de polícia saindo do território do Salgueiro – São Gonçalo

São tempos difíceis. Se antes pensávamos que o pior estava por vir, hoje temos a certeza de que ele chegou.

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O dia que o lixo da Panisset foi recolhido por Mulim https://simsaogoncalo.com.br/o-dia-que-o-lixo-da-panisset-foi-recolhido-por-mulim/ https://simsaogoncalo.com.br/o-dia-que-o-lixo-da-panisset-foi-recolhido-por-mulim/#comments Mon, 02 May 2016 06:01:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3577 Na última semana de abril de 2016, recebi no inbox do SIM São Gonçalo uma imagem com a publicação da coluna da Berenice Seara do Jornal Extra, dizendo: “Favor divulgar, Matheus, pois só falar mal é complicado.” A imagem continha a seguinte nota: “Prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim (PR) só faltou soltar fogos ao pagar a última parcela da […]

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Na última semana de abril de 2016, recebi no inbox do SIM São Gonçalo uma imagem com a publicação da coluna da Berenice Seara do Jornal Extra, dizendo: “Favor divulgar, Matheus, pois só falar mal é complicado.” A imagem continha a seguinte nota: “Prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim (PR) só faltou soltar fogos ao pagar a última parcela da dívida deixada por Aparecida Panisset (PDT) com a empresa de lixo. Além de R$2 milhões mensais pelos serviços prestados, ele pagava R$800.000 (oitocentos mil) de débito da antecessora.” Diante dessa notícia, o meu veredicto: apesar da irresponsabilidade e da péssima gestão Panisset, o governo atual não fez mais que sua obrigação. E vou te explicar o por quê.

 

Jornal Extra – Berenice Seara

 

É curioso ver a posição de alguns cidadãos brasileiros. O comportamento que encontramos em São Gonçalo é facilmente achado em outras cidades no país. As pessoas acreditam mesmo que os governantes estão fazendo um favor quando conseguem colocar as contas públicas em ordem. Veja, isso é uma obrigação! Errado é não cumprir as promessas de campanha, não ter responsabilidade fiscal, seja por má fé ou por negligência na hora de estudar o básico no quesito “economia da cidade”.

Numa continha simples, que qualquer garoto de 4ª série resolve, visualizamos que São Gonçalo, hoje, paga cerca de 24 milhões de reais anuais para a coleta de lixo. Entretanto, no ano passado, esse mesmo dinheiro era desembolsado em apenas 6 meses! Como visto na matéria do Jornal Extra de 2015, Mulim ainda fazia como no governo Panisset, contratando a empresa por contratos emergenciais de 180 dias por uma bagatela de R$ 25,8 milhões.

Dado os absurdos, é fato que com um bom planejamento e mais pessoas competentes na prefeitura, talvez fosse possível ter implementado essa nova empresa municipal, não ficando refém, por mais alguns anos, dessa coleta de lixo terceirizada que sempre falha na cidade. Se existe algo que gostaríamos muito de saber, e que estava presente no material de campanha de 2012, é o motivo dessa companhia de lixo municipal não ter sido criada no atual mandato.

Portanto, dizemos e repetimos: prefeito Neilton Mulim não fez mais que a sua obrigação. E que Aparecida Panisset seja lembrada para sempre pela incompetência de seu governo. Ambos não mereciam ser prefeitos da 16ª maior cidade do Brasil.

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Cidade que mata crianças https://simsaogoncalo.com.br/cidade-que-mata-criancas/ https://simsaogoncalo.com.br/cidade-que-mata-criancas/#respond Wed, 23 Mar 2016 18:10:44 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3557 Se o assassinato de apenas uma criança em qualquer lugar do mundo é tragédia inconsolável, o que dizer do assassinato de uma criança e dois adolescentes na mesma cidade, São Gonçalo, em menos de uma semana? Significa a ruína absoluta da sociedade gonçalense e brasileira. Os aparelhos de segurança, as instituições de proteção social e a organização do Estado […]

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Se o assassinato de apenas uma criança em qualquer lugar do mundo é tragédia inconsolável, o que dizer do assassinato de uma criança e dois adolescentes na mesma cidade, São Gonçalo, em menos de uma semana? Significa a ruína absoluta da sociedade gonçalense e brasileira. Os aparelhos de segurança, as instituições de proteção social e a organização do Estado foram criados e evoluíram com intuitos opostos à destruição da vida em estágio inicial.

Ana Beatriz, a mais nova, foi a primeira vítima. Ela tinha 5 anos. Ver as fotos dela publicadas pela imprensa transmite a noção exata do fracasso social. Não há sangue ou tristeza nas fotos, mas a alegria perdida. Bia brincava com outras crianças durante uma festa na casa de um tio, no bairro Santa Catarina, dia seis de março. De repente foi atingida na cabeça por um tiro que ninguém – polícia e parentes presentes – sabe de onde veio, e caiu. Ao acaso, displicentemente, como alguns jogam as cinzas do cigarro no chão com um peteleco.

A fatalidade que parece surreal, no entanto é típica de zonas guerra, se repetiu: dois dias após a morte de Bia no Hospital Estadual Alberto Torres, João Victor foi baleado, também na cabeça, brincando com amigos na rua Oscarina Maciel, no bairro Mutuapira. Socorrido, morreu horas depois no mesmo hospital onde a menina ficou 4 dias internada. Aos 14 anos de idade, João curtia as emoções únicas desta fase em que ainda brincamos como crianças e aprendemos a paquerar. “Bala perdida”, disseram os jornais, mas não há balas perdidas na Síria ou no Brasil. Quando disparadas elas não escolhem vítimas entre bandidos, heróis e garotinhas brincando em festas de aniversário.

No domingo (13/03) foi a vez de Ygor (16 anos) ser assassinado no Jockey, um dia depois de João Victor. Como dez adolescentes entre 16 e 17 anos são baleados e morrem por dia no Brasil (Mapa da Violência), parte da imprensa não consegue identificá-los antes de publicar a notícia, foi difícil achar o nome de Ygor. Pobre e negro, como a esmagadora maioria, ele chegou a ser espancado pelos assassinos após deixar uma lanchonete. Muitos brasileiros desejam que adolescentes infratores a partir de 16 anos sejam presos, mas o Mapa da Violência mostra um problema mais grave sem a devida atenção da população. Ygor iria para Curitiba mês que vem realizar o sonho de ser jogador de futebol.

A morte de crianças e adolescentes vítimas da violência que os adultos criaram é o único crime imperdoável de uma sociedade.

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A vida não vale nada em Rio do Ouro https://simsaogoncalo.com.br/a-vida-nao-vale-nada-em-rio-do-ouro/ https://simsaogoncalo.com.br/a-vida-nao-vale-nada-em-rio-do-ouro/#comments Mon, 14 Dec 2015 16:23:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3408 Dois irmãos foram assassinados na Favela da Linha, em Rio do Ouro, no início deste mês. Trabalhadores ou bandidos, não importa, eram jovens gonçalenses no princípio da vida – 21 e 18 anos de idade – que cresceram na comunidade e foram vítimas da crueldade do tráfico de drogas, que ocupa o lugar de direitos […]

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Dois irmãos foram assassinados na Favela da Linha, em Rio do Ouro, no início deste mês. Trabalhadores ou bandidos, não importa, eram jovens gonçalenses no princípio da vida – 21 e 18 anos de idade – que cresceram na comunidade e foram vítimas da crueldade do tráfico de drogas, que ocupa o lugar de direitos humanos básicos em diversas regiões de São Gonçalo.

Mato, lixo, valões imundos, ruas improvisadas esburacadas, estreitas e bocas de fumo. Entre tais calamidades crescem as crianças em Rio do Ouro, Engenho do Roçado, Ipiíba e bairros adjacentes. Violência, abandono e sujeira são os aparelhos à disposição dos jovens. São bairros que nos lembram da imensidão do município, da falta aguda de infraestrutura que muitos moradores do Centro e frequentadores da revigorada noite gonçalense fingem não existir, preferem esquecer, por preconceito ou vergonha.

Quando uma criança sai da escola e vai para rua mais cedo porque a merenda acabou ou não tem professor. Quando um jovem abandona o Ensino Fundamental aos 16 anos, perambula sem opções de emprego, nem lazer, e fuma seu primeiro baseado. Aí que inicialmente a vida perde seu valor. O crime começa antes do gatilho ser apertado. Que responsabilidade tem o prefeito Neilton Mulim sobre a morte de Wanderson e Richard, os jovens do Rio do Ouro, como tantos outros executados frequentemente? Mulim recebeu mais de R$ 7 milhões em verbas federais para construir dois centros de artes e esportes unificados, um em Neves, outro no Colubandê, mas enfiou os projetos no meu rabo de cidadão. Os centros, que deveriam ter sido inaugurados até o fim de 2014 e teriam opções saudáveis para a juventude como biblioteca, pista de skate, quadras etc, são até o momento apenas um grande incômodo traseiro, pois teriam 7.000 m², os maiores modelos do Brasil.

E que responsabilidade tem o gonçalense que escreve e lê artigos sobre o assunto? A culpa pode não ser direta, no entanto, nossa omissão é óbvia: enquanto sociedade, nós que atribuímos o valor que a vida tem. Vemos o mal acontecendo e nada do que está ao alcance fazemos. Nada fazemos. A notícia da morte dos irmãos teve destaque apenas no pior jornal da cidade, sedento por sangue.

Não conheço respostas para São Gonçalo, somente perguntas. Acho que podemos dedicar uns minutos de conversa ou emprestar um livro àquele vizinho “tão novo e já fazendo coisas erradas”.

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O Vila Três não é mais o mesmo https://simsaogoncalo.com.br/o-vila-tres-nao-e-mais-o-mesmo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-vila-tres-nao-e-mais-o-mesmo/#respond Wed, 02 Sep 2015 14:11:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3148 Cheguei ao Vila Três em 1989, aos 7 anos de idade. Quando o caminhão que trazia a mobília da família alcançou a esquina da rua onde moro até hoje, fiz meu primeiro amigo no bairro. Da janela do caminhão, sem ao menos pisar em solo gonçalense. Assim que o veículo parou, desci minha bicicleta da carroceria e pedalei com […]

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Cheguei ao Vila Três em 1989, aos 7 anos de idade. Quando o caminhão que trazia a mobília da família alcançou a esquina da rua onde moro até hoje, fiz meu primeiro amigo no bairro. Da janela do caminhão, sem ao menos pisar em solo gonçalense. Assim que o veículo parou, desci minha bicicleta da carroceria e pedalei com meu novo amigo. Nessa mesma rua, mês passado, eu observava meu filho andando de bicicleta quando dez bandidos armados nos mandaram correr e buscar abrigo, porque o tiroteio iria começar. Antes acolhedor, consideravelmente pacífico, o Vila Três não é mais o mesmo.

Quem mora no bairro, principalmente nas quadras próximas do Morro da Caixa D’água, já sabe: a rotina de nossas vidas foi violentamente alterada. Evitamos sair tarde do trabalho, perdemos as últimas aulas do curso e tememos qualquer diversão noturna porque é preciso estar dentro de casa cedo, de preferência antes de anoitecer.

Escutamos tiros diariamente, em qualquer horário, e há noites em que verdadeiras batalhas são travadas na região, com a população no meio. Armas automáticas são ouvidas por todos os lados, cuspindo rajadas de diversos tipos e sequências, não é barulhinho espaçado de revólver, é guerra intensa. Antes os vizinhos visitavam uns aos outros para conversar, hoje usam o telefone para saber se está tudo bem. É o mesmo que perguntar “Você foi alvejado? Alguma bala atingiu sua casa?”.

Experientes, as crianças do bairro não confundem mais tiros e fogos de artifício, sabem perfeitamente a diferença entre os dois. Há alguns meses atrás meu filho corria para meu colo quando o som angustiante começava. Hoje ele finge não ter medo, como os homens adultos. Continua assistindo desenho animado na televisão enquanto a guerra explode lá fora, apenas com uma grave tensão no rosto e ouvidos atentos. Eu aumento o som da TV, mas nada abafa o barulho de tiros a poucos metros. Geralmente mais sinceras sobre seus sentimentos, as mulheres agem diferente: durante o tiroteio, minha esposa se afasta das janelas, procura a proteção das paredes do corredor e se abaixa. De formas diferentes, o medo oprime a todos.

Ver a locadora onde aluguei filmes na adolescência fechada e escolas interrompendo suas aulas por ordem de traficantes dá a certeza de que uma época de inocência se foi. As famílias que vivem no Vila Três perderam a paz e o Estado não se pronuncia sobre a situação de guerra e medo. A Polícia faz buscas no Morro, nada encontra, vai embora e o tiroteio recomeça logo depois. Sinto saudades do Salema, ele tratava os gonçalenses com mais respeito.

Foto: Joseph Cunha

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Obrigado, Salema https://simsaogoncalo.com.br/obrigado-salema/ https://simsaogoncalo.com.br/obrigado-salema/#respond Tue, 21 Jul 2015 03:37:56 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3069 Antes do derradeiro adeus, obrigado. Por mostrar que ainda há dignidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando tantos casos de conduta indevida são destacados pela imprensa. Por fazer o lema “Servir e proteger” sair das paredes do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e encontrar as ruas de São Gonçalo e […]

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Antes do derradeiro adeus, obrigado. Por mostrar que ainda há dignidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando tantos casos de conduta indevida são destacados pela imprensa. Por fazer o lema “Servir e proteger” sair das paredes do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e encontrar as ruas de São Gonçalo e seus cidadãos aflitos. Por recuperar o respeito geral pelo 7º BPM, antes corrupto e assassino, agora um braço efetivo da sociedade.

Obrigado por escolher a melhor forma de comandar, tendo a população como ponto de apoio, em vez da presunção comum a tantas autoridades policiais. Por abrir mão de momentos importantes com a família para estar entre os gonçalenses, incessantemente, durante os últimos 11 meses. Foram ações beneficentes, passeios ciclísticos, caminhadas e corridas, mais do que o trabalho rotineiro esperado, que permitiram conhecer o rosto e a voz do responsável direto pela nossa segurança.

Agradecemos por mostrar o caminho para uma cidade mais segura, onde os habitantes interagem com a Polícia, por isso confiam na instituição e colaboram com ela. Onde o cidadão tem o policial como amigo ao seu lado. Em dias de medo, em que o estado do Rio de Janeiro enfrenta uma guerra contra o crime brutal, tivemos um batalhão honesto e eficiente, destacado por índices claros de redução da criminalidade no município.

Apesar da violência nos rondar – a guerra não é só em São Gonçalo, atinge o Estado e também o País – hoje o gonçalense pode bater no peito com orgulho e dizer que tem um batalhão de polícia que combate o crime e não é cúmplice do mesmo, como em vergonhosas gestões anteriores.

Graças a você, acredito o suficiente no 7º BPM para pegar o telefone e denunciar a violência que os moradores da minha rua sofreram. Quase dez homens armados, a pé, passaram por aqui e estabeleceram toque de recolher. Era domingo, às 18:30, e as crianças que brincavam na rua entraram em pânico.

É uma pena que São Gonçalo continue perdendo grandes riquezas para Niterói. Mas a você, Salema, que nos deu segurança e esperança, obrigado.

Foto: Jornal O São Gonçalo

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O movimento cidadão que chega a São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/o-movimento-cidadao-que-chega-a-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-movimento-cidadao-que-chega-a-sao-goncalo/#respond Tue, 14 Jul 2015 13:41:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3056 Os mais atentos ao noticiário internacional devem ter percebido que uma onda de mobilizações populares vem varrendo a Europa, principalmente a Grécia e a Espanha. Tais mobilizações tem como ponto de partida o questionamento do modelo econômico que explora os mais pobres e mantem os lucros dos mais ricos. Porém, as experiências do Syriza na […]

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Os mais atentos ao noticiário internacional devem ter percebido que uma onda de mobilizações populares vem varrendo a Europa, principalmente a Grécia e a Espanha. Tais mobilizações tem como ponto de partida o questionamento do modelo econômico que explora os mais pobres e mantem os lucros dos mais ricos.

Porém, as experiências do Syriza na Grécia, e do Podemos na Espanha, aprofundaram as contradições e levaram os questionamentos para o campo político. A dicotomia entre esquerda e direita já não é importante, o que está em jogo é a democracia representativa.

Esse ano ocorreram as eleições municipais na Espanha, tendo saído como vitoriosos os partidos Podemos e o Ciudadanos com suas apostas municipalistas, baseada no desenvolvimento político, social, econômico, cultural e ambiental das cidades. Todo o programa foi construído pelos munícipes que pela primeira vez tornaram-se protagonistas no processo.

Nestes governos, os cidadãos estão sendo chamados a construírem as políticas públicas juntamente com o poder público, através das assembleias populares e dos círculos temáticos, elevando o status de cidadão a outro patamar.

Os questionamentos gerais que marcaram as jornadas de junho de 2013 aqui no Brasil, também levam a crer que a democracia representativa também começa a ruir em nosso país.

Em 2016, será a primeira eleição municipal após as jornadas de junho e as vitórias do Syriza e do Podemos. Essa eleição poderá dizer se o Brasil entra de fato no mapa das mudanças ou se a velha política ganha uma sobrevida.

Em nossas terras, nenhum partido até o momento conseguiu captar os ventos que sopram do norte. O PT afogado no seu pragmatismo, parece fadado ao declínio total. O PSOL, com sua visão estreita de mundo, não dialoga com a ampla maioria da sociedade e fica preso no gueto ideológico.

Porém, o movimento Rede Sustentabilidade parece mudar os rumos com suas propostas de participação cidadã, utilização das novas tecnologias e protagonismo das cidades, o movimento vem demonstrando uma alternativa ao modo de se fazer política.

Aqui em São Gonçalo, o Coletivo Rede São Gonçalo vem ganhando corpo e adquirindo novos militantes para seu projeto de cidade em construção, através do diálogo com o poder público e sociedade civil. O movimento já vem incomodando os grupos políticos da cidade, pois apresenta propostas concretas, dialogando com os movimentos sociais e colocando o cidadão gonçalense como protagonista do processo político.

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Polícia, população e as ações de proximidade com o Coronel Salema https://simsaogoncalo.com.br/policia-populacao-e-as-acoes-de-proximidade-com-o-coronel-salema/ https://simsaogoncalo.com.br/policia-populacao-e-as-acoes-de-proximidade-com-o-coronel-salema/#respond Wed, 24 Jun 2015 00:54:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2973 “Choooora, chora vagabundo!” Essa foi a primeira frase que ouvi quando me deparei com aquele vídeo. Na cena, o coronel da Polícia Militar recém-chegado ao batalhão de São Gonçalo interagia com as pessoas de uma forma completamente diferente da usual entre a PM. Ao invés das armas, o microfone. Saía o barulho da sirene e entrava o som do pagode. De […]

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“Choooora, chora vagabundo!” Essa foi a primeira frase que ouvi quando me deparei com aquele vídeo. Na cena, o coronel da Polícia Militar recém-chegado ao batalhão de São Gonçalo interagia com as pessoas de uma forma completamente diferente da usual entre a PM. Ao invés das armas, o microfone. Saía o barulho da sirene e entrava o som do pagode. De forma descontraída, passávamos a conhecer o novo comandante do 7º BPM: Coronel Fernando Salema.

No início de junho de 2015, a convite da TV Ponto de Vista (Frederico Carvalho), participei da mesa na entrevista com o comandante do “sétimo”. Na função desde 2014, sua atuação ganhou destaque com a política de aproximação da PM com a população, onde eventos esportivos e culturais fazem parte da agenda dessa nova polícia que precisamos ter.

Corenel Salema – SIM São Gonçalo
Momento da entrevista com o Coronel Fernando Salema, do 7º Batalhão de São Gonçalo – Foto: Frederico Carvalho

Com mais de 30 anos de polícia, o desafio atual do coronel  é ainda maior, por conta das péssimas lembranças recentes que o Brasil tem do 7º BPM. Se voltarmos a 2011, vamos lembrar que foi desse mesmo batalhão que saíram os PMs que assassinaram a juíza Patrícia Accioli, usando as armas de uso exclusivo da polícia. Isso torna ainda mais complexo o difícil trabalho de limpar e moralizar o nome da polícia militar do Rio de Janeiro.

O já clássico “Chora, vagabundo”, com Salema cantando:

Polícia e suas questões na cidade

A entrevista promovida pela TV Ponto de Vista tinha um objetivo claro: falar à população sobre a onda de assaltos e latrocínios (roubos seguidos de morte) ocorridos nas ruas do Rio, especialmente com o uso das facas. O coronel explicou a situação desse tipo de delito. Entretanto, revelou já de início que, apesar das ocorrências, nossos problemas em São Gonçalo se concentram em duas áreas: os conflitos nas ruas (especialmente por causa dos bares e casas de show) e o tráfico de drogas, que nitidamente tornou-se um câncer na cidade.

Apesar dos conflitos recorrentes em diversas comunidades na cidade, como o Feijão, a Chumbada e a rua da feira, minha dúvida era sobre o aumento crescente do tráfico no Salgueiro, um lugar, teoricamente, “longínquo” dos centros econômicos. Segundo o comandante Salema, o Salgueiro tornou-se um ponto estratégico na receptação e distribuição das drogas, incluindo pasta base de cocaína, o “concentrado’ que dá origem à mesma droga. Por lá, além de se chegar de barco pelas rotas da baía de Guanabara, também há a via pavimentada pelos construtores do Comperj, por onde passaria o material de construção da refinaria, caso as obras não estivessem em ritmo lento. Em suma, com rotas por mar e por terra, a área tornou-se um ponto de ouro para os traficantes regionais.

Operação no Salgueiro - São Gonçalo
Megaoperação conjunta do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), do Grupamento Aeromarítimo (GAM) e da Coordenadoria de Inteligência (CI), no Salgueiro, São Gonçalo – RJ

Por fim, perguntamos sobre a nossa conhecida “bagunça noturna”, em pontos conhecidos da cidade. Salema disse que, apesar de terem “entrado de sola” no início, aos poucos a política de reaproximação também foi feita com eles, especialmente com aqueles que mantinham carros de som nas alturas nas ruas. Mostrando que, o mais fundamental para polícia não é apenas reprimir, mas fazer entender até onde vai o seu direito e respeito com o próximo.

São Gonçalo - Passeio Ciclístico
Passeio Ciclístico em São Gonçalo – Uma ação conjunta com a PM na política de proximidade com a população gonçalense. Foto: O São Gonçalo

Impressões finais

O que parece é que estamos entrando em um novo ciclo na segurança pública, onde ao invés da população simplesmente negar ou bater na polícia, ela também entende que a instituição é necessária, apesar de toda a memória recente de suas péssimas atuações e resquícios da época da ditadura brasileira (1964-1985).

É nítido e flagrante que policiais ainda praticam atividades vexatórias e corruptas, um problema recorrente em outros setores do governo. Entretanto, é preciso reconhecer também os esforços que a polícia está fazendo para se aproximar do cidadão, especialmente porque somos nós a principal ajuda e os mais interessados na manutenção da paz na sociedade.

Confira o trecho final da entrevista na TV Ponto de Vista:

Foto de capa: Sandro Giron

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Governo Mulim se ampara nas vans ilegais https://simsaogoncalo.com.br/governo-mulim-se-ampara-nas-vans-ilegais/ https://simsaogoncalo.com.br/governo-mulim-se-ampara-nas-vans-ilegais/#respond Thu, 16 Apr 2015 15:15:05 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2775 Um governo inútil é capaz de atos infames para se manter no poder. Em São Gonçalo, querendo encobrir sua invalidez, o prefeito Mulim permite a circulação ilegal das vans, onde a passagem é mais barata, ignorando a proibição da Justiça e acumulando multas que ultrapassam R$ 600 mil. A passagem cobrada nas vans custa R$ 2,10, um real a menos […]

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Um governo inútil é capaz de atos infames para se manter no poder. Em São Gonçalo, querendo encobrir sua invalidez, o prefeito Mulim permite a circulação ilegal das vans, onde a passagem é mais barata, ignorando a proibição da Justiça e acumulando multas que ultrapassam R$ 600 mil.

A passagem cobrada nas vans custa R$ 2,10, um real a menos que a passagem dos ônibus municipais. Decepcionado com um governo que nada criou em benefício do povo, esta diferença sustenta o último fio de paciência do cidadão que vive com menos de um salário mínimo por mês. Por isso, o maior favorecido pela operação do perigoso transporte alternativo é o atual governo, tão marcado pela incompetência quanto o governo anterior.

Mulim não cumpriu nenhuma das promessas de campanha, sequer discutiu seu plano de governo com a sociedade e percebeu que corria sérios riscos de cair em desgraça na opinião popular. Assim, como se São Gonçalo fosse uma cidade sem lei, pisou no acordo com o consórcio das empresas de ônibus e deu a si mesmo o falso título de bom administrador que reduziu o valor da passagem. Ele almeja ser o herói que derrotou o poderoso cartel dos transportes, inimigo que não aceitou a redução da passagem para R$ 1,50, principal promessa não cumprida.

Se não for preso, Neilton continuará tratando São Gonçalo como cidade rebelde, destacada do estado do Rio de Janeiro, rindo da inocência da Justiça que insiste em apenas multá-lo. A população precisa de transporte barato mas digno, não esta modalidade sofrível, que arrisca a vida dos passageiros ao circular superlotada e de maneira imprudente.

Morar em São Gonçalo é uma aventura arriscada: quem não olha para baixo enquanto caminha, cai em um buraco; quem atravessa a rua distraidamente, corre grande perigo, mesmo utilizando a faixa de pedestres. No entanto, a maior ameaça que sofremos vem do governo municipal, que se ampara na ilegalidade para administrar a cidade que vivemos.

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O medo da violência https://simsaogoncalo.com.br/o-medo-da-violencia/ https://simsaogoncalo.com.br/o-medo-da-violencia/#respond Thu, 06 Nov 2014 16:29:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2370 O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, coronel Fernando Salema, pediu calma e prudência à população de São Gonçalo através de vídeo divulgado pela Internet semana passada. Louvável a atitude do coronel, que demonstrou preocupação e se aproximou de um povo historicamente ignorado pelas autoridades. No entanto, é impossível ter calma morando em uma […]

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O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, coronel Fernando Salema, pediu calma e prudência à população de São Gonçalo através de vídeo divulgado pela Internet semana passada. Louvável a atitude do coronel, que demonstrou preocupação e se aproximou de um povo historicamente ignorado pelas autoridades. No entanto, é impossível ter calma morando em uma cidade onde até a creche, que existe ao lado do batalhão que ele comanda, encerra o expediente mais cedo como medida preventiva contra a violência.

Não são os boatos que tememos, são os fatos. Os altos índices de violência da cidade superam os números dos demais municípios do estado do Rio de Janeiro. Assaltos a pedestres e roubos de carros são frequentes, a qualquer hora do dia ou da noite. Casas e lojas são invadidas. Há relatos de estupro de mulheres abordadas caminhando em bairros populosos, como Alcântara. Aqui, vereadores e juízes que fazem seu trabalho com honestidade são assassinados. Como o cidadão comum não teria medo? Provavelmente você já foi vítima de algum tipo de violência ou conhece alguém que tenha sido.

Onde a presença do estado é maior, como nos bairros nobres de Niterói e do Rio de Janeiro, boatos de represálias não se propagam, o comércio não para no meio do expediente. Nenhum comerciante fecharia seu estabelecimento, causando prejuízos a si mesmo, se a ameaça que vem do tráfico não fosse real. Ninguém se trancaria em casa com medo se não tivesse certeza de que está vulnerável nas ruas.

Acredito no coronel quando diz que a polícia se esforça no combate ao crime e recentemente o efetivo policial de São Gonçalo foi aumentado para 780 integrantes. Mas, ironicamente, quando o cidadão vai à delegacia fazer boletim de ocorrência depois de ser assaltado, a polícia o orienta a não usar jóias, relógios ou roupas caras que despertem o interesse de bandidos. Significa, no mínimo, que o trabalho da polícia e seu efetivo ainda são insuficientes.

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Violência em São Gonçalo e os dados do Instituto de Segurança Pública https://simsaogoncalo.com.br/violencia-em-sao-goncalo-e-os-dados-instituto-de-seguranca-publica/ https://simsaogoncalo.com.br/violencia-em-sao-goncalo-e-os-dados-instituto-de-seguranca-publica/#respond Wed, 30 Apr 2014 00:31:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2029 “E a violência em São Gonçalo? Você acha que tudo de ruim está mesmo vindo do outro lado da ponte, conforme as estatísticas de Segurança Pública?” A pergunta é propícia para o momento. Afinal, estamos diante de um daqueles momentos que serão estudados no futuro como um divisor de águas nas políticas públicas de segurança […]

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“E a violência em São Gonçalo? Você acha que tudo de ruim está mesmo vindo do outro lado da ponte, conforme as estatísticas de Segurança Pública?”

A pergunta é propícia para o momento. Afinal, estamos diante de um daqueles momentos que serão estudados no futuro como um divisor de águas nas políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro. É tanta coisa nos noticiários que nunca chegamos a conclusões locais. Me arrisco a dizer que as análises mais coerentes estão distantes de nós, simples cidadãos.

Eu, Matheus, vou tentar dar a minha visão sobre os fatos.

Instituto de Segurança Pública (ISP) foi criado em 1999, primeiro ano do governo Garotinho (1999-2002). Fruto da equipe do sociólogo Luiz Eduardo Soares, subsecretário de segurança pública na época, o instituto é uma autarquia, o que na prática rasa significa: “o governo nos mantém, mas não nos comanda.”

Dados estatísticos são dados. Ponto. Não são criados, são coletados. Não são pensados, são interpretados. Logo, se as estatísticas dizem que a violência está aumentando, é muito possível que ela esteja. Mas se estiver diminuindo, talvez não esteja. Confuso? Relaxa, vou explicar o porquê.

Estatísticas são diferentes de sensações. Se você ou alguma das pessoas de sua família ou círculo social NUNCA tiver sofrido algum tipo de violência, por exemplo, dificilmente terá uma “sensação de insegurança”. Mas se uma pessoa de seu convívio disser que foi assaltada, a sua sensação irá mudar na hora.

Instituto de Segurança Pública + Polícia no Rio

Penso que muito dos dados coletados pelo ISP têm como base os Boletins de Ocorrência, o famoso BO. Mas, vamos pensar juntos? Por exemplo: quantas pessoas têm seu celular roubado e vão até a delegacia registrar a ocorrência? Quantas mulheres são estupradas e vão até a DEAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) para denunciar seu agressor? E ainda pior: quantas pessoas tem coragem e confiança na polícia para ir até a delegacia pedir auxílio?

Quando há mortes ou subtração de coisa de grande valor, como carros ou casas, a polícia é acionada imediatamente. Mas, será que roubam mais celulares e dinheiro ou carros?

Por esse motivo, nem sempre é possível dizer que estatísticas e sensações andam juntas. Mas se o aumento dos números de violência conferem com o seu sentimento de insegurança, bingo! Tem problema aí!

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Até onde vai a responsabilidade policial? https://simsaogoncalo.com.br/ate-onde-vai-responsabilidade-policial/ https://simsaogoncalo.com.br/ate-onde-vai-responsabilidade-policial/#comments Thu, 03 Apr 2014 00:01:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1855 O artigo 144, § 5º, da Constituição Federal é curto e grosso: “Às policias militares cabe à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Pronto. Já sabemos qual é a função das polícias militares no Brasil. Repetindo: “cabe à polícia ostensiva e preservação da ordem pública”. Mas eis que, com o passar das décadas, […]

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O artigo 144, § 5º, da Constituição Federal é curto e grosso: “Às policias militares cabe à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Pronto. Já sabemos qual é a função das polícias militares no Brasil. Repetindo: “cabe à polícia ostensiva e preservação da ordem pública”.

Mas eis que, com o passar das décadas, a velha PM de guerra foi “acostumada” (sem força de lei mesmo) a exercer outras tarefas que não as duas missões dadas acima. Recapitulando, o policiamento ostensivo e preservação da ordem pública.

Na manhã desse de 16 de março, domingo, a senhora Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, saiu de sua casa para comprar pão numa das centenas de favelas do Rio de Janeiro. No percurso, ela foi alvejada numa troca de tiros entre a PM e traficantes.

Até aí, a Polícia Militar estava cumprindo sua missão claramente expressa pela Constituição Federal – “polícia ostensiva e a preservação da ordem pública” –, pois tentava combater os criminosos daquela comunidade.

O problema é que Cláudia foi baleada e precisava de “alguém” para socorrê-la até o hospital.

A pergunta é: A quem compete socorrer pessoas baleadas nas ruas do Brasil? Na falta de socorristas, lá estavam 3 policiais militares mudando de função abruptamente, deixando colegas de farda em pleno tiroteio, para pegar Cláudia, embarcá-la na viatura e levá-la até o hospital mais próximo.

No caminho, a tragédia: por razões que só a perícia poderá explicar, ela caiu da mala da viatura, ficou pendurada pela roupa e acabou sendo arrastada por um trecho de 250 metros. Chegou morta ao hospital.

Um motorista, que vinha logo atrás da viatura, filmou a mulher pendurada no carro da polícia. O caso logo subiu na lista das notícias mais lidas das últimas horas. Os policiais – que deixaram seu serviço para fazer o de outros segmentos – foram presos e já condenados por muitos leitores e telespectadores Brasil afora.
Até onde vai a responsabilidade policial? – SIM São Gonçalo

Onipresente

Muita gente se pergunta “por que a PM erra tanto?” Seguem algumas respostas:
Faltam agentes penitenciários para custodiar presos em hospitais? Chama a PM.
Faltam agentes do Ibama para capturar uma cobra no quintal de casa? Chama a PM.
Não tem Conselho Tutelar na cidade para “conversar” com um menor? Chama a PM.
Não tem equipes de socorristas de plantão na cidade? Chama a Polícia Militar.

E se o preso fugir do hospital? Culpa da PM.
E se a cobra picar a dona de casa? Omissão da PM.
E se o menor for repreendido pelos policiais? Processo judicial neles!
E se uma mulher baleada cair de um carro não apropriado para socorro?

Quem é que não sabe qual é o resultado de um confronto entre policiais e traficantes num país como o Brasil, especialmente nas comunidades de risco?

Seria uma grande façanha presumir que quase sempre haverá feridos nesses combates? Se as incursões policiais nesses ambientes são necessárias (se não fossem, a PM não receberia a ORDEM de ir para lá) e sempre PREVISÍVEIS, por que equipes de socorristas devidamente capacitados para este fim não são direcionadas ao local?

Onde está escrito que a Polícia Militar deve, ao mesmo tempo, realizar a “polícia ostensiva, preservação da ordem pública” e socorrer feridos?

Nada contra a PM dar uma ajuda a quem precisa, quando flagrantemente necessário. Mas antes de jugarmos os erros “dos outros”, é bom lembrar que muitas vezes eram “os outros” que deveriam estar ali ‘errando.

A identidade dos profissionais que participaram do post é anônima.

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Histórias de uma vida policial: amigos de infância https://simsaogoncalo.com.br/historias-de-uma-vida-policial-amigos-de-infancia/ https://simsaogoncalo.com.br/historias-de-uma-vida-policial-amigos-de-infancia/#respond Tue, 18 Mar 2014 00:20:35 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1848 É com imenso orgulho que hoje relato fatos do meu cotidiano policial para está pagina. Desde pequeno tive sonhos. Como por exemplo, a de um jogador de futebol. Porém, não sou egoísta de dizer que era um sonho solitário, pois os dividia com todos os amigos da minha idade. Na escola, trocávamos figurinhas dos nossos […]

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É com imenso orgulho que hoje relato fatos do meu cotidiano policial para está pagina. Desde pequeno tive sonhos. Como por exemplo, a de um jogador de futebol. Porém, não sou egoísta de dizer que era um sonho solitário, pois os dividia com todos os amigos da minha idade.

Na escola, trocávamos figurinhas dos nossos ídolos. Na hora do recreio, sempre nos reuníamos e jogávamos aquele futebol. Éramos muito unidos. O tempo foi passando e a nossa união foi se tornando mais intensa. A cada jogo dos nossos times, era uma alegria estarmos juntos. Porém, o tempo não pára e os nossos caminhos vão sendo traçados. E os amigos que antes frequentemente estavam no meu dia-a-dia, sumiram.

E foi aí que tudo começou. Entrei para Policia Militar. Num dia como outro qualquer, recebemos denúncias de indivíduos realizando a venda de entorpecentes em uma determinada área. Estavam armados. Como de costume, fomos verificar tal informação.

Lembro-me que ao dobrar a esquina, foram realizados os primeiros disparos. Solicitamos reforço e continuamos a incursão.

A cada trecho avançado, a adrenalina aumentava. Enquanto subíamos por uma determinada parte do morro, a outra equipe subia por outra e assim o cerco estava formado. Até que se deu inicio a um intenso tiroteio. Aos poucos, foi diminuindo, até não se escutar mais nada. Em seguida, ouvi um companheiro de guarnição dizendo: “Aqui, aqui”. Dirigi-me rapidamente ao local, pois pensei que o colega de farda havia sido baleado. Chegando lá, me deparei com a cena de elementos mortos, armas e drogas. Estava me sentindo radiante com a situação, por ter passado por este livramento. Porém, algo me chocou. Até hoje, levo em minha memória a imagem de um dos elementos que havia falecido: um amigo de infância. Aquele que sonhava junto comigo, agora estava ali no chão. Ele havia se desviado e estava servindo ao tráfico.

Guardo em meu coração os momentos, aquelas imagens de quando éramos pequenos. Fico imaginando o porquê daquele menino, amigo, alegre, com enorme qualidade no futebol, ter se envolvido com as drogas. Sua Família possuía dinheiro, ele não precisava daquilo. Como Policial Militar, após essa situação, eu já estava me dirigindo para uma nova ocorrência. Mas com um grande aperto no coração.

O fato ocorreu em São Gonçalo. A identidade dos profissionais que participaram do post é anônima.

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