Mário Lima Jr. https://simsaogoncalo.com.br/author/mariolima/ A revista da 16ª maior cidade do Brasil – São Gonçalo, Rio de Janeiro Fri, 08 Dec 2023 23:16:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://simsaogoncalo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/cropped-sim-sao-goncalo-900-32x32.jpg Mário Lima Jr. https://simsaogoncalo.com.br/author/mariolima/ 32 32 147981209 Nem a morte livra o gonçalense do sofrimento https://simsaogoncalo.com.br/nem-a-morte-livra-o-goncalense-do-sofrimento/ https://simsaogoncalo.com.br/nem-a-morte-livra-o-goncalense-do-sofrimento/#respond Wed, 27 Jun 2018 10:20:29 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6672 O morador da cidade de São Gonçalo, em geral, leva uma vida difícil. As condições da maternidade pública são as mesmas de qualquer unidade de saúde pública brasileira, ruins. Quase não existe incentivo à educação durante a infância e a adolescência. A juventude é vivida sem propósito nas ruas, ameaçada pelo crime e pelas drogas. E […]

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O morador da cidade de São Gonçalo, em geral, leva uma vida difícil. As condições da maternidade pública são as mesmas de qualquer unidade de saúde pública brasileira, ruins. Quase não existe incentivo à educação durante a infância e a adolescência. A juventude é vivida sem propósito nas ruas, ameaçada pelo crime e pelas drogas. E o restante da vida é marcado por instabilidade profissional e dificuldades financeiras.

Quando a morte chega, o sofrimento continua, não há descanso. O gonçalense leva até 5 dias pra ser enterrado em um cemitério abandonado, tomado pelo mato e pelo lixo, em covas tão rasas que frequentemente os restos mortais de outras pessoas estão expostos ao lado. Caso queira condições fúnebres melhores, a família do falecido, tão pobre quanto ele, precisa gastar suas economias pagando propina.

De acordo com a denúncia de uma ex-funcionária da Prefeitura que coordenava os cemitérios municipais e inúmeros relatos nas redes sociais, denúncia que motivou uma audiência pública na Câmara Municipal, quanto maior o desespero e a urgência para enterrar um parente ou amigo, mais caro será o suborno pago à funerária, ou a algum intermediário do Governo Nanci, e depois repassado à Prefeitura. A propina para agilizar um enterro ficaria entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. Algo cruel até para os padrões de corrupção e criminalidade de São Gonçalo, cidade onde a Justiça e a liberdade de imprensa já sofreram ataques de bandidos.

Requerida pelo vereador Sandro Almeida, a audiência pública resultou em tentativa de abertura de CPI que só não foi possível porque os vereadores Professor Galo (PPS), Natan (PSB) e Cacau (PRTB) assinaram o documento de abertura e depois retiraram suas assinaturas (Jornal Extra).

Vereadores indecisos a respeito da função para a qual foram eleitos fazem parte da origem do sofrimento gonçalense. Diante de uma denúncia grave levada à Câmara e à imprensa, e da situação calamitosa vista nos cemitérios, nada mais racional do que instaurar uma comissão parlamentar para investigar o caso. Só 9 vereadores, de um total de 27, pensam assim.

Oficialmente a Prefeitura disse que a gestão dos quatro cemitérios municipais, São Miguel, São Gonçalo, Pacheco e Ipiíba, está se recuperando de problemas herdados dos governos anteriores, não há desvio de dinheiro e as contas do setor estão no azul. A posição da Prefeitura não encontra amparo na realidade. Há relatos de desaparecimento de ossadas. Equipes de reportagem filmaram restos mortais dentro de sacolas plásticas de supermercado, sem identificação. Após a morte, pra completar seu sofrimento, o passado do gonçalense é apagado e ele deixa de existir.

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Razões para acreditar em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/razoes-para-acreditar-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/razoes-para-acreditar-em-sao-goncalo/#respond Fri, 15 Jun 2018 10:59:42 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6653 Problemas graves afetam o município de São Gonçalo. A pobreza é o maior deles. O percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até meio salário mínimo é de 34,5% (IBGE). Há tantas outras deficiências que gonçalenses decepcionados e revoltados gritam nas redes sociais que sua cidade está condenada ao fracasso. Contestando a […]

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Problemas graves afetam o município de São Gonçalo. A pobreza é o maior deles. O percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até meio salário mínimo é de 34,5% (IBGE). Há tantas outras deficiências que gonçalenses decepcionados e revoltados gritam nas redes sociais que sua cidade está condenada ao fracasso. Contestando a realidade e criando soluções, mesmo pequenas, essas pessoas são a primeira razão para acreditar em São Gonçalo com dias melhores.

A revolta e a decepção são sentimentos de transformação universais. Além disso, qualquer cidade é complexa demais pra ser considerada eternamente fracassada. A vida não para. Se a indiferença desanima parte da segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro, boa parcela se esforça diariamente para realizar seus sonhos no município, como professores, artistas e empreendedores.

Para acreditar em São Gonçalo, precisamos conversar com as pessoas na rua, abandonar o próprio mundo, conhecer a coragem daqueles que dedicam a vida ao crescimento municipal. O exemplo deles é inspirador.

Eu resolvi pedalar do Vila Três até o Centro da cidade. Puxei assunto com um jornaleiro e ele me disse que São Gonçalo é boa. E que pra melhorar basta colocar fiscalização séria nas ruas contra a desordem urbana e criar turmas de varrição noturna. Uma menina de 12 anos do Vila Três está chateada com a sujeira que vê na Rua da Feira, no caminho para a escola. A solução que ela propôs também é simples: a Prefeitura cuidar da cidade. Meu último entrevistado foi um menino de 7 anos de idade. Ele disse que a cidade não é boa porque é ruim, e que não tem como melhorar porque ela é horrorosa. Muitos gonçalenses adultos são tão limitados quanto ele quando refletem sobre a própria cidade.

Do Centro fui à Praça do Rodo, ali do lado. Curiosamente ela estava sendo preparada para um evento de empreendedorismo numa parceria da Prefeitura com o SEBRAE. Iniciativa ótima para uma cidade que empreende em qualquer canto, calçada e buraco. Negócios criados por pequenos empreendedores são os principais geradores de emprego no mundo inteiro.

Em momentos de crise social, como essa que São Gonçalo atravessa, os jovens renovam as esperanças do bairro, da cidade e do país. São Gonçalo tem juventude politicamente ativa. Conta com oferta de educação gratuita, danças, lutas, cooperativas de reciclagem e dezenas de iniciativas que não faço ideia. Para cada problema, um projeto em funcionamento para combatê-lo.

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Como não jogar lixo no chão https://simsaogoncalo.com.br/como-nao-jogar-lixo-no-chao/ https://simsaogoncalo.com.br/como-nao-jogar-lixo-no-chao/#respond Sat, 09 Jun 2018 12:06:43 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6646 O governo Nanci é o maior culpado pela sujeira em São Gonçalo. As lixeiras, quando existem, transbordam. A coleta é irregular e mal planejada, o que leva comunidades inteiras a jogar sacolas de lixo, todos os dias, na esquina mais próxima. O prefeito ignora as empresas que poluem o município livremente, também não multa os gonçalenses […]

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O governo Nanci é o maior culpado pela sujeira em São Gonçalo. As lixeiras, quando existem, transbordam. A coleta é irregular e mal planejada, o que leva comunidades inteiras a jogar sacolas de lixo, todos os dias, na esquina mais próxima. O prefeito ignora as empresas que poluem o município livremente, também não multa os gonçalenses sujões. Cada um de nós, entretanto, pode ajudar a manter a limpeza não jogando lixo no chão.

Onde o morador da Favela da Central, no Raul Veiga, vai deixar seu lixo já que o caminhão da coleta não entra na favela? E o morador das ladeiras estreitas, onde nem carro de passeio consegue passar? Nanci deveria sair do Gabinete, no número 100 da rua Feliciano Sodré, entrar na favela, subir as ladeiras e combinar com cada morador o dia e a hora da coleta. O cidadão entregaria seu lixo diretamente ao caminhão ou deixaria seu lixo no coletor mais próximo da sua casa. Sem regularidade no serviço, sem disciplina e vontade pública, e sem coletor nem caçamba de lixo, não vai dar.

Agora vem a nossa parte. Se você terminou de fumar um cigarro, procure uma lixeira e jogue a guimba nela. Se a lixeira estiver cheia demais, algo comum em São Gonçalo, enrole a guimba em um pedaço de papel e guarde no bolso.

Saia de casa com uma sacola plástica dobrada dentro do bolso. Se comer um salgado e não encontrar nenhuma lixeira, não jogue o guardanapo no chão, nem o copo de GuaraCrac. Tire a sacola do bolso, guarde seu lixo nela e leve para casa para entregar ao caminhão da coleta. Vale para qualquer produto que consumir.

Muitos jogam lixo no chão porque “todo mundo joga”. Não é a resposta certa. Você joga lixo no chão porque é preguiçoso. Se todo mundo resolver tomar um banho no imundo Rio Alcântara, na altura da Rua da Feira, você vai tomar também? Não vai porque age com responsabilidade em relação à própria saúde. O lixo é seu, de mais ninguém, e também exige que você seja responsável com ele. Na verdade, cada cidadão do mundo atual deve se preocupar com muito mais do que não jogar lixo no chão. É preciso gerar menos lixo e reciclar o máximo que pudermos.

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Os bairros gonçalenses têm cor https://simsaogoncalo.com.br/os-bairros-goncalenses-tem-cor/ https://simsaogoncalo.com.br/os-bairros-goncalenses-tem-cor/#comments Sat, 12 May 2018 11:56:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6568 Não é preciso se esforçar pra perceber. Os 91 bairros oficiais de São Gonçalo podem ser agrupados em três cores que refletem a história e as características de cada um. No Arsenal, Laranjal, Coelho e Raul Veiga, uma cor predomina nos muros das casas e dos estabelecimentos comerciais, nas ruas, asfaltadas ou não, nos postes […]

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Não é preciso se esforçar pra perceber. Os 91 bairros oficiais de São Gonçalo podem ser agrupados em três cores que refletem a história e as características de cada um.

No Arsenal, Laranjal, Coelho e Raul Veiga, uma cor predomina nos muros das casas e dos estabelecimentos comerciais, nas ruas, asfaltadas ou não, nos postes de luz e nas árvores. As árvores perdem o verde e assumem a cor bege, amarelada, a cor da areia do mar. São bairros sem varrição da Prefeitura e de infraestrutura muito atrasada. Quando venta, a areia voa da sarjeta e arranha os olhos.

Acontece diferente nos bairros gonçalenses antigos, com maior oferta de serviços, asfalto e água encanada. São Gonçalo é cinza no Porto Velho, Neves, Centro e Gradim. Cinza da poluição do escapamento dos veículos. Das fachadas comerciais do início do século 20 há décadas sem pintar. Cinza das pichações nos muros, do tédio e da angústia de uma cidade onde poucos aproveitam sua oferta cultural.

A cor verde vence a areia do descaso e o cinza da sujeira em raríssimos bairros como Santa Isabel e Monjolos. Bairros com fazendas, sítios, plantações e gado, uma zona rural convidativa e agradável pra caminhar. Parece que saímos de São Gonçalo quando estamos dentro deles. O ar refresca as narinas, os pulmões e a alma. Dá vontade de deitar na grama e dormir.

Cada regra conta com suas exceções e para a minha teoria não seria diferente. Em cada bairro gonçalense o lixo nas ruas salpica um colorido além das três cores básicas, mas nada se compara com Alcântara. As lixeiras transbordando, os sacos plásticos, os copos e as embalagens espalhados no chão conseguem superar o cinza do bairro e deixá-lo multicolorido. Talvez até alegre. O Rocha fica entre o bege, o verde e o cinza. É um bairro em desenvolvimento. Camarão e Parada 40 são alguns bairros em que vejo certo equilíbrio de cores.

Prefiro os bairros verdes. Quem não abre mão de um centro comercial perto de casa prefere os cinzas. Os bairros beges estão sofrendo mais do que qualquer outro com o domínio das milícias e do tráfico de drogas, como o Jardim Catarina. Prefiro os bairros verdes, mas sem dispensar comércio, serviços, infraestrutura e segurança, combinação possível em São Gonçalo e em qualquer parte do mundo.

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Aquilo que mais amo em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/aquilo-que-mais-amo-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/aquilo-que-mais-amo-em-sao-goncalo/#respond Sun, 22 Apr 2018 09:47:22 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6465 São Gonçalo é esse cachorro vadio e sarnento que todo mundo chuta e expulsa da porta de casa, da calçada e da frente das lojas. São Gonçalo se levanta, de cabeça baixa, e busca abrigo em outro canto. No frio, embaixo da marquise pra se proteger da chuva, ela se deita sobre um pedaço de […]

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São Gonçalo é esse cachorro vadio e sarnento que todo mundo chuta e expulsa da porta de casa, da calçada e da frente das lojas. São Gonçalo se levanta, de cabeça baixa, e busca abrigo em outro canto. No frio, embaixo da marquise pra se proteger da chuva, ela se deita sobre um pedaço de papelão sujo.

Como qualquer gonçalense, piso na cidade, que de nada tem culpa. Há mais de três anos jogo na cara dela, publicamente, a violência, o esgoto a céu aberto, as ruas sem asfalto e sem iluminação e ela nunca reclama. Mas amo essa cidade que abraça sem distinção os caídos em seu território. E o que mais amo é esse acolhimento das pequenas coisas por cada um que vive ou somente passa por aqui em direção à Região dos Lagos.

Pichado e enegrecido pelo escapamento dos veículos, cada pedaço de concreto gonçalense diz pra mim:

– Mário, sou eu, sua cidade, faça de mim o que quiser, só não me abandone.

Ouço o mesmo dos bueiros entupidos por copos de plástico, das pedras portuguesas quebradas nas calçadas, de cada árvore cortada pelos políticos do município pra pendurarem propaganda eleitoral. Como não amá-la?

Em um texto recente, critiquei o tamanho minúsculo da praça Zé Garoto, a mais famosa da cidade, localizada no berço do desenvolvimento municipal, quando comparado com o tamanho da população. Acontece que a pequenez da praça permite a sensação de possuí-la por inteiro, na palma da mão. Não se pode sentir isso na Quinta da Boa Vista nem no Parque Ibirapuera.

São Gonçalo precisa de espaços públicos maiores, arborizados, limpos e seguros. Mas nunca vou deixar de me sentir no quintal de casa lendo um livro sentado na praça Zé Garoto, cujo nome oficial homenageia a educadora Estephânia de Carvalho. Ainda que apareça um cracudo ou outro circulando por lá. O cracudo é esperto por estar em um lugar agradável. Inaceitável seria morar em uma cidade sem parar um segundo para respirar ao ar livre e sentir o sol no corpo.

As ruas daqui são estreitas, assim as esquinas opostas ficam ao alcance das mãos. São Gonçalo é uma comunidade. Sem inovação política, de baixo avanço tecnológico, mas uma comunidade no sentido original da palavra. A proximidade com as pessoas é impressionante, quase sufocante em lugares como Alcântara.

E quando você sai do centro urbano e visita o ponto mais alto de São Gonçalo, o Alto do Gaia, percebe a maravilha completa. São Gonçalo, na verdade, é gigantesca: são 248 km² (correspondentes a 5% da área da Região Metropolitana do Rio de Janeiro) abrigando mais de 1 milhão de pessoas. Por isso que, embora mal cuidada e com pouca infraestrutura, consegue ser acolhedora.

Removendo as consequências do desleixo político sobre o território, fica a São Gonçalo submissa, pronta. Ela não quer nada, nunca quis. Predominam a farta inocência, a gratuita pureza de alma do solo e do ar.

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Moro em São Gonçalo, não gosto de Niterói https://simsaogoncalo.com.br/moro-em-sao-goncalo-nao-gosto-de-niteroi/ https://simsaogoncalo.com.br/moro-em-sao-goncalo-nao-gosto-de-niteroi/#comments Sat, 14 Apr 2018 10:34:26 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6459 Hoje faz 29 anos que moro em São Gonçalo. E eu não gosto de Niterói desde 2002, quando comecei a fazer faculdade lá. É um sentimento infantil e mesquinho, eu sei, mas não consigo evitá-lo. Niterói roubou de São Gonçalo ao longo da história e continua roubando até hoje. De acordo com o livro “O […]

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Hoje faz 29 anos que moro em São Gonçalo. E eu não gosto de Niterói desde 2002, quando comecei a fazer faculdade lá. É um sentimento infantil e mesquinho, eu sei, mas não consigo evitá-lo. Niterói roubou de São Gonçalo ao longo da história e continua roubando até hoje.

De acordo com o livro “O município de São Gonçalo e sua história”, escrito por Maria Nelma Carvalho Braga, São Gonçalo pertenceu a Niterói por 71 anos (1819 a 1890). E em 1892, por sete meses amargos, de novo o município gonçalense voltou a ser distrito de Niterói. Na data da primeira anexação São Gonçalo já tinha 240 anos de existência! Uma imposição criminosa com o intuito de atender interesses políticos distantes do que era melhor para São Gonçalo.

A pesquisadora Maria Nelma afirma que São Gonçalo ainda sofre com os resquícios desse período anterior à emancipação definitiva. O passado político de Niterói tem culpa. Mas sem revanchismo com os niteroienses, por favor. Embora eles tenham roubado e nunca mais devolvido a freguesia de São Sebastião de Itaipu e deixado São Gonçalo sem praia oceânica e sem investimentos imobiliários de alto padrão.

A inveja é um sentimento tão mesquinho quanto o ódio. Niterói, no entanto, não é tudo aquilo que eu gostaria que São Gonçalo fosse. A renda per capita de Niterói é três vezes maior do que em São Gonçalo, Niterói é uma das líderes brasileiras em qualidade de vida, mas sofre com a desigualdade social. Em São Gonçalo, pelo menos, estamos construindo uma cidade juntos, a exploração do povo pelo próprio povo é menor. Avante, gonçalenses, mudar a nossa história.

O gonçalense deixa um rio de dinheiro no comércio do Terminal das Barcas e do Terminal Rodoviário de Niterói. Niterói absorve o tempo de vida do trabalhador perdido no funil da Alameda São Boaventura e nos engarrafamentos da Niterói-Manilha. Deturpa a identidade dos gonçalenses que dizem para os amigos cariocas que moram em Niterói e escrevem essa mentira nas redes sociais. Prende o estudante universitário que só encontra o curso desejado na Universidade Federal Fluminense. Enfim, sequestra o gonçalense profissionalmente qualificado que sobe na vida e se muda pra morar mais perto do Rio de Janeiro, geralmente a cidade onde trabalha.

Não gosto de Niterói e sentimento não se explica. Não tenho a pureza de espírito dos MC’s Roni e Sargento, que apesar da dura realidade cantada no rap Fazenda dos Mineiros, conseguem gostar da cidade vizinha.

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Políticos de São Gonçalo só se mexem pra pedir voto, tirar selfie e comer churrasco https://simsaogoncalo.com.br/politicos-de-sao-goncalo-so-se-mexem-pra-pedir-voto-tirar-selfie-e-comer-churrasco/ https://simsaogoncalo.com.br/politicos-de-sao-goncalo-so-se-mexem-pra-pedir-voto-tirar-selfie-e-comer-churrasco/#comments Fri, 30 Mar 2018 09:53:19 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6455 A seis meses das Eleições, a política de São Gonçalo está paradona, como na maior parte do tempo. Falo da Política que constrói uma civilização. Acordos políticos entre bandidos e ignorantes acontecem o ano inteiro. A Câmara Municipal e a Prefeitura se movimentam, excepcionalmente, pra tirar selfie com Dejorge Patrício e comer o churrasco de […]

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A seis meses das Eleições, a política de São Gonçalo está paradona, como na maior parte do tempo. Falo da Política que constrói uma civilização. Acordos políticos entre bandidos e ignorantes acontecem o ano inteiro. A Câmara Municipal e a Prefeitura se movimentam, excepcionalmente, pra tirar selfie com Dejorge Patrício e comer o churrasco de Altineu Côrtes quando esses deputados federais aparecem na cidade.

Dá uma olhada em volta, tudo parado. Passam dois assaltantes correndo de moto, aí percebemos movimento. Depois você olha pra dentro da delegacia e vê as vítimas paradas numa fila pra registrar ocorrência.

O camelô parou na calçada e até no asfalto, em Alcântara, e não saiu mais de lá. Com uma política como a nossa, que não apoia soluções econômicas, o coitado do camelô não tem culpa. O mendigo fica deitado embaixo da marquise, os engarrafamentos são cada vez maiores.

Na última eleição, em 2016, a cidade andou. Andou pra trás. O jeito do prefeito Nanci caminhar mostra bem o estado de espírito político gonçalense. Ele se desloca inclinado pro lado, vagaroso, se arrastando.

Após a eleição de um novo prefeito, parece que a cidade se mexe mas na verdade está imóvel. Ocorre a mesma ilusão quando estamos parados no trânsito e um veículo maior se movimenta ao lado. Quem andou foi Maricá, em qualidade de vida, Niterói, em mobilidade urbana. São Gonçalo estagnou.

O povo sai do trabalho, entra em casa e nem parece que 1 milhão de pessoas vivem juntas porque elas não se veem. As cidades se desenvolvem a partir dos espaços públicos. São Gonçalo tem espaços públicos menores e menos respeitados do que uma cidade de 2 mil habitantes do abandonado sertão nordestino.

Não podemos negar que alguns eventos culturais, como o festival de pipas no Clube Mauá, mobilizam a população. A festa de Iemanjá, o tapete de Corpus Christi e reclamar dela no Facebook, como faço agora.

Até me empolguei, confesso, com a explosão das hamburguerias artesanais, dos “barbeiros chiques”, como diz meu filho, e de eventos lotados de food trucks na praça Zé Garoto. Pensei que a cidade estivesse gerando empregos e avançando. Então vi, na mesma praça, no meio das cervejas artesanais vendidas a R$ 15, um menino sozinho, mal vestido, provavelmente com fome e sem um real no bolso, olhando aquela riqueza. São Gonçalo parou de novo.

Quando Dejorge aparece em público, nosso deputado federal superstar, a política gonçalense vai atrás dele. Vereadores que não conhecem o sentido das comissões onde trabalham levantam a bunda da cadeira e correm pra aparecer na foto.

Quando Altineu faz um churrasco na fazenda, a casta que habita a Prefeitura desperta, como uma múmia que dormiu por mil anos, e anda cambaleante em direção ao cheiro da carne assada. Lambe os beiços e respira por algumas horas o ar puro de Santa Isabel.

Removam da política os papagaios que tiram foto com Dejorge e os puxa-sacos que concedem a Altineu títulos de benemérito. Os famintos por churrasco. São dezenas em cada grupo, dezenas que só agem em benefício próprio, ninguém ganhando menos de R$ 9 mil. Nanci ficaria na porta da Prefeitura pra dar bom-dia pra quem passa na calçada (a simpatia é a maior qualidade do nosso prefeito) e deixem São Gonçalo andar pra frente.

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A beleza abandona o Jockey às 3:40 da manhã https://simsaogoncalo.com.br/beleza-abandona-o-jockey-as-340-da-manha/ https://simsaogoncalo.com.br/beleza-abandona-o-jockey-as-340-da-manha/#respond Sun, 04 Mar 2018 17:23:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6399 Robson sai de casa às 3:40 da manhã, de segunda a sexta, e pega três ônibus. Ele mora no Jockey, em São Gonçalo, e trabalha como jardineiro na Barra da Tijuca. Trabalham mais jardineiros na Barra, bairro rico, do que garis em São Gonçalo – cidade pobre, violenta e perdida nas mãos do prefeito José […]

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Robson sai de casa às 3:40 da manhã, de segunda a sexta, e pega três ônibus. Ele mora no Jockey, em São Gonçalo, e trabalha como jardineiro na Barra da Tijuca. Trabalham mais jardineiros na Barra, bairro rico, do que garis em São Gonçalo – cidade pobre, violenta e perdida nas mãos do prefeito José Luiz Nanci.

Quando tem tiroteio pelo controle do tráfico de drogas no Jockey, quase todo dia, Robson vai trabalhar se abaixando e se escondendo atrás dos muros e dos postes de luz. O primeiro ônibus deixa o jardineiro em Tribobó. O segundo, no Centro do Rio de Janeiro. Robson desce do terceiro ônibus a menos de um quilômetro do trabalho, depois de percorrer 50 quilômetros. Uma das passagens a empresa se recusa a pagar. A negociação com o patrão dá ao trabalhador que ganha menos de dois salários mínimos duas opções: aceitar ou ser demitido. Viva, Temer. Salve a reforma trabalhista.

Robson aduba a terra, rega as plantas, poda os arbustos, apara a grama e cuida dos canteiros. Seu esforço beneficia o Rio de Janeiro. Vão o suor, a dedicação, a beleza da profissão e ficam a violência e a sujeira. O jardineiro sai de uma localidade onde animais de grande porte se alimentam do lixo apodrecendo nas esquinas e vai embelezar a Barra.

Serviço que não é licitado há anos, a taxa de coleta de lixo paga por Robson e pelos gonçalenses aumentou. Ao invés de economizar o dinheiro do cidadão, o prefeito Nanci enriquece a Marquise Ambiental, empresa paga pra fazer a coleta.

Tente imaginar um jardineiro retirando folhas secas de uma calçada no Jockey. Utópico. Faltam calçadas, acessibilidade, rosas, não há jardins públicos. Morte e descaso tomaram o bairro gonçalense há décadas, já dizia o Rap do Jockey, cantado por MC Nenzinho.

Não existe esperança de urbanização e segurança para comunidades pobres, não sob o governo Temer, não com um Ministro do Desenvolvimento Social que vê a força das armas como solução para a crise na segurança pública. A violência, na verdade, se aproxima cada vez mais da Barra da Tijuca, por isso a intervenção federal. Enquanto concentrada nos morros e favelas, não incomodava os donos do poder.

Nos ônibus da linha 315, Central x Recreio, pessoas viajam acessando a página São Gonçalo Vai Mudar. Em municípios diferentes, mas dentro da mesma região metropolitana, o Jockey poderia ser tão belo quanto a Barra da Tijuca (sem a mesquinhez do bairro carioca, claro). O cuidado com o patrimônio público não depende de dinheiro.

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Sandro Almeida representa heróis e vilões da política gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/sandro-almeida-representa-herois-e-viloes-da-politica-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/sandro-almeida-representa-herois-e-viloes-da-politica-goncalense/#respond Tue, 20 Feb 2018 10:34:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6261 Vinte e sete parlamentares ocupam a Câmara de Vereadores de São Gonçalo. Menos de dez apresentam uma atuação eficiente em defesa dos interesses da população (O São Gonçalo). Sandro Almeida está entre eles. Ironicamente e para tristeza política da cidade, Sandro faz parte de um grupo ainda menor: de vereadores que tiveram a cassação do […]

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Vinte e sete parlamentares ocupam a Câmara de Vereadores de São Gonçalo. Menos de dez apresentam uma atuação eficiente em defesa dos interesses da população (O São Gonçalo). Sandro Almeida está entre eles. Ironicamente e para tristeza política da cidade, Sandro faz parte de um grupo ainda menor: de vereadores que tiveram a cassação do mandato determinada pela Justiça Eleitoral.

A primeira parlamentar cassada na atual legislatura foi Iza Deolinda, cujo mandato foi extinto e depois reintegrado. Almeida aguarda o desenrolar do seu processo iniciado em dezembro, como bem explica este artigo do Jornal Daki.

O vereador criou projetos de lei para redução do tempo de atendimento em hospitais, instalação de portões ou cancelas em ruas sem saída com o intuito de reduzir a vulnerabilidade dos moradores, enviou mensagens para criação de ciclovias, instalação de redes wi-fi gratuitas e outras iniciativas. Nada que atinja as raízes do sofrimento do gonçalense comum, mas são propostas que demonstram preocupação social.

Além dos projetos de lei, Sandro se envolve em causas de importância atual, algo que torna seu perfil especial diante do baixo nível combativo dos seus colegas parlamentares. Ele levantou bandeira contra o aumento abusivo na taxa de coleta de lixo, contra a escalada da violência municipal e denuncia incansavelmente os familiares do prefeito Nanci que mamam nas tetas do Governo e sugam o dinheiro pago pelo contribuinte. Há votações na Câmara, como a que autorizou o aumento na taxa de coleta, em que Sandro Almeida e no máximo um ou dois vereadores se posicionam do lado certo, o lado do povo gonçalense.

A cassação de Sandro Almeida

De acordo com a sentença assinada pelo juiz eleitoral Euclides de Lima Miranda, para se tornar vereador Almeida comprou votos nas eleições municipais de 2016 mediante oferecimento de eventos e obras de reforma em comunidades gonçalenses.

Em sua defesa, Almeida disse ao jornal O Fluminense que é vítima de uma vingança. Na nota de esclarecimento que publicou no Facebook, o vereador alega que “tudo será esclarecido”, como se a investigação realizada pelo Ministério Público Eleitoral estivesse corrompida por um mal-entendido, uma fofoca.

Sandro Almeida é o vereador municipal com maior alcance nas redes sociais, um trunfo político no mundo de hoje. Provando que são intermináveis as ironias na política gonçalense, a ação judicial usou publicações antigas de Almeida no Facebook, da época em que ele era secretário de Governo do ex-prefeito Neilton Mulim, para apurar a utilização da máquina pública a fim de promover sua candidatura. As publicações indicavam que cada obra do Governo, feita com dinheiro do povo, era na verdade uma realização pessoal de Almeida. Prática vergonhosa, comum no Brasil.

É normal e saudável ter ambição política. A ambição de Sandro Almeida é tão grande que nossos narizes percebem. Ele tem qualidades interessantes, faz um trabalho único de fiscalização do péssimo governo Nanci, mas, ainda cabendo recurso, foi considerado criminoso pela Justiça Eleitoral.

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Nanci se rebaixa e arrasta São Gonçalo com ele https://simsaogoncalo.com.br/nanci-se-rebaixa-e-arrasta-sao-goncalo-com-ele/ https://simsaogoncalo.com.br/nanci-se-rebaixa-e-arrasta-sao-goncalo-com-ele/#respond Sun, 21 Jan 2018 12:04:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6114 José Luiz Nanci publicou uma carta ao povo de São Gonçalo na qual declarou “profunda tristeza”. O sentimento não foi causado pela pobreza generalizada que o município de 1 milhão de habitantes sofre. A carta não cita a violência que ataca os gonçalenses nas ruas e os aprisiona dentro de casa. O prefeito ficou profundamente […]

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José Luiz Nanci publicou uma carta ao povo de São Gonçalo na qual declarou “profunda tristeza”. O sentimento não foi causado pela pobreza generalizada que o município de 1 milhão de habitantes sofre. A carta não cita a violência que ataca os gonçalenses nas ruas e os aprisiona dentro de casa. O prefeito ficou profundamente triste porque foi satirizado pelo bloco de carnaval Quem Manda É A Mulher e o vídeo da sátira se espalhou nas redes sociais.

Cartas à população são publicadas com moderação por governantes, diante de questões públicas excepcionais. Nunca com o intuito de defender a honra pessoal contra uma sátira carnavalesca, aspecto cultural brasileiro. Nanci se rebaixou moralmente por uma preocupação excessiva com a própria imagem, imagem que no início do governo se tornou mais importante do que fazer o trabalho para o qual foi eleito.

Repletas da sujeira do comércio informal, de gente que luta pra superar a pobreza, as ruas da cidade estão imundas. Parecemos uma cidade medieval que faz do escambo sua atividade principal.

Através do lixo, da pobreza, da falta de infraestrutura e da escassez de serviços públicos se compreende o tamanho da tragédia gonçalense. Ela não afeta apenas alguns bairros ou comunidades. Desorganização, feiúra e sujeira formam o cenário municipal. Vaza esgoto pra todo lado. Há ruas na escuridão completa. Nos distritos de Ipiíba e Monjolos, que reúnem quase 40 bairros, bois, cabras, pombos, cavalos, porcos, cães e diferentes espécies de animais disputam ao mesmo tempo as pilhas de lixo nas esquinas. Recentemente uma nova espécie passou a ser vista catando comida no lixo: o gonçalense.

Infestada por barricadas, o tráfico de drogas dominou São Gonçalo. Os carros só circulam com o pisca-alerta ligado fora dos centros comerciais. Quando um estalinho explode, as pessoas se jogam no chão, com medo de tiro. Os jovens lamentam a morte de traficantes no Facebook, enquanto a comunidade onde moram é extorquida pelos mesmos traficantes. Segurança pública vai além da ação da polícia estadual e também faz parte da responsabilidade do governo municipal.

Com Nanci na dianteira, São Gonçalo se arrasta no chão, sem ordem, sem progresso, sem futuro. Ela é a cidade mais quebrada dentro de um Estado quebrado e corrupto, o Rio de Janeiro.

E o simpático Zé Luiz perde tempo com blocos de carnaval. Diante do caos, o prefeito se ocupa em empregar o máximo de parentes dentro do Poder Executivo, usurpar direitos do servidor público e rebater acusações sobre sua moleza notória.

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José Luiz Nanci tem lixo na cabeça https://simsaogoncalo.com.br/jose-luiz-nanci-tem-lixo-na-cabeca/ https://simsaogoncalo.com.br/jose-luiz-nanci-tem-lixo-na-cabeca/#respond Tue, 16 Jan 2018 13:58:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6059 São Gonçalo é uma cidade de ruas imundas. Papéis, copos plásticos e papelão se embolam nas poças de esgoto das sarjetas. Pilhas de lixo doméstico, de lojas, lanchonetes e supermercados crescem em volta dos postes de luz, nas esquinas e nas calçadas por onde os gonçalenses tentam passar. Há 17 anos, a Marquise Ambiental, empresa […]

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São Gonçalo é uma cidade de ruas imundas. Papéis, copos plásticos e papelão se embolam nas poças de esgoto das sarjetas. Pilhas de lixo doméstico, de lojas, lanchonetes e supermercados crescem em volta dos postes de luz, nas esquinas e nas calçadas por onde os gonçalenses tentam passar.

Há 17 anos, a Marquise Ambiental, empresa de coleta que presta esse serviço horrível, é sustentada sem licitação, através de contratos corruptos. Ela é frequentemente investigada por irregularidades no serviço. Como se a sacanagem não fosse suficiente, José Luiz Nanci, o prefeito, com a aprovação da maioria esmagadora dos vereadores, aumentou a taxa de coleta de lixo da cidade.

Pilha de lixo só cresce na cidade. A imagem reflete o que está acontecendo no Vila Lage, Covanca e Barro Vermelho.

Aumento na taxa de lixo não justifica o serviço

Lurdinha acorda às 6h e prepara o café da manhã olhando o carnê do IPTU sem pagamento, imóvel, sobre a mesa da cozinha. Há relatos de reajustes de até 500% na taxa de lixo deste ano, cobrada junto com o IPTU (O Globo). O carnê deixa Lurdinha angustiada, ela não sabe como arranjar dinheiro pra pagar.

Depois de deixar o filho com a mãe, por causa das férias escolares, Lurdinha vai pro trabalho. Antes ela pega com a mão quatro sacolas de lixo. É o lixo dela e dos vizinhos que não têm lixeira. Lurdinha pega as sacolas fedorentas e úmidas e joga dentro de uma caixa d’água na esquina mais próxima de casa. A rua dela está bloqueada por uma barricada do tráfico de drogas e o caminhão da coleta, quando passa fazendo o serviço, não pode entrar na rua.

Com a mão fedendo, Lurdinha anda até o ponto de ônibus. No caminho ela vê mais pilhas de lixo na frente das casas, igrejas e padarias. No ponto de ônibus, ao lado de um valão, ela encontra mais lixo, lixo e mato pra todo lado. Caixas, copos de guaraná e guardanapos usados. Sentindo nojo, Lurdinha prefere não se sentar no banco sujo, enferrujado e quebrado do ponto de ônibus.

Também imundo, quente, sem ar-condicionado, o ônibus chega. Não tem lugar pra sentar. Enfrenta um engarrafamento desesperador de pé. Por falta de planejamento e investimento em mobilidade urbana, o trânsito de São Gonçalo está quase tão ruim quanto o de São Paulo, mas o Produto Interno Bruto das cidades são bastante diferentes.

No fim do expediente, Lurdinha sai do trabalho desviando das pilhas de lixo na calçada, bem na porta da empresa, e anda até no asfalto, disputando espaço com os carros e correndo o risco de morrer, pra chegar até o ponto de ônibus e voltar pra casa. Cada sacola de lixo no chão é uma ofensa.

Ela desce do ônibus no ponto mais próximo de casa. Já é noite. Pula uma vala de esgoto, quase cai e alcança a calçada suja que cruzou de manhã. O fedor invade seu nariz e ela quase cai de novo. O lixo visto no início do dia continua nos lugares de sempre.

Desviando e pulando, Lurdinha pega o filho na casa da mãe. Na primeira e última esquina que Lurdinha passa, a caixa d’água transborda de lixo e o mato cresce em volta da barricada, de tão velha. O caminhão só recolhe o lixo duas vezes na semana, quando não falha.

A lixeira de Lurdinha está cheia de novo na manhã seguinte. As sacolas estão sujas de caldo de feijão. Uma mão segura a do filho, a outra segura as sacolas pra jogar dentro da caixa d’água na esquina, antes de seguir para o trabalho. O carnê do IPTU exorbitante ficou na mesa da cozinha, sem pagamento.

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Obstáculos e frutos da ocupação do colégio Pandiá https://simsaogoncalo.com.br/obstaculos-e-frutos-da-ocupacao-do-colegio-pandia/ https://simsaogoncalo.com.br/obstaculos-e-frutos-da-ocupacao-do-colegio-pandia/#respond Sun, 07 Jan 2018 12:36:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=6036 Visitei o Colégio Estadual Pandiá Calógeras em maio de 2016, durante a ocupação dos estudantes. Desde então me perguntava se o protesto havia trazido bons frutos. Pra saber a resposta encontrei duas alunas do Pandiá, Júlia e Jhully Anne. Elas disseram que não houve melhora profunda no ensino, uma pena. O movimento, pelo menos, conquistou […]

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Visitei o Colégio Estadual Pandiá Calógeras em maio de 2016, durante a ocupação dos estudantes. Desde então me perguntava se o protesto havia trazido bons frutos. Pra saber a resposta encontrei duas alunas do Pandiá, Júlia e Jhully Anne. Elas disseram que não houve melhora profunda no ensino, uma pena. O movimento, pelo menos, conquistou vitórias importantes depois de superar obstáculos cruéis. O amadurecimento dos jovens envolvidos ficou marcado no olhar de cada um, e isso não é pouco.

Enquanto o Pandiá era administrado pelos alunos – muito bem administrado, vale destacar – a Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiu o colégio com armas em punho, tentando intimidá-los para identificar as lideranças. Entendeu o que é invasão? É essa violência policial. Tem gente que chamou de invasão a permanência pacífica dos alunos na escola, alunos que naturalmente pertencem àquele espaço.

Com a intenção de ferir os estudantes, assustar e azucrinar, criminosos jogaram bombas dentro do Pandiá por noites seguidas. Bombas de gás também. Menores de idade, meninos e meninas buscando melhorias para a educação enfrentando homens armados e bombas é o resumo da luta estudantil que tomou o Brasil.

O medo de morrer se espalhou junto com o gás. Os estudantes não sabiam se voltariam pra casa, o estresse alcançou níveis altíssimos. Dormir se tornou perigoso. Um aluno surtou depois de ficar acordado várias noites à base de café. Pra proteger os alunos da ameaça constante, professores cochilavam com pedaços de pau na mão.

Em casa, parentes também viviam amedrontados. Mães recebiam notícias falsas da imprensa, de que haveria encerramento forçado da ocupação. Notícias de que os estudantes estavam ociosos, algo que nunca aconteceu.

Desde o princípio, quando desconfiou que a escola seria ocupada, a direção do Pandiá adotou táticas para impedi-la. Chamava os estudantes de bandidos. Queria prejudicar a imagem deles e reduzir seus apoiadores. No dia da ocupação, a direção serviu pernil e salada na merenda pra disfarçar a realidade escolar. Os alunos se esbaldaram, sem saber que a água que bebiam no refeitório estava contaminada por baratas e pombos.

Os manifestantes deram o troco. Distribuíram panfletos convidando o corpo de alunos a ocupar o colégio, dialogaram pessoalmente com funcionários da escola e incluíram o atraso de salários na pauta do protesto. Jhully Anne chegou a viajar para São Paulo a fim de trazer para São Gonçalo os aprendizados da experiência paulista.

As medidas de mobilização e desmobilização lembram filmes de espionagem. O Governo do Estado concordou com algumas reivindicações, como o funcionamento do Rio Card no dia da prova do ENEM, e depois não as cumpriu.

A ocupação do Pandiá começou com menos de 10 alunos, que dormiram na escola no primeiro dia. Por mais de dois meses o grupo resistiu – de forma horizontal, sem lideranças fixas e sustentados com doações – achando que qualquer dia poderia ser o último, tão forte era a repressão.

Um dos jovens foi demitido do trabalho e gastou o dinheiro da rescisão comprando pizza para os ocupantes. Eles respiravam política o tempo inteiro, estudaram até técnicas de negociação. Jhully Anne passava o dia no Pandiá, em Alcântara, e às 23h voltava pra casa, no Rocha, sozinha. Ela comemorou o aniversário de 16 anos no protesto.

Os alunos do Pandiá começaram a vida política na escola e hoje participam dos movimentos culturais de São Gonçalo, como a roda de rap que acontece na Praça Chico Mendes, no Raul Veiga. Júlia e Jhully Anne pretendem estudar Medicina e História. Consequências maravilhosas da ocupação. Jhully, aliás, vai escrever um livro sobre a experiência. Com prazer e o orgulho de quem estudou no Pandiá Calógeras há 24 anos, publico o primeiro rascunho desse livro:

“Hoje não sei se volto. Sinto o cheiro do gás, mas não morro, re(existo)”.

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O jogo dos moleques da favela superou a final do Mundial https://simsaogoncalo.com.br/o-jogo-dos-moleques-da-favela-superou-final-do-mundial/ https://simsaogoncalo.com.br/o-jogo-dos-moleques-da-favela-superou-final-do-mundial/#respond Sat, 23 Dec 2017 13:53:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5965 Sábado de manhã, vi uma partida de futebol no campo da favela Central, no bairro Raul Veiga, em São Gonçalo. Estava pedalando com meu filho pelo bairro e paramos pra ver a partida. Não me arrependi. O jogo foi 3 x 2 de virada, emocionante, pura superação. À tarde um Grêmio dominado pelo Real Madrid perdeu […]

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Sábado de manhã, vi uma partida de futebol no campo da favela Central, no bairro Raul Veiga, em São Gonçalo. Estava pedalando com meu filho pelo bairro e paramos pra ver a partida. Não me arrependi. O jogo foi 3 x 2 de virada, emocionante, pura superação. À tarde um Grêmio dominado pelo Real Madrid perdeu o Mundial de Clubes pelo magro placar de 1 x 0.

O Zayed Sports City Stadium, em Abu Dhabi, onde o Grêmio jogou, é um moderníssimo centro de treinamento e práticas esportivas de várias modalidades. A grama é de alta qualidade. O Campo Central é esburacado. Uma pequena parte dele é gramada. A bola não rola, quica, o que torna seu domínio difícil e exige mais técnica do que mostraram os jogadores do Real Madrid. Com todas as dificuldades, teve lençol, ovinho e drible da vaca, mas também um gol contra grotesco.

No campinho da favela, o talento reina

Outras coisas chamam a atenção em uma partida de futebol dentro de uma favela gonçalense. Havia talento, claro. A presença de negros é esmagadora. Tinha só um garoto branco em campo. Nas partidas dentro dos condomínios fechados dos bairros nobres do Rio de Janeiro a situação se inverte. Pobreza tem cor no Brasil.

O uniforme dos times não estava completo. Alguns jogadores usavam o próprio short ou a própria camisa. Força de vontade e motivação tinham de sobra, correndo sob o sol forte de quase verão. O sonho do moleque gonçalense é ser jogador de futebol profissional, como o fenômeno mais recente nascido na cidade, Vinicius Jr., por isso o esforço.

Dois moleques de no máximo oito anos, descalços e sem camisa, se revezavam vendo a partida. Enquanto um assistia, o outro ficava sentado em um sofá velho e rasgado largado no lixão atrás do gol. Ao lado do lixão da comunidade tem um estacionamento e eles arranjavam uns trocados tomando conta dos veículos. Sonham em brilhar como Vinicius Jr., na realidade, tão jovens, trabalham como flanelinhas.

Não é fácil pra ninguém, rico ou pobre, ser estrela do futebol. Mas o rico, pelo menos, não fica desamparado. Embora o sucesso seja quase impossível, há escolinhas de futebol espalhadas por São Gonçalo que fazem um trabalho social incrível, disciplinador, construtivo. Nelas os moleques aprendem a acordar cedo e lutar pela vida, pena que sejam financiadas e exploradas por políticos corruptos.

Cristiano Ronaldo fez o único gol da final do Mundial, de falta. Também teve gol de falta na Favela da Central. O time de camisa verde ganhou do time de camisa preta (desculpe por não saber o nome deles, não tinha placar, nem torcida gritando).

“Moleque” é uma expressão de origem africana usada há séculos no Brasil como referência aos meninos negros escravizados. Desde o período colonial eles batem um bolão se esforçando pra superar o preconceito e a marginalização social.

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Indignado com a falta de respeito em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/indignado-com-a-falta-de-respeito-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/indignado-com-a-falta-de-respeito-em-sao-goncalo/#comments Thu, 07 Dec 2017 03:37:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5854 Bom dia. Favor não me identificar! Quero denunciar a falta de respeito que tá acontecendo em São Gonçalo. Moro nessa cidade suja e barulhenta desde 1989 e pensei que ela fosse melhorar, mas até agora nada. Pra piorar, a violência aumentou muito nos últimos anos. Tá morrendo PM todo dia. O presidente Temer não quer […]

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Bom dia.
Favor não me identificar!

Quero denunciar a falta de respeito que tá acontecendo em São Gonçalo. Moro nessa cidade suja e barulhenta desde 1989 e pensei que ela fosse melhorar, mas até agora nada.

Pra piorar, a violência aumentou muito nos últimos anos. Tá morrendo PM todo dia. O presidente Temer não quer saber de nós, o Estado do Rio não olha pra gente e o prefeito Nanci só se preocupa em empregar a família.

Não aguento mais pagar taxa de iluminação pública e viver na escuridão. As lâmpadas dos postes estão todas queimadas. Nem viver em um lugar que não tem jardim público, um canteiro sequer, uma florzinha encostada na parede. Já as pilhas de copos de Guaravita e caixas de papelão nas ruas estão alcançando o céu. Pra onde olho tem lixo, roubo, assassinato, barricada, informalidade, fiação embolada, parede pichada e faixa de arame e sarrafo pendurada nas passarelas, nos viadutos e postes.

O trânsito tá cada vez pior, levo mais de uma hora pra sair do Centro e chegar em casa, no Alcântara. E nada de Linha 3 do Metrô.

Os jovens não têm lazer. O governo Nanci dá esmola e quer que a gente agradeça. Nem a metade da Praça Chico Mendes foi recuperada, mas os parasitas do governo foram lá e fizeram festa de inauguração. As meninas estão engravidando aos 13 anos e os meninos de 14 comem maconha no café da manhã.

O povo tá largado. Quando chega o aniversário do Guanabara, é cada um passando por cima do outro, tapa pra todo lado pra comprar arroz e feijão, parece que nunca viram comida na vida. Tem gente brigando na fila do Guanabara e saindo na porrada na fila de emprego. Que isso, tem que ter respeito.

E sabe quem é que mais sofre em São Gonçalo? Quem tem necessidades especiais. Sofre com todos os problemas e fica preso dentro de casa porque aqui não tem asfalto, calçada, rampa, não tem dignidade.

A culpa não é do povo não. A culpa é dos vereadores que acham que R$ 15 mil por mês é pouco, enquanto a gente sobrevive com menos de um salário e pra trabalhar de camelô precisa dar arrego pra funcionário da Prefeitura. A culpa é de quem se candidatou, pediu voto e disse que ia mudar de verdade. Tá na hora de alguém fazer alguma coisa.

O comércio e a população geram uma quantidade enorme de material reciclável e a cidade não aproveita. É burrice. Dezenas de milhares de trabalhadores especializados saem de casa e enfrentam mais de duas horas de trânsito pra trabalhar no Rio. Com incentivo do governo, poderiam criar empresas aqui e manter os clientes lá, gerando receita e criando emprego. E passariam seus conhecimentos à juventude que largou a escola pra transar, comer maconha e se envolver com o tráfico.

O governo não organiza o comércio popular que atrai gente de outras cidades em um mercadão. É burrice. A Prefeitura não planta nem árvore no centro urbano pra amenizar o calor. Burrice não, é falta de respeito com o cidadão e isso a gente não pode admitir.

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O prefeito de São Gonçalo precisa sonhar mais alto https://simsaogoncalo.com.br/o-prefeito-de-sao-goncalo-precisa-sonhar-mais-alto/ https://simsaogoncalo.com.br/o-prefeito-de-sao-goncalo-precisa-sonhar-mais-alto/#comments Sat, 02 Dec 2017 22:50:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5845 São Gonçalo não precisa de um político que faça promessas impossíveis pra sair da lama, mas do esforço conjunto da sociedade. Ao mesmo tempo é indispensável um prefeito que conheça a cidade por dentro e ouse sonhar alto. José Luiz Nanci passa o dia olhando pra baixo, fiscalizando obras e observando buracos no chão. A […]

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São Gonçalo não precisa de um político que faça promessas impossíveis pra sair da lama, mas do esforço conjunto da sociedade. Ao mesmo tempo é indispensável um prefeito que conheça a cidade por dentro e ouse sonhar alto.

José Luiz Nanci passa o dia olhando pra baixo, fiscalizando obras e observando buracos no chão. A ideologia do prefeito é vazia, pequena, sua personalidade prefere a passividade e apresenta inclinação para a mentira, como demonstrou a tentativa de desacreditar a reportagem da Globo sobre a falta de merenda na creche Palhaço Carequinha. A estatura física do prefeito reflete o tamanho de suas ambições políticas.

Nanci pode dizer, sinceramente, que deseja ver São Gonçalo limpa, acolhedora e sustentável. Se questionado, o prefeito responderá que trabalha para o desenvolvimento municipal através da educação e do investimento em infraestrutura, nada fora do comum. Ele não discute as vocações naturais do município, embora tenha nascido nele e acumule cinco mandatos como vereador. Sem analisar o potencial gonçalense, não dá pra imaginar o quão longe ele é capaz de levar a população.

Com pouco ou nenhum apoio governamental, São Gonçalo sustenta sua vocação artística, seu diversificado comércio popular e um novo movimento de empreendedores que se encontram nas ruas e estacionamentos dos supermercados nos fins de semana. Diz nada sobre isso a pobre comunicação do governo municipal, que não apresenta um projeto de cidade. Projeto que poderia se basear no varejo de roupas, na prestação de serviços para festas, nos nossos talentos no esporte e no aprendizado e exportação de novas tecnologias.

Por falta de integração entre os anseios do povo e o poder público, São Gonçalo parece parada no tempo, condenada a um futuro tão violento, sujo e informal quanto o presente. O maior movimento que acontece em nossas terras, na verdade, é gerado pelos mais de 120 mil gonçalenses que se deslocam diariamente para fora delas em busca de trabalho. Existem boas atitudes isoladas, sim. O fracassado governo Mulim também tinha, principalmente na área social.

Seja com ajuda Federal ou Estadual, Zé Luiz não demonstra sequer o desejo de recuperar os bairros inteiramente dominados pelo tráfico de drogas, sem iluminação pública e imersos na escuridão, como Santa Isabel e Engenho do Roçado. Nesses bairros os adolescentes acordam com um cigarro de maconha na mão. Empinar motos roubadas nas ruas fechadas com barricadas é seu esporte favorito.

O mais próximo de um prefeito visionário que Nanci consegue chegar é quando participa de eventos de definição de estratégias e ações conjuntas entre municípios. Nesses eventos Nanci apresenta uma obsessão estranha: tirar uma fotografia ao lado dos mascotes e das placas de divulgação é sempre mais importante do que a profundidade e originalidade do seu discurso.

Por limitação mental ou falta de fé no município, o prefeito de São Gonçalo prejudica o desenvolvimento da cidade que governa.

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Chacina no Salgueiro humilhou os gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/chacina-no-salgueiro-humilhou-os-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/chacina-no-salgueiro-humilhou-os-goncalenses/#respond Wed, 22 Nov 2017 13:44:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5793 Sete pessoas foram mortas na favela do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante uma operação clandestina do Exército e da Polícia Civil dia 11 de novembro. Mortes que nenhuma das instituições reconheceu até hoje, algo inédito no Rio de Janeiro, como afirmou o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (UOL). […]

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Sete pessoas foram mortas na favela do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante uma operação clandestina do Exército e da Polícia Civil dia 11 de novembro. Mortes que nenhuma das instituições reconheceu até hoje, algo inédito no Rio de Janeiro, como afirmou o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (UOL). Mortes que formam, portanto, uma chacina cruel e vergonhosa contra a segunda maior população do Estado.

Como se a vida dos gonçalenses não valesse nada, soldados do Exército e agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil se esconderam à noite na mata, encapuzados, para cometer os assassinatos no horário de um baile funk na comunidade. Bandido ou não, nenhum gonçalense ou cidadão brasileiro pode ser ferido ou morto e empilhado no Instituto Médico Legal sem explicações, por isso o Ministério Público abriu uma investigação criminal.

Um jovem de 19 anos, padeiro, é um dos quatro sobreviventes. Em entrevista exclusiva ao Jornal Extra, ele contou que depois de ser baleado nas duas mãos, os atiradores saíram do matagal tiraram uma foto sua e roubaram o seu celular. Nenhum agente socorreu o jovem nem seu amigo, que viajava na garupa da moto e foi atingido na boca, e eles sangraram no local por 3 horas. Esse é o valor que o Exército e a Core atribuem aos gonçalenses.

Ainda mais grave é a chacina contar com a aprovação de muitos moradores da cidade, gente que pode estar entre os mortos e feridos na próxima operação ilegal e defende que bandido bom é bandido morto. Sinal de pouca fé em si mesmo, quando mais do que nunca, diante da violência generalizada, precisamos ser exigentes.

Mesmo se todos os mortos e feridos fossem bandidos, uma sociedade sadia, onde os índices de criminalidade são reduzidos, não é aquela em que o crime se desenvolve e depois extermina os criminosos. Em uma sociedade digna as condições para a prática criminosa são reduzidas pelo esforço comum da Justiça, do desenvolvimento social e da eficiência policial, que compõem a segurança pública.

A vida humana merece respeito profundo e veneração absoluta, seja no Salgueiro ou na Suécia. São Gonçalo não ficou mais segura depois da chacina do dia 11, ficou mais violenta. Informações enviadas pelos leitores do jornal O São Gonçalo indicam que 33% dos bairros do município têm ruas interditadas por barricadas feitas por traficantes de drogas. Barricadas que aprisionam cerca de 400 mil gonçalenses, humilhados por criminosos dentro e fora das forças do Estado.

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Como a mulher de Nanci se tornou Chefe de Gabinete https://simsaogoncalo.com.br/como-mulher-de-nanci-se-tornou-chefe-de-gabinete/ https://simsaogoncalo.com.br/como-mulher-de-nanci-se-tornou-chefe-de-gabinete/#comments Sun, 19 Nov 2017 10:39:33 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5761 José Luiz Nanci e Eliane Gabriel decidem o futuro de São Gonçalo em casa, na mesa do jantar. Na noite do dia 5 de novembro, o prefeito abriu os botões da camisa até embaixo, exibindo o peito e a barriga, e o penteado da primeira-dama permaneceu intocável durante a conversa. – Querida, já nomeamos oito […]

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José Luiz Nanci e Eliane Gabriel decidem o futuro de São Gonçalo em casa, na mesa do jantar. Na noite do dia 5 de novembro, o prefeito abriu os botões da camisa até embaixo, exibindo o peito e a barriga, e o penteado da primeira-dama permaneceu intocável durante a conversa.

– Querida, já nomeamos oito parentes e não sobrou nenhum disponível pra colocarmos no lugar do Rominho. Vou precisar de você de novo até que as coisas se acalmem lá na Prefeitura.

– Você dá ouvidos demais a essa corja, Zé. Deveria ter deixado o Rômulo no Gabinete, família vem em primeiro lugar. Matamos dois leões todo santo dia: a oposição e a imprensa. Precisamos nos defender.

– Eu sei, amor, mas a pressão estava grande demais. E eu não tinha nada a dizer a favor do Rominho. É um bom menino, mas que talento ele tem? O Ministério Público está no meu calcanhar.

– E que talento eu tenho?

Acompanhou a pergunta de Eliane um sorriso sexy, provocante. Sem os sapatos, a primeira-dama tocou a virilha do marido com o pé direito por baixo da mesa. O prefeito tremeu.

– Ora, você é minha Dama de Ferro. Nossos inimigos te respeitam. Melhor ainda, eles têm medo de você.

– Eu exijo respeito de todos porque sei que meu lugar é ao seu lado e nada vai nos separar.

– Adoro quando você fala assim. Mexe comigo por dentro.

– Não perca o foco, Zé.

– Foi você quem me cutucou por baixo da mesa!

– Quando saímos de casa, logo na esquina tem gente querendo se aproveitar de você. Vamos pensar em outro nome para a Chefia de Gabinete, desde que o sobrenome seja Nanci ou Gabriel. Devemos ficar unidos.

– Pensei em convidarmos aquele administrador gonçalense que fez pós-graduação na Alemanha. O cara exerceu cargos de chefia nas maiores empresas do país.

– Não, Zé! Tem que ser parente, você precisa do nosso apoio. Estava pensando na minha prima Marta, aquela que é médica. O povo adora um doutor. Mas ela se mudou para os Estados Unidos mês passado.

– Por favor, Eliane. Estou cansado dessa vida de prefeito, não consigo mais dormir.

– Dizendo essas coisas você só nos prejudica, Zé Luiz. Seja homem.

Enfim a primeira-dama cedeu. No dia seguinte, 6 de novembro, Eliane voltou a ocupar, oficialmente, um cargo público no governo de São Gonçalo. O site da Prefeitura ainda aponta Rômulo Tarouquella, genro do casal, como Chefe de Gabinete, mas isso não importa porque a família continua unida.

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São Gonçalo perdeu um jovem e ganhou assassinos https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-perdeu-um-jovem-e-ganhou-assassinos/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-perdeu-um-jovem-e-ganhou-assassinos/#respond Wed, 08 Nov 2017 09:46:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5714 Um jovem de 18 anos foi espancado até a morte por moradores do bairro Santa Catarina, no Dia de Finados. A Polícia encontrou seu corpo jogado dentro da mala de um carro. São Gonçalo perdeu um jovem e ganhou um grupo de assassinos, que acusaram o rapaz de cometer uma série de assaltos no bairro. […]

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Um jovem de 18 anos foi espancado até a morte por moradores do bairro Santa Catarina, no Dia de Finados. A Polícia encontrou seu corpo jogado dentro da mala de um carro. São Gonçalo perdeu um jovem e ganhou um grupo de assassinos, que acusaram o rapaz de cometer uma série de assaltos no bairro.

Segundo notícia publicada no jornal O São Gonçalo, um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra diversas pessoas agarrando a vítima, que teria assumido o roubo de um celular usando um simulacro de pistola. Nenhuma dessas informações haviam sido confirmadas pela Polícia. Os assassinos julgaram e condenaram o réu por conta própria e tiraram dele o direito à vida, garantido pelo Artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece inclusive que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.

O linchamento que nos torna assassinos

O Brasil é o país que mais lincha no mundo, de acordo com uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, e evidentemente a prática não torna o país mais seguro. Há relatos de pessoas completamente inocentes, confundidas com bandidos, sendo linchadas. Ao promover outro linchamento, a cidade de São Gonçalo se tornou mais cruel, tendência que se estende pelo Brasil inteiro.

Há outros jovens de 18 anos roubando por aí. Jovens que deveriam estar na universidade. Não podemos virar uma cidade demoníaca e espancar todos até a morte. O que faríamos depois? Uma lei que torne obrigatório o aborto daqueles que podem se tornar bandidos no futuro? Uma vida humana vale mais que todos os aparelhos celulares já fabricados.

O rapaz assassinado, cujo nome nem aparece no jornal, não aprendeu lição nenhuma com a tortura. É ilusão achar que ele vivia em um mundo saudável e escolheu ser assaltante. Não é esse o perfil do bandido brasileiro. Ele é pobre, tem baixa escolaridade e vive constantemente sob a influência e ameaça do tráfico de drogas.

Parte da população aprova o assassinato, tanto que ele foi filmado para que mais pessoas assistissem. Talvez você seja incapaz de participar dando socos e pedradas, mas concordar nas redes sociais com o linchamento de bandidos favorece a crueldade.

Queremos viver em um município seguro, desenvolvido e limpo. Nenhuma cidade do mundo conquistou essas qualidades com violência, mas protegendo a juventude e investindo na sua educação.

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Meu vereador gonçalense favorito https://simsaogoncalo.com.br/meu-vereador-goncalense-favorito/ https://simsaogoncalo.com.br/meu-vereador-goncalense-favorito/#comments Tue, 24 Oct 2017 15:42:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5631 São Gonçalo tem tantos vereadores, vinte e sete, que quase não consigo escolher um. São todos honestos até o último fio de cabelo e merecem total respeito do povo da cidade… Meu vereador favorito é careca. E fala errado. Ele se explica dizendo que é vereador, não professor de Português. Os erros que comete são […]

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São Gonçalo tem tantos vereadores, vinte e sete, que quase não consigo escolher um. São todos honestos até o último fio de cabelo e merecem total respeito do povo da cidade… Meu vereador favorito é careca.

E fala errado. Ele se explica dizendo que é vereador, não professor de Português. Os erros que comete são os mesmos de uma criança de quatro anos, não alfabetizada.

Ele é bispo da Igreja e inicia as sessões plenárias na Câmara Municipal lendo um versículo bíblico. Meu vereador não sabe que a Umbanda nasceu em São Gonçalo e disse no culto de domingo passado que as religiões de herança africana são coisas do demônio.

Para o vereador gonçalense, 15.000 reais é o justo

Quinze mil reais por mês é um salário justo e até abaixo do ideal, na opinião dele. Porque vida de vereador gonçalense não é fácil, logo cedo tem dois gonçalenses pobres na porta de casa pedindo uma graninha pra comprar um botijão de gás ou uns trocados pra levar a mãe de Uber pro hospital. De onde você acha que sai esse dinheiro? Do bolso do meu vereador, mais ninguém ajuda. Quinze mil é o salário bruto. Desconta aí INSS, FGTS, imposto de renda e o gás do cidadão e não sobra quase nada.

Falando em Uber, meu vereador vai acabar com esse troço na cidade. Um serviço que surgiu de repente, sem cadastro municipal, sem controle? Não importa se é mais barato para o consumidor e mais eficiente.

Antes do meu vereador, os edis eleitos com a ajuda da Igreja nem trabalhavam. Vai lá agora no gabinete dele pra ver se não estará atendendo um líder comunitário precisando de ajuda. Meu vereador atua como psicólogo, amigo, conselheiro e empresta dinheiro aos casos de maior necessidade.

Dorme e acorda fazendo o bem e o coitado ainda é perseguido pela Justiça. Montou um centro social para levar dignidade ao bairro, que antes não tinha nada além de buraco. O povo vota nele em reconhecimento à sua luta diária.

O mundo de hoje está muito estranho, mas meu vereador é macho de verdade. Deu logo um chega pra lá naquele deputado federal que quer trocar o sexo das nossas crianças. Aonde vamos parar? Em São Gonçalo a situação está ainda pior por causa desses blogueiros que não conhecem o trabalho dos vereadores e querem falar mal em rede social. Pensa que é fácil?, vai ser vereador pra ver. Se candidata!

Os gonçalenses precisam agradecer a enorme benevolência do meu vereador. Só ele conhece a realidade do povo. Carrega a cidade nas costas. Deveriam agradecer e aumentar o salário dele para que possa ajudar cada vez mais pessoas. Quanto maior o salário do meu vereador, mais árdua será a luta e mais gonçalenses famintos serão atendidos. Se não fosse meu vereador, São Gonçalo estaria largada.

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Nanci entregou São Gonçalo aos parentes https://simsaogoncalo.com.br/nanci-entregou-sao-goncalo-aos-parentes/ https://simsaogoncalo.com.br/nanci-entregou-sao-goncalo-aos-parentes/#respond Sun, 22 Oct 2017 23:26:06 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5618 “Eu sou mandado pela minha família”, diz José Luiz Nanci nesse vídeo gravado em maio. A fala, que sugere humildade, confirma o caráter frágil do prefeito de São Gonçalo, caráter que transformou o governo municipal na sala de estar da família Nanci. Em menos de dez meses de governo, oito parentes do prefeito e da […]

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“Eu sou mandado pela minha família”, diz José Luiz Nanci nesse vídeo gravado em maio. A fala, que sugere humildade, confirma o caráter frágil do prefeito de São Gonçalo, caráter que transformou o governo municipal na sala de estar da família Nanci. Em menos de dez meses de governo, oito parentes do prefeito e da primeira-dama ocuparam cargos públicos importantes, sustentados com altos salários.

Eliane Nanci, primeira-dama, foi presidente (não remunerada) da Comissão Especial de Desenvolvimento, Relações Institucionais, Prospecção e Controle de Receita e Despesa. No lugar do prefeito, oficialmente mandava em tudo.

Badiá Gabriel, prima de Eliane, comandou a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano.

Isabelle Gabriel, outra prima de Eliane, ocupou a chefia do Gabinete do Prefeito. O marido de Isabelle, Guilherme Correa, foi secretário municipal de Administração.

Rômulo Tarouquella, genro de Nanci, foi secretário de Planejamento e Projetos Especiais e depois substituiu Isabelle na chefia do Gabinete. Exonerado no último dia 16, esse cara custava sozinho R$ 46 mil por mês aos cofres públicos. Claudia Tarouquella, mãe de Rômulo, comanda a Fundação de Assistência à Saúde dos Servidores de São Gonçalo. Sua gestão é acusada de autoritarismo (Diário Oficial) e rende R$ 12 mil de salário.

Thomaz Nanci, primo do prefeito, é subsecretário de Saúde e Rebeca Nanci, sobrinha, é assessora especial no Gabinete de Nanci. Ambos recebem salário de R$ 9,4 mil (O São Gonçalo).

Há gonçalenses em posições estratégicas nas principais empresas do Estado. O prefeito conhece gente na cidade, sem nenhuma relação de parentesco com ele nem com a primeira-dama, capacitada para exercer qualquer função no Governo. O favorecimento de parentes nos cargos de confiança ofende o servidor público municipal, concursado e mal pago.

O vereador Sandro Almeida impetrou ação cível no Ministério Público (MP) onde acusa o prefeito de nepotismo pela nomeação do genro, que tinha status de secretário. Ao todo o MP investiga seis parentes de Nanci que possuem cargos comissionados (O Fluminense).

José Luiz Nanci nomeia alguns parentes em linha reta ou colateral, por consanguinidade ou afinidade, eles sugam o dinheiro público durante um tempo, a pressão da opinião pública e da Câmara Municipal aumenta, Nanci exonera esses parentes e depois admite outros. É algo cíclico, grave, corrosivo, evidente mesmo em pouco tempo de gestão.

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Uma opinião sobre cada vereador gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/uma-opiniao-sobre-cada-vereador-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-opiniao-sobre-cada-vereador-goncalense/#comments Sat, 14 Oct 2017 10:56:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5569 Opinar sobre um vereador gonçalense não é tarefa fácil. São Gonçalo tem 27 vereadores classificados como ativos pelo site da Câmara Municipal, mas atuação de muitos não aparece na imprensa. Nem na transmissão das sessões plenárias feitas pela TV Câmara, e ainda menos no perfil deles no Facebook. Escolha seu vereador gonçalense (legislatura 2017-2020) Alexandre […]

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Opinar sobre um vereador gonçalense não é tarefa fácil. São Gonçalo tem 27 vereadores classificados como ativos pelo site da Câmara Municipal, mas atuação de muitos não aparece na imprensa. Nem na transmissão das sessões plenárias feitas pela TV Câmara, e ainda menos no perfil deles no Facebook.

Escolha seu vereador gonçalense (legislatura 2017-2020)

Alexandre Gomes: Preferiu fechar os olhos para os problemas da cidade e vestiu a farda de soldado fiel ao Governo Nanci.

Bruno Porto: Faz parte do grupo que não conseguiu evitar que São Gonçalo vivesse, de novo, uma situação ridícula – o risco de perder dinheiro já depositado pelo Governo Federal, desta vez para projetos esportivos.

Cacau: Sua principal atividade parlamentar, publicada quase diariamente na sua página oficial no Facebook, é desejar feliz aniversário aos amigos.

Cap. Nelson Ruas: Tem coragem para enfrentar Eduardo Gordo. Explora excessivamente a fiscalização de obras como se fosse a razão de um vereador existir.

Diney: Qualquer um que sirva de obstáculo a Eduardo Gordo presta um grande serviço à população gonçalense.

Dr. Armando Marins: Conseguiu a proeza de colocar em vigor cinco leis de sua autoria este mês (A política RJ).

Dr. Ricardo Peon: Não passa de um aproveitador político do título de doutor.

Eduardo Gordo: Gato inocente não mia de fome. É acusado pelo Ministério Público Federal de ter desviado recursos que seriam destinados à Saúde do município. Responde por abuso de poder econômico, político e conduta vedada a agente público.

Eli da Rosabela: Teve o quarto carro roubado em menos de um ano. Ninguém compra tanto carro assim em São Gonçalo. É um galã paraibano sem nada a acrescentar à Câmara Municipal.

Getúlio Brito: Não é tão ativo, mas já ganhou destaque na imprensa graças a projetos interessantes, como a Coleta Móvel de Sangue (O São Gonçalo).

Gilson do Cefen: Ter o ex-governador Anthony Garotinho como inspiração política impede o desenvolvimento de suas melhores ideias.

Iza: Segundo o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral, praticou abuso do poder político e de autoridade, captação ilícita de sufrágio, conduta vedada a agente público e assistencialismo político.

Jalmir Junior: Quando sobe à tribuna e toma a palavra, Jalmir esbanja segurança e autoridade. Qualidades que estranhamente não o ajudaram a desenvolver bons projetos para a cidade.

José Carlos Vicente: Assina os títulos e homenagens mais vergonhosos concedidos pela Câmara, como o título de amigo da cidade de São Gonçalo ao senador corrupto Aécio Neves.

Lecinho: Explorador assumido do aprisionamento dos eleitores em currais eleitorais. Pensa que é dono de Guaxindiba.

Lucas Muniz: Baseou seu mandato naquilo que os eleitores menos exigentes gostam – Deus, família, futebol e solicitações de melhorias à Prefeitura. O vereador de 24 anos decora seu gabinete com imagens da cidade do Rio de Janeiro. A juventude gonçalense merece mais.

Maciel: Equilibrado, fala com clareza, faz o feijão com arroz mas de vez em quando marca um gol. Aprovou um projeto que permite estacionar veículos em hospitais e clínicas da cidade sem haver cobrança em um período de 4 horas do dia.

Mariola: Nenhum vereador deveria exercer mais de 3 mandatos em São Gonçalo e sair impune. Seu fracasso está exposto nas ruas. Mariola conquistou o quinto mandato.

Misael da Flordelis: Wagner de Andrade Pimenta é seu nome. Não há nenhuma informação útil disponível na Web sobre suas atividades parlamentares porque ele as cumpre apenas de forma protocolar. Ser vereador não é um ato de amor por São Gonçalo, mas um pequeno passo dentro de um esquema ambicioso que mistura poder e religião.

Natan: Tem quase 40 projetos de lei apresentados na Câmara envolvendo reciclagem, regularização de ambulantes dentro de coletivos e outras questões alinhadas com as necessidades do município.

Paulo Cesar Eu Acredito: Vereador de atuação nula. Como os eleitores puderam acreditar em alguém com esse nome na urna?

Professor Paulo: Mais sóbrio vereador da cidade. Dono dos projetos de lei de maior impacto social da atual legislatura, entre eles o 062/2017, que institui o Passe Livre Universitário em São Gonçalo.

Salvador Soares: Não passa de um bispo da Igreja Universal, incapaz de agir como vereador. Usou o nome de Deus e a fé popular para ser eleito.

Samuca: Outro cujo mandato não traz benefício algum para o município e custa R$ 15 mil por mês (só de salário) aos cofres públicos.

Sandro Almeida: Ex-aliado de Neilton Mulim, politicamente raso, embora de grande altura intelectual. Sua oposição cega ao governo Nanci não deixa espaço para um diálogo que poderia beneficiar a cidade.

Seu Marco: Assumiu o cargo em abril e prometeu trabalhar em conjunto com o Poder Executivo para o benefício da população. Até agora não trabalhou e não houve benefício.

Vinícius: Deve ser o presidente de Comissão Parlamentar de Defesa dos Direitos Humanos menos expressivo do Brasil. Dominam sua comunicação oficial publicações sobre concursos públicos e vagas de emprego.

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Alcântara tem seu lado especial https://simsaogoncalo.com.br/alcantara-tem-seu-lado-especial/ https://simsaogoncalo.com.br/alcantara-tem-seu-lado-especial/#comments Sat, 07 Oct 2017 20:41:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5562 São Gonçalo tem noventa e um bairros oficiais. Noventa e um. Apenas um deles tem placa de indicação na Ponte Rio-Niterói: Alcântara. O bairro é campeão de arrecadação de impostos comerciais para o município. Apesar do lixo e da desordem, ele tem seu lado especial. Através dos corpos que se esbarram no espaço estreito da […]

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São Gonçalo tem noventa e um bairros oficiais. Noventa e um. Apenas um deles tem placa de indicação na Ponte Rio-Niterói: Alcântara. O bairro é campeão de arrecadação de impostos comerciais para o município. Apesar do lixo e da desordem, ele tem seu lado especial.

Através dos corpos que se esbarram no espaço estreito da Rua da Feira e do Calçadão, o bairro sua quase o ano inteiro. E vibra por meio da garganta incansável do camelô e dos alto-falantes insistentes anunciando promoções. Alcântara é quente, gosmento, sujo e sensual.

Gente de todo o Estado do Rio de Janeiro vê o nome do bairro impresso na placa, no alto, depois de pagar o pedágio. Trabalhadores voltando para casa, no Leste Fluminense, cariocas viajando para a Região dos Lagos e turistas rumo a outros estados brasileiros. Além de Alcântara, o Fonseca conta com o mesmo privilégio, as placas restantes apontam para cidades.

Assisti Titanic com minha família e Power Rangers com amigos de infância no Cine Teatro Alcântara, na rua João Caetano, quando não havia shopping em São Gonçalo. Na década de 90 estudei Inglês no bairro e as franquias de cursos que existem lá estão cada vez maiores e mais diversificadas. Tem curso de Inglês, Informática, computação gráfica, desenvolvimento de jogos…

No Colégio Estadual Pandiá Calógeras, poucos metros a frente do antigo cinema, fiz parte do Ensino Fundamental. Ano passado o Pandiá teve papel de destaque na luta pela manutenção dos direitos dos estudantes gonçalenses e na sua formação política. O entorno do Pandiá, de acordo com relatos dos atuais estudantes, continua ponto de encontro favorito dos jovens amantes da região.

Em 1999 terminei o Ensino Médio no Grupo Perspectiva Integral, que ficava em frente ao viaduto, ao lado da extinta casa de saúde. Nessa escola estudaram geógrafos, biólogos, sociólogos e outros profissionais que contribuem bastante para o entendimento da história e das características populacionais de São Gonçalo. Como eu matava aula para ouvir heavy metal na casa de um amigo no Jockey, minha contribuição são esses artigos semanais cheios de erros de informação. Alcântara ainda forma parte da elite intelectual do município em suas diversas unidades escolares públicas e privadas.

Na adolescência aprendi o valor do trabalho – dignidade e dinheiro no bolso – vendendo salgados e sucos aos lojistas e pedestres na Rua da Feira. Aos 17 anos, menos responsável, precisei vender minha bicicleta e meu videogame na feira de domingo para pagar dívidas do meu vício em Internet.

Pipoqueiros conquistam no bairro o sustento da família. Mulheres da cidade inteira se reúnem lá para fazer negócios e trocar produtos para festas. Tudo se vende, tudo se compra. A facilidade de negociar é tão grande que a ex-prefeita Aparecida Panisset conseguiu vender a praça Carlos Gianelli para um grupo de empresários construir um prédio comercial. Os jovens marcam encontros e lotam o local quando querem. Fiz Primeira Comunhão, me casei e batizei meu filho na Igreja São Pedro de Alcântara, que também lucrou ao ceder espaço para o prédio.

Alcântara tem universidade. Particular, mas o acesso às salas de estudo é livre (aproveite, caso não consiga estudar em casa por causa do vizinho barulhento). Tem hotel, coisa rara em São Gonçalo, onde as figuras políticas municipais poderiam discutir seus graves problemas de relacionamento. Tem vereadores e secretários de governo como moradores. Alcântara é cosmopolita, abriga gente da cidade toda, as bancas vendem inclusive jornais paulistas. A vida de alguém, como a minha, pode ser completa sem ao menos sair de Alcântara.

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Gonçalenses do futuro: uma mensagem para as próximas gerações https://simsaogoncalo.com.br/mensagem-para-os-goncalenses-do-futuro/ https://simsaogoncalo.com.br/mensagem-para-os-goncalenses-do-futuro/#respond Sat, 30 Sep 2017 15:10:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5484 Daqui a cem anos, os gonçalenses do futuro aproveitarão uma cidade com o maior pólo de reciclagem e varejo popular de causar inveja a qualquer cidade do mundo. Eu sei! A vida deve ter ficado melhor com barca, metrô, ciclovias e investimento na educação e na economia municipal. Ninguém mais lembrará do que acontecia em 2017, […]

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Daqui a cem anos, os gonçalenses do futuro aproveitarão uma cidade com o maior pólo de reciclagem e varejo popular de causar inveja a qualquer cidade do mundo. Eu sei!

A vida deve ter ficado melhor com barca, metrô, ciclovias e investimento na educação e na economia municipal. Ninguém mais lembrará do que acontecia em 2017, quando a cidade era suja e dominada pelo atraso político.

Temos um prefeito simpático pra caramba, só que ele não decide nada. Brigam por poder e destaque os vereadores mais corruptos e eloquentes, o vice-prefeito, e até a primeira-dama.

Há lixo demais nas ruas. Sacolas cheias que saem das casas e vão parar nas esquinas e calçadas. Pela quantidade no chão de copos de Guaracrac, um refresco de guaraná, São Gonçalo deve ser campeã brasileira no consumo dessa bebida.

Nós, gonçalenses, dentro dos ônibus lotados realizamos o segundo maior deslocamento diário de pessoas do Brasil (IBGE). Aproximadamente 12% da população trabalham em outra cidade.

À noite ninguém enxerga nada em alguns bairros por falta de manutenção da iluminação pública. Há pouco tempo descobrimos que o prefeito anterior, sumido e mentiroso, fez parte da quadrilha que roubou milhões do setor responsável pela manutenção das lâmpadas. O atual prefeito não conseguiu resolver a questão ainda. Alguém precisa dizer para ele inovar adotando soluções internas. No futuro as lâmpadas são alimentadas por energia solar, acertei?

A Prefeitura Municipal pegou fogo nesse mês de setembro. Ridículo, não? A Prefeitura de uma cidade tão grande pegar fogo e destruir a operação de quatro secretarias de governo. Parece cidade governada por adolescentes amadores, ou coisa do século 17, quando ocorreu O Grande Incêndio de Londres e a cidade ardeu por quatro dias.

Tem ladrão assumido, denunciado pelo Ministério Público Federal, com diploma de vereador, exercendo mandato. Os demais vereadores passam o dia tapando buracos, literalmente, ou publicando fotos nas redes sociais dos cultos que celebram e assistem na igreja.

Os gonçalenses do futuro verão uma cidade nos trilhos

Ninguém sabe como colocar São Gonçalo nos trilhos. Quem trabalha honestamente na Prefeitura é exonerado. Se tiver o sobrenome do prefeito ou da primeira-dama, um emprego com salário alto está garantido.

O secretário de Meio Ambiente pendura faixas ilegais nos postes de luz com seu nome escrito o ano inteiro. É, o próprio secretário de Meio Ambiente polui a cidade.

Por causa da falta de segurança nas ruas e descrença na classe política, o gonçalense está mais desesperado e depressivo do que nunca.

Estou com medo de registrar tudo o que acontece hoje. É possível que os gonçalenses do futuro fiquem com pena da gente. Vocês que deveriam nos enviar as boas notícias, poxa!

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O sol nasce na sujeira de Santa Isabel https://simsaogoncalo.com.br/o-sol-nasce-na-sujeira-de-santa-isabel/ https://simsaogoncalo.com.br/o-sol-nasce-na-sujeira-de-santa-isabel/#comments Sat, 23 Sep 2017 23:49:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5467 Passando pelo viaduto de Alcântara no horário do nascer do sol, algo banal me surpreendeu e, ao mesmo tempo, me deu esperanças de ver São Gonçalo livre dos males causados por prefeitos corruptos. O sol nasce no bairro mais subestimado, sujo e abandonado da cidade. O sol nasce em Santa Isabel. A luz não vinha […]

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Passando pelo viaduto de Alcântara no horário do nascer do sol, algo banal me surpreendeu e, ao mesmo tempo, me deu esperanças de ver São Gonçalo livre dos males causados por prefeitos corruptos. O sol nasce no bairro mais subestimado, sujo e abandonado da cidade. O sol nasce em Santa Isabel.

A luz não vinha pela rua Dr. Alfredo Backer, parte do eixo que leva à Prefeitura Municipal e à Câmara de Vereadores, centros do poder público. Sua origem não era nenhum dos sentidos da Rua Manoel João Gonçalves, ligação com os bairros Coelho e Laranjal. Iluminando as sacolas de lixo largadas nas calçadas, no início da manhã a luz solar passa pelo Barracão, Sacramento, Pacheco e Amendoeira e caminha pela Estrada Raul Veiga em direção ao restante da cidade.

Todos se lembram, menos eu, que o sol nasce no Leste. Santa Isabel deve ser o maior bairro em extensão territorial do município e vence a disputa pela região Leste com o Largo da Ideia.

Como os outros bairros do distrito de Ipiíba, Santa Isabel nunca ganhou a atenção que merece. É a periferia dentro de uma cidade quase toda periférica, à margem da vizinha famosa, Niterói, e do Estado do Rio de Janeiro no quesito desenvolvimento social.

Bairro rural tão esquecido que a grafia do seu nome ninguém sabe ao certo, Isabel, como escreve a Prefeitura, ou Izabel, como escrevem os jornais, nas esquinas de Santa Isabel os porcos compartilham as pilhas de lixo doméstico com cavalos, urubus, pombos, bois e cães ao mesmo tempo, como amigos dividem uma mesa de bar. O lixo é um problema municipal grave, mas em nenhum outro bairro ele prejudica a fauna.

Faltam saneamento básico, infraestrutura, cultura, lazer e respeito à população. A festa da Independência, que mobilizava os alunos das escolas do bairro há 15 anos, foi cancelada por falta de segurança (O São Gonçalo). No final da festa do ano passado, um guarda municipal foi baleado e outro foi atropelado por traficantes; o cancelamento do desfile entristeceu as crianças.

Não significa que em Santa Isabel não sobre nada de bom. Quando o ônibus da linha 01 chega ao ponto final, surgem as fazendas e o asfalto, o comércio e a podridão terminam. São Gonçalo começa ali, virgem.

O bairro tem trilhas exploradas de moto e a pé por praticantes de esportes radicais. Tem a água pura e gelada que pinga do teto das Grutas de Caulim. O Alto do Gaia, ponto mais alto de São Gonçalo, com 534 metros de altitude. Santa Isabel tem o verde das árvores e a paz que o centro urbano desconhece.

Acorde em qualquer lugar de São Gonçalo, pouco antes das 6h, e observe. A principal fonte de energia da vida na Terra nasce logo em Santa Isabel, gigante esquecido.

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Mulim roubou dinheiro e esperança dos gonçalenses https://simsaogoncalo.com.br/mulim-roubou-dinheiro-e-esperanca-dos-goncalenses/ https://simsaogoncalo.com.br/mulim-roubou-dinheiro-e-esperanca-dos-goncalenses/#comments Thu, 14 Sep 2017 19:59:19 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5418 Neilton Mulim desprezou a população de São Gonçalo durante os quatro anos em que esteve no poder. Ele sumia por semanas e de repente, como se nada tivesse acontecido, reaparecia em público. Não conseguia entender o que impedia o ex-prefeito de, pelo menos, demonstrar algum respeito por seus eleitores. Mês passado, quando foi preso por […]

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Neilton Mulim desprezou a população de São Gonçalo durante os quatro anos em que esteve no poder. Ele sumia por semanas e de repente, como se nada tivesse acontecido, reaparecia em público. Não conseguia entender o que impedia o ex-prefeito de, pelo menos, demonstrar algum respeito por seus eleitores. Mês passado, quando foi preso por suspeita de fraude de R$ 40 milhões na iluminação pública do município, tudo ficou claro: Neilton é um ladrão esnobe.

Ele é acusado de fazer parte de uma quadrilha, formada por mais 10 pessoas, que desviava dinheiro público através de um contrato superfaturado com a empresa Compilar, que basicamente não prestava os serviços adquiridos de iluminação pública. Uma mala com R$ 250 mil foi encontrada na casa do ex-prefeito, em Maricá (G1). A Operação Apagão, do Ministério Público, também descobriu depósitos de dezenas de milhares de reais da Compilar para a conta dos envolvidos no esquema, além de documentos e grande quantidade de dinheiro e joias na casa deles.

Um governo pode influenciar a população. Honesto e produtivo, a fé em dias melhores se renova. Ausente e corrupto, como o Governo Mulim, as pessoas se sentem desamparadas e infelizes. Os gonçalenses acreditam cada vez menos no município desde que o ex-prefeito começou seu mandato, em 2013.

Ex-prefeito Neilton Mulim foi preso nesta quinta-feira. Foto: Romário Barros / Lei Seca Maricá

O Governo Mulim desperdiçou quatro anos da história municipal. Roubou o futuro dos alunos da rede pública, usados para enriquecimento ilícito e imoral através de desvios de verbas da merenda escolar e comprando, sem licitação, maletas de livros que não foram lidos.

O povo de São Gonçalo se sente inferior. Não crê em uma cidade mais limpa, organizada, desenvolvida, saudável. Deixando a cidade às escuras, entregue à proliferação do lixo e da lama, Mulim disseminou o caos e a ignorância dos tempos medievais.

Embaixo dos viadutos ou nas calçadas, o camelô não sabe a causa da própria pobreza, nem conhece a história da cidade. Mulim tirou a chance de outro prefeito criar as condições econômicas necessárias para o desenvolvimento dos pequenos negócios e desse camelô. Com sua gangue responde por organização criminosa, fraudes à licitação e despesa não autorizada por lei, como prevê a lei de responsabilidade fiscal.

Um boato antigo sobre Mulim, que agora vale a pena publicar porque faz parte das investigações da Operação Apagão, diz que a linda casa no condomínio Bosque de Itapeba, valendo R$ 1 milhão, de frente para a Lagoa de Maricá, foi comprada à vista, com outra mala cheia de dinheiro. Dinheiro e esperança do povo de São Gonçalo.

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Os tipos mais comuns do Calçadão de Alcântara https://simsaogoncalo.com.br/os-tipos-mais-comuns-do-calcadao-de-alcantara/ https://simsaogoncalo.com.br/os-tipos-mais-comuns-do-calcadao-de-alcantara/#respond Sat, 09 Sep 2017 15:40:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5355 As mesas do shopping que substituiu a Praça Carlos Gianelli têm uma boa vista dos gonçalenses que vão e vêm pelo Calçadão de Alcântara. Circulam por lá três tipos interessantes: o camelô, o estudante e o idoso. A pele negra prevalece e a dignidade se destaca no porte de cada um. O camelô é o […]

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As mesas do shopping que substituiu a Praça Carlos Gianelli têm uma boa vista dos gonçalenses que vão e vêm pelo Calçadão de Alcântara. Circulam por lá três tipos interessantes: o camelô, o estudante e o idoso. A pele negra prevalece e a dignidade se destaca no porte de cada um.

O camelô é o mais exótico porque precisa despertar o interesse dos pedestres para lucrar. Ninguém passa pelo Calçadão indiferente à voz arrastada e potente das vendedoras de chips. Elas têm uma participação importante no faturamento das operadoras e também distribuem carinho em troca de atenção. Do grito ao sussurro, chamam o cliente mais próximo de “amor”, “amado”, “querido” e outras gentilezas.

Ouço há 28 anos que nenhum desempregado fica sem dinheiro em Alcântara. Basta pegar um isopor e vender bebidas no Calçadão. Tanta gente vende água, cerveja e guaraná natural, não raro um vendedor de frente para o outro em aberta concorrência. Passam o dia sentando e levantando do caixote de madeira para tirar bebidas do gelo, com o troco do cliente na outra mão, mantida seca para receber o pagamento.

“Pequenas rodas de conversa se espalham pelo Calçadão de Alcântara, as pessoas não estão apenas de passagem”

O futuro de São Gonçalo é o adolescente que anda de chinelo e mochila nas costas, o estudante, segundo tipo mais comum. Geralmente em dupla, tão colados que esfregam o braço no seu par a cada passo, exibem penteados, acessórios e formas de interação que ainda não chegaram aos adultos. O boné na cabeça dos meninos é quase obrigatório, nas meninas, o sorriso no rosto e a velocidade com que mudam de rumo, andando de um lado para o outro e achando graça das coisas.

As conversas se espalham no calçadão de Alcântara

A característica mais marcante dos idosos é a quantidade grande de bolsas que carregam. Ninguém faz mais compras e leva tanto peso quanto eles. Têm o passo lento, o olhar caído, cansado, mas observador. As senhoras andam bem vestidas, maquiadas e aparecem em maior número do que os homens.

Pequenas rodas de conversa se espalham pelo Calçadão. As pessoas não estão apenas de passagem. O bicicletário fica diariamente lotado. Muitos fazem negócios por lá, como trocas de produtos para festas. Por isso a Praça Carlos Gianelli, na ponta do Calçadão, teria mais utilidade do que um shopping que ocupa o espaço público e joga os pedestres para o meio da rua.

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E se a Linha 3 do Metrô fosse inaugurada hoje? https://simsaogoncalo.com.br/e-se-linha-3-do-metro-foi-inaugurada-hoje/ https://simsaogoncalo.com.br/e-se-linha-3-do-metro-foi-inaugurada-hoje/#comments Wed, 23 Aug 2017 21:06:14 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5132 Clique e leia também: Linha 3 do metrô Rio já foi realidade na história de São Gonçalo Hoje de manhã Job não se conteve de alegria e acordou uma hora antes do despertador. Há dois meses ele planejava essa viagem. Saiu de São Gonçalo às 7h e chegou em Niterói às 7:30, um recorde!, graças à […]

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Clique e leia também: Linha 3 do metrô Rio já foi realidade na história de São Gonçalo

Hoje de manhã Job não se conteve de alegria e acordou uma hora antes do despertador. Há dois meses ele planejava essa viagem. Saiu de São Gonçalo às 7h e chegou em Niterói às 7:30, um recorde!, graças à inauguração da Linha 3 do Metrô. O mesmo trajeto, de ônibus, frequentemente durava uma hora e meia de sofrimento nos engarrafamentos.

A Secretaria Estadual de Transportes esperava alguns imprevistos no primeiro dia de operação da Linha 3. Um bêbado resolveu caminhar pelos trilhos próximos da estação Zé Garoto. Além disso, tudo correu perfeitamente.

Morador do Vila Três, um dos menores bairros gonçalenses, Job caminhou por 10 minutos, de casa até a Estação Alcântara. Despertou a curiosidade do rapaz duas pessoas prendendo a bicicleta no bicicletário instalado na entrada da estação.

– Amanhã venho de bicicleta pra testar o funcionamento do bicicletário.

Espalhados por todo o município, vendedores ambulantes se posicionaram estrategicamente em volta da estação recém inaugurada, prontos para correr caso a Guarda Municipal aparecesse. Um panfletista bem humorado, falando alto, distribuía descontos para compras maiores do que 30 reais em um sex shop na Rua da Feira.

– Tem metrô, mas São Gonçalo ainda sofre com a pobreza e a informalidade.

Job comprou um Guaragrac e uma coxinha num quiosque dentro da estação e tomou seu café da manhã andando em direção à plataforma, sentindo o cheiro do ambiente novo, completamente limpo, e observando tudo ao redor, como gosta de fazer.

Quando passava na roleta, dois cachorros magros e sujos invadiram a estação sem pagar passagem, mesmo preço do ônibus intermunicipal. Depois de uma perseguição engraçada, foram expulsos pelos fiscais contratados de uma empresa terceirizada.

O vagão não estava cheio. Job sentiu medo da população não aderir ao modal e o Governo do Rio de Janeiro interromper a operação da linha logo no primeiro dia.

Viajou sentado, para avaliar a qualidade dos bancos, e de pé, para se concentrar na vista pela janela. Passavam lá fora os pequenos imóveis comerciais de paredes pichadas e revestidas pela fuligem negra que sai do escapamento dos veículos, característica marcante da cidade, as pilhas de lixo nas esquinas, no pé dos postes de luz e as crianças indo para a escola.

– Ver a paisagem é uma vantagem do metrô de superfície.

Dentro do vagão, encontrou a mesma limpeza da estação. Limpeza em São Gonçalo é algo que ninguém está acostumado. De repente a Estação Arariboia surgiu, o fim da linha. Job desembarcou e para chegar ao trabalho ainda teve que pegar a barca para a Capital.

Conhece a maquete da linha 3 do metrô de São Gonçalo?

Confira no vídeo deste sonho gonçalense. Assista!

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Os corredores da Prefeitura de São Gonçalo não são tão feios assim https://simsaogoncalo.com.br/os-corredores-da-prefeitura-de-sao-goncalo-nao-sao-tao-feios-assim/ https://simsaogoncalo.com.br/os-corredores-da-prefeitura-de-sao-goncalo-nao-sao-tao-feios-assim/#respond Sun, 20 Aug 2017 11:53:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5116 Cada gonçalense pode conhecer a Prefeitura e descobrir como é gerido o orçamento de R$ 1,2 bilhões anuais. Ninguém que conheça os problemas de São Gonçalo imagina que a entrada na Prefeitura é feita depois de um cadastro rápido e informatizado. Todas as formas de poluição estragam as ruas do município. Na Prefeitura, a atendente […]

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Cada gonçalense pode conhecer a Prefeitura e descobrir como é gerido o orçamento de R$ 1,2 bilhões anuais.

Ninguém que conheça os problemas de São Gonçalo imagina que a entrada na Prefeitura é feita depois de um cadastro rápido e informatizado. Todas as formas de poluição estragam as ruas do município. Na Prefeitura, a atendente faz o cadastro do visitante com um sorriso no rosto. E o chão dos corredores da sede do Poder Executivo brilha.

Estive na Prefeitura para entregar as reclamações registradas no site ReclamaSaoGoncalo.com. Cento e oitenta pessoas participaram no mês de julho e fizeram 209 reclamações. Nada mal para um site novo, mas que contou com o apoio de inúmeros canais: Jornal Daki, Sim São Gonçalo, Rádio Aliança, São Gonçalo Urgente, Informe São Gonçalo, Memória de São Gonçalo e outros não menos importantes.

Após o cadastro na portaria, avançando alguns passos o visitante vê do lado esquerdo, penduradas na parede, as fotografias dos prefeitos da história gonçalense. Estão lá os retratos de Neilton Mulim, preso por suspeita de fraude de R$ 40 milhões na iluminação pública (G1), e de Aparecida Panisset, condenada e inelegível por desviar dinheiro público que seria aplicado em cursos profissionalizantes, atendimento psicológico e outros serviços para pessoas carentes (O Globo).

Fui direto ao setor de Iluminação Pública, um dos maiores problemas municipais, já que os recursos financeiros da área foram usados para comprar imóveis em Maricá e escondidos na churrasqueira. 72% das reclamações registradas no Reclama São Gonçalo apontaram lâmpada queimada no poste. Em segundo e terceiro lugar, buraco e lixo na rua, respectivamente.

Confesso que esperava má vontade dos servidores públicos. Não é todo dia que alguém chega com 209 reclamações nas mãos e tenta passar a “bola”. Houve desorganização, mas não má vontade.

Tinha 4 pessoas na fila de atendimento do setor. Minha vez chegou em dez minutos. Pra não assustar o atendente, apresentei a primeira reclamação: três lâmpadas queimadas na rua Aldrovando Pena, perto da esquina com a Alexandre Muniz, no bairro Vila Três. Ele anotou em uma planilha eletrônica que seria enviada para a ganhadora da licitação do serviço de iluminação. Citei mais 152 reclamações sobre o mesmo problema. O atendente não se espantou e gentilmente pediu que eu as enviasse por email. Ponto para o servidor.

Chegou a vez de entregar os 148 buracos. Fui ao Departamento de Engenharia e lá tive uma surpresa desagradável. As reclamações não são feitas na sede da Prefeitura, mas em repartições espalhadas na cidade, de acordo com o bairro do buraco. Regra absurda, a Prefeitura deveria distribuir as reclamações, não o cidadão. Gol contra da administração pública e do governo Nanci.

O bom atendimento havia acabado. Procurei o setor de Parques e Jardins para entregar 44 reclamações de galhos na fiação elétrica. Andei pra cá e pra lá e não o encontrei. Nos corredores começaram a me olhar como se eu fosse um terrorista escolhendo o melhor local para deixar uma bomba. Decidi entregar o restante das reclamações por email para a Ouvidoria, cuja missão é servir de canal de comunicação com cidadão, só que não conta com um sistema decente, por isso o ReclamaSaoGoncalo.com foi criado.

Cada gonçalense pode conhecer a Prefeitura e descobrir como é gerido o orçamento de R$ 1,2 bilhões anuais. O chão brilha, os servidores são dedicados, mas nas salas não é difícil encontrar fiação exposta e garrafão de água improvisado para receber o esgoto do ar-condicionado.

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Amo a sujeira gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/amo-a-sujeira-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/amo-a-sujeira-goncalense/#respond Wed, 16 Aug 2017 20:57:14 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=5004 Falta mais de um mês para o aniversário de São Gonçalo, comemorado dia 22 de setembro, quando escritores e cronistas locais publicam suas juras de amor à cidade. Este ano resolvi antecipar minha declaração e revelar um sentimento novo: meu amor pela sujeira gonçalense. Já reclamei do lixo, da livre poluição causada pelas empresas e […]

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Falta mais de um mês para o aniversário de São Gonçalo, comemorado dia 22 de setembro, quando escritores e cronistas locais publicam suas juras de amor à cidade. Este ano resolvi antecipar minha declaração e revelar um sentimento novo: meu amor pela sujeira gonçalense.

Já reclamei do lixo, da livre poluição causada pelas empresas e compartilhei dicas de reciclagem. De repente passei a amar São Gonçalo do jeito que ela é hoje. Pode trazer mais benefícios.

O bairro do Méier, no Rio de Janeiro, seria confundido com o Centro de São Gonçalo se o Centro não fosse tão mais sujo. E eu prefiro o Centro. Pelos copos de Guaravita e Guaracrac espalhados no chão, estimo o tamanho da população gonçalense melhor que o IBGE. Como ela é grande. Em diversos bairros temos a ideia de que houve uma festa na noite anterior, tamanha a quantidade de guardanapos dos salgados comprados e comidos na rua.

Amo as paredes descascando, pixadas ou enegrecidas pela fuligem que sai do escapamento dos veículos. Se passo embaixo de uma marquise e sou molhado por um vazamento que pinga do teto, isso me lembra que estou na minha cidade.

Em Alcântara, não me irrito mais com a fiação exposta dos gatos de energia elétrica que sai dos postes de luz e atravessa, por dentro das poças de lama e esgoto, o caminho dos pedestres. Sinto compaixão por quem fez o gato, por quem precisa dele e pena de mim mesmo por ter que pisar na fiação, correndo o risco de morrer eletrocutado.

Quando estou preso no trânsito, perdi a pressa de chegar em casa. Gosto de ficar ali, parado na Avenida Maricá ou na rua Manoel João Gonçalves, observando pela janela do ônibus o camelô, a mãe caminhando de mãos dadas com a filha pequena e o catador de papelão empurrando sua carroça, todos suando sob o sol.

Acabou o nojo que eu sentia ao passar no meio da noite em frente ao Kri Kri Lanches, bar que tem duas peixarias à esquerda e um açougue à sua direita, o trecho mais pestilento de Alcântara e de todo o município. Estou doido pra tomar uma cerveja barata lá, apesar das caixas de papelão sujas de sangue e dos pedaços de peixe misturados em sacos plásticos, e se quiser me acompanhar, por favor, entre em contato.

Claro que eu gostaria que São Gonçalo fosse limpa, mas a amo suja mesmo. Se amo por desespero, porque não posso mudá-la, porque me acostumei com a podridão, não importa. O amor sincero, que exige respeito e vontade de cuidar, não faz mal. Ninguém ama de verdade um lugar que não conheça, ao qual não pertença. Ruim seria morar há anos em São Gonçalo e não amá-la.

Só odeio uma coisa e não são os bandidos denunciados pelo Ministério Público Federal que continuam em exercício na Câmara de Vereadores. A única coisa intolerável que não encontra resistência em São Gonçalo é barricada na rua dividindo a cidade em duas.

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São Gonçalo não cabe na pequena política municipal https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-nao-cabe-na-pequena-politica-municipal/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-nao-cabe-na-pequena-politica-municipal/#respond Sun, 06 Aug 2017 14:10:25 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4925 De acordo com o IBGE, mais de um milhão de pessoas vivem em São Gonçalo. Gente de cores, credos e sonhos diferentes. Necessidades que não são compartilhadas pela classe política sustentada com o dinheiro público. A pequenez da política municipal vem de cima, desde o lema do governo Nanci que diz “Cuidando dos gonçalenses”. Quem […]

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De acordo com o IBGE, mais de um milhão de pessoas vivem em São Gonçalo. Gente de cores, credos e sonhos diferentes. Necessidades que não são compartilhadas pela classe política sustentada com o dinheiro público.

A pequenez da política municipal vem de cima, desde o lema do governo Nanci que diz “Cuidando dos gonçalenses”. Quem o inventou subestima o povo de São Gonçalo. Quem o adotou, como o prefeito o fez, desconhece a história do município, seu potencial econômico e capacidade artística e intelectual, erro cometido por boa parte daqueles que exercem um cargo ou mandato na Prefeitura e na Câmara.

Nem sempre a falta de recursos é o problema

Os gonçalenses não são doentes terminais que exigem cuidados médicos. Não são pobres ignorantes que precisam ser guiados. Para se aproximar da altura dos gonçalenses, Nanci pode mudar seu lema, de forma simples, para “Servindo aos gonçalenses”. Caso prefira algo profundo e filosófico, o lema poderia ser “Trabalhando para que em breve o gonçalense não precise mais de Governo e conduza sua cidade através da própria consciência”. Há 25 anos acumulando vitórias eleitorais através de um sincero assistencialismo, dificilmente Nanci aceitaria a segunda sugestão.

O problema de São Gonçalo não é a falta de recursos. Alguns empreendedores locais transformariam a cidade num polo de desenvolvimento com o orçamento anual de R$ 1,2 bilhão nas mãos.

Famintos, os vereadores só pensam em comer, comer e comer do bolo construído com os impostos pagos pelo contribuinte. As figuras políticas de destaque carregam graves deficiências comportamentais e de caráter. O prefeito é um objeto sinuoso com um buraco no meio por onde passam interesses políticos diversos, honestos ou não. Nanci é mandado pela família e já reconheceu isso publicamente, ao microfone, diante de dezenas de pessoas.

O vice-prefeito, Ricardo Pericar, ofende a inteligência popular pregando uma oposição simplória contra um governo do qual ele mesmo faz parte. Se quisesse fazer o trabalho que cabe a um vice-prefeito, Pericar estaria fazendo.

O problema de São Gonçalo não é a falta de recursos. Alguns empreendedores locais transformariam a cidade num polo de desenvolvimento com o orçamento anual de R$ 1,2 bilhão nas mãos.

Nosso deputado federal, Dejorge Patrício, se limita a desejar “Bom dia” nas redes sociais e dizer que Deus vai salvar a todos. Dejorge recebe mensalmente uma ajuda financeira significativa, mas o milagre da exploração da fé evangélica que o levou à Brasília não vai conquistar qualidade de vida para o cidadão comum. Se uma coluna de concreto fosse colocada no lugar de Dejorge Patrício, veríamos mais conteúdo e dignidade política.

Deus também é o único assunto posto em discussão pelo vereador municipal mais votado, Salvador Soares. Ao invés de sugerir temas de importância comum, ele publica fotos e vídeos de sua performance deprimente em cultos.

A última notícia da Secretaria de Meio Ambiente, no site da Prefeitura, é a apreensão de aves na feira de Neves. Em que cidade de um milhão de habitantes algo tão banal vira notícia de primeira página? Não há metas de arborização do centro urbano, que parece uma panela quente no verão. No mesmo bairro, a Secretaria de Infraestrutura e Urbanismo iniciou a revitalização de uma via que dá acesso à BR-101. Ótimo. O projeto de humanização do Alcântara, citado durante o governo Mulim, nunca foi levado a sério por ninguém. Os engarrafamentos no bairro não devem nada aos de São Paulo.

Milhares de pessoas circulam, compram e vendem em Alcântara. Elas andam na rua, entre os carros, empurradas pelos ônibus! Não caberiam nas calçadas nem se os camelôs fossem retirados. Um mercado popular, como o Mercado Central de Fortaleza resolveria a sujeira, o caos, a informalidade.

O gonçalense não aguenta viver preso em uma gaiola. Tem tanto a ser criado, construído, e tanta gente desempregada, querendo construir, por culpa das limitações da política municipal.

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Nanci perdeu o direito de pedir desculpas https://simsaogoncalo.com.br/nanci-perdeu-o-direito-de-pedir-desculpas/ https://simsaogoncalo.com.br/nanci-perdeu-o-direito-de-pedir-desculpas/#comments Thu, 27 Jul 2017 02:52:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4881 No dia 28 de abril, usando sua página no Facebook, o prefeito de São Gonçalo fez um pedido de desculpas pela “grave” situação na qual se encontrava a cidade. Depois, na edição de junho do jornal Em Dia, José Luiz Nanci disfarçou e pediu paciência e fé no Governo. São Gonçalo continua sendo o 90º […]

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No dia 28 de abril, usando sua página no Facebook, o prefeito de São Gonçalo fez um pedido de desculpas pela “grave” situação na qual se encontrava a cidade. Depois, na edição de junho do jornal Em Dia, José Luiz Nanci disfarçou e pediu paciência e fé no Governo. São Gonçalo continua sendo o 90º pior município do Brasil para alguém viver, considerando as 100 maiores cidades brasileiras (Macroplan). O que o prefeito dirá agora, quando seu mandato completa sete meses? Nanci não consegue resolver problemas simples, como tapar um buraco ou trocar uma lâmpada queimada no poste, e perdeu o direito de pedir desculpas, paciência ou fé.

– Apesar de ter assumido o governo no início desse ano, peço desculpas a toda população por esta situação tão grave na qual se encontra hoje a nossa querida cidade. Garanto a todos vocês estar fazendo tudo para mudar essa realidade e oferecer aos gonçalenses a cidade que merecem.

Foi assim que Nanci se desculpou pela primeira vez. Ficando calada, a população aceitou o pedido, como diz o ditado popular. Pedido que esbanja humildade, virtude que o prefeito anterior, Neilton Mulim, não tinha. Mas que revela profunda falta de planejamento, defeito que persegue sucessivos governos municipais e pelo qual Nanci não pode ser desculpado.

Alguns problemas demoram para ser resolvidos. Em poucos meses São Gonçalo não saltará das últimas posições para a dianteira no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do Estado do Rio de Janeiro. Mas iluminação pública, pelo amor de Deus, já deveria existir. A escuridão das ruas à noite mostra o despreparo de Nanci para assumir um município de 1 milhão de habitantes.

É difícil administrar São Gonçalo, cidade com mais da metade do Orçamento comprometido com dívidas, por isso competência e estratégia são indispensáveis. No plano de governo de Nanci não está clara nenhuma proposta de cidade, se ele pretende transformar São Gonçalo em um polo varejista ou em uma referência estadual em reciclagem de lixo. Sua personalidade amiga, benevolente, entretanto, foi bastante destacada.

Nanci resolveu questões importantes, como a regularização do pagamento dos servidores públicos. E ensaiou medidas interessantes: o Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas pode trazer inovação e agilidade à administração pública. Além disso, não saiu do lugar, exceto por esforços isolados de poucas secretarias (Cultura, Desenvolvimento Social e Educação).

Falta infraestrutura, segurança, manutenção das ruas, sinalização, varrição, coleta de lixo… Nanci deve promover, logo, o resgate da identidade gonçalense através de urbanização abrangente e incentivo ao conhecimento histórico e cultural. A lista de deficiências municipais é longa e sete meses de governo colocam o atual prefeito entre os culpados.

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Levem a Maré de violência de volta pra favela https://simsaogoncalo.com.br/levem-mare-de-violencia-de-volta-pra-favela/ https://simsaogoncalo.com.br/levem-mare-de-violencia-de-volta-pra-favela/#respond Sat, 22 Jul 2017 17:05:26 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4849 Eu vinha de Aparecida, no Estado de São Paulo, e atravessava a Linha Vermelha de ônibus, domingo passado (16/07), quando o trânsito parou de repente. Logo vi que não era um simples engarrafamento carioca: policiais corriam de arma em punho e motoristas abandonavam seus carros e corriam na direção contrária. Era a violência do Complexo […]

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Eu vinha de Aparecida, no Estado de São Paulo, e atravessava a Linha Vermelha de ônibus, domingo passado (16/07), quando o trânsito parou de repente. Logo vi que não era um simples engarrafamento carioca: policiais corriam de arma em punho e motoristas abandonavam seus carros e corriam na direção contrária. Era a violência do Complexo da Maré que transbordava, de novo, ameaçando inocentes.

Bandidos interrompendo bruscamente meu passeio em família? Um absurdo! Pago meus impostos. O motorista do ônibus mandou os passageiros manterem a calma e abaixarem a cabeça, aí que o povo entrou em desespero. Chorando, minha esposa imediatamente se ajoelhou e implorou ajuda a Nossa Senhora Aparecida. Meu filho dormia e não percebeu o terror.

Motoristas e passageiros se protegem de tiros na Linha Vermelha. Foto: Zilmar

Ninguém sabia direito o que fazer porque na verdade a gente não podia fazer nada dentro do ônibus, presos pelo engarrafamento, perto do 22º Batalhão da Polícia Militar. O nervosismo levou alguns ao banheiro do veículo, outros começaram a falar descontroladamente e poucos cumpriram a ordem de abaixar a cabeça e permanecer em silêncio. Se os marginais viessem num arrastão pra cima da gente, “perdeu”.

Em vários momentos tive vontade de descer e correr pra longe, mas o medo de tomar um tiro me impedia. Famílias inteiras fizeram isso, carregando bebês, inclusive. Carros tentavam retornar e motos passavam na contramão em alta velocidade.

Nós, moradores honestos do Rio de Janeiro, não aguentamos mais. O Estado é o culpado por essa bagunça. O que é o Estado eu não sei, só sei que a culpa não é minha.

Essa preocupação absurda com direitos humanos contribuiu para a violência atingir níveis infernais no Rio, como diz o grande Jair Bolsonaro, do alto de sua sabedoria e conhecimento adquirido através de profundos estudos sociais.

Exército no patrulhamento da Linha Vermelha, altura do Complexo da Maré, na época dos jogos olímpicos. Foto: UOL
Exército no patrulhamento da Linha Vermelha, altura do Complexo da Maré, na época dos jogos olímpicos. Foto: UOL

Mandem o Exército matar os vagabundos. Explodam os barracos. Aproveitem que as Forças Armadas vão patrulhar as ruas até o fim de 2018 e permitam que façam uma limpeza atirando primeiro e perguntando depois. Alguns inocentes morrerão, assim é a guerra. Quando uma nova Maré se formar daqui a algumas décadas, após a destruição do Complexo, não estarei mais na Terra.

Tirar os direitos dos seres humanos assim que se tornam bandidos é a solução para um Brasil melhor. Algo tão simples, tão óbvio. Nada de levar em consideração a formação histórica brasileira, repleta de desigualdade.

As 140 mil pessoas que vivem na Maré, em 17 favelas, deveriam fazer sua parte. Se foram criadas sobre a pobreza, sem direito a serviços como água encanada, aproveitem a oportunidade do ensino público e melhorem de vida. Se as crianças de lá brincam descalças na rua ao lado de valas de esgoto, a culpa é dos pais, nem tudo é culpa do Estado. Se são forçadas a entrar no crime por traficantes que fazem o recrutamento dentro das escolas, não me importo, desde que o direito de ir e vir das pessoas honestas continue existindo.

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Um café na Praça dos Bandeirantes, ao lado das pilhas de lixo https://simsaogoncalo.com.br/um-cafe-na-praca-dos-bandeirantes-ao-lado-das-pilhas-de-lixo/ https://simsaogoncalo.com.br/um-cafe-na-praca-dos-bandeirantes-ao-lado-das-pilhas-de-lixo/#respond Fri, 07 Jul 2017 18:06:01 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4809 Uma praia não é necessária para transformar o Bandeirantes, ou Amendoeira, em bairro nobre. Removam as pilhas de lixo e o excesso de policiais traidores. Estou tomando um bom café na padaria Porto Príncipe, na Praça dos Bandeirantes. O sabor é o mesmo do café que tomei em um bar qualquer do Leblon no dia […]

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Uma praia não é necessária para transformar o Bandeirantes, ou Amendoeira, em bairro nobre. Removam as pilhas de lixo e o excesso de policiais traidores.

Estou tomando um bom café na padaria Porto Príncipe, na Praça dos Bandeirantes. O sabor é o mesmo do café que tomei em um bar qualquer do Leblon no dia da prisão de Sérgio Cabral. Os helicópteros da polícia e da imprensa sobrevoavam o Leblon como moscas chatas. No Bandeirantes – que nem é reconhecido oficialmente como bairro – vivem menos políticos corruptos do que no Leblon, mas o bairro gonçalense tem outro problema grave: há moscas demais sobre as pilhas de lixo, moscas e fedor de verdade.

É por isso que a população reclama do governo Nanci. Em seis meses ele não trouxe o mínimo de dignidade, iluminação pública e coleta ampla e regular de lixo. A Operação Cidade Limpa, do fracassado governo Mulim, tentou limpar a cidade mas não ensinou o que fazer com o lixo, como separá-lo do material reciclável. Nanci precisa fornecer essa alternativa. Ninguém joga sacos de lixo na rua por prazer, sacos que depois são rasgados e espalhados por cães, porcos, cavalos e outros animais.

Oslo, na Noruega, avançou além da reciclagem, passou pela redução da geração de lixo, produz energia a partir dos resíduos sólidos e agora enfrenta um problema oposto: falta lixo na cidade e ela precisa importá-lo de outros países. Por que não em São Gonçalo?

Me prova que é possível dar dignidade à região, que oficialmente faz parte do bairro Amendoeira, o café com pão na chapa da Porto Príncipe, apreciado com o sol ameno dessa manhã de inverno, sentado em uma das cadeiras de madeira dispostas na calçada da padaria.

A Praça dos Bandeirantes é cheia de árvores, maravilha escassa no centro urbano municipal. É longa, linda, enorme. Alguns gonçalenses saem de casa a pé, atravessam a Estrada Raul Veiga, a praça, pegam um ônibus na rua Joaquim Laranjeiras e descem na Candelária, no Centro do Rio. São Gonçalo está integrada até a alma com os municípios ao redor, como diz Matheus Graciano, fundador do Sim São Gonçalo.

Os ônibus passam, carros também, em grande quantidade, mostrando o quanto o bairro está vivo. Já às 9h o ar dele consegue ser meio poluído e o vai e vem traz uma nostalgia que só existe nos lugares populosos.

Uma praia não é necessária para transformar o Bandeirantes, ou Amendoeira, em bairro nobre. Removam as pilhas de lixo e o excesso de policiais traidores.

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É hora de uma atitude diferente no combate à violência https://simsaogoncalo.com.br/e-hora-de-uma-atitude-diferente-no-combate-violencia/ https://simsaogoncalo.com.br/e-hora-de-uma-atitude-diferente-no-combate-violencia/#respond Mon, 03 Jul 2017 14:43:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4797 É hora de tomarmos uma atitude diferente no combate à violência: exigir desenvolvimento social. Faz tempo que a população de São Gonçalo vive com medo. Seguindo a máxima “Bandido bom é bandido morto”, tentamos matá-los, prendemos, mas não dá certo. Há sempre dois bandidos disputando a posição daquele que morreu ou foi preso. Apelamos à […]

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É hora de tomarmos uma atitude diferente no combate à violência: exigir desenvolvimento social.

Faz tempo que a população de São Gonçalo vive com medo. Seguindo a máxima “Bandido bom é bandido morto”, tentamos matá-los, prendemos, mas não dá certo. Há sempre dois bandidos disputando a posição daquele que morreu ou foi preso. Apelamos à Polícia Militar e… bem, deixa pro parágrafo seguinte. Chega de sentir medo. É hora de tomarmos uma atitude diferente no combate à violência: exigir desenvolvimento social, com a autoridade que a Constituição Federal nos confia.

Aluguel de armas, extorsão e sequestro. Escolta armada para fugas, corrupção e venda de drogas. Atividades cotidianas de uma facção criminosa fardada composta por pelo menos 11% do efetivo do 7º Batalhão de Polícia, instalado em São Gonçalo. O mesmo batalhão de onde saíram os policiais assassinos – inclusive o comandante da unidade – da juíza Patrícia Acioli, há seis anos. Se até a polícia nos traiu, a quem recorrer, senão a nós mesmos?

José Mariano Beltrame, ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro, prega que a segurança pública vai além do trabalho policial. Além de reduzir a precariedade da urbanização, é preciso dar perspectiva para a juventude, assistência social e propostas de proteção através da educação. Esse discurso jamais foi defendido pela sociedade fluminense como merecia, nem pelo governo estadual, mas faz parte da solução de qualquer país do mundo que enfrenta seriamente a criminalidade.

A pobreza é o primeiro crime. Os 25 países mais violentos ficam na América Latina e na África, regiões de baixo desenvolvimento humano. Nenhum na Europa, nem na América do Norte. Em São Gonçalo a renda per capita é inferior ao salário mínimo e somente 45,52% dos jovens de 18 a 20 anos terminaram o Ensino Médio (Atlas Brasil 2013). Quais alternativas a maioria dos jovens gonçalenses tem fora da escola? Dizer que mais da metade deles é voluntariamente vagabunda e bandida é a pior das hipocrisias. Não por acaso o município é violento.

Entre as vítimas, ao lado da população, os policiais honestos. Até o dia 17 de junho chegava a 81 o número de policiais mortos no Estado, alguns deles em São Gonçalo. Dentro da guerra sangrenta aí fora, não há meio-termo, mas heróis e bandidos. Felizmente existem heróis como os homens e mulheres da Corregedoria da Polícia Militar que participaram da caça aos criminosos corruptos da corporação semana passada.

O bonde do mal concentrado no 7º Batalhão, investigado pela Operação Calabar, era tão organizado que tinha até serviço de prevenção à inadimplência no pagamento de propina. Uma espécie de central telefônica mantinha contato com os extorquidos, traficantes de drogas de 46 comunidades. Quarenta e seis!, segundo o Jornal Extra.

Tanta opressão existe porque fazemos as exigências erradas. Ou nada exigimos, fugimos da responsabilidade. A violência só termina depois da pobreza. Há mais diferenças entre São Gonçalo e Estocolmo, a quarta cidade mais segura do mundo, do que seus índices de criminalidade.

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A pobreza se tornou ilegal em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/pobreza-se-tornou-ilegal-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/pobreza-se-tornou-ilegal-em-sao-goncalo/#respond Thu, 22 Jun 2017 15:48:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4724 Se a Lei Nº 7 der certo em São Gonçalo, onde raças se misturam e os índices sociais são baixos, servirá de modelo para outras regiões. A cidade de São Gonçalo, dona da segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro, acordou diferente nesta manhã: a Lei Nº 7, que torna a pobreza ilegal, […]

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Se a Lei Nº 7 der certo em São Gonçalo, onde raças se misturam e os índices sociais são baixos, servirá de modelo para outras regiões.

A cidade de São Gonçalo, dona da segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro, acordou diferente nesta manhã: a Lei Nº 7, que torna a pobreza ilegal, foi aprovada ontem em definitivo pela Câmara de Vereadores. São Gonçalo orgulha o Brasil por ser a primeira cidade do mundo a criminalizar a pobreza.

O morador de rua, em condições insalubres, ou quem não tem o que comer pode prestar queixa contra a Prefeitura na delegacia. Se comprovado que houve negligência assistencial, os funcionários públicos responsáveis podem ser presos.

Exigiu bastante esforço dos vereadores a aprovação da Lei de Repúdio à Pobreza, como também é chamada a Lei Nº 7. O prefeito vetou integralmente o projeto alegando “contrariedade ao interesse público”. Apelando à Constituição Federal, que estabelece moradia e alimentação entre os direitos sociais brasileiros, os defensores do projeto na Câmara conseguiram maioria simples para derrubar o veto.

Dona Maria, esposa de Seu José, morava na rua com seu marido há dois anos, desde que fugiram da seca do sertão pernambucano para tentar sobreviver em São Gonçalo. Eles foram os primeiros a denunciar sua penúria e ganharam na Justiça o benefício do aluguel social e uma ajuda de custo mensal equivalente a um salário mínimo.

A classe média gonçalense, empresários e pessoas que dizem que se esforçaram para vencer na vida sem jamais receber auxílio financeiro, que são contra a existência de cotas e acordam cedo todos os dias para trabalhar foram veementemente contra a Lei. Protestaram nas principais avenidas da cidade porque “não são obrigadas a sustentar vagabundos”, nas palavras delas. A Federação das Indústrias de São Gonçalo (FISG) emitiu uma nota de repúdio, redigida pelo Movimento São Gonçalo Livre (MSL), à lei que repudia a pobreza.

Mas os recursos necessários para atender à população já existiam através do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (que incide sobre alguns produtos passíveis de cobrança de ICMS), antes usado pelo governo do Estado do Rio para tapar buracos da crise financeira provocada por Cabral e companhia.

Defensores da lei afirmam que os gonçalenses – e todos os seres humanos – são responsáveis uns pelos outros. Sendo impossível alguém se tornar rico, ou de classe média, vivendo em isolamento, e a riqueza praticável apenas em sociedade, onde o dinheiro é usado na aquisição de bens e serviços criados por outros indivíduos, a mesma sociedade é obrigada a amparar os necessitados.

O projeto despertou o interesse de instituições de combate à pobreza da Organização das Nações Unidas. Se a Lei Nº 7 der certo em São Gonçalo, onde raças se misturam e os índices sociais são baixos, servirá de modelo para outras regiões.

Percebendo a atenção externa e o desperdício de uma oportunidade política, logo a FISG e o MSL publicaram na Internet um pedido de desculpas pela análise precipitada da Lei.

Em cada discurso de votação, os vereadores exaltaram a igualdade social. Ganhando R$ 15 mil por mês, enquanto a renda per capita no município é inferior ao salário mínimo, eles estudam reduzir seus salários em 50% em um projeto seguinte.

Além de moradia e bolsa-auxílio, o ex-pobre receberá noções de negócios e será incentivado a criar cooperativas e a buscar emprego no mercado formal. Os gonçalenses se olham nas ruas hoje com mais respeito e compaixão.

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Pra viver em São Gonçalo tem que perder alguma coisa https://simsaogoncalo.com.br/pra-viver-em-sao-goncalo-tem-que-perder-alguma-coisa/ https://simsaogoncalo.com.br/pra-viver-em-sao-goncalo-tem-que-perder-alguma-coisa/#comments Fri, 16 Jun 2017 14:53:26 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4695 Pra morar em São Gonçalo tem que perder alguma coisa material e imaterial. Nos quarteirões sem a presença do tráfico de drogas, e também nas ruas bloqueadas por barricadas, quando o tiro não está comendo, o cidadão sai para o trabalho, vizinhos conversam na calçada e as crianças brincam. Enquanto encontra condições mínimas, a rotina […]

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Pra morar em São Gonçalo tem que perder alguma coisa material e imaterial.

Nos quarteirões sem a presença do tráfico de drogas, e também nas ruas bloqueadas por barricadas, quando o tiro não está comendo, o cidadão sai para o trabalho, vizinhos conversam na calçada e as crianças brincam. Enquanto encontra condições mínimas, a rotina continua, mas está longe da normalidade. Diariamente toda a população de São Gonçalo perde algo de valor: o número de roubos a pedestres na cidade aumentou 82% de 2015 para 2016 (O Dia).

A própria vida pode ser perdida na porta de casa. Aconteceu em abril com a escriturária Solange Gonçalves, de 53 anos, no Porto da Pedra. Desesperado ao ver Solange baleada, seu marido implorou ajuda a um policial militar (envolvido no tiroteio que matou a mulher e possível autor do disparo) e ouviu como resposta do policial que “quem socorre é o SAMU”. Antes da vida de Solange ser perdida, o Estado do Rio perdeu o respeito pelo cidadão gonçalense.

Quanto mais pobre, maior a perda. Quem tem condições financeiras e nenhum laço emocional com a cidade, se afasta dela.

A moradora das regiões dominadas pelo tráfico perde a segurança, a liberdade e o prazer de habitar o território.

O dono do bar paga impostos às três esferas de governo e paga a bandidos por proteção contra eles mesmos. O camelô paga a fiscais corruptos para vender seus produtos ilegalmente embaixo do viaduto de Alcântara. O entregador de gás é obrigado a dar um botijão ou dois por mês para circular pelo bairro que nasceu e foi criado.

A artista perde público, mas não a esperança de um dia ter algum reconhecimento por sua arte. Ela insiste na atividade que a realiza, embora não traga nenhum retorno financeiro. Com o desemprego atingindo 30% dos jovens brasileiros, a jovem estudante do município, que oferece poucas oportunidades de trabalho, perde qualquer interesse pelo futuro.

Aquele que se desloca de manhã para trabalhar em Niterói ou no Rio de Janeiro perde horas e horas da vida nos engarrafamentos que começam cada vez mais próximos de casa. Quem passa pela BR-101, a rodovia do medo, não sabe nem se chegará ao destino: os casos de violência na estrada aumentaram quase 700% (O São Gonçalo).

Pra morar em São Gonçalo tem que perder alguma coisa material e imaterial. Não é perdida definitivamente a busca pela felicidade, obrigação humana que independe do lugar onde se vive e pode ser encontrada até nas cidades destruídas da Síria.

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“No meu plantão, não!”, diz o vigia da Fazenda Colubandê https://simsaogoncalo.com.br/no-meu-plantao-nao-diz-o-vigia-da-fazenda-colubande/ https://simsaogoncalo.com.br/no-meu-plantao-nao-diz-o-vigia-da-fazenda-colubande/#respond Fri, 09 Jun 2017 14:39:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4667 É fácil adivinhar por que os vigias da Fazenda Colubandê a amam tanto: eles conhecem sua história. – No meu plantão, não! Desse jeito raivoso Bira me respondeu quando perguntei se os atos de vandalismo contra a Fazenda Colubandê ainda acontecem. Ele tinha uma paixão nos olhos que eu nunca tinha visto por São Gonçalo. […]

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É fácil adivinhar por que os vigias da Fazenda Colubandê a amam tanto: eles conhecem sua história.

– No meu plantão, não!

Desse jeito raivoso Bira me respondeu quando perguntei se os atos de vandalismo contra a Fazenda Colubandê ainda acontecem. Ele tinha uma paixão nos olhos que eu nunca tinha visto por São Gonçalo. Como se uma mãe zelosa gritasse “Com meu filho ninguém mexe!”.

Bira é um dos quatro funcionários do Governo do Estado do Rio que se revezam a cada 36 horas para vigiar sozinhos, durante 12 horas, um espaço de cerca de 120 mil metros quadrados. Enquanto existir alguém que defenda a Fazenda Colubandê como ele, haverá esperança de dias melhores para o patrimônio histórico gonçalense abandonado desde 2012, quando foi desativado o Batalhão de Polícia Florestal que funcionava ali.

Além de Bira, diversos militantes, organizações e movimentos lutam pela revitalização da Fazenda. Grupos realizam ocupações culturais regularmente, como a do último sábado (03/06) com palestras, debates, exposições e apresentações teatrais. Há esperança, e muita, porque o povo gonçalense sabe a importância da Fazenda.

Ela é utilizada diariamente por dezenas de pessoas para a prática de atividades físicas, sem nenhum incentivo público. Na verdade o Poder Público até impõe obstáculos: na terça-feira (06/06), a quadra de esportes, de responsabilidade da Prefeitura de São Gonçalo, estava trancada com cadeado.

Bira não é o único vigia dedicado. Confesso que fiquei surpreso quando outro vigia me orientou, com a maior atenção do mundo, a não caminhar fora do alcance visual dele porque “pessoas estranhas” circulavam pelo local. Depois de anos abandonada, hoje a Fazenda conta com vigias que zelam pelo patrimônio e cuidam da segurança dos visitantes. É pra ter esperança, sim, ainda que não tenha sido uma atitude espontânea do Governo do Estado, mas determinada pela Justiça Federal.

É fácil adivinhar por que os vigias da Fazenda Colubandê a amam tanto: eles conhecem sua história. O Governo do Estado não ensinou nada, eles aprenderam com os antigos moradores da região. O Governo não ensinou nem a vigiar, eles não são vigias profissionais. Enfrentam diversos perigos desarmados – delinquentes perambulam pela Fazenda e bandidos são vistos usando a mesma como rota de fuga – e sua única “proteção” é um rádio comunicador para pedir ajuda ao posto da Polícia Militar localizado nos fundos do complexo. Bira e seus amigos corajosos fazem mais do que a função pede e o salário paga.

Vigiar a Fazenda Colubandê é cansativo, Bira caminha quilômetros a cada plantão. Ele espera que a partir de julho ou agosto alguma instituição faça a limpeza e a reforma da sede e da capela. Para não reduzir a paixão do vigia pela Fazenda – se isto for possível – eu não disse nada, mas a restauração deve demorar mais que isso. As quatro empresas antes interessadas em reformar o patrimônio não compareceram à tomada de preços mês passado.

A destruição, as pichações, as camisinhas usadas e o esgoto correndo a céu aberto, antes ocupantes exclusivos, agora dividem a Fazenda Colubandê com a determinação e o amor dos seus vigias.

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O esquema para recuperar o carro do prefeito https://simsaogoncalo.com.br/o-esquema-para-recuperar-o-carro-do-prefeito/ https://simsaogoncalo.com.br/o-esquema-para-recuperar-o-carro-do-prefeito/#respond Fri, 02 Jun 2017 18:13:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4660 O que você lerá a seguir é uma narrativa de ficção, inspirada na realidade gonçalense. Contrariado, o secretário mandou duas mensagens pelo WhatsApp, a primeira para o seu braço direito, responsável pelo Serviço de Inteligência, e a segunda para o comandante da Guarda Municipal. O conteúdo foi o mesmo: “Roubaram carro prefeito corola prata atividade”. […]

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O que você lerá a seguir é uma narrativa de ficção, inspirada na realidade gonçalense.

Contrariado, o secretário mandou duas mensagens pelo WhatsApp, a primeira para o seu braço direito, responsável pelo Serviço de Inteligência, e a segunda para o comandante da Guarda Municipal. O conteúdo foi o mesmo: “Roubaram carro prefeito corola prata atividade”.

O telefone do Secretário Municipal de Segurança Pública tocou depois das nove da noite.

– Porra, secretário, acabaram de roubar o carro do prefeito! Meteram a pistola na nossa cara e ameaçaram matar o homem aqui na Rua General Barcelos, esquina com a Avenida Presidente Kennedy.

– O que vocês estavam fazendo aí a essa hora, Marcão? Já disse que a cidade está violenta, o prefeito precisa encerrar o expediente mais cedo.

– A gente trabalhou até tarde hoje pra resolver aquela merda do lixo que não é recolhido. No caminho pra casa dele, dois marginais apareceram do nada na frente do carro gritando “Perdeu, perdeu”. Só deu tempo de sair do veículo.

– Tá. Pega um Uber aí, leva o prefeito pra casa e amanhã a gente conversa. Quem está perdendo o capítulo da novela sou eu.

– Vê o que o senhor pode fazer, por favor.

Contrariado, o secretário mandou duas mensagens pelo WhatsApp, a primeira para o seu braço direito, responsável pelo Serviço de Inteligência, e a segunda para o comandante da Guarda Municipal. O conteúdo foi o mesmo: “Roubaram carro prefeito corola prata atividade”. Quando recebeu a confirmação de visualização das mensagens, o secretário de Segurança Pública se sentiu mais tranquilo. No dia seguinte um agente secreto da Inteligência deu o pronto.

– Secretário, achamos o carro do prefeito. Mandamos deixar lá em Guaxindiba.

– Ótimo, depois entrega a conta do resgate ao secretário de Fazenda e diz que eu mandei. Qual o estado do veículo? Algum estrago?

– Não, tá inteiro. Tem os pertences do prefeito, do Marcão e também tá cheio de bolsa, celular, relógio… usaram o carro pra fazer arrastão até Itaboraí.

– Esses caras estão de sacanagem, não respeitam nem o prefeito, são uns animais.

– É, desse jeito não dá pra trabalhar. Não se contentam em roubar só a população. O senhor vem pro local?

– Guaxindiba é longe pra cacete, vou não. Ainda nem tomei café.

– A imprensa chegou antes da gente, estão fotografando o veículo. O comandante da Guarda Municipal acabou de chegar.

– Merda, então tenho que ir. Segura os jornalistas aí que eu preciso aparecer na foto, senão vão achar que foi só trabalho da Guarda. A oposição tá querendo derrubar todo mundo.

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Liga o alerta aí, amor https://simsaogoncalo.com.br/liga-o-alerta-ai-amor/ https://simsaogoncalo.com.br/liga-o-alerta-ai-amor/#respond Thu, 25 May 2017 20:11:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4655 Liga o alerta aí, amor, acende a luz interna e abaixa o farol e os vidros do carro. Liga o alerta aí, amor, porque você está entrando em São Gonçalo. Nossa cidade é escura e o motorista que esquece de piscar as luzes do veículo entra em depressão. Não me entenda mal, não é uma […]

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Liga o alerta aí, amor, acende a luz interna e abaixa o farol e os vidros do carro.

Liga o alerta aí, amor, porque você está entrando em São Gonçalo. Nossa cidade é escura e o motorista que esquece de piscar as luzes do veículo entra em depressão.

Não me entenda mal, não é uma ameaça. Castigo da insensibilidade humana no século 21, ligar o alerta para afastar a depressão é altamente recomendável. Além disso, o Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo. Combinado esse índice com a grande quantidade de lâmpadas queimadas nos postes, corremos o perigo da tristeza à noite.

Tirando as lâmpadas queimadas e o engano que cometeram com o prefeito (a Guarda Municipal rebocou o carro dele), São Gonçalo vai muito bem, obrigado. As brigas entre grupos de escoteiros – que estavam levando a população à loucura – diminuíram bastante. As coisas estão no seu devido lugar, cada um respeita o espaço do outro.

Em muitos bairros foram criadas ruas exclusivas para o lazer e segurança da população, como aquelas que existem na Barra da Tijuca. Para fazer o isolamento as associações de moradores usaram paletes que pegaram no CEASA, pintaram de branco e penduraram flores, ficou uma coisa linda. Enquanto na Barra os caras têm dinheiro pra instalar cancelas que sobem e descem tocando música clássica, com vigia, wifi e tudo. A diferença fica na qualidade da infraestrutura. A satisfação que existe lá, temos aqui.

Somos uma cidade alegre, mas pobre e sem árvores no centro urbano, não dá pra comparar tanto com os bairros nobres do Rio. Ah, o Rio de Janeiro tem um agravante: bandidos demais. Tenho medo de andar naquele lugar.

Colocamos os meninos a partir de 14 anos uniformizados no topo do morro pra vigiar a circulação de motoristas depressivos. Como frequentemente são liberados mais cedo da escola, conseguem conciliar os estudos com a carreira, remunerada, de observador. Mantemos os adolescentes ocupados para que não se tornem adultos infelizes.

Em algumas ruas distribuem suco natural, sanduíche integral e açaí para a criançada. Em outras colocaram videogames e fliperamas, veja só que festa. Ajudar na recuperação de jovens com sinais de melancolia, coisa que o Estado falido não faz, é prioridade das associações.

Liga o alerta aí, amor, acende a luz interna e abaixa o farol e os vidros do carro. Sintonize o rádio naquela estação que adoro e vamos seguir em paz, com um sorriso no rosto. São Gonçalo é uma cidade livre, amiga, nada aqui é forçado não.

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É um teatro? É uma igreja? Não! É a Câmara Municipal https://simsaogoncalo.com.br/e-um-teatro-e-uma-igreja-nao-e-camara-municipal/ https://simsaogoncalo.com.br/e-um-teatro-e-uma-igreja-nao-e-camara-municipal/#respond Tue, 23 May 2017 12:10:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4650 A inauguração do primeiro teatro municipal de São Gonçalo está atrasada há meses. Enquanto a obra estimada em R$ 13,6 milhões não fica pronta, a população conta com espetáculos de drama e humor exibidos na Câmara Municipal de terça a quinta-feira, às 17h. A diversão é garantida quando os atores não faltam à apresentação na […]

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A inauguração do primeiro teatro municipal de São Gonçalo está atrasada há meses. Enquanto a obra estimada em R$ 13,6 milhões não fica pronta, a população conta com espetáculos de drama e humor exibidos na Câmara Municipal de terça a quinta-feira, às 17h. A diversão é garantida quando os atores não faltam à apresentação na qual fingem saber o sentido do seu mandato. Faltas são frequentes: o elenco tem o hábito de resolver problemas pessoais no horário de trabalho.

As sessões plenárias começam com a leitura de um versículo bíblico, preferencialmente realizada por Salvador Soares, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Sendo a Câmara um espaço político de representação popular, não uma igreja evangélica, o espectador se surpreende com o ato religioso. Nenhum adepto do Espiritismo nem da Umbanda, religião criada em São Gonçalo, é convidado a participar da encenação.

Vereador mais votado no último pleito, o papel do bispo Salvador se resume a ler a Bíblia e liderar orações dentro da casa legislativa, transformada em templo da Universal. Algum destaque em defesa dos interesses do povo? Nenhum. Apenas dos interesses de outro bispo, Marcelo Crivella.

O presidente da sessão solicita a leitura da ata da celebração anterior. Pouco empolgante, como uma cena vista centenas de vezes, tradicionalmente os vereadores não prestam atenção à leitura. Cochicham, fofocam e trocam figurinhas sobre como aumentar sua influência junto às comunidades carentes, inclusive de cidades como Maricá.

O tempo inteiro se mistura ao enredo o som de mensagens que chegam pelo Messenger e WhatsApp. Há coisas mais importantes para os parlamentares do que discutir a qualidade de vida do gonçalense, não fazem a gentileza de desligar o celular. O hino do Flamengo, toque do aparelho de algum vereador fanático, já foi registrado pela TV Câmara.

Projetos de lei, requerimentos de iluminação e retirada de lixo, moções de aplausos para puxa-sacos e processos em geral são listados pelo primeiro secretário na leitura do expediente.

Oradores previamente inscritos ganham a palavra e assumem a tribuna. Tecem elogios a outros vereadores, se esquivam raivosamente de acusações públicas e a cidade não é discutida. Eles são o centro viril das atenções (por qual razão as mulheres gonçalenses preferem votar nos candidatos homens?). No máximo refletem sobre jogar um caminhão de pó de pedra nos buracos de uma rua. Não sabem legislar para tirar São Gonçalo do abismo.

Ao fim da peça, sem mais oradores nem matérias sobre a mesa, os atores e bispos vão embora com R$ 15 mil mensais da venda dos ingressos e ofertas no bolso, confiantes de que divertiram o povo, embora sua vida sofrida tenha permanecido a mesma.

Amém.

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Três horas de espera pra ser vacinado em Alcântara https://simsaogoncalo.com.br/tres-horas-de-espera-pra-ser-vacinado-em-alcantara/ https://simsaogoncalo.com.br/tres-horas-de-espera-pra-ser-vacinado-em-alcantara/#respond Thu, 11 May 2017 21:36:02 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4610 Tomei vacina contra a febre amarela no Polo Sanitário Dr. Hélio Cruz, em Alcântara. As mãos habilidosas da enfermeira não provocaram nenhum incômodo com a agulhada. Foi algo rápido, macio e sensual, deu até vontade de tomar duas doses. Acontece que esperei de pé por 3 horas e 37 minutos para ser vacinado, a maior […]

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Tomei vacina contra a febre amarela no Polo Sanitário Dr. Hélio Cruz, em Alcântara. As mãos habilidosas da enfermeira não provocaram nenhum incômodo com a agulhada. Foi algo rápido, macio e sensual, deu até vontade de tomar duas doses. Acontece que esperei de pé por 3 horas e 37 minutos para ser vacinado, a maior parte do tempo suando embaixo do sol forte. Pensar em passar por isso de novo nessa vida me dá calafrios.

Entrei na fila às 7:11. Ela tinha uns 150 metros e dobrava a esquina da rua Concórdia com a Silvio Romero. Para passar o tempo, coloquei um livro na mochila ao sair de casa, com ele pensava que estaria preparado para a espera. Não estava. Nada em São Gonçalo é previsível, somos mais de 1 milhão de pessoas concentradas em um centro urbano caótico.

Logo interrompeu minha leitura o som de uma bicicleta fazendo anúncios. Do início ao fim da fila divulgava um “delicioso café da manhã na padaria Rua da Feira com suco, pão, queijo e mortaNdela”. A cada 10 minutos o anunciante parava no local onde eu estava e fazia seu trabalho honesto. Ouvi o mesmo anúncio quase 22 vezes e não foi o único.

Um camelô também tinha um moderno sistema de som integrado com microfone de cabeça, parecido com aqueles usados por apresentadores de televisão. Ele vendia bolo, pastel e caldo de cana e por um motivo incompreensível seu anúncio repetitivo começava com o mesmo assovio do Godinez, personagem do seriado Chaves.

Depois de uma hora parado, senti as primeiras fisgadas na perna. Uma enfermeira do posto passou perguntando se alguém na fila tomava medicamento antialérgico e eu respondi “Aerolin”. Ela me encarou fundo nos olhos e disse “Huuummm, vou verificar se você pode tomar a vacina”, virou as costas e não voltou mais. Fiquei preocupado.

Os adultos se cansaram antes das crianças. Sentaram no meio fio, nos poucos bancos da calçada ou se abaixaram e ficaram de cócoras mesmo. Depois das nove horas o sol passou a incomodar e a proteção mais usada era a caderneta de vacinação dos filhos. Minha pele assava embaixo da camisa preta.

Finalmente o tédio venceu as crianças também. Algumas pareciam ter apenas dois anos de idade. Não havia fila preferencial para elas. Choraram e pediram colo, não suportavam a imobilidade da fila.

O sol ficou mais forte e pessoas atrás de mim se abrigaram na minha sombra (algo bastante frequente porque sou alto). As brechas entre os dedos dos meus pés suavam. Não ventava. As fisgadas na perna se transformaram em tremedeira.

Com suor escorrendo da testa, as pessoas se embolaram umas nas outras, como se tentassem ocupar o lugar da frente. Tinha gente abaixada na sombra dos carros estacionados. As mães não sabiam como ajudar seus filhos.

Ser vacinado em Alcântara é uma gincana!

Alcançamos a primeira porta do posto, mas o sofrimento estava longe de terminar. A porta servia a outros atendimentos, a entrada para tomar a vacina contra a febre amarela ficava 25 metros à frente.

Pelo menos trinta minutos depois, chegamos à segunda porta, o que não trouxe nenhum conforto: dentro do posto a fila quilométrica continuava fazendo zigue-zague na direção da mesa de cadastro. O lado posterior das minhas coxas enrijeceram.

Ambulantes e pregadores evangélicos gozavam de tanta liberdade de circulação quanto funcionários concursados. Tinha até vendedor de boneco de plástico da Peppa Pig soltando bolinhas de sabão sobre os pacientes.

Desesperado com a demora, ganhei uma mensagem bíblica e passei a usá-la como marcador de página do livro que segurava (Macumba, de Rodrigo Santos). O mensageiro cristão me olhou dos pés à cabeça com desdém.

A enfermeira que fazia meu cadastro perguntou se eu tomava algum medicamento contra alergia. Gelei. Repeti: “Aerolin”.

– Tenho quase certeza que você não poderá tomar a vacina por causa dos corticoides, mas vou confirmar – disse a enfermeira carinhosamente. Eu estava há 3 horas e 15 minutos de pé, tomaria a vacina ainda que as complicações me matassem.

Ela fez uma ligação, que pareceu durar uma eternidade, por fim descobriu que o Aerolin não traz complicações. Respirei aliviado. Peguei meu certificado de vacinação e fui mandado ao consultório no fim do corredor para ser imunizado. Alegre depois de tanta espera, sentindo dores de cabeça, nas pernas e nas costas e andando entrevado como um robô, quase tive um infarto quando cheguei na porta do consultório: havia outra fila me esperando.

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Mentiras que o gonçalense repete https://simsaogoncalo.com.br/mentiras-que-o-goncalense-repete/ https://simsaogoncalo.com.br/mentiras-que-o-goncalense-repete/#comments Fri, 28 Apr 2017 17:29:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4572 São Gonçalo não presta. É o quintal sujo, escuro e desrespeitado de Niterói. Terra ocupada por um milhão de condenados onde ninguém planta nada de valor. Um lixão em cada esquina, furto de combustível da garagem municipal, filas quilométricas para tomar vacina contra a febre amarela, ruas esburacadas devido à paralisação do setor de infraestrutura […]

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São Gonçalo não presta. É o quintal sujo, escuro e desrespeitado de Niterói. Terra ocupada por um milhão de condenados onde ninguém planta nada de valor.

Um lixão em cada esquina, furto de combustível da garagem municipal, filas quilométricas para tomar vacina contra a febre amarela, ruas esburacadas devido à paralisação do setor de infraestrutura e por aí vai.

O prefeito Nanci é um frouxo controlado pela mulher e desse governo nenhuma evolução se pode esperar. Dos membros do Legislativo, menos ainda. São incorrigíveis, sanguessugas e ignorantes que esbanjam erros de ortografia e gramática com orgulho nas redes sociais. Os vereadores sustentam a mediocridade que nasce da conjunção corrupta entre a Prefeitura e o mandato populista dos secretários de governo. Querem somente o dinheiro do povo que o elegeu.

Se Dejorge Patrício tivesse sido eleito, por bem ou por mal ele já teria resolvido essa bagunça toda. Dejorge tem peito.

A melhor prefeita das últimas décadas foi Aparecida Panisset. Ela roubou descaradamente, sim, foi condenada pela Justiça, mas pelo menos construiu praças e asfaltou ruas. Antes de Panisset não houve nada de importante na política gonçalense.

O maior culpado pelo abandono é o povo que não sabe votar. Ele mantém os políticos que merece, por isso a cidade jamais deixará de ser o esgoto niteroiense, aquilo que é expulso e malquisto pelos vizinhos.

Veja a página no Facebook com centenas de milhares de fãs chamada ironicamente de “São Gonçalo vai mudar”. Ela publica roubos de veículos, prisões, pessoas desaparecidas e os seguidores curtem o mesmo conteúdo desgraçado diariamente. Não há sinais positivos. Na tragédia que o gonçalense, que em primeiro lugar frustra qualquer melhoria, gosta de se esbaldar.

A falta de educação do morador – que não pode ser chamado de cidadão – impede o ato mais simples do mundo: jogar o lixo na lixeira. Ele prefere largar o copo de guaravita e o guardanapo do salgado no chão, na sarjeta ou encosta, ambos ao lado do poste de luz.

Sem pontos turísticos, sem valor histórico, praias, nem opções de lazer. A última coisa boa que saiu de São Gonçalo para o mundo foi a dupla Claudinho e Buchecha há mais de 20 anos. E para azar do município (azarado por natureza) Claudinho foi perdido em um terrível acidente.

São Gonçalo é a decepção violenta publicada na capa do seu diário mais famoso. O melhor jeito de sobreviver nela é puxando o saco de algum político e arrumando um carguinho comissionado, de preferência sem trabalhar muito. Boas ideias empreendedoras não dão certo. Ninguém tem grana para comprar nada que não seja vendido por camelôs embaixo do viaduto de Alcântara. Montar um negócio é perda de tempo, investir é jogar dinheiro fora.

Se o jovem estudasse, teria sucesso na vida, transformaria São Gonçalo. As oportunidades de educação são iguais para todos, a escola pública municipal é boa. Esses moleques safados preferem fumar maconha, perambular e roubar.

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Olha o ovo aí, freguesa! https://simsaogoncalo.com.br/olha-o-ovo-ai-freguesa/ https://simsaogoncalo.com.br/olha-o-ovo-ai-freguesa/#comments Sat, 22 Apr 2017 20:45:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4465 O vendedor ambulante, seja ele de ovo, pamonha, vassouras ou mesmo o camelô, pode ser visto como sinal de atraso da infraestrutura comercial e de serviços de São Gonçalo. Afinal, o primeiro shopping center da cidade foi criado há apenas 13 anos. Edifícios comerciais com mais de 3 andares são escassos até no Centro do […]

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O vendedor ambulante, seja ele de ovo, pamonha, vassouras ou mesmo o camelô, pode ser visto como sinal de atraso da infraestrutura comercial e de serviços de São Gonçalo. Afinal, o primeiro shopping center da cidade foi criado há apenas 13 anos.

Edifícios comerciais com mais de 3 andares são escassos até no Centro do município. O vendedor que atua de porta em porta, na verdade, não tem nada de atrasado. Ele traz, pontualmente, um contato humano ímpar que alegra o coração.

O trabalho é cansativo, mal remunerado, o sol castiga. Mas é parte do patrimônio social gonçalense. O ambulante também tenta se modernizar. Anos atrás caminhava carregando nas costas mais produtos do que um trem é capaz. Panelas, redes de dormir, artigos de cama, mesa e banho, cadeiras de ferro revestidas com tiras de borracha verde, azul e vermelha e por aí vai.

Frutas e alimentos diversos estão entre os produtos oferecidos. Hoje o ambulante pedala bicicletas carnavalescas, com guarda-sol colorido. Dirige carros podres, caindo aos pedaços, kombis e caminhonetes. Todos os meios de transporte trazem seu característico sistema de som integrado. A propaganda é a alma do negócio e a dona de casa a ouve chegando de longe.

Tem ovos e tem abacaxi
Essa melancia é docinha, diurética, faz bem pra qualquer idade
Tem abacaxi, melancia e laranja no saco
Tem laranja no saco, pode vir, meu senhor
Leva uma cartela com 30 ovos, paga 10 reais
O preço é bom, a mercadoria é de qualidade
Vem pra cá, minha senhora
Sabia que o ovo é o mais completo alimento para o ser humano?
É ovo, é ovo, é ovo

Por duas semanas seguidas minha esposa comprou essa bendita bandeja com 30 ovos. “A promoção está boa e eu preciso bater uns bolos”, ela justificava. Não aguento mais ver ovo na minha frente.

Tenho uma curiosidade enorme: os vendedores ambulantes são privilégio das ruas de barro das comunidades ou circulam pelo asfalto dos endereços nobres, onde moram secretários de governo e vereadores?

Quando ouvir de novo um divertido vendedor ambulante empurrando a bicicleta ou dentro de um cacareco sobre rodas, você sentirá orgulho da capacidade criativa do gonçalense se puxar um papo com ele.

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A desigualdade entre os jovens gonçalenses cria duas cidades https://simsaogoncalo.com.br/desigualdade-entre-os-jovens-goncalenses-cria-duas-cidades/ https://simsaogoncalo.com.br/desigualdade-entre-os-jovens-goncalenses-cria-duas-cidades/#comments Sat, 08 Apr 2017 21:30:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4429 Dois tipos de jovens se destacam e têm papel fundamental na construção irregular de São Gonçalo. Fora das favelas, onde prevalece a pobreza, os tipos podem ser vistos misturados nas ruas e nos espaços públicos. Majoritariamente do sexo masculino, frequenta a Fazenda Colubandê o esportista saudável, branco, que corre na pista, joga basquete na quadra […]

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Dois tipos de jovens se destacam e têm papel fundamental na construção irregular de São Gonçalo. Fora das favelas, onde prevalece a pobreza, os tipos podem ser vistos misturados nas ruas e nos espaços públicos.

Majoritariamente do sexo masculino, frequenta a Fazenda Colubandê o esportista saudável, branco, que corre na pista, joga basquete na quadra bem vestido e convida as meninas para ver o jogo. Elas até se maquiam para assistir. Andam em grandes grupos, por segurança.

Também frequenta a Fazenda o jovem negro, de chinelo, bermuda, sem camisa (carregada no ombro) e boné. Ele perambula pelo espaço. Acende um cigarro, senta na escada diante da pista e vê as pessoas correndo. Se encontrar um amigo, levanta, brincam de luta por alguns minutos e quando se cansam os dois comentam as últimas notícias das bocas de fumo das redondezas. Esse jovem assusta, afinal, tem a aparência daqueles que assaltam. Anda em grupos menores.

Há rapazes e moças no Ensino Médio particular que almoçam todos os dias, de segunda a sexta, nos restaurantes do Centro e do Rodo após as aulas. Na São Gonçalo carente os jovens não estudam, passam o dia planejando o próximo churrasco de rua, jogando futebol ou fumando maconha. De acordo com o Atlas Brasil 2013, a proporção de gonçalenses de 18 a 20 anos com Ensino Médio completo é de apenas 45,52%.

Os flanelinhas serelepes do bairro Raul Veiga, que atuam ao lado do campo Central, têm 17, 15, 12 e até 10 anos de idade. Abrem um sorriso alegre depois que recebem a gorjeta extorquida. São um pouco mais maduros os jovens que cobram pedágio dos carros que passam pelo atalho da RJ-104 por baixo do viaduto, entre Coelho e Alcântara. Por outro lado, a São Gonçalo de ensino avançado exporta alunos fluentes em Inglês para olimpíadas internacionais de Matemática e eles retornam medalhistas.

Existe a cidade de cultura pujante alavancada pelo teatro cômico, pelo hip hop e pelas artes em geral praticadas principalmente pela juventude. A militância política dela, dedicada a estudar temas e leis a fim de cobrar a aplicação honesta do dinheiro público, é nobre e bela, mas pouco conhecida.

Houve migração de criminosos do Rio de Janeiro para São Gonçalo após a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora. Mas eles só conseguiram se estabilizar por aqui e aumentar a criminalidade porque encontraram soldados suficientes entre os jovens desocupados do município.

A São Gonçalo suja, que provoca medo, é maior, conta com a conivência do poder público, mas não significa que a outra seja pequena, é repleta de exemplos de sucesso conquistados com dedicação e investimento nos jovens. São eles que criam a cidade do próximo instante.

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Oito dicas para pedalar em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/8-dicas-para-pedalar-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/8-dicas-para-pedalar-em-sao-goncalo/#comments Sun, 19 Mar 2017 12:22:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4387 Pedalar em São Gonçalo é difícil. Aliás, isso é complicado em todo Brasil. Mas o município gonçalense tem um agravante: não possui nenhum metro de ciclovia. E por favor, não chame aquilo na Rua Jaime Figueiredo de ciclovia, porque não atende aos requisitos mínimos. Anualmente, aliás, ciclistas morrem nas ruas de cidades em todo Brasil. […]

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Pedalar em São Gonçalo é difícil. Aliás, isso é complicado em todo Brasil. Mas o município gonçalense tem um agravante: não possui nenhum metro de ciclovia. E por favor, não chame aquilo na Rua Jaime Figueiredo de ciclovia, porque não atende aos requisitos mínimos.

Anualmente, aliás, ciclistas morrem nas ruas de cidades em todo Brasil. E ainda caminhamos em direção à civilidade.

Para muitas pessoas, entretanto, vale a pena o risco de pedalar em São Gonçalo. Afinal, ser feliz aqui é assumir riscos o tempo inteiro.

Dicas para pedalar em São Gonçalo

  1. Use capacete.
  2. Abuse de outros itens opcionais de segurança. Roupas de cores chamativas, luz branca na frente da bike e luz vermelha atrás (pra quem pedala à noite).
  3. Nunca pedale na contramão. É um erro grosseiro cometido por muitos. A bicicleta é um meio de transporte reconhecido pelo Código Brasileiro de Trânsito. Os demais motoristas precisam percebê-la e não esperam outro veículo vindo na contramão.
  4. Prefira as ruas paralelas. Saia do fluxo principal de veículos. Quando não for possível, use as vias mais largas ou menos movimentadas. A Avenida Maricá é uma boa opção para se deslocar da região de Alcântara em direção à Niterói.
  5. Compre travas e correntes. Use mais de um tipo de trava para prender sua bicicleta, e não deixe nenhuma parte “solta” (roda de trás, banco e roda da frente podem ser amarrados ao quadro). Tenho duas correntes e uma trava do tipo U-Lock. Costumo deixar minha bicicleta o dia inteiro na Praça do Rodo e em Alcântara, em frente ao viaduto.
  6. Estabeleça contato visual. Nos cruzamentos e ultrapassagens, mostre sua intenção.
  7. Conheça as leis de trânsito. Elas tornam a viagem mais segura.
  8. Seja educado e prudente. Dê a preferência aos outros veículos, já há riscos suficientes.

Pedalar em qualquer lugar é confiar no outro que dirige um ônibus, caminhão ou carro de passeio. Há prazer enorme nisso, um sentido de união único. Na maioria esmagadora das minhas viagens, recebi dos motoristas mais respeito do que desprezo.

Fiz o trajeto Alcântara x Rodo várias vezes por semana durante meses. Também fui diversas vezes de Alcântara para o Terminal das Barcas, em Niterói. Hoje pedalo frequentemente até a Fazenda Colubandê por ruas paralelas à RJ-104.

A bicicleta é um meio de transporte saudável, não poluente e rápido. Faço o trajeto Alcântara x Rodo pela Avenida Maricá em 30 minutos, mais rápido do que de ônibus, feito geralmente em 40 minutos, pois teria que caminhar até o ponto, aguardar a condução e suportar os engarrafamentos.

Sou um cidadão que pedala, não um ciclista profissional. Leia dicas adicionais em sites especializados antes da sua primeira viagem, como o Vá de Bike, conheça o São Gonçalo Bike Club, lembre-se dos riscos e assuma o controle da sua cidade.

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O sentido de ser gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/o-sentido-de-ser-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/o-sentido-de-ser-goncalense/#comments Mon, 13 Mar 2017 12:56:04 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4351 Morar em São Gonçalo, ser goncalense, significa ser parte de um povo que não esconde seus sentimentos. O gonçalense fala alto, xinga e beija em público, aprecia uma conversa de repente na rua, é ingênuo no trato político e irreverente nas manifestações populares. Ser gonçalense é abrigar uma parte do Brasil dentro de si, resguardadas […]

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Morar em São Gonçalo, ser goncalense, significa ser parte de um povo que não esconde seus sentimentos. O gonçalense fala alto, xinga e beija em público, aprecia uma conversa de repente na rua, é ingênuo no trato político e irreverente nas manifestações populares.

Ser gonçalense é abrigar uma parte do Brasil dentro de si, resguardadas as particularidades locais, afinal, a história de São Gonçalo ocorre em paralelo com a formação do país. A sesmaria que posteriormente deu origem ao município foi doada no dia 6 de abril de 1579 (O município de São Gonçalo e sua história – Maria Nelma Carvalho Braga).

Alguns pontos especiais rendem vantagens à vida gonçalense: o contato direto, cara a cara, ao ar livre, permanece forte entre nós, seja com o vendedor ambulante, que vende de porta em porta, ou com a criança escalando uma árvore frutífera, depois subindo no muro do vizinho para pegar uma pipa voada.

Soltar pipa, aliás, ocupa espaço considerável na formação da criança e do adolescente, até a idade adulta. Milhares de pessoas vão anualmente ao Clube Esportivo Mauá, no Centro, para o festival anual dos brinquedos coloridos feitos de bambu, fibra e papel. Famílias inteiras se sentam à sombra das árvores para apreciar atividade tão infantil e alegre. Bairros como o Laranjal também promovem festivais.

O sentido de ser gonçalense é aproveitar o melhor da inocência humana. Toda criança se diverte na infância, todo adulto celebra com amigos. O capital, escasso ou mal distribuído, não substituiu o contato físico nem valores fundamentais. É fácil encontrar relacionamentos de longa data entre vizinhos conversando na calçada.

Por outro lado, o desenvolvimento democrático é igualmente imaturo. A Câmara Municipal é pobre em representatividade (faltam negros, mulheres e LGBTs entre os vereadores) e as letras não contam com o mesmo espaço das raias, cortadeiras e piões na formação do cidadão.

Um milhão de pessoas vivem em São Gonçalo, a 16ª maior população entre todos os municípios brasileiros. O primeiro teatro municipal, entretanto, ainda não foi inaugurado. A inserção da imprensa na sociedade, usada como sinal de qualidade de uma região, deixa a desejar.

Um povo não cabe em uma frase, artigo ou livro. Que os acertos dessa tentativa de compreensão superem seus erros. Porque o comportamento do Calçadão de Alcântara lotado para as compras de Natal não é transmitido através de simples indicadores socioeconômicos. Eles apontam que o gonçalense médio ganha mal, estuda pouco e é jovem (Atlas Brasil 2013), mas ele é mais que isso. O gonçalense é comunhão humana, efervescência pura.

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O renascimento da Fazenda Colubandê https://simsaogoncalo.com.br/o-renascimento-da-fazenda-colubande/ https://simsaogoncalo.com.br/o-renascimento-da-fazenda-colubande/#comments Fri, 03 Mar 2017 13:37:41 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4340 Geralmente escrevo apenas um artigo por semana sobre São Gonçalo, mas o renascimento da Fazenda Colubandê fez a cidade merecer um artigo extra. A Fazenda estava linda no último fim de semana. Quem não foi, perdeu. Criada pelo novo prefeito, a linha de ônibus circular que liga a Fazenda aos noventa e um bairros oficiais […]

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Geralmente escrevo apenas um artigo por semana sobre São Gonçalo, mas o renascimento da Fazenda Colubandê fez a cidade merecer um artigo extra. A Fazenda estava linda no último fim de semana. Quem não foi, perdeu.

Criada pelo novo prefeito, a linha de ônibus circular que liga a Fazenda aos noventa e um bairros oficiais facilitou o acesso ao local. A passagem custa R$ 1, preço de custo. A família gonçalense compareceu em peso: casais heterossexuais e gays, com e sem filhos; jovens, idosos, crianças, todos se divertiram.

Mais famosa novidade gastronômica nacional, os food trucks foram espalhados pelos quatro cantos da Fazenda, do portão de entrada até o entorno da pista de atletismo. Dispostos desta forma os pequenos caminhões e bicicletas equipadas com baú incentivaram a circulação geral, diferentemente do evento semelhante que ocorreu na praça Zé Garoto em junho/16, área consideravelmente menor.

O sol forte e o céu limpo tornaram o domingo memorável. Reluzindo, pintada e de grama aparada, a Fazenda Colubandê deixava o céu e o sol ainda mais belos, não o contrário. O brilho da alegria no ar ofuscava. Nem de longe lembrava aquele imóvel decadente onde vândalos urinavam, defecavam e largavam camisinhas usadas. O melhor ponto turístico gonçalense precisava de um pouco de respeito, carinho e atenção, nenhuma reforma profunda foi necessária.

Enquanto apreciavam seu lanche preferido sentados à sombra num dos característicos banquinhos de madeira rústica, os pais deixavam os filhos aos cuidados dos monitores para um passeio pelo complexo com direito à aula de História. O circuito incluía o orquidário, espaços de convivência, a capela, a sede e seu subsolo, onde no passado existiu uma senzala.

Como fazem há anos, o Recicla Leitores distribuiu livros de graça. Um charme a mais ver obras literárias espalhadas no chão, em vez de copos plásticos, e dezenas de crianças empolgadas em volta, ao pé da palmeira gigante.

São Gonçalo num imenso piquenique, tantas eram as toalhas espalhadas pela grama verde. Crianças desciam as rampas de bicicleta e patinete, adolescentes conduziam patins. A pista de atletismo transbordava de corredores. Os times de basquete e vôlei aguardavam em fila sua vez de jogar diante das quadras lotadas.

Treze grupos musicais do município se apresentaram ao lado da capela. Depois das quadras, próximo à cantina, havia silêncio suficiente para conversar ou namorar.

Comi um hambúrguer gigantesco tomando chopp artesanal sentado embaixo de uma árvore. Meu filho brincava com dois novos amigos que tinham levado linha e pipa pra soltar. No final da tarde, suado e cansado, quase pulei na piscina mas a reformaram exclusivamente para as crianças, grande injustiça. Na Fazenda Colubandê restaurada falta somente uma piscina para adultos.

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Salvem o jornal O São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/salvem-o-jornal-o-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/salvem-o-jornal-o-sao-goncalo/#comments Tue, 21 Feb 2017 14:32:24 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4326 O texto abaixo reflete a opinião do autor, Mário Lima Jr. Até junho de 2016, eu considerava o jornal O São Gonçalo uma publicação desprezível. Vendendo violência, é indigno de carregar o nome do 16º maior município do Brasil, onde vivem 1 milhão de pessoas. O jornal continua inútil, mas meu ódio por ele se foi. Quando […]

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O texto abaixo reflete a opinião do autor, Mário Lima Jr.

Até junho de 2016, eu considerava o jornal O São Gonçalo uma publicação desprezível. Vendendo violência, é indigno de carregar o nome do 16º maior município do Brasil, onde vivem 1 milhão de pessoas. O jornal continua inútil, mas meu ódio por ele se foi.

Quando estive na exposição “Belarmino de Mattos 125 anos – Patrono do Jornalismo Gonçalense”, vi que a história do jornal é maior do que a falta de cidadania da direção atual, que desconhece os princípios jornalísticos. O São Gonçalo circula há longos 85 anos. Merece ser salvo, não odiado.

Belarmino de Mattos fundou o jornal O São Gonçalo em 1931. Era mais que um jornalista. Ele atuou em áreas como política, cultura e economia e ajudou a criar instituições diversas, como hospitais e ligas esportivas. O São Gonçalo foi fundado por um gênio que desejava que o veículo fosse “uma árvore imortal, árvore da inteligência, da vontade popular e das aspirações públicas”. Ainda nas suas palavras, Belarmino queria dotar a cidade de “uma grande voz que falasse ao povo do município, aos nossos vizinhos do Brasil inteiro”.

O jornal O São Gonçalo de hoje

Hoje, de propriedade da Fundação Universo e presidido por Wallace Salgado de Oliveira, temos nas páginas nefastas do diário o oposto dos valores humanos cultivados por seu fundador. A publicação é usada como um brinquedo para exercício da vaidade e gosto pela violência, onde fotografias de integrantes da família Salgado de Oliveira são publicadas na capa como exemplos de gonçalenses ilustres. Um autoelogio medíocre.

O São Gonçalo não traz informações sobre o dia a dia político e econômico da cidade, que favoreçam a formação da opinião pública a respeito da realidade caótica gonçalense. Ele prefere fazer parcerias de divulgação com restaurantes, em vez de se aproximar de livrarias e grupos culturais, tão ignorados aqui.

Apesar do nome da publicação, não bastasse a quantidade de cadáveres gonçalenses que exibe, os assassinatos em Itaboraí, Maricá, Niterói, Rio Bonito, Tanguá e Região dos Lagos também foram incorporados à pauta. Formam uma colcha de retalhos sangrenta, descompromissada com o desenvolvimento da capacidade crítica do leitor.

O Sr. Wallace Salgado de Oliveira poderia alegar que preside uma empresa que paga contas e salários em tempos de crise econômica, ao invés de manter um ideal. Desde que vejo o jornal nas bancas, há pelo menos quinze anos, ele jamais tentou qualquer reformulação em direção a um veículo mais completo e provavelmente mais rentável.

O Jornalismo é um dos pilares da democracia. Por isso, cada canal de notícias carrega importante responsabilidade social onde é publicado. A Fundação Universo poderia mudar o seu nome para algo mais apropriado como “O Boletim de Ocorrências”. Ou então, adotar a verdadeira missão de um jornal.

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Ironias do transporte público gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/ironias-do-transporte-publico-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/ironias-do-transporte-publico-goncalense/#comments Sun, 05 Feb 2017 11:02:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4319 São Gonçalo não tem barca, trem, metrô nem ciclovia. A cidade conta com ônibus sujos, quentes e apertados como único meio de transporte coletivo dentro do território. Vivem nele mais de 1 milhão de pessoas, a segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro. Começa em São Gonçalo o segundo maior deslocamento urbano do […]

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São Gonçalo não tem barca, trem, metrô nem ciclovia. A cidade conta com ônibus sujos, quentes e apertados como único meio de transporte coletivo dentro do território. Vivem nele mais de 1 milhão de pessoas, a segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro.

Começa em São Gonçalo o segundo maior deslocamento urbano do Brasil: aproximadamente 120 mil pessoas saem da cidade todos os dias com destino à Niterói (IBGE). A maioria dos passageiros, presa nos engarrafamentos, derrete nos veículos lotados.

Há 20 dias o valor da passagem foi reajustado, tornando a viagem mais desagradável. A tarifa municipal aumentou 14,5% – de R$ 3,45 para R$ 3,95 – o maior aumento desde 2012, quando o desconforto no serviço público de transporte terrestre foi formalizado entre o Município, mal representado pela ex-prefeita Aparecida Panisset, e o Consórcio São Gonçalo de Transportes, formado por 9 empresas de ônibus.

Ao jornal A tribuna, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Setrerj) apresentou como uma das justificativas para o aumento o fato de que em 2017 “as gratuidades dos estudantes e dos portadores de necessidades especiais serão suportadas pelo Consórcio São Gonçalo, já estando incluídas no valor da tarifa definida”. Ora, se estão incluídas no valor da tarifa, os passageiros suportarão as gratuidades, não o consórcio, configurando outro aumento sem qualquer contrapartida real para o cidadão.

Além da redução do valor da passagem, principal reivindicação dos movimentos sociais, a instalação de ar-condicionado na frota é urgente. Os usuários do serviço têm o direito de viajar confortavelmente, conforme consta do item 10.1 do contrato de concessão. Absolutamente nenhum ônibus municipal possui ar-condicionado. Durante o verão esta falta implica na quebra inevitável do item 10.1, entretanto, o Consórcio São Gonçalo segue impune e satisfeito.

Transporte público gonçalense e suas longas concessões

O valor da concessão por 25 anos foi estimado pelas partes interessadas em quase 1,5 bilhão de reais usando uma taxa de 8% ao ano de aumento da tarifa. Como a cada reajuste a tarifa aumentou em média 11,05%, a exploração do serviço gera para os empresários uma receita operacional mais importante do que esperavam.

A variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no mesmo período foi de 8,02%. Satisfação prorrogada automaticamente por outros 25 anos, totalizando 50 anos de retorno econômico garantido aos empresários, conforme Panisset fez questão de determinar no item 3.2 do contrato.

As empresas Auto Ônibus Alcântara S/A, Auto Ônibus Asa Branca Gonçalense Ltda., Expresso Tanguá Ltda., Icaraí Auto Transportes S/A (Líder), Transp. e Turismo Rosana Ltda., Viação Estrela S/A, Viação Galo Branco S/A, Viação Mauá S/A e Viação Rio Ouro Ltda., integrantes do Consórcio São Gonçalo, em vez de servir à população, enriquecem porque o povo do município atravessa a roleta.

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Onde relaxar em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/onde-relaxar-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/onde-relaxar-em-sao-goncalo/#comments Sun, 22 Jan 2017 17:15:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4313 Sabemos que São Gonçalo se desenvolveu sem planejamento urbano. Seu trânsito é caótico, as principais vias se tornaram estreitas demais para o intenso fluxo atual de veículos. A cidade ferve: a praça do Rodo, segunda mais importante do município, não tem nenhuma árvore de sombra. Elas são raras nos grandes bairros comerciais. Onde relaxar sem […]

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Sabemos que São Gonçalo se desenvolveu sem planejamento urbano. Seu trânsito é caótico, as principais vias se tornaram estreitas demais para o intenso fluxo atual de veículos. A cidade ferve: a praça do Rodo, segunda mais importante do município, não tem nenhuma árvore de sombra. Elas são raras nos grandes bairros comerciais. Onde relaxar sem ter que se isolar dentro de casa ou numa fazenda em Santa Isabel?

Praça Zé Garoto. Parte da região mais antiga da cidade, a praça Zé Garoto (cujo nome oficial é praça Estephânia de Carvalho) é o melhor refúgio do calor e do barulho para quem circula no Centro e nos bairros vizinhos. Além das árvores belas, altas e impressionantes, a praça tem bancos públicos!, outra raridade em São Gonçalo. Recomendo como ponto de encontro acessível, confortável, para refletir alguns minutos ou ler um livro.

Casa das Artes Villa Real. Também no Centro, a Casa das Artes Villa Real ofereceu em 2016 uma programação capaz de absorver o visitante e agregar cultura. Nela é possível desfrutar do prazer de aprender através de uma visita guiada, esquecer dos problemas do trabalho e sair de lá sabendo mais sobre São Gonçalo e sobre temas diversos que já foram apresentados, como a cultura espírita.

Igreja Matriz São Gonçalo do Amarante. Fechando o circuito do Centro, para aqueles que se interessam pela história gonçalense, católicos ou não. A igreja é palco das principais reuniões entre personalidades locais há muitos anos. Grandes projetos nasceram e foram comemorados nela depois de concluídos. O interior é uma obra de arte belíssima e do lado de fora há algumas árvores e bancos de concreto, combinação valiosa para relaxar no horário do almoço, por exemplo.

Centro Cultural Joaquim Lavoura. Visitei a biblioteca do Lavourão, no bairro Estrela do Norte, pela última vez há alguns anos, mas encontrei nela um espaço climatizado, boa oferta de livros, paz e silêncio convidativo. O Lavourão também conta com uma programação cultural variada.

Fazenda Colubandê. Um oásis. Mesmo pichada, destruída, com camisinhas usadas espalhadas pelo chão e esgoto correndo a céu aberto em uma das trilhas. Continua um paraíso arborizado, fresco, aconchegante, onde é possível pedalar, correr e caminhar respirando ar puro. Onde podemos descer no ponto de ônibus, caminhar 10 metros e fazer isso em São Gonçalo? Nem em Santa Isabel. Com pouquíssimo investimento, tudo o que o gonçalense faz no Campo de São Bento, em Niterói, faria na Fazenda Colubandê, que já recebe visitantes atualmente.

Algum local onde se pode relaxar sem pagar 1 centavo para entrar foi deixado de fora? Não deixe de incluir nos comentários.

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O mototaxista gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/o-mototaxista-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/o-mototaxista-goncalense/#respond Sat, 14 Jan 2017 11:28:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4303 O mototaxista ocupa as principais esquinas de São Gonçalo oferecendo uma corrida emocionante, capaz de injetar altas doses de adrenalina no sangue do passageiro. Nos últimos quatro ou cinco anos, nenhum outro ser vivo se reproduziu nas ruas da cidade mais do que ele. Sua taxa de crescimento anual superou a do camelô, antes imbatível. […]

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O mototaxista ocupa as principais esquinas de São Gonçalo oferecendo uma corrida emocionante, capaz de injetar altas doses de adrenalina no sangue do passageiro. Nos últimos quatro ou cinco anos, nenhum outro ser vivo se reproduziu nas ruas da cidade mais do que ele. Sua taxa de crescimento anual superou a do camelô, antes imbatível.

“Mototáxi, senhora, mototáxi?”, gira a cabeça de um lado para o outro, aponta e grita o profissional ilegal de transportes. O cliente fica sem saber em qual moto subir quando mais de um mototaxista está no ponto gritando, apontando e girando a cabeça ao mesmo tempo. Alguns ligam o motor da moto antes de o cliente subir na garupa, para mostrar agilidade, e se o passageiro não for rápido o veículo pode partir sem ele.

As motos pequenas carregam gordos que arriam os pneus, magros que quase voam na viagem, baixos e altos com os joelhos perto do guidão, como eu. Há “mototáxis”, como são popularmente conhecidos, tão gordos que só sobra espaço nas motocicletas para passageiros baixos e magros. O corpo feminino se adaptou bem a esse meio de transporte de espaço reduzido.

O serviço não tem frescuras, além de pessoas carrega coisas como bolsas de compras de supermercado nos dois lados do guidão e em cima do tanque de combustível, varas para cortinas, cães, gatos, gaiolas e o que mais for requisitado. Às vezes traz tantos objetos que o passageiro fica de fora e vem a pé atrás da moto.

Embora o preço seja alto, o mototaxista agilizou o transporte municipal. Do centro de Alcântara ao Vila Três, bairros colados, a passagem custa R$ 4,00. O passageiro na garupa veloz se sente mais seguro durante a noite, onde assaltos são frequentes e caminhar é arriscado. E fica satisfeito quando mora longe de qualquer ponto de ônibus e tem pressa para chegar em casa.

A corrida pode ser agendada pelo Whatsapp, de qualquer bairro da cidade. Ele está presente nas praças de Trindade, Nova Cidade, Centro, Santa Luzia, Rio do Ouro, Monjolos… Moradores de áreas dominadas pelo tráfico de drogas e que saem bem cedo para trabalhar utilizam bastante o serviço.

Já defenderam a regulamentação do mototáxi o secretário de Desenvolvimento Social, Marlos Costa, que não é bobo, e o ex-vereador Bananada, que não está mais entre nós. Afinal, um serviço tão utilizado pela população não pode continuar sendo explorado pelas sociedades entre policiais militares corruptos e outros tipos de bandidos. A taxa semanal cobrada no mundo do crime, por moto, gira em torno de R$ 160.

O mototaxista gonçalense é uma espécie alegre que cumprimenta as crianças na rua e buzina ao passar em alta velocidade. Até capacete e colete ele usa atualmente, tremenda capacidade de auto-organização. Não esqueça de segurar firme porque ele não reduz a velocidade em buracos nem cruzamentos.

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Outro jeito de ver São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/outro-jeito-de-ver-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/outro-jeito-de-ver-sao-goncalo/#comments Sun, 08 Jan 2017 13:25:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4285 Artigo inspirado na frase “Outra forma de ver o Mundo. Outro jeito de ler São Gonçalo”, repetida por André Correia, ativista político e cultural gonçalense. Estive em uma cidade especial hoje, onde o tédio não existe. Nela habita um povo sem instrução, sem luxo, que compra, vende e troca ao ar livre aquilo que precisa […]

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Artigo inspirado na frase “Outra forma de ver o Mundo. Outro jeito de ler São Gonçalo”, repetida por André Correia, ativista político e cultural gonçalense.

Estive em uma cidade especial hoje, onde o tédio não existe. Nela habita um povo sem instrução, sem luxo, que compra, vende e troca ao ar livre aquilo que precisa para sobreviver, sem parar um minuto.

A identidade local foi marcada há décadas pela agitação necessária para superar a pobreza. Da inquietação nasceu um tipo de caos particular absolutamente imprevisível para os novos moradores sem intimidade com o território. Promoções de alimentos vendidos na calçada, sem fiscalização sanitária, acontecem de repente, por exemplo. Motoristas inopinados atravessam multidões em alta velocidade.

Seus habitantes dependem sinceramente uns dos outros e nisto há beleza humana indiscutível, não na carência de infraestrutura, emprego e renda. Eles se olham nos olhos sem reservas, quase se beijam ou se batem quando conversam, tão intensa é sua ligação.

O baixo desenvolvimento educacional não impede o interesse político, nem o esforço para formar opinião própria. Por ano são lançadas dezenas de livros em eventos mensais de poesia, arte e cultura ou de maneira completamente independente. Nenhum artista deixa de praticar sua paixão, vencem as dificuldades que encontram naturalmente (não sem a costumeira reclamação pública).

Lanchonetes e restaurantes não faltam, nem quem distribua comida de graça aos necessitados. Tendências gastronômicas, novas hamburguerias e food trucks são criados mensalmente, barbearias temáticas se espalharam pelos bairros.

A criança brinca na rua descalça, experimenta a vida, aprende. O adulto joga bola nos fins de semana, encontra os amigos nos bares, não conhece a solidão.

A alma festeira deste lugar pode ser tocada no ar quando milhares de pessoas se reúnem no festival anual de pipas, no tapete de Corpus Christi, no carnaval de rua. Como não tem transporte de massa, mas sua população ultrapassa um milhão, o povo se reinventou, os mototaxistas cortam as esquinas em duas direções ao mesmo tempo, os modernos serviços de carona são um sucesso popular.

Alguns pontos turísticos causam inveja às maiores cidades históricas brasileiras. Ambos construídos no século 17, tem uma fazenda, considerada marco na arquitetura colonial brasileira, e do outro lado da cidade fica uma das mais antigas capelas do país. A região é banhada pelo mar, outro privilégio, e possui parte de uma área de proteção ambiental imensa, rica em biodiversidade.

A terra é quente, muito quente, como a essência ancestral da vida. Seria perfeita se a classe política percebesse seus tesouros, o que não esmorece a maioria honesta que vive lá.

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Como ajudar o Abrigo Cristo Redentor https://simsaogoncalo.com.br/como-ajudar-o-abrigo-cristo-redentor/ https://simsaogoncalo.com.br/como-ajudar-o-abrigo-cristo-redentor/#comments Thu, 05 Jan 2017 03:10:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4258 Sempre que visito o Abrigo do Cristo Redentor (Estrela do Norte), tenho vontade de avançar o tempo, chegar à terceira idade e me mudar pra lá. Será que a instituição acolhe homens de 34 anos? Assim não teria que esperar. Se você nunca esteve no Abrigo, no bairro Estrela do Norte, não conhece um dos […]

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Sempre que visito o Abrigo do Cristo Redentor (Estrela do Norte), tenho vontade de avançar o tempo, chegar à terceira idade e me mudar pra lá. Será que a instituição acolhe homens de 34 anos? Assim não teria que esperar. Se você nunca esteve no Abrigo, no bairro Estrela do Norte, não conhece um dos lugares mais aconchegantes de São Gonçalo. E ele precisa da sua ajuda para se manter.

O Abrigo do Cristo Redentor é uma sociedade civil sem fins lucrativos que presta assistência completa a idosos carentes. Por conta do atraso de 11 meses no recebimento de recursos do Estado do Rio de Janeiro, a instituição acumula dívidas que ultrapassam R$ 700 mil (Jornal Extra).

Para que o Abrigo continue um espaço limpo, arborizado, alegre e surpreendentemente juvenil, embora acolha 147 idosos, entre eles cantores e músicos talentosíssimos,

Confira como você pode ajudar o Abrigo Cristo Redentor:

  • Torne-se um associado(a). A partir de R$ 20,00 mensais, que podem ser pagos com um boleto bancário recebido em casa. Clique aqui para se cadastrar.
  • Doe alimentos. A qualidade da alimentação dos residentes depende exclusivamente das doações recebidas. Entre as necessidades atuais estão itens básicos como feijão e açúcar. O Abrigo fica na Rua Nilo Peçanha, nº 320. O telefone é +55 21 2712-0750.
  • Ajude financeiramente. São aceitas doações de qualquer valor em depósitos ou transferências para a conta-corrente 00566-0, agência 6148 do banco Itaú, CNPJ: 31.733.843/0001-20.
  • Visite e almoce no Abrigo. Diariamente, até às 14h, é servido um almoço delicioso a R$ 8,00 como forma de arrecadar recursos. Aproveite para caminhar pelo espaço e conversar com os velhinhos. Eles têm opinião diversa sobre o impeachment de Dilma Rousseff e a crise no Estado do Rio.

Tinha seresta ao vivo durante o almoço servido na quarta-feira (28/12). Também formada por idosos, a banda apresentou canções de sentimento profundo e letras longas, que não são mais ouvidas atualmente no rádio. Quando chegar minha vez de me hospedar no Abrigo, espero ouvir Legião Urbana e O Rappa nas serestas, mas do jeito estranho que o mercado da música anda, provavelmente terei que dançar ao som de clássicos como MC G15 e Anitta.

Para que mais pessoas conheçam e ajudem o Abrigo do Cristo Redentor, compartilhe este artigo nas redes sociais.

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A chegada do vereador Papai Noel https://simsaogoncalo.com.br/chegada-do-vereador-papai-noel/ https://simsaogoncalo.com.br/chegada-do-vereador-papai-noel/#respond Sat, 24 Dec 2016 13:02:50 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4218 Papai Noel foi eleito vereador em São Gonçalo pela segunda vez. O primeiro ato do bom velhinho, ainda não diplomado, antes de tocar no gordo contracheque de R$ 15 mil, foi fazer uma festa de agradecimento pelos votos recebidos no Vila Três, seu curral eleitoral. Na semana anterior o carro de som anunciou alto pelo […]

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Papai Noel foi eleito vereador em São Gonçalo pela segunda vez. O primeiro ato do bom velhinho, ainda não diplomado, antes de tocar no gordo contracheque de R$ 15 mil, foi fazer uma festa de agradecimento pelos votos recebidos no Vila Três, seu curral eleitoral.

Na semana anterior o carro de som anunciou alto pelo bairro “A chegada de Papai Noel” e as crianças ficaram alvoroçadas. “Então Papai Noel existe”, era a conclusão natural delas, e não havia alegria maior porque Noel traria consigo atrações incríveis: pula-pula, fliperama, basquete eletrônico, piscina de bolinhas, algodão doce, pipoca e até tamancobol, jogo empolgante que não existia na minha infância. Nas ruas onde o carro de som passava, os pequenos mais insistentes arrancavam de seus pais o compromisso de levá-los ao lugar da grande chegada, a praça do Fumacê, comunidade dentro do Vila Três.

A praça está mal conservada, tem balanços quebrados, mato e lixo espalhados no chão, mas Papai Noel foi assim mesmo. Que homem humilde. E como sabe fazer uma festa boa sem revelar suas verdadeiras intenções e a origem da grana.

Não dava pra contar as crianças nas filas dos brinquedos, ou correndo pra cá e pra lá com sorriso no rosto, pipoca em uma das mãos e refrigerante na outra. Podia haver 100 ou 150 delas. Dezenas se espalharam só no campo de várzea onde um campeonato de futebol acontecia, dois times de meninos uniformizados disputavam uma partida e outros garotos aguardavam sua vez de jogar.

Ainda não lembrei de dizer que era tudo de graça, característica inconfundível dos eventos patrocinados por Noel, inclusive em tempos de crise econômica. Os brinquedos dos melhores shoppings centers de São Gonçalo espalhados ao alcance dos pobres, tudo de graça, até a cerveja distribuída moderadamente para as mamães e papais. A presença de Papai Noel na praça do Fumacê era deliciosa e seu poder mais óbvio do que a existência de Deus.

A harmonia da festa foi quebrada quando os bondes de motocicletas, sem placas, passaram em alta velocidade em direção ao Morro da Caixa d’Água. Carregavam jovens, negros, sem capacete e sem camisa mas usando boné, a moda da favela. Crianças que antes frequentavam as festas do Papai Noel e hoje são soldados do tráfico.

Quando as ajudantes de Papai Noel apareceram, houve uma comoção geral. Elas se aproximaram das crianças, colaram um adesivo da última campanha eleitoral no peito delas e disseram que era preciso manter o adesivo colado no corpo para ganhar presente. Os meninos e meninas pulavam, gritavam e rodavam de mãos dados, dando saltos de extrema felicidade. No adesivo estava escrito “Nanci 23”. Não sabia que o prefeito eleito é amigo do velhinho mais famoso do mundo.

Antes de cumprir sua promessa e distribuir os presentes, o vereador Papai Noel fez um louvável discurso em defesa da Educação. Ele não quer nenhuma criança gonçalense fora da escola. Mas, infelizmente, cometeu um erro grave: não colocou nenhuma lata de lixo no local da sua chegada. Crianças de todas as idades terminavam o algodão doce e jogavam o palito no chão, também repleto de copos descartáveis. Cena desagradável, mal educada e nem um pouco natalina.

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Um recado de D. Mariana para Neilton Mulim https://simsaogoncalo.com.br/um-recado-de-d-mariana-para-neilton-mulim/ https://simsaogoncalo.com.br/um-recado-de-d-mariana-para-neilton-mulim/#respond Sun, 18 Dec 2016 18:41:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4211 Não pretendia escrever mais uma vez sobre o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim. São 06:10 e eu gostaria de estar dormindo. Acontece que Dona Mariana, uma senhora de 78 anos prejudicada pelo governo municipal, pediu para eu enviar um recado ao prefeito. Disse para D. Mariana que escreveria o artigo, mas a enrolei por […]

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Não pretendia escrever mais uma vez sobre o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim. São 06:10 e eu gostaria de estar dormindo. Acontece que Dona Mariana, uma senhora de 78 anos prejudicada pelo governo municipal, pediu para eu enviar um recado ao prefeito.

Disse para D. Mariana que escreveria o artigo, mas a enrolei por semanas. Ela insistiu. Faz 2 anos que escrevo sobre Neilton Mulim e seu governo acabará em alguns dias, acho inútil qualquer recado agora. A senhora passou a perguntar todo santo dia se eu havia escrito sua reclamação. Como tenho medo de praga de gente idosa, resolvi escrever logo.

Dona Mariana tem dificuldades de locomoção, por causa de um fêmur quebrado meses atrás, e o projeto Rua Nova, menina dos olhos do governo Mulim, destruiu a calçada que havia na frente da casa dela e deixou no lugar algo parecido com uma trincheira de guerra.

Para uma idosa aposentada, morando sozinha na rua Alexandre Muniz, no Vila Três, manca e com uma vala de meio metro de altura a isolando do mundo, o esforço pra sair de casa é hercúleo. O mato ocupa a vala, não se vê o chão onde pisa. No canto esquerdo do buraco restou uma goiabeira que D. Mariana se agarra ao descer e subir, cheia de dor, quando precisa comprar pão, medicamentos e outros itens de necessidade básica.

“Prefeito, era melhor ter deixado minha calçada intocada, do jeito que estava antes das obras”, lamenta a senhora, moradora de São Gonçalo há mais de 60 anos. Recado dado. Outra falha do Governo que a envergonha, o cano do esgoto que sai da sua casa está à mostra, a Prefeitura não cobriu como deveria.

A calçada destruída de D. Mariana não é um caso excepcional de incompetência. Alguns moradores do quarteirão onde mora gastaram suas economias corrigindo o estrago nas calçadas causado pela Prefeitura. No Raul Veiga, bairro vizinho, a rede de esgoto recém construída entope e transborda semanalmente, a rede hidráulica quebra com frequência, o asfalto novo já cedeu em diversos trechos, outros nem asfalto receberam. No Bandeirante, soube de um bueiro instalado sem tampa na frente de uma garagem, impedindo o direito de ir e vir de carro dos moradores.

Embora tenha causado um rombo nos cofres públicos estimado em R$ 600 milhões (Jornal Extra), temo pelo bem-estar de Mulim. D. Mariana geme e chora quando escala a goiabeira para entrar em casa, soltando fogo raivoso pelas narinas e resmungando palavras incompreensíveis. Não gostaria de estar na pele do prefeito, praga de gente idosa é poderosa.

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A última noite na Taverna https://simsaogoncalo.com.br/a-ultima-noite-na-taverna/ https://simsaogoncalo.com.br/a-ultima-noite-na-taverna/#respond Mon, 12 Dec 2016 12:03:37 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4188 Se São Gonçalo fosse desértica, lugar onde vento, areia e pedra dominassem a paisagem e nenhuma atração existisse além de Uma Noite na Taverna, valeria a pena viver na cidade. Após quase 13 anos de existência, a Taverna acabou ontem (10/12). O maior evento gonçalense de poesia, literatura, dança, música e artes plásticas se manteve […]

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Se São Gonçalo fosse desértica, lugar onde vento, areia e pedra dominassem a paisagem e nenhuma atração existisse além de Uma Noite na Taverna, valeria a pena viver na cidade. Após quase 13 anos de existência, a Taverna acabou ontem (10/12).

O maior evento gonçalense de poesia, literatura, dança, música e artes plásticas se manteve sem ganhar R$1 de incentivo do governo municipal. Mas, surpreendentemente, já recebeu uma recusa de apoio logístico, algo tão simples de prover quanto uma caixa de som.

Grande parte da população, que não lê, não vai ao teatro, ignora exposições e não consome Cultura, não conheceu a Taverna. Se faltou algo para lhe dar mais 13 anos de vida, pelo menos, foi a limitação de público. A Taverna chegou à adolescência com graves problemas de desenvolvimento: seu corpo continua praticamente o mesmo da infância.

Por falta de investimento sério do governo no setor cultural, fica difícil conhecer São Gonçalo de verdade, sua personalidade criativa, vigor e qualidades únicas, entre elas Uma Noite na Taverna. Dá trabalho compreender o que difere esta cidade de Niterói. Esforço que Juliana Paes não fez até hoje, por falta de interesse, por isso falou merda no programa Adnight, da TV Globo.

Uma noite levei meu pai à Taverna. Cheio de orgulho por compartilhar com o coroa aquela penumbra maravilhosa de contestação social, erudição e alguns xingamentos, assistimos a apresentação lado a lado, às vezes abraçados, e trocamos beijos no rosto. Um amigo, que também estava presente mas não reconheceu meu pai, pensou que eu estivesse namorando em segredo um homem mais velho. Meu amigo estava chocado – sou casado, com uma mulher, e tenho um filho.

Beatriz, minha esposa há 8 anos, também já foi “arrastada” por mim a algumas edições. Na primeira ainda éramos namorados, caía um dilúvio sobre São Gonçalo e ela detestou ouvir poesia com a roupa e os sapatos encharcados.

A Taverna mudou a vida de cada frequentador, até da minha mulher, que nunca se esqueceu do temporal poético. Conhecer a obra de nomes consagrados da poesia mundial deixa marcas permanentes.

Durante anos testemunhei Rodrigo Santos e Romulo Narducci estimulando covardes como eu a escrever e publicar a própria arte. Hoje escrevo um artigo por semana sobre São Gonçalo, sou feliz por isso, e Rodrigo e Romulo são influências inegáveis.

Ontem, ouvindo a poesia de Leonard Cohen, homenageado da noite, estava pensando no que dizer sobre a última Taverna. O ultrarromantismo dominava o ambiente, como em qualquer edição, não é novidade. Olhei para a vela acesa na minha mesa e vi semelhanças com a luta dos organizadores do evento pela cultura. O vento apagou a vela várias vezes. A Taverna também enfrentou inúmeros obstáculos ao longo da sua história. Depois da quinta ou sexta tentativa, a chama se fortaleceu e passou a vencer as investidas do vento. Finalmente a chama ficou acesa até queimar completamente a vela. Depois de 13 anos superando o isolamento causado pela falta de recursos, a Taverna não se apagará jamais. Evoé!

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Tudo vai ficar bem em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tudo-vai-ficar-bem-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/tudo-vai-ficar-bem-em-sao-goncalo/#comments Mon, 10 Oct 2016 04:29:12 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4122 Parte do eleitorado de São Gonçalo se decepcionou com a formação do 2º turno municipal. Cheguei ao desespero, não nego. Os candidatos que avançaram no pleito, Dr. José Luiz Nanci e Dejorge Patrício, claramente não sabem como tratar os problemas da cidade. Contagiado pela opinião singular dos apoiadores de Nanci e Dejorge, agora acredito que […]

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Parte do eleitorado de São Gonçalo se decepcionou com a formação do 2º turno municipal. Cheguei ao desespero, não nego. Os candidatos que avançaram no pleito, Dr. José Luiz Nanci e Dejorge Patrício, claramente não sabem como tratar os problemas da cidade. Contagiado pela opinião singular dos apoiadores de Nanci e Dejorge, agora acredito que tudo vai ficar bem, não importa quem seja eleito.

O melhor a fazer diariamente até 30/10, quando finalmente conheceremos o novo prefeito, é parar de discutir política e distribuir abraços gratuitos na rua, prática iniciada na Austrália em 2004 e depois espalhada pelo mundo.

Chega de ódio, de dizer que o Ministério Público já abriu investigação contra Nanci por improbidade administrativa; vamos parar de compartilhar o vídeo do CQC em que o candidato, atual deputado estadual, não se lembra dos projetos que ele votou na semana anterior. Isto não prova nada, qualquer pessoa esqueceria aquelas baboseiras, dizem os 83 mil eleitores do candidato mais votado no 1º turno.

Se José Luiz Nanci recebe dois salários, de médico da rede pública e deputado, permitam que o homem receba uma nova remuneração como prefeito, afinal, ele nunca deixa um amigo na mão. Será que Nanci cobra juros quando empresta grana aos necessitados? Dificilmente: seu programa de governo o apresenta como um cara gente boa, não como um gestor minucioso.

São Gonçalo não vai emburrecer, como eu disse no artigo da semana passada, se Dejorge Patrício for eleito. Seus 82 mil eleitores me garantiram que ele vai montar uma equipe de governo inteligente porque ninguém governa sozinho. Honestidade vem de berço, alega o pensamento dejorgiano, não se aprende na escola, e honestidade é aquilo que a cidade mais precisa.

Tanto quanto Nanci, Dejorge Patrício é defendido como exemplo de caridade espetacular, que precisa ser lembrado e seguido nesse momento crítico da história da cidade, após anos de agonia com Mulim no poder. Há inúmeras histórias nas redes sociais de pessoas que conhecem pessoas que têm parentes que receberam ajuda de Dejorge. Se você precisar de socorro no meio da madrugada para ir ao hospital, ligue para Patrício porque a ajuda dele não falha.

Na entrevista que os candidatos deram ao Jornal Extra com soluções para os maiores desafios do município, o equilíbrio entre as ideias de Nanci e Dejorge foi surpreendente. Para o antigo problema do lixo nas ruas, disseram a mesma coisa: revisar o contrato de coleta e fiscalizar o serviço. Redução de resíduos, coleta seletiva e reciclagem? Nunca ouviram falar.

Não é preciso apresentar um programa de governo com propostas baseadas em cálculos estatísticos, estudos de viabilidade, sustentabilidade, mobilidade, experiência e gestão. Dejorge e Nanci são ótimas pessoas, vamos nos abraçar e tudo vai ficar bem.

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Nanci ou Dejorge? https://simsaogoncalo.com.br/nanci-ou-dejorge/ https://simsaogoncalo.com.br/nanci-ou-dejorge/#comments Mon, 03 Oct 2016 15:10:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4084 Neilton Mulim, sumido e mentiroso, não será mais prefeito de São Gonçalo em 2017. Comemore, gonçalense. O prefeito será Dr. José Luiz Nanci ou Dejorge Patrício, que disputarão o 2º turno da eleição municipal. Depois de comemorar, se prepare para novos tempos políticos adversos. Nanci chegou ao 2º turno apesar do pé quebrado no início […]

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Neilton Mulim, sumido e mentiroso, não será mais prefeito de São Gonçalo em 2017. Comemore, gonçalense. O prefeito será Dr. José Luiz Nanci ou Dejorge Patrício, que disputarão o 2º turno da eleição municipal. Depois de comemorar, se prepare para novos tempos políticos adversos.

Nanci chegou ao 2º turno apesar do pé quebrado no início da campanha, um fenômeno. Explicado mais por sua antiga fama política, recheada de paternalismo, do que pela força de sua militância. Nanci foi vereador em São Gonçalo cinco vezes e exerce o segundo mandato como deputado estadual. Mas, não se preocupe, sua atividade política nunca o impediu de ser um amigo para as pessoas necessitadas. É isto que diz em primeiro lugar seu Plano de Governo para os próximos quatro anos da cidade. Um amigo com salário duplo, de médico da rede pública e deputado estadual, como publicou o Jornal Extra.

Os eleitores de Dejorge Patrício e Dr. José Luiz Nanci têm algo em comum: não sabem dizer por que votaram nesses candidatos no 1º turno. Têm respostas vagas como: “Dejorge é a renovação da esperança” ou “Nanci é o melhor candidato, sem dúvida”. São incapazes de destacar a proposta de governo que torna seus candidatos especiais, afinal, proposta é algo que eles subestimaram. O documento que Dejorge enviou para o Tribunal Superior Eleitoral nem título tem. A falta de respeito por São Gonçalo é gritante.

Se Dejorge Patrício se tornar prefeito no dia 30 de outubro, São Gonçalo vai emburrecer, uma grande massa de fanáticos religiosos defenderá cada gafe dele, cada gramática da Língua Portuguesa queimada em praça pública. Será que o candidato sustentará sua pose de bad boy que não estudou ou fará um supletivo nos próximos três meses para terminar o Ensino Médio? Artistas e intelectuais da cidade ficarão ainda mais isolados e seus projetos de democratização da cultura continuarão limitados. A imprensa terá que se acostumar ao seu nome estranho.

Caso seja eleito, graças à sua personalidade maleável, o Dr. José Luiz Nanci poderá ser manipulado para o bem ou para o mal. Que o bem se aproxime primeiro. No governo Charles, do qual fez parte, o mal chegou antes e Nanci alega que foi envolvido injustamente em improbidades administrativas. Um político inacabado. Foi vereador cinco vezes e parece menos experiente do que um líder estudantil quando fala, tão grande é o vazio de soluções práticas nas suas palavras.

A quantidade de eleitores que anulou seu voto ou votou em branco é gigantesca e não pode ser desprezada: 132 mil. Se representassem a si mesmos cobrando do novo prefeito, São Gonçalo seria uma cidade diferente.

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Lembrete antes de votar https://simsaogoncalo.com.br/lembrete-antes-de-votar/ https://simsaogoncalo.com.br/lembrete-antes-de-votar/#comments Sat, 01 Oct 2016 14:44:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4077 “Arruma alguém pra comprar meu voto aí!”, gritava durante a semana um mototaxista no Vila Três, em São Gonçalo. É a maior burrice de um eleitor contra o próprio bem-estar. Assumo o desafio de publicar um artigo na véspera das Eleições 2016, quando todos estão interessados no dia seguinte. Amanhã no fim da tarde a […]

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“Arruma alguém pra comprar meu voto aí!”, gritava durante a semana um mototaxista no Vila Três, em São Gonçalo. É a maior burrice de um eleitor contra o próprio bem-estar.

Assumo o desafio de publicar um artigo na véspera das Eleições 2016, quando todos estão interessados no dia seguinte. Amanhã no fim da tarde a imprensa estará enlouquecida, eu também, buscando informações e anunciando a nova configuração política municipal (onde não houver segundo turno).

Hoje é importantíssimo lembrar aos eleitores gonçalenses pelo menos um motivo claro para não votar em Neilton Mulim, atual prefeito buscando a reeleição: no governo dele os estudantes da rede municipal são humilhados. Falta merenda nas creches e escolas e muitos perdem a única refeição do dia. Falta uniforme e frequentam a escola mal vestidos. Ganharam uma maleta de livros comprados sem licitação mas não recebem educação de qualidade. Mal sabem ler a capa dos livros, sempre fechados. Frequentemente saem cedo por falta de professores. Quando um governo desce ao nível de atacar crianças e adolescentes, ele precisa ser terminado definitivamente nas urnas.

Cada um de nós troca seu voto por uma promessa. As ambições, no entanto, são bem diferentes. Começam nos R$ 50 e no vale-combustível, passam pelas promessas de infraestrutura na sua rua e vão até um programa de governo progressista factível, projeto raramente apresentado pelos candidatos.

Uma das razões que impedem as pessoas de votar com consciência é acreditar que todo político é babaca, corrupto ou safado. Assim pensa o mototaxista do Vila Três que oferecia seu voto aos gritos deitado de costas na grama da praça, com a barriga à mostra, ao lado dos cachorros. Ele perdeu a fé na Política e deixou de acreditar em si mesmo.

Se existem brasileiros honestos, com o devido engajamento popular a honestidade será fortalecida nos Poderes Executivo e Legislativo. Engajamento que não termina ao apertar a tecla verde. A cidadania vai além da urna, ela se estende em fiscalização e cobrança do governo eleito, ainda que você tenha exercido o direito de anular seu voto.

Outro mito eleitoral é a crença de que candidatos honestos obrigatoriamente serão corrompidos ou mortos depois de eleitos. A política brasileira, infelizmente, não é um meio totalmente seguro. Mas nas Prefeituras e Câmaras do país, inclusive em São Gonçalo, há mandatos íntegros e bem sucedidos.

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São Gonçalo observa os candidatos a prefeito https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-observa-os-candidatos-prefeito/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-observa-os-candidatos-prefeito/#comments Wed, 28 Sep 2016 03:45:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4065 Começou a falsidade outra vez com a campanha eleitoral. Sou mal humorado mesmo (ignoraram este traço na minha biografia), não gosto do que vejo. As promessas dos homens de quatro anos atrás não foram cumpridas e o povo humilde da minha cidade continua sofrendo. O gonçalense paga caro pelos serviços mal prestados e depois acusa […]

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Começou a falsidade outra vez com a campanha eleitoral. Sou mal humorado mesmo (ignoraram este traço na minha biografia), não gosto do que vejo. As promessas dos homens de quatro anos atrás não foram cumpridas e o povo humilde da minha cidade continua sofrendo.

O gonçalense paga caro pelos serviços mal prestados e depois acusa a si mesmo pela bagunça da cidade. Fico triste. Tem que levantar a cabeça e escolher direito. Os culpados são aqueles que se aproveitam da fraqueza popular.

O prefeito que está aí é um mentiroso grave. Mente até dando “bom dia” e quer ser prefeito de novo. Não pode eleger gente assim.

Houve um doutor, o Charles, que ao invés de curar infestou minha cidade com incompetência e retrocesso político-econômico, as doenças mais mortais que já vi nos meus 829 anos de existência. Dilson Drumond e José Luiz Nanci, que tanto quanto Charles fazem questão de dizer que são doutores, colecionam cada um cinco mandatos despercebidos na Câmara de Vereadores e se tornaram parte da enfermidade municipal.

Viram como sou mal humorado? Na época em que vivi tínhamos no máximo uma refeição por dia, mexe com a personalidade. Chega de usar a atuação profissional e sua fama para a conquista de votos sem qualquer conteúdo político. Isto se aplica ao forasteiro com sobrenome famoso, Brizola Neto, aliado da maior inimiga que já tive desde que essas terras receberam meu nome, no século 16. Minha cidade é um tesouro, digo pra vocês, por isso ela atrai aventureiros ambiciosos que ignoram completamente suas necessidades naturais.

Daqui do céu observo somente uma mulher entre nove candidatos, isso não é bom. A voz da distribuição de oportunidades para promover a igualdade social fala alto em Dayse Oliveira. Se buscasse mais amigos que inimigos, mais realidade e menos utopia, poderia ser a prefeita que minha cidade merece.

Ao candidato Dejorge Patrício peço que confirme se possui os conhecimentos básicos necessários para governar, visto que frequentava o colégio “só para comer merenda”. E entenda que facilitar a formalização de templos e igrejas deveria ser a última preocupação em um município com os piores índices educacionais do Estado.

Diego São Paio é um bom vereador, tem intimidade com a tecnologia e reuniu ao seu redor um time motivado. O mais jovem dos candidatos, ainda não provou ter maturidade suficiente para carregar a cidade nas costas nos frequentes momentos de crise.

A atuação de Marlos Costa como vereador também agrada. Para governar bem, carece do apoio de mais pessoas e ideias inovadoras. Além de mal humorado, o Santo é desconfiado. Os seres humanos possuem defeitos, mas Marlos é o único candidato que praticamente omite os seus, o que é assustador.

Em Arriconha, localidade portuguesa onde nasci, o mestre era valorizado por sua sabedoria. O Prof. Josemar é um gonçalense dedicado. Sabendo respeitar a cidade nas pequenas coisas, como garantir o fim da poluição visual em postes, viadutos e passarelas, faria grandes projetos.

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Presente para os 126 anos de São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/presente-126-anos-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/presente-126-anos-sao-goncalo/#comments Thu, 22 Sep 2016 14:04:53 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4045 São Gonçalo comemora 126 anos de emancipação política hoje, 22 de setembro! Muitos reclamam da escassa oferta de trabalho e lazer, mas poucos se dedicam ao desenvolvimento gonçalense. No aniversário da cidade, que tal oferecer a ela um pequeno gesto de carinho como presente? Aproveitando o feriado municipal, você pode escolher uma dessas opções simples: […]

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São Gonçalo comemora 126 anos de emancipação política hoje, 22 de setembro! Muitos reclamam da escassa oferta de trabalho e lazer, mas poucos se dedicam ao desenvolvimento gonçalense. No aniversário da cidade, que tal oferecer a ela um pequeno gesto de carinho como presente?

Aproveitando o feriado municipal, você pode escolher uma dessas opções simples: enviar uma reclamação ou sugestão para a Ouvidoria da Prefeitura, analisar com amigos as propostas dos candidatos a prefeito, doar material reciclável para o Albergue da Misericórdia ou escrever e compartilhar nas redes sociais seu relacionamento com a cidade. Como gosto de escrever, escolhi a última opção, lá vai:

Quando acordo, penso nas maravilhas e mazelas gonçalenses. Saio de casa de manhã e, da calçada, olho para os dois lados da minha rua, nunca varrida pela Prefeitura. Sacos e copos plásticos se ajuntam no bueiro. De vez em quando, um vizinho varre.

Começo a caminhar e vejo a barricada de sofás rasgados, pedras, troncos e geladeira velha que divide minha rua em duas. Ouço o som dela sendo arrastada por homens e mulheres que desejam ir ao trabalho ou buscar o filho na escola. É o barulho mais deprimente que conheço, ferro contra concreto, som do fracasso da luta do estado do Rio contra a violência.

Continuo caminhando desde o Vila Três e chego ao centro de Alcântara, cheio de pilhas de lixo nas esquinas. Uma rápida observação das pilhas fedorentas leva à conclusão de que são perfeitamente recicláveis. A hipocrisia impede o governo Mulim de aproveitar este potencial econômico.

Sobre as maravilhas, recentemente visitei o Porto da Madama pela primeira vez. Lá tem uma estação de trem antiga, linda e emocionante, apesar do abandono. Outro patrimônio histórico se deteriorando, como a magnífica Fazenda Colubandê, por culpa dos parasitas políticos.

Nos fins de semana, vende-se de tudo no meio das ruas do Porto da Madama. As pessoas se olham e se esbarram como se fossem parentes vivendo dentro da mesma casa, São Gonçalo. O povo olha os produtos no chão, quer saber a qualidade, o preço, fala alto, mas com naturalidade, e abertamente as pessoas dependem umas das outras. A alma gonçalense pode ser tocada. Alcântara é mais cosmopolita do que o Porto da Madama, onde há menos lojas e a  inocência é evidente.

Fotografei a estação de trem e peguei o ônibus de volta pra casa. À noite continuo pensando em São Gonçalo, agora com 126 anos, espelho das maravilhas contraditórias brasileiras, até a hora de dormir.

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O prefeito ideal https://simsaogoncalo.com.br/o-prefeito-ideal/ https://simsaogoncalo.com.br/o-prefeito-ideal/#respond Sun, 18 Sep 2016 04:31:34 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4026 Mais de cinco mil municípios brasileiros escolherão seus novos prefeitos e prefeitas em outubro. Individualmente, cada eleitor pensa nas qualidades que seu candidato deve reunir antes de apertar a tecla verde. Mas em São Gonçalo, alguns requisitos especiais são indispensáveis. A carreira do prefeito ideal é pautada pela honestidade. Envolvidos em escândalos, donos de centros sociais ou médicos […]

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Mais de cinco mil municípios brasileiros escolherão seus novos prefeitos e prefeitas em outubro. Individualmente, cada eleitor pensa nas qualidades que seu candidato deve reunir antes de apertar a tecla verde. Mas em São Gonçalo, alguns requisitos especiais são indispensáveis.

A carreira do prefeito ideal é pautada pela honestidade. Envolvidos em escândalos, donos de centros sociais ou médicos usados para obtenção de votos e investigados por abuso de poder econômico provavelmente não merecem confiança. Candidatos que mantêm projetos pelo bem da cidade, em vez de beneficiarem a si mesmos, são obviamente bem-vindos.

Se o candidato for ficha limpa, a propaganda eleitoral dele precisa seguir a mesma orientação. Nada de usar amplificadores de som fora do horário permitido, nem pendurar faixas em viadutos ou passarelas pedindo votos. Anote o número do candidato irregular que ferir qualquer regra estabelecida na Resolução TSE nº 23.457/2015. Denuncie aqui.

Se o próximo prefeito gonçalense amar a tecnologia e a transparência, poderá fazer um bom governo. Não basta fornecer os dados financeiros da Prefeitura em uma página escondida na Internet. Falta um sistema decente, multicanal, que receba as solicitações públicas de serviço, como pedidos para trocar a lâmpada queimada de um poste ou podar galhos que prejudicam a rede elétrica. A organização sistêmica é a maior aliada de uma gestão inteligente.

São Gonçalo requer um prefeito que saiba como tratar imediatamente dois graves problemas: excesso de lixo nas ruas e abandono intelectual da população. Lixeiras, um contrato honesto de coleta de lixo (com licitação), fiscalização rigorosa do serviço, coleta de material reciclável e quiosques de leitura espalhados em locais de grande circulação de pessoas seriam o princípio da solução.

Não é necessário eleger uma entidade milagrosa. No entanto, o poder de humildemente ouvir sugestões é fundamental. As mentes mais inovadoras da cidade não ocupam cargos públicos e pouco ou nada dialogam com o prefeito atual. Seus projetos e ideias nascem mortos, sem o mínimo de investimento.

Finalmente, o prefeito ideal não arranja desculpas para a própria incompetência. Nem mesmo coloca a culpa dos seus problemas no prefeito anterior. O político eleito deve assumir o cargo conhecendo o chão onde pisa, trazendo nas mãos um plano de governo com as soluções levantadas e discutidas com a população.

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Mulim não consegue parar de mentir e 71% dos eleitores sabem disso https://simsaogoncalo.com.br/mulim-nao-consegue-parar-de-mentir/ https://simsaogoncalo.com.br/mulim-nao-consegue-parar-de-mentir/#respond Sat, 10 Sep 2016 15:05:42 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4020 Mês passado, o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, mentiu no seu primeiro programa eleitoral exibido na TV. Disse que a passagem de ônibus a R$ 1,50 foi rejeitada por cinco vereadores. Tal proposta nunca existiu. Ontem (09/09) o programa de Mulim exibiu um sistema de saúde impecável e gonçalenses felizes com sua gestão. Outra […]

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Mês passado, o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, mentiu no seu primeiro programa eleitoral exibido na TV. Disse que a passagem de ônibus a R$ 1,50 foi rejeitada por cinco vereadores. Tal proposta nunca existiu. Ontem (09/09) o programa de Mulim exibiu um sistema de saúde impecável e gonçalenses felizes com sua gestão. Outra mentira. O sistema municipal de saúde é decadente e apenas 9% dos eleitores acreditam que a cidade melhorou (Ágora Pesquisa).

Escrevo um artigo por semana sobre São Gonçalo. Felizmente a Justiça Eleitoral age mais rápido e em quatro dias úteis penalizou Mulim pela falácia. A propaganda foi retirada do ar e os vereadores caluniados ganharam direito de resposta. Quando publicou esta notícia, o Jornal Extra atribuiu diretamente o verbo “mentir” ao prefeito de São Gonçalo.

Ao começar sua campanha citando a jamais cumprida redução da passagem, faltou pouco para Mulim prometê-la de novo. Ele teve a audácia de manipular informações e imagens, induzindo o eleitor a erro, usando a mesma mentira que lhe rendeu o primeiro mandato.

Mulim age como um adolescente travesso que mente para seus pais. Diz que foi à escola, mas seus pés estão sujos de terra do campinho de futebol de várzea. Mostrar na TV uma clínica nova, recém-inaugurada, não representa a realidade da Saúde. Para entrar no Pronto Socorro Central, no bairro Zé Garoto, o cidadão pula sobre guimbas de cigarro e pedaços de algodão jogados na porta. Também na entrada, o ar-condicionado pinga sobre a fiação elétrica exposta.

No Pronto Socorro de Alcântara, o paciente espera horas pelo atendimento em um espaço deprimente que parece a sala de visitas de uma penitenciária. A construção da Policlínica do Vila Três está atrasada há anos e gastando milhões a mais do que o previsto. Para fingir que está pronta e funcionando antes das eleições, o prédio foi pintado de azul às pressas. Um lixo de aplicativo que ninguém usa, chamado Saude.com, foi criado sabe-se lá com qual intuito porque o cidadão não foi beneficiado. Essa é a realidade da Saúde.

A atração de Neilton pela falsidade é incurável. E se fortaleceu no momento em que sentiu que pode perder nas urnas São Gonçalo, vítima da pequenez de sua gestão. O prefeito não pensa em largar o poder e libertar a cidade, embora 71% dos gonçalenses rejeitem totalmente votar nele.

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Aparecida Panisset e Brizola Neto: um forasteiro em busca de votos https://simsaogoncalo.com.br/aparecida-panisset-brizola-neto-forasteiro-busca-votos/ https://simsaogoncalo.com.br/aparecida-panisset-brizola-neto-forasteiro-busca-votos/#comments Fri, 09 Sep 2016 14:49:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=4002 Nascido em Porto Alegre, Brizola Neto (PDT) veio morar no calor de Alcântara há cerca de um ano, no meio do povão, dos copos de Guaravita espalhados pelo chão e do odor desagradável do rio que cruza o bairro. Não, ele não veio fazer trabalho voluntário limpando o rio fétido. Carlos Daudt Brizola, como foi […]

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Nascido em Porto Alegre, Brizola Neto (PDT) veio morar no calor de Alcântara há cerca de um ano, no meio do povão, dos copos de Guaravita espalhados pelo chão e do odor desagradável do rio que cruza o bairro. Não, ele não veio fazer trabalho voluntário limpando o rio fétido. Carlos Daudt Brizola, como foi batizado, é candidato a prefeito de São Gonçalo. Existe nessa cidade algo valioso, pouco conhecido por seu povo, mas que desperta a cobiça de partidos políticos e indivíduos que aqui nunca recolheram um copo do chão.

Carlos tem a fala contínua, jovial e sobrenome famoso, que o transforma em divindade para muitos simpatizantes do PDT. Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro e ministro do Trabalho durante o governo Dilma. Apesar da experiência política, sua candidatura não apresenta um projeto original para São Gonçalo. Ela se baseia em lembranças de conquistas passadas do avô Leonel e na aliança com a ex-prefeita Aparecida Panisset, causadora dos maiores prejuízos sociais e culturais já vistos na história do município.

O material da campanha de Brizola Neto confirma a fragilidade de sua candidatura. Nos adesivos para vidro traseiro de veículos, quem aparece ao lado do candidato é Aparecida Panisset em vez da verdadeira candidata a vice-prefeita, Marilena. Irmã de Aparecida, Marilena teve o primeiro nome omitido na opção para concorrer apresentada ao TSE.

Além de se aproveitar de Marilena na busca gananciosa por votos, Brizola Neto e o PDT não se deram o trabalho de fundamentar e apresentar um documento digno contendo as propostas de governo. Publicaram apenas duas páginas incoerentes e tortas, provavelmente escritas às pressas, absurdamente distantes da complexidade local.

Para conquistar o voto dos gonçalenses e seus tesouros, o forasteiro joga suas fichas: o grande Brizola, que não está mais entre nós desde 2004, e Aparecida. Por que o povo pensaria que o apoio de alguém impedido de se candidatar pela Justiça tem algum valor?

Brizola Neto aponta problemas antigos com falso ódio, o esgoto não tratado, a falta de infraestrutura, e outras deficiências que permaneceram mesmo após oito anos de governo Panisset.

A natureza humana recomenda acolher o forasteiro. Entretanto, nossos rios são chamados de valas de esgoto, não temos água para oferecer. Alguém tão famoso, tão importante, certamente sabe disso. Brizola Neto trouxe o próprio cantil e finge sentir nossa dor.

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Candidatura de Neilton Mulim é sinal de sadismo https://simsaogoncalo.com.br/candidatura-de-neilton-mulim-e-sinal-de-sadismo/ https://simsaogoncalo.com.br/candidatura-de-neilton-mulim-e-sinal-de-sadismo/#comments Tue, 30 Aug 2016 20:09:25 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3992 Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo, se candidatou à reeleição. Nas fotos da campanha, iniciada dia 16 de agosto, ele sorri de forma cínica, doentia, como alguém que não dá importância ao prejuízo que ele mesmo causou à cidade. É a pior das loucuras, puro sadismo. Para entender a candidatura de Mulim é preciso recorrer […]

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Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo, se candidatou à reeleição. Nas fotos da campanha, iniciada dia 16 de agosto, ele sorri de forma cínica, doentia, como alguém que não dá importância ao prejuízo que ele mesmo causou à cidade. É a pior das loucuras, puro sadismo.

Para entender a candidatura de Mulim é preciso recorrer à Psicologia. Ele não tem nada para oferecer à São Gonçalo, financeiramente quebrada por seu governo e permanentemente suja, e ainda propõe como vice-prefeita um ser inerte, que não pisca, quase uma múmia egípcia.

A biografia de Mulim descarta a loucura vulgar, inconsequente. Ex-vereador gonçalense, duas vezes deputado federal, o prefeito premeditou cada passo de sua vida, inclusive a fábula da passagem a R$ 1,50 que rendeu seu mandato atual. Tudo leva a crer que São Gonçalo está nas mãos de um sádico que sente prazer ao provocar e assistir ao sofrimento do povo.

Quando centenas foram desabrigados pelas chuvas de março, e uma pessoa morreu, Mulim manteve a frieza. Na entrevista ao Balanço Geral da TV Record, raro pronunciamento público do prefeito “sumido”, ele não tinha tristeza ou comoção na voz. Surpreendentemente seu fracasso em impedir tragédias que se repetem anualmente não o deprimiu, como se não tivesse qualquer responsabilidade.

Pressionado pelo apresentador do programa, a preocupação era “tirar o seu da reta”, proteger a imagem política. Nenhuma palavra de compaixão ou atitude sincera que amenizasse a dor das pessoas que perderam todos os seus bens.

Com Neilton Mulim no poder, São Gonçalo nunca teve um prefeito de verdade. Alguém que a colocasse na posição que merece no cenário político nacional. A Linha 3 do metrô foi descartada na cara de pau e uma barricada gigantesca dividiu a cidade em duas. Saiu de graça, ficou por isso mesmo, ninguém grita. Representar 1 milhão de pessoas vivendo uma crise generalizada despertaria uma pessoa normal para o cumprimento do dever.

Neilton não está cansado, ele quer mais, foi agradável para ele até agora. Parece que acabou de chegar de férias da Europa. Cada servidor público municipal não aguenta mais sofrer em suas mãos, do guarda municipal ao professor. As condições de trabalho e o salário são indignos, beiram a tortura.

Seu governo polui o município como ninguém. Tem o hábito de pendurar faixas irregulares nos postes de luz, estendidas de um lado a outro da rua, para se promover. Depois deixa a faixa por meses no mesmo lugar. Que gestão medíocre, meu Deus, que falta de zelo e orgulho. Vem de lá, da Prefeitura, toda pobreza de espírito e mesquinharia que respiramos.

A tentativa de reeleição de Mulim visa conduzir esta cidade incipiente de 125 anos ao último inferno, onde São Gonçalo será algemada ao pé da cama e espancada a noite toda.

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Como nasce um mau vereador https://simsaogoncalo.com.br/como-nasce-um-mau-vereador/ https://simsaogoncalo.com.br/como-nasce-um-mau-vereador/#respond Sun, 21 Aug 2016 15:47:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3986 Genésio Barros mora em São Gonçalo e viu que o salário de vereador é bom, 15 mil reais limpinhos. Decidiu ser vereador também. As atribuições do cargo não lhe preocupam, ele não as conhece. É urgente saber como chegar lá e se tornar vereador da cidade. Genésio percebe as necessidades do povo do seu bairro. Ruas de barro […]

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Genésio Barros mora em São Gonçalo e viu que o salário de vereador é bom, 15 mil reais limpinhos. Decidiu ser vereador também. As atribuições do cargo não lhe preocupam, ele não as conhece. É urgente saber como chegar lá e se tornar vereador da cidade.

Genésio percebe as necessidades do povo do seu bairro. Ruas de barro esburacadas, vizinhos que vivem um inferno a cada enchente, perdem móveis, se desesperam. Ele se acha iluminado, pode mudar aquela realidade triste, de repente passou a não admiti-la surpreendendo até ele. Além disso, o salário… ah, o salário de vereador é tão bom.

Foi camelô em Alcântara, entregou panfletos no Centro, não concluiu o Ensino Médio. Genésio é bastante popular. Faz amigos no futebol aos domingos, naturalmente sempre simpático.

Agora promove churrascos e festas de rua com frequência. Diz às pessoas que está brigando por elas. Vai à Prefeitura, tenta se aliar às forças políticas atuais, ressaltando que é bem conhecido pela população, sua maior qualidade. Num lampejo de genialidade, cria um perfil no Facebook (parte da estratégia de campanha), onde sua personalidade tão comum será ainda mais conhecida. Genésio é o benfeitor escolhido por Deus, especial ao mesmo tempo humilde, quase tanto quanto Jesus Cristo.

Os inúmeros erros de português nas publicações online não são o maior problema. Definitivamente não. Se pelo menos Genésio postasse sobre as verdadeiras atribuições do vereador, legislar em benefício do povo e fiscalizar o Executivo, seria ótimo, mesmo que fossem com gafes, como nomes de rua trocados nas legendas de fotografias e citações de bairros em que nunca esteve.

Genésio planta a mentira que trouxe melhorias de infraestrutura antes mesmo de ser eleito. Imagine o que fará quando estiver na Câmara? É batalhador e nem tem o trabalho de dizer que é honesto. Isto é óbvio, a honestidade está no sorriso dele.

Nas conversas com simpatizantes, desenvolve um estilo de falar novo. Pensa que fazer política marcante é colocar drama na voz. Uma fala ridiculamente arrastada, cantada em tom fúnebre.

É oficial. Com um aperto de mão efusivo, Genésio Barros conta para todos que é candidato e pede voto descaradamente. Já pode realizar o sonho de ser vereador, tudo de acordo com a legislação eleitoral.

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O nascimento de uma Barricada – a violência que divide a cidade https://simsaogoncalo.com.br/o-nascimento-de-uma-barricada-a-violencia-que-divide-a-cidade/ https://simsaogoncalo.com.br/o-nascimento-de-uma-barricada-a-violencia-que-divide-a-cidade/#comments Mon, 15 Aug 2016 04:13:45 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3934 É avassalador o nascimento de uma barricada. Como se fosse uma força da natureza incontrolável. De repente, numa noite qualquer, ela surge e nenhum bairro de São Gonçalo está livre. Sua gestação é tão sutil quanto o desenvolvimento da violência urbana. Ela cresce lentamente por baixo do solo por dias, até meses, as notícias de […]

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É avassalador o nascimento de uma barricada. Como se fosse uma força da natureza incontrolável. De repente, numa noite qualquer, ela surge e nenhum bairro de São Gonçalo está livre.

Sua gestação é tão sutil quanto o desenvolvimento da violência urbana. Ela cresce lentamente por baixo do solo por dias, até meses, as notícias de assaltos e assassinatos se acumulam, nos acostumamos a elas, o tempo passa, o tiro come, homens armados circulam cada vez mais cedo, à luz do dia. São os componentes da seiva que a nutre secretamente até que irrompe do solo uma barricada dura como a realidade sofrida ocupando toda a rua.

Na manhã seguinte, espanto geral. No caminho até a padaria, as pessoas reduzem o passo perto dela e observam. Quando voltam para casa, pão embaixo do braço, olham a barricada e se espantam de novo, não podem evitar a surpresa. Há vergonha em seus olhos. Aquilo é a materialização do fracasso do Estado e da Sociedade do Rio de Janeiro.

Barricada no Jardim Catarina
Foto: Sandro Nascimento

Os alunos do Ensino Fundamental em direção à escola e o trabalhador que sai de casa pela primeira vez após o nascimento da barricada se perguntam: “como algo tão grande foi parar aqui, sem eu ter visto nada?”. No fundo todos sentiam o aumento da criminalidade ao redor. Os jovens do Ensino Médio sorriem diante dela, inconsequentes naturais atraídos pela sensualidade da violência sem sangue.

Ruas como a Dr. Feliciano Sodré, onde fica a Prefeitura, ainda estão livres porque não reúnem o silêncio, o solo e o medo necessário para uma barricada perfeita.

Os dias passam, pessoas e veículos também e a barricada permanece onde nasceu. Não é preciso vigiá-la como a um bebê. Alguns motoristas em direção à própria garagem a deslocam não mais que o suficiente pro carro atravessar, com o pisca-alerta ligado até durante o dia, e rapidamente, mas com carinho, reacomodam o objeto sagrado.

O poder da barricada é tremendo, ela divide São Gonçalo. Do gigantesco lado depois dela, o terror. Ele mantém sofás, geladeiras, armários e manilhas de concreto na posição exata em que surgiram. No lado anterior vemos a cidade um pouco mais estruturada, parte reduzida do território que se ajusta a cada perda de terreno e sobrevive.

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A democracia gonçalense vista de Alcântara https://simsaogoncalo.com.br/democracia-goncalense-vista-de-alcantara/ https://simsaogoncalo.com.br/democracia-goncalense-vista-de-alcantara/#respond Thu, 11 Aug 2016 03:32:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3905 A menos de 90 dias das eleições municipais, o que mais incomoda em Alcântara, importante polo comercial de São Gonçalo, não são os conhecidos problemas do bairro. Incomoda perceber, vendo as antigas deficiências que se estendem pela cidade inteira, que os gonçalenses ainda não participam plenamente da escolha e exercício do governo municipal. Alcântara é […]

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A menos de 90 dias das eleições municipais, o que mais incomoda em Alcântara, importante polo comercial de São Gonçalo, não são os conhecidos problemas do bairro. Incomoda perceber, vendo as antigas deficiências que se estendem pela cidade inteira, que os gonçalenses ainda não participam plenamente da escolha e exercício do governo municipal.

Alcântara é o ponto perfeito de observação do povo. Graças à fartura de lojas, serviços e oportunidades, gente dos cinco distritos se mistura diariamente entre a Rua da Feira, o Calçadão e o entorno do viaduto da RJ-104. Há pessoas indo e vindo, comprando e vendendo, falando e comendo, sempre com pressa, nunca parando.

As lixeiras transbordam lá mais do que em qualquer outro lugar. Atropelamentos são frequentes na disputa insana entre veículos e pedestres, a lama dos vazamentos de esgoto compõe a paisagem natural, os pontos de ônibus geralmente estão lotados. E o gonçalense circulando em Alcântara não pode refletir por um instante sobre o abandono.

As decisões políticas do Executivo são tomadas à revelia da população, ocupada com o comer e o vestir. A imprensa diária de maior alcance, subordinada aos mandos (e ao dinheiro) do Governo, ignora o impacto dessas decisões no cotidiano quando deveria alimentar a opinião pública com jornalismo de qualidade, pilar central da democracia.

Nas sessões ordinárias da Câmara os vereadores protegem seu “curral” dos inimigos, não raro outros vereadores em atividade, e legislam baseados no mais vantajoso para a manutenção do poder em vez de estimularem o debate político.

O voto obrigatório segue orientações impróprias, como a popularidade do candidato dentro na comunidade, de acordo com o tamanho do investimento na campanha eleitoral. O conhecimento exato sobre as atividades do prefeito e dos vereadores está restrito a poucos indivíduos.

Entre o cidadão e a figura política o distanciamento é tão grande que há pessoas morando sem reclamar em ruas sem asfalto e às escuras porque veem o prefeito como entidade poderosa que tudo sabe e pode castigar. Transformam respeito em precaução, a precaução vira medo pois desconhecem que têm o poder nas mãos.

Os recursos de infraestrutura, transporte e promoção da dignidade humana são geridos em São Gonçalo como se nela vivessem 100 mil pessoas, embora abrigue mais de 1 milhão. Não há tanques nas ruas, mas a falta de informação, cultura e educação se encarrega da restrição da liberdade democrática como em poucas cidades brasileiras.

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Uma tocha por dia https://simsaogoncalo.com.br/uma-tocha-por-dia/ https://simsaogoncalo.com.br/uma-tocha-por-dia/#respond Mon, 08 Aug 2016 18:20:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3893 A cinco meses do término do seu governo, graças à passagem da Chama Olímpica, a “tocha” do prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, enfim acendeu. Explico: o município se movimentou como nunca antes nesta gestão, varreu, pintou e asfaltou com velocidade para receber o símbolo que percorreu 329 cidades brasileiras. Boa parte do povo gonçalense […]

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A cinco meses do término do seu governo, graças à passagem da Chama Olímpica, a “tocha” do prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, enfim acendeu. Explico: o município se movimentou como nunca antes nesta gestão, varreu, pintou e asfaltou com velocidade para receber o símbolo que percorreu 329 cidades brasileiras.

Boa parte do povo gonçalense não gostou desta demonstração tardia de virilidade do prefeito. Pudor ofendido, quiseram apagar a tocha, olímpica, esperando reduzir o fogo dele. A Chama, na verdade, poderia ter vindo bem antes e mantido o pacato governo Mulim ativo todos os dias.

A eficiência da organização surpreendeu, foi chamada de “maquiagem” para esconder os problemas de São Gonçalo. Aprovando e discordando, como deve ser numa democracia, o protagonismo assumido pela população presente, estimada em 100 mil pessoas pela Prefeitura, é outro aspecto que tornou o dia dois de agosto especial.

Havia dois tipos de pessoas em Alcântara, ponto de partida da tocha oficial: aqueles que reprovavam aos gritos o evento e os estupefatos. Quem insistia em aprovar era insignificante, pequenos comentários isolados.

Os manifestantes jogaram bolinhas de água nos capacetes negro-foscos da Polícia Militar, que respondeu com bombas de efeito moral, teve empurra-empurra e desespero de crianças e pais (os primeiros a não ver a Chama). Impossível sentir o espírito olímpico acuado pela multidão e por deficiências graves na Saúde, Educação, Infraestrutura, Transporte etc.

Crédito: Julio Diniz / TV Win
Crédito: Julio Diniz / TV Win

Quando o povo sai às ruas em uma cidade definhando sob um governo ruim, o choque entre as forças de segurança e enormes grupos de protesto é inevitável. Felizmente ninguém se feriu gravemente e tivemos aprendizados.

O prefeito Mulim aprendeu a não subestimar o povo. Colocar a Tocha Olímpica para desfilar em um dos trechos mais estreitos e populosos da cidade foi ingenuidade. Os gerentes das lojas de Alcântara aprenderam que centenas de pessoas aglomeradas na frente do estabelecimento nem sempre é positivo. Fecharam as portas por medo de roubos e vandalismo.

Aos trancos e barrancos, literalmente, a Tocha e a Chama passaram mobilizando o gonçalense e o poder público ineficiente que queria fazer uma festa para o povão irritado. Encontro valioso para São Gonçalo.

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O sofrimento dos desabrigados https://simsaogoncalo.com.br/o-sofrimento-dos-desabrigados/ https://simsaogoncalo.com.br/o-sofrimento-dos-desabrigados/#respond Wed, 06 Jul 2016 17:12:19 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3778 Sabemos que o governo Mulim trouxe para São Gonçalo mais lixo, escuridão, corrupção e mentira. No conforto de nossas casas, entretanto, não percebemos o quanto ele é desumano. As famílias desabrigadas pelas chuvas de março sabem. Elas sentem, na carne, o tamanho da omissão do prefeito e dos cavaleiros da hipocrisia (ou secretários de governo). […]

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Sabemos que o governo Mulim trouxe para São Gonçalo mais lixo, escuridão, corrupção e mentira. No conforto de nossas casas, entretanto, não percebemos o quanto ele é desumano. As famílias desabrigadas pelas chuvas de março sabem. Elas sentem, na carne, o tamanho da omissão do prefeito e dos cavaleiros da hipocrisia (ou secretários de governo).

Centenas de pessoas perderam suas casas, seus móveis e pertences há três meses, quando 38 bairros da cidade foram alagados. Desesperadas, crianças, idosos e doentes crônicos inclusive buscaram abrigo em dois condomínios desabitados do programa “Minha Casa, Minha Vida” no Jóquei. Permaneceram no local sem água encanada nem energia elétrica por quase dois meses, se alimentando através de doações, sem qualquer assistência médica ou social do governo municipal.

Expulsas dos apartamentos por ordem judicial, sob a condição de que a Prefeitura forneceria abrigo apropriado, cerca de 400 pessoas, segundo os desabrigados, foram transferidas para o CIEP Porto do Rosa. Os documentos e objetos que conseguiram juntar após o alagamento foram jogados num caminhão para a transferência e jamais vistos novamente. Algo impensável, abominável e o sofrimento aumentaria: localizado em região tomada pelo tráfico de drogas, encontraram o CIEP crivado de balas, sem janelas e com vazamentos na cisterna. Dormindo sobre o chão frio, entre eles 20 portadores de necessidades especiais, muitos adoeceram.

Após 30 dias vivendo precariamente no CIEP Porto do Rosa, mês passado sofreram a segunda remoção à força. Desta vez os desabrigados foram espalhados entre o Polo de Assistência Social de Vista Alegre e igrejas que ofereceram ajuda. Alguns homens dormiram na calçada por falta de espaço para todos. As crianças, longe da escola desde março, incapazes de entender o motivo de tantas mudanças, perguntam aos pais quando voltarão para casa. “É uma situação de guerra”, nas palavras de um desabrigado. E não temos um governo interessado em resolver a questão.

Publicamente a Prefeitura tem a audácia de dizer que existem “desalojados, não desabrigados”. Faz joguinhos de marketing com as vidas de centenas de pessoas, desrespeitadas enquanto seres humanos. Estão sem água e comida e convivendo com a sujeira porque a máquina pública foi empregada em ações ilegais de propaganda, como faixas penduradas em postes de luz e muretas, visando as próximas eleições.

Gonçalenses perderam tudo o que possuíam e continuam sofrendo. E a grande preocupação do governo Mulim é com a própria imagem.

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Uma cidade inacessível: a acessibilidade em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/acessibilidade-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/acessibilidade-em-sao-goncalo/#comments Sun, 26 Jun 2016 12:31:25 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3755 Acessibilidade em São Gonçalo é um drama. E os maiores guerreiros gonçalenses são os portadores de necessidades especiais. Dia após dia, eles se esforçam mais do que qualquer pessoa para sobreviver neste território inóspito, parasitado pela classe política. O governo municipal deve a eles mais do que infraestrutura e acessibilidade. Deve algo que jamais tiveram: reconhecimento. Acessibilidade […]

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Acessibilidade em São Gonçalo é um drama. E os maiores guerreiros gonçalenses são os portadores de necessidades especiais. Dia após dia, eles se esforçam mais do que qualquer pessoa para sobreviver neste território inóspito, parasitado pela classe política.

O governo municipal deve a eles mais do que infraestrutura e acessibilidade. Deve algo que jamais tiveram: reconhecimento.

Acessibilidade em São Gonçalo em números

De acordo com o último censo divulgado pelo IBGE, realizado em 2010, apenas 4% dos domicílios gonçalenses estão localizados em ruas com rampa de acesso para cadeirantes, item fundamental para garantia do amplo direito de ir e vir. No município brasileiro mais avançado neste aspecto, Jaguaribara (CE), o índice é de 75%.

Ainda em 2010 o IBGE apurou que 55.820 residentes na cidade de São Gonçalo possuem alguma dificuldade motora. Marice Dias, leitora do Sim São Gonçalo e irmã do Gecélio, portador de necessidades especiais, enviou a seguinte mensagem ao canal:

– A Rua Júpiter no Bandeirantes está largada após a prefeitura fazer obras de manilhamento, na promessa de um asfaltamento. Até hoje não há sinal de asfalto e a rua está tomada de esgoto à céu aberto. Pode nos ajudar registrando este descaso? Meu irmão é cadeirante e é impossível locomovê-lo nestas condições.

A dificuldade no cotidiano das pessoas

Gecélio tem 39 anos. Mora a vida inteira na mesma rua de terra batida no Bandeirantes. Por lá, a lama e o esgoto frequentemente se misturam, formado uma massa estranha, odiosa, dejeto do descaso público histórico.

Portador de necessidades especiais causadas pela hidrocefalia, Gecélio nunca foi ao supermercado do bairro. Nem mesmo à academia, que fica a menos de 100 metros da sua casa. Os buracos enormes, as longas valas e fissuras na rua, já quebraram a cadeira de rodas doada pela Associação Pestalozzi de Niterói. Eles impedem seu ir e vir.

Quando Marice visita o irmão nos fins de semana, ela o ajuda a vencer os obstáculos. Seu passeio preferido é ir à praça do Bandeirantes para ver o movimento de pessoas e veículos. Nos dias chamados de “úteis”, mas tediosos para Gecélio, ele fica preso em casa na companhia da mãe, idosa, incapaz de sozinha ajudá-lo na locomoção.

Segundo o jornal O São Gonçalo, a gestão Neilton Mulim deu “o pontapé inicial para a implementação do Plano de Acessibilidade do Município de São Gonçalo”. A previsão é que o plano entre em vigor antes do fim deste ano. mas só Deus sabe.

Neilton Mulim assumiu a Prefeitura há mais de 3 anos sem qualquer projeto por mais qualidade de vida para gonçalenses como Gecélio. Agora, em conluio com o jornal, no último ano de governo, ano de eleições municipais, anuncia um engodo claramente eleitoreiro.

Os responsáveis por não implementar a acessibilidade em São Gonçalo são a corja burra e inútil das secretarias. Sem falar nos hipócritas da Câmara, que fingem defender a cidade mas viram as costas para o povo. Eles seriam seres humanos melhores se passassem um dia de muletas ou sobre uma cadeira de rodas.

Teriam que sofrer, muito, para atravessar a rua em direção ao habitual rodízio de carnes no restaurante preferido, pago com dinheiro público.

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Violência não traz Justiça https://simsaogoncalo.com.br/violencia-nao-traz-justica/ https://simsaogoncalo.com.br/violencia-nao-traz-justica/#respond Mon, 20 Jun 2016 18:47:06 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3743 Um gonçalense de 34 anos foi assassinado a pauladas, socos, chutes e pedradas no Barro Vermelho, semana passada. Os golpes desfiguraram seu rosto e dificultaram a identificação do corpo pela família. Francisco Rocha era casado, tinha dois filhos pequenos (4 e 6 anos) e um enteado de 16 anos de idade. A perícia apontou que o grupo que […]

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Um gonçalense de 34 anos foi assassinado a pauladas, socos, chutes e pedradas no Barro Vermelho, semana passada. Os golpes desfiguraram seu rosto e dificultaram a identificação do corpo pela família. Francisco Rocha era casado, tinha dois filhos pequenos (4 e 6 anos) e um enteado de 16 anos de idade.

A perícia apontou que o grupo que matou Francisco era composto por mais de 10 pessoas, talvez ligadas ao tráfico de drogas da região, de acordo com informações passadas por moradores, que também disseram que a vítima teria cometido assaltos no bairro.

A aprovação deste crime bárbaro por parte da população que acredita na justiça feita pelas próprias mãos é tão grave quanto o crime em si. Violência não traz Justiça. A família de Francisco alega que ele trabalhava como carpinteiro e lutava contra a dependência química, classificada como transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde. Se as investigações provarem que também era assaltante, Justiça seria julgá-lo tendo como objetivo a ressocialização, como qualquer povo civilizado faria.

É fato que a população gonçalense é refém do medo de ser assaltada, estuprada, assassinada. Mas espancar outros seres humanos até a morte não eliminará a ação das facções criminosas que dominam parte do território municipal, espalhando a violência, e recrutam crianças e jovens para o tráfico de drogas como seus soldados. Igualdade social foi a solução encontrada – a única possível – pelos países que apresentam os maiores níveis de segurança no mundo, como a Nova Zelândia.

Não é a primeira vez que alguém é espancado até a morte em São Gonçalo e os índices de homicídio, roubo de veículos e assalto à pedestres explodiram, segundo o Instituto de Segurança Pública. O que virá após o espancamento no meio da rua? Vamos trucidar, cortar e comer a carne quente da vítima sentados na calçada batendo um papo? Tão acostumados a ela, assustar bandidos com violência e vê-los fugindo da cidade com o rabo entre as pernas não parece uma expectativa sensata.

Se o sistema inteiro falhou, dominado pela burocracia e corrupção, da polícia militar ao juiz criminal, a sociedade depende ainda mais da resistência e sanidade de seus cidadãos.

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A praça é do Rodo https://simsaogoncalo.com.br/praca-e-do-rodo/ https://simsaogoncalo.com.br/praca-e-do-rodo/#comments Sat, 11 Jun 2016 12:32:31 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3726 São Gonçalo é uma cidade grande, com uma linda história de sobrevivência. Ignorar seu passado de propósito e chamar a Praça do Rodo de “praça da Marisa” é criminoso. O município lutou para se desvencilhar politicamente de Niterói durante anos e hoje se esforça para superar graves problemas sociais, a baixa qualificação profissional, o pouco acesso […]

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São Gonçalo é uma cidade grande, com uma linda história de sobrevivência. Ignorar seu passado de propósito e chamar a Praça do Rodo de “praça da Marisa” é criminoso.

O município lutou para se desvencilhar politicamente de Niterói durante anos e hoje se esforça para superar graves problemas sociais, a baixa qualificação profissional, o pouco acesso à Cultura. A solução passa pelo resgate das próprias raízes para corrigir o rumo. Mas há pessoas que conhecem até o nome oficial da praça, Luiz Palmier, e a chamam de praça da Marisa. A Prefeitura, quando anuncia eventos no local, comete tal crime. Os 27 vereadores da Câmara, cuja maioria não conhece a história da cidade, também pecam.

E a Marisa não paga um centavo por esta maravilhosa ação de marketing permanente. Secretarias de governo, empresas privadas, assessorias de comunicação e a população em geral trabalham de graça ao citar seu nome.

O termo “praça do Rodo” já foi mais popular que “praça da Marisa” há pouco tempo. Aí surgiu essa moda degradante de trocar o nome da praça – onde os bondes retornavam em direção à Niterói -, dona de uma importância para o desenvolvimento da cidade infinitamente maior do que a marca de varejo (Tafulhar).

A praça do Rodo continua especialíssima hoje. É uma praça diferente da Zé Garoto, mais indicada para ler um livro, apreciar um pouco de silêncio ou o escasso verde gonçalense das árvores. No Rodo, São Gonçalo inteira está ao seu redor, na pista movimentada de veículos, ruidosa, nos pedestres apressados, nas lojas fervendo de gente, na lanchonete vendendo salgado e refresco. Aliás, o típico gonçalense come pelo menos um salgado na rua por semana.

Na praça do Rodo a banca de jornal é tradicionalmente agradável pois permite esquecer por alguns segundos o movimento confuso ao lado e saber das últimas notícias, e as feiras de livros que frequentemente acontecem são o que mais aprecio na rotina local.

Há bancos mas faltam árvores na segunda praça gonçalense mais famosa. E sobra ferro naquela coluna ridícula (apenas prefeitos estúpidos plantam ferro em vez de árvore). A réplica de um bonde cumpriria melhor o papel de preservação da memória.

Sempre que alguém chama a Praça do Rodo de “praça da Marisa” tenho vontade de correr nu entre os carros na contramão gritando: “A praça é do Rodo, porra!”. Evitem essa vergonha, por favor. A praça é do Rodo.

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Afaste-se, Panisset! https://simsaogoncalo.com.br/afaste-se-panisset/ https://simsaogoncalo.com.br/afaste-se-panisset/#respond Thu, 09 Jun 2016 15:37:08 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3717 Afaste-se de São Gonçalo, Aparecida Panisset. Não há mais espaço para você em terras gonçalenses. Nós, cidadãos, te rejeitamos. Jamais esqueceremos os males causados por teu desprezo cultural. A exemplo da religião umbandista, que feriste ao permitir a destruição da casa onde nasceu. Já o protestantismo foi fortalecido por vias ilegais, usando dinheiro do povo. A praça Carlos Gianelli, vendida […]

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Afaste-se de São Gonçalo, Aparecida Panisset. Não há mais espaço para você em terras gonçalenses. Nós, cidadãos, te rejeitamos.

Jamais esqueceremos os males causados por teu desprezo cultural. A exemplo da religião umbandista, que feriste ao permitir a destruição da casa onde nasceu. Já o protestantismo foi fortalecido por vias ilegais, usando dinheiro do povo. A praça Carlos Gianelli, vendida a empresários gananciosos no centro de Alcântara, deixou o bairro ainda mais apertado. E a memória do grande ativista ambiental Chico Mendes? Foi atacada, ao deformar a praça em homenagem a ele, no Raul Veiga, estragando um espaço público frequentado pela juventude.

Afaste-se! Não a queremos presidindo qualquer partido político nesta cidade, desviando em direção ao obscurantismo os corações e mentes mais humildes e, nem mesmo, recolhendo o lixo dos banheiros da Prefeitura. Não tens a dignidade necessária. Sua presença neste território ofende os idosos que carregam a história de luta da cidade, ameaçando crianças e adolescentes que têm um futuro a trilhar.

A marca do mal do seu governo continua no chão onde pisamos, até mesmo nas pedras portuguesas trocadas por tijolos vermelhos grotescos. Nos monumentos ao desperdício, lagos artificiais cheios de larvas ocupando mais da metade do espaço útil das praças, como no Colubandê.

Publicado nas redes sociais do Partido Democrático Trabalhista, dia 13/05/16, seu interesse em se candidatar à Prefeitura – que a Justiça não permita – é um insulto inadmissível. A personificação do fanatismo a serviço do acúmulo de poder para enriquecimento ilícito não vencerá novamente. A ignorância política não governará São Gonçalo outra vez, afaste-se para os confins do mundo.

Teu sobrenome é sinônimo de atraso intelectual, oportunismo, covardia e conivência diante da corrupção na administração pública, principalmente na Saúde e Educação. Em teu governo, instituições religiosas enriqueceram sem prestar qualquer serviço à população (O Globo). Condenações pelo Tribunal de Contas do Estado, multas e danos ao Erário acumularam durante anos (TCE-RJ), e tua ousadia será respondida com luta. Aqui não é bem-vinda.

São Gonçalo ainda se recupera do abismo em que caiu durante os 8 anos que foi chamada de prefeita. E você aparece diante de nós, sorridente como a Praga antes de espalhar a morte, com a mesma tinta no cabelo. Respeite o povo gonçalense, não o subestime. Nós te rejeitamos do fundo de nossas almas.

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Do ovo ao teatro superfaturado https://simsaogoncalo.com.br/do-ovo-ao-teatro-superfaturado/ https://simsaogoncalo.com.br/do-ovo-ao-teatro-superfaturado/#respond Sat, 28 May 2016 16:18:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3691 Governos corruptos superfaturam aquisições parciais de uma grande obra em conluio com a construtora, emissora das notas fiscais. Pagam pelo cimento um valor acima do cobrado pelo mercado, distribuem entre os safados a diferença mas mantêm o valor justo da areia para disfarçar, não pegam tão pesado. Um governo que durante anos não licita a […]

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Governos corruptos superfaturam aquisições parciais de uma grande obra em conluio com a construtora, emissora das notas fiscais. Pagam pelo cimento um valor acima do cobrado pelo mercado, distribuem entre os safados a diferença mas mantêm o valor justo da areia para disfarçar, não pegam tão pesado. Um governo que durante anos não licita a coleta de lixo, superfatura livros infantis, merenda escolar e a construção inteira de um teatro não é só corrupto. O governo Mulim, em São Gonçalo, é essencialmente maligno, um governo de ódio descarado contra aquilo que torna o povo gonçalense único, sua arte e juventude.

Há crianças na rede municipal de ensino que frequentemente contam apenas com a refeição servida na escola, quando é servida. Explorando a pobreza delas os bandidos daqui lucram, comprando a dúzia de ovos da merenda a R$ 10. Ensino de qualidade o governo Mulim é incapaz de oferecer, mas sabe como importar ovos caipiras de Marte. Pior do que um ataque aos cofres públicos, o desprezo pela Educação forma os camelôs que sustentarão o cafezinho da Secretaria de Posturas nas próximas décadas.

Superfaturar a arte é tão ultrajante quanto a comida. A Fundação Cesgranrio inaugurou um teatro no Rio de Janeiro, construído a partir de um auditório para 90 pessoas, que custou R$ 2 milhões. A construção da Policlínica no Vila Três, prédio alto e largo com pelo menos 3 pavimentos e ocupando o espaço todo do antigo campo de futebol, custou R$ 4,8 milhões. O primeiro teatro municipal gonçalense, com espaço para 269 pessoas, custará incríveis R$ 13,6 milhões. No Teatro Cesgranrio cabem 300 pessoas. Os compradores de ovos marcianos enriquecem com o sonho do povo de assistir a um espetáculo com dignidade, sem medo do teto cair sobre a cabeça, sem as dores no corpo provocadas pelas cadeiras do humilde Anexo Carequinha. Deturpando sonhos, é assim que os grandes criminosos agem.

“O cara superfatura do ovo ao teatro”, disse Renato Aroeira, famoso cartunista, sobre o governo Mulim. Governo que não para de emitir decretos para aumentar as verbas de gabinete do prefeito. Milhares de reais para comprar grampos e tirar cópias do Diário Oficial. A arte de roubar está em exibição permanente na Prefeitura de São Gonçalo.

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Alucinações no Alto do Gaia https://simsaogoncalo.com.br/alucinacoes-no-alto-do-gaia/ https://simsaogoncalo.com.br/alucinacoes-no-alto-do-gaia/#comments Sun, 22 May 2016 12:18:05 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3671 Não bebi, não fumei nem usei nenhum tipo de alucinógeno, mas fiquei doidão a 534 metros de altitude no Alto do Gaia, ponto mais alto de São Gonçalo, e me apaixonei de vez pela cidade. Assim que coloquei o pé no topo da montanha, acima do voo dos urubus, percebi que São Gonçalo é maior que a […]

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Não bebi, não fumei nem usei nenhum tipo de alucinógeno, mas fiquei doidão a 534 metros de altitude no Alto do Gaia, ponto mais alto de São Gonçalo, e me apaixonei de vez pela cidade.

Assim que coloquei o pé no topo da montanha, acima do voo dos urubus, percebi que São Gonçalo é maior que a sujeira urbana e o descaso público, infinitamente maior. A cidade é bela. Verde, calma, ventilada. Contra o bom senso, construíram uma merda apertada de concreto e pouco asfalto em parte do território onde a maioria da população, desesperançada, vive.

Depois do primeiro ensinamento do Gaia, as alucinações começaram. Na minha frente a quilômetros de distância, lá embaixo, vi Neilton Mulim cair no choro dentro do gabinete do prefeito, desistir da reeleição e pedir perdão ao povo pelo prejuízo que causou com seu governo criminoso. Seus apoiadores na Câmara de Vereadores realizaram logo após a expiação a Audiência Pública da Vergonha e do Arrependimento. Um grande feito sem mais ações concretas.

São Gonçalo ao alcance dos olhos, virei a cabeça para Neves, depois olhei o Colubandê, e vi construídos os Centros de Esporte e Lazer Unificados, os maiores do Brasil, como previa o projeto inicial. Os jovens desempregados abandonavam os bares onde antes se embriagavam e trocavam futilidades o dia inteiro e entravam nos centros com skate e livro na mão. Vi bibliotecas públicas espalhadas em cada distrito, o bairro Sacramento urbanizado, acessível a cadeirantes.

No Raul Veiga as crianças iam felizes à escola municipal do bairro, carinhosamente chamada de Rato Velho. Havia atividades para desenvolvimento de jogos digitais e aprendiam técnicas de comunicação e gravação de vídeo para a Internet. Gamer e youtuber são as profissões dos sonhos dos adolescentes de hoje, os ladrões de merenda precisam saber.

Próximo a linha do horizonte, o mais longe que meus olhos alcançavam, o antigo lixão de Itaoca tinha virado o maior centro de reciclagem da América Latina. Atendia ao município, ajudou a resolver a questão do lixo espalhado nas ruas, e recebia material das cidades vizinhas, gerando renda e empregos.

Desejo do trabalhador, avistei uma linha nova cortando a cidade de Neves a Guaxindiba e tive certeza de que era uma alucinação provocada pelo poder transformador do Gaia: era a Linha 3 do Metrô.

Na descida do Alto do Gaia, a umidade refrescante da floresta gonçalense guardava borboletas gigantescas de asas pretas nas bordas e azuis no meio, há mais de 50 anos não vistas em bairros como Alcântara. Aquilo era real, bem como o pé carregado de laranja-da-terra, na beira da Estrada do Sítio da Pedra, que fiz questão de tocar. O Gaia nos diz: “Recomecem, há tempo e espaço suficientes para desenvolvimento inteligente em São Gonçalo”.

 

Confira as fotos do evento:

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Dentro do Pandiá ocupado https://simsaogoncalo.com.br/dentro-do-pandia-ocupado/ https://simsaogoncalo.com.br/dentro-do-pandia-ocupado/#respond Tue, 17 May 2016 23:36:17 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3642 “Aprendi a jogar xadrez dentro do Pandiá ocupado, e como lutar por meus direitos. Aprendi muitas coisas legais na ocupação”, me disse o jovem Wilson, aluno do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, que faz parte do movimento Ocupa Pandiá e guiou a visita que fiz à escola. A ocupação, parte da mobilização estadual […]

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“Aprendi a jogar xadrez dentro do Pandiá ocupado, e como lutar por meus direitos. Aprendi muitas coisas legais na ocupação”, me disse o jovem Wilson, aluno do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, que faz parte do movimento Ocupa Pandiá e guiou a visita que fiz à escola.

A ocupação, parte da mobilização estadual por melhorias na Educação, teve início dia 26 de abril. Entre as reivindicações locais estão reformas na infraestrutura do Pandiá, como a construção de cobertura para a quadra de esportes, e a devida manutenção e limpeza das instalações (baratas e resíduos foram encontrados pelos alunos na caixa d’água central e nas torneiras do refeitório). O movimento já comemora algumas demandas acatadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, um simulado para o ENEM produzido pelo corpo docente e dois tempos de aula de Sociologia e Filosofia a partir de 2017, por exemplo. Mas “a luta continua”, nas palavras confiantes de Wilson.

Quando estudei no Pandiá, os jovens que lá estão varrendo, cozinhando e cuidando do patrimônio público nem eram nascidos. Lembro bem dos desafios entre valentões durante as aulas, há 22 anos atrás, e das brigas sangrentas no intervalo em campo aberto, com a torcida dos oponentes gritando ao redor. A recepção calorosa do grupo, extremamente inteligente e simpático, a disciplina rígida que não permite o fumo nas dependências da escola e a clareza das reivindicações surpreendem. Quem pensa encontrar um ambiente sujo de jovens baderneiros, vibrando porque tomaram a escola, transando nos corredores como ignorantes contra a ocupação alegam, não conhece militância política e não sabe do que a juventude gonçalense é capaz.

Dentro do Pandiá ocupado se aprende façanhas que a maioria do povo chega à terceira idade sem saber, como a Linguagem Brasileira de Sinais, organização política e ação social. “Eu aprendi na ocupação” é a frase mais ouvida pelo visitante; por desenvolver jovens sensatos e articulados o Pandiá Calógeras é o colégio mais completo de Alcântara hoje e provavelmente dele já nasceu a nova elite política e intelectual da cidade de São Gonçalo, não dos colégios privados.

O bebedouro de concreto que eu usava em 1994 continua lá, próximo da escada que desce para o refeitório, e pelas redondezas ainda circula Caju, famoso vendedor ambulante. O Pandiá, entretanto, mudou: ele nunca esteve ocupado por tanto amor.

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O prejuízo causado pelo governo Mulim https://simsaogoncalo.com.br/o-prejuizo-causado-pelo-governo-mulim/ https://simsaogoncalo.com.br/o-prejuizo-causado-pelo-governo-mulim/#comments Tue, 10 May 2016 20:10:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3625 Quem passa por São Gonçalo pela primeira vez, de carro ou de ônibus, percebe pela desordem urbana que o governo Mulim é um fracasso. Está estampado nas ruas. Mas é difícil até para gonçalenses calcular com precisão o prejuízo que Mulim causou à cidade em 3 anos de governo. Sabemos que a falta de investimentos e […]

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Quem passa por São Gonçalo pela primeira vez, de carro ou de ônibus, percebe pela desordem urbana que o governo Mulim é um fracasso. Está estampado nas ruas. Mas é difícil até para gonçalenses calcular com precisão o prejuízo que Mulim causou à cidade em 3 anos de governo. Sabemos que a falta de investimentos e o desperdício são gigantescos. Estimo em R$ 400 milhões. Ainda mais profundos, os danos causados pelo abandono da Educação e atraso cultural são incalculáveis.

São Gonçalo recebeu do Governo Federal mais de R$ 7 milhões para construção de dois Centros de Esporte e Lazer Unificados, um em Neves, outro no Colubandê. Nenhum foi construído. Um atentado contra a população, contra a juventude que abusa do álcool e das drogas como opções de lazer.

O contrato para a construção de uma policlínica no bairro Vila Três cobria gastos de R$ 4,8 milhões. As obras começaram há 5 anos, o prédio permanece inacabado e recentemente outro contrato foi firmado para conclusão, no valor de R$ 2,8 milhões. Outro desperdício de dinheiro da Saúde ocorre nos bairros Pacheco e Nova Cidade, onde foram gastos R$ 7,3 milhões na construção de duas UPAs que embora estejam prontas continuam fechadas.

Contratos de emergência milionários para coleta de lixo foram firmados, sem licitação, entre 2013 e 2015. Só no ano passado foram pagos à Marquise R$ 51,6 milhões pelo péssimo serviço prestado.

Na Educação roubos e superfaturamentos se tornaram frequentes, os bandidos perderam a vergonha. Ano passado, auditores do Tribunal de Contas do Estado analisaram contratos e concluíram que R$ 15 milhões foram pagos indevidamente à Home Bread, empresa que deveria fornecer regularmente merenda escolar. A farra no setor continua e o governo Mulim pagou recentemente R$ 10,00 por uma dúzia de ovos, encontrada a menos de R$ 4 nos supermercados. Estão metendo a mão no bolso do gonçalense, como fizeram através do programa de leitura Magia de Ler, outra aquisição sem licitação, imposta à classe educadora, mal planejada, e levaram mais R$ 12 milhões.

Até o fim de 2015, o rombo nas finanças municipais, resultado da má administração, estava avaliado em R$ 200 milhões (Jornal Daki). Se o prejuízo total que o governo Mulim causou fosse recuperado e distribuído para o povo gonçalense, que até 2010 ganhava em média R$ 669 por mês, cada cidadão teria 60% a mais no orçamento. Nada mau em tempos de crise econômica.

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Novo retrato da rua onde moro https://simsaogoncalo.com.br/novo-retrato-da-rua-onde-moro/ https://simsaogoncalo.com.br/novo-retrato-da-rua-onde-moro/#respond Wed, 04 May 2016 12:32:57 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3603 Quando era criança muitas vezes busquei minha bola de futebol dentro da vala de esgoto que havia na esquina da rua Aldrovando Pena com a Alexandre Muniz, no bairro Vila Três, em São Gonçalo. A bola vinha molhada pela água suja, eu batia com ela 3 vezes no chão e a gente continuava o jogo. Era […]

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Quando era criança muitas vezes busquei minha bola de futebol dentro da vala de esgoto que havia na esquina da rua Aldrovando Pena com a Alexandre Muniz, no bairro Vila Três, em São Gonçalo. A bola vinha molhada pela água suja, eu batia com ela 3 vezes no chão e a gente continuava o jogo. Era o procedimento entre a galera, a mão se limpava no short. Nas últimas semanas a vala foi eliminada, a rede de esgoto, reformulada, e a rua onde moro há 26 anos, asfaltada com dinheiro público federal (o governo municipal continua um fracasso).

Na primeira noite de rua pretinha e lisinha, noite de frio anormal em terra de “chapa quente”, a alegria transbordava do meu filho e de seus pequenos amigos. As meninas andaram de skate até às 22h, os meninos corriam para cima e para baixo repetidamente, por puro prazer, no mesmo local onde meses atrás bandidos armados estabeleciam toque de recolher às 18h porque o tiroteio iria começar.

No segundo dia até os adultos entraram na brincadeira, devidamente protegidos por capacete, e gravaram vídeos descendo as ladeiras ao pé do Morro da Caixa D’água de skate. Sem melhores opções de lazer, os gonçalenses “piram” quando uma rua se torna habitável.

Ontem, terceiro dia de rua nova, crianças e adolescentes das proximidades se juntaram aos moradores do quarteirão, contei 15 deles ao mesmo tempo descendo as ladeiras com longboards, skates tradicionais e de duas rodas, coisa linda de se ver. Há chances do local se tornar referência para o esporte em São Gonçalo? Sim. Tudo porque uma rua foi asfaltada com recursos do contribuinte brasileiro. Com o devido investimento, uma pequena oportunidade, São Gonçalo voa.

Mas o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é iniciativa do Governo Federal, não do prefeito Neilton Mulim. A vala negra onde eu buscava minha bola de futebol na infância era fruto do abandono político que ainda polui bairros inteiros, esquecidos. O lixo não recolhido avançou da calçada para a rua e está impedindo a passagem de veículos e pedestres nas principais vias dos bairros do 2º e 3º distritos, como Sacramento, Barracão e Santa Isabel. 42% da cidade de São Gonçalo foi alagada pelo temporal do mês de março. E o que o prefeito realmente faz contra esses problemas? Pendura placas onde não deve, como embaixo do viaduto de Alcântara, com propaganda enganosa.

ps: Para ver minha rua antes das obras, clique aqui.

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A urgência da representatividade feminina – Por Rafa Silva https://simsaogoncalo.com.br/urgencia-da-representatividade-feminina/ https://simsaogoncalo.com.br/urgencia-da-representatividade-feminina/#respond Sat, 30 Apr 2016 14:33:03 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3580 Mário Lima Jr.: “Desde novembro procurava a opinião de uma mulher gonçalense sobre a luta feminina por maior participação política, ou sobre o devido posicionamento da mulher dentro da sociedade. Finalmente encontrei. Aproveitem o artigo da Rafa Silva”. A política sempre foi muito masculinizada, apesar de ter consigo o artigo feminino. Apesar de hoje em dia vermos uma tentativa de […]

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Mário Lima Jr.: “Desde novembro procurava a opinião de uma mulher gonçalense sobre a luta feminina por maior participação política, ou sobre o devido posicionamento da mulher dentro da sociedade. Finalmente encontrei. Aproveitem o artigo da Rafa Silva”.

A política sempre foi muito masculinizada, apesar de ter consigo o artigo feminino. Apesar de hoje em dia vermos uma tentativa de aproximação por parte dos homens, há ainda uma seleção por parte destes. A maioria dos homens só convidam a participar de um partido político, mulheres que já estejam engajadas em movimentos políticos, como núcleos vivos, movimentos estudantis, sindicatos e outros. A mulher “comum” (mãe, irmã, tia, namorada, filha) quase nunca é procurada por eles, que desestimam as suas experiências e conhecimentos pelo simples fato de elas não serem parte do meio. E isso tem que mudar.

A ocupação das mulheres nos espaços políticos tem sido um movimento gradual e crescente. Para maior incentivo delas no meio, seria de extrema importância que a Lei 9.504, que determina o preenchimento de, no mínimo, 30% das candidaturas por mulheres, fosse “blindada” para combater os rodeios dos partidos que ainda enfrentam com resistência o preenchimento das vagas destinadas a elas. É crucial que se invista em figuras femininas para representar um segmento da sociedade que é mais da metade da população do país. Além de contarmos com a falta de representatividade, temos que arcar com as consequências disso, que são a falta de políticas públicas voltadas para as mulheres.

Em São Gonçalo, somos mais de 500 mil mulheres, de acordo com o Censo IBGE de 2010. Mais de 500 mil mulheres que estão sem representatividade política nas estruturas de poder. Uma cidade onde já foram registrados mais de 1,1 mil casos de agressões e ameaças contra mulheres somente nos primeiros quatro meses desse ano, pede, grita urgentemente por medidas que resguardem essas mulheres.

Mais do que nunca, a ocupação e participação ativa das mulheres se faz necessária para que possamos reverter esse quadro. Somente com representação na câmara, nos conselhos municipais e nos debates públicos, iremos conseguir maior visibilidade dos nossos problemas e consequentemente, elaborar soluções para estes.

Rafa Silva

Mãe da Eva e militante da REDE

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Vítimas do encanto do prefeito https://simsaogoncalo.com.br/vitimas-do-encanto-do-prefeito/ https://simsaogoncalo.com.br/vitimas-do-encanto-do-prefeito/#respond Sat, 23 Apr 2016 01:18:46 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3573 Neilton Mulim cativa o gonçalense mal esclarecido quando aparece diante dele, milagrosamente não suando debaixo do sol forte, oferecendo a mão determinada enquanto fita olhos surpresos, submissos. O cidadão que não enxerga os graves pecados da gestão atual se derrete de amor. Nas últimas semanas os moradores dos bairros contemplados pelo programa Rua Nova foram […]

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Neilton Mulim cativa o gonçalense mal esclarecido quando aparece diante dele, milagrosamente não suando debaixo do sol forte, oferecendo a mão determinada enquanto fita olhos surpresos, submissos. O cidadão que não enxerga os graves pecados da gestão atual se derrete de amor.

Nas últimas semanas os moradores dos bairros contemplados pelo programa Rua Nova foram vítimas da astúcia do prefeito. Ele se aproxima e diz com a seriedade e ternura de um anjo: “Sou eu que estou fazendo isso aqui” e aponta para a rua em obras ainda sem asfalto, mas já com meio-fio novinho. O homem ou mulher quase se joga nos braços de Mulim, por 40 anos viveu no mesmo lugar sem ver o nome da Prefeitura, ou sequer uma lixeira pública pendurada em poste de luz. Hoje dezenas de caminhões e trabalhadores da construção civil ocupam seu quarteirão, ele ou ela não pisarão mais na lama; contudo, o gonçalense ignora que os recursos vêm do Programa de Aceleração do Crescimento e a conquista é da sociedade brasileira, não do prefeito de São Gonçalo.

Ao descobrir que foi fotografado sem autorização e que a foto com Mulim está no site da Prefeitura, em vez de sentir raiva, se regozija, quer revelar a fotografia e mostrá-la ao prefeito quando “ele voltar”. Por meses a pessoa contaminada sonhará com este dia, a foto revelada ficará guardada em gaveta especial, aguardando.

Nas ruas Neilton habilmente equilibra erudição e humildade. Governa sem soberba, se mostra presente, amigo, conhece o que o povo precisa. Não é belo, mas é polido, faz pleno uso de suas qualidades. No isolamento do gabinete joga dados com São Gonçalo, a cidade é um brinquedo particular, seu Banco Imobiliário, a fama de ausente prevalece, o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público são seus adversários neste jogo.

A vítima do encanto de Mulim tem culpa? Mil vezes não. Ainda que sofra da Síndrome de Estocolmo, na qual se sente simpatia pelo agressor. Aqueles que riem desesperadamente diante do prefeito são a alma gonçalense em estado bruto, reféns dos aproveitadores das necessidades do povo.

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Mulim ousa pensar em reeleição https://simsaogoncalo.com.br/mulim-ousa-pensar-em-reeleicao/ https://simsaogoncalo.com.br/mulim-ousa-pensar-em-reeleicao/#comments Fri, 08 Apr 2016 11:06:55 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3568 O prefeito de São Gonçalo guarda na sua personalidade misteriosa um defeito comum aos piores políticos, o deboche. Em entrevista publicada dia 4 de abril no jornal que não merece carregar o nome desta cidade, Mulim disse que a partir de 2017 pretende “avançar ainda mais nas áreas da saúde, educação e infraestrutura”. Em direção ao abismo, ao caos […]

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O prefeito de São Gonçalo guarda na sua personalidade misteriosa um defeito comum aos piores políticos, o deboche. Em entrevista publicada dia 4 de abril no jornal que não merece carregar o nome desta cidade, Mulim disse que a partir de 2017 pretende “avançar ainda mais nas áreas da saúde, educação e infraestrutura”. Em direção ao abismo, ao caos total, único destino possível sob sua liderança.

Que tipo de cidadão votaria em Mulim novamente além daquele que recebe alguma vantagem ilícita de seu governo? Além dos vagabundos remunerados que ocupam cargos comissionados na Prefeitura e nem comparecem ao trabalho? O Mal não pode ser perpetuado por mais quatro anos, como foi com Aparecida Panisset. O atual prefeito quer estender a fase de abandono das principais vias urbanas, de desprezo pela população pobre que perde tudo a cada temporal e deseja manter São Gonçalo como está desde a gestão passada, na condição de cidade pequena suja e ignorante nas mãos de larápios do dinheiro público.

Um homem que jamais explicou ao povo por que não reduziu o valor da passagem municipal, não criou a companhia de limpeza urbana nem a de distribuição de água, como prometeu, pretende sentar naquela cadeira por mais tempo. É falta de vergonha na cara. Vontade mórbida de destruir completamente São Gonçalo.

Na maior cara-de-pau, após longos 3 anos, 3 meses e 7 dias de governo, Neilton Mulim defende sua reeleição se amparando em novas promessas, naquilo que diz que fará a partir do ano que vem mas foi incapaz de realizar até hoje. Ele chama o gonçalense de estúpido.

O atendimento médico nas unidades de Saúde, área onde Mulim mente ao dizer que avançou, é decadente. Logo na entrada do principal pronto-socorro da cidade, no Centro, o ar-condicionado pinga em cima da fiação elétrica remendada, a grande quantidade de lixo nos canteiros laterais prova a falta de cuidado e limpeza, e o cidadão enfrenta pelo menos duas filas intermináveis, a primeira ainda na triagem.

Na Infraestrutura o prefeito esbanja as verbas do PAC 2 em programas atrasados há mais de 6 meses e executados com displicência, sem cronograma confiável, como o Rua Nova. O destaque sobre as obras, sem mencionar o investimento federal, é tão intenso que só falta Mulim dizer que o dinheiro saiu do próprio bolso. Bairros inteiros continuam na lama e no esgoto sem qualquer iniciativa da Prefeitura.

Na Educação, as crianças do Ensino Fundamental são semianalfabetas, coitadas. Não à toa São Gonçalo ocupa posição ridícula no IDEB Municipal 2013, atrás das próprias metas e inclusive com piora na avaliação do 9º ano. Um prefeito transparente, digno, apresentaria um planejamento realista para reverter esta situação em vez de publicar promessas vãs.

Não há perspectiva de uma São Gonçalo limpa, com qualidade de vida, geradora de empregos para a população presa à informalidade ou que trabalha no Rio de Janeiro ou Niterói. E Mulim ainda ousa pensar em reeleição.

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Por que alaga quando chove? https://simsaogoncalo.com.br/por-que-alaga-quando-chove/ https://simsaogoncalo.com.br/por-que-alaga-quando-chove/#comments Sat, 26 Mar 2016 14:07:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3560 Outra tragédia colocou São Gonçalo em destaque na imprensa nacional: a cidade foi destruída pelo temporal que caiu quarta-feira (23/03). A população culpa o governo municipal, e protestou em diversos bairros interditando vias importantes com colchões, móveis e roupas perdidos no alagamento. O governo municipal joga a culpa no Estado do Rio de Janeiro, pela […]

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Outra tragédia colocou São Gonçalo em destaque na imprensa nacional: a cidade foi destruída pelo temporal que caiu quarta-feira (23/03). A população culpa o governo municipal, e protestou em diversos bairros interditando vias importantes com colchões, móveis e roupas perdidos no alagamento. O governo municipal joga a culpa no Estado do Rio de Janeiro, pela falta de cuidado com os rios, e nos moradores pelo lixo jogado nas ruas. Por que, afinal, alaga quando chove?

  1. 1. O governo municipal, liderado pelo prefeito Neilton Mulim, não assumiu suas responsabilidades com determinação e inteligência quando foi eleito.
  2. 2. 65% dos domicílios gonçalenses se localizam em ruas sem bueiros, segundo o IBGE.
  3. 3. A Prefeitura oficialmente permite que empresas joguem lixo nas ruas. Lixo que entope os poucos bueiros que existem e os diversos rios da cidade.
  4. 4. A Prefeitura não coleta regularmente o lixo domiciliar, principalmente nas regiões mais pobres cortadas por rios e valões.
  5. 5. A Prefeitura não orienta nem aos próprios funcionários a não jogar o copinho de café no chão.
  6. 6. O governo Mulim não cumpre qualquer planejamento de obras de saneamento dos bairros mais afetados.
  7. 7. O prefeito é intelectualmente inferior a qualquer apresentador de TV de quinta categoria quando o assunto discutido são medidas preventivas contra alagamentos.
  8. 8. São Gonçalo não está preparada para as variações climáticas da atualidade, intensas, pois não tem um governo que pense intensamente.
  9. 9. O governo municipal escolheu não compreender a complexidade da cidade que administra.
  10. 10. Não serve para ser prefeito alguém que diz que é proibido de desentupir os rios do município sob sua gestão, aceita tal imposição e não consegue encaixar politicamente a segunda maior cidade do Estado (em número de habitantes) entre as prioridades do Rio de Janeiro.
  11. 11. Quando uma população pobre ocupa desordenadamente um território abandonado pelo poder público, resulta em tragédia.

Um bom governo não coloca a culpa de calamidades atuais no passado. Suas ações falam por ele quando questionado pela imprensa, ele não gagueja. As obras lentas e descontroladas do projeto Rua Nova, nos bairros Raul Veiga e Vila Três, foram prejudicadas consideravelmente, pela quarta vez seguida, por causa das chuvas. A burrice impede a Prefeitura de mudar a estratégia de execução das obras. A burrice administra São Gonçalo, a cidade que se recupera sempre.

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Cidade que mata crianças https://simsaogoncalo.com.br/cidade-que-mata-criancas/ https://simsaogoncalo.com.br/cidade-que-mata-criancas/#respond Wed, 23 Mar 2016 18:10:44 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3557 Se o assassinato de apenas uma criança em qualquer lugar do mundo é tragédia inconsolável, o que dizer do assassinato de uma criança e dois adolescentes na mesma cidade, São Gonçalo, em menos de uma semana? Significa a ruína absoluta da sociedade gonçalense e brasileira. Os aparelhos de segurança, as instituições de proteção social e a organização do Estado […]

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Se o assassinato de apenas uma criança em qualquer lugar do mundo é tragédia inconsolável, o que dizer do assassinato de uma criança e dois adolescentes na mesma cidade, São Gonçalo, em menos de uma semana? Significa a ruína absoluta da sociedade gonçalense e brasileira. Os aparelhos de segurança, as instituições de proteção social e a organização do Estado foram criados e evoluíram com intuitos opostos à destruição da vida em estágio inicial.

Ana Beatriz, a mais nova, foi a primeira vítima. Ela tinha 5 anos. Ver as fotos dela publicadas pela imprensa transmite a noção exata do fracasso social. Não há sangue ou tristeza nas fotos, mas a alegria perdida. Bia brincava com outras crianças durante uma festa na casa de um tio, no bairro Santa Catarina, dia seis de março. De repente foi atingida na cabeça por um tiro que ninguém – polícia e parentes presentes – sabe de onde veio, e caiu. Ao acaso, displicentemente, como alguns jogam as cinzas do cigarro no chão com um peteleco.

A fatalidade que parece surreal, no entanto é típica de zonas guerra, se repetiu: dois dias após a morte de Bia no Hospital Estadual Alberto Torres, João Victor foi baleado, também na cabeça, brincando com amigos na rua Oscarina Maciel, no bairro Mutuapira. Socorrido, morreu horas depois no mesmo hospital onde a menina ficou 4 dias internada. Aos 14 anos de idade, João curtia as emoções únicas desta fase em que ainda brincamos como crianças e aprendemos a paquerar. “Bala perdida”, disseram os jornais, mas não há balas perdidas na Síria ou no Brasil. Quando disparadas elas não escolhem vítimas entre bandidos, heróis e garotinhas brincando em festas de aniversário.

No domingo (13/03) foi a vez de Ygor (16 anos) ser assassinado no Jockey, um dia depois de João Victor. Como dez adolescentes entre 16 e 17 anos são baleados e morrem por dia no Brasil (Mapa da Violência), parte da imprensa não consegue identificá-los antes de publicar a notícia, foi difícil achar o nome de Ygor. Pobre e negro, como a esmagadora maioria, ele chegou a ser espancado pelos assassinos após deixar uma lanchonete. Muitos brasileiros desejam que adolescentes infratores a partir de 16 anos sejam presos, mas o Mapa da Violência mostra um problema mais grave sem a devida atenção da população. Ygor iria para Curitiba mês que vem realizar o sonho de ser jogador de futebol.

A morte de crianças e adolescentes vítimas da violência que os adultos criaram é o único crime imperdoável de uma sociedade.

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Tem turismo em São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/tem-turismo-em-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/tem-turismo-em-sao-goncalo/#comments Sun, 13 Mar 2016 10:36:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3535 Cento e sessenta pessoas reunidas na praça de Santa Isabel, às 8h da manhã de um domingo de sol, para visitar as Grutas de Caulim provaram – mais uma vez – que existem passeios prazerosos em São Gonçalo. O que falta é incentivo à visitação e preservação por parte do poder público. Santa Isabel foi […]

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Cento e sessenta pessoas reunidas na praça de Santa Isabel, às 8h da manhã de um domingo de sol, para visitar as Grutas de Caulim provaram – mais uma vez – que existem passeios prazerosos em São Gonçalo. O que falta é incentivo à visitação e preservação por parte do poder público.

Santa Isabel foi transformado no dia seis de março. Ao lado das pilhas de lixo disputadas por porcos e urubus, gonçalenses dos cinco distritos tomaram as ruas do bairro e prometeram mais do que não sujá-lo, também recolher a sujeira que encontrassem na trilha até as cavernas. Respeito pela natureza da cidade era a orientação principal do grupo. Com o devido esclarecimento, inclusive o indivíduo que deposita sua sacola de lixo na esquina e segue calmamente em direção à academia pode se tornar um cidadão.

A partir da praça, caminhamos sem dificuldade, além do sol intenso, até o ponto final da linha de ônibus municipal 01. Neste ponto a São Gonçalo eletrizada como conhecemos termina (ou começa na direção contrária, como indica a numeração da linha). Vemos um largo com três ruas, três caminhos, um mais misterioso que o outro, o primeiro à esquerda, outro no meio e o último à direita, parecem as portas do destino que nos deparamos ao longo da vida. O asfalto acaba, há morros e árvores e mais animais, bois, muitos bois. A rua do lado direito, de terra batida, nos levou ao conjunto de 22 cavernas, com aproximadamente 10.000m² de extensão e salões com mais de 30m de altura, de acordo com a Prefeitura.

O primeiro córrego apareceu após alguns minutos andando, já suados, o mato verde, vigoroso, dominou a paisagem e o boné para proteger o rosto e alguns goles de água foram necessários. Qualquer pessoa desmotivada desistiria neste momento apesar da trilha dentro da mata ainda não ter começado: a poeira subia a cada passo, o sol se fortalecia e a paisagem assumia definitivamente feições rurais. Ninguém desistiu, nem entre idosos e crianças, a multidão caminhava firme, extensa, como uma procissão religiosa ou manifestação política, ansiosa pelo contato íntimo com a cidade. Perceber este sentimento generalizado de amor por São Gonçalo foi a maior emoção do passeio.

Depois de aproximadamente duas horas superando trechos íngremes, cansativos, escorregadios e estreitos, cortes no corpo feitos pelo mato e clima abafado – iniciantes tiveram bastante paciência – na primeira gruta vista ecoaram os assovios, gritos, urros e a alegria. Descobríamos que as cavernas de Santa Isabel são reais, com direito à escuridão total, morcegos e piscinas.

Experiências como esta merecem mais divulgação das esferas de governo. Mais do que nota publicada no site da Prefeitura ou posts em redes sociais. Panfletagem com dados sobre a formação do complexo e pontos de informações turísticas, no mínimo. Antes que Maricá possua as grutas na cara-de-pau, como Niterói tomou Itaipu, antes que estejam tão pichadas quanto as principais vias gonçalenses.

Longe do centro urbano poluído de calor infernal, me refresquei na água cristalina e gelada que escorria do teto de uma pequena gruta. Se alguém me contasse, não acreditaria.

CONFIRA AS FOTOS DA IDA ÀS CAVERNAS.

Realização:Apoio:Secretaria de Turismo e Cultura de São Gonçalo.

Publicado por FI S Gonçalo em Domingo, 6 de março de 2016

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Engordaram à custa do SUS https://simsaogoncalo.com.br/engordaram-a-custa-do-sus/ https://simsaogoncalo.com.br/engordaram-a-custa-do-sus/#respond Fri, 04 Mar 2016 17:07:27 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3514 Investigações do Ministério Público do Rio (MP-RJ) revelaram, dia 25 de fevereiro, mais detalhes sobre a quadrilha que usava o nome do cidadão gonçalense em consultas falsas para roubar dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS). Os bens de 30 integrantes do esquema, entre eles ex-secretários e políticos, foram bloqueados e o total desviado chega a […]

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Investigações do Ministério Público do Rio (MP-RJ) revelaram, dia 25 de fevereiro, mais detalhes sobre a quadrilha que usava o nome do cidadão gonçalense em consultas falsas para roubar dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS). Os bens de 30 integrantes do esquema, entre eles ex-secretários e políticos, foram bloqueados e o total desviado chega a R$ 35 milhões. Aos piores políticos de São Gonçalo não basta ignorar as necessidades do povo, eles sentem obrigação de tirar proveito delas.

Os principais suspeitos do crime alegam inocência, perseguição política, dizem até que são evangélicos. Quase acusam a população, que fica horas na fila dos hospitais aguardando atendimento, de ter roubado a bolada milionária e distribuído entre parentes e amigos.

Para o gonçalense honesto, o momento é de reflexão e volta por cima. As transações ilegais contra o SUS ocorreram entre 2005 e 2010, o que leva à seguinte pergunta: quantas fraudes mais esconde o passado da cidade? A Educação, Cultura, os Transportes e a Limpeza Urbana municipal estão tão debilitados quanto a Saúde. Por que os dois Centros de Esporte e Lazer Unificados, com verbas de R$ 10 milhões, ainda não foram construídos? A construção da Policlínica no Vila Três parou há meses, a obra tem tantas infiltrações quanto a Câmara Municipal. Incompetência ou corrupção impede essas obras?

Milhares de cargos comissionados na administração pública, livros superfaturados, contratos de emergência milionários para coleta de lixo, tantas aquisições sem licitação, quem engorda com elas? Certamente não é a Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa, no Jardim Catarina, que ameaça fechar as portas por falta de recursos. Jovens carentes que estudam na biblioteca para fazer o ENEM podem perder o espaço. Também não ganha o servidor municipal concursado que incansavelmente reivindica melhores salários e condições de trabalho.

Há bastante eleitores na cidade que se culpam pelas ações de políticos corruptos ou incompetentes. Estão absolutamente enganados. A culpa é dos malditos que traem a confiança recebida e alimentam suas contas bancárias com dinheiro público.

Os safados que roubaram do SUS, e outros que na mesma época lesaram o erário para sustentar ilegalmente entidades religiosas, são da mesma laia dos políticos que destruíram parte das belezas naturais desta terra construindo, sem planejamento, uma cidade onde as principais vias são corredores sujos e rios são chamados de valões de esgoto.

A volta por cima fica por conta de cada um, desde que sendo inocente não culpe a si mesmo.

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Os vereadores se afogaram https://simsaogoncalo.com.br/os-vereadores-se-afogaram/ https://simsaogoncalo.com.br/os-vereadores-se-afogaram/#comments Thu, 25 Feb 2016 21:41:59 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3493 São Gonçalo, segundo município mais populoso do Estado do Rio de Janeiro, recebeu uma notícia inusitada semana passada: todos os vereadores que compõem o Poder Legislativo se afogaram. A cidade ainda busca seus substitutos, de preferência honestos. Como tipicamente ocorre no Verão, choveu muito forte na região metropolitana do Estado dia 16 de fevereiro, data do óbito dos […]

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São Gonçalo, segundo município mais populoso do Estado do Rio de Janeiro, recebeu uma notícia inusitada semana passada: todos os vereadores que compõem o Poder Legislativo se afogaram. A cidade ainda busca seus substitutos, de preferência honestos.

Como tipicamente ocorre no Verão, choveu muito forte na região metropolitana do Estado dia 16 de fevereiro, data do óbito dos parlamentares. O prédio da Câmara Municipal apresentava graves problemas de infraestrutura, antigos, que por motivos de abandono, desprezo e preguiça com o patrimônio público jamais foram consertados.

Além das vidas humanas, equipamentos eletrônicos e computadores foram estragados pela chuva; mesas, cadeiras e armários, destruídos. Com o comprometimento da rede elétrica e o perigo iminente, a Defesa Civil interditou o local. Observou-se, no entanto, que poucos projetos de lei foram perdidos visto que 89% dos vereadores não legislavam, apesar do incrível salário de R$ 15 mil, enquanto a renda per capita do trabalhador gonçalense não alcança um salário mínimo.

Parte considerável da população minimiza as consequências da perda. Alega que os vereadores eram tradicionalmente vistos apenas uma vez por ano, no Natal, quando subiam escadas de madrugada, escondidos da Polícia, para pendurar faixas ilegais nos postes de luz desejando “Boas Festas”. A Legislação exige, contudo, a substituição dos mesmos e camelôs famosos, cabeleireiros simpáticos, líderes comunitários gananciosos e toda sorte de aproveitadores já se candidataram ao cargo.

Desta vez o eleitor da cidade promete ser mais exigente e diz que não votará em espertalhões corruptos que não sabem ler e escrever, trocam as consoantes R e L, como o Cebolinha da Turma da Mônica, são incapazes de aplicar a concordância nominal e verbal mas se consideram líderes políticos inteligentes.

Em vez da leitura da Bíblia Sagrada no início de cada sessão plenária, que agrada principalmente ao cristão que nada entende de Política, o gonçalense exige agora que o novo corpo de vereadores leia um capítulo do Manual de Sobrevivência Diante de Situações Adversas Extremas, como as chuvas de verão. De acordo com os moradores de São Gonçalo, o enterro superfaturado dos parlamentares custou caro demais aos cofres públicos e o país inteiro vive uma crise econômica extraordinária.

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Simples divisão política do povo gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/simples-divisao-politica-do-povo-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/simples-divisao-politica-do-povo-goncalense/#respond Fri, 19 Feb 2016 10:55:32 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3480 Os eleitores gonçalenses podem ser divididos em três grupos: filiados a algum partido político (9%, de acordo com o TSE), politizados não filiados (parte do corpo da pirâmide) e, por último, eleitores completamente despolitizados (não filiados, base da população em idade eleitoral composta principalmente por analfabetos funcionais). As proporções desta divisão pouco variam ao longo do tempo e […]

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Os eleitores gonçalenses podem ser divididos em três grupos: filiados a algum partido político (9%, de acordo com o TSE), politizados não filiados (parte do corpo da pirâmide) e, por último, eleitores completamente despolitizados (não filiados, base da população em idade eleitoral composta principalmente por analfabetos funcionais). As proporções desta divisão pouco variam ao longo do tempo e são as principais responsáveis pela configuração política do município a cada quatro anos.

Politizado é o indivíduo consciente de seus direitos e deveres políticos, aquele que compreende como “todo poder emana do povo” e alcança as esferas Legislativa e Executiva. Em São Gonçalo há indivíduos tão despolitizados exercendo cargos públicos que trabalham em benefício próprio e menosprezam a falta de transporte, saúde e lazer suportada pelo cidadão comum. Outro exemplo surpreendente são pessoas que se manifestam nas redes sociais pedindo o retorno à Prefeitura do demônio de cabelo vermelho. Ignorantes políticos, desconhecem a extensa lista de crimes cometidos pelo capeta na sua gestão. Daí a importância da educação cultural de um povo, aquela que baseada na História ensina a ver e interpretar os fatos, a mesma que pajés transmitem naturalmente à tribo e poucas escolas gonçalenses o fazem.

Faltando menos de 8 meses para as eleições municipais, a maior chance de mudanças profundas no ciclo, os dois menores grupos, filiados e politizados, têm algo fundamental em comum: ambos odeiam a administração pública comandada pelo prefeito Neilton Mulim. O terceiro e maior grupo, no entanto, de eleitores despolitizados, atribui certo louvor a Mulim graças aos projetos mantidos com verbas federais, como o programa Rua Nova. Ou apenas não têm qualquer opinião formada e geralmente votam no candidato mais presente na memória. Se os dois grupos com mais acesso à informação mostrarem aos despolitizados o desprezo com o qual a cidade é tratada, a chance de renovação pode ser aproveitada.

São Gonçalo é uma cidade moribunda, as aves de rapina do Legislativo e do Executivo aguardam as eleições de outubro para avançar sobre sua carne podre. Quando faz sol o povo padece nas filas enormes dos pontos de ônibus descobertos, em meio ao lixo e ao esgoto, e depois definha nos ônibus lotados sem ar-condicionado. Quando chove forte bairros inteiros se retraem, móveis, lares e vidas são destruídos. Os vermes políticos contam com a paralisia da população para perpetuar o banquete onde nós somos o prato principal. Querem repetir em 2016 o ritual de falsas promessas que conquista os incautos realizado em 2012. Sair da inércia é tão simples quanto defender opiniões publicamente, nas ruas.

* A quantidade total de eleitores e de filiados é fornecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A quantidade de politizados e despolitizados foi estimada com base na pesquisa de interesse por política divulgada em 2014 pela Confederação Nacional da Indústria e Ibope.

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Enjaulado no Carnaval de Trindade https://simsaogoncalo.com.br/enjaulado-no-carnaval-de-trindade/ https://simsaogoncalo.com.br/enjaulado-no-carnaval-de-trindade/#respond Thu, 11 Feb 2016 11:31:21 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3462 Passei a noite da segunda-feira de Carnaval enjaulado na quadra da praça de Trindade. Agradeço ao desconhecido que empilhou no canto da quadra cinco ou seis caixas de som potentes para nós, gonçalenses, dançarmos ali. Presos. Ouvindo música estrangeira. Lesados pelo governo Mulim que nos roubou o dinheiro para um Carnaval municipal melhor. A quadra apinhada de gente assustava, […]

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Passei a noite da segunda-feira de Carnaval enjaulado na quadra da praça de Trindade. Agradeço ao desconhecido que empilhou no canto da quadra cinco ou seis caixas de som potentes para nós, gonçalenses, dançarmos ali. Presos. Ouvindo música estrangeira. Lesados pelo governo Mulim que nos roubou o dinheiro para um Carnaval municipal melhor.

A quadra apinhada de gente assustava, demorei a me acostumar à ideia. A surpreendente concentração de pessoas esticava ao máximo a grade de ferro que cerca o espaço, centenas e centenas espremiam uns aos outros e alguns milagrosamente conseguiam levantar e abaixar os braços alegres. Ignorando meus instintos de sobrevivência, sem pensar muito, entrei às cotoveladas, dando e recebendo, olhando sempre em frente e empurrando meu corpo com força em direção ao meio da multidão.

Ouvi sons de tiros, segundo susto, pensei em me abaixar mas os foliões agiam normalmente, dançavam ou simulavam a posse de uma metralhadora disparando. Fiz o mesmo, dei falsos tiros para o alto ao som de uma banda raivosa provavelmente filiada ao Estado Islâmico. Quando um bonde passou gritando “Tá tranquilo, tá favorável”, apesar das contas domésticas atrasadas, da ameaça do desemprego e da inflação alta, gritei também – acompanhava o grupo de homens enfileirados ou seria arrastado por ele.

Atrás das grades pulando como um animal que nada sabe sobre sua própria história nem sobre a cidade onde vive, vi belíssimos pierrots circulando do lado de fora da quadra, livres, soltos. Seria melhor estar entre eles depois que outro bonde descontrolado, desta vez de macacos brancos, quase me derrubou. Em 2015 a escola de samba Alegria de Guaxindiba levou o tema “Made in África Berço da Cultura Brasileira” ao desfile no bairro Patronato. Este ano o prefeito Neilton Mulim decidiu que macacos na Trindade segurando a corda do caranguejo é tudo o que um bicho como eu precisa aprender.

Possivelmente com pretensões políticas (afinal é ano eleitoral), a boa alma da Trindade instalou as caixas de som. A noite estava quente, como deve ser, o bairro, abertamente lindo, gonçalense até o último confete. Para alcançar a divindade, faltou à trindade incentivo público digno e respeito pela cultura local. Vi o espetáculo preso, mas sacolejando, dentro da quadra lotada.

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Os mistérios de Neilton Mulim https://simsaogoncalo.com.br/os-misterios-de-neilton-mulim/ https://simsaogoncalo.com.br/os-misterios-de-neilton-mulim/#comments Wed, 03 Feb 2016 12:01:54 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3458 Neilton Mulim da Costa, prefeito de São Gonçalo, é um homem de currículo invejável. Aos 24 anos já exibia duas licenciaturas, Ciências Físicas/Biológicas e Matemática, e em 1996 conquistou sua primeira eleição para vereador da cidade que hoje administra. Desde então, há quase 20 anos Neilton acumula sucessivas vitórias e experiências em cargos públicos, inclusive dois mandatos […]

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Neilton Mulim da Costa, prefeito de São Gonçalo, é um homem de currículo invejável. Aos 24 anos já exibia duas licenciaturas, Ciências Físicas/Biológicas e Matemática, e em 1996 conquistou sua primeira eleição para vereador da cidade que hoje administra. Desde então, há quase 20 anos Neilton acumula sucessivas vitórias e experiências em cargos públicos, inclusive dois mandatos como deputado federal. Por que este homem instruído descumpriu cada promessa de campanha e evita a menor reação para livrar São Gonçalo do atraso? É um mistério angustiante.

Apenas 7% dos adultos gonçalenses cursaram o Ensino Superior (Atlas Brasil 2013). Neilton Mulim é um deles. Como alguém íntimo da Matemática, professor de ciências exatas durante anos, pôde corromper as finanças da cidade? Ainda em 2015 a Prefeitura já gastava a receita pertencente a 2016. Qualquer dono de bordel sabe que isto traz maus resultados, quanto mais um ex-diretor de escola estadual. Não é pura burrice, não podemos acusar Mulim de não saber calcular. Se fosse desorganização da equipe fazendária, culto, pós-graduado em psicopedagogia institucional, Neilton teria ensinado conceitos matemáticos simples e influenciado as pessoas a trabalhar corretamente. Gastar, gastar e gastar mais do que arrecada e tirar dinheiro de onde não deveria, como do Carnaval genuinamente gonçalense, corrói o corpo e a alma deste município. Cabe, por fim, a deliberada intenção de afundar São Gonçalo em dívidas e o fato de ter a própria irmã como secretária chefe do seu gabinete corrobora a hipótese de que competência e transparência não são valores cultivados pelo prefeito.

Como alguém que foi vereador por três mandatos seguidos e conhece bem os maiores problemas da região não criou um programa inteligente para combatê-los? As ruas imundas fedem, as crianças odeiam o ensino municipal, as drogas são as melhores amigas dos jovens e continuamos uma cidade ridiculamente pequena, baseada na informalidade da Prefeitura ao camelô, apesar de ultrapassarmos 1 milhão de habitantes.

Por que um ex-deputado que frequentou Brasília entre 2007 e 2012 comete erros crassos como não licitar a coleta de lixo? E deixa de pagar as multas aplicadas por falta de licitação, solicita o parcelamento do débito e também não paga as parcelas que ele mesmo pediu? É outro mistério, Mulim. Facilmente encontrado em indivíduos de má índole.

Que manobra incrível concebeu para prometer a passagem municipal a R$ 1,50? Hoje são cobrados R$ 3,45 por trecho e tem cidadão gastando o dobro para atingir o destino desejado. Neilton, o professor, certamente não errou o cálculo.

Igualmente misterioso é o fato do prefeito não se dirigir à população. Portador de um discurso maduro, claro e objetivo que auxiliou na sua rica trajetória, Mulim dificilmente teria medo de falar em público. Ele não se entregou por inteiro à missão, não se dedica sinceramente ao povo que o acolheu. Se pensa o contrário e até agora nada mudou em São Gonçalo, seu fracasso é outro mistério, explicado talvez pela inaptidão absoluta para governar.

Acho indelicado chamar de mentiroso, corrupto ou safado um prefeito eleito democraticamente e no exercício do poder, embora a população gonçalense grite tais adjetivos há tempos.

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Não espere o próximo prefeito https://simsaogoncalo.com.br/nao-espere-o-proximo-prefeito/ https://simsaogoncalo.com.br/nao-espere-o-proximo-prefeito/#respond Mon, 25 Jan 2016 20:59:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3441 São Gonçalo é um navio afundando, com um rombo enorme no meio do casco e água invadindo o convés por todos os lados. Neilton Mulim, o comandante da embarcação, perdido nos problemas que ele mesmo provocou, ordenou a troca das lâmpadas queimadas do mastro principal ao invés de fazer o óbvio: tampar o buraco no casco e esgotar a […]

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São Gonçalo é um navio afundando, com um rombo enorme no meio do casco e água invadindo o convés por todos os lados. Neilton Mulim, o comandante da embarcação, perdido nos problemas que ele mesmo provocou, ordenou a troca das lâmpadas queimadas do mastro principal ao invés de fazer o óbvio: tampar o buraco no casco e esgotar a água. Nós, gonçalenses, não podemos esperar até o mês de outubro para eleger um novo comandante, torcendo por medidas de emergência que serão implementadas a partir de 2017. Devemos salvar nossas vidas agora.

A má gestão é o grande buraco da administração pública, além do verdadeiro rombo nas finanças municipais de aproximadamente R$ 200 milhões (até o fim de 2015). O abandono gerencial deixa secretarias de governo sem qualquer planejamento de suas ações. No Raul Veiga, por exemplo, a Secretaria de Infraestrutura concretou algumas ruas do bairro e poucos meses depois quebrou todo o concreto para instalar as manilhas de esgoto. Burrice? Na Cultura a sociedade luta para inserir a pasta no sistema de gestão estadual e nacional, mas o planejamento esbarrou na burocracia ignorante da Prefeitura Municipal por meses.

Navio que navega sem rumo cedo ou tarde afunda. A administração incompetente mantém as esquinas e calçadas imundas, a saúde destruída, o trânsito caótico e os ônibus desconfortáveis e caros circulando impunemente. Os melhores eventos culturais permanecem sem incentivos públicos enquanto os adolescentes continuam perfeitos analfabetos funcionais, embora cantem muito bem a bela canção “Ela quer pau, pau, pau”, acompanhados em coro no refrão pelas crianças maiores de 3 anos de idade (meu filho inclusive). O futuro da cidade largado, ainda mais nas férias escolares.

O tempo é curto. Cada passageiro, nós, pode agir de maneira diferente para evitar o naufrágio. Conversar sobre soluções com os demais passageiros (parentes, amigos e vizinhos), interrogar os tripulantes (secretários de governo) sobre suas ações e sacudir o comandante Mulim com violência para despertá-lo do transe é imprescindível. Na São Gonçalo real, município de quase 250 km², alguns plantam árvores, outros distribuem livros ou participam ativamente da política local (circulando pela Prefeitura e pela Câmara apresentando propostas). Você é passageiro da primeira classe, descubra como ajudar.

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Maldita mula Neli https://simsaogoncalo.com.br/maldita-mula-neli/ https://simsaogoncalo.com.br/maldita-mula-neli/#respond Tue, 19 Jan 2016 11:51:15 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3434 Povo da cidade, Neli voltou pro sítio! Disseram que eu tinha matado ou vendido a mula preguiçosa, nada disso, eu a procurava em cada canto de São Gonçalo. Noite passada ela passou porteira adentro pisando forte, com o nariz empinado – parecia sorrir – como se fosse a dona do lugar após meses desaparecida. Montado nela voltou junto meu […]

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Povo da cidade, Neli voltou pro sítio! Disseram que eu tinha matado ou vendido a mula preguiçosa, nada disso, eu a procurava em cada canto de São Gonçalo. Noite passada ela passou porteira adentro pisando forte, com o nariz empinado – parecia sorrir – como se fosse a dona do lugar após meses desaparecida. Montado nela voltou junto meu ódio.

O pequeno sítio da família fracassou. Gastamos totalmente nossas reservas, devemos dinheiro a Deus e ao mundo. Para piorar, a chuva braba da semana destruiu os pequenos pés de banana, nossa última esperança de um futuro com menos problemas financeiros. Hoje a fruta está tão barata que não vale a pena o esforço de colher e transportar pra feira, principalmente sem a ajuda desta mula safada, sempre sumida ou imóvel. Nos grandes pés os cachos apodrecem, nenhum homem aguenta descer a ribanceira sozinho e carregá-los nas costas.

Sei que a raiva é um sentimento ruim, reprovado por Deus, mas como odeio Neli. Quando ela some, lembro do prejuízo que tive ao comprá-la enganado, diziam que era obediente e trabalhava rápido. Tudo mentira. Quando aparece e só come e empaca, come até a ração dos outros bichos, fico ainda mais revoltado. Pancada pra ela não é nada, parece que a mula dos infernos não sente dor, apanha desde que chegou há três anos e carregou no máximo um pouco de capim no lombo.

O ano de 2016 começou mal, que chance de recuperação nós temos? Perco o sono ao pensar que venderemos o sítio se não tiver jeito. Falei com o pessoal daqui, minha mulher e meus filhos, temos que inventar outra fruta pra vender, prender Neli para que não fuja mais e deixar a mula passando fome, se não colaborar. Pelo menos este ano ela precisa honrar meu investimento. Em outubro já decidimos fazer o último empréstimo de nossas vidas para comprar outro animal. Depois sumir com Neli de vez.

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Alcântara pode ser sensacional https://simsaogoncalo.com.br/alcantara-pode-ser-sensacional/ https://simsaogoncalo.com.br/alcantara-pode-ser-sensacional/#respond Tue, 12 Jan 2016 23:09:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3425 Os gonçalenses conhecem bem os problemas de Alcântara: a sujeira sufoca os pedestres e a desordem leva ao desespero. Mas você se lembra da sensação de andar no bairro quando era criança? Se não se lembra ou conheceu São Gonçalo já adulto, leia, por favor, a continuação do artigo. Sou gonçalense desde os 7 anos […]

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Os gonçalenses conhecem bem os problemas de Alcântara: a sujeira sufoca os pedestres e a desordem leva ao desespero. Mas você se lembra da sensação de andar no bairro quando era criança? Se não se lembra ou conheceu São Gonçalo já adulto, leia, por favor, a continuação do artigo.

Sou gonçalense desde os 7 anos de idade e, como toda criança, via principalmente o lado bom da cidade. O adulto prefere fazer o contrário, dá atenção demais aos defeitos. Morando em São Gonçalo, maltratada pela exploração política, se não agirmos como crianças de vez em quando, enlouquecemos.

Durante a infância, quando um casamento ou aniversário se aproximava, comprar roupas para a festa era a razão que me levava ao Alcântara conduzido pela minha mãe, que trazia o dinheiro no bolso. Chegando em frente ao viaduto, no início do canal que leva ao Vila Três, me deslumbrava sem saber para onde olhar: em poucos segundos passavam por mim catadores divertidos de sucata e papelão, pregadores evangélicos hiperativos, cães abandonados mas amorosos e indivíduos exóticos carregando objetos como bonecas e ursinhos pendurados pelo corpo, personagens do drama gonçalense. O primeiro camelô da esquina oferecendo seus produtos aos berros, embora com simpatia, me fascinava. Percebia a beleza do seu esforço que visava garantir algo importante (o próprio sustento e dos seus filhos).

A enorme quantidade de carros, motos, bicicletas e ônibus, aparentemente triplicados em Alcântara, transformava o ato de atravessar a rua em desafio interessante. O perigo me excitava ao ponto do tempo parar. “De onde vem cada veículo? Para onde vão quando desaparecem?”, questionava. Hoje entendo a importância comercial do bairro, único da cidade que aparece nas placas de sinalização da Ponte Rio-Niterói.

Entrar na Rua da Feira era o auge da rica experiência. Cada camelô parecia uma pequena galáxia amistosa dentro daquele universo de marcas falsificadas, camisas, bonés e bermudas pendurados, um mar de plástico azul cobrindo as barracas (percebe-se ao alcançar determinada altura da rua). Tinha certeza de que era incapaz de olhar sequer o acervo de um único vendedor, tamanha a variedade de produtos.

Minhas pernas infantis se cansavam na metade da busca pela roupa mais barata. Alcançar o final da comprida Rua da Feira era verdadeira vitória para um menino, descoberta prazerosa de que o universo é finito. Após a última loja, apenas um buraco negro abismal, última barreira intransponível.

No passado me sentia o dono das pessoas, lojas e cores que circulam por Alcântara, da vida pulsando. O bairro se oferece por inteiro, cheio de possibilidades, não há outro mais submisso. É permitido fazer o que quiser com ele, até brincar e agir como criança.

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Sofrimento do gonçalense comum https://simsaogoncalo.com.br/sofrimento-do-goncalense-comum/ https://simsaogoncalo.com.br/sofrimento-do-goncalense-comum/#respond Thu, 07 Jan 2016 12:33:49 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3421 O gonçalense comum, cuja renda familiar gira em torno do salário mínimo, nasce geralmente nas maternidades do Centro, Nova Cidade, Porto Velho ou Neves, que atendem através do Sistema Único de Saúde. O menino ou menina suporta a primeira infância na creche comunitária, em casa com os irmãos ou na adversidade da rua, logo que […]

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O gonçalense comum, cuja renda familiar gira em torno do salário mínimo, nasce geralmente nas maternidades do Centro, Nova Cidade, Porto Velho ou Neves, que atendem através do Sistema Único de Saúde. O menino ou menina suporta a primeira infância na creche comunitária, em casa com os irmãos ou na adversidade da rua, logo que aprende a andar. Quando matriculado na rede municipal de ensino, sua frequência é irregular, falta professor, merenda, uniforme, estímulo ao estudo e apoio intelectual dos pais.

Perde cada vez mais aulas a partir do segundo ano do Ensino Fundamental, já tem 9 anos e mal sabe juntar as letras, sua escrita é péssima, a única diversão são as brincadeiras de rua.

Avança em idade e se interessa por roupas de marca, boné, tênis, relógio e joias, seus pais dizem aos gritos que não têm dinheiro para comprar nada disso. Parentes lhe apresentam o álcool, mas como sua tolerância ainda é baixa, temporariamente deixa de beber.

O garoto ou garota passa menos tempo em casa ao se envolver completamente com a rua e seus frequentadores, os amigos. Quanto mais cresce, menos vai à escola: perambula, solta pipa, joga futebol, frequenta lan houses, aprende a fugir e mente com perfeição sobre seu paradeiro.

Antes dos 18 anos, quando descobre a maconha, pensa “minha vida está completa”. O dinheiro continua escasso, às vezes arruma uns trocados, até rouba para ir a festas sozinho e se embebedar. Arruma o primeiro emprego, engraxate, carregador ou ajudante de qualquer coisa, quando muito terminou o Ensino Fundamental e definitivamente para de estudar. Pratica sexo com frequencia, tem dezenas de amigos, acha que sua vida nunca foi tão boa, embora a grana seja curta.

Se for menina, engravida nesta época. O menino tem seu primeiro filho. Não sabe o nome do prefeito da cidade. Jamais praticou qualquer esporte além do futebol no campinho de várzea improvisado em terreno baldio. O único sonho é conquistar mais dinheiro sem saber como, visto que não tem formação educacional.

Se torna um adulto condenado à informalidade, aos problemas financeiros, às drogas, escravo das ações displicentes do passado. Vive de bicos por toda a vida. O álcool, que jamais abandonou (como os amigos de copo), traz os primeiros problemas de saúde no fim da juventude.

São Gonçalo continua a mesma cidade, às escuras, que não sabe lidar com o próprio lixo, sem oportunidades de trabalho, que mata inocentes por falta de manutenção básica na rede elétrica porque não conta com o apoio deste gonçalense comum. Ao mesmo tempo ele precisa desesperadamente de São Gonçalo para ser feliz.

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O ano quase perdido https://simsaogoncalo.com.br/o-ano-quase-perdido/ https://simsaogoncalo.com.br/o-ano-quase-perdido/#respond Mon, 28 Dec 2015 13:58:52 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3416 Quando um governo repetidamente ofende e prejudica crianças e adolescentes que deveria desenvolver sob sua proteção, atinge o nível mais baixo possível da infâmia. Em 2015, em São Gonçalo, o governo Mulim serviu como abrigo para ladrões que enriqueceram ilicitamente, duas vezes, usando as crianças pobres da cidade. Como cafetões explorando suas putas por dinheiro, negociaram livros e […]

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Quando um governo repetidamente ofende e prejudica crianças e adolescentes que deveria desenvolver sob sua proteção, atinge o nível mais baixo possível da infâmia. Em 2015, em São Gonçalo, o governo Mulim serviu como abrigo para ladrões que enriqueceram ilicitamente, duas vezes, usando as crianças pobres da cidade. Como cafetões explorando suas putas por dinheiro, negociaram livros e merenda escolar, em vez de sexo. Apesar do domínio de um governo tão imoral, graças às iniciativas populares o ano não foi inteiramente perdido.

Entre outras calamidades, Mulim corrompeu as finanças municipais (a administração pública tem rombos milionários), humilhou o funcionalismo público (inchou seus quadros com cargos comissionados politiqueiros) e emporcalhou a cidade, que sufoca em meio ao lixo fedorento não recolhido (prática semestral para firmar, sem licitação, contratos emergenciais de coleta caríssimos).

Mas o pior que aconteceu em 2015 foi o martírio dos estudantes da rede municipal de ensino. Desamparados intelectualmente, muitos analfabetos aos 9 anos de idade, eles foram frequentemente dispensados por falta de merenda ou professor. Então caminharam famintos pelas ruas durante o horário escolar, carregando uma maleta com livros superfaturados – adquiridos sem licitação pelo programa Magia de Ler – sem ao menos saber juntar palavras.

Mesmo submetida à ganância de seres doentes que não deveriam ocupar a Prefeitura, através de suas ações a população impediu que São Gonçalo regredisse enquanto município politicamente independente, que busca sua afirmação cultural. Eventos independentes dedicados à arte local continuam existindo, como o Uma Noite na Taverna, e inúmeros outros movimentos se fortaleceram, como o Free Art e o Diário da Poesia. A luta pela recuperação da Fazenda Colubandê, liderada por moradores das redondezas, também se revigorou em 2015 e mostrou aos governos municipal e estadual que o gonçalense ama seu patrimônio ao ponto de acordar cedo aos domingos, varrer e recolher o lixo do espaço.

O governo Mulim perdeu a cabeça. Com o apoio de vereadores ensandecidos que deveriam fiscalizar e limitar os danos causados pelo prefeito, ele faz o que quer com a cidade. Se pudesse, alienaria a alma de cada cidadão porque o orçamento anual da Prefeitura de mais de R$ 1 bilhão é pouco para seus desperdícios. O cidadão modesto, porém, não se entrega. Ao descer o Morro da Caixa D’água de bicicleta, assoviando às seis da manhã, para vender panos de prato no sinal de trânsito em Alcântara, ele inunda São Gonçalo de orgulho e honestidade, mesmo sem saber. Que ele continue lutando em 2016, ano de eleições municipais.

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Ficamos mais gonçalenses no Natal https://simsaogoncalo.com.br/ficamos-mais-goncalenses-no-natal/ https://simsaogoncalo.com.br/ficamos-mais-goncalenses-no-natal/#respond Mon, 21 Dec 2015 23:58:16 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3413 São Gonçalo fica ainda mais gonçalense no Natal. As ruas estão lotadas, não? De gente, carros, lixo e fedor. Pessoas de todos os tipos e gostos circulam de mãos cheias, ensopadas de suor, carregando sacolas de compras pra cima e pra baixo, ansiosas como se vivessem o último dia na Terra. Graças ao horário de verão […]

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São Gonçalo fica ainda mais gonçalense no Natal. As ruas estão lotadas, não? De gente, carros, lixo e fedor. Pessoas de todos os tipos e gostos circulam de mãos cheias, ensopadas de suor, carregando sacolas de compras pra cima e pra baixo, ansiosas como se vivessem o último dia na Terra. Graças ao horário de verão e às férias escolares, as crianças brincam até o início da noite e raias e cortadeiras colorem o céu da cidade.

Nos estacionamentos dos supermercados e shoppings não há mais espaço. Motoristas brigam por vagas batendo um carro no outro, como se disputassem no autopista, brinquedo dos parques de diversão. Se o pedestre não sai da frente, é atropelado imediatamente.

A iluminação de Natal das casas e apartamentos, no entanto, está mais modesta, pelo menos no Vila Três. A inflação de dois dígitos e o desemprego afetaram a economia doméstica do cidadão. A Fazenda Colubandê, sob incertezas, foi iluminada com pompa, centenas de pessoas e a presença ilustre da Orquestra Sinfônica Municipal. São Gonçalo poderia ficar inteiramente às escuras nesta época, exceto a Fazenda Colubandê. Dezenas de milhares de trabalhadores que voltam para casa pela RJ-104 recuperam suas forças no exato momento em que passam em frente a ela, viva, iluminada. Refresco para a alma que renova a esperança do homem e da mulher explorada, cuja jornada de trabalho aumenta em 50% por causa dos engarrafamentos. Que o lixo proveniente da decoração tenha sido recolhido, ao invés de jogado no Casarão, como fizeram ano passado.

Enquanto a Fazenda se destaca, a Política desaparece totalmente no Natal. Os vereadores que não sabem ler nem escrever se vestem de Papai Noel, trocam entre si honrarias, títulos e aplausos sem qualquer merecimento, distribuem presentes para a população e montam árvores de Natal para enfeitar os bairros, que maravilha. Existe aspecto mais gonçalense que o populismo miseravelmente ignorante?

A Saúde “morre”, entra em um dos piores colapsos do ano. Faltam médicos até nas unidades particulares, o povo que não adoeça.

Ficamos mais criativos, agitados e sensíveis neste período. E carregamos na memória outro Natal compartilhado nesta cidade humilde, também só nossa.

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A vida não vale nada em Rio do Ouro https://simsaogoncalo.com.br/a-vida-nao-vale-nada-em-rio-do-ouro/ https://simsaogoncalo.com.br/a-vida-nao-vale-nada-em-rio-do-ouro/#comments Mon, 14 Dec 2015 16:23:48 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3408 Dois irmãos foram assassinados na Favela da Linha, em Rio do Ouro, no início deste mês. Trabalhadores ou bandidos, não importa, eram jovens gonçalenses no princípio da vida – 21 e 18 anos de idade – que cresceram na comunidade e foram vítimas da crueldade do tráfico de drogas, que ocupa o lugar de direitos […]

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Dois irmãos foram assassinados na Favela da Linha, em Rio do Ouro, no início deste mês. Trabalhadores ou bandidos, não importa, eram jovens gonçalenses no princípio da vida – 21 e 18 anos de idade – que cresceram na comunidade e foram vítimas da crueldade do tráfico de drogas, que ocupa o lugar de direitos humanos básicos em diversas regiões de São Gonçalo.

Mato, lixo, valões imundos, ruas improvisadas esburacadas, estreitas e bocas de fumo. Entre tais calamidades crescem as crianças em Rio do Ouro, Engenho do Roçado, Ipiíba e bairros adjacentes. Violência, abandono e sujeira são os aparelhos à disposição dos jovens. São bairros que nos lembram da imensidão do município, da falta aguda de infraestrutura que muitos moradores do Centro e frequentadores da revigorada noite gonçalense fingem não existir, preferem esquecer, por preconceito ou vergonha.

Quando uma criança sai da escola e vai para rua mais cedo porque a merenda acabou ou não tem professor. Quando um jovem abandona o Ensino Fundamental aos 16 anos, perambula sem opções de emprego, nem lazer, e fuma seu primeiro baseado. Aí que inicialmente a vida perde seu valor. O crime começa antes do gatilho ser apertado. Que responsabilidade tem o prefeito Neilton Mulim sobre a morte de Wanderson e Richard, os jovens do Rio do Ouro, como tantos outros executados frequentemente? Mulim recebeu mais de R$ 7 milhões em verbas federais para construir dois centros de artes e esportes unificados, um em Neves, outro no Colubandê, mas enfiou os projetos no meu rabo de cidadão. Os centros, que deveriam ter sido inaugurados até o fim de 2014 e teriam opções saudáveis para a juventude como biblioteca, pista de skate, quadras etc, são até o momento apenas um grande incômodo traseiro, pois teriam 7.000 m², os maiores modelos do Brasil.

E que responsabilidade tem o gonçalense que escreve e lê artigos sobre o assunto? A culpa pode não ser direta, no entanto, nossa omissão é óbvia: enquanto sociedade, nós que atribuímos o valor que a vida tem. Vemos o mal acontecendo e nada do que está ao alcance fazemos. Nada fazemos. A notícia da morte dos irmãos teve destaque apenas no pior jornal da cidade, sedento por sangue.

Não conheço respostas para São Gonçalo, somente perguntas. Acho que podemos dedicar uns minutos de conversa ou emprestar um livro àquele vizinho “tão novo e já fazendo coisas erradas”.

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São Gonçalo, nos socorra https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-nos-socorra/ https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo-nos-socorra/#respond Sun, 06 Dec 2015 10:50:23 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3402 Valei-nos, São Gonçalo! Carregamos teu nome não à toa, tua intercessão junto a Deus é bem-vinda. Somos um milhão de assalariados, condicionados à exclusão brasileira comum, provedores cativos do bem-estar daqueles que nos exploram. Entre nossos inimigos há quem tenha cursado apenas o Ensino Fundamental, receba R$ 15 mil por mês e ainda disponha de […]

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Valei-nos, São Gonçalo! Carregamos teu nome não à toa, tua intercessão junto a Deus é bem-vinda. Somos um milhão de assalariados, condicionados à exclusão brasileira comum, provedores cativos do bem-estar daqueles que nos exploram. Entre nossos inimigos há quem tenha cursado apenas o Ensino Fundamental, receba R$ 15 mil por mês e ainda disponha de carro alugado às custas do suor do povo. Não conhecem a honestidade, nem o alfabeto, e nada de bom entregam às nossas vidas.

Santo querido, elegemos um homem há 3 anos como prefeito da sua cidade, e desde então a vergonha desce mais e mais sobre nós: as crianças picotam os livros superfaturados, sem saber o que fazer com eles, as adolescentes, sem sonhos de estudar e trabalhar, engravidam aos montes, os jovens praticam apenas o uso de drogas, o lixo domina as ruas, se mistura ao esgoto e o fedor se alastra, montantes de dinheiro são roubados dos cofres públicos, o ano está acabando e continuamos os mesmos ignorantes, já que a Educação é palco de experiências corruptas, que tira das crianças até a merenda, e a Cultura existe unicamente para sustentar seus parasitas.

Nossa história é saqueada junto com os tesouros do maior patrimônio histórico e cultural do município, a Fazenda Colubandê. Sem saber de onde viemos, para onde vamos, desrespeitados pela exploração política, consequentemente desunidos, como entenderíamos que somos a força motora e intelectual do Estado? Estamos em todos os cantos, presentes nas principais empresas do Rio de Janeiro e Niterói, ocupando os níveis hierárquicos de cima a baixo, contudo, ainda nos definimos como um povo subalterno, que merece sua triste realidade subdesenvolvida, a podridão, porque não sabe votar. Então eles riem, os verdadeiros culpados, secretários de governo boçais, vereadores que se fantasiam de Papai Noel, os sanguessugas, eles riem de nós porque conhecem nosso valor desperdiçado.

A alienação anestesia. A falta de esperança, deprime. Valei-nos, São Gonçalo. Enquanto há quem não desista de discutir e amar o território. É hora da ajuda divina socorrer o ativismo dos homens e mulheres bons da cidade que leva teu nome.

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Sonhei com Aparecida Panisset https://simsaogoncalo.com.br/sonhei-com-aparecida-panisset/ https://simsaogoncalo.com.br/sonhei-com-aparecida-panisset/#respond Sun, 29 Nov 2015 10:45:36 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3386 Noite passada sonhei com Aparecida Panisset, ex-prefeita de São Gonçalo, antecessora do ser que hoje ocupa a Prefeitura e igualmente afunda a cidade em dívidas, lixo e ignorância. Estávamos em um evento partidário para apresentação dos candidatos às eleições de 2016; eu e Panisset compartilhávamos os mesmos ideais políticos, que sonho absurdo. Face enrugada, corpo curvado, […]

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Noite passada sonhei com Aparecida Panisset, ex-prefeita de São Gonçalo, antecessora do ser que hoje ocupa a Prefeitura e igualmente afunda a cidade em dívidas, lixo e ignorância. Estávamos em um evento partidário para apresentação dos candidatos às eleições de 2016; eu e Panisset compartilhávamos os mesmos ideais políticos, que sonho absurdo.

Face enrugada, corpo curvado, bem mais idosa, a ex-prefeita interrompia a conversa dos presentes a torto e a direito, impondo sua opinião com um sorriso intrometido sobre qualquer assunto. Fazia questão de ser a única a falar, onde chegava a conversa acabava. Quando serviram salgadinhos, foi a primeira a garantir o seu, avançando sobre a bandeja.

A cabeleira vermelhíssima combinava com a camisa de renda da mesma cor. Quando se aproximou de mim, gesticulando e falando descontroladamente, desfilando seu jeito político provinciano, aproveitei para perguntar:

– Por que a chamada “prefeita das praças” abandonou a Praça Carlos Gianelli, em Alcântara, depois a vendeu para a construção de um shopping? Por que a “prefeita das praças” destruiu três quadras poliesportivas e uma pista de skate no Raul Veiga, e transformou a Praça Chico Mendes na obra mais estúpida, inútil e bizarra que existe no mundo?

Como era um sonho, Aparecida Panisset me respondeu com total sinceridade:

– Mário, a Praça Carlos Gianelli era um tormento, uma feiura só. Eu era incapaz de mantê-la limpa ou reformá-la. As contas da Prefeitura não batiam, e não batem até hoje, não sobrava grana. Os cracudos dominavam o espaço. Alguns foram levados para abrigos, outros insistiam em voltar. Aí surgiu a proposta comercial de concessão da praça, que maravilha, transformá-la em um bonito e grande shopping. Consta no contrato urbanizar o entorno, mas ninguém cobra, o povo esquece, a Justiça engatinha. Fiz amigos para sempre entre aqueles empresários, todos me devem favores. O padre da paróquia logo atrás me apoiou, ganhou a parte dele, hoje não nos falamos mais. A igreja evoluiu, agora tem um pátio bom lá em cima, onde organizam os eventos. Com esta jogada, escondi maravilhosamente a Igreja Católica. Entre o catolicismo e o consumismo, prefiro o segundo, afinal, Jesus abençoa os escolhidos com dinheiro para gastar.

– Mas, Aparecida – disse eu – era a única praça do bairro. As pessoas passam espremidas entre o shopping e a rua, respirando o escapamento dos veículos. Para fugir do sol por alguns minutos, elas se sentam no canteiro do shopping, quase no chão, humilhadas na própria cidade, porque não têm mais praça.

– Era preciso um shopping em Alcântara, imagina – continuou Panisset -, um bairro tão grande, comércio forte. Acabaram os cracudos, você viu? O shopping “bomba”, é um sucesso. Os casais namoram na cobertura, a vista é maravilhosa. Já na Praça Chico Mendes, que homenageava esse agricultor cearense que não sei como veio parar em São Gonçalo, eu quis consolidar um espaço evangélico, temos quase dez templos lá atualmente. Havia uns moleques por ali, roqueiros que vinham encher a cara, uns vagabundos, queria acabar com aquela farra, sumiram todos, viu? Acabei com os cracudos de Alcântara e os cachaceiros do Raul Veiga. Era pra virar referência na região, atrair mais fiéis, construí a Praça da Bíblia de presente para meus amigos pastores. Entreguei uma praça linda, que não foi cuidada, faltou manutenção. Era agradável andar por ali enquanto as passagens bíblicas existiam. Hoje me divirto, as crianças pensam que é um circo, que tem um “globo da morte”. A Justiça me persegue até hoje, por isso a Praça da Bíblia está fechada.

Era difícil interromper Panisset, até mesmo no sonho. Quando passo ao lado da Chico Mendes, vazia de pessoas, repleta de lixo nas laterais e ferros grotescos emaranhados no meio, dá vontade de voltar no tempo e me agarrar ao que era antes. Pais, mães e filhos brincavam nela aos domingos. Entre cracudos e cachaceiros e as duas gestões de Panisset, aceitaria os primeiros de bom grado.

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Cidade jamais planejada https://simsaogoncalo.com.br/cidade-jamais-planejada/ https://simsaogoncalo.com.br/cidade-jamais-planejada/#comments Sat, 21 Nov 2015 14:22:41 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3375 A Praça do Rodo, segunda mais importante de São Gonçalo, no centro de um intenso polo comercial, não possui uma árvore sequer, onde alguém possa se abrigar do sol escaldante. Seus bancos são desconfortáveis e imundos. E no meio da praça existe um mastro de ferro gigante inútil, dinheiro público gasto desnecessariamente. São Gonçalo completou […]

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A Praça do Rodo, segunda mais importante de São Gonçalo, no centro de um intenso polo comercial, não possui uma árvore sequer, onde alguém possa se abrigar do sol escaldante. Seus bancos são desconfortáveis e imundos. E no meio da praça existe um mastro de ferro gigante inútil, dinheiro público gasto desnecessariamente. São Gonçalo completou 125 anos de emancipação política, contudo, jamais contou com o planejamento necessário para investir em qualidade de vida e fornecer benefícios fundamentais aos gonçalenses.

Diz a História que o loteamento desenfreado do território, desorganizado, que visava apenas o lucro, foi duramente combatido na década de 60 pelo político local mais famoso, Joaquim de Almeida Lavoura. Ele certamente perdeu a luta. São Gonçalo é inacessível a si mesma. Fazendas e grandes terrenos se transformaram em bairros isolados, confusos e ineficientes, como Santa Izabel, sem ordenamento físico entre as áreas de moradia e comércio, desprovidos de opções de lazer e emprego e de vias suficientes para o escoamento da população em direção ao trabalho.

O mínimo de urbanização que a cidade conhece está na rua Feliciano Sodré, principalmente no trecho onde fica a prefeitura. O asfalto é bom, o semáforo funciona, há lixeiras nos postes (e elas não transbordam), as calçadas são razoavelmente niveladas e alguns arbustos foram plantados. De resto, desenvolveu-se um corredor apertado, com estabelecimentos comerciais nas laterais e carros e ônibus espremidos no meio, onde antigamente passavam as linhas de bondes.

Toda cidade é um sistema interdependente que deve estar bem conectado para servir aos seus habitantes. No município gonçalense, vias terrestres foram criadas no passado segundo a necessidade do momento, hoje ultrapassada, nenhuma adaptada ao crescimento urbano. Através dessas vias, a bordo de ônibus sujos e quentes, circula a segunda maior população do estado do Rio de Janeiro, gastando mais de uma hora no trânsito e pagando mais de uma passagem para atingir certos destinos internos.

O Brasil inteiro não é desorganizado. Cidades agradáveis existem e São Gonçalo deveria ser uma delas, se o desenvolvimento e pioneirismo agroindustrial que experimentou até metade do século 20 fosse revertido em planejamento urbano e obras sociais.

Um crime se repete em São Gonçalo, seguidamente bombardeada com ignorância política, a cada governo municipal. Praças são abandonadas, destruídas ou vendidas, não temos ciclovias, o ar é impuro, a poluição visual e sonora incomodam, não há espaços para pessoas aqui.

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Eles não amam São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/eles-nao-amam-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/eles-nao-amam-sao-goncalo/#respond Sun, 15 Nov 2015 19:38:09 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3368 Restou uma desculpa àqueles que defendem a gestão tenebrosa de Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo: a crise econômica nacional. De acordo com esses defensores, em sua maioria sustentados pelo governo, Mulim faz “tudo o que pode”, com os “poucos recursos que dispõe”. Mentira. A administração pública gasta anualmente mais de R$ 1,2 bilhão e […]

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Restou uma desculpa àqueles que defendem a gestão tenebrosa de Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo: a crise econômica nacional. De acordo com esses defensores, em sua maioria sustentados pelo governo, Mulim faz “tudo o que pode”, com os “poucos recursos que dispõe”. Mentira. A administração pública gasta anualmente mais de R$ 1,2 bilhão e ainda deixa faltar lixeiras e lâmpadas nos postes. Há desperdício, aquisições inúteis. Mas não existe amor pela cidade.

Tão desagradável quanto o lixo fétido espalhado nas esquinas, a propaganda irregular é um câncer, perfeitamente curável, do qual São Gonçalo não consegue se livrar. Enquanto quinze guardas municipais formam roda e conversam distraidamente embaixo do viaduto de Alcântara, acima de suas cabeças empresas penduram faixas com arame na mureta do viaduto. A falta de dinheiro é a causa? Não. É a indisciplina, o desprezo pela ordem, desde o gabinete do prefeito.

Após às 17 horas o comércio criminoso, desorganizado e sujo é relevado. A Prefeitura não impedirá se você estender uma toalha no chão, enfileirar seus produtos falsificados e oferecê-los aos gritos. Talvez algum fiscal de posturas venha pedir uma graninha, no máximo. Culpa do aumento da inflação? Não, se chama desonestidade generalizada.

Agora a pior determinação municipal, a mais burra, sinal marcante da estupidez crônica que dirige o governo: na cidade inteira a Prefeitura permite, oficialmente, que comerciantes depositem lixo na calçada após às 18 horas. Panfletos foram impressos e distribuídos com a autorização, exigindo, apenas, que o lixo esteja ensacado. O problema é escassez de verbas? Não. Falta respeito pelo trabalhador que volta para casa neste horário, desviando da podridão. Se desejasse limpeza, o governo exigiria a separação do material reciclável e entrega daquilo que não pode ser reaproveitado diretamente ao caminhão da coleta.

Quem carrega São Gonçalo nas costas, derramando suor e sangue, são algumas dezenas de ativistas políticos, culturais e gestores de projetos sociais que aproximam a música, o futebol, os livros e as artes da população, sem receber 1 centavo do Poder Executivo. Honestidade, responsabilidade e disciplina são consequências naturais do carinho que sentem pelo povo e pelo território. Tal dedicação jamais veremos em inúmeros vereadores, secretários e assessores que já pensam em se candidatar ano que vem. Desistam. O amor é importante, porra, e não pode ser ensinado.

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Maria, guerreira gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/maria-guerreira-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/maria-guerreira-goncalense/#respond Mon, 09 Nov 2015 21:10:47 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3328 Gostaria de ter publicado, nesta coluna, a opinião de uma gonçalense sobre o projeto de lei 5069/13, que criminaliza ainda mais o aborto, ou sobre a luta das mulheres por maior participação política e igualdade de direitos. Diversos colunistas brasileiros aderiram à esta campanha. Não consegui. Deixo o espaço aberto para semana que vem. Mas […]

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Gostaria de ter publicado, nesta coluna, a opinião de uma gonçalense sobre o projeto de lei 5069/13, que criminaliza ainda mais o aborto, ou sobre a luta das mulheres por maior participação política e igualdade de direitos. Diversos colunistas brasileiros aderiram à esta campanha. Não consegui. Deixo o espaço aberto para semana que vem. Mas não abro mão de destacar, hoje, um grande exemplo feminino de sobrevivência na cidade de São Gonçalo.

Vendi salgados e sucos na Rua da Feira, e em todo Alcântara, ainda adolescente, na década de 1990. Era ambulante, carregava o garrafão de suco a pé, e ao meu lado Maria carregava o cesto com rissoles, pastéis e coxinhas, muito mais pesado. Viúva de meia-idade e mãe de três filhos, buscando o sustento da família, o convite para iniciarmos esta humilde atividade comercial foi dela, e eu aceitei prontamente. Todo adolescente queria uns trocados para jogar fliperama naquela época.

Surpreendentemente, quem se esforçava para segui-la era eu. Apesar da diferença de altura gigantesca, Maria era ágil e eu praticamente tinha que correr para acompanhá-la de loja em loja, onde oferecíamos o lanche às vendedoras e seus clientes. Após algumas semanas de operação, éramos ansiosamente aguardados no fim da tarde, interrompíamos as vendas de roupas onde chegávamos, ficamos famosos.

Eu enchia os copos com suco e entregava aos nossos clientes. A chefe servia o salgado e recebia a grana. Na volta para casa, na subida do Morro da Caixa D’água, no Vila Três, eu recebia minha participação, verdadeira fortuna para um garoto sem contas a pagar.

Maria era uma vizinha, amiga dos meus pais, e me ensinou uma lição fundamental: sair da mesmice, trabalhar de cabeça erguida, não ter vergonha de buscar soluções para crises financeiras domésticas, ainda que tenha recursos tão escassos quanto uma garrafa e um cesto.

Dona de uma escoliose gravíssima, que provocava dores terríveis, Maria jamais deixou eu carregar o cesto pesado com os salgados, por mais que eu insistisse em trocar pela garrafa de suco. Parávamos diversas vezes no caminho para ela tirar o cesto do braço, apoiá-lo em algum lugar, e descansar.

Nosso projeto durou poucos meses, mas desde então Maria já vendeu sacolé, caldos, petiscos, bolos e bebidas. O corpo torto continua o mesmo, ela não para de lutar.

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Fartos de Mulim https://simsaogoncalo.com.br/fartos-de-mulim/ https://simsaogoncalo.com.br/fartos-de-mulim/#comments Sun, 01 Nov 2015 20:04:02 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3323 Acabou a paciência da sociedade gonçalense. Para impedir a continuação do mandato desastroso do prefeito Neilton Mulim, o Sindicato dos Servidores Públicos Efetivos de São Gonçalo (SINDSPEF-SG) protocolou um pedido de impeachment na Câmara Municipal. O SINDSPEF-SG resumiu o sentimento do povo. Cidadãos comuns e profissionais de diversas classes se agrupam em frente à Prefeitura, frequentemente, […]

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Acabou a paciência da sociedade gonçalense. Para impedir a continuação do mandato desastroso do prefeito Neilton Mulim, o Sindicato dos Servidores Públicos Efetivos de São Gonçalo (SINDSPEF-SG) protocolou um pedido de impeachment na Câmara Municipal.

O SINDSPEF-SG resumiu o sentimento do povo. Cidadãos comuns e profissionais de diversas classes se agrupam em frente à Prefeitura, frequentemente, para protestar contra o descaso generalizado. Guardas municipais, professores, ativistas culturais, trabalhadores sem-teto, entre outros (apenas em 2015), ignorados pelo poder público ou sujeitos à condições de trabalho degradantes, já levantaram sua voz.

Milhares de gonçalenses presentes nas redes sociais se manifestam diariamente. Chamam o prefeito de mentiroso, apático e ausente nos comentários sobre as postagens da Prefeitura. Para cada ação divulgada superficialmente, como as obras do programa Rua Nova, que nem o Secretário de Infraestrutura sabe quando ficarão prontas, centenas de pessoas reclamam da falta de iluminação, drenagem, saneamento básico e asfalto em inúmeras regiões esquecidas.

Junto com a paciência dos gonçalenses, esgotaram os argumentos dos aliados de Mulim para defendê-lo. O prefeito que na Saúde “melhoraria equipamentos e instalações existentes”, segundo promessas de campanha, obriga pacientes a buscar atendimento especializado em outras cidades, aquele que “valorizaria o profissional de Educação”, humilha com salários abaixo do piso nacional, quem “privilegiaria atividades socioeducativas para crianças e adolescentes”, impede que os Centros de Artes e Esportes Unificados sejam construídos. Nunca houve qualquer intenção de empreender um governo honesto, ouvir a população, sequer respeitar a Constituição! São Gonçalo vive dias de grotesco cabide eleitoral, com excesso de cargos comissionados, desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e seguidas improbidades administrativas.

A tramitação do pedido de impeachment depende da análise da Procuradoria Jurídica da Câmara e da aprovação em Plenário. O SINDSPEF-SG reconhece que o processo será difícil. No entanto, é de conhecimento geral, inclusive do Ministério Público, que a administração de São Gonçalo atingiu níveis inacreditáveis de sujeira e incompetência. O povo está cansado disto. E há bastante tempo Neilton Mulim não tem sustentação moral para governar.

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A Fazenda Colubandê é minha https://simsaogoncalo.com.br/a-fazenda-colubande-e-minha/ https://simsaogoncalo.com.br/a-fazenda-colubande-e-minha/#respond Mon, 26 Oct 2015 08:54:44 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3299 E eu sou dela. Quando ela me chama, eu vou, caminhando ou pedalando, geralmente no início da manhã. Me sento nos degraus, em frente à Capela, também o lugar preferido de muitas espécies de formigas, que seguem suas trilhas para todos os lados. Como nós, gonçalenses, somos privilegiados pela existência da Fazenda Colubandê.  Única, tão […]

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E eu sou dela. Quando ela me chama, eu vou, caminhando ou pedalando, geralmente no início da manhã. Me sento nos degraus, em frente à Capela, também o lugar preferido de muitas espécies de formigas, que seguem suas trilhas para todos os lados.

Como nós, gonçalenses, somos privilegiados pela existência da Fazenda Colubandê.  Única, tão calma e tão próxima do caos e da sujeira das ruas. Refúgio da paz que acompanha o verde das árvores e o vento ameno. Lugar que abertamente nos ensina de onde viemos, o princípio de nossa história.

São Gonçalo passa apressada, congestionada, logo abaixo. Na Fazenda ouve-se o som da pedreira que fica no mesmo bairro, o progresso que destrói, mas o rico e amigável canto dos pássaros é muito mais nítido.

Nada e ninguém, além da Fazenda Colubandê, pode oferecer gratuitamente o isolamento perfeito, próximo, de fácil alcance. Nela observo a cidade com o resguardo da sensatez e sabedoria da natureza, mais antiga que nós; tão perto de casa, longe o suficiente do escapamento dos veículos, ela tem espaços de sobra para meditar (apenas pássaros cruzando o ar interrompem), tanta coisa para ver.

Ao lado do aperto claustrofóbico de Alcântara, diante do desenvolvimento inquieto do Colubandê, a Fazenda é um universo infinito de detalhes prazerosos: cheia de segredos, relvas, árvores imponentes, repleta do verde escasso no centro urbano gonçalense. O ar puro e o silêncio favorecem a reflexão, o aprendizado consigo mesmo e com o passado ao redor, presente nos muros e paredes da Sede e da Capela. Duas provas de que o ser humano pode construir coisas belas.

No mesmo ambiente ainda é possível jogar, correr ou andar e descobrir novos caminhos; a ação é tão estimulada quanto a contemplação. Dá vontade de passar o dia inteiro na Fazenda Colubandê, acampar, fazer piquenique, descansar.

Quando a deixo para voltar à rotina normal, ela diz “Volte logo, não demore”, como uma amante devota. Digo adeus e saio revigorado, pedalando ou caminhando, preparado para qualquer coisa. A Fazenda Colubandê é minha.

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Pare de culpar a si mesmo https://simsaogoncalo.com.br/pare-de-culpar-a-si-mesmo/ https://simsaogoncalo.com.br/pare-de-culpar-a-si-mesmo/#respond Tue, 20 Oct 2015 10:44:40 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3273 O povo de São Gonçalo insiste em culpar a si mesmo pela omissão do poder público diante dos problemas da cidade. Grande engano. Uma vez eleito, cabe ao político honrar o cargo a ele confiado, não importa se exercia anteriormente a profissão de camelô ou miliciano. “Nós elegemos o prefeito e esses vereadores, por isso merecemos […]

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O povo de São Gonçalo insiste em culpar a si mesmo pela omissão do poder público diante dos problemas da cidade. Grande engano. Uma vez eleito, cabe ao político honrar o cargo a ele confiado, não importa se exercia anteriormente a profissão de camelô ou miliciano.

“Nós elegemos o prefeito e esses vereadores, por isso merecemos sua má gestão”, dizem os gonçalenses mais esclarecidos nas redes sociais. É óbvio que devemos escolher com cautela nossos representantes, mas eles têm a obrigação de governar bem, para todos. Se o melhor candidato não foi eleito, erramos na escolha, não podemos aguardar as próximas eleições. Temos o direito de exigir respeito, em uníssono, hoje.

O mau hábito impede que boas soluções sejam discutidas, ao encontrar equivocadamente sempre o mesmo culpado, o povo. A maioria pode estar enganada quando vota, mas não é culpada pelo abandono de áreas fundamentais como Saúde, Educação e Cultura, pela mistura insana de comércio ilegal e trânsito caótico e pelas pilhas de sacolas de lixo que comerciantes depositam nas esquinas.

Alguns colocam a culpa no povo como se não fizessem parte dele. Presume-se que sabem escolher bons candidatos, por isso, enquanto cidadãos, têm o dever de esclarecer “o povo que vota mal”, amigos, parentes e vizinhos. Mas geralmente têm preguiça de levantar a voz, não reservam tempo para viver em comunidade, partilhar ideias e pensamentos.

Culpar o povo é fatalmente desistir. Cidadão de bem não desiste de fazer o certo. “O povo” pode ser orientado, mas o primeiro a bater na sua porta é o candidato ignorante prometendo emprego na Prefeitura ou asfaltar a rua.

O gonçalense ainda tem muito a desenvolver, estudar e aprender. Estamos longe de qualquer coesão política ou ideológica. Mas arrisco dizer que o povo está pronto para construir uma cidade melhor. Há entre nós milhares de pessoas com acesso a informação, capazes de disseminá-la e promover debates (com um pouco de boa vontade). Não haverá momento melhor. Culpar a si mesmo ou dizer que São Gonçalo “é um lixo” não resolve nada.

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Falta teatro, sobra talento https://simsaogoncalo.com.br/falta-teatro-sobra-talento/ https://simsaogoncalo.com.br/falta-teatro-sobra-talento/#respond Tue, 13 Oct 2015 16:38:33 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3258 Estive naquilo que a Prefeitura de São Gonçalo chama de teatro municipal para assistir a peça “Dentro de mim, a cidade”, montada pelo Coletivo Mundé. Vi que o Teatro Carequinha não está à altura de George Savalla Gomes, nem chega aos pés da qualidade artística gonçalense, cuja manifestação, felizmente, superou todos os problemas de infraestrutura. Os […]

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Estive naquilo que a Prefeitura de São Gonçalo chama de teatro municipal para assistir a peça “Dentro de mim, a cidade”, montada pelo Coletivo Mundé. Vi que o Teatro Carequinha não está à altura de George Savalla Gomes, nem chega aos pés da qualidade artística gonçalense, cuja manifestação, felizmente, superou todos os problemas de infraestrutura.

Os problemas encontrados no Carequinha, sexta-feira (09/10), foram fios elétricos espalhados perigosamente pelo chão, na frente do palco, bancos medíocres, ar-condicionado inoperante e apenas um ventilador de teto funcionando. É ultrajante uma das principais cidades do Brasil, em diversos períodos da História, depender de um auditório escolar improvisado, onde o artista tem que se virar, vender ingressos na bilheteria, pedir equipamento emprestado, atuar na sonoplastia e dividir seu esforço com atividades secundárias para apresentar seu trabalho.

Trabalho que é um verdadeiro serviço à beleza e cidadania. “Dentro de mim, a cidade” ensina sobre São Gonçalo, em aproximadamente 60 minutos, mais do que todas as ações culturais implementadas desde o início do governo Mulim, há quase 3 anos atrás. O público presente, pequeno, foi privilegiado. Creio que todos se emocionaram quando o ator Reinaldo Dutra expôs no monólogo a dor de testemunhar uma cidade acolhedora, feliz, abandonar hábitos como o bate-papo noturno na esquina entre amigos, devido ao aumento da violência urbana.

Poucos assistiram a peça porque novamente a Prefeitura se manteve distante da legítima arte municipal. Ela pendura placas descontroladamente sobre coisas que não faz, sobre reformas de praças sem previsão de começar, mas não pendurou nenhuma plaquinha sobre o evento. Mulim, a Fundação de Artes, a Prefeitura, ninguém publicou sequer um post em seus perfis nas redes sociais, divulgação que não custaria nada.

Uma peça de teatro produzida com carinho por gonçalenses, para gonçalenses, sobre São Gonçalo, a um preço acessível, agrega um valor inestimável à vida, para sempre. O Coletivo Mundé é um daqueles tesouros raros, são tantos talentos reunidos que as demais possibilidades de boas combinações se esgotam. Cada cidade do mundo tem no máximo um grupo assim, seja um polo criativo como Berlim, ou uma cidade pouco desenvolvida como a nossa, que nem teatro tem.

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Quando teremos um prefeito honesto? https://simsaogoncalo.com.br/quando-teremos-um-prefeito-honesto/ https://simsaogoncalo.com.br/quando-teremos-um-prefeito-honesto/#comments Wed, 07 Oct 2015 09:48:14 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3254 Neilton Mulim e a prefeita anterior, Aparecida Panisset, têm muito em comum: ambos colecionam multas aplicadas pelo Tribunal de Contas do Estado e receberam processo criminal por improbidade administrativa. Quando São Gonçalo terá um prefeito honesto, que faça seu trabalho com dignidade? Mulim atrasou o quanto pôde a licitação da coleta de lixo – emporcalhando as ruas […]

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Neilton Mulim e a prefeita anterior, Aparecida Panisset, têm muito em comum: ambos colecionam multas aplicadas pelo Tribunal de Contas do Estado e receberam processo criminal por improbidade administrativa. Quando São Gonçalo terá um prefeito honesto, que faça seu trabalho com dignidade?

Mulim atrasou o quanto pôde a licitação da coleta de lixo – emporcalhando as ruas da cidade – e favoreceu a empresa Marquise com contratos de emergência milionários, o que levou o Ministério Público a abrir processo contra ele. Panisset também se aproveitou do dinheiro do gonçalense e sustentou ilegalmente a instituição religiosa Casa do Saber, que sequer comprovou serviços prestados ao município.

Por 8 anos Panisset entregou São Gonçalo ao fanatismo religioso, que destruiu patrimônios históricos e culturais, como a Praça Chico Mendes e a casa onde nasceu a Umbanda; não satisfeita com os danos causados, ela cedeu a única praça de Alcântara, segundo maior bairro da cidade, à cobiça dos empresários construtores de shoppings.

O prefeito atual, que governará a cidade até o fim de 2016, igualmente despreza a cultura popular – recentemente, por pura ignorância, o maior evento musical gonçalense foi cancelado pela Prefeitura. Mulim ainda insiste em outra prática torpe, a recusa em pagar ao professor municipal o piso salarial estabelecido na Constituição Federal.

É hábito comum entre os políticos da mesma laia prometer aos quatro ventos reverter as besteiras do seu antecessor (ou antecessora), sem cumprir absolutamente nenhuma das promessas. Há meses Mulim prometeu licitar a revitalização da praça Chico Mendes e a urbanização do Alcântara, mas ambos continuam duas provas da absurda desonestidade dos últimos prefeitos gonçalenses.

São Gonçalo possui grande extensão territorial, e baixíssimo nível de urbanização. Enorme população, com reduzido grau de instrução. Graves problemas de gestão, mas baixa capacitação técnica e pouca vontade política. Sendo uma cidade de extremos, ela merece um prefeito que pelo menos não seja multado pela Justiça, não incorra em improbidades administrativas, não corte suas árvores para pendurar propaganda política, não permita que comerciantes joguem lixo na calçada e, finalmente, não a trate como se fosse seu bordel particular.

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Executivo despreza a Cultura https://simsaogoncalo.com.br/executivo-despreza-a-cultura/ https://simsaogoncalo.com.br/executivo-despreza-a-cultura/#respond Wed, 30 Sep 2015 11:10:44 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3232 O povo gonçalense ignora a história da sua formação, desconhece suas qualidades profissionais e a própria capacidade artística. Deficiência grave, claramente compreendida: a Cultura é mais um setor público abandonado pelo Executivo, sem planejamento, de orçamento ínfimo e baixa qualificação técnica. Para o governo Mulim, liderado por um professor, Cultura não é importante. O orçamento da pasta é de R$ […]

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O povo gonçalense ignora a história da sua formação, desconhece suas qualidades profissionais e a própria capacidade artística. Deficiência grave, claramente compreendida: a Cultura é mais um setor público abandonado pelo Executivo, sem planejamento, de orçamento ínfimo e baixa qualificação técnica.

Para o governo Mulim, liderado por um professor, Cultura não é importante. O orçamento da pasta é de R$ 1,2 milhão (apenas 0,1% do total gasto pelo município em 2015), colocando o setor entre as quatro secretarias menos favorecidas e de menor capacidade de investimento, visto que os gastos exorbitantes com pessoal – gente desqualificada e desnecessária – e eventos fixos do calendário anual, que não valorizam a produção artística gonçalense, consomem praticamente toda a verba.

Ao Gabinete do Prefeito, no entanto, chefiado pela irmã de Mulim, a Prefeitura destina R$ 3,5 milhões por ano, quase três vezes mais do que a Cultura recebe. O que faz o Gabinete com tanto dinheiro? Longe de desenvolver pesquisas científicas em benefício do população, suas funções são assessorar o prefeito, assessorá-lo mais um pouco e eventualmente assessorá-lo de novo.

O descaso é ainda mais ofensivo: há sete meses o Executivo se sentou e reteve embaixo de si mesmo a proposta de criação do Plano Municipal de Cultura, documento que visa estruturar o aparelho e a oferta cultural do município, inserido no contexto nacional. Nas mãos da corja incompetente que domina seu cenário político, São Gonçalo é mantida de propósito imersa na ignorância.

Como se não bastasse tanto desprezo, neste mês de setembro a Prefeitura deveria prontificar e entregar aos gonçalenses dois Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs), um em Neves, outro no Colubandê. Entre outros benefícios, os CEUs oferecem lazer e serviços para promoção da cidadania em territórios de alta vulnerabilidade social, contudo, apesar de contar com verbas federais de mais de R$ 7 milhões, a construção dos CEUs municipais estagnou no estágio inicial.

A alienação generalizada estimulada pelo Governo prejudica o estabelecimento de respostas para uma pergunta simples: o que significa ser gonçalense? É um conceito quase inexistente, nos falta uma imagem pública positiva, carecemos de identidade. Certamente é algo maior do que simplesmente nascer ou viver em São Gonçalo.

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Parabéns, São Gonçalo https://simsaogoncalo.com.br/parabens-sao-goncalo/ https://simsaogoncalo.com.br/parabens-sao-goncalo/#respond Tue, 22 Sep 2015 15:36:01 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3208 São Gonçalo completa 125 anos hoje, 22 de setembro de 2015. Em vez de criticar os parasitas que se instalam na administração municipal a cada quatro anos desde sua emancipação política, é tempo de lembrar que a cidade merece total consideração de cada gonçalense. Como também sou gonçalense, com sua permissão, aproveito para manifestar meu carinho pessoal […]

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São Gonçalo completa 125 anos hoje, 22 de setembro de 2015. Em vez de criticar os parasitas que se instalam na administração municipal a cada quatro anos desde sua emancipação política, é tempo de lembrar que a cidade merece total consideração de cada gonçalense. Como também sou gonçalense, com sua permissão, aproveito para manifestar meu carinho pessoal por ela.

É aniversário da cidade e se Gonça continua suja e caótica após o desfile na rua Feliciano Sodré, é porque nossos hábitos como meros usuários do território continuam os mesmos. Reciclar o lixo domiciliar, conhecer os pontos turísticos municipais e empreender em busca do próprio sonho são alguns exemplos de como podemos evoluir enquanto cidadãos.

Vale começar o quanto antes, pois mudanças no trabalho ou em casa são demoradas e complexas para alguns. Eu faço parte do grupo de atrasados que inclui a maioria da população. Foi preciso morar na cidade por duas décadas e meia para finalmente:

  1. Assistir ao desfile cívico-militar na rua Feliciano Sodré. Renova o orgulho de ser parte da cidade.
  2. Visitar a Fazenda Colubandê. Lindo patrimônio histórico e cultural, um oásis de paz e verde dentro da área urbana.
  3. Ver os tapetes de Corpus Christi. Verdadeira obra de arte.
  4. Conhecer gonçalenses que se dedicam ao desenvolvimento comum. Eles existem e são muitos.
  5. Perseguir meu sonho. Este artigo é parte dele.

E ainda não conheço inúmeros pontos turísticos, como a Capela e a Praia da Luz, as cavernas de Santa Izabel e o maciço de Itaúna. É preciso ter cuidado ao dizer que São Gonçalo é feia, pois feio é aquilo que construímos sem pensar no povo ou no melhor para a cidade.

A emancipação política deve ser comemorada, quem disser o contrário jamais se sentou na praça Zé Garoto à sombra das árvores para ler um bom livro – prazer desconhecido por milhares de gonçalenses – e, por vergonha de si mesmo, ainda vive à sombra de Niterói. A emancipação dá a chance de desenvolvermos uma identidade especial, de achar nosso lugar ao sol fluminense.

Para não repetir meu atraso, meu filho já visitou a Fazenda Colubandê, viu os tapetes de Corpus Christi e está se preparando para assistir o desfile deste ano. Exemplo de cidadão. Miguel tem 4 anos e, acreditem ou não, diz que no futuro será prefeito da cidade.

Parabéns à São Gonçalo, que oferece tantas belezas e inspiração, e parabéns aos gonçalenses que sabem aproveitá-las.

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Garota de Alcântara https://simsaogoncalo.com.br/garota-de-alcantara/ https://simsaogoncalo.com.br/garota-de-alcantara/#respond Tue, 15 Sep 2015 11:00:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3201 Se Tom Jobim e Vinicius de Moraes, compositores da famosíssima canção Garota de Ipanema, vivessem em São Gonçalo hoje, qual seria a inspiração desses artistas? Provavelmente a sujeira das ruas, característica mais evidente da cidade, ou a desordem urbana, outro aspecto marcante. E se os dois gênios morassem especificamente em Alcântara, bairro que agrega, como nenhum outro, as […]

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Se Tom Jobim e Vinicius de Moraes, compositores da famosíssima canção Garota de Ipanema, vivessem em São Gonçalo hoje, qual seria a inspiração desses artistas? Provavelmente a sujeira das ruas, característica mais evidente da cidade, ou a desordem urbana, outro aspecto marcante. E se os dois gênios morassem especificamente em Alcântara, bairro que agrega, como nenhum outro, as principais singularidades gonçalenses? Creio que Tom e Vinicius se sentiriam mal, sobrecarregados com tanta inspiração ao redor.

O maior obstáculo seria a falta de um bom lugar para sentar, observar, compor melodias e escrever letras de música. Apesar da profunda importância comercial para o município, não existe em Alcântara um simples banco de concreto onde alguém possa se sentar ao ar livre, desde a usurpação da praça Carlos Gianelli para a construção de um shopping.

Digamos que os compositores utilizassem seu banquinho de plástico, trazido de casa nas manhãs de sábado – enfrentando o trânsito caótico – e posicionado estrategicamente no início do Calçadão do bairro gonçalense. A intensa circulação de pessoas na região é tão desorganizada que seria quase impossível identificar a mulher mais bela e acompanhar seus passos com o olhar. Veriam principalmente uma massa de gente apressada andando de um lado para o outro, multidão formada por pessoas se empurrando, às vezes saindo da calçada e disputando espaço nas ruas com carros, ônibus e até carroças. Pelo menos, o letrista da renomada canção, Vinicius de Moraes, não sofreria a tristeza da solidão com tanta gente em volta.

Se conseguissem eleger sua musa, seria fácil comprar um presente para cortejá-la. Além das inúmeras lojas de roupa feminina, Alcântara conta com diversos camelôs vendendo, ilegal e livremente, desde arroz e feijão a relógios paraguaios. Basta escolher. Com livros, infelizmente, não poderiam presenteá-la porque nenhum comerciante ou camelô considera bom negócio vendê-los.

Vinicius e Tom veriam que no bairro as garotas não passam a caminho do mar, elas pisam na lama às margens do poluído rio Alcântara, talvez com o intuito de comprar uma calça jeans na Rua da Feira. Aqui vivendo eles seriam obrigados a habituar o olfato ao odor fétido do rio e do lixo nas esquinas e certamente não encontrariam graça, beleza ou amor.

Ipanema é bastante diferente de Alcântara, sabemos. No entanto, o único aspecto difícil de conquistar é que o último seja banhado pelo mar. Limpeza, organização, respeito e dignidade, as mesmas gozadas pelos moradores da zona sul carioca, não são construídas em São Gonçalo por falta de vergonha na cara.

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Política municipal sofre de paralisia https://simsaogoncalo.com.br/politica-municipal-sofre-de-paralisia/ https://simsaogoncalo.com.br/politica-municipal-sofre-de-paralisia/#respond Tue, 08 Sep 2015 15:57:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3180 Nada realmente transformador aconteceu na política gonçalense nas últimas semanas. Prefeitura e Câmara decidiram permanecer imóveis, preservar sua imagem e planejar a próxima campanha eleitoral, para elas é mais importante do que trabalhar para resolver os problemas atuais. Através de iniciativas raras, como o Fórum de Políticas Culturais de São Gonçalo, a sociedade tenta empurrar o Poder […]

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Nada realmente transformador aconteceu na política gonçalense nas últimas semanas. Prefeitura e Câmara decidiram permanecer imóveis, preservar sua imagem e planejar a próxima campanha eleitoral, para elas é mais importante do que trabalhar para resolver os problemas atuais.

Através de iniciativas raras, como o Fórum de Políticas Culturais de São Gonçalo, a sociedade tenta empurrar o Poder Público em direção à labuta, pelo menos em alguns setores. Além do Fórum, discussões sobre mobilidade urbana ocorreram na cidade, dentro e fora da Semana de Incentivo ao Ciclismo, também digna de louvor. Transformações verdadeiras, no entanto, como aquelas prometidas pelo prefeito Mulim em 2012 e esquecidas pela maioria dos vereadores, ainda não vimos.

Livre de oposição construtiva, Mulim surfa tranquilamente nas ondas do PAC 2, inaugurando obras do programa Rua Nova com festa, como se estivessem concluídas. Os bairros onde o prefeito promoveu sua imagem estão afundados na lama agora, após as últimas chuvas.

Os poderes Executivo e Legislativo confundiram a desejada harmonia entre eles. Até pouco tempo brigavam por atenção como dois filhos mimados que não enxergam nada além de suas vontades; ultimamente adotaram a paralisia política, esperam de mãos dadas o tempo passar até outubro de 2016. Em nenhum momento desta legislatura discutiram tecnicamente em busca de soluções, ou fiscalizaram um ao outro para corrigir falhas.

Falta merenda e uniforme nas escolas municipais, entre outros motivos corruptos, porque a ação fiscalizadora da Câmara é insuficiente, tardia. A imprensa publica o sofrimento dos estudantes desde o ano passado. Se houvesse fiscalização séria, deficiências não se tornariam crises graves.

Enquanto Executivo e Legislativo se abraçam, o Alcântara, bairro de enorme importância comercial, supera em sujeira muitos chiqueiros. Nos horários de pico, centenas de pessoas amontoadas pisam literalmente no esgoto nos pontos de ônibus da rua Manoel João Gonçalves. Seres humanos cercados por pilhas fedorentas de lixo nas calçadas, se agredindo por um lugar nos ônibus lotados e imundos, é o retrato da nossa política pública.

Nas últimas semanas o trânsito entrou em colapso, jovens gonçalenses sem futuro profissional morreram de forma banal e o TCE parcelou a multa de R$ 119 mil do prefeito Mulim, aplicada pelo descaso com a coleta de lixo. Diante de tantas falhas na administração municipal, Executivo e Legislativo se mantêm inertes, ou talvez estejam em harmonia no Hotel Alcântara, onde outros nobres se hospedam para discutir seus interesses.

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A cidade que não é levada a sério https://simsaogoncalo.com.br/cidade-que-nao-e-levada-serio/ https://simsaogoncalo.com.br/cidade-que-nao-e-levada-serio/#respond Sat, 05 Sep 2015 04:40:25 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3098 Moro em São Gonçalo há 26 anos e ainda me surpreendo ao ver um guarda municipal conversando, alegremente, com um camelô em local irregular. Falam sobre a vitória do Flamengo no dia anterior, comentam a beleza da mulher que passa ao lado, trocam tapinhas nas costas e o guarda se vai, apreciando um cafezinho. Em […]

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Moro em São Gonçalo há 26 anos e ainda me surpreendo ao ver um guarda municipal conversando, alegremente, com um camelô em local irregular. Falam sobre a vitória do Flamengo no dia anterior, comentam a beleza da mulher que passa ao lado, trocam tapinhas nas costas e o guarda se vai, apreciando um cafezinho. Em uma cidade respeitada, o guarda e o camelô seriam inimigos mortais. Como o diabo corre da cruz, o vendedor ambulante fugiria ao ver o guarda de longe, mas São Gonçalo não é levada a sério.

O Comandante da Guarda admite a displicência do seu subordinado e o prefeito Mulim, aquele que mais nos desrespeita, releva o trabalho frouxo do Comandante da Guarda. Como os vereadores, pagos para fiscalizar a gestão do prefeito, se promovem pendurando faixas irregulares nos postes, fica provado que ninguém na cadeia de poder leva esta cidade a sério, por isso os servidores públicos relapsos conduzem sua rotina de maneira desleixada, por isso viver em São Gonçalo é um desafio.

Até o nome da cidade sofre com a falta de cuidado. No alto da fachada da Prefeitura Municipal há letras tortas há meses, talvez anos. No gramado ao lado da escadaria da Igreja Matriz o nome da cidade também está danificado. Aqui as ações mais simples, que resolveriam grandes problemas, não são desempenhadas, como disponibilizar lixeiras onde o caminhão da coleta não consegue chegar.

Uma amiga de Minas Gerais, pela primeira vez em São Gonçalo, chegando a bordo do 532, que vem de Niterói, definiu a cidade da seguinte forma:

– A enorme quantidade de pichações nos muros é assustadora, até sufocante; as ruas são extremamente sujas. A cidade parece tomada pelo comércio irregular.

As calçadas de Alcântara, cheias de camelôs, onde as pilhas de lixo quase alcançam o céu, ficam intransitáveis após às 18h. Durante o dia o bairro é caótico, a noite, infernal. Em ruas importantes do Centro, como a Coronel Rodrigues e a João de Souza, os flanelinhas exploram a população livremente, sustentados pela negligência que começa no Prefeito e termina no guarda municipal. Por quê? Porque habitualmente a cidade não é respeitada pelo poder público. Em vez de resolvê-los, usam os problemas eternamente como plataforma de promessas jamais cumpridas.

Os gonçalenses não podem se acostumar ao caos visto diariamente, não podem deixar de se assustar, como alguém que visita a cidade pela primeira vez.

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O Vila Três não é mais o mesmo https://simsaogoncalo.com.br/o-vila-tres-nao-e-mais-o-mesmo/ https://simsaogoncalo.com.br/o-vila-tres-nao-e-mais-o-mesmo/#respond Wed, 02 Sep 2015 14:11:51 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3148 Cheguei ao Vila Três em 1989, aos 7 anos de idade. Quando o caminhão que trazia a mobília da família alcançou a esquina da rua onde moro até hoje, fiz meu primeiro amigo no bairro. Da janela do caminhão, sem ao menos pisar em solo gonçalense. Assim que o veículo parou, desci minha bicicleta da carroceria e pedalei com […]

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Cheguei ao Vila Três em 1989, aos 7 anos de idade. Quando o caminhão que trazia a mobília da família alcançou a esquina da rua onde moro até hoje, fiz meu primeiro amigo no bairro. Da janela do caminhão, sem ao menos pisar em solo gonçalense. Assim que o veículo parou, desci minha bicicleta da carroceria e pedalei com meu novo amigo. Nessa mesma rua, mês passado, eu observava meu filho andando de bicicleta quando dez bandidos armados nos mandaram correr e buscar abrigo, porque o tiroteio iria começar. Antes acolhedor, consideravelmente pacífico, o Vila Três não é mais o mesmo.

Quem mora no bairro, principalmente nas quadras próximas do Morro da Caixa D’água, já sabe: a rotina de nossas vidas foi violentamente alterada. Evitamos sair tarde do trabalho, perdemos as últimas aulas do curso e tememos qualquer diversão noturna porque é preciso estar dentro de casa cedo, de preferência antes de anoitecer.

Escutamos tiros diariamente, em qualquer horário, e há noites em que verdadeiras batalhas são travadas na região, com a população no meio. Armas automáticas são ouvidas por todos os lados, cuspindo rajadas de diversos tipos e sequências, não é barulhinho espaçado de revólver, é guerra intensa. Antes os vizinhos visitavam uns aos outros para conversar, hoje usam o telefone para saber se está tudo bem. É o mesmo que perguntar “Você foi alvejado? Alguma bala atingiu sua casa?”.

Experientes, as crianças do bairro não confundem mais tiros e fogos de artifício, sabem perfeitamente a diferença entre os dois. Há alguns meses atrás meu filho corria para meu colo quando o som angustiante começava. Hoje ele finge não ter medo, como os homens adultos. Continua assistindo desenho animado na televisão enquanto a guerra explode lá fora, apenas com uma grave tensão no rosto e ouvidos atentos. Eu aumento o som da TV, mas nada abafa o barulho de tiros a poucos metros. Geralmente mais sinceras sobre seus sentimentos, as mulheres agem diferente: durante o tiroteio, minha esposa se afasta das janelas, procura a proteção das paredes do corredor e se abaixa. De formas diferentes, o medo oprime a todos.

Ver a locadora onde aluguei filmes na adolescência fechada e escolas interrompendo suas aulas por ordem de traficantes dá a certeza de que uma época de inocência se foi. As famílias que vivem no Vila Três perderam a paz e o Estado não se pronuncia sobre a situação de guerra e medo. A Polícia faz buscas no Morro, nada encontra, vai embora e o tiroteio recomeça logo depois. Sinto saudades do Salema, ele tratava os gonçalenses com mais respeito.

Foto: Joseph Cunha

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Somos a solução gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/somos-solucao-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/somos-solucao-goncalense/#respond Thu, 27 Aug 2015 12:54:10 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3144 São Gonçalo é desagradável. Má iluminação, pilhas de lixo nas calçadas, esgoto escorrendo na sarjeta, veículos ensandecidos, propaganda irregular sufocante e gente apressada se embolam nas ruas. Além de sofrer com graves problemas na administração pública, como ausência de licitação na contratação de serviços essenciais. Mas, coitada, não é culpa da cidade. Nossos antepassados menosprezaram São Gonçalo e nós mantivemos […]

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São Gonçalo é desagradável. Má iluminação, pilhas de lixo nas calçadas, esgoto escorrendo na sarjeta, veículos ensandecidos, propaganda irregular sufocante e gente apressada se embolam nas ruas. Além de sofrer com graves problemas na administração pública, como ausência de licitação na contratação de serviços essenciais. Mas, coitada, não é culpa da cidade.

Nossos antepassados menosprezaram São Gonçalo e nós mantivemos o abandono. Sua feiura é totalmente artificial e pode ser convertida em algo belo, apropriado à sua natureza. Sua gestão será eficiente quando pessoas inteligentes, de boa vontade, estiverem envolvidas.

Você certamente tem projetos adiados indefinidamente que poderiam contribuir para o desenvolvimento municipal. Montar um negócio, talvez uma empresa de tecnologia ou livraria, dar aulas de reforço, ou vender roupas pela Internet. Talvez deseje participar ativamente da vida política. O que espera? A grande solução para São Gonçalo é o gonçalense praticar os próprios sonhos. Começando pequeno, você pode realizá-los agora.

Não use como desculpa a falta de tempo, dinheiro ou a rotina cansativa entre casa e trabalho. Para testar sua ideia de negócio com vizinhos e amigos, um final de semana apenas e pouquíssimo investimento são necessários. Não queira iniciar sua carreira de fotógrafo com a máquina mais cara e moderna do mercado, por exemplo, colabore consigo mesmo. E há sonhos que exigem apenas um computador e acesso à Internet, além de dedicação.

Não compreendia a frase “Quem ama o feio, bonito lhe parece” até ler o livro “O município de São Gonçalo e sua história”, de Maria Nelma Carvalho Braga. Como amar o feio? Qual beleza é vista? Amar São Gonçalo é encarar seus defeitos e se esforçar para resolvê-los. Amar hoje, enquanto é feia. A beleza que vemos é a concretização de nossos sonhos em harmonia com a transformação da cidade. Lixo e esgoto ainda existem nas ruas porque poucos habitantes estão em harmonia com a cidade.

Amar não é conformismo, pelo contrário, é trabalhar de cabeça erguida pela evolução. O caminho começa onde seus desejos e as necessidades de São Gonçalo se encontram, acreditando na possibilidade de ser feliz aqui.

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Sites da Prefeitura e da Câmara decepcionam https://simsaogoncalo.com.br/sites-da-prefeitura-e-da-camara-decepcionam/ https://simsaogoncalo.com.br/sites-da-prefeitura-e-da-camara-decepcionam/#respond Fri, 21 Aug 2015 12:28:58 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3127 Temos o privilégio de viver no período de maior inovação tecnológica da História. Ferramentas que agilizam a organização do trabalho e viabilizam a comunicação instantânea são criadas diariamente. A Prefeitura Municipal de São Gonçalo e sua Câmara de Vereadores, no entanto, seguem o atraso, a burocracia e a ineficiência de séculos atrás. Usando um aplicativo instalado no […]

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Temos o privilégio de viver no período de maior inovação tecnológica da História. Ferramentas que agilizam a organização do trabalho e viabilizam a comunicação instantânea são criadas diariamente. A Prefeitura Municipal de São Gonçalo e sua Câmara de Vereadores, no entanto, seguem o atraso, a burocracia e a ineficiência de séculos atrás.

Usando um aplicativo instalado no celular, o gonçalense pode ver e conversar, ao mesmo tempo, com diversas pessoas espalhadas pelo mundo. Se ele tentar se comunicar, através da Internet, com a Prefeitura ou com a Câmara Municipal, contudo, ficará decepcionado.

Mal planejado, pessimamente desenvolvido e tecnologicamente ultrapassado, o site da Prefeitura é utilizado pelo governo atual como portal de notícias forjadas a seu favor. Os demais links servem apenas para confundir o visitante, para que ele se esqueça de que o site, bem como a Prefeitura, pertencem ao povo e a ele deveria servir.

É preciso navegar por três páginas para iniciar o registro de uma ocorrência junto à Ouvidoria Geral. Esta funcionalidade, que deveria ser a principal do portal, em vez da propaganda pró-Mulim, fica escondida, a fim de desestimular a reclamação do cidadão. Quando a encontra e faz o registro, o internauta gonçalense ingênuo se alegra em vão: seu pedido, sugestão ou denúncia ficará perdida no mundo virtual infinito e nunca será respondida.

O site da Câmara consegue ser ainda mais deprimente. É uma experiência inteiramente fracassada, grotesca, verdadeira vergonha para os gonçalenses vivendo em pleno século 21, por desconsiderar aquilo que mais se espera dos vereadores: projetos que tornem São Gonçalo uma cidade melhor.

O site promete atualizações mensais dos relatórios de transparência, mas os mesmos ainda se referem a setembro/2014, quase um ano atrás. Exibe um telefone que ninguém atende e um email inválido, que não recebe mensagens. A afirmação de que será construído aos poucos é mentirosa, o site não é desenvolvido e carrega erros grosseiros, como parágrafos incompletos, links ocultos ou quebrados e páginas estranhamente vazias, como a de Licitações.

Existe uma distância enorme entre o gonçalense e os Poderes Municipais, distância que não cabe neste mundo. Como nos representam, se não podemos entrar em contato?

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É cedo para pensar em eleições https://simsaogoncalo.com.br/e-cedo-para-pensar-em-eleicoes/ https://simsaogoncalo.com.br/e-cedo-para-pensar-em-eleicoes/#respond Sat, 08 Aug 2015 03:19:14 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3093 Nas últimas semanas a imprensa estadual destacou, frequentemente, a movimentação política visando às eleições municipais de 2016. Tanto quanto a imprensa, o povo de São Gonçalo desistiu de lutar pelo presente, quando suportamos a gestão desgraçada do prefeito Neilton Mulim, que governará a cidade até o fim do ano que vem. Desistimos de cobrar explicações […]

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Nas últimas semanas a imprensa estadual destacou, frequentemente, a movimentação política visando às eleições municipais de 2016. Tanto quanto a imprensa, o povo de São Gonçalo desistiu de lutar pelo presente, quando suportamos a gestão desgraçada do prefeito Neilton Mulim, que governará a cidade até o fim do ano que vem.

Desistimos de cobrar explicações sobre as inúmeras promessas não cumpridas, como a tão necessária companhia municipal de limpeza urbana, assim, Mulim aproveita seu momento mais confortável no poder, livre, leve e solto. Nossa fraqueza permitiu, inclusive, a inimaginável afronta: Neilton Mulim quer se reeleger e para conseguir dispara dezenas de novas promessas a cada aparição pública, além de inaugurar com pompa obras que nem começaram.

Os futuros candidatos, e demais atores da desejada renovação política, elaboram suas propostas para as próximas eleições e formam alianças, e a imprensa tem a obrigação de noticiar estes fatos. Contudo, mesmo sujeitos ao desgaste público, ambos não devem relevar a inutilidade do atual governo, que não apresentou nada de valor.

A Educação, base da esperança de desenvolvimento de qualquer cidade, nunca esteve tão mal em São Gonçalo. O dinheiro suado do contribuinte estraga dentro das maletas (adquiridas sem licitação) do programa Magia de Ler, pertencentes às crianças pobres sem hábito de leitura. Intelectuais importantes consideram esta geração de gonçalenses perdida, como a geração dos seus pais, atualmente fútil e desempregada ou sujeita à informalidade. Mas certamente algo pode ser feito por essas crianças, como clubes de leitura improvisados nas escolas, em caráter de emergência, e apenas discutir as eleições de 2016 não ajudará.

Se nós, cidadãos, honrássemos nosso voto, Mulim, cujo governo é um fiasco, não ousaria sequer pensar em reeleição. O orçamento doméstico continua apertado, a rua, esburacada, o poste, sem luz, o esgoto corre a céu aberto, o lixo domina as calçadas e nós permanecemos parados nos bares, como estátuas sorrindo. É difícil lidar com mulas empacadas, mas pressão popular, com estudo e construção de soluções, conduz políticos preguiçosos ao trabalho. As crianças gonçalenses que arrancam páginas de livros para fazer aviões de papel não contam com o privilégio de aguardar o próximo prefeito.

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Aparições de Mulim são momentos mágicos https://simsaogoncalo.com.br/aparicoes-de-mulim-sao-momentos-magicos/ https://simsaogoncalo.com.br/aparicoes-de-mulim-sao-momentos-magicos/#respond Mon, 27 Jul 2015 15:31:13 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3084 Quando Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo (2013-2016), aparece nas ruas da cidade, respirando o mesmo ar que o povão, é lindo. Um funcionário da Prefeitura anuncia a chegada de Mulim em alto e bom som, alegremente, mas ninguém o vê de imediato. Centenas de fogos de artifício estouram, as pessoas gritam de felicidade, sorriem e aplaudem, […]

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Quando Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo (2013-2016), aparece nas ruas da cidade, respirando o mesmo ar que o povão, é lindo.

Um funcionário da Prefeitura anuncia a chegada de Mulim em alto e bom som, alegremente, mas ninguém o vê de imediato. Centenas de fogos de artifício estouram, as pessoas gritam de felicidade, sorriem e aplaudem, enquanto o suspense é mantido por alguns minutos.

A mulher mais simpática e falante da equipe de governo percorre o local distribuindo bolas brancas e azuis, as cores da cidade, primeiramente às crianças. Sem saber, elas têm a jovialidade roubada pelo fotógrafo que acompanha as entregas de bolas por todos os lados, para promoção posterior do evento. As crianças são contagiadas pela “tia” empolgante e, com bola na mão, sorriem naturalmente para a foto e propaganda perfeitas.

Os acostamentos das ruas ao redor já estão lotados de carros considerados de luxo pelo gonçalense pobre, veículos belos e caros pertencentes aos secretários, vereadores pró-governo e assessores de ambos que acompanham a comitiva. As ruas, aliás, antes foram preparadas pela equipe de manutenção trazida especialmente para a aparição do Prefeito. O pessoal da limpeza capina, varre, arranca as faixas irregulares, pinta o meio-fio e os postes de luz com velocidade incrível. O local, antes sujo e desamparado pelo poder público, de repente se transforma. Maravilhoso mesmo é o caminhão enorme, luminoso, visto raríssimas vezes, que limpa as ruas de forma extraordinária por onde passa. Você se sente em Paris ou Nova York observando esse caminhão.

Então, Mulim surge caminhando. As pessoas o cumprimentam, todos o amam. Cidadãos oportunistas, ignorantes e líderes comunitários analfabetos querem tocá-lo, conhecê-lo, ter uma fotografia ao seu lado pois um dia desejam ingressar na política gonçalense. Sorridente, o Prefeito os cumprimenta, sem exceção. Quando consegue chegar ao microfone, Mulim diz exatamente aquilo que o povo precisa ouvir. Ele critica o governo anterior, promete recuperar a Praça Chico Mendes, urbanizar o Alcântara, levar saneamento básico e asfalto a mais e mais bairros (sem mencionar que aproveita verbas federais). Seus apoiadores iniciam uma salva de palmas, mais fogos são estourados, o povo se sente nas nuvens, apesar de absolutamente nenhum cronograma dos projetos prometidos ser apresentado.

Quando Mulim vai embora, o local volta a pertencer a São Gonçalo: restos de fogos de artifício ficam pelo chão, como também os copos plásticos distribuídos com água para as autoridades. Porque o atual governo não se preocupa de verdade com a cidade. Mas quando ele está presente é diferente, o momento é mágico. Ah, Mulim, você deveria aparecer mais vezes.

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Obrigado, Salema https://simsaogoncalo.com.br/obrigado-salema/ https://simsaogoncalo.com.br/obrigado-salema/#respond Tue, 21 Jul 2015 03:37:56 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3069 Antes do derradeiro adeus, obrigado. Por mostrar que ainda há dignidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando tantos casos de conduta indevida são destacados pela imprensa. Por fazer o lema “Servir e proteger” sair das paredes do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e encontrar as ruas de São Gonçalo e […]

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Antes do derradeiro adeus, obrigado. Por mostrar que ainda há dignidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando tantos casos de conduta indevida são destacados pela imprensa. Por fazer o lema “Servir e proteger” sair das paredes do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e encontrar as ruas de São Gonçalo e seus cidadãos aflitos. Por recuperar o respeito geral pelo 7º BPM, antes corrupto e assassino, agora um braço efetivo da sociedade.

Obrigado por escolher a melhor forma de comandar, tendo a população como ponto de apoio, em vez da presunção comum a tantas autoridades policiais. Por abrir mão de momentos importantes com a família para estar entre os gonçalenses, incessantemente, durante os últimos 11 meses. Foram ações beneficentes, passeios ciclísticos, caminhadas e corridas, mais do que o trabalho rotineiro esperado, que permitiram conhecer o rosto e a voz do responsável direto pela nossa segurança.

Agradecemos por mostrar o caminho para uma cidade mais segura, onde os habitantes interagem com a Polícia, por isso confiam na instituição e colaboram com ela. Onde o cidadão tem o policial como amigo ao seu lado. Em dias de medo, em que o estado do Rio de Janeiro enfrenta uma guerra contra o crime brutal, tivemos um batalhão honesto e eficiente, destacado por índices claros de redução da criminalidade no município.

Apesar da violência nos rondar – a guerra não é só em São Gonçalo, atinge o Estado e também o País – hoje o gonçalense pode bater no peito com orgulho e dizer que tem um batalhão de polícia que combate o crime e não é cúmplice do mesmo, como em vergonhosas gestões anteriores.

Graças a você, acredito o suficiente no 7º BPM para pegar o telefone e denunciar a violência que os moradores da minha rua sofreram. Quase dez homens armados, a pé, passaram por aqui e estabeleceram toque de recolher. Era domingo, às 18:30, e as crianças que brincavam na rua entraram em pânico.

É uma pena que São Gonçalo continue perdendo grandes riquezas para Niterói. Mas a você, Salema, que nos deu segurança e esperança, obrigado.

Foto: Jornal O São Gonçalo

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Entre a inércia e a podridão política https://simsaogoncalo.com.br/entre-inercia-e-podridao-politica/ https://simsaogoncalo.com.br/entre-inercia-e-podridao-politica/#respond Mon, 13 Jul 2015 15:59:28 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=3051 Faltando 15 meses para as eleições municipais de 2016, o povo de São Gonçalo é refém da inércia da Prefeitura e da política ambiciosa em curso na Câmara de Vereadores. Ambas se esqueceram das necessidades da população e cobiçam apenas o poder. O objetivo é manter ou conquistar o mais alto cargo do Poder Executivo Municipal e […]

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Faltando 15 meses para as eleições municipais de 2016, o povo de São Gonçalo é refém da inércia da Prefeitura e da política ambiciosa em curso na Câmara de Vereadores. Ambas se esqueceram das necessidades da população e cobiçam apenas o poder.

O objetivo é manter ou conquistar o mais alto cargo do Poder Executivo Municipal e gerir durante o mandato um orçamento anual de R$ 1,2 bilhão. Para vencer, governo e oposição empreendem a política mais suja que existe no mundo, aquela que não reconhece os próprios erros, que omite informações, onde as consequências de cada ato ou pronunciamento são meticulosamente avaliadas tendo a reação da opinião pública como preocupação principal, em vez dos benefícios para a sociedade. Nos dois lados os bons homens se calaram e consequentemente se anularam. Restaram somente interesses políticos gananciosos e os peões deste jogo de xadrez, os primeiros perdedores, somos nós, cidadãos gonçalenses.

Prefeitura e Câmara jogam hoje em times adversários, são inimigas. A tão pregada “harmonia entre os Poderes” é uma utopia e ninguém se interessa em buscá-la. Trocaram o trabalho honesto pela briga política burra, enxergando apenas elas mesmas, e ignoram seu papel básico de atendimento à população.

Enquanto disputam entre si, falta ao Executivo e ao Legislativo um canal eficiente de comunicação com as pessoas. O sistema online da Ouvidoria da Prefeitura é precário, confuso e não responde aos chamados abertos. Quanto à Câmara, o email de contato que aparece no seu ridículo site é inválido e ninguém atende seu telefone.

Os gonçalenses escolhem mal seus representantes. Aceitam cesta básica, nivelamento de rua e emprego temporário em troca do voto. Mas o fazem por necessidade, pois ganham pouco, não suportam mais pisar na lama e convivem com o desemprego. E ainda existem os eleitores que, apesar das dificuldades, não trocam seu voto, mas, profundamente decepcionados, se contentam com o candidato menos pior ou anulam o próprio voto. O povo deve parar de culpar a si mesmo. Se há um culpado pela inércia da Prefeitura e pela podridão política na Câmara, são os mentirosos que lá estão e se dizem defensores do povo.

Foto: Rua Visconde de Itaúna, Paraíso (a rua do Colégio Paraíso), que sempre alaga em dias de chuva, já tem seu próprio rio de esgoto correndo na via.

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Vereadores traíram o povo gonçalense https://simsaogoncalo.com.br/vereadores-trairam-o-povo-goncalense/ https://simsaogoncalo.com.br/vereadores-trairam-o-povo-goncalense/#respond Thu, 02 Jul 2015 12:11:18 +0000 https://simsaogoncalo.com.br/?p=2998 A Câmara de Vereadores de São Gonçalo era a única esperança de defesa dos interesses do povo, que sofre com a má administração de um prefeito indiferente. Mas, no dia 20 de junho de 2015, até os gonçalenses mais otimistas se sentiram desamparados: o jornal A Tribuna publicou que a Câmara gastará mais de R$ 600 mil em […]

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A Câmara de Vereadores de São Gonçalo era a única esperança de defesa dos interesses do povo, que sofre com a má administração de um prefeito indiferente. Mas, no dia 20 de junho de 2015, até os gonçalenses mais otimistas se sentiram desamparados: o jornal A Tribuna publicou que a Câmara gastará mais de R$ 600 mil em aluguel de veículos no próximo semestre.

Indivíduos que ganham pelo menos R$ 15 mil por mês terão à sua disposição um carro alugado com dinheiro público, em uma cidade onde a renda per capita é inferior a um salário mínimo. Traição. Uso da máquina pública em benefício próprio.

Dezessete carros populares poderiam ser adquiridos com o dinheiro do aluguel. Se eventualmente o trabalho dos vereadores exige o uso de veículos, a Câmara poderia comprar dois ou três e cedê-los aos parlamentares mediante agendamento e real necessidade. Para o trabalho ordinário, no entanto, que os nobres vereadores utilizem o próprio carro ou o ineficiente e desconfortável transporte público nos seus deslocamentos, pois é apenas com ele que o cidadão comum pode contar.

Ao favorecer a si mesma, a Câmara despreza os gonçalenses que andam quilômetros na lama ao sair de casa para trabalhar até encontrar a primeira linha de ônibus. E ainda que este benefício injusto seja herança da legislatura anterior, os vereadores demonstrariam alguma honestidade ao acatar uma das seguintes opções: cancelar o contrato com a locadora e pagar a multa rescisória com o próprio salário, ou ceder os veículos à Secretaria de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, para o transporte exclusivo dos cidadãos com dificuldades de locomoção. Talvez assim recuperem parte da confiança do povo.

Os parlamentares, que viram as costas para esta aquisição desprezível, na verdade se contaminam com sua baixeza. Evitam o assunto, pois o encaram como intriga política. Cegos pela ambição, não se guiam pela ética e colocam a disputa pelo poder acima do bem-estar popular. Se legislassem para o povo, venceriam facilmente a disputa política, mas não veem o óbvio.

O povo gonçalense, traído, não tem representantes honestos. Quem acredita na ajuda divina ainda tem esperança.

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