Conheça a História de São Gonçalo: o que não te contaram https://simsaogoncalo.com.br/category/historia/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Wed, 23 Jul 2025 19:26:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Conheça a História de São Gonçalo: o que não te contaram https://simsaogoncalo.com.br/category/historia/ 32 32 147981209 Zé Garoto https://simsaogoncalo.com.br/ze-garoto/ https://simsaogoncalo.com.br/ze-garoto/#respond Tue, 19 Dec 2023 19:38:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=8710 Zé Garoto é um bairro tradicional de São Gonçalo, localizado na área central do município. Pertence ao 1º distrito, junto a outros 29 bairros e seu nome é uma homenagem a um comerciante da cidade. A história do verdadeiro Zé Garoto Sua história está vinculada à existência de uma pessoa em particular, o imigrante português […]

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Zé Garoto é um bairro tradicional de São Gonçalo, localizado na área central do município. Pertence ao 1º distrito, junto a outros 29 bairros e seu nome é uma homenagem a um comerciante da cidade.

A história do verdadeiro Zé Garoto

Sua história está vinculada à existência de uma pessoa em particular, o imigrante português José Alves de Azevedo, que aos dez anos de idade chegou à São Gonçalo. Muito popular entre a população local, o português era carinhosamente chamado de “Zé Garoto” (Zé por causa de seu nome, José, e Garoto porque era comum chamar meninos desta forma).

Já adulto, trabalhava como comerciante. Possuía um armazém onde hoje é o prédio do Antigo Fórum da cidade; suas terras englobavam a área em que hoje encontramos a Escola Estadual Nilo Peçanha e a principal praça da cidade, a Praça Professora Estephania de Carvalho, conhecida popularmente como Praça do Zé Garoto.

Praça do Zé Garoto - Estephânia de Carvalho

Entre o armazém e o espaço onde hoje ficam a escola e a praça havia o Largo (do Zé Garoto), ponto obrigatório do bonde com destino à Alcântara.

Equipamentos localizados no bairro

Além da praça Estephania de Carvalho, o bairro também conta com dois complexos hospitalares, público e privado. Gerido pelo ente municipal, temos o Pronto Socorro Central Armando Gomes de Sá Couto, que conta com o Hospital Infantil Darcy Sarmanho Vargas do lado direito e com o Posto de Saúde Washington Luís, no lado esquerdo. O terreno do posto também abriga o Hemonúcleo, local de doação de sangue.

Pronto Socorro Armando Gomes de Sá Couto
Pronto Socorro Armando Gomes de Sá Couto, no Zé Garoto.

Mais próximo à Igreja Matriz, que também encontra-se no bairro, está o Hospital e Clínica São Gonçalo, um hospital particular referência na cidade.

Atrás da praça está localizado o posto central dos Correios em São Gonçalo. E ao lado, encontra-se o antigo Fórum, que hoje abriga a Câmara de Vereadores de São Gonçalo.

Orla Zé Garoto em Maricá

A Orla Zé Garoto é um trecho às margens da Lagoa da Barra, no bairro Boqueirão, próximo ao centro de Maricá. Ela recebeu esse nome em homenagem ao município de São Gonçalo.

Nos bastidores, sabe-se que a homenagem foi uma ação promocional para atrair mais moradores da cidade vizinha. Na época, Maricá era um município muito desejado por gonçalenses, sendo visto como um lugar ainda viável economicamente para morar.

O resultado foi visto no Censo 2022 (IBGE), quando verificou-se um decréscimo na população gonçalense e um aumento significativo nos moradores de Maricá, que chegou a 197 mil moradores, cerca de 54% a mais que o dado medido no Censo de 2010.

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Virajaba: uma parte da jornada ferroviária de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/virajaba-jornada-ferroviaria-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/virajaba-jornada-ferroviaria-de-sao-goncalo/#comments Fri, 15 Dec 2023 19:39:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=8704 A história dos trens em São Gonçalo é uma viagem fascinante pela história ferroviária do estado do Rio de Janeiro. Inaugurada em 25 de novembro de 1888, a estação de Virajaba, originalmente chamada de Rio do Ouro, e também conhecida como Serra, foi um marco importante na E. F. Maricá/Ramal de Cabo Frio. Lista de Estações […]

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A história dos trens em São Gonçalo é uma viagem fascinante pela história ferroviária do estado do Rio de Janeiro. Inaugurada em 25 de novembro de 1888, a estação de Virajaba, originalmente chamada de Rio do Ouro, e também conhecida como Serra, foi um marco importante na E. F. Maricá/Ramal de Cabo Frio.

Lista de Estações Ferroviárias de São Gonçalo
Guia Levi, p. 89 em 1917 (sem mês): Estação Rio d’Ouro já aparece no km 26, posteriormente, estação de Serra e de Virajaba.

Lista de Estações por ordem

  1. Neves (São Gonçalo)
  2. São Gonçalo
  3. Rocha
  4. Mutondo
  5. Alcântara
  6. Olympio
  7. Barracão
  8. Sacramento
  9. Santa Isabel (São Gonçalo)
  10. Rio d’Ouro
  11. Inohan (Inoã)
  12. Maricá
  13. Manuel Ribeiro
  14. Nilo Peçanha
  15. Mato Grosso
  16. Bacaxá (Saquarema)
  17. Ponte dos Leites
  18. Araruama
  19. Iguaba Grande

Este conteúdo é um resumo do site Estações Ferroviárias do Brasil, que contém a história de muitas das ferrovias construídas no Brasil nos séculos XIX e XX, contando a trajetória das que ainda existem e das que já foram desmobilizadas. Em São Gonçalo, por exemplo, hoje são apenas lembranças nos nomes dos bairros, cujos trajetos são estradas de transporte rodoviário.

A E. F. Maricá teve seu primeiro trecho aberto em 1888, ligando as estações de Alcântara e Rio do Ouro. Em 1889, a linha chegou a Itapeba. Somente em 1894, à Maricá. Em 1901, a linha chegou a Manuel Ribeiro. Nilo Peçanha, então Presidente da Província do Rio e também da República, conseguiu a união da linha com a Leopoldina na estação de Neves, construída para esse entroncamento. Do outro lado, prolongou a linha até Iguaba Grande, região dos Lagos.

Em 1912, o capital dos empresários da região acabou e a linha foi vendida à empresa francesa Com. Generale aux Chemins de Fer1. Em 1933, o Governo Federal encampou a ferrovia e a prolongou, em 1936, até Cabo Frio, onde se embarcava sal das salinas das praias. Em 1943, a E. F. Maricá foi passada para a Central do Brasil. Em fins dos anos 1950, passou para a Leopoldina.

Os trens passaram a sair da estação de General Dutra, em Niterói, entrando no ramal em Neves. Em janeiro de 1962, o trecho Maricá – Cabo Frio foi parado. Em 1964, parou também o trecho Virajaba – Maricá. Em 1965, somente seguiam trens de subúrbio ligando Niterói a Virajaba, com o resto do ramal já desativado1. A ferrovia foi finalmente erradicada em 31/01/1961.

Lista de estações de trem e paradas ao longo de São Gonçalo, no início do século XX.
Guia Levi, p. 69 em maio de 1936: Paradas do trem saído de Neves, passando por Sete Pontes, entrando no trajeto que leva ao Lindo Parque e Rocha, atualmente, chegando até Alcântara, rumando à região dos Lagos.
(Fontes: Guias Levi, 1917-1965; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht)

As paradas do trem não eram, necessariamente, estações. Ainda é possível ver algumas em São Gonçalo, plataformas de concreto que permitiam às pessoas tomarem o trem assim que ele parasse. Muitas delas eram bem simples, sem cobertura, nem sinalizações. A seguir, a lista das paradas nas quais o trem que ligava à Região dos Lagos fazia suas pausas (considerando o trajeto Neves – Iguaba Grande):

  1. Rocha
  2. Mutondo
  3. Barracão
  4. Salvatori
  5. Barreto
  6. São José
  7. Buriche
  8. Itapeba
  9. Camburí
  10. Bom Jardim

A estação de Virajaba foi também a estação terminal de um trem de subúrbio que partia de Niterói a partir pelo menos de novembro de 1964 até pelo menos outubro de 1965, quando o restante da linha, para além da estação, já estava desativada1. O prédio ainda existia, bem como uma caixa d’água, e servia como bar e moradia, segundo relatos de 20081.

A história da estação de Virajaba é um testemunho do desenvolvimento e eventual declínio econômico e, consequentemente, da ferrovia no estado do Rio de Janeiro no início da segunda metade do século XX. Embora a estação não esteja mais em operação, nem a ferrovia, tampouco suas estações oficiais, a história continua viva, nos lembrando de um tempo em que os trens eram o principal meio de transporte no Brasil.

Para saber mais sobre outras estações de São Gonçalo, confira o site Mobilidade Fluminense, que também conta com informações sobre os outros trens da cidade.

Fonte: Estações Ferroviárias, criada por Ralph Mennucci Giesbrecht.

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São Gonçalo: Pioneira do Progresso Industrial Fluminense https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-pioneira-do-progresso-industrial-fluminense/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-pioneira-do-progresso-industrial-fluminense/#respond Fri, 08 Dec 2023 23:14:53 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7991 O artigo acadêmico “Pioneira do progresso fluminense”: o caso da industrialização de São Gonçalo (RJ) no século XX” analisa o processo de industrialização e urbanização do município de São Gonçalo, localizado às margens da Baía de Guanabara, entre o final do século XIX e a década de 1970. Escrito por José Luís Honorato Lessa e […]

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O artigo acadêmico “Pioneira do progresso fluminense”: o caso da industrialização de São Gonçalo (RJ) no século XX” analisa o processo de industrialização e urbanização do município de São Gonçalo, localizado às margens da Baía de Guanabara, entre o final do século XIX e a década de 1970. Escrito por José Luís Honorato Lessa e publicado na revista Espaço e Economia em 2018, o autor destaca os seguintes pontos:

  • A industrialização de São Gonçalo foi impulsionada pela proximidade com a capital fluminense, Niterói, e pela disponibilidade de recursos naturais, como cana-de-açúcar, açúcar e minério de ferro.
  • A urbanização de São Gonçalo foi marcada pela expansão das áreas residenciais para as antigas fazendas produtoras, que foram lotadas por trabalhadores da indústria ou migrantes do Rio de Janeiro.
  • A industrialização e a urbanização tiveram impactos sociais, econômicos e ambientais na região, como a formação de uma classe média urbana, a diversificação da produção industrial, a deterioração das condições de vida dos trabalhadores e dos pescadores artesanais, e a poluição da baía.

O artigo conclui que São Gonçalo foi um caso pioneiro do progresso fluminense no século XX, mas que também enfrentou desafios para se adaptar às mudanças históricas e às demandas contemporâneas. O autor sugere que sejam realizadas mais pesquisas sobre esse tema para compreender melhor as dinâmicas urbanas e industriais dessa região.

Industrialização em São Goncalo
Principais atividades econômicas por Distritos. Fonte : (BRAGA, 2006. p. 148)

A Jornada da Industrialização em São Gonçalo

O artigo “Pioneira do progresso fluminense”: o caso da industrialização de São Gonçalo (RJ) no século XX tem como objetivo analisar o processo histórico que levou à formação do município de São Gonçalo como uma cidade industrializada e urbanizada no estado do Rio de Janeiro. Para isso, o autor utiliza uma abordagem qualitativa baseada em fontes primárias (documentos oficiais) e secundárias (livros e artigos acadêmicos), além de uma análise espacial dos dados geográficos disponíveis.

Lessa parte do pressuposto de que a industrialização não foi um fenômeno homogêneo nem linear no Brasil, mas sim resultado das interações entre diversos fatores políticos, econômicos, sociais e culturais ao longo do tempo. Assim, ele busca situar o caso brasileiro dentro das especificidades históricas do país e compará-lo com outros casos internacionais.

Anos 1980 e a Industrialização no município de São Gonçalo
São Gonçalo 1980. PIB por setor de cada atividade municipal. Fonte: Anuário Estatístico do Rio de Janeiro, CIDE, 1990/91.

Ele divide o seu trabalho em três partes principais: na primeira parte (capítulo 1), ele apresenta uma contextualização histórica sobre a formação do estado fluminense no século XIX; na segunda parte (capítulo 2), ele descreve as características geográficas físicas e humanas da região onde se localiza São Gonçalo; na terceira parte (capítulo 3), ele explica as etapas da industrialização fluminense desde o final do século XIX até os anos 1970.

Na segunda parte (capítulo 2), são descritas as características geográficas físicas e humanas da região onde se localiza São Gonçalo. Ele destaca a importância da localização estratégica do município, às margens da Baía de Guanabara e próximo à capital fluminense, Niterói. Essa proximidade permitiu a São Gonçalo se beneficiar do crescimento econômico e populacional da capital, atraindo investimentos e mão-de-obra para a sua indústria. Além disso, a disponibilidade de recursos naturais, como cana-de-açúcar, açúcar e minério de ferro, também contribuiu para a industrialização do município.

Na terceira parte (capítulo 3), são explicadas as etapas da industrialização fluminense desde o final do século XIX até os anos 1970. Ele destaca a importância das políticas públicas de incentivo à industrialização, como a criação de zonas industriais e a concessão de benefícios fiscais para as empresas. Além disso, ele analisa o impacto da industrialização na urbanização do município, com a expansão das áreas residenciais para as antigas fazendas produtoras, que foram lotadas por trabalhadores da indústria ou migrantes do Rio de Janeiro.

O autor conclui que São Gonçalo foi um caso pioneiro do progresso fluminense no século XX, mas que também enfrentou desafios para se adaptar às mudanças históricas e às demandas contemporâneas. Ele sugere que sejam realizadas mais pesquisas sobre esse tema para compreender melhor as dinâmicas urbanas e industriais dessa região.

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Como são eleitos os prefeitos em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/como-sao-eleitos-os-prefeitos-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/como-sao-eleitos-os-prefeitos-em-sao-goncalo/#respond Sun, 15 Nov 2020 16:10:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7976 Aqui você vai ler uma sequência de fatos baseados em dados eleitorais, históricos e de renda que nortearam as últimas eleições de 2000 a 2020 para prefeitos em São Gonçalo. Diante de pesquisas fraudulentas que já povoam o pleito atual, eu, Matheus, estou expondo minha visão olhando para o passado. Que isso não desanime as […]

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Aqui você vai ler uma sequência de fatos baseados em dados eleitorais, históricos e de renda que nortearam as últimas eleições de 2000 a 2020 para prefeitos em São Gonçalo.

Diante de pesquisas fraudulentas que já povoam o pleito atual, eu, Matheus, estou expondo minha visão olhando para o passado. Que isso não desanime as militâncias. Nada impede que, em 15 de novembro, tenhamos uma grande surpresa. Afinal, resultado de urna só sai no dia da eleição.

Prefeitos de São Gonçalo estão divididos entre leste e oeste da cidade

Em 1492, Portugal e Espanha dividiram entre si as terras americanas com uma linha imaginária chamada “Tratado de Tordesilhas”. As terras a leste eram de Portugal e as a oeste de Espanha.

Aqui em São Gonçalo, o nosso tratado de tordesilhas se chama Rio Alcântara. Ele divide os dois municípios imaginários que não se dividiram em 1995.

Quando olhamos as vitórias nas urnas de cada distrito, é possível ver que os prefeitos em São Gonçalo tem raizes territoriais bem identificadas por quem vota neles. É como se houvesse um duelo de Leste vs. Oeste a cada pleito, sendo o leste Alcântara e o oeste São Gonçalo.

Numa cidade com baixo orçamento como a nossa, os eleitores sabem que precisam eleger quem priorize seu território. Mesmo que, num determinado momento, a prefeita ou prefeito da vez faça pouco ou nada pelos dois lados.

Minha leitura sobre o “lado” de cada prefeito de 1989 até 2020:

Edson Ezequiel – São Gonçalo
João Bravo – São Gonçalo
Henry Charles – Alcântara
Aparecida Panisset – São Gonçalo
Neilton Mulim – Alcântara
José Luiz Nanci – São Gonçalo

A base eleitoral testada nas eleições gerais anteriores

Quando faço minhas análises, prefiro ter como corte temporal o ano de 1988, quando foi promulgada a Constituição que usamos atualmente. O nosso período legitimamente democrático.

A partir de 1989, quase todos os prefeitos foram testados em eleições gerais antes do pleito municipal. A exceção nesses 30 anos foi João Bravo. Este foi chefe de gabinete na gestão de Edson Ezequiel, entre 1989 e 1992. Era uma época onde não havia reeleições nos cargos executivos, sendo Bravo foi o escolhido para a sucessão.

Em suma, fora Bravo, todos foram eleitos para cargos legislativos a nível estadual ou federal, na eleição geral anterior às eleições municipais que disputaram e venceram. Mas há uma

Lista dos prefeitos e suas eleições:

Edson Ezequiel foi deputado estadual em 1988, com 142 mil votos, antes de vencer o pleito para a gestão 1989–1992; eleito deputado federal em 1995-1996 e, logo após, eleito prefeito para o mandato 1997-2000.

Henry Charles foi deputado estadual entre 1999–2000. Logo depois, foi eleito a prefeito para a gestão 2001–2004.

Aparecida Panisset foi eleita deputada estadual em 2002, com 50.338 votos. Foi eleita e reeleita para as gestões 2005–2008 e 2009-2012.

Neilton Mulim foi eleito, em 2006, para deputado federal com 44.671 votos. Em 2010, foi  reeleito à Câmara Federal com 41.480 votos. Elegeu-se prefeito em 2012.

José Luiz Nanci teve sua primeira eleição para a Alerj em 2010, com 28.798 votos. Em 2014, foi reeleito a deputado estadual com 36.356. Em 2016, tornou-se prefeito de São Gonçalo.

Essas duas camadas, base eleitoral na campanha anterior e confronto leste vs oeste são os critérios que uso para ter uma noção de para onde os ventos irão no pleito seguinte. E em 2020, se a política gonçalense não der um “cavalo de pau”, o cenário tende a se repetir.

A seguir, vou falar um pouco sobre as questões eleitorais com esse ponto de vista. Lembro que, quando se trata de eleição, todo mundo tem um palpite sobre o porquê da vitória. Evito entrar nesses detalhes. Gosto de olhar os números mesmo. 🙂

Eleições 2000 – Chame o doutor!

“Chame o Doutor!” Quem com mais de 30 anos não se lembra dessa frase? A eleição de 2000 foi a primeira com reeleição para prefeitos. Edson Ezequiel, tentava ocupar a cadeira novamente e chegou em primeiro, no 1º turno, com 169.332 votos, enquanto Henry Charles recebeu 161.655. Mas após 12 anos de PDT no poder, havia um desgate natural em relação à Ezequiel. No 2º turno, a virada foi inevitável: 243.590 para o “Doutor” e 186.837 para o engenheiro.

Nessa eleição, é possível ver com mais clareza o duelo entre São Gonçalo e Alcântara. É preciso lembrar que Henry Charles foi um dos defensores da proposta de emancipação de Alcântara, em 1995. E é muito possível que essa percepção tenha feito parte do imaginário dos “alcantarenses”.

Anos depois, tanto Ezequiel quanto Charles se envolveriam em ações de improbidade administrativa. Ezequiel passou continuou sendo eleito deputado federal nas eleições de 2002, 2006 e 2010, até se aposentar em 2014. Charles sumiria da vida pública.

Perceba que, 12 anos depois, o mesmo fenômeno aconteceria. Curioso, não?

Eleições 2004 – O tijolinho

A eleição de Aparecida Panisset era algo esperado. Panisset foi eleita vereadora em 1996, com 4.157 sufrágios. Na eleição seguinte, em 2000, teve 14.417 votos. Aliás, essa foi uma eleição de grandes votações para vereador. Vale ver quem foram os outros muito bem votados (alguns você conhece bem).

Com esse caminhão de votos, Maria Aparecida Panisset tentou e foi eleita em 2002 à deputada estadual, com 50.338 votos. Essa vitória a cacifou na disputa pela cadeira de prefeita em 2004.

Essa eleição é um pouco fora do padrão pela popularidade da candidata e pela impopularidade dos outros dois candidatos. Henry Charles, ainda prefeito, tentou reeleição e só teve 29.206, cerca de 6,2% do total, para você ter uma dimensão da rejeição.

Já Graça Matos, a grande adversária de Aparecida, tinha sido eleita com 10 mil votos à menos para o mesmo cargo de deputada estadual 2 anos antes (40.878 votos). Ela também simbolizava o período de seu marido, o ex-prefeito Edson Ezequiel, que tinha perdido 4 anos antes.

Nesta eleição, Graça ficou em 2ª lugar, com 172.752, enquanto Panisset se elegeu em 1º turno, com 240.945 votos, pelo DEM, o que correspondia a 51,95% dos votos válidos.

Nesta época, Panisset e seu irmão, também político, Márcio Panisset, mantinham um Centro Social, uma dessas anomalias que políticos mantêm para ter o voto dos mais pobres. Em geral, são serviços médicos e assistências sociais, as quais os políticos deveriam trabalhar para que o serviço público fornecesse, não eles. O centro deles ficava no Paraíso, na rua Visconde de Itaúna, caminho para o Gradim.

E um detalhe: nessa eleição, ambas as candidatas mais votadas eram de “São Gonçalo”. O candidato de Alcântara era o prefeito impopular.

Eleições 2008 – O bom momento econômico

Prefeitos que governam em bons momentos econômicos tendem a se reeleger. Quem governa com “dinheiro para gastar” tende a ser mais bem visto que quem governa de forma austera aqui no Brasil.

E com Maria Aparecida Panisset não foi diferente. Ela ampliou a votação anterior, chegando a 270.591 votos, cerca de 56%. Graça Matos perdeu novamente, reduzindo sua votação para 100.327 sufrágios.

Porém, havia uma novidade, a candidatura de Altineu Cortes, que teve 91.108 votos, cerca de 18% dos votos válidos. Ele é sobrinho de José Carlos Coutinho, político que já tinha sido deputado federal e candidato a prefeito em 1996 (ficou em 3º lugar). Sua base eleitoral era a região de Santa Izabel e adjacências.

Era a candidatura da cidade Alcântara se fazendo presente novamente. Enquanto isso, São Gonçalo brigava para decidir a sua representante.

Eleições 2012 – Alcântara vence novamente

Essa eleição é parecida com a de 2000 num aspecto: ela termina com a vitória do representante de Alcântara a partir de uma virada no 2ª turno. Ambos os pleitos foram respostas dos eleitores contra governos desgastados, que já estavam há 2 ou 3 mandatos no governo. Curiosamente, ambos do PDT.

Nesse pleito, as duas camadas de análise se fazem presentes. Porque além de ser uma vitória de Alcântara sobre São Gonçalo, o candidato da continuidade de Panisset não tinha sido validado, ou seja, eleito. Na eleição geral de 2010, dois anos antes, Adolpho Konder tinha conseguido 35.800, tornando-se apenas o suplente e dependendo da transferência de votos de Aparecida Panisset para se sobressair.

Ao final do 1º turno, Konder consegue alcançar 192.727 votos. Em segundo lugar, Neilton Mulim consegue fazer 116.721, cerca de 3000 votos a mais que a terceira colocada, a ex-deputada Graça Matos que, naquele momento, perdia sua 3ª eleição para prefeita de São Gonçalo.

E no 2º turno, a virada aconteceu. Com 265.579 sufrágios, cerca de 56% dos votos válidos, Neilton Mulim varreu Adolpho Konder, que conseguiu chegar a 202.157 votos. O resultado das urnas era claro. No lado Oeste, o candidato da Aparecida ganhava. Nas urnas do Leste, o vitorioso era Mulim.

Lembro também que Neilton vinha de 2 eleições para o Congresso Nacional. Era deputado federal há 6 anos e tinha grande representatividade com sua base. Para muitos, na cidade Alcântara, simbolizava uma possível mudança. Quatro anos depois, mais uma decepção se concretizava.

Eleições 2016 – ganhou quem tinha a menor rejeição

A eleição de José Luiz Nanci foi a vitória do menos rejeitado. Numa eleição sem favoritos, os candidatos que passaram ao 2º turno tiveram uma diferença de 896 votos entre eles. Nanci, então deputado estadual eleito, com 82.848 e Dejorge, suplente de deputado federal, com 81.952 votos.

Chamo a atenção para o fracasso do prefeito que tentava a reeleição, Neilton Mulim, e seu amargo 3º lugar, com 65.922. Também lembro que o 4º lugar, o então desconhecido Brizola Neto, com o apoio da ex-prefeita Aparecida Panisset, conseguiu marcar 49.599 votinhos. Em suma, uma eleição parelha, com votos muito pulverizados.

Quando a questão território é posta à mesa, Dejorge Patrício, na teoria, seria um candidato São Gonçalo. Em 2012, em sua vitoriosa eleição a vereador, foi o candidato mais votado para o legislativo municipal, com 6.391 votos. Neste pleito, sua base era o bairro Boaçu, onde ele conseguiu quase 2.500 votos, com reflexos na Brasilândia, onde conseguiu mais cerca de 1.200, e no Mutuá. Porém, na falta de um candidato legitimamente alcantarense, foi o escolhido pela população do leste da cidade.

É possível também que a imagem de Dejorge como homem do povo tenha sido melhor recebida pelo leste da cidade. Há uma sensível desigualdade de renda entre São Gonçalo e Alcântara, sendo a última mais pobre e com menos infraestrutura.

Já José Luiz Nanci, sem dúvidas, é um candidato de São Gonçalo. Mora no Zé Garoto há anos, em frente ao Pronto Socorro Central, frequentava a Igreja Nossa Senhora das Graças, no Porto Velho, e faz questão de mostrar que curte a Praia das Pedrinhas. Conseguiu formatar em si o “gonçalense da antiga”, identificando-se com o lado oeste.

Na eleição geral de 2014, Nanci foi mais vitorioso

Em 2014, Dejorge Patrício foi candidato a deputado federal, obtendo 30.533 votos. Destes, 26.281 foram dentro de São Gonçalo. E em eleições sem favoritos, esse dado passa a fazer parte do cenário.

Nanci foi reeleito a deputado estadual com 36.356 votos em 2014, com 30.067 dentro de São Gonçalo. Além disso, Zé Luiz também contava com o nome de sua família sendo uma marca reconhecida dentro da cidade.

Nesta campanha, Dejorge passou por uma onda de ataques que envolviam histórias complicadas que colaram no candidato. Nanci surfou na rejeição do seu oponente, ganhando com 221.754 votos contra 191.699 de Patrício.

Ainda sim, mesmo parecendo uma eleição diferente das últimas, a de 2016 parece ter sido um exemplo de pleito que se repetirá em 2020.

Eleições 2020 – a lógica se confirmou

A eleição para prefeito de São Gonçalo, em 2020, se assemelhou a de 2016. Novamente, um prefeito impopular, Nanci, tentou a reeleição. Por outro lado, vimos o candidato a suplência de deputado estadual em 2018, o Capitão Nelson, mas que conseguiu assumir a vaga por conta da prisão do titular do partido, chegando à reta final em segundo lugar, mas virando o jogo nos últimos instantes.

Foi uma eleição menos aberta que a de 2016, que contou com a surpresa de outro suplente de 2018, o candidato Dimas Gadelha, do PT.

Mas a inexistência de uma personagem com a “cara” do lado Oeste (São Gonçalo), permaneceu. Já no lado Leste (Alcântara), houve muitos disputando o mesmo voto. Porém, o mais identificado com a região, sendo o seu reduto eleitoral, teve êxito. Em uma das zonas do lado leste, Nelson Ruas ganhou de lavada, confirmando a gangorra de escolhas.

Agora é aguardar os próximos anos, sempre de olho nessa lógica regional que se repete há mais de 30 anos.

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Itaipu já foi de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/itaipu-ja-foi-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/itaipu-ja-foi-de-sao-goncalo/#comments Mon, 20 Jul 2020 15:55:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7970 A lacuna sobre a história de São Sebastião de Itaipu e São Gonçalo começou a se completar, (pelo menos pra mim). Cheguei a um vídeo onde o ex-prefeito Bravo (1993-96) deu pistas sobre o motivo de Itaipu ter sido transferida para Niterói, na década de 1940. E cavucando mais, ainda achei um documento do IBGE. […]

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A lacuna sobre a história de São Sebastião de Itaipu e São Gonçalo começou a se completar, (pelo menos pra mim).

Cheguei a um vídeo onde o ex-prefeito Bravo (1993-96) deu pistas sobre o motivo de Itaipu ter sido transferida para Niterói, na década de 1940. E cavucando mais, ainda achei um documento do IBGE.

Segundo Bravo, o então interventor (governador nomeado) do RJ, Amaral Peixoto (genro de Getúlio Vargas e marido de Alzira Vargas), deu a um amigo um cartório que ficava em Itaipu, na época, São Gonçalo. O amigo reclamou. Queria o cartório na capital. E assim, o território foi reincorporado a Niterói.

E quando falo de “reincorporado”, precisamos lembrar que São Gonçalo é um território que se emancipou de Niterói, levando consigo as freguesias de “São Gonçalo”, São Sebastião de Itaipu e Nossa Senhora da Conceição do Cordeiro (a região de Santa Izabel).

Provavelmente, a freguesia de São Sebastião de Itaipu fora uma “Barra da Tijuca” há 100 anos atrás, o típico lugar longe que ninguém queria ir, antigamente. Poucos imaginavam que, um dia, as longínquas regiões à beira mar fossem tão valiosas, com royalties e especulação imobiliária, que impulsionaram os índices de qualidade de vida na região.

Se é uma lenda antiga ou realidade, a história faz sentido. No passado, as relações de poder eram mais curtas. Poucas pessoas conseguiriam ter instrumentos para manipular tantas coisas, no passado.

E assim, o decreto-lei estadual nº 1056, de 31-12-1943 determinou o futuro de municípios irmãos, 60 anos depois.

E hoje, Itacoatiara, Camboinhas, Piratininga e Itaipu são de Niterói.

OBS.: Historiadores de plantão, qualquer inconsistência, fiquem à vontade para me corrigir, por favor. 🙂

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Armando Gomes de Sá Couto, o português patrono do pronto socorro https://simsaogoncalo.com.br/armando-gomes-de-sa-couto/ https://simsaogoncalo.com.br/armando-gomes-de-sa-couto/#comments Thu, 13 Jun 2019 17:31:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7296 Há algum tempo atrás, sofri um pequeno acidente ao pular da janela de um ônibus com princípio de incêndio. Nada grave. Mas entre um corte e outro, lá fui eu para o Pronto Socorro Central tomar uns pontos, ali no Zé Garoto. É claro que não prestei muita atenção na fachada do hospital neste dia. […]

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Há algum tempo atrás, sofri um pequeno acidente ao pular da janela de um ônibus com princípio de incêndio. Nada grave. Mas entre um corte e outro, lá fui eu para o Pronto Socorro Central tomar uns pontos, ali no Zé Garoto. É claro que não prestei muita atenção na fachada do hospital neste dia. Depois, olhando com mais calma, vi que há um nome que batiza a unidade hospitalar. E assim fui buscar saber quem foi o Dr. Armando Gomes de Sá Couto e sua relevância na cidade.

Armando Gomes de Sá Couto, de Portugal a São Gonçalo

Armando Gomes de Sá Couto foi médico, professor, conferencista, desportista e professor de administração hospitalar. Era filho de Arlindo de Sá Couto e Beatriz Cruz de Sá Couto. Nasceu em Portugal (naturalizou-se brasileiro), em 20 de janeiro de 1926, chegou ao Brasil com 13 anos. Faleceu em 14 de novembro de 1975.

Iniciou seus estudos em casa, com os pais. Seu primeiro grau foi parte em Portugal. Mas concluiu os estudos no Brasil, quando aqui chegou com seus pais.

As últimas séries do ensino fundamental foram cursadas no Colégio Floriano Peixoto, ali no Barreto, em Niterói. O ensino médio foi feito no Colégio Plínio Leite. Logo depois, cursou a Faculdade de Medicina, atual UFF (Universidade Federal Fluminense).

Vida profissional

Já formado, o Dr. Armando de Sá Couto exerceu vários cargos e funções. Foi médico ginecologista e obstetra no INPS e na Prefeitura Municipal de São Gonçalo. Atuou como professor de Administração Hospitalar da Faculdade de Medicina de Teresópolis e na administração da Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima, aqui na cidade.

Foi diretor cirurgião do Hospital São Gonçalo, médico chefe de equipe, delegado regional do ex-Sandu (Hospital do INPS na Estrela do Norte), diretor do Pronto Socorro Municipal de São Gonçalo, interventor do Hospital Luiz Palmier, supervisor técnico da construção do Hospital Infantil de São Gonçalo, cirurgião e diretor geral do Departamento Médico Sanitário da Secretaria de Saúde e Assistência do Estado e, por fim, Secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Empreendeu viagens aos Estados Unidos em estudos e observações sobre saúde pública. Por conta de sua atuação no setor público, também proferia conferências em universidades sobre o Progresso da Saúde Pública no Estado do Rio de Janeiro e em outras localidades.

Recebeu títulos de cidadão honorário em diversas cidades brasileiras e norte-americanas, por conta de seu trabalho. Na vida social, fez parte do Clube Tamoio, Iate Clube Cabo Frio, Casa de Portugal de Petrópolis, entre outras agremiações relevantes em sua época.

Patrono da Escola no Largo da Ideia e Pronto Socorro

Além do Pronto Socorro Central, o Dr. Armando Gomes de Sá Couto também é patrono da Escola Estadual Dr. Armando de Sá Couto, na Estrada da Campanha, no Largo da Ideia.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Belarmino de Siqueira, o Barão de São Gonçalo que pertencia a Niterói https://simsaogoncalo.com.br/barao-de-sao-goncalo-belarmino-siqueira/ https://simsaogoncalo.com.br/barao-de-sao-goncalo-belarmino-siqueira/#comments Sun, 12 May 2019 15:18:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7034 Belarmino Ricardo de Siqueira, o Barão de São Gonçalo, foi um político, fazendeiro e industrial e proprietário de companhias de transportes. Filho do Coronel Carlos José Siqueira Quintanilha e de Maria Antônia do Amaral, nasceu em Madressilva, Saquarema, em 1791. Faleceu no dia 9 de setembro de 1873, no Cubango, Niterói. Atuou como comandante superior […]

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Belarmino Ricardo de Siqueira, o Barão de São Gonçalo, foi um político, fazendeiro e industrial e proprietário de companhias de transportes. Filho do Coronel Carlos José Siqueira Quintanilha e de Maria Antônia do Amaral, nasceu em Madressilva, Saquarema, em 1791. Faleceu no dia 9 de setembro de 1873, no Cubango, Niterói.

Atuou como comandante superior da Guarda Nacional dos Municípios de Magé e Niterói (São Gonçalo). Também foi provedor do Asilo de Santa Leopoldina.

Mesmo nascido em Saquarema, passou a sua vida dedicando-se a Niterói. Entretanto, vale destacar que, nessa época, São Gonçalo era um distrito niteroiense.

As terras de Belarmino eram extensas propriedades “gonçalenses”. Suas fazendas agrícolas se chamavam Engenho Novo e Jacaré. Elas ficavam na região compreendida entre o Patronato e o Porto Novo, tornando-o senhor absoluto da região durante o período imperial. O imperador D. Pedro II esteve diversas vezes em sua casa, inclusive na Fazenda do Engenho Novo.

Além da posse de bens em solo gonçalense, era possuidor de inúmeras outras propriedades, como em Niterói, no Centro, Cubango e Ingá; em Araruama; na cidade do Rio de Janeiro, na antiga Rua do Sacramento, número 13, até onde hoje é a Avenida Passos, em prédio de 3 andares praticamente um quarteirão, entrecortado pela Igreja de Nossa Senhora Lampadosa, ambos de sua propriedade.

Fazenda Engenho Novo, pertencente ao Barão de São Gonçalo
Fazenda Engenho Novo, de propriedade do Barão de São Gonçalo.

Sobre o título de Barão de São Gonçalo

Nos tempos do Império, muitos foram os cidadãos agraciados com o título de Barão, especialmente por conta da riqueza particular dessas pessoas. Leia a seguir o texto sobre o título do Barão de São Gonçalo.

“Recebendo em 1849, aos 58 anos, o título de Barão de São Gonçalo, pela sua diversificada projeção sócio-política e principalmente econômica, sabendo-se ainda que o Império Brasileiro assentou as suas bases na nobreza, Belarmino Ricardo de Siqueira recebeu ainda os títulos de Grande do Império (1854), Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial e Oficial da Imperial Ordem da Rosa (1855), e Comendador da mesma ordem (1876), Comandante Superior da Guarda Nacional de Magé e Niterói (1826 a 1842). Provedor do Asilo Santa Leopoldina, fundou e presidiu o Banco Rural e Hipotecário e membro do Conselho Fiscal do Instituto Fluminense de Agricultura, tornando-se, outrossim, detentor de honrosas láureas, proporcionando-lhe uma natural vaidade e um imenso orgulho pelo “status” ocupado, superior na época.”

O Imperador D. Pedro II, seu amigo pessoal, concedeu-lhe vários títulos, conforme as cópias dos Decretos que transcrevemos a seguir:

“– Sua Magestade, o Imperador, houve por bem nomear por Carta Patente de 22 do mês próximo pretérito, comandante Superior da Guarda Nacional dos Municípios de Niterói e Magé ao Coronel Belarmino Ricardo de Siqueira, que nesta data prestou juramento e tomou posse – o que de ordem do Exmo. Presidente da Província à Câmara Municipal de Niterói.

Secretaria do Governo da Província do Rio de Janeiro, 26 de julho de 1842 – João Cândido de Deus e Silva”

“–Querendo distinguir e honrar a Belarmino Ricardo de Siqueira: Hei por bem fazer-lhe mercê, em sua vida, o título de Barão de São Gonçalo. Palácio do Rio de Janeiro, em dezoito de abril de mil oitocentos e quarenta e nove, vigésimo oitavo da Independência e do Império” – P. Visconde de Montalegre”.

Final de vida e homenagem na Escola Estadual Barão de São Gonçalo

Facelendo na localidade do Cubango, em Niterói, aos 82 anos, solteiro, seu corpo foi transladado para o Rio de Janeiro, sendo embalsamado (primeiro caso no Brasil) e sepultado no jazigo-Capela número 387, na quadra A, no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, como era o seu desejo, inclusive manifestado em testamento.

As suas vísceras foram sepultadas no cemitério de Pachecos em São Gonçalo.

O diário Oficial do Estado do Rio, no seu número 26 de abril de 1971, publicou a notícia da criação do Grupo Escolar Barão de São Gonçalo. Tratava-se de uma medida de justiça do Governador do Estado, pois o Grupo Escolar anterior, com o mesmo nome, foi incompreensivelmente substituído por outra escola com outro patrono. O município de São Gonçalo estava em dívida com a pessoa que foi Belarmino Ricardo de Siqueira, mais tarde, Barão de São Gonçalo.

A Escola Estadual Barão de São Gonçalo está localizada na Rua Dalva Raposo, 215, Maria Paula. Em 1996, ano de publicação do livro “Gonçalenses Adotivos“, funcionava em três turnos com mais de 1.000 alunos cursando o primeiro grau completo (hoje ensino fundamental).

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Aécio Nanci – médico, político e filho de Clélia Nanci https://simsaogoncalo.com.br/aecio-nanci-medico-politico-clelia-nanci/ https://simsaogoncalo.com.br/aecio-nanci-medico-politico-clelia-nanci/#comments Tue, 02 Apr 2019 14:14:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6991 A história de José Luiz Nanci (2017–2020) na política não começou ontem. Aliás, seu início é de antes do próprio prefeito nascer. E o responsável por isso foi Aécio Nanci, seu tio. Nascido no estado de São Paulo, teve uma carreira política bem-sucedida aqui no Rio, popularizando um nome até hoje conhecido na política do […]

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A história de José Luiz Nanci (2017–2020) na política não começou ontem. Aliás, seu início é de antes do próprio prefeito nascer. E o responsável por isso foi Aécio Nanci, seu tio. Nascido no estado de São Paulo, teve uma carreira política bem-sucedida aqui no Rio, popularizando um nome até hoje conhecido na política do leste fluminense.

A seguir, confira o texto extraído do livro Gonçalenses Adotivos São Gonçalo.

Aécio Nanci, o filho da Clélia Nanci

Aécio Nanci, médico, político, era filho de José Maria Nanci e Clélia Cazemiro Nanci. Nasceu em Barra Bonita, São Paulo, em 4 de agosto de 1912 e faleceu em setembro de 2001, aos 89 anos.

Clélia Nanci com Aécio Nanci Filho, o Aecinho
Clélia Nanci (15/08/1879 – 04/05/1963) com Aécio Nanci Filho, seu neto e filho de Aécio Nanci. A matriarca da família é mais conhecida por ter batizado o Instituto de Educação Clélia Nanci, na Brasilândia, São Gonçalo.

Estudou as primeiras letras em casa. Já o primário, ginásio e preparatório (ensinos fundamental e médio), no Colégio Brasil, de 1926 a 1933.

Cursou a Faculdade Fluminense de Medicina, hoje curso de Medicina da UFF, no período de 1934 a 1939, onde colou grau em 19 de dezembro de 1939. Frequentou os cursos de Ginecologia e Cirurgia na Santa Casa de Misericórdia, na cidade do Rio de Janeiro, de 1948 a 1950, ministrados pelo professor M. Fabião. Na Policlínica de Niterói e Hospital São João Batista, Aécio cursou Cirurgia Geral de 1950 a 1952, no curso ministrado pelo professor Francisco Pimentel. Já no Hospital de São Gonçalo, fundou o Centro de Estudos, realizando palestrar e trabalhos.

A atuação como médico

Médico formado, Aécio Nanci trabalhou no Hospital e Pronto Socorro de São Gonçalo como cirurgião geral de 1940 a 1955. Foi chefe de enfermaria e serviço geral de cirurgia durante 6 anos. No período de 1950 a 1956, foi escolhido pela direção e pelos colegas que ali exerciam suas funções para ser diretor técnico do hospital.

Trabalhou também na Companhia EletroQuímica Fluminense (1944–1954), na Companhia Brasil de Seguros S/A (1948–1953) e na Prefeitura Municipal de São Gonçalo (1942–1948).

Na Policlínica de São Gonçalo, foi fundador, médico e diretor técnico no período de 1949 a 1956. Fundou a Casa de Saúde São José (hoje Hospital São José dos Lírios), sendo seu proprietário. Lá, atuou também como médico e diretor técnico, de 1956 até seus últimos anos de vida. Foi sócio da Casa de Saúde Menino de Deus e da Casa de Saúde Santa Terezinha.

O político em São Gonçalo

Como político, Aécio Nanci foi deputado estadual por três legislaturas, sendo eleito como representante de São Gonçalo no período de 1954 a 1966. foi secretário da Assembleia Legislativa e Vice-presidente. Em 1946, foi nomeado prefeito de São Gonçalo por 30 dias.

Durante o período como deputado estadual, trouxe para a cidade o Instituto de Educação Clélia Nanci, situado na Brasilândia, que leva o nome de sua mãe.

Por sua influência e atuação como deputado, vieram também o Grupo Escolar Ismael Branco, no Mutuá; a Escola Pública Municipal, na Praia da Luz; o Grupo Escolar Vital Brasil, em Monjolos; e as Escolas Públicas no Engenho Pequeno, Boaçu, Vidreira, Rocha e Colubandê.

Uma outra necessidade da época eram os telefones públicos, fornecidos pela Companhia Telefônica Brasileira, sendo instalados em Cabuçu, Monjolos, Santa Isabel, Raul Veiga e Laranjal. Além do fornecimento de água e luz para outras localidades carentes na cidade.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Francisco Lima, o homem que guardava o Gradim no coração https://simsaogoncalo.com.br/francisco-lima-gradim-no-coracao/ https://simsaogoncalo.com.br/francisco-lima-gradim-no-coracao/#comments Thu, 21 Feb 2019 13:38:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7038 Francisco Lima foi político, tendo mandatos como vereador, deputado estadual e prefeito de São Gonçalo, além de ser comerciante, fazendeiro e membro de várias associações filantrópicas. O filho de Maria Felisberta de Grinald Lima e Bento José da Costa Lima nasceu em Saquarema, em 4 de junho de 1880. Faleceu em São Gonçalo, em 7 de […]

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Francisco Lima foi político, tendo mandatos como vereador, deputado estadual e prefeito de São Gonçalo, além de ser comerciante, fazendeiro e membro de várias associações filantrópicas.

O filho de Maria Felisberta de Grinald Lima e Bento José da Costa Lima nasceu em Saquarema, em 4 de junho de 1880. Faleceu em São Gonçalo, em 7 de março de 1940.

Desde novo, dedicou-se à vida comercial. Prosperou graças ao seu espírito de iniciativa e dotes de caráter e inteligência.

Casou-se com Maria Cristina Torres e Lima, de tradicional família gonçalense. Desse casamento, nasceram dois filhos: Celso e Cléa Torres Lima. Francisco Lima fez de São Gonçalo a terra de seu coração.

Coronel Francisco Lima e sua esposa Maria Cristina Torres do Gradim
O casal Coronel Francisco Lima e Maria Cristina Torres e Lima.

Francisco Lima e sua participação política em São Gonçalo

Grande proprietário nas localidades de Neves e Gradim, foi político na cidade, sendo vereador e deputado estadual. Como prefeito, esteve no cargo entre 1937 e 1938.

Por seu espírito cristão, esteve presente em todas as campanhas filantrópicas de São Gonçalo, tais como o Patronato de Menores, a Caixa dos Pobres do Município e a construção do hospital de São Gonçalo, o hoje conhecido como Dr. Luis Palmier.

Ardoroso partidário de Nilo Peçanha, vinculou-se à política chefiada pelo sétimo presidente do Brasil. Foi um grande defensor dos pescadores do Gradim, bairro onde desfrutava da simpatia dos moradores.

Exerceu os cargos de delegado de Polícia e Juiz de Paz. Posteriormente, foi eleito vereador na Câmara Municipal de São Gonçalo. Em outubro de 1934, elegeu-se deputado para a Assembleia Constituinte do Estado do Rio de Janeiro, onde ocupou o cargo de membro da Comissão de Agricultura, Viação e Obras Públicas. Após esse período, exerceu, também, o cargo de prefeito de São Gonçalo entre 1937 e 1938.

Em homenagem aos relevantes serviços prestados por esse “ilustre gonçalense”, a Prefeitura de São Gonçalo deu seu nome à uma rua no bairro Gradim.

Outra importante homenagem é o batismo da Colégio Estadual Coronel Francisco Lima, que fica na Rua Visconde de Itaúna, também no Gradim, tendo esse importante personagem como seu patrono.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Adino Xavier: de Cantagalo ao Colégio no Mutondo https://simsaogoncalo.com.br/adino-xavier-mutondo/ https://simsaogoncalo.com.br/adino-xavier-mutondo/#comments Thu, 14 Feb 2019 03:01:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6987 Quem mora no Mutondo, Trindade ou Nova Cidade conhece bem esse nome: Adino Xavier. Um dos colégios mais relevantes da região, que até já ganhou um conto da Damiana Duarte, hoje tem aqui a história do personagem gonçalense que emprestou seu nome para batizá-lo. Adino Xavier, da justiça à vida pública Adino Maciel Xavier, político, advogado, […]

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Quem mora no Mutondo, Trindade ou Nova Cidade conhece bem esse nome: Adino Xavier. Um dos colégios mais relevantes da região, que até já ganhou um conto da Damiana Duarte, hoje tem aqui a história do personagem gonçalense que emprestou seu nome para batizá-lo.

Adino Xavier, da justiça à vida pública

Adino Maciel Xavier, político, advogado, tabelião, foi ministro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Presidiu a Caixa Escolar do Município de São Gonçalo, foi secretário de Justiça e presidente do PSP (Partido Social Progressista) na cidade. Presidiu também o Patronato de Menores, instituição que deu origem ao nome do bairro Patronato.

O filho de Arthur Cândido Xavier e de Rosa Maciel Xavier, nasceu em Cordeiro, na época, pertencente ao município de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 1892. Faleceu em São Gonçalo, em 18 de novembro de 1958.

Adino Xavier era casado com Hilda de Morais Xavier. Com ela, teve dois filhos: Lúcia e Nelson. O segundo, oficial de alta patente na Marinha Brasileira.

Foi oficial de Registro de Imóveis (quarto e quinto distrito), no Cartório Adino Maciel Xavier. Tornou-se presidente do Rotary Club de Niterói, Presidente do PSP de São Gonçalo e candidato a deputado.

Grupo Escolar Adino Xavier, 1930.
Grupo Escolar Adino Xavier nos anos 30. Há informações que indicam que esse prédio foi demolido para a construção do atual Colégio Estadual Adino Xavier, no Mutondo.

Participação política na cidade

Advogado e influente político na cidade, onde foi tabelião por muitos anos, gozava de máxima consideração de todos. Pelos superiores atributos morais e intelectuais que o caracterizavam, sua personalidade marcante impressionava a todos.

Seus valiosos dotes de espírito fizeram-no ser lembrado pelo então governador, Ernani do Amaral Peixoto, que o nomeou ministro do Tribunal de Contas do Estado. Sua posse foi em 22 de agosto de 1952.

Como presidente da Caixa Escolar de São Gonçalo, esteve sempre presente em todas as reuniões sociais, culturais ou empreendimentos que visassem ao progresso, bem estar e grandeza da cidade e da pátria.

Em sua homenagem, foi batizado o Colégio Estadual Adino Xavier, situado na Travessa Adélia Martins, Mutondo. Em 1996, ano da publicação do “Gonçalenses Adotivos”, a escola funcionava com 4 turnos e mais de 3000 alunos, com Ensino Fundamental completo (antigo 1º grau), sendo um dos maiores do estado.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Lauro Corrêa: empreendedor e marido da Leonor, a dona da Trindade https://simsaogoncalo.com.br/lauro-correa-marido-leonor-trindade/ https://simsaogoncalo.com.br/lauro-correa-marido-leonor-trindade/#comments Thu, 07 Feb 2019 03:01:22 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=7004 Antes de São Gonçalo existir como cidade, o que havia eram fazendas. Uma delas era a Fazenda Trindade, comprada por Francisco José Ramos e D. Thereza Maria Moreaux Ramos em 1877. Após falecimento dos pais, a filha, Leonor Moreaux Ramos, herdou-a. Leonor se casou com Lauro Corrêa, que reativou a fazenda que ficava onde hoje […]

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Antes de São Gonçalo existir como cidade, o que havia eram fazendas. Uma delas era a Fazenda Trindade, comprada por Francisco José Ramos e D. Thereza Maria Moreaux Ramos em 1877. Após falecimento dos pais, a filha, Leonor Moreaux Ramos, herdou-a. Leonor se casou com Lauro Corrêa, que reativou a fazenda que ficava onde hoje é o bairro, um dos maiores de São Gonçalo.

Leonor Corrêa e Lauro Corrêa, os beneméritos da Trindade
Foto do casal Leonor Corrêa e Lauro Corrêa, os proprietários da Fazenda Trindade, onde hoje fica o bairro de São Gonçalo. Foto: Acervo familiar cedido por Paulo Roberto Baptista, neto do casal.

Um Rio Bonitense nas terras da Trindade

Lauro Augusto Corrêa foi político, comerciante, fazendeiro e proprietário da fazenda da Trindade. Nasceu em Rio Bonito, em 18 de agosto de 1876. Faleceu em São Gonçalo, em 22 de julho de 1938.

Mudou-se para São Gonçalo ainda criança, tendo aqui passado sua existência. Foi casado com Leonor Ramos Corrêa. O casamento gerou os filhos

Margarida Ramos Corrêa Pinheiro, professora, casada com Eros Correa; Levy Libório Ramos Corrêa, advogado, casado com Abeacy Corrêa; Marina Corrêa de Carvalho, casada com o advogado Humberto Soeiro de Carvalho; Maria Leonor Corrêa Baptista, contadora, casada com Laênio Baptista, comerciante; e Lauro Augusto Corrêa Filho, contador, casado com Maria da Penha Corrêa.

Leonor Corrêa - Origem do Bairro Trindade
Leonor Corrêa, a dona da Trindade e esposa de Lauro Corrêa.

Foi comerciante e fazendeiro. Lauro era proprietário da fazenda da Trindade, situada no Primeiro Distrito de São Gonçalo. A mesma foi loteada, em 1951, por sua viúva e filhos, criando assim o atual bairro Trindade.

Clique e conheça a história completa sobre a Trindade.

Lauro Corrêa e a política gonçalense

Lauro teve intensa atividade em prol da comunidade, tendo sido vereador em três legislaturas, com o detalhe de ter sido presidente da Câmara Municipal em todas elas.

Foi fundador e presidente da União de Varejistas de São Gonçalo, atual Associação Comercial; e fundador e presidente do Abrigo Amor ao Próximo, a mais antiga obra filantrópica do município, destinada ao amparo à velhice desvalida e fundador/diretor da Associação Mantenedora do Hospital de São Gonçalo, obra filantrópica.

A Escola Estadual Lauro Corrêa

Durante dezoito anos, Lauro manteve uma escola pública, com professora diplomada, em sua fazenda.

O Grupo Escolar, hoje Escola Estadual Lauro Corrêa, situada na Rua Macaé, na Trindade, foi constituído no ano de 1965, pela Prefeitura Municipal de São Gonçalo, no terreno doado pelos filhos herdeiros, que também colaboraram financeiramente na construção. Anos depois, foi passado para o Estado do Rio de Janeiro, em decorrência de convênio firmado pela prefeitura.

Na época de publicação do livro “Gonçalenses Adotivos” (1996), a escola funcionava em três turnos, com mais de mil alunos, cursando o ensino fundamental.

O nome de Corrêa foi dado ao Grupo Escolar através de uma lei estadual aprovada em 1965, como homenagem, não somente à sua atuação na comunidade gonçalense, nas entidades a que pertenceu, como, principalmente, por sua dedicação ao ensino, fundando e mantendo uma escola por mais de 18 anos.

Agradecimento

Queria agradecer ao Paulo Roberto Baptista, neto do casal Leonor Corrêa e Lauro Corrêa, pela foto inédita de seus avós ainda jovens, além das eventuais correções e indicações sobre como tudo aconteceu. Muito obrigado!

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Ismael Branco: um construtor da São Gonçalo que conhecemos https://simsaogoncalo.com.br/ismael-branco-mutua-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/ismael-branco-mutua-sao-goncalo/#comments Thu, 31 Jan 2019 03:00:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6970 Se você for do Mutuá ou bairros próximos, certamente já ouviu falar da Escola Estadual ismael Branco. Pensando na curiosidade das pessoas que, como eu, não conheciam a história deste personagem gonçalense, segue o texto extraído do livro “Gonçalenses Adotivos”, agora publicado aqui, no SIM São Gonçalo. Ismael Branco – um gonçalense rio Bonitense Ismael da […]

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Se você for do Mutuá ou bairros próximos, certamente já ouviu falar da Escola Estadual ismael Branco. Pensando na curiosidade das pessoas que, como eu, não conheciam a história deste personagem gonçalense, segue o texto extraído do livro “Gonçalenses Adotivos”, agora publicado aqui, no SIM São Gonçalo.

Ismael Branco – um gonçalense rio Bonitense

Ismael da Silva Branco foi auxiliar de guarda-livros, contabilista e político. Filho de Cyrilo da Silva Branco e de Maria Pereira Branco, nasceu em Rio Bonito, em 14 de agosto de 1890. Faleceu em 7 de outubro de 1960, em São Gonçalo.

Casado com Alice de Souza, teve como filhos: o médico Amilse Ismael Branco, o advogado Euler Ismael Branco, a perita-contadora Ilcéa Branco Nanci, contador Hélio Ismael Branco, secretária Maria Alice Branco Braga, e as professoras Elce Branco de Oliveira e Leda Branco.

Ismael estudou as primeiras letras em casa com os pais. O curso primário foi em Rio Bonito. Após, concluiu o curso técnico em contabilidade na Academia Fluminense de Comércio, no Jardim de São João, em Niterói, que na época ainda era capital do Rio de Janeiro.

Aos 15 anos, preocupado em continuar seus estudos, resolveu morar em São Gonçalo. Ocupou cargo público na Prefeitura de São Gonçalo. Mais tarde, abandonou o seu emprego, dizendo que preferia lutar de forma independente, pois tinha um ideal maior em sua vida.

Iniciando sua vida, ainda jovem, dedicou-se à contabilidade, como guarda-livros. Depois, tornou-se auxiliar, trabalhando na fábrica de chumbo outrora existente no Barreto. Nela, foi eficiente colaborador, adquirindo neste local amigos e sendo muito estimado por todos.

Não satisfeito com a condição de auxiliar de guarda-livros, continuou estudando com sacrifício. Conseguiu diplomar-se em técnico de contabilidade, pela Academia Fluminense de Comércio. Nesta época, já estava casado e com sete (7) filhos.

Vida política

Ismael Branco teve intensa atividade em prol da comunidade. Foi vereador em São Gonçalo por duas (2) legislaturas, exercendo o cargo de vereador em caráter gratuito. Foi diretor (secretário) de Fazenda na prefeitura de São Gonçalo. Fundou o Tamoio Futebol Clube, sendo o seu primeiro presidente em 1918. Fundou também a Praça 5 de julho, atual Estephânia de Carvalho (também conhecida como pracinha do Zé Garoto).

Ismael Branco foi fundador do Hospital Luiz Palmier (ocupando todos os cargos administrativos por mais de 15 anos gratuitamente), participando também da fundação do Centro de Puericultura e de sociedades culturais e literárias do Município de São Gonçalo. Legou o seu nome às iniciativas mais beneméritas e filantrópicas de 1920 a 1950, contribuindo ao máximo para o progresso de São Gonçalo.

O batismo da escola no Mutuá

Em reconhecimento público pelo legado deixado por Ismael Branco à sua gente, o então deputado Aécio Nanci, propôs conferir ao Grupo Escolar do Mutuá, hoje Escola Estadual, o nome de Ismael Branco. A iniciativa teve o apoio dos deputados gonçalenses: Hamilton Xavier, Zeir Porto, Walter Orlandino e Flávio Monteiro de Barros. As obras foram iniciadas no governo Miguel Couto Filho (1954 – 1958) e terminadas na administração de Paulo Francisco Torres (1964 – 1966).

Na época da publicação deste livro (1996), a Escola Estadual Ismael Branco, situada na Rua Lengruber, Mutuá, funcionava em três turnos, com mais de 1000 alunos, cursando da primeira à oitava séries.

Observação: O texto sobre este personagem da história gonçalense foi extraído da biografia feita pela contadora e filha de Ismael Branco, Ilcéa Branco Nanci.

Agradecimento

Fica aqui meu agradecimento ao autor Salvador Mata e Silva (1943–2016) por deixar registrado em seu livro a permissão para reprodução do livro. Espero que cada vez mais gonçalenses tenham acesso a história de sua cidade.

Fonte:

SILVA, Salvador Mata e, 1943
Gonçalenses Adotivos São Gonçalo;
Rio de Janeiro: Companhia das Artes
Gráfica, 1996
130 p.; 21cm (coleção/IPDESG)
1. São Gonçalo (RJ) – Biografia. I. Título
CDD (18ª) 920-0815

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Gonçalenses Adotivos: uma obra a serviço da memória da cidade https://simsaogoncalo.com.br/goncalenses-adotivos-memoria-cidade/ https://simsaogoncalo.com.br/goncalenses-adotivos-memoria-cidade/#comments Wed, 30 Jan 2019 11:08:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6977 Cheguei ao livro Gonçalenses Adotivos por acaso. Ainda sim, foi um dos melhores livros que adquiri em 2018. Começou quando pedi algumas referências de autores que escreveram sobre a história de São Gonçalo ao historiador Luciano Tardock. E assim, o nome de Salvador Mata e Silva veio entre os primeiros da lista. Ao buscar o […]

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Cheguei ao livro Gonçalenses Adotivos por acaso. Ainda sim, foi um dos melhores livros que adquiri em 2018. Começou quando pedi algumas referências de autores que escreveram sobre a história de São Gonçalo ao historiador Luciano Tardock. E assim, o nome de Salvador Mata e Silva veio entre os primeiros da lista.

Ao buscar o livro “São Gonçalo 1890-1990”, com a coautoria de Osvaldo Luiz Ferreira, achei também o “Gonçalenses Adotivos”. Quando recebi as publicações, a segunda saltou aos olhos. Descobri que o livro era recheado de biografias de personagens que não nasceram em São Gonçalo, mas fizeram história na cidade. Não por acaso, ainda hoje, batizam escolas, praças, entre outros equipamentos públicos.

A obra foi publicada como parte integrante da coleção IPDESG. O Instituto de Pesquisas, Estudos e Desenvolvimento Gonçalense foi criado em 1995. Sua missão é uma das mais nobres possíveis: “promover o debate sobre problemas que afetam os cerca de mais de um milhão de Gonçalenses”.

Livros "São Gonçalo, 1890-1990" e "Gonçalenses Adotivos, ambos de Salvador Mata e Silva
Livros “São Gonçalo, 1890-1990” e “Gonçalenses Adotivos, ambos de Salvador Mata e Silva.

Gonçalenses Adotivos ganhando a internet

Logo nas primeiras páginas do livro, li que “É permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte”. Estava ali a senha dada pelo autor, mostrando seu desejo de que as informações buscadas por ele se espalhassem entre toda a São Gonçalo.

Em 1996, ano do lançamento do livro, a internet ainda dava passos curtos. Os livros e os outros impressos eram as formas de difusão do conhecimento. Agora, 23 anos depois, a informação está na tela dos celulares da maioria da população brasileira. E talvez seja o momento perfeito para ampliar o acesso ao conteúdo que conta um pouco dessa nossa trajetória como a 16ª maior cidade do Brasil.

A partir dessa semana, vamos publicar semanalmente a história dessas dezenas de gonçalenses adotivos e seus feitos que perduram até hoje. Confira!

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O sonho do menino construtor https://simsaogoncalo.com.br/goncalense-futebol-clube-menino-construtor/ https://simsaogoncalo.com.br/goncalense-futebol-clube-menino-construtor/#respond Fri, 18 May 2018 15:14:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6592 Amanhã, 19 de maio, começa a Segunda divisão do campeonato carioca de futebol profissional. Longe do glamour de Copas, de carrões e atrizes globais, vinte times dos mais variados rincões do Estado irão se estapear em estádios de várzea pela glória do acesso à primeira divisão – e o Gonçalense é um deles. Sou um […]

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Amanhã, 19 de maio, começa a Segunda divisão do campeonato carioca de futebol profissional. Longe do glamour de Copas, de carrões e atrizes globais, vinte times dos mais variados rincões do Estado irão se estapear em estádios de várzea pela glória do acesso à primeira divisão – e o Gonçalense é um deles.

Sou um apaixonado por futebol desde que me entendo por gente. Cresci com sangue rubro-negro, gozando dos auspícios daquele escrete absurdo dos 80. Acompanho, vejo, vibro, choro e fico puto. Copa? Quero ver todos os jogos, desde clássicos como Inglaterra e Alemanha (que clássico!) até Togo x Sérvia. Futebol é muito mais do que apenas futebol – mas nem é disso que queria falar.

Preciso confessar que o 7 x1 acabou comigo. Eu achava que entendia – pelo menos um pouco – de futebol, e me vi atônito assistindo ao massacre alemão. Ora, 7×1 é um placar dilatado até em peladas infantis, em uma Copa do Mundo, entre seleções gigantes, é uma aberração. Fiquei desolado com o futebol, sem nenhum sinal daquela paixão toda de outrora. Até que veio o Gonçalense, a Segundona, e eu me encantei novamente.

Eu já disse em vários de meus textos que esta cidade é um cemitério de sonhos. Um município de proporções consideráveis, com mais de um milhão de habitantes, e o signo da derrota cravado em seu DNA. Quantos já não tentaram e fracassaram? Muitos pedem cidadania no município vizinho, outros desistem, mas a verdade é que é muito difícil vencer em São Gonçalo. Você pode vencer APESAR de São Gonçalo, mas vencer EM São Gonçalo é para os raros.

E convenhamos: o futebol do Rio é fraco. Senhores – e senhoras, por que não? – nosso ufanismo é meRmo contagiante, mas a verdade (como se ela fosse minha) é que a representatividade nacional de nosso Estado é pífia. Nos últimos anos chegamos a ter menos times na primeira divisão do que Santa Catarina. Nada pessoal contra os barrigas-verdes, inclusive meus parentes por matrimônio que lá habitam, mas carregamos o peso da História e não estamos fazendo por onde merecê-lo. Solução? Não, não vejo. Mas que possamos tomar como exemplo o futebol de São Paulo, com times do interior fortalecidos. São Gonçalo e Niterói sempre forneceram craques para os grandes times, e nunca tiveram um time que abraçasse essa vocação e esses jovens, espalhados por nossos campinhos de pelada e quadras de colégio. Até pouco tempo.

Até um menino construtor sonhar alto, e decidir fazer um time na cidade. Dono de uma empresa de construção civil, Joacir decidiu um dia que deveria e poderia devolver a esta cidade tudo o que ela lhe proporcionou. Depois de uma passagem frustrada por outro time de São Gonçalo (criado com outras ambições), ele funda o Gonçalense Futebol Clube. O Tricolor Metropolitano, o time que já nasce com um milhão de torcedores. Às próprias expensas, inicia a construção de um estádio e um time em 2014, já campeão da Terceira Divisão, em cima justamente de seu maior rival (eu estava lá – mas um dia eu conto essa emoção). Em 2015, faz bonito na Segundona do Carioca, batendo adversários centenários e colocando São Gonçalo no mapa. Mas como em toda jornada do herói, nosso escrete sofre um forte revés.

A crise do setor de Construção Civil atinge com vontade, e se alia de forma nefanda ao descaso do Poder Público, que se recusa a validar a construção do estádio. Um projeto lindo, uma arena com capacidade para 40 mil pessoas, às margens da Niterói-Manilha (inclusive se tornando opção para os times de grande investimento), gorado no ninho pela inabilidade de nossos governantes. Não, não era dinheiro que o Gonçalense queria, o dinheiro vem todo do bolso da família Thomaz, do sonho daquele menino construtor, que gostava de futebol e queria ver sua cidade ter um time de expressão. Laudos, autorizações, endossos municipais Parecia que mais um sonho engrossaria as estatísticas em nossa cidade onirocida.

Mas peraí. Sábado agora começa a Segundona, e o Gonçalense estreia contra o Barcelona, lá no Los Larios. De time reformulado, O técnico Thiago Thomaz conta com novas caras e velhos amigos para o início de mais uma jornada. Nesta cidade de mais de um milhão de habitantes, é quase uma obrigação a todos que gostam de futebol apoiar. Torcer, ir aos jogos (eu vou!), participar do dia a dia do clube. Porque não podemos deixar mais este sonho morrer, não é só o Joacir, o Thiago e o Rodrigo Santos: somos todos nós.

PS.: Eu fiz um hino para o Gonçalense. Bom, pode não se nunca o hino do Gonçalense Futebol Clube, mas é o MEU hino para o escrete. Com amor.

Hino do Gonçalense Futebol Clube
(Rodrigo Santos)

Do sonho do menino construtor
Nasceu o mais novo amor dessa cidade
Seus guerreiros são forjados no calor
Tua conquista é a nossa felicidade

Com as bênçãos do Santo Violeiro
E a paixão da Manchester fluminense
A coragem estampada em seu manto
Estamos juntos, meu eterno Gonçalense!

Escrevendo a nova história da cidade
Vem demonstrar, no gramado, o seu valor
Com força de um milhão de apaixonados
Entra em campo o mais novo tricolor!

(refrão)
Do sonho à glória
Que bela a tua história
Ao teu lado quando perde e quando vences
Tricolor Metropolitano
Campeão de mais um ano
Tu representas a coragem, Gonçalense!

PS2: O time agora tem projeto de sócio-torcedor, vai lá! Junte-se a nós!

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Viradouro, Porto da Pedra e a representatividade das escolas de samba https://simsaogoncalo.com.br/viradouro-porto-da-pedra-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/viradouro-porto-da-pedra-goncalense/#comments Mon, 19 Feb 2018 16:46:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6183 Em fevereiro de 2018, a Viradouro sagrou-se campeã do grupo de acesso das escolas de samba do Rio de Janeiro. Com essa vitória, conseguiu seu retorno ao grupo Especial. Na mesma competição, a Unidos do Porto da Pedra ficou em 3º lugar. E no próximo ano, tentará novamente uma vaga na elite. Para conhecer a […]

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Em fevereiro de 2018, a Viradouro sagrou-se campeã do grupo de acesso das escolas de samba do Rio de Janeiro. Com essa vitória, conseguiu seu retorno ao grupo Especial. Na mesma competição, a Unidos do Porto da Pedra ficou em 3º lugar. E no próximo ano, tentará novamente uma vaga na elite.

Para conhecer a histórias das duas escolas, clique a seguir em:

A intenção aqui é falar sobre a representatividade das escolas de samba locais no carnaval. Isso envolve, inclusive, o bairrismo recente que tenta opor as duas agremiações que representam a cidade no carnaval carioca. Os argumentos são passionais, fáceis de acreditar, especialmente se você for um “gonçalense novo”, ou seja, começou a pouco tempo a ter uma identificação com a cidade.

Desfile da Porto da Pedra em 2018, no grupo de acesso.
Rainha de bateria Danielle Ferreira no desfile da Porto da Pedra em 2018, no grupo de acesso. Foto: O Carnavalesco / Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Já de antemão, agradeço a André Churros, fundador do São Bloco e mestrando em Estudos Literários pela UERJ/FFP, pela consultoria.

Uma escola de samba entre cidades irmãs

A Viradouro é uma das raras escolas de samba que se divide em 2 cidades: São Gonçalo e Niterói. Desde o samba de 1994, “Tereza De Benguela – Uma Rainha Negra No Pantanal”, já era possível ouvir o intérprete, Rico Medeiros, anunciando as duas cidades no início do samba-enredo, em seu grito de guerra.

Mas foi na voz de ouro de Dominguinhos do Estácio que o clássico “Alô, Niterói. Alô, São Gonçalo. Olha a Viradouro Chegando” tornou-se uma marca inconfundível, selando o vínculo definitivo da escola entre as duas cidades.

A estratégia acertada da Viradouro em conclamar ambos os municípios no início dos sambas já mostrava a percepção do crescimento da Porto da Pedra. Em 1994, a Porto já desfilava entre as escolas cariocas, com o objetivo de chegar ao sonhado Grupo Especial.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro
O bonde que fazia o retorno no “Viradouro” em Santa Rosa, Niterói.

Mesmo com seu início no “Viradouro dos Bondes” (em Santa Rosa), foi no Barreto – bairro que fica na divisa entre as duas cidades – que a escola fez sua história mais recente. O fácil acesso a ambos os municípios fez com que seus cidadãos participassem das atividades da escola, ajudando-a, inclusive, no caminho vitorioso das décadas anteriores.

Ensaios da Viradouro em São Gonçalo

Para os gonçalenses novos, que não presenciaram os anos 90 e a primeira metade dos anos 2000, é interessante lembrar que a Viradouro fazia seu primeiro ensaio preparativo para o carnaval no trecho entre o Paraíso e a Mangueira.

Quadra da Viradouro no Barreto em 2014, quando a escola conseguiu retornar ao grupo especial. Foto: Márcio Oliveira
Quadra da Viradouro no Barreto em 2014, quando a escola conseguiu retornar ao grupo especial. Foto: Márcio Oliveira

Os ensaios de rua sempre foram um dos melhores captadores de novos fãs para as escolas. A Viradouro, em especial, fazia seus ensaios ao final das tardes, o que levava muitas famílias às ruas. Ainda criança, eu ia com minha avó. Situação bem diferente de hoje, em que os ensaios da Porto da Pedra são à noite e não têm o mesmo perfil familiar, notando-se a pouca participação de crianças, infelizmente.

Ainda me recordo do ensaio de 2001. Foi um ensaio de rua marcante, especialmente pela presença da Luma de Oliveira, modelo de sucesso da época, à frente da bateria do Mestre Ciça. A rua estava lotada num nível difícil de mensurar.

Os ensaios na cidade acabaram ainda nos anos 2000, quando a escola limitou-se a ensaiar na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, no Centro de Niterói. Um dos prováveis motivos foi a falta de apoio dos governos locais na logística do fechamento das ruas.

Há também quem diga que o horário dos desfiles no Paraíso/Patronato interferia no andamento da missa da Igreja Nossa Senhora Aparecida, que ocorria no mesmo horário. Quem participou da escola na época, diz que ao passar pela igreja, o carro de som e a bateria precisavam parar suas atividades, retomando-as mais à frente.

A Porto da Pedra contornou esses problemas jogando seus ensaios para mais à noite.

Portal da Loucura da Porto da Pedra em 1997, no samba que conquistou o quinto lugar no grupo especial
Portal da Loucura da Porto da Pedra em 1997, no samba que conquistou o quinto lugar no grupo especial, retornando no sábado das campeãs.

Uma era vitoriosa de Viradouro e Porto da Pedra

O ano de 1997 foi um marco para Porto da Pedra. Em seu segundo ano como desfilante na Sapucaí, a escola conseguiu um memorável 5º lugar, voltando entre as campeãs no sábado seguinte.

Maior ainda foi a emoção da Viradouro, quando, com o enredo “Trevas! Luz! Explosão do Universo”, de Joãozinho Trinta, sagrou-se campeã daquele ano.

Naquele ano, após o fim da apuração das notas, era impossível sair, entrar ou transitar em São Gonçalo. No Barreto, principal entrada do município, a Viradouro comemorava o título inédito e, no Centro da cidade, a Porto da Pedra comemorava a colocação inédita. Hoje sabemos que este foi o máximo de representatividade que o leste fluminense pôde alcançar no quesito Carnaval.

O marco foi ainda mais intenso, pois as duas escolas que a representavam no Grupo Especial desfilaram no domingo pós-carnaval, no Rodo.

Integração entre as escolas do leste fluminense

Mesmo com o sucesso e a proximidade geográfica de ambas, parece que não havia um esforço para que elas se integrassem. Entre os componentes, a regra não dita era: “quando se desfila em uma, não se desfila na outra”.

E um grupo se destaca nesse ponto: a bateria.

Surdo de Primeira da Bateria Ritmo Feroz, da Unidos do Porto da Pedra.
Bateria Ritmo Feroz, da Unidos do Porto da Pedra. Fotografia: Jaylton Pimentel

Um dos promotores desses primeiros passos em direção à integração das baterias foi o Mestre Marcinho. Cria da Viradouro, Marcinho tornou-se um mestre de bateria de sucesso na escola Em Cima da Hora. Por ter se destacado, foi convidado a reger a Ritmo Feroz, a bateria da Porto da Pedra. Por seu histórico, conseguiu atrair alguns de seus parceiros para desfilar pela Porto.

“Eu me lembro do primeiro ensaio do Marcinho como Mestre da Porto da Pedra. Substituía o Mestre Cosme, que já estava na escola desde a ascensão ao grupo especial. Marcinho era um dos diretores auxiliares do Mestre Ciça na Viradouro e isso fez com que muitos de nós fôssemos ajudá-lo no novo trabalho. Na primeira reunião, ficou nítida a hostilidade de ambos os lados: de um lado, a galera da Porto; de outro, a gente da Viradouro, os forasteiros. Foi um começo complicado, mas, ao longo do tempo, o Marcinho conseguiu fazer um intercâmbio entre as baterias”, diz André Churros.

Aos poucos, quando os horários de desfile não interferiam, membros das duas escolas passaram a se frequentar mais, apesar de alguns relatos mencionarem que a Viradouro nem sempre recebesse membros da Porto tão bem.

Joãosinho Trinta na Sapucaí pela Viradouro em 1994
Joãosinho Trinta na Sapucaí pela Viradouro, ainda em 1994, com o enredo “Tereza De Benguela – Uma Rainha Negra No Pantanal”. Foto: Arquivo O Globo / Ivo Gonzalez

Retorno de mídia de Viradouro e Porto da Pedra

Apesar de termos poucos indicadores palpáveis sobre isso nas décadas passadas, é ponto pacífico que ainda há muita lembrança de ambas as marcas, quando o assunto é Niterói e São Gonçalo no grupo especial.

E nesse quesito, a Viradouro pode contribuir mais com sua história campeã.

De 1997 a 2007, a escola do Barreto voltou no Sábado das Campeãs por 9 vezes. Enquanto isso, a Porto da Pedra, que só voltou em 1997, trabalhava para fazer um bom desfile e se manter na categoria.

Joãosinho Trinta recebe Caetano Veloso na quadra da Viradouro, no Barreto em 1998. Foto: Carlos Ivan
Joãosinho Trinta recebe Caetano Veloso na quadra da Viradouro, no Barreto em 1998. Ao fundo, Tony Garrido, Cidade Negra. Foto: Carlos Ivan

Essa diferença marcou a Viradouro como uma escola de ponta, que disputa campeonato e tem cara de campeã. Isso, somado à equipe técnica da escola – que já teve em seu plantel nomes como os lendários Joãozinho Trinta, Mestre Ciça, Dominguinhos do Estácio, além das rainhas de bateria Luma de Oliveira e Juliana Paes em seus auges –, deram ainda mais credibilidade à bandeira da agremiação de São Gonçalo e Niterói.

Não se pode esquecer que, nos carnavais de 1997 e 1998, a Viradouro apresentou os 2 sambas que tiveram uma aceitação popular inimaginável naqueles carnavais e são cantados até hoje: “Vou cair na gandaia/Com a minha bateria/No balanço da mulata/A explosão de alegria” (1997) e “Hoje o amor está no ar/Vai conquistar seu coração/”Tristeza não tem fim, felicidade sim”/Sou Viradouro, sou paixão” (1998).

Acrescente-se a esses sambas o fato de a Unidos do Viradouro, em 1998, ter apresentado o enredo Orfeu, o Negro do Carnaval, baseado no mito grego e na peça de Vinicius de Moraes, que virou filme lançado em 1999, dirigido por Cacá Diegues. Todas as filmagens diretamente ligadas ao carnaval foram feitas na quadra, no barracão e no desfile da escola.

A Viradouro, então, era agora frequentada por personalidades como Caetano Veloso, Cacá Diegues, Toni Garrido, Patrícia França, Murilo Benício, Milton Gonçalves, Zezé Motta, Stepan Nercessian, entre outros. Todos queriam estar e desfilar na escola que, na época, era a escolhida dos atores e demais celebridades.

“Era realmente algo muito fora de comum. De uma hora outra para outra, todas as celebridades que eu via na TV estavam lá na quadra, em todos os ensaios e eventos. Quadra com lotação máxima sempre. Só fui ver tantas celebridades reunidas dentro de uma só escola de samba quando desfilei na Grande Rio em 2010”, diz André Churros.

Pensando nesse histórico, ainda vivo na cabeça de muitos gonçalenses, é um desperdício de energia nutrir qualquer tipo de rivalidade entre Viradouro e Porto da Pedra. Suas trajetórias são distintas, bem como a lembrança de marca que cada uma gerou ao longo do tempo.

Nesse sentido, o mais correto seria São Gonçalo voltar a abraçar ambas como marcas da cidade. Bem como muitos gonçalenses já fazem há anos.

Porém, tudo na vida envolve um fator fundamental para que tudo aconteça: o dinheiro. E é sobre ele que falaremos num post futuro. Abordando o relacionamento entre prefeituras, mídia, empresários e o jogo do bicho.

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Fazenda Colubandê e a esperança de resgate do Patrimônio Histórico https://simsaogoncalo.com.br/fazenda-colubande-resistencia-do-patrimonio-historico/ https://simsaogoncalo.com.br/fazenda-colubande-resistencia-do-patrimonio-historico/#comments Wed, 29 Nov 2017 23:25:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5821 No último final de semana de novembro de 2017, pessoas da sociedade civil, conselhos de cultura e moradores da cidade, novamente, se reuniram na fazenda para dialogar sobre os últimos passos deste processo que pode ser o início dessa retomada da Fazenda Colubandê. Faça um tour pela Fazenda Colubandê Há poucos meses, uma real movimentação […]

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No último final de semana de novembro de 2017, pessoas da sociedade civil, conselhos de cultura e moradores da cidade, novamente, se reuniram na fazenda para dialogar sobre os últimos passos deste processo que pode ser o início dessa retomada da Fazenda Colubandê.

Faça um tour pela Fazenda Colubandê

Há poucos meses, uma real movimentação da Secretaria Estadual de Cultura, articulada com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo começou a ser definida. A proposta é que através da Lei de ICMS, uma parceria público privada seja concretizada, iniciando um ciclo de atividades nesse lugar que é um dos patrimônios históricos mais importantes de São Gonçalo.

Como já publicamos nesse conto, será a retomada de um espaço por onde tantos lutam para manter nos últimos anos, apesar os diversos roubos e destruições.

Manhã de atividades na Fazenda Colubandê – Ocupação Cultural em novembro/2017. Foto: SIM São Gonçalo

Falta pouco para a Fazenda Colubandê voltar à ativa

Para muitos que pressionam o poder público, a longa luta em certos momentos pareceu perdida. A prefeitura sem dinheiro, há tempos já entregou a responsabilidade para o Estado. Este, em estado falimentar, se fingiu de morto nos últimos anos, até voltar a acenar para um novo momento.

E agora, na reta final do ano, estamos na expectativa de que o projeto seja aprovado e a Fazenda Colubandê e ganhe novo fôlego e esperança. Sem dúvidas, seria um recomeço no resgate do Patrimônio Histórico de São Gonçalo e, por consequência, de todo o Brasil.

Varanda da Casa Grande na Fazenda Colubandê em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano
Varanda da Casa Grande na Fazenda Colubandê em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano
Parte interna da Casa Grande e o estado de depredação na Fazenda Colubandê em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo
Parte interna da Casa Grande e o estado de depredação na Fazenda Colubandê em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo
Fazenda Colubandê em São Gonçalo
Grande gramado da Fazenda Colubandê em São Gonçalo. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Publicações sobre a Fazenda Colubandê em 2017

Fazenda Colubandê passará por restauração
Jornal O GLOBO em 21 de maio de 2017
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Batalhão de Polícia Florestal volta à Fazenda Colubandê em São Gonçalo
Jornal O SÃO GONÇALO em 26 de setembro de 2017
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Fazenda Colubandê: história, arte, tragédia e descaso
ARTE NA REDE em 14 de março de 2017
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Justiça Federal determina policiamento 24h em fazenda histórica roubada no Rio
EBC Agência Brasil em 18 de fevereiro de 2017
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Dr. Charles: Prefeito ruim ou prefeito ruim sem apoio dos jornais locais? https://simsaogoncalo.com.br/dr-charles-prefeito-ruim-sem-apoio/ https://simsaogoncalo.com.br/dr-charles-prefeito-ruim-sem-apoio/#comments Tue, 07 Nov 2017 09:47:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5697 Quando Dr. Charles foi Prefeito de São Gonçalo, eu era um moleque. Ele governou a cidade de 2000 até 2004 e eu tinha 10 anos no começo de sua gestão. Lembro nitidamente do famoso jingle “É 15, é 15, é 15. É Dr. Charles” seguido do slogan “Chame o Doutor!“, mas como minha vida se […]

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Quando Dr. Charles foi Prefeito de São Gonçalo, eu era um moleque. Ele governou a cidade de 2000 até 2004 e eu tinha 10 anos no começo de sua gestão. Lembro nitidamente do famoso jingle “É 15, é 15, é 15. É Dr. Charles” seguido do slogan “Chame o Doutor!“, mas como minha vida se resumida ao futebol, tobi com mortadela e ficar na esquina de casa, não tenho recordações de sua gestão.

O tempo passou, amadureci e no final da minha adolescência todo mundo falava que “Dr. Charles foi o pior Prefeito da história de São Gonçalo“. Convivo até hoje com as comparações dos Prefeitos e um pouco mais informado percebi que o grande problema da dificuldade de se gerir a cidade não tem relação exatamente com o nome do prefeito e sim com o sistema público local. (obs. nada disso tira a responsabilidade individual do gestor)

Talvez você não perceba por estar distante. Talvez perceba e se faz de sonso, mas parte do sucesso de um Prefeito em São Gonçalo se dá a partir da sua relação com os veículos locais de comunicação.

Até 2010 com os veículos impressos e a partir de 2010 com os veículos impressos e digitais. Lembro de uma frase de um grande gestor e amigo carioca que diz “– que não existe governo ruim que não tenha feito nada de bom e governo bom que não tenha feito nada de ruim“. É um pouco de verdade e a publicidade disso ainda depende desses mediadores da comunicação. Um jornal pode destruir ou blindar um Prefeito.

O sistema público de São Gonçalo, independente de quem o governe, precisa piorar muito pra conseguir ser ruim. São anos, dia após dia, de falta de grandes leis e grandes projetos pra retirar a cidade dessa ideia decadente de que São Gonçalo é uma cidade média. Apesar de toda minha paixão pela nossa cidade, temos um sistema público e de relacionamento na política que é muito ruim e infelizmente os veículos de comunicação raramente discutem essas questões.

E a mídia, impressa ou digital, tem grandes contribuições positivas ou negativas pra isso acontecer.

Dr. Charles em sua época não sustentou (vocês que interpretem como quiser) a mídia local. Não conseguiu manter o relacionamento com os jornais impressos que passaram a noticiar todos os dias as mazelas de seu governo. Todas verdades, mas todas construídas a partir do não relacionamento com os veículos e não necessariamente por conta de uma construção de comunicação social e editorial dos mesmos.

Os jornais precisam sim ter posição política, mas tem outros que acabam resumindo sua editoria por “posição” ou “oposição”. Isso atrapalha muito a melhora do sistema público da cidade.

Ao mesmo tempo que vejo veículos (que muitas vezes discordo) como o Página Gonçalense, Jornal Daki, A Política RJ e Território Gonçalense construindo um debate profundo sobre a cidade, vejo outros numa ladainha superficial das questões que contribuem pouco para a melhora significativa das nossas questões. (posso ter deixado de fora outros veículos sérios, mas destaquei esses pois são os que mais acompanho.)

É provável que em algum momento usem esse meu texto para dizer que critiquei alguém, que estou falando mal do governo (que atualmente participo) ou algo do tipo e isso é justamente reflexo da má noção dou má fé da importância da comunicação social para uma cidade.

Dr. Charles cometeu crimes e foi punido como deveria. Nada disso tira a responsabilidade dos veículos de comunicação fazerem uma reflexão sobre sua importância no processo de informar melhor e discutir questões mais complexas pra nossa cidade melhorar o sistema público e político que ainda é muito precário em relação às questões estruturais, econômicas, fiscais e de relacionamento com a população.

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Grande São Gonçalo: a região leste da Baía de Guanabara https://simsaogoncalo.com.br/grande-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/grande-sao-goncalo/#comments Tue, 29 Aug 2017 16:17:18 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4699 Há pouco tempo, fiz uma compra online. Na hora de definir a entrega, ​antes de escolher a cidade, eu precisava escolher uma região do Rio de Janeiro. E não é que São Gonçalo estava na lista da Baixada? Para bom entendedor, ficou claro duas coisas: a primeira é que, o significado de “Baixada” para quem […]

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Há pouco tempo, fiz uma compra online. Na hora de definir a entrega, ​antes de escolher a cidade, eu precisava escolher uma região do Rio de Janeiro. E não é que São Gonçalo estava na lista da Baixada?

Para bom entendedor, ficou claro duas coisas: a primeira é que, o significado de “Baixada” para quem não mora lá é algo pejorativo, sendo quase um adjetivo de “cidades pobres”; e a segunda é que, quem definiu a lista não sabe nada de Rio de Janeiro. Muito menos que a nossa classificação é regional, não social.

Depois desse momento, percebi que algumas pessoas já vêm chamando nossa região como Grande São Gonçalo. Mas você sabe como tudo isso surgiu? Fui buscar entender a raíz.

A fusão entre Guanabara e Rio de Janeiro em 1974

Em 1974, 13 anos após a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília, o presidente militar Ernesto Geisel publicou a Lei Complementar Nº 20, de 1º de julho de 1974, que instituiu a fusão da Guanabara (cidade do Rio) com o estado do Rio de Janeiro. A partir dali, Niterói deixou de ser capital do RJ, transferindo os órgãos estaduais para a ex-capital brasileira, agora fluminense.

Após isso, Niterói manteve sua centralidade e importância para a região. O termo “Grande Niterói” referia-se a São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito e Niterói, cidades que hoje também conhecemos como Leste Fluminense, os municípios à leste da Baía de Guanabara.

São Gonçalo de 1970 até hoje: população cresceu 2,5 vezes mais

Nos anos 70, São Gonçalo já estava descendo a ladeira sem freio quando o assunto era importância no cenário fluminense. Sua desindustrialização era visível e os fatores econômicos aceleraram muito o processo.

Entretanto, não foram o suficiente para reduzir o crescimento da população. Pelo contrário. Saímos dos 430 mil habitantes nos anos 1970, para ultrapassar a barreira dos 7 dígitos, chegando ao atual mais de 1 milhão de pessoas.

E assim São Gonçalo se tornou a maior cidade fluminense depois da capital.

Baía de Guanabara vista pela Ilha das Flores, no Leste Fluminense.
Baía de Guanabara vista pela Ilha das Flores, no Leste Fluminense. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Localmente, é referência nos serviços primários, fora, tem gonçalenses espalhados em todo o RJ

A atual escassez de recursos divididos pela gigante população nos prejudica. Somos uma cidade com um dos valores mais baixos do orçamento por pessoa (per/capita). Para completar, São Gonçalo drena demandas das cidades vizinhas. Entre elas estão Itaboraí, Magé, Maricá e até Cachoeiras de Macacu.

As questões mais básicas, como saúde e educação, se desenvolveram na cidade. Apesar da precariedade do serviço público de saúde, ele funciona. Sem falar nas estruturas particulares, que se instalaram graças ao grande mercado consumidor.

Na educação, o efeito é similar. A presença da UERJ atrai estudantes de graduação no ensino público. No privado, Universo e Faculdade Paraíso desempenham seus papéis como pólos de formação superior.

Fora da cidade, a migração de gonçalenses para o Rio, Niterói e Maricá forma uma população que não se mantém indiferente à cidade, uma vez que seus amigos e parentes ainda moram e participam da vida social local.

Tratamento de água: presença da CEDAE

Estrategicamente, a cidade “mantém vivo” todo o leste fluminense. Nossas nascentes estão em Cachoeiras de Macacu e as águas da Grande São Gonçalo são tratadas na ETA Imunana Laranjal, reafirmando ainda mais sua característica central.

BR-101 e Shopping São Gonçalo no bairro Boa Vista, uma das entradas da cidade via estrada. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo
BR-101 e Shopping São Gonçalo no bairro Boa Vista, uma das entradas da cidade via estrada. Foto: Matheus Graciano / SIM São Gonçalo

Os anos 2000 consolidaram a Grande São Gonçalo

Apesar das dificuldades financeiras da esfera pública, foram os investimentos privados aliados ao crescimento econômico e tecnológico os grandes responsáveis pelas mudanças locais.

O crescimento da “nova” classe média brasileira foi visível na cidade. A inauguração do primeiro shopping, em 2004, no Boa Vista, foi um marco na vida econômica e, até mesmo, social da cidade. Fez com que os gonçalenses se mantivessem no território, tanto para comprar, quanto para atividades de lazer.

Em 10 anos, vimos o surgimento de mais 3 centros comerciais na cidade: Boulevard/Partage, Guanabara Colubandê e o polêmico Pátio Alcântara.

O crescimento de Itaboraí com a construção do Comperj também foi determinante para a região no entorno de Alcântara, atraindo ainda mais pessoas e serviços.

Vimos também um desenvolvimento expressivo de Maricá. Com mais pessoas indo morar lá, o fluxo de trabalhadores com Rio e Niterói aumentou. E como sabemos, o principal caminho que leva à Maricá passa por São Gonçalo, pelas RJ-104 e RJ-106.

Politicamente a Grande São Gonçalo ainda não é uma realidade

O ponto fraco do território é o cenário pouco expressivo politicamente. Apesar da numerosa população, alto consumo e produção de artistas e talentos, nossa infraestrutura local é deficiente. Indiretamente, isso inibe as possibilidades de parcerias com os municípios irmãos, por conta das travas que isso gera, seja mentalmente ou fisicamente.

O fortalecimento de lideranças é o caminho mais desejado nesse contexto.

Mas é preciso pensar globalmente. Não só com líderes políticos, mas empresariais e sociais. Eles e elas são o caminho-chave na obtenção de recursos e formação de um novo pensamento.

Só assim, somados às forças da capital, região Serrana, dos Lagos, Costa Verde, Norte e Vale do Paraíba, será possível reerguer, mais uma vez, o estado do Rio de Janeiro, consolidando de vez o status da Grande São Gonçalo.

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Boa Vista: antes e depois de um bairro gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/boa-vista-antes-e-depois-de-um-bairro-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/boa-vista-antes-e-depois-de-um-bairro-goncalense/#comments Wed, 05 Jul 2017 03:02:27 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4753 Há décadas atrás era difícil fazer fotografias. Não havia câmeras com a abundância de hoje, muito menos câmeras nos celulares. Afinal, nem celulares existiam. Entretanto, quem tinha máquina fotográfica sabia o quanto custavam os filmes e as revelações. 12, 24 ou 36 poses? Se você tem mais de 25 anos, talvez lembre de sua mãe […]

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Há décadas atrás era difícil fazer fotografias. Não havia câmeras com a abundância de hoje, muito menos câmeras nos celulares. Afinal, nem celulares existiam.

Entretanto, quem tinha máquina fotográfica sabia o quanto custavam os filmes e as revelações. 12, 24 ou 36 poses? Se você tem mais de 25 anos, talvez lembre de sua mãe ou pai fazendo essa pergunta no balcão da loja de fotografias. Cada “pose” era uma foto. E, dada a escassez, é natural que as pessoas dessem preferência às fotos de pessoas ao invés de fotos de paisagens.

Registro do bairro Boa Vista nos anos 70

Há algumas semanas, a leitora Adriana Xavier nos mandou uma fotografia feita pelo seu pai nos anos 70. Na foto, dá para ver como era o Boa Vista há quase 40 anos atrás. Muito antes de erguerem um shopping em cima do barranco. 🙂

Bairro Boa Vista em São Gonçalo fotografado nos anos 70.
Bairro Boa Vista em São Gonçalo fotografado nos anos 70. Foto:José Batista Xavier.

Ao fundo da imagem, é possível ver o Morro de Itaúna, no bairro das Palmeiras. Poucos meses atrás, ela fez outra foto do mesmo ângulo para mostrar como o bairro está hoje. Veja:

Bairro Boa Vista em São Gonçalo fotografado atualmente em 2017.
Bairro Boa Vista em São Gonçalo fotografado atualmente em 2017. Foto: Adriana Xavier.

A seguir, um relato sobre o bairro nas palavras da própria Adriana:

Eu achava (Boa Vista) mais bonito antigamente. hj em dia, apesar de ter shopping perto, (o bairro) é outro. As “melhorias” estão muito feias. Ainda sim, amo o lugar que nasci.

Registros assim são fundamentais para recriarmos a memória da cidade e região. Se você tiver algum relato, mande pra gente no Facebook do SIM São Gonçalo ou pelo simsaogoncalo@gmail.com. Esperamos por você!

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“No meu plantão, não!”, diz o vigia da Fazenda Colubandê https://simsaogoncalo.com.br/no-meu-plantao-nao-diz-o-vigia-da-fazenda-colubande/ https://simsaogoncalo.com.br/no-meu-plantao-nao-diz-o-vigia-da-fazenda-colubande/#respond Fri, 09 Jun 2017 14:39:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4667 É fácil adivinhar por que os vigias da Fazenda Colubandê a amam tanto: eles conhecem sua história. – No meu plantão, não! Desse jeito raivoso Bira me respondeu quando perguntei se os atos de vandalismo contra a Fazenda Colubandê ainda acontecem. Ele tinha uma paixão nos olhos que eu nunca tinha visto por São Gonçalo. […]

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É fácil adivinhar por que os vigias da Fazenda Colubandê a amam tanto: eles conhecem sua história.

– No meu plantão, não!

Desse jeito raivoso Bira me respondeu quando perguntei se os atos de vandalismo contra a Fazenda Colubandê ainda acontecem. Ele tinha uma paixão nos olhos que eu nunca tinha visto por São Gonçalo. Como se uma mãe zelosa gritasse “Com meu filho ninguém mexe!”.

Bira é um dos quatro funcionários do Governo do Estado do Rio que se revezam a cada 36 horas para vigiar sozinhos, durante 12 horas, um espaço de cerca de 120 mil metros quadrados. Enquanto existir alguém que defenda a Fazenda Colubandê como ele, haverá esperança de dias melhores para o patrimônio histórico gonçalense abandonado desde 2012, quando foi desativado o Batalhão de Polícia Florestal que funcionava ali.

Além de Bira, diversos militantes, organizações e movimentos lutam pela revitalização da Fazenda. Grupos realizam ocupações culturais regularmente, como a do último sábado (03/06) com palestras, debates, exposições e apresentações teatrais. Há esperança, e muita, porque o povo gonçalense sabe a importância da Fazenda.

Ela é utilizada diariamente por dezenas de pessoas para a prática de atividades físicas, sem nenhum incentivo público. Na verdade o Poder Público até impõe obstáculos: na terça-feira (06/06), a quadra de esportes, de responsabilidade da Prefeitura de São Gonçalo, estava trancada com cadeado.

Bira não é o único vigia dedicado. Confesso que fiquei surpreso quando outro vigia me orientou, com a maior atenção do mundo, a não caminhar fora do alcance visual dele porque “pessoas estranhas” circulavam pelo local. Depois de anos abandonada, hoje a Fazenda conta com vigias que zelam pelo patrimônio e cuidam da segurança dos visitantes. É pra ter esperança, sim, ainda que não tenha sido uma atitude espontânea do Governo do Estado, mas determinada pela Justiça Federal.

É fácil adivinhar por que os vigias da Fazenda Colubandê a amam tanto: eles conhecem sua história. O Governo do Estado não ensinou nada, eles aprenderam com os antigos moradores da região. O Governo não ensinou nem a vigiar, eles não são vigias profissionais. Enfrentam diversos perigos desarmados – delinquentes perambulam pela Fazenda e bandidos são vistos usando a mesma como rota de fuga – e sua única “proteção” é um rádio comunicador para pedir ajuda ao posto da Polícia Militar localizado nos fundos do complexo. Bira e seus amigos corajosos fazem mais do que a função pede e o salário paga.

Vigiar a Fazenda Colubandê é cansativo, Bira caminha quilômetros a cada plantão. Ele espera que a partir de julho ou agosto alguma instituição faça a limpeza e a reforma da sede e da capela. Para não reduzir a paixão do vigia pela Fazenda – se isto for possível – eu não disse nada, mas a restauração deve demorar mais que isso. As quatro empresas antes interessadas em reformar o patrimônio não compareceram à tomada de preços mês passado.

A destruição, as pichações, as camisinhas usadas e o esgoto correndo a céu aberto, antes ocupantes exclusivos, agora dividem a Fazenda Colubandê com a determinação e o amor dos seus vigias.

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Tarcísio Bueno: o patrono e a escola https://simsaogoncalo.com.br/tarcisio-bueno-patrono-escola/ https://simsaogoncalo.com.br/tarcisio-bueno-patrono-escola/#comments Wed, 03 May 2017 04:01:07 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4576 João Tarcísio Bueno nasceu em Cuiabá, MT, em 23 de junho de 1906, filho de Francisco Pio Bueno e Isabel Viegas Muniz (Bueno, pelo casamento), casal de tradicionais famílias daquela região, com raízes na Europa. Órfão de mãe aos quatro anos de idade, João Tarcísio foi criado pelo pai e, em 1913, ingressou no Colégio […]

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João Tarcísio Bueno nasceu em Cuiabá, MT, em 23 de junho de 1906, filho de Francisco Pio Bueno e Isabel Viegas Muniz (Bueno, pelo casamento), casal de tradicionais famílias daquela região, com raízes na Europa. Órfão de mãe aos quatro anos de idade, João Tarcísio foi criado pelo pai e, em 1913, ingressou no Colégio Salesiano de Cuiabá, transferiu-se para o Colégio de Felício Galdino, em meados de 1913, e retornou ao Salesiano em dezembro do mesmo ano. Ali ainda estava, em 1920, cursando a última série do então ensino médio, quando seu pai, Francisco Pio, funcionário do Arsenal de Guerra de Cuiabá, foi transferido para a Escola Militar do Rio de Janeiro.

Toda a família aqui chegou em 17 de abril de 1920, instalando-se na então capital da República. A 14 de maio seguinte, João Tarcísio ingressou no Ginásio de Campo Grande, Rio de Janeiro, e sua única irmã, Maria Teodora, era admitida no antigo Asilo Santa Leopoldina, em Icaraí, Niterói, que fora fundado pelo imperador Pedro II no século anterior, de lá passando para o Colégio Nossa Senhora da Piedade, no Encantado, Rio de Janeiro, onde ficaria até 1924, quando, em 24 de julho, ela e o pai, Francisco Pio, retornaram a Cuiabá.

Tarcício Bueno – Fotos reproduzidas do livro “O Herói de Abetaia”.

O ingresso no Colégio Militar de Realengo

João Tarcísio, então com 18 anos de idade, preferiu aqui continuar para realizar seu sonho de ingressar no Colégio Militar de Realengo, o que conseguiria em 1929, na arma de Artilharia. Aproveitou as férias do princípio de 1930 para retornar à terra natal e reencontrar o pai e a irmã. Ao chegar a Cuiabá, apaixonou-se por aquela que viria a ser sua esposa, Ana Luíza de Mattos (Bueno, pelo casamento), também de tradicional família local. O casal decidiu que o casamento se daria após João Tarcísio formar-se na Escola Militar do Realengo, o que só ocorreu na turma de 1932. Casaram-se em 18 de março seguinte e geraram os filhos Sônia e Ennio.

Como inerente aos militares, João Tarcísio passou a percorrer todo o território nacional, até que em 1942 estava de volta a Cuiabá. A 31 de agosto daquele ano, era declarada a guerra do Brasil aos países do Eixo e, a 15 de outubro, o 16º Batalhão de Caçadores (local) incorporou a turma Santa Cruz, de aspirantes a oficiais da reserva, tendo como um de seus instrutores o já então capitão João Tarcísio Bueno.

Do 3º RI à Segunda Guerra Mundial na Itália

Pouco depois, ele foi transferido para o Rio de Janeiro e designado para servir no 3º Regimento de Infantaria, em São Gonçalo. Em 1943, era ele designado para receber treinamento militar no Forte Benning, no estado da Geórgia, EUA, de onde só retornaria no princípio de 1944. Na madrugada de primeiro de julho daquele ano, Bueno embarcava no navio norte-americano General Mann, com destino à Itália. Era um dos 5075 homens do primeiro (depois iriam outros quatro, da mesma proporção) escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e João Tarcísio Bueno seguia como ajudante de ordens do general Zenóbio da Costa, que comandava aquele escalão.

Roda de Samba – Região de Pisa/Itália – 15/09/44 - Imagem: Portal FEB
Roda de Samba dos Pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira) – Região de Pisa/Itália – 15/09/44 – Imagem: Portal FEB

Como ordenança, parecia que a ida à guerra seria um trabalho apenas burocrático. Mas não foi bem assim; muito pelo contrário. No dia 10 de dezembro de 1944, o capitão João Tarcísio Bueno recebeu a missão de substituir o oficial, de igual patente, que “amarelara” nos combates, encarregado de tomar o Monte Castello, ocupado pelos nazistas. A FEB já tentara chegar lá em 25 e 29 de novembro, mas sempre esbarrava na artilharia alemã instalada em Abetaia, local que passou a ser chamado de “corredor da morte” ou “terra de ninguém”.

Nada disso intimidou João Tarcísio, que seguiu com três batalhões, na madrugada do dia 12 seguinte: quando viu seus homens serem abatidos pelo fogo inimigo, ele próprio foi para a frente de combate e, depois de gastar toda a munição de metralhadora e pistola, passou a lutar com granadas de mão. Era quase corpo a corpo quando conseguiu desalojar uma casamata alemã, ao mesmo tempo em que era atingido por uma bala dum-dum (usada pelos nazistas, apesar de proibida pela Convenção de Genebra), que lhe quebrou cinco costelas e destruiu seu pulmão direito.

Caído na neve e no gelo, foi dado como morto pelas patrulhas alemãs e, numa tentativa de fuga do local, caiu em um rio semi-congelado, cujas águas gélidas criaram coágulos e mantiveram sua vida. Ali ficou, por quase 24 horas, enquanto várias patrulhas brasileiras iam buscar conterrâneos mortos ou feridos, mas não o localizavam. Salvou-o seu ajudante de ordens, o soldado Sérgio Pereira, um jovem negro, alto e corpulento, de 19 anos, que saiu na madrugada do dia 13 para procurá-lo, apesar da objeção de superiores e companheiros, e o encontrou no riacho, ainda com vida. Arrastou-o para local mais propiciatório, retornou ao acampamento e voltou com dois padioleiros, que puderam enfim levar o oficial para seus primeiros atendimentos médicos. Como diria, anos depois, o jornalista David Nasser, sobre Sérgio e João: “Um Sancho Pança negro de um Dom Quixote branco”.

Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, popularmente conhecido como Monumento aos Pracinhas, Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro
Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, popularmente conhecido como Monumento aos Pracinhas, Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro

De volta ao Brasil

A via-crúcis de Tarcísio, no entanto, não terminou aí; trazido de volta ao Brasil, foi submetido, em treze anos, a numerosas cirurgias reparadoras e, por fim, fez sua segunda e última viagem aos Estados Unidos, em 1957, para operar-se no Hospital John Hopkins, em Baltimore, e serem fechadas as últimas duas fístulas ainda abertas em seu tórax. Na madrugada de seis de abril de 1963, o já então general de divisão João Tarcísio Bueno faleceu de edema pulmonar agudo, no Rio de Janeiro, tendo a seu lado a filha Sônia e oex-ajudante de ordens (e, desde a guerra, amigo) Sérgio Pereira, que salvara sua vida em 1944. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista e, segundo o médico que atestou seu óbito, morrera em consequência, ainda, dos ferimentos sofridos em Abetaia.

O capitão João Tarcísio Bueno foi promovido a major, ainda durante a guerra, e recebeu todas as medalhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Sangue do Brasil, Medalha de Guerra, Ordem do Mérito Militar e Cruz de Combate de Primeira Classe, do Brasil, Estrela de Prata (Silver Star) do Congresso dos Estados Unidos e Cruz de Guerra com Palma (Croix de Guerreavec Palme) do governo francês. É patrono de praça pública em Cuiabá, MT, e de colégio estadual em São Gonçalo, RJ.

Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno, lutando para reabrir as portas em 2016. Foto: Sepe.

A Escola Estadual

O Colégio Estadual Coronel João Tarcísio Bueno, embora haja recebido tal denominação em 1966 e acolhido seus primeiros alunos e professores em 1967, tem uma história que remete ao princípio do século XX.

Era 29 de dezembro de 1910, quando o presidente (governador) Alfredo Backer (1851/1937), fez publicar no Expediente do Estado do Rio de Janeiro (antigo Diário Oficial do Estado) seu ato criando a Escola Isolada do Jacaré, no bairro Paraíso, que começou a funcionar no ano seguinte, em casa alugada, como era praxe da época, sob a direção da professora Alda de Mello Cunha.

Ali ficou pouco tempo, pois o presidente (governador) (Francisco Chaves de) Oliveira Botelho (1868/1943), já em 1912, aprovava a sua mudança para o bairro de Mangueira em 1913. Hoje um bairro próximo, mas bem distante na época, devido à insuficiência de transporte público. Causou enormes protestos da comunidade, que duraram até 1927, quando o prefeito Mentor de Souza Couto (1889/1966) decidiu criar a Escola Municipal do Jacaré, entregando sua direção à professora Cândida Costa e Silva.

Um ano depois, ela comemorava o primeiro aniversário da unidade de ensino com festival de teatro no Cine-Teatro São José, que teve a encenação de uma opereta de sua autoria e homenagem ao sr. Adilson Tavares, por haver distribuído uniformes aos estudantes pobres daquele educandário.

Transferindo a escola da prefeitura para o estado

O empenho da prefeitura durou somente dois anos, transferindo a escola para a administração do Estado em 1929, ano em que, de novo, se criava a Escola Estadual do Jacaré, que viria a tomar o número 8. Na década de 1930, foi dirigida pela professora Odete São Paio.

Assim, duas unidades de ensino passaram a conviver na mesma área. Até que, na década de 1940, foram transformadas em uma só, com o titulo de Escolas Reunidas do Jacaré. Isto não impediu que, na mesma década, uma delas fosse denominada Escola Barão de São Gonçalo e a outra, na década de 1950, recebesse a denominação de (Maria de) Merícia Quaresma de Mello.

Eram homenagens a duas figuras importantes na história de São Gonçalo: primeiro, Belarmino Ricardo de Siqueira (1791/1873), o barão, que projetara a cidade no século XIX, aqui trazendo, em 1854 e em 1870, o imperador Pedro II e sua família para visita à fazenda Engenho Novo do Retiro, em Pacheco; segunda, a professora (Maria de) Merícia Quaresma de Mello (1873/1935), que sempre lecionou em Niterói, mas fazia incursões à nossa cidade, participando, nos primeiros momentos, da campanha de construção do Hospital de São Gonçalo, e cujo um dos filhos, o médico Manuel Pires de Mello (1904/1986), foi diretor, por vários anos, do Centro de Saúde de São Gonçalo, então estadual e hoje municipalizado com o nome de Washington Luiz Lopes.

Ocorre que as duas unidades de ensino eram insuficientes para atender ao crescimento do bairro e, por isso, no fim da década de 1950, as duas foram colocadas abaixo, para a construção de uma só, mais ampla que elas. Para que as homenagens àqueles vultos não fossem eliminadas, em 1967 foram criados a escola estadual Barão de São Gonçalo, municipalizada em 2014, e o Grupo Escolar de Sete Pontes (construído em 1952/1953) passou a ser denominado Escola Estadual Merícia Quaresma de Mello.

A área livre para a construção do novo colégio estadual chegou a ser visitado pelo governador Celso Peçanha (1916), em sete de setembro de 1961. Porém, obras, de fato, só foram iniciadas pelo governador Paulo Francisco Torres (1903/2000), também ex-combatente, em 1964.

O batismo com o nome do Coronel Tarcísio Bueno

Quando elas já estavam bem adiantadas, no princípio de 1966, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou projeto de lei, de autoria do deputado petebista Flávio Monteiro de Barros (1915/1979), denominando-a Dr. Jayme Figueiredo (1891/1944), mas o governador o vetou, sob o argumento constitucional de infringência do poder de iniciativa, que cabia ao Executivo, e baixou o decreto nº 12.344, de 22/04/1966, denominando-a Coronel João Tarcísio Bueno.

A construção da escola, com 16 salas de aula, só viria a ser concluída no ano seguinte, pelo governador Geremias de Mattos Fontes (1930/2010). Em 13/12/1967, ele nomeou a professora Lucy Vieira da Rosa como primeira diretora, para colocá-la em funcionamento a partir do ano letivo de 1968.

Dona Lucy, a primeira diretora

Dona Lucy, também professora municipal desde 1959, aqui nascera, em 10 de fevereiro de 1937. Filha de Aprígio Afonso Vieira e Maria de Andrade Vieira, casara com Milton José da Rosa e residia no bairro Porto da Madama.

Fizera o primário no Curso Benjamin Constant, unidade particular então existente no bairro Porto Velho, e o ginasial e o normal no Colégio São Gonçalo, pelo qual se diplomou professora, antes de alcançar o nível superior na Sociedade Universitária Augusto Mota (SUAM), no Rio de Janeiro.

Aprovada em concurso público, em 1962, a 30 de junho daquele ano era nomeada para exercer o magistério estadual na Escola Frederico Ozanam. Em 1965, foi removida para a Escola Estadual Padre Manoel da Nóbrega. E em 1967, finalmente, chegou à direção da Escola (hoje, Colégio) Estadual João Tarcísio Bueno, na qual permaneceu até 30 de outubro de 1976.

Retornou à Escola Padre Manoel da Nóbrega e em 1978 passou a atuar no Núcleo de Educação, Cultura e Trabalho (NEC), da secretaria estadual de Educação, em São Gonçalo, sendo promovida a Supervisora Educacional em 1981 e logo depois a Inspetora Escolar, cargo no qual foi aposentada em 26 de setembro de 1995.

A expansão na década de 70

O Colégio Estadual João Tarcísio Bueno prosseguia em expansão, a primeira das quais ocorreu em 1973, com a construção de mais sete salas de aula, segundo o jornal O Fluminense, de quatro de setembro de 1973, página 7, e recebia também em suas instalações, à noite, o Colégio Padre Flávio Arcoverde, da então Campanha Nacional de Escolas Gratuitas (CNEG), posteriormente transformada em Escolas da Comunidade (CNEC), tornando-se mais um empreendimento privado de educação, ao contrário do que pretendia seu iniciador, na década de 1950, Felipe Tiago Gomes.

É preciso voltar no tempo para explicar: somente o antigo ensino primário (quatro séries iniciais do atual ensino fundamental) era ministrado gratuitamente pelo poder público. Aumentando a demanda por ginásios (hoje, quatro séries finais do ensino fundamental), o padre Flávio Arcoverde, então na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, lutou para que o ginásio fosse implantado à noite naquele educandário, garantindo a seus alunos o prosseguimento gratuito dos estudos. Como o religioso faleceu em 27 de setembro de 1968, seu nome foi dado à nova unidade de ensino, então com caráter comunitário, que ali funcionou por cerca de 20 anos.

Tarcísio Bueno e o governo Leonel Brizola

A Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno só voltaria a ser objeto das preocupações do governo do estado em 1986. Assim mesmo, por motivos outros: o governador Leonel Brizola (1922/2004) e seu vice, professor Darcy Ribeiro (1922/1997), haviam decidido extinguir a Faculdade de Formação de Professores (hoje subordinada à UERJ). Encontraram tal reação da comunidade que, no ano de 1986, tentando diminuir o impacto político, lançaram o projeto denominado Complexo Educacional de São Gonçalo.

Para o Tarcísio Bueno, projetaram o que as oficinas de carro velho, para revenda, chamam de guaribada, ou seja, fazer uma pintura geral para garantir a aparência. Salvou-os o artista plástico Carlos Scliar (1920/2001). Convidado para visitar o local, e sem poder mexer na estrutura, imaginou uma pintura diferente.

Tarcísio Bueno – Escola e Patrono
Escola Estadual Tarcísio Bueno, Paraíso – São Gonçalo.

A famosa pintura do “Colégio Colorido” do Paraíso

As paredes das salas de aula seriam brancas, com poesias de autores nacionais – nenhum local, embora a cidade tivesse expoentes da poesia, entre eles o consagrado Alberto Silva (1863/1912) e os menos famosos José de Moraes e Silva (1832/1896), Nicomedes Pitanga (1872/1950) e Brígido Tinoco (1910/1982) –, enquanto as paredes externas da unidade de ensino receberiam formas geométricas nas cores vermelho, amarelo, azul, verde e laranja. Com as sucessivas reformas, as poesias internas desapareceram, mas a pintura externa permaneceu, fazendo com que a Tarcísio Bueno passasse a ser conhecida como a “escola colorida”.

Scliar nascera no Rio Grande do Sul e, aos 19 anos, integrou-se ao movimento artístico em São Paulo, com Di Cavalcanti, Portinari, Flávio de Carvalho e Segall, entre outros. Tinha algo em comum com Tarcísio Bueno: também ele, artista, integrara a Força Expedicionária Brasileira (FEB), como cabo de artilharia, e combatera na Itália, contra o nazi-fascismo. Na Tarcísio Bueno, seu propósito era o de “fazer funcionar os olhos, a sensibilidade e a criatividade dos jovens”, conforme declarou aos jornais ao visitá-la, em abril de 1986. Embora os poemas já hajam desaparecido, a parte externa permanece preservada e a “escola colorida” continua a estimular seus jovens alunos, como pretendia o artista plástico.

O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos
O telhado da Escola Estadual João Tarcísio Bueno, no Paraíso, desabou em agosto e até hoje nenhum sinal de obras no local. Alunos estão em Cieps vizinhos
Foto: Alex Ramos

Este cenário de sonho esvaiu-se em agosto de 2015, quando parte do telhado da unidade escolar ruiu, todos os alunos foram transferidos para Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) das imediações e o prédio ficou aguardando decisão do governo estadual de realização de obras reparadoras, conforme noticiado nas páginas 01 e 07 do jornal O São Gonçalo, de 07 de dezembro de 2015.

Fontes:

João Tarcísio Bueno, o Herói de Abetaia, de Alexei Bueno, 142 páginas, Casa Editorial Germakoff, Rio de Janeiro, 2010.

As Ruas Contam Seus Nomes, de Emmanuel de Macedo Soares, p. 728.

Expediente do Estado do Rio de Janeiro, 28-12-1913, p. 1.
Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 01-03-1959 (Diário das Municipalidades, p. 2); 23-04-1966, p. 1; 13-07-1967, p. 1; 05-11-1976, p. 17; e 26-09-1995, p. 13.

Acervo da família de Lucy Vieira da Rosa.

Jornal do Brasil, 05-02-1899, p. 6.

O São Gonçalo, 26-04, p. 1, e 25-09-1966, p. 2.

Correio da Manhã, 22-09-1966, p. 21.

O Globo, 07-04-1986, p. 9

Publicado inicialmente no Blog do Vovozinho.

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Só uma festa da ATN pra animar o fim de semana https://simsaogoncalo.com.br/festa-da-atn-fim-de-semana/ https://simsaogoncalo.com.br/festa-da-atn-fim-de-semana/#comments Thu, 27 Apr 2017 13:20:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4494 Saudades da Festa da ATN ou Festa da “TN” como a maioria da galera falava. A festa da ANT tem essa sigla, mas o nome original é “Arraia do Tio Nonô”. Foi uma festa pública fundada em 1978 e ficou muito conhecida por conta dos balões, muita gente na rua e muita música ao vivo […]

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Saudades da Festa da ATN ou Festa da “TN” como a maioria da galera falava.

A festa da ANT tem essa sigla, mas o nome original é “Arraia do Tio Nonô”. Foi uma festa pública fundada em 1978 e ficou muito conhecida por conta dos balões, muita gente na rua e muita música ao vivo ou dj’s populares. Era uma festa estilo arraiá e que levava MUITA gente pra rua.

Tio Nôno – Festa da ATN
Na foto, à direita, está o SUNGA, um dos organizadores do evento. Foto: Jair de Almeida.

Em 1990, a festa mudou de administração e começou a ser organizada pela Associação ATN de Festas Públicas. Na mesma data, os balões foram extintos e a festa mudou o perfil de ocupação de espaço público envolvendo toda a comunidade no entorno do espaço que a festa rolava.

Mas nem vim falar da história dela. Vim falar de como a festa da ATN era foda.

A ATN ficava exatamente embaixo dos braços do Cristo, pelo menos foi assim que conheci. Sempre que meus amigos falavam da ATN, comentavam que “era a festa que ficava na frente do Cristo do Porto da Pedra.”

Muita mulher bonita! Muita zoação! Muita música boa! Muito funk! Muita dança!

Peguei os últimos anos, a fase final da história da festa. Mas todo ano tem algum final de semana que penso: “Putz! E a festa da ATN?”

Fui lá adolescente. Lançava um kolene no cabelo, um cordão de prata falso, um tênis falso da qix e todo o resto composto por roupas da feirinha de itaipava ou da uruguaiana. E lá eu ia, buscar alguma outra adolescente com kolene, franjinha de escova ou prancha pra dar uns beijos.

E como eram bons os beijos, os rolês e a diversão. Como era bom ficar de olho nas meninas da vila ali na frente, ver os short’s da bad boy, ouvir o melhor do funk e o melhor daquelas músicas que tocavam todos os anos da década de 90 e dos anos 2000 sempre!

Festa da ATN no Porto da Pedra – São Gonçalo
Festa da ATN no Porto da Pedra – São Gonçalo. Foto: Jair de Almeida

Ah! Não posso esquecer do medo… e como eu tinha medo.

Sempre rolava treta na minha época (naturalmente isso prejudicou muito o evento). A gente que não era de lá, ia só nos primeiros dias por que no último dia sempre alguém morria. Quanto mais perto do final da festa, mais sinistra ela ia ficando.

A medida era mais ou menos assim:

Chegamos na festa.
Compramos Caipifruta.
Ficávamos olhando para os cabelos de kolene e franja da festa.
Pedíamos para alguém apresentar e/ou botar na fita.
Tomávamos veto ou descolávamos uns beijos em alguma rua paralela por que ninguém beijava na festa (hahaha).
Ficávamos falando com os amigos com quem a gente ficou.
Aí, surgia a primeira briga (torcíamos para não ser perto da gente).
Íamos embora e esperávamos o dia seguinte.
Volte para o tópico 1.

Saudades! A Festa da ATN nunca será esquecida.

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A história de Luiz Caçador, da pesca ao folclore https://simsaogoncalo.com.br/a-historia-de-luiz-cacador-da-pesca-ao-folclore/ https://simsaogoncalo.com.br/a-historia-de-luiz-cacador-da-pesca-ao-folclore/#comments Fri, 21 Apr 2017 17:42:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4516 Quem nunca, em São Gonçalo, ouviu dizer que Luiz Caçador era um homem extremamente perigoso, não possuía as duas pernas e suas terras eram amaldiçoadas? Pois é. Será que essa é história real ou um folclore passado pelo povo por décadas!? Jorge Pereira Nunes foi a fundo em busca de fatos. Boa leitura! A história […]

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Quem nunca, em São Gonçalo, ouviu dizer que Luiz Caçador era um homem extremamente perigoso, não possuía as duas pernas e suas terras eram amaldiçoadas? Pois é. Será que essa é história real ou um folclore passado pelo povo por décadas!? Jorge Pereira Nunes foi a fundo em busca de fatos. Boa leitura!

A história de Luiz Caçador

Filho de Manoel Bento da Paixão e Emiliana Rosa do Amor Divino, Luiz Pereira da Silva nasceu em Maricá, em 13 de fevereiro de 1880, mas se mudou para São Gonçalo ainda na infância, acompanhando a família. Todos foram para o bairro de Itaúna e ocuparam uma parte da fazenda ali existente, às margens do pântano que hoje integra a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, criada em 1984 pelo governo federal para proteger o alagado de cerca de 14 mil hectares, que abrange os municípios de Guapimirim, Magé, Itaboraí e São Gonçalo.

Para ganhar a vida, o jovem Luiz começou a fazer o que todos faziam na região: pescava. De tanto percorrer o canal que forma a Ilha de Itaoca e o mangue, neste buscando, sobretudo, caranguejo, acabou por tornar-se conhecedor exímio dos “furos” (microcanais que interligam as áreas alagadas) e viu que a região tinha um outro tesouro natural: jacaré. Começou a caçá-los para se alimentar e vender o couro para os dois curtumes que existiam no Gradim e em Neves. Daí passou a organizar caçadas, para as quais recebia pessoas vindas de várias partes do território fluminense e também do então distrito federal, a cidade do Rio de Janeiro.

Vista aérea do Rio Guaxindiba, que corta a APA de Guapimirim e chega até a Baía de Guanabara - Custódio Coimbra / Custódio Coimbra
Vista aérea do Rio Guaxindiba, que corta a APA de Guapimirim e chega até a Baía de Guanabara – Custódio Coimbra / Custódio Coimbra – O GLOBO

A experiência religiosa de Luiz

Era já a década de 1950 quando Luiz teve uma experiência religiosa: estava em meio a uma caçada de pássaros durante a qual vislumbrou um grupo de crianças, as quais não apenas protegiam os animais silvestres como promoviam a soltura dos cativos, e que lhe sugeriram criar um centro espírita. Foi o que fez, em 1953, dando-lhe o nome de Cosme e Damião – que depois foi chamada de Centro Espírita Nossa Senhora da Conceição –, de Umbanda, e passou também a dedicar-se a uma prática popular na época: a benzedura.

Casado com Eliete Ferreira da Silva, com quem não gerou filhos, adotou duas crianças, José e Maria, aos quais ele e a mulher se dedicaram amorosamente. Seu centro espírita alcançou notoriedade e continua a existir, na Rua 31 de Março, lote 230, quadra 8, onde moram sua nora, os filhos dela e netos dele.

Embora seu templo religioso crescesse, ali ele só “rezava” as pessoas e dirigia as sessões, nos fins de semana. Mas como não cobrava nada, precisava continuar cuidando da sobrevivência. Por isso, voltou à pescaria e à busca de caranguejos, abandonando de vez as caçadas, embora seu apelido continuasse a ser utilizado.

O batismo do bairro Luiz Caçador

No princípio da década de 1970, os proprietários originais da área a haviam reconquistado judicialmente, mas respeitaram o direito de posse de Luiz e fizeram um loteamento, dando-lhe o nome de Jardim Progresso. Não adiantou. A denominação do bairro de Luiz Caçador já estava fixada na opinião pública e permanece até hoje.

Luiz faleceu em 25 de maio de 1975, levando centenas de pessoas a seu sepultamento, no dia imediato, no Cemitério de São Gonçalo. A viúva, dona Eliete, mudou para o bairro de Marambaia e ali criou seu próprio “terreiro”, enquanto os descendentes de Caçador continuaram a dirigir o Centro Espírita Nossa Senhora da Conceição, já agora não apenas de Umbanda, mas também de Candomblé.

A história é contada por sua nora e recebe alguns reparos da neta Angélica Ferreira Bastos, para quem Luiz Caçador e sua família vieram de Maricá para Neves, em São Gonçalo, onde ele foi mestre de obras e casou, separando-se em seguida da primeira esposa. Só então mudou residência para Itaúna, onde contraiu novas núpcias, com dona Aliete Ferreira da Silva, que lhe deu uma filha, Maria do Carmo, casada com Altair dos Santos Bastos, pais de Angélica, que não chegou a conhecer o avô, pois a avó e a mãe já estavam residindo na localidade de Sacramento desde o falecimento dele. Dona Aliete ali criou o Centro de Caridade Vovó Maria do Rosário, que funcionou até 2014, quando, pela idade avançada, ela suspendeu os trabalhos, embora continue a residir no mesmo local, com plena saúde, neste ano de 2016.

Originalmente publicado no Blog do Vovozinho.

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Visitando a Ilha das Flores – de hospedaria de imigrantes à base da Marinha https://simsaogoncalo.com.br/visitando-a-ilha-das-flores-de-hospedaria-de-imigrantes-a-base-da-marinha/ https://simsaogoncalo.com.br/visitando-a-ilha-das-flores-de-hospedaria-de-imigrantes-a-base-da-marinha/#comments Mon, 17 Apr 2017 03:20:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4368 Você que sempre passa pela BR-101, já deve ter percebido a Ilha das Flores, na altura do Paiva. Hoje, ela está em posse da Marinha do Brasil. Mas nem sempre foi assim. Em março de 2017, rolou o Festival Gastronômico que aconteceu na Ilha. Uma oportunidade ímpar de vermos o o pôr-do-sol bem na beira do cais, de frente para a boca […]

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Você que sempre passa pela BR-101, já deve ter percebido a Ilha das Flores, na altura do Paiva. Hoje, ela está em posse da Marinha do Brasil. Mas nem sempre foi assim.

Em março de 2017, rolou o Festival Gastronômico que aconteceu na Ilha. Uma oportunidade ímpar de vermos o o pôr-do-sol bem na beira do cais, de frente para a boca da Baía de Guanabara, um dos bens naturais mais desprezados no estado do Rio de Janeiro.

Cais da Ilha das Flores, esperando o dia em que as águas da Baía de Guanabara voltarão a ser limpas. São Gonçalo – Rio de Janeiro

A origem do nome “Ilha das Flores”

“No início do século XIX, a Ilha das Flores pertencia a Delfina Felicidade do Nascimento Flores e seria denominada de Santo Antônio. É possível que o seu nome atual seja por conta da proprietária, pois o local deveria ser conhecido como a “ilha da Dona Flores”, que com o passar do tempo ficou Ilha das Flores. Em 1834, após a criação da Província do Rio de Janeiro, provavelmente, por alguma dívida da proprietária, a ilha passou ao tesouro provincial. Foi apregoada publicamente em 17 de agosto, em “praça de Juízo de Feitos” e arrematada por Maria do Leo Antunes (ESCRITURA, 1957a).”

A hospedaria de imigrantes

Em 1883, foi criada a primeira hospedaria de imigrantes do Brasil bem ali na ilha. Era uma forma de receber os imigrantes vindos de vários continentes que desembarcavam no porto do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Ilha das Flores em São Gonçalo
Vista do cais de entrada da Hospedaria de Imigrantes. Embarcações próximas ao atacadouro. Ao fundo, o pavilhão de recepção da Hospedaria. Ilha das Flores, sem data. Autor desconhecido. Coleção Leopoldino Brasil. Fonte: hospedariailhadasflores.com.br

Vindos da Europa e Ásia, eles passaram a fazer parte dos planos para substituir a mão de obra escrava, abolida em 1888. Além da força de trabalho, eram fundamentais nas políticas de embranquecimento da população, que pretendia deixar o Brasil “mais branco”, dada a diferença numérica entre escravos negros e a população branca.

Em 1917, por conta da Primeira Guerra Mundial, as questões de segurança nacional fizeram a ilha ser transferida para as mãos do Ministério da Marinha. Nesse período, começou a ser usada também como prisão militar.

O uso prisional também aconteceu em outros dois importantes momentos na história brasileira. Podemos citar a década de 30, no primeiro governo Getúlio Vargas, e também a ditadura militar de 1964 a 1985.

Hospedaria de Imigrantes – Ilha das Flores, São Gonçalo – Rio de Janeiro
Desembarque de visitantes na Hospedaria de Imigrantes. Ilha das Flores. Sem data. Autor desconhecido. Coleção Leopoldino Brasil. Fonte: hospedariailhadasflores.com.br

Casa dos Fuzileiros Navais e clube do Marinheiro

A Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores funcionou até 1966. Em 1968, o Ministério da Marinha passou a ocupar o arquipélago, instalando a Tropa de Reforço do Corpo de Fuzileiros Navais, em 1971.

Além de base da instituição, a Ilha das Flores de hoje também abriga o clube do Marinheiro, espaço onde aconteceu o Festival Gastronômico. Há também um restaurante no local, aberto ao público. Se você deseja ir a um lugar diferente na cidade, vale a pena conhecer o espaço na hora do almoço.

Praia Ilhas das Flores – Fuzileiros Navais e Marinha do Brasil
Praia na Ilhas das Flores – Baía de Guanabara, São Gonçalo

Ilha das flores, BR-101 e baía de guanabara

Ir à lha naquele fim de tarde de céu claro foi inspirador. Especialmente para nós, que vivemos nas caóticas cidades da região metropolitana. Observar a Baía de Guanabara daquele ponto é algo encantador.

Com a construção da BR nos anos 80, a Ilha das Flores passou a ter conexão direta com São Gonçalo por terra. As outras ilhas pertencentes ao arquipélago foram unidas por sucessivos aterramentos ao longo dos anos. Mesmo não sendo comparável, a vista da BR, assim como a da ilha, dá um “sossego na alma”, especialmente para nós que passamos estressados pela via.

O ponto negativo é o lixo doméstico. Lançado todos os dias na baía por nós, através do esgoto não tratado jogado nos rios, o lixo flutuante é visível. Sem falar que, quando a maré está baixa os problemas se tornam ainda mais aparentes, nos fazendo lembrar do quanto um dos pontos mais bonitos do Estado do Rio e de São Gonçalo foram poluídos por nosso deficiente saneamento básico.

Nossa sorte é que, mesmo depois de tantas interferências do ser humano, o visual continua espetacular.

Serviço: Museu da imigração da Ilha das Flores, funciona no mesmo espaço do Comando da Tropa de Reforço. De terça a domingo, de 9h às 17h. Entrada gratuita.

Fonte: Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores (abril/2017)

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O renascimento da Fazenda Colubandê https://simsaogoncalo.com.br/o-renascimento-da-fazenda-colubande/ https://simsaogoncalo.com.br/o-renascimento-da-fazenda-colubande/#comments Fri, 03 Mar 2017 13:37:41 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4340 Geralmente escrevo apenas um artigo por semana sobre São Gonçalo, mas o renascimento da Fazenda Colubandê fez a cidade merecer um artigo extra. A Fazenda estava linda no último fim de semana. Quem não foi, perdeu. Criada pelo novo prefeito, a linha de ônibus circular que liga a Fazenda aos noventa e um bairros oficiais […]

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Geralmente escrevo apenas um artigo por semana sobre São Gonçalo, mas o renascimento da Fazenda Colubandê fez a cidade merecer um artigo extra. A Fazenda estava linda no último fim de semana. Quem não foi, perdeu.

Criada pelo novo prefeito, a linha de ônibus circular que liga a Fazenda aos noventa e um bairros oficiais facilitou o acesso ao local. A passagem custa R$ 1, preço de custo. A família gonçalense compareceu em peso: casais heterossexuais e gays, com e sem filhos; jovens, idosos, crianças, todos se divertiram.

Mais famosa novidade gastronômica nacional, os food trucks foram espalhados pelos quatro cantos da Fazenda, do portão de entrada até o entorno da pista de atletismo. Dispostos desta forma os pequenos caminhões e bicicletas equipadas com baú incentivaram a circulação geral, diferentemente do evento semelhante que ocorreu na praça Zé Garoto em junho/16, área consideravelmente menor.

O sol forte e o céu limpo tornaram o domingo memorável. Reluzindo, pintada e de grama aparada, a Fazenda Colubandê deixava o céu e o sol ainda mais belos, não o contrário. O brilho da alegria no ar ofuscava. Nem de longe lembrava aquele imóvel decadente onde vândalos urinavam, defecavam e largavam camisinhas usadas. O melhor ponto turístico gonçalense precisava de um pouco de respeito, carinho e atenção, nenhuma reforma profunda foi necessária.

Enquanto apreciavam seu lanche preferido sentados à sombra num dos característicos banquinhos de madeira rústica, os pais deixavam os filhos aos cuidados dos monitores para um passeio pelo complexo com direito à aula de História. O circuito incluía o orquidário, espaços de convivência, a capela, a sede e seu subsolo, onde no passado existiu uma senzala.

Como fazem há anos, o Recicla Leitores distribuiu livros de graça. Um charme a mais ver obras literárias espalhadas no chão, em vez de copos plásticos, e dezenas de crianças empolgadas em volta, ao pé da palmeira gigante.

São Gonçalo num imenso piquenique, tantas eram as toalhas espalhadas pela grama verde. Crianças desciam as rampas de bicicleta e patinete, adolescentes conduziam patins. A pista de atletismo transbordava de corredores. Os times de basquete e vôlei aguardavam em fila sua vez de jogar diante das quadras lotadas.

Treze grupos musicais do município se apresentaram ao lado da capela. Depois das quadras, próximo à cantina, havia silêncio suficiente para conversar ou namorar.

Comi um hambúrguer gigantesco tomando chopp artesanal sentado embaixo de uma árvore. Meu filho brincava com dois novos amigos que tinham levado linha e pipa pra soltar. No final da tarde, suado e cansado, quase pulei na piscina mas a reformaram exclusivamente para as crianças, grande injustiça. Na Fazenda Colubandê restaurada falta somente uma piscina para adultos.

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Uma ilha chamada Niterói – a fuga dos talentos gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/uma-ilha-chamada-niteroi-a-fuga-dos-talentos-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-ilha-chamada-niteroi-a-fuga-dos-talentos-goncalenses/#comments Sat, 20 Aug 2016 16:22:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3961 Pensei bastante antes de escrever tudo isso. Mas depois de ver as estatísticas demográficas disponibilizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi inevitável chegar a essa conclusão. Olhando as cidades fluminenses e dos outros estados, são poucas as que chegam às proporções da nossa cidade co-irmã. Além de ter uma das maiores proporções de pessoas na faixa de renda mais alta, quase 50%, Niterói também […]

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Pensei bastante antes de escrever tudo isso. Mas depois de ver as estatísticas demográficas disponibilizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi inevitável chegar a essa conclusão. Olhando as cidades fluminenses e dos outros estados, são poucas as que chegam às proporções da nossa cidade co-irmã. Além de ter uma das maiores proporções de pessoas na faixa de renda mais alta, quase 50%, Niterói também é uma das cidades com maior proporção de eleitores com nível superior, com quase 30% da população, contrastando com os 2,5% gonçalenses. Num Brasil onde essa média é de 6,5%, dá para afirmar que Niterói é uma ilha.

O início das segregações naturais

A criação do nosso município se deu após uma emancipação. Até 1890, éramos uma parte niteroiense. Durante a primeira metade do século XX, muita coisa aconteceu por aqui, inclusive a implementação de várias indústrias, no áureo período da “Manchester Fluminense”.

Nessa época, Niterói era a capital do estado do Rio de Janeiro (não confunda com a cidade do Rio, o Distrito Federal). E lógico, como toda capital, concentrava vários serviços, especialmente os mais especializados que, por consequência, exigiam mais escolaridade. São Gonçalo, ao contrário, abrigou indústrias. E sabemos bem o que isso significa: empregos menos qualificados, focados em produzir para uma linha de produção. O Vila Lage é o retrato de uma época onde ainda se construía vilas para os trabalhadores.

Mas no meio do caminho, havia um JK. Juscelino Kubitschek criou Brasília, levando a capital federal para lá e esvaziando o Rio de Janeiro aos poucos. Anos depois, os governos militares integraram todo o estado, transferindo a capital estadual para o Rio. Deixaram Niterói órfã de toda a importância regional que tinha.

Era uma época onde muitas empresas não resistiam às diversas mudanças econômicas brasileiras. As indústrias que ficavam em São Gonçalo não escaparam disso. Niterói, agora ex-capital, via suas organizações indo para o outro lado da ponte. A importância do Leste Fluminense tornava-se apenas uma história.

Foto: O Globo
A principal porta de entrada dos ônibus que trafegam entre as cidades, o 2º maior fluxo de pessoas entre cidades brasileiras. Foto: O Globo

A fuga de talentos: trabalha lá? mora lá!

Aos olhos de quem teve e tem poucas oportunidades, as duas escolas que estudei em São Gonçalo eram consideradas “escolas da elite gonçalense”. De 1997 à 2003, estudei no Santa Teresinha e no Colégio MV1. Posso afirmar que boa parte das pessoas que convivi fariam parte desses 2,5% de eleitores com ensino superior na cidade.

Digo “fariam” porque muitos votam em Niterói faz tempo. Outros já transferiram seu título para o Rio. Sem falar naqueles que moram em São Paulo ou estão fora do país. Estudar, especialmente quando se tem nível superior, te faz buscar novos caminhos. E para nossa infelicidade, bem longe de onde moramos.

O tempo no transporte é um dos fatores principais dessa migração. Afinal, se todos morássemos a 15 minutos do trabalho andando seria uma bênção. Mas não é bem por aí. Quando a escolaridade avança, é natural que os salários também acompanhem essa evolução. Nessa movimentação, as pessoas buscam a tão falada qualidade de vida. Ficar 2, 3, 4 ou até 5 horas no trânsito começa a se tornar uma opção, não mais uma obrigação.

Ainda sim, a maioria das pessoas continua nessa “migração pendular”. Não à toa, o 2º maior fluxo de pessoas entre cidades no Brasil pertence a nós.

Note que os trabalhos mais qualificados não estão em São Gonçalo. Respeitando a lógica histórica que escrevi acima, eles se concentram no Rio e Niterói. O que faz com que as pessoas deixem a cidade, mesmo tendo carinho por ela.

Universidade Federal Fluminense, a UFF de Niterói
Universidade Federal Fluminense, a UFF em Niterói. Foto: André Redlich / O Fluminense

Educação: a chave da qualidade de vida

Niterói teve sua importância reduzida após a transferência da capital do estado. Porém, ficou a principal matéria-prima das cidades: pessoas. Famílias de maior poder aquisitivo viam na cidade a conjunção de várias coisas boas que se sobrepunham: uma vasta rede escolar, uma universidade pública de relevância nacional, como a UFF (Universidade Federal Fluminense), uma infraestrutura considerável e, até então, não tinham a violência da cidade do Rio de Janeiro.

Assim se transformou num pólo de atração para os mais abastados. Nos últimos 20 anos, com o lançamento do MAC e a promoção do caminho Niemeyer, a cidade ganhou ainda mais projeção no cenário nacional. Sem dúvidas, o ponto-chave que definiu essas transformações chama-se educação.

Ouvir que “educação é a solução” é enfadonho. É uma frase pronta de qualquer político ou palestrante. Mas para nós, saber que a co-irmã é a 7ª em qualidade de vida no Brasil não espanta mais. Niterói colhe os frutos que só a pressão política e social das cidades mais instruídas é capaz. Afinal, ter 30% de seu eleitorado com nível superior, num Brasil onde a média é 6,5%, faz da cidade uma ilha.

E se você acha que tudo são só elogios, engana-se. As desigualdades da cidade são fortes. Sem falar que o sentimento de superioridade, por conta da renda e instrução mais alta, também faz com que muita gente se sinta com o rei na barriga. Problemas de um Brasil que foi escravocrata há pouco mais de um século atrás. São os efeitos colaterais. O crime é um deles, e os bandidos também já perceberam que há muitas chances por lá.

Independente disso, fica o aprendizado: a educação estimula o desenvolvimento do mercado de trabalho, tornando-se a chave-mestra, a ponte para o futuro. Sem isso, definitivamente, nossos talentos gonçalenses vão continuar saindo da cidade, e nós continuaremos a acreditar que “ninguém fica aqui”, mesmo vendo o município inchar cada vez mais.

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Paulo José Leroux: do porto ao trilho para as ruas de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/paul-leroux-empreendedor-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/paul-leroux-empreendedor-goncalense/#comments Tue, 16 Aug 2016 03:49:00 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3937 Quem foi Paul Leroux? Ou melhor, Paulo José Leroux? Para o leitor esbaforido vou logo destacar. Foi NETO da destacada Madama, FILHO que se destacou com sobrenome da mãe e HOMEM industrial e empreendedor de destaque em terras gonçalis. Pois é, Paulo José Leroux é neto da francesa Madame Maria Gabriella Margarida Bazin Desmarais, a […]

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Quem foi Paul Leroux? Ou melhor, Paulo José Leroux? Para o leitor esbaforido vou logo destacar. Foi NETO da destacada Madama, FILHO que se destacou com sobrenome da mãe e HOMEM industrial e empreendedor de destaque em terras gonçalis.

Pois é, Paulo José Leroux é neto da francesa Madame Maria Gabriella Margarida Bazin Desmarais, a qual ficou carinhosamente conhecida por Madama (como os brasileiros entendiam a pronuncia francesa para Madame). Foi dona de grandes engenhos de açúcar, aguardente e de um porto fluvial na região.

Rua paul Leroux, (Marimbondo) Paraíso – São Gonçalo
Rua Paul Leroux, (Marimbondo) Paraíso – São Gonçalo

Seus pais são Carlos Francisco Desmarest e Rosa Arminda Leroux. Aos 29 anos é procurador para tratar de todos os negócios de sua avó. Para além, foi vereador por Niterói e um dos participantes e maiores entusiastas da emancipação política de São Gonçalo de 1890 e concessionário (dono) do ramal férreo do Porto da Madama.

Porto da Madama – São Gonçalo
Antônio Parreiras. Porto da Madama. 62 x 73 cm . óleo sobre tela ass. inf. esq. 1905 . Etiqueta da exposição “A Paisagem Brasileira”, Sociarte, realizado no Paço das Artes, São Paulo/SP, 1980.

Foi também um dos líderes do movimento grevista de 1885 e suas terras receberam “arduamente” a estadia das forças armadas do Brasil. É isso! Vamos tafulhar por entre os mares, trilhos e ruas de Paulo José Leroux.

Até o século XIX, a economia de São Gonçalo foi essencialmente agrícola. Em destaque, os grandes engenhos de açúcar e aguardente. Em 1808, com a chegada da corte lusitana ao Brasil, se desenvolveu, realmente, a cidade do Rio de Janeiro como centro urbano, tendo-se iniciado por essa ocasião, um período de expansão urbanística. A produção agrícola em São Gonçalo teve importância vital para o abastecimento dos mercados da cidade do Rio de Janeiro.

Engenho no Porto da Madama em São Gonçalo
Engenho no Porto da Madama em São Gonçalo Descrição: óleo s/ tela, ass. inf. dir. (c. 1896) Reproduzido sob o n. 171 na p. 180 e na p. 203 do livro Castagneto – O pintor do mar, de Carlos Roberto Maciel Levy (Rio de Janeiro: Pinakoteque, 1982)

O relato do Marquês do Lavradio ao seu sucessor, o vice-rei Luiz de Vasconcelos e Sousa, citado por José Matoso Mala Forte, informa sobre essas freguesias.

“Muito mais florescente era a vizinha freguesia de São Gonçalo, com 23 engenhos, produzindo 352 pipas de aguardente e 500 caixas de açúcar. O número de escravos subia a 952. “A freguesia de São Sebastião de Itaipú, também vizinha, produzia apenas 79 caixas de açúcar em seus 4 engenhos; tendo 138 escravos “Mas não era somente a cana a riqueza agrícola; as três freguesias cultivavam cereais, sendo sua produção global (não discriminada no relatório) de 500.500 litros de farinha; 100.000 de feijão, 78.000 de milho e 40.000 de arroz”. (PALMIER, 1940, p.24)

Aparência do Rio de Janeiro em mapa da época.
Aparência do Rio de Janeiro em mapa da época.

Eram através dos seus portos que escoavam os produtos gonçalenses para o mercado da Praça XV, no Rio, utilizando embarcações denominadas faluas. Todo o litoral gonçalense era rico em portos, por isso temos até hoje denominações como Porto da Ponte, Porto Velho, Porto do Gradim, etc… e Porto da Madama foi um importante modal para abastecer a família real.

Participação de Paul Leroux no Movimento Grevista de 1885

Em outubro de 1885, um grupo constituído por mais de cem pequenos lavradores, quitandeiras e pombeiros (vendedores ambulantes de peixe) paralisou suas atividades na Praça das Marinhas, à margem da doca do movimentado Mercado da Candelária, principal centro de compra e venda de gêneros alimentícios do Rio de Janeiro Oitocentista. Os trabalhadores que ali estacionavam seus cestos e tabuleiros não aceitaram pagar a diária de 400 réis cobrada pelos empresários e por isso se recusaram a vender seus produtos e ainda impediram que barcos e carroças que vinham das freguesias suburbanas e de locais mais distantes descarregassem no cais.

Com as notícias sobre a greve publicadas na imprensa, dentre eles, participavam vários donos de embarcações de São Gonçalo assinaram a petição remetida ao Ministério do Império logo no primeiro dia do movimento grevista. Nesse grupo, estava a proprietária Margarida Bazin, que também foi representada por seu filho Carlos Francisco Desmarest e seu neto e representante Paulo José Leroux.

Paul Leroux teve uma atuação ainda mais direta, comandando uma reunião com cerca de duzentos lavradores numa casa na rua do Ourives. As informações sobre essa assembléia são sucintas. De acordo com o Diário de Notícias de 7 de outubro, Leroux mostrava-se bem articulado, falando contra as barraquinhas e anunciando que já havia combinado com a empresa da Praça da Harmonia para que as vendas fossem transferidas para o local, caso o impasse com a Câmara e os empresários não fosse resolvido

Construção do ramal Ferroviário Porto da Madama

Com base nos registros da Revista de Engenharia de 1890, Paulo José Leroux então proprietário do engenho de aguardente e terras adjacentes do Porto da Madama, na freguesia de São Gonçalo de Nictheroy, solicitou junto ao presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Francisco Portella, que concedesse a permissão de construir um desvio da Estrada de Ferro Leopoldinha até o Porto da Madama para transporte de carga e mais tarde o transporte de pessoas.

Porto da Madama em São Gonçalo
Estação ferroviária Porto da Madama. A estação é considerada patrimônio histórico do município de São Gonçalo com base na lei municipal n.222/2009. Foto: Rennan Souza.

“Por decreto n.93 de 12 de junho do corrente o Dr. Franciso Portella, governador do Estado do Rio de Janeiro, atendendo ao que requereu Paulo José Leroux  e tendo em vista a informação prestada pela diretoria de obras, concedeu a Paulo José Leroux permissão para construir um desvio que, partindo do kilometro 5+300m da estrada de ferro Leopoldina, vá ao porto da Madama na freguesia de S. Gonçalo, com o desenvolvimento de cerca de 3 kilometros.” (Revista de Engenharia – 1879 a 1891 – PR_SOR_03386_709743,1890, p.51)

“Paulo José Leroux, concessionário do rama férreo do Porto da Madama, pedindo prorrogação de prazo por quatro meses a contar deste data, para estabelecer o trafego de passageiros no prazo designado por despacho de 1 de maio ultimo.” (Revista de Engenharia – 1879 a 1891 – PR_SOR_03386_709743,1891, p.550)

O falecimento e a homenagem a Paul Leroux

Pedido de hipoteca do ramal Porto da Madama Gazeta de Notícias. 09.07.1898, p.2
Pedido de hipoteca do ramal Porto da Madama
Gazeta de Notícias. 09.07.1898, p.2

Paulo José Leroux morre em 16.12.1901, já falido, aos 55 anos por tuberculose pulmonar deixando fazendas, prédios e ramal ferroviário a massa falida. Foi velado na Capela do Porto da Ponte, São Gonçalo.

Uma das hipóteses para a falência de Paul Leroux foi ter arcado com os custos de construir e manter o ramal férreo de 3 km e também por prejuízos e danos que sofreu em consequência de fatos da revolta de 1893-94 proveniente dos prejuízos causados exclusivamente pelas forças legais durante sete meses da revolta, nas suas casas, engenho, ramal férreo e plantações situados no porto da madama, , onde acamparam e fortificaram para impedir a invasão e desembarque dos revoltosos.

Todo o acervo da massa falida de Paulo José Leroux.
Todo o acervo da massa falida de Paulo José Leroux.

Em sua homenagem, a Câmara Municipal de São Gonçalo, pela deliberação n.° 56, de 12 de Maio de 1909, foi dado o nome a Rua Paul Leroux que começa na Rua Guanabara e se estende até a rua Dr. Francisco Portela e vai ao antigo Porto do Gradim.

Observação final: Paulo José Leroux foi vereador em Niterói, representando São Gonçalo, e membro do Conselho de Intendência de Niterói, em 1890. Conseguiu com o governador Francisco Portela a recuperação da estrada do Gradim ao Jacaré (atual Visconde de Itaúna) e a construção da ponte sobre o Rio Maribondo. (Referência: Jornalista Jorge Nunes)

Referências

FARIAS, Juliana Barreto. Mercado em Greve: Protestos e Organização dos Trabalhadores do Pequeno Comércio no Rio de Janeiro. Biblioteca Nacional Digital, 2013. Disponível em: <http://bndigital.bn.gov.br/artigos/mercado-em-greve-protestos-e-organizacao-dos-trabalhadores-do-pequeno-comercio-no-rio-de-janeiro-outubro-1885>. Acesso em: 23, fevereiro, 2023.

Biblioteca Nacional – Hemeroteca Digital. Revista de Engenharia – 1879 a 1891 – PR_SOR_03386_709743, 1890, p.65.

Biblioteca Nacional – Hemeroteca Digital. Revista de Engenharia – 1879 a 1891 – PR_SOR_03386_709743, 1891, p.550.

PALMIER, Luiz. São Gonçalo cinquentenário: história, geografia, estatística, IBGE: Rio de Janeiro, 1940. 237p.

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Saudades dos encontros de internet na grama do Shopping São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/saudades-dos-encontros-de-internet-na-grama-do-shopping-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/saudades-dos-encontros-de-internet-na-grama-do-shopping-sao-goncalo/#respond Tue, 21 Jun 2016 03:51:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3747 Se você tem mais de 20 anos e menos de 30, provavelmente conheceu alguém que ia nos encontros de internet no Shopping São Gonçalo. Lembro como se fosse ontem que todo sábado estávamos todos nós, envolvidos com as brigas, flertes, encontros, desencontros e risadas que aquele pedaço de grama na frente do Shopping trazia para […]

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Se você tem mais de 20 anos e menos de 30, provavelmente conheceu alguém que ia nos encontros de internet no Shopping São Gonçalo. Lembro como se fosse ontem que todo sábado estávamos todos nós, envolvidos com as brigas, flertes, encontros, desencontros e risadas que aquele pedaço de grama na frente do Shopping trazia para nós.

A internet hoje é popular, mas naquela época não. Foi uma geração de transição. Nossos pontos de encontro que eram as esquinas foram virando a busca eterna por promoções numa lan house qualquer. Aos poucos, o Counter Strike e Warcraft iam virando ICQ e MSN. O cheiro de homens, pão velho e mortadela ia dando espaço para o cheiro do perfume das mulheres que também passavam a frequentar as “Lan house’s”.

Bons tempos. Era época de trocar lista de MSN, de pensar na melhor coloração dos nick’s do chat e escolher as melhores playerlist para aparecer no “o que você está assistindo”. Era tempo de entrar e sair do MSN para fazer com que alguém puxasse assunto e começar o desenrolo para o sábado virar point de encontro.

Cada um com seu bonde, com seu tipo de roupa, com suas roupas de marca da feirinha de Itaipava, com os perfis I, II, II e IV do orkut com alguma foto de uma câmera digital que não era sua ou no máximo, de uma webcam de baixa resolução.

Estamos ficando velhos. O tempo está passando e cada um foi seguir seu rumo. Uns viraram advogados, uns viraram músicos, uns viraram jornalistas, uns viraram maconheiros, uns viraram bandidos, mas todo mundo virou algo. Foi bom compartilhar e fazer parte de uma geração que descobriu junto o potencial da internet.

Fico pensando o que seria da minha vida sem os encontros. Parte da minha formação, personalidade e sagacidade foi desenvolvida lá. Pensar em estratégias para ser mais popular para entrar nas festas de graça, tentar arrumar uma grana para poder comer meu Mc Donald’s aos sábados, poder ir no cinema a tarde já encaminhando a ida para a grama e tentar entrar em contato com o máximo de pessoas possíveis. Resumindo: todo mundo queria um scrapbook lotado.

Para além de um saudosismo, bate uma saudade de querer saber onde todo mundo está. Queria ver o rosto de cada um novamente e poder ouvir o que aconteceu desde então. Saber dos casais e crianças geradas através do G3, de quem brigou e depois virou amigo, de quem emagreceu, de quem engordou, de quem enriqueceu, de quem foi preso, dos puto, das puta, dos feios, dos bonitos, de todos.

Foi triste deixar de frequentar os encontros e depois não ver mais eles existindo. A grama do Shopping São Gonçalo tem história. Mas tem tanta história que, sempre que passo lá, preciso atravessar a rua para relembrar, mesmo que por minutos, de como foi importante para mim fazer parte de uma geração tão potente e inventiva.

Para alguns era baderna, era zoação, era briga, mas para mim foi o momento mais interessante da minha juventude, onde pude conhecer, aceitar e aprender com gente diferente, de tudo que era lugar da cidade e o melhor, fazer amigos que carrego até hoje.

Era do cacete organizar os encontros e as festas. Lembro do período que começamos a tentar colonizar Niterói fazendo encontros no Plaza, Bay Market e até festas em São Francisco. Nossa geração queria ser promoter de choppada. Era o máximo do legal de tirar onda com cordões e anéis de prata, com algum boné de tela da Von Dutch falso.

Quantas vezes passo na rua e lembro dos apelidos das pessoas. Fico andando no ônibus ou em alguma festa e lembro de como a pessoa era e em como está hoje. As maquiagens, os bonés, o jeito de falar, tudo mudou, mas ainda sim, todo mundo ainda se olha e se lembra que já nos vimos em algum lugar pela grama.

Que a gente guarde essas memórias pra sempre.
por Talude

Atual Romario Regis.

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Ezequiel, Uísquiel e a Universidade de Minnesota https://simsaogoncalo.com.br/ezequiel-uisquiel-e-universidade-de-minnesota/ https://simsaogoncalo.com.br/ezequiel-uisquiel-e-universidade-de-minnesota/#comments Thu, 16 Jun 2016 21:04:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3729 Estou tentando fazer um mapa histórico com os personagens recentes de São Gonçalo. No meio de uma pesquisa, encontrei algumas referências sobre nosso ex-prefeito, Edson Ezequiel de Matos. Tenho 26 anos e acompanhei pouco do seu mandato. Só lembro dos “mutirões” e de como o apelidaram carinhosamente: “Uísquiel”. Na época, era super legal chamar o […]

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Estou tentando fazer um mapa histórico com os personagens recentes de São Gonçalo. No meio de uma pesquisa, encontrei algumas referências sobre nosso ex-prefeito, Edson Ezequiel de Matos. Tenho 26 anos e acompanhei pouco do seu mandato. Só lembro dos “mutirões” e de como o apelidaram carinhosamente: “Uísquiel”. Na época, era super legal chamar o prefeito de cachaceiro. Mas o tempo é bom, permitindo que nós possamos mudar de ideia.

Nosso ex-prefeito tem um currículo memorável. É um acadêmico super respeitado dentro da Engenharia e da Economia. Para quem não sabe, segue seu currículo abaixo:

Edson Ezequiel de Matos é formado em Engenharia pela UFF; Mestre em Ciências pela Universidade de Minnesota (EUA); Pós-graduação em Sistema Financeiro e Mercado de Capitais pela FGV; participou do Programa Internacional de Administração Pública Comparada pela Universidade de Nova York; e foi Coordenador Geral e Professor dos Cursos de Pós-Graduação da Petrobras.

Sim caros amigos, nosso Ex-Prefeito é um cara relevante para o mundo acadêmico no país. Olhando o orçamento de São Gonçalo na época, era realmente impossível fazer uma boa gestão. Mesmo assim, escuto de muita gente que Ezequiel, no seu primeiro mandato, foi fundamental para aprofundar o desenvolvimento de São Gonçalo como cidade.

Todos sabem que não tenho nenhuma simpatia pelo atual partido de Ezequiel, o PMDB. Acho que é um partido que costuma ter uma gestão relativamente funcional, mas que não consegue avançar em nada na redução de desigualdades.

Essa publicação não tem nenhuma proposição política. Mesmo que Ezequiel fosse candidato hoje, não votaria nele. O que venho dizer é que conhecemos muito pouco de nossa história e só absorvemos a parte “pejorativa” dos personagens locais.

Por não registrar sua memória, São Gonçalo ficou com o Uísquiel, enquanto o mundo acadêmico tem um dos maiores profissionais de Engenharia e Economia do Estado do Rio de Janeiro. Conhecemos pouco da nossa história e até mesmo dos nossos prefeitos.

Talvez a centralidade do texto seja justamente a memória. Somos uma cidade sem memória, sem registro e sem comparação de anos anteriores. A falta de registros biográficos faz com que as novas gerações só recebam as informações pejorativas dos Prefeitos, Vereadores, Secretários, Artistas, Produtores Culturais, Empresários, etc. Não to falando se a pessoa foi uma boa pessoa ou não, mas estou falando sobre sua memória. É isso que constrói uma cidade e começamos a fazer isso a muito pouco tempo.

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Estão matando a nossa polícia – o território dominado https://simsaogoncalo.com.br/estao-matando-a-nossa-policia-o-territorio-dominado/ https://simsaogoncalo.com.br/estao-matando-a-nossa-policia-o-territorio-dominado/#respond Sat, 21 May 2016 07:05:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3653 Há cerca de 5 anos atrás, enquanto muitos comemoravam a política das UPPs, a gente já previa os tempos difíceis. Digo “a gente” porque eu não estava sozinho nessa. Não mesmo! Certamente, você e seus amigos, colegas e familiares já pensavam a mesma coisa que eu: esse câncer chamado tráfico de drogas e armas vai se espalhar para o […]

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Há cerca de 5 anos atrás, enquanto muitos comemoravam a política das UPPs, a gente já previa os tempos difíceis. Digo “a gente” porque eu não estava sozinho nessa. Não mesmo! Certamente, você e seus amigos, colegas e familiares já pensavam a mesma coisa que eu: esse câncer chamado tráfico de drogas e armas vai se espalhar para o Rio de Janeiro inteiro e chegar em São Gonçalo com força total.

No passado, muitos ainda desqualificavam quando os moradores diziam que após a ECO 92 o crime chegou com mais força por aqui. Na Conferência Mundial do Meio Ambiente do início da década de 90, o exército foi para as ruas da capital para deixar a situação mais calma durante o evento. Hoje, com os ventos da Copa e da Olimpíada, o mesmo aconteceu. A diferença é que o dinheiro acabou antes do tempo, e o que já era ruim, ficou pior pra todo mundo.

Exército na Eco 92 – Rio de Janeiro

Exército nas ruas na Eco 92, Rio de Janeiro (capital).

 

Por aqui, como uma doença sem cura, a bandidagem mais que se espalhou, se profissionalizou. Instalou suas bases no Morro da Coruja, recrutou alguns garotos no Feijão, Mutuapira, Chumbada, Dita, Caixa D’Água, Rua da Feira, formando um pequeno exército de homens recém-chegados à maioridade, cuja única missão é gastar o resto de suas vidas dando a cara a tapa, ficando presos em suas comunidades, enquanto grandes traficantes ficam cada vez mais ricos e livres.

Mas o maior golpe estava por vir. Aproveitando-se da incompetência do estado brasileiro, da trapalhada do governo federal com a Comperj, somada ao corpo mole dos governos municipal e estadual, os traficantes, sempre alguns passos à frente da polícia, viram a oportunidade única de montar uma fortaleza em São Gonçalo. A posição privilegiada, de frente para a Baía de Guanabara, não poderia ser melhor. De graça, ainda ganharam a ponte construída pela Petrobras, ligando o Salgueiro ao Jardim Catarina, por cima do rio Alcântara. Agora, com livre acesso à toda a região leste fluminense, o tráfico estava livre para expandir seus negócios por aqui.

Mapa de São Gonçalo – Palmeiras e Jardim Catarina

Mapa da região do Salgueiro, Palmeiras, Fazenda dos Mineiros e Jardim Catarina, por onde passa a ponte construída pela Petrobras para o Comperj.

 

O resultado de hoje é fruto de todo esse processo. Nós, que já não tínhamos uma polícia proporcional à nossa população, perdemos o direito de ir e vir, sem falar na vida de crianças e adultos, com as incontáveis balas perdidas que sempre encontram alguém por aí. Ganhamos armas incríveis, capazes de disparar dezenas de balas por segundo, enquanto a nossa polícia não consegue se multiplicar na mesma velocidade, por conta da incompetência do poder público. Para complicar ainda mais a situação, precisamos banir as brechas do judiciário e a discórdia entre as polícias civil e militar que, na verdade, deveriam ser uma só.

Com o território dominado, o poder paralelo do crime se afirma como oficial. Estamos sendo derrotados, vendo a PM retirar seu posto policial da comunidade do Salgueiro como se estivesse sido expulsa do local. Moralmente, estão matando a nossa polícia. Se antes, o secretário José Mariano Beltrame era a salvação, hoje ele é mais um nesse governo moribundo, que vê seus órgãos morrerem um a um sem poder para agir.

Cabine de polícia saindo do território do Salgueiro – São Gonçalo

São tempos difíceis. Se antes pensávamos que o pior estava por vir, hoje temos a certeza de que ele chegou.

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A crise do Estado do Rio e o fundo do poço infinito https://simsaogoncalo.com.br/a-crise-do-estado-rio-fundo-poco-infinito/ https://simsaogoncalo.com.br/a-crise-do-estado-rio-fundo-poco-infinito/#comments Thu, 03 Dec 2015 17:11:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3383 Há poucos anos atrás, as promessas geradas pelo petróleo transformaram o estado do Rio de Janeiro num el dourado nacional. Com tantas coisas diferentes acontecendo ao mesmo tempo, teve gente acreditando que estávamos num “novo ciclo”. COMPERJ, EBX, PETROBRAS são nomes que não saíam da mídia. Junto disso tudo, a capital foi aprovada para sediar as Olimpíadas. Os preços dos […]

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Há poucos anos atrás, as promessas geradas pelo petróleo transformaram o estado do Rio de Janeiro num el dourado nacional. Com tantas coisas diferentes acontecendo ao mesmo tempo, teve gente acreditando que estávamos num “novo ciclo”. COMPERJ, EBX, PETROBRAS são nomes que não saíam da mídia. Junto disso tudo, a capital foi aprovada para sediar as Olimpíadas. Os preços dos imóveis na capital fluminense dispararam. Como são uma referência regional, elevaram os valores das casas também em São Gonçalo, Niterói e toda região metropolitana.

Os efeitos da “falsa valorização” ficaram fixados na mente das pessoas. São Gonçalo teve seu custo de vida sensivelmente elevado. Regiões com o mínimo de facilidades em infraestrutura na cidade tem aluguéis e condomínios caros, algumas vezes equivalentes à sua vizinha, Niterói. Isso sem falar na velha questão do transporte. Salvo os ônibus da Coesa, o restante parece que parou no tempo. Quando entro no 12, por exemplo, parece que volto no tempo.

Agora, o governador atual, Luiz Fernando Pezão, disse que estamos, mais uma vez, à beira da falência. Mas, será? Se pensarmos um pouquinho mais a fundo, veremos que estamos falidos há muito tempo. Como o estado não fali, parece que os falidos somos nós.

Trabalhadores do Comperj caminham sobre a ponte Rio-Niterói para denunciar os atrasos nos pagamentos.
Trabalhadores do Comperj caminham sobre a ponte Rio-Niterói para denunciar os atrasos nos pagamentos.

Origens do “Rio”

A consolidação do que chamamos de “Rio de Janeiro” vem de 1763, quando o Marquês de Pombal transferiu a capital de Salvador (Bahia) para o Rio por questões simples: éramos o lugar mais perto das jazidas de minérios e metais de Minas Gerais, com uma Baía de Guanabara perfeita para receber os navios. Uns 45 anos depois, a corte portuguesa chegava para mudar de vez nossa situação perante o país. Sendo simplório, esses 2 fatos resumem praticamente tudo o que somos hoje.

Para não ser relapso, tivemos um momento de prosperidade no Vale do Paraíba, com uma das maiores produções mundiais de café. Porém, depois que corrigimos uma “pequena injustiça” abolindo os escravos, esse negócio ruiu, migrando para São Paulo.

São Gonçalo, Niterói, Caxias, Nova Iguaçu, todas as cidades da região metropolitana e, porque não, Petrópolis, foram diretamente beneficiadas por toda essa centralização do poder no Rio, que por consequência também concentrou o dinheiro. Depois de JK, com a transferência de Brasília, demos adeus à mamata do dinheiro fácil. Ainda ficaram muitas estatais por aqui, entre outros mecanismos que deixaram o Rio como um ponto focal no Brasil. A Globo e suas novelas que vendem o “sonho carioca de ser” atraíram ainda mais gente de outros lugares para cá.

Rota do Ouro que trazia os metais preciosos de Minas Gerais para o Rio de Janeiro.
Rota do Ouro que trazia os metais preciosos de Minas Gerais para o Rio de Janeiro.

Pensando a fundo, o que produzimos de verdade?

Até que nos anos 9o, a indústria do petróleo deu vida nova à uma triste cidade de Campos, que no passado foi grande plantadora de cana e produtora de açúcar. Macaé, Casemiro de Abreu, São João da Barra, Quissamã, Rio das Ostras entre outras cidades do estado maravilharam-se com as facilidades do dinheiro direto na mão. Nos tornamos, novamente, monocultores. Agora, de óleo e gás.

Nesse embalo, no meio do caminho, prometeram uma “mega-ultra-master” refinaria de petróleo em Itaboraí. Aquilo chamado “COMPERJ”. Resultado? Prometeram A e vão entregar Z.

Como tudo na vida passa, cá estamos nós, novamente, assistindo à queda do petróleo, um produto que aos poucos será substituído por novas matrizes energéticas no mundo. Então, o que nos espera em 30 ou 40 anos?  O que o Rio de Janeiro será? E mais: o que nossas cidades metropolitanas, São Gonçalo nesse bolo, produzem ou produzirão para receber recursos e melhorar a infraestrutura regional?

Bonde no Zé Garoto, São Gonçalo
Instalação da rede de bondes em São Gonçalo. Época em que a cidade era um potencial distrito industrial e, aos olhos dos investidores externos, valia a pena investir nela.

Porque existe um fundo do poço infinito

Há algum tempo, o Rio de Janeiro caiu num poço infinito. O estado tem uma população muito grande e não consegue gerar renda suficiente para manter toda essa estrutura. Com o Petróleo em baixa, nossa única fonte de renda “certa”, via commodities, não consegue mais sustentar os pilares econômicos que nos mantém. Porém, com a 2ª maior região metropolitana do país, mesmo não se bancando, o Rio é alvo de todos os políticos e empresários nacionais e internacionais. O que, naturalmente, força o governo federal a “investir” constantemente no estado.

Estamos vivenciando um exemplo perfeito nesse final de 2015 e início de 2016. O estado não tem dinheiro para pagar seus servidores e terceirizados. Entretanto, poderá pedir dinheiro ao governo federal para custear as obras finais das estruturas olímpicas que se comprometeu a fazer no passado recente. A população, com razão, nunca entenderá isso. E, infelizmente, o estado também não ajuda a explicar.

Minha impressão é que assistimos ao cachorro correndo atrás de sua própria cauda. Como o Rio é o “palco do Brasil”, é possível que outras situações como essa continuem acontecendo.

A crise do Estado do Rio é permanente. Somos um dos maiores mercados informais (sem carteira assinada) do país. Em contrapartida, temos uma forte indústria criativa e cultural acontecendo por aqui. Seria essa crise constante o motivo de sermos tão criativos?

Bem, se permanecerá por muito tempo, não sabemos. Mas, certamente, ainda não estamos preparados para os novos modelos de geração de valor, especialmente por nossa deficiência educacional. Precisamos instruir nossa população de forma a criar menos “operadores” e mais inventores e produtores. Já melhoramos muito, mais ainda há espaço para, um dia, achar o fundo desse poço e descobrir que há uma mola por lá, que nos fará subir para um lugar que nem sabemos se ainda será nosso.

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O mundo dá voltas, mas para no mesmo lugar https://simsaogoncalo.com.br/o-mundo-da-voltas-e-para-no-mesmo-lugar/ https://simsaogoncalo.com.br/o-mundo-da-voltas-e-para-no-mesmo-lugar/#comments Thu, 22 Oct 2015 05:02:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3284 O dia 21 de outubro de 2015 chegou. Enquanto escrevo esse texto, Marty Mcfly está tentando impedir que seu filho vá para cadeia. Porém, o velho Biff não é bobo e zarpa com o DeLorean para 12 de novembro de 1955, e entrega a ele mesmo, no passado, um almanaque com todos os resultados de competições esportivas […]

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O dia 21 de outubro de 2015 chegou. Enquanto escrevo esse texto, Marty Mcfly está tentando impedir que seu filho vá para cadeia. Porém, o velho Biff não é bobo e zarpa com o DeLorean para 12 de novembro de 1955, e entrega a ele mesmo, no passado, um almanaque com todos os resultados de competições esportivas de 1950 à 2000. Bem, todos já sabem o enredo dessa estória e sabem também que o final é feliz como na maioria da ficção.

Agora, é possível voltar no tempo? E será que, assim como nas telas de cinema, podemos ter finais felizes?

Bom, até agora, o único Delorean que conheço é a leitura. Sim, com livros, revistas e jornais antigos, podemos sim, por alguns instantes, voltar no tempo. Agora, se no futuro vamos ter finais felizes, aí, não sou mãe Dinah para prever.

Uma notinha me chamou a atenção enquanto folheava uma edição do jornal “O São Gonçalo” de 29 de outubro de 1992. Falava sobre a expansão da Igreja Universal do Reino de Deus, passando os limites do território nacional. Assim era a nota com o título de Dízimo Suíço:

“O “bispo” Macedo, não conformado com o dizimo brasileiro, fundou uma sede de sua igreja em Genebra, Suíça, e de lá vem periodicamente um emissário trazendo 50 mil dólares, que é o dízimo das devotas de lá. Lembrando ainda que em sua maioria elas são empregadas domésticas brasileiras que ganham em torno de 15 mil francos, o que equivale a cerca de 15 salários mínimos brasileiros. Deste jeito, a grande onda vai ser fundar novas igrejas pelo mundo.” (O São Gonçalo, 29/11/1992)

Dízimo Suíço
Nota do “O São Gonçalo”, 29/11/1992

A sede na Suíça, país que tem fama de paraíso fiscal, foi a primeira das mais de 200 no exterior e 6.500 no Brasil. A Igreja Universal foi fundada em 9 de julho de 1977, por Edir Macedo e seu cunhado, Romildo Ribeiro Soares, o R. R. Soares, que por desentendimentos na administração da igreja, picou a mula e fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus. As primeira reuniões da Universal foram no coreto do Jardim do Méier. Depois, num espaço alugado de uma funerária. Hoje, aos 70 anos, Edir Macedo conta com uma fortuna de mais de 1,2 bilhões de dólares, de acordo com a revista Forbes. Em 1989, adquiriu a Rede Record de Televisão por 45 milhões de dólares.

Reuniões da IURD no Jardim do Meier
Reuniões da IURD no Jardim do Méier

Pois é, 23 anos se passaram após essa pequena notinha do Jornal O São Gonçalo e novamente a Igreja Universal passeia pelas páginas dos jornais locais quando anunciou recentemente a compra da i9 Music  por míseros 30 milhões de reais. Isso comprova que o mundo dá voltas, e para no mesmo lugar. Pelo menos para Edir Macedo que não precisa de DeLorean e nem de almanaque com resultados esportivos para continuar enriquecendo. Ou será que, enquanto pregava na Praça do Méier, algum viajante do passado lhe mostrou a fórmula do enriquecimento? Será?

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Tribobó: a história contada pelos moradores https://simsaogoncalo.com.br/tribobo-a-historia-contada-pelos-moradores/ https://simsaogoncalo.com.br/tribobo-a-historia-contada-pelos-moradores/#comments Mon, 07 Sep 2015 04:18:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3176 Desvendar a história de São Gonçalo é uma das missões da nova geração. O vídeo “No quintal da minha casa” foi elaborado no Ponto de Cultura OLHAR VERDE, de responsabilidade do CISC. A iniciativa foi idealizada pela gestora Ana Sobral e conduzida pelo professor André Correia. Trata-se de um registro histórico, que se preocupa em contar a […]

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Desvendar a história de São Gonçalo é uma das missões da nova geração. O vídeo “No quintal da minha casa” foi elaborado no Ponto de Cultura OLHAR VERDE, de responsabilidade do CISC.

A iniciativa foi idealizada pela gestora Ana Sobral e conduzida pelo professor André Correia. Trata-se de um registro histórico, que se preocupa em contar a história e retratar a memória da cidade de São Gonçalo a partir de seus bairros. E que história é essa de Tribobó? Seria a mesma contada pelos Três bobos que lá viviam?

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Alcântara: a origem do bairro mais popular da cidade https://simsaogoncalo.com.br/alcantara-a-origem-do-bairro-mais-popular-da-cidade/ https://simsaogoncalo.com.br/alcantara-a-origem-do-bairro-mais-popular-da-cidade/#comments Wed, 08 Jul 2015 18:32:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3044 A origem do bairro do Alcântara está ligado diretamente a figura de João Gonçalves de Menezes, Comerciante de tabaco no Rio de Janeiro. O comerciante e fazendeiro estabeleceu-se na localidade que hoje é o bairro em fins do século XIX. Suas terras abrigavam a estação de trem Alcântara que cortava a região, por onde a […]

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A origem do bairro do Alcântara está ligado diretamente a figura de João Gonçalves de Menezes, Comerciante de tabaco no Rio de Janeiro. O comerciante e fazendeiro estabeleceu-se na localidade que hoje é o bairro em fins do século XIX. Suas terras abrigavam a estação de trem Alcântara que cortava a região, por onde a maior parte de sua produção rural era escoada em direção à capital da província.

O bairro em si surgiu na década de 40 com o desmembramento da Fazenda de João Gonçalves de Menezes, junto à estação de trem, e se desenvolveu no cruzamento da rodovia estadual RJ-104, com o antigo traçado da Estrada Geral, que por sua vez fazia a ligação das antigas fazendas do extremo oeste do município, que ficavam nos atuais bairros do Pacheco e Santa Izabel à sua sede do Centro, bem como aos antigos portos de São Gonçalo.

Antiga praça de Alcântara – São Gonçalo - RJ
Antiga praça de Alcântara. Hoje, o shopping ocupa o espaço.

Hoje o bairro é considerado um dos mais desenvolvidos do município, ainda que tenha problemas relacionados ao seu crescimento desordenado, conta com boa gama de serviços tais quais mercados, bancos, hospitais, shoppings e uma boa rede de transportes. Em homenagem à Família que deu origem ao bairro do Alcântara, hoje se encontra a Estrada dos Menezes, que se localiza entre os bairros de Alcântara e Mutondo.

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Trindade: conheça a origem do bairro https://simsaogoncalo.com.br/trindade-conheca-a-origem-do-bairro/ https://simsaogoncalo.com.br/trindade-conheca-a-origem-do-bairro/#comments Fri, 03 Jul 2015 03:15:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3008 A Fazenda da Trindade foi adquirida por Francisco José Ramos e D. Thereza Maria Moreaux Ramos, em 19 de julho de 1877 por 14 contos de réis. Seu cultivo era de café, lavoura e gado. Deste matrimônio entre Francisco e Thereza nasceu Leonor Moreaux Ramos, no dia 21/01/1886 em São Gonçalo. Com a morte dos […]

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A Fazenda da Trindade foi adquirida por Francisco José Ramos e D. Thereza Maria Moreaux Ramos, em 19 de julho de 1877 por 14 contos de réis. Seu cultivo era de café, lavoura e gado. Deste matrimônio entre Francisco e Thereza nasceu Leonor Moreaux Ramos, no dia 21/01/1886 em São Gonçalo.

Paróquia da Santíssima Trindade – Trindade, São Gonçalo. Fonte: Arquidiocese de Niterói
Paróquia da Santíssima Trindade – Trindade, São Gonçalo. Fonte: Arquidiocese de Niterói

Com a morte dos pais, D. Leonor vai para sua residência no Rio de Janeiro onde estavam seus parentes, mantendo ainda a fazenda Trindade. Ao casar-se mais tarde com Lauro Augusto Corrêa volta para São Gonçalo reativando a fazenda, aumentando a criação de gado, plantação de laranja, abacaxi e outras lavouras, chegando a receber menção honrosa na 1° Exposição-Feira de Produtos Agrícolas e Industriais do Município de São Gonçalo, em 27 de setembro de 1931, no concurso de produtos agrícolas.

Com a morte de seu marido, D. Leonor, seguindo orientação de seu genro Humberto Soeiro de Carvalho, organizou em 11 de dezembro de 1951 a Imobiliária Trindade LTDA, para lotearem a fazenda.

Vista da Praça da Trindade, ainda em projeto no ano de 1958.
Vista da Praça da Trindade, ainda em projeto no ano de 1958. (Foto enviada por Paulo Batista)

Durante 75 anos a fazenda fora conservada pela família, com seus sítios e pomares. O Dr. Humberto Soeiro Carvalho, reservara quatro terrenos: Um para a praça, um outro para a Igreja e outros dois para dois colégios. A praça localiza-se no coração do bairro, a Igreja da Santíssima Trindade no local do antigo oratório e os dois terrenos nos dois pólos do antigo bairro.

A Igreja da Santíssima Trindade foi fundada em 25 de maio de 1967. A Sra. Leonor Corrêa, mulher de austera formação católica e esmerada educação, quis construir uma capela onde já existia um pequeno oratório erigido em homenagem à Santíssima Trindade. Neste oratório, de um cômodo, havia uma tela, pintada pelo famoso artista francês François Renné Moreaux, tio-avô da Sra. Leonor Corrêa.

Leonor Corrêa - Origem do Bairro Trindade
Leonor Corrêa

Fonte: Paróquia da Santíssima Trindade — Desenvolvido pela Pastoral da Comunicação Rua Cidade de Campos, s/n — Trindade — São Gonçalo — RJ

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Você sabia que 2ª Corrida Oficial de Automóveis do Brasil foi em São Gonçalo? https://simsaogoncalo.com.br/voce-sabia-que-2a-corrida-oficial-de-automoveis-do-brasil-foi-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/voce-sabia-que-2a-corrida-oficial-de-automoveis-do-brasil-foi-em-sao-goncalo/#comments Tue, 26 May 2015 18:09:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2843 O Circuito de São Gonçalo (RJ) completou, no ano de 2014, 105 anos de história. Este artigo tem por objetivo refletir sobre o automobilismo brasileiro, sobretudo, acerca das nuances pelas quais motivaram a realização do Circuito de São Gonçalo, Rio de Janeiro, no ano de 1909, considerada a segunda corrida estruturada/oficial de automóveis no Brasil […]

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O Circuito de São Gonçalo (RJ) completou, no ano de 2014, 105 anos de história. Este artigo tem por objetivo refletir sobre o automobilismo brasileiro, sobretudo, acerca das nuances pelas quais motivaram a realização do Circuito de São Gonçalo, Rio de Janeiro, no ano de 1909, considerada a segunda corrida estruturada/oficial de automóveis no Brasil – já não mais, tão somente, meras disputas entre entusiastas, os quais contavam com poucos competidores e com breves percursos.

Não se trata aqui de fazer um estudo retido e detalhado a respeito do tema, mas de lançar um olhar sobre a história e tentar captar algo da série de tensões sociais, culturais, políticas e econômicas que marcaram o século XX, pontuando brevemente seus principais aspectos, contribuindo, assim, para uma visão panorâmica da discussão proposta.

Monumento ao Centenário da Primeira Corrida Automobilística no Brasil (1909-2009)
Praça de Neves e o Monumento ao Centenário da Primeira Corrida Automobilística no Brasil (1909-2009).

 “Logo no início do século XX são realizadas algumas corridas, duas das quais deixaram algum registro, ambas contando com poucos competidores e com breves percursos. Estima-se que foram desafiados entre entusiastas e que já tenham atraído um bom público, curiosos com a grande novidade que chegava ao país.

A primeira corrida de automóveis ocorreu em São Paulo, em 1902, tendo como local o Hipódromo da Mooca; foi vencida por José Paulinho Nogueira Filho. A segunda foi realizada no Rio de Janeiro, em 1905. Entre os nomes dos pilotos, sabemos da participação de Willy Borghoff e Primo Floresi. Essa corrida foi organizada, por sugestão de Pereira Passos, para comemorar as obras de remodelação do Largo do Machado.” (MELO, 2003, p.197)

Cartaz circuito de São Gonçalo – Corrida de Automóveis
Cartaz do “CIRCUITO DE SÃO GONÇALO”

A primeira corrida “oficial” de automóveis no Brasil foi o “Circuito de Itapecerica” em 26 de julho de 1908 em São Paulo (SP), a segunda foi o “Circuito de São Gonçalo” (RJ), realizado em 19 de setembro de 1909.

O circuito inicialmente escolhido para a prova, seria a Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro, local onde se promoveu os primeiros encontros de automóveis do Brasil, mas o então prefeito, Souza Aguiar com apoio da Câmara Legislativa, foi contra sua realização na Capital Federal por achar que representava uma ameaça à população e conseguiu proibir a realização da mesma.

A interdição começou no governo anterior do Prefeito Pereira Passos, um dos grandes reformadores do traçado urbano da cidade.

Primeiros encontros de automóveis do Brasil, na floresta da Tijuca (Vista Chinesa).
Primeiros encontros de automóveis do Brasil, na floresta da Tijuca (Vista Chinesa).

Histórico de acidentes envolvendo automóveis gera desconfiança

No ano de 1897, com Bilac na direção, perderam o controle do veículo, que se chocou contra uma árvore, sem maiores danos para a saúde de ambos.

No mesmo ano, ocorrera outro acidente na cidade, com o carro de Álvaro Fernandes da Costa Braga, utilizado para transporte de mercadores de sua empresa Moinho de Ouro: burros que fracionavam um bonde, assustados, atacam o veículo. Já nos primeiros anos do século XX tem grande impacto na imprensa um atropelamento ocorrido no bairro da Tijuca.

A grande repercussão dos acidentes tem relação com os personagens envolvidos, importantes figuras da política e da cultura nacional naquela transição de séculos, nomes emblemáticos das mudanças em curso, mas também com as preocupações que cercaram a chegada dos primeiros automóveis, notadamente com a segurança dos transeuntes, inclusive porque as ruas não tinham qualquer forma de preparação para o tráfego.

O automóvel invadia as ruas onde antes pedestres passavam sem grande preocupação, a passos lentos. A cidade deveria ser ordenada e ele seria o novo rei, causando susto com seu barulho, sua imagem do poder. Na mesma medida, os carros fascinavam.

Automóvel do Clube do Brasil – Fundação

Automóvel Clube do Brasil foi idealizado e fundado por Alberto Santos Dummont em 27 de setembro de 1907, no Rio de Janeiro, instalado na antiga sede do Clube Guanabarense, em Botafogo. Dummont foi um dos primeiros proprietários de Automóvel do País, Aarão Reis, positivista e autor de vários artigos sobre a importância da eletricidade e das novas técnicas modernas, fora o primeiro Presidente, além de José do Patrocínio, Álvaro Fernandes da Costa Braga e Fernando Guerra Durval entre os menos famosos.

O Automóvel Clubes propõe-se, dentre outras coisas, a desenvolver, na população, o gosto pelo automobilismo.

A ida da prova para São Gonçalo

Em vista dessa proibição, o Automóvel Clube do Brasil, organizador da prova, a transferiu para São Gonçalo. A festa, há muito projetado pelo Automóvel Clube do Brasil, só pode ser realizada, graças à coadjuvação que o Clube teve do presidente do Estado do Rio, Dr. Alfredo Backer e seus auxiliares, e bem assim do capitalista e industrial, Visconde de Moraes e do prefeito de São Gonçalo, coronel Joaquim Serrado.

O prefeito do município de São Gonçalo, coronel Joaquim Serrado, fez todos os esforços para que a grande corrida tivesse extraordinário esplendor, cedendo, inclusive, sua Fazenda Engenho Novo, um dos principais trajetos do circuito.

Na estação da Companhia Cantareira – do capitalista e industrial Visconde de Moraes – foram vendidos os bilhetes para a arquibancada das Neves. A companhia Cantareira fez correr, no domingo, dia da corrida, bondes para as Neves, a fim de conduzir as pessoas que quisessem assistir à corrida. Além de oferecer o translado dos automóveis do Rio de Janeiro para Niterói via Baía de Guanabara através da Companhia das Barcas Ferry a qual era proprietário.

Automobilismo em São Gonçalo
AUTOMOBILISMO – CIRCUITO DE SÃO GONÇALO Além da taça que, conforme já foi noticiado, ofereceu o dr. Backer, presidente do Estado do Rio, exposta, actualmente, na outivesaria Moreira, o visconde de Moraes ainda ofereceu outra, como a primeira, de grande valor artístico. Esta taça foi adquirida na casa Rzende onde tem sido muito admirada. O Automovel Club do Brasil comprou ainda taças e objectos artísticos para as categorias menores.

Domingo, 23 do mês passado, a cidade de Nictheroy foi testemunha de um espetáculo para ela inteiramente novo e que despertou vivíssima curiosidade nos seus habitantes. Logo as primeiras horas da manhã, das barcas que iam aqui do Rio desembarcavam muitos automóveis conduzidos todos eles, passageiros equipados como para uma corrida: guarda-pó, óculos, viseiras, etc.; davam a esses passageiros um acentuado cunho esportivo, dir-se-ia que a vizinha cidade se tinha um momento para outro transformado num desses centros de turismo e vilegiatura do sul da Europa.

Todos esses autos, após uma pequena demora na praça da estação tomaram a mesma direção, encaminhando-se para as Neves e com os escapamentos abertos e o buzinar contínuo das suas trompas, davam às ruas que percorriam uma nota alegre e de festa, chamando às janelas os habitantes entregues ao dominical repouso.

Quanto às inovações tecnológicas da época, o público tivera todas as informações das peripécias da corrida, por meio de telegramas e telefone, serviço especialmente organizado para esse fim de modo a facilitar notícias à plateia, em qualquer lugar da arquibancada.

Na instalação da arquibancada e no melhoramento dos caminhos, a diretoria do Automóvel Clube Brasil empregou todos os seus esforços, além disso, preparou um serviço médico, em diversos pontos, sob a direção de distintos clínicos.

Por fim, para este grande evento, que tivera despertado o mais franco entusiasmo nas rodas esportivas, por ser a primeira que se realiza oficialmente no Estado, inscreveram-se 16 amadores que disputaram as taças: “Estado do Rio de Janeiro e Visconde de Moraes” ofertadas pelo Presidente do Estado do Rio, Dr. Alfredo Backer e pelo capitalista e industrial, Visconde de Moraes.

A arte e o esporte correndo lado a lado. Os fotogramas mais antigos preservados, que se tem conhecimento no Brasil, referem-se exatamente a um evento esportivo: as primeiras corridas de carros organizadas pelo Automóvel Clube do Brasil, realizadas no dia 19 de setembro de 1909, em São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro (MELO, 2003, p.184).

Tais imagens foram captadas pelos irmãos Botelho, sendo Paulino o responsável pela câmera, ao passo que Alberto participava da corrida juntamente com Francisco Serrador, outro dos pioneiros do cinema nacional. Noronha destaca o empenho de deslocar a câmera para vários locais do circuito, esforço árduo, em função do peso do material na época. Com isso, temos um panorama geral do certame: os participantes, o público, os acidentes, o modelo dos carros e flagrantes do vencedor.

Monumento ao Centenário da Primeira Corrida Automobilística no Brasil, 1909-2009
Monumento ao Centenário da Primeira Corrida Automobilística no Brasil (1909-2009), na Praça de Neves, São Gonçalo – Rio de Janeiro.

Circuito de São Gonçalo (RJ) – 1909

Para a corrida, só poderiam tomar parte, como condutores, como consta no regulamento da prova, os sócios do Automóvel Clube do Brasil, Automóvel Clube de São Paulo e Amadores, isto é, pessoas que não sejam profissionais ou mecânicos assalariados. As inscrições custavam 25$, para os sócios do Automóvel Clube do Brasil e do Automóvel Clube de São Paulo, e de 100$000, para as pessoas que não fizessem parte desses Clubes.

A corrida foi dividida em categorias e percursos. Para a categoria A bastava o nome do fabricante e a força do motor (não houve inscrições para esta categoria). Os veículos das categorias B, C, D, E, F deverão ter dois lugares ocupados. Os condutores e os que os acompanhavam eram os únicos responsáveis por qualquer acidente que possam causar ou de que possam ser vítimas. Pelo fato da inscrição, entende-se que os condutores concordam plenamente com todas estas condições e bem assim como o regulamento da estrada e mais regulamentos e avisos que lhes forem fornecidos e publicados até o dia da corrida.

A saída será por números tirados a sorte, na antevéspera da corrida, na sede do Clube, às 4 horas da tarde. Feito pela comissão e aprovado em conselho deliberativo de 16 de julho de 1909.

No que tange ao percurso da corrida, os automóveis concorrentes à corrida, partirão, um por vez, das Neves ao meio dia, seguindo por Porto Velho, São Gonçalo (centro), Alcântara, Laranjal, Calimbá, Rio d’Aldeia, Cabuçú, Engenho Novo, Monte Formoso, Sacramento, Pacheco e, novamente, Alcântara, de onde retornarão, pelas estradas do Laranjal, com destino ao Alcântara, São Gonçalo e Neves, fazendo percurso total de 72 km para os automóveis das categorias: E e F e 48 km para as categorias: B, C, D, como podemos observar na figura abaixo:

O Circuito de São Gonçalo, segundo os jornais da época, foi indubitavelmente, como diriam os antigos, a nota sensacional do ano. Como tal, a prova chamou para o outro lado da baía uma boa parte da população da Capital Federal, que começou as primeiras horas da manhã numa romaria, só à tarde cessada, para as “terras lendárias de São Gonçalo”. Ao meio dia, já repletíssimas, as imediações em frente às arquibancadas para os convidados ao Circuito, os bondes e os trens chegavam totalizando mais de 5.000 pessoas.

Presidente Alfredo Backer e o Circuito de São Gonçalo
O Presidente Backer e S. Exma. família na Archibancada.

O Automóvel Clube do Brasil avisa ao público (da Capital) que quiser as corridas a realizar-se em São Gonçalo, domingo 19 de setembro, que construiu arquibancadas nas Neves, mas com número limitado de lugares devido à dificuldade do local. O trajeto far-se-á desta capital até às Neves pelas Barcas Ferry, e pelos bonds elétricos de Nictheroy até quase ao local das arquibancadas, ponto de partida e de chegada dos automóveis.

Lista dos Pilotos do Circuito de São Gonçalo (RJ) de 1909

Lista dos Pilotos do Circuito de São Gonçalo (RJ) de 1909

1ª prova – Categoria F – Distância 72 km (2 voltas)

Partida: Jorge Haentjens (Lorraine-Dietrich – 80 HP) a 1 hora; Dr. João Borges Júnior (Fiat – 75 HP) 1 hora e 4 minutos; Dr. Francisco da Cunha Bueno Netto (Fiat – 50 HP) a 1 hora e 8 minutos; Gastão Ferreira de Almeida (Berliet – 60 HP) a 1 hora e 14 minutos.

Chegada da Corrida em São Gonçalo

Chegada: O primeiro carro a chegar foi do Dr. João Borges Júnior, que passou pela reta de chegada às 2 horas e 11 minutos, gastando, portanto 1 hora e 7 minutos; em seguida após mais uns minutos apenas apareceu Gastão de Almeida, marcando a sua chegada às 2 horas e 18 minutos e dois quintos. Os outros dois carros que faziam parte desta prova completaram o percurso com grande atraso.

Chegando após meia hora do segundo, o carro do Dr. Francisco da Cunha Bueno que durante o caminho teve três pneus furados e muito mais tarde apareceu o carro do Sr. Haetjens (L. Drietrich) com a carroceria queimada e enorme rombo no depósito de gasolina.

Foram, portanto, vencedores: Gastão de Almeida e Dr. João Borges Junior.

2ª prova – Categoria E – Bronze artístico – Distância 72 km (2 voltas).

Partida: F. Serrador (Diato-Clement– 30 HP) a 1 hora e 18 minutos; Raul Chagas (Fiat- 40 HP) a 1 hora e 21 minutos; Charles Meyer (Benz- 40 HP) a 1 hora e 24 minutos; C. Bosisio (Fiat – 40 HP) a 1 hora e 27 minutos. Não se apresentou para correr Oswaldo Sampaio.

Chegada: O primeiro a voltar foi o carro do Sr. Raul Chagas, que passou pelo vencedor às 2 horas e 38 minutos; depois chegou o Sr. C. Bosisio às 2 horas e 42 minutos. Não completaram o percurso: F. Serrador cujo motor do carro incendiou-se, ficando o seu condutor com uma das mãos ligeiramente queimada; Charles Meyer, que teve seu carro partido numa queda ao iniciar a estrada do Alcântara. O condutor que acompanhava o Sr. Meyer foi arremessado e, com a queda, feriu a perna direita, Sr. Meyer, contudo, teve apenas escoriações leves e arranhões na cabeça e no joelho.

1909 – Corrida em São Gonçalo 1909 – Corrida em São Gonçalo

3ª prova – Categoria D – Bronze artístico – Distância 48 km

Não se efetuou por só ter aparecido o Sr. José D’Orey. A comissão esportiva resolveu incluí-lo na prova seguinte.

4ª prova – Categoria C – (2ª turma) – Bronze artístico – distância 48 km.

Partida: José D’Orey (Berliet – 22 HP) as 8 horas e 19 minutos; Raul Berroguin (Renault – 14 HP) as 3 horas e 21 minutos; Honório Berroguin (F.N. – 18 HP)  as 3 horas e 23 minutos. Não se apresentaram: G. Berbisco; F. de Oliveira e Fabio Prado.

Chegada: Chegou em primeiro, às 4 horas e 7 minutos o Sr. José D’Orey e Raul Berroguin. A outra prova do programa não se efetuou por não se ter apresentado o Sr. Joaquim Pontes, do Automóvel Clube de São Paulo.

1909 – Corrida em São Gonçalo

O Circuito de São Gonçalo (RJ) de 1909, assim como podemos notar, não é uma prova puramente esportiva, pois que muito além de ver qual a melhor máquina em velocidade e resistência é, necessariamente, um meio de propaganda dos industriais, que tem no automóvel um condutor rápido dos produtos pelas estradas, que aos poucos, com o know-how da diretoria do Automóvel Clube do Brasil e o auxílio dos governos federal, estadual serão preparadas, ligando um e mais Estados à capital da República e tornando até mais fáceis as viagens por esses caminhos. O pano de fundo da corrida é, pois, o início de um problema que tem forçosamente de triunfar, porque o desenvolvimento do país o “reclama urgentemente”: o progresso pelo asfalto.

VASCONCELOS, W. S. São Gonçalo: 2ª Corrida Oficial de Automóveis do Brasil. Blog Tafulhar, 17.09.2014.

Curiosidades

• O primeiro automóvel tenha chegado ao Brasil pelas mãos de Alberto Santos Dumont, um dos precursores da aviação. Em 1890, adquire seu primeiro carro, um Peugeot.

• No Rio de Janeiro, o primeiro automóvel desembarcou alguns anos depois: em 1895, José do Patrocínio, líder abolicionista e importante personagem da política nacional, também importou o seu da Europa um Serpollet causando na população sensações semelhantes às observadas em São Paulo.

Fonte:

DELAMARE, M., TEIXEIRA, A. MAIA, B.. Automobilismo
Jornal: Correio da Manhã. Sábado, 31 de julho de 1909, p.5.
Jornal: A imprensa. Quarta-feira, 25 de agosto de 1909, p.6.
Jornal: A Notícia. Quinta-feira, 7 de setembro de 1909,Ano XVI n.207, capa.
Jornal: A imprensa. Quarta-feira, 8 de setembro de 1909, p.4.
Jornal: O País. Domingo. 12 de setembro de 1909, p.8.
Jornal: A imprensa. Sexta-feira, 17 de setembro de 1909, p.4.
Jornal: Correio da Manhã. Domingo, 19 de setembro de 1909, p.4.
Jornal: A imprensa. Segunda-feira, 20 de setembro de 1909, capa.
Jornal: A imprensa. Quinta-feira, 23 de setembro de 1909, p.4.
Jornal: A imprensa. Quinta-feira, 28 de setembro de 1909, p.3.
MELO, V. A. . Memórias do esporte no cinema brasileiro: sua presença em longa-metragens brasileiros. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v. 25, n.1, p. 173-188, 2003.
MELO, V. A. . O automóvel, o automobilismo e a modernidade no Brasil (1891-1908). Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 30, p. 187-204, 2008.
MELO, V. A. . Antes de Fittipaldi, Piquet e Senna: o automobilismo no Brasil (1908-1954). Motriz (Rio Claro)http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/images/curriculo/jcr.gif, v. 15, p. 104-115, 2009.

Texto originalmente publicado no Blog do Tafulhar.

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Bondes e o trilhar do desenvolvimento de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/o-que-voce-nao-sabia-sobre-os-bondes-e-o-trilhar-do-desenvolvimento-de-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-que-voce-nao-sabia-sobre-os-bondes-e-o-trilhar-do-desenvolvimento-de-sao-goncalo/#comments Mon, 04 May 2015 18:28:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2824 As primeiras fagulhas do progresso gonçalense Diante da recente emancipação política, em fins do século XIX, São Gonçalo engatinha e revela as transformações que a cidade transpira ao se modernizar em seu tempo. Os olhos se acostumavam à luz vinda dos postes de iluminação a gás, aos flashes das fotografias e ao escuro dos cinemas. Aos […]

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As primeiras fagulhas do progresso gonçalense

Diante da recente emancipação política, em fins do século XIX, São Gonçalo engatinha e revela as transformações que a cidade transpira ao se modernizar em seu tempo.

Os olhos se acostumavam à luz vinda dos postes de iluminação a gás, aos flashes das fotografias e ao escuro dos cinemas. Aos ouvidos cabia absorver a abundância de sotaques, as vozes anônimas dos rádios, as falas distantes dos telefones, e passar impune à polifonia que as aglomerações em trânsito produziam. O aroma dos charutos e cigarros, os perfumes das damas e o suor dos trabalhadores propunham novos desafios ao olfato.

A cidade se oferecia à visão, à audição e ao olfato numa velocidade que fazia da abundância de estímulos sensoriais a sua marca. Em contrapartida, o indivíduo se voltava para si. (O’DONNELL, 2007).

Durante o século XIX, o bonde foi um dos grandes meios de transporte que permitiram às cidades pós Revolução Industrial consolidarem a sua expansão e a sua própria estrutura, delineada a partir das novas funções das cidades com características notadamente urbanas. A disseminação desse processo, no bojo do avanço do poderio capitalista, permitiu a outros países do mundo ocidental experimentar, ainda durante o século XIX, as quimeras do progresso que no Velho Mundo já se avultavam há quase um século.

O Brasil, embora em embrionário processo de industrialização em fins do século XIX, adota o bonde e os ícones da cidade industrial, como meio de promover a sua própria modernização e inserir-se, ainda que forçosamente, já que se limitava a apropriar apenas os aspectos técnicos, nesse processo. O bonde foi implantado na imensa maioria das capitais brasileiras contribuindo, de forma irrefutável, para consolidar essa urbanização tão desejada em todo o país.

Bondes em São Gonçalo
Linhas de bondes em São Gonçalo e Niterói. A palavra inglesa Tramway significa bonde, no português.

E em São Gonçalo não havia sido diferente. Por iniciativa do visionário empresário Carlos Gianelli, muito ligado ao legislativo gonçalense, em 5 de Agosto 1899 (MORRISON, 1989), a sua companhia, Tramway Rural Fluminense, tem permissão a linha de bonde à vapor de 15 km de extensão que liga Neves a Alcântara, que forneceu o serviço local ao longo das ruas paralelas da Leopoldina Railway.

“Realizou-se hontem, conforme fora annunciada, a inauguração dos bonds a vapor de S. Gonçalo ao Alcântara. A 1 hora da tarde, em bonds especiais que partiram das Neves, seguiram os convidados e representantes da imprensa, afim de tomarem parte na solenidade da inauguração, e na mesma partida da estação de Sant’Anna um trem especial da Companhia Leopoldina conduzindo o Sr. Quintino Bocayuva e outros convidados. O trecho inaugurado achava-se ornamentado com gosto e bem assim as locomotivas. Os convidados foram recebidos no ponto terminal do Alcântara ao espoucar dos foguetes e ao som de duas excellentes bandas de musica militares. Terminada a solinidade da inauguração, regressaram os convidados ao edifício da Câmara Municipal de S. Gonçalo, onde o Sr. Carlo Gianelli, director da companhia, offereceu um profuso banquete, no qual tomaram parte grande número de convivas (…) Ao champagne foram levantados os seguintes brindes: do Sr. Carlos Gianelli à Camara Municipal de S. Gonçalo; do Sr. Nilo Peçanha, que em nome da Câmara Municipal agradece ao conhecido industrial, Sr. Carlos Gianelli (…)” (Jornal do Brasil, 2.julho. 1900, n.183)

Bondes São Gonçalo – Jornal O Malho
“Em S. Gonçalo de Nictheroy. Um ataque aos carros da Tramway Rural Fluminense.” Fonte: Jornal O Malho. Ano 1907, p.27.

É preciso ressaltar a visão de Carlos Gianelli. (Industrial, agricultor e empresário). Nascido em 1855 e desde 1881, logo que aqui chegou, vindo do Uruguai, a sua pátria, dedicou-se ao preparo do trigo importado do estrangeiro com sua empresa Moinho Fluminense (1887), empregara todos os seus esforços no sentido de desenvolver a indústria, chegando a ser um dos seus mais importantes representantes.

Dedicou-se também a agricultura, indo empregar os seus inexcedíveis esforços e atividades na Fazenda Guaxindiba, em São Gonçalo. Também exerceu cargo de cônsul e o de secretário da legação do seu país, sendo elevado ao cargo de secretário honorário da legação Oriental. O Sr. Carlos Gianelli, tendo conseguido privilégio para uma linha de bondes à vapor em São Gonçalo, funda a companhia Tramway Rural Fluminense em 1899. Faleceu em 13 de março de 1908, com 53 anos de idade, e foi enterrado no cemitério São João Batista n. 2779, em Botafogo.

Os bondes, juntamente com os seus fundadores, foram os promotores do desenvolvimento da cidade gonçalis na primeira metade do século XX, pela facilidade de transporte que ofereciam. Tão notável progresso, em relação ao transporte de passageiros e cargas, entre os mais importantes centros populosos – Neves – São Gonçalo – Alcântara. A concessão dada a esses beneméritos cooperadores do desenvolvimento de São Gonçalo deve figurar entre as mais valorozas conquistas do progresso que estavam por vir.

Originalmente publicado no blog do Tafulhar.

Fontes e referências:

A foto de abertura tem origem da página do Facebook “São Gonçalo Antigo”, e tem como autores os fotógrafos Allen Morrison, Augusto Malta, Wanderley Duck, Carlheinz Hahmann, Willian Janssen, Raymond DeGroote e J.R. William e Earl Clark, trabalhando para o IBGE.
OSTA, Madsleine Leandro da, FERREIRA, Angela Lucia de Araújo. Mudanças Tecnológicas e Transformação Urbana: do Bonde ao Ônibus. Departamento de Arquitetura – UFRN, s.d.
FERNANDES, Marcelo Belarmino.São Gonçalo operário: cenários e personagens das lutas sociais no Município de São Gonçalo no segundo pós-guerra, 1945-1951. UERJ-FFP, São Gonçalo, 2009.
MACHADO, Fábio Nunes. A atuação do poder público na construção do espaço urbano gonçalense, entre os anos de 1920 – 1950. UERJ-FFP, São Gonçalo, 2002.
MORRISON, Allen. The Tramways of Brazil, A 130 – Years Survey, New York: Bonde Press, 1989. ISBN 0-9622348-1-8O’DONNELL, Julia Galli. Para andar nos trilhos. 12 set. 2007. Em : http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/para-andar-nos-trilhos.

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Indústrias Gonçalenses: Cerâmica Olaria Porto do Rosa https://simsaogoncalo.com.br/industrias-goncalenses-ceramica-olaria-porto-do-rosa/ https://simsaogoncalo.com.br/industrias-goncalenses-ceramica-olaria-porto-do-rosa/#comments Mon, 27 Apr 2015 22:07:29 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2803 Originalmente publicado no Blog do Tafulhar. Ao tafulhar por “Porto do Rosa” ou “Olaria Porto do Rosa” na internet, fiquei bastante intrigado com o que encontrei, pois boa parte dos sites e blogs possuíam quase sempre a mesma reprodução de definição: “Porto do Rosa: o nome do bairro é herança da antiga Olaria Porto do […]

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Originalmente publicado no Blog do Tafulhar.

Ao tafulhar por “Porto do Rosa” ou “Olaria Porto do Rosa” na internet, fiquei bastante intrigado com o que encontrei, pois boa parte dos sites e blogs possuíam quase sempre a mesma reprodução de definição:

“Porto do Rosa: o nome do bairro é herança da antiga Olaria Porto do Rosa, localizada na fazenda do Capitão Antônio José de Souza Rosa. A porteira de sua propriedade ficava próxima ao local onde eram empilhadas as mercadorias que chegavam e partiam do porto, o que a transformou em ponto de referência para os moradores da redondeza e para os barqueiros e comerciantes”.

Fiquei com alguns questionamentos tais como: o nome do bairro veio da Olaria Porto do Rosa ou da porteira da propriedade da Fazenda do Capitão Antônio Rosa que se transformou, ao passar dos anos, em ponto de referência? O que é e como seria a Olaria? O que produzia? Será que a Olaria Porto do Rosa tivera alguma relevância econômica, social e política na cidade de São Gonçalo? Após algumas pesquisas, em livros, revistas e jornais, sobretudo, no site da Biblioteca Nacional, consegui desvendar alguns mistérios. Não tenho pretensão de esgotar todos os questionamentos, neste texto, mas o site está aberto para novos enredos.

Olarias em São Gonçalo - Cerâmica Porto do Rosa
As Olarias são locais onde se confeccionam produtos de cerâmica,
tais como tijolos, telhas e manilhas. Fonte: “Do Sobrado ao Arranha-Céu” Pp. 23-28 – 7 fotografias – 1 gravura 2 tabelas -O Observador Econômico e Financeiro – Ano XVIII – N.213 – Nov. 1953.

Antecedentes históricos

Até o século XIX, a economia de São Gonçalo foi essencialmente agrícola, em destaque, os grandes engenhos de açúcar nas fazendas Engenho Novo e Jacaré, ambas de propriedade do barão de São Gonçalo.

Só no século seguinte tomaria grande impulso o desenvolvimento industrial. A completa ausência de vilas por todo o século XVII é, realmente, surpreendente. Só muito mais tarde, em 1808, com a chegada da corte lusitana ao Brasil, se desenvolveu, realmente, a cidade do Rio de Janeiro como centro urbano, tendo-se iniciado, por essa ocasião, um período de expansão urbanística. Apenas em 1834, por exemplo, foi alcançada a autonomia da província do Rio de Janeiro, tendo sido escolhida Niterói como sua capital, elevada à categoria de cidade, em 1835, tendo São Gonçalo como um de seus distritos.

As atividades industriais na região, antes predominantemente agrícola, não raro tinham olarias situadas nas antigas fazendas. As olarias constituíam apenas uma atividade subsidiária dos engenhos. Todavia, nas zonas que não eram aproveitáveis do ponto de vista agrícola, a olaria sempre foi o seu principal esteio econômico. A Olaria Porto do Rosa, em São Gonçalo, numa zona imprópria para a agricultura intensa, se constituiu como a principal fonte de renda na fazenda do Capitão Antônio José de Souza Rosa.

As olarias normalmente são construídas onde há grande concentração de matéria-prima, a chamada tabatinga. A palavra é de origem indígena, vinda do tupi, tendo seu significado designado como “barro branco” ou “barro esbranquiçado”. É uma argila com muita matéria orgânica, geralmente encontrada em pântanos ou locais com água permanente (rios, lagos) no presente ou passado remoto.

Podemos visualizar no mapa, na cor marrom, o local onde estão concentradas as olarias em São Gonçalo; e na tonalidade verde, os terrenos contendo a tabatinga.

Mapa das olarias em São Gonçalo
Fonte: Blog do Tafulhar. www.tafulhar.com.br

Não há dúvida, entretanto, de que a localização da Olaria Porto do Rosa é, em parte, devida ao fato de ali haver a matéria-prima indispensável para a confecção dos produtos de cerâmica. A tabatinga é de ótima qualidade, atendendo a todos os requisitos exigidos para a confecção dos diferentes produtos de cerâmica.

Mapa das olarias em São Gonçalo
Fonte: Blog do Tafulhar. www.tafulhar.com.br

Outros fatores preponderante para a expansão da atividade foram a proximidade com Niterói, e a existência de comunicações fáceis, como as estradas de ferro e portos que garantiam o escoamento da produção em determinadas áreas. Nas primeiras décadas do século XIX, a expansão de Niterói, embora lenta, foi impulsionada pelo progresso da capital, alimentando o desenvolvimento da indústria da cerâmica na parte leste da baía.

Por que a olaria do Porto do Rosa ficou tão famosa?

Um dos principais motivos seria político. A influência teria sido tão intensa que, já em 1910, a atual “Cerâmica Porto Rosa”, então pertencente à firma “Lussac”, já exportava telhas para as firmas construtoras do Rio de Janeiro, em embarcações próprias que saíam dos pequenos portos do fundo da baía. Mas, quem seria Lussac, além de proprietário da Olaria Porto do Rosa? Lussac era cunhado do Sr. Serzedello Corrêa, então prefeito do Distrito Federal.

Olaria Porto do Rosa
Máquinas para a fabricação de telhas e manilhas. Olaria Porto do Rosa. Fonte: PIZARRO e ARAÚJO, José de Sousa Azevedo – “Memórias históricas do Rio de Janeiro e das províncias anexas à jurisdição do vice-rei do Estado do Brasil” 262 pp. – 9 vols. – Impressão Régia – Vol. IV – Rio de Janeiro, 1820.

O seu período de maior desenvolvimento teve início em 1940, quando igualmente, começa a expansão demográfica e a instalação, em grande escala, de fábricas e indústrias em São Gonçalo. O processo de liquidação veio logo depois, loteando o terreno para venda, o que era mais rentável que produzir.

As olarias de outrora constituíam apenas uma atividade subsidiária dos engenhos. Entretanto, foram as precursoras do desenvolvimento industrial e urbano na cidade de São Gonçalo.

Olaria do Porto do Rosa
Chaminé da antiga cerâmica do Porto do Rosa. Fonte: Ribeiro, Daniel. Centenário da Independência do Brasil. Álbum do Estado do Rio de Janeiro. Olaria do Porto do Rosa, 1920.

Fontes:

CAMPOS, Maria da Glória de Carvalho. Causas geográficas do desenvolvimento das olarias na Baixada da Guanabara. Revista Brasileira de Geografia. Ano XVII.  N.2. Abr.-jun., 1955.
Jornal O século. 14 de abril de 1910. Capa.
Carta do Distrito Federal organizada pelo Serviço Geográfico Militar – 1922 — Escala -1:50 000. Cartas do Serviço Geográfico do Exército – Folhas topográficas – a) Nova Iguaçu, b) Caxias, c) Niterói,  d) São Gonçalo – Escala  1:.50 000  193.5. Mapas municipais do estado do Rio de Janeiro, organizados ern observância ao decreto-lei nacional n.0 311, de 2 de março de 1938 – Folhas de Nova Iguaçu, Caxias, Magé, Itahomí, Cachoeiras de Macacú, São Gonçalo, Niterói e .Maricá.
GEIGER, Pedro e outros “Estudos da recuperação econômica da Baixada Fluminense” in “Loteamento na Baixada da Guanabara” – pp. 95-101  4 fotografias – 1 mapa -Anuário Geográfico do Estado do Rio de Janeiro – N. 5 – 1952.
_________”O Rio de Janeiro de Ontem e de Hoje” – pp. 55-83 – 10 fotografias, 5 tabelas -O Observador Econômico e Financeiro – Ano XVIII  N.211 – Setembro de 1953, p. 55.
_________”Do Sobrado ao Arranha-Céu”  Pp. 23-28 – 7 fotografias – 1 gravura  2 tabelas -O Observador Econômico e Financeiro – Ano XVIII – N.213 – Nov. 1953.
_________”Construções Residenciais no Distrito Federal” – Pp. 46-50 – Ano VI – N.0 9 -Rio de Janeiro – Set. 1952.
MORALES DE LOS RIOS F.Adolfo – O Rio de Janeiro imperial – 494 pp.  112 ilustrações -3 gravuras – Índices especiais – Bibliografia – Editora “A Noite” – S/data.
PIZARRO e ARAÚJO, José de Sousa Azevedo – “Memórias históricas do Rio de Janeiro e das províncias anexas à jurisdição do vice-rei do Estado do Brasil”  262 pp. – 9 vols. – Impressão Régia – Vol. IV  – Rio de Janeiro, 1820.
Ribeiro, Daniel. Centenário da Independência do Brasil. Álbum do Estado do Rio de Janeiro. Olaria do Porto do Rosa, 1920.

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A Revolta das Barcas Rio-Niterói: um problema histórico https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/ https://simsaogoncalo.com.br/a-revolta-barcas-rio-niteroi-um-problema-historico/#comments Mon, 16 Mar 2015 00:27:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2557 Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se […]

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Índio Quer Apito Se Não Der Pau Vai Comer

É meus amigos, chegou o carnaval. Vamos todos colocar aquela fantasia tão esperada guardada o ano todo e nos divertir assim como fazem os integrantes do bloco “Inocentes Canibais” (Nome bem sugestivo não acham? Todos prontos para comer gente, mas com o álibi da inocência. Se eu fosse um advogado diria que no mínimo um crime culposo, sem intenção de carcar) nesse espetacular registro de Manoel Fonseca no ano de 1956.

Bloco “Inocentes Canibais” Niterói
Manuel Fonseca – Bloco “Inocentes Canibais” diante do busto de Araribóia, na praça Araribóia, Carnaval de 1956. Coleção da Fundação de Arte de Niterói.

Aí, você fica pensando: “Assim é mole! Pular o carnaval em 1956 era muito mais fácil. A vida era muito melhor, não tínhamos tantos problemas como os de hoje. Saúde, educação e transporte eram mil maravilhas! Principalmente o transporte, pois tínhamos algo de qualidade, com preços justos.” Peraí! Não era bem assim! O nosso amigo de bronze da foto sabe muito bem que há muito tempo nossos transportes são péssimos. Especialmente o hidroviário, no qual foi testemunha de que “o bicho pegou” ali pertinho dele. Talvez seja um trauma causado por esse acontecimento que o fez morar na frente da igreja São Lourenço dos Índios, estando lá até hoje, rezando para que nossos governantes nos tratem com mais respeito.

Nosso amigo da foto se estabeleceu mesmo na Praça Araribóia, em 1914, após um movimento popular no ano anterior chamado “Comissão Glorificadora a Araribóia”, liderado por um tal de Araribóia Cardoso, que se dizia descendente do fundador de Niterói. Se o cara era ou não parente direto do famoso índio, nunca vamos saber. Mas aquele cara de barba espessa, casaco longo e cocar na cabeça surgiu com tudo no cenário político niteroiense. A partir daí, nosso amigo vivenciou as alegrias e as tristezas das pessoas que pegavam as barcas todos os dias para trabalhar. Até brincar o carnaval, o nosso amigo brincou. Essa foto não me deixa mentir.

Barcas à vapor, sec XIX (1835)
Barcas à vapor, sec XIX (1835)

O início do transporte aquaviário no Rio de Janeiro

Em 1835, as barcas a vapor circulavam realizando o trajeto Rio – Niterói. A Sociedade de Navegação de Nictheroy operava com três barcas que trafegam de hora em hora, com a capacidade de 250 passageiros de seis da manha às seis da tarde. A SNN manteve-se soberana até meados do século XIX, quando a Companhia Inhomirim entrou no circuito, obtendo permissão para manter uma linha de transporte regular entre a Capital do Império e Niterói. Mas, como diz o ditado popular: “Onde Come Um Come Dois”. Assim, as duas companhias entram num acordo para contornar a disputa pela concorrência, fundando a Companhia Niterói – Inhomirim. Esse filme nós vemos até hoje. Ele se chama monopólio. E assim, a companhia passa a explorar não só o trajeto Rio – Niterói, mas todos os principais portos do fundo da baía. A mais lucrativa foi quando estabeleceu uma carreira para o bairro de Botafogo, que na época, era o lugar de residências de famílias mais ricas. Botafogo passou a ser também o lugar mais procurado para os banhos de mar. Em 1858, a Niterói – Inhomirim já tinha 9 barcas fazendo o trajeto Rio – Niterói.

Mas em 1858, um empresário chamado Cliton Von Tuyl ganhou outra concessão para operacionalização do transporte aquaviário na Guanabara, a mesma carreira que Niterói- Inhomirim. Cliton não perde tempo e vende sua empresa aos empresários americanos Thomas Ragney e W. F. Jones, que estabeleceu as barcas a vapor do sistema Ferry. O capital internacional fez com que as barcas do sistema Ferry passassem por cima da concorrência, fazendo o mesmo trajeto em menos tempo, com mais velocidade e conforto. Isso foi fatal para sobrevivência da Companhia Niterói-Inhomirim, que em 1865 suspendeu seus serviços.

Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862
Estação Ferry na Praça XV, em seu aspecto original de 1862

O velho monopólio do transporte

O céu era o limite para Companhia Ferry. Com o monopólio, o aumento dos preços do serviço ampliou a sua lucratividade a ponto de, em 1889, incorporar a Empresa de Obras Públicas do Brasil ao seu controle, dirigira por Manuel Buarque de Macedo e que já prestava serviços públicos em Niterói e São Gonçalo. Assim surgiu a Companhia Cantareira & Viação Fluminense.

A Companhia Cantareira foi só expansão até o ano de 1908, quando sofreu uma nova reestruturação e passou a ser financiada diretamente pela Leopoldina Railway, que monopolizaria não só o transporte de passageiros na Baia de Guanabara, como a provisão de infraestrutura física na chamada Orla Oriental da Baía.

Entretanto, a companhia não contava com o crescimento de passageiros. A partir do crescimento das duas cidades, tanto Niterói ,que segundo o recenseamento de 1920 contava com 86.238 habitantes, quanto São Gonçalo, que crescia meteoricamente com 47.019 habitantes segundo a mesma fonte, utilizavam o serviço. O reflexo disso não poderia ser outro, senão o descontentamento dos usuários do transporte. Em dezembro de 1925, foi registrado a primeira das diversas ondas de conflitos da história do transporte aquaviário no Rio de Janeiro. Insatisfeita com o aumento das tarifas das barcas Rio – Niterói, a população inicia uma série de depredações às estações “Niterói” e “Gragoatá”. Em 1928, devido ao mau funcionamento e atraso de várias barcas, ocorre outro episódio de indignação popular, quando várias barcas da estação Cantareira são quebradas.

Lembrando que o nosso amigo de bronze, o índio, já fazia guarita ali na praça Araribóia, observando tudo, sem mover uma palha, sem reação. Mas também, o que ele poderia fazer? Era apenas um busto. Ele até tentou o diálogo com os manifestantes, mas no calor do momento, ninguém lhe deu a menor pelota.

Livro Revolta das Barcas - Editora Garamond
Livro “A Revolta das Barcas”, de Edson Nunes. Editora Garamond. Sobre: Este livro descreve minuciosamente os acontecimentos da pequena revolução popular chamada Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói, em 1959, da qual resultaram seis mortos e 118 feridos, depredação de imóveis, uma intervenção militar na cidade e, finalmente, a estatização do serviço de lanchas que faz a travessia para o Rio de Janeiro. Um resgate oportuno numa época em que os serviços públicos estão sendo, em sua maioria, privatizados. Mais do que a simples crônica, traz informação detalhada, análise dos fatos e reflexão sobre a dinâmica político-social da época por um cientista social cujo texto, direto embora refinado, atende tanto às necessidades acadêmicas de pesquisadores quanto à curiosidade do leitor interessado na nossa história contemporânea. (Descrição da editora)

Literalmente, botando pra quebrar

Essas manifestações foram pintos perto do que o nosso amigo passou 30 anos depois. Essa sim deixou seus cabelos metálicos em pé. Pela proporção da revolta, pensou até que fosse seu fim. Mas o amigo manteve a calma, fechou os olhos e rezou para Nossa Senhora dos Índios até tudo se acalmar. Foi a chamada “Revolta das Barcas”.

A concessão era da Frota Barreto S.A, que já possuía barcas que faziam o trajeto em 20 minutos. Porém, os problemas eram os mesmos de 30 anos antes. As filas de passageiros eram cada vez maiores, os atrasos nos horários das barcas frequentes e a insatisfação dos funcionários constante. Sendo assim, no dia 18 de fevereiro de 1969, o dono da Companhia de Navegação Frota Barreto ameaçou paralisar as barcas, caso não houvesse o aumento da tarifa ou um maior subsídio do estado. Como o governo não estava nem aí para as reivindicações da empresa, em 6 de março do mesmo ano, o Grupo retirou algumas barcas de circulação, com o objetivo de pressionar o governo. Para complicar, cinco sindicatos de trabalhadores do transporte aquaviário ameaçavam entrar em greve, pois a Companhia não pagou os salários de março, alegando não ter verba. O ponto crítico se deu em 22 de maio de 1959, quando o tráfego da baía foi paralisado devido à greve dos marítimos, já que o grupo se recusou a pagar o aumento salarial decretado pelo governo.

Estação das barcas, Frota Barreto S.A., Centro, Niterói.
Estação das barcas, Companhia de Navegação Frota Barreto S.A., Centro de Niterói – RJ

Imaginem vocês como deve ter sido o sofrimento dos passageiros que esperavam as barcas para ir ao trabalho ou, até mesmo, voltar para sua casa. Se pensarmos que na época aquele era o único meio de transporte entre as duas cidades, o problema fica infinitamente maior. Hoje simplesmente pegaríamos o 100 e saltaríamos no terminal. Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói, que foi inaugurada apenas em 1974.

Com a greve, as estações das barcas amanheceram ocupadas por policiais e fuzileiros navais. Essa proteção foi insuficiente. Com mais de 3 mil pessoas, a multidão se revolta e ultrapassa a linha de fogo dos fuzileiros, que atiraram na multidão com suas metralhadoras. Mesmo assim, as estações das barcas de Niterói são invadidas, apedrejadas e ateadas fogo, destruindo toda a sua estrutura.

E o busto do Araribóia?

Bom, muita coisa se passou e nosso amigo de bronze já não mora mais ali, na Praça Araribóia. Ele se mudou para Igreja São Lourenço dos Índios, na comemoração do IV centenário de fundação da cidade. Em 1973, o busto do Araribóia foi substituído por um maior, com cara de brabo e braços cruzados, como se tivesse pronto para proteger a cidade… ou seria a estação? Sei lá, importante disso tudo é que hoje a concessão para do transporte hidroviário está nas mãos de outra empresa, CCR Barcas. E nós, usuários, continuamos brigando pelos mesmos motivos que levaram à revolta em 1959.

Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios
Busto do Araribóia na Igreja São Lourenço dos Índios.

Quer saber de uma coisa? Esqueça tudo, coloque sua fantasia e vá pular o carnaval. Já passamos por mais de 55 carnavais e não mudamos nada. E o próximo será mais um que passaremos como o índio da Praça Araribóia: DE BRAÇOS CRUZADOS.

Nota do Editor: A Revolta das Barcas, ocorrida em Niterói no ano de 1959, deixou um saldo de 6 mortos, 118 feridos, depredação de imóveis e intervenção militar na cidade. Porém, o governo foi obrigado a estatizar o serviço de lanchas que faz a travessia Niterói – Rio de Janeiro.

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Ampla, Cerj e CBEE – a segunda via de uma história sem energia https://simsaogoncalo.com.br/ampla-cerj-cbee-a-segunda-via-de-uma-historia-sem-energia/ https://simsaogoncalo.com.br/ampla-cerj-cbee-a-segunda-via-de-uma-historia-sem-energia/#comments Thu, 12 Mar 2015 00:56:30 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2617 Você já se imaginou sem energia elétrica? Bem, quando se mora em São Gonçalo não é preciso imaginação. A realidade é mais forte. Constantemente, nos vemos sem luz. A instabilidade da rede é grande, o que torna comum a falta de energia. Graças a esse problema frequente, em 2015, a Ampla, atual distribuidora de energia elétrica, ficou entre […]

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Você já se imaginou sem energia elétrica? Bem, quando se mora em São Gonçalo não é preciso imaginação. A realidade é mais forte. Constantemente, nos vemos sem luz. A instabilidade da rede é grande, o que torna comum a falta de energia. Graças a esse problema frequente, em 2015, a Ampla, atual distribuidora de energia elétrica, ficou entre as 5 piores operadoras do país, segundo a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Disputando com mais 35 companhias, ela ganhou a 32ª posição. Ufa! Três lugares a menos e já poderia ser considerada a “campeã brasileira da falta de luz.” Um título que São Gonçalo não quer. Não mesmo.

Apesar de muito se reclamar da Ampla, ela é só mais uma empresa na história da energia elétrica em São Gonçalo. Aliás, sugiro que você leia o texto, pois conhecer a trajetória das coisas é fundamental para quem deseja pensar novas soluções para um problema que parece não ter fim.

Você sabe como começou esse jogo da luz?

Antes de tudo, voltemos a 1908, quando foi inaugurada a hidrelétrica de Piabanha. A estação foi construída em “Entrerios”, hoje conhecida como Três Rios, lá na divisa com Minas Gerais. Os rios Piabanha, Paraíba do Sul e Paraibuna formam um delta, um encontro entre 3 rios que dão nome à cidade. Em pouco tempo, a empresa passou a se chamar Hidrelétrica Alberto Torres que, comandada pela empresa Guinle e Companhia, tornou-se a principal fornecedora de energia do Estado do Rio de Janeiro, abastecendo Petrópolis, Niterói e São Gonçalo.

Delta triplo com os rios de Três Rios, Rio de Janeiro. Da esquerda para a direita: Rio Piabanha, Paraíba do Sul e Paraibuna.
Delta triplo com os rios de Três Rios, Rio de Janeiro. Da esquerda para a direita: Rio Piabanha, Paraíba do Sul e Paraibuna. O início da produção de energia elétrica para São Gonçalo.

Um ano mais tarde, a companhia privada Guinle e Companhia é entregue ao domínio estatal, sendo comandada pela CBEE, a Companhia Brasileira de Energia Elétrica. Porém, em 1927, a empresa American and Foreing Power Company Inc. compra a CBEE, adquirindo também outras várias concessionárias de energia no Rio e em São Paulo. Novamente, a concessão passa para o domínio privado. A fim de ampliar sua capacidade, a CBEE se interliga a outras empresas como a Rio de Janeiro Trainway Light and Power Company Limited e Rio Light, que já atendiam a cidade do Rio de Janeiro, capital do país na época.

Até aqui, boa parte das empresas que forneciam luz para o estado do Rio de Janeiro e Guanabara eram privadas. Eis que em 1964, os militares intervém no governo, dando o golpe que depôs João Goulart. Porém, não foi só o Jango que caiu. Com a veia nacionalista, os militares também depuseram a empresa que controlava a CBEE, tornando-a pública outra vez, sendo administrada pelo governo estadual.

E a CERJ?

Em 1979, quando o Geisel passou o governo para as mãos do Figueiredo, a ditadura militar já estava se preparando para sair de cena. Nesse mesmo ano, a CBEE assume os serviços de eletrificação rural do estado, antes prestados pelas Centrais Elétricas Fluminenses SA. Na prática, o que houve foi uma junção das companhias, que deu origem à uma empresa que muitos ainda lembram, a Companhia de Eletrecidade do Rio de Janeiro, a (pouco) querida CERJ.

Em 1990, no governo Collor, foi aprovada a Lei nº 8.031/1990, que trazia o Programa Nacional de Desestatização. A promessa era reduzir o aparato administrativo do governo, deixando o “estado menor”, além de aprimorar e expandir os serviços de forma mais ágil, o que teoricamente as empresas privadas fariam melhor. Assim, em 1996, o Rio de Janeiro teve a sua 1ª empresa privatizada: a CERJ. O governo Marcello Alencar (1995-1998) foi o responsável pelo leilão da estatal que, mais uma vez, mudou de mãos, indo novamente para o controle privado.

CBEE, Cerj e Ampla - A segunda via de uma história sem energia
“Cerj começa a se preparar para a privatização.” Agência O Globo, 26 de setembro de 1995. Confira a versão em maior resolução.

A Ampla e os novos rumos da energia nas cidades

A Ampla apareceu na cena fluminense em 2004. A empresa de luz que atende boa parte do estado Rio de Janeiro, mudou de nome novamente, prometendo melhorias e segurança no fornecimento de energia. Mas… não foi bem isso que aconteceu.

Existe um grande descompasso entre empresa e população. Isso não é por acaso. É verdade que parte dessa antipatia veio após as mudanças na medição da luz. Os antigos “relógios” foram aposentados em benefício da medição feita através dos “chips”. Uma das justificativas é que se eliminou duas conhecidas práticas: as “adulterações” nos relógios, que segundo alguns relatos, algumas vezes eram feitos por uma parcela mínima de técnicos mal-intensionados mediante propina; e os “gatos”, a manobra popular que faz ligações clandestinas para furtar energia do sistema. Muitas pessoas tomaram um “susto” nos primeiros pagamentos de luz, o que gerou descontentamento geral, aproveitamento político da situação por alguns vereadores e um movimento chamado “fora Ampla”, que mais gritou do que agiu.

Ampla Homem-gato
O Homem-gato do Jardim Catarina, fazendo uma ligação clandestina no bairro e correndo risco vida.

Em 2015, a Ampla informou que seu “plano de melhoria de qualidade” investiu R$ 565,34 milhões na melhoria do sistema. Porém, como se sente, basta o tempo fechar, o vento bater e a chuva cair para que a cidade fique às escuras. Aliás, não só São Gonçalo, mas Niterói, Itaboraí e todas as outras cidades vizinhas à nossa, também clientes da Ampla.

É bem verdade que parte da população ainda insiste em furtar energia. Por ser carente na educação e financeiramente, alguns cidadãos ainda não compreenderam a necessidade de pagar pelo serviço que não é de graça. Porém, a Ampla, após quase 20 anos de concessão, ainda não compreendeu que não basta cobrar, mas prestar um serviço digno, que muita das vezes é feito porcamente.

Se pudéssemos ter alguns minutos com os gerentes da Ampla, lhe daríamos 2 dicas básicas: a primeira é sobre a necessidade da empresa em participar mais da vida da cidade, através de eventos, projetos sociais e culturais, tornando-se amiga do cliente. A segunda é sobre a transparência. A comunicação evasiva que se dá nos momentos de falta de luz são deprimentes. Isso deixa o cidadão irritado, ainda mais quando ele honra seus pagamentos sem atrasos, como faz a maioria.

Espero que você tenha chegado até aqui se sentindo mais capaz de cobrar seus direitos, além de pressionar os órgãos públicos que tem como dever cobrar satisfações da companhia. Só juntos poderemos reescrever a nova história da energia em São Gonçalo.

Fonte: https://www.ampla.com/a-ampla/conhe%C3%A7a/hist%C3%B3rico.aspx (10 de março de 2015)

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Unidos do Porto da Pedra: do Futebol para Sapucaí, dá-lhe Tigre! https://simsaogoncalo.com.br/futebol-para-sapucai-tigre-unidos-porto-da-pedra/ https://simsaogoncalo.com.br/futebol-para-sapucai-tigre-unidos-porto-da-pedra/#comments Sun, 25 Jan 2015 16:23:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2539 Uma história sobre a Porto da Pedra, a escola de samba gonçalense, por Alex Wolbert. Eu não entendo, fiz tudo certinho. Pulei as sete ondas na meia-noite do dia primeiro para abrir meus caminhos em 2015. Mas na matéria de futebol e time de coração, o caminho ainda está obstruído. Foram três jogos e três […]

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Uma história sobre a Porto da Pedra, a escola de samba gonçalense, por Alex Wolbert.

Eu não entendo, fiz tudo certinho. Pulei as sete ondas na meia-noite do dia primeiro para abrir meus caminhos em 2015. Mas na matéria de futebol e time de coração, o caminho ainda está obstruído. Foram três jogos e três derrotas, sendo que uma delas para o maior rival, o urubu. Mas pensando bem, não tinha nenhum manual na simpatia que dissesse que funcionaria com futebol. Antes fosse botafoguense, pois não me importaria de cair para segunda divisão e ser derrotado no primeiro jogo do ano para o Gonçalense. Perderia para o Gonçalense com muito orgulho, ÔRRA!

Virar casaca não passa pela cabeça, já que paixão futebolística não se explica. Mas pensando bem, se ele não fosse o time do meu coração, seria a minha escola de samba?

Já estou até vendo, um abre alas com um enorme bacalhau e uma comissão de frente de pernas-de-pau coreografadas pelo Coisinha de Jesus. Na ala das baianas, todas com aquelas saias rodadas de lã vermelhas com bordados em preto e lenços coloridos escorregando pelos ombros. Sem faltar o tradicional tamanco de madeira que faria maior sucesso na Sapucaí ecoando durante a paradinha da bateria. E o “puxador” Roberto Leal chamando a galera com o grito de guerra: “Olha o gigante da colina ai, gente! Chora cavaco!”

Pensando bem, não daria muito certo o meu time de coração virar escola de samba. Mas deu muito certo o time de futebol criado no Porto da Pedra virar a minha escola de coração.

Ritmistas GRES Unidos do Porto da Pedra
Ritmistas da Porto da Pedra desfilando no carnaval de São Gonçalo, nos anos 80.

Uma história sobre a Porto da Pedra

A Unidos do Porto da Pedra é o único representante do município de São Gonçalo a desfilar no carnaval carioca. A escola de coração da maioria dos gonçalenses nasceu nos anos 70, oriundo de um clube de futebol chamado Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube, com uniforme nas cores vermelho e branco que até hoje representam a escola.

Como futebol e samba se completam, em 1975, dois anos depois que se consagrou campeão gonçalense de futebol, nasceu a ideia de criar um bloco de rua. Em 8 de março de 1978, foi oficialmente registrado como um bloco de enredo chamado “Bloco Carnavalesco Porto da Pedra”.

Apenas 3 anos depois, em 1981, alcançou a categoria de escola de samba, ficando com o vice-campeonato com o enredo “Mundo Infantil”, no grupo B do carnaval de São Gonçalo. No ano seguinte, já no grupo A, conquistou a primeira vitória como escola de samba com o enredo “No Reino da Fantasia”.

Time do Porto da Pedra em 1973
Time do Porto da Pedra em 1973.
Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube
Outra imagem da equipe que defendia o Unidos do Porto da Pedra Futebol Clube.

Em 1985, a agremiação resolveu abandonar a competição e apresentando-se somente em seu bairro durante muito tempo. Só em 1990, conseguiu obter uma quadra de ensaios coberta, ainda que considerada pequena.

Em 1993, recebeu um convite para se apresentar no carnaval carioca no chamado grupo de acesso do Rio de Janeiro, que nessa época ainda desfilava na Avenida Rio Branco.

Componente de ala no Unidos do Porto da Pedra, no desfile de 1994.
Componente de ala no Unidos do Porto da Pedra, no desfile de 1994.

Esse ano a Porto da Pedra tem como enredo “Há uma luz que nunca se apaga!e será a 6ª escola a desfilar na sexta-feira, dia 23 de fevereito de 2015, pela série A do Carnaval Carioca.

Logo depois, através de Jorginho do Império e Jorge Andrade, a escola filiou-se à AESCRJ, a Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, disputou no Grupo de Acesso. Em 1994, o então presidente da recém criada LIESGA, Paulo Almeida, convidou a Porto da Pedra para desfilar no Grupo 1. Na época, este era o passo anterior ao sonhado Grupo Especial.

Com o enredo “Campo Cidade em Busca da Felicidade”, interpretado por Wantuir, a Porto fez um belo desfile, ganhando o título da categoria em 1995. E assim, começou sua saga no grupo de elite do Carnaval Carioca, cuja estreia foi em 1996, como você pode conferir aqui.

Acho que estou exigindo demais da simpatia dos 7 pulinhos. Vocês não acham? Dizem que o ano só começa depois do carnaval. E se for, realmente verdade boas notícias virão em todos os sentidos, incluindo futebolísticos e carnavalescos. Como na música de Gilberto Gil, andar com fé eu vou. A fé não costuma a falhar.

Então, 2015, só vai dar Tigre e Bacalhau!

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Praça dos Ex-combatentes: marcas de um passado heróico https://simsaogoncalo.com.br/praca-dos-ex-combatentes-historia/ https://simsaogoncalo.com.br/praca-dos-ex-combatentes-historia/#comments Mon, 05 Jan 2015 10:20:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2493 A praça dos Ex-combatentes foi fundada em 24 de outubro de 1970, nesta mesma derradeira e amada cidade de São Gonçalo. A praça é uma jovem senhora, nascida no 1° decanato de escorpião. Com duas grandes reformas, o espaço é um museu a céu aberto, erguido em homenagem aos Combatentes da 2° Guerra Mundial. Ela é […]

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A praça dos Ex-combatentes foi fundada em 24 de outubro de 1970, nesta mesma derradeira e amada cidade de São Gonçalo.

A praça é uma jovem senhora, nascida no 1° decanato de escorpião. Com duas grandes reformas, o espaço é um museu a céu aberto, erguido em homenagem aos Combatentes da 2° Guerra Mundial.

Ela é composta por um obelisco, um mastro central para quatro bandeiras, mapa do Brasil e Brasões oficiais. Há também o famoso tanque, além de uma hélice e munições de guerra.

No monumento aos soldados mortos, ficou a mensagem para os vivos: “Aos que em holocausto à Pátria, tiveram como túmulo às águas do atlântico ou a terra fria da Itália. A morredoura gratidão e imperecível saudade dos que ficaram”.

O grupo Lavoura e o militarismo

Nos anos de 1970, a cidade de São Gonçalo ainda gozava dos louros do desenvolvimento, propiciados pela política promovida pelo prefeito Joaquim de Almeida Lavoura.

Sua carreira teve início em 1947, quando foi eleito vereador pelo Partido Social Democrático, o PSD. Era conhecido como o “vereador de tamancos”, já que exercia mil e uma atividades. Profissionalmente, era peixeiro e comerciante de “secos e molhados”.

Dentre os inéditos feitos do grupo Lavourista, friso a defesa do militarismo e do serviço prestado à nação. A história dos ex-combatentes gerou encontros políticos, plenárias públicas e leis municipais em defesa dos pracinhas que estiveram na guerra.

Jornal O Globo - Volta dos pracinha da 2ª Guerra Mundial
Jornal O Globo – Volta dos pracinha da 2ª Guerra Mundial

Dos treinamentos no Morro do Castro, em Niterói, às sangrentas lutas no frio de Monte Castelo na Itália, a 2ª Grande Guerra levou parte considerável do 3° Regimento de Infantaria da Venda da Cruz e com ele centenas de Gonçalenses.

O local surgiu no ano de 1935, como o 3º Regimento de Infantaria, com sede na Chácara Paraíso. Quatro anos depois, passou a ser 3° Batalhão de Infantaria, em substituição ao 14° Regimento de Infantaria, da Praia Vermelha (Urca), que havia sido extinto após o bombardeio da Intentona Comunista. Contudo, estas não são as histórias que me trouxeram até aqui e nem os são fatos em que devo me ater.

Praça dos Ex-Combatentes, São Gonçalo
Praça dos Ex-Combatentes, Patronato, São Gonçalo – RJ. Crédito: Acervo Sociedade de Artes e Letras São Gonçalo

Praça dos Ex-Combatentes: uma homenagem aos guerreiros brasileiros

O ex-prefeito Osmar Leitão (1967-70), que assumiu sua 1° secretaria aos 19 anos, foi o fundador da praça dos Ex-Combatentes. Entretanto, quem a inaugurou foi José Alves Barbosa (1970-71), que havia assumido a prefeitura no período.

Osmar Leitão e André Correia na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro
Ex-prefeito Osmar Leitão e André Correia na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro

Nesta matéria, Osmar caminhou por entre os monumentos no bairro do Patronato. Ele falou com orgulho da construção da praça e dos tempos que a sociedade se comovia com homenagens aos soldados brasileiros.

Segundo Leitão, “Esse espaço pertencia à CEDAE. Aqui se fazia os serviços diários da manobra de água, mas depois ficou abandonado. Quando cheguei à prefeitura, solicitamos ao Governador Geremias Fontes, permissão para urbanizar o local. No rastro dessa autorização, conseguimos também o espaço onde hoje funciona a Associação dos Ex-Combatentes, fundada em 1º de outubro de 1945, pelo senhor Rubem Silva.”

Ex-prefeito Osmar Leitão na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro
Ex-prefeito Osmar Leitão na praça dos Ex-Combatentes. São Gonçalo – Rio de Janeiro

Da promoção ao reconhecimento

Muitos Ex-Combatentes passaram de soldados de guerra a funcionários públicos do município, além de membros ilustres da sociedade gonçalense. Inúmeras leis foram votadas para beneficiá-los, bem como suas famílias.

Uma delas, por exemplo, foi o recebimento de soldo (salário), utilizado em grande escala como apoio aos serviços prestados à nação. Entusiasmado, Osmar Leitão afirma que o reconhecimento aos pracinhas são presentes na lei ainda hoje, em 2014. Onde quer que seja descoberta uma família de ex-combatente desamparada, o estado prestará o devido auxílio. “Um guardião da nação não deve ficar desamparado. As políticas de proteção foram implementadas a favor do heroísmo e das vitórias de guerra”, declarou o ex-prefeito.

Em um tempo de “ame ou deixe-o”, o discurso cívico-patriótico pode ser comprovado nas palavras confeccionadas em placas de bronze. Elas foram fixadas nos artefatos da praça dos ex-combatentes, como memória e reafirmação do discurso de preservação.

A praça é representada como um monumento simbólico. Ela fez parte de um complexo de 109 homenagens, realizadas pelo governo brasileiro em todo território nacional.

Brasão da Associação dos Ex-combatentes Brasileiros na 2ª Guerra Mundial
Brasão da Associação dos Ex-combatentes Brasileiros na 2ª Guerra Mundial

As homenagens aos pracinhas ex-combatentes

Geraldo Ataíde, o presidente da “Associação dos Ex-Combatentes”, gozava do prestígio da guerra e conseguiu as peças que hoje compõem o museu militar.

Além disso, os mortos também foram homenageados com nomes de ruas recém criadas em São Gonçalo. No Engenho Pequeno, por exemplo, é fácil encontrar ruas com o nome de expedicionários da guerra.

As décadas se passaram e hoje a população confunde a homenagem aos pracinhas com uma exaltação ao regime ditatorial de 1964. Hoje temos o fruto de uma geração sem memória, voltada para o pensamento “macro consumista”, de pouco valor aos estudos e a história regional.

Memória presente na praça dos ex-combatentes

Este descaso com o regionalismo e a memória local interfere profundamente na relação entre a história e a memória do cidadão gonçalense. Segundo a professora Maria Tereza Goudart, a “alfabetização patrimonial” dá ao indivíduo não só a valorização do “patrimônio de pedra e cal”, mas também a valorização da memória e do mundo que a cerca.

Vale ressaltar que a história detém o poder da construção e reconstrução social, sendo a memória a chave para tal artimanha social.

E por falar em História, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) ficou com a missão de representar o Brasil na 2ª Guerra Mundial. Isso aconteceu a partir do decreto de 31 de agosto de 1942 do presidente Getúlio Vargas, declarando estado de guerra em todo território nacional.

Mas antes disso, a bordo do navio de transporte americano General Mann em 22 de agosto, nossos jovens já deixavam as terras de “Amarante” ao som da “canção do expedicionário, a marcha”, de Spartaco Rossi e Guilherme de Almeida. Este fato daria aos Gonçalenses um lugar de prestígio heróico e conquistas titulares na história do país e da cidade, mas também traria morte e sofrimento às famílias papagoiabas. Leia aqui sobre “O dia que pintaram o tanque de rosa”. 

A praça dos ex-combatentes de hoje

Destruída pela população de diversas formas, a praça resiste. Hoje é palco da feira nordestina, cheia de costumes e comidas fluminenses. É praça de alimentação nos ensaios das escolas de samba Viradouro e unidos do Porto da Pedra.

É também palco da Roda Cultural. É lugar de amores passageiros e flertes da molecada. Cenário de skatistas, artistas, desocupados e bêbados conhecidos. É lembrança das flores amarelas e fotos ao lado dos monumentos.

Mas nada disso lembra os Ex-combatentes de guerra, embora o nome e os objetos não neguem. A praça foi símbolo do governo Lavourista, tornando-se patrimônio da humanidade local.

O lugar tinha como principal objetivo oferecer espaço de lazer gratuito ao cidadão, fazendo dali um espaço de convivência. Sim, estes objetivos foram alcançados e os cidadãos, idosos, paqueradores e namorados agradecem.

Cenário atual da Praça dos Ex-Combatentes - São Gonçalo
Cenário atual da Praça dos Ex-Combatentes.

Salve a Itália! Viva Anita Garibaldi! Salve o monumento fúnebre das lembranças dos praçinhas, presos no riso dos frequentadores que nada sabem sobre a história, mas ainda sim, a sentem.

Para mais informações, clique e leia a monografia “A Praça dos Ex-combatentes: Memória e Esquecimento” de Rogério Fernandes da Silva, graduado em Licenciatura Plena em História, pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de 2003.

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O Bom Velhinho no Hospital das Freiras https://simsaogoncalo.com.br/o-bom-velhinho-no-hospital-das-freiras/ https://simsaogoncalo.com.br/o-bom-velhinho-no-hospital-das-freiras/#comments Wed, 24 Dec 2014 00:01:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2443 O mês de dezembro, sem dúvida, é especial. E quando você vê o papai noel parar no Hospital das Freiras do Lagoinha, fica mais curioso ainda. Sobre o Hospital das Freiras em Lagoinha Endereço: Estrada Do Pacheco, 216, Lagoinha – São Gonçalo, Cep: 24732-890 Telefone: +55 21 2701-3923 Clique e saiba mais sobre o atendimento do Hospital. […]

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O mês de dezembro, sem dúvida, é especial. E quando você vê o papai noel parar no Hospital das Freiras do Lagoinha, fica mais curioso ainda.

Sobre o Hospital das Freiras em Lagoinha

Endereço: Estrada Do Pacheco, 216, Lagoinha – São Gonçalo,
Cep: 24732-890
Telefone: +55 21 2701-3923

Clique e saiba mais sobre o atendimento do Hospital.

O espírito natalino já chega desde o primeiro dia. A cada dia que se aproxima do dia 24, fica mais fervoroso. Basta olhar para os lados e se deparar com árvores de Natal, guirlandas, presépios, estrelas natalinas, Papais Noéis de todos os tipos e tamanhos. À noite, a lembrança de que estamos no mês do Natal fica por conta dos zilhões de pisca-piscas que enfeitam a cidade.

De onde sai tantos enfeites natalinos MADE IN CHINA espalhados pela cidade?

Não precisa nem pensar muito na resposta. Existem muitos mercados populares espalhados pela cidade. E nada se compara a Alcântara. Em qualquer mês do ano o lugar já é um caldeirão de gente saindo pelo ladrão. Em dezembro a coisa piora e só os fortes sobrevivem. Até mesmo o bom velhinho, acostumado com a correria de Natal, não aguentou o tumulto e piripaqueou na famosa rua da feira.

Eu até gosto de andar por Alcântara. Gosto de gente, mas como no comercial de cerveja que me lembra de beber com moderação, é isso que faço quando chega nessa data. Mas tem horas que não podemos escapar de uma visita forçada. Aí não tem jeito, temos que respirar os ares do Alcântara.

Por sinal, dependendo da hora e do lugar, não são nada agradáveis. Atire a primeira pedra, quem nunca sentiu o cheiro de podre na Estrada Raul Veiga entre o Extra e o Supermarket?

Foi em uma dessas minhas visitas forçadas que tive uma experiência bem inusitada.

Quando Papai Noel quase infartou

O sol torrava tanto a cabeça que me sentia um peru de Natal, só esperando ser servido. Nem mesmo a sombra do viaduto de Alcântara aliviava o calorão. Enfim, tinha que cumprir a missão. Lá fui, em direção à rua da feira, mas sem antes dar aquela espiadela para ver que horas eram no prédio de relógio.

Faltava pouco para as 13 horas no horário de verão. Gente para todo lado. Com cuidado, vou me esquivando de um e de outro. No meio do falatório irreconhecível, um som quase rompe meus tímpanos. – “Chip da “Craro”, da Tim, da Vivo, e da Oooiii.” – Quando consigo fugir da bendita gordinha berradeira, já vem um me empurrando um papelzinho. Penso comigo mesmo em não pegá-lo, mas quando fixo os olhos no sujeito, a cara de poucos amigos me faz mudar de ideia. Pra mostrar que sou educado, dou aquela espiadela no papel que dizia em letras garrafas “Compro Ouro”. Eu não tenho, mas mesmo que tivesse não seria para ele que venderia.

Poucos passos adiante, vejo uma aglomeração de gente formando um círculo. Embora, aglomeração de gente em Alcântara seja de fato um pleonasmo, era uma roda de pessoas falando alto alguns com expressões de desespero. Chego perto e consigo ver entre as pernas daquele muro humano  um saco vermelho bem chamativo. Curioso, levantando a cabeça entre a multidão para tentar ver o que estava no interior do círculo pergunto o rapaz do meu lado.

– O que esta acontecendo aqui?

– O Papai Noel esta no chão desacordado.

– Caiu do trenó?

Ele olhou com uma cara que, nitidamente, percebi que não gostou da minha piadinha.

Também não era hora desse tipo de piada. Então, como alguém que quer se redimir, afasto um e outro com os braços e chego ao meio da roda. O que vejo é o bom velhinho apagadão no meio da roda e uma senhora que se dizia ter curso de enfermagem o abanando tanto que, se a barba não fosse de verdade, já teria o voado do rosto.

– Você sabe onde é o Hospital das Freiras?

A mulher nem me deu tempo de respirar.

– Sim, sei sim.

-Ótimo, me ajuda a levar esse senhor para lá?

– Claro!

Eu não podia dizer não para o Papai Noel.

Paramos o primeiro carro que passava por perto, a mulher sentou no banco de trás. Eu e mais um delicadamente acomodamos o barbudo de uma forma que as pernas dela o servissem como travesseiro.

– E o saco? – Ainda fora do carro perguntei para mulher.

– Que saco?

-Dele!

– Pega logo esse saco e entra no carro! Não temos tempo a perder.

Sentei no banco do carona e com o saco na mão dei as coordenadas.

– Toca para o Hospital das Freiras. Fica na Estrada do Pacheco ali na Lagoinha.

Tivemos sorte de não pegamos a Raul Veiga no horário do rush e chegamos bem rapidinho ao hospital.

Rapidamente, uma equipe do hospital tirou o barbudo do carro. Colocaram-no em uma maca e correram para dentro do hospital. A mulher que nos acompanhava sumiu junto com o paciente. Então, só me restou esperar notícias do bom velhinho com o saco vermelho na mão.

Sobre o Hospital das Freiras do Lagoinha

Na sala de espera, uma imagem grande de Nossa Senhora das Graças me chama a atenção. Caminho devagar até ela e fico admirando. Viajo no tempo para entender o nascimento daquele hospital tão importante para cidade de São Gonçalo.

Hospital das Freiras – São Gonçalo
Imagem da lagoa que deu origem ao bairro da Lagoinha, São Gonçalo-RJ. Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus.

Era de interesse da Madre Superiora, Maria Antonieta, adquirir um terreno em um ambiente adequado para um convento aqui em São Gonçalo. Então surgiu a oportunidade de comprar o Sitio Lagoinha, na Estrada do Pacheco, 24, em Alcântara, o 2º distrito de São Gonçalo. Este sítio media aproximadamente 72.000 metros quadrados. Em sua entrada, uma bela pequena lagoa, que mais tarde acabou dando o nome ao bairro.

Então, a licença para a compra do sítio saiu pelo Cardeal-Arcebispo D. Jaime de Barros Câmara, no valor de Cr$ 1.100.000,00 (Um milhão e cem mil cruzeiros). Já no dia 23 de fevereiro de 1955, as irmãs instalam-se na casa de residência do sítio.

Hospital das Freiras - São Gonçalo
Imagens da construção. Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus

Logo foi chamada de Casa Nossa Senhora das Graças pois, para sua aquisição, foi escrita uma carta a um grande incentivador à devoção em Nossa Senhora, o padre Antônio Ribeiro, com o título “das Graças”. Cinco dias depois de se instalarem, já foi celebrada a primeira missa em uma capelinha, propositalmente preparada pelo então responsável pela paróquia de Alcântara, o padre Érico Wort. A capelania da casa foi entregue aos Missionários do Sagrado Coração de Jesus.

Hospital das Freiras - São Gonçalo
Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus

Em 2 de dezembro de 1955, começou a funcionar o Serviço Maternal e Infantil, um ambulatório visando dar assistência médica, religiosa e social às mães pobres e seus filhos. Com a grande quantidade de atendimento foi preciso construir um novo ambulatório e uma maternidade. O serviço encerrou suas atividades no ano de 1974. Em seu lugar, surgiu o Hospital Franciscano Nossa Senhora das Graças.

Voltando ao Papai Noel…

– O senhor esta esperando notícias do Senhor Sebastião? – Uma jovem freira alta com um sorriso gentil interrompe meus pensamentos.

– Sebastião? Indago sem saber quem é.

– Sim. O senhor Sebastião é o nome do Papai Noel que foi hospitalizado.

– Como a senhora sabe que estou esperando notícias dele?

Ela não fala nada, apenas inclina um pouco a cabeça e fixa os olhos em direção ao saco vermelho que eu segurava nas mãos.

– Ah, sim. Sou eu mesmo. Me chamo Alex. E como ele está?

– Está ótimo, foi apenas um susto que pregou em todos nós. Ele faz questão de falar com você e é por isso que vim até aqui para avisa-lo. Dentro de 5 minutos ele terá alta médica. Enquanto aguarda fique na excelente companhia de Nossa Senhora.

– Muito obrigado.

Enquanto a freira se afastava, me viro para a imagem de Nossa Senhora e, novamente, recomeço de onde parei na minha viagem ao tempo.

Capela ao lado do hospital das freiras - São Gonçalo
Capela. Fonte: Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus

Não ficou apenas no convento e no hospital das freiras. As irmãs franciscanas criaram em 1964, a Escola da Casa Nossa Senhora das Graças, pelo insistente pedido da Irmã Maria Lúcia. No inicio, apenas o curso de alfabetização. Depois, jardim de infância. Em 1986, foi reconhecida pelo MEC oficialmente como Escola Nossa Senhora das Graças de 1º a 4º série. Hoje o colégio também é conhecido popularmente como o “colégio das freiras”, com ensino até o 9º ano do fundamental.

Em 20 de dezembro de 1970, foi inaugurada a nova casa com a sua belíssima capela no estilo modernista.

-Então o senhor é responsável por salvar o Natal?

Já não estava mais caracterizado, mas era o mesmo barbudo e sem o traje aparentava ter uns 60 anos de idade.

-Eu? Não fiz nada.

-Claro que fez. Você e dona Isabel salvaram o meu Natal quando me tiraram de Alcântara e me trouxeram ao hospital das freiras. O médico disse que se demorasse mais um pouquinho eu não comeria rabanada esse ano.

– O mais importante que agora o senhor esta bem.

Sebastião me explicou que fazia um bico de Papai Noel para melhorar o orçamento doméstico, já que seu salário de aposentado não é muito, e com esse dinheirinho a mais poderia ajudar a sua família a ter um Natal melhor. Se pudesse, daria um Tablet para sua netinha de 13 anos.

Ficamos conversando por horas. Antes de me despedir, lhe entreguei o saco que guardei com sete chaves. Sebastião me deu um abraço que valerá por qualquer presente de Natal que pudesse ganhar.

Sebastião pode não ter cumprido a missão de ajudar a família com a renda extra de Papai Noel. Pode não ter dado o presente de Natal que esperava para sua neta. Mas o maior presente que ele poderia dar é estar vivo. E isso ele conseguiu dar à sua família nesse Natal.

Sim, Sebastião é um bom velhinho.

FELIZ NATAL PARA TODOS!

 

Curiosidades

1. O bairro de Alcântara homenageia o imperador brasileiro Dom Pedro de Alcântara (D. Pedro II).

2. Em 1984, políticos locais e o jornal “O Alcântara” se mobilizaram para a realização de um plebiscito, que tramitou pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e se concretizou em 1995. Não houve êxito, pois, apesar de uma votação expressiva a favor da emancipação, esmagadora parte dos eleitores da região interessada não compareceu às urnas.

3. Nos anos 70 houve doações para o Hospital das Freiras. O Arcebispo de Niterói doou 1 aparelho de Raio X e 1 gabinete dentário.

4. Com auxílio da MEMISA (Holanda) foram adquiridos 1 mesa cirúrgica, 1 autoclave, 1 lâmpada de teto com 5 focos, 1 lâmpada auxiliar, armários e instrumental cirúrgico.

5. Durante a construção da Casa Nossa Senhora das Graças um fiel a causa doou uma geladeira, uma vaca Jersey e uma imagem de Nossa Senhora das Graças que foi instalada no meio da lagoinha e hoje esta na entrada do terreno do hospital das freiras.

FONTES 

1. Livro da irmandade Sagrado Coração de Jesus.

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Abrem-se as Cortinas: João Caetano e teatro brasileiro https://simsaogoncalo.com.br/abrem-se-as-cortinas-joao-caetano-teatro-brasileiro/ https://simsaogoncalo.com.br/abrem-se-as-cortinas-joao-caetano-teatro-brasileiro/#respond Sun, 19 Oct 2014 16:33:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2310 Abrem-se as cortinas quase pálidas de tão desbotado que era aquele vermelho. Sem contar com os grandes remendos improvisados e a poeira que cuspia ácaro nos atores e na plateia. Vira e mexe interrompia-se a cena para acudir um pobre coitado que quase tinha um troço de tanto espirrar. Mas em pé naquele tablado ripado […]

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Abrem-se as cortinas quase pálidas de tão desbotado que era aquele vermelho. Sem contar com os grandes remendos improvisados e a poeira que cuspia ácaro nos atores e na plateia. Vira e mexe interrompia-se a cena para acudir um pobre coitado que quase tinha um troço de tanto espirrar.

Mas em pé naquele tablado ripado simples, não muito alto, lá estava Romeu. Não era nada atlético, baixinho com a sua barriguinha saliente que lhe apertava a camisa listrada de veludo azul a ponto dos botões voarem na plateia em um respiro mais exagerado. Por baixo do chapéu em camurça verde com a tradicional pluma branca uma careca lisa e lustrada. Mas ridículo do que seu bigodinho era a voz irritante e a maneira que interpretava. Bem parecido com o Pato Donald rezando o terço.

“Meu coração amou antes de agora? Essa visão rejeita tal pensamento, pois nunca tinha eu visto a verdadeira beleza antes dessa noite.”

Mais que de repente surge no palco numa corridinha desengonçada e barulhenta, por causa do tamanco de madeira, aquele negro bombado de 2 metros de altura em uma peruca de tranças loiras.

“Romeu, Romeu, onde estas tu, Romeu?”

João Caetano e o teatro brasileiro

Inevitável eram as gargalhadas da plateia, mas estamos no Brasil do final do século XVIII e até mesmo a tragédia de William Shakespeare transforma-se na pior das comédias. Os teatros não tinham recursos e era muito comum  atores serem ex-escravos sem formação e quase não se via atrizes, já que o preconceito era imenso. Mulheres no palco eram consideradas prostitutas para sociedade. Piorou com o édito de D. Maria I que as proibiam de representar.

Esse cenário só foi modificado quando entrou em cena um itaboraiense que mudou o teatro nacional. João Caetano dos Santos nasceu em 27 de janeiro de 1808, quatro dias depois que o D. João VI e sua família pisava em solo brasileiro.

Bem jovem João Caetano dava seus primeiros passos como ator amador. Aos 23 anos interpretava como profissional a peça “O Carpinteiro da Livônia” no teatro da sua cidade natal. Hoje em sua homenagem chamado Teatro Municipal João Caetano na cidade de Itaboraí.

João Caetano e o teatro brasileiro

Dois anos depois da sua estréia como profissional João Caetano já ocupava o teatro de Niterói com a sua Companhia Nacional João Caetano, a primeira companhia nacional de teatro. Em sua homenagem hoje chamado Teatro Municipal João Caetano em Niterói.

Era imbatível na montagem de cenas de guerra, na época faziam bastante sucesso com a platéia.  Talvez o fato de ter servido na Guerra da Cisplatina como cadete tenha o ajudado a se destacar.

João Caetano e o teatro brasileiro

João Caetano criou um perfil para o ator brasileiro e se tornou um mito. Nunca um ator foi tão biografado. Lançou dois livros sobre a arte de representar que são referências de estudo até hoje. Reflexões Dramáticas de 1837 e Lições Dramáticas de 1862.

Sem dúvida sua maior conquista foi a concessão por dois contos de réis do teatro mais antigo do Rio de Janeiro. Inaugurado em 13 de outubro de 1813 com o nome de Real Theatro São João pelo próprio imperador D. João VI. Neste teatro foi assinada a primeira Constituição Brasileira. Mais tarde com o nome de Theatro São Pedro de Alcântara e em 1930, após sua reconstrução determinada pelo então prefeito Prado Junior, foi batizado como Teatro João Caetano.

Teatro Municipal João Caetano na cidade de Itaboraí.
Teatro João Caetano – Praça Tiradentes, Rio de Janeiro

Aos 52 anos João Caetano organizou no Rio de Janeiro uma escola de artes dramática onde todos podiam estudar. Um ensino totalmente gratuito. E para valorizar a nossa arte, promoveu a criação de um júri dramático para premiar a produção nacional.

No dia 24 de agosto de 1863, João Caetano saia de cena, mas a arte plantada por ele continua viva em todos os palcos do Brasil. Não é exagero falar que a arte cênica nacional deve muito a esse filho de Itaboraí. Basta perguntar a uma criança o que ela quer ser quando crescer. A maioria responderá com um sorriso, ator ou atriz.

E no centro do tablado ripado o barrigudinho Romeu e a bombada Julieta de mãos dadas agradecem ao publico enquanto as cortinas vermelhas se fecham.

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Gentileza Gera Gentileza também em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/gentileza-gera-gentileza-tambem-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/gentileza-gera-gentileza-tambem-em-sao-goncalo/#respond Wed, 08 Oct 2014 14:21:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2283 A vida já nos ensina desde criança. Tomamos como exemplo aquela simples experiência de ciências que tivemos na escola, onde plantamos no chumaço de algodão uma semente de feijão. Aprendemos muito mais que os estágios de crescimento da plantinha, que precisa ser cultivada para germinar e crescer até que se chegue ao tamanho em que […]

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A vida já nos ensina desde criança. Tomamos como exemplo aquela simples experiência de ciências que tivemos na escola, onde plantamos no chumaço de algodão uma semente de feijão. Aprendemos muito mais que os estágios de crescimento da plantinha, que precisa ser cultivada para germinar e crescer até que se chegue ao tamanho em que possa ser plantada direto na terra, fazendo valer o dito popular de que colhemos o que plantamos.

Sem querer filosofar, e já filosofando, aprendemos também que devemos fazer três coisas antes de morrer. Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Mas se analisarmos, todas as três se resumem à uma só: plantar. Quando escrevemos um livro, plantamos um pedacinho dos nossos conhecimentos para gerações futuras. Quando temos um filho plantamos um pedacinho de nós mesmos para o mundo. Logo, passamos nossa vida inteira plantando.

Fazemos nossas escolhas quanto à semente plantar. Dentre os horticultores, os que plantam e cultivam amor têm a minha admiração. É o caso de José Dautrino, o paulista que abdicou de tudo na vida, casa, trabalho e veio plantar em Niterói o melhor dos jardins.

No dia 23 de dezembro de 1961, seis dias depois do incêndio do Gran Circus Norte-Americano, José Datrino acordou determinado em fazer alguma coisa em prol das pessoas que sofriam com a perda dos entes queridos pela tragédia. Então, rumou em direção a Niterói e bem no lugar onde o fogo consumiu mais de 500 pessoas, a maioria crianças, Dautrino plantou sobre as cinzas o mais belo jardim e a mais bela horta e ali ficou por 4 anos curando as feridas de familiares envolvidos na tragédia com palavras de amor e bondade. Alí, naquele cantinho marcado por uma tragédia, nasceu o Profeta Gentileza.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo
Murais desenhados por José Datrino, o profeta Gentileza, nas colunas do viaduto situado na Leopoldina, Rio de Janeiro

Naquele mesmo ano de 1961 enquanto Gentileza, cultivava o seu jardim em Niterói, nascia no bairro da Covanca em São Gonçalo, Aílton Silveira. Ele não sabia, mas o destino reservaria pra aquele menino pobre o mesmo dom que dera ao paulista Dautrino.

Da Covanca, Aílton foi ainda criança parar em um quartinho no alto do morro do bairro de Tenente Jardim em Niterói, morando com a sua avó e seus dois primos, Jorge e Nazareth. Sua avó trabalhava duro para dar o que comer para os netos. As condições eram precárias, pois não dormiam em colchões e sim em uma esteira de palha dura. A preparação da comida era feita em um fogareiro onde se catava madeira como lenha. Banheiro não existia.

Com tanto sofrimento, Aílton nunca teve a oportunidade de estudar. Com 14 anos, montou um carrinho com ripas e rodinhas de rolimã e corria para feira levar as bolsas de compras das senhoras. Com o dinheiro da generosidade dessas mulheres, Aílton vivia. No final da feira, ele catava sobras de frutas e legumes que podia alimentar a ele e seus primos. O dinheiro que conseguia com o transporte deixava todo ele na mão da sua avó.

Ao completar 21 anos, sem nunca ter entrado em uma escola, Aílton era analfabeto e só depois de muito esforço pessoal, conseguiu desenhar seu próprio nome. Foi graças a esse esforço e mesmo sem entender, mas agradecendo a Deus, que conseguiu um emprego de cobrador de ônibus na Viação Garcia. Não sabia ler nem escrever, e muito menos fazer contas, mas Aílton com uma blindagem de armadura passava um dia após o outro, gravando as cores das notas e aprendendo a fazer conta naquele banco que não era o da escola, e sim o da vida. Com o coração que não cabia no peito, às vezes tirava do próprio bolso para completar a passagem de alguém que não podia pagar.

Aílton, além de aprender a fazer conta, teve a oportunidade de aprender o ofício de servente de pedreiro. Na mesma época, seus olhos avistaram Andreia. Amor à primeira vista. Andreia conquistou o coração do rapaz e logo marcaram o casório. Mas, infelizmente, o amor não foi adiante e com apenas um ano de casados o casal se separou. Aquele ponto da história de Aílton foi fundamental para sua escolha de vida.

Nas palavras do próprio Aílton, onde ele diz que na Bíblia, aquele que não vem por amor, vem pela dor. E assim foi com ele, chegou à igreja Assembleia de Deus, pela dor de um coração apaixonado que não queria desistir do amor de Andréia. As lágrimas saiam como rios pensando na amada. Não tinha força para nada. Deixou de comer e o pastor foi seu único amigo e conselheiro. Com o aval do pastor, Aílton fez da igreja sua moradia e entendeu que aquele era seu destino. Estava casando novamente, mas nada de noivas, e sim Jesus Cristo.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo

Então aceitou a Jesus e mais a vida que lhe foi escrita para ser vivida. Passou a morar sozinho e falar do amor de Deus para todos ao seu redor. Conseguiu um emprego como vigia na sede da Fundação Parques e Jardins de São Gonçalo e lá pregou o amor e a bondade, assim como o Profeta Gentileza, plantou e cultivou no terreno da sede uma horta.

Hoje, já aposentado, Aílton continua ali no mesmo lugar, na Estrada do Rocha, na região da Água Mineral, falando para todos que passam do amor de Deus. Mora lá em cima do morro. Com o dinheiro da aposentadoria, paga com muita dificuldade um aluguel que por muitas vezes não sobra para se alimentar. Mas, como ele mesmo diz, Deus está no poder e amigos ajudam com quentinhas.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo
Na imagem, o quadro de Aílton preso ao poste que fica em frente ao CIEP localizado na Água Mineral

Não é à toa que a passagem favorita de Aílton é João 3:16: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu único filho, para que todos que nele crer não pereçam, mas tenham a vida eterna.”  Independente de qual seja o seu credo ou religião, católica, evangélica, espírita, candomblecista, umbandista ou até mesmo ateu, há de se convir que sem amor nada seríamos, como na letra do poeta.

De gênio e louco todos nós temos um pouco. Parabéns a esses “loucos” como o paulista Datrino e o gonçalense Aílton, que semeiam amor por onde passam.

Afinal de contas: GENTILEZA GERA GENTILEZA

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo
A passagem que Ailton admira, presa ao poste.

Gentileza gera Gentileza também em São Gonçalo

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Viver para Amar ao Próximo https://simsaogoncalo.com.br/viver-para-amar-ao-proximo/ https://simsaogoncalo.com.br/viver-para-amar-ao-proximo/#comments Mon, 25 Aug 2014 00:46:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2242 Em uma manhã dessas  sentado no banco do carro em mais um engarrafamento de costume na ponte Rio-Niterói enquanto me deslocava para o trabalho me deparei em mais um maluco devaneio. Me peguei pensando desde o começo da minha vida profissional, lá naquele sobradinho velho da Rua Teofilo Otoni onde meus olhos acompanhavam com detalhes cada […]

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Em uma manhã dessas  sentado no banco do carro em mais um engarrafamento de costume na ponte Rio-Niterói enquanto me deslocava para o trabalho me deparei em mais um maluco devaneio. Me peguei pensando desde o começo da minha vida profissional, lá naquele sobradinho velho da Rua Teofilo Otoni onde meus olhos acompanhavam com detalhes cada comando dado pelo meu instrutor naquele teclado gigantesco e monitor verde que refletia nos seu óculos fundo de garrafa. Estava fascinado com aquele homem e quando crescesse era igual a ele que queria ser.

Então foquei naquele exemplo e comecei a galgar cada pedacinho de chão. Estudei, estudei mais um pouquinho, continuei estudando. Consegui meu diploma de nível superior e continuei estudando mais ainda. Foram anos e anos de estudos e praticas que me tornaram tão bom quanto meu guru. O tempo passou tão rápido quanto meus pensamentos que foram interrompidos por buzinas dos apressadinhos atrás de mim. – “PASSA POR CIMA!” – Enquanto acelero para acompanhar a procissão de carros me indago se valeu a pena tudo aquilo. Dos estágios do ciclo da vida que aprendemos na escola já passei por três agora é envelhecer e morrer. Por isso a minha indagação, a sete palmos de areia estarão comigo todo aquele conhecimento que adquiri durante esse tempo e todos aqueles anos que dei o meu suor trabalhando. Valeu a pena?

Sem saber minha pergunta seria respondida dias depois em um simples olhar acompanhado de um sorriso.

Em 1931, nascia a “Caixa Auxiliadora dos Pobres” criada pelos varejistas de São Gonçalo. Tinha o objetivo de dar aos mendigos uma esmola semanal, porem visto que muitos não tinham família nem lar, transformaram-na em “Asilo Amor ao Próximo” e para angariar recursos foi criado um “Livro de Ouro” e assim puderam comprar a sua sede bem no centro de São Gonçalo na Rua Feliciano Sodré, nº 04  localizada entre a prefeitura e a praça Zé Garoto.

Asilo Amor ao Próximo. Espaço ampliado. Foto: Reprodução
Asilo Amor ao Próximo. Espaço ampliado. Foto: Reprodução

Asilo Amor ao Próximo. Espaço ampliado.

No ano de 1969, o Asilo passou pelo pior momento de sua existência, com a morte e afastamento dos fundadores chegou a estar completamente abandonado com apenas 11 velinhos sofrendo de maus tratos. Foi então que um casal visitando o asilo vendo aquela situação resolveu ajudar. Criaram um “Departamento de Cooperadoras” com senhoras voluntarias que administram a instituição sem nenhum beneficio. No inicio apenas 15 e hoje perto de completar 50 anos com mais de 160 voluntarias que administram e trabalham para que não falte nada para as internas. Com a reforma do estatuto passou a ter a atual denominação, Instituição Cristã Amor ao Próximo (ICAP), e passou a trabalhar apenas com senhoras acima de 70 anos.

Sede da Instituição Cristã Amor ao Próximo - ICAP.  Local: Rua Feliciano Sodré n. 4, São Gonçalo-RJ.  Foto: Reprodução
Sede da Instituição Cristã Amor ao Próximo – ICAP. Local: Rua Feliciano Sodré n. 4, São Gonçalo-RJ. Foto: Reprodução

Meu contato com o ICAP foi numa sexta-feira fria quando minha sogra que faz trabalhos sociais em igrejas me pediu um favorzinho. Sabe como é, não se nega favor a sogra.

– Alex, você pode, por favor, entregar essas sacolas de agasalhos no Asilo Amor ao Próximo?

Ué, será que deu pane na vassoura? Pensei.

–  Claro minha sogra, você não pede, você manda.

Deixando a brincadeira de lado, afinal eu adoro a minha sogra e nem sei por que fiz esse comentário da vassoura no texto. Deve ter sido para torna-lo mais bem humorado e atrativo. Enfim, eu não sabia, mas a minha ida ao ICAP seria inesquecível e cheia de aprendizado.

A viagem não foi longa, já que meus sogros moram a 10 minutos do centro de São Gonçalo e logo estava atravessando com aquelas sacolas nas mãos o portão verde onde na fachada lia-se Pavilhão de Bazares Beneficentes. Ao atravessar a porta um barulho ensurdecedor de máquina de costura e meus olhos passeando por todo ambiente só viam araras de roupas. Até que na segunda inspeção vejo no cantinho uma máquina de costura e um tufinho de cabelo branco como neve escondido por detrás.

– Boa tarde?

E o som da máquina continuava sem interrupção. Então quase gritando.

– Boa tarde, senhora?

E ali permaneceu sem nenhuma reação atrás da barulhenta maquina de costura. Caminhei até ficar de frente e pude perceber que se tratava de uma senhora na casa dos 60, mas com uma vitalidade no manejo daquela máquina. Suas mãos dançavam na bancada segurando uma peça de roupa ao som daquela medonha melodia ensurdecedora. Quanta pratica tinha aquela senhora. Com certeza se fosse eu no seu lugar já teria meus dedos furados antes mesmo de dar o primeiro ponto.

Fique ali admirando por quase 20 segundos, até que ela percebesse a minha presença. Então com a mão direta empurrou os óculos para pontinha do nariz inclinou a cabeça um pouco para baixo e me olhou por cima dos óculos.

– Boa tarde, seja muito bem vindo. Em que posso ajudar?

Aquela boas vindas mexeu comigo, há muito tempo não via uma recepção com tanta educação. Estamos vivendo um tempo de, E ai?, O que foi?, Qual é?

– Boa tarde, me chamo Alex e vim até aqui a pedido de minha sogra que pediu para que entregasse essas duas sacolas de agasalhos para doar ao asilo.

– Que bom, tem feito muito frio à noite e os agasalhos vão ajudar a esquentar quem precisa. A sua sogra é um anjo, Alex.

– Pois é, eu é que sei.

Ela sorri e com muita dificuldade levanta da cadeira e caminha até uma porta que dá para os fundos do bazar.

– Vamos lá Alex, vou te mostrar a nossa casa. A propósito me chamo Lourdes.

Bosque da Paz - Largo do Chafariz - ICAP. Foto: Reprodução
Bosque da Paz – Largo do Chafariz – ICAP. Foto: Reprodução

Quando atravesso a porta dos fundos do bazar me deparo com um jardim lindo, com muito verde e muitas flores. No centro do jardim um chafariz com plantas jiboias escorregando do centro da escultura.

– Chamamos de bosque da paz e largo do Chafariz. Dona Maria Amélia adorava cuidar de cada planta desse jardim. Acho até que tinha o dom de ouvi-las.

– Maria Amélia?

– Sim, Maria Amélia foi a grande responsável pela transformação da nossa casa, foi ela e seu marido que em visita criaram o Departamento de Cooperadores. Departamento que ela presidiu com muito vigor por 48 anos até o fim de sua vida no ano passado.

Maria Amélia (1918-2013) foi diretora da Instituição Cristã Amor ao Próximo (ICAP) por 48 anos
Maria Amélia (1918-2013) foi diretora da Instituição Cristã Amor ao Próximo (ICAP) por 48 anos

Lourdes foi subindo a caminho das instalações.

– Vamos lá, vou te mostrar onde as vovós descansam.

Um pequeno portão de ferro dividia uma varandão com várias cadeiras e poltronas.

– Aqui são três lares, os quartos são para quatro senhoras, com uma suíte. O primeiro lar é para as que precisam de cuidados especiais como banho e necessitam que as vistam. O segundo lar é para aquelas que são lúcidas, passeiam, tomam banho sozinha. E o terceiro é o que chamamos de “remanso” que é para as voluntárias que trabalharam na casa por mais de 10 anos, gratuitamente, e que depois dos 65 anos de idade precisam de um lugar para morar. Esse é o meu caso Alex.

Eu e minha cara nítida de espanto fomos caminhando até a varanda onde com apenas um gesto de mãos Lourdes me pediu para sentar ao lado de uma senhorinha, essa com mais idade. Parecia estar entrando na casa dos 90 anos.

– Então trabalha  por 10 anos sem receber nada em troca Lourdes?

– Eu trabalho por exatos 30 anos e quem disse que não recebo nada em troca? Todos os dias recebo algo que dinheiro nenhum é capaz da pagar.

Ela olhou a senhora do meu lado, deu um sorriso e levantou mais uma vez com dificuldade.

– Alex, vou pegar um café pra gente. Enquanto isso faz companhia a Bethânia. Ah, ela é surda, mas se comunica muito bem.

Largo do Chafariz
Largo do Chafariz

Enquanto Lourdes se afastava, meus olhos foram ao encontro daquela que me fazia lembrar minha própria avó. E não precisou de nada a mais do que um simples olhar e um sorriso. Bethânia pegou na minha mão e mesmo sem pronunciar uma palavra, eu sabia o que ela estava me dizendo. Tinha razão Lourdes quando disse que Bethânia era muda, mas se comunicava muito bem. Ela estava me agradecendo. Agradecendo por estar ali ao lado dela, de conhecer a sua casa e compartilhar aquele momento.

Acho que estava sendo muito egoísta nos meus questionamentos, pois o que fiz foi trabalhar e ganhar experiencia para que pudesse dar o melhor para minha família. E os que trabalham e dão o melhor por pessoas que muitas vezes nem conhecem? Olho pro lado e vejo o exemplo dessas mulheres que passaram a sua vida trabalhando com amor em prol de outras pessoas. Vejo o exemplo da minha sogra que dedica o seu tempo recebendo e separando roupas e alimentos na igreja para repassa-los para quem precisa. Vejo o exemplo de Maria Amélia que até o seu ultimo dia esteve presente na vida de cada uma das internas do ICAP. Vejo o exemplo de Lourdes que dedicou 30 anos de sua vida costurando agasalhos para que muitas vovós não tivessem uma noite fria. E Bethânia? Essa trabalha com o sorriso e com olha e nos prepara para encarar uma vida regada de alegrias e esperanças e cheia de amor ao próximo. E mais uma vez meus devaneios são interrompidos pelas buzinas dos apressadinhos, mas dessa vez não estou nem ai. – “PASSA POR CIMA!”

É CLARO QUE VALEU A PENA.

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Uma História Gonçalense de Amor e Fé https://simsaogoncalo.com.br/uma-historia-goncalense-de-amor-e-fe/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-historia-goncalense-de-amor-e-fe/#comments Tue, 24 Jun 2014 19:18:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2155 Histórias de amor acontecem em todos os lugares do mundo. Mas posso garantir que as que acontecem na nossa cidade são as mais belas. Quando a linda jovem Mathilde Ferreira cruzou os olhos para o jovem imigrante português Francisco Rodrigues, desabrochou como um botão de rosa o maior de todos os sentimentos.  E nada nesse […]

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Histórias de amor acontecem em todos os lugares do mundo. Mas posso garantir que as que acontecem na nossa cidade são as mais belas.

Quando a linda jovem Mathilde Ferreira cruzou os olhos para o jovem imigrante português Francisco Rodrigues, desabrochou como um botão de rosa o maior de todos os sentimentos.  E nada nesse mundo, nada mesmo, mudaria o rumo dessa história de amor.  Nem mesmo o pior dos desastres separaria o casal. Por pior que fosse, era como uma cabeça de alfinete perto da fé que Mathilde tinha no coração.

Era do pescado que Francisco tirava seu sustento. Quando estava em alto-mar, Mathilde fazia companhia em seus pensamentos. Estava na hora de concretizar a união. Marcaram o casamento para o primeiro dia de junho de 1900.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Francisco e Mathilde Rodrigues

E assim foi feito, naquela primeira sexta-feira do mês de junho. Todavia, por conta do compromisso com seu trabalho, Francisco nem teve tempo de curtir seu primeiro dia de casado ao lado da sua esposa Mathilde. Logo cedo, saiu com a embarcação do cais de Neves e varou mar à dentro com mais 29 tripulantes a bordo.

Ele esperava que o bonito dia de sol e o frescor da brisa do mar fossem abençoar o seu dia. Tão logo a embarcação estivesse lotada de pescado, estaria em casa nos braços da sua amada.

No entanto, Francisco estava enganado. Eis que de repente, mais rápido que um piscar de olhos, o céu se cobrira com um véu negro. O vento começou a assobiar desesperadamente entre as cordas de sustentação da rede. Raios brilhantes como flash varavam o céu. As ondas de 3 metros de altura que batiam violentamente na embarcação, a balançavam como um pêndulo desritmado no meio do oceano. A violência do sacolejo era tamanha que Francisco foi jogado de um lado para outro até bater com a cabeça no mastro e apagar. Acorda com a água gelada e salgada alisando seu rosto. Olha para um lado e para o outro à procura da embarcação e de seus companheiros, mas não vê nada, nem ninguém além de um tronco boiando próximo ao seu corpo. Mesmo cansado, lutando pela sua sobrevivência, Francisco agarra aquele tronco com todas as forças que lhe restavam. Sabia que aquele tronco era único caminho para manter-se vivo.

Enquanto isso Mathilde via o tempo passar olhando para frente da casa na esperança de que seu marido chegasse com o mesmo sorriso que a fez se apaixonar. No íntimo, Mathilde pressentia que ele não voltaria com aquele temporal. Mas, em nenhum momento, perdera a fé, pois desde criança sempre foi católica e muito devota de São Pedro. Então, se ajoelhou e orou com a maior de sua fé, fazendo uma promessa ao santo protetor dos pescadores. Se São Pedro trouxesse seu esposo, Francisco, são e salvo, como prova de sua fé construiria uma capelinha para o santo de devoção, dentro do terreno de sua casa. Mathilde orou, ininterruptamente, durante 3 dias e 3 noites que perduraram a tempestade.

Passados 14 dias, os corpos dos 29 pescadores que estavam na embarcação apareciam um a um, sem vida. Todos, exceto Mathilde, perdiam a esperança de encontrar Francisco vivo. Eis que, naquele mesmo dia, ela teve a certeza de que os anjos existem. e foi através de um deles que recebeu a notícia de que Francisco estava vivo e que teria sido resgatado, em estado gravíssimo, a quilômetros de distância de onde ocorreu o acidente e havia sido levado imediatamente ao Hospital Municipal São João Batista, em Niterói. Mathilde não se conteve e de joelhos levantou as mãos para o céu agradecendo de todo o coração ao santo que confiou a vida de seu amado.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Quadro de São Pedro

No hospital, ainda em estado delicado, Francisco não pôde estar ao lado de Mathilde no dia 29 de junho, quando cumprira a primeira parte da sua promessa, mandando rezar a primeira ladainha para o santo diante de um quadro de São Pedro.

A partir desse dia, a história do casal Ferreira Rodrigues não foi diferente de todas as outras histórias que possuem finais felizes. A recuperação de Francisco foi bem rápida e logo ele estava ao lado da mulher que amou para toda vida.

Mathilde e Francisco tiveram 10 filhos. A nenhum deles foi dado o nome de Pedro. Mas, como forma de agradecimento ao santo e a fé de sua esposa, ele fez um pedido à família para que o primeiro neto fosse batizado como Pedro. E assim foi feito. Hoje, são aproximadamente 20 descendentes em quatro gerações com o nome de Pedro na família.

Nada melhor do que terminar uma feliz história de amor com o famoso bordão “E foram felizes para sempre”. Sim, foi assim com Mathilde e Francisco que, até o final de suas vidas, contagiavam a todos com seu amor, cativando a devoção pelo santo que os uniu para eternidade.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Capela de São Pedro construída pela família Rodrigues

Prestes há completar 114 anos, no dia 29 de junho de 2014, a Capelinha de São Pedro é prova viva desse amor e fé. Ela fica na Rua Nova de Azevedo, 421, Neves, São Gonçalo. Atualmente, é mantida pela neta do casal, a senhora Mathildes. É ela quem cuida dessa relíquia junto à família, compartilhando essa linda história por gerações.

Eis aqui a minha verídica história gonçalense de amor e fé. Onde em nenhum lugar deste mundo, nem sobre uma gôndola no cenário de Veneza, bateria o esplendor da nossa história ocorrida no bairro de Neves, em São Gonçalo.

Uma História Gonçalense de Amor e Fé
Interior da capela centenária de São Pedro

 

Curiosidades:

O primeiro quadro de São Pedro exposto na primeira ladainha realizada em 29 de junho de 1900 encontra-se em exposição na capela.
A Capelinha não é aberta ao público e quem quiser visita-la deverá solicitar a família Ferreira Rodrigues.

Fontes:

Família Ferreira Rodrigues

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Corpus Christi em São Gonçalo: uma recente tradição https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/ https://simsaogoncalo.com.br/corpus-christi-em-sao-goncalo-uma-recente-tradicao/#comments Sun, 22 Jun 2014 14:38:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2160 Muito se tem escrito sobre a tradição cristã do Corpus Christi, Festa do Corpo e Sangue do Senhor. Em especial, sobre a tradição do tapete, enfeite do trajeto da procissão anexa à mesma festa. Como católico gonçalense, não poderia me isentar de comentar esta bela tradição de São Gonçalo pela ótica católica, para benefício tanto […]

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Muito se tem escrito sobre a tradição cristã do Corpus Christi, Festa do Corpo e Sangue do Senhor. Em especial, sobre a tradição do tapete, enfeite do trajeto da procissão anexa à mesma festa. Como católico gonçalense, não poderia me isentar de comentar esta bela tradição de São Gonçalo pela ótica católica, para benefício tanto dos católicos gonçalenses, quanto dos que queiram entender a nossa cultura.

A Eucaristia

A Igreja Católica sempre entendeu nas palavras proferidas por Nosso Senhor Jesus Cristo, na chamada Última Ceia, que o pão e o vinho consagrados neste momento pelo sacerdote são, em real, o Seu corpo e o Seu sangue. A Igreja vive da Eucaristia. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: “Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo” [1] mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. O Concílio Vaticano II[2] justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã”. De fato, “na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo”. Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.[3]

Para o cristão católico, aquele pedaço de pão sem fermento é a real carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, e aquele vinho tinto o Seu precioso sangue. Inúmeros milagres durante dois mil anos dão ao fiel a comprovação dessa doutrina, como o Milagre de Lanciano, exaustivamente estudado pela Ciência.

Uma festa para sanar as dúvidas

A celebração de Corpus Christi (Corpo de Cristo) surgiu na Idade Média. Consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. Quarenta dias depois do Domingo de Páscoa é a quinta-feira da Ascensão do Senhor. Dez dias depois temos o Domingo de Pentecostes. O domingo seguinte é o da Santíssima Trindade, e na quinta-feira é a celebração do Corpus Christi. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade.

No final do século XIII surgiu em Liége, atual Bélgica, um Movimento de revalorização da Eucaristia na Abadia de Cornillon. Foi a origem de vários costumes eucarísticos, como a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon (1193-1258), à época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinianas. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade. Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, bispo de Liége, também a e Jacques Pantaleón, arquidiácono local, futuro Papa Urbano IV. O bispo Roberto ficou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte.[4]

O Papa Urbano IV, estava em Orvieto, cidade ao norte de Roma. Perto está Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal.

A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais [5] em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue. O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” (de 8/9/1264) fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que asistirem a Santa Missa e o ofício.

O ofício de Corpus Christi foi composto por São Tomás de Aquino, que usou parte de Antífonas, Lições e Responsórios já em uso em algumas igrejas.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV. Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Corpus Christi – São Gonçalo

No Brasil, com tapetes

A confecção de tapetes de rua é uma magnífica manifestação de arte popular que tem como origem a comemoração do Corpus Christi. A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares onde chegaram seus imigrantes, como Florianópolis (SC).

A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses. Numa carta de 9 de agosto de 1549, o Padre Manuel da Nóbrega, da Bahia, informava: “Outra procissão se fez dia de Corpus Christi, mui solene, em que jogou toda a artilharia, que estava na cerca, as ruas muito enramadas, houve danças e invenções à maneira de Portugal”.[6]

As procissões portuguesas eram esplendorosas: tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge, padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais de gala.

A Liturgia Romana

Para as procissões eucarísticas, a cruz vai à frente ladeada por duas velas. Não se leva incenso junto à cruz. Atrás dela os ministros dois a dois, os acólitos, os diáconos e os concelebrantes. Estes últimos portam o pluvial, mas podem portar também a casula se a procissão foi feita logo após a missa. O celebrante principal, se não levar a sagrada eucaristia vai imediatamente à frente dela. Segue, então, a sagrada Eucaristia carrega por um clérigo vestido com alva, estola, pluvial e véu umeral de cor branca. É coberta pelo pálio ou pela umbela, carregado por quatro ou seis pessoas. À sua frente, vão dois acólitos com turíbulos fumegando. Se for o bispo a levar o Santíssimo, o báculo vai à frente dos turiferários e a mitra, bem como o livro atrás do pálio.

Além dos demais acólitos assistentes, vão na parte de trás da procissão, os clérigos em vestes corais. Os de maior dignidade vão mais perto da Sagrada Eucaristia. Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra apresentada aos fiéis para adoração.

A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com o pão maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo em forma de pão.

Corpus Christi – São Gonçalo

O Corpus Christi em São Gonçalo

A festa passou a integrar o calendário religioso brasileiro em 1961, quando uma pequena procissão saiu da igreja de Santo Antônio e seguiu até a igreja de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. A festa de Corpus Christi no município de São Gonçalo começou em 1995. [7]

Em 2010, os tapetes de Corpus Christi em São Gonçalo são patrimônio cultural imaterial do município, conforme a Lei Estadual 3141/10 de autoria do Deputado Altineu Cortes.[8] Sua extensão de 2000 metros o caracteriza como o maior em extensão da América Latina.

A cada ano, o Prefeito de São Gonçalo assina um decreto nomeando os componentes da Comissão dos Festejos de Corpus Christi no município, publicado no Diário Oficial da cidade.

Uma tradição católica e cultural gonçalense

A cidade de São Gonçalo foi fundada por portugueses e grande parte de sua arquitetura é de origem ibérica. Não somente as casas, mas o modo de ser das pessoas, do comércio, são típicos de antiguidade portuguesa. A religião católica é um dado característico dessa cultura e tornou-se também uma característica brasileira, desenvolvendo-se em formas próprias em uma chamada “brasilidade católica”.

A festa católica do Corpo de Cristo é assimilada em toda a Cristandade e não poderia deixar de ser em São Gonçalo também praticada. Com orgulho temos o maior tapete artístico de sal com motivos sacros de toda a América Latina. Isso demonstra não só a catolicidade de nossa cultura antiga, mas também a preservação de uma tradição para as gerações futuras, ansiosas de tradição e cultura seculares.

Corpus Christi – São Gonçalo

Fontes:

1 – Evangelho segundo são Mateus, capítulo 28, versículo 20.
2 – Reunião de todos os bispos da Igreja Católica, realizado de 1963 a 1966, em Roma, Itália.
3 – Carta Encíclica “Ecclesia de Eucaristia” (A Igreja da Eucaristia) do papa Paulo II, §1
4 – O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.
5 – guardanapos de pano branco onde se apóiam o cálice e a patena durante a Missa.
6 – Cartas do Brasil, 86, Rio de Janeiro, 1931.
7 – Sítio oficial da Arquidiocese de Niterói, disponível em http://arqnit.org.br
8 – PROJETO DE LEI Nº 3141/2010 – DECLARA PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO OS FESTEJOS RELIGIOSOS DE Corpus Christi E O TAPETE PARA A PROCISSÃO NO MUNICÍPIO DE SÃO GONÇALO/RJ Autor(es): Deputado ALTINEU CORTES – A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESOLVE: Art. 1º – Ficam declarados como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro os festejos religiosos de Corpus Christi e o tapete preparado para a procissão católica no município de São Gonçalo. Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua criação. Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 9 de junho de 2010.

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Leonor Franco Moreira: a história de uma escola que faz a diferença https://simsaogoncalo.com.br/leonor-franco-moreira-historia-de-uma-escola-que-faz-diferenca/ https://simsaogoncalo.com.br/leonor-franco-moreira-historia-de-uma-escola-que-faz-diferenca/#comments Thu, 05 Jun 2014 01:25:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2087 Marambaia é um dos bairros que mais cresce nos últimos tempos. Entretanto, a percepção é de que o investimento dos governos na região não acompanhou a demanda da população. O bairro conta com algumas antigas escolas públicas. Um dos destaques é a Escola Estadual Leonor Franco Moreira. Bem avaliada pelos órgãos públicos, ela tem se […]

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Marambaia é um dos bairros que mais cresce nos últimos tempos. Entretanto, a percepção é de que o investimento dos governos na região não acompanhou a demanda da população.

O bairro conta com algumas antigas escolas públicas. Um dos destaques é a Escola Estadual Leonor Franco Moreira. Bem avaliada pelos órgãos públicos, ela tem se destacado pelos resultados dos alunos que saem de lá no 9º ano, conseguindo passar nas provas de escolas técnicas como FAETEC e NATA, além do Colégio Pedro II. A escola não tem uma infraestrutura tão grande, porém é de boa qualidade, contendo tudo o que os alunos precisam para poder aprender.

Os professores de lá trabalham em extrema integração, sempre incentivando os alunos ao crescimento e mostrando que o estudo é o mais importante. A escola já chegou a ser uma das 10 melhores do município. Anualmente, muitos são premiados através da prova do SAERJ, aplicada pelo governo estadual.

A escola foi fundada graças aos esforços da patrona, Leonor Franco Moreira, que tinha um grande pedaço de terra no bairro. No início, ela criou o orfanato para meninas chamado “Lar De Humaitá”. Como consequência, uma parte do lar tornou-se uma escola para as crianças. Percebendo a carência da população local, D. Leonor abriu a instituição para pessoas de fora, porém, ainda apenas pra meninas. A escola ganhou o nome de “Colégio das Meninas”, que até hoje é chamado assim pelos moradores do bairro.

Com o falecimento de Leonor, sua família doou parte do terreno para o estado, que construiu a escola pública para os moradores do bairro, e outra parte para o município, que construiu o posto de saúde. O antigo orfanato fechou. Hoje, é uma creche comunitária. O posto de saúde ainda funciona. A escola foi aberta para todos, sem distinção de gêneros, com meninos e meninas.

Alunos da Escola Estadual Leonor Franco Moreira
Alunos da Escola Estadual Leonor Franco Moreira – Marambaia

A Escola Estadual Leonor Franco Moreira também realiza vários trabalhos internos, como feira de ciências, integração da família e escola, feira de cultura, campeonatos de futsal, além dos concursos de dança entre as turmas. Com atividades extraclasse, já visitou o planetário da Gávea, FIOCRUZ, Museu de Petrópolis, Quinta da Boa Vista, Casa da Descoberta na UFF, e também passeios históricos em São Gonçalo, como na Fazenda Colubandê. Atualmente, a escola conta com o projeto musical que promove a banda escolar.

Uma das novidades da escola veio da parceria entre a professora de Ciências juntos aos alunos. Através de uma página no Facebook chamada “Ciências em Prática”, ela se comunica com seus alunos, falando sobre temas relacionados a matéria dada em sala de aula. É a integração escola e internet na educação.

 

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O Brasil de João https://simsaogoncalo.com.br/o-brasil-de-joao/ https://simsaogoncalo.com.br/o-brasil-de-joao/#comments Wed, 04 Jun 2014 19:48:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2089 É muito triste ver o meu país de escolas com instalações precárias. Crianças são sujeitadas a conviverem entre goteiras que formam poças enormes nas salas de aulas. Carteiras quebradas onde o aluno se preocupa mais em pensar como vai fazer para escrever do que na própria matéria passada pelo professor. Banheiros com tubulações quebradas onde […]

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É muito triste ver o meu país de escolas com instalações precárias. Crianças são sujeitadas a conviverem entre goteiras que formam poças enormes nas salas de aulas. Carteiras quebradas onde o aluno se preocupa mais em pensar como vai fazer para escrever do que na própria matéria passada pelo professor. Banheiros com tubulações quebradas onde falta água para o mínimo de higiene dos alunos e professores. A qualidade da merenda que chega às crianças muitas vezes não supre o mínimo para a sua nutrição e interfere de forma direta no crescimento e desenvolvimento intelectual. – É o famoso macarrão com salsicha, que muitas vezes é a única refeição para algumas crianças que não tem o que comer em casa.

Podemos colocar nesse imenso circo de horrores chamado educação no Brasil os injustos salários dos professores. Esses sim são guerreiros que fazem milagres para sobreviver e graças a eles e o amor por desenvolver essa profissão nobre a educação ainda caminha e vemos luzes no fim desse comprido túnel.

João Brasil
Professor João Brasil

Todos os que educam com amor são exemplos para todos nós, mas gostaria de falar de um em especial. Um professor que como referida na musica dos “Paralamas” tinha a cor do Brasil. Não só a cor, mas o Professor João Pereira da Silva tinha tanto haver com o seu país que fez dele parte do seu nome.

Em 12 de fevereiro de 1874, nascia na cidade de Nova Friburgo, João Pereira da Silva, filho do casal Clara Maria da Conceição do Nascimento e Desidério de Oliveira. Sempre com muita dificuldade João ajudava no orçamento familiar trabalhando como caixeiro ao mesmo tempo em que fazia seu primário na cidade de Macuco.

Foi aos 15 anos que o lado educador de João aflorou. Mesmo tendo apenas o curso primário, começou a lecionar para quatro alunos nos fundos da oficina do irmão mais velho, que trabalhava como ferreiro. Não demorou muito para João erguer o Colégio Nossa Senhora da Conceição, sua primeira escola dentro de uma Fazenda chamada Maravilha, onde lecionava para os funcionários.

Colégio Brasil • Pátio interno ou dos meninos / Crédito: Araken França
Colégio Brasil • Pátio interno ou dos meninos / Crédito: Araken França

A popularidade do professor João fez com que o coronel Alfredo de Morais dono da Fazenda Providência contratasse-o para lecionar, e em 1893 se transferiu para São Francisco de Paula. Um ano depois foi nomeado professor público em Lumiar onde exerceu essa atividade por 4 anos. Foi nessa época que conheceu Magnólia, sua companheira para toda vida. Casaram-se em 1900 e seguindo a máxima de que atrás de um grande homem existe uma grande mulher, com ajuda de Magnólia no dia 12 de outubro de 1902 fundava em Estrada Nova, município de Itaocara, o Colégio Brasil. Batalhador como sempre foi, fez ele mesmo as primeira mesas e cadeiras de caixotes de madeira para seus 6 únicos alunos.

Em 1909 mudou o colégio de Itaocara para Cordeiro onde também fundaria um banco e um jornal. Foi neste mesmo ano que adotou sua pátria ao nome passando a se chamar João Brazil. O motivo dessa mudança foi a má fama de um homônimo na cidade de Nova Friburgo.

Foi em 1914 que João Brazil adotou de vez a cidade de Niterói alugando a chácara de seu xará João Rodrigues Serrão, onde hoje é a Noronha Torrezão. Não demorou e João Brazil, prestes a completar 10 anos residentes na cidade sorriso, ganhou o maior de seus presentes do então prefeito Cantidiano Rosa, o contrato de cessão da utilização do patrimônio que pertenceu à Constantino Pereira de Barros, o famoso barão de São João de Icaraí. O belíssimo palacete que então estava funcionando como o asilo da Velhice Desamparada. Neste lugar João Brazil pode dar continuidade ao que sempre quis fazer em toda sua vida, educar. E assim o Colégio Brasil se tornou referencia na educação Niteroiense e no Brasil. No começo o colégio funcionava como internato e externato para rapazes e somente na década de 30 o colégio abriu as portas para meninas.

Muitas personalidades importantes no cenário nacional passaram pelo Colégio Brasil como músicos, cineastas, educadores, políticos, militares e até um rei. – “Falando sério, bicho!” – É, foi no Colégio Brasil que rei Roberto Carlos aprendeu a ser “o cara”.

Pavilhão principal do Colégio Brasil (1902-1985)
Pavilhão principal do Colégio Brasil (1902-1985)

Dez anos antes de falecer em 6 de maio de 1940, João Brazil ainda fundou o Colégio Guanabara em 1931 e fundou em 1932 o jornal “O Estudante” um órgão de alunos do Colégio Brasil.

O Colégio Brasil ainda funcionou quase meio século após a morte de seu criador. Fechou as portas em 1985 e infelizmente nos dias de hoje o histórico palacete localizado na Alameda São Boaventura corre o risco de não mais existir, podendo vir a desabar ou mesmo virar estacionamento do condomínio que faz parte do terreno. Mas para que isso não aconteça a família Brazil, moradores do Fonseca e ex-alunos e professores do colégio brigam pelo seu tombamento e a criação de um espaço cultural no lugar e assim mantendo a história e a memória desse bem importantíssimo para cidade de Niterói.

Merecidamente este educador tão importante foi homenageado de diversas formas pelo Brasil a fora após sua morte, mas dentre as mais importantes na cidade de Niterói está Escola Municipal João Brazil no morro do Castro e a Avenida Professor João Brasil tão importante para o gonçalense de Alcântara que trabalha no Rio, corta por Tenente Jardim para fugir do engarrafamento da Alameda.

Imagem (externa) do antigo Colégio Brasil
Imagem (externa) do antigo Colégio Brasil

A Escola Municipal foi criada por decreto número 2788/77 no ano de 1977, apesar do primeiro tijolo ser colocado em 1976 na prefeitura de Ronaldo Fabrício tendo como secretário de educação e cultura o Professor Helter Barcellos. Em 1977 o então prefeito Moreira Franco continuou a obra da escola que foi construída no terreno do famoso Dr. Raul de Castro Alves, que deu o nome ao morro do Castro.

Quanto a Avenida Professor João Brasil essa tem mais idade, foi pelo decreto de 2 de maio de 1950 do prefeito Rocha Werneck. Só em setembro de 1952 seu traçado foi aprovado pelo prefeito Daniel Paz de Almeida e outubro do mesmo ano as obras começaram. E assim Inaugurada em 1954 na gestão do prefeito Lealdino Alcântara que por uma coincidência do destino um de seus genros.

Infelizmente um erro de interpretação no acordo de utilização da nova ortografia de 15 de junho de 1931, aprovada pela Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa em decreto número 20.108 pelo presidente Getúlio Vargas fez erroneamente com que o nome do homenageado fosse escrito com “S” e não com “Z”. O acordo Ortográfico Luso-Brasileiro resolveu fixar a grafia de Brasil e não mais Brazil. Mas quanto ao nosso professor não poderíamos levar em consideração essa mudança, pois se trata de um nome próprio.

Imagem (interior) do antigo Colégio Brasil
Interior do antigo Colégio Brasil, parcialmente destruído

Podemos dizer que nossas vidas são comparadas a um filme onde somos roteiristas, diretores e protagonistas. Que por vezes fazemos dela, a vida, um romance, drama, terror e até comédia. Alguns fazem verdadeiras obras dignas de Oscar. E quem você gostaria de interpretar neste filme chamado de vida? Um “João-Bobo” insistindo em votar em políticos que não dão a mínima para o seu país, preferindo gastar milhões em estádios de futebol deixando de investir na saúde e educação. Ou você prefere interpretar personagens como nosso professor João Brazil, que mesmo nascendo pobre e mulato em um país cheio de preconceitos conseguiu dar a volta por cima trabalhando muito pela educação e acreditando tanto no seu país que fez dele extensão de seu próprio nome.

Queremos nosso Brasil desses João.

Curiosidades

  • Em 1936 candidatou-se a vereador, mas não foi eleito.
  • Casado com a professora Magnólia Brasil, tiveram 7 filhos. Zoraida, Rubens, Ilka, Ruth, Zélia, Zuleika e João Brazil Júnior.
  • É patrono da cadeira 21 da Academia Itaocarense de Letras.
  • Fez parte da sociedade que reorganizou o Conservatório de Música de Niterói e da comissão que no ano seguinte reformou a matriz de São Lourenço.
  • Alunos famosos do Colégio João Brasil são o músico Sérgio Mendes,  as cantoras Marília Medalha e Teresa Tinoco, o maestro Eduardo Lajes, o diretor de televisão Moacyr Deriquém e o cineasta Walter Lima Junior além é claro de Roberto Carlos.
  • O prédio onde foi sede do Colégio Brasil em Niterói foi do Barão de São João de Icará que  foi descendente do médico Francisco da Fonseca Diniz, proprietário das terras de onde é o bairro Fonseca, daí o nome do bairro.

Letra do Hino

• Barão São João  de Icaraí herdou as terras onde hoje estão o Horto, a Penitenciária (em frente ao Horto) e o terreno do antigo Colégio Brasil, onde fixou residência em 1858.

Hino do Colégio Brasil
Música de Maestro Felício Toledo e letra de Dr. A. Gonçalves

Pela Pátria sejamos, um dia,
Povo heróico da Patria feliz,
Exaltemos o ardor que irradia
Toda a glória do nosso País!
O Colégio Brasil, sempre à frente,
Sempre grande, a lutar, e a vencer,
Seja o templo da luz eloquente
Aclarando o infinito; O SABER!
Que os luzeiros da Pátria fremente
Do futuro os heróis devem ser…

Pelo livro, na ciência que vence,
Seja a nossa divisa: ESTUDAR,
Que o futuro somente pertence
Quem deseja crescer… e marchar…

Passo altivo o Brasil, nossa terra
Inspirado no Céu sempre azul,
Elevar a grandeza que encerra,
Desde o Norte às coxilhas do Sul!

Seja a Escola a esperança suprema
Toda envolta na Fé, no Labor…
Que se parta, nos pulsos, a algema
Onde possa vibrar nosso AMOR

Fontes:

Família Brazil
CDP – Centro de Documentação e Pesquisa de Niterói.

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Rosas e a Santa Isabel https://simsaogoncalo.com.br/rosas-e-santa-isabel/ https://simsaogoncalo.com.br/rosas-e-santa-isabel/#comments Thu, 17 Apr 2014 21:15:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2011 Embora tenham vivido em épocas diferentes, Célia e Mário tinham mais que um “Rosa” como coincidência na vida. A educação é uma delas, mas uma santa também apareceu na vida dos dois. Há mais ou menos 340 anos antes de ser declarada santa pelo Papa Urbano VIII, Isabel Aragão desfrutava da coroa de Portugal como […]

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Embora tenham vivido em épocas diferentes, Célia e Mário tinham mais que um “Rosa” como coincidência na vida. A educação é uma delas, mas uma santa também apareceu na vida dos dois.

Há mais ou menos 340 anos antes de ser declarada santa pelo Papa Urbano VIII, Isabel Aragão desfrutava da coroa de Portugal como rainha consorte do rei D. Dinis. Era muito popular e, ainda viva, era tida como santa para muitos. O povo a chamava de Rainha da Paz, pois conseguiu esfriar os ânimos de uma iminente guerra entre pai e filho. Dom Dinis tinha um filho bastardo chamado Afonso Sanches, seu filho e herdeiro. D. Afonso, sentindo-se ameaçado, declara abertamente a intenção de uma batalhar contra seu próprio pai. Nesse momento, a rainha Isabel intercede e apazigua a situação, impedindo o confronto conhecido como “Batalha de Alvalade“.

Era inegável o carisma de Isabel. Mas para ser santa, tem que fazer milagre. Segundo a lenda, ele veio em forma de rosas.

O rei D. Dinis já teria sido informado sobre as ações de caridade de D. Isabel e quanto isso doía no seu bolso real. A rainha não poupava quando o assunto era ajudar aos pobres. Era um costume distribuir pães e esmolas aos necessitados. Durante um desses dias, o rei resolveu interpelá-la, perguntando o que levava no colo. “São rosas, meu senhor!”. Desconfiado o rei acusou-a de estar mentindo, pois era impossível ter rosas em pleno inverno de janeiro. A rainha mostrou aos olhos espantados de todos as belas rosas que levava no colo.

Célia Pereira da Rosa nunca foi declarada santa pela igreja católica. Mas desde jovem, se preocupou com o próximo, principalmente com os mais pobres. Atuou intensamente no socorro às vítimas do Gran Circus Norte-Americano, em janeiro de 1961 e, um ano depois, liderou o segundo distrito em uma ação de auxilio aos desabrigados das enchentes que assolaram o município de São Gonçalo. Entretanto, foi na educação que a professora Célia Rosa ganhou o respeito de toda comunidade.

Escola Municipal Célia Pereira da Rosa em Santa Isabel
Escola Municipal Célia Pereira da Rosa, em Santa Isabel

Célia nasceu em 3 de fevereiro de 1915, em Santa Isabel, 2º distrito de São Gonçalo. Era filha do Capitão da Guarda Nacional, Raphael Rosa, também dono da fazenda de cordeiros ou Santa Isabel. O nome da santa foi dado por Dona Isabel Alves Sodré, esposa de José Mariano, quando, no final do século XIX, o casal dono da terra cedeu uma área para construção da Estação de Ipiíba, parte da saudosa Estrada de Ferro Maricá. Muito devota de Santa Isabel, Dona Isabel pediu que fosse dado o nome da santa à estação. Depois, apareceu a empresa de ônibus Santa Isabel, a padaria Santa Isabel, armazém Santa Isabel e até a estrada de rodagem Santa Isabel.

A localidade é sede do segundo distrito de São Gonçalo, cujo nome oficial é Ipiíba. Já foi chamada de Freguesia de Cordeiros, Vila José Mariano e Vale do Ipiíba. Nos séculos XVIII e XIX, foi um grande centro comercial e produtor agrícola. De lá, saía grande parte das laranjas para exportação. Também foi chamada “terra da laranja”.

Na terra da laranja, Célia começou a sua jornada de ensinar. Fez seu curso primário na Escola Estadual Santa Isabel, com a professora Bolívia Gaetho, e lá começou a lecionar como professora substituta. Célia não parou mais. Alfabetizou os funcionários que trabalhavam na fazenda do pai, que não sabiam ler nem escrever. Vendo a vocação da filha, o pai cedeu um terreno e a presenteou com a tão sonhada escola.

O Ginásio Comercial Santa Isabel foi a primeira escola a ter curso ginasial na localidade. Começou pequena, onde atendia às crianças da comunidade. Conforme Santa Isabel crescia, a escola se desenvolvia também.

Não só a escola, mas a Igreja Nossa Senhora da Conceição. Santa Isabel passou a ser pequena para tamanha quantidade de fiéis. Em 1960, foi preciso restaurá-la, sobre a responsabilidade do Padre Theodoro Peters. Essa restauração incluía a substituição da imagem da Santa Isabel do altar por uma maior.

Igreja de Santa Isabel
Igreja de Santa Isabel.

Por ser uma católica atuante na igreja, o então padre Theodoro presenteia Célia Rosa com a antiga imagem de Santa Isabel. Célia toma pra si a responsabilidade de zelar pela imagem da santa. Colocou-a destacada no seu colégio, de forma que todos os alunos e professores pudessem admirá-la.

Todos que passeavam pelo pátio da escola admiravam a imagem de Santa Isabel. Mas nenhum olhar era como o olhar do menino Mário Rosa.

Embora tenha rosa no nome, Mário não tinha nenhum grau de parentesco com Dona Célia. O menino possuía o dom de lecionar. Conforme o menino crescia e se qualificava, esse dom aflorava cada vez mais, sem apagar as lembranças dos recreios no colégio ginasial, sempre vigiado e amparado por Santa Isabel.

Mário Rosa nasceu em Santa Isabel e foi um dos primeiros alunos do Ginásio Comercial Santa Isabel. Dando continuidade à sua formação técnica, estudou química no Colégio Plínio Leite, em Niterói, e concluiu o ensino superior na Faculdade de Formação de Professores da UERJ, em São Gonçalo.

Mário não era mais um menino quando Célia faleceu, em 7 de dezembro de 1991. Já era um professor formado e era contratado pela rede municipal de São Gonçalo. Mas sem esquecer suas origens e lembranças, aceitou o convite de lecionar no colégio que abriu seu caminho como professor. E lá, teve a oportunidade de rever a imagem de Santa Isabel, que esteve ao seu lado durante os recreios no pátio da escola.

Antes de falecer, Célia Rosa expressou seu desejo de doar o colégio ao município para atender às crianças mais carentes. Assim foi feito. Professor Mário Rosa ganhou o maior de seus presentes, quando no ano de 2002, pelo então secretário de educação do município, o professor Hélter Barcellos, o colégio passou a funcionar pela rede municipal de ensino com o professor Mário como diretor geral. Foi o próprio Mário que sugeriu o nome: Colégio Municipal Célia Pereira da Rosa, em homenagem a tudo o que ela fez pela educação de Santa Isabel.

Há 12 anos, Mário cumpre seu papel de educador como diretor da escola. Ele também é tutor da imagem centenária de Santa Isabel, que pertenceu à antiga capela da região. Um patrimônio importantíssimo que mantém viva a história do bairro.

Rosas são sinônimos de amor e acompanham Santa Isabel antes mesmo de virar santa no século XIII, quando apareceram em forma de milagre salvando-a do rei D. Dinis de Portugal. E aqui, na cidade de São Gonçalo, os dois “rosas”, Célia e Mário, provam que essa relação de amor entre rosas e a santa continua viva.

Curiosidades:

Na fase terminal da obra da Igreja Nossa Senhora da Conceição e Santa Isabel, na década de 60, 10 minutos depois do Pe. Simeão celebrar uma missa de 7º dia de um membro da comunidade, a igreja desabou, ficando de pé somente a creche, a torre e a sacristia. Muitos atribuem ao fato do desabamento só acontecer depois de todos os fiéis estarem a salvo, fora da igreja, não havendo vítimas. Um milagre de Santa Isabel.

Em 1983, os irmãos Fernando, Virgínia e Raphael Rosa Monteiro, sobrinhos de Célia Rosa fundam o Centro Educacional Celia Rosa. Uma homenagem a tia que é patrona da escola.

Referências:

IGREJA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÂO E SANTA ISABEL
http://www.oocities.org/eac_pachecos/santaisabel.htm
WIKIPÉDIA (ISABEL DE ARAGÃO). http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Isabel_de_Arag%C3%A3o,_Rainha_de_Portugal
Salvador Mata e Silva, São Gonçalo no século XIX (1999)
Salvador Mata e Silva, Eles Nasceram em São Gonçalo (1995)

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De braços abertos sobre São Gonçalo – o Cristo Redentor https://simsaogoncalo.com.br/de-bracos-abertos-sobre-sao-goncalo-cristo-redentor/ https://simsaogoncalo.com.br/de-bracos-abertos-sobre-sao-goncalo-cristo-redentor/#respond Thu, 10 Apr 2014 01:32:39 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1946 Independente do credo, o gonçalense gosta de dizer que na sua cidade se faz o maior tapete de sal de Corpus Christi da América Latina. Também gostamos de dizer que anualmente, milhões de evangélicos saem às ruas marchando e cantando para Jesus. Orgulho da coragem de Manoel Avelino de Souza e, posteriormente, Waldemar Zarro que, […]

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Independente do credo, o gonçalense gosta de dizer que na sua cidade se faz o maior tapete de sal de Corpus Christi da América Latina. Também gostamos de dizer que anualmente, milhões de evangélicos saem às ruas marchando e cantando para Jesus.

Orgulho da coragem de Manoel Avelino de Souza e, posteriormente, Waldemar Zarro que, num período de perseguição moral aos evangélicos, criaram a primeira igreja evangélica da cidade, a Primeira Igreja Batista de São Gonçalo.

É gostoso subir o Monte das Oliveiras, em Amendoeira, e ser contagiado com a paz que emana daquele lugar. Orgulho de morar em uma cidade onde, no inicio do século 20, Zélio Fernandino de Moraes abria a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, em Neves, nascendo ali a Umbanda, a única religião 100% brasileira. Não fosse o descaso de nossos gestores pela história, nosso patrimônio ainda estaria de pé.

De Braços Abertos para São Gonçalo – Sim São Gonçalo
Heitor Silva da Costa, sentado, e Levy, o terceiro da esquerda para a direita, rodeados por artistas e técnicos franceses: grande rol de colaboradores. Fonte: Veja Rio Abril*

Uma rua tranquila de paralelepípedo no Barro Vermelho, de nome Heitor Levy também deveria ser orgulho para todos nós gonçalenses. Infelizmente, nem todos conhecem a história que rodeia aquele lugar. Quem foi Heitor Levy e o que ele fez por São Gonçalo?

Heitor Levy foi um dos engenheiros responsáveis pela construção do Cristo Redentor. Para que o leitor entenda o que São Gonçalo tem a ver com uma das sétimas maravilhas do mundo moderno, vou contar uma breve história.

Não existe nada que simbolize mais o Brasil do que a imagem do Cristo Redentor de braços abertos. Talvez por vivenciarmos um mundo cheio de tecnologia não temos a noção exata de quanto foi trabalhosa a construção de um monumento dessa proporção. Antes mesmo da sua inauguração no dia de Nossa Senhora da Aparecida, 12 de outubro de 1931, vários estágios tinham sido alcançados, e o primeiro deles em 1918 – ano do fim da primeira guerra mundial e o mundo clamava por paz-, foi à própria idealização de se construir uma imagem do cristo para comemoração do centenário da Independência do Brasil.

Então através de concurso o melhor projeto escolhido foi do engenheiro Heitor da Silva Costa. Pensou-se em um cristo carregando uma cruz em uma mão e um globo na outra, mas uma antena de radiotelefonia no formato de uma cruz já existente em 1922 serviu de inspiração para construção de um cristo de braços abertos.

De Braços Abertos para São Gonçalo – Sim São Gonçalo
Esquerda: Cristo segurando o Globo / Direita: Antena de radiotelefonia no Corcovado em 1922.

Ao contrário de que muitos pensam o Cristo não foi presente de nenhuma nação ao Brasil, foi sim esforço e suor de milhares de católicos que ajudaram com mil reis cada através de campanha em todo o Brasil. Foram 10 anos de arrecadação até somar a quantia necessária para a obra.

Inicialmente foi cogitada a escultura toda em metal como a Estatua da Liberdade, mas Heitor da Silva Costa considerava feio o efeito do cobre a longa distância e principalmente temia que em uma guerra o monumento fosse destruído com intuito de virar artilharia, como aconteceu na Rússia com a Revolução Bolchevique, onde o governo soviético mandou fundir todas as estatuas metálicas de santos para aproveitar o metal.

A obra começou em 1926, sob a responsabilidade do engenheiro Heitor Levy, mas faltava um detalhe. Qual artista escultor seria responsável por dar forma a face e as mãos do cristo. Uma comissão foi enviada a Paris e cogitou-se Auguste Rodin, mas a responsabilidade acabou caindo nas mãos do artista franco-polonês Paul Landowski.

Na realização das mãos o artista valeu da ajuda da amiga brasileira poetisa Margarida Lopes de Almeida que ofereceu suas próprias mãos para modelagem das do cristo. A cabeça foi toda feita em moldes de gesso divididos em 50 partes para serem montadas peça por peça aqui no Brasil.

É ai que entra o personagem principal da nossa história, a pessoa quem deu nome a nossa tranquila rua. Heitor Levy era proprietário de uma chácara exatamente nas mediações entre hoje a rua que leva o seu nome e a Siqueira Campos e foi nesse lugar que Levy utilizou os moldes enviados por Landowski para montar e juntar as peças dando forma à face do monumento mais famoso do Brasil. Moradores antigos relatam que o lugar onde ocorreu a montagem é onde hoje está localizado o Colégio Santa Catarina.

De Braços Abertos para São Gonçalo – Sim São Gonçalo
Cabeça montada em um teste no sítio de Heitor Levy. Fonte:
Arquivo CEIPN/livro “Corcovado – A Conquista da Montanha de Deus”

É importante destacar que Heitor Levy estava tão engajado na obra que se mudou de mala e cuia para o corcovado. Era judeu, mas com tanto envolvimento e paixão converteu-se ao catolicismo e um vidrinho colocou o seu nome e o de toda família e o misturou com a massa de concreto do coração da estátua.

São Gonçalo é cheia de credos e religiões e ao contrário de muitas cidades no mundo todas se respeitando e convivendo em paz e harmonia. O gonçalense sabe muito bem o que é amar ao próximo como a ti mesmo e quis o destino que fossemos presenteados com um pedacinho da história que marca a construção dessa maravilha do mundo moderno.

Axé, Amém, Inshallah, Maktub, Aleluia, Salam, Shalon, Que Assim Seja São Gonçalo !!!

Referências:

Ilustração Disponível em:  http://vejario.abril.com.br/edicao-da-semana/autor-cristo-642226.shtml. Acesso em: 01/11/2013.

Post originalmente publicado no Blog do Tafulhar.

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Yes, nós temos sardinhas! – a fábrica Coqueiro no Porto Velho https://simsaogoncalo.com.br/yes-nos-temos-sardinhas/ https://simsaogoncalo.com.br/yes-nos-temos-sardinhas/#comments Mon, 07 Apr 2014 00:01:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1921 A fábrica da Coqueiro no Porto Velho, enlatadora de Sardinhas, foi criada em 1937 e até hoje está funcionando e presente na história da cidade. Leia e entenda tudo sobre uma das referências da cidade. Sardinhas e a Manchester Fluminense Todo gonçalense, independente da idade, se orgulha em dizer que sua cidade já foi apelidada […]

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A fábrica da Coqueiro no Porto Velho, enlatadora de Sardinhas, foi criada em 1937 e até hoje está funcionando e presente na história da cidade. Leia e entenda tudo sobre uma das referências da cidade.

Sardinhas e a Manchester Fluminense

Todo gonçalense, independente da idade, se orgulha em dizer que sua cidade já foi apelidada de Manchester Fluminense, comparada à cidade inglesa que também foi um grande pólo fabril na Inglaterra. Manchester foi uma cidade importantíssima na revolução industrial. De lá, o mundo viu as primeiras máquinas industriais a vapor no ramo têxtil e a primeira linha férrea de passageiros. O tempo passou e ela continua como relevante centro industrial e econômico.

Os futebolistas de plantão logo imaginam o Manchester United e Manchester City – atire a primeira pedra quem nunca jogou com um deles no FIFA ou Pro Evolution dois mil e qualquer coisa. Mesmo com a ascensão do São Gonçalo Esporte Clube, garantindo a vaga na segundona do carioca, e o azul da camisa do clube gonçalense, vale lembrar que não é do Manchester City que vem essa comparação.

A nossa Manchester, a fluminense, foi assim batizada entre a década de 20 a 50, quando grandes indústrias se instalaram por aqui, fazendo de São Gonçalo a responsável pela metade da arrecadação de impostos para economia do estado do Rio de Janeiro. Entretanto, a cidade não conseguiu segurar a peteca até os dias de hoje. Dentre todas as empresas instaladas nos primórdios, uma continua a pleno vapor, ganhando espaço no território nacional até mesmo internacional.

Yes nós temos sardinhas – SIM São Gonçalo

Estado novo e a implantação da fábrica de sardinhas

O couro comia na política nacional. Com o Estado Novo de Getúlio Vargas, através do Decreto 37, todos os partidos políticos foram extintos em 2 de dezembro de 1937. Neste mesmo dia, nem aí para o momento, o gaúcho, José Emílio Tarragó, achava um jeito de ganhar a vida com o sabor meio doce e meio azedo do tamarindo. Fundava em São Gonçalo a Tarragó, Martinez e Cia Ltda que fazia sucos e licores da fruta.

Em pouco tempo de empresa, Tarragó viu que trabalhar com tamarindo não era tão doce assim. Sua lucratividade era baixa. Daí, mudou radicalmente sua atividade para conservas de peixes.

E assim nascia a Indústria de Conservas Coqueiro. A razão social não foi por desgosto com o pobre fruto tamarindo, e sim um jeito de homenagear a Praia do Coqueiro, que ficava no bairro do Porto Velho, onde na época era a sede da empresa.

Fábrica da Coqueiro, Porto Velho, São Gonçalo. Foto: Revista Gaivota, setembro de 1977.
Fábrica da Coqueiro, Porto Velho, São Gonçalo. Foto: Revista Gaivota, setembro de 1977.

Fábrica da Coqueiro e o paladar dos Brasileiros

Não demorou muito para a Coqueiro conquistar a confiança e o paladar dos brasileiros. A qualidade dos produtos foi um pulo para ganhar o mercado exterior, exportando para diversos países. Como sempre acontece, os tubarões do mercado ficam de olho no crescimento de uma empresa. Quando veem nela um potencial concorrente, tratam logo de comprá-la.

Assim aconteceu com a tradicional marca de refrigerante maranhense Jesus, quando comprada pela Coca-Cola, e não foi diferente com a marca Coqueiro, que foi adquirida pela Quaker do Brasil em 1973. Passou a produzir atum, sardinha sem pele e sem espinha e ampliou ainda mais sua liderança no mercado. Com o crescimento, uma fábrica de sardinhas só em São Gonçalo não deu conta. Foi preciso, então, criar em 1982, a fábrica de Itajaí em Santa Catarina.

Coqueiro e o Selo Dolphin Free

Com o passar dos anos, para se manter no mercado, as empresas tiveram que não só se preocupar com a qualidade de seus produtos, mas também com o que fazem pelo meio ambiente e pelo social. Nesse caminho, em 2010, a Coqueiro ganhou o Selo Dolphin Free, atestando que a empresa não usa redes que possam capturar, ferir ou matar golfinhos durante a pesca.

Depois de tantas negociações, no final de 2011, a marca Coqueiro foi adquirida pela Camil, uma cooperativa agrícola mista onde o forte é feijão e arroz. Aquela mesma que tem como garoto propaganda o chef de cozinha e apresentador Edu Guedes.

Fábrica Coqueiro no Porto Velho líder no Brasil

Prestes a completar 76 anos, a Coqueiro tem uma fatia do mercado de 45% e líder absoluta desse segmento no Brasil, com mais de 200 mil pontos de venda em todo território nacional. Só as sardinhas representam 77% do faturamento. O atum e os outros peixes somam 23%. A fábrica da Coqueiro no Porto Velho, São Gonçalo, é hoje a maior unidade de enlatamento de peixes do mundo.

É prazeroso para nós, gonçalenses, acompanhar o sucesso de uma empresa da nossa terra. Gerando empregos para o nosso povo e contribuindo com a arrecadação do nosso município. E que muitas mais apareçam, fazendo valer o bom e velho apelido de Manchester Fluminense.

Post originalmente publicado em Blog do Tafulhar.

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Mapa da população de São Gonçalo – 1940 a 2010: um breve apanhado acerca da população gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/mapa-populacao-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/mapa-populacao-sao-goncalo/#comments Tue, 25 Mar 2014 00:10:40 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1859 Os anos de 1940 foram marcantes para a sociedade gonçalense, época na qual a cidade atraiu um parque industrial considerável, destacado pelo médico e pesquisador Luiz Palmier quando denominou o distrito industrial de Neves de Machester Fluminense. Esse entusiasmo pode ter contribuído, sobremaneira, para atrair novos moradores e à consequente explosão demográfica que aconteceu em […]

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Os anos de 1940 foram marcantes para a sociedade gonçalense, época na qual a cidade atraiu um parque industrial considerável, destacado pelo médico e pesquisador Luiz Palmier quando denominou o distrito industrial de Neves de Machester Fluminense.

Esse entusiasmo pode ter contribuído, sobremaneira, para atrair novos moradores e à consequente explosão demográfica que aconteceu em São Gonçalo entre as décadas de 1950 e 1970 quando as indústrias locais, e também de Niterói, atraíram um considerável contingente populacional no município.

 

Mapa da população de São Gonçalo – SIM São Gonçalo

O número considerável de lotes oferecidos em São Gonçalo, resultado da crise da citricultura, acaba por se desenvolver em paralelo ao processo de urbanização brasileira, onde a economia deixava de ser agrário-exportadora para ser urbano-industrial. O parcelamento das fazendas e sítios, em loteamentos, torna-se uma alternativa econômica para os proprietários. Estes loteamentos deram origem a vários bairros como: Boa Vista, Brasilândia, Jardim Bom Retiro e outros.

Entre os períodos de 1950/60 e 1960/1970, houve um expressivo crescimento das taxas anuais de crescimento populacional, determinado principalmente pela próspera industrialização da cidade, pelo loteamento de antigas fazendas, além da construção da Ponte Rio-Niterói.
O declínio das taxas anuais de crescimento populacional nas ultimas décadas pode ser atribuído pela: hipertrofiação dos espaços urbanos gonçalenses e pela redução da fecundidade.

 

Mapa da população de São Gonçalo – SIM São Gonçalo

Fonte: Censo Demográfico, 2010.

Referências Bibliográficas:

MENDONÇA, Adalton da Motta. Transformações sócio-econômicas no eixo Niterói- Manilha em São Gonçalo/RJ / Adalton da Motta Mendonça. – 2007.
MODESTO, Nilo Sérgio d’Avila. A (re)produção espacial em marcha na consolidação dos Grupos de Poder Hegemônico em São Gonçalo – RJ. PPG/UFF, Niterói, 2008.
Post originalmente publicado em blog do Tafulhar.

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Estephânia de Carvalho, um exemplo de Mulher https://simsaogoncalo.com.br/estephania-de-carvalho-um-exemplo-de-mulher/ https://simsaogoncalo.com.br/estephania-de-carvalho-um-exemplo-de-mulher/#comments Sun, 16 Mar 2014 00:01:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1816 O mês de março é aquele em que se celebra o dia Internacional da Mulher. A verdade é que o dia 8 é apenas um marco. As mulheres são tão especiais que dedicamos todos os dias do mês para elas. Dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil. Frágil? Esse é um adjetivo que […]

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O mês de março é aquele em que se celebra o dia Internacional da Mulher. A verdade é que o dia 8 é apenas um marco. As mulheres são tão especiais que dedicamos todos os dias do mês para elas. Dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil.

Frágil? Esse é um adjetivo que não combina com as mulheres.

Para começar, o próprio dia 8 de março tornou-se símbolo em homenagem às trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton, em Nova York. No ano de 1857, elas entraram em greve contra a jornada de 16 horas de trabalho somadas aos salários de fome. Ocuparam a fábrica e, sem a menor piedade, o patrão prendeu-as, fechou todas as portas de saídas e incendiou todo o galpão. As 129 mulheres de sexo nada frágil morreram queimadas nessa luta. E é em homenagem a essas mulheres que celebramos a data.

Mulheres trabalhadoras das fábricas no século XIX

Do início à formação como professora

Por aqui, não faltam exemplos de mulheres guerreiras. Uma delas é Maria Estephânia Mello de Carvalho. Um exemplo de mulher forte e determinada, que lutou incansavelmente pela educação gonçalense.

Estephânia nasceu em Cantagalo, no dia 7 de junho de 1885. Para nossa sorte, adotou São Gonçalo. Aqui deu o seu suor para educação e, consequentemente, para o crescimento da cidade. A educação é a base para o desenvolvimento.

Aluna brilhante no Colégio Sion, em Petrópolis, cursou ciências, letras, línguas e música. Também cursou o Colégio Pedro II e fez vestibular para medicina.

Aos 35 anos de idade, ao casar-se com Sr. Zeno Bellido de Carvalho, abandonou o magistério e passou a morar em Niterói.

Mas um fato triste lhe fez voltar a se dedicar ao ensino: a morte da sua única filha aos dois anos de idade. Da tristeza, nasceu a perseverança. Fundou em sua própria residência um curso primário. Mais tarde, tornou-se diretora do Curso Feminino do Colégio Brasil de Niterói e, logo depois, fundou o Colégio Carvalho.

Maria Estephânia de Carvalho e sua missão com a educação

Já com 56 anos, Estephânia de Carvalho chegou à São Gonçalo. Em 1941, foi convidada pelo então prefeito, Nelson Corrêa Monteiro, para participar de uma concorrência pública para montagem de um colégio secundário. O local seria no lugar de um casarão na rua Coronel Moreira Cezar, que a prefeitura acabará de adquirir para essa finalidade.

Passou seu Colégio Carvalho, em Niterói, para o Dr. Plínio Leite. Em 10 de novembro de 1941, inaugura o Colégio São Gonçalo, contrariando muitos que não acreditavam em um curso secundário na cidade. Não só provou que era possível, como fez melhor: inaugurou a primeira Escola Normal de São Gonçalo e o Curso Técnico de Contabilidade.

Estephânia de Carvalho – Zé Garoto – SIM São Gonçalo
Formandos do Colégio São Gonçalo. Na primeira fila, ao centro, a professora Estephânia de Carvalho. Década de 1950. Autor desconhecido. Acervo MEMOR-SG.

Participou ativamente na cidade. Como na Campanha de Manutenção e Auxílio às Famílias dos Combatentes da Segunda Guerra Mundial.

Foi uma das principais responsáveis pela campanha pró-busto do Dr. Luiz Palmier, e também por um dos maiores marcos históricos da cidade, o Cruzeiro da Coruja. O marco foi inspirado e construído por essa grande mulher com a ajuda de seus alunos.

A professora também idealizou a comemoração do dia do município com o desfile cívico. Anos depois foi incorporado pelas autoridades municipais, tornando-se tradicional na cidade.

A generosidade tornou Estephânia de Carvalho uma mulher admirável. Tinha um coração imenso. Muitas mães devem à ela a felicidade de uma bolsa de estudo e um curso concluído. Era uma verdadeira mãezona, e não deixava ninguém sem estudar, até mesmo os mais pobres. Assim, ficou conhecida como “A mãe do estudante pobre gonçalense”.

Estephânia de Carvalho – Zé Garoto – SIM São Gonçalo
Professora Estephânia de Carvalho

As homenagens: do colégio à praça

Quis o destino que fosse em 2 de março de 1958 o dia de sua partida dessa vida. Justamente no mês de comemoração internacional da mulher.

Depois de tudo o que fez pela educação de São Gonçalo, o reconhecimento de seu trabalho lhe rendeu muitas homenagens. Uma delas é batizar o Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, no Laranjal. A instituição atendia uma média de 3.500 alunos cursando o primeiro e segundo graus.

Outra importante homenagem foi dar seu nome à principal praça do município. Antes chamada de “Praça Cinco de Julho” e popularmente conhecida como Praça do Zé Garoto, o espaço tem o nome de Praça Estephânia de Carvalho. Em respeito à sua memória, ergueu-se um monumento com seu busto.

Finalizo lembrando à todas as mulheres o exemplo da professora Estephânia de Carvalho. Forte, determinada e repleta de amor e ternura para com o próximo.

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No Bonde do Samba: uma história da Unidos do Viradouro https://simsaogoncalo.com.br/no-bonde-do-samba-unidos-do-viradouro/ https://simsaogoncalo.com.br/no-bonde-do-samba-unidos-do-viradouro/#comments Fri, 07 Mar 2014 01:59:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1779 A Escola de Samba Unidos do Viradouro nasceu em 24 de junho de 1946. Foi no bairro de Santa Rosa, em Niterói, no quintal de Nelson dos Santos, o jangada, um apaixonado por samba. Hoje, sua sede é no Barreto, bairro colado à divisão entre Niterói e São Gonçalo. A Unidos do Viradouro tem esse nome por […]

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A Escola de Samba Unidos do Viradouro nasceu em 24 de junho de 1946. Foi no bairro de Santa Rosa, em Niterói, no quintal de Nelson dos Santos, o jangada, um apaixonado por samba. Hoje, sua sede é no Barreto, bairro colado à divisão entre Niterói e São Gonçalo.

A Unidos do Viradouro tem esse nome por causa do seu local de origem. Foi na tradicional rua Dr. Mário Viana, bem próxima à “Garganta”, o nome popular da subida do Morro da União. Era lá que os bondes viravam. Ou melhor, faziam o retorno. Por isso o nome Viradouro dos bondes.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro

A fundação da Unidos do Viradouro

A data de fundação da escola é 24 de junho. Coincide com o dia de São João Batista, o padroeiro da cidade de Niterói. O santo também foi adotado como padroeiro da escola.

Não demorou muito para que a escola mudasse para uma nova padroeira: Nossa Senhora da Auxiliadora. Ali bem pertinho, ao lado do Colégio Salesiano, foi erguida uma basílica. Nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, foi inaugurado um monumento para santa em 1900. E assim, a cor azul do manto e o rosa das vestes foram adotadas como as cores oficias da Unidos do Viradouro.

No Bonde do Samba: Unidos do Viradouro
Esquerda: São João – Padroeiro de Niterói  .  Direita: Monumento à Nossa Senhora da Auxiliadora

Quis o destino que as cores azul e rosa fossem substituídos pelo vermelho e branco, com a falência do principal fornecedor de tecido da escola. Tiveram que recorrer a outros fornecedores, que não chegavam à tonalidade do rosa usado anteriormente.

Antigamente, as escolas usavam muito cetim nas roupas e na decoração dos carros. O respeito às cores na hora do desfile imperavam naquele tempo. Sem a tonalidade correta, os adversários acusavam a Viradouro de desfilar com roupas e alegorias feitas com tecidos reaproveitados de carnavais anteriores.

Em 1971, o primeiro ano da mudança de cores, a escola foi campeã. Isso foi muito positivo, pois acabou com o jejum de títulos de 1966 até 1970.

Em Niterói, a escola desfilou pela primeira vez em 1947, conquistando o quarto lugar no carnaval da cidade. O primeiro título saiu em 1949, com o enredo Ararigbóia. De 1947 a 1963, a Viradouro conquistou 10 campeonatos e só não venceu por quatro vezes.

De Niterói para o Rio: passagens pelo carnaval carioca

Por duas vezes, a Viradouro passou pelo carnaval carioca. Na primeira, foram dois anos para se esquecer. Em 1964 e 1965, os resultados ruins e o atraso nos desfiles na Praça Onze fizeram com que ela voltasse a competir em Niterói.

Mas em 1986, depois de conquistar 18 títulos no carnaval niteroiense, a Unidos do Viradouro decidiu voltar a desfilar no carnaval carioca.

O ponto mais alto em sua trajetória foi no ano de 1997, quando ganhou o título de campeã no Grupo Especial, com o enredo “Trevas! Luz! A explosão do Universo” do carnavalesco Joazinho Trinta.

“Alô, Niterói! Alô, São Gonçalo!”

A Unidos do Viradouro pode ter nascido em Niterói. Mas com a mudança para o Barreto, um bairro bem na divisa com São Gonçalo, conquistou também o coração dos gonçalenses.

Então, niteroienses e gonçalenses, podemos gritar:
PARABÉNS, UNIDOS DO VIRADOURO, POR MAIS ESSA CONQUISTA!

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Uma Heroína da Educação e uma Biblioteca Comunitária https://simsaogoncalo.com.br/uma-heroina-da-educacao-uma-biblioteca-comunitaria/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-heroina-da-educacao-uma-biblioteca-comunitaria/#comments Thu, 20 Feb 2014 15:42:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1738 Quando se faz o bem, o universo conspira a favor com coincidências inexplicáveis. Adélia Martins tinha tudo para passar pela vida, apenas passar. Mas ela fez mais do que passar. Ela plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua frutificando na nossa cidade: a árvore do conhecimento. Aos 29 […]

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Quando se faz o bem, o universo conspira a favor com coincidências inexplicáveis.

Adélia Martins tinha tudo para passar pela vida, apenas passar. Mas ela fez mais do que passar. Ela plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua frutificando na nossa cidade: a árvore do conhecimento.

Aos 29 dias do mês de agosto do ano de 1872, nascia no município de Boa Esperança, cidade de Rio Bonito, a heroína da educação gonçalense. Adélia Martins era filha do médico Dr. Joaquim de Almeida Marques Simões e Maria de Freitas Simões, os grandes responsáveis pela sua alfabetização. A menina nasceu obstinada em realizar seu sonho. Ainda nova, começou a lecionar para os colonos e vizinhos da fazenda onde residia, em Rio Bonito. Mas ela queria mais, queria se especializar. Seu pai deixou a grande missão de prepará-la para Escola Normal de Niterói com o seu amigo, também médico, Edmundo March, filho do famoso médico Dr. March.

 

Adélia Martins - Coelho - São Gonçalo

Quando ingressou na Escola Normal de Niterói, Adélia já tinha 5 filhos. Nos dias de aula, sem ninguém que pudesse cuidar enquanto assistia as aulas, os deixava no Grupo Escolar “Barão de Macaúbas”, do respeitado pedagogo do período monárquico, Abílio Cesar Borges. Foi nesse período que foi chamada de heroína pelo seu professor, Ataliba Lepage.

Durante a gestão do Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Alberto Torres (que dá nome ao Hospital Estadual no bairro de Colubandê), Adélia Martins foi nomeada professora subvencionada no próprio município onde morava. Mais tarde, no governo do Dr. Nilo Peçanha, acabaram as subvenções, e é nessa parte da vida que São Gonçalo ganha o coração de Adélia, que se muda para São Gonçalo, alugando uma salinha na casa do senhor Salvino de Souza, em uma região chamada Coelho (atual bairro de mesmo nome), onde na época não existia nenhuma escola.

Determinada na missão, Adélia começou a correr a freguesia, passando de casa em casa dos moradores locais avisando-os para que mandassem seus filhos à escola sem custos, tudo 0800. O resultado foi tão satisfatório que a salinha não deu mais para comportar tanta criança. Sem perder tempo, Adélia adquiriu da família Duque Estrada a antiga casa grande da Fazenda do Coelho.

Pedia doação de caixotes de madeira aos comerciantes locais, para servirem de banco para seus alunos. Ao governo, pedia doações de materiais escolares (caderno,giz e quadro). Também conseguiu com que o governo, também através de doações, fizesse um grande galpão de madeira e telhas para atender mais alunos.

Adélia era muito querida por todos no palácio do governo. Levava frutas frescas, pudim e bolo.

Com tamanha força de vontade, foi reconhecida pelo então prefeito de São Gonçalo, Geraldo Ribeiro, que a nomeou professora Municipal. Mas Adélia queria mais. Não satisfeita, conseguiu que o então presidente do estado, Dr. Feliciano Sodré, a incluísse no quadro de professores efetivos do Estado e foi nomeada para uma escola vaga numa fazenda do município fluminense de Vassouras.

Entretanto, seu lugar não era ali. Guerreira como sempre, consegue o maior de seus objetivos. Intercedeu junto ao presidente Feliciano Sodré a sua transferência  da escola em que trabalhava, no município de Vassouras, para o Coelho, doando a escola de sua propriedade para o Estado, onde passou a existir como grupo escolar.

 

Adélia Martins - Escola no Coelho - São Gonçalo

Em 1966, o então prefeito Joaquim de Almeida Lavoura, com a presença do governador do estado General Paulo Torres, realizou a inauguração oficial do grupo escolar Colégio Estadual Adélia Martins, no campo do Coelho. Até hoje, funciona em 4 turnos diários com mais de 1000 alunos.

Essa árvore que nossa heroína plantou e desenvolveu é responsável pela formação anual de dezenas de gonçalenses, moradores do Coelho e adjacências, os armando para enfrentar o mundo com a melhor de todas as armas: a educação.

Exatos 66 anos após a morte de Adélia Martins, uma menina de 12 anos, com sua paixão pela leitura, faz a diferença na vida de pessoas que antes não conviviam com o fantástico mundo da literatura, os enriquecendo culturalmente e socialmente. Essa menina criou o Projeto Recicla Leitores.

 

Família Recicla Leitores - Sim São Gonçalo
Victoria e sua mãe Aline

 

Inspirada pela sua mãe em fazer o bem, Victoria foi convidada a visitar a Cidade de Deus através de uma ONG inglesa. A menina que adora ler, durante a visita não desgrudava de seu livro. Logo foi alvo dos olhares atentos das crianças que a cercavam. Sem titubear, perguntou à sua mãe o que tanto as crianças a olhavam. Sua mãe explicou que aquelas crianças não tinham o hábito da leitura e aquele gesto aguçou a curiosidade, já que aquelas crianças tinham acesso apenas aos livros didáticos. Pensando nisso, Victoria mobilizou todos os familiares a contribuírem com livros para aquela meninada tão carente.

Não é que a menina conseguiu?! Arrecadou uma grande quantidade de livros e não parou mais. Continuou arrecadando e doando em formas de eventos em várias comunidades do Rio de Janeiro.

Com a grande quantidade de livros chegando de todas as partes do Brasil, a família Recicla Leitores conta apenas com a sua residência para guardar esses livros. A casa ficou pequena para este acervo, pois o número de livros que chegam é maior que os que saem. Então, mediante ao crescimento do acervo, Aline Lucas percebeu a necessidade de um espaço para receber os livros, fazer sua triagem, limpá-los e etiquetá-los para o próximo evento itinerante. Foi nesse momento que a família Recicla Leitores pensou em comportar não só um lugar de armazenagem e sim uma biblioteca, onde contemplasse a comunidade ao redor.

 

Família Recicla Leitores - Sim São Gonçalo
Família Recicla Leitores

 

Um casal de amigos da família, que acompanhava a dificuldade, cedeu um espaço de 106 m² para construção da biblioteca no bairro do Coelho, justamente nas proximidades do Colégio Estadual Adélia Martins, onde essa guerreira construiu com seu suor um colégio voltado à educação com amor ao próximo. Um amor que se repete através da história, com Victoria e sua família na construção da primeira biblioteca comunitária do Coelho.

A previsão é que neste primeiro semestre a biblioteca esteja funcionando a pleno vapor atendendo não só os alunos do Colégio Estadual Adélia Martins, mas toda a comunidade do Coelho. Com o auxilio do Rotary Clube de São Gonçalo esse mesmo espaço contará com uma brinquedoteca e um ponto de leitura. Victoria e sua família ainda lutam para conseguir material para obra. Quem quiser saber como ajudar, basta entrar no site do projeto.

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A família Conceição e a história de uma Ferrovia https://simsaogoncalo.com.br/familia-conceicao-e-historia-de-uma-ferrovia/ https://simsaogoncalo.com.br/familia-conceicao-e-historia-de-uma-ferrovia/#comments Tue, 18 Feb 2014 02:54:20 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1716 A relação de amor entre o senhor Antenor da Conceição e a Estrada de Ferro Maricá (EFM) começou cedo. Com apenas 22 anos, foi trabalhar como conservador de via permanente, contou com orgulho e nostalgia para nossa reportagem – os olhos marejados de lágrimas – sobre os bons tempos na ferrovia. Antenor da Conceição nos […]

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A relação de amor entre o senhor Antenor da Conceição e a Estrada de Ferro Maricá (EFM) começou cedo. Com apenas 22 anos, foi trabalhar como conservador de via permanente, contou com orgulho e nostalgia para nossa reportagem – os olhos marejados de lágrimas – sobre os bons tempos na ferrovia.

Antenor da Conceição nos revela a história do menino que não tinha grandes aspirações de ser um médico ou engenheiro. Porém, seu maior sonho era de ser coveiro no funcionalismo público. A vida do jovem Antenor despontava em Saquarema, no ano de 1936, enquanto a da EFM já estava a pleno vapor: era responsável pelo transporte de grande quantidade de sal vindo da região dos lagos e, principalmente, da grande quantidade de laranja que fez do município de São Gonçalo um dos principais exportadores da fruta.

A rede ferroviária também foi responsável pelo crescimento do núcleo urbano de Maricá, pois era o mais eficiente meio de transporte. Como consequência, ruas surgiram em torno da estação, resultando no aparecimento de diversos estabelecimentos comerciais.

Eduardo Rodrigues de Figueiredo relata no Anuário Geográfico do Rio de Janeiro, de 1952, a dificuldade demográfica de Maricá: “Não há no Estado do Rio de Janeiro município que, devido ao seu sistema orográfico, esteja mais isolado do restante de seu território do que Maricá”. Financiada em 1888, principalmente por proprietários rurais como José Antônio Soares Ribeiro, o Barão de Inohan, sem nenhum ônus para os cofres públicos, o primeiro trecho da estrada foi iniciado ligando Alcântara a Rio do Ouro, passando por Sacramento e Santa Isabel.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

 

Antenor nos recebeu nessa mesma estação de Santa Isabel, sua residência, onde desde 1970 vive com sua esposa, Maria Inês, e seus 3 filhos: Regina, Ronildo e Raquel – todos criados graças ao seu salário de ferroviário. Mesmo acamado devido uma enfermidade, um sorriso jovial ainda enfeita seu rosto e – com a alegria do menino sonhador de Saquarema – nos contou sobre seu trabalho na estrada de ferro. Sempre preocupado em manter a história, preservando as características do lugar, quando questionado do motivo de sua luta para manter a arquitetura da época, explicou: “Esse lugar não é meu e devo mantê-lo. Estou aqui justamente para preservá-lo e  não acabarem com esse patrimônio que guarda muitas memórias de nosso Município”.

O destino sempre amarrou a história de Sr. Antenor à estrada de ferro Maricá. Mesmo noivo e nos preparativos de casamento, os olhos de Antenor cruzaram com os da menina Maria Inês, filha do feitor a quem era subordinado. Essa historia de amor perdura até hoje. Fomos testemunhas do carinho e atenção daquela menina, hoje uma senhora de fala mansa e passos calmos, mas uma guerreira para defender sua família.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

Quando indagado pela nossa reportagem sobre o que mais o marcou em sua carreira como ferroviário, o Sr. Antenor, sem falsa modéstia, diz que era sua agilidade no serviço. Por causa dessa qualidade, sempre era chamado para trabalhos de emergência. Contou que às vezes, três funcionários não davam conta do serviço e ele era chamado pelo encarregado para dar uma “forcinha”. Ao chegar, os outros funcionários desapareciam e ele desenrolava o serviço com a maior facilidade. Sr. Antenor era, como se diz popularmente, “pau pra toda obra”. Quando a linha enchia de capim alto, dificultando a visibilidade do maquinista, quase sempre resultando no atropelamento de gados pastando, ele era chamado pelo supervisor para capinar.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Sr. Antônio Conceição

 

Num momento da entrevista notamos uma tristeza no olhar do Sr. Antenor. Foi exatamente quando fala do fim da estrada de ferro pela justificativa de não dar lucro. Ele informa que, além de ter bastante volume de carga e passageiros, muitas pessoas precisavam do trem. O senhor Antenor lamenta o não aproveitamento de nenhum trem que circulava na linha. Todos foram enviados para a siderúrgica em Volta Redonda.

A toda hora vivemos a história. Algumas delas se entrelaçam no meio do caminho, como a da família do Sr. Antenor e a EFM. Preservar as memórias da história de São Gonçalo é valorizar nosso passado e compreender nosso presente para a construção de um futuro melhor.

A família Conceição e a história de uma Ferrovia – Sim São Gonçalo
Crédito: Sandro Marraschi

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Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! https://simsaogoncalo.com.br/esse-cristo-e-nosso-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/esse-cristo-e-nosso-sao-goncalo/#comments Thu, 06 Feb 2014 02:08:11 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1620 Era outubro de 1997. O povo brasileiro recebia o Papa João Paulo II, que nos visitava pela terceira vez para participar do 2º Encontro com as Famílias. Enquanto aos pés do Cristo Redentor o Papa abençoava o Rio de Janeiro, em São Gonçalo, um morador nascido e criado no Porto da Pedra fazia uma gentileza ao […]

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Era outubro de 1997. O povo brasileiro recebia o Papa João Paulo II, que nos visitava pela terceira vez para participar do 2º Encontro com as Famílias.

Enquanto aos pés do Cristo Redentor o Papa abençoava o Rio de Janeiro, em São Gonçalo, um morador nascido e criado no Porto da Pedra fazia uma gentileza ao casal José Alves de Azevedo e Elvira Santos de Azevedo, doando uma réplica, em proporções menores da imagem que, há exatos 10 anos, se tornaria uma das sete maravilhas do mundo moderno.

O casal muito católico, de não faltar uma missa, acordou que aquele presente não seria só deles, teria que ser compartilhado com toda a vizinhança. Com a morte do Padre Eugênio, da Igreja da Matriz de São Gonçalo, frequentada pelo casal, acharam que era uma forma de homenageá-lo.

Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! © Sim São Gonçalo 2014

O senhor José procurou os vizinhos, o dono da padaria, da marmoraria, do açougue, enfim, todos dispostos a ajudar na empreitada. O lugar foi escolhido: a esquina da Av. Joaquim de Oliveira com a Rua Governador Macedo Soares, bem perto da residência do casal. A imagem foi fixada em um pedestal de mármore com as inscrições “Homenagem ao Papa João Paulo II em Visita ao Brasil em 02-10-1997”. Na parte de cima e “In Memorian Padre Eugênio 02-10-1997” a baixo. Uma dupla homenagem, data da visita do Papa e homenagem ao padre. (O Município de São Gonçalo foi abalado com a morte do Cônego Eugênio Moreira, em 03 de junho de 1997, dias após a celebração de Corpus Christi com uma das mais belas manifestações de arte e religiosidade da Cidade, os tapetes de sal.)

O casal tentou junto à prefeitura que a imagem fosse iluminada a noite. Entretanto, por conta da burocracia, desistiram e resolveram eles mesmos levar luz ao Cristo, através de uma ‘foto-célula’ ligada à sua residência. Não seria por dificuldades burocráticas que o Cristo não seria aceso.

Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! © Sim São Gonçalo 2014

Para evitar que vândalos danificassem-no o casal cercou com grades de proteção.

A manhã do dia 5 de maio de 2005 tinha tudo para ser cheia de felicidade. José completava 74 primaveras, mas quis o destino que, naquele dia, o coração da sua companheira parasse de bater. Enquanto viva, Dona Elvira tinha uma paixão pelo Cristo indescritível. Promovia missas campais em frente à imagem e se orgulhava de ver a rua lotada de fieis.  Mensalmente, com ajuda do seu marido, limpavam cuidadosamente a imagem. Anualmente, a pintavam. Hoje, viúvo, o senhor José segue a risca a mesma rotina.

A imagem passou a ser ponto de referência. Ficou conhecida não só no bairro, mas até mesmo na cidade vizinha, Niterói. Basta falar: “Vamos nos encontrar em frente ao Cristo Redentor do Porto da Pedra”. Fica fácil para todo mundo.

Esse Cristo é nosso, São Gonçalo! © Sim São Gonçalo 2014

Com 82 anos de idade, a maior preocupação do senhor José é o que acontecerá com o Cristo do Porto da Pedra após a sua morte. Ao mesmo tempo em que se preocupa, tem esperança que sua família continue o legado cuidando da imagem. E espera que as futuras gerações de gonçalenses independente da religião enxerguem-no como um patrimônio da cidade e tenham orgulho de dizer: ESSE CRISTO É NOSSO, SÃO GONÇALO!

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Vila Operária Neves, Vila Lage, São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/vila-operaria-neves-vila-lage-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/vila-operaria-neves-vila-lage-sao-goncalo/#comments Tue, 04 Feb 2014 00:30:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1678 A Vila Operária Neves, atualmente chamada de Vila Lage, emprestando o nome ao bairro, foi construída por volta da segunda metade da década de 20 do século XX, pelo autodidata e empreendedor Henrique Lage para os funcionários e familiares da Companhia Nacional de Navegação Costeira S/A, em sintonia às novas leis trabalhistas e adequando-se ao […]

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A Vila Operária Neves, atualmente chamada de Vila Lage, emprestando o nome ao bairro, foi construída por volta da segunda metade da década de 20 do século XX, pelo autodidata e empreendedor Henrique Lage para os funcionários e familiares da Companhia Nacional de Navegação Costeira S/A, em sintonia às novas leis trabalhistas e adequando-se ao novo momento das relações entre as empresas e trabalhadores.

“Ressalta-se que a construção de vilas operárias é uma prática relativamente comum entre os grandes empresários desde fins do século XIX, normalmente contanto com incentivos governamentais e localizadas em terrenos das próprias empresas”. (RIBEIRO, 2007, p.169)

As edificações são realizadas na região de Neves, em São Gonçalo, próximo ao ramal ferroviário da Leopoldina e em terrenos adquiridos, em 1915, pela Lage Irmãos.

A Vila Operária/Vila Lage caracteriza-se por um conjunto de construções habitacionais que segue um padrão arquitetônico com grandes portas e janelas de madeira, além das suas varandas convidativas e telhados inconfundíveis. O conjunto residencial é composto por moradias pequenas de um pavimento com dois quartos e residências grandes, de dois pavimentos com cinco quartos, custando cada uma ao empresário respectivamente 20 contos de réis e 40 contos de réis, e alugadas aos trabalhadores por cem mil réis e 150 mil réis (RIBEIRO, 2007).

Vila Operária Neves, Vila Lage, São Gonçalo

As casas e o Clube Social Vila Lage (este fundado em 1942) permanecem de pé até hoje, embora se perceba descaracterizações devido a reformas em algumas casas, muito pela falta de informação e incentivo, pois não foram tombados por nenhuma esfera de poder público para que haja a preservação e manutenção desse patrimônio gonçalense.

O conjunto habitacional de Vila Lage é um vestígio no tempo e no espaço das transformações urbanas, econômicas e sociais do São Gonçalo do início do século XX. Precisa ser preservado!

 

Fontes:
Imagem 1- Vila Neves atual Vila Lage. São Gonçalo – RJ Fonte: Revista Cruz de Malta, ano I, n. 8, mai/jun 1937. Acervo da Biblioteca Nacional
Imagem 2 – Vila Proletária, Neves.. Daniel Ribeiro. Centenário da Independência do Brasil. Álbum do Estado do Rio de Janeiro.
Imagem 3 – Google Maps, GOOGLE, 2013.
 
Referências
Wikipedia: Vila Lage
RIBEIRO, Carlos Alberto Campello. HENRIQUE LAGE E A COMPANHIA NACIONAL DE NAVEGAÇÃO COSTEIRA: A HISTÓRIA DA EMPRESA E SUA INSERÇÃO SOCIAL (1891-1942), UFRJ, 2007.

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Morando em São Gonçalo você sabe como é https://simsaogoncalo.com.br/morando-em-sao-goncalo-voce-sabe-como-e/ https://simsaogoncalo.com.br/morando-em-sao-goncalo-voce-sabe-como-e/#respond Mon, 27 Jan 2014 13:58:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1655 O início do SIM São Gonçalo Em 2012, a agência de propaganda DM9 aportou no Rio. Para se lançar, traduziu e aplicou uma campanha que já acontecia em outros lugares do mundo: “Sim, eu sou.” Uma sentença afirmativa e poderosa pela sua simplicidade. No caso, as frases eram sobre o estilo de vida “carioca zona sul”. […]

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O início do SIM São Gonçalo

Em 2012, a agência de propaganda DM9 aportou no Rio. Para se lançar, traduziu e aplicou uma campanha que já acontecia em outros lugares do mundo: “Sim, eu sou.” Uma sentença afirmativa e poderosa pela sua simplicidade. No caso, as frases eram sobre o estilo de vida “carioca zona sul”. Traduzida para “Sim, eu sou carioca”, a campanha estourou no Facebook. Dias depois, uma usuária lançou o “Sim, eu sou niteroiense”, que também impactou os moradores da ex-capital fluminense. Olhando as duas páginas, não foi muito difícil chegar à conclusão óbvia: e por que não, São Gonçalo?

Se você mora na cidade do Rio, sabe que nos últimos anos ficou muito mais fácil ser (ou dizer que é) carioca. As olimpíadas deram um gás nesse sentimento que vinha perecendo desde a inauguração de Brasília. Niterói também não ficou para trás. Depois do bom trabalho de marketing dos últimos governos, somado à sua inserção nas 10 cidades com melhor IDH do Brasil, teve reascendido seu orgulho, ferido desde 1975, com a transferência da capital fluminense para a cidade do Rio.

Já falei sobre o tal “Cinturão Fluminense” num outro post. Um “Rio paralelo” que existe dentro do estado, mas sem aquele status que gera algum tipo de orgulho. Tirando o bordão “Uhul, Nova Iguaçu”, popularizado pela participante Fani no longínquo Big Brother 2007, qual o outro momento que você viu alguma cidade da região metropolitana festejada dessa forma? Talvez nunca. Salvo na boca de um ou outro político.

Quando pensei em fazer a página, já imaginava todas as piadas prontas. Conheço meu povo. Muitas com razão. Sempre achei a palavra “gonçalense” sonoramente estranha. Coisa minha? Sei lá. No passado, por conta da qualidade dos hospitais, muita gente, como eu, nasceu em Niterói. Fato que não ajuda na hora de falar “sou gonçalense”. A música do Seu Jorge popularizou o apelido “São Gonça”, apesar de não ser comum falar assim na cidade. Com tantos vieses, a frase da campanha foi “Sim, eu sou de São Gonçalo”. Deu certo. Em uma semana, alguns mil já participavam da página.

De lá pra cá, o SIM foi, parou, serviu de inspiração para outras páginas, voltou e aos poucos encontrou a sua real função. Hoje, a página tornou-se um bom caminho para os estudos do que se pode chamar de “marketing de cidade”, realçando o laço entre cidade e cidadão. Com a ajuda da população, já fizemos pesquisas de comportamento; construímos o Alagamaps, um mapa com os alagamentos georreferenciados; fizemos ações de valorização dos bairros, com marcas conhecidas trocadas pelos nomes dos bairros; informativos sobre o que acontece no território; e um Instagram, com os melhores filtros e ângulos que deixam a cidade com outro olhar. Tudo isso de forma colaborativa, como todos os livrinhos de marketing sempre dizem que dá certo. Por fim, no último mês de 2013,  lançamos o site simsaogoncalo.com.br, que pretende ser um meio de propor soluções para a cidade. E quantos reais custou? Quase nada, comparado à motivação e disposição empregada.

Sem cartões postais, nem pontos turísticos, ficou claro que o importante na 16ª maior cidade do Brasil é aquilo que ela tem pra mais de 1 milhão: gente. E nesses dois anos, foi essa gente que me ajudou a descobrir a real vocação da cidade: o entretenimento, fruto da alegria das pessoas. Curiosamente, diante de tantas dificuldades, é a mesma alegria que permeia as favelas, a baixada, entre outros vários pontos desse território cortado pelo Paraíba do Sul. O objetivo é transformar o “Sim São Gonçalo” num piloto que resgate a boa vontade e a participação do cidadão nas cidades fluminenses e, porquê não, nos “bairros-cidade” como Campo Grande, Méier, Santa Cruz e Santíssimo. Afinal, o cliente precisa estar satisfeito até mesmo quando o pagamento é compulsório, como são os impostos.

Não tenho um sentimento de pertencimento forte nem por Niterói, minha teórica cidade natal, nem por São Gonçalo, minha morada, e nem pelo Rio, ambiente de estudos e trabalho. Na verdade, tenho aversão ao bairrismo. Meu coração bate mesmo é pelo estado do Rio de Janeiro, pois sei que as cidades são completamente dependentes entre si.

Contrariando as aspas da matéria, minha intenção está longe de atrair turistas. Entretanto, deixar a cidade atraente é especialidade da casa. Se esse processo vai dar certo ou não, eu não sei. Só sei que a cada ano tem mais gente com um celular na mão. E assim está ficando cada vez mais difícil contar historinha feliz em cima do palanque.

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Degenildo, o herói que não morreu de overdose https://simsaogoncalo.com.br/degenildo-o-heroi-que-nao-morreu-de-overdose/ Sat, 25 Jan 2014 03:30:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1634 No bairro do Boaçu (cobra grande, na língua tupi), há uma rua chamada Judith Bahiense. Seus moradores não sabem, mas essa rua faz parte da História do Brasil dos tempos atuais. Nessa rua, viveu, e morreu, em 1998, aos 76 anos, Degenildo da Silva Pinto, mestre Arrais, segundo condutor e motorista, cuja função era transportar […]

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No bairro do Boaçu (cobra grande, na língua tupi), há uma rua chamada Judith Bahiense. Seus moradores não sabem, mas essa rua faz parte da História do Brasil dos tempos atuais. Nessa rua, viveu, e morreu, em 1998, aos 76 anos, Degenildo da Silva Pinto, mestre Arrais, segundo condutor e motorista, cuja função era transportar trabalhadores para os estaleiros e receber os navios.

Degenildo, na verdade, foi muito mais do que isso. Militante comunista, lutou ao lado de Luiz Carlos Prestes, O Cavaleiro da Esperança. Brasileiro comum, morador do Boaçu, foi perseguido, preso e torturado por lutar contra a miséria, a exploração do trabalhador e as desigualdades sociais. Pai dedicado, amoroso (segundo sua filha, Lourdes) e revolucionário apaixonado, dedicou seu bem mais valioso, a vida, em busca de melhor qualidade de vida para o seu povo.

Certa vez, ainda segundo Lourdes, houve um acidente em uma lancha e alguns operários perderam a vida. Degenildo não estava lá, mas o seu nome foi incluído na lista dos mortos. Seu destino havia sido selado. Foi salvo por companheiros que imediatamente o levaram ao local da tragédia. Ele participou do trabalho de socorro às vítimas, foi visto por fotógrafos e jornalistas, o que acabou salvando a sua vida.

 

Degenildo, o herói que não morreu de overdose

Maria de Lourdes da S.P. Duque Estrada (98008-2987), em sua obra “Tributo a um Revolucionário”, documenta, em um relato emocionante, a despedida entre pai e filha: “…e nos seus últimos minutos de vida, ajoelhei-me em sua cabeceira, coloquei minha mão esquerda em seu peito, bem em cima do seu coração, senti que estava bem fraquinho; eram 4h18min quando disse: ‘Pai, podem matar uma ou duas rosas, mas nunca poderão impedir a chegada de uma nova primavera.’ Neste exato momento, às 4h19min, uma lágrima saiu de seus olhos e com minha mão sobre seu peito, senti seu coração parar”.

Degenildo da Silva Pinto foi anistiado pela União e pelo Estado em 2008.

Terça-feira, 03 de Dezembro de 2013, a Câmara Municipal de São Gonçalo aprovou a criação da Comissão da Verdade, cujo objetivo é pesquisar e contar a verdadeira história dos perseguidos políticos de nossa cidade. Eu estava lá. Eu vi.

 

Degenildo

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As duas mortes de Francisco https://simsaogoncalo.com.br/as-duas-mortes-de-francisco-chico-mendes/ https://simsaogoncalo.com.br/as-duas-mortes-de-francisco-chico-mendes/#comments Mon, 23 Dec 2013 17:34:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1585 Posso dizer com todas as consoantes e vogais que sou realmente um cara azarado. Não bastava me tirarem a vida uma semana após completar 44 anos, na minha querida cidade do Acre. Tempos depois de sepultado, fui novamente morto, lá no estado do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada São Gonçalo. Para que o […]

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Posso dizer com todas as consoantes e vogais que sou realmente um cara azarado. Não bastava me tirarem a vida uma semana após completar 44 anos, na minha querida cidade do Acre. Tempos depois de sepultado, fui novamente morto, lá no estado do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada São Gonçalo.

Para que o leitor me conheça melhor, vou contar um pouco da minha vida.

Meu nome de batismo é Francisco Alves Mendes Filho. Mas pode me chamar de Chico. Fui íntimo para milhares de pessoas, porque não ser íntimo para você, amigo leitor.

Nasci no Acre. Brasileiro e me orgulho disso. Afinal, como diz o dito popular, não desisto nunca e sempre foi assim até a hora da minha morte. Poderia ter nascido boliviano, já que até o século XX o Acre pertencia à Bolívia. Graças à luta dos migrantes nordestinos brasileiros, grande maioria cearense, incluindo com muito orgulho meus pais que chegaram para tentar a vida como seringueiros, esse pedacinho de terra passou ao Brasil através do Tratado de Petrópolis, intermediado pelo então ministro do exterior, o Barão do Rio Branco. Afirmou-se ali que, por 2 milhões de libras esterlinas, parte do território do Mato Grosso e o Acre ficariam de vez com o Brasil. Mas como o assunto não é a minha cidade natal e sim a minha vida, vou continuar a história sobre como acabei morto por duas vezes.

Minha vida não foi fácil. Quando criança, me embrenhava na mata para acompanhar meu pai. Ele era um grande homem e um excelente profissional. Com a dedicação de um professor, me passava cada detalhe sobre o oficio de seringueiro. Olhava para ele com muita ternura e não saia da minha cabeça que quando crescesse seria igualzinho a ele.

Chico Mendes

Não tive oportunidade de me alfabetizar como uma criança normal de seis ou sete anos. Não tínhamos escolas e os donos de terras não tinham o menor interesse de criá-las, pois quanto menos estudo, mais dependentes ficávamos. Com isso, só aprendi mesmo a ler quando completei os meus 20 anos. Essa conquista só foi possível com a ajuda de um grande amigo, Euclides Távola, que não só me ensinou a ler e a escrever, como despertou o meu interesse pelo destino do planeta e da humanidade. Um militante comunista que participou ativamente no levante comunista de 1935, em Fortaleza, e ainda na Revolução de 1952, na Bolívia. Nunca mais o veria em vida, desde o golpe militar de 1964, mas aquele homem mudou a concepção da minha vida e a educação passou a ser minha obsessão. Queria que todos os companheiros de trabalho aprendessem a ler e a escrever para não serem roubados nas contas do patrão. Cem homens sem instrução fazem uma rebelião. Um homem instruído é o começo de um movimento.

Minha liderança aflorou mesmo aos meus 31 anos de idade quando cheguei a secretário dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, presidido por Wilson Pinheiro, grande responsável pela minha veia ativista. Comecei a participar intensamente das lutas dos meus companheiros seringueiros para impedir o desmatamento da Amazônia. A união sempre fez a força e cada companheiro contribuía fielmente na causa. Éramos uma só família que de mãos dadas impedíamos as máquinas de destruir nossa floresta. Homens, mulheres, crianças e até vovozinhos davam suas vidas pela floresta. Chamávamos de “EMPATES”. A floresta sempre foi a nossa sobrevivência e de lá ganhamos o pão nosso de cada dia.

Em 1985, o nosso movimento, definitivamente, criava corpo. Fizemos o primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros. Criamos o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e uma proposta que garantia defender os interesses e direitos dos habitantes da floresta por meio da criação de reservas extrativistas. A “União do Povo da Floresta” viria para ajudar não só a nós seringueiros, mas indígenas, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeira de coco babaçu e a população ribeirinha.

Nossa causa chamou a atenção do mundo e membros da ONU nos deram o prazer da visita em nossa Xapuri. Puderam acompanhar de perto a devastação da floresta e a expulsão dos nossos companheiros por projetos financiados por bancos internacionais. Essa visita me encheu ainda mais de coragem e procurei o senado norte-americano para afirmar a denúncia. O financiamento desses projetos foi interrompido e ganhamos essa batalha. Essa coragem me proporcionou vários prêmios internacionais, mas acreditem leitores, no Brasil fui acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar o progresso. 

Vê se pode! Eu não lutava contra o progresso. Precisamos de empregos e desenvolvimento, mas de um jeito que não nos mantenha pobres. Passar por cima da nossa gente nunca, nem morto!

Por falar em morto, chego ao momento do texto onde tenho que falar sobre como me tiraram a vida. Tenho certeza que essa morte doeu mais no mundo do que em mim mesmo. O leitor nunca teve essa experiência com a morte, não é? Claro, pois se tivesse não estaria passeando por esse texto. Vou te falar meu amigo, é como se fosse alguém desligando um interruptor. De repente, tudo se apaga.

Já tinha recebido ameaças de morte outras vezes, mas elas aumentaram quando batemos de frente com o fazendeiro Darly Alves da Silva, que decidiu desmatar o seringal Cachoeira. O seringal já tinha sido desapropriado para a criação de uma reserva extrativista. Sem pensar duas vezes, liderei meu povo e fizemos o “empate” no terreno. Denunciei que estava sendo ameaçado por Darly e um mandato de prisão chegou a ser emitido. Mas o malandro fugiu antes do mandato chegar. Dias depois, quando saia de casa para tomar meu banho, fui surpreendido na porta dos fundos da minha casa com um tiro de escopeta no peito. E aí, veio a escuridão.

Minha morte fortaleceu não só a nossa luta pela floresta amazônica, mas meu nome virou sinônimo de proteção ao meio ambiente e biodiversidade. Eu renasci em várias formas de homenagem. Renasci em forma de institutos, praças, avenidas, escolas e muitas outras pelo mundo.

Fiquei muito feliz com cada homenagem, mas uma em especial mexeu comigo. Aconteceu lá no Rio de Janeiro, para ser mais preciso, na cidade de São Gonçalo, em outubro de 1992. Momento que o mundo dava mais um passo rumo à consciência ecológica. Coincidência ou não, ano da ECO92.

Nascia uma praça, a Praça Chico Mendes. Nenhuma família precisou ser desapropriada, o espaço utilizado era justamente o espaço onde passavam os trilhos de ligação para Estação Raul Veiga, da saudosa Estrada de Ferro Maricá. Importante para economia da cidade e até do Brasil. Nela passava uma grande parte das laranjas que eram exportadas para os gringos.

Voltando à praça, foi toda arborizada, tornando o lugar bem arejado para as famílias que frequentavam, aproveitando aquele espaço o verde da cidade. Possuía uma quadra onde os adolescentes podiam praticar seus esportes favoritos. Como era bom apreciar aqui de cima a galera do basquete treinando os arremessos. Bem cedinho, os vovôs e as vovós utilizavam a quadra para se exercitar ao som de música ritmada, sobre a orientação de uma linda e sarada personal. Desculpe-me leitor, morri, mas o instinto de homem falou mais alto. Era de ficar de queixo caído admirando as manobras radicais da galera do skate na única pista da cidade. 

As duas mortes de Chico Mendes

Praça Chico Mendes, a "praça da Bíblia" pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert
Praça Chico Mendes, a “praça da Bíblia” pelos governos anteriores. Foto: Alex Wolbert

A praça era frequentada por várias tribos diferentes em perfeita harmonia. Ela durou exatos 20 anos, quando o povo de São Gonçalo elegeu uma prefeita que cismou com a coitada da praça. Queria porque queria que o nome fosse substituído para Praça da Bíblia. Eu não fiquei chateado com o nome, afinal ser substituído pelo livro sagrado é uma honra pra mim, mas aquela senhora de cabelos vermelhos, tipo o do Curupira, foi além.

A quadra e a pista de skate sumiram definitivamente. Em seus lugares, foram colocadas estruturas metálicas formando alguma coisa que sinceramente não sei explicar. Bom, vou tentar narrar aos olhos do arquiteto que criou essa maravilha da arte contemporânea. Se Niemeyer desse uma voltinha em São Gonçalo e visse essa obra rasgaria o diploma de tanta raiva. “Ao adentrar nos portões da suntuosa Praça da Bíblia, os senhores avistarão um chafariz lindíssimo que representa a água da vida. Andando mais um pouco, os senhores passarão por uma estrutura metálica com painéis que representam o velho testamento. No final, olhando para cima, uma grande cúpula representa o útero que dá a vida. E, finalmente, os portões representam a saída do mundo ocidental.”

As duas mortes de Chico Mendes

Água da vida, útero, portões para saída do mundo ocidental? Viajou! Isso lá no Acre tem nome: maconha, muita maconha!!! A realidade de quem vê é uma praça triste, com um chafariz que não tem água, uma estrutura metálica que já se encontra enferrujada e painéis que não existem mais, pois voaram como pipas. Os portões nunca foram abertos desde a sua inauguração em dezembro do ano passado. E tudo isso com uma verba de 2 milhões de reais. Com dois milhões de reais eu compraria o Acre todinho para mim.

As duas mortes de Chico Mendes

E esse foi um pedacinho da minha história. Tenho certeza que muitas homenagens terei pela frente. No coração de cada gonçalense, estarei presente para sempre.

Aqui jaz Chico Mendes. Ex-seringueiro e ex- praça.

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O fantasma do padre da capela https://simsaogoncalo.com.br/o-fantasma-padre-da-capela-fazenda-colubande/ https://simsaogoncalo.com.br/o-fantasma-padre-da-capela-fazenda-colubande/#comments Sun, 15 Dec 2013 18:45:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1519 Levantei cedo, peguei o jornal e meus olhos se encheram de lágrimas com a notícia: as luzes da Fazenda Colubandê se acenderiam às 19 horas. OBA!!! Tirei da gaveta a minha melhor camisa. Fiz a barba como se me preparasse para um evento de gala. E é mesmo um evento de gala. Para mim, a […]

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Levantei cedo, peguei o jornal e meus olhos se encheram de lágrimas com a notícia: as luzes da Fazenda Colubandê se acenderiam às 19 horas.

OBA!!! Tirei da gaveta a minha melhor camisa. Fiz a barba como se me preparasse para um evento de gala. E é mesmo um evento de gala. Para mim, a valorização da história e do nosso patrimônio é mais importante do que qualquer outro evento, desses onde mulheres desfilam com seus saltos altíssimos e seus vestidos de brilho, que ofuscam os olhos de quem vê, e homens passeiam pelo salão com seus ternos de puro linho, como se tivessem o rei na barriga.

Enfim, eu estava lá com a minha família na hora marcada. Marcada não, cheguei meia hora mais cedo para não perder nenhum detalhe do acionamento dos disjuntores até a iluminação por completo.

A hora foi passando e cada vez mais a comunidade do entorno da fazenda chegava. Eram famílias inteiras. Com ouvido atento, me alegrava com cada história contada sobre a beleza e o que a fazenda representava para cada um ali.

Deu meia hora, uma hora e nada do brilho saltar os olhos. Até que ouço de um e de outro que, por determinação da prefeitura, as luzes não iriam se acender. Ué, mas estava no jornal! Será que é pegadinha do malandro gonçalense?

Já estava xingando todas as gerações do prefeito, quando mais que de repente as luzes da capela se acendem! No instinto, olhei para minha filha ,que tinha no rosto um sorriso e o verde do brilho das luzes. Ela olhou pra mim como se dissesse “agora vai”.

Não demorou 5 minutos e as luzes de LED se acenderam, moldando cada detalhe do casarão e da capela.

As famílias se abraçaram, aplaudiram e curtiram de vez a beleza do lugar. Não existe nenhum outro espaço mais bonito que a nossa fazenda iluminada com as cores do natal. Nem mesmo a árvore da Lagoa tem o mesmo charme que a nossa Fazenda Colubandê. Os flashes se misturavam com as luzes da fazenda, numa sintonia perfeita.

Como tudo que é bom dura pouco, entra um sujeito desesperado gritando:

– Quem foi que acendeu as luzes da fazenda?

– Eu vi que foi um cara de branco! – Gritou uma menina.

– Cara de branco? – Bom o Saci esta fora de cogitação. Seria o fantasma do padre da capela?

Bom, gostaria de agradecer ao fantasma do padre da capela ou quem quer que tenha feito esse gesto maravilhoso de ligar as luzes da fazenda, fazendo a felicidade de dezenas de famílias que ali se acomodaram para ver esse fantástico show de luzes.

 

Fazenda Colubandê

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Que Horas são, São Gonçalo? https://simsaogoncalo.com.br/que-horas-sao-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/que-horas-sao-sao-goncalo/#comments Thu, 12 Dec 2013 17:24:38 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=1505 Um dia, um homem chamado Albert Einstein falou para o mundo que o tempo é relativo. E é mesmo! Dependendo da agitação do dia, notamos bem essa confirmação e a surpresa quase sempre vem com uma frase de espanto – “Hoje tempo voou!” ou “Essa hora não passa!”. Seguindo esse raciocínio, podemos dizer que o […]

O post Que Horas são, São Gonçalo? apareceu primeiro em Sim São Gonçalo.

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Um dia, um homem chamado Albert Einstein falou para o mundo que o tempo é relativo. E é mesmo! Dependendo da agitação do dia, notamos bem essa confirmação e a surpresa quase sempre vem com uma frase de espanto – “Hoje tempo voou!” ou “Essa hora não passa!”.

Seguindo esse raciocínio, podemos dizer que o tempo para os nossos antepassados passava lentamente. Comparando a nossa correria dos dias de hoje, onde corremos, corremos para na maioria das vezes não chegar a lugar nenhum. Quer felicidade maior do que pegar um bonde em Niterói e ver o tempo passar, apreciando a paisagem até a quadragésima parada? Só mesmo em uma época com tamanha calmaria, para que uma simples contagem das paradas do bonde viessem a dar o nome ao bairro Parada 40. Inimaginável, para uma época onde fazemos tudo ao mesmo tempo. Assobiar e chupar cana é questão de sobrevivência nos dias de hoje, exigindo das pessoas que façam mais e melhor em menos.

É no bairro Parada 40 que encontramos na Praça Ayrton Senna, um monumento que não existe em nenhum lugar do mundo. Um privilégio de gonçalense que a maioria não conhece. Por conta do famigerado corre-corre, não há tempo para apreciar, nem mesmo por cinco minutinhos.

Que horas são, São Gonçalo?

O Relógio de Sol da Parada 40

Inaugurado em 30 de setembro de 1990, o monumento foi construído pelo escritor e artista plástico Décio Machado, com seus próprios recursos, em homenagem ao centenário da emancipação política e administrativa do município. É o único relógio de sol vertical com duas faces do mundo.

Que horas são, São Gonçalo?

O relógio de sol foi uma das primeiras descobertas humanas, datando de 5.000 anos a.C pelos chineses. O relógio goncalense, com as suas duas faces, representam a cultura chinesa e Grécia antiga, e a outra a cultura Egípcia.

Por conta de depredação de uma minoria que não valoriza o patrimônio da cidade, foi preciso a restauração em dezembro de 2010, com reinauguração do monumento.

Que horas são, São Gonçalo?

Então, meu amigo, independente do seu dia, sendo ele uma correria ou uma calmaria, tire um tempinho para valorizar a história e o patrimônio da sua cidade. Com paixão e respeito, faremos uma São Gonçalo melhor para todos.

A HORA É ESSA !!!

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